31 de ago. de 2008

Vivendo com o Inimigo

A palavra mente é uma das que tem maior número de sentidos e acepções, podendo ser usada como espírito, alma, razão, sabedoria, juízo, discernimento, inteligência, talento, gênio, pensamento, plano, projeto, intento, memória, caráter, índole, sentimentos, valor, ânimo, coragem, sentido e significação. Mas neste artigo nós a usamos como o conjunto de conceitos formados com forte conteúdo emocional e que orienta nossas ações quando não submetidas a profunda análise racional. Quando esses conceitos nos levam a ver o pior, mesmo que só como possibilidade, como se fossem demônios a nos induzir a ver o lado negativo das coisas, nós podemos chamar essa atitude de neura. A neura, então, seria gerada por uma espécie de voz interior extremamente negativa que está sempre destacando o que de pior pode acontecer, mesmo quesó imaginariamente. Por que existe essa tendência negativa em muitas pessoas? Será que é conseqüência de uma criação que levou à formação dessa atitude? Será algum fator genético? No momento, não importa a causa. O que importa é saber lidar com esse pessimismo involuntário e como não deixar que ele nos prejudique. Inicialmente, é preciso estar ciente de que não podemos nos identificar com essa faceta da mente. Nós não somos ela, tanto que somos capazes de observar a maneira dela atuar como se não fôssemos nós os envolvidos. Ela vem lá do fundo para nos atormentar. Se soubermos que isso é como se houvesse alguma força querendo nos amedrontar e que podemos lidar com ela como um hóspede indesejável na nossa cabeça, já teremos identificado o inimigo e é mais fácil combater o que conhecemos. Precisamos nos reeducar para repelir as idéias negativas pelo uso da razão e pelo uso do mecanismo emocional. Pelo uso da razão, temos de analisar muitos de nossos temores que jamais ocorreram. E seguramente foram na maioria, se não a totalidade. Essa análise mostrará ao nosso intelecto que não podemos continuar pensando no pior. Podemos organizar uma lista de coisas que tememos nos últimos dois anos eque não aconteceram como as víamos pelo lado pior. Podemos também dizer à neura: Não, não vou aceitar a sua negatividade! Basta de me atormentar! Vai acontecer o melhor. Entrego o assunto ao meu sistema de autopreservação e preservação da espécie (SAPE) e sigo na certeza de que o melhor vai acontecer. É preciso vigiar os pensamentos e não deixar que eles se envolvam pelo ladonegativo. É preciso evitar palavras e expressões que expressem ânimo negativo, do tipo: "Isso só acontece comigo", "Hoje não é o meu dia", "Um urubu pousou na minha sorte", "Nada dá certo comigo" e muitas outras. Do ponto de vista do lado emocional, temos de aprender a emotizar toda e qualquer possibilidade dos acontecimentos pela visão positiva. Isso tem quese tornar um hábito, pois é assim que as coisas vão ocorrer.
Prof. Luiz Machado
Picture by Vermer

A noite é feita para dormir

A privação do sono tem levado os adolescentes a problemassérios de saúde. A nova doença a entrar na lista é a hipertensão
Está faltando sono de qualidade na noite dos adolescentes. A privação do descanso noturno predispõe os jovens a problemas sérios de saúde e comportamento.
Males que até agora se acreditavam típicos de adultos insones, como a obesidade e a depressão, começam a se manifestar entre os mais novos. A última pesquisa sobre o assunto revelou que as noites maldormidas podem levar os adolescentes à hipertensão, um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares. Pesquisadores da Universidade Cleveland, nos Estados Unidos, acompanharam 238 meninos e meninas entre 13 e 16 anos que dormiam, em média, sete horas por dia – duas a menos que a quantidade tida como ideal. Divulgado pela revista científica Circulation, o trabalho revelou que 26% dos jovens tinham dificuldade para pegar no sono ou acordavam freqüentemente durante a noite, o que elevou em 3,5 vezes o risco de hipertensão. Outros 11% dormiam menos de seis horas por noite – e tiveram 2,5 vezes mais probabilidade de apresentar pressão alta. "O sono é um item fundamental para a vida saudável, mas raramente incluído na famosa e já tão batida combinação de dieta e exercícios físicos para a boa saúde", diz o neurofisiologista Flávio Alóe, do Centro de Estudos do Sono do Hospital das Clínicas, de São Paulo. Os grandes ladrões do sono juvenil são os hábitos da vida moderna e a correria do dia-a-dia. Além da escola, há uma extensa lista de atividades extracurriculares a ser cumprida. Deve-se levar em conta ainda a agitada vida social (geralmente noturna) a que muitos desses jovens se submetem. O grande culpado pelas noites maldormidas dos adolescentes, porém, está dentro de seus próprios quartos. Nos últimos anos, esse aposento destinado inicialmente ao descanso foi palco de uma invasão tecnológica – televisão, DVD, aparelho de som, computador, videogame, telefone… O quarto foi descaracterizado como local de dormir e os pais perderam o controle sobre o horário de seus filhos. A noite chega e o adolescente se encastela nele. É difícil desligar, querer ir para a cama, quando se pode estar plugado ao mundo todo, o tempo todo. Quem tem mais de 40 anos certamente se lembra quando, em determinado momento da madrugada, as emissoras de televisão saíam do ar – para voltar só no dia seguinte. Hoje, no entanto, não faltam opções para manter a rapaziada acesa. Segundo Susan Redline, coordenadora do trabalho de Cleveland, o sono dos jovens, em geral, ficou bem mais curto nos últimos vinte anos. Nos Estados Unidos, 80% dos garotos e garotas de 13 a 18 anos não dormem o número mínimo de horas considerado ideal. "Quando é possível escolher entre o sono e outra atividade, a maioria opta pela segunda", escreveu o neuropediatra americano Richard Ferber, da Universidade Harvard, no livro Bom Sono. Os efeitos da falta de sono são especialmente perversos numa etapa da vida em que o organismo está em pleno desenvolvimento. O sono de má qualidade deixa as funções cerebrais mais lentas, o que, no caso de um adolescente, pode afetar o aprendizado e comprometer o desenvolvimento físico. Uma boa noite de repouso é importante, por exemplo, para síntese de GH, o hormônio do crescimento. Nos meninos, 80% de todo o GH é secretado nas fases mais profundas do sono, quando o descanso se torna de fato reparador. Entre as meninas, 60% do hormônio é liberado nesses estágios. A falta de GH não só atrapalha o processo natural de crescimento como acaba por prejudicar a qualidade do sono. Inicia-se, assim, um círculo vicioso extremamente arriscado. Os estudos sobre a fisiologia do sono dos adolescentes são bastante recentes. Apenas na década de 90, por exemplo, descobriu-se que o hábito dos jovens de dormir tarde e acordar tarde não é simplesmente preguiça – e, sim, resultado da revolução hormonal a que esses meninos e meninas são submetidos nesse período da vida. Entre os adolescentes, a produção diária de melatonina, o hormônio que estimula o sono, sofre um atraso de até quatro horas em relação à da população em geral. Mesmo os jovens que dormem o necessário tendem a ficar sonolentos até o meio da manhã e alertas a partir do meio da tarde. Com base nessas descobertas científicas, algumas escolas já alteraram o horário das aulas dos adolescentes. Em muitos colégios americanos, o sinal de entrada foi atrasado em uma hora, para alívio de alunos, pais e professores. No Brasil, alguns optaram por iniciar o dia com aulas voltadas às artes ou à educação física. As alterações no padrão do sono típicas dos jovens, somadas ao estilo de vida atual, transformam a adolescência numa das fases da vida mais propensas aos distúrbios do sono. A maioria desses transtornos pode ser tratada com um simples ajuste de horários. Isso pode ser feito de forma gradativa, mas depende do pulso firme e das regras impostas pelos pais. Os remédios para dormir são uma exceção e só valem para os casos mais sérios.
Anna Paula Buchalla

30 de ago. de 2008

Flor de lis

Quando ouvimos algo e não sabemos o por quê...
Quando descobrimos, percebemos que mesmo assim, dá pra fazer poesia com uma história triste e quando sabemos cabe a nós, tentarmos interpretar!
Exemplo, Djavan teve uma mulher chamada Maria. Os dois teriam uma filha que se chamaria Margarida, mas sua mulher teve um problema na hora do parto e ele teve que optar por ela ou por sua filha. Perdeu as duas por obra do destino. Agora é possível entender a letra da música, sobre o ponto de vista de Djavan para o mundo, transformando sua dor em arte.
Título : Flor de Lis
Valei-me, Deus!
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei,
Que amei, que amei, que amei
Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis
E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira,
Poeira
Morto na beleza fria de Maria
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem Margarida nasceu.
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem Margarida nasceu.
Aproveite cada momento da sua vida ao máximo, passe o maior tempo possível com as pessoas que você ama , torne estes momentos inesquecíveis. Aproveite a sua vida! Problemas, esses todos temos, podem ter certeza! A diferença é saber que um dia todos eles, mais cedo ou mais tarde, vão se resolver, e, provavelmente, daí surgirão outros. Não podemos ficar esperando a ausência de problemas para sermos felizes!
'A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego... de tanto rir, de surpresa, de êxtase, de felicidade.'
Pare e Pense...
"Quando você tem que fazer uma escolha e você não faz, isto já é uma escolha.”
Picture by Joan Miro

Valorize o que você tem

Um violinista, bastante elogiado em seus concertos, tinha um irmão que era pedreiro. Certo dia, uma mulher disse extasiada ao pedreiro: "Deve ser maravilhoso ter um violinista tão famoso na família." A seguir, não querendo insultar o pedreiro, ela continuou: "Claro que nós não temos o mesmo talento, e até em uma família, alguns têm mais talentos que os outros." O pedreiro respondeu à mulher: "Eu sei muito bem disso! Meu irmão violinista não entende nada sobre colocar tijolos. Se ele não fosse capaz de conseguir dinheiro tocando seu violino, não poderia contratar um sujeito competente como eu para construir uma casa. Se fosse necessário ele construir a casa para morar, estaria arruinado." Se desejamos construir uma casa, não precisamos de um violinista. Se pretendemos contratar uma orquestra, não necessitamos de um pedreiro. Não há dois de nós exatamente iguais. Não temos todos os mesmos dons e habilidades. Somos responsáveis por exercitar os dons que possuímos e não aqueles que gostaríamos de possuir. E quando temos de tomar decisões sobre nossa própria vida e sobre qual direção tomar, devemos enfocar nossas forças e não nossas fraquezas. Precisamos conhecer a nós mesmos. Temos de saber o que fazemos bem e nos empenhar nisso com todas as forças. Nossa determinação e esforço realçará nossas virtudes e ocultará as nossas debilidades.Cada um de nós tem seu próprio valor. Não podemos medi-lo comparando-o com os demais. Deus nos deu talentos e cabe a nós desenvolvê-los com todo amor e prazer. Deus não deseja que façamos mais do que Ele espera de nós e nos tornamos uma grande bênção quando cumprimos a nossa parte no cenário da vontade do Senhor. Deixamos, muitas vezes, a felicidade escapar simplesmente porque estamos empenhados em nos parecer com uma outra pessoa. Enganamo-nos. A verdadeira alegria e satisfação não se encontra nas conquistas de sonhos distantes e sim daqueles que estão ao nosso alcance. Louve a Deus pelo talento que Ele lhe deu. Use-o como se fosse o maior de todos os talentos. E tenha certeza de que verdadeiramente é o maior. Fazendo isso, você encontrará a plenitude da felicidade para sua vida.
Picture by Vincent Van Gogh

29 de ago. de 2008

Preocupação

A preocupação é como a cadeira de balanço: mantém você ocupado, porém não o leva a lugar algum
Hedy Silvado

Aliviando a consciência pesada

Até que se prove o contrário, ainda não inventaram uma maquininha que nos faça voltar no tempo e agir de maneira diferente para remediar determinada situação. Somente no cinema isso é possível. Deve ser por isto o tamanho sucesso (já há duas décadas) do filme De Volta para o Futuro: a vontade que muitas vezes sentimos de regressar e fazer tudo de outro jeito. Para aliviar a culpa que nos atormenta. E se naquele dia eu tivesse agido diferente? E se tivesse ido por outro caminho, se dissesse aquela palavra que tanto queria dizer, ou se não tivesse sido teimoso? Ninguém tem bola de cristal para saber o que aconteceria, e o que está feito, está feito. Mas quando essa série de perguntas aparece, a impressão que dá é que a culpa é a mãe das frases no condicional que nos causam mais angústia. Repare. Sem culpa, este tempo verbal não teria a menor graça. A verdade é que revolver o passado é uma de nossas (vãs) artimanhas para tentarmos nos livrar deste fardo que carregamos nas costas: a culpa. Ela nos faz perder o sono, traz dor no peito, nó na garganta. Martela dia e noite em nossa cabeça. Graças a seu poder devastador, costuma ser utilizada freqüentemente e com sucesso como o principal instrumento de quem gosta de fazer chantagem emocional. É amiga e vizinha de outra tinhosa, a vergonha. A culpa se senta como um urubu nos ombros de todos nós, diz o psicólogo James Hollis, diretor do Centro de Estudos Jung de Houston, nos Estados Unidos. Todos nós? Sim, todos. Ninguém está livre de sentir culpa ela é inerente a nossa vida.
É lógico que há quem se sinta mais ou menos culpado. E também há jeitos e jeitos de lidar com esse sentimento. Se não podemos viver sem culpa, também não precisamos fazer com que ela seja corrosiva muito menos que sirva de álibi para remexermos aquilo que já foi feito. O pulo do gato é que a culpa pode, sim, ser um poderoso instrumento de transformação e conhecimento, e até mesmo se converter em um substantivo bastante construtivo: a responsabilidade, por exemplo. A culpa é de quem?
Antes de insultar a culpa, seria melhor apresentá-la a você. Quem seria o culpado por ela, afinal? De onde vem essa sensação que tanto nos apoquenta? A culpa é um sentimento que parte de alguém que transgrediu (ou acha que transgrediu) alguma norma, seja ela social, seja legal, moral, ética ou religiosa. É a violação de alguma regra que pode ou não ter causado dano a alguém. Mas por que diabos todo mundo tem essa sensação? Segundo Sigmund Freud, a culpa aparece logo nos primeiros anos de vida, quando a criança começa a perceber que a mãe não é inteira de sua propriedade.
A criança vai sentindo, aos poucos, a perda das atenções da mãe, sua principal fonte de afeto, com a entrada de um terceiro elemento na história: o pai. Essa perda vem carregada de um sentimento de raiva pelo próprio pai. E raiva traz culpa. Em linhas gerais, esse é um breve resumo do famoso complexo de Édipo, que é a base da formação da personalidade de todos nós.
Ao sentirmos culpa, freamos instintos que podem ser agressivos. Por isso, para a psicanálise, a culpa é o resultado do advento da própria civilização, que procurava limitar seus impulsos. Nascemos com um programa inviável, que é atender aos nossos instintos, mas o mundo não permite, dizia Freud. Somente por sentirmos culpa é que aceitamos as regras impostas pela cultura. A culpa acaba estabelecendo limites e possibilita o convívio. E regras existem em todas as sociedades, desde que o mundo é mundo concordemos ou não com elas.
Na Idade do Gelo, por exemplo, no início do processo de humanização, nossos antepassados já criavam regras de convivência, como a proibição do incesto, por exemplo.
Essa condenação só seguiu adiante e se tornou a principal característica da nossa formação cultural por haver o sentimento de culpa presente. Nós introjetamos valores da cultura em que estamos inseridos.
Cada vez que saímos desses registros, aparece a culpa, afirma a psicóloga Mirian Chnaiderman. Então parece que a culpa nem é tão vilã assim como se imagina. Em princípio, não mesmo. O problema é quando ela se desenrola.
Isso porque o sentimento de culpa vai além da transgressão. Ele é também, no fundo, um desejo de perfeição. Cada dia mais, precisamos fazer escolhas e admitir que podemos ter errado em uma dessas escolhas pode ser muito doloroso. Optar entre ir por este ou aquele caminho realmente angustia. Contudo, pode ser uma excelente oportunidade para o exercício do autoperdão, aquele que nos força a um entendimento, à compreensão de nós mesmos. Se tomamos uma atitude, foi porque acreditamos que era o melhor a ser feito naquele momento. Agimos de acordo com os instrumentos que tínhamos para agir.
A dificuldade se autoperdoar faz com que uma das culpas mais freqüentes seja o ressentimento por coisas que não foram realizadas na hora certa e no momento exato. A dor do filho que não demonstrou amor pelos pais antes de morrerem; a mãe que decidiu deixar de passar mais tempo com as crianças para aceitar um novo cargo no trabalho; o jovem que gastou toda sua mesada em jogos de videogame em vez de comprar livros. Essas são culpas modernas, culpas recorrentes nos dias de hoje.O que leva a crer que, quanto mais complexa fica nossa sociedade, mais culpados nós ficamos.
Até o século 19, por exemplo, a culpa estava ligada diretamente ao pecado e ao temor a Deus. Não que isso fosse fácil, mas era possível, ao menor sinal de falha, se confessar ao padre ou rezar. Com as revoluções de valores e de comportamento do século 20, a coisa mudou de figura. O homem contemporâneo se tornou e continua se tornando cada vez mais livre para fazer o que bem entende. Isso aumentou significativamente suas possibilidades de escolha e, claro, de culpa.O sentimento de culpa pode ser, no fundo, um desejo (demasiado humano) de perfeição
O papel da religião
Já que falamos em temor a Deus, é bom lembrar que a culpa nossa de cada dia tem muito a ver com a educação que recebemos, com nossos valores morais e religiosos a respeito daquilo que é certo e daquilo que é errado. A tradição judaico-cristã contém uma parábola perfeita para a culpa. Adão e Eva comem o fruto proibido da Árvore do Conhecimento. Logo descobrem que estão nus e que são responsáveis por decisões que venham a tomar. Eles acabam expulsos do Paraíso e ainda deixam de herança o pecado original, um fardo que exige expiação perpétua da humanidade. Mas por que tinha que existir o fruto proibido? Bem, na sua onisciência, Deus com certeza sabia que ocorreria a transgressão.
Outro caso subseqüente é a história de Caim e Abel. Depois de matar o irmão, Caim não apenas é declarado culpado. Ele é também marcado na face, o que o obriga a carregar até o fim da vida o sinal de sua infâmia. Mesmo após o primeiro crime e a expulsão do Paraíso, Deus continua dialogando com o ser humano o tempo inteiro no Antigo e no Novo Testamento. Oferece um poderoso apoio emocional de pai, de salvador, de protetor. Por outro lado, estabelece severos padrões morais a serem seguidos.
Quando não são, vem a culpa. Pode parecer que se trata de um problema da civilização ocidental, mas a culpa se estende por qualquer religião, uma vez que está ligada ao ato de transgredir. Para o católico pode ser violar os Dez Mandamentos; para o judeu, comer carne de porco; para o hinduísta, comer quaquer tipo de carne. E por aí vai.
Ainda seguindo a trilha do contexto religioso, a educação que recebemos foi muito pautada em cima de conceitos hoje discutíveis o castigo, por exemplo. Na Bíblia, há um provérbio atribuído a Salomão que diz: Quem poupa a vara é porque odeia seu filho. Quem o ama, repreende-o com freqüência. Isso era comum em toda a Antiguidade. Os castigos aplicados em Esparta eram conhecidos por sua dureza. Mais tarde, na Idade Média, era comum a flagelação ser usada na educação.
No Brasil, até pelo menos a metade do século 20, ainda era usada a palmatória nas escolas.
A indução da culpa era um meio disciplinador. E não é raro, até mesmo nos dias de hoje, ouvir nas escolas frases como: Você deveria se envergonhar do que fez; Ainda bem que seu pai não está aqui para ver isso.
É como se o erro fosse sempre uma porta para o castigo daí o medo de errar, e a culpa quando o erro é inevitável. A questão é: deixar de castigar não significa deixar de educar. Muito pelo contrário.
Quando castigamos um filho porque ele fez algo que não achamos bom, ele pára o caminho dele naquele castigo. Mas quando falamos Isso você não pode fazer, encontre um outro jeito que seja mais aceito, que seja ético, estamos desenvolvendo um futuro cidadão, uma pessoa que não vai parar diante de pedras no caminho, que vai procurar uma maneira de superar obstáculos, afirma o psiquiatra Içami Tiba.
A religião pode ser historicamente uma fonte de culpa, sim, tendo reverberado na educação de todos nós. Por outro lado, esta mesma religião é também sua principal fonte de expiação. A prática religiosa, em que o fiel busca redenção em Deus, é uma das melhores formas de aliviar o remorso. Seja rezando, seja contando seus pecados ao padre no confessionário, seja ajoelhando-se em prostrações, ou até chicoteando as costas em praça pública como autopunição. Ao mesmo tempo que o sagrado julga e pune, ele nos redime e alivia.
Há pessoas que costumam se sentir culpadas o tempo todo, de forma neurótica
Doentes de culpa
A culpa não é, em si, necessariamente, uma doença, mas pode desencadear algumas enfermidades, sim. Há pessoas que tendem a se sentir culpadas o tempo todo. Alguém que experimenta culpa exacerbada pode fazer com que ela vire uma neurose. Normalmente, é o tipo que se sente inseguro, tem dificuldade de tomar iniciativas até por medo de errar. Nunca aceita elogios, não consegue ser homenageado, aquele que ninguém consegue encontrar um presente para dar no dia do aniversário. Não tira férias, trabalha demais, está sempre angustiado. Tem baixa auto-estima, nunca acredita em si mesmo.
Como é de se esperar, a vida sexual de um culpado é obviamente difícil. Em casos extremos, um atormentado pela culpa isolase dos amigos e da família e, no limite, pode tentar até o suicídio. Com tudo isso, não é de estranhar que possam aparecer somatizações. A depressão é a doença mais comum dos culpados crônicos. O remorso também pode, em alguns extremos, levar ao alcoolismo e ao consumo de drogas. E, para tratar tais sintomas, é preciso chegar à fonte do problema, ou seja, à culpa.
A terapia deve ser profunda, chegar até onde mora o sentimento, uma vez que culpa não é uma emoção passageira. Qual a diferença entre uma coisa e outra? A emoção é algo mais primitivo, surge mais espontaneamente no ser humano. Mas costuma ser transitória, passa logo. Arroubos de paixão podem ser um bom exemplo de emoção. Sem contar que a emoção é uma sensação visível: alguém apaixonado fica ruborizado ao ver o objeto de sua paixão. Já o sentimento é outra história.
Ele é pautado pela cultura, pelo modo de vida e pelo aprendizado social. Aprendemos a ter sentimentos no decorrer da vida com pais, professores, amigos, líderes espirituais. Assim, vamos aprendendo a sentir culpa, cada vez mais e mais. Por isso ela acaba se enraizando. Muito bem: a culpa pode ser ve nenosa quando excessiva e causar até doenças. Mas também ela precisa existir, pelo menos um pouquinho.Na dose certa, ela demarca os limites do que podemos ou não fazer, dos nossos valores, daquilo que consideramos ético e justo. Apenas pessoas com distúrbios de caráter são capazes de infringir regras sem sentir o mínimo arrependimento.
Não há consenso entre os médicos sobre as razões dessa ausência de um sentimento tão essencial. Especula-se sobre falha genética, bioquímica e até sobre traumas sofridos na infância. Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que 1% da população mundial é portadora do distúrbio. Ou seja, uma em cada 100 pessoas é capaz de causar o mal sem ter um pingo de remorso. No mundo de hoje, a culpa ganha contornos terríveis por um lado e invisíveis, por outro, diz Mirian Chnaiderman. Vivemos uma crise de valores, falta-nos uma mediação para lidar com isso. Essa mediação talvez seja um pouco de culpa. Mas, segundo Mirian, não deve ser no formato de culpa como conhecemos. A culpa deve ser transformada em percepção do outro, em formas de enxergar melhor o outro. Assim, ela vira um sentimento positivo, afirma.
Realmente, de nada adianta sentir culpa, ao infringir uma norma, e ficar com ela ali, guardada dentro do peito. Quando a culpa aparece, a primeira pergunta a se fazer é sobre a voluntariedade de seu ato. Será mesmo que você teve a intenção de criar um problema para o outro? Provavelmente não. Mas isso não o exime da responsabilidade sobre o que ocorreu. Mas repare que responsabilidade é bem diferente de culpa. A melhor maneira de você se aliviar da culpa é aceitar a crítica por suas ações, desculpar-se e reparar o dano causado, escreveu o psiquiatra americano David Viscot.
Quem assume uma responsabilidade está tirando a culpa da sombra, está jogando esse sentimento para fora. É um primeiro passo para o entendimento do que aconteceu e por que aconteceu, para sua compreensão. Somos os únicos seres no universo e isso já foi provado cientificamente capazes de sentir culpa. Como anota o médico e escritor Moacyr Scliar no livro Enigmas da Culpa: Mas também somos os únicos seres capazes de iluminar nossa culpa. E culpa iluminada é culpa domada.
Iluminado, o dedo acusador da culpa deixa de ser um algoz para ser simplesmente um dedo, parte do nosso corpo, parte da mão que nos fez humanos.É sempre bom se perguntar sobre a real natureza de nossos atos no dia-a-dia
Sem culpa nenhuma
Algumas idéias para você pensar sempre que se sentir culpado Não negue a culpa. Admita que errou, jogue luz sobre o problema. Exercite o autoperdão. Antes de perdoar alguém, desculpe você mesmo. Não projete a culpa nos outros. Não deixe que ninguém (nem mesmo a família!) manipule sua culpa. Pergunte-se sobre sua intenção ao cometer o ato. Peça desculpas e procure reparar seu dano. Lembre-se de que responsabilidade é diferente da culpa. Assuma sua responsabilidade sem se culpar por isso. Aprenda com o que aconteceu. Identifi que o erro e procure evitá-lo numa próxima vez. Não fique remexendo o passado e querendo voltar àquilo que já foi feito. Mariana Sgarioni
Picture by Claude Monet

28 de ago. de 2008

Capoeira

Domingo de sol


Se num belo domingo pela manhã você acordar com um enorme vazio dentro de você...
vá comer, que é fome.
Picture by Edward Hopper

Diploma

O velho fazendeiro do interior de Minas está em sua sala, proseando com um amigo, quando um menino passa correndo por ali. Ele chama: - Diproma, vai falar para sua avó trazer um cafèzinho aqui pra visita! E o amigo estranha: - Mas que nome engraçado tem esse menino!! É seu parente? - É meu neto! Eu chamo ele assim porque mandei a minha filha estudar em Belzonte e ela voltou com ele!

Jardim de infância

Tudo o que hoje preciso realmente saber, aprendi no Jardim de Infância Pedro Bial Tudo o que hoje preciso realmente saber, sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no jardim de infância. A sabedoria não se encontrava no topo de um curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo dia. Estas são as coisas que aprendi lá: 1. Compartilhe tudo.
2. Jogue dentro das regras.
3. Não bata nos outros. 4. Coloque as coisas de volta onde pegou.
5. Arrume sua bagunça.
6. Não pegue as coisas dos outros. 7. Peça desculpas quando machucar alguém. 8. Lave as mãos antes de comer e agradeça a Deus antes de deitar. 9. Dê descarga. (Esse é importante) 10. Biscoitos quentinhos e leite fazem bem para você. 11. Respeite o outro.
12. Leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense um pouco...desenhe... pinte... cante... dance... brinque... trabalhe um pouco todos os dias. 13. Tire uma soneca a tarde. (Isso é muito bom)
14. Quando sair, cuidado com os carros.
15. Dê a mão e fique junto. 16. Repare nas maravilhas da vida. 17. O peixinho dourado, o hamster, o camundongo branco e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem... nós também .
Pegue qualquer um desses itens, coloque-os em termos mais adultos e sofisticados e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo, ao seu mundo e ai verá como ele é verdadeiro claro e firme....
Pense como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitos e leite todos os dias por volta das três da tarde e pudéssemos nos deitar com um cobertorzinho para uma soneca....
Ou se todos os governos tivessem como regra básica devolver as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a bagunça ao sair.... Ao sair para o mundo é sempre melhor darmos as mãos e ficarmos juntos. " É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem souber ver."

27 de ago. de 2008

Mensagem falsa espalha boato sobre aproximação de Marte e Terra

Não espere ver "duas Luas" no céu na noite desta quarta-feira (27). Ao contrário do que prega um e-mail falso que circula na internet, Marte estará bem longe da Terra e não vai rivalizar com o satélite pela supremacia do brilho no céu.
O boato pela rede é tão intenso que afetou o índice das notícias mais lidas da Folha Online, colocando uma notícia de 2003 na lista. De acordo com a mensagem, que circula em vários idiomas, Marte "parecerá tão grande quanto a Lua cheia". O e-mail afirma ainda que o planeta estará a cerca de 55,76 milhões de km da Terra.
"É uma notícia falsa e requentada. Na verdade, Marte está agora se afastando da Terra", afirma Roberto Boczko, professor doutor de astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (Universidade de São Paulo).
Na realidade, o Planeta Vermelho está hoje a cerca de 360 milhões de km. A mais recente grande aproximação entre os dois planetas ocorreu no dia 24 de dezembro de 2007 --88 milhões de km. E a próxima está marcada para 27 de janeiro de 2010, quando a distância será de cerca de 100 milhões de km.
Em agosto de 2003, a distância entre Marte e Terra chegou a 55,7 milhões de km, oferecendo uma oportunidade única de observação. Foi a maior aproximação em praticamente 60 mil anos --recorde que vai se manter até 28 de agosto de 2287. Na avaliação de Boczko, o fenômeno "não tem grande importância do ponto de vista da astronomia". "Todo ano Marte se aproxima bastante. Em 2003, foi mais do que de costume. Mas é algo corriqueiro".
Mesmo com essas distâncias, diz o professor, é impossível que os habitantes vejam duas Luas. "Marte nunca chega a ter um brilho que rivalize com a Lua", diz. Ele explica que, geralmente, o Planeta Vermelho tem um brilho menor que a maior parte das estrelas no céu. Quando há grandes aproximações, essa luminosidade é equivalente, no máximo, à de grandes estrelas.
UOL

O sentido da vida

Dizem que o que procuramos é um sentido para a vida.Penso que o que procuramos são experiências que nos façam sentir que estamos vivos. J.Campbell
Para uns, a jornada é curta e agradável. Para outros, a jornada é acidentada, e em alguns momentos, dá vontade de desistir...
Ao contrário do que você pensa, é nesses momentos que algo muito maior está acontecendo.
Estamos aqui para aprender, não para sofrer. Abandone o passado. desbloqueie sua paralisia afetiva.
À medida que ganhamos experiências, um pouco mais nos é revelado. Abra-se! Ninguém é igual a ninguém e ninguém é perfeito. A vida vai dando coisas com que você consegue lidar, conforme você vai aprendendo a lidar com elas. É assim que a vida funciona. Avançamos no caminho espiritual através dos relacionamentos.
Deepak Chopra escreveu: "Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento."
Repare: Nada é por acaso. Nós nos colocamos em uma espécie de “trilha”, que sempre esteve aí, o tempo todo,à sua espera. Você elegeu seu destino. A vida que você tem que viver é essa mesma.
"Você não consegue mudar o que não consegue encarar". (James Baldwin) Por isso, onde quer que você se encontre, é exatamente onde precisa estar, neste momento. Quando você estiver pronto para fazer uma coisa nova, de maneira nova, você fará. Há sempre alguém à espera da pessoa na qual você está se transformando. Talvez, você ainda não esteja pronto para reconhece-la. A cada momento,cada um de nós está passando pelo processo de Ser e de se tornar. Como as pessoas, os nossos relacionamentos também mudam. E ainda há muito a aprender sobre amor.
Ainda há muito a ser realizado. Apesar de muitos problemas, há Esperança, Fé, Alegria, há o amor... Deus sabe de tudo que nos é necessário para evoluir, antes mesmo de nós!
“Obrigado, Deus, por me amar o suficiente e permitir que me aconteça somente aquilo com que eu consigo lidar, quando acontece. Obrigado por Quem eu me tornarei através de tudo que me acontece.”
Seja feliz sempre!
Picture by Delphine Riffard

Confie mais

Aumente a confiança nas outras pessoas e seja mais feliz “Não confie em ninguém”. É comum ouvir frases como essa nos dias atuais, e ela traduz a situação clara que muitos vivem nos relacionamentos: a falta de confiança. Seja nas relações pessoais, profissionais ou sociais, confiar em alguém se tornou algo penoso. O problema acontece também na situação contrária: algumas pessoas confiam em todo mundo e decepcionam-se, fazendo com que avaliem as relações. A confiança é um elemento essencial para fazer a humanidade funcionar. Sem ela, não há relacionamento que consiga se desenvolver. E o ato de confiar nos outros depende unicamente de cada pessoa. “A história de vida da pessoa é determinante na maneira como ela vai encarar os relacionamentos. Se teve experiências positivas, vai ver de maneira positiva. Se foram negativas, dificilmente vai confiar em alguém”, disse Alessandra Cejkinski, psicanalista da ONG NUPAS (Núcleo de Psicanálise na Ação Social).Os seres humanos guardam experiências até mesmo de antes do nascimento. A falta de confiança pode ser algo que está escondido na infância e não seja consciente para a pessoa, mas que reflete diretamente na vida. “A desconfiança só existe porque as coisas perderam o valor, tem muita gente no mundo que traiu a humanidade”, comentou Tárika, do Instituto Renascimento, de São Paulo. Necessidade de confiar Todo mundo precisa confiar em alguém para conseguir levar bem a vida. Imagine um mundo onde se acredita que todos a sua volta estão planejando alguma coisa para prejudicar você. A confiança faz parte do ser humano e precisa ser recuperada nas pessoas que a perderam. “Eu sempre parto do princípio de que o ser humano ainda confia nas pessoas. É só conseguir estabelecer que tipo de relação quer ter com o outro, de confiança ou não”, afirmou Tárika. Quem não confia sofre, porque sempre enxerga o lado negativo das pessoas e fica tenso com qualquer situação. “Pessoas perfeccionistas, por exemplo, não confiam em ninguém para um trabalho e se sobrecarregam. Isso pode resultar em erros e na tranferência de culpa para a outra pessoa, o que gera um abalo nos relacionamentos”, comentou Alessandra. Além de um benefício próprio, confiar no próximo faz bem também para aquele que recebe esse voto. “Ao confiar de forma consciente, experimenta-se essa emoção de forma recíproca, clareando e solidificando os laços afetivos que também nos livram da dúvida, que, por si só, já é um grande tormento”, explicou Lama Kalden Tulku Rinpoche, fundador do Centro Budista Djampel Pawo, em São Paulo. A chave para entender de onde vem esse sentimento é que uma grande parte das pessoas que não confia nos outros, não tem confiança em si mesmo. “Para começar estabelecer a confiança nos outros, é preciso ter esse sentimento dentro de nós e por nós”, disse Tárika. Quando você começa a enxergar os outros como seres humanos, que cometem erros, você consegue aumentar a confiança nos próximos. “É um exercício que precisa ser feito para que a confiança retorne com o tempo. Quando você conseguir, vai se sentir muito melhor”, orientou Alessandra. Confie em você Esse sentimento não é algo que se impõe, é algo que se conquista. Se você quer adquirir confiança de outras pessoas, mostre que é digno disso. Mesmo que demore a acontecer. Se o caso é o contrário e você precisa confiar mais nas pessoas, tente se cobrar menos. “Quando temos consciência de que todos os seres buscam a felicidade e que por este anseio cometem equívocos, a única forma de confiarmos plenamente nas outras pessoas é estar consciente de nossos propósitos e nunca projetá-los na vida dos outros, aceitando-os como são”, disse Lama Kalden. E, principalmente, confie em você. Se você não estabelecer esse relacionamento com o seu interior, nunca vai conseguir melhorar seus relacionamentos. Mas não precisa confiar em todo mundo. Sabendo que nós somos responsáveis por nossa própria felicidade, não investiremos confiança de forma insensata em quem, como nós, está sujeito a erros e acertos. “Sempre almejamos o melhor, embora estejamos constantemente remando em direção contrária. Quando compreendermos as nossas fraquezas e a dos outros, será permitido edificar uma confiança que não é cega, e sim fluida e natural”, disse o Lama. Avaliar se vale realmente a pena se relacionar com determinada pessoa também faz parte desse processo. “Se você confia em você, confia no seu julgamento das pessoas. E consegue perceber, com o coração, em quem você pode confiar e em quem não”, concluiu Tárika.
Thays Biasetti
Picture by Gustav Klimt

26 de ago. de 2008

O progresso da humanidade

Segue as tuas melhores ou piores inclinações e, antes de mais nada, encaminha-te para a tua perdição; em ambos os casos favorecerás, provavelmente, de uma maneira ou de outra, o progresso da humanidade
Friedrich Nietzsche
Picture by Jaques Beaumont

A preguiça

De todas as paixões a que nos é mais incógnita é a preguiça. É a mais ardente e a mais maligna de todas, ainda que a sua violência seja imperceptível e que os seus danos se escondam. Se observarmos com atenção o seu poder, notaremos que ela se torna sempre mestra dos nossos sentimentos, dos nossos interesses e dos nossos desejos. Ela é a demora que tem a força para fazer parar os maiores navios, é uma calmaria mais perigosa para as grandes empresas do eu do que os bancos de areia e do que as maiores tempestades. O repouso dado pela preguiça é uma sedução secreta da alma, que pára de repente as lutas mais inflamadas e as resoluções mais obstinadas. Enfim, para se dar uma verdadeira ideia desta paixão, é preciso dizer que a preguiça é como que um estado de beatitude da alma, consolando-a das suas perdas e ocupando o lugar de todos os bens.
La Rochefoucauld
Picture by Marso

Para reflexão e ação

A diferença entre os países pobres e os ricos não é a idade do país. Isto pode ser demonstrado por países como Índia e Egito, que tem mais de 2000 anos e são pobres.
Por outro lado, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que há 150 anos eram inexpressivos, hoje são países desenvolvidos e ricos.
A diferença entre países pobres e ricos também não reside nos recursos naturais disponíveis. O Japão possui um território limitado, 80% montanhoso, inadequado para a agricultura e a criação de gado, mas é a segunda economia mundial.
O país é como uma imensa fábrica flutuante, importando matéria-prima do mundo todo e exportando produtos manufaturados.
Outro exemplo é a Suíça, que não planta cacau mas tem o melhor chocolate o mundo. Em seu pequeno território cria animais e cultiva o solo durante apenas quatro meses no ano. Não obstante, fabrica laticínios da melhor qualidade. É um país pequeno que passa uma imagem de segurança, ordem e trabalho, o que o tranformou na caixa forte do mundo.
Executivos de países ricos que se relacionam com seus pares de países pobres mostram que não há diferença intelectual significativa. A raça ou a cor da pele também não são importantes: imigrantes rotulados de preguiçosos em seus países de origem são a força produtiva de países europeus ricos.
Qual é então a diferença?
A diferença é a atitude das pessoas, moldada ao longo dos anos pela educação e pela cultura. Ao analisarmos a conduta das pessoas nos países ricos e desenvolvidos, constatamos que a grande maioria segue os seguintes princípios de vida:
1. A ética, como princípio básico.
2. A integridade.
3. A responsabilidade.
4. O respeito às leis e regulamentos.
5. O respeito pelo direito dos demais cidadãos.
6. O amor ao trabalho.
7. O esforço pela poupança e pelo investimento.
8. O desejo de superação.
9. A pontualidade.
Nos países pobres apenas uma minoria segue esses princípios básicos em sua vida diária. Não somos pobres porque nos faltam recursos naturais ou porque a natureza foi cruel conosco. Somos pobres porque nos falta atitude. Nos falta vontade para cumprir e ensinar esses princípios de funcionamento das sociedades ricas e desenvolvidas.

Descoberta da sexualidade

Sexualidade é e sempre será um tema espinhoso. Combinada com a educação dos filhos, então, nem se fala! Pois é exatamente nessa situação delicada que estão muitas mães de garotas que já entraram na puberdade e vivem a adolescência ao modo contemporâneo.
Várias delas, muito comprometidas com a educação das filhas, inclusive na questão da formação dos valores, sempre encontram maneiras de se inteirarem dos costumes dos jovens para melhor orientá-las. E um fato as tem deixado bastante preocupadas.
É que muitas garotas têm curtido -como elas gostam de dizer- ficar com garotas, sem que isso signifique a descoberta de sua orientação sexual. Além disso, muitos jovens têm feito apologia da bissexualidade. Interessante é saber que eles associam isso à liberdade.
As mães acham que é um modismo, mas talvez possamos pensar melhor a respeito. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que a descoberta da sexualidade adulta é um acontecimento importante na vida dos adolescentes. E essa descoberta ocorre, primeiramente, em relação às sensações.
A excitação física, o prazer, a satisfação dos impulsos e até o orgasmo são questões experimentadas com entusiasmo pelos jovens, e não sem razão. Ao lado disso, é importante lembrar que nosso contexto privilegia as sensações -portanto, essa questão, que já fazia parte da vida dos adolescentes, encontra-se potencializada. Eles são praticamente impelidos para essa busca. Ouvi uma frase interessantíssima de uma garota a esse respeito. Ela disse que se divertir com experiências sexuais tinha o mesmo sentido de ir a um parque de diversões e que viver tinha de ser divertido.
Outro ponto importante a considerar é a questão do corpo. Em fase de transformações nem sempre com resultados satisfatórios para eles, a aparência é o primeiro elo no que se refere à atração. Nesse momento da vida -e, pelo jeito, não mais apenas nesse período-, é a aparência que aproxima ou repele. E, como eles estão muito submetidos aos modelos de corpo impostos, têm grandes dificuldades em serem donos de seu próprio corpo. Isso gera uma conseqüência: se o corpo não lhes pertence, não conseguem cuidar dele segundo seus pensamentos e princípios. É quase uma dissociação entre o que pensam querer para si na vida e o comportamento que praticam. Uma garota de 13 anos disse que é totalmente contrária ao aborto, mas que, caso precisasse, certamente iria utilizar esse recurso.
Diante de tal complexo panorama, os pais têm muitas possibilidades de orientar os filhos na questão da sexualidade, mas sem esquecer que eles são bastante permeáveis às ideologias do mundo em que vivem e que a educação dada, por melhor que seja, não é vacina contra nada. Talvez o que mais funcione seja a formação coerente, que começa bem cedo, dos limites entre vida íntima e convívio social, da importância do respeito às diferenças e do ensinamento de que qualquer comportamento gera conseqüências.
Os pais precisam saber que a educação sexual de seus filhos não é uma questão separada da educação como um todo e que ela começa quando o filho nasce. Dedicar-se a ela quando os filhos são adolescentes pode ser tarde demais.
Rosely Sayão
Picture by Wassily Kandinsky

25 de ago. de 2008

Nossos objetivos

Michael Faraday (1791-1867) foi um dos cientistas que mudaram o mundo. Ele inventou os três equipamentos que possibilitaram a era da eletricidade: o motor, o gerador e o transformador. Sendo filho de um pobre ferreiro de Londres, recebeu apenas a educação básica na escola dominical da igreja. Quando rapaz, foi aprendiz de encadernador. Para ele foi uma grande oportunidade. O jovem costumava ler os livros de ciência que encadernava e repetia algumas das experiências elétricas. Mas um dia algo realmente importante aconteceu na sua vida e Faraday não permitiu que essa chance escapasse. Um dos clientes da oficina lhe deu ingressos para palestras do cientista inglês Humphry Davy. Faraday tomou notas, encadernou-as como se fosse um livro e as mandou para Davy junto de um pedido de emprego. Como resultado, começou a trabalhar como assistente laboratorial na Instituição Real, em 1813. Apesar de sua fama e feitos, Faraday levou uma vida humilde. Nunca esqueceu da sua infância pobre, não patenteou suas invenções e dava palestras gratuitas sobre ciências para jovens. Ele publicou o primeiro livro de ciências especialmente escrito para crianças. Quando morreu, em 1867, poderia ter sido enterrado na abadia de Westminster, mas havia requisitado expressamente um enterro simples e uma lápide comum. Fé, superação, persistência, otimismo, ousadia, coragem, sucesso, fama, humildade, amor. O que realmente importava para esse homem? Gostaria que você refletisse sobre isso hoje. Motive-se!
Elisângela Machado de Freitas
Picture by Mary Calkins

Menos ansiedade, menor consumo de álcool

Uma vez dependente de álcool, sempre dependente de álcool – é um ditado muito antigo, mas faz pouco tempo que a ciência descobriu porque ele é bastante válido. O consumo excessivo de álcool durante longos períodos provoca alterações cerebrais, torna a pessoa mais sensível ao estresse e mais propensa a buscar na bebida uma opção para aliviar sua ansiedade. De acordo com um estudo publicado na revista Science este ano, as substâncias que inibem os caminhos do estresse poderiam auxiliar na recuperação de dependentes de álcool ajudando-os a manter-se sob controle.Em Londres, os cientistas do Instituto Nacional de Saúde e da College London University reproduziram ratos sem o receptor neuroquinina 1 (NK1R), uma proteína envolvida na resposta do cérebro ao estresse. Os ratos podiam beber, à vontade, água misturada com álcool durante 60 dias. Nesse período o teor de álcool foi aumentando de 3% até 15%. Na experiência, os ratos com deficiência de NK1R consumiram muito menos álcool que os ratos normais, principalmente quando a concentração de álcool se tornou mais alta. Eles também se mostraram mais sensíveis aos efeitos do álcool que os ratos normais. Estudos têm mostrado que quanto maior é a sensibilidade do indivíduo ao álcool, menor a probabilidade de a pessoa abusar dele. Posteriormente a equipe tratou 25 dependentes de álcool altamente ansiosos, em fase de recuperação, com o medicamento que bloqueia o receptor NK1R. Após quatro semanas de tratamento, os sujeitos que receberam a droga relataram desejos de álcool induzidos por estresse, menos espontâneos que os pacientes tratados com placebo. Quando os cientistas submeteram os pacientes à ressonância magnética funcional para analisar sua atividade cerebral descobriram que os indivíduos tratados mostravam menos atividade insular ─ região associada ao desejo. É possível que a droga percorra um caminho de estresse específico em dependentes alcoólicos, pois já foi demonstrado um efeito reduzido nos níveis de estresse em outros tipos de pacientes.Markus Heijlig, principal autor do estudo no Instituto Americano de Saúde (NIH) adverte que embora o estudo seja promissor, não há provas de que a droga possa ajudar pessoas dependentes há muito tempo. Segundo ele “é preciso estender os estudos a pacientes externos e observar a redução no consumo de álcool.” Há planos para a realização de uma experiência clínica mais ampla, exatamente com essa finalidade.
Melinda Wenner

Saindo da concha

Todos nós, em algumas fases da vida, nos sentimos tão feridos e tão desacreditados de certos sentimentos que passamos um longo tempo assim, como se estivéssemos fechados numa espécie de concha. Depois de repetidas tentativas e reincidentes enganos, já não mais apostamos em novas oportunidades. Simplesmente escolhemos nos fechar, nos defender e até nos esconder do que quer que seja que a vida possa tentar nos oferecer... Tenho de admitir que, de vez em quando, não tem outro jeito! O melhor mesmo é 'fechar pra balanço'. Reavaliar os fatos, contabilizar as perdas, reconhecer os ganhos, ainda que em forma de dolorosos aprendizados. Felizmente os ganhos sempre existem, por mais difícil que seja enxergá-los no momento em que estamos submersos numa sensação de que - aconteça o que acontecer - já não vale mais a pena... Porém, o tempo é mestre! Sempre me surpreendo e me encanto com esta capacidade que temos de nos regenerar, de nos reinventar dentro da concha, seja com lágrimas e desistências, seja com planejamentos inconscientes, tentando convencer a nós mesmos de que agora em nada mais investiremos nosso coração, mas ainda assim, investindo...(Infelizmente, tem muita gente que ainda não se deu conta desta sua capacidade. Insistem em meramente se trancar em suas conchas, inertes, acomodados, vestindo a carapuça de 'coitadas' e deixando a vida passar...). Mas como a desistência de viver e muito mais a de amar não são, definitivamente, genuínas no ser humano, chega o dia em que... depois de longo tempo introspectivos, num processo de auto-superação... finalmente nosso desejo de explodir tem força o bastante para descolar as beiradas da concha e revelar nossa pérola singular, bela, valiosa... Neste dia, olhamos para o Sol como se há muito ele não estivesse ali. Sentimos nosso coração bater como se tivesse passado longo tempo desativado. Perdemos a respiração por alguns segundos, para depois retomá-la num suspiro de quem acaba de nascer. Revivescemos, nos apaixonamos... feito adolescente que desperta para um primeiro amor. Porque amor é sempre primeiro. Deixo aqui o depoimento do homem (!) que me inspirou para este artigo, descrevendo-me seus sentimentos e classificando este seu momento como 'saindo da concha'..."... Caramba! Vale a pena. É bom estar assim, é bom frio na barriga, é bom ver arco-íris, é bom pedalar mais rápido, é bom estar nas nuvens... Se ela vai se assustar com tanta confissão? Sabe, posso desaparecer no próximo minuto, como as pessoas que estavam indo pro trabalho de manhã no metrô de Londres, ou quando quase morri nas montanhas do Nepal ou nas águas contaminadas da Índia... Então, que fique assustada; que saiba o impacto queestá causando! O que interessa agora (egoisticamente pensando) é que nãoexiste nada que me impeça, nenhuma situação embaraçosa, nenhum caso mal resolvido, nadinha mesmo... que me impeça de sentir tudo o que está acontecendo, mesmo que termine, ou melhor, "não" termine em pizza..." É isso... a coragem de se atirar ao seu próprio coração, 'egoisticamente pensando', e simplesmente viver intensamente seus sentimentos... Para terminar descobrindo, enfim, que amar e ser amado são contingências de escolhas pessoais, suas, sempre suas. Então, ainda que não seja hoje, ainda que não seja agora, mas que você se permita - quando se sentir pronto - sair da concha e ver arco-íris.
Rosana Braga
Picture by Stephanie Marrott
Dedicado à amiga Denise Aguilar, fã incondicional de Amarula. Mãe da Jéssica, bonita, estudiosa, responsável e minha futura nora.

24 de ago. de 2008

Meus deveres...

Não sou, por minha fraqueza, o que ela deve fazer do coração humano; não me posso julgar, sem incorrer em orgulho ou falsa modéstia; mas posso assegurar que já compreendo os meus deveres para com Deus, para com os meus semelhantes, de um modo diverso, acentuadamente mais elevado, que antes de ser espírita.

Bezerra de Menezes


Adolfo Bezerra de Menezes, conhecido popularmente como Dr. Bezerra de Menezes ou simplesmente Bezerra de Menezes, nasceu na antiga Freguesia do Riacho do Sangue, no Estado do Ceará, no dia 29 de agosto de 1831, desencarnando no Rio da Janeiro, no dia 11 de abril de 1900. 

Em 1838, aos sete anos de idade, ingressou na escola pública da Vila Frade, onde, em dez meses, aprendeu os princípios da educação elementar. 

Em 1842, como consequência de perseguições políticas e dificuldades financeiras, a sua família mudou-se para a antiga vila de Maioridade, no Rio Grande do Norte, onde o jovem, então com onze anos de idade, foi matriculado na aula pública de Latim. 

Em dois anos já substituía o professor em classe, em seus impedimentos. Seu pai, o capitão das antigas milícias e tenente-coronel da Guarda Nacional, Antônio Bezerra de Menezes, homem severo, de honestidade a toda prova e de ilibado caráter, tinha bens de fortuna em fazendas de criação. Com a política, e por efeito do seu bom coração, que o levou a dar abonos de favor a parentes e amigos, que o procuravam para explorar- lhe os sentimentos de caridade, comprometeu aquela fortuna. Percebendo, porém, que seus débitos igualavam seus haveres, procurou os credores e lhes propôs entregar tudo o que possuía, o que era suficiente para integralizar a dívida. Os credores, todos seus amigos, recusaram a proposta, dizendo- lhe que pagasse como e quando quisesse. O velho honrado insistiu; porém, não conseguiu demover os credores sobre essa resolução, por isso deliberou tornar- se mero administrador do que fora sua fortuna, não retirando dela senão o que fosse estritamente necessário para a manutenção da sua família, que assim passou da abastança às privações. 

Animado do firme propósito de orientar- se pelo caráter íntegro de seu pai, Bezerra de Menezes, com minguada quantia que seus parentes lhe deram, e animado do propósito de sobrepujar todos os óbices, partiu para o Rio de Janeiro a fim de seguir a carreira que sua vocação lhe inspirava: a Medicina. 

Em 1851, ano de falecimento de seu pai, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde, naquele mesmo ano, iniciou os estudos de Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. No ano seguinte, ingressou como residente no hospital da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Para manter-se nos estudos, dava aulas particulares de Filosofia e Matemáticas. 

Em 1858 candidatou-se a uma vaga de lente substituto da Secção de Cirurgia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Nesse ano saiu a sua nomeação oficial como assistente do Corpo de Saúde do Exército, no posto de Capitão-tenente. Bezerra de Menezes tinha o encargo de medico como verdadeiro sacerdócio por isso, dizia: Um medico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate a porta. 

Conheceu a Doutrina Espírita quando do lançamento da tradução em língua portuguesa de O Livro dos Espíritos, através de um exemplar que lhe foi oferecido com dedicatória pelo seu tradutor, Dr. Joaquim Carlos Travassos. Com o lançamento do periódico Reformador, por Augusto Elias da Silva em 1883, passou a colaborar com a redação de artigos doutrinários. 

Em 1889 Bezerra de Menezes foi percebido como o único capaz de superar as divisões, vindo a ser eleito presidente da Federação Espírita Brasileira. Ao longo da vida acumulou inúmeros títulos de cidadania. 

Desencarnou em 11 de abril de 1900 devido a acidente vascular cerebral.

Bezerra de Menezes - O filme

O longa-metragem "Bezerra de Menezes: o Diário de Um Espírito", dirigido pelos cineastas cearenses Glauber Filho e Joe Pimentel, será lançado nas salas de cinema de todo o Brasil no dia 29 de agosto, data de aniversário do cearense conhecido como o "Médico dos Pobres".
Para a realização do longa-metragem, foi elaborada uma extensa e cuidadosa pesquisa histórica pelo biógrafo de Bezerra de Menezes, Luciano Klein, e também pela roteirista Andréa Bardawill. O longa-metragem reconstitui a época em que viveu o médico, desde o seu nascimento, em 1831, na localidade de Riacho do Sangue, hoje, município de Jaguaretama, no interior do Ceará, até sua morte.
O universo sertanejo permeia a trama nessa primeira fase do filme, na qual Bezerra de Menezes vive a infância e a adolescência. Aos 18 anos, o protagonista inicia no Rio de Janeiro seus estudos de Medicina. Na então Capital da República, elegeu-se vereador e deputado em várias legislaturas e defendeu as idéias abolicionistas. Mas o que lhe trouxe o maior reconhecimento de seu povo foi o trabalho anônimo realizado em prol dos desfavorecidos. Por conta disso, ficou conhecido como o "Médico dos Pobres". Seja como político devotado às causas humanitárias ou como médico conhecido por jamais negar socorro a quem batesse à sua porta, Bezerra de Menezes tornou-se um exemplo de homem e escreveu uma história de vida marcada pelo amor e pela caridade. Toda essa bela história é retratada no filme que estréia na próxima sexta-feira.

23 de ago. de 2008

Homens polígamos vivem mais que monógamos

Um estudo de pesquisadores britânicos observou que homens de países que permitem a poligamia – o casamento com mais de um parceiro – vivem em média mais que aqueles que vivem em países onde a prática é proibida.
Cientistas da Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, perceberam que homens acima de 60 anos de 140 países poligâmicos têm uma expectativa de vida em média 12% maior que a de homens de 49 nações monogâmicas.
Os dados, obtidos a partir de relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram calculados de maneira a desconsiderar fatores socioeconômicos nos diferentes países. As conclusões foram apresentadas pela coordenadora da pesquisa, Virpi Lummaa, em um encontro internacional de estudos de comportamento em Ithaca, Nova York (EUA), e reproduzidas em reportagem da revista New Scientist.
Explicações Em sua exposição, a pesquisadora tentou encadear explicações para este fenômeno. Teorias sobre a longevidade humana procuram explicar por que homens e mulheres vivem tanto. No caso das mulheres, a questão é entender por que a longevidade se estende muito além do fim do ciclo reprodutivo, encerrado na menopausa. Algumas pesquisas apontam para o 'efeito avó', afirmando que a chegada de netos serviria de estímulo para a longevidade das mulheres. Além disso, a chegada da menopausa permitira que se evitasse uma "concorrência" entre gerações de fêmeas.
No caso dos homens, os pesquisadores descartaram a existência de um "efeito avô" semelhante. Em vez disso, a longevidade se explicaria pelo fato de machos da espécie humana continuarem férteis mesmo em idades avançadas, disse Virpi Lumma. Isto é exacerbado em culturas poligâmicas, nos quais homens têm filhos com diversas mulheres, em geral de diferentes idades. A revista New Scientist destacou ainda que as explicações poderiam ser genéticas tanto quanto sociais.
Por um lado, homens que continuam a ter filhos aos 60 ou 70 anos podem ser levados a tomar mais cuidado com sua própria saúde, já que têm mais bocas para alimentar, afirmou a revista. Por outro lado, milhares de anos de evolução podem ter selecionado homens com maior longevidade em países poligâmicos. Um pesquisador ouvido pela revista, Chris Wilson, antropólogo na Universidade de Cornell, em Ithaca, destacou também a influência que pode ter o cuidado de diversas mulheres cujo status social depende da boa saúde do seu marido.
"Não me surpreende que homens nessas sociedades vivam mais que homens em sociedades monogâmicas, onde eles ficam viúvos e ninguém cuida deles."
BBC

Cura pelo exótico

Procedimentos da medicina antiga se mantêm nos consultóriose hospitais – e muitos médicos não abrem mão deles
As manchas roxas e circulares que a nadadora chinesa Wang Qun exibiu nas costas durante a fase preparatória da Olimpíada de Pequim, no início do mês, atiçaram a curiosidade de muita gente. A explicação para os hematomas é que eles resultaram de sessões de terapia com ventosas, destinadas a combater dores musculares. Há séculos os chineses usam esse tipo de terapia.
Eles acreditam que ela traz equilíbrio ao organismo, prevenindo e tratando inflamações e outros males. A medicina tradicional chinesa, como se sabe, é repleta de poções e tratamentos cujo poder curativo pertence ao terreno da superstição. Seria apenas uma curiosidade não fosse o fato de muitos desses remédios exigirem o sacrifício de animais ameaçados de extinção.
A bile dos ursos – mantidos em cativeiros minúsculos por toda a vida – é usada para curar desde febre até problemas cardíacos. Um preparado de chifre de búfalo selvagem é considerado tiro e queda para a disfunção erétil. A terapia com ventosas não faz parte da medicina do faz-de-conta. O tratamento utiliza copos com a boca aquecida que, aplicados sobre a pele, formam um vácuo. Isso diminui o fluxo sanguíneo para a região, o que reduz a quantidade de substâncias inflamatórias no local e aplaca a dor.
Em pleno século XXI, com a bateria de antiinflamatórios e analgésicos que se tem à disposição, tratar dores musculares com ventosas é um anacronismo – mas não é o único no terreno da medicina. Muitos médicos e hospitais de primeira linha estão se utilizando de tratamentos primitivos para algumas doenças, em geral por avaliar que eles são tão eficazes quanto os medicamentos modernos e custam menos.
Nos Estados Unidos, há quatro anos o Food and Drug Administration (FDA), órgão que controla os remédios no país, aprovou o uso de sanguessugas e de larvas de certos tipos de mosca-varejeira em tratamentos hospitalares. As larvas são aplicadas diretamente em feridas difíceis de cicatrizar, como aquelas que surgem em diabéticos. Elas se alimentam dos tecidos infectados e secretam sobre a área substâncias com efeito antibiótico. O risco de contaminação é baixíssimo, já que os ovos das moscas são esterilizados antes de se tornar larvas. Difícil, às vezes, é convencer o paciente a se submeter ao tratamento.
Na Inglaterra, onde as larvas de mosca também são usadas em hospitais, um estudo recente mostrou que 25% dos possíveis candidatos ao tratamento o rejeitaram. "A reação mais comum dos pacientes é o nojo, mas alguns se entusiasmam quando percebem que o tratamento vai ajudá-los", disse a Veja a pesquisadora inglesa Emily Petherick, da Universidade de York, autora do estudo.
As sangrias com sanguessugas já eram prescritas na Grécia antiga por Hipócrates, o pai da medicina. Ele acreditava que o tratamento ajudava a limpar o organismo e a tratar inúmeros males. Por um bom tempo, esses parasitas foram parar na prateleira das bizarrices. Recentemente, voltaram aos ambulatórios porque suas propriedades benéficas foram cientificamente comprovadas. A sanguessuga é recomendável para alguns pacientes que passaram por cirurgias reconstrutoras de partes do corpo.
De quebra, o bicho ganhou glamour graças a celebridades como a atriz americana Demi Moore, que o usam como tratamento de beleza. Numa entrevista recente à TV, a estrela de Ghost garantiu que sua pele estava mais viçosa desde que se submetera a um tratamento com sanguessugas numa clínica austríaca.
No terreno da cirurgia, deu-se o resgate do pó de osso, descrito pela primeira vez no século XIX, para estancar sangramentos durante intervenções cranianas. O pó é obtido na mesa de operação, quando o crânio é serrado. Seu uso tornou-se obsoleto com o advento de coagulantes sintéticos. Agora, o pó de osso voltou às mesas de cirurgia – ele sai de graça, enquanto um frasco de coagulante custa, em média, 3 000 reais. "Nem todos os médicos estão prontos para utilizar os recursos de antigamente, mas eles são eficientes", disse a Veja o parasitologista israelense Kosta Y. Mumcuoglu, da Universidade Hebraica de Jerusalém, especialista em terapias que usam seres vivos no tratamento de doenças. Duro mesmo é driblar a repulsa a larvas e sanguessugas.
Paula Neiva - Revista Veja

De volta ao passado

Recursos da medicina primitiva que voltaram a ser usados porque tiveram sua eficácia comprovada Larvas de mosca Como é o tratamento Larvas de algumas espécies de mosca são usadas para limpar e tratar feridas de difícil cicatrização, como as do diabetes Por que é eficaz As larvas se alimentam do tecido infectado, ao mesmo tempo em que liberam substâncias antibióticas no local Peixes garrafa rufa Como é o tratamento Servem para combater a psoríase e para fins estéticos. Mergulha-se a parte do corpo que se quer tratar num tanque com os peixes, que se alimentam da pele morta. Por que é eficaz O processo estimula a produção de novas células de pele Sanguessugas Como é o tratamento Os animais são usados para fazer sangrias que auxiliam na recuperação de cirurgias reconstrutoras Por que é eficaz A sanguessuga libera anticoagulantes, estimula a circulação e a formação de novos vasos sanguíneos no local Revista Veja

22 de ago. de 2008

Parapsicologia

Marido mentiroso (espécie rara)

O marido estava sentado quieto lendo seu jornal quando sua mulher, furiosa, vem da cozinha e senta-lhe a frigideira na cabeça.
Espantado, ele levanta e pergunta:
- Por que isso agora?
- Isso é pelo papelzinho que eu encontrei na sua calça com o nome Marylu e um número.
- Querida, lembra do dia em que fui na corrida de cavalos? Pois é... Marylu foi o cavalo em que eu apostei, e o número foi o quanto estavam pagando pela aposta.
Satisfeita, a mulher saiu pedindo 1001 desculpas...
Dias depois, lá estava ele novamente sentado quando leva uma nova porrada, mas dessa vez com a panela de pressão.
Ainda mais espantado (e zonzo), ele pergunta:
- O que foi dessa vez, meu amor?
- Seu cavalo ligou..

Pensar e olhar

Pensar é mais interessante do que saber, mas menos interessante do que olhar
Johann Goethe

Batons no espelho

Numa escola pública estava ocorrendo uma situação inusitada: uma turma de meninas de 12 anos que usavam batom todos os dias beijavam o espelho para remover o excesso de baton. O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom... Um dia o diretor juntou o bando de meninas no banheiro e explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam. Fez uma palestra de uma hora. No dia seguinte as marcas de batom no banheiro reapareceram... No outro dia, o diretor juntou o bando de meninas e o zelador no banheiro, e pediu ao zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho. O zelador imediatamente pegou um pano, *molhou no vaso sanitário* e passou no espelho. Nunca mais apareceram marcas no espelho! Moral: há professores e há educadores. Comunicar é sempre um desafio! As vezes precisamos usar métodos diferentes para alcançar certos resultados! A manifestacao da inteligencia pode vir da pessoa menos esperada.

O que é pensar?

Tenho ouvido muitas vezes: “aqui ninguém pensa”, porque não somos do “tipo pensamento”; frase esta que tem estado continuamente presente, principalmente quando se trata de apresentações de seminários de psicologia. Será que pensar é algo tão difícil? 

Como agimos quando não pensamos? Embasei este pequeno artigo no texto de Heidegger: Che cosa significa pensare? Podemos começar a compreender o que significa pensar quando nós mesmos pensamos. Todavia, pode acontecer que alguém queira ou não pensar. Ser capaz (de pensar) significa deixar que algo chegue a nós no seu ser, e permitir constantemente este acesso. Ocorre que deixamos vir a nós, de modo geral, apenas o que nos apraz, aquilo a que somos apegados. O que amamos, que nos apraz verdadeiramente, é apenas aquilo de já nos amou primeiro, na nossa essência, o que significa que temos uma inclinação para tal. Dizer inclinação significa “voltar-se para a palavra” o que quer dizer literalmente, conforto, encorajamento. Quando esta palavra se encontra em nós, em relação à nossa essência, nos atrai para a essência e nos mantém nela. “Ter” significa aqui, propriamente “conservar”. O que se tem em essência, tem-se apenas a fim de que nós possamos pensar, isto que temos. Conseguimos pensar se conseguimos reter na memória. 

Diz-se que a memória é o re-colher-se do pensamento. Recolher-se em que? Recolher-se no que temos essencialmente, isto é, na medida em que tomamos algo em consideração. Apenas quando amamos aquilo que está sendo considerado, só então somos capazes de pensar. Ou seja, na medida em que damos atenção ao que está sendo considerado. Considerar quer dizer, ter interesse. Inter-essere significa: estar entre e por entre as coisas, estar em meio a algo e perseverar. O que ocorre é que para o tempo moderno, o que interessa é apenas o interessante. Interessante é aquilo que, passados alguns instantes, torna-se indiferente, sendo que o “interessado” passa para uma outra coisa, que importa tanto quanto a primeira, não há perseverança, na coisa que parece interessar. Acredita-se que, para que algo seja interessante, seja preciso conferir-lhe um campo particular. Na realidade, com um tal juízo o que se faz é rebaixar o interessante ao nível do indiferente, para repeli-lo até o nojo. Tudo é interessante, mas nada interessa! O campo onde o pensamento se desenvolve é a filosofia, o que não significa, que qualquer interesse pela filosofia, seja já uma ativa disposição ao pensar. 

Quer dizer que, por mais que, durante anos nos dediquemos a entender determinados escritos ou tratados de grandes pensadores, estejamos preparados para compreender o pensar. O que pode ser considerado, é o que “dá o que pensar”. O fato de que nós ainda não pensamos, deriva pois de que, aquilo que dá o que pensar, se desvia, ele mesmo, do homem. Então nos perguntamos: como e quando tal desvio acontece. Parece que, o que dá a pensar, permanece sempre como que distraído. Tal distração ocorre apenas quando algo esteve antes, próximo, num voltar-se para... Uma coisa é fato: isto que estamos falando, não tem nada a ver com a ciência, pois a ciência não pensa, o que não significa um defeito da ciência mas sim, uma vantagem. Esta afirmação, para a mentalidade comum, é um escândalo! De que se trata? Não há uma ponte que conduza da ciência ao pensamento, a única passagem possível é o salto! O lugar para onde esse salto conduz não é apenas o outro lado do abismo mas, a uma região totalmente diversa. O que nesta, se torna visível não é qualquer coisa que se possa de alguma forma demonstrar, se por demonstração se entende o fato de derivar enunciados concernentes a um certo estado de coisas de premissas apropriadas, através de uma concatenação de raciocínios. Quem pretende demonstrar, não julga segundo um rigoroso e superior critério do saber. Ele simplesmente calcula com base em uma certa medida, e a uma medida inadequada. 

 Em nossa época, não pensamos. Não pensamos porque aquilo que dá o que pensar, se desvia do homem e não tanto porque o homem não se volta o bastante, ou seja, não dá atenção o bastante ao que pensa. Deste modo, aquilo que se desvia, que se subtrai, se distancia de nós. Mas, justamente por isso, leva-nos consigo, para o seu mundo, em sua direção. Então, isto que se retrai, que se desvia, aparentemente, parece ausente. Esta aparência engana. Nós já estamos indo em direção àquilo que, nos atrai enquanto se subtrai. Então, enquanto estamos indo, atraídos em direção àquilo que se subtrai, somos nós mesmos quem apontamos aquilo que subtrai, e, apontando, nós somos, nossa própria essência. Assim, por exemplo em sua poesia Hölderlin escreve: “Um sinal, nós somos, que nada indica”. Como pensar, este poema? Como poeta ou como pensador? E este outro? “Wer das Tiefste gedacht, liebt das Lebendigste...” [ quem pensou o pensamento mais profundo, ama o mais vivo...] em outras palavras, quer nos levar a ver que: o amor fundamenta-se sobre o fato de que tenhamos pensado o pensamento mais profundo. Este “ter pensado” nasce provavelmente daquela memória em cujo pensar se funda também a poesia e com ela todas as artes. 

Repensemos: o que significa pensar? Por exemplo: o que significa nadar, não podemos aprender em um tratado, mas apenas nadando. É apenas na água que podemos conhecer o elemento no qual o nadador deve mover-se. Mas qual é o elemento no qual se move o pensamento? Admitindo-se que a afirmação de que nós ainda não pensamos seja verdadeira, isto significa que o nosso pensamento ainda não se move no seu elemento próprio, e isto porque, o que dá a pensar, se subtrai. O que de tal modo, se nega e se retrai, permanece portanto, não pensado ainda que se admita a feliz hipótese de que se possa ter um pressentimento claro do que se trata. Assim, resta-nos apenas uma coisa: esperar que o que dá a pensar, volte-se para nós. Mas esperar significa aqui, esperar de olhos bem abertos, procurando, naquilo que já foi pensado, o caminho até o não pensado, que se esconde no já pensado. 

A questão é: onde e como devemos distinguir, em geral, aquilo que antes de mais nada, e sempre, se dá a pensar ao homem? Como pode isto que é o mais considerado, mostrar-se a nós? Já sabemos em qual elemento o pensar se move? O traço fundamental do pensamento tem sido até hoje o perceber. A faculdade relativa se chama razão. O que a razão percebe? Em que elemento se mantém a percepção de modo que, mediante o perceber, ocorra um pensamento? Perceber significa: notar alguma coisa presente, e notando pró-pô-la e assumi-la como presente. Este perceber pro-ponente é um re-presentar, no sentido simples, amplo e ao mesmo tempo essencial, onde nós deixamos pousar e erguer-se a coisa presente diante de nós, na sua posição própria. Daí o grande salto no escuro. O que o pensamento enquanto percepção percebe é o presente na sua presença! Daí é que o pensamento toma a medida que constitui a sua essência como percepção. O pensamento é assim, a apresentação do presente, que nos confia o presente na sua presença e deste modo, coloca-o diante de nós. O pensamento enquanto apresentação, conduz a coisa presente à sua relação conosco, estabelece-a em referência a nós. 

A apresentação é assim re-presentação. A palavra representação é o termo que veio mais tarde de modo corrente, para indicar aquilo que foi, o re – presentar. O caráter fundamental do pensar é o representar. No representar se desenvolve o perceber. O representar mesmo é re-apresentação. Mas porque o pensar reside no perceber? Porque o perceber se desenvolve no representar? E porque o representar é re-apresentação? Parece simples. O representar oculta-se em um fenômeno pouco aparente, o ser, que então aparece como presença. Ser significa presença. Presente é isto que dura, que se desenvolve chegando ao desvelamento e permanece. Em termo modernos, quando nós representamos os objetos na sua objetividade, nós já pensamos. Mas nós todavia, ainda não pensamos verdadeiramente. Aquilo que dá a pensar, permanece, retirado, oculto. Por isso o nosso pensamento não está ainda no seu próprio elemento. Nós ainda não pensamos autenticamente. 
Sonia R. Lyra

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...