31 de out. de 2008

Vaidade mata

Uma mulher foi levada às pressas para o CTI de um hospital. Lá chegando, teve a chamada 'quase morte', que é uma situação pré-coma. E, neste estado, encontrou-se com Deus: - Que é isso? - perguntou ao Criador - Eu morri? - Não, pelos meus cálculos, você morrerá daqui a 43 anos, 8 meses, 9 dias e 16 horas - respondeu o Eterno. Ao voltar a si, refletindo o quanto tempo ainda tinha de vida, resolveu ficar ali mesmo naquele hospital e fez uma lipospiração, uma plástica de restauração dos seios, plástica no rosto, correção no nariz, na barriga, tirou todos os excessos, as ruguinhas e tudo mais que podia mexer para ficar linda e jovial. Após alguns dias de sua alta médica, ao atravessar a rua, veio um veículo em alta velocidade e a atropelou, matando-a na hora. Ao encontrar-se de novo com Deus, ela perguntou irritada: - Puxa, Senhor, você me disse que eu tinha mais 43 anos de vida. Por que morri depois de toda aquela despesa com cirurgias plásticas!!??? E Deus aproximou-se bem dela e, olhando-a diretamente nos olhos, respondeu: - Menina! Não te reconheci !!!!!!!

Roberto Saviano

O escritor italiano Roberto Saviano, autor do best-seller Gomorra, que denuncia a máfia napolitana, afirmou que quer deixar a Itália porque não agüenta mais viver com proteção armada. O livro vendeu 1,2 milhão de cópias na Itália, foi traduzido para 42 línguas e sua adaptação para o cinema foi nomeada para concorrer ao Oscar. No entanto, em uma entrevista ao jornal italiano La Repubblica, o escritor afirma ser uma "vítima do próprio sucesso". Desde o lançamento de Gomorra, em 2006, o autor, de 28 anos, vive com proteção policial armada durante 24 horas diariamente porque recebe ameaças da Camorra, como é conhecida a máfia napolitana. "Quero a minha vida de volta. Quero andar pelo sol e pela chuva, me apaixonar, beber uma cerveja em público, encontrar minha mãe sem que ela fique com medo", disse o escritor ao jornal. Acima de tudo, Soviano afirmou que quer continuar escrevendo e que, no momento, o único modo de fazer isso é deixar a Itália. Na terça-feira, os jornais italianos disseram que o clã mais notório da máfia local, o Casalesi, teria passado da ameaça de morte para a fase de operação do plano para assassinar o escritor. Segundo os jornais, a intenção seria matar o escritor antes do Natal.
BBC

Pânico com "Guerra dos mundos"

No dia , um programa de rádio simulando uma invasão extraterrestre desencadeou pânico na costa leste dos Estados Unidos.
Parecia uma noite normal, naquele 30 de outubro de 1938, até que a rede de rádio CBS (Columbia Broadcasting System) interrompeu sua programação musical para noticiar uma suposta invasão de marcianos.
A "notícia em edição extraordinária", na verdade, era o começo de uma peça de radioteatro, que não só ajudou a CBS a bater a emissora concorrente (NBC), como também desencadeou pânico em várias cidades norte-americanas. "A invasão dos marcianos" durou apenas uma hora, mas marcou definitivamente a história do rádio.
Dramatizando o livro de ficção científica A Guerra dos Mundos, do escritor inglês Herbert George Wells, o programa relatou a chegada de centenas de marcianos a bordo de naves extraterrestres à cidade de Grover's Mill, no Estado de Nova Jersey. Os méritos da genial adaptação, produção e direção da peça eram do então jovem e quase desconhecido ator e diretor de cinema norte-americano Orson Welles. O jornal Daily News resumiu na manchete do dia seguinte a reação ao programa: "Guerra falsa no rádio espalha terror pelos Estados Unidos".
Pânico coletivo A dramatização, transmitida às vésperas do Halloween (dia das bruxas), em forma de programa jornalístico, tinha todas as características do radiojornalismo da época, às quais os ouvintes estavam acostumados. Reportagens externas, entrevistas com testemunhas que estariam vivenciando o acontecimento, opiniões de peritos e autoridades, efeitos sonoros, sons ambientes, gritos, a emoção dos supostos repórteres e comentaristas... Tudo dava a impressão de o fato estar sendo transmitido ao vivo. Era o 17º programa da série semanal de adaptações radiofônicas realizadas no Radioteatro Mercury por Orson Welles.
A CBS calculou, na época, que o programa foi ouvido por cerca de seis milhões de pessoas, das quais metade o sintonizou quando já havia começado, perdendo a introdução que informava tratar-se do radioteatro semanal. Pelo menos 1,2 milhão de pessoas acreditou ser um fato real. Desses, meio milhão teve certeza de que o perigo era iminente, entrando em pânico, sobrecarregando linhas telefônicas, com aglomerações nas ruas e congestionamentos causados por ouvintes apavorados tentando fugir do perigo.
O medo paralisou três cidades e houve pânico principalmente em localidades próximas a Nova Jersey, de onde a CBS emitia e onde Welles ambientou sua história. Houve fuga em massa e reações desesperadas de moradores também em Newark e Nova York. A peça radiofônica, de autoria de Howard Koch, com a colaboração de Paul Stewart e baseada na obra de Wells (1866-1946), ficou conhecida também como "rádio do pânico".
Precursor da ficção científica moderna O roteiro fora reescrito pelo próprio Welles (1915-1985). Na peça, ele fazia o papel de professor da Universidade de Princeton, que liderava a resistência à invasão marciana. Orson Welles combinou elementos específicos do radioteatro com os dos noticiários da época (a realidade convertida em relato).
Herbert George Wells, por sua vez, foi um dos precursores da literatura de ficção científica. O livro A Guerra dos Mundos, publicado em 1898, era uma de suas obras mais conhecidas, tendo Londres como cenário. Ele escreveu num estilo bastante jornalístico e tecnologicamente atualizado para sua época. A transmissão de A Guerra dos Mundos foi também um alerta para o próprio meio de comunicação "rádio".
Ficou evidente que sua influência era tão forte a ponto de poder causar reações imprevisíveis dos ouvintes. A invasão dos marcianos não só tornou Orson Welles mundialmente famoso como é, segundo cientistas de comunicação, "o programa que mais marcou a história da mídia no século 20".
Jens Teschke

30 de out. de 2008

Boas maneiras

Durante a aula de Boas Maneiras, diz a professora: Betinho, se você estivesse namorando uma moça fina e educada e durante o jantar, precisasse ir no banheiro, o quevocê diria ? - Segura as pontas aí que eu vou dar uma mijadinha. - Isso seria uma grosseria, uma enorme falta de educação! Fernandinho, como você diria? - Me desculpa, preciso ir ao banheiro, mas já volto. - Melhor, mas é desagradável mencionar o banheiro durante as refeições... E você, Joãozinho, seria capaz de usar sua imaginação para, ao menos uma vez, mostrar boas maneiras?
- Eu diria: 'Minha princesa, peço a licença para ausentar-me por um momento, pois vou estender a mão a um grande amigo que pretendo apresentar-lhe depois do jantar'.

O homem e a mulher

O homem é a mais elevada das criaturas. A mulher, o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono; para a mulher fez um altar. O trono exalta e o altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher, o coração. O cérebro produz a luz; o coração produz amor. A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é o genio; a mulher é o anjo. O genio é imensurável; o anjo é indefenível;
A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher é a virtude extrema; A glória promove a grandeza e a virtude, a divindade.
O homem tem a supremacia; a mulher, a preferência. A supremacia significa a força; a preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão; a mulher, invencível pelas lágrimas. A razão convence e as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher, de todos os martírios. O heroísmo enobrece e o martírio purifica.
O homem pensa e a mulher sonha. Pensar é ter uma larva no cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é a águia que voa; a mulher, o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço e cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu. Victor Hugo

Odisseia

Quem és e donde vens? Que cidade é a tua? Quem são os teus pais? Estou espantada por teres bebido a poção sem estar enfeitiçado.
Nenhum homem jamais resistiu a esta droga depois que a bebessee que ela lhe passasse a barreira dos dentes. Mas a tua mente não pode ser enfeitiçada.
És na verdade o astuto Ulisses, que sempre me disseaportar aqui um dia o Matador de Argos, da vara dourada,regressando de Tróia na sua escura nau veloz. Mas repõe a tua espada, pois iremos agora para a nossa cama, para que nos unamos em amore possamos confiar um no outro.
Homero

Arendt e o totalitarismo


Os estudos sobre o totalitarismo esclarecem a face trágica do século 20 e os desafios das democracias no século 21 Hannah Arendt começou a escrever As origens do totalitarismo logo depois da guerra. 

Após sua chegada aos Estados Unidos em 1941, ela se dedicou, sobretudo, às questões ligadas à situação dos judeus, colaborando com várias revistas ligadas aos imigrantes europeus e participando intensamente dos debates travados por intelectuais que haviam sido obrigados a fugir de seus países de origem. A descoberta das atrocidades nazistas nos campos de extermínio conduziu-a, no entanto, aos problemas que estariam no centro de seu pensamento nos próximos anos. A obra testemunha um mergulho apaixonado na cena contemporânea e o desejo de pensar o que parecia impensável: o surgimento de estruturas de poder voltadas para uma forma total de dominação, que não se detêm nem mesmo diante da tarefa monstruosa de eliminar populações inteiras, para fazer triunfar idéias abstratas e crenças na superioridade de raças e de ideologias. 

A leitura do livro é ainda hoje uma experiência fascinante. As duas partes iniciais do livro, dedicadas ao anti-semitismo, como fenômeno político, e ao imperialismo, como resultante do desenvolvimento da lógica de expansão do Estado-nação, misturam literatura, história, sociologia e economia, num esforço gigantesco para explorar os desvãos de uma época que colocou a violência no centro da política. Essa é uma das intuições geniais do texto. Ao estudar a formação e a decadência dos projetos nacionais e de suas extensões imperialistas, Arendt mostra como a experiência totalitária não surgiu como o produto da loucura de poucos, mas sim como uma possibilidade inscrita na lógica de sistemas de dominação que não hesitaram em fazer de diferenças étnicas e de classe o motor para um processo de exclusão e domínio cujos resultados desastrosos marcaram o último século. 

 Uma das análises mais fecundas de Arendt, que conserva uma grande atualidade, é aquela do tema dos apátridas. Tendo vivido a experiência de ser jogada no mundo sem lastro ou referência de identidade nacional, quando vagou pela Europa entre 1933 e 1941, e depois quando permaneceu sem a cidadania americana por alguns anos, ela soube fazer dessa questão um tema universal, cujas conseqüências chegam até nós. 

 O fato de que o mundo passou a conviver com milhões de pessoas rejeitadas, sem ter um estatuto legal definido, é ao mesmo tempo uma das conseqüências da política contemporânea, que resultou na criação dos regimes totalitários, e uma de suas heranças. Ainda hoje, a figura de cidadãos sem direitos em países ditos democráticos é um alerta quanto aos riscos que corremos ao aceitar dividir o mundo entre os que têm direitos e os que vivem numa terra de ninguém onde todos os excessos são possíveis. A recente legislação européia, que permite manter presos, por até dezoito meses, indivíduos destinados à expulsão, mas que não foram julgados, assim como os campos de prisioneiros americanos, situados fora de seu território, demonstram a sobrevivência dessa terra de ninguém, para a qual são mandados os que não podem se beneficiar da proteção integral das leis vigentes nos diversos países. Para medir o alcance dessas observações, devemos nos reportar à terceira parte de As origens do totalitarismo que, com suas análises apaixonadas e profundas, contribuiu para fazer dele um dos clássicos do pensamento político contemporâneo. 

O conceito de totalitarismo não foi forjado por Arendt. Já na segunda década do século 20, a palavra aparecia associada ao regime dominado por Mussolini, mas foi, sobretudo, a partir dos anos 1930, no período de ascensão e consolidação do nazismo, que o conceito ganhou forma e apareceu em estudos, como os de Raymond Aron ou de Franz Neumann, -dedi-cados a compreender as experiências ameaçadoras que ganhavam corpo na Europa. Não resta dúvida, no entanto, de que o livro de Arendt contribuiu em muito para a propagação do termo junto aos estudiosos, que se dedicaram a entender a natureza do fenômeno, que produziu uma tragédia sem precedentes na história da humanidade. 

 Acrescia a isso, o fato de que para a pensadora o regime que vigorava na então União Soviética continha os mesmos traços fundamentais do fascismo italiano e do nazismo. Sem desconhecer as diferenças entre a experiência dos diversos países, Arendt acreditava que podíamos nos servir do conceito de totalitarismo para abordar os problemas resultantes de um regime que destruía o terreno da política e fazia do terror uma forma central do relacionamento do Estado como seus cidadãos. Mais que isso, ela mostrava que o totalitarismo era o produto de um século que havia jogado por terra as antigas teorias políticas, tornando obsoletos conceitos que antes orientavam os que se ocupavam das questões de governo e de suas formas. Uma nova barbárie havia sido gestada por um regime sem comparação com aqueles conhecidos pela tradição. A grande repercussão dos escritos de Arendt foi acompanhada, nos anos que se seguiram à sua publicação, por uma avalanche de críticas. 

Em primeiro lugar, os escritores formados na tradição marxista recusaram a aproximação do nazismo com o comunismo soviético. Para eles, havia semelhanças entre o período dominado por Stalin e o nazismo, mas essa aproximação não levava em conta os objetivos específicos de cada regime. No caso do comunismo, o fato de que ele buscava implantar uma sociedade melhor e mais igual pareceu uma razão suficiente para recusar a aproximação com outros regimes, mesmo quando se reconheciam os excessos cometidos em um período determinado da história soviética. No contexto da Guerra fria, muitos opositores da tese totalitária viam na aproximação entre os regimes nazista e comunista uma maneira de levar a cabo a luta entre os dois blocos opostos no terreno da ideologia. Um outro conjunto de críticas veio dos historiadores, que se ocuparam tanto do fascismo e do nazismo quanto do comunismo. Para eles, o conceito de totalitarismo não precisava ser inteiramente deixado de lado, mas ajudava pouco quando se tratava de estudar no detalhe a evolução das sociedades, que viveram as experiências limites do século 20. 

Diante dos caminhos diferentes que seguiram o fascismo italiano, o nazismo e o comunismo soviético, o recurso a um conceito único pareceu-lhes de pouca utilidade, quando a tarefa de analisar um conjunto amplo de fontes se colocou no centro de suas preocupações.É certo que Arendt não conhecia as entranhas do poder soviético, o que do ponto de vista da historiografia só se tornou possível depois do fim da União Soviética. Por isso, algumas de suas observações carecem de precisão, assim como é possível encontrar problemas em alguns de seus estudos referentes a acontecimentos anteriores à Segunda Guerra mundial. Mas esse não é o núcleo de seu trabalho nem a herança que nos legou. Ela nunca pretendeu escrever um livro de história tradicional e era consciente do desequilíbrio entre as partes de sua obra. O que importava, no entanto, era ir direto aos "grandes problemas", sem se deixar iludir por falsas proximidades com o passado. Para recolher a herança de Arendt, em primeiro lugar, devemos estar atentos para o fato de que ela soube como poucos destacar a originalidade dos sistemas totalitários, compreendendo-os como produto de uma época que ainda não esgotou seu sentido para nós. 

Ao buscar suas raízes no passado, ela mostrou que o totalitarismo é filho da sociedade industrial, que combinou a crença na força das tecnociências com o desenvolvimento do racismo e da exclusão. Ao apontar para o campo de concentração como a estrutura fundamental de domínio totalitário, ela forneceu um horizonte de explicação e de identificação da natureza dos regimes extremos que ultrapassa o significado das diferenças que sempre existem entre formas históricas particulares. Esse conceito-chave é uma ferramenta preciosa para entendermos a gravidade do aparecimento de novas formas de exclusão no interior das sociedades democráticas atuais. Um segundo aspecto importante da herança arendtiana é a capacidade que ela demonstrou de apontar os traços fundamentais que distinguem os regimes extremos do século 20. Ao analisar o papel do líder totalitário e mostrar os laços que o unem às massas desenraizadas e solitárias de nosso tempo, ela soube compreender o significado da solidão num tempo em que as comunicações aparentemente aproximaram os homens.

Ao apontar para a progressiva destruição da esfera pública, que implicou o colapso do sistema partidário e em última instância da idéia mesma da pluralidade como valor primeiro das sociedades livres, ela mostrou ao mesmo tempo o lugar do qual nasce a experiência democrática e os limites de suas instituições. Finalmente, ao estudar o papel do terror na estrutura de domínio total, ela apontou para a destruição dos laços éticos entre os homens como a conseqüência necessária de uma sociedade sem política. Se a referência aos campos de concentração, como fundamento da experiência totalitária, é um dos pilares da investigação de Arendt sobre a face trágica da política contemporânea, do ponto de vista filosófico, a referência ao mal radical - tema que perseguiu a pensadora durante toda sua vida - é o caminho para compreender como ela soube integrar a tradição filosófica de investigação da natureza do mal ao esforço de desvendamento do significado dos horrores que surgiram das entranhas da modernidade. Os estudos de Arendt sobre o totalitarismo esclarecem ao mesmo tempo a face trágica do século 20 e os enormes desafios das sociedades democráticas do século 21. 
Newton Bignotto

29 de out. de 2008

Macacos e o mercado de ações

Num país distante... Uma vez, num vilarejo, apareceu um homem anunciando aos aldeões que compraria macacos por $10 cada. Os aldeões sabendo que havia muitos macacos na região, foram à floresta e iniciaram a caça aos macacos. O homem comprou centenas de macacos a $10 e então os aldeões diminuíram seu esforço na caça. Aí, o homem anunciou que agora pagaria $20 por cada macaco e os aldeões renovaram seus esforços e foram novamente à caça. Logo, os macacos foram escasseando cada vez mais e os aldeões foram desistindo da busca. A oferta aumentou para $25 e a quantidade de macacos ficou tão pequena que já não havia mais interesse na caça. O homem então anunciou que agora compraria cada macaco por $50! Entretanto, como iria à cidade grande, deixaria seu assistente cuidando da compra dos macacos. Na ausência do homem, seu assistente disse aos aldeões: 'Olhe todos estes macacos na jaula que o homem comprou. Eu posso vender por $35 a vocês e quando o homem retornar da cidade, vocês podem vender-lhe por $50 cada.' Os aldeões, espertos, pegaram todas as suas economias e compraram todos os macacos do assistente. Eles nunca mais viram o homem ou seu assistente, somente macacos por todos os lados. Agora você entendeu como funciona o mercado de ações?

O uso da inteligência emocional

A formação acadêmica e técnica já não são mais fatores preponderantes na avaliação de profissionais. Muitos já possuem graduação, pós-graduação e MBA antes mesmo dos 30 anos. O que diferencia um indivíduo é a capacidade de entender o contexto e tomar atitudes baseadas no ambiente. Para isso, um fator fundamental é a utilização de sua inteligência emocional. “Um indivíduo emocionalmente inteligente consegue mobilizar suas emoções estrategicamente para alcançar suas metas. Ele consegue reconhecer, aceitar, escolher e gerenciar o que sente durante as mais diversas situações”, explica Carlos Cruz, o especialista em treinamento de executivos e equipes.“Quem nunca teve vontade de mandar tudo para o ar? Acredito que a maioria de nós. O importante é saber que isso pode nos aliviar na hora, mas será que não trará problemas depois?”, indaga Cruz. Segundo o especialista, em momentos de tensão, de desafios e de crises, as emoções são colocadas à prova e solicitadas para contribuírem com ações racionais que levem a busca de oportunidades e gere desenvolvimento. A situação atual, de instabilidade financeira no mundo, é um dos típicos exemplos que exige muito controle emocional. O investimento na melhora do clima organizacional, talvez, seja uma das saídas para aumentar a satisfação dos funcionários. Contribuindo, assim, para um maior equilíbrio emocional. Depois disso, basta mensurar os resultados e avaliar se valeu à pena investir nas pessoas.
HSM Management

Sto lat

Em polonês, 'sto lat' é uma forma de cumprimento bastante comum e significa 'que você viva cem anos!'. Desejar vida longa e próspera a alguém é uma das saudações mais bonitas que você pode fazer. Em teoria, quanto mais vivemos, maiores serão nossas chances de sucesso e felicidade. A longevidade também é uma maneira indireta de medir a qualidade de vida de um povo: apesar de todas as suas riquezas e monumentos, no Egito de 1.000 a.C. poucos ultrapassavam os 30 anos de idade. Por volta da época de Cristo, a expectativa de vida havia melhorado pouca coisa: os homens viviam 45 anos em média e as mulheres, 36. Uma lástima. Mas avançamos muito. Às portas do século XXI, o cidadão comum passou a viver uma média de 75 anos - o equivalente a 2 antigos egípcios e meio! Um tremendo salto de qualidade. Mais que isto: nos últimos 40 anos, o número de pessoas, com 100 anos de idade ou mais, aumentou 1.000%. Calcula-se que uma de cada 50 mulheres e 1 de cada 200 homens vivos hoje chegarão ao centenário. E os cientistas dizem que é apenas o começo, pois temos potencial biológico para viver ainda mais, até os 130-150 anos de idade. Então qual será o segredo? Como fazer parte desta estatística e comemorar um supercentenário sendo capaz de amarrar os próprios cadarços (se é que irão existir cadarços até lá)? Inúmeros centros de pesquisa em todo o Mundo vêm se debruçando sobre o assunto, com algumas conclusões em comum. Dentre várias, selecionei 05 medidas essenciais para você envelhecer com saúde: 1º - RESPEITE SEU ESTÔMAGO O ditado 'o peixe morre pela boca' também pode ser aplicado aos mamíferos. O alimento é o combustível do corpo. Cuide bem do seu motor, e ele lhe garantirá uma viagem longa e tranqüila. Por exemplo: 70% do colesterol presente no seu organismo são produzidos por você mesmo, principalmente pelo seu fígado. Seguir uma dieta capaz de reduzir os níveis de colesterol é tão importante quanto levar uma dieta pobre em gorduras. Quer outro exemplo? A qualidade da dieta influencia o risco de desenvolver vários tipos de câncer - e os tumores malignos são uma das principais causas de óbito na Terceira Idade. Leve isto em conta quando estiver escolhendo um Plano de Previdência Privada. 2º - RESPEITE SUA HIDRATAÇÃO Um ser humano é pouco mais que um saco plástico contendo cerca de 40 litros de líquido viscoso e 20 quilos de miúdos secos. A água corresponde a 60% do seu peso . Assim como o radiador do seu carro, você precisa manter o nível de água dentro do ideal, sob o risco de ferver e ter de interromper a viagem antes do previsto. Mas atenção: não inclua bebidas alcoólicas na lista de líquidos preferenciais para hidratação. Ao invés disso, abuse da água potável e dos sucos de frutas naturais. 3º - RESPEITE SEU CÉREBRO Considere o cérebro como o se fosse o 'músculo' mais eficiente do seu corpo. Não o deixe atrofiar por falta de exercícios! Procure estar à volta com atividades que estimulem o raciocínio, desde jogos de memória até equações de física quântica. À noite, premie o esforço dos neurônios com sono de boa qualidade. 4º - RESPEITE SEUS OSSOS
Para cada 1 hora de exercícios regulares, você adiciona 3 horas à sua vida. É uma boa troca, não? Mas nada de exageros: para subir uma escada aos 80 ou levantar-se da cadeira aos 90, você precisará de ossos flexíveis. Na Terceira Idade, um esqueleto estável é mais importante que braços definidos ou um abdome tanquinho. Respeite seus ossos fazendo alongamentos pelo menos duas vezes por semana e obedecendo aos limites de velocidade no trânsito. 5 º - PROCURE UM SENTIDO
Envelhecer significa livrar-se de alguns pesos. Filhos, contas, emprego, responsabilidades... muita coisa sai de cima dos seus ombros. Mas uma carga menor também pode significar um sentido menor para a vida. Essa é uma armadilha comum. A resposta é procurar sempre um novo lugar, uma nova perspectiva existencial. Como disse John Barrymore, 'só envelhecemos de verdade quando começamos a trocar nossos sonhos por arrependimentos'. Portanto: Aposentou? Assuma riscos diferentes, reinvente desafios, volte a estudar, compre um animal de estimação, participe de grupos de leitura, desempenhe trabalhos voluntários (que tal lecionar para crianças carentes?). *Separou ou enviuvou? Viaje, faça aulas de dança, conheça pessoas e comece a namorar novamente. Certamente existem aventuras neste mundo que você gostaria de fazer e ainda não fez. Se não forem contra a Lei, faça-as imediatamente! Então, abraços e 'sto lat' 'As rugas devem indicar apenas onde os sorrisos estiveram'! Deus não fala com pessoas apressadas e sem tempo

28 de out. de 2008

Insonia

O sono e os sonhos são instrumentos naturais de relaxamento, descanso e de reparação das agitações diárias em torno dos problemas e dificuldades da vida. Todos nós temos certo grau de tensão e de luta. Gastamos muita energia diária para darmos conta dos desafios em lidar com a realidade e, por isso, precisamos de repouso, durante o qual nos afastamos das preocupações e da vida consciente, refazemos nossas baterias e acumulamos forças para prosseguir.
O sono combate nossas ansiedades, quando, porém, o nível de nossa ansiedade é muito alto, ou seja, quando nosso estado de alerta é excessivo, nosso corpo resiste ao relaxamento e, portanto, ao sono. Os sintomas apresentados pela leitora são típicos de quem está vivendo um alto grau de ansiedade. Quase não dorme à noite e os sonhos são agitados. É como se fosse uma máquina ligada, difícil de desligar.
A saída para essa situação é tratar da ansiedade. Na medida em que a ansiedade é uma agitação corporal, um excesso de preocupações e medo do que pode acontecer, a única saída para esse estado emocional é o relaxamento também corporal. Isso pode ser alcançado de diversas maneiras: através de remédios receitados por um psiquiatra por meio de exercícios físicos, exercícios respiratórios, trabalhos manuais, práticas de relaxamento. A ansiedade é uma tensão do corpo preparado para lutar.
Quando não sabemos nos relaxar, essa tensão pode-se tornar crônica e chegar ao stress: desprogramar o corpo, através de exercícios, vão nos ajudar a estabelecer o fluxo natural da vida que é a alternância entre a luta e o descanso. O mau humor e o mal-estar de uma noite mal dormida são naturais porque o corpo de repente sente a falta de descanso, além de serem um sinal de que a preocupação tem um limite, que a luta tem um limite e que o pensamento excessivo nos perigos do amanhã também tem um limite.
Antônio Roberto

Etiqueta do aperto de mão


Quando um aperto de mão vale mais que 10 palavras 


Bastante utilizado em quase todas as culturas, o aperto de mão é um gesto que pode dizer bastante sobre você. 


Todos os nossos encontros profissionais, dos mais simples aos da alta gerência, começam com este ato que remonta ao Egito antigo, e que foi muito utilizado entre guerreiros para demonstrar que não estavam armados, num processo de transmissão de confiança. 


Em nossos dias este pequeno ato ganhou muita importância no ambiente corporativo, por se tratar do processo que geralmente marca o início de uma conversação. Se alguém deixa de estender a mão e cumprimentá-lo, tal atitude é considerada uma completa falta de educação. Se a pessoa estende a mão mas não possui um "bom aperto", uma imagem negativa é transmitida, o que muitas vezes pode impactar na conversa ou reunião. Enquanto um aperto de mão fraco transmite insegurança e desinteresse, um aperto de mão firme indica confiança e interesse pelo outro. Saiba como causar uma boa impressão seguindo algumas regras de etiqueta. 


Não invada a zona de proteção alheia 
Você já se sentiu desconfortável por alguém se aproximar demais de você enquanto falava ou o cumprimentava? Isto acontece porque cada um de nós temos várias zonas especiais, as quais devem ser respeitadas, pois uma aproximação muito grande pode provocar reações bastante adversas. Embora este espaço possa variar um pouco de pessoa para pessoa ou entre culturas, o ideal neste caso é quando estivermos realizando um contato profissional permanecermos na Zona pessoal, em uma distância que varia entre 45cm e 1,2m. 


Não estique demais o braço 
Estabelecida uma distância confortável, procure não esticar demasiadamente o braço, afastando ainda mais o seu interlocutor. De maneira similar, procure não deixar o braço muito curto, obrigando a pessoa a caminhar para cumprimentá-lo e sair da sua zona de conforto já estabelecida. 


Olhe nos olhos 
Procure olhar diretamente para os olhos de seu interlocutor. Isto passa confiança e sinceridade, além de firmeza. Além disso, procure coordenar seus gestos com olhares. 


Nada de tapinhas ou beijos 
É extremamente desagradável um contato físico indesejado. A menos que você seja íntimo da pessoa, evite tapinhas nas costas ou nos ombros. Além disso, se for cumprimentar uma mulher, nada de beijinhos. Esta iniciativa deve partir da própria mulher ou, em caso de duas mulheres, da anfitriã. 


Controle a intensidade 
De maneira geral, um aperto de mão firme e forte é o que gera melhor impressão. Mas cuidado na dose. A intenção é passar segurança, e não esmagar a mão do seu interlocutor. 


Lembre-se do nome do seu interlocutor… 
Quer causar realmente uma boa impressão? Ao despedir-se, cite o nome do seu interlocutor. Isso demonstra que você realmente estava prestando atenção e demonstra interesse por ele. 


…e de sorrir 
Por fim, um sorriso sincero consolidará sua primeira impressão, transmitindo uma mensagem positiva e confiante.

Cientistas criam tomate roxo que 'pode evitar câncer'

Cientistas britânicos desenvolveram um tomate roxo que, acreditam, poderá ajudar a prevenir câncer.
A fruta é rica em um pigmento antioxidante chamado antocianina - encontrado também em frutas como amoras -, conhecida por ajudar a desacelerar o crescimento de células cancerígenas.
Um equipe do John Innes Centre, em Norwich, na Inglaterra, desenvolveu os tomates roxos ao incorporar genes da planta boca-de-dragão, rica em antocianina. O estudo foi publicado na revista acadêmica Nature Biotechnology. A antocianina se acumulou nos tomates em níveis mais altos do que os atingidos anteriormente e deu à pele e à polpa da fruta uma cor roxa intensa. Os pesquisadores realizaram testes com ratos criados para serem suscetíveis a câncer. Os animais que tiveram sua dieta complementada com os tomates roxos viveram mais tempo do que os que comeram tomates vermelhos. "Este é o primeiro exemplo de um organismo geneticamente modificado com um elemento que realmente oferece um benefício potencial a todos os consumidores", disse a pesquisadora Cathie Martin. O próximo passo será testar os tomates roxos em voluntários humanos. Repercussão A equipe do John Innes Centre investiga maneiras de aumentar os níveis de compostos saudáveis em frutas e legumes mais consumidos. "A maioria das pessoas não come cinco porções de frutas e legumes por dia, mas pode se beneficiar mais com aqueles que comem se frutas e legumes puderem ser cultivados com níveis mais altos de compostos ativos", disse Martin. Lara Bennett, da organização Cancer Research UK elogiou a pesquisa, mas disse que é ainda "muito cedo para dizer se a antocianina obtida através da dieta pode realmente reduzir o risco de câncer." Paul Kroon, do Instituto Food Research, em Norwich, disse que o estudo é "importante", mas que seria errado assumir que os resultados obtidos em ratos serão os mesmos obtidos em humanos. Já a nutricionista Anna Denny, da British Nutrition Foundation, disse que não há uma "fórmula mágica" contra doenças do coração e câncer. "Frutas e legumes com níveis mais altos de componentes saudáveis não devem ser vistos como um substituto para uma dieta saudável equilibrada", afirmou. BBC

As Colheres de cabo comprido

Conta uma história que Deus convidou um homem para conhecer o céu e o inferno. Foram primeiro ao inferno. Ao abrirem uma porta, o homem viu uma sala em cujo centro havia um caldeirão de substanciosa sopa e à sua volta estavam sentadas pessoas famintas e desesperadas.
Cada uma delas segurava uma colher, porém de cabo muito comprido, que lhes possibilitava alcançar o caldeirão, mas não permitia que colocassem a sopa na própria boca. O sofrimento era grande.
Em seguida, Deus levou o homem para conhecer o céu.
Entraram em uma sala idêntica a primeira: havia o mesmo caldeirão, as pessoas em volta e as colheres de cabo comprido. A diferença é que todos estavam saciados. Não havia fome, nem sofrimento.
- 'Eu não compreendo', disse o homem a Deus, 'por que aqui as pessoas estão felizes enquanto na outra sala morrem de aflição, se é tudo igual?' Deus sorriu e respondeu: - 'Você não percebeu? É porque aqui eles aprenderam a dar comida uns aos outros.' 'Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual.. Somos seres espirituais passando por uma experiência humana...'

Faltou dizer não!

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por? Nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes? O rapaz deu a resposta: 'ela não quis falar comigo'. A garota disse não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não. Seu desejo era mais importante. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único. Faltaram muitos outros nãos nessa história toda. Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandara garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. NÃO. Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça. O mundo está carente de nãos. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos ( e alguns maridos, temem dizer não às esposas ). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não conseguem dizer não às sogras, chefes que não dizem não aos subordinados, gente que não consegue dizer não aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros. Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal. Os pais dizem, 'não posso traumatizar meu filho'. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têmem brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer não, você não pode bater no seu amiguinho. Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos. Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei. Não, você não vai passar a madrugada na rua. Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação. Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos. Não, essas pessoas não são companhias pra você. Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. Não, aqui não é lugar para você ficar. Não, você não vai faltar na escolas em estar doente. Não, essa conversa não é pra você se meter. Não, com isto você não vai brincar. Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque. Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante. Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer - é também responsabilidade. E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem. O não protege, ensina e prepara. Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.
Desconheço o autor
Enviado pela amiga Denise Aguilar

27 de out. de 2008

René Higuita

A histórica defesa 'escorpião' do experiente goleiro colombiano René Higuita, em amistoso contra a Inglaterra, em 1995, foi eleita o melhor lance do futebol de todos os tempos pelo site inglês 'Footy Boots'. Emocionado, o jogador exaltou o feito.
Para vencer a eleição, ele superou lances de craques como Ronaldinho Gaúcho e Johan Cruyff. Recém-contratado pelo time colombiano Deportivo Pereira, do ex-técnico do Equador Luis Fernando Suárez, o goleiro não descarta fazer a defesa 'escorpião' novamente, 13 anos depois de surpreender com a jogada.
O futebol tem 2 mil ou 3 mil jogadas. Vamos ver quando o 'escorpião' será apresentado. Pode ser de surpresa, porque o futebol é assim. Mas é claro que uma jogada assim deveria ser feita sempre - conclui.

Boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o tempo

Varias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase e ela sempre me soou estranha. Até agora. Agora que minha filha adolescente, aos quase 18 anos, começa a dar vôos-solo. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria debaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha interna hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta pra controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária. Antes que alguma mãe apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que significa isso. Ser 'desnecessária' é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes, prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical... A cada nova fase, uma nova perda e um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeça o ciclo. o que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser 'desnecessários', nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
Marcia Neder
Picture by William-Adolphe Bouguereau

Almas perfumadas

Para minha avó Edith
Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver. Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas,pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia. Minha avó era alguém assim. Ela perfumou muitas vidas com sua luz e suas cores. A minha, foi uma delas. E o perfume era tão gostoso, tão branco, tão delicado, que ela mudou de frasco, mas ele continua vivo no coração de tudo o que ela amou. E tudo o que eu amar vai encontrar, de alguma forma, os vestígios desse perfume de Deus, que, numa temporada, se vestiu de Edith, para me falar de amor.
Ana Cláudia Saldanha Jácomo

A incurável “doença” da escrita - Hipergrafia


Nos últimos anos a tecnologia possibilitou identificar no cérebro as regiões responsáveis por muitas funções intelectuais. Mas será possível aperfeiçoar esse conhecimento? Será possível identificar, por exemplo, uma área responsável pelo impulso que leva uma pessoa a escrever?

Esta foi a pergunta que se fez a neurologista americana Alice Weaver Flaherty, da Universidade Harvard, e que procurou responder no livro The midnight disease: the drive to write, writer’s block, and the creative brain (A doença da meia-noite: o impulso para escrever, o bloqueio do escritor, o cérebro criativo). Sua motivação era, antes de mais nada, pessoal. Pouco tempo depois de dar à luz gêmeos prematuros que em seguida faleceram, ela sentiu um desejo irresistível de escrever, e sobre qualquer coisa. Um ano depois, novo parto; de novo gêmeos, que desta vez sobreviveram, mas de novo o incontrolável impulso da escrita. Hipergrafia é o termo médico para descrever essa situação, conhecida há muito tempo: o poeta romano Juvenal falava, no primeiro século d.C. da “incurável doença da escrita”. 

Recentemente constatou-se que a hipergrafia é freqüentemente desencadeada pela epilepsia do lobo temporal, e que às vezes está associada à doença bipolar, na qual a mania se alterna com a depressão, sendo que os antidepressivos conseguem “estancar” o fluxo verbal. O impulso para escrever parece originar-se no sistema límbico – conjunto de células cerebrais associadas à emoção – e transformado em idéias “editadas” pelos lobos temporais. Alguns portadores de hipergrafia tornaram-se famosos. O pastor americano Robert -Shields manteve, de 1972 a 1997, diários que retratavam sua vida minuto a minuto e que encheram 94 caixas de papelão num total de 75 mil páginas, o suficiente para dar uns 4 mil livros de porte razoável. Virginia Ridley, da Geórgia, escreveu menos, 10 mil páginas, mas o seu texto foi mais útil: quando ela morreu de forma misteriosa, serviu para absolver o viúvo, acusado de assassinato (problema deve ter tido a polícia para ler tantas páginas).E também existem escritores prolíficos, aqueles que escrevem muito. O que não é necessariamente um sinal de talento. 

A lista dos autores mais produtivos do mundo inclui nomes absolutamente desconhecidos para a maioria dos leitores, como o da sul-africana Mary Faulkner, que, diferente daquele outro Faulkner – o William – não ganhou o Nobel mas está em primeiro lugar na lista de recordes do Guiness, como autora de 904 livros; Lauran Paine, autor de 850 publicações; e Prentiss Ingraham que publicou 600 obras, das quais 200 sobre o cowboy Buffalo Bill. Mas na lista também estão os reputados Georges Simenon, criador do Inspetor Maigret (mais de 500 livros) e John Creasey, autor de conhecidos thrillers. Prolíficos foram também Charles Dickens, Honoré de Balzac e Victor Hugo. Segundo Shakespeare, autor razoavelmente fecundo, há mais coisas entre o céu e a terra do que alcança a nossa vã filosofia. O mesmo se pode dizer do processo criativo.
Moacyr Scliar

26 de out. de 2008

Eleições

A beleza produzida pelo Photoshop

A perfeição é possível?

O maior desafio de um cirurgião plástico é estabelecer a harmonia no rosto de uma pessoa. Um novo programade computador, que simula os conceitos clássicos do belo, mostra por que isso é tão difícil À medida que evoluem as técnicas de cirurgia plástica e outros tipos de intervenção facial, mais as mulheres se vêem enfeitiçadas pela possibilidade de ter um rosto mais bonito.
Muitas chegam ao consultório do médico pedindo pelo nariz, boca ou olhos de uma celebridade da moda. Outras querem alterar várias partes do rosto, reparando o que julgam ter sido uma injustiça da natureza. Diante da popularidade que a cirurgia plástica desfruta nos dias de hoje, a questão que se coloca é até que ponto se pode conseguir a perfeição através do bisturi. Será possível modelar uma face até que ela arranque suspiros de admiração e inveja como a da atriz Angelina Jolie e a da modelo Isabeli Fontana? Dez cirurgiões plásticos de renome ouvidos por VEJA para esta reportagem são unânimes em afirmar que a resposta mais honesta é "raramente". Isso não decorre da falta de perícia, mas de uma verdade revelada pela experiência de consultório: a beleza não é o resultado da soma de partes do rosto bem modeladas, mas da harmonia entre elas. Há, aqui, um ensinamento no qual os médicos insistem nas conversas com os pacientes, mas que muita gente prefere ignorar: o rosto mais bonito do mundo não precisa ser perfeito. O exemplo é Angelina Jolie, com freqüência colocada no topo da lista das mulheres mais lindas do mundo. Um perfeccionista poderá dizer que sua boca é exagerada pelos padrões clássicos de beleza. É verdade. Mas isso em nada afeta o aspecto deslumbrante de sua face. É dificílimo reproduzir a perfeição mesmo com o uso das técnicas mais modernas. Até quando uma cirurgia plástica é bem-sucedida ao reparar um nariz adunco ou um queixo pequeno demais, nada garante que a área retocada estará em equilíbrio com a totalidade do rosto. "Quando há apenas uma característica marcante na face, como um nariz grande, mas todo o resto é harmonioso, essa característica pode agir de forma positiva, ressaltando a naturalidade do rosto", diz o cirurgião plástico americano Kouros Azar, que tem entre seus clientes estrelas de Hollywood. A experiência de consultório com as cirurgias estéticas que nem sempre resultam em rostos mais formosos pode agora, pela primeira vez, ser submetida a uma prova científica. A investigação é feita por um software recentemente desenvolvido pela equipe do engenheiro israelense Tommer Leyvand, na Universidade Tel-Aviv. O programa, chamado de máquina de embelezamento, usa padrões de beleza consagrados para transformar os traços de rostos submetidos a ele através de fotografias.
O computador analisa 234 detalhes em cinco regiões faciais – olhos, nariz, sobrancelhas, lábios e contorno do rosto. A seguir, vasculha seu banco de dados de rostos bonitos e muda as feições que julga inadequadas à face analisada. Ao contrário dos programas comumente usados para melhorar a aparência de modelos em revistas, esse novo não elimina rugas nem muda a cor dos cabelos. A pedido de VEJA, Leyvand submeteu a seu software fotos de uma dezena de personalidades brasileiras e estrangeiras. Em última análise, o programa simula os efeitos das cirurgias plásticas, e deixa evidente que nem sempre é uma boa idéia lançar mão delas para adaptar o rosto aos padrões de beleza. A BELEZA ESTÁ NAS PROPORÇÕES
Embora os padrões de beleza mudem, algumas características da estampa feminina permanecem infalíveis em atrair os homens. A principal delas sãoos quadris mais largos do que a linha da cintura – na proporção ideal de 10 por 7. A explicação é darwiniana: quadris largos sinalizam boa saúde e fertilidade. Transformada pela máquina de embelezamento, a modelo Gisele Bündchen teve, entre outras mudanças, os olhos alongados e os lábios reduzidos. Continuou linda, mas seu rosto perdeu boa parte da personalidade que possui. Já o rosto da atriz Claudia Raia se beneficiou das mudanças feitas pelo software e ganhou contornos mais delicados e femininos. Aplicar fórmulas ideais de beleza nem sempre funciona. O cantor Michael Jackson parece ter escolhido cuidadosamente cada uma das reformas faciais a que se submeteu. Vista separadamente, cada parte de seu rosto corresponde a padrões de beleza consagrados – o conjunto, no entanto, resulta monstruoso. O principal ensinamento que emerge da máquina de embelezamento é que uma modificação sutil pode fazer enorme diferença. Isso não é uma advertência contra a cirurgia estética, mas um apelo à moderação. Muitas vezes, a primeira coisa que uma pessoa tem a perder quando se submete a uma transformação radical é a própria personalidade. "Tudo no rosto pode ser aperfeiçoado, porém com moderação e mantendo as características principais no rosto de cada pessoa", diz o cirurgião plástico paulista Alan Landecker. As pesquisas de Tommer Leyvand com sua máquina embelezadora foram publicadas há dois meses nos cadernos da Siggraph, conferência sobre computação gráfica realizada anualmente em Los Angeles. Seu objetivo não foi discutir a face mais bonita – a original ou a modificada –, mas, sim, descobrir se é possível alterar rostos com a utilização de padrões consagrados de beleza sem torná-los irreconhecíveis. Como ocorreu com outras tentativas de usar princípios objetivos ou mesmo fórmulas matemáticas para definir a beleza, o pesquisador acabou por mexer em algo além de sua pretensão original – as complexas questões relacionadas à percepção do belo e do que torna uma face atraente ou não. O que é exatamente beleza? Quando se trata de cirurgia estética, os médicos sabem bastante bem que muitas vezes o paciente está atrás de um formato idealizado que apenas reflete o visual do momento e pouco tem a ver com os fatores que melhor determinam a harmonia de cada rosto. "A padronização pode diluir os pontos fortes de uma mulher. Cada pessoa tem os seus. O segredo da beleza está em valorizar esses pontos", diz o cirurgião plástico carioca Luiz Victor Carneiro, da Clínica Ivo Pitanguy. Nos últimos dez anos, as pesquisas que buscam explicar a beleza pela ótica da ciência se tornaram um campo próspero nas hostes acadêmicas. Muitos desses estudos chegam a conclusões semelhantes a respeito das características de um rosto harmônico e, portanto, bonito. A MÃO INVISÍVEL DA EVOLUÇÃO
Charles Darwin percebeu que a beleza é um instrumento na preservação da espécie
O principal elemento que o caracteriza é a simetria, o grau de semelhança entre os dois lados do rosto. Em teoria, quanto mais semelhantes forem as duas metades da face, mais perfeita e bela ela tenderá a ser. A simetria ideal, segundo as pesquisas mais respeitadas, também se traduz na distância idêntica entre a ponta do queixo e a base do nariz, entre esta e a linha das sobrancelhas e entre as sobrancelhas e o início da linha dos cabelos. Um rosto com essas medidas é inteiramente proporcional e tende a ser bonito mesmo se um nariz grande demais, por exemplo, sobressai no conjunto. Esses conceitos estão por trás das belezas clássicas, nas quais todos os traços estão em perfeita proporção. As belíssimas Grace Kelly e Elizabeth Taylor encaixam-se nessa categoria. No rosto feminino, a beleza clássica normalmente se baseia em traços bem delicados, aqueles que costumam diferenciá-lo da face masculina. Essas fórmulas não conseguem explicar as belezas mais exóticas. Alguns dos rostos famosos considerados mais bonitos chamam atenção justamente pela desproporção dos elementos. O exemplo mais óbvio e que vale a pena mencionar novamente é o da atriz Angelina Jolie, bela por causa de sua boca excessivamente volumosa. A atriz Brigitte Bardot, ícone do cinema nos anos 50 e 60, ficou desfigurada depois de submetida ao programa de computador de Leyvand. A marca de seu rosto sempre foram os lábios carnudos e protuberantes – sem eles, seu rosto ficou banal. "Pessoas com o rosto mais comum, sem elementos que chamem atenção, podem ter sua beleza realçada pela maquiagem. Mas pessoas com características marcantes atraem os olhares mesmo com a cara lavada", opina o cirurgião plástico americano Scott Miller. Ao longo dos séculos, a ciência e a filosofia sempre procuraram definir a beleza e qual seria sua manifestação mais elevada. Para Santo Agostinho, ela era um atributo divino, assim como a bondade e a verdade. Antes dele, filósofos gregos compararam a beleza a qualidades como a ordem, a simetria e a clareza. Mais recentemente, os estudos científicos que visam a explicá-la mostraram de que forma ela se manifesta. Ainda assim, pesquisas como a do programa de Leyvand muitas vezes são repudiadas por psicólogos e sociólogos. Eles alegam que os parâmetros de beleza que emergem das pesquisas são inevitavelmente influenciados pelos padrões culturais vigentes. Será que as definições científicas apenas refletem o ideal do momento, construído com imagens da cultura pop e dos ícones de Hollywood? Os padrões clássicos de beleza, que remetem à Antiguidade e às leis que regem as proporções, não mudam. Os traços finos e delicados da rainha egípcia Nefertiti, que viveu há 3 400 anos, até hoje são considerados símbolo de formosura. Paralelamente aos modelos perenes pelos quais se julga o belo, surgem padrões passageiros, ditados pelas circunstâncias históricas e culturais. O século XX foi pródigo nesses padrões de beleza fugazes. Nos anos 20, os movimentos de emancipação feminina criaram uma alternativa às estampas robustas e com seios fartos das mulheres do século XIX. O cinema influenciou esses ideais. Ficaram em voga os cabelos loiros ondulados e as sobrancelhas finíssimas, desenhadas a lápis. Nos anos 50, a mulher bonita tinha corpo de violão e bochechas coradas. "O padrão de beleza da mulher muda conforme se transformam os papéis que ela ocupa na sociedade", diz a antropóloga Mirian Goldenberg, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Por outro lado, estudos científicos mostram que a percepção de beleza e do que é um rosto atrativo é universal naquilo que transcende aos modismos e à cultura específica. A razão da existência de um padrão universal está na própria evolução da espécie humana. Charles Darwin, o pai da teoria da evolução, era fascinado por rostos. Deu espelhos a orangotangos num zoológico para observar suas expressões. Estudou centenas de faces humanas de todas as partes do mundo. Ele acreditava que as expressões, da mesma forma que muitos outros comportamentos atuais, refletem padrões instintivos fixados pela evolução em nosso rosto e cérebro. A teoria da beleza que se pode extrair dessas raízes profundas é bem pouco romântica: as encantadoras linhas harmônicas do corpo humano são mais uma resposta encontrada pela evolução para problemas específicos da perpetuação da espécie. Basta examinar a representação artística da beleza feminina, das toscas deusas da fertilidade pré-históricas às estrelas de Hollywood, para notar que alguns atributos são sistematicamente valorizados, independentemente do tempo e da cultura. Em todas as épocas, a mulher ideal é retratada com quadris largos e seios fartos, características que evidenciam sua capacidade de gerar filhos saudáveis e de alimentá-los. A explicação é darwiniana. As espécies atuais são descendentes daquelas que, ao longo da evolução, se mostraram mais aptas para sobreviver – e isso inclui a adoção de estratégias para atrair o sexo oposto. Impulsos instintivos, fixados em nosso código genético durante o pleistoceno, período geológico em que os grupos de hominídeos iniciaram sua jornada de sucesso evolutivo, ainda nos levam a valorizar os indicativos de boa saúde física e genética, qualidades necessárias para garantir o sucesso reprodutivo e perpetuar os genes da espécie. Um dos primeiros cientistas a estudar o sentido biológico da beleza feminina foi Devendra Singh, professor de psicologia evolutiva da Universidade do Texas. No começo da década de 90, ele mostrou que o acúmulo de gordura na medida certa nos quadris da mulher sinaliza que ela tem bons níveis de estrógeno, hormônio ligado à fertilidade, e é menos suscetível a doenças. Outras pesquisas estabeleceram as medidas ideais do corpo da mulher: a circunferência da cintura deve ser 70% da dos quadris, padrão que serve tanto para as mulheres magras como para as mais curvilíneas. Singh realizou pesquisas para medir o grau de atração desse atributo entre os homens e concluiu que a preferência é praticamente universal. A mulher, intuitivamente, sempre soube dessa preferência masculina. "No século XVIII, as mulheres da corte européia usavam um corpete para estreitar a cintura e evidenciar os seios e os quadris", diz a historiadora paulista Maria Claudia Bonadio. A evolução equipou o cérebro masculino com uma espécie de radar capaz de captar sinais de sucesso reprodutivo também nas feições femininas. Estudos revelaram que traços delicados, apreciados numa mulher, como a mandíbula pequena e os lábios carnudos, são percebidos como indicativos de fertilidade e de juventude. Uma forma clássica de definir a beleza é a harmonia de proporções. O conceito foi criado na Grécia antiga e tem como base um cálculo desenvolvido pelos gregos chamado de razão áurea. Essa fórmula representa a proporção mais harmônica entre duas partes em relação ao todo. Para os gregos, essa relação de proporção deveria existir em cada medida do corpo humano para que ele fosse considerado perfeito. Leonardo da Vinci usou a razão áurea em seus estudos anatômicos, inclusive no mais célebre deles, o Homem Vitruviano. A ciência concorda que a lógica das medidas tem correspondência na natureza. O americano Randy Thornhill, da Universidade do Novo México, estudou a assimetria em animais e concluiu que ela significa menor resistência a doenças e a problemas causados pela poluição ou pela falta de alimentos. Em seres humanos, Thornhill mostrou que a assimetria facial pode estar associada a problemas genéticos. Não por acaso, Darwin era obcecado por rostos. "Por trás do que o homem entende por belo há uma lógica evolutiva", disse a VEJA o inglês Martin Tovee, da Universidade Newcastle, da Inglaterra. "É como se estivéssemos biologicamente programados para captar sinais de saúde e de fertilidade." Embora o homem não seja escravo de seus instintos, o prazer que sente ao observar uma mulher com atributos privilegiados é uma prova de que a beleza não é apenas uma questão de gosto. Carolina Romanini e Roberta de Abreu Lima - Veja

25 de out. de 2008

Nossa consciência

O melhor livro de moral é a nossa consciência. Temos que consultá-lo muito frequentemente.
Blaise Pascal

Importância do sorriso

Nunca deixe de sorrir, nem sequer quando está triste porque nunca se sabe quem poderá apaixonar pelo teu sorriso.
Gabriel Garcia Marques

Cargos honoríficos

Se eu procurar ser alguém, apressando-me a ocupar os bancos da frente da cidade, serei detestado por todos aqueles que nunca poderão chegar ao poder. Pois a superioridade é sempre melindrosa. Por outro lado, os que têm valor e capacidade e, devido à sensatez que lhes é própria, ficam calados sem se precipitarem para os cargos políticos - será no meio desses que parecerei ridículo e louco, por não preferir a calma de passar despercebido numa cidade carregada de culpa. Chegado a um cargo honorífico, sentir-me-ei ainda mais posto à distância pelos votos da elite que se apropriou da cidade. Pois é assim, pai, que as coisas se passam. Os que controlam as cidades e os cargos honoríficos são os mais agressivos em relação aos rivais.
Eurípedes
Foto: Palazzo del Senatore

Libere a celulite que há em você

Hora do almoço no fast food do shopping. Eu estava enfiando o primeiro sushi de salmão na boca quando uma das amigas disparou: “Vou botar silicone na bunda!”. O hashi de madeirinha quase arrancou as minhas amídalas. Pensei: “Caramba, nem na hora de comer a gente tem sossego”. Juro, adoraria esquecer, pelo menos 30 minutos por dia, a minha celulite e a forma horizontal que a minha traseira se tornou, expandindo para os lados. Mas fica difícil porque o sol e meu espelho estão lá por testemunhas e porque trabalho com oito mulheres paranóicas. A verdade é que morro de vergonha da cara de lua, quando vista do telescópio Humble, que a minha bunda insiste em querer mostrar para o mundo. É claro que já não vou à praia faz tempo e é claro que desço de top e calça na piscina do prédio e só tiro a calça quando já estou refestelada na cadeira. Mas e na hora do sexo? O que fazer já que não dá para usar roupa e nem um lençol com buraco como antigamente? Quantas e quantas vezes não levantei, depois da transa, andando como uma retardada, uma pata choca, até o banheiro, escondendo o bumbum com as mãos, pro cara não ver o lado B da mulher que aquele acabou de comer. Imagina o que o sujeito deve pensar? Ou talvez nem pense. Uma vez transei com um moço parecido com o Aragorn, do Senhor dos Anéis. Nessa época, a traseira estava boa, mas a barriguinha... De vestido eu me sentia o próprio churrasquinho Jundiaí, com as carnes fartas fincadas na minha coluna vertebral. O que eu fiz pra dar uma disfarçada? Joguei um pedaço de lençol em cima da pança. O cara virou e me disse: “Por que você está escondendo a sua barriga?”. Fiquei com cara de idiota, sem resposta. Situação típica em que a emenda é ridiculamente pior que o soneto. Mas fazer o que? Eu tenho vergonha. Todo mundo tem vergonha. Até hoje eu não sei o que eles pensam de celulite e nunca tive saco de ler as respostas nas revistas femininas. Porque eu sei que todo mundo mente, como eu sempre menti quando um homem me perguntava se o tamanho do pinto influencia no prazer. “Não, claro que não”. Mentira deslavada. Fazer o que... Mas a loucura é tanta que há uma semana, comecei a sair com um cara legal, que conheci no orkut. Aí, a Santa Paranóia começou a aparecer no altar lá de casa. “Caramba, como vou transar com essa bunda assim?”. E fui correndo comprar uma tal de bermuda anticelulite que prometia acabar com 60% da maldita em 1 mês. Um mês??? Como vou esperar um mês pra fazer sexo com ele? Porque todo mundo sabe que, quanto mais a gente rala e não rola, mais o cara fica com dor no saco e mais ele fica com raiva da gente. Mas fui usando a bermuda, nesses dias calorentos de primavera, e assando bem as minhas pernas e a pobre “perseguida” que nem tem nada com isso. Domingo passado não teve jeito, ele veio em casa e transamos gostosamente. Ele de cuecas pretas até as coxas. Eu, de calcinha verde de florzinhas e celulite. Não deu nem tempo de acender as velas pra disfarçar, mesmo porque, na hora, juro que esqueci da nóia e invadi cada poro da pele desse homem. E vice-versa. Gisela Rao

24 de out. de 2008

Amy Winehouse - Back to Black

Perseverança

Se há pessoas que não estudam ou que, se estudam, não aproveitam, elas que não se desencorajem e não desistam;
se há pessoas que não interrogam os homens instruídos para esclarecer as suas dúvidas ou o que ignoram, ou que, mesmo interrogando-os, não conseguem ficar mais instruídas, elas que não se desencorajem e não desistam;
se há pessoas que não meditam ou que, mesmo que meditem, não conseguem adquirir um conhecimento claro do princípio do bem, elas que não se desencorajem e não desistam;
se há pessoas que não distinguem o bem do mal ou que, mesmo que distingam, não têm uma percepção clara e nítida, elas que não se desencorajem e não desistam;
se há pessoas que não praticam o bem ou que, mesmo que o pratiquem, não podem aplicar nisso todas as suas forças, elas que não se desencorajem e não desistam; o que outros fariam numa só vez, elas o farão em dez, o que outros fariam em cem vezes, elas o farão em mil, porque aquele que seguir verdadeiramente esta regra da perseverança, por mais ignorante que seja, tornar-se-á uma pessoa esclarecida, por mais fraco que seja, tornar-se-á necessariamente forte.
Confúcio

Cronobiograma feminino

1 aos 5 anos:
A mulher não tem a mínima idéia do que ela seja. 5 aos 10 anos:
Sabe que é diferente dos meninos, mas não entende porquê. 10 aos 15 anos:
Sabe exatamente por que é diferente, e começa a tirar proveito disso. 25 aos 30 anos:
Nessa fase formam 5 grupos distintos: G1 As que casaram por dinheiro G2 As que casaram por amor G3 As que não casaram G4 As que simplesmente casaram G5 As inteligentes G1: descobrem que dinheiro não é tudo na vida, sentem falta de uma paixão. G2: descobrem que paixão não é tudo na vida, sentem falta do dinheiro. G3: não importa o dinheiro e a paixão, sentem falta mesmo é de um homem . G4: não entendem por que casaram. G5: descobrem que ter inteligência não é tudo na vida. 30 aos 35 anos:
Sabe exatamente onde errou e tinge o cabelo de loiro. Vai para academia.
35 aos 40 anos:
Procura ajuda espiritual.
40 aos 45 anos:
Abandona a ajuda espiritual e procura ajuda médica, com analistas e cirurgiões plásticos.
Após os 50 anos:
Finalmente se descobre, se aceita e começa a viver!
Mas aí vêm a osteoporose e o reumatismo e lasca tudo !

Hoje organizei meus sonhos em seqüência e prioridades...

Hoje organizei meus sonhos em seqüência e prioridades descartei amores duvidosos, amores feitos de promessas camuflados sob o manto do amanhã que nunca acontece por medo, covardia, comodismo, insegurança ou... Sei lá. Não quero mais enigmas que devoram minhas expectativas nem a face enrugada da tristeza refletida no meu espelho. Quero recriar a canção da minha vida em notas de alegria e resgatar o projeto original da menina que era feliz e sabia. Hoje eu disse adeus às promessas construídas em séries e abandonei as utopias feitas em cerâmica que trincaram não mais emprestarei minha alma a moldes disformes nem usarei as lágrimas para umedecer o barro sem arte. Não quero o martírio de um paraíso do outro lado do muro nem o mapa para que eu siga pistas de potencial vitória quero a felicidade beijando minha boca com sofreguidão e o amor presente fazendo bagunça no meu coração.
Desconheço o autor
picture by Pablo Picasso

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