Mostrando postagens com marcador Auto-ajuda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Auto-ajuda. Mostrar todas as postagens

1 de fev de 2016

A importância da auto estima

A forma como nos sentimos acerca de nós mesmos é algo que afeta crucialmente todos os aspectos da nossa experiência, desde a maneira como agimos no trabalho, no amor e no sexo, até o modo como atuamos como pais, e até aonde provavelmente subiremos na vida. 

Nossas reações aos acontecimentos do cotidiano são determinadas por quem e pelo que pensamos que somos. 

Os dramas da nossa vida são reflexo das visões mais íntimas que temos de nós mesmos. 

Assim, a auto-estima é a chave para o sucesso ou para o fracasso. É também a chave para entendermos a nós mesmos e aos outros.

Além de problemas biológicos, não consigo pensar em uma única dificuldade psicológica – da ansiedade e depressão ao medo da intimidade ou do sucesso, ao abuso de álcool ou drogas, às deficiências na escola ou no trabalho, ao espancamento de companheiros e filhos, às disfunções sexuais ou à imaturidade emocional, ao suicídio ou aos crimes violentos – que não esteja relacionada com uma auto-estima negativa.

De todos os julgamentos que fazemos, nenhum é tão importante quanto o que fazemos sobre nós mesmos. A auto-estima positiva é requisito importante para uma vida satisfatória. Vamos entender o que é auto-estima. Ela tem dois componentes: o sentimento de competência pessoal e o sentimento de valor pessoal. 

Em outras palavras, a auto-estima é a soma da autoconfiança com o auto-respeito. Ela reflete o julgamento implícito da nossa capacidade de lidar com os desafios da vida -entender e dominar os problemas - e o direito de ser feliz - respeitar e defender os próprios interesses e necessidades.

Ter uma auto-estima elevada é sentir-se confiantemente adequado à vida, isto é, competente e merecedor, no sentido que acabamos de citar. Ter uma auto-estima baixa é sentir-se inadequado à vida, errado, não sobre este ou aquele assunto, mas errado como pessoa.

Ter uma auto-estima média é flutuar entre sentir-se adequado ou inadequado, certo ou errado como pessoa e manifestar essa inconsistência no comportamento – às vezes agindo com sabedoria, às vezes como tolo – reforçando, portanto, a incerteza.

A capacidade de desenvolver uma autoconfiança e um auto-respeito saudáveis é inerente à nossa natureza, pois a capacidade de pensar é a fonte básica da nossa competência, e o fato de que estamos vivos é a fonte básica do nosso direito de lutar pela felicidade. Idealmente falando, todos deveriam desfrutar um alto nível de auto-estima, vivenciando tanto a autoconfiança intelectual como a forte sensação de que a felicidade é adequada. 

Entretanto, infelizmente, inúmeras de pessoas não se sentem assim. Sofrem de sentimentos de inadequação, insegurança, dúvida, culpa e medo de uma participação plena na vida – um sentimento vago de “eu não sou suficiente”. Esses sentimentos nem sempre são reconhecidos e confirmados de imediato, mas eles existem.

No processo de crescimento e no processo de vivenciar esse crescimento, é muito fácil que nos alienemos do autoconceito positivo - ou que nunca formemos um. Poderemos nunca chegar a uma visão feliz de nós mesmos devido a informações negativas vindas dos outros, ou porque falhamos em nossa própria honestidade, integridade, responsabilidade e auto-afirmação, ou porque julgamos nossas próprias ações com uma compreensão e uma compaixão inadequadas. 

Entretanto, a auto-estima é sempre uma questão de grau. Não conheço ninguém que seja totalmente carente de auto-estima positiva, nem que seja incapaz de desenvolver auto-estima.

Desenvolver a auto-estima é desenvolver a convicção de que somos capazes de viver e somos merecedores da felicidade e, portanto, capazes de enfrentar a vida com mais confiança, boa vontade e otimismo, que nos ajudam a atingir nossas metas e a sentirmo-nos realizados. 

Desenvolver a auto-estima é expandir nossa capacidade de ser feliz. Se entendermos isso, poderemos compreender o fato de que para todos é vantajoso cultivar a autoestima. Não é necessário que nos odiemos antes de aprender a nos amar mais; não é preciso nos sentirmos inferiores para que queiramos nos sentir mais confiantes. Não temos de nos sentir miseráveis para querer expandir nossa capacidade de alegria.

Quanto maior a nossa auto-estima, mais bem equipados estaremos para lidar com as adversidades da vida; quanto mais flexíveis formos, mais resistiremos à pressão de sucumbir ao desespero ou à derrota. Quanto maior a nossa auto-estima, maior a probabilidade de sermos criativos em nosso trabalho, ou seja, maior a probabilidade de obtermos sucesso. 

Quanto maior a nossa auto-estima, mais ambiciosos tenderemos a ser, não necessariamente na carreira ou em assuntos financeiros, mas em termos das experiências que esperamos vivenciar de maneira emocional, criativa ou espiritual. 

Quanto maior a nossa auto-estima, maiores serão as nossas possibilidades de manter relações saudáveis, em vez de destrutivas, pois, assim como o amor atrai o amor, a saúde atrai a saúde, e a vitalidade e a comunicabilidade atraem mais do que o vazio e o oportunismo.

Quanto maior a nossa auto-estima, mais inclinados estaremos a tratar os outros com respeito, benevolência e boa vontade, pois não os vemos como ameaça, não nos sentimos como “estranhos e amedrontados num mundo que nós jamais criamos” (citando um poema de A. E. Housman), uma vez que o auto-respeito é o fundamento do respeito pelos outros. 

Quanto maior a nossa auto-estima, mais alegria teremos pelo simples fato de ser, de despertar pela manhã, de viver dentro dos nossos próprios corpos. São essas as recompensas que a nossa autoconfiança e o nosso auto-respeito nos oferecem.

Vamos nos aprofundar mais no significado do conceito de auto-estima. Auto-estima, seja qual for o nível, é uma experiência íntima; reside no cerne do nosso ser. É o que EU penso e sinto sobre mim mesmo, não o que o outro pensa e sente sobre mim.

Quando crianças, nossa autoconfiança e nosso auto-respeito podem ser alimentados ou destruídos pelos adultos – conforme tenhamos sido respeitados, amados, valorizados e encorajados a confiar em nós mesmos. Mas, em nossos primeiros anos de vida, nossas escolhas e decisões são muito importantes para o desenvolvimento futuro de nossa auto-estima. 

Estamos longe de ser meros receptáculos da visão que as outras pessoas têm sobre nós. E de qualquer forma, seja qual tenha sido nossa educação, quando adultos o assunto está em nossas próprias mãos. Ninguém pode respirar por nós, ninguém pode pensar por nós, ninguém pode nos dar autoconfiança e amor-próprio. 

Posso ser amado por minha família, por meu companheiro ou companheira e por meus amigos e, mesmo assim, não amar a mim mesmo. Posso ser admirado por meus colegas de trabalho e mesmo assim ver-me como um inútil. Posso projetar uma imagem de segurança e uma postura que iludem virtualmente a todos e ainda assim tremer secretamente ao sentir minha inadequação. 

Posso preencher todas as expectativas dos outros e, no entanto, falhar em relação às minhas; posso conquistar todas as honras e apesar disso sentir que não cheguei a nada; posso ser adorado por milhões e despertar todas as manhãs com uma nauseante sensação de fraude e vazio. Chegar ao “sucesso” sem conquistar uma auto-estima positiva é ser condenado a sentir-se um impostor que aguarda intranquilo ser desmascarado.

Assim como a aclamação dos outros não cria a nossa auto-estima, também não o fazem os conhecimentos, a competência, as posses materiais, o casamento, a paternidade, a dedicação à caridade, as conquistas sexuais ou as cirurgias plásticas. Essas coisas podem às vezes fazer com que nos sintamos melhor sobre nós mesmos temporariamente, ou mais confortáveis em situações particulares, mas conforto não é auto-estima.

A tragédia é que existem muitas pessoas que procuram a autoconfiança e a auto-estima em todos os lugares, menos dentro delas mesmas, e, assim, fracassam em sua busca. Veremos que a auto-estima positiva pode ser entendida como um tipo de conquista espiritual, isto é, uma vitória na evolução da consciência. 

Quando começamos a entender a auto-estima dessa forma, como uma condição da consciência, entendemos quanta tolice há em acreditar que, se pudermos causar uma boa impressão nos outros, teremos uma auto-avaliação positiva. Pararemos de dizer a nós mesmos: “Se pelo menos eu tivesse mais uma promoção; se pelo menos me tornasse esposa e mãe; se pelo menos fosse reconhecido como um bom provedor; se pelo menos pudesse comprar um carro maior; se pelo menos pudesse escrever mais um livro, comprar mais uma empresa, ter mais um amante, mais uma recompensa, mais um reconhecimento de minha generosidade – então, realmente me sentiria em paz comigo mesmo....”. Perceberíamos então que a busca é irracional, que o anseio será sempre “por mais um”.

Se ter auto-estima é julgar que sou adequado à vida, à experiência da competência e do valor, se auto-estima é a auto-afirmação da consciência, de uma mente que confia em si, então ninguém pode gerar essa experiência a não ser eu mesmo.
Quando avaliamos a verdadeira natureza da auto-estima, vemos que ela não é competitiva ou comparativa.

A verdadeira auto-estima não se expressa pela auto glorificação à custa dos outros, ou pelo ideal de se tornar superior aos outros, ou de diminuir os outros para se elevar. A arrogância, a jactância e a superestima de nossas capacidades são atitudes que refletem uma auto-estima inadequada, e não, como imaginam alguns, excesso de auto-estima.

Uma das características mais significativas da auto-estima saudável é que ela é o estado da pessoa, que não está em guerra consigo mesma ou com os outros. A importância da auto-estima saudável está no fato de que ela é o fundamento da nossa capacidade de reagir ativa e positivamente às oportunidades da vida – no trabalho, no amor e no lazer. A auto-estima saudável é também o fundamento da serenidade de espírito que torna possível desfrutar a vida.
Casa do Aprendiz
Baseado no livro de Stephen R. Covey

1 de dez de 2013

A danada da nostalgia

Lucian Freud
Por que será que, por mais que a gente tente, muitas vezes é incapaz de abandonar determinadas memórias afetivas: imagens que construímos de nós mesmos, velhos amores, antigos padrões de comportamento? 

E parece que não adianta mesmo fugir – tais memórias são nossa bagagem, estarão sempre a nos acompanhar. Claro que tudo isso depende do uso que fazemos do nosso passado. Pois uma coisa é ter o tempo pretérito como referência – é por meio do exemplo de pessoas e ações que vieram antes de nós que procuramos não perpetuar os erros de outrora ou que nos espelhamos para construir um presente melhor.

Isso é essencial em todas as culturas, do velho pajé que conta antigas proezas da tribo aos mais jovens até os livros de história que nos ensinam sobre os capítulos sombrios da nossa civilização. Outra coisa bem diferente (e daninha) é a fixação no passado, quando remoemos aquilo que já está longe no tempo e no espaço, ou idealizamos (alguém, uma situação, um estilo de vida) a ponto de não mais conseguirmos olhar para a frente e aproveitarmos o presente – nosso tempo – em todo seu potencial. 

Aí entra a danada da nostalgia. Sim, porque a nostalgia, essa palavra grega que significa algo como “saudade de um lar que não mais existe ou nunca existiu”, pode ser um obstáculo para o nosso crescimento. Repare em como num momento ou outro a gente pensa num tempo bom que não volta nunca mais, numa “era de ouro” (completamente idealizada, uma ficção que mistura memória e desejo) em que tudo tinha cores mais belas. Ah, antigamente... Faz mal? Em The Future of Nostalgia (“O futuro da nostalgia”, sem edição brasileira), Svetlana Boym, professora de literatura comparada na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, explica que o conceito de nostalgia, diferentemente do que muitos pensam, não vem da poesia ou da política, mas da medicina, e data do século 17. 

 Naquela época, alguém que padecesse de nostalgia podia apresentar sintomas tão variados e nefastos como náusea, perda de apetite, febre alta chegando até mesmo a complicações físicas extremas, como inflamações no cérebro e ataques cardíacos. Em suma: nostalgia, naquele tempo, fazia parte de um temível rol de doenças classificadas pela ciência médica do período. “Nos velhos tempos, nostalgia era uma doença curável. Perigosa, mas não letal”, escreve Svetlana Boym. O tratamento mais difundido era feito com emulsões hipnóticas e ópio. No século 19, o escritor e médico brasileiro Joaquim Manuel de Macedo (que entraria para os compêndios como o popular autor do romance A Moreninha) arrolava em sua tese Considerações sobre a Nostalgia, apresentada à Faculdade de Medicina, complicações como disenteria e febres. 

A doença nostalgia era constantemente atribuída aos soldados em guerra e aos imigrantes vindos do interior. A coisa parecia mesmo tão grave, num tempo que ainda não vira o aparecimento da moderna psicologia e de todo o aparato farmacêutico, a ponto de Joaquim Manuel de Macedo tratála como uma espécie de demência. Hoje em dia, no entanto, não se toma a nostalgia como uma condição patológica como se supunha no passado. Ao ser comparada à depressão e à melancolia, por exemplo, a nostalgia pode ser considerada um estado de espírito, quando a depressão e a melancolia são doenças em si. “A nostalgia pode ser vista como algo que desperta para a ideia de que também no presente coisas boas serão possíveis. Somente quem viveu momentos belos e felizes é que é invadido pela nostalgia, diferentemente daquele que passou pela vida e não viveu. Por isso, nostálgicos voltam ao passado no qual amaram e foram amados. 

Na melancolia ou depressão: nunca foram amados ou amparados”, afirma a psicanalista Maria Olympia França. Faz sofrer Você certamente conhece a figura: aquele eterno insatisfeito, o tipo de pessoa de quem mais se ouve que antigamente... – ah! antigamente, como as mulheres eram mais bonitas (a beleza natural), as ruas mais limpas e o ar mais puro. É bem possível mesmo que a vida fosse mais amena. O custo de vida era mais baixo e o trânsito, muito menos estressante. E, lógico, havia menos gente no mundo. Acontece que esse “antigamente” idealizado nunca mais voltará. Fato é que fabricamos muitas das nossas memórias e não temos certeza do passado, por isso mesmo é que o tempo pretérito nos parece ter cores tão mais definidas e ostenta uma cenografia tão impecável. É como um quadro que pintamos em nosso cérebro. Para Maria Olympia, a nostalgia é uma espécie de reaproveitamento da tristeza. 

“Ainda que difusa, ela sinaliza algo que foi bom. Eu era feliz e não sabia”, afirma a psicanalista. Isso denota o estado fantasioso da nostalgia em relação ao presente. Claro que é impossível voltar ao passado, mas trazer seus elementos agradáveis de volta ao presente é algo bastante concreto. Se você gostava, por exemplo, de tocar violão, mas não pratica há anos, que tal treinar de vez em quando? Se sente muita falta da casa da mãe, comer um arroz com feijão no fim de semana pode dar um gostinho do lar para sempre desaparecido. Não é que vá matar a saudade. Até porque nostalgia e saudade são coisas diversas. “A nostalgia é um estado mais amplo, mais difuso que um sentimento de saudades. Enquanto este diminui quando reencontramos o objeto faltante, a nostalgia pode permanecer mesmo quando reencontramos aquilo de cuja falta nos demos conta”, diz a psicanalista. Mas ajuda a acalmar o sofrimento. 

 Pois nostalgia e perda são sentimentos tão parecidos que muitas vezes podem se confundir. A dor imensa que representa a perda de um filho é um exemplo de situação-limite que instaura uma condição nostálgica – e que pode desencadear uma baita depressão, já que as lembranças do passado se convertem em um fardo insuportável. “Nesses casos, a tristeza levará à impotência, ao sentimento de fracasso e de culpa. Nada mais é recuperável”, diz a psicanalista. Aí o recomendável é que se trate a depressão advinda desse processo. Quando a perda é coletiva, como no caso dos fluxos migratórios (os imigrantes europeus na virada do século 20 que desembarcaram no Brasil e em outras nações das Américas, os migrantes do Nordeste que vieram ajudar a construir a riqueza de São Paulo), há a criação daquilo que se chama uma “memória cultural”. 

No caso de imigrantes, segundo estudos, é notada a criação de nichos específicos e a apreciação de locais determinados, o que a gente pode facilmente reparar em nosso dia a dia. Quem mora em São Paulo ou em outra grande metrópole, por exemplo, e não conhece uma “turma” muito unida que veio de outra cidade? Ou restaurantes típicos – cantinas italianas, churrascarias, casas de sushi – frequentados por grupos específicos? Isso é muito comum. O pessoal elege alguns lugares, como bares ou casas de amigos, para frequentar e manter o contato com as próprias raízes. Pois Svetlana Boym explica essa manutenção da memória cultural através de um “estranhamento e sentimento de solidariedade entre os membros do grupo estrangeiro, que geram afeto e reflexão”, além de uma “vulnerabilidade ao lugar”. 

É universal Falando assim, até parece que a nostalgia é um estado psicológico exclusivo de determinados casos: na verdade, a maioria das pessoas a vive sem sequer se dar conta dela, mesmo que seja de uma vida que não é a sua. Nostalgia do que não viveu parece complexo demais? Então basta observar o mercado de consumo. O design, a arquitetura, a moda, o cinema, as telenovelas, tudo está preparado para atender a demandas por artefatos vindos diretamente do passado. São festas “anos 80” com sucessos da Blitz e da Xuxa, remakes de filmes clássicos, o Fusca renascido no neoretrô New Beetle, a volta dos discos de vinil ao mercado. 

De onde vem esse desejo de eterno retorno? Das memórias afetivas, das contingências do mercado, é um traço geracional? De tudo isso um pouco. Cíntia Teixeira, professora de filosofia e coordenadora do IPPEX (Instituto de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da Faced), de Minas Gerais, afirma que a necessidade de trazer elementos de outras épocas para o presente é uma alternativa ao inevitável progresso do esquecimento. E além disso é um traço geracional, marca daqueles que estão entre os 20 e poucos e 30 anos. “Em larga escala, a geração Y participa de grandes eventos culturais com o intuito de rememorar o passado, sem ter a clareza do que foi e qual a real importância daquela geração e de reviver essa situação”, diz. 

E tem mais: o passado trazido de volta tem um bocado de presente. “Os eventos do passado são manipulados e reconstituídos perante uma audiência do presente, estabelecendo-se dessa forma uma conexão dinâmica entre ambos os tempos”, afirma. “Essa onda de nostalgia do passado é muito mais vivida por pessoas que sequer existiam naquele tempo homenageado que pelas pessoas que de fato estavam lá.” Svetlana Boym observa que nostálgicos são geralmente pessoas de sentidos mais apurados. Ora, são os sentidos (audição, olfato, paladar...) que nos arrastam com mais força para as memórias afetivas. Talvez estejam nos sentidos as memórias afetivas que movem tais vontades e sensibilidades. Já é folclórica a história do escritor francês Marcel Proust que, provando um biscoitinho chamado madeleine, foi acometido por um verdadeiro ataque de nostalgia – o que gerou um dos maiores monumentos da história da literatura, o romance Em Busca do Tempo Perdido. 

Outro escritor, o jovem brasileiro Daniel Galera, autor dos romances Mãos de Cavalo e Cordilheira, entre outros, diz que, embora não considere a nostalgia característica predominante em seus personagens, assume vivê-la em seu personagem da vida real. “Eu tenho nostalgia de uma vida mais solitária, às vezes. Parece que em algum momento vivi no interior ou numa praia quando era criança, e que tenho saudade disso. Mas sempre morei em cidades grandes e fui a lugares isolados apenas como visitante ocasional. Esse tipo de nostalgia quase sempre é uma armadilha, porque é mera construção mental. Você sente que já viveu aquilo e sente falta, mas não é verdade. É uma narrativa ilusória da memória”, diz Galera. Criação e memória, eis os pilares da nostalgia. Julia Valle é estilista e costuma desenvolver, no mínimo, três coleções por ano. 

Para cada uma delas precisa buscar inspirações totalmente novas. Acontece que o totalmente novo demonstra sinais de esgotamento, dando lugar à repetição, por isso ocorre uma tendência de retorno a épocas anteriores: “Soa fresco de uma forma, mas ao mesmo tempo já tem aquela garantia de que foi amplamente aceito em algum momento da história”, diz a jovem estilista, que confessa que gostaria de ter vivido nos anos 1920. É particular Márcia e Sílvio (os nomes foram trocados para manter a privacidade das fontes) se apaixonaram no trabalho: o processo de produção de um curta- metragem. Ele, o diretor, bem mais velho, tinha uma postura jovem para a idade. Ela, atriz na ocasião, se sentia compreendida em sua pretensa maturidade. Márcia lembra que a experiência do filme foi poderosa emocionalmente e a lua de mel durou cerca de um ano. 

“Foi quando algo se rompeu e começaram a se abrir feridas, traições descobertas e muita dor”, diz, afirmando que a partir daí o caso começou a ser tão intenso quanto avassalador. “Perdi as contas de quantas vezes terminamos e voltamos. Já não sabia mais para o que queria voltar. Queria um resgate, não conseguia deixar as boas lembranças.” Márcia chegou a se mudar de cidade para abandonar a memória, em vão. Ela afirma que ainda acreditava ser mais feliz com Sílvio. “Retomamos inclusive a distância, o que quase me levou à depressão. Estava prestes a largar tudo diante da doença que nossa vida em casal se tornou”, admite. Márcia diz que hoje Sílvio a procura de tempos em tempos e ela tem de se esforçar para não fantasiar um passado que ficou enterrado. “Guardo nossas memórias com carinho, mas hoje sei que é impossível resgatá- las”, afirma. 

Casos como o de Márcia são mais comuns do que pensamos e servem como lembrança (sem trocadilhos) de que é muito importante ter cuidado com as fantasias. Elas podem literalmente nos prender a uma realidade inexistente e impedir um desenvolvimento no presente, além de uma possibilidade de vislumbrar o futuro. Uma saudade dos velhos tempos ou uma fantasia sobre certo fato do qual você adoraria ter participado podem alimentá-lo, mas, quando essas sensações se tornam obsessivas, é melhor ficar atento: finque o pé no presente e bola pra frente. 
Deborah Couto e Silva

9 de nov de 2013

Orgulho

Painting by Xi Pan
O orgulho é um sentimento muito destrutivo. É um sentimento de satisfação por uma imagem de grandeza pessoal, de superioridade. 

 O orgulho em excesso pode se transformar em vaidade, ostentação, sendo visto apenas então como uma emoção negativa, a arrogância. Ele se diferencia do orgulho que a pessoa sente de sua própria dignidade. O orgulho também é contaminado pelo preconceito, julgamentos, críticas. O orgulhoso sempre tem razão e o outro não importa para ele, a não ser se for outro orgulhoso com mais poder. 

 A vaidade e o orgulho andam juntos e se completam, é o casamento perfeito e não há risco de separação, pois eles se fortalecem. Quem por acaso contrariar um orgulhoso jamais terá seu perdão. O orgulho é inimigo do perdão e irmão da vaidade e passa longe da humildade, que une os homens, enquanto o orgulho os separa. E, para completar, o orgulho é o primo pobre da inferioridade. 

"O orgulho dos pequenos consiste em falar sempre de si próprios; o dos grandes, em nunca falar de si." (Voltaire). Mas ainda pode piorar. É quando temos aquele orgulho que não se aceita e usa atitudes de superioridade para mostrar um valor que está longe de ter. Portanto, para reconhecermos um orgulhoso, basta observar como ele trata um garçom, o seu subordinado. Ver como ele lida com as perdas, insucessos, inveja (a do orgulhoso me parece maior), com a dor do outro, com o sagrado de quem convive com ele, com os animais. 

A rigidez é outra face do orgulhoso, ele precisa dela para manter seu poder, e essa necessidade de ter poder o faz perder. Não é por acaso que para a Igreja católica o orgulho é um dos sete pecados capitais. E não foi por acaso que Socrátes foi tão perseguido. O resultado de quem entrava em contato com o filosofo é que o indivíduo sentia uma verdadeira sensação de iluminação, de descoberta, de ter dado à luz algo valioso que havia dentro de si mas de que não tinha a mínima consciência. Foi assim que Sócrates conquistou fervorosos discípulos. Mas, se a pessoa entregava-se ao orgulho ferido, tornava-se um inimigo feroz. E esta foi a razão que lhe custou a vida. Acredito que depois desta reflexão você já sabe minha resposta.
Antônio Roberto

29 de out de 2013

O que é a timidez?

O rubor na face - também chamado de "vermelhidão no rosto" ou de "rosto vermelho" -, é um importante sinal de timidez ou fobia social. 

Ele pode estar associado ou não ao rubor das orelhas e do pescoço. 

Seu aparecimento é acompanhado de um sintoma que se caracteriza por sensação súbita de calor na região afetada, sendo um sinal que ganha ainda mais destaque conforme mais clara for a pele da pessoa.

Há duas categorias de causas: psicológicas e fisiológicas. As psicológicas são as próprias causas da timidez ou da fobia social, ou de qualquer outro transtorno psicológico. Em geral, esse sinal aparece quando a pessoa se julga criticada ou avaliada negativamente pelos outros, conhecidos ou não, ainda que o julgamento desfavorável seja apenas imaginado. Pode ocorrer até mesmo em situação de convívio com amigos ou familiares.

Já as causas fisiológicas dizem respeito ao que ocorre na região - rosto e/ou orelhas e/ou pescoço -: uma vasodilatação súbita e intensa aumenta o aporte de sangue para a área sem que haja uma demanda natural para isso. A razão de ocorrer particularmente nessas regiões, reside no fato de que nelas a pele apresenta uma vascularização aumentada em relação à pele da maior parte do organismo. Essas áreas - assim como a planta dos pés, a palma das mãos e os lábios, por serem partes muitos expostas ao frio - são dotadas de maior vascularização.

A timidez pode ser definida como o desconforto e a inibição em situações de interação pessoal, que interferem na realização dos objetivos particulares e profissionais de quem a sofre. Caracteriza-se pela obsessiva preocupação com as atitudes, reações e pensamentos dos outros. A timidez aflora geralmente (mas não exclusivamente) em situações de confronto com a autoridade, interação com pessoas do sexo oposto, contato com estranhos e à fala diante de grupos. A timidez é um padrão de comportamento em que a pessoa não exprime - ou exprime pouco - seus pensamentos e sentimentos, e não interage ativamente. Embora não comprometa de forma significativa a realização pessoal, constitui-se em fator de empobrecimento da qualidade de vida.

Sob esse ponto de vista, a timidez não pode ser considerada um transtorno mental. Aliás, quando em grau moderado, todos os seres humanos são, em algum momento de suas vidas, afetados pela timidez, que funciona como uma espécie de regulador social e inibidor dos excessos condenados pela sociedade.
Ela funciona ainda como um mecanismo de defesa que permite à pessoa avaliar situações novas por meio de uma atitude de cautela e buscar a resposta adequada para a situação.

Dois são os tipos de timidez:


*Timidez situacional*

- A inibição se manifesta em ocasiões específicas e,portanto, o prejuízo é localizado. Por exemplo, a pessoa interage bem com a autoridade e pessoas do sexo oposto, mas sente vergonha de falar em público;

*Timidez crônica*

- A inibição se manifesta em todas as formas de convívio social. A pessoa não consegue fazer amigos e falar com estranhos, intimida-se diante da autoridade e tem medo de falar em público, entre outros fatores.

Philip Zimbardo, da Universidade de Stanford, nos EUA, se refere ainda à outra espécie de tímido: aquele que não teme o relacionamento social, mas simplesmente prefere estar só, sentindo-se mais confortável com suas idéias e com seus objetos inanimados do que com outras pessoas.

Esta seria a pessoa comumente chamada de introvertida, que tem muitos pontos em comum com o tímido e se torna vulnerável a transtornos de ansiedade.

*Evolução da timidez*

Adultos tímidos foram crianças tímidas ou adolescentes tímidos. Já adolescentes tímidos não foram necessariamente crianças tímidas. No entanto, ter um temperamento tímido na infância ou na adolescência não torna inevitável que alguém seja assim por toda a vida.

1. Infância

Algumas crianças nascem com predisposição a serem tímidas, assim como outras têm predisposição para se tornarem hiperativas ou calmas. Mas se uma criança com tal predisposição genética encontrar um ambiente propício para a timidez se desenvolver, isso certamente ocorrerá. Não há, contudo, unanimidade entre os estudiosos sobre quais são as causas da timidez na infância, variando as opiniões de acordo com a corrente doutrinária adotada por cada profissional. Há quem aponte o papel dos pais como decisivo nesse processo, e a timidez certamente se desenvolverá se um ou ambos os pais:

- Forem eles próprios tímidos, pois a percepção depreciada de si mesmo é transferida para o filho;

- Forem muito agressivos, com o filho passando a perceber os outros como potencialmente hostis;

- Submeterem o filho a constantes críticas ou humilhações silenciosas ou públicas, comprometendo assim a auto-estima da criança;

- Criarem problemas familiares que causem vergonha, como o pai beber outer uma vida desregrada, levando a criança ou o jovem a carregar essa vergonha como parte de sua vida. O mesmo problema ocorre com a separação dos pais;

- Tiverem um comportamento frio, já que pais que não exprimem seus sentimentos não ajudam os filhos a desenvolver a percepção de confiança em si próprios. Em suma, a timidez deve ser vista como um traço do temperamento com tudo oque ele implica. Isto é, algo estável presumivelmente herdado, que aparececedo na vida de uma criança e que, provavelmente, determina o posterior desenvolvimento da personalidade, da emotividade e da conduta social.

Mas apesar do peso da hereditariedade, esse traço do temperamento poderá ser atenuado ou reforçado pela conduta dos pais e pelas experiências vividas pela criança na infância.

2. Adolescência

A timidez é mais comum na adolescência e independe do adolescente ter sido tímido na infância. O quadro na adolescência - principalmente nos primeiros anos - pode se mostrar sério, mesmo quando na infância se apresentou leve ou quase imperceptível. O rápido crescimento por que passam os adolescentes pode fazer com que ele crie uma auto-imagem desfavorável de seu corpo, do todo ou de parte dele, mesmo que essa imagem distorcida não corresponda à realidade.

Numa fase da vida em que a aceitação pelo grupo é essencial, essa distorção do corpo gera no jovem a insegurança de não ser bem visto pelos outros e favorece o reforço da timidez. Esse estado de insegurança se alterna, por vezes, com um estado de euforia, quando o jovem faz alguma coisa para mudar a parte do corpo que lhe causa desconforto, como mudar o corte de cabelo ou fazer regime para emagrecer. Esse estado de euforia, no entanto, não costuma durar muito, e logo a insegurança e a timidez se reinstalam. Esse quadro, porém, não costuma perdurar quando o jovem entra na idade adulta, por volta dos vinte anos. A persistir, no entanto, tem tudo para se transformar num quadro realmente grave de transtorno mental.

Evaristo de Carvalho - Psicólogo

12 de abr de 2013

Chega de viver entre o medo e a raiva !

Vassia Alaykova
Chega de viver entre o medo e a raiva !

Se não aprendermos a viver de outro modo, poderemos acabar com a nossa espécie.É preciso começar a trocar carícias, a proporcionar prazer, a fazer com o outro todas as coisas boas que a gente tem vontade de fazer e não faz, porque "não fica bem" mostrar bons sentimentos! No nosso mundo negociante e competitivo, mostrar amor é... um mau negócio. O outro vai aproveitar, explorar, cobrar... Chega de negociar com sentimentos e sensações. Negócio é de coisas e de dinheiro- e pronto!


O pesquisador B. Skinner mostrou por A mais B que só são estáveis os condicionamentos recompensados; aqueles baseado na dor precisam ser reforçados sempre senão desaparecem. Vamos nos reforçar positivamente. É o jeito - o único jeito - de começarmos um novo tipo de convívio social, uma nova estrutura, um mundo melhor. Freud ajudou a atrapalhar mostrando o quanto nós escondemos de ruim; mas é fácil ver que nós escondemos também tudo que é bom em nós, a ternura, o encantamento, o agrado em ver, em acariciar, em cooperar, a gentileza, a alegria, o romantismo, a poesia, sobretudo o brincar - com o outro.


Tudo tem que ser sério, respeitável, comedido - fúnebre, chato, restritivo, contido...Há mais pontos sensíveis em nosso corpo do que as estrelas num céu invernal."Desejo", do latim de-sid-erio, provém da raiz "sid", da língua zenda, significando ESTRELA, como se vê em sideral, relativo às estrelas.Seguir o desejo é seguir a estrela - estar orientado, saber para onde vai, conhecer a direção..."Gente é para brilhar", diz mestre Caetano.Gente é, demonstravelmente, a maior maravilha, o maior playground e a mais complexa máquina neuromecânica do Universo conhecido. Diz o Psicanalista que todos nós sofremos de mania de grandeza, de onipotência. A mim parece que sofremos de mania de pequenez.Qual o homem que se assume em toda a sua grandeza natural? "Quem sou eu primo..."Em vez de admirar, nós invejamos - por não termos coragem de fazer o que a nossa estrela determina. O Medo - eis o inimigo.


O medo, principalmente do outro, que observa atentamente tudo o que fazemos - sempre pronto a criticar, a condenar, a pôr restrições - porque fazemos diferente dele.Só por isso. Nossa diferença diz para ele que sua mesmice não é necessária. Que ele também pode tentar se livre - seguindo sua estrela. Que sua prisão não tem paredes de pedra, nem correntes de ferro. Como a de Branca de Neve, sua prisão é de cristal - invisível. Só existe na sua cabeça. Mas sua cabeça contém - é preciso que se diga - todos os outros que, de dentro dele, o observam, criticam, comentam - às vezes até elogiam!Por que vivemos fazendo isso uns com os outros - vigiando-nos e obrigando-nos - todos contra todos - a ficar bonzinhos dentro das regrinhas do bem-comportado - pequenos, pequenos. Sofremos de megalomania porque no palco social obrigamo-nos a ser, todos, anões.

Ai de quem se sobressai, fazendo de repente o que lhe deu na cabeça. Fogueira para ele! Ou você pensa que a fogueira só existiu na Idade Média?Nós nos obrigamos a ser - todos - pequenos, insignificantes, inaparentes, "normais"- normopatas diz melhor; oligopatas - apesar do grego- melhor ainda. Oligotímicos - sentimentos pequenos - é o ideal...Quem é o iluminado?No seu tempo, é sempre um louco delirante que faz tudo diferente de todos. Ele sofre, principalmente, de um alto senso de dignidade humana - o que o torna insuportável para todos os próximos, que são indignos.


Ele sofre, depois, de uma completa cegueira em relação à "realidade"(convencional), que ele não respeita nem um pouco. Ama desbragadamente - o sem vergonha. Comporta-se como se as pessoas merecessem confiança, como se todos fossem bons, como se toda criatura fosse amável, linda, admirável. Assim ele vai deixando um rastro de luz por onde quer que passe.Porque se encanta, porque se apaixona, porque abraça com calor e com amor, porque sorri e é feliz.Como pode, esse louco? Como pode estar - e viver! - sempre tão fora da realidade - que é sombria, ameaçadora; como ignorar que os outros - sempre os outros - são desconfiados, desonestos, mesquinhos, exploradores, prepotentes, fingidos, traiçoeiros, hipócritas...Ah! Os outros...(Fossem todos como eu, tão bem-comportados, tão educados, tão finos de sentimentos...) 

O que não se compreende é como há tanta maldade num mundo feito somente de gente que se considera tão boa. Deveras, não se compreende.Menos ainda se compreende que de tantas famílias perfeitas - a família de cada um é sempre ótima - acabe acontecendo um mundo tão infernalmente péssimo.Ah! Os outros... Se eles não fossem tão maus - como seria bom...Proponho um tema para meditação profunda; é a lição mais fundamental de toda a Psicologia Dinâmica: Só sabemos fazer o que foi feito conosco. Só conseguimos tratar bem os demais se fomos bem tratados.


Só sabemos nos tratar bem se fomos bem tratados.Se só fomos ignorados, só sabemos ignorar.Se só fomos odiados, só sabemos odiar.Se fomos maltratados, só sabemos maltratar.Não há como fugir desta engrenagem de aço: ninguém é feliz sozinho. Ou o mundo melhora para todos ou ele acaba. Amar o próximo não é mais idealismo "místico"de alguns. Ou aprendemos a nos acariciar ou liquidaremos com a nossa espécie. Ou aprendemos a nos tratar bem - a nos acariciar - ou nos destruiremos.Carícias - a própria palavra é bonita.Carícias ... Olhar de encantamento descobrindo a divindade do outro - meu espelho! Carícias... Envolvência ( quem não se envolve não se desenvolve...), ondulações, admiração, felicidade, alegria em nós - eu e os outros. Energia poderosa na ação comum, na co-operação.


Na co-munhão. Só a União faz a força - sinto muito, mas as verdades banais de todos os tempos são verdadeiras - e seria bom se a gente tentasse FAZER o que essas verdades nos sugerem, em vez de críticos e céticos e pessimistas, encolhermos os ombros e deixarmos que a espécie continue, cega, caminhando em velocidade uniformemente acelerada para o Buraco Negro da aniquilação. Nunca se pôde dizer, como hoje: ou nos salvamos - todos juntos - o nos danamos - todos juntos.
José Ângelo Gaiarsa

17 de fev de 2013

A felicidade

Pablo Picasso
A felicidade não é um presente divino, mas sim uma conquista diária, que tem solidez quando realizada sobre pilares resistentes. É como uma casa que primeiro você deseja (um sonho), depois projeta (um plano) e, finalmente, constrói (uma ação). Quando alguém pensa que ganhou a felicidade de presente, logo vem um pesadelo.
Como naquele homem que encontra uma mulher adorável e imagina que ela vai resolver todos os seus problemas, e mais tarde percebe que precisa evoluir muito para merecer estar com essa pessoa especial. Como o indivíduo que se forma em Direito e pensa que agora está tudo resolvido, mas depois descobre que o título é somente o início de uma série de processos a ser enfrentada. Ou aquela pessoa que monta sua própria empresa, um sonho há muito acalentado, e percebe em seguida que existe um mundo de atividades novas que ela vai ter de desempenhar.

As pessoas verdadeiramente felizes construíram suas vidas sobre bases sólidas. Feita de um mesmo concreto. É preciso observá-las e aprender com elas.
Ao final, podemos notar que os fundamentos de suas conquistas são:
competência, reciprocidade, ação e sentido.

1- Competência
Tudo o que uma pessoa faz bem é resultado do desenvolvimento de sua competência. Se você quiser ser um bom pai, vai ter de expandir sua competência. Se quiser ser um empresário, também. Quando a pessoa pensa que a habilidade vem pronta, a frustração vai estar por perto. A competência, por sua vez, é associada a três habilidades: estudo, treino e continuidade. O estudo é fundamental para que você não gaste tempo inventando a roda ou repetindo os erros dos outros. Muitos freqüentadores de minhas palestras me perguntam porque não conseguem estudar. Eu sempre digo: "Você não consegue porque, no fundo, é orgulhoso. Não acha quem possa lhe ensinar o que não saiba". As pessoas felizes têm a humildade de aprender com os outros, evitando os erros que eles já cometeram. Tudo na vida é resultado de treino. Só adquirimos a competência assim. Se você é um grande cirurgião, você treinou arduamente para isso. Mas, cuidado, esse processo não se resume apenas às coisas positivas; as negativas também estão incluídas. Os hipocondríacos, por exemplo, dedicam a vida inteira à procura de sintomas desagradáveis em seu corpo até que se tornam experts. Vivem lendo bulas de remédio e tudo o mais que aparecer a respeito de doenças. Eles também conversam e pensam sobre enfermidades o tempo todo. Quando eu era menino, assistia aos treinos do time do Santos. Ficava espantado ao ver o Pelé treinando mais tempo que os outros e pensava: "Para quê, se ele já é o melhor do mundo?" Tempos depois, eu descobri que ele era o melhor do mundo porque treinava mais que os outros. A competência também requer continuidade. Não adianta ser bom apenas por um dia. Tem de ser sempre. Não adianta começar milhares de cursos, é preciso completá-los. Não adianta atender maravilhosamente bem um cliente e ser desatento com os outros. Não adianta um único diálogo sensacional com o filho e distanciamento o resto do ano. Quem consegue ser bom todos os dias depois de um tempo fica ótimo. Muitos processos de educação não dão resultados por falta decontinuidade. As pessoas competentes concluem a trajetória a que se propuseram cumprir.

2- Reciprocidade

Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você, mas principalmente faça aos outros o que gostaria que fizessem com você. O verdadeiro campeão tem muito prazer em proporcionar crescimento para todos. Ele tem em mente que pode realizar seus sonhos desde que ajude o maior número de pessoas a realizar o dele. Os campeões conseguem ver além de seus interesses pessoais. Ele sabrem espaço para as pessoas a sua volta evoluírem e oferecem
oportunidades para isso. Se você tem um restaurante e não dá chance de seu maître crescer, ele acaba montando um restaurante emfrente ao seu. Tenha prazer em criar a felicidade para todos o que convivem com você: seu cônjuge, seus filhos ou seus clientes. Quando você quiser agradá-los, imagine algo que eles gostariam muito de fazer e surpreenda-os. Abra um champanhe para sua esposa no meio da noite. Compre um ingresso especial para aquele show de heavy metal que seu filho tanto quer ver. Tome a iniciativa de fazê-los felizes e a vida ficará mais gostosa.

3- Ação
Antigamente querer era poder. As pessoas que desejavam muito uma coisa conseguiam dar saltos em suas vidas. Hoje é preciso entender que o mundo mudou: fazer é poder. As pessoas de sucesso são aquelas que implantam o que desejam. São as que se propõe a um projeto e o realizam, prometem pedir desculpas a alguém e pedem, planejam construir um novo relacionamento com os filhos e fazem isso. Não adie as ações importantes de sua vida. Faça hoje. Faça agora. Aquele abraço de reconciliação. Aquele pedido de desculpas para o colega de trabalho. Aquela declaração de amor que vem adiando. A maior parte das pessoas sabe o que tem de fazer e fica esperando o dia ideal, que nunca chega, e a vida passa. Como disse John Lennon: "Vida é aquilo que acontece enquanto você faz planos". Por isso sonhe e faça planos, mas principalmente saia para a ação.

4- Sentido
As grandes vitórias são criadas por quem vê significado em suas lutas. O sentido maior é a força matriz para superar as dificuldades do dia-a-dia. Quem cumpre o simples ato de pegar o carro e ir para o trabalho como um gesto vazio não olha para além do cotidiano. Se você sabe porque está fazendo o que tem de fazer, será um vencedor. Para que as dificuldades tornem-se menores, a disposição deve ser maior e o brilho nos olhos deve estar presente. Os resultados aparecem como conseqüência natural de uma jornada que vem se cumprindo, e não como pagamento por uma estratégia de carreira bem montada, mas vazia de significados. Quem faz essa opção consegue até ter uma carreira aparentemente brilhante, mas não pode se perguntar "para quê?", pois provavelmente, não verá sentido naquilo que faz. Nesse caso, poderá desistir de tudo para recomeçar certo, promovendo grandes e radicais mudanças, ou poderá conviver com o risco do estresse, da depressão e da infelicidade. Não deixe para ser feliz no futuro. A felicidade é construída todos os dias, nos pequenos detalhes, nos encontros e nas reflexões. Eu acredito na felicidade e sei que Deus diz sim para aquilo em que acreditamos. Se sua vida não está do modo como você gostaria, dê um jeito de transformá-la. É o maior presente que pode dar a si mesmo.
Roberto Shinyashiki

17 de jan de 2013

Para adquirir autoconhecimento é preciso fazer a pergunta certa


Você já ouviu a opinião de muitos autores a respeito da importância de seguir o seu coração.

Eles têm razão: um caminho que não fale ao seu coração não alimentará a sua alma; e uma pessoa sem alma é um ser perdido no oceano da vida.

A exploração do nosso mundo interior ajuda a nos conhecer melhor e, portanto, a construir uma vida que tenha sentido. Fico muito triste quando converso com pessoas ricas e importantes que me confessam, quase chorando: é horrível ver que batalhei e consegui tantas coisas que queria, mas não sou feliz.

O meu sacrifício não me deu felicidade. É importante escutar a nós mesmos o tempo todo, para saber se estamos realizando objetivos que nascem do nosso coração.
Só assim teremos certeza de que, no final da vida, não iremos nos martirizar com o arrependimento.
— Mas, Roberto, como conhecer a minha alma?
Como escutar o meu coração?
Bem, a primeira dica é: faça a pergunta certa. Quando você faz a pergunta errada, o seu coração vai para muito longe.

Quer um exemplo de pergunta errada? Suponha que o seu chefe foi duro com você e apontou vários problemas de desempenho no seu trabalho. Se você perguntar a si mesmo: “Por que meu chefe está me sacaneando?”, não vai encontrar uma resposta que lhe ajude a crescer. Sentir-se vítima do seu chefe, em vez de analisar o próprio trabalho, vai deixar você distante da resposta que lhe interessa.

Nesse momento o melhor é olhar para dentro de si, verificar em quais pontos o seu chefe tem razão, analisar suas atitudes e tentar melhorar o seu desempenho.Seu namorado terminou o relacionamento com você. Em vez de perguntar por que ele a sacaneou, seria mais interessante entrar em sintonia com os próprios sentimentos. Se a tristeza aparecer, o melhor é chorar em paz, e só depois analisar seu comportamento.

Talvez você se dê conta de que estava sendo muito crítica com seu namorado e, a partir daí, aprenda a admirar mais a pessoa que você ama, percebendo com isso o que pode melhorar em sua maneira de demonstrar amor.

Veja alguns exemplos de perguntas certasSe você fizer as perguntas certas, conseguirá aprender muito sobre si mesmo.

Faça suas perguntas, mesmo que elas fiquem muito tempo sem resposta:
• O que é essencial para você?
• Qual é a sua meta profissional?
• Como gostaria de estar daqui a dez anos?
• O que você precisa fazer para realizar seus projetos?
• A sua vida está do melhor jeito que poderia estar neste momento?

A capacidade de explorar nosso mundo interior nos ajuda a tomar melhores decisões e a evitar problemas decorrentes da nossa maneira de ser. Quando tinha aproximadamente 20 anos eu era o rei das decisões impulsivas. Decidia comprar alguma coisa sem pensar e alguns dias depois tomava consciência de que tinha feito besteira. Depois de algum tempo decidindo errado, prometi a mim mesmo que sempre me daria um prazo de uma semana para pensar antes de comprar qualquer coisa mais cara.

Isso evitou que eu fizesse muitas bobagens. Conhecer-se melhor pode ajudá-lo a tomar decisões que lhe façam realmente crescer. Certa vez um deputado que gostava muito do meu trabalho telefonou-me e convidou-me a assumir um cargo de diretor de um importante hospital público. Consegui pedir a ele um prazo de um dia antes de lhe dar a resposta, o que foi um grande sacrifício, pois a minha vontade era dizer sim na hora.

Fiquei pensando sobre o assunto e me dei conta de que aceitar o convite para cuidar de um hospital não tinha o menor sentido, considerando a minha vocação de psiquiatra. O que eu gostava mesmo era de escutar as pessoas e ajudá-las a se realizar. Foi um alívio quando, no dia seguinte, liguei para dizer “não, obrigado!”. Minha alma celebrou a minha decisão. Algumas vezes, sua rota precisa ser reajustada e você só descobrirá isso se souber conversar consigo mesmo. Ficar em silêncio ajuda muito a escutar a voz da sua alma.

Sabe quando rastreamos todos os arquivos e pastas do computador em busca de alguns vírus que possam ter invadido o sistema? Sabe quando navegamos pela internet e mantemos o antivírus acionado para impedir a entrada de elementos suspeitos? Na vida real, o autoconhecimento é nosso melhor antivírus. Para que você não perca todos os seus documentos nem tenha de configurar novamente sua máquina, pergunte-se sempre o que realmente importa em cada momento de sua vida.
Roberto Shinyashiki

8 de jan de 2013

Mania de Perfeição


Klimt
Se você sempre acha que nada do que faz está bom o bastante, saiba que tanta autocrítica pode acabar com o seu bem-estar


Detalhes tão pequenos, como diz a famosa canção, são coisas muito grandes para quem faz questão de tudo perfeito. É o seu caso?

Se a resposta é sim, em vez de esperados elogios, você merece um bom puxão de orelha.

É que a auto-exigência exacerbada gera tamanha tensão que, mais cedo ou mais tarde, o feitiço vira contra o feiticeiro: em vez da superação, vem a paralisia, provocada, pura e simplesmente, pelo receio de falhar.

“Os perfeccionistas inveterados têm uma idéia irreal do que seja um desempenho aceitável e por isso vivem insatisfeitos”, analisa o psicólogo canadense Gordon Flett, da Universidade York, especialista no assunto. As conseqüências podem ser desastrosas.


Essas pessoas protelam as tarefas, refazem-nas inúmeras vezes e difi cilmente conseguem concluí-las dentro do prazo. As relações pessoais também são prejudicadas. Cá para nós, é difícil lidar com gente que demora horas para tomar uma decisão, que não pode ver um objeto 1 milímetro que seja fora do lugar ou que é obcecada por minúcias sem a menor importância. E aí os confl itos são inevitáveis.

Ninguém sabe direito como surge o problema, mas especula-se que a raiz dele esteja tanto na genética como no ambiente familiar. Pode-se nascer predisposto à mania de perfeição, mas as expectativas paternas muitas vezes são o gatilho do perfeccionismo que vai se manifestar na vida adulta. Todos nós conhecemos casos de pais que projetam nos fi lhos o que eles próprios não puderam realizar.

E aí aquela meta não atingida de concluir o curso superior, por exemplo, leva à exigência de que a criança seja a primeira da classe. “A tendência é que, anos mais tarde, essas pessoas tenham difi culdade de adaptação, sejam pouco fl exíveis e fujam de desafi os por medo de fracassar”, avisa a psicóloga Mariângela Savoia, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. O que fazer? “Aprenda a respeitar as limitações e as escolhas individuais”, responde o pesquisador belga Bart Soenens, com a autoridade de quem estudou o assunto. Mas essa lição, para um legítimo perfeccionista, não é nada fácil.

É bem provável que aqueles que teimam em buscar a perfeição não se dêem conta de que esse ideal é inatingível. “Neles, a persistência gera frustração, seguida de uma sensação de desamparo”, conclui Marilza Mestre. A auto-estima, lógico, é afetada. Pudera: o perfeccionista supervaloriza seus mínimos erros. E, por temer a reprovação alheia, esconde suas falhas, até mesmo as menores. “Com essa atitude, ele fica sem saber o que outras pessoas diriam a respeito de seus deslizes. Se soubesse, perceberia que não são tão graves quanto imagina”, lamenta o psicólogo Randy Frost, da Smith College, nos Estados Unidos, que pesquisou durante 20 anos os efeitos do perfeccionismo.

Não há consenso sobre até que ponto querer tudo perfeito é um traço de personalidade e a partir de quando isso passa a ser algo patológico. “Às vezes, o perfeccionista percebe que seu comportamento está se tornando um problema, mas, geralmente, são a família e os amigos que o convencem a procurar ajuda”, diz Mariângela Savoia. O assunto começa a ficar sério quando afeta a vida pessoal e a carreira. Em casos extremos, pode levar a um belo prejuízo físico e emocional.

ALÉM DAS PRÓPRIAS FORÇAS
Um exemplo típico é o que normalmente ocorre com os atletas de elite. Sob forte pressão externa e com foco total na vitória, eles exageram no treinamento, desrespeitando os limites do corpo. “Em busca de resultados cada vez melhores, investem em uma performance de alto padrão sem pensar no restante”, diz Gordon Flett. O final da história quase sempre é uma lesão capaz de afastá-los do esporte, às vezes definitivamente.

O pior dos mundos para quem busca eternamente a superação é atravessar o campo do saudável e invadir a alçada da psiquiatria. E aí, para chegar a distúrbios sérios, como o transtorno obsessivo-compulsivo, a distância é curta. “O perfeccionismo tem características semelhantes às do TOC, como a preocupação excessiva com a simetria e com a ordem”, compara o psiquiatra Marcos Mercadante, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. Em outras palavras, quem tem mania de perfeição está um degrau acima dos outros na escalada rumo à doença.

Também é possível estabelecer uma relação entre esse comportamento e o transtorno de ansiedade generalizada. Na maioria das vezes, o perfeccionista deixa a razão de lado e reage de modo cem por cento emocional diante de uma opinião negativa. “O receio antecipado do comentário alheio traz sofrimento e pode deflagrar a ansiedade. Ao mesmo tempo, o coquetel de autocrítica excessiva, baixa auto-estima e medo constante de errar costuma desencadear a depressão”, de acordo com Mariângela Savoia. “Como não consegue atingir o padrão de excelência que tanto almeja, a pessoa se sente desanimada e chega a duvidar de sua própria capacidade”, completa.

Os riscos de outras doenças conectadas ao desejo de perfeição não param por aí. “Há ainda o transtorno disforme, em que o paciente se incomoda muito com um detalhe do corpo que passa despercebido para outras pessoas”, explica Mercadante. Sem contar a predisposição para as compulsões alimentares, também relacionadas à obsessão com a imagem, e que geram altas doses de culpa provocada pela típica comilança desenfreada. Marilza Mestre lembra que às vezes o grau de exigência pode chegar a tal ponto que a pessoa simplesmente abandona uma atividade ou evita realizá-la. É o caso da fobia social, em que, por exemplo, uma professora deixa para sempre a sala de aula ou um candidato a motorista nunca mais volta à auto-escola. Tudo pelo medo de errar.

UM DRIBLE NA OBSESSÃO›› Observe se a sua mania de perfeição está incomodando as pessoas com as quais você convive pessoal e profi ssionalmente. ›› Durante qualquer atividade, tente focar na qualidade da sua produção, e não na opinião alheia. ›› No trabalho, aprenda a discernir a cobrança que faz sentido daquela que não tem a menor importância. ›› Ao cometer erros, não os esconda de ninguém. Um feedback de colegas e amigos pode ajudá-lo a lidar com as falhas. ›› Seja mais fl exível e lembre-se de que é impossível agradar a todo mundo. ›› Se o perfeccionismo estiver prejudicando a sua vida, é o caso de procurar ajuda especializada.

VÁLVULA DE ESCAPE
Quando a autocrítica do perfeccionista extrapola o bom senso, é o corpo que sofre. “Em situações extremas, que culminam em doenças como transtorno obsessivo-compulsivo, é preciso lançar mão de antidepressivos para tratar os sintomas”, afi rma Mercadante. Mas, segundo ele, o que costuma ser realmente efi caz é a terapia cognitivo-comportamental, que consiste em expor o paciente, de forma gradual, às situações que o afl igem, para ajudá-lo a livrar-se de vícios de comportamento e a refl etir sobre o distúrbio.

DETALHISMO NA CABEÇAComo funciona o cérebro de quem dá muita impor tância aos detalhes? Isso ainda é um mistério. Porém, na opinião do psiquiatra Marcos Mercadante, o mecanismo é semelhante ao do transtor no obsessivo-compulsivo, o TOC, em que há alterações nos neurotransmissores dopamina e serotonina. Essas substâncias, responsáveis pela sensação de bem-estar, têm a ver com as emoções, que se manifestam no sistema límbico.

MOTIVO DE ORGULHOExageros à parte, a preocupação em fazer tudo muitíssimo bem-feito tem lá suas vantagens. Afi nal, não foi por acaso que as características psicológicas por trás do perfeccionismo resistiram a milhares de anos de evolução. “O homem primitivo precisava prestar atenção nas mínimas alterações do meio em que vivia, porque elas acusavam a presença de predadores”, exemplifica o psiquiatra Marcos Mercadante. “Já na Idade Média, a busca pela perfeição resultou em uma preciosa produção artística”, completa. O aprimoramento, afi nal de contas, é essencial em áreas que exigem exatidão, como a medicina, a arquitetura e a arte. Portanto, como tudo na vida, a busca da perfeição não é de todo ruim.
Revista Saúde

31 de dez de 2012

A importância de relacionamentos sadios


A razão número um de fracassos e muita infelicidade - tanto na família como no trabalho - acontece em decorrência da inabilidade em se dar bem com outras pessoas.

Segundo um estudo recente, mais de 95% de homens e mulheres perderam seu trabalho num período de dez anos - foram despedidos -, não porque não tivessem competência para exercer suas funções, mas por sua inabilidade em se dar bem com outras pessoas.

Qual a importância dos seus relacionamentos? 

Segundo a pesquisadora doutora Lisa Berkman, da Harvard School of Public Health, isso é uma questão de vida ou morte. Essa pesquisadora liderou um estudo na vida de sete indivíduos, no condado de Alameda, Califórnia, por um período de nove anos.

Foi indagado a essas pessoas se elas eram casadas ou viviam sós; que tipo de contato tinham com amigos e parentes, e se pertenciam a uma igreja ou a alguma organização religiosa. Ao avaliar o risco de morte do grupo, "as pessoas mais isoladas foram encontradas com três vezes mais possibilidades de morrer dentro de um período de três anos do que aquelas que mantinham um forte laço social eafetivo". 

Qual a lição que podemos aprender?

A simples e poderosa lição é a de que Deus não nos criou para que permanecêssemos isolados, mas para que compartilhássemos a vida em seus momentos de dor ou de alegria, de pranto ou de sorriso. Há saúde, vida e sucesso previsíveis na construção de relacionamentos saudáveis.
Nélio da Silva

26 de dez de 2012

A Alma do Mundo

Quando você conseguir superar problemas graves não se detenha na lembrança dos momentos difíceis, mas na alegria de haver atravessado mais essa prova em sua vida.

Quando sair de um longo tratamento de saúde, não pense no sofrimento que foi necessário enfrentar, mas na benção de Deus que permitiu a cura.

Leve na sua memória, para o resto da vida, as coisas boas que surgiram nas dificuldades. Elas serão uma prova de sua capacidade e lhe darão confiança diante de qualquer obstáculo.

Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego.
Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição.
Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver.
Uns queriam pais mais esclarecidos; outros, ter pais.

Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar.
Uns queriam ter voz bonita; outros, falar.
Uns queriam silêncio; outros, ouvir.
Uns queriam sapato novo; outros, ter pés.

Uns queriam um carro; outros, andar.
Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.
Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior.

A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe e a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.
Tenha a sabedoria superior. Seja um eterno aprendiz na escola da vida.

A sabedoria superior tolera, a inferior julga;
a superior alivia, a inferior culpa;
a superior perdoa, a inferior condena.
Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!
Chico Xavier

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...