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28 de jan de 2015

Morar junto é uma ilusão


Na primeira cena, ela está colada à tela, enredada em ideias para um novo projeto. Ele enxerga um corpo e supõe que ela está à disposição. Chama, pergunta, mas não é a esposa ali. Ela fala qualquer coisa para se desvencilhar das interrupções e voltar ao trabalho. Depois a reclamação: "Você me ignora, não me ouve, é grossa". Ela poderia responder: "É você que inicia diálogos de uma posição ruim, sem antes ver onde estou".

Na segunda cena, ele está lavando louça ou se vestindo, ela está em outro cômodo. Por comodidade (notem o radical em comum), em vez de andar até ela para uma conversa com 100% de atenção, ele quase grita: "Meu pai está mal. Vamos lá amanhã?". Ela responde como dá, ele não cessa a conversa, eem minutos entram em um tema espinhoso, que exigiria um contato olho no olho. Sem querer, ele solta uma ofensa e a situação deságua em sofrimento. Brigam por distração - somada à, digamos, falta de infraestrutura para um diálogo. Ele poderia se desculpar assim: "Falei aquilo porque estava fazendo outra coisa, foi um gesto emocional, por favor desconsidere o conteúdo".

Na terceira e última cena, ela está lendo A Soma de Tudo (Sum, do neurocientista David Eagleman), com corpo e mente imaginando experiências possíveis após a morte. Ela não está avoada ou longe; ela está presente em um lugar sutil. Tanto é que se ele chegasse com uma boa pergunta ("O que está visualizando aí em seu mundo?"), ela falaria por horas. Mas ele vem com tudo e mostra o celular: "Pira nesse vídeo!". O modo como nos aproximamos de alguém escancara onde está nossa mente. Se estamos autocentrados, chegamos afobados, igual faz uma criança, querendo sempre a preferencial no trânsito das urgências, como se todos fossem personagens de um mesmo filme: o nosso. Se não estamos autocentrados, vemos um outro mundo (não metros, mas quilômetros à frente), nos aproximamos com interesse e com a liberdade de interromper ou de deixar para depois. Um dos atos mais cruéis é roubar o tempo, a atenção, a energia das pessoas elevá-las a desperdiçar parte da vida com frivolidades. É um roubo como qualquer outro.

Triste: quanto maior a intimidade, mais tomamos a proximidade como estabelecida, menos nos aproximamos de verdade. Casar ou morar junto não significa habitar o mesmo mundo do outro - e que bom que seja assim. Ainda que estejamos sob o mesmo teto, ou justamente por isso, precisamos sempre bater na porta. E esperar que ela se abra.

Gustavo Gitti

6 de jan de 2015

A delicadeza dos dias

“Mãe, sabia que, quando a gente cresce, pode voltar a brincar com os brinquedos de criança?”, anunciou minha afilhada Catarina, três anos e oito meses. E seguiu, em sua primeira declaração de Ano-Novo. “A gente precisa dos brinquedos pra ir na faculdade. Eu vou ser escrevista." Escrevista?, pontuou a mãe, interrogativa. "Escrevista, mãe. Aquela pessoa que escreve pra ler."


Catarina é assim. Cercada de princesas, porque ela também é uma princesista praticante, ela às vezes silencia os adultos ao redor, arrancando-nos da repetição neurótica dos dias. É visível que sente compaixão por nós, a ponto de, neste Natal, ter fingido acreditar no Papai Noel para não nos decepcionar. Fizemos coisas ridículas, na falta de chaminés o Papai Noel teria descido por uma janela pela qual não passaria um duende com anorexia, e ela deixou passar. Mas, juro, seus olhos eram tão céticos quanto os de Humphrey Bogart em Casablanca.

Dias antes ela já havia simulado crer numa carta que o velho teria lhe escrito de próprio punho, na qual, por uma incrível coincidência, lhe dava conselhos iguaizinhos aos que a mãe lhe dá todo dia. Catarina mal continha o riso quando lhe perguntei sobre a carta. Mas fingiu acreditar, por amor. Mentiras sinceras já lhe interessam.

Passou a virada do ano vestida de Alice, a do País das Maravilhas. Percebo que, para ela, somos todos o coelho branco. “Ai, ai, meu Deus, alô, adeus, é tarde, tarde é tarde. Não, não, não, eu tenho pressa, pressa....” De tanto nos observar, percebeu que precisamos muito de nossos brinquedos na vida adulta. E nos autorizou. Por isso nos mandou brincar.

Há quem se engane e pense que as crianças falam “errado” por não conhecerem ainda as palavras “certas”. Não. Elas chegam às palavras exatas e depois nós as encaixotamos com a uniformidade do dicionário, “corrigindo-as”. Alguém pode se confundir e achar que Catarina queria dizer “escritora” e não “escrevista”, como disse. Nada. Escrevista era a palavra exata. Aquela pessoa que escreve não para ser lida, mas para ler, como Catarina mesmo esclareceu. Ler a si mesma. Uma vista de si.

E Catarina já é uma escrevista. O que pode ocorrer é que, na faculdade, talvez ela deixe de ser. Mas apenas se esquecer de levar seus brinquedos. Espero estar viva para lembrá-la.

Catarina já se conta, passa os dias se contando, em longas narrativas. Ela sabe o que Fernandes, o personagem do filme indiano “Lunchbox”, de Ritesh Batra, descobriu quando já começava a envelhecer: “Acho que esquecemos das coisas se não tivermos a quem contá-las”. Um dia, por engano, Fernandes recebeu no seu escritório uma marmita que não era para ele, mas era para ele: “O trem errado às vezes leva ao destino certo”. A partir desse desacerto tão acertado, iniciou-se uma correspondência entre a mulher que cozinha e o homem que come. Fernandes, que se limitava a repetir os dias, passou a enxergar os dias quando começou a escrever para ela. A cor, o cheiro, o sabor da comida onde ela escondia as palavras despertaram seus sentidos, até então embrutecidos pela repetição. Ele era um contador – um contador de números que não contava os sentimentos. Nem contava, não era importante, para ninguém. Ao se contar, finalmente contou, em mais de um sentido. Contou para ela, contou para si mesmo.

Há um momento nesse filme tão bonito em que Fernandes pela primeira vez se detém para observar os quadros de um pintor de rua pelo qual passa todo dia sem parar. O pintor pinta sempre a mesma paisagem. Mas, se olhar bem de perto, Fernandes descobre, não é a mesma paisagem. Como o dia dele, que só parece ser o mesmo. Ou só é o mesmo se ele não for capaz de enxergar a delicadeza, as infinitas pequenas mudanças, a eterna novidade do mundo de que falava Fernando Pessoa, aquele que precisou de pelo menos três heterônimos para dar conta de si.

De repente, Fernandes descobre-se numa das telas. Sem o véu enganador da rotina, que até então o cobria, consegue se reconhecer na paisagem. Ele agora é um homem que está. Decide pegar um riquixá para revisitar as paisagens da sua vida, ver os lugares que via sem ver, agora vendo. Ao final desse percurso, ele é outro. Um outro que, agora descoberto, terá de se descobrir novamente em cada dia seguinte.

Foi o Papai Noel da Catarina quem me deu esse filme no Natal. E eu acreditei nesse Papai Noel. Ou fingi acreditar, por compaixão de mim. Me lembrou de um outro filme, mais antigo, “Cortina de Fumaça”, dirigido por Wayne Wang e Paul Auster. Nele, Auggie Wren, dono de uma tabacaria, há anos tira todo dia, às oito da manhã, uma fotografia da mesma esquina do Brooklin, em Nova York. Ele mostra esse álbum com 4 mil fotografias a um de seus fregueses, Paul Benjamin, que depois de virar algumas páginas diz: “São todas iguais”. Auggie responde: “Sim, 4 mil dias comuns”. Paul ainda está confuso, um pouco condescendente. Ele é um escritor de romances diante do dono de uma tabacaria: “Acho que ainda não entendi direito...”. Auggie tenta lhe explicar: “É a minha esquina, nessa pequena parte do mundo também acontecem coisas”. E vai colocando mais um álbum diante de Paul, que folheia entediado e cada vez mais rapidamente. Auggie adverte: “Você não vai entender se não folhear mais devagar, amigo”.

Ele sabe que, se olhar bem, Paul vai reconhecer a esquina. O homem diante dele é um escritor, mas Auggie, como Catarina, é um escrevista. Então, Paul finalmente descobre. Ele vê Ellen, a mulher que amou e que morreu, numa das fotos. Ela está lá, na mesma esquina que agora já não poderia ser a mesma. Ao ver a foto, Paul reencontra a si mesmo num outro tempo, porque, quando perdemos alguém que amamos, nosso luto também se dá por aquele que éramos com aquela pessoa. E que, sem ela, já não podemos ser. Um luto pelo outro é sempre também um luto de si. E lá ficou Paul, em lágrimas, diante da esquina que finalmente enxergou, com saudades dela e dele com ela. O álbum, agora, já não tinha a mesma foto repetida centenas de vezes, mas centenas de fotos de esquinas diferentes.

Temos vivido nesse mundo de acontecimentos, de espasmo em espasmo. Estamos intoxicados por acontecimentos, entupidos de imagens. Há sempre algo acontecendo com muitos pontos de exclamação – ou fingindo acontecer para que de fato nada aconteça. E há a nossa reação nas redes sociais – às vezes uma ilusão de ação. E nas viradas de ano há ainda as resoluções, que também pressupõem uma ação.

Mas o que é preciso para, de fato, se mover? Penso que, para que exista uma mudança real de posição e de lugar, é preciso perceber o pequeno, o quase invisível de nossa realidade externa e interna. É pelos detalhes que enxergamos a trama maior, é na soma das sutilezas que a vida se desenrola, são as subjetividades que determinam um destino. É preciso desacontecer um pouco para ser capaz de alcançar a delicadeza dos dias.

Nesse tempo em que ninguém tem tempo para ter tempo, a delicadeza de uma vida parece ter sido relegada à ficção. É no cinema e na literatura que nos enternecemos e derrubamos nossas lágrimas ao testemunhar as sutilezas que esquecemos de enxergar ou não somos capazes de enxergar nos nossos dias de autômatos. Os personagens da ficção têm mais carne que nós, precisamos deles para nos lembrar de quem somos. Os robôs já estão aí, temos agora de reinventar os humanos.

O exemplo extremo talvez seja o dos pais que se esquecem dos filhos trancados no carro, bebês que acabam morrendo por asfixia ou por insolação no banco de trás. Já foi dito que esse fenômeno seria uma marca do autocentrismo ou do narcisismo que assinalaria a paternidade desse momento histórico. O filho como uma desimportância, um atrapalho, no máximo um troféu da potência do pai. Minha hipótese é outra.

Acho que esses pais estão automatizados, como estamos todos. Tão incapazes de enxergar as diferenças de dias que parecem iguais, que acabam deixando de ver algo tão grande quanto a presença de um bebê no banco de trás. Não é que se esqueçam dos filhos, porque para esquecer, assim como para lembrar, é preciso estar presente. Presos no pesadelo de estarem vivendo sempre o mesmo dia, esses pais estão ausentes de si, numa espécie de transe mortífero. São despertados para a vida pela morte do filho.

O título do comovente filme do brasileiro Caetano Gotardo é expressivo: “O que se move”. Ele contas três histórias baseadas em notícias de jornais. Numa delas, alcançamos os detalhes e os acasos de um pai que, no primeiro dia de férias da mãe, carrega o filho no banco de trás do carro. Com o balanço, o bebê acaba dormindo, e o pai o “esquece”. Ele passa a manhã no trabalho sentindo-se perturbado, doente, mas não consegue identificar o que está errado. É de novo no cinema, muito mais do que nas notícias, que conseguimos enxergar esses pais na delicadeza monstruosa da tragédia.

Em algum momento esquecemos do que sabe Catarina, paramos de nos contar. Alguém pode argumentar que nunca tantos falaram sobre si e se registraram em selfies em todas as situações. Mas o que o selfieconta? Penso que há algo no selfie para além da crítica que em geral lhe fazem, a de ser um mero registro do autocentrismo ou do narcisismo dessa época. O mesmo vale para muitos Tweets e posts no Facebook. Há qualquer coisa de pungente no selfie, uma expressão de nosso desespero por tentar provar que existimos, já que não conseguimos nos sentir existindo. Melhor ainda se for um autorregistro com alguém famoso, detentor de um certificado de existência validado pela mídia, que então seria estendido ao seu autor. Nesse sentido, o selfie não me exaspera, mas me emociona. Cada selfie é também a imagem de nossa ausência.

O contar de que fala Catarina, a escrevista, é outro. É por esse contar que sugiro que façamos não uma lista de resoluções de Ano-Novo, mas uma lista de delicadezas que estiveram presentes em 2014, mas que não vimos e não reconhecemos por termos nos tornado seres condenados à repetição.

Esse mundo que criamos nos brutaliza de tantas formas ao nos reduzir a consumidores, e também a consumidores de acontecimentos. Diante da brutalidade das horas, a delicadeza é um ato de insubordinação e um ato de resistência. Em 2015, desejo a todos um reencontro com a delicada trama dos dias. E, não esqueçam, levem seus brinquedos.
Eliane Brum


Manga madura versus likes no Instagram


Em 2011, ganhei uma bolsa para passar três meses na Índia. Eu estava trabalhando no rascunho de um livro e precisava de tempo para me dedicar exclusivamente a isso. Fui parar na Fundação Sanskriti, um lugar incrível, em Nova Déli, onde funcionam três museus e dez estúdios de artistas.
Logo que cheguei, recebi um pendrive de acesso à internet e estava feliz da vida por ter conexão ilimitada. Até que apareci para o primeiro almoço coletivo e descobri que não pegava muito bem essa história de se conectar à internet. Afinal, pensavam meus companheiros de residência, estávamos na Índia e, ali, a pessoa deve querer se desligar do mundo.

Diante disso, tive uma pequena crise e me perguntei se estava contaminando uma oportunidade de experiência autêntica por falar no skype com minha família, compartilhar fotos no Instagram e descobrir notícias do mundo pelo mural do Facebook. Mas, ao postar a primeira foto da Índia e bater meu recorde de likes no Instagram, deixei de lado as dúvidas.

Dessa maneira, fiz as pazes com o pendrive e me libertei da pressão de meditar. E quando precisava descansar das personagens que tomavam forma nas páginas do livro, pegava o metrô lotado e ia para Nehru Place, um centro comercial famoso por suas lojas de tecnologia. Nehru Place e suas lojas de hardware, estandes de consertos de computador e milhares de pessoas barganhando nos preços era meu lugar favorito para passar as tardes imersa na Índia - uma Índia muito diferente do ideal ocidental, mas tão genuína quanto qualquer outra.

Eu me lembrei desta história porque recebi um e-mail criticando os jovens, que passam muito tempo diante de suas telas e não sabem que "a verdadeira felicidade é comer manga madura no pé". O e-mail me fez pensar nos meus amigos da Fundação Sanskriti e em como alguns deles acreditavam que a verdadeira felicidade estava em passar as tardes meditando. Eles estavam certos? Espero que sim e torço para que estivessem investindo tempo naquilo que lhes trazia felicidade. Mas sei que eles se enganavam ao pensar que a minha felicidade estava em me desconectar.

Como cresci em Minas e passei muitas férias em sítios, conheço bem a alegria de comer manga madura no pé. Só não tenho certeza de se aquelas tardes eram mais felizes do que as que passei com meus irmãos, jogando Sonic ou Super Mario Bros. Nas minhas memórias, a felicidade está onde ela aconteceu. E é quando junto manga no pé com Super Mario Bros que minha infância parece tão sensacional.

Barbara Soalheiro

27 de nov de 2014

Como a Meditação Transcendental pode melhorar seu dia

40 minutos por dia. Esse é o tempo total necessário para realizar a Meditação Transcendental, técnica que promete combater diversos problemas, como estresse, ansiedade, falta de atenção e criatividade, depressão, pouco foco no trabalho, enxaqueca e até problemas cardíacos.
O resultado, segundo praticantes, vem em poucos dias (5 já são suficientes) e, por isso, pessoas de várias áreas, desde o setor empresarial até o artístico, têm aderido ao hábito. Entre os nomes famosos que empunham a bandeira da meditação estão a apresentadora Oprah Winfrey, o cineasta David Lynch, o músico Paul McCartney, os atores Hugh Jackman, Julia Lemmertz, Rodrigo Santoro e Cissa Guimarães, e o premiado judoca Flávio Canto.
Empresas como Farmoquímica, Shell e Lemgruber estão entre as que já disponibilizaram a técnica para os funcionários, com foco no aumento de produtividade e de qualidade de vida dos trabalhadores.
De acordo com Klebér Tani, educador físico e diretor da Sociedade Internacional de Meditação no Brasil, a atividade foi criada oficialmente pelo guru Maharishi Mahesh Yogi, com quem aprendeu a técnica. O brasileiro ressalta que não há ligação com religião, crença ou filosofia de vida, nem exigências de mudanças de hábitos de vida ou de alimentação.
“A Meditação Transcendental é uma técnica milenar que veio da Índia e que, hoje, tem muito respaldo científico. Mais de 1.400 publicações científicas mostraram os benefícios”, afirma. A atividade, segundo ele, é uma forma de autoconhecimento, que diminui a excitação mental, o estresse e a tensão, proporcionando benefícios para pessoas de diferentes perfis e faixas etárias, desde crianças até idosos.
Diferentemente de outros tipos de meditação, não é preciso ter um elevado controle mental ou “esvaziar” a cabeça para praticar. “É uma técnica extremamente fácil. Você não tem que lutar contra os pensamentos”, diz.
O especialista dá aulas sobre o tema há mais de 30 anos e, nos dias 29 e 30 de novembro, vai dar o workshop “Ayurveda, Meditação Transcendental e Saúde”, no Polo de Pensamento Contemporâneo, no Rio de Janeiro. Lá, ele explicará o potencial da prática, sua relação com a medicina ayurvédica, e ensinará uma técnica de relaxamento, diferente da meditação. 
Mas, apesar de não ser de difícil realização, para aprender a praticar a meditação transcendental, é necessário um pouco mais do que um final de semana. Segundo o Tani, a técnica só pode ser assimilada por meio de um curso, que costuma durar uma semana, com e acompanhamento de um professor por três meses.
Essa orientação é importante porque, além de passar as informações gerais sobre a técnica, o professor faz uma analise personalizada do indivíduo, para que o método esteja de acordo com suas necessidades particulares. Ao fazer uma anamnese, perguntando hábitos e outros dados, o guia passará à pessoa um mantra pessoal, que deverá ser entoado mentalmente durante a meditação.
O ideal é fazer em duas sessões de 20 minutos, preferencialmente antes das refeições, com o estômago vazio. Não é preciso estar em um lugar silencioso, nem se sentar na posição de “flor de lótus”, e até o caminho para o trabalho pode ser uma oportunidade para meditar (se não estiver dirigindo, claro).
Veja abaixo alguns dos principais benefícios já apontados pelas pesquisas:
- Redução da arterosclerose
- Pressão arterial mais baixa
- Redução do colesterol
- Redução da insuficiência cardíaca
- Diminuição da depressão
- Diminuição dos radicais livres
- Menor ansiedade
- Redução da insônia
- Redução do estresse e rápida recuperação do estresse
- Redução na dor
- Aumento de inteligência, criatividade e habilidade de aprendizagem
- Melhor eficiência e produtividade
- Reversão do envelhecimento precoce e maior longevidade
- Funcionamento cerebral em níveis mais elevados
- Redução do abuso de substâncias
- Redução de comportamento criminoso e de conflitos
- Melhor comportamento na escola
Luciana Carvalho

Bem-estar emocional na infância 'compra felicidade'

Um estudo da London School of Economics (LSE) afirma que estabilidade emocional no lar tem mais influência na felicidade futura de crianças do que dinheiro ou um bom desempenho acadêmico.


De autoria do professor Richard Layward, considerado um dos principais especialistas no mundo em 'estudos da felicidade', a pesquisa entrevistou mais de 9 mil pessoas nascidas na Grã-Bretanha em diversas situações sociais durante um período de três semanas no ano de 1970.
Essas pessoas foram acompanhadas até os 34 anos de idade, e vários dados de sua trajetória foram analisados, como renda familiar, histórico de trabalho e mesmo a ficha criminal. A partir dessas análises, a equipe desenvolveu um modelo matemático explicando variações nos níveis de felicidade entre a população britânica.
Para avaliar a estabilidade emocional, a equipe de Layward também se concentrou em detalhes minuciosos como crises de insônia na infância e mesmo incontinência urinária, passando por desordens alimentares.
Os pesquisadoras concluíram que a "saúde emocional" na infância esteve no topo da lista de fatores determinantes. O histórico acadêmico ficou em último lugar.

Saúde emocional
O estudo concluiu que a renda é responsável por apenas 1% de variação nos índices de felicidade expressados pelas pessoas estudadas, enquanto a "saúde emocional" na infância responde por 6%.
As conclusões do estudo são controversas, em especial o argumento de que o desempenho intelectual na infância pode ter muito menos influência do que se pensava no que se pode chamar de realização na vida adulta.
"Sabemos que vamos provocar ultraje ao dizer que educação e dinheiro estão entre os menos importantes determinantes de sucesso", escreveu Andre E. Clarke, um dos acadêmicos envolvidos no estudo da LSE.
Nos últimos anos, os "estudos da felicidade" ganharam popularidade não apenas no meio acadêmico como político. Ao ponto de pesquisadores e mesmo chefes de estado, como o premier britânico, David Cameron, falarem publicamente em termos como "PIB da felicidade" como parte de discussões para melhor entender as necessidades da população.
Cameron recentemente declarou que "era chegado o momento de admitir que há mais na vida que o dinheiro".
BBC

18 de nov de 2014

O homem, ser relacional

O homem é um ser relacional. 

Nossa vida é impensável sem relacionamentos. Viver é relacionar-se e quanto mais competência temos no lidar com as pessoas, mais felizes somos. 

As relações suprem nossas necessidades de afeto, de inclusão, de amar e ser amado, de brincar e de partilhamento. Daí a importância da amizade no nosso equilíbrio emocional. 

Um dos sinais típicos da depressão é o afastamento dos amigos e a tendência ao isolamento e um dos sinais de felicidade é a abertura do mundo emocional através de passeios, festas e até viagens com os amigos. Mas para que a amizade cumpra com o papel equilibrador na nossa vida, alguns critérios são fundamentais: o amigo não tem necessariamente que sofrer com o sofrimento do outro. 

A compaixão, a solidariedade, a compreensão da dor do amigo são mais importantes que sofrer junto. Ao contrário, amigo é aquele que fica alegre com a alegria do outro, e isto é difícil já que vivemos numa sociedade altamente competitiva. Ficar triste com a tristeza de alguém é fácil. Difícil é vibrar com o sucesso do amigo. E as separações? Em tudo o que é vivo está implícito a possibilidade da morte. Em todo amor existe a possibilidade do abandono. Muitas amizades se desfazem e quando isto acontece é natural o pesar, a tristeza. Evitar o envolvimento com as pessoas por causa disso é o mesmo que não querer viver porque vamos morrer. Uma das condições para sermos felizes é a capacidade de viver intensamente cada relacionamento no momento presente. 

A vida é para ser vivida e não para ser conservada. Nossa ânsia de estabilidade e segurança nos faz ver o casamento, a amizade ou qualquer relacionamento muito mais como algo a ser mantido. Privilegiamos a posse e esquecemos do usufruir. Queremos a garantia do amanhã nas relações em detrimento do prazer que nos oferecem hoje. Resumindo, a instituição da amizade é sagrada na nossa vida, conquanto nos ajude no caminho do auto-conhecimento, no crescimento enquanto pessoa e nos faz felizes. O prazer de partilhar a alegria com os amigos cria base para uma vida celebrativa, lúdica e amorosa.
Antônio Roberto

A dívida começa na cabeça

A falta de planejamento financeiro ainda é um problema que afeta a maioria dos brasileiros. Para ter uma ideia, 63% das famílias tinham dívidas em julho deste ano.
Quatro em cada dez consumidores inadimplentes dizem que não vão pagar suas dívidas nos próximos três meses, de acordo com um levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito. Um dos principais motivos, segundo 36% dos entrevistados, é a dificuldade de mudar o padrão de consumo. Como explicar esse descontrole com o dinheiro? 
Conforme mostram pesquisas da chamada psicologia econômica e de sua área afim, as finanças comportamentais, existem armadilhas cognitivas que influenciam nosso comportamento quando se trata de dinheiro.
“São mecanismos mentais rápidos, automáticos e, muitas vezes, inconscientes, que nos levam a tomar decisões inadequadas”, diz Adriana Rodopoulos, economista com formação em psicologia econômica e sócia-fundadora da Oficina de Escolhas, de São Paulo. É o caso de nossa tendência a empurrar eternamente a decisão de trocar de plano de telefonia ou de TV a cabo mesmo sabendo que o atual nos dá prejuízo.
Para driblar as armadilhas mentais que minam seu orçamento, o primeiro passo é tomar consciência delas. Depois, você pode estudar a melhor estratégia para se forçar, por exemplo, a economizar em vez de apenas gastar.
“Colocar lembretes para você mesmo, incluindo alarmes que alertem o dia de guardar dinheiro, pode ser uma opção para começar a se organizar”, afirma a psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira, professora da Fipecafi e membro do Núcleo de Estudos Comportamentais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Romper com o ciclo dos mecanismos automáticos que nos levam a decisões erradas pode ser a chave para conquistar uma vida financeira mais feliz.
Fuja destas ciladas
Confira os comportamentos que podem prejudicar suas finanças e quais são os truques para combatê-los:
1 Inércia
O que é: tendência de manter as coisas como estão, às vezes de maneira inconsciente.
Como prejudica as finanças: seus efeitos são, em geral, de longo prazo. Trocar de plano de saúde ou pesquisar novas opções para o pacote de TV a cabo dá trabalho, e acabamos deixando para depois. Essas pequenas economias, quando negligenciadas, comprometem o orçamento.
Como lidar com o problema: questione-se sobre a necessidade de determinados produtos ou serviços que você contrata. Se o gasto não valer a pena, elimine a despesa. Outra recomendação é estabelecer um prazo para fazer pesquisas e cortar alguns serviços.
2 Comportamento de manada
O que é: tendência inconsciente de seguir o comportamento de um grupo ou da maioria.
Como prejudica as finanças: se um grupo de amigos vive com a corda no pescoço, a probabilidade de você também se enforcar nas dívidas é grande, porque tende a achar isso normal.
Como lidar com o problema: analise como você age financeiramente quando está em grupo e procure não reproduzir, sem questionamentos, o comportamento da maioria. Por exemplo, se você vai a um restaurante com amigos e todos propõem dividir a conta, questione se, no seu caso, optar pela comanda individual poderia ser vantajoso.
3 Busca de confirmação
O que é: tendência de buscar, a todo custo, aspectos e informações que confirmem aquilo em que queremos acreditar — até quando estamos errados.
Como prejudica as finanças: insistir em investimentos errados, em vez de reagir rápido, nos faz perder mais dinheiro. É o caso do investidor da bolsa que se apega a qualquer informação positiva para alimentar sua confiança num fundo de ações que está se desvalorizando.
Como lidar com o problema: faça contrapontos em suas análises. Antes de escolher um investimento, compare-o com outros e busque os pontos negativos de cada um.
4 Contas mentais
O que é: segundo o psicólogo israelense Daniel Kahneman, ganhador do Nobel de Economia de 2002, nosso cérebro compartimentaliza as informações financeiras sem enxergar o patrimônio como um todo. “Usamos diferentes contas: temos dinheiro para os gastos, a poupança, um fundo de reserva para os filhos ou emergências médicas”, diz o especialista.
Como prejudica as finanças: é comum que pessoas endividadas mantenham investimentos porque consideram o dinheiro aplicado como algo separado do patrimônio.
Como lidar com o problema: liste todos os seus bens, aplicações e dívidas. Use um caderno ou uma planilha para anotar as prestações que vão cair a cada mês.
5 Aversão à perda
O que é: dificuldade de assumir seus erros e aceitar perdas.
Como prejudica as finanças: suponha que você tenha comprado um carro de 30 000 reais em 48 parcelas e, na metade do financiamento, não consiga mais pagá-lo. A situação racional é repassar o financiamento para outra pessoa. Mas o que acontece, na prática, é que nos apegamos ao que já foi pago, e a dívida só cresce simplesmente porque não conseguimos aceitar a perda do automóvel.
Como lidar com o problema: A regra básica é analisar os riscos embutidos na operação com antecedência. No caso de empréstimos ou financiamentos, observe o Custo Efetivo Total, valor que inclui taxa de juro e encargos financeiros. Lembre-se de pesquisar detalhes, como a taxa de administração cobrada pelos bancos.
Danylo Martins

30 de out de 2014

Ode à beleza

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.
William Shakespeare

6 mentiras que você ouviu sobre ser chefe

Engana-se quem pensa que virar chefe significa se livrar para sempre das tarefas maçantes do cotidiano e só observar "tranquilamente" o trabalho dos outros.
O  líder na verdade é um acumulador de funções, segundo explica João Marcelo Furlan, sócio da Enora Leaders. “A menos que tenha um altíssimo cargo dentro da empresa, você ainda vai ter algum papel operacional”, afirma ele.
Furlan diz que a necessidade de executar tarefas técnicas surpreende sobretudo os novatos. “Quem é inexperiente muitas vezes esquece que chefes também têm os seus próprios chefes, e precisam elaborar planilhas, documentos e relatórios para eles”, ilustra o especialista.
Muitos aspirantes à cadeira do patrão também ignoram que estar em um cargo de liderança implica ter diversas obrigações e dificuldades que passam longe das preocupações do resto da equipe.
Com a ajuda de Furlan, alguns equívocos ligados ao assunto que merecem ser desconstruídos. Veja a seguir:
1. A equipe vai te obedecer só porque você é o chefe
Acha que ter autoridade é suficiente para garantir a produção? Ledo engano, diz Furlan. “Não adianta mandar as pessoas fazerem algo, elas precisam ter vontade de atender aos seus pedidos”, explica.
E isso não é nada fácil. De acordo com ele, motivar outras pessoas é uma habilidade que exige treino, maturidade e uma boa dose de inteligência emocional.
2. É mais fácil ver a entrega ser feita do que fazê-la
“A vida do chefe não é nada mansa”, brinca Furlan. Ao contrário do que muitos pensam, gerar resultados a partir do trabalho de outras pessoas pode ser muito custoso.
“Você precisa ter capacidade técnicas, para planejar e organizar as tarefas alheias, mas também habilidades mais comportamentais, para mobilizar e acompanhar as pessoas”, diz o especialista.
3. O chefe tem independência para fazer o que quiser
Ser líder não significa ter licença para tomar decisões arbitrárias. “Você ainda vai ser parte do sistema e, como tal, precisará se adaptar às suas regras e limitações”, explica o sócio da Enora Leaders.
O chefe precisa se moldar a todo tipo de restrição. O orçamento, por exemplo não está à sua plena disposição, e nem as suas ideias podem contrariar a estratégia global da empresa. “Existem também muitas disputas internas e jogos de poder que diminuem a liberdade do líder”, comenta Furlan.
4. Sua relação com antigos colegas não vai mudar porque você virou chefe
De uma forma ou de outra, assumir uma posição gerencial afeta os relacionamentos que você construiu até então na empresa. “Você passa a ter acesso a informações confidenciais e, querendo ou não, é obrigado a jogar no time do patrão”, afirma o especialista.
Segundo ele, precisar defender os interesses da empresa - mesmo que isso signifique demitir um amigo, por exemplo - causa frustração em muitos chefes novatos. “É difícil, mas você precisa estar preparado para se afastar um pouco”, diz.
5. Se você não conseguir atender à expectativa, tudo bem
Ao dar uma promoção, a empresa oferece também um voto de confiança - mas ele não é para sempre. “É um caminho sem volta: você não pode retornar a uma posição operacional, caso não dê certo”, diz ele.
Em outras palavras, as expectativas precisam ser correspondidas para que o chefe se mantenha no cargo. “Você precisa ter certeza de que está preparado para liderar antes de aceitar um convite como esse”, afirma.
6. A chefia é a linha de chegada da carreira
Outro mito comum é pensar que o chefe é o “sabe-tudo” que atingiu o nível máximo de desenvolvimento na empresa. “Na verdade, essa é justamente a hora em que você mais vai aprender’”, diz o especialista.
Se é provável que o profissional tenha sido alçado à chefia porque era um bom "técnico", é fato que ele passará a ser avaliado em quesitos até então inéditos para ele. “É como se jogassem você em uma piscina: ou você aprende a nadar ou vai engolir água”, brinca Furlan.
Claudia Gasparini

22 de out de 2014

O lado obscuro da inteligência emocional

A inteligência emocional já virou um clichê do mundo corporativo. Desde que o americano Daniel Goleman lançou, em 1995, o best-seller Inteligência Emocional, o tema se tornou recorrente dentro das empresas — quase como um amuleto que garantia ascensão profissional.
A inteligência emocional sempre pareceu uma característica positiva, mas alguns estudiosos estão contradizendo essa teoria de que saber interpretar as próprias emoções e os sentimentos dos outros é sempre algo benéfico. Os professores Martin Kilduff, Dan S. Chiaburu e Jochen I. Menges lançaram uma tese, publicada pela escola de negócios da Universidade Texas A&M, na qual questionam o lado benéfico da inteligência emocional.
Segundo os autores, pessoas que têm essa habilidade elevada podem, também, desenvolver um lado maquiavélico, manipulando os outros com facilidade. Isso porque, de acordo com os estudiosos, os emocionalmente inteligentes mudam os próprios sentimentos para fabricar impressões favoráveis. Ou seja, fingem o que não sentem para conquistar um objetivo de ganho pessoal ou obter uma informação estratégica. 
Basicamente, a inteligência emocional tem três pilares: perceber as próprias emoções e as dos outros; usar o lado emocional para facilitar o pensamento; e entender as emoções e manejá-las em si mesmo e nos outros.
“Quem usa esses atributos com ética consegue criar empatia com mais facilidade e criar laços de liderança”, diz Rodrigo Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional. Mas quem se deixa levar apenas pelos resultados positivos que a inteligência emocional pode proporcionar corre o risco de se tornar um manipulador.
Claro que, para isso, é preciso ter predisposição — algum traço de perversidade na personalidade que, estimulado pelo ambiente de alta pressão ou de clima tóxico, favoreça a atitude manipuladora. “Entre 4,5% e 6% das pessoas têm traços de perversidade”, diz Luiz Fernando Garcia, psicanalista e presidente da Cogni-MGR, consultoria de treinamento de São Paulo. “No mundo corporativo, esse índice sobe para 16%.”
Os manipuladores com alta inteligência emocional conseguem entender rapidamente quais são os sentimentos alheios e se a outra pessoa está passando por um momento delicado. “Eles costumam usar táticas de chantagem e dissimulação para pressionar o colega ou subordinado a fazer algo que vá gerar algum resultado positivo para o manipulador”, afirma Carlos Diz, do Centro de Neoliderança, do Rio de Janeiro.
Há maneiras de se proteger de um chefe ou colega que use a inteligência emocional para manipular os outros. A mais importante é desenvolver a consciência do que se passa ao redor. “Isso nos permite perceber o que está acontecendo e ter mais controle sobre se estamos ou não sendo coagidos”, afirma Carlos.
Essa consciência pode ser treinada por meio de meditação e de exercícios diários, como negar a assinatura de um jornal ou a doação para uma instituição de caridade. Só é manipulado quem permite — e dizer “não” para quem quer estimulá-lo a fazer algo é um escudo contra a manipulação.
Outro exercício é dar feedback objetivo ao manipulador. “Na hora de conversar, procure deixar claro o que você quer”, diz Luiz Fernando. Evite levar o diálogo para o lado pessoal e, ao concluí-lo, faça um resumo do que você quis dizer para inibir que o outro encontre brechas em seu raciocínio e as use contra você no futuro.
Elisa Tozzi

15 de out de 2014

Estudo relaciona custo do casamento com divórcio




É possível "prever" a duração de um casamento de acordo com o custo de sua festa. Pelo menos é o que diz um estudo feito pelos economistas norte-americanos Andrew Francis e Hugo Mialon, da Universidade de Emory, em Atlanta. 

Segundo eles, quanto mais cara a cerimônia e tudo o que estiver relacionado ao "grande dia", maior é probabilidade de divórcio. 

A razão para isso é que as celebrações mais onerosas impulsionam o endividamento familiar e uma consequente crise no relacionamento. 

A pesquisa analisou mais de 3 mil pessoas que se casaram nos Estados Unidos e, por meio desta amostra, concluiu que, para ter um casamento duradouro, não é aconselhável gastar mais de US$ 20 mil (R$ 48 mil). 

Se isso for verdade, grande parte dos casamentos entre celebridades está condenada ao fracasso. Um exemplo é o matrimônio da socialite Kim Kardashian com o jogador de basquete Kris Humphies, que custou mais de 8 milhões de euros (R$ 24 milhões) e durou 72 dias. 

Outro é a cerimônia da princesa Diana e do príncipe Charles, na qual foram gastos aproximadamente 80 milhões de euros (R$ 240 milhões), resultando em um complicado divórcio 15 anos depois. 
ANSA

10 de out de 2014

O homem obsoleto

No filme O Exterminador do Futuro, um computador altamente inteligente se torna autoconsciente e começa um holocausto nuclear, que aniquila a raça humana, deixando algumas poucas almas valentes para combater os robôs. A data fictícia do catastrófico evento, agosto de 1997, passou sem que ocorresse essa distopia tecnológica.

No entanto, embora não devamos temer que as máquinas terminem com nossa vida, o medo de que acabem com nossos meios de subsistência é cada vez maior.

O temor é baseado na observação de que cada vez mais máquinas ou sistemas de computadores executam tarefas até então consideradas exclusivas do ser humano. Quando os computadores assumirem todos os trabalhos, o que nós faremos? Terminaremos como os cavalos, anteriormente importantes “trabalhadores”, mas substituídos há tempos por máquinas?

Essas previsões sombrias surgem da falta de entendimento dos princípios econômicos. Na economia, o preço (o salário, no caso do emprego) varia para assegurar que a oferta se iguale à demanda e que existam poucos recursos subutilizados. Portanto, o problema não será de desemprego, e sim de desigualdade — caso as ocupações sejam desigualmente substituídas por computadores.

Por que o desenvolvimento tecnológico é causa de maior desigualdade? 

A resposta está na atenção dada às tarefas. Categorizar os profissionais pelo que fazem se torna uma distinção importante: alguns realizam tarefas manuais rotineiras (como caixas de lojas, operários de fábricas, caixas de banco), enquanto outros executam tarefas intelectuais não rotineiras (escritores, cientistas, CEOs).

Os computadores podem realizar as tarefas manuais rotineiras facilmente, tomando o lugar dos trabalhadores que as desempenham. Mas os empregados intelectuais não são facilmente substituíveis — e, na verdade, produzem mais graças aos computadores, seja porque conseguem mais informações, seja porque podem distribuir o resultado de seu trabalho de forma mais simples. Essa distinção é um potente prognosticador dos trabalhos que serão substituídos pelas máquinas.

Por conseguinte, sempre existirá emprego suficiente. A questão é se nós, como sociedade, estaremos dispostos a aceitar os desiguais salários dos mercados resultantes. O que podemos fazer para evitar que o desenvolvimento tecnológico deixe para trás algumas partes da sociedade?

A solução deve ser a educação e a contínua atualização das pessoas, de modo a garantir que todos possam se beneficiar da tecnologia e que ninguém termine como um “cavalo”.
Morten Olsen

9 de out de 2014

4 estudos que vão te encher de esperança sobre o futuro da humanidade

Com tantas notícias ruins, crimes, corrupção e problemas que vemos no mundo, é fácil desanimar e perder um pouco da fé na humanidade. Mas há quem pense o contrário e diga que estamos melhores do que nunca. 

Veja aqui alguns estudos científicos que podem te ajudar a restaurar a fé na humanidade e enxergar um futuro melhor no horizonte.


1 – Mentir faz mal para saúde

Todo mundo já contou uma mentira aqui ou ali, seja com boas ou más intenções. Em geral, mentiras não são algo bom, nem mesmo para a nossa saúde. 
Um estudo da Universidade de Notre Dame, Nos Estados Unidos, concluiu que mentir pode causar problemas físicos e psicológicos no curto prazo. Eles chegaram a essa conclusão depois de analisar os efeitos da honestidade ao longo de 10 dias em um grupo de pessoas. 
Cem indivíduos foram separados em dois grupos, sendo um instruído a não mentir e outro deixado livre para enganar. O grupo honesto apresentou no fim do período uma saúde melhor, com quatro vezes menos queixas ligadas à saúde mental e três vezes menos reclamações de dores físicas.

2 – Desastres nos tornam altruístas

Pense em algum momento extremo, de um desastre onde você deva correr pela sua vida, como um incêndio. Em geral, imaginamos cada pessoa correndo por si, tentando se salvar. Mas segundo um estudo da Max Planck Institute, da Alemanha, desastres na verdade nos tornam altruístas. 
Não apenas as pessoas tendem a se manter mais acalmas do que é esperado nesses casos, como elas na verdade se sentem motivadas a ajudar umas as outras. Além disso, atos altruístas movimentam as mesmas áreas ativadas pelo prazer no sexo ou com drogas.

3 – Fazer o bem é o melhor motivador

Não apenas somos inspirados a sermos mais altruístas em situações emergenciais, como ficamos muito mais motivados a realizar uma tarefa quando sabemos que ela fará bem a alguém. 
Adam Grant, professor da UPenn’s Wharton, dedicou boa parte de sua carreira a estudar o que torna as pessoas motivadas. Ao contrário do que muitos imaginam, não são incentivos pessoais, como um salário maior. 
Estudando um grupo de funcionários trabalhando em um call center para solicitar doações, Adam percebeu uma mudança drástica no comportamento depois que eles interagiram com as pessoas que se beneficiavam daquelas doações. Depois de perceber que estavam de fato ajudando alguém, eles passaram a gastar duas vezes mais tempo no telefone e solicitar três vezes mais dinheiro em média para cada doador.

4 – Vivemos na era mais pacífica da humanidade

Você lê sobre assassinatos, roubos e tudo o que há de ruim no jornal e imagina que estamos piores do que nunca, certo? Na verdade, há quem esteja mais otimista. Segundo Steven Pinker, professor e psicólogo de Harvard, estamos na era mais pacífica da nossa história. E ele tem números para provar isso.
Pinker constatou que as taxas de homicídios em países da Europa vêm caindo século após século. No século XIV, em Londres, para cada 100 mil habitantes, 50 eram assassinados. Hoje, esse número caiu para 2 – média semelhante ao restante da Europa. 
Samuel Bwoles, diretor do Centro de Ciências do Comportamento do Instituto Santa Fé, afirma que entre 14% e 46% das pessoas enterradas em assentamentos humanos há cerca de 50 mil anos morreram de forma violenta. Com esses dados, Pinker concluiu que, em sociedades onde não haviam um governo definido, como os povos bárbaros da Idade Média, cerca de 15% da população morria de forma violenta.
No século XX, apesar de todas as guerras, o número caiu para 3%. Pinker calcula que, se as guerras no século XX fossem travadas nas condições das sociedades tribais, cerca de 2 bilhões de pessoas teriam morrido, ao invés de 100 milhões. 
A diferença é que hoje as notícias desses massacres absurdos chegam para nós rapidamente pelos meios de comunicação. Notícias, em geral, são negativas e sensacionalistas.
Gabriel Tonobohn

29 de set de 2014

13 soluções para melhorar a comunicação



A dificuldade de se expressar é um problema recorrente entre profissionais e um dos principais obstáculos que as empresas enfrentam para obter resultados. A inabilidade de comunicação leva à má compreensão de objetivos, que leva ao esforço inútil e sem foco.

A informação mal transmitida e mal digerida causa conflitos nas equipes, o que, além de improdutivo, é desgastante para todos os envolvidos. Veja como aprimorar sua capacidade de se fazer entender no trabalho:
1 Tenha uma meta
Antes de começar uma conversa, pense no resultado. Ter foco no objetivo final faz com que a discussão tenha foco e rapidez. Quando começar a falar, diga a seu ouvinte o que você pretende. “Revele, em uma ou duas frases, o que será tratado”, diz Reinaldo Polito, professor de expressão verbal do Instituto Reinaldo Polito, de São Paulo.
2 Inclua seu interlocutor
Um bom jeito de ser ouvido com atenção é mostrar a seu interlocutor que ele faz parte da solução. Isso ajuda a pessoa a se comprometer. Para incluir o outro na conversa, use o pronome “nós”, que deixa claro que há algo a ser compartilhado. “Use o ‘você’ somente para elogiar”, diz Vera Martins, da Assertiva, consultoria de São Paulo.
3 Mantenha o respeito
Ao conversar sobre algum assunto mais delicado, demonstre respeito. Olhe nos olhos de seu interlocutor e leve os argumentos dele em consideração. “Fale com a pessoa, não para a pessoa”, diz Reinaldo Passadori, do Instituto Passadori, especializado em educação corporativa, de São Paulo.
Demonstre que a conversa não é unilateral e que você também está aberto a ouvir. Tome cuidado para manter a firmeza, mas evite a agressividade.
4 Pergunte mais
Procure compreender a perspectiva da outra pessoa, fazendo perguntas para esclarecer o assunto. Repetir as palavras do interlocutor ajuda a conferir se você interpretou o que foi dito corretamente.
Para direcionar a conversa, formule questões objetivas quando tiver dúvidas, do tipo: “Quando isso aconteceu?”. Se o assunto precisar de esclarecimentos, use perguntas amplas, como: “Por que você chegou a essa conclusão?”.
5 Escute de verdade
Quando uma pessoa fala, nem sempre os outros escutam. Prestar atenção é uma qualidade importante do comunicador. Uma maneira de evitar devaneios durante uma conversa é olhar para a pessoa e não interrompê-la.
Evite planejar mentalmente uma resposta enquanto o outro ainda estiver falando — isso também distrai. Ouvir atentamente não significa virar estátua. Dê sinais de que está prestando atenção. “Acene com a cabeça e use expressões de acompanhamento, como ‘sim’ e ‘entendi’”, diz Reinaldo Polito.
6 Fique atento ao tom
Nada pior do que ouvir pedido de desculpas ou elogio que soa falso. A maneira como as pessoas interpretam o que é dito não depende apenas do conteúdo,­ mas também da forma como se fala. Lembre-se que o tom da voz e a postura corporal transmitem mensagens. “Evite o sarcasmo e a ironia”, diz Reinaldo Passadori. Fale com naturalidade. 
7 Cuidado com a linguagem corporal
Seu corpo fala tanto quanto sua voz — e há muito mais tempo. A linguagem corporal foi desenvolvida pelos homens antes da linguagem falada. O cérebro é preparado para detectá-la e compreendê-la. Durante uma conversa, cuide da postura e de sua fisionomia. “Verifique se há coerência entre o que você diz e o modo como seu corpo se comporta”, diz Reinaldo Polito.
8 Faça críticas objetivas
Se for criticar, coloque o foco no comportamento inadequado, e não na pessoa. É difícil mudar uma personalidade, mas é possível ajudar alguém a ter uma atitude mais adequada com sugestões objetivas e impessoais.
9 Argumente com exemplos
Evite ser impreciso ou generalizar demais. Em vez de dizer que a pessoa se atrasa, aponte casos específicos que provem seu argumento, como lembrar que ela chegou tarde nos quatro últimos dias. No caso de uma reunião, tente usar exemplos e histórias para reforçar sua argumentação e ajudar os participantes a fixar melhor a pauta.
10 Use “e” em vez de “mas”
Se quiser fazer um elogio, evite construções do tipo “Adorei a ideia, mas será que podemos adaptá-la?”. Quando se fala “mas”, o interlocutor desconsidera o elogio e fixa a atenção na crítica.
O melhor é construir frases unidas pela conjunção “e”. “Adorei a ideia e acho que uma abordagem diferente seria mais eficaz”, por exemplo. Esse artifício faz com que a outra pessoa ouça seu ponto com mais tranquilidade.
11 Não fique na defensiva
Vários problemas de comunicação poderiam ser evitados se os profissionais não ficassem na defensiva. Adote uma postura assertiva. Faça perguntas para explorar as diferenças de pontos de vista. “À medida que as defesas diminuem, a capacidade de compreender argumentos aumenta”, diz Vera Martins, da consultoria Assertiva.
12 Saiba ficar em silêncio
Ficar calado pode ser muito útil. O silêncio permite a quem escuta ganhar tempo para processar o que foi dito e a organizar os pensamentos antes de uma resposta apressada. “Ficar em silêncio não significa entrar mudo e sair calado, mas suspender a fala por alguns momentos para proporcionar reflexão”, diz Reinaldo Polito. 
13 Pratique a empatia
A diversidade de pontos de vista é enorme porque todo mundo tem os próprios valores e influências que moldam o jeito de enxergar o mundo. Por isso, a melhor maneira de se fazer entender é tentar se colocar no lugar do outro para imaginar como determinada informação será encarada. “Pense em como gostaria de ser tratado se estivesse no lugar do outro”, diz Reinaldo Polito.
Anna Carolina Rodrigues

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