28 de jun. de 2009

Chegada ao céu

Michael Jackson: um rei que passou 5 décadas surpreendendo

Michael mudou a história da música no século 20, tanto quanto os Beatles ou Bob Dylan. Sem ele, teria sido mais difícil para Justin Timberlake, Ashanti, Jay-Z, Madonna, Beyoncé, Britney e mesmo Eminem. Todas as boys band, de Boyzone a New Kids on the Block, deveriam pagar royalties para Michael. Não só pelos passos de dança que ele inventou (como o moonwalk, aquele jeito de parecer que está deslizando para trás numa escada rolante), mas pelo fato de que ele ajudou a quebrar o preconceito de gerações em relação à música pop. Há 26 anos, quando lançou o disco Thriller, inscreveu definitivamente seu nome na história da música, mas sua obra-prima não foi o único momento em que vitaminou a música popular (Off the Wall e Bad são igualmente impressionantes). Já criança, com os irmãos Tito, Jermaine, Jackie, Marlon e Randy, balançou os alicerces da música negra americana nos anos 1970. Logo depois, em carreira-solo, trouxe os códigos do hip-hop para uma região confortável da música, isso quando o hip-hop ainda não era o mainstream. Flertou com o heavy metal, trazendo outro maluco famoso, Slash, do Guns N’ Roses, para tocar consigo Também rompeu barreiras sociais, integrando sons do gueto e do povo com as tramas da alta sociedade. O Rei do Pop criou as regras prototecnológicas do moderno espetáculo de arena, e foi seguido por outros de sua geração, como Madonna, U2 e mesmo os Stones. Nos anos 1980, tornou-se o primeiro artista afro-americano a entrar de sola na grande janela da adolescência branca com seus videoclipes insuperáveis, como Beat It, Billie Jean e Thriller. No ano passado, ao fazer 50 anos de idade, Jacko, como era mais conhecido, tinha deixado de ser gênio para ser só excêntrico. Fez discos a custos astronômicos (Invincible, um dos mais recentes, teve gasto de US$ 30 milhões, o que fazia cada cópia do álbum custar uma fortuna). Fora de forma e com a saúde abalada, voltou a fazer shows e anunciou 50 apresentações em Londres até março de 2010 - precisava pagar contas atrasadas, que eram muitas. Michael esteve no Brasil em 1993 e depois voltou para gravar videoclipe com o Olodum. Andava pelo morro e pela favela como para reencontrar algum elo fundamental que o reengatasse com seu passado. Mas atropelou um garoto durante fuga com os paparazzi e ficou em choque. Extravagante, recluso, maluco, supostamente pedófilo e vítima de abuso na infância, embranqueceu a pele e enfureceu os críticos. Peter Pan da terra do pop, criou o rancho Neverland para perpetuar sua busca de um Eldorado onde o tempo não corre. Amigo de outros esquisitões do star system, como Liz Taylor, Naomi Campbell e Macaulay Culkin, foi execrado e amado na mesma intensidade. Quando exibia os filhos da janela de um hotel, perigosamente, passou o atestado definitivo de insanidade Michael Jackson passou a vida surpreendendo as pessoas, e nos anos recentes nos espantou mais por sua capacidade de causar escândalos e por sua vida pessoal (cirurgias plásticas, acusações de desvios sexuais, dívidas impagáveis) do que por seu talento, que era imenso. Jotabê Medeiros

Lavar mão de criança é ato mais eficaz contra resfriados e outras viroses

A chegada oficial do inverno, no último domingo, renova a preocupação a respeito de como evitar as viroses respiratórias. Pais de filhos em idade escolar costumam ficar especialmente alertas devido às lembranças de noites mal dormidas em consequência de viroses que acometem os pequenos nessa época. O que nem todos eles sabem é que a principal medida para conter esse tipo de vírus está bem a seu alcance -ou, melhor, nas mãos das crianças. Isso é o que apontou uma análise de 51 estudos sobre diferentes medidas para restringir epidemias de vírus respiratórios, realizada por pesquisadores da Cochrane Collaboration, organização internacional que avalia pesquisas médicas. Mais do que usar máscaras e luvas ou manter os doentes em quarentena, a intervenção mais eficaz para reduzir a disseminação de doenças respiratórias é manter as mãos das crianças bem limpas. A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Hospital e Maternidade Santa Joana, concorda. "Tenho orientado pessoas que vão viajar para locais com a gripe suína a higienizar frequentemente as mãos, porque é nelas que carregamos o vírus e onde ele sobrevive por até 30 minutos", diz. Richtmann diz que as crianças carregam mais vírus porque não têm o hábito de lavar as mãos. "Temos que ensiná-las desde pequenas. Se conseguirmos incutir nas crianças a importância da higienização das mãos para se alimentarem, após irem ao banheiro ou quando espirram, elas serão adultos mais preparados para evitar a contaminação", acredita. O infectologista e pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo Evandro Roberto Baldacci vê a pesquisa com mais cautela. Para ele, as vias aéreas também são responsáveis por grande parte da transmissão dos vírus respiratórios, por meio de espirros e tosse. "Tanto é assim que a ocorrência dessas doenças aumenta no inverno, quando as crianças ficam em ambientes confinados, que favorecem a transmissão por via aérea", diz. "Mas o agente transmissor também fica nas superfícies. Quando elas são manuseadas e, depois, quando a mão é levada ao rosto, pode contaminar a pessoa." O pediatra observa que outra razão para as crianças serem as principais responsáveis pela contaminação está no fato de elas levarem mais as mãos à boca e ao nariz, em um processo de autoinoculação do vírus. Segundo Baldacci, lavar as mãos com sabonete comum, incluindo todos os dedos e fazendo movimentos de fricção entre eles, é o suficiente como preventivo. Álcool em gel, vendido em farmácias, pode completar a higiene. "Ele prolonga o tempo de mão limpa, mas não substitui a água e o sabão." Viroses mais comuns Diferentemente do que se imagina, o vírus influenza, causador da gripe comum, não é o mais frequente entre os vírus respiratórios, pois causa só de 10% a 15% das doenças virais respiratórias, diz Baldacci. "O grande vilão é o VSR (vírus sincicial respiratório), que chega a ser responsável por 70% dessas doenças, dependendo da época." Ele provoca uma inflamação na parede dos brônquios com sintomas semelhantes aos de um resfriado. Outro vírus comum é o adenovírus, que causa febre alta, conjuntivite e dor de garganta. "Há cerca de um mês, muita gente aqui em São Paulo pegou o adenovírus, que causa uma virose severa", diz Baldacci.
Rachel Botelho - Folha de São Paulo

Lua de Saturno tem condições para vida, diz estudo

Dois estudos publicados nesta quinta-feira na revista científica Nature discutem hipóteses sobre a existência de um oceano de água salgada – em outras palavras, condições para o desenvolvimento de vida – nas profundezas subterrâneas de Enceladus, uma das luas de Saturno. Os dois estudos, que chegam a conclusões discrepantes, analisaram amostras de uma coluna de gases, vapor de água e minúsculas partículas de gelo que emana violentamente da superfície do corpo celeste. Os cientistas tentam encontrar explicações para as observações divergentes. No primeiro estudo, os pesquisadores Nikolai Brilliantov, da Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha, e Juergen Schmidt, da Universidade de Potsdam, na Alemanha, defendem a teoria de que a coluna expelida da superfície de Enceladus é alimentada por um oceano salgado subterrâneo. A hipótese de um oceano subterrâneo já vinha sendo investigada pelos cientistas. Agora, ao analisar o material recolhido em 2005 pela sonda Cassini, eles dizem ter detectado sais de sódio entre as partículas de gelo lançadas a centenas de quilômetros no espaço. Para Brilliantov e Schmidt, este fato corrobora as teorias atuais de que, sempre que uma lua tiver um oceano subterrâneo profundo em contato com a superfície rochosa por muitos milhões de anos, este oceano será salgado. Vida fora da Terra De acordo com o estudo, os resultados indicam que a concentração de cloreto de sódio neste corpo de água pode ser tão alta quanto nos oceanos terrestres. “A Enceladus é um dos lugares com maiores chances de se encontrar vida no Sistema Solar fora da Terra”, disse à BBC o cientista John Spencer, da missão espacial Cassini. “Estão presentes os três principais ingredientes necessários à vida – os elementos químicos básicos, os blocos básicos, uma fonte de energia, e agora achamos que existe água também. Todos os elementos estão aí. Se isto é suficiente para gerar vida ainda não sabemos, mas estamos muito interessados em saber mais.” Enceladus está localizada no anel mais distante de Saturno, “E”. Além da Terra, de Marte e da lua de Júpiter Europa, é um dos poucos lugares nos quais astrônomos dizem ter evidências diretas da existência de água. Entretanto, um segundo estudo publicado na edição desta quinta-feira da Nature diz não ter encontrado evidências de sódio nas partículas emanadas da coluna de vapor – o que não confirmaria a hipótese de “gêiseres” alimentados por um oceano subterrâneo. Discrepâncias O professor Nicholas Schneider, do Laboratório para Física Atmosférica e Espacial da Universidade de Colorado, nos EUA, disse que a diferença nos resultados pode ser explicada pela existência de cavernas profundas nas quais a água evapora lentamente. “Só se a evaporação fosse mais explosiva, ela conteria mais sais”, afirmou Schneider. Se for correta a hipótese das cavernas, ele raciocinou, o vapor só seria expelido violentamente no vácuo do espaço ao vazar por rachaduras na superfície gelada de Enceladus conhecidas como “listras de tigres”. “A idéia da evaporação de um oceano profundo e cavernoso não é tão dramática quanto a que imaginamos antes, mas é possível tendo em vista os resultados até o momento”, disse o pesquisador. Mas ele advertiu que as evidências podem também significar eventos distintos. “Pode ser gelo aquecido virando vapor no espaço. Poderia até haver locais onde a crosta fricciona em si mesma e este atrito cria água líquida que então evapora no espaço”, prosseguiu. “Estas são hipóteses que não podemos verificar com os resultados obtidos até agora.”
BBC

27 de jun. de 2009

Eu queria mais tempo

Trilha de contradições

Paul Cézanne
"Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce." Já escrevi sobre essa frase. Sim, repito alguns temas, que são parte do meu repertório, pois todo escritor, todo pintor, tem seus temas recorrentes. No alto dessa escada nos seduzem novidades e nos angustia o excesso de ofertas. Para baixo nos convocam a futilidade, o desalento ou o esquecimento nas drogas. 

Na dura obrigação de ser "felizes", embora ninguém saiba o que isso significa, nossos enganos nos dirigem com mão firme numa trilha de contradições. Apregoa-se a liberdade, mas somos escravos de mil deveres. Oferecem-nos múltiplos bens, mas queremos mais. Em toda esquina novas atrações, e continuamos insatisfeitos. Desejamos permanência, e nos empenhamos em destruir. Nós nos consideramos modernos, mas sufocamos debaixo dos preconceitos, pois esta nossa sociedade, que se diz libertária, é um corredor com janelinhas de cela onde aprisionamos corpo e alma. A gente se imagina moderno, mas veste a camisa de força da ignorância e da alienação, na obrigação do "ter de": ter de ser bonito, rico, famoso, animadíssimo, ter de aparecer – que canseira. Como ficcionista, meu trabalho é inventar histórias; como colunista, é observar a realidade, ver o que fazemos e como somos. A maior parte de nós nasce e morre sem pensar em nenhuma das questões de que falei acima, ou sem jamais ouvir falar nelas. Questionar dá trabalho, é sem graça, e não adianta nada, pensamos. 

Tudo parece se resumir em nascer, trabalhar, arcar com dívidas financeiras e emocionais, lutar para se enquadrar em modelos absurdos que nos são impostos. Às vezes, pode-se produzir algo de positivo, como uma lavoura, uma família, uma refeição, um negócio honesto, uma cura, um bem para a comunidade, um gesto amigo. Mas cadê tempo e disposição, se o tumulto bate à nossa porta, os desastres se acumulam – a crise e as crises, pouca trégua e nenhuma misericórdia. Angústias da nossa contraditória cultura: nunca cozinhar foi tão chique, nunca houve tantas delícias, mas comer é proibido, pois engorda ou aumenta o colesterol. Nunca se falou tanto em sexo, mas estamos desinteressados, exaustos demais, com medo de doenças. O jeito seria parar e refletir, reformular algumas coisas, deletar outras – criar novas, também. Mas, nessa corrida, parar para pensar é um luxo, um susto, uma excentricidade, quando devia ser coisa cotidiana como o café e o pão. Para alguns, a maioria talvez, refletir dá melancolia, ficar quieto é como estar doente, é incômodo, é chato: "Parar para pensar? Nem pensar! Se fizer isso eu desmorono". 

Para que questionar a desordem e os males todos, para que sair da rotina e querer descobrir um sentido para a vida, até mesmo curtir o belo e o bom, que talvez existam? Pois, se for ilusão, a gente perdeu um precioso tempo com essa bobajada, e aí o ônibus passou, o bar fechou, a festa acabou, a mulher fugiu, o marido se matou, o filho... nem falar. Então vamos ao nosso grande recurso: a bolsinha de medicamentos. A pílula para dormir e a outra para acordar, a pílula contra depressão (que nos tira a libido) e a outra para compensar isso (que nos rouba a naturalidade), e aquela que ninguém sabe para que serve, mas que todo mundo toma. Fingindo não estar nem aí, parecemos modernos e espertos, e queremos o máximo: que para alguns é enganar os outros; para estes, é grana e poder, beleza e prestígio; para aqueles, é delírio e esquecimento. Para uns poucos, é realizar alguma coisa útil, ser honrado, apreciar a natureza, sentir o calor humano e partilhar afeto. Mas, em geral medicados, padronizados, desesperados, medíocres ou heroicos, amorosos ou perversos, nos achando o máximo ou nos sentindo um lixo, carregamos a mala da culpa e a mochila da ansiedade. Refletindo, veríamos que somos apenas humanos, e que nisso existe alguma grandeza. Mas, convencidos de que pensar dói e de que mudar é negativo, tateamos sozinhos no escuro, manada confusa subindo a escada rolante pelo lado errado. 
Lya Luft

Cozinha que cura

Antigamente, a cozinha era o lugar onde se preparavam as refeições que iam nos sustentar o dia inteiro. Nossas avós e bisavós costumavam usar alimentos frescos, saídos diretamente da horta e do pomar.Isso garantia um sistema imunológico forte. E quando adoecíamos, os remédios eram as plantas medicinais, ervas e temperos que curavam quase tudo. A boa notícia é que cientistas, médicos e nutricionistas estão cada vez mais interessados em pesquisar esses velhos hábitos alimentares e as pesquisas nessa área revelam que a alimentação pode prevenir e tratar certas doenças. O segredo para manter a saúde e ter vida longa é simples: consumir menos alimentos industrializados, se possível ingerir somente orgânicos, ter uma dieta bem variada, rica em vegetais, frutas, grãos, cereais e carnes magras. Parece fácil na teoria, mas por que é tão difícil fazer isso na prática? Os nutricionistas explicam que é uma questão de mudanças de hábitos. E para aqueles que acreditam que alimentação saudável não combina com sabor, os especialistas garantem que há uma ampla variedade de receitas deliciosas que fazem bem para a saúde. A terapeuta e culinarista naturista Carla Saboya, do Rio de Janeiro, ensina que para ser saudável, a dieta tem de ser variada. “O ideal é comer variedades e porções de vários grupos de alimentos, como cereais integrais, verduras, raízes e frutas”, diz. O especialista em nutracêutica e autor do livro Lugar de Médico é na Cozinha (Ed. Alaúde), Alberto Peribanez Gonzalez, defende a alimentação viva — alimentos crus e germinados —, orgânica como forma de prevenir e tratar as doenças. Segundo ele, o que não deve faltar na dieta diária do brasileiro são frutas frescas, hortaliças e grãos. “Ao mesmo tempo, deve-se evitar todos os açúcares, mesmo os mais integrais, assim como as farinhas e o pão e os alimentos industrializados”, explica Menos radical, Carla Saboya acredita que é possível ter uma dieta equilibrada, é necessário fazer substituições. “Por exemplo, o arroz pode ser substituído pela quinoa, batata, batata-doce, cará, mandioquinha e mandioca”, ensina. Preparo dos alimentos Quem acha que lavar as verduras e frutas em água corrente é o suficiente para matar as bactérias está enganado. Os especialistas dizem que, mesmo no caso de orgânicos, a lavagem deve ser bem cuidadosa, principalmente no caso das folhas, que devem ser lavadas uma a uma. No caso de legumes e frutas, o ideal é lavar com uma escova ou esponja as de casca mais grossa. “A verdura deve ser bem lavada e deixada de molho por uns 15 minutos. Muitas pessoas têm problemas de vermes porque não tomam esses cuidados”, diz Carla. Depois de lavadas, podem-se deixar os alimentos mergulhados na água com duas colheres de sopa de vinagre para cada litro de água por 30 minutos. O vinagre não mata as larvas, mas faz com que se soltem das verduras. Ou ainda deixá-las de molho com água sanitária ou em uma solução de hipoclorito de sódio e permanganato de potássio chamada hidrosteril com meio litro de água por 15 minutos, que elimina larvas e bactérias. Depois de qualquer um desses procedimentos, é necessário lavar os alimentos novamente em água corrente. Além de escovas de uso culinário para limpar os alimentos, o dr. Alberto recomenda lavar bem as mãos antes de manipular os alimentos com sabão de coco. Ele alerta que verduras da horta orgânica não devem ser lavadas antes de ir para refrigeração, pois perderão a flora bacteriana de cobertura, entrarão em desequilíbrio e degenerarão dentro da geladeira. Outros cuidados que devemos ter é conservar as sementes em recipientes que não sejam transparentes, nem de alumínio. Podem ser potes de plásticos, desde que sejam muito bem vedados e secos, pois a luminosidade oxida os alimentos. Ciência e Ayurveda O que a ciência descobre pelos resultados das pesquisas em laboratórios, a medicina ayurvédica sabe na prática. Estudos mostram uma relação entre o consumo de vegetais e uma série de benefícios à saúde. “Dentre esses alimentos, podemos citar o aipo, com ação antioxidante e anti-inflamatória; e a cebola, que reduz o colesterol, a formação de coágulos sanguíneos, diminui a pressão arterial e a arritmia cardíaca”, diz Sônia Soares Costa, professora do Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela coordena, junto com a professora Russolina Zingali, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, algumas pesquisas com a salsinha que revelam que suas folhas possuem a propriedade de diminuir a formação de trombose em ratos. “Esse condimento é usado ao longo da história da humanidade para tratamento de várias doenças. É considerado cicatrizante, anti-hemorrágico e benéfico no combate aos problemas digestivos, como flatulência e aerofagia. Também é considerado um regulador do ciclo menstrual e estimulante das funções renais”, esclarece Sônia. Outros estudos sugerem que a curcumina, presente na cúrcuma e conhecida na culinária como açafrão-da-terra, auxilia no tratamento de câncer de pele e que o curry pode diminuir a incidência do Mal de Alzheimer e Parkinson, é anti-inflamatório e antioxidante. Em geral, as pimentas ajudam a reduzir o colesterol e aceleram o metabolismo. A médica ayurvédica Maria Stela de Simone, do Rio de Janeiro, explica que os condimentos ajudam a eliminar ama, que são os alimentos que não foram digeridos e formaram toxinas. “As plantas medicinais, principalmente as mais picantes, têm maior conteúdo dos elementos fogo e ar, que ajudam o organismo a fazer uma autodepuração e desintoxicar.” Segundo ela, não é necessário encher o prato de condimentos para ter os benefícios. “Basta usar uma pitada diária, o uso deve ser constante”, lembra. Ela ressalta ainda que quem mais se beneficia com as especiarias mais picantes é o dosha kapha. “Os desequilíbrios desse dosha são colesterol alto, diabetes, inchaço e acúmulo de muco e eles podem fazer uso de todas as pimentas fortes, raiz-forte, alho, gengibre, curry e pimenta-do-reino.” A médica lembra que pitta deve evitar esses temperos fortes, mas pode comer à vontade os menos picantes, como orégano, manjericão, salsa, coentro, manjerona, erva-doce e hortelã e vata deve ficar no meio-termo, consumir moderadamente um pouco de tudo e principalmente noz-moscada, cominho, mostarda, canela, cravo, açafrão e cardamomo. Patrícia Ribeiro

26 de jun. de 2009

We Are the World

Em Janeiro de 1985, 45 dos maiores nomes da música norte-americana gravaram o LP We Are the World, para arrecadação de fundos para o combate da fome na África. O single, LP e o clipe renderam cerca de 55 milhões de dólares. Formaram o grupo USA for Africa. Inspirado pela reunião que ficou conhecida como Band Aid, Michael Jackson organizou a gravação do single We Are the World, escrito com o companheiro de gravadora Lionel Richie. O single foi lançado em 1985 para arrecadar fundos para a campanha USA for Africa, em benefício de famílias da África. We Are the World apresentava 44 vocalistas diferentes, incluindo Michael e Lionel, Harry Belafonte, Tina Turner, Cyndi Lauper, Diana Ross, Ray Charles e Stevie Wonder e foi produzido por Quincy Jones, que também fez a regência do grupo. A vendagem atingiu 7 milhões de cópias só nos Estados Unidos, tornando-se um dos singles mais vendidos de todos os tempos.
Esqueçamos os desvios.Vamos homenageá-lo com o que fez de bom.

Michael Jackson: o lamento dos amigos e artistas

Madonna, rainha do pop - "Sempre admirei Michael Jackson. O mundo perdeu um de seus grandes, mas a sua música viverá para sempre". Ela enviou condolências aos três filhos de Michael Jackson e todos os membros da família. "Deus os abençoe". Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia: "O mundo perdeu uma de suas figuras mais influentes e icônicas."Nossos corações estão com a família de Michael Jackson, seus filhos e seus fãs no mundo todo.Desde suas apresentações com o Jackson Five à estreia do passo Moonwalk e do álbum Thriller, Michael foi um fenômeno do pop que nunca parou de impulsionar a criatividade". Lisa Marie Presley, ex-mulher de Michael Jackson e filha de Elvis Presley - "Eu estou muito triste e sentindo todas as emoções possíveis. Estou com o coração quebrado pelos filhos dele que eram tudo para ele e a família. Esta é uma perda muito grande em todos os sentidos, faltam-me palavras para dizer mais alguma coisa". Priscilla Presley, ex-sogra do cantor: "Estou em choque, como todo mundo deve estar", disse. "Meu coração e meus pensamentos estão com sua família neste momento difícil", disse a atriz e empresária, que foi mulher do cantor Elvis Presley e cuja filha, Lisa Marie foi casada com Michael de 1994 a 1996. Michael Levine, publicista que representou Jackson quando o cantor foi acusado de molestar uma criança em 1993 - "Devo confessar que não estou surpreso com esta trágica notícia. Michael esteve em uma jornada autodestrutiva por anos. O talento dele era inquestionável, mas o mesmo podemos dizer com relação ao desconforto dele em relação às normas do mundo. Um ser humano simplesmente não pode sobreviver com este nível prolongado de estresse". Dick Clark, apresentador do American Bandstand, programa em que surgiu o ícone pop na banda Jackson Five - "Conhecia o Michael desde criança e vi ele crescer através dos anos. Dentre todos os homens do mundo do entretenimento com os quais eu trabalhei, Michael foi o mais marcante. Muitos tentaram e ainda vão tentar copiá-lo, mas o talento dele jamais será alcançado" Russell Simmons, empresário do hip-hop e fundador do Def-Jam Records -"Michael foi o maior ícone cultural da minha geração. Tinha coragem, era único e incrivelmente talentoso. Sentiremos muito a sua falta". Dionne Warwick, cantora e amiga - "Perdemos um ícone da nossa indústria e meu coração manda condolências para a família e os filhos dele nessa hora de tristeza pela qual eles estão tendo que passar. Ele seguirá vivo na minha memória e mais ainda através da música que ele compartilhou com tantas pessoas" Neil Portnow, presidente da academia nacional de Recording Arts - "Ele era um verdadeiro ícone da música que era possível ser identificado pela voz, os inovadores movimentos de dança, uma deslumbrante versatilidade musical e a pura energia que foi transportada desde a infância dele até a aclamação mundial. Vencedor 13 vezes do prêmio Grammy, a carreira de Michael transcende os gêneros culturais e a contribuição dele estará para sempre nos nossos corações e na nossa memória".

Michael Jackson ensaiou, cantou e dançou um dia antes de morrer

O astro da música pop cantou e dançou na noite do dia 24 de junho. Ele ensaiava para os shows que faria a partir do próximo dia 13, em Londres, em seu retorno aos palcos na turnê "That's it". De acordo com o site de celebridades TMZ, Michael chegou após as 22h para ensaiar com a banda e os dançarinos de sua trupe. Segundo uma das pessoas que participavam do ensaio, Michael chegou com três horas de atraso e "apático" ao ginásio Staples Center, onde o grupo já havia iniciado os testes. "Isso era normal para quem o conhecia", afirmou o site. Ele morreu na tarde desta quinta-feira em Los Angeles (Estados Unidos), de parada cardíaca, aos 50 anos. Michael estava obstinado com sua volta aos palcos --seria 50 shows em uma arena para 23 mil pessoas que poderiam ajudá-lo a cobrir uma dívida de US$ 320 milhões. Seu primeiro show, após um hiato de ao menos 12 anos em grandes trunês, seria dali a duas semanas. Para entrar em forma, ele tomava remédios de uso restrito e seguia uma dura rotina de treinamentos diários. A família negou comentar sobre a causa da morte do cantor. O IML (Instituto Médico Legal) de Los Angeles deve realizar uma autópsia nesta sexta, para determinar o que levou a vida do excêntrico astro do pop. O resultado deve sair à tarde. Remédios Para Brian Oxman, advogado, porta-voz da família e amigo pessoal do artista, os remédios de venda controlada podem ter sido essa causa. Michael vinha tomando remédios devido às lesões que sofria durante os ensaios para seu grande regresso artístico, disse Oxman. O músico já havia mahucado uma vértebra e uma perna durante os ensaios. Segundo ele, o uso destes medicamentos preocupava a família, já que vários membros do staff de Jackson tinham autorização para obter estas drogas. "Não conheço a causa de tudo isso, mas eu temia o caso. Isso é um claro resultado de abuso de medicamentos, a não ser que a causa seja outra", afirmou. Jackson teve vários episódios com drogas vendidas somente sob prescrição médica ao longo de sua carreira. "Não sei exatamente os remédios que ele tomava, mas as informações de que dispomos indicam uma ampla gama [de produtos de venda controlada]", declarou. Jermaine Jackson, irmão do cantor, afirmou que os médicos tentaram reanimá-lo por mais de uma hora, sem sucesso. Abatido, o ex-integrante do grupo Jackson 5 afirmou que Michael chegou ao UCLA Medical Service por volta das 14h (horário local), após ser encontrado inconsciente em sua casa. A polícia de Los Angeles abriu uma investigação para esclarecer as circunstâncias que levaram à repentina morte do cantor, poucos minutos após seu internamento. Os médicos declararam 14h26 (18h26 de Brasília) como hora da morte do cantor --por volta das 13h (hora local) ele havia sido encontrado inconsciente em sua casa, no luxuoso bairro de Bel Air. O delegado Greg Strank não esclareceu como Michael foi encontrado, ou se havia elementos que levantassem suspeitas sobre um delito ou um suicídio por abuso de medicamentos. Ele só descartou completamente a hipótese de um crime. Shows Segundo o produtor Jay Coleman, que representou Jackson nos anos 80, o regresso do astro aos palcos, após anos de ausência, foi algo "muito estressante" para um perfeccionista como Michael. "Essas serão minhas últimas performances em Londres", chegou a anunciar o cantor, em março. Ele comemoria seus 50 anos --completados em agosto do ano passado. O astro planejava voltar aos palcos com uma série de 50 shows, após uma reclusão voluntária desde 2005, quando foi absolvido da acusação de abuso sexual de um menor. "A preparação para uma sequência de shows desta envergadura foi algo muito estressante", disse Coleman, que colocou Jackson nos spots publicitários da Pepsi. O jornal britânico "The Times" noticiou no último dia 15 que Jackson vinha treinando duro para entrar em forma. O responsável por seu treinamento era Lou Ferrigno, o Hulk da série de televisão dos anos 70. Ex-fisiculturista, Ferrigno disse que Michael estava frágil demais e recusava-se a erguer peso porque não queria ficar musculoso: "Michael é mais delicado. Nosso treinamento condicionou-o para a dança", afirmou. Segundo o tabloide "The Sun", Michael fazia apenas uma refeição por dia e chegou a pesar 57 kg (com 1,78 m de altura). Uol

25 de jun. de 2009

O peru do vigário

O vigário de um vilarejo tinha um peru como mascote. Certo dia, o peru desapareceu, e ele achou que alguém o havia roubado. No dia seguinte, na missa, o vigário perguntou à congregação: - Algum de vocês aqui tem um peru? Todos os homens se levantaram. - Não, não, disse o vigário, não foi isso que eu quis dizer. A pergunta certa é: - Algum de vocês viu um peru? Todas as mulheres se levantaram.. - Não, não, repetiu o vigário; o que eu quero dizer é se algum de vocês viu um peru que não lhes pertence. Metade das mulheres se levantou. - Não, não, disse o vigário novamente. Talvez eu possa formular melhor a pergunta: - Algum de vocês viu o meu peru? Todos os coroinhas se levantaram.

Aposentadoria

Estudo mostra que deixar o mercado de trabalho pode levar a desânimo e doenças Uma pesquisa recente adverte: "Aposentar-se pode ser prejudicial à saúde". Publicado em março no American Journal of Epidemiology, o levantamento, da Universidade de Atenas (Grécia), acompanhou cerca de 17 mil homens e mulheres por quase oito anos. Os participantes não tinham doenças prévias, como as cardiovasculares, diabetes ou câncer. No fim do estudo, foram feitos ajustes estatísticos para que condições como tabagismo, obesidade e sedentarismo não influenciassem os resultados. Em números: os aposentados apresentaram 51% mais risco de morte em relação aos que continuaram trabalhando. Patrícia Raymundo, 55, aposentou-se aos 44 e depois resolveu ser voluntária em uma ONG O risco cresce em proporção inversa à idade do aposentado: quanto mais jovem, maior chance de morte. Entre os participantes que tinham menos de 55 anos, por exemplo, 9% dos aposentados morreram no decorrer do estudo, contra apenas 1% de morte entre os não--aposentados. "Concluímos que a aposentadoria precoce pode ser um fator de risco de mortalidade em geral e, particularmente, de morte decorrente de doenças cardiovasculares em pessoas aparentemente saudáveis", disse à Folha por e-mail a coordenadora da pesquisa, Christina Bamia, do departamento de higiene e epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Atenas. Para Bamia, os dados contradizem a percepção generalizada de que a aposentadoria levaria a uma melhor qualidade de vida e ao aumento da longevidade. No entanto, ela diz não ter dados para explicar os motivos que levam às doenças e à morte."Com os dados disponíveis no estudo, não podemos indicar os mecanismos que estão por trás dessa associação, mas suspeitamos que a aposentadoria pode envolver a deterioração do status econômico, o abandono de hábitos saudáveis ou a adoção de hábitos prejudiciais à saúde, além de todas as conseqüências psicossociais que ela envolve." Os fatores psicossociais são considerados decisivos pelo cardiologista Roque Savioli, diretor da Unidade de Saúde Suplementar do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo). "Estudos mostram a importância desses fatores no desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Em minha experiência clínica, percebo como é comum o aposentado experimentar uma falta de objetivos e de sentido na vida, que leva à depressão. Assim, passa a não se cuidar, abandona as atividades físicas, enfim, contribui ainda mais para o surgimento da doença", diz. Embora o estresse profissional também seja um fator de risco para a saúde do coração, Savioli acredita que, ao se aposentar, a pessoa pode ser submetida a outros tipos de estresse, não menos importantes do que os vividos no trabalho."Entre eles, o estresse marital. Quanto mais tempo a pessoa fica ociosa, maior a probabilidade de surgirem conflitos com os familiares", afirma o cardiologista. Ficar ocioso e sem perspectiva é o problema. "A aposentadoria em si não mata, mas sim a forma como ela é encarada", diz Lucia França, professora do mestrado em psicologia da Universidade Salgado de Oliveira (no Rio de Janeiro) e autora de "O Desafio da Aposentadoria" (ed. Rocco). Ela diz que se aposentar bem ou mal é algo relacionado a uma série de atitudes tomadas durante toda a vida profissional, e não apenas na hora de encerrá-la. "Se o profissional é envolvido demais com a organização onde trabalha, deixar o emprego pode gerar depressão e doenças", aponta. Outras atitudes importantes são equilibrar a vida profissional com a pessoal e diversificar interesses --quem faz isso tem mais chance de encontrar atividades que tragam realização ao deixar o emprego formal. Valor social Um aspecto que nem sempre é percebido, mas que, para França, pode estar na origem do estresse nas relações familiares, é a percepção de perda de status, do valor social que a pessoa tinha vinculado à sua ocupação profissional. Em contrapartida, há pessoas que encontram, na aposentadoria, tempo para se dedicar a atividades em que a valorização social adquire um sentido muito mais amplo. Trabalhar para ajudar outras pessoas também traz benefícios pessoais --entre eles, manter a saúde, a disposição física e a mente ativa. A professa Patrícia Raymundo, 55, trabalhou por 25 anos na rede municipal de ensino de São Paulo. Aos 44 anos, aposentou-se. "Havia acabado meu tempo. Saí com muita dor no coração", conta. Por um lado, ao parar de trabalhar, ela conseguiu mais tempo para se dedicar à mãe doente. Mesmo assim, diz que sentia muita falta da escola, das crianças e do convívio profissional e que "ficava às vezes melancólica". Quando uma amiga falou com Patrícia sobre a ONG Viva e Deixe Viver, que prepara e leva voluntários para contar histórias para crianças hospitalizadas, não teve dúvidas e, após quase quatro anos inativa profissionalmente, pegou a bagagem que havia acumulado como educadora e fez o curso que a ONG promove para preparar seus voluntários. Hoje, ela diz que não se considera aposentada. "Minha semana é rica, cheia de possibilidades. Tenho sempre uma história nova para contar. Isso, sem dúvida, contribui para a minha boa saúde", afirma. Com o trabalho voluntário, surgiram até oportunidades profissionais remuneradas. Hoje, ela é convidada por livrarias e por empresas para contar histórias, seja para o público infantil, seja para o adulto, em programas corporativos de treinamento de funcionários. Além de todos esses benefícios, Patrícia ressalta que, para exercer sua atividade de contadora de histórias voluntária, ela precisa sempre se reciclar, estudar, ler muito. Assim, não há espaço para a mente ociosa. Redescoberta do prazer "Uma mente ágil não dá espaço para a tristeza", afirma Ana Alvarez, fonoaudióloga e autora de "Deu Branco" (ed. Record), entre outros livros. Ela acha que a aposentadoria se torna um risco para a saúde quando a pessoa não busca novas experiências e se isola. "Os mecanismos de recompensa do cérebro não são ativados e ele começa a trabalhar desmotivado. Não encontrando mais situações que proporcionem prazer, o cérebro passa a funcionar como em estados de depressão. Aí a pessoa acaba adoecendo", diz. E, de fato, Márcia Villela, 54, adoeceu. Aos 18 anos, começou a trabalhar como relações públicas. Aos 46, parou. O primeiro ano ela passou cuidando do marido doente, que acabou morrendo. Mas, depois, não conseguiu retomar suas atividades e "entrou em parafuso", conta. "Tive câncer de mama e de útero e neuralgia do trigêmeo [disfunção do nervo craniano que causa dores intensas]. Por quatro anos, vivia meio na marra, totalmente 'down'." A sorte de Márcia foi, mesmo que "na marra", ter aceitado o convite de uma amiga para participar de um chá dançante. A dança foi para ela o caminho para redescobrir um sentido na vida. E recuperar o prazer de viver, a auto-estima e a saúde. "Hoje, só tenho dor na sola do pé, de tanto dançar. De resto, a saúde está perfeita", afirma.Dançando, Márcia --que diz que estava "um monstro de gorda" após quatro anos de inatividade-- perdeu 26 quilos, fez novos amigos e até descobriu uma nova área de trabalho. Prestes a abrir uma espaço para a prática de danças, comemora: "Transformei meu gosto em negócio". Sem pendurar as chuteiras "A depressão entre aposentados é alta, atinge entre 10% e 15% deles. [O distúrbio] tem causas orgânicas, químicas, mas fatores psicológicos e ambientais acabam sendo precipitantes e mantenedores dos quadros depressivos", diz João Toniolo Neto, professor de geriatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Embora a aposentadoria possa desencadear esse quadro, Toniolo Neto acha precipitado considerar o fato causa direta de doenças e mortes. "A pessoa pode começar a se isolar, comer mal, tornar-se sedentária, fumar mais, e tudo isso são fatores de risco, mas não é tão simples fazer uma correlação imediata." O cardiologista José Carlos Pachon, diretor do serviço de arritmias do HCor (Hospital do Coração) de São Paulo, também vê com reservas as conclusões do estudo da Universidade de Atenas. "No estudo, não há informações importantes, como quantas aposentadorias foram compulsórias e quantas foram voluntárias.Esse seria um dado fundamental para avaliar as conseqüências sobre a saúde cardiovascular, já que a aposentadoria compulsória pode representar o início de uma vida 'negativa', ao passo que a voluntária pode representar o fim de muitos problemas e o início de uma fase 'positiva'", diz. Pachon conta que, para um grupo de pacientes, a recomendação é parar de trabalhar --são, por exemplo, profissionais submetidos a níveis muito altos de estresse. Para outro grupo, diz que recomenda que continuem trabalhando. "São os que entram em depressão quando param. Isso aumenta vários fatores de risco, como hipertensão, diabetes, obesidade abdominal e a chance de desenvolver a síndrome metabólica." Roberto Joaquim, 65, está no grupo dos que podem (e devem) continuar trabalhando. Para ele, trabalho não é estresse, e sim fonte de prazer. Aposentado da empresa em que trabalhou por quase 38 anos, diz que nunca pensou em "vestir o pijama e pendurar as chuteiras". Deu um jeito de encontrar outra fonte de renda. No início, montou uma loja, mas não era isso o que queria da vida. Mas não desistiu e, com o tempo, montou sua própria empresa, que produz agulhas especiais, colchetes e ganchos. Um de seus clientes é a empresa em que foi empregado por décadas. Tem boa saúde e, como era de se esperar, ela é atribuída em boa parte ao fato de continuar ativo. "Enquanto você trabalha, tem sonhos. Se deixar de sonhar, pode morrer."
Iara Biderman

24 de jun. de 2009

Jacky James - Take My Heart

take my heart, its your to take take my heart, its your to break take it now and keep it always ever more or just to day take my heart and make it thrill with my heart do as you will do it all, I love you madly madly, if you take my heart life is short for everyone give your hand you will be my own do you hear me now

Paixão e desespero

Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só queria ter o que eu tivesse sido e não fui.
Clarice Lispector
Picture by Mary Mansey

Os desejos do amor

O amor é como a criança: deseja tudo o que vê.
William Shakespeare
Picture by Kenji Inoue

São demais os perigos desta vida

São demais os perigos desta vida Pra quem tem paixão principalmente Quando uma lua chega de repente E se deixa no céu, como esquecida E se ao luar que atua desvairado Vem se unir uma música qualquer Aí então é preciso ter cuidado Porque deve andar perto uma mulher Vinicius de Moraes

A condição humana

Recentemente, a ciência vem-se esforçando por tornar “artificial” a própria vida, por cortar o último laço que faz do próprio homem um filho da natureza. O mesmo desejo de fugir da prisão terrena manifesta-se na tentativa de criar a vida numa proveta, no desejo de misturar, "sob o microscópio, o plasma seminal congelado de pessoas comprovadamente capazes a fim de produzir seres humanos superiores" e “alterar-lhes o tamanho, a forma e a função”; e talvez o desejo de fugir à condição humana esteja presente na esperança de prolongar a duração da vida humana para além do limite dos cem anos. Hannah Arendt

23 de jun. de 2009

É noite

Uma noite de escuridão profunda. No ramo da velha figueira uma rã coacha sem cessar predizendo uma tempestade, um dilúvio e eu afogo-me no medo. É noite. E com a noite o mundo parece um cadáver na sepultura; E no medo digo para mim: "E se chover torrencialmente em todo o lado?" "E se a chuva não parar até que a terra se afunde na água, como um pequeno barco?" Nesta noite de terrível escuridão Quem pode dizer o que seremos quando a alvorada chegar? Irá a luz da manhã fazer com que a irritada face da tempestade desapareça? Nima Yoshij

Crise no Irã vai além do resultado das eleições

A crise após as eleições presidenciais no Irã se desenvolveu em uma velocidade tão vertiginosa que ainda é difícil entender as suas possíveis implicações. Até cerca de duas semanas atrás, o presidente Mahmoud Ahmadinejad podia alegar que o Irã era um país "quase completamente livre". Já havia céticos então. Agora, a imprensa estrangeira no país está sendo obrigada a trabalhar sob algumas das mais duras restrições do mundo. Cabe perguntar onde esta crise pode chegar e o que quer a oposição. Até o momento, os manifestantes iranianos exigem apenas uma coisa: a convocação de novas eleições, já que eles acreditam que o opositor Mir Houssein Mousavi teria vencido o pleito da semana passada, enquanto os resultados oficiais apontam para uma vitória de Ahmadinejad. Quando os manifestantes gritam nas ruas "morte ao ditador", não dizem a quem exatamente estão se referindo. Eles podem não apenas estar se dirigindo ao presidente Ahmadinejad, mas também ao líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Mesmo assim, isto não é um desafio aberto ao sistema islâmico que governa o país desde a Revolução de 1979, pelo menos até agora. As mulheres que participam dos protestos, por exemplo, ainda não estão tirando os véus que cobrem suas cabeças, embora muitas não gostem de ser obrigadas a usá-los. Os manifestantes também costumam gritar "Deus é grande", querendo ressaltar que eles são tão religiosos quanto aqueles que apoiam o governo. Dignidade e prisões O governo reage aos protestos com uma exibição de dignidade ferida, como se a ideia de que ele pudesse ter fraudado as eleições fosse impensável, embora a oposição veja a fraude como bastante evidente. Embaixadores estrangeiros são convocados um a um e censurados até mesmo por ousarem criticar a morte de manifestantes. Enquanto isso, as autoridades enviam seus "brutamontes", os Basijis - membros da milícia pró-governo - para intimidar os oposicionistas. Dormitórios estudantis são revirados, manifestantes são detidos durante os protestos. Blocos de apartamentos de onde os iranianos gritam palavras de ordem são invadidos e carros destruídos. A onda de prisões chegou a um ponto em que até um dos mais próximos assessores do aiatolá Khomeini, Ebrahim Yazdi, foi detido. Até agora, nenhuma decisão foi tomada pelo governo para realmente controlar a crise, mas isto deve acontecer cedo ou tarde. Luta de gigantes Enquanto isso, uma disputa de poder está acontecendo no topo do sistema iraniano. O aiatolá Ali Khamenei apostou sua carreira política no apoio inequívoco à vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad nas eleições. Khamenei tem muitas cartas nas mãos. Ele é o comandante supremo das Forças Armadas, além de ser apoiado fielmente pelo Conselho dos Guardiões, que está revisando os resultados do pleito. Até agora, ninguém ousou questionar sua autoridade, pelo menos não abertamente. Mas, do outro lado, está o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, que tem apoiado as campanhas oposicionistas. Desde o início da campanha, ficou claro que ele desejava se vingar de Ahmadinejad, que o venceu nas eleições presidenciais de 2005. Além disso, há provavelmente uma rivalidade mais profunda com o líder supremo do país. Rafsanjani apoiou Khamenei quando ele sucedeu Khomeini, em 1989. Esta rivalidade veio à tona quando, durante um debate televisionado, Ahmadinejad acusou a família de Rafsanjani de corrupção. Muitos iranianos acreditam que as acusações podem ser verdadeiras, mas maneira como foram feitas por Ahmadinejad causaram escândalo. A acusação fez com que Rafsanjani escrevesse uma carta sem precedentes para o líder supremo, pedindo que ele agisse a respeito e fazendo ameaças. Rafsanjani escreveu que, se nada fosse feito, "os vulcões que queimam dentro de peitos flamejantes aparecerão na sociedade, como vemos nas reuniões a que assistimos nas ruas, praças e universidades". Estas "chamas", disse Rafsanjani na carta, podem se "espalhar pelas eleições e além delas". Akbar Hashemi Rafsanjani também tem armas poderosas. Ele é o líder da Assembleia dos Especialistas, o grupo de clérigos responsável por eleger, supervisionar e até substituir o líder supremo do país. Uma ação do grupo contra Khamenei seria inédita. Mas Rafsanjani recentemente foi reeleito para o cargo com uma grande maioria. Além disso, Khamenei também tem muitos inimigos entre os clérigos. Rafsanjani também lidera o Conselho de Discernimento, que é responsável por mediar as disputas entre os órgãos do governo. Além disso, a conhecida riqueza de Rafsanjani não pode ser subestimada. Futuro Pode ser que existam partidários do governo que estejam ficando encorajados pelas manifestações, mas há também muitos que têm uma adoração genuína por Ahmadinejad. Entre os oposicionistas, a crise após as eleições fez com que anos de frustração contra o sistema viessem à tona. Os dois lados podem estar discutindo agora a questão das eleições. Mas a verdadeira discussão é sobre o futuro do Irã. Esta é uma batalha importante, gigantesca, cujo resultado ninguém pode prever. Jon Leyne - BBC

O poder dos impotentes

De como a Revolução Islâmica alimentou os filhos que, finalmente, irão devorá-la
Independentemente do que possa ocorrer no futuro, o fato é que o Irã já escreveu um novo capítulo na história do poder popular.
Todos aqueles que conseguiram transpor a barreira do medo no país e protestar pacificamente nas ruas de Teerã, Isfahan ou Shiraz, portando alguma fita verde, fizeram história. Sozinhos, os indivíduos são impotentes. Mas juntos, pelo poder absoluto dos números, eles conseguem, mesmo que por poucas horas, contestar de maneira cabal o violento poder repressivo do Estado. Mesmo os brutamontes da milícia Basij não conseguem espancar tanta gente. Enquanto os manifestantes de verde continuarem não violentos, como ocorreu com a grande maioria deles, e enquanto saírem às ruas em grande número, Mahatma Gandhi os estará aplaudindo do seu túmulo. Porque aprenderam a lição fundamental de Gandhi sobre o poder dos impotentes. A quintessência do poder popular permanece a mesma, mas cada novo capítulo da sua história traz um fato novo. No caso do Irã, a inovação foi a utilização das mais novas tecnologias de comunicação e informação. Detalhes sobre os locais das manifestações, táticas e slogans foram passados por meio do Twitter, redes sociais virtuais como Facebook e mensagens de texto para celulares.
Videoclipes das manifestações e gravações foram carregados no YouTube e outros websites de modo a poderem ser acessados por pessoas fora do país e retransmitidos de volta. O Davi digital combatendo o Golias teocrático. Nada disso significa que os jovens iranianos usando o Twitter pela liberdade terão sucesso a curto prazo. Ou que mais alguns deles não serão atacados e assassinados em seus dormitórios estudantis pelos milicianos Basij, como já ocorreu. Nem significa que nós, no Ocidente, devemos rotular apressadamente os eventos como a "revolução verde", e mais rapidamente ainda compará-los à derrubada do Xá, 30 anos atrás. E tampouco que devemos ser ingênuos quanto aos motivos de conspiradores clericais, como Hashemi Rafsanjani, cujas manobras nos bastidores são uma parte importante desta história. Os movimentos do poder popular quase sempre fracassam, pelo menos no curto prazo. Como ocorreu com os protestos em Mianmar, em 2007, eles vivem das lembranças e imagens tocantes de um curto momento de poder popular, até que, talvez décadas depois, finalmente ocupam o seu lugar na mitologia retroativa de um país libertado. No caso presente, não tenho dúvida de que os jovens e as jovens que forneceram grande parte da energia das manifestações da oposição acabarão vencendo. Dois em cada três iranianos têm menos de 30 anos. Muitos nasceram na época em que os mulás exortavam as famílias a ter mais filhos - os pequenos "soldados do Imã oculto", como eram chamados - para fortalecer o novo regime islâmico e substituir os mártires da guerra entre Irã e Iraque. Graças a uma grande expansão do ensino superior na República Islâmica, milhões deles foram para a universidade. Quase a metade das pessoas com nível universitário no país é constituída de mulheres. E mais de dois terços da população iraniana vivem nas cidades. Essa população jovem, cada vez mais educada e urbana, quer empregos, casa, oportunidades e mais liberdade. Qualquer pessoa que viajar pelo Irã e conversar com esse jovens pode observar como estão descontentes. Na semana passada, o mundo inteiro viu isso: sobretudo nos rostos e nas palavras inesquecíveis das mulheres iranianas que, como qualquer mulher num Estado islâmico, necessitam duplamente do poder dos impotentes. Portanto, essa Revolução Islâmica criou os filhos que finalmente irão devorá-la. Aqueles destinados a serem os "soldados do Imã oculto" um dia verão a saída dos autodenominados oficiais do Imã oculto, como Mahmoud Ahmadinejad. Mas esse dia provavelmente não será hoje ou amanhã. No momento, devemos nos concentrar numa eleição roubada. Foi a magnitude e o descaramento da fraude eleitoral que transformou um momento político num momento histórico. Se o regime tivesse procurado resolver as coisa de um modo que Ahmadinejad ficasse com, digamos, 52%, e os candidatos de oposição vencendo em suas cidades natais, ocorreriam protestos, mas provavelmente não nessa escala. Muitos, incluindo governos ocidentais, podem aceitar o resultado e reconhecer que Ahmadinejad teve, de fato, um enorme apoio. Em vez disso, o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, autorizou essa fraude esmagadora e até saudou-a como um "julgamento divino". Como resultado desse supremo julgamento político equivocado do líder supremo , os protagonistas da mudança agora têm duas grandes vantagens: primeiro, existe apelo simples e claro que atrai o apoio de milhões de iranianos comuns que podem não concordar com muitas outras coisas. "Meu voto foi tratado com desprezo. Ele tem que ser respeitado." Em segundo lugar, o próprio regime está profundamente dividido, um fato que tem sido crucial para o sucesso de outros movimentos do poder popular. Para aqueles iranianos que querem uma mudança de peso, o desafio agora é manter a pressão popular pacífica, que deve continuar estrategicamente concentrada na exigência de Mousavi de uma nova eleição. Chegaremos a um momento crucial se o Conselho dos Guardiães, que está reexaminando o "julgamento divino" a ponto de aprovar uma recontagem parcial, decidir na próxima uma ou duas semanas que Ahmadinejad venceu, embora por uma margem menor de divina falsificação. E depois? Haverá energia suficiente, em algum ponto entre uma juventude conectada, mobilizada, o campo de Mousavi e facções descontentes dentro do regime, para sustentar a demanda de uma nova eleição? Ou tudo isso vai evaporar, vencido por uma combinação de repressão, censura, exaustão e desacordo? Somente o povo iraniano pode responder a isso. Somente ele tem o direito de dar a resposta. Porque se os governos ocidentais apoiarem explicitamente Mousavi e os manifestantes, como George W. Bush teria feito, e John McCain vem insistindo, isso só dará ao regime um cassetete com que espancar os democratas iranianos. Afinal de contas, o Irã é um Estado que por décadas coloca a culpa de todos os seus males nas maquinações dos grandes (americanos) e pequenos (britânicos) satãs. Em compensação, acompanhar a China e a Rússia e reconhecer a vitória fraudulenta de Ahmadinejad, colocando equivocadamente em primeiro lugar um interesse de curto prazo, que é prosseguir com as negociações na área nuclear, e depois o interesse de longo prazo, que é a democratização do país, será um tapa no rosto dos iranianos privados do direito de voto. Do mesmo modo, como é gratificante constatar que nos últimos cinco meses, até agora, Barack Obama conseguiu chegar ao equilíbrio certo. No entanto, existe algo que os governos democráticos podem e devem fazer, sem precisar dizer alguma coisa que tenha relação direta com as autoridades iranianas. É manter e fortalecer a infraestrutura de informação global do século 21, que vai permitir que os iranianos. seja qual for o candidato que apoiarem, continuem em contato e descubram o que está de fato ocorrendo no seu próprio país. No início dessa semana, passei algum tempo no estúdio londrino do Serviço de TV Persa da BBC observando o pessoal carregando e retransmitindo gravações em vídeo, postagens em blogs e mensagens geradas pelos iranianos de dentro do Irã. Provavelmente a coisa mais importante que o Departamento de Estado americano fez para o Irã recentemente foi contatar o Twitter durante o fim de semana e insistir para que adiasse uma planejada atualização do serviço que poderia prejudicar a comunicação entre os iranianos durante algumas horas cruciais das manifestações de protesto. Bem-vinda a nova política do século 21. Timothy Garton Ash Professor de estudos europeus da Universidade Oxford, senior fellow da Hoover Institution, da Universidade de Stanford, e autor de Free World (Penguin UK), seu último livro

22 de jun. de 2009

Bom senso

O bom senso é a coisa mais bem distribuida do mundo: porque, cada um pensa estar tão bem provido do mesmo que até os mais difíceis de contentar com outros bens quaisquer, não têm costume de desejar mais senso do que aquele que já possuem.

Descartes

Picture by Paul Cézanne

Sonhos

Freud dizia que os sonhos eram gerados por desejos e medos ocultos; e que os conteúdos eram bizarros devido à censura desses desejos e medos. Duas asneiras.
Allan Hobson - psiquiatra

Hora de o RH vestir a camisa... Dos clientes

Independente da profundidade e da origem global ou local, as crises sempre acabam sendo as “grandes culpadas” pelas demissões nas empresas. Em meio aos diversos períodos turbulentos das últimas décadas, a área de recursos humanos parece ter o papel único –e estanque - de agente operacionalizador dessas dispensas. Ou seja, ao RH cabe a parte desagradável no relacionamento entre corporações e profissionais, a obediência ao famigerado “cumpra-se” estampado no final das cartas circulares da casa matriz ou do alto-escalão exigindo um corte linear. Nessas horas difíceis, os gestores diretamente responsáveis pela contratação e administração da carreira do profissional a ser “guilhotinado” desaparecem, o que revela uma total falta de preparo para lidar com as questões humanas no meio profissional, seja por conta de uma formação acadêmica inadequada para o papel a ser exercido ou por falta de uma atualização contínua, que os profissionais de todas as áreas deveriam receber nas empresas ao longo de toda a carreira. Costumo ler e ouvir muitas teorias perfeitamente tangíveis sobre a importância estratégica dos recursos humanos, que reluto em acreditar que a maioria dos RHs ainda aceite a posição de “antena repetidora”. Longe de termos as organizações adeptas do conceito de knowledge learning and teaching company (uma empresa que aprende e ensina conhecimentos), o humano das organizações continua despreparado para atuar de forma ajustada e alinhada com as respectivas oscilações e mudanças dos mercados. O mundo corporativo passa a impressão de desalinho entre o modelo de negócios e a estratégia associada com a parte dos processos, responsável pelo envolvimento direto das pessoas dentro das organizações. Muito mais que um viés psicológico, os RHs precisam injetar uma forte dosagem de conhecimentos de pedagogia no desenvolvimento da organização. Quem tem sob sua responsabilidade a condução de pessoas dentro das empresas precisa ter conhecimentos de uma pedagogia corporativa que permita disseminar e desenvolver os conhecimentos e competências requeridas pelos processos de negócios. Isso vale com crise ou sem crise. Sempre, e mais que nunca, é tempo de investir no capital humano. O momento é de procurar dar os primeiros passos rumo a novos caminhos. Para tanto, é necessário que a companhia esteja preparada para evoluir mesmo em períodos incertos. Contar com pessoas melhor preparadas e ferramentas que permitam enfrentar o futuro é uma questão de sobrevivência. É necessário um compromisso com a inovação da cooperação aberta e, conseqüentemente, com um estilo aberto de liderança. Mas, afinal, qual é o papel relevante do RH seja com crises ou sem crises? Certamente não é apenas o de contratador ou dispensador de pessoas. Em função da cultura, cada organização procura achar um papel ideal que ajude a questão da gestão do capital humano. Não existe uma receita infalível, mas fica aqui uma questão: quando o RH estará pronto para mudar o discurso de “precisamos vestir a camisa de nossa empresa” para algo mais adequado aos tempos atuais, algo como “precisamos vestir a camisa de nossos clientes”. Colocando-se no campo de visão de negócios do cliente, conseguimos surpreendê-lo com soluções inovadoras que ele precisa, mas não consegue de alguma forma comunicar. O mundo mudou, a concorrência se acirrou e o grande desafio de todas as empresas é de provocar mudanças e fazer melhor que seus concorrentes. O cliente tem o poder decretar o sucesso ou o fracasso de seu negócio. Nessa missão, as áreas da empresa devem atuar em harmonia e todos os colaboradores, sem exceção, devem dedicar-se ao processo de inovação contínua com um objetivo único: a satisfação do cliente. Quem sabe seja esta a verdadeira vocação do RH. O que você acha? Dieter Kelber
Picture by Antov Antonov

21 de jun. de 2009

Maria Callas



"Se você ama a música a ponto de servi-la humildemente, o sucesso acontecerá automaticamente”
Maria Callas 

Uma voz cortante, poderosa, capaz de levar o ouvinte a abismos de paixão ou de dor lancinante. Maria Callas é a emoção superlativa. Uma diva única, quase força da natureza. Quem viu seus olhos expressivos, a visceral interpretação de suas violetas, rosinas, turandots, lucias e normas jamais voltará a se conformar somente com uma bela voz de soprano. A indomável Callas, geniosa, intempestiva, era regida pelos sentimentos. Em sua pele, nenhum personagem de ópera era ficcional. O sangue fervia, a dramaticidade explodia, puro êxtase. Butterfly era um lamento nunca ouvido, Magdalena a voz da emoção, e Violeta morria de olhos abertos, encarando uma platéia atônita e chocada. Ela encantou Pasolini, Zeffirelli e Visconti, emudeceu poderosos e seduziu milhões. 

Era a Grande Callas, La Divina Callas, sobrenome que nem era seu e que criou fazendo um anagrama com o nome do maior templo da ópera: o teatro Scala, de Milão. Paradoxalmente, essa mulher que fazia de seu canto a expressão máxima de todos os sentimentos humanos, foi desprezada pelo único homem que amou. A crueldade do armador grego Aristóteles Onassis pode ser medida por uma frase proferida quando a voz de Maria já declinava, em que comparava sua poderosa voz a “um apito que você traz na garganta”. Boa parte da atração que Maria Callas exerce sobre o grande público tem raízes fincadas exatamente em sua biografia, permeada por espetaculares feitos e por escândalos alimentados pela mídia. Veja-se o caso do milionário Onassis. 

No auge da fama, Maria sofreu tremendo assédio por parte do armador grego, que era casado com Tina. Presentes luxuosos e toda sorte de mimos foram usados por Onassis para convencê-la. Ela capitulou e mergulhou em uma relação atormentada, onde foi submetida a humilhações, como o desprezo de Christina, a filha de Onassis, ou o momento em que teve de depor em um tribunal americano sobre sua participação na separação do casal Onassis. Seu divórcio de Giovanni Battista Meneghini foi explorado à exaustão pelos jornais, suas explosões de fúria ficaram registradas pelos fotógrafos, sua intimidade foi devassada. 

O mundo acompanhou a grã sacerdotisa do canto quando ela descobriu amor e sexo aos 36 anos e então desejou deixar de ser deusa e assumir uma vida mais pacata e caseira: “Só desejo um marido, filhos e um cachorro”, declarou. Aristo - a forma carinhosa com que Maria tratava Onassis na intimidade – coroou sua passagem pela vida de Callas trocando-a por Jacqueline Kennedy quando esta enviuvou do presidente americano. Repetiu com Jacqueline o assédio que havia feito a Maria. 

O trauma emocional de Callas foi proporcional ao impacto causado pelo novo casal Onassis Outra façanha de Maria refere-se à silhueta. Da soprano gordinha, em poucos meses ela se transformou em uma sílfide e abriu um debate acalorado sobre o impacto do emagrecimento sobre sua voz. 

Esse episódio é apontado como uma das maiores provas de sua quase legendária persistência, uma força de vontade assombrosa que a atraía como ímã para todos os desafios, tanto na carreira artística como na vida íntima. Mas, além da curiosidade que despertava e dos escândalos que protagonizava, Maria era uma artista fulgurante. Nada em sua biografia se compara ao poder encantatório de sua voz. A gravação da sua mais famosa apresentação da Norma, de Vincenzo Bellini (1801-1835), com a orquestra do Scala, regida pelo maestro Tullio Serafin, é um ícone da história da ópera pela emoção e dramaticidade que emergem da voz de Maria. Norma foi o papel que Callas mais representou: 92 vezes. 

A ópera toda – mas principalmente a ária Casta Diva – consolidaram sua reputação e sua fama. Curiosamente, a seu amor pelo canto deve-se o resgate de Norma, que habitava um certo limbo, bem como algumas óperas de Rossini, a quem emprestou um sopro de graça e leveza. Inspirada pela condução segura de Serafin, Maria fez mais: subverteu as regras até então aceitas no canto lírico e ousou desconstruir a exagerada especialização que se instalara. 

Os sopranos, em sua época, estavam subdivididos em dramático, mezzo, coloratura, ligeiro e spinto. Ninguém ousava romper a barreira. Maria fez isso, e logo na estréia em Verona, em 1947, aos 24 anos. Contrariando tudo o que até se acreditava, cantou na mesma semana Tristão e Isolda, de Richard Wagner, Turandot, de Giaccomo Puccini, e voltou a Wagner no papel de Brunnhilde. Um verdadeiro feito o de cantar – e simultaneamente - o repertório de vários tipos de soprano. Décadas depois, em uma das famosas master classes que Callas deu na Juilliard School of Music em Nova York, em 1971-72, ela sentenciou: "Hoje só se fala em baixo profundo, baixo cantante, barítono-baixo ou soprano ligeiro, soprano spinto, soprano disso, soprano daquilo. 

A cantora é soprano, e basta! Um instrumentista faz os baixos e agudos. Do mesmo modo, um cantor deve cantar em todas as tessituras". Sua interpretação da Tosca, de Giacomo Puccini (1858-1924), também entrou para a história do bel-canto, principalmente na apresentação que fez no Scala sob a regência de Victor de Sabata. Floria Tosca foi representada 39 vezes por Callas, mas nada se compara com a majestosa apresentação de 1953, em que Maria contracena com dois outros cantores respeitáveis: o tenor Di Stefano e o baixo Tito Gobbi. 

 Curiosamente, a Tosca ocupou especial lugar em sua vida. Maria - nascida em Manhattan, filha de gregos - estreou na Ópera Nacional de Atenas em 1942 exatamente com a Tosca. E foi com ela que encerrou sua carreira em 1965, em Londres. Maria morreu sozinha, em seu apartamento de Paris, em 16 de setembro de 1977, vítima de um infarto. Enquanto o enterro percorria a rua Georges Bizet, centenas de parisienses que choravam saudaram a passagem do esquife com a saudação que emocionava Maria na saída dos teatros: “Brava Callas!, Brava Maria!”.
 Na primavera de 1979, suas cinzas foram lançadas no Mar Egeu.
Fonte: www.artelivre.net

Aristóteles Sokratis Onassis


Aristóteles Sokratis Onassis foi o mais poderoso empresário do setor de marinha mercante na Grécia. Além disso, sua vida particular o tornou uma das pessoas mais famosas do mundo. 


E tudo começou do nada. Ele nasceu na cidade turca de Esmirna, que, em 1906, tinha uma grande colônia grega. Em 1922, após uma tentativa frustrada de invadir Istambul, o governo grego perdeu o controle que estabelecera em Esmirna em 1919 e aceitou uma troca de civis. 


Cerca de 400 mil turcos que habitavam na Grécia voltaram para sua terra de origem, enquanto que um milhão de helenos chegaram à Grécia como refugiados. A família de Onassis estava nesse grupo. 


Em 1927, com apenas US$ 250 partiu em direção à Argentina, onde tentaria uma nova vida. Em Buenos Aires, falsificou sua identidade para “envelhecer” seis anos e ter condições legais de trabalhar. Tornou-se telefonista e, nas horas vagas, estudava por conta própria o mercado financeiro. 


Com os poucos lucros obtidos pela especulação, pôde comprar roupas sofisticadas e passou a freqüentar a alta sociedade portenha. 


Aos poucos, os ganhos de Onassis se tornaram mais significativos e, com a ajuda de seu pai que permanecera na Grécia, se aventurou na importação de tabaco turco. 


Seu contato com a terra natal aumentou e ele decidiu voltar, mas manteve-se na exportação de tabaco. Para ampliar sua capacidade de transporte de tabaco, comprou dois navios no Canadá. 


Após um problema burocrático no porto de Roterdã, Onassis trocou a bandeira de seus barcos, agora com registro do Panamá. Com isso, trâmites como número de tripulantes, impostos e tipo de carga passaram a ser resolvidos com mais rapidez, barateando seus processos. Criativo, conseguia empréstimos bancários com constância, aumentando o tamanho de sua frota. 


Em 1946, se casou com Athina Livranos, filha de outro empresário grego do setor de marinha mercante. Mudou-se para os Estados Unidos, onde ganhou espaço no mercado de petroleiros e baleeiros. Em 1956, vendeu sua frota baleeira para o japoneses e, com o lucro, fundou a companhia aérea Olympic Airways. 


Após diversas negociações com o governo grego, a empresa obteve privilégios para se tornar a linha aérea nacional da Grécia, mesmo sendo de propriedade privada.


Em 1959, Onassis iniciou um longo romance com a soprano grega Maria Callas. No ano seguinte, se divorcia de Athina. 


A artista chegou a encerrar sua carreira temporariamente para acompanhar o empresário.

Até que o grego anunciou seu casamento com Jacqueline Kennedy, viúva do ex-presidente norte-americano John Kennedy, em 1968. 


Em depressão, Callas praticamente encerrou sua carreira naquele momento. A Olympic sobrevivia com dificuldades, mas a família Onassis quis mantê-la. Com a morte de seu filho Alexander em um acidente aéreo em 1974, Aristóteles ficou extremamente abalado e decidiu vender a Olympic para o governo grego. Os negócios com os petroleiros estavam bem, mas a saúde do milionário, não. 


Em 1975, Onassis morreu devido a complicações após uma cirurgia. Sua fortuna ficou com Christina, sua única filha. 


Ela se suicidou em Buenos Aires em 1988 e sua única filha, Athina Onassis Roussel, de apenas 18 anos, herdou a fortuna calculada em US$ 3 bilhões. Athina é casada com cavaleiro brasileiro Álvaro Afonso de Miranda Neto, o Doda.

20 de jun. de 2009

Direto ao coração

Existe um caminho do olho para o coração que não passa pelo intelecto
Chesterton
Picture by Giuseppe Santomaso

Um sonhador, mas não o único

Morrer, dormir... dormir?
Talvez sonhar. William Shakespeare

Neurolinguístíca

Quando ele me disse ô linda, pareces uma rainha, fui ao cúmice do ápice mas segurei meu desmaio. Aos sessenta anos de idade, vinte de casta viuvez, quero estar bem acordada, caso ele fale outra vez. Adélia Prado

Uma abordagem equivocada da prostituição

Desde o início do século XX a prostituição tem sido abordada no Brasil como um problema de saúde pública. De acordo com a psicóloga Luciene Jimenez, a situação é histórica. “A epidemia de sífilis foi o principal motivo para a criação de políticas de saúde para essa população. As ações estavam pautadas sobre o agente de transmissão da doença e não consideravam as pessoas envolvidas” aponta. Ela ainda ressalta que nos dias atuais, em relação à AIDS e prostituição acontece o mesmo viés regulamentarista dos tempos da sífilis. Na opinião da pesquisadora, falta espaço para a cidadania. Luciene é psicóloga do Centro de Referência de DST/HIV da cidade de Diadema, na Grande São Paulo, e desenvolveu um estudo baseado na experiência de quatro anos de trabalho em campo e entrevistas com prostitutas e travestis da cidade. “As políticas de saúde vigentes contêm a epidemia e têm apresentado alguns resultados para barrar a transmissão do vírus, porém não de propiciar espaços para o exercício de cidadania e inclusão social destas pessoas.” De acordo com a psicóloga, até maio de 2008, quando foi encerrada a pesquisa, a política de saúde colocada pelo Programa Nacional para profissionais do sexo estava centrada na prevenção de DST/HIV, compreendida como uma proposta de contenção da transmissão do vírus por meio da distribuição de insumos (camisinhas, gel lubrificante, folders, etc.) e do melhor acesso aos serviços de saúde. “Para ser uma política voltada para a questão da cidadania precisa de fluxos e parcerias que estão fora da saúde como educação, cultura, habitação, etc”, reflete Luciene. Os travestis são os que mais sofrem, pois são os mais excluídos do acesso a bens, serviços e programas sociais. “A garota de programa, por transitar entre mulher e prostituta até consegue driblar o estigma e, esporadicamente, ter acesso à educação e outros serviços. Mas os travestis não têm como entrar na escola sem mostrar o que realmente são. E não frequentarão a escola se não tiverem um mínimo de aceitação, uma frestinha de porta aberta.”, explica. A legislação brasileira é muito ambígua com relação à prostituição. Ao mesmo tempo em que ela permite a prática, restringe-a só às mulheres e sem nenhum tipo de agenciamento ou organização. “Se duas ou três prostitutas alugarem um apartamento para fins de prostituição, isso é crime. Tudo o que uma mulher pode, se quiser se prostituir é ficar na rua, a céu aberto, sem nenhum tipo de proteção. Elas não podem nem ao menos se organizar em forma de cooperativas”. Além disso, a legislação não prevê a prostituição de homens. “Se um homem está na rua andando de um lado para o outro, com fins de prostituição ou não, ele pode ser punido no delito vadiagem”. “A prostituição é um problema social e legal complexo e como tal precisa ser considerado e compreendido desde o ponto de vista dos modos de organização da sociedade”, diz Luciene. E que deve ter uma abordagem ampla que considere toda a extensão do tecido social. Afinal, há um ponto importante de convergência entre travestis e prostitutas: “Diversos estudos, apontam que os clientes que procuram os travestis são os mesmos que procuram as prostitutas. Em geral são homens maduros, pais de família que se consideram socialmente heterossexuais e, não raramente, buscam negociar o sexo sem preservativo”. Agência USP de Notícia
Picture by Henri Matisse

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