31 de mar. de 2009

Carta de Minas

Prezado amigo TEÓFILO OTONI. Nesta VIÇOSA manhã de primavera, de onde se contempla um BELO HORIZONTE, um CAMPO BELO e MONTES CLAROS, e, ainda, neste ambiente FORMOSO de nossa terra, quando se pode contemplar também, pela madrugada, a ESTRELA DALVA, escrevo-lhe para colocá-lo a par dos últimos acontecimentos. No âmbito familiar, a nossa prima LEOPOLDINA, ESPERA FELIZ dar a LUZ a seu primeiro filho que, se for homem, se chamará ASTOLFO DUTRA e JANUÁRIA, se mulher. Para cuidar do rebento, ela contará com abnegação da sua governanta MOEMA. Mas, enquanto ela aguarda seu bebê, lava roupa tranqüilamente nas BICAS existentes em um RIO NOVO, afluente do RIO ACIMA, que passa pelas terras de DONA EUZÉBIA, naquele LARANJAL, perto da CAPELA NOVA, onde, na hora do RECREIO, a meninada sobe na PONTE NOVA, para pescar LAMBARI e PIAU e soltar PAPAGAIOS. A prima NATÉRCIA comprou uma casa na rua ANTONIO DIAS, perto da casa do ANTÔNIO CARLOS. Você já sabia? Orou a Jesus de NAZARENO em agradecimento, ajoelhada aos pés da SANTA CRUZ DO ESCALVADO no alto do MONTE SIÃO, que fica lá para as bandas da GALILEIA, às margens do MAR DE ESPANHA. Lembra-se daquelas pedras da tia MARIA DA CRUZ que você queria comprar? Ela resolveu vendê-las, menos a PEDRA AZUL, porque ela diz ser a mais bonita e valiosa. Quanto aos aspectos sociais e religiosos, temos novidades. Na próxima semana, o CÔNEGO MARINHO, da diocese de VOLTA GRANDE, vai fazer a Festa de SÃO TOMAS DE AQUINO. Se você quiser aparecer será um grande prazer. A nossa prima VIRGINIA é quem será a responsável pelo evento. Vai ter missa celebrada pelo reverendo local, CÔNEGO JOÃO PIO, em honra ao Santíssimo SACRAMENTO. De manhã, o bispo DOM SILVÉRIO irá crismar as crianças. Depois haverá um show com o Agnaldo TIMOTEO e também com as TRÊS MARIAS. Em seguida, a Banda Musical SANTA BÁRBARA, sob a regência do maestro BUENO BRANDÃO, executará o GUARANI, de Carlos Gomes. Depois o Barão de COROMANDEL fará a saudação ao aniversariante. A festa era para ser no mês que vem, mas todas as datas do cantor estavam preenchidas. As primas SERICITA e AZURITA vão fazer a comida. Como prato principal teremos PERDIGÃO e PERDIZES à milanesa e PATOS DE MINAS ao molho pardo. De sobremesa teremos compota de MANGA, tendo sido escolhida a UBÁ, por ser mais saborosa, pêssegos em CALDAS e, ainda, licor de PEQUI. À noite, haverá um baile no OLIVEIRA Country Clube, ao som da orquestra do maestro MATIPÓ, tendo como principais solistas os renomados músicos IBIRACI ao saxofone e NEPOMUCENO ao trompete. Será uma boa ocasião para os convidados exercitarem os seus PASSOS ao ritmo de boleros e rumbas. Mudando de assunto, na fazenda, fizemos algumas reformas. O CURRAL DE DENTRO estava com o telhado estragado, com problemas no madeirame e tivemos que trocar as vigas. Desta vez colocamos CANDEIAS, por ser madeira de muita durabilidade, todas compradas do CORONEL XAVIER CHAVES. Com a sobra da madeira ainda reformei a PORTEIRINHA que dá entrada para o quintal. Estou também reformando a CAPELINHA de SENHORA DE OLIVEIRA, para comemorar o aniversário de LIMA DUARTE. Na festa estarão presentes o CORONEL MURTA, o PRESIDENTE WENCESLAU, o JOÃO MONLEVADE, o CORONEL FABRICIANO, o CAPITÃO ENÉAS, o BARÃO DE COCAIS, o Barão de BARBACENA, e várias outras personalidades. Dizem que até o TIRADENTES pretende comparecer. Mas ele ficou meio aborrecido, porque queria que a festa fosse em SÃO JOÃO DEL REI. Só não poderá comparecer o VISCONDE DO RIO BRANCO porque ele está em CAMPANHA política. Iremos cobrar um valor simbólico como entrada, para reverter em benefício dos desabrigados da chuva, mas apenas uma MOEDA de PRATA. Vou lhe dar outra grande notícia. Perto do ENGENHO NOVO, naqueles barrancos cheios de FORMIGA, um empregado nosso descobriu MINAS NOVAS de OURO BRANCO, OURO PRETO, ESMERALDAS e TOPAZIO, portanto será uma NOVA ERA e uma BOA ESPERANÇA para todos nós. Infelizmente, por causa dessa riqueza, a violência já começou a aparecer na região. Um homem de TRÊS CORAÇÕES foi morto por um garimpeiro, usando uma faca de TRÊS PONTAS, porque ele havia descoberto uma enorme TURMALINA e também uma pedra de RUBIM, de menor tamanho, mas muito valiosa. Na área do desenvolvimento, a dona CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO, proprietária da usina açucareira de URUCÂNIA, quer aumentar a fábrica e incrementar a produção de açúcar, mas para isso precisará de mais energia elétrica. Assim, tem um projeto de construir uma usina hidroelétrica aproveitando as quedas dágua da CACHOEIRA DO CAMPO, formada pelo rio PIRANGA, mas o senhor RESENDE COSTA, que é o chefe do IBAMA na região, quer embargar a obra, alegando impacto ambiental. Falarei agora da nossa justiça. Chegou um JUIZ DE FORA, chamado EWBANK DA CÂMARA, para ocupar o lugar de BIAS FORTES, que terminou o seu mandato. Mas o CONSELHEIRO LAFAYETE, acompanhado de RAUL SOARES, pediu ao GOVERNADOR VALADARES para interceder junto ao PRESIDENTE BERNARDES para efetivar naquele cargo o SENADOR FIRMINO, que muito fez por nós. Ele foi DESCOBERTO ainda novo, tanto que sequer usava sapatos, usava ALPERCATAS, quando estava na companhia do CORONEL PACHECO, na famosa LAGOA DA PRATA, depois daquela GOIABEIRA e daquela árvore de JANAÚBA da fazenda POUSO ALEGRE, onde tem aquela VARGINHA, às margens do RIBEIRÃO VERMELHO. Ele se tornou um homem sério e honesto, sendo de muito valor para a nossa causa. Quanto à lagoa a que me referi, dizem que ela contém ÁGUA BOA, tanto que o Aleijadinho teria se curado dos seus males tomando banho nela, por isso passou a ser chamada de LAGOA SANTA. Dizem que um cego também lavou os olhos naquelas águas e voltou a enxergar, mas ele atribuiu esse milagre a SANTA LUZIA. Outro dia encontrei o BETIM, a MARIA DA FÉ e a ALMENARA nadando nas ÁGUAS FORMOSAS da LAGOA DOURADA, e lhe mandaram lembranças. A lagoa fica nas terras de PEDRO LEOPOLDO, onde ainda tem mais SETE LAGOAS. Avisam que estarão viajando para ALÉM PARAÍBA no próximo feriado de SANTOS DUMONT. Também lhe mandam um grande abraço o DIOGO VASCONCELOS e o JACINTO. Agora, vou lhe contar as fofocas. O FRANCISCO SÁ teve um desentendimento com o JOÃO PINHEIRO por causa daquela LAJINHA que faz o SALTO DA DIVISA das terras dos dois fazendeiros com as terras da MARIANA, às margens do Rio PARACATU, porque dizem que ali tem muita MALACACHETA. A coisa andou quente. Um deles, não sei qual, queria agredir o outro com um MACHADO. Ainda bem que o coronel MATEUS LEME chegou na hora e evitou o PATROCÍNIO de uma morte desnecessária, e, ainda, promoveu uma NOVA UNIÃO dos dois. Os índios AIMORÉS tentaram invadir a reserva dos índios MAXACALIS, armados de ARCOS e flechas, por causa daquela reserva de JEQUITIBÁ existente no PÂNTANO DE SANTA CRUZ, mas, felizmente, foram contidos pelas tropas da Polícia FLORESTAL comandadas pelo MAJOR EZEQUIEL, evitando um massacre sem precedentes. Os presos foram levados para o QUARTEL GERAL. E tem mais. O ELOI MENDES me contou, confidencialmente, que o Dr. CARLOS CHAGAS está de caso com a CONCEIÇÃO DAS ALAGOAS. A CÁSSIA, que é muito linguaruda, contou para a mulher dele, dona CRISTINA, que, imediatamente queria a separação e iria mudar-se para DIAMANTINA. Mas a dona MERCÊS, que é muito benquista por todos, conseguiu convencê-la a não tomar essa medida EXTREMA, e lhe propôs que aguardasse a chegada do seu primo, MARTINHO CAMPOS, que é um homem de mãos de FERROS, para ouvir o seu conselho. Ele achou que seria uma missão muito ESPINOSA, mas, ainda assim, aceitou o desafio. Sendo ele também um homem ponderado, sugeriu ao marido que pedisse PERDÕES à sua esposa, na presença do PADRE PARAÍSO, e assim foi feito e tudo teve um BONFIM. Depois desta CONTAGEM dos fatos, damos graças a SENHORA DOS REMÉDIOS, SANTO ANTÔNIO DO AMPARO, SANTO ANTÔNIO DO GRAMA e SÃO TIAGO, que têm sempre protegido a nossa família, para que nossas lutas tenham sempre um BOM SUCESSO. Terminando, receba um forte abraço do seu primo, MATIAS BARBOSA.

Isso que eu chamo ter visão do futuro

Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado. Karl Marx, in Das Kapital, 1867.

A Lavoura e o tempo


O ciclo da agricultura é comparável às nossas vidas, com semeaduras e colheitas 

Um dos principais elementos que regem a vida do agricultor é o tempo. Ele precisa conhecer as estações do ano e agir de acordo com cada uma delas, plantando, cuidando, esperando e colhendo. 

Ele não pode inverter a ordem. Não é possível colher sem ter plantado, a não ser que se queira roubar na propriedade alheia. As tarefas agrícolas não podem ser realizadas com muita antecipação nem com atraso. Na época da chuva não é possível preparar o solo nem lançar a semente. O resultado seria um grande lamaçal, com a enxurrada carregando os grãos. 

Quando chega a época da ceifa, é possível que o lavrador já esteja muito cansado, mas ele não pode relaxar. Adiar a colheita pode significar perda total. "Abundância de mantimento há na lavoura do pobre; mas se perde por falta de juízo." (Pv 13.23). O ciclo da agricultura é comparável à vida de cada um de nós, com muito trabalho, fé em Deus, paciência e produtividade. Salomão comparou a juventude à primavera (Ec 11.10). 

Nossa existência é dividida em estações, com tempos adequados para cada propósito. Não podemos ignorar tal coisa. Não devemos ser precipitados em nossas realizações, adiantando demais os fatos, nem ser omissos, negligentes ou preguiçosos, deixando de fazer aquilo que deve ser feito no tempo certo.

"O que ajunta no verão é filho prudente; mas o que dorme na sega é filho que envergonha." (Pv 10.5). Vejamos alguns exemplos de inversão na ordem natural da vida: há muitas crianças trabalhando, quando deveriam estudar e brincar. Por outro lado, muitos jovens só querem se divertir, quando deveriam também estudar e trabalhar. Outros antecipam as relações sexuais, a gravidez e a constituição da família, sem que tenham se preparado para isso. Algumas vezes, encontramos pessoas bastante idosas que estão ingressando na faculdade, porque não o fizeram na juventude. Todo tempo é propício à aquisição do conhecimento, mas se isso acontecer muito tarde, o indivíduo não colherá o que está plantando. 

"Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou." (Ec 3.1-2). Muitos fatos ocorrem por força das circunstâncias, causando desordem na vida. Compreendemos isso. Entretanto, há quem perca seu tempo por outros motivos: preguiça ou negligência. É imprescindível que cada um se conscientize do momento em que está vivendo. Qual é a estação atual? Para muitos de nós, ainda é tempo de semear, tempo de plantar. Não percamos a oportunidade. Quando chega o tempo de colher, e não existe fruto aprazível, o indivíduo começa a murmurar. Acusa Deus, o governo, os pais e a família. Culpa o destino, revolta-se e se desespera. Entretanto, não se recorda de sua negligência na época da semeadura. Existem também aqueles que vivem praticando o mal sem saber que seus atos são sementes. O que fazem hoje lhes será feito amanhã de modo multiplicado. "Falam palavras vãs; juram falsamente, fazendo pactos; por isso brota o juízo como erva peçonhenta nos sulcos dos campos." (Os 10.4). 

"Lavrastes a impiedade, segastes a iniqüidade, e comestes o fruto da mentira." (Os 10.13). "O que semear a perversidade segará males." (Pv 22.8). "Pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará." (Gl 6.7). Além dos estudos e do trabalho, seja natural ou espiritual, semeamos em cada ato, palavra ou gesto para com o próximo. Cada semente, boa ou má, se multiplicará e retornará para nós no tempo da ceifa. Cabe, portanto, a cada um de nós, escolher bem as sementes para que a nossa colheita seja excelente. Façamos hoje o que deve ser feito, pois amanhã pode ser muito tarde. "E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido." ( Gal.6.9). Queremos colher muito, mas semeamos pouco. 

Somos econômicos na semeadura e ambiciosos na colheita. Fizemos algo para Deus ou para o próximo e achamos que foi suficiente. Não se acomode. Trabalhe mais. Semeie mais. "Mas digo isto: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e aquele que semeia em abundância, em abundância também ceifará." (2Co 9.6). "Eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça." (João 15.16). Anísio Renato de Andrade
Picture by Jean François Millet

30 de mar. de 2009

Christian e o leão

Curpa dus crente

Um bêbado chega ao bar e pede uma bebida. Do seu lado uma senhora distinta querendo chamar a atenção do bêbado diz: - O senhor sabia que o Brasil é o segundo país do mundo em consumo de álcool? O bêbado responde: - É curpa desses crente!!! - Como culpa dos crentes? Os coitados nem sequer bebem álcool!!! - Pois é, se eles bebessem um pouquinho, nóis já tava em primeiro!!

Disfunções sexuais femininas

Rubens 'The Frigid Venus'
A insatisfação pessoal com o sexo está presente na vida de muitas pessoas. Até mesmo os adolescentes, que se supunha estarem no auge do apetite sexual e livre de atitudes puritanas em relação ao sexo, muitas vezes têm queixas referentes à sexualidade. Um grande número de adultos solteiros diz não conseguir encontrar os parceiros "certos", e se queixam de que o sexo é feito sob pressão e não como meio de relaxamento ou prazer, o que acaba inibindo ou frustrando sua sensibilidade erótica. Metade dos adultos casados também revela algum problema sexual, desde desinteresse até disfunções sexuais crônicas. Em se tratando de disfunções sexuais femininas, elas se definem como desordens psicossomáticas que impedem que a mulher cumpra o Ciclo de Resposta Sexual Feminina (sistematizado por Masters e Johnson e modificado pela Associação Psiquiátrica Americana): desejo, excitação, orgasmo, e resolução. 

O ciclo se altera em uma ou mais das fases, impossibilitando a mulher de obter prazer sexual ou mesmo de ter atividade sexual. Só se considera a existência de disfunção sexual se essas características forem persistentes ou recorrentes e trouxerem insatisfação, mal-estar, aborrecimento pessoal ou interpessoal. Qualquer disfunção sexual feminina pode ser: Primária ou Absoluta: Quando a mulher sempre vivenciou a sexualidade com os limites das disfunções sexuais femininas. Secundária: Quando a mulher já usufruiu de uma sexualidade completa (nem que tenha sido uma única vez) e, posteriormente, desenvolveu algum tipo de disfunção.  

Geral: Quando a mulher apresenta disfunção sexual feminina em todas as ocasiões, com qualquer parceiro, em qualquer circunstância. Situacional ou Ocasional: Quando a mulher apresenta disfunção sexual somente em determinadas situações. As disfunções sexuais constituem a grande maioria dos problemas de sexualidade. O "Estudo da Vida Sexual do Brasileiro", coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade (com 7103 participantes), revela que cerca de 50% das mulheres brasileiras sofrem de algum tipo de disfunção sexual. O parceiro sexual da mulher com vaginismo pode ficar muito frustrado por não ser possível ter relações sexuais com penetração.

Quando não sabe que os espasmos musculares da mulher são involuntários, pode imaginar que está fazendo algo que machuca a parceira e torna-se cada vez mais passivo nas situações sexuais, chegando até a apresentar disfunção erétil.

Ou pode concluir que a mulher está evitando as relações sexuais propositalmente e rejeitando-o. Depois de algum tempo, pode perder a paciência ou se tornar ressentido, hostil, ou simplesmente procurar outras parceiras sexuais. O vaginismo pode constituir-se em causa de casamentos não consumados, mesmo que tenham muitos anos de duração, ou em motivo para anulação do matrimônio, ou ainda uma causa de infertilidade do casal, uma vez que não ocorre o depósito do sêmen no interior da vagina e que a possibilidade de inseminação com ejaculação nas proximidades da vagina é muito pequena. Dependendo do grau do vaginismo, alguns exames ginecológicos só podem ser realizados sob anestesia. Causas das disfunções Há uma multiplicidade de fatores causais que podem atuar isoladamente ou de modo associado. 

Para Odette Fiorda (psicóloga da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana), as causas orgânicas são responsáveis por cerca de 20% a 40% das disfunções sexuais femininas; entre elas, 10% da falta de desejo sexual, 60% da falta de excitação, e 10% da anorgasmia. Entre as principais estão: menstruação (a inibição do desejo sexual pode acontecer, antes, durante ou depois deste período; climatério (devido à diminuição na produção de estrógeno e outras alterações, como ressecamento vaginal); doenças orgânicas (pela interferência direta ou indireta na sexualidade); distúrbios afetivos provocados por componentes físicos (mudanças de humor bruscas que interferem no equilíbrio psíquico); cirurgias como as realizadas para remoção do útero (histerectomia) e/ou ovários; doenças sexualmente transmissíveis (DSTs); dependência química; uso de medicamentos, contraceptivos, perfumaria (como os desodorantes vaginais, que podem propiciar infecções) e intervenções como a infibulação (costura dos grandes lábios da vulva) e clitoridectomia (extirpação do clitóris), ainda comuns em algumas culturas. Causas sociais e culturais 

 A história da nossa civilização parece ter contribuído para o surgimento de disfunções sexuais femininas. Por exemplo, com a instituição do patriarcado os laços afetivos entre homens e mulheres transformaram-se em relações de poder. A partir da dominação econômica exercida pelo marido e sua família sobre a mulher, esta introjetou um sentimento de inferioridade, muitas vezes traduzido em disfunções sexuais. A imagem cultural secular da mulher feita para servir o homem coincide com uma postura submissa e acomodada durante o coito, que diminui suas próprias oportunidades de expressão orgástica e inibe a busca ou a solicitação de práticas sexuais mais estimulantes. A partir da Idade Média até muito recentemente, a mulher orgástica era vista como prostituta ou como alguém que tinha parte com o demônio. 

A verdadeira mulher deveria ser fria, anorgástica e submissa. No século XVIII, o corpo da mulher passou a ser o locus de moléstias desconhecidas, sendo qualquer doença explicada por influência das funções reprodutivas femininas. Nasceram assim a "histérica", a "frígida" a "mulher com furor uterino". Os estereótipos culturais de gênero feminino construídos ao longo dos séculos traçavam o destino da mulher: ela deveria casar-se, ter filhos, ser boa esposa, mãe e dona-de-casa. Sexualmente, ser feminina era ser cordata, meiga, não muito fogosa nem esfuziante, não pensar sexualmente em outro homem, ser cegamente fiel ao marido, mesmo que estivesse insatisfeita sexualmente. Esses estereótipos limitaram muito a expressão sexual da mulher. O advento do movimento feminista nos anos 1960, a explosão da força do trabalho feminino, a pílula anticoncepcional e a crescente liberalização dos costumes, fizeram com que a coesão machista e as pressões sociais começassem a arrefecer. 

A mulher passou a exigir seus direitos, a disputar espaço social e profissional com o homem, a fazer valer a disposição de seu próprio corpo. Mas ainda hoje, vários são os fatores sociais, culturais e religiosos causadores de disfunções sexuais femininas, sendo os mais comuns a repressão sexual, os preconceitos, os mitos, as crenças e os tabus acerca da sexualidade feminina, gerando vergonha, culpa e inibição sexuais. Há também na nossa cultura, uma nova inibição sexual, agora provocada pelo culto ao corpo, obsessão com a beleza e saúde física. Se a mulher não possui atributos físicos identificados com a beleza, angustia-se e transfere a sensação de imperfeição de sua auto-imagem física para padrões tangíveis de comportamento sexual. A desinformação sexual, a educação sexual inadequada que a mulher recebe (na família, na escola, na sociedade em geral) e a aceitação sem restrições dos mitos culturais também precipitam o surgimento de disfunções sexuais. A inadequação do ambiente também pode interferir na sexualidade da mulher. Por exemplo, a preocupação com a possibilidade de ser ouvida ou interrompida durante a relação sexual, pode bloquear a sua resposta sexual. 

Causas psicológicas 
A maioria das disfunções sexuais femininas tem causas psicológicas. Entre as mais freqüentes, não conhecer, não gostar, não aceitar o próprio corpo, sentir-se feia, pouco atraente, ter baixa auto-estima, dificuldade em se entregar para o outro e/ou recebê-lo, dificuldade em assumir um "papel erótico", em evidenciar sua sensualidade, temor à perda de controle e satisfação plena; sexo sem envolvimento (por inabilidade de reunir afeto, amor e sexo), mecanismos de defesa como conversão, somatização, racionalização, comorbidades. Outras causas emocionais são os medos. O "Estudo do Comportamento Sexual", pesquisa nacional coordenada por Carmita Abdo (com 2835 participantes), revela que os principais temores da mulher brasileira durante o ato sexual, são: contaminar-se com doenças sexualmente transmissíveis, não satisfazer o parceiro, engravidar sem programação, não ter orgasmo e a ejaculação precoce do parceiro, nesta ordem. 

 A mulher pode ter medo do seu desempenho sexual (não corresponder às expectativas do parceiro, não ser sedutora, não alcançar o orgasmo ou não fazer o parceiro atingir o seu), medo de ser rejeitada pelo parceiro (por ser passiva ou demasiadamente ativa), medo do sucesso sexual e amoroso (após grande esforço para alcançar o objetivo desejado, quando está bem próxima disso, "sabota-se", ficando ansiosa com a ideia de perder o parceiro, descuidando da aparência; ou pode até atingir o alvo, mas desinteressa-se logo em seguida), medo de intimidade (geralmente devido a experiências decepcionantes na infância que fizeram com que a criança não desenvolvesse a confiança básica nos pais). Todos esses medos também impedem a mulher de relaxar e se excitar, pois é acometida de ansiedade coital. 

Ainda como causas emocionais das disfunções sexuais femininas encontram-se ansiedade, tensão, nervosismo, raiva, culpa, angústia, depressão; necessidade extrema de se sentir aceita por homens; negação de sentir-se atraída pelo mesmo sexo (homossexualidade); necessidade de provar que não é anorgástica; preocupação com o uso de preservativos; medo de sentir dor com a penetração vaginal; fatos desagradáveis, humilhantes e ameaçadores subseqüentes à atividade sexual; dificuldade de se expressar emocionalmente; inibição de conversar sobre sua sexualidade com o parceiro; excessiva preocupação com a satisfação do parceiro. A ansiedade presente em tratamentos feitos para engravidar também pode atrapalhar e resultar em disfunção sexual. 

Em caso de gravidez, o extremo cuidado em causar mal ao bebê ou sentimentos como o de perda e culpa provocados por um aborto induzido, também se refletem negativamente na sexualidade feminina. No puerpério, conflitos entre a maternidade e a sexualidade, uma eventual depressão pós-parto ou mesmo o receio de voltar a engravidar também podem contribuir para disfunções sexuais na mulher. Da mesma forma, o surgimento de disfunções pode ser precipitado devido a estados emocionais desfavoráveis provocados pela cirurgia de laqueadura (por exemplo fazendo com que a mulher se sinta em pecado por ter relações sexuais sem a possibilidade de engravidar, ou se sinta mutilada), pelo climatério (em decorrência não apenas de mudanças fisiológicas, mas também de mitos e crenças que envolvem a mulher nesta fase da vida), pela obesidade (sentindo vergonha do próprio corpo, angústia ao se despir), por doenças de maneira geral (a mulher doente pode achar que é "errado" ter desejo sexual, ou que não vai conseguir ter prazer sexual), ou por ter sofrido intervenções cirúrgicas realmente mutilantes, como a mastectomia (que prejudica sua auto-estima). 

Causas conjugais 
Apesar de a mulher ser a maior responsável pelo seu prazer sexual, o parceiro sexual tem grande importância no desempenho sexual feminino. Aliás, acreditamos que as disfunções sexuais femininas, mais do que conflitos intrapsíquicos, são conseqüências de vicissitudes das relações conjugais. Nesse âmbito, entre os principais fatores relacionais, podemos citar: falta de identificação (física, psicológica ou comportamental) com o parceiro sexual; atitudes do parceiro que provocam a repulsa feminina (aí se inclui desde o descuido com a higiene até o tom de voz áspero ou rispidez com a parceira); falta de aquecimento ou aquecimento inadequado antes do intercurso sexual; discrepância entre as necessidades sexuais do casal (traduzida, por exemplo, pelas diferenças de ritmo, ou de preferências de posições sexuais no momento das relações) tensão ou pressão por parte do parceiro antes ou durante a relação sexual (despertadas por assuntos que geram ansiedade ou preocupação, críticas à parceira, ameaça de abandono); monotonia e falta de criatividade na vida sexual do casal; problemas na comunicação (agravados pela inibição em expor os próprios desejos); luta pelo poder no relacionamento (como negar sexo ao parceiro com o objetivo de punição ou de controle), outros conflitos conjugais (medos, desconfianças, traições, agressões); problemas de saúde do parceiro sexual (diabetes, problemas cardíacos, transtornos psicológicos ou psiquiátricos). Há casos, além disso, em que a disfunção sexual não é da mulher, mas é ela quem assume a "culpa" e se considera inadequada. Como já foi dito, muitas vezes a disfunção sexual não é o problema real e sim reflexo de um relacionamento conjugal insatisfatório. Causas familiares É importante acrescentar que dificuldades no relacionamento familiar também prejudicam a vida sexual da mulher. 

Por exemplo, relacionamentos conflitantes entre pais e filhos (como alcoolismo por parte dos pais, uso de drogas por parte dos filhos, falta de contatos físicos afetivos entre pais e filhos), educação familiar inadequada ou atitudes negativas da família em relação ao sexo (como punição severa frente à masturbação ou perante às brincadeiras inocentes em torno da sexualidade entre as crianças), o predomínio do papel materno em detrimento das atribuições de esposa e amante (como a mulher ficar sempre de "prontidão" e dormir com a porta aberta). Causas ligadas à sexualidade Por fim, cabe lembrar que, para a mulher, o fato de ter sofrido algum tipo de trauma sexual, como abusos na infância ou na adolescência, ou ainda o fato de ter tido anteriormente experiências sexuais frustrantes e insatisfatórias também é relevante para o surgimento de disfunções sexuais. Da mesma maneira, influenciam negativamente a livre expressão da sexualidade feminina, a ausência de fantasias sexuais e até mesmo a falta de experiência (para mulheres que só tiveram um parceiro, ou pela rotina monótona da vida sexual), a prática recorrente do coito interrompido, as disfunções do parceiro, (ejaculação precoce ou disfunção erétil), a tentativa de relações heterossexuais por parte de uma mulher com orientação afetivo-sexual homossexual. 

Principais disfunções 
Falta de desejo sexual 
A falta de desejo sexual (ou anafrodisia) traduz-se pela ausência ou diminuição prolongada do desejo sexual, incluindo ausência de sonhos e fantasias sexuais, de atenção para elementos eróticos, da vontade de praticar o ato sexual ou falta de iniciativa sexual e a existência de sentimentos de angústia e frustração na abstenção do sexo. Mas é preciso frisar que a resposta sexual varia muito de pessoa para pessoa, o que dificulta a conceituação de "normalidade" em termos de freqüência de desejo. Daí o cuidado em usar essa definição. "Entretanto, pode-se a grosso modo considerar como 'normal' o surgimento de impulsos sexuais desde diários até quinzenais, na dependência da disponibilidade de parceiros interessantes e interessados, tipo de atividade, faixa etária, e outras variáveis", de acordo com Nelson Vitiello, ginecologista e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. 

A falta de desejo sexual pode ser causa de outras disfunções sexuais femininas, mas não necessariamente leva à falta de excitação sexual ou à anorgasmia, e não impede a mulher de participar do contato sexual quando solicitada. Segundo Carmita Abdo, a falta de desejo é uma condição apresentada por 8,2% das mulheres brasileiras, quatro vezes mais do que por homens. E a tendência é aumentar conforme a idade avança: 20% das mulheres brasileiras acima dos 60 anos não têm mais nenhum tipo de interesse sexual. No "Estudo com Terapeutas Psicodramatistas sobre Queixas Sexuais Femininas", minha tese de doutorado (uma pesquisa qualitativa na cidade de São Paulo), a falta de desejo sexual aparece como a principal das disfunções das pacientes.

E os resultados divulgados pelo Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das clínicas de São Paulo, mostram a falta de desejo sexual como a segunda disfunção feminina mais importante (26%). O que parece justificar esta incidência é a mudança nas condições de vida atual, muito mais estressante, com o acúmulo de trabalho, os transtornos do trânsito, má alimentação e qualidade de sono ruim. Nessa rotina exaustiva não há muito espaço para a mulher pensar em si e uma das conseqüências é a diminuição do interesse por sexo. A mulher que sofre de falta de desejo evita as relações sexuais e apela para pretextos como cansaço, dor de cabeça, cólica menstrual, perigo de acordar os filhos. Falta de excitação sexual 

É a ausência ou insuficiência de lubrificação, vasocongestão pélvica, dilatação vaginal e tumescência dos genitais externos (clitóris, grandes e pequenos lábios); ou a impossibilidade de manter essa resposta até o final da atividade sexual. Pode ser primária, se a mulher nunca teve prazer sexual em atividade sexual anterior; ou secundária, se a mulher já respondeu à estimulação com excitação e prazer sexuais em alguma ocasião anterior; geral, se a falta de excitação aparece em todas as situações, com qualquer tipo de estímulo e com todas as pessoas com quem a mulher realiza a atividade sexual; ou ainda, situacional, se a mulher deixa de responder aos estímulos sexuais apenas em determinadas circunstâncias, com certos parceiros, tipo de estimulação, falta de anseio do parceiro, depois de uma briga ou frustração. 

 O problema aparece em 27% das mulheres brasileiras, sendo mais comum naquelas entre 18 e 25 anos, e acima dos 40 anos, como nos mostra Carmita Abdo. Anorgasmia Anorgasmia (ou disfunção orgástica) se define como a ausência recorrente ou persistente de orgasmo, tanto por sexo vaginal, anal, orogenital, como pela masturbação, após as fases de desejo e excitação. A anorgasmia também pode ser classificada como: primária, quando a mulher nunca experimentou orgasmo; secundária, quando, depois de um período em que era possível para a mulher atingir o orgasmo, isso deixa de acontecer, independentemente da forma da relação ou masturbação (é mais freqüente que a anorgasmia primária e em mulheres jovens e solteiras); situacional ou ocasional, ocorre quando a mulher alcança o orgasmo somente em situações específicas (por exemplo, não atinge o orgasmo com o marido, mas o alcança com um amante, ou vice-versa).

A anorgasmia situacional pode se dar por desajuste orgástico masturbatório (se a mulher não se satisfaz por meio da masturbação, independentemente de como é praticada, mas alcança o orgasmo durante o coito) ou por desajuste orgástico coital (se a mulher nunca obtém orgasmo durante o coito, mas tem retorno orgástico através de masturbação e sexo orogenital. Diferentemente da anterior, esta categoria aplica-se a um grande número de mulheres).A anorgasmia também pode ser fortuita, quando a mulher tem orgasmo em diferentes tipos de atividades sexuais, mas de maneira pouco freqüente. É preciso não confundir anorgasmia situacional com, por exemplo, ocorrências ocasionais de falta de lubrificação, de orgasmo, ou de prazer numa relação sexual que não chegam a se constituir em uma disfunção sexual. A anorgasmia atinge cinco vezes mais mulheres do que homens. Já foi a disfunção sexual feminina mais numerosa entre as brasileiras: em 1990, correspondia a 74%; atualmente, diminuiu para 30%, ainda que continue sendo a disfunção mais freqüente, de acordo com Carmita Abdo. 

Mudanças comportamentais, avanço das normas morais e de educação e o maior acesso à informação sobre o corpo e a sexualidade ocorridos nos últimos anos explicam a grande diferença estatística. Segundo Oswaldo Rodrigues Jr. (psicólogo diretor do Centro de Estudos e Pesquisas de Comportamento em Sexualidade), apesar disso, no consultório dos terapeutas sexuais três a cada cinco mulheres ainda se queixam de dificuldades ou falta de orgasmo. O problema pode levar à diminuição da auto-estima, à depressão e à sensação de inutilidade. 

E o parceiro da mulher anorgástica pode experimentar uma gama variada de sentimentos, da ameaça à irritação, podendo chegar ao limite da resignação. Para a mulher, com o tempo a anorgasmia pode desencadear também falta de desejo sexual. Antes da publicação de A Inadequação Sexual Humana, de Masters e Johnson, em 1970, a palavra frigidez era usada para descrever uma série de problemas sexuais femininos que variavam desde a falta de interesse em sexo e a ausência de excitação sexual à não ocorrência do orgasmo, sendo usada de forma pejorativa. "A expressão 'mulher frígida' mais parece acusação que descrição de um problema sexual. Foi associada à frieza de sentimentos, o que é imperdoável, já que qualquer um pode constatar sensibilidade, afeto e ternura na mulher embora ela não consiga atingir o orgasmo nas práticas sexuais comuns", pondera Juan Kusnetzoff, psiquiatra argentino.

O reconhecimento desta realidade justifica o abandono do termo "frigidez" e suas variações do vocabulário dos especialistas. Mas cerca de 35% das mulheres que sofrem de anorgasmia ainda simulam o orgasmo, temendo o estigma, afirma Ângelo Monesi, psicólogo diretor do Instituto Paulista de Sexualidade. Dispareunia Outra disfunção é a dispareunia, que quer dizer dor na relação sexual, sem apresentar causa orgânica. Pode incidir tanto em mulheres quanto em homens, mas é mais freqüente em mulheres. A dor aparece como ardor, dor cortante, queimação ou contração; pode ser externa, na vagina (intróito, região média ou profunda), na bexiga, no útero, na cérvix. A dispareunia pode ser causa e/ou manutenção de uma inibição em relação à manifestação e realização da sexualidade feminina; o medo da dor pode tornar a mulher tensa e diminuir o seu prazer sexual, alterando as fases de desejo, excitação, orgasmo e resolução. 

 A dispareunia pode ser transitória (acontece às vezes), permanente (sempre surge), ou adquirida (surge depois de um tempo); generalizada (aparece com todos os parceiros sexuais e em todas as circunstâncias), ou situacional (ocorre com determinado parceiro sexual, com certo tipo de estímulo ou num contexto específico). E pode culminar em vaginismo, do qual falaremos adiante. O parceiro sexual pouco pode fazer, a não ser diminuir a freqüência das relações sexuais entre os dois e insistir para que a mulher busque ajuda profissional. Entre as brasileiras, 18% apresentam a disfunção, mais incidente na faixa etária de 18 a 25 anos e acima dos 60 anos, segundo Carmita Abdo. Vaginismo Consiste na contração espasmódica e involuntária, recorrente ou persistente, dos músculos que circundam a entrada da vagina e dos músculos constritores do ânus, que ocorre na iminência e tentativa de penetração. 

Apresenta-se em diferentes graus de intensidade, das versões mais brandas à mais acentuada e grave. Ocasionalmente, o espasmo reflexo involuntário abrange os músculos adutores da coxa, a ponto de os joelhos ficarem colados um contra o outro. Em geral o problema não afeta as fases de desejo e excitação e as mulheres que o apresentam sentem-se aborrecidas pela incapacidade em desfrutar das relações sexuais. Não é raro o vaginismo se associar a fobias, quase sempre relacionadas a repugnância e temor dos órgãos sexuais. A dificuldade também pode se instalar após um estupro ou incesto. Se a penetração for forçada, pode ser doloroso para a mulher, resultando em dispareunia. O vaginismo atinge mulheres de todas as idades. Pode ocorrer ao longo da vida da mulher, ou ser adquirido; pode ser generalizado ou situacional. Dentre as mulheres atendidas pelo ProSex, 3,1% apresentam vaginismo, condição que costuma ter efeito psicológico devastador, tanto para a mulher como para seu companheiro sexual. A mulher pode sentir-se inadequada, humilhada, frustrada, com medo de ser abandonada pelo marido. Como conseqüência procura evitar todo encontro sexual. 
Ana Maria Ramos Seixas

29 de mar. de 2009

Tudo volta para você

Em caso de separação, não dê palpite

Dois amigos conversando, quando, depois da segunda, terceira, quarta taças de vinho, Carlos declarou:
- Sabe Roberto, me separei. Pô, meu. Tô meio deprimido, mas agora vou organizar minha vida de forma diferente.
- Bom , Carlos, então agora vou te falar. Tua mulher estava transando com todo mundo. Saiu com quase todo nosso time de futebol e os caras disseram que ela é mais devassa que a imperatriz Teodósia de Bizâncio, aquela que gostava de três escravos núbios ao mesmo tempo.
- Peraí Beto, me separei do meu sócio!!! e não da minha esposa Martinha!
Silêncio.....

Não sei se a vida é curta...

Não sei se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita. Alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja curta, nem longa demais mas que seja intensa verdadeira, pura ... Enquanto durar. Cora Coralina

Dois Mundos

O amor consegue sincronizar dois mundos distintos em um só ser. Há o mundo da razão, do equilibrio, do sorrir, do saber ser feliz, do incondicional. E há o mundo da solidão, da saudade, do arrependimento, da impotência, do medo. Definir o amor é descrever-se no mundo o qual você se encontra.
Scarlett Oliveira

Mortes espelhadas

Poucas atitudes humanas são tão enigmáticas quanto o suicídio. O inexplicável ganha contornos ainda mais trágicos quando o comportamento suicida se multiplica entre os integrantes de uma família. Na semana passada, Frieda Hughes anunciou que o seu irmão, Nicholas, se enforcara em sua casa no Alasca. Os dois são filhos de Sylvia Plath, uma das mais brilhantes escritoras americanas do século XX, com o poeta inglês Ted Hughes, outro peso-pesado das letras. Quando Nicholas tinha apenas 1 ano de vida, Sylvia, no auge de seus 30 anos, trancou-se na cozinha, colocou a cabeça no forno e ligou o gás. Durante décadas, feministas acusaram Ted de ser o culpado do suicídio de Sylvia, pelo fato de ele a ter deixado por outra mulher, Assia Wevill, pouco tempo antes. Seis anos depois, Assia se matou da mesma forma que Sylvia, levando consigo a filha pequena que tivera com Ted. É impossível saber se a perda da mãe, da madrasta e da meia-irmã por suicídio influenciou de alguma forma o gesto final de Nicholas, um respeitado biólogo marinho de 47 anos que, segundo Frieda, lutava contra a depressão. Supõe-se, no entanto, que a combinação de fatores genéticos, herdados dos pais, com sociais, incluído aí tudo o que diz respeito à estrutura familiar, esteja na base do ato extremo de pular de um prédio, enforcar-se, estourar os miolos com um revólver ou tomar uma caixa inteira de barbitúricos – os métodos mais comuns de suicídio. Uma experiência traumática na infância, como a perda de alguém muito próximo, pode ser considerada um detonador. Sylvia Plath, por exemplo, entendia que seu pai, morto quando ela era criança, apresentava um comportamento suicida ao se negar a tratar o diabetes. Entre os fatores de origem genética, estão distúrbios mentais como a bipolaridade e a esquizofrenia. O escritor americano Ernest Hemingway, que se matou em 1961, sofria de transtorno bipolar. Seus irmãos Ursula e Leicester, seu pai, Clarence, e sua neta Margaux também se suicidaram. Suspeita-se que todos sofriam do mesmo problema. Nove em cada dez suicidas têm algum tipo de transtorno psíquico diagnosticado. Nem mesmo essa estatística, porém, é suficiente para esclarecer totalmente o que leva uma pessoa a cancelar sua existência. "Afinal de contas, 90% dos pacientes com depressão ou outros distúrbios não se matam", diz Marcelo Tavares, coordenador do Núcleo de Intervenção em Crise e Prevenção do Suicídio da Universidade de Brasília. O que determina, então, o ato radical da minoria? Quase nunca uma única causa, é certo. "Em geral, o suicida enfrenta uma superposição peculiar de elementos psicológicos, biológicos, culturais, ambientais e sociais", diz o psiquiatra José Manoel Bertolote, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu. A filosofia, desde Platão, dedicou um capítulo especial às questões morais ligadas ao direito ou não do autoaniquilamento. O cristianismo, por meio de pensadores como Santo Tomás de Aquino, condenou sem exceções o suicídio. A doutrina medieval estabelecia que a autodestruição violava o princípio de que o corpo humano pertence a Deus. Essa visão foi contestada por pensadores iluministas como o escocês David Hume (1711-1776), o maior nome do ceticismo, que analisava o suicídio do ponto de vista da experiência individual, e não da religião. O sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917), expoente do positivismo, concluiu na obra O Suicídio que se matar é uma decisão movida essencialmente por motivos sociais – como a falta de vínculos fortes com a sociedade ou, ao contrário, uma integração tão completa do indivíduo com seu entorno que ele é capaz de se sacrificar pelo bem comum. Já os existencialistas colocaram o suicídio no centro do debate sobre a razão de viver, como se fosse uma saída plausível para cada um de nós. Em O Mito de Sísifo, o escritor francês Albert Camus ponderou que, se a vida não tem sentido, talvez não valha a pena sequer ser vivida. Mas, em seu belo livro, Camus afirma também que o ser humano deve aceitar a tensão de procurar sentido em um mundo absurdo e caótico, descartando, assim, a opção do suicídio. De qualquer forma, ao colocarem o suicídio como escolha, os existencialistas romantizaram a questão. Quase todo mundo já flertou, ainda que de modo efêmero, com a ideia de tirar a própria vida. Que o digam adolescentes às voltas com uma grande desilusão amorosa. Ligeiros pensamentos suicidas, no entanto, não são preocupantes. Eles requerem atenção quando passam a habitar constantemente o nosso universo mental e, assim, podem transformar-se num impulso incontrolável. Terapia e, talvez, o uso de remédios são a saída mais concreta e menos filosófica. Sylvia Plath costumava insinuar que a escrita, para ela, funcionava como terapia. "A análise de seus textos, contudo, revela que a escrita alimentava os sentimentos dolorosos que a atormentavam", diz a psicóloga Ana Cecília Carvalho, autora do livro A Poética do Suicídio em Sylvia Plath. "O jato de sangue é poesia / Não há nada que o detenha", escreveu Sylvia poucos dias antes de morrer. Como ocorre com artistas que se matam, é tentador interpretar a obra da americana como se fosse um bilhete de despedida a conter os sinais, mesmo que tênues, do fim voluntário. Sinais quase sempre indecifráveis em outros suicidas, cujas razões ficarão para sempre obscuras. Entre eles, Nicholas Hughes, que repetiu o caminho trágico da mãe. Diogo Schelp

28 de mar. de 2009

Eutanásia - para refletir - relato real de um homem

Ontem, eu e minha mulher estávamos sentados na sala, falando das muitas coisas da vida. Falávamos de viver e morrer. Então eu disse-lhe: Nunca me deixe viver num estado vegetativo, dependendo de uma máquina e de líquidos. Se me vir nesse estado, desliga tudo o que me mantém vivo, ok? Vocês acreditam que a desalmada levantou-se, desligou a televisão e virou na pia da cozinha minha latinha de cerveja??

Mapa das Terras da sexualidade humana

Franklin Veaux criou o Mapa das Terras da sexualidade humana, para quem acha que já fez de tudo entre quatro paredes. Ele transformou a sexualidade humana em um mapa que contempla das práticas mais "normais" às mais bizarras, divididas em diferentes territórios. Veaux oferece um mapa do caminho para um mapa de práticas sexuais. A proposta é que o internauta marque suas experiências e fantasias e depois envie seu mapa personalizado para amigos. Os mais variados fetiches e fantasias estão distribuídos em ilhas e países pelo vasto continente da sexualidade humana, incluindo territórios como Massagem Erótica, Sexo Grupal e Voyeurismo. As práticas consideradas mais "leves" ficam mais ao sul. Ao norte, uma cadeia montanhosa limita uma região chamada The Impassable Reaches, ou "limites intransponíveis". Com alfinetes coloridos, o internauta indica os "países" e "cidades" que já visitou e gostou, os que visitou e não gostou, os que gostaria de visitar e os que permanecerão puramente como fantasia. Em seu site, Veaux diz que o objetivo da brincadeira é ajudar as pessoas a expressar sua sexualidade, mostrando a grande diversidade da sexualidade humana. Clique para conhecer e criar seu próprio mapa.

Por que ler Nietzsche hoje


Dentre os clássicos da filosofia moderna, Nietzsche talvez seja o pensador mais incômodo e provocativo. 


Sua vocação crítica cortante o levou ao submundo de nossa civilização, sua inflexível honestidade intelectual denunciou a mesquinhez e a trapaça ocultas em nossos valores mais elevados, dissimuladas em nossas convicções mais firmes, renegadas em nossas mais sublimes esperanças. 


Essa atitude deriva do que Nietzsche entendia por filosofia. Para ele, filosofar é um ato que se enraíza na vida e um exercício de liberdade. O compromisso com a autenticidade da reflexão exige vigilância crítica permanente, que denuncia como impostura qualquer forma de mistificação intelectual. Por isso, Nietzsche não poupou de exame nenhum de nossos mais acalentados artigos de fé. O destino da cultura, o futuro do ser humano na história, sempre foi sua obsessiva preocupação. Por causa dela, submeteu à crítica todos os domínios vitais de nossa civilização ocidental: científicos, éticos, religiosos e políticos. 


Nietzsche é um dos grandes mestres da suspeita, que denuncia a moralidade e a política moderna como transformação vulgarizada de antigos valores metafísicos e religiosos, numa conjuração subterrânea que conduz ao amesquinhamento das condições nas quais se desenvolve a vida social. Nesse sentido, ele é um dos mais intransigentes críticos do nivelamento e da massificação da humanidade. Para ele, isso era uma conseqüência funesta da extensão global da sociedade civil burguesa, tal como esta se configurou a partir da Revolução Industrial. Nietzsche se opõe à supressão das diferenças, à padronização de valores que, sob o pretexto de universalidade, encobre, de fato, a imposição totalitária de interesses particulares; por isso, ele é também um opositor da igualdade entendida como uniformidade. 


Assim, denunciou a transformação de pessoas em peças anônimas da engrenagem global de interesses e a manipulação de corações e mentes pelos grandes dispositivos formadores de opinião. O esforço filosófico de Nietzsche o levou a se confrontar com as grandes correntes históricas responsáveis pela formação do Ocidente: a tradição pagã greco-romana e a judaico-cristã; e o que resultou da fusão entre as duas. 


Ao longo desse seu confronto com o conjunto da herança cultural de nossa tradição, Nietzsche forjou conceitos e figuras do pensamento que até hoje impregnam nosso vocabulário e povoam nosso imaginário político e artístico. Tais são, por exemplo, as noções de Apolo e Dionísio, transformadas em categorias estéticas, os conceitos de vontade de poder, além-do-homem (Übermensch), eterno retorno e niilismo e a figura da morte de Deus. É impossível se colocar à altura dos principais temas e questões de nosso tempo sem entender o pensamento de Nietzsche. 


Ateísta radical, ele atribui ao homem a tarefa de se reapropriar de sua essência e definir as metas de seu destino. Dele afirma o filósofo Martin Heidegger: "Nietzsche é o primeiro pensador que, perante a história universal pela primeira vez aflorada em seu conjunto, coloca a pergunta decisiva e a reflete internamente em toda a sua extensão metafísica. Essa pergunta reza: como homem, em sua essência até aqui, está o homem preparado para assumir o domínio da terra?" (Heidegger, "Wer ist Nietzsches Zarathustra?") Nesse sentido, Nietzsche é o pensador de nossas angústias, que não poupou nenhuma certeza estabelecida -sobretudo as suas próprias convicções- e desvendou os mais sinistros labirintos da alma moderna. Com a paixão que liga a vida ao pensamento, Nietzsche refletiu sobre todos os problemas cruciais da cultura moderna, sobre as perplexidades, os desafios, as vertigens no fim do século 19. 


Dessa sua condição, postado entre o final e o início de duas eras, Nietzsche esboçou um quadro que, em todos os seus matizes, nos concerne ainda, na passagem a um novo milênio, em direção a um destino que ainda não se pode discernir. A despeito de sua visão sombria, Nietzsche tentou ser, ao mesmo tempo, um arauto de novas esperanças. Sua mensagem definitiva --a criação de novos valores, a instituição de novas metas para a aventura humana na história-- é também um cântico de alegria. 


Essa é uma das razões pelas quais o estilo de Nietzsche resulta da combinação paradoxal de elementos antagônicos: sombra e luz, agonia e êxtase, gravidade e leveza. Isso explica por que, para ele, o riso e a paródia são operadores filosóficos inigualáveis: eles permitem reverter perspectivas fossilizadas. Nietzsche, o impiedoso crítico das crenças canônicas, é também um mestre da ironia. Sua ambição consiste em tornar superfície o que é profundidade, restituir a graça ao peso da seriedade filosófica. Opositor ferrenho da dialética socrática, Nietzsche reedita, no mundo moderno, o gesto irônico do pai fundador da filosofia ocidental. 


Decisivo adversário de Platão, sua filosofia talvez possa ser caracterizada como uma inversão paródica do platonismo. Definindo-se como o mais intransigente anticristão, dá, no entanto, à sua autobiografia intelectual, escrita no final de sua vida, o título Ecce Homo ("Eis o Homem") -expressão empregada por Pilatos ao apresentar Jesus a seus algozes, pouco antes da Paixão. Nietzsche, o filósofo-artista, um poeta que só acreditava numa filosofia que fosse expressão das vivências genuínas e pessoais, vendo na experiência estética uma espécie de êxtase e redenção, é, por isso mesmo, um precursor da crítica a um tipo de racionalidade meramente técnica, fria e planificadora. 


A despeito da profundidade e da gravidade das questões com que se ocupa, sempre as tratou em estilo artístico, poeticamente sugestivo; só acreditava na autenticidade de um pensamento que nos motivasse a dançar. Ele mesmo imagina sobre sua porta a inscrição: Moro em minha própria casa Nada imitei de ninguém E ainda ri de todo mestre Que não riu de si também.
(Epígrafe de A Gaia Ciência) Sem extravasar os limites dos livros desta série, Folha Explica Nietzsche se propõe a ser uma apresentação geral do homem e do filósofo Friedrich Nietzsche. Seu objetivo é fazer com que o leitor se familiarize com os conceitos, as figuras e o estilo de Nietzsche --não para depois encerrá-los em qualquer câmara da memória, mas sim para despertar seu interesse e estimulá-lo a seguir adiante. Aceitar o desafio de Nietzsche implica, sobretudo, pensar independentemente; e por isso, às vezes, também contra Nietzsche. 
Oswaldo Giacóia Júnior

27 de mar. de 2009

Atitudes que ajudam a elevar o astral

Atividade física provoca liberação de betaendorfina, neurotransmissor que participa da regulação do humor e causa bem-estar Ioga e sessões de massagem estimulam a circulação sangüínea, aumentam o fluxo de oxigênio e promovem sensação de bem-estar A música relaxante faz com que a pessoa produza substâncias que colaboram na neutralização dos efeitos danosos do cortisol, hormônio que predomina em momentos de tensão e mau humor Os carboidratos estimulam a produção de serotonina, neutransmissor envolvido no controle das emoções. Como são, em geral, calóricos, o ideal é consumi-los com moderação Fique longe de pessoas muito mal-humoradas. Pesquisas indicam que o mau humor é contagioso. Se a pessoa for próxima, recomende auxílio médico Se a pessoa querida está mal-humorada, elogios sinceros, beijos e abraços vão fazer bem

A importância da alegria

Quando vence uma batalha, o guerreiro comemora. Esta vitória custou momentos difíceis, noites de dúvidas, intermináveis dias de espera. Desde os tempos antigos, celebrar um triunfo faz parte do próprio ritual da vida. A comemoração é um rito de passagem. Os companheiros olham a alegria do guerreiro da luz, e pensam: “por que faz isto? Pode decepcionar-se em seu próximo combate. Pode atrair a fúria do inimigo”. Mas o guerreiro sabe o motivo de seu gesto. Ele se beneficia do melhor presente que a vitória é capaz de trazer: confiança. Celebra hoje sua vitória de ontem, para ter mais forças na batalha de amanhã. Paulo Coelho

De volta para o futuro

A mente humana utiliza as mesmas regiões do cérebro quando está imaginando o futuro ou quando se lembra do passado. Neurocientistas da Universidade Washington, em St. Louis colocaram 21 voluntários em máquinas de ressonância magnética funcional e pediram a eles que relembrassem ou imaginasse eventos, tais como ver a si mesmos numa festa com Bill Clinton. Ao pensarem no futuro, oito áreas diferentes mostraram ativação extra – isto é, aumento no fluxo sanguíneo –, entre elas a área de Brodmann, o córtex parietal medial posterior e o cerebelo posterior. Quinze regiões adicionais se mostraram presentes ao evocar o passado ou ao imaginar o futuro, incluindo aquelas identificadas anteriormente como importantes para lembrar locais já visitados.
Proceedings of the National Academy of Sciences USA.

Crise Econômica e Absurdo Filosófico

“Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim, mas apenas o começo...” Albert Camus Quando Camus faz seu irresistível personagem Meursault, de O estrangeiro, assassinar um árabe na praia ‘por causa do Sol’ e, com a mesma gratuidade, o leva a assistir ao enterro da mãe, ir ao cinema e ajudar um amigo num caso obscuro, ele apenas desvela uma das mais temerárias facetas da nossa existência: o absurdo. Podemos falar da crise econômica que se abateu sobre o mundo globalizado como um desses absurdos tão caros a Camus e aos existencialistas franceses? Que melhor definição pode ser aplicada à situação de um casal idoso que pôs suas economias, durante décadas, numa instituição financeira, com o fim de ter uma velhice confortável, ao receber a notícia de que perdeu tudo na crise? Não é possível aquilatar se a dor que se abate sobre um operário, que perdeu seu trabalho, tem a mesma intensidade que a do empresário que vê seu patrimônio escorrer entre os dedos. Ou aquela família que teve de abandonar a própria casa por inadimplência e a do casal de idosos mencionado. Aqui talvez pudéssemos citar Tolstoi na abertura do seu romance Ana Karenina: “Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. A crise chegou. As pessoas perdem seus bens. Empresas vão à falência. Milhares estão desempregados. Há desesperança onde quer que repouse o olhar. A insegurança, filha espúria do absurdo globalizado, bateu à porta. Há decepção e descrença. É quase impossível abstrair que, por trás da bancarrota, há uma cabeça de medusa e seus mil tentáculos que responde pelo insípido nome de “sistema”. A cada uma das vítimas adiciona-se o peso do fracasso pessoal, da impotência e da culpa. Não somos, entretanto, individualmente responsáveis pelo absurdo que se avizinhou de forma sorrateira, pegando-nos de surpresa. Batemos no próprio peito assumindo para nós mesmos as conseqüências do fracasso. Poucos percebem que estamos inseridos num sistema de bases movediças. Não houve entre nós quem tivesse a sensibilidade aguçada do elefante que previu o tsunami com antecedência de horas. Uma multidão de especialistas não o fez. E se o tivessem feito, mudaria alguma coisa? Não me parece que, se assim fosse, o resultado seria diferente. Ninguém estava a postos para fazer previsões desse quilate. Pensávamos apenas em concorrer, disputar, vencer, chegar lá, e jogamos todas as fichas nesse ambicioso projeto. É possível fazer previsão realista para as conseqüências da crise econômica na saúde física e mental das suas vítimas? Quantos ataques cardíacos poderão ocorrer por causa disso? Quem se tornará hipertenso, ansioso, depressivo. E os que terão ataques de pânico? Quantos suicídios serão computados na sombria contabilidade da crise econômica? Também neste pormenor não há especialista capaz de fazer previsão. A crise econômica não faz bem a ninguém. Maltrata a todos, direta ou indiretamente. O executivo que perdeu suas regalias na crise é acometido subitamente de forte opressão no peito. Um manto de suor recobre seu rosto. Sua pele torna-se pálida e a respiração é ofegante. Em alguns minutos é conduzido a um pronto-socorro. Os exames não revelaram nenhuma alteração. O cardiologista calmamente informa-lhe o diagnóstico: “Sua saúde física está em ótimo estado. Seu problema é psicológico”. Cenas como essa são reproduzidas diariamente em hospitais de todo o mundo. Mas é um erro interpretar esse tipo de ocorrência como mero “problema psicológico”, pois essa postura minimiza a importância dos efeitos da mente sobre o corpo. Só nos Estados Unidos, 1,5 milhão de pessoas sofre ataque cardíaco por ano. É difícil determinar quantos desses eventos devem ser atribuídos ao estresse. Uma equipe de pesquisadores da University College London fez uma ampla revisão em questionários aplicados a pessoas que sofreram ataques cardíacos entre 1974 e 2004 e compilou respostas dadas à seguinte questão: “O que você estava fazendo ou sentindo nas horas que antecederam o ataque cardíaco?”. Estresse emocional estava entre as respostas mais comuns. O que fazer para amenizar o impacto da crise econômica na vida cotidiana? Para alguns, o abandono do ato de fumar, a redução no consumo de café e adoção de dietas ricas em legumes e frutas, em detrimento de excessivo consumo de carne vermelha, estão entre eles. Há uma lista que pode parecer clichê, mas que não deve ser subestimada. Ampliar o interesse por temas elevados, por cultura, boas leituras, música, artes em geral. Procurar o convívio de pessoas mais sábias, aproximar-se mais dos verdadeiros amigos e das pessoas queridas. Talvez devêssemos incluir aí um pouco de filosofia, quem sabe até mesmo religião em doses adequadas. Mas há algo, amplamente desenvolvido entre os animais, particularmente entre os chimpanzés, que deveríamos retomar como uma das formas de enfrentar o absurdo que nos espreita a cada dia: altruísmo, ou o retorno à indignação ética. Edson Amâncio

26 de mar. de 2009

A essência da consciência

Só arriscando a nossa vida conservamos a liberdade, só assim provamos que a essência da consciência de si próprio não é o ser, não é o modo imediato como essa consciência surge em primeiro lugar, não é a sua fixação na expansão da vida. Georg Hegel

Tudo é divino

Há uma elasticidade cósmica, se assim lhe posso chamar, que é extremamente enganadora. Dá ao homem a ilusão temporária de que é capaz de mudar as coisas. Mas o homem acaba sempre por tornar a cair em si. É aí, na sua própria natureza, que pode e deve praticar-se a transmutação, e em nenhum outro lugar. E quando um homem percebe a que ponto é isto verdade, reconciliando-se com todas as aparências do mal, da fealdade, da mentira e da frustração; a partir de então, deixa de aplicar ao mundo a sua imagem pessoal de tristeza e dor, de pecado e corrupção. Eu poderia, é certo, formular tudo isto de modo muito mais simples, dizendo que, aos olhos de Deus, tudo é divino. E quando digo tudo, é mesmo tudo o que quero dizer. Quando olhamos as coisas a tal luz, a palavra «transmutação» adquire um sentido ainda maior: pressupõe que o nosso bem-estar depende do nosso entendimento espiritual, do modo como nos servimos da visão divina que possuímos. Com um critério assim, o que nos poderá ainda chocar? Henry Miller

25 de mar. de 2009

Queen - Jealousy

Jealousy - Ciúme

Oh how wrong can you be? Oh to fall in love Was my very first mistake How was I to know I was far too much in love too see? Oh jealousy look at me now Jealousy you got me somehow You gave me no warning Took me by surprise Jealousy you led me on You couldn't lose you couldn't fail You had suspicion on my trail How how how all my jealousy I wasn't man enough to let you hurt my pride Now I'm only left with my own jealousy Oh how strong can you be With matters of the heart? Life is much too short To while away with tears If only you could see Just what you do to me Oh jealousy you tripped me up Jealousy you brought me down You bring me sorrow you cause me pain Jealousy when will you let go? Gotta hold of my possessive mind Turned me into a jealous guy How how how all my jealousy I wasn't man enough to let you hurt my pride Now I'm only left with my own jealousy But now it matters not If I should live or die 'Cause I'm only left with my own jealousy Oh como você pode estar errado? Oh a cair no amor Era meu primeiro grande erro Como eu ia saber Eu era estava muito apaixonado, viu? Oh ciúme, olhe para mim agora Ciume, você começou de algum modo Você não me deu nenhum aviso Me pegou de surpresa Ciúmento você conduziu-me Você não poderia perdê-lo, não poderia falhar Você suspeitou da minha fuga Como como como todo meu ciúme Eu não era homem bastante para te deixar ferir meu orgulho Eu estou sozinho agora somente com meu próprio ciúme Oh, como você pode ser forte Com matérias do coração? A vida é muito curta Quando afastado com rasgos Se somente você poderia ver Apenas o que você me faz Oh ciúme, você deu rasteira em cima Ciúme você me deixou para baixo Você me traz a tristeza, você me causa dor Ciúme, quando você irá embora? Começou à preensão de minha mente possessiva Me envolvendo em um ciúme ridículo Como como como todo meu ciúme Eu não era homem bastante para te deixar ferir meu orgulho Eu estou sozinho agora somente com meu próprio ciúme Mas agora não importa se eu viver ou morrer Por isso estou sozinho somente com meu próprio ciúme Freddie Mercury

24 de mar. de 2009

Somos prisioneiros de nossas emoções?

Ah, se fossemos feitos só de razão seria tudo tão mais fácil, simplesmente decidiríamos por quem nos apaixonar, ou decidiríamos quem gostaríamos de esquecer e afastar de nossas vidas. Reduziríamos a enorme tensão que sentimos todos os dias ao nos desgastarmos com coisas tão pequenas e saberíamos lidar com mais tranquilidade com os grandes desafios. Mas não somos só razão. Muitas vezes, a despeito do que nos diz a razão, nos percebemos aprisionados a quem não nos merece, sofrendo por motivos que até nós achamos pequenos e tendo atitudes que não fazem sentido algum. Muitas vezes sentimos coisas que não gostaríamos de sentir, momentos nos quais nos perguntamos em silêncio se um dia seremos capazes de sentir as coisas de outra forma, sentir mais carinho, mais leveza, mais compaixão. Um dia você olha no espelho e descobre que vem desperdiçando tempo e energia com questões pequenas, com pessoas que não merecem sua atenção, com medos que consomem sua alegria e podam sua espontaneidade. Será possível nos libertarmos dessas emoções que nos fazem sabotar o que de mais lindo existe em nós? Que faz com que tenhamos atitudes de traição para com nosso próprio Eu? Poderemos um dia controlar essa avalanche de emoções que perturbam nossa paz? Claro que é possível! Leva tempo, requer autoobservação, paciência, trabalho árduo e perseverança. Requer um profundo desejo de nos tornarmos alguém melhor. Requer a mesma cuidadosa dedicação que um ourives demonstra ao lapidar um diamante. Mas vale a pena, acredite. Depois de tanta fricção, aquilo que é precioso em nós vai surgindo. Um brilho aqui, outro lá... E um dia, se não desistirmos, conseguimos finalmente olhar para o mais lindo diamante pousado no centro de nossas mãos. Nosso próprio Eu. Ouça, você não é essa emoção que chega de repente querendo tomar as rédeas da sua vida. Você não é essa onda de raiva que te faz querer destruir tudo, não é o ciúme que fragiliza suas relações, não é o medo paralisante que torna você menor do que o seu real tamanho. Isso tudo pode vir a você, mas você não “é” isso. Não é sábio entregar-se cegamente a uma emoção Você pode mudar em profundidade a sua vida. Você pode mudar a si mesmo. Mas para que isso aconteça, precisará lembrar-se de seu verdadeiro Eu. Precisará aprender a suspeitar de suas emoções. Não é sábio entregar-se cegamente a uma emoção. Muitas vezes elas tornam você cego e surdo, elas iludem você e fazem com que tenha atitudes das quais se arrepende depois. Aprenda a observar as emoções em você, sem misturar-se com elas. Saia do Eu, olhe para você e seus sentimentos na 3ª pessoa Olhe para as ondas emocionais como você olha para o clima. Surgem nuvens, você as observa. Chove, você observa. Faz sol, você observa. Observa e compreende que tudo passa. Aprenda a observar em quietude até que aquela a emocional passe, atravesse você. E depois, centrado, em paz, aprenda com essa passagem. Você não é a raiva, não é o ciúme, não é a paixão. Você é o observador pacífico que vê tudo isso passar. Não entregue-se ao que sente. Una razão e emoção. Aprenda a questionar a si mesmo. Eu sei, parece difícil, mas é uma questão de prática. Nós não fomos ensinados a nos ver como sábios. Não fomos ensinados a observar nosso próprio Eu. Nem mesmo conhecemos nosso próprio Eu. Desconfie das suas emoções, elas são superficiais, como uma fina camada de água gélida na superfície de um mar de calor e compaixão. Mergulhe para além das aparências e você encontrará a sua verdade e a sua paz. Patricia Gebrim

Excesso de carne vermelha aumenta risco de morte

O consumo de carnes vermelhas e processadas aumenta o risco de morrer de diversas causas, entre elas de câncer e doenças cardiovasculares, segundo um estudo realizado por médicos americanos ao longo de dez anos. A afirmação consta de uma pesquisa dos médicos Rashmi Sinha e de seus colegas do Instituto Nacional do Câncer de Rockville, Maryland, Estados Unidos, que publicam hoje os resultados de um estudo na revista "Archives of Internal Medicine". Os cientistas avaliaram a associação entre consumo de carne e risco de morte em mais de 500 mil pessoas - 322.263 homens e 223.390 mulheres -, que tinham entre 50 e 71 anos quando o estudo começou a ser feito, em 1995. Desse total, 47.976 homens e 23.276 mulheres morreram durante o período de acompanhamento de dez anos. Segundo o trabalho, homens e mulheres que consumiram mais carnes vermelhas (uma média de 62,5 gramas por cada mil calorias diárias) tiveram um maior risco de morrer por qualquer causa e por doenças coronárias e câncer em comparação com os que ingeriram só uma média de 9,8 gramas de carne vermelha a cada mil calorias por dia. A mesma coisa pôde ser observada entre os participantes que comeram mais carnes processadas (bacon, salsichas, presunto) em comparação com os que consumiram menos (uma média de 22,6 gramas, frente a 1,6 grama por cada mil calorias diárias). Por sua vez, o índice de risco de mortalidade geral ou por câncer e doenças coronárias foi ligeiramente inferior entre os que comeram mais carne branca em comparação com os que se alimentaram com mais carne vermelha. "Cerca de 11% das mortes por todas as causas nos homens e 16% nas mulheres poderiam ser evitadas reduzindo o consumo de carne vermelha" a uma média de 9,8 gramas por cada mil calorias diárias, afirma o estudo. Os autores da pesquisa destacam que há muitos fatores pelos quais a carne pode ser associada a um aumento do risco de morte. Cozinhar carne a altas temperaturas produz substâncias cancerígenas, e esse alimento também é uma importante fonte de gordura saturada, associada com os cânceres de mama e de cólon, lembram. Além disso, uma menor ingestão de carne está relacionada com uma redução de fatores de risco das doenças coronárias, com os níveis de colesterol e com a pressão sanguínea. EFE

Capacidade mental começa a diminuir aos 27 anos

Uma pesquisa de cientistas americanos sugere que a capacidade mental de uma pessoa começa a deteriorar aos 27 anos, marcando o início do processo de envelhecimento. Timothy Salthouse, da Universidade de Virgínia, descobriu que raciocínio, agilidade mental e visualização espacial entram em declínio perto dos 30 anos de idade, depois de chegar ao auge aos 22. Ele acredita que tratamentos que têm o objetivo de amenizar o processo de envelhecimento deveriam começar mais cedo. O estudo, publicado na revista Neurobiology of Aging, foi feito ao longo de sete anos e incluiu 2 mil pessoas saudáveis com idades de 18 e 60 anos. Os participantes tiveram que resolver quebra-cabeças, lembrar-se de palavras e detalhes de histórias, além de identificar padrões em grupos de letras e símbolos. Os testes são os mesmos já utilizados por médicos para procurar sinais de demência. Em nove dos 12 testes realizados, a média de idade dos indivíduos que tiveram o melhor desempenho foi de 22 anos. A idade em que se observou uma piora marcante no desempenho dos participantes em testes de agilidade mental, raciocínio e habilidade para resolver quebra-cabeças visuais foi 27. Funções como a memória ficaram intactas até os 37 anos, em média, e as habilidades baseadas no acúmulo de informações, tais como desempenho em testes de vocabulário e conhecimentos gerais, aumentaram até os 60 anos de idade. Segundo Salthouse, os resultados sugerem que "alguns aspectos do declínio da função cognitiva em adultos com boa saúde e nível de instrução começam aos 20 e poucos ou 30 e poucos anos". BBC

22 de mar. de 2009

Escudero

Felicidade

Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade. Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga. Aí sim, a vida de verdade começaria. Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade, não existe um caminho para a felicidade. Essa perspectiva tem me ajudado a ver que a felicidade é o caminho! Assim, aproveite todos os momentos que você tem. E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo e lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade; Até que você volte para a faculdade; Ou... até que você perca 5 quilos... até que você ganhe 5 quilos; até que você tenha tido filhos; até que seus filhos tenham saído de casa; até que você se case; até que você se divorcie;
Ou... até sexta à noite; até segunda de manhã; até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova; até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos; até o próximo verão, outono, inverno... até que você tenha terminado seu drink;
ou até que você esteja sóbrio de novo; até que você morra;
E decida que não há hora melhor para ser feliz do que... Agora mesmo !
Lembre-se: "Felicidade é uma viagem, não um destino".

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