31 de jul. de 2009

Boas ações

Acho que os sentimentos se perdem nas palavras. Eles devem ser transformados em ações, em ações que tragam resultados.
Florence Nightingale

Mulheres também são infiéis

Tudo começa com um olhar sedutor e uma gentileza gratuita, como segurar a porta do elevador para você entrar. Em seguida, vem um elogio. Pode ser sutil, quase inocente. Ou desconcertante. Seja como for, uma boa cantada melhora o astral de qualquer mulher, inclusive das comprometidas. Algumas disfarçam, fingem que nada aconteceu. Outras aproveitam a deixa para viver uma tórrida aventura sexual. "Sentir atração por outro homem, mesmo tendo parceiro, é totalmente natural. A paquera é muito saudável para circular a libido e erotizar a vida. Se, a partir daí, vai acontecer alguma coisa e se isso implicará conflito, depende da mulher e do acordo entre os parceiros", afirma Vera Furia, mestre em psicologia clínica pela PUC-SP e autora do livro Mulher, Arquivo Confidencial. Na opinião de Vera, sentir-se desejada ou atraída por outro pode apimentar a vida a dois. "Ninguém consegue ficar apaixonado para sempre. O flerte pode trazer de volta o encanto e enriquecer a relação", diz. Tesão e carência Para a psicanalista e terapeuta de casais Léa Michaan, pós-graduada em psicoterapia psicanalítica pela USP, além de excitante, a paquera funciona como válvula de escape para aliviar tensões. "Devido à carga moral presente em nossa cultura, é comum as mulheres se culparem ao sentir atração por outro que não seja o companheiro oficial, mas trocar olhares não faz mal a ninguém. Pode até consistir numa fonte de energia extra", afirma. O problema é transferir para o flerte a carência afetiva, passando a buscar em outros homens o que queria receber do marido ou namorado. "Mulheres que usam a paquera de forma compulsiva para satisfazer sua insegurança emocional ficam cada vez mais insatisfeitas e acabam se machucando", alerta Vera Furia. Como saber, então, quando vale a pena se entregar completamente ou frear os impulsos? Não há manual para isso, mas refletir ajuda. "Ponha na balança seu desejo, as regras da sua relação, os riscos que corre e como lidará com eventuais sentimentos de culpa. Não é a atração que faz alguém ser irresponsável, e sim agir sem pensar nas consequências", diz Vera. Léa Michaan concorda que só a escolha consciente vale a pena. Assim, a mulher não se arrepende por ter recuado – e deixado escapar aquele homem imperdível – nem se corrói de culpa por ter experimentado uma paixão fugaz. "Tente descobrir o que a faz feliz, seja como for. O pior é querer dar uma de liberal ou de puritana quando na realidade não é", aconselha. Melissa Diniz

Divórcio prejudica saúde por longo tempo

O divórcio tem efeitos nocivos e duradouros na saúde dos envolvidos que mesmo um novo casamento não consegue reparar, afirma um estudo americano. A pesquisa da Universidade de Chicago foi feita com dados de 8.652 pessoas com idades entre 51 e 61. O estudo apontou que entre os divorciados a incidência de doenças crônicas – como câncer – era 20% maior do que entre pessoas que nunca casaram. O índice cai para 12% entre aqueles que casaram novamente, afirma o estudo publicado na revista científica Journal of Health and Social Behavior. Os pesquisadores afirmam que as pessoas começam a vida adulta com uma "quantia de saúde" que se mantém ou diminui de acordo com a experiência matrimonial de cada um. A pesquisa sugere que as pessoas que são casadas continuamente podem ter o mesmo índice de doenças crônicas do que as pessoas que nunca casaram. Apesar de as pessoas que casam novamente depois de um divórcio ou de se tornarem viúvas tendem a ser mais felizes do que antes, isso não diminuiria a suscetibilidade delas a doenças crônicas. A socióloga da Universidade de Chicago Linda Waite, que conduziu o estudo, disse que o divórcio ou a viuvez afetam a saúde porque a renda cai e há mais estresse devido às discussões sobre custódia dos filhos. Estresse A pesquisadora sugere que casamentos trazem benefícios imediatos de saúde, por estimular comportamentos saudáveis em homens e bem-estar financeiro para mulheres, mas que casamentos após divórcios não têm necessariamente os mesmos efeitos. "Algumas situações de saúde, como depressão, parecem responder rapidamente e fortemente a mudanças nas condições atuais", diz Waite. "Por outro lado, condições como diabetes e doenças cardíacas desenvolvem-se lentamente durante um período substancial e revelam o impacto de experiências passadas, que é o motivo pelo qual a saúde é afetada pelo divórcio ou viuvez, mesmo quando a pessoa casa novamente." Outros pesquisadores que não participaram do estudo comentaram os resultados. A pesquisadora Anastásia de Waal, do instituto Civitas, disse: "Esta pesquisa sublinha o fato de que enquanto o divórcio se tornou muito mais comum, ele pode ter um tremendo impacto não só emocional e financeiro, mas também na saúde da pessoa". Christine Northan, do instituto Relate, disse: "Eu não estou surpreso com os resultados. É outro motivo para se trabalhar bastante para fazer com que os casamentos funcionem, a não ser que as relações sejam bastante destrutivas". BBC

30 de jul. de 2009

O que é a vida?

A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida. Fernando Pessoa
Picture by Thereza Portes

Não acredite

Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o. Buda
Picture by Wilfredo Lam

A Paixão Segundo G.H

Enfim, enfim quebrara-se realmente o meu invólucro, e sem limite eu era. Por não ser, era. Até ao fim daquilo que eu não era, eu era. O que não sou eu, eu sou. Tudo estará em mim, se eu não for; pois 'eu' é apenas um dos espasmos instantâneos do mundo.
Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior - é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido. Da organização geral que era maior que eu, eu só havia até então percebido os fragmentos. Mas agora, eu era muito menos que humana - e só realizaria o meu destino especificamente humano se me entregasse, como estava me entregando, ao que já não era eu, ao que já é inumano.
E entregando-me com a confiança de pertencer ao desconhecido. Pois só posso rezar ao que não conheço. E só posso amar à evidência desconhecida das coisas, e só me posso agregar ao que desconheço. Só esta é que é uma entrega real.
Clarice Lispector
Picture by Mario Carreño

29 de jul. de 2009

A que ponto chegou o medo da gripe suína...

Gastadores tendem a se casar com poupadores

Frustrado com os gastos de sua mulher? Talvez isso tenha a ver com o motivo pelo qual você se casou com ela, de acordo com um estudo intitulado "Atração Fatal (Fiscal)" realizado por professores da Wharton School of Finance e da Northwestern University, dos EUA. "As pesquisas com adultos casados sugerem que os opostos se atraem no que diz respeito às reações emocionais aos gastos", disseram Scott Rick, da Wharton, e Deborah Small, da Northwestern, no artigo. Eles descobriram que as pessoas que em geral gastam menos do que idealmente gostariam de gastar e aquelas que gastam mais do que gostariam tendem a se casar. George Loewenstein, professor de economia e de psicologia da Carnegie Mellon University, em um outro estudo chamado "Pão-duros e perdulários", publicado no ano passado, descobriu que o grau de "sofrimento para pagar" de uma pessoa determina se ela é "pão-dura" ou "mão-aberta". O estudo de Loewenstein, conduzido com Rick e com a estudante de doutorado Cynthia Cryder, da Carnegie Mellon, descobriu que a extensão pela qual as pessoas dizem ter sofrido ao pagar prediz fortemente a poupança que mantêm, assim como sua dívida do cartão de crédito, mas não tem relação com a renda. Essa poderia ser a razão pela qual esses opostos se atraem, escreveram Rick, Small e Finkel. Os que acham doloroso gastar, por exemplo, podem não gostar dessa característica deles próprios e, portanto, são atraídos a pessoas mais liberais no que se refere a dinheiro. Isso mesmo que a maioria dos solteiros diga que seria melhor casado com alguém com hábitos de gastos similares aos seus. "A falta de conexão entre o que as pessoas dizem buscar num companheiro ideal e as características dos companheiros reais aos quais são atraídos é uma infelicidade", escreveram Rick, Small e Finken, pois os diferentes hábitos de gastos em geral resultam em maiores conflitos financeiros no casamento. Também é improvável que as pessoas passem de gastadores a poupadores ou vice-versa, disse Loewenstein. "Temos investigado se há alguma razão no passado das pessoas que poderia fazê-las mesquinhas ou perdulárias", disse ele em uma entrevista. "Ainda não descobrimos isso. Talvez seja genético." Kristina Cooke

Tire os espinhos da pele

Você conhece alguém de temperamento difícil, que se acha o injustiçado do planeta terra? Aquele tipo de pessoa que vive lamentando a falta de sorte e atraindo coisas ruins para si. Gente assim está sempre envolvida em confusão e quase nunca encontra a solução para o seu problema. Ao menor contra-tempo já é o suficiente para que ela se feche no seu casulo e crie um clima de tristeza e difícil convivência. Está quase sempre pelos cantos, envolvida por uma atmosfera negativa, atraindo infortúnio, como se um ímã da infelicidade fosse. Gente que cultiva amargura e se recusa a abandonar a vida de lamentações. Se algo de ruim ocorre pela manhã, ela fica o dia todo remoendo o acontecido. Enquanto não ocorrer algo pior, para servir-lhe de substituto, não afastará a tristeza da sua mente. Em nenhum momento permite-se ver o lado bom dos acontecimentos. Se você se depara com ela e pergunta: “e ai tudo bem?” O melhor que poderá ouvir como resposta será: “mais ou menos”. Esse tipo de pessoa vive como se tivesse espinhos na pele. Qualquer esbarrão espeta a carne com potencial para criar feridas dolorosas. Ela não consegue livrar-se dos pensamentos negativos e, por consequência, de seus sofrimentos. Não percebe o verdadeiro tesouro que existe em sua vida. Se ela ao menos fizesse um inventário, relacionando coisas boas e ruins em uma folha de papel, perceberia que a felicidade que não se encontra no mundo exterior e distante, está disponível no seu interior, ao alcance de suas mãos. Embora não perceba, ela é como se fosse uma árvore de raízes sólidas e profundas, capaz de resistir a temporais e produzir boa sombra para aliviar o cansaço a quem precise. Uma árvore de galhos longos e fortes permite aos pássaros construírem ninhos e abrigarem-se com segurança. Com frutos que ajudem a alimentar quem tem fome, e flores que decoram a vida de muitas pessoas. Uma árvore que recorre as suas reservas para vencer o período de estiagem e o sol escaldante de algumas estações. Ela sabe que agindo com perseverança e otimismo, estará mais forte e bonita na próxima temporada. O que gente assim não percebe é que o primeiro passo para trocar uma vida de sofrimento e infelicidade por outra de felicidade e abundância, é ter muita força de vontade. Não adianta esperar que o mundo tenha pena e resolva seus problemas, até porque isso não vai ocorrer. A situação somente mudará quando ela encarar os acontecimentos. Lembre-se da famosa frase: “tudo muda se você mudar”. A passagem a seguir, ocorrida entre Arquimedes e um discípulo, pode ajudar a ilustrar a situação: Discípulo de Arquimedes: “- Mestre, sois tão sábio; como poderei um dia saber tanto quanto vós? Arquimedes: “Através da força de vontade...” Discípulo de Arquimedes: “- Como assim, mestre?” Arquimedes afogou a cabeça de seu discípulo dentro d’água e o deixou sufocado por cerca de 40 segundos, depois a soltou... Discípulo de Arquimedes: “- Mestre, o que fizestes??? Arquimedes: “- O dia em que quiserdes ter sabedoria com a mesma vontade com que quisestes respirar, então será um grande sábio...” Evaldo Costa

28 de jul. de 2009

Quanto mais

De amor nada mais resta que um Outubro e quanto mais amada mais desisto quanto mais tu me despes mais me cubro e quanto mais me escondo mais me avisto. E sei que mais te enleio e te deslumbro porque se mais me ofusco mais existo. Por dentro me ilumino, sol oculto, por fora te ajoelho, corpo místico. Não me acordes. Estou morta na quermesse dos teus beijos. Etérea, a minha espécie nem teus zelos amantes a demovem. Mas quanto mais em nuvem me desfaço mais de terra e de fogo é o abraço com que na carne queres reter-me jovem. Natália Correia Picture by Max Beckmann

Risco de câncer cai à metade com 30 minutos de exercícios ao dia

Correr, nadar, pedalar ou jogar bola por pelo menos 30 minutos ao dia não só previne o desenvolvimento de doenças cardiovasculares como reduz à metade o risco de câncer, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (27) pelo "British Journal of Sports Medicine". A pesquisa indica que, quando uma pessoa pratica esportes de média ou alta intensidade, o consumo de oxigênio aumenta e ajuda o corpo a combater diversos tipos de doença, entre elas o câncer. Para chegar a essa conclusão, uma equipe de pesquisadores das universidades finlandesas de Kuopio e Oulu acompanhou por quase 17 anos os hábitos de vida de mais de 2,5 mil homens adeptos de práticas esportivas e que tinham de 42 a 61 anos de idade. Do total dos participantes do estudo, 181 morreram em decorrência de algum tipo de câncer. Os mais frequentes foram de pulmão, próstata, cérebro, na região gastrointestinal e nos nodos linfáticos. Ao longo da pesquisa, os cientistas estudaram os hábitos esportivos dos voluntários para determinar, em unidades metabólicas (MET), qual a quantidade de oxigênio consumida durante a prática de exercícios segundo a intensidade do mesmo. Ficou constatado, por exemplo, que a quantidade de oxigênio consumida numa caminhada normal, numa caminhada acelerada e durante o nado é de 4,2 MET, 10,1 MET e 5,4 MET, respectivamente. Em média, a quantidade de oxigênio consumida por todos os voluntários em seus exercícios era de 4,5 MET. Por dia, eles dedicavam 66 minutos a atividades físicas. No entanto, 27% deles sequer dedicavam meia hora de seu dia à prática de esportes. Com esses dados na mão, os pesquisadores concluíram que um aumento de 1,2 MET na quantidade de oxigênio consumida durante exercícios reduz os riscos de câncer, especialmente de pulmão e na região gastrointestinal. Durante o trabalho, os cientistas avaliaram outros fatores exógenos, como a idade, o consumo de álcool e tabaco, a alimentação e o índice de massa corpórea de cada um. EFE

Cura pela melodia

Em todas as culturas, sociedades e épocas, considera-se que a música detém um poder específico sobre a alma, a consciência e os sentimentos dos indivíduos e da coletividade, qualquer que seja a forma que a atividade musical assume na realidade histórica e social concreta. Todos já experimentamos esse poder caprichoso: a audição casual de um trecho de canção, as notas de uma sonata clássica ou um solo jazzístico de piano atingem, com precisão misteriosa, zonas de nossa memória e de nossa sensibilidade até então na sombra. Somos assim inesperadamente – e de boa vontade – dominados por uma emoção pura inominável – e familiar. Somos tentados a pensar a música como uma potência que escapa às hierarquias e generalizações, um domínio indiferenciado e caótico: afinal, essa experiência parece ser pessoal, embora compartilhada por milhões de pessoas, e, além disso, qualquer que seja o tipo de música, o resultado não é alterado (nesse campo, Bach vale tanto quanto Laura Pausini). Não devemos, porém, subestimar esse poder universal, tantas vezes identificado como uma das marcas fundamentais da natureza humana, sobretudo quando ele tem a possibilidade de alterar os estados de consciência das pessoas. É o que ocorre, por exemplo, na terapia de dança e música do tarantulismo, que realiza rituais antiguíssimos, e em experiências de possessão do êxtase ativadas por sons, presentes em todo o mundo, da Terra do Fogo à Sibéria, do Brasil ao Vietnã. Os poderes dignos de uma divindade parecem se transferir a essa forma de expressão difusa em todas as culturas, capaz de suscitar emoções profundas, comover, entristecer, excitar e até promover a cura: o xamã africano reanima o jovem debilitado tocando ao seu lado um pequeno tambor, com um ritmo progressivamente idêntico ao do coração do rapaz, depois o alterando até atingir o correto batimento cardíaco. Sugestão? Talvez, mas, sobretudo, uma questão de ritmo, como no caso do baterista que arrebata o público. O som musical, integrado no sistema de representações que lhe confere seu poder específico, surpreende não só porque intervém de modo direto no estado de consciência do indivíduo, mas, ainda mais, por sua capacidade de influenciar coletivamente o comportamento das pessoas. Os mais de 700 mil jovens europeus que tomaram as ruas da Berlim unificada dos anos de 1990, não para “mudar o mundo”, mas para experimentar, por horas, o impressionante rito pós-moderno da rave mais gigantesca da história, foram protagonistas, testemunhas e herdeiros inconscientes de uma vivência de estimulação psico-motora coletiva não muito distante da produzida pelos ritos ligados aos transes dionisíacos, dessa vez induzidos pelo som implacável da música techno. O som e o ritmo eram encantatórios, como o dos xamãs, talvez potencializado pelo álcool e outras substâncias: mas esta também é uma história antiga... É evidente que a música “excita as almas”. Daí a desconfiança geral, a má reputação de certas práticas musicais para as instituições, em todas as épocas e regimes: atraente, universal e perigosa, a complexa questão da música é por vezes rebaixada a simples problema de ordem pública. A universalidade da resposta individual e coletiva aos poderes da música significa que esta corresponde a uma disposição psicofísica inata da natureza humana, mais ou menos desenvolvida dependendo da pessoa. Haveria algo como uma “mente musical”? E, caso exista, quais são os processos psíquicos e fisiológicos ativados na produção e audição de um trecho musical? Os progressos da pesquisa científica sobre o cérebro geraram conhecimentos a respeito do “onde” e do “como”: sabemos que o hemisfério direito é o “lócus musicalis” da tonalidade, do timbre e da harmonia, enquanto outros aspectos da música, como o ritmo, pertencem ao hemisfério esquerdo. Essa descoberta e muitas outras não bastam, todavia, para afirmarmos que a ciência explicou a criatividade musical e seus poderes, destinados, em alguma medida, a permanecer ocultos. Em particular, o “porquê” da música permanece fora do horizonte da demonstração científica. O artista tem o conhecimento da arte e a mão tremente, escreveu Dante no Canto XIII do Paraíso: isto é, o artista possui a técnica, o habitus, o domínio de sua arte, mas só é artista em razão daquele “tremor”, que não pode ser calculado ou dominado, aquela hesitação sem a qual nada ocorre e sem a qual a arte não é possível. É em virtude desse tremor que a arte, e, portanto, a música, escapa a qualquer forma excessiva de controle racional. O poder da música jamais foi plenamente demonstrado pela ciência, mas sempre foi descrito: comunidades das mais diversas tradições e culturas não só descreveram e aceitaram esse poder, mas empenharam-se em celebrá-lo coletivamente, com seus rituais, danças, cantos, corpos e instrumentos. Para todas elas e um pouco para todos nós parece valer a célebre observação de Friedrich Nietzsche: sem música, a vida seria um erro. Ricardo Giagni
Picture by Robert Schefman

26 de jul. de 2009

Inside the Space Station

Como um médico com excesso de peso convence o paciente a emagrecer?

A mãe saiu da sala de exames para me interceptar: ela sabia que eu provavelmente teria de falar com sua filha sobre seu ganho de peso, disse ela, mas, "por favor, não use a palavra 'gorda', nem mesmo 'acima do peso'. Não deixe que ela se sinta mal consigo mesma". A menina tinha uns oito anos de idade. Quando analisei seu gráfico de crescimento, ficou claro que o equilíbrio tinha se modificado no último ano, e seu peso aumentava muito mais rápido que sua altura. Valia a pena ter uma conversa. No entanto, eu tinha tanta consciência sobre meu peso quanto o dela. Pensava: como posso dar conselhos nutricionais, quando tudo que você tem de fazer é olhar para mim e confirmar que nem eu mesmo sigo meus próprios conselhos? Como conciliar isso com o pedido racional de sua mãe: "Não deixe que ela se sinta mal consigo mesma"? No fim das contas, como posso impedir a famosa epidemia da obesidade infantil quando toda semana quebro minhas promessas de emagrecer? Que valor tem um médico gordo? "Os conselhos que devemos dar nas clínicas pediátricas se resumem, basicamente, a: 'coma menos, se exercite mais'", disse a Dra. Julie C. Lumeng, professora-assistente de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan e especialista em obesidade infantil. "Isso é uma blasfêmia, quando dou esse conselho às famílias, meu coração não está envolvido, pois muitas vezes as famílias ficam com um olhar vitrificado. Quando eu mesma recebo esses conselhos, reajo da mesma forma". O que significa quando o médico claramente não consegue seguir se próprio conselho? Fiz essa pergunta ao Dr. David Ludwig, diretor do Programa Peso Ideal para a Vida, do Hospital Infantil de Boston, um programa multidisciplinar de assistência às crianças obesas. "Esse assunto pode ser interpretado de várias maneiras diferentes", respondeu ele. "O médico que tem dificuldades em manter seu próprio peso tem a vantagem da experiência pessoal do ponto de vista do paciente - o que pode melhorar a compaixão e oferecer outras visões que um médico sem esse problema não teria". "Por outro lado", continuou, "o paciente pode enxergar o médico obeso ou gordinho como incapaz de compreender o problema básico a ponto de colocar em prática seus princípios". A preocupação militante acerca da obesidade infantil aumentou nos últimos anos, com muitas novas pesquisas e mais testes e intervenções clínicas. No entanto, nesse meio tempo, as crianças americanas se tornaram mais pesadas - já diagnostiquei diabetes tipo 2 em muitos de meus pacientes, e eu mesmo não perdi muito peso. Aprendemos mais sobre os fatores de risco. Por exemplo, um estudo de 2007, realizado por Lumeng, descobriu que quanto menos horas as crianças dormem na terceira série, maiores tendências elas têm de serem obesas na sexta série, independentemente de outros fatores familiares. Sua pesquisa atual foca em como as crenças das mães sobre a obesidade e a alimentação afetam o risco de obesidade das crianças. Entretanto, a própria Lumeng tem lutado contra a balança - ela afirma ter perdido 22 quilos no último ano, após um alarme de diabetes gestacional - e entende como é difícil traduzir suas próprias crenças na prática diária. Quando ela chega em casa, após um longo dia de trabalho, ela sabe que deve mandar seus três filhos desligarem a televisão e irem andar de bicicleta, enquanto ela cozinha brócolis e salmão para o jantar. "Eu sei disso tudo, eu pesquiso sobre o assunto", continuou ela. "Porém, quando se está exausto, se teve um dia difícil no trabalho, todo mundo fica irritável. Você pode até saber o que tem de fazer, mas quando chega o momento..." Eu poderia apelar para o argumento de que é mais fácil achar um ponto em comum com seus pacientes quando você entende suas fragilidades. Ao falar com um adolescente que está tomando drogas, ou um paciente que fuma perto de uma criança pequena, posso facilmente assumir o papel paternalista de uma integridade moral: Como você pode persistir nesse comportamento destrutivo e perigoso, agora que eu lhe expliquei o quanto ele faz mal? Por outro lado, você pode argumentar que, quando um médico dá um conselho que, para ele, é obviamente difícil de seguir, existe uma piscada de olhos de cumplicidade, implícita e perigosa: agora que eu lhe contei tudo sobre hábitos alimentares saudáveis, vamos cozinhar juntos - vamos mudar nossos hábitos amanhã mesmo! No fim das contas, Lumeng se vê diante do mesmo conselho que a faz lançar um olhar vitrificado: "Tive alguns pacientes que me disseram: 'Puxa, doutora, a senhora realmente perdeu peso - como conseguiu?' E eu tenho de dizer: 'Bem, eu me exercito mais e como menos!'" De volta à sala de exames, com aquela menina de oito anos, tomei alguns passos precoces e inseguros em direção à discussão sobre o tema. Mostrei a ela seu gráfico de crescimento, no papel rosa (para garotas). Veja - eu disse, - você está crescendo. Está ficando mais alta, está adicionando músculos ao corpo enquanto cresce. Porém, precisamos lhe dar um pouco mais de tempo para crescer antes de ganhar mais peso. E falamos sobre nutrição (cortar bebidas doces, fast food, comer diante da televisão). E falamos sobre exercícios (que tal sapateado, futebol, natação?). Finalmente, olhei para sua mãe, no fundo dos olhos, e disse, sem planejar muito: "Se fosse fácil, eu seria magro e estaria em forma". Perri Klass - médico
Picture by Fernando Botero

Comprovação da Teoria da Relatividade de Einstein

Há exatos 90 anos, durante um eclipse no interior do Ceará, foi provada a teoria da relatividade de Einstein 


Diz que o povo abarrotou a igreja, em frente do acampamento onde tinham sido instaladas as lunetas e equipamentos de medição dos gringos. As senhoras, terços enrolados nas mãos em prece, achavam que o mundo ia se acabar. Diz que algumas corriam pelas ruas batendo panelas, na esperança de espantar os maus espíritos. 


Já as grávidas foram trancafiadas em seus quartos desde o dia anterior para que não gerassem filhos escuros como as trevas. E diz que às 8 horas, 58 minutos e 28 segundos da manhã do dia 29 de maio de 1919, a sombra da Lua cobriu por completo a circunferência do Sol. Os galos, confusos, puseram-se a cantar como se fosse noite. E, por não mais que cinco minutos, as estrelas saltaram aos olhos dos cientistas maravilhados. O eclipse, acompanhado por uma equipe de astrônomos ingleses, americanos e brasileiros, mudaria não apenas a rotina dos então cerca de 6 mil habitantes da pequena Sobral, a 235 quilômetros de Fortaleza, no Ceará, mas os próprios rumos da ciência naquele início do século 20. 


À época, a cidade, que tem hoje 155 mil habitantes e é conhecida por ser a terra natal dos irmãos políticos Cid e Ciro Gomes, era iluminada por lampiões e puxada por charretes e carroças. Foi essa espantosa expedição científica que levou o primeiro automóvel visto por lá, um Ford Modelo T, o famoso Ford Bigode. E as mães sobralenses, sobressaltadas, recomendavam às crianças que não se metessem com o carro "para ele não ‘pisar’ nelas", diverte-se o físico cearense Emerson Ferreira de Almeida, professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú. 


Aos 38 anos, Emerson é o responsável pelo Museu do Eclipse, erguido há dez anos pelo então prefeito e atual governador Cid Gomes na praça central, da Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, local exato onde os astrônomos primeiro fincaram suas lunetas. O que levou alguns dos mais proeminentes cientistas do mundo àquele vilarejo perdido no interior do Ceará foi um conjunto de condições astronômicas e atmosféricas indispensáveis para a realização de um ambicioso experimento. 


A equipe chefiada pelo astrônomo inglês Arthur Eddington desejava testar a teoria da relatividade geral, publicada em 1915 por um então desconhecido Albert Einstein, afirmando que a massa dos corpos celestes deforma o espaço próximo a eles, de modo que um raio luminoso se curva para seguir tal deformação - a chamada "deflexão da luz pela gravidade". Até então, a teoria da gravitação universal, de Isaac Newton, admitia que a gravidade dos corpos celestes atraía a luz, mas sem deformação do espaço. A única maneira de se verificar quem estava mais próximo da verdade em sua explicação da "curvatura da luz" seria fotografando a posição das estrelas durante um eclipse total do Sol, em uma região da Terra em que o fenômeno fosse perfeitamente observável. "Sabia-se que em 1919 a sombra da Lua passaria exatamente por Sobral. 


E a cidade foi escolhida para o experimento, com a Ilha Príncipe, possessão portuguesa na costa ocidental da África", conta Emerson. Pode-se imaginar as dificuldades de logística naqueles anos conturbados que sucederam à 1ª Guerra Mundial. Ainda assim, com o apoio de Frank Dyson, o Astrônomo Real, e de autoridades científicas norte-americanas, Eddington angariou as necessárias £ 1.100, uma pequena fortuna à época, e organizou duas equipes: uma para Sobral, outra para Príncipe. Além de tudo isso, era preciso contar com condições climáticas favoráveis no dia da coleta dos dados. Para o azar de Eddington, que preferiu a Ilha Príncipe, São Pedro não ajudou: o dia amanheceu chuvoso e, das 16 fotos gravadas em placas de vidro emulsificadas, apenas duas imagens se mostraram úteis - ainda que imprecisas. Em Sobral, reza a lenda que as nuvens se abriram no momento em que o eclipse se formava. 


E 7 das 16 tentativas de registro feitas pelo grupo encabeçado pelo britânico Charles Davidson e pelo irlandês Andrew Crommelin, com a ajuda do brasileiro Henrique Morize, diretor do Observatório Nacional do Rio de Janeiro, saíram impecáveis. Para se comparar o desvio da luz das estrelas com e sem a presença do Sol e provar o efeito da gravidade do astro rei sobre ele era preciso fotografar o mesmo campo celeste em uma noite clara e em condições análogas. Os astrônomos aguardaram dois meses no Brasil pelo momento certo, período durante o qual compreensivelmente optaram pela brisa costeira de Fortaleza. "Finalmente pudemos sair do clima enervante de Sobral", registra em seus diários um encalorado Crommelin. Completada a fase de coleta de dados, veio a de medição das placas fotográficas com as posições das estrelas à noite e durante o eclipse, processo delicado e penoso. Os números obtidos iriam mostrar se a teoria newtoniana continuava a mais correta ou fora desbancada pelas equações de um jovem, e até então anônimo, físico alemão de cabelos desgrenhados. 


 No dia 6 de novembro de 1919, durante a reunião do Joint Eclipse Meeting, em Londres, Eddington e Dyson enfim apresentaram os resultados. O matemático e filósofo Alfred North Whitehead, presente ao evento, descreveu a cena: "Havia um elemento dramático naquele cerimonial tão cênico e tradicional, o qual se dava tendo como pano de fundo um retrato de Newton, que nos lembrava que a maior das generalizações científicas acabava, naquele exato momento, após mais de dois séculos, de receber a sua primeira modificação". Einstein estava certo. Nas palavras do historiador inglês Paul Johnson, "o mundo moderno começou em 29 de maio de 1919, quando fotografias de um eclipse solar, tiradas na Ilha Príncipe, na África Ocidental, e em Sobral, no Brasil, confirmaram a verdade da nova teoria do universo". 


O mistério que permanece é por que a saga de Sobral continua tão pouco conhecida no Brasil e no mundo. Dentro da própria comunidade científica internacional prevalece uma tendência a sobrevalorizar a expedição à Ilha Príncipe em detrimento de Sobral. "A superioridade dos dados de Sobral é bem clara", sustenta o astrônomo Augusto Damineli, professor titular do Instituto de Astronomia Geofísica e Ciências Atmosféricas, da USP. "A memória se perdeu ao longo do tempo talvez porque o Observatório de Greenwich, de onde vinham os astrônomos que foram para Sobral, perdeu importância após a 2ª Guerra Mundial. 


Já o de Cambridge, de onde eram os que foram para a Ilha Príncipe, adquiriu importância crescente." Damineli acredita que a polêmica terá destaque na Assembleia Geral da União Astronômica Internacional, em agosto, no Rio de Janeiro. O maior interessado, porém, jamais deixou de pôr luz nos méritos da experiência cearense. Durante sua passagem pelo Rio, em 1925, já convertido em gênio da ciência e celebridade mundial, Albert Einstein reconheceu, em uma entrevista a Assis Chateaubriand: "A questão que minha mente formulou foi respondida pelo radiante céu do Brasil". 
Ivan Marsiglia

24 de jul. de 2009

Brincadeiras sem maldade dos países árabes

Arsenico

Numa pequena cidade do interior do Ceará, uma mulher entra em uma farmácia e fala ao farmacêutico: - Por favor, quero comprar arsênico. - Mas... não posso vender isso assim! Qual é a finalidade? - Matar meu marido!! - Pra este fim... piorou... não posso vender. Isto dá cadeia!!! A mulher então abre a bolsa e tira uma fotografia do seu marido, na cama com a mulher do farmacêutico. - Ah bom!... com receita é outra coisa.

Sou gay e agora?

Cada pessoa adulta é livre em todas as suas escolhas, desde as mais simples, até as mais definitivas na vida, como a orientação sexual. Cada escolha, porém, tem um preço e devemos estar aptos a pagar pelo exercício de nossas autonomias. Vivemos em uma sociedade preconceituosa em que muitas pessoas irão discordar de nossas opções e irão nos pressionar através da crítica e da maledicência. Querer ser livre e ser compreendido ao mesmo tempo é impossível. É claro que sempre encontraremos também a compreensão de muitas pessoas, como as que respeitam a liberdade do outro. No entanto, nem sempre serão de quem gostaríamos. No caso da opção homossexual, por exemplo, poucos são os pais que aceitam ou que são compreensíveis. Essa opção é uma escolha à margem do estabelecido no geral pela sociedade e nós sabemos o peso da imagem de cada um de nós e da família na sociedade. Alguns sentimentos ocorrem prioritariamente quando os pais se dão conta de que um filho é homossexual: vergonha, culpa, tristeza, raiva etc. E, com esses sentimentos, os pais não tendem a aceitar o filho ou demorarão muito para aceitar. Todo ato nosso tem as suas consequências. O leitor terá de pesar e medir os possíveis danos de revelar sua intimidade. Se ele apenas for verdadeiro, tudo bem. Se, porém, ao revelar estiver procurando eximir-se de culpa, buscando aprovação, deve pensar bastante. Antônio Roberto

Novo prognóstico para o câncer pode ser uma quimioterapia mais longa

Médicos e empresas farmacêuticas estão se movendo em direção ao tratamento contínuo com drogas de pacientes de câncer, mesmo quando eles não precisem urgentemente dos medicamentos. Isso seria algo bem diferente da prática atual, de interromper o tratamento quando o câncer está sob controle e reiniciá-lo em caso de piora da doença. A estratégia é chamada de terapia de manutenção - como se fossem ajustes periódicos com o objetivo de evitar falhas num veículo. Médicos afirmam que isso poderia prolongar o período em que os tumores ficam sob controle, ajudando o câncer a se transformar numa doença crônica que pode ser acompanhada, mesmo se não for curada. Apesar de a terapia de manutenção não ser algo completamente novo, seu uso está crescendo, em parte porque algumas das drogas mais recentes de combate ao câncer são mais toleráveis que os medicamentos tóxicos do passado, e podem ser tomadas por períodos mais longos. Por exemplo, no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, ocorrido recentemente, médicos encheram um enorme auditório para um debate sobre se é hora de adotar a terapia de manutenção para o câncer de pulmão, a maior causa de morte por câncer do país. Outros tipos da doença para qual a terapia de manutenção está sendo usada ou experimentada incluem câncer de ovário, mieloma múltiplo e linfoma não-Hodgkin. No entanto, alguns especialistas afirmam que, em muitos casos, o uso prolongado de drogas não tem sido comprovadamente associado ao prolongamento da vida. Em vez disso, pode ser que pacientes de câncer fiquem mais sujeitos a efeitos colaterais e dezenas de milhares de dólares em gastos adicionais. Também existe a preocupação de que os tumores possam se tornar resistentes a uma droga usada por um longo período. "Geralmente, quanto mais, melhor, tanto em relação à dose quanto à duração potencial", diz Susan L. Kelley, chefe médica da Multiple Myeloma Research Foundation, que patrocina pesquisas sobre tratamentos para o mieloma múltiplo. No entanto, ela afirma que "existem vários tipos de custo para o paciente e para o sistema de saúde, quando administramos essas drogas por um longo período". Lawrence H. Einhorn, professor da Indiana University, relata que muito da pressão pela terapia de manutenção vem da indústria farmacêutica - que deseja que as drogas "sejam usadas o mais cedo possível e pelo maior tempo possível". Executivos dessas empresas reconhecem que a terapia significaria vendas maiores. "Essa oportunidade claramente reverte o jogo", declara Brian P. Gill, vice-presidente de comunicação corporativa da Celgene, que está testando sua droga Revlimid para o tratamento de manutenção do mieloma múltiplo. Ele falou para investidores numa conferência, em março. No entanto, os executivos e muitos médicos afirmam haver um bom raciocínio por trás da defesa da terapia de manutenção. Apesar de os tratamentos variarem com o tipo de câncer, muitos pacientes agora recebem vários ciclos iniciais de quimioterapia. Então, se o câncer regride, ou mesmo se o tumor simplesmente para de crescer, a terapia é interrompida. Ela somente é reiniciada, geralmente com drogas diferentes, se o câncer começa a piorar novamente. Essa estratégia evoluiu em parte porque as antigas drogas de quimioterapia eram tão tóxicas que os pacientes muitas vezes precisavam tirar "férias" do tratamento. "Entretanto, se pensarmos de forma prática, você não precisa dar 'férias' ao tumor", diz Colin Goddard, diretor da OSI Pharmaceuticals, que tenta posicionar sua droga Tarceva, contra o câncer de pulmão, para uso na terapia de manutenção. Alguns pacientes de câncer recebem de braços abertos a terapia de manutenção - alguns precisam dela desesperadamente, na luta contra a doença. O que os pacientes acham? "Eu era uma daquelas pessoas com um medo enorme de parar a quimioterapia", disse Barbara Platzer, 71 anos, de St. Louis, que tem câncer de ovário. Então, quando seus seis ciclos iniciais de quimioterapia terminaram com a remissão do câncer, ela participou de um teste clínico que oferecia 12 tratamentos de manutenção mensais de uma droga experimental, chamada Xyotax. Os resultados dos testes ainda não são conhecidos, mas o câncer de Platzer permaneceu em remissão. Todavia, Caryl Castleberry, de Glen Ellen, Califórnia, também paciente de câncer de ovário, recusou a terapia de manutenção. "Eu mal podia esperar para me ver livre do tratamento, então o ano a mais de tratamento que eles sugeriram simplesmente não era aceitável", disse Castleberry, 61 anos, cujo câncer permanece em remissão há seis anos. Robert L. Coleman, especialista em câncer de ovário do M.D. Anderson Cancer Center, em Houston, conta que, pelo fato de reincidências tenderem a serem fatais, tem havido um esforço urgente para prevenir ou atrasá-las. Porém, nos últimos anos, oito terapias de manutenção falharam em testes clínicos. Finalmente, um estudo publicado em 2003 mostrou que 12 tratamentos mensais de manutenção com paclitaxel, droga genérica cujo nome comercial é Taxol, atrasou a progressão de tumores em sete meses, em comparação com tratamentos de três meses com a mesma droga. No entanto, a diferença no índice de sobrevivência não foi significante estatisticamente, disse Coleman, então ainda há debates sobre os méritos da terapia de manutenção para o câncer de ovário. Para o câncer de pulmão, a adoção da terapia de manutenção está sendo encorajada pelos resultados de testes clínicos com a droga Alimta, apresentados no encontro de oncologia em Orlando, Flórida, em maio. Com base nesses testes, tanto a FDA (Food and Drug Administration) quanto agências de regulamentação europeias aprovaram o uso da Alimta para a terapia de manutenção, no começo do mês. Os testes, patrocinados pela Eli Lilly, fabricante da Alimta, envolveram 663 pacientes com câncer de ovário, cujos tumores diminuíram ou permaneceram estáveis após quatro ciclos habituais de quimioterapia inicial. Na prática comum, aqueles pacientes não seriam tratados novamente, a não ser que os tumores continuassem a crescer. Porém, nos testes, alguns pacientes receberam Alimta imediatamente após a finalização da quimioterapia inicial. Eles viveram uma média de 13,4 meses, significativamente mais tempo que os 10,6 meses para aqueles que receberam um placebo. Pacientes com o tipo de tumor no qual a Alimta trabalha melhor viveram uma média de 15,5 meses com a terapia de manutenção. "Isso muda o paradigma do tratamento", comenta Chandra P. Belani, vice-diretor da Penn State Hershey Cancer Institute e principal pesquisador dos testes. Entretanto, alguns céticos afirmam que os testes não compararam diretamente a administração imediata de Alimta com a espera até a piora do tumor. Então, não fica claro se foi apenas a droga que trouxe o benefício, em vez da terapia de manutenção. Dois terços dos pacientes no grupo do placebo receberam uma terapia adicional quando seus tumores pioraram, mas geralmente não com Alimta. Essa droga, também conhecida como pemetrexed, custa cerca de US$ 4 mil por infusão, e é administrada uma vez a cada três semanas. Com base em dados dos testes da Lilly, os pacientes que recebem a droga como terapia de manutenção receberiam uma média de três infusões a mais do que aqueles que recebem a droga como terapia adicional. Além disso, de 30 a 50% dos pacientes de câncer de pulmão nunca recebem uma terapia adicional, geralmente porque a condição deles piora bastante. Assim, se a Alimta fosse usada como terapia de manutenção, muito mais pacientes a receberiam. Para linfomas não-Hodgkin, a droga usada para o tratamento de manutenção é, geralmente, o Rituxan, ou rituximab, comercializada pela empresa Genentech and Biogen Idec. Testes clínicos mostraram que a terapia de manutenção com o Rituxan não ajudou pacientes com uma forma agressiva da doença. No entanto, um estudo separado, publicado recentemente no "The Journal of Clinical Oncology", mostrou que ela ajudava aqueles com formas menos agressivas da doença. Depois de três anos, o câncer não piorou em 68% das pessoas que receberam a terapia de manutenção. Isso ocorreu com apenas 33% dos pacientes que não receberam a terapia. A diferença no índice de sobrevivência foi menor, com 92% daqueles que receberam a terapia de manutenção vivos depois de três anos, em comparação a 86% daqueles que não receberam. "Precisamos de mais acompanhamento para ver se isso irá melhorar o índice geral de sobrevivência", afirma Thomas M. Habermann, da Mayo Clinic, um dos autores do estudo. Todavia, muitos médicos estão administrando tratamentos de manutenção em seus pacientes, geralmente quatro infusões semanais de Rituxan a cada seis meses, durante dois anos. Isso custaria cerca de US$ 30 mil por ano. Para mieloma múltiplo, a droga testada com mais freqüência para terapias de manutenção - Revlimid, ou lenalidomide - já está sendo usada por pacientes com reincidência. Ela custa mais de US$ 6 mil por mês e é tomada como uma única pílula diária, o que a torna particularmente conveniente para um uso prolongado. Agora, ela é usada por uma média de dez meses nos Estados Unidos; com terapias de manutenção que podem evoluir para anos, já que as remissões de mieloma múltiplo podem durar muito tempo. Os testes estão a caminho, mas alguns médicos não querem esperar. "Realmente, precisamos de alguns dados randômicos para apoiar nossa postura, mas, nesse meio tempo, parece uma boa ideia", atesta Brian G.M. Durie, presidente da International Myeloma Foundation, um grupo de defesa e pesquisa que recebe financiamento de empresas farmacêuticas. Kevin, estudante de graduação com mieloma múltiplo, espera que um transplante de células-tronco possa marcar o fim de seu tratamento. Assim, ele ficou surpreso quando seu médico sugeriu que ele tomasse Revlimid por dois anos como terapia de manutenção, como parte de testes clínicos. Ele toma a droga há um ano, com alguns leves efeitos colaterais, como fadiga e problemas digestivos. "Não fico entusiasmado em tomar uma droga como esta por tempo indeterminado", disse Kevin, que falou conosco sem revelar seu sobrenome, pois não quer que possíveis empregadores saibam sobre sua doença. "Mas, por outro lado, isso é muito melhor do que uma reincidência". Andrew Pollack - The New York Times

23 de jul. de 2009

Nunca faça surpresas a um policial

Brincar de Antônimo

O pessoal tava tomando 'umas' num bar de beira de estrada, quando um Paulistinha metido a esperto, diz pra um caipira: - Ô Zé! Vamos brincar de antônimo? - O que co sor falô? - Brincar de antônimo. Quer dizer, uma coisa contrária da outra! Por exemplo: alto e baixo, forte e fraco… - Ah!…. intindi! então, vamu brincá! - O que vai valê? - Uma cerveja. Eu começo tá? Começaram a brincadeira, e o espertalhão disse: - Gordo? E o caipira: - Magro! - Homem? - Muié! - Preto? - Branco! E o espertalhão: - Verde? - Verde? Nada! Verde num tem antônimo não… - Claro que tem! - Então exprica… - Maduro! - Ai, caraio! pirdi a aposta. Vamo de novo, valendo uma Cx de cerveja? Mas desta vece ieu cumeço. - Pode começar! - Saúde? - Doença! - Molhado? - Seco! Aí o caipira disse: - Agora ocê vai si lascá, seu fiu duma égua! Qué vê só? - Fumo? - Não, não! Para! Peraí… fumo não tem antônimo! - Claro que tem, uai! - Então diz aí:qual o antônimo de fumo? - Vortemo!

Até Descartes já sabia!

Recentemente, um amigo esteve a ponto de esmurrar o computador. Havia dias que sua navegação na Internet lembrava os tempos da linha discada. Resolveu ligar para a empresa fornecedora do serviço de banda larga.

Começou seu tormento. Demorou até que alguém pudesse atendê-lo. Paciente, ele explicou o que ocorria. A moça não lhe deu resposta imediata. Pediu “um minutinho”. Depois de um tempo, retornou e lhe pediu uma série de dados “para confirmação”. Solicitou mais “um minutinho”. Aí, perguntou-lhe, mais uma vez, o que estava ocorrendo. Ele respondeu:

- Mas eu já disse o que ocorreu.

- São os procedimentos, senhor – decretou a atendente, automaticamente.

O jeito foi repetir toda a história. A atendente quis mais “um minutinho”. Depois, informou que algumas áreas da cidade estavam experimentando alguma lentidão. Ele insistiu, afirmando que o problema perdurava havia quase uma semana. Ela pediu mais “um minutinho”...

Eu sei. Até você já está ficando irritado. Acertei? Pois esse é o modelo de atendimento vigente em muitas grandes empresas. Inúmeras checagens e poucas respostas.

No caso citado, a funcionária acabou por aconselhar meu amigo a chamar um técnico para checar a fiação doméstica. Frustrado, ele já estava para desligar, quando a funcionária recitou uma longa proposta de contratação –paga, é claro– de um serviço de reparos e de um sistema antivírus. Falta de “simancol”.

Ele aguardou silenciosamente, pronunciou um “não” educado, agradeceu e desligou. Suspirou, saiu e foi cuidar dos seus cachorros. Esses, sim, capazes de entendê-lo.

Todo mundo sabe que esse tipo de atendimento é inadequado, mas por que o padrão é mantido?

Talvez porque as pessoas não pensem fora da caixa. Talvez porque muitas empresas ainda sejam negligentes no serviço ao cliente. Tempos atrás, a revista Operations & Fulfillment pesquisou 158 empresas e constatou que cerca de 25% delas não mediam formalmente o atendimento ao cliente.

Isso é grave. A situação é ainda pior, quando as companhias realizam pesquisas cujos resultados alimentam justamente a conduta inadequada de seus colaboradores.

Ora, o francês René Descartes lançou luz sobre a questão dos padrões de aferição da realidade há muito tempo. Em 1637, ele lançou o clássico “Discurso do Método”, um tratado matemático e filosófico para conduzir o pensamento humano. Esse saber ordenado foi fundamental para a constituição da ciência moderna. Está na base de estudos dos mais diversos campos do interesse humano, da sociologia à medicina, da física ao marketing.

O sábio Peter Drucker, aliás, tinha uma frase curtinha para expor sua preocupação com o tema: “Não existe gerenciamento sem medidas”. Segundo ele, métricas confiáveis são fundamentais à tomada de decisão nas mais distintas áreas da gestão.

Mas, afinal, o que acontece? Na verdade, muitas das pesquisas internas são elaboradas a partir de metodologias viciadas. O objetivo não é detectar o erro e buscar soluções, mas buscar uma justificativa para que as coisas sejam mantidas do jeito que estão.

Conforme o padrão adotado pela empresa de telefonia, o serviço da atendente pode ter sido considerado excelente. Afinal, meu amigo não chamou o supervisor, não xingou a interlocutora e nem pediu o cancelamento de sua assinatura. Se não há briga feia, muitos serviços de atendimento tendem a considerar que a missão foi cumprida a contento. A razão é bem simples: muitos estudos se concentram em verificar se o funcionário é eficiente, e não se o cliente está satisfeito.

Para ser confiável, uma pesquisa do gênero precisa ser conduzida por um agente externo ao setor, criterioso e independente. E mais: é necessário que ouça as pessoas e confira a efetividade do serviço.

Vale advertir que algumas pessoas simplesmente desistem de reclamar, porque não aguentam chateação. Outras, porque foram atendidas com simpatia, mesmo que seus problemas não tenham sido resolvidos. Esses são os “falsos satisfeitos” que contaminam os dados de pesquisas menos rigorosas.

Depois de tudo isso, também é preciso garantir que os dados obtidos sejam devidamente tabulados, comparados e interpretados. Muita pesquisa boa acaba gerando projetos sem pé nem cabeça, porque muitos executivos não estão preparados para decifrar o mistério de tabelas e gráficos.

Além disso, muitas empresas ainda não desenvolveram uma contabilidade inteligente, isto é, capaz de determinar o impacto do atendimento nos resultados financeiros.

Nessas corporações, não se conhece o tamanho do prejuízo em razão do atendimento ruim. E, pior, não se determina quanto a empresa poderia lucrar, se oferecesse um atendimento adequado. Do ponto de vista da estratégia competitiva, esse é um problema básico que muitas empresas não sabem ou não querem resolver, especialmente em setores monopolizados.

Se existe esse sério desvio, também é verdade que aí se esconde uma grande oportunidade de diferenciação de mercado. Vejamos alguns passos que podem ser adotados por um executivo bem disposto e de mente arejada:

- realizar pesquisas periódicas e refinar o método; - focar a satisfação do cliente e não a eficiência burocrática do atendente; - estabelecer uma ligação dinâmica entre a satisfação do cliente e o resultado gerado.

Por fim, é preciso pensar na diversidade e na singularização. Por vezes, diante da TV, eu me imponho um agradável exercício: penso em como minha empresa poderia atender, com educação e eficiência, os personagens que desfilam pela tela.

Como é que lidaríamos com os trotes do Bart Simpson? E com a avareza do Tio Patinhas? E com as obsessões do Peter, de “Uma Família da Pesada”? E o que dizer das suscetibilidades das moças de “Sex and the City”?

Quem faz essa reflexão logo percebe que não pode adotar uma cartilha padronizada para o atendimento. Como adotar sempre o mesmo procedimento, se as pessoas são cada vez mais diferentes?

Carlos Alberto Júlio Picture by Salvador Dali

22 de jul. de 2009

Cuidado com a Consciência pesada

Um casal estava dormindo profundamente como inocentes bebês. De repente, lá pelas três horas da manhã, a mulher sonha com um barulho fora do quarto, e apavorada fala para o homem que dorme a seu lado: - Aaaaaiiiiiii, deve ser o meu marido!!! O cara se levanta rapidamente pula pelado pela janela e cai em cima de uma planta cheia de espinhos. Em poucos segundos, todo machucado, ele volta puto da vida e diz à mulher: -Sua retardada...Teu marido sou eu!!! -É ?!?!? E pulou a janela por quê?

Dois quintos dos infernos

Durante o século 18, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto". Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro. O "Quinto" era tão odiado pelos brasileiros, que foi apelidado de "O Quinto dos Infernos". A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, no episódio conhecido como "Derrama". Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento do inconfidente que mais se expôs, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano de 2009 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Donde se conclui que atualmente, a carga tributária que nos aflige é perto do dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, ou seja, pagamos hoje "dois quintos dos infernos".... Salve nossos políticos, o PAC, o mensalão, o Senado com sua legião de "diretores", a festa das passagens, mordomos a peso de ouro, o bacanal com o dinheiro público!

Brain Gym

O Brain Gym promete deixar nossas mentes mais fortes e flexíveis: o truque é achar o prazer


Você senta ao computador e jura a si mesmo que vai manter o foco. Já desligou o celular, a internet, a TV e pediu aos convivas que o deixem em paz. Grato a si mesmo pelo que está prestes a fazer, coloca um headfone e aperta start.

“Gah. Dah. Gah. Dah. Dah. Dah. Gah. Gah.” E assim vão 15 min de uma hora cheia, “gahs” e “dahs” alternando-se em sequências e velocidades diferentes. Seu trabalho é clicar no “gah” quando ouve um “gah” e clicar no “dah” quando a mesma voz masculina lhe entoa um “dah”. “Bah!”, diz o já entediado leitor. Se lhe soa um tanto chato, ou deveras besta, saiba que se trata do segundo exercício de uma série que promete lapidar uma das pedras filosofais da neurociência: aprimorar a performance cerebral e impedir a queda das funções cognitivas que o tempo impõe a nossos preciosos miolos. Esse é o objetivo, que já se provou viável, do que vem se popularizando como Brain Gym, ginástica cerebral. 


A base de tudo é uma descoberta que começou em experimentos dos anos 60, mas que se cravou como verdade há pouco mais de dez anos, quando Mike Mezernich, um cientista de San Francisco, arrancou um dedo de uma macaca para dar uma mãozinha ao ser humano. Com seu cérebro devidamente mapeado, a decepada chimpanzé rapidamente mostrou que novas conexões e caminhos se formaram no seu córtex. A área encefálica que cuidava do saudoso dedo ganhou novas funções. Foi o dedinho que faltava para derrubar sólidas muralhas nas ciências cerebrais. Acreditava-se que, depois de certa idade, estamos condenados a perder neurônios e conexões que jamais serão refeitas. 


Esquece. Lembre disso: o cérebro cria, sim, novos neurônios e novas e mais eficazes conexões. Tudo o que ele precisa é de vontade – e treino. Munido de cobaias, humana inclusa, Mike e sua equipe foram descobrindo as formas mais eficazes, e menos cruéis, de deixar cérebros tinindo. E, assim como o condicionamento físico planejado fez nas últimas décadas, os polichinelos mentais de Mike estão mudando o que significa envelhecer. Vovó não esquece a lista de compras A comparação com exercícios para o corpo não é exagerada. Há séculos sabe-se que quem se mexe mais em geral tem uma saúde mais longeva. Mas foi apenas quando a ciência entrou na jogada que surgiu uma nova cultura fitness, em que cada exercício tem função específica e em que frequência e intensidade determinam resultados. 


Da mesma forma, gente que lê, estuda, conversa, viaja e pensa mais profundamente tende a ter uma mente mais ágil e duradoura. Mas só agora estamos começando a moldar as primeiras ginásticas localizadas, as musculações cerebrais. Por isso o “gah-dah” e tantos outros jogos de uma simplicidade por vezes irritante foram desenvolvidos por Mezernich. Agem direta e minuciosamente nos centros básicos por onde os sentidos são primeiro processados. 


Quanto mais esforço para reconhecer as diferenças entre fonemas (ou de imagens em outro exercício), mais seu cérebro azeita a capacidade de entender informações externas. A premissa é simples: “Quanto melhor o input, melhor o processamento”, explica o brasileiro Rogério Panizutti, um dos pesquisadores no laboratório de Mike Mezernich na UCSF. Rogério está em San Francisco para seu doutorado, e conversamos assim que ele voltou de Tóquio, onde foi apresentar uma das pesquisas que saíram do laboratório. 


E não ficou exatamente surpreso ao ver o aumento enorme nos estudos sobre plasticidade cerebral. Ele é testemunha ocular do mercado em expansão que essa ciência está se tornando quando aplicada ao varejo. Mike Mezernich, seu chefe e mentor, mal pisa no laboratório de tão ocupado com seminários e com a divulgação de seus produtos. Por enquanto são dois softwares lançados pela PositScience, a empresa que Mike fundou para comercializar os resultados práticos de suas pesquisas. A PositScience tem um andar todo em um edifício no centro de San Francisco, mas muitas salas e corredores vazios. Eles sabem que o futuro vai tratar de lotar o espaço. Por enquanto, fotos de idosos, seus clientes primordiais, anunciam os resultados. 


Desde o depoimento de uma senhora que não esquece mais a lista de compra no mercado ao vovô que retomou a vida sexual depois de comprar o Brain Fitness – o primeiro programa lançado. É uma caixa que custa US$ 350 que poderia levantar muitas suspeitas de comercialismo ou promessas exageradas. Não fosse a estatura e seriedade científica de Mike e sua equipe. Explicar as minúcias de como os exercícios agem tomaria um espaço que a revista não dispõe e uma bagagem científica que o presente repórter tristemente não carrega. Mas algo nisso tudo é crucial, e dá pistas do que o cérebro, no fim das contas, quer de nós: prazer. Mais importante do que quebra-cabeças e jogos de identificação de sons, a chave que destrava nossos miolos é o sistema de recompensas. Sem um sentimento, vago que seja, agradável, não há santo que remodele o cérebro. Ou melhor. sofrimento e tédio também remodelam. Se prazer te deixa mais ligeiro, meu caro, stress e falta de propósito vão cuidar de te deixar tapado. Microfúria e recompensa Primeiro, direto e reto: não há milagre. 


A ciência já pode afirmar categoricamente que o cérebro atinge seu pico de performance pouco antes dos 30 anos de idade. Depois disso a ladeira desce. O que os exercícios oferecem é a chance de puxar o freio de mão. Ou, quem sabe, achar um jeito de continuar subindo. Começo o treino com algo simples: identificar se determinado som vai do grave para o agudo (tuínnn) ou do agudo para o grave (tiúnnn). Lendo parece fácil, e a princípio é. Mas vai acelerando, os bipes ficam mais curtos e sutis. E nossa atenção pode ser traiçoeira como uma próstata. Depois de 10 min dos 15 programados cometo erros tolos por estar com a cabeça em outro assunto. Mas cada erro que me causa uma microfúria, o suficiente para domar meu foco e acertar os próximos 5 min seguidos. De fato, o “plim” de cada acerto começa a ser cada vez mais prazeroso. Um misto de orgulho de ás do fliperama e a expectativa de que aquilo era um passo rumo ao upgrade do meu cérebro. Sistema de recompensa: ativado. 


A facilidade tira um pouco da graça, mas passada a primeira meia hora sinto, de fato, que um esforço foi feito. Por dias o treino segue, e me dedico também ao outro software, InSight, elaborado para o campo visual e a memorização. Tenho que distinguir entre formas e cores e recordar sequências que vão ficando mais complexas quando acerto. O fato é que, dia após dia, a coisa vai ficando fácil e mais fácil. Ou melhor, eu vou ficando mais rápido e eficaz nas manobras. Porque a dificuldade se mantém a mesma. O software dá um jeito de deixar a tarefa difícil na mesma medida. 


Dormir é mais complicado toda vez que me exercito antes da cama. E me sinto exausto toda vez que faço uma jornada dupla, um programa depois do outro. Uma leve alteração de percepção me acompanha no cotidiano. Uma atenção mais natural e aguda aos sons que me cercam. Levo em conta sua duração e sutilezas. Um chiado de um carro freando pode ser decomposto em dois ou três estágios sem que eu pense sobre o assunto. Trajetos de folhas caindo e insetos no ar me parecem mais legíveis, ou estou mais atento para isso. Não posso dizer que minha memória melhorou, não há parâmetros porque nunca me senti especialmente amnésico, nem agora me sinto um poço de recordações. 


 Mas se há algo a ser tirado dessa experiência, e desta reportagem, é uma atenção maior ao que atenção significa. Que entre suas duas orelhas existe um cérebro, e que ele responde diretamente a como você o trata. Portanto, se cuida. Um veredito para o Brain Fitness? Funciona. Bote fé. Isso é, se você tem fé na imprensa. O que, em si, é sinal de que uma ginástica mental lhe faria muito bem.
Bruno Torturra Nogueira

21 de jul. de 2009

Galerinha do barulho

O meu olhar

O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se, ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... Creio no mundo como num malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender ... O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama, nem o que é amar ... Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar... Alberto Caeiro(Fernando Pessoa)

20 de jul. de 2009

E lucevan le stelle

Lógica Espírita

A Lei de Deus permite: que desfrutemos tantas posses, quantas sejamos capazes de reter honestamente, mas espera estejamos agindo com elas, em benefício dos outros; que tenhamos tanta cultura, quanto os recursos da própria inteligência no-lo permitam, mas espera nos empenhemos a convertê-la em realização no bem de todos; que sejamos felizes, mas espera busquemos fazer a felicidade dos semelhantes; que sejamos amados, mas espera nos transformemos em amor para os nossos irmãos; que solucionemos as nossas necessidades, mas espera que não venhamos a prejudicar ninguém, no campo dos deveres em que nos achamos comprometidos; que sejamos desculpados em nossas faltas, mas espera perdoemos sem condições as ofensas que se nos façam; que usufruamos os bens do Universo, mas espera nos mostremos prontos a reparti-los sempre que necessário; que se pense ou fale mal de nós, tanto quanto se queira nos círculos de nossa convivência, mas espera nos devotemos a guardar a consciência tranqüila; que erremos, em nossa condição de almas imperfeitas ainda, mas espera que na base de nossos fracassos permaneça brilhando a luz da boa intenção. Enfim, a Lei de Deus permite sejamos quem somos, mas nos apóia ou desapoia, abate ou exalta, corrige ou favorece pelo que somos, através do que fazemos de nós, porque Deus não cogita daquilo que parece mas daquilo que é.
Mensagem do livro - Caminho Espírita Médium: Chico Xavier Espírito: Albino Teixeira

Mentiras ao léu

O fio da barba era firma reconhecida na política. Hoje os bigodes são fantasias que valem pelo efeito O senador José Sarney é suficientemente esperto para não imaginar que acreditaríamos nele quando afirma ignorar o auxílio moradia que mensalmente pingava em seu holerite, ou que seu contador cometeu erro técnico deixando de declarar, para a Justiça eleitoral, o valor da casa onde mora em Brasília. A ministra Dilma Rousseff tem cancha política suficiente para saber que o pedido de afastamento do senador José Sarney da Presidência do Senado não visa a demonizar este ou aquele senador. Pede-se unicamente que alguém sob suspeita não se responsabilize por investigar irregularidades em que ele possa estar envolvido. No final das contas, não se deixa a raposa cuidar do galinheiro. Toada semelhante é repetida pelos ilustres dirigentes do PT: a crise não atinge apenas uma pessoa, mas toda a instituição. Mas quem duvida disso? A pergunta crucial permanece: o suspeito está isento para dirigir uma investigação que pode incriminá-lo? Por fim, aparece o Presidente da República para revelar o que está por trás de toda essa camuflagem. Primeiro, o senador Sarney não é um cidadão comum, principalmente porque é peça essencial da estabilidade de seu governo. Segundo, a crise do Senado lhe interessa exclusivamente do ponto de vista da próxima eleição. Mas, ao dizer essas verdades, ao desvendar o verdadeiro sentido dessas ladainhas, simplesmente mostra que abdicou de agir como chefe de Estado para se reduzir a chefe do governo. Pouco lhe importa o princípio da legalidade, a autonomia e o fortalecimento dos três poderes. Tão-só desvenda a verdade para se negar como aquele que jurou defender a Constituição e a ordem normativa vigente. Torna-se assim necessário perguntar: qual é o sentido político da mentira quando não se acredita que ela possa ser tomada como verdade? Qual o significado político desse ritual vazio? Sabemos que o discurso político visa, sobretudo, ao convencimento; a verdade vem de sobremesa. É conhecida a tirada de Göbbels afirmando que, em política, uma mentira sistematicamente repetida se transforma em verdade. Mas essa conversão só ocorre num Estado totalitário, quando a Lei se confunde com a vontade do chefe, ele mesmo princípio legislador. Numa democracia, quando pontos de vista se confrontam, depois de muita propaganda a mentira pode pegar, mas sempre haverá alguma resistência a ela. No nosso caso, não necessita de resistência alguma, pois não possui pretensão à verdade. Mas então por que continua a ser dita? Vejo nisso mais um sintoma da corrosão por que passa o sentido normativo do Estado brasileiro. Estado entendido como o "instituto político de atividade contínua quando e na medida em que, em seu quadro administrativo, mantenha com êxito a pretensão ao monopólio legítimo da coação física para manter a ordem vigente", segundo a definição clássica de Max Weber. Ao avesso do governo, dos funcionários administrativos que gerem toda uma rede de instituições públicas, o Estado encarna a trama normativa em nome da qual a violência legítima pode ser exercida, punindo as transgressões da legalidade vigente. Essa dualidade é visível nas monarquias constitucionais ou nos regimes parlamentaristas, quando o chefe de Estado não acumula as funções de chefe do governo. Eles se fundem entre nós, e na nossa história o primeiro sempre tendeu a incorporar o segundo. Parece-me que estamos invertendo esse processo na medida em que o governo passa a engolir o Estado Antes os políticos não precisavam mentir. Sentiam-se o próprio Estado, atuavam às claras beneficiando a si mesmos e a seus afilhados. Agiam sendo a Lei, cujo rigor formal era aplicado aos inimigos. O fio de barba valia como firma reconhecida. Hoje em dia a barba rala ou os bigodes servem antes de tudo para disfarçar os trejeitos da cara, para criar uma imagem mais valiosa do que a firmeza do caráter. Cobertos por suas respectivas imagens, as palavras dos políticos são fantasias que se sobrepõem às coisas e aos fatos, valem pelo efeito, já que tudo é descartável, sem consistência, produto trazendo em si mesmo obsolescência programada. Se o que importa é o consumo, a manutenção momentânea de si, a mentira vale pela encenação que provoca. A ordem então parece estar em toda parte, os funcionários se fazem públicos, embora cuidando de interesses partidários e particulares. As transgressões se reduzem a pequenos desvios, inevitáveis quando a Lei é aplicada. Bastam alguns retoques para que os poderes recuperem seu caráter público imaginário. O real, em compensação, é o partidário, o privado fazendo de conta que é universal e legal. Obviamente essa transformação da imagem em real se dá com pesos diferentes em cada poder, em cada instituição. Na universidade, por exemplo, o faz de conta já é uma tradição. Mas não deixa de espantar a força que assumiu no Legislativo. Não aumenta conforme o governo o enerva? Primeiro foi o Congresso Nacional, cujas crises - dos anões, do mensalão e assim por diante - bloquearam seu poder de decisão. Até há pouco tempo o Senado parecia resistir, mas, depois da derrota do PT aliado ao PSDB, ambos vencidos pelo senador José Sarney e seu grupo, a maioria dos senadores virou peça importante no jogo da governabilidade, isto é, da sustentação particular desse governo, cujo interesse maior é o poder pelo poder. Perdendo autonomia e peso fora do jogo governamental, o Senado mostra suas entranhas de faz de conta, a mentira que mentia para si mesma, mas que ainda parecia verdade enquanto se mascarava como órgão do Estado. Posto em função da governabilidade, a mentira passou a ter livre curso. A crise de nossa democracia é maior do que aquela do Senado. O enervamento das funções do Estado em proveito dos interesses do governo coloca em risco o sentido da política. O governo Lula teve o mérito de trazer para a sociedade de consumo importante parcela da população brasileira. Ganhou uma aprovação tão extraordinária que está acreditando ser possível se confundir com o Estado nacional. Ele se pensa como o público, a encarnação do público. Por isso está acima da legalidade vigente, ele e seus aliados podem então enunciar o que quiserem. No Estado totalitário, esse enunciado é Lei; no governo "populista", ele é o fazer de conta que a Lei será mantida. Mas onde está a oposição para barrar essa onipotência da imaginação? Mais do que denúncias, a oposição precisa apresentar uma agenda de reconstrução do Estado. José Arthur Giannotti

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