21 de nov. de 2007

As virtudes e os vícios


A virtude é difícil de se manifestar, precisa de alguém para orientá-la e dirigi-la.
Mas os vícios são aprendidos sem mestre.
Sêneca
Picture by Fischer & Warnica

O amor


O amor, no seu conjunto, não se reduz à emoção nem ao sentimento, que não são senão alguns dos seus componentes.

Um elemento mais profundo, e de longe o mais essencial de todos, é a vontade, que tem o papel de modelar o amor no homem.

Na amizade - ao contrário do que sucede na simpatia - a participação da vontade é decisiva.
Karol Wojtyla
Picture by Beate Sandor

Meu avô


Uma tarde o neto conversava com seu avô sobre os acontecimentos e, de repente, perguntou:
- Quantos anos você tem, vovô?
E o avô respondeu:
- Bem, deixa-me pensar um pouco...
Nasci antes da televisão, das vacinas contra a pólio, comidas congeladas, foto copiadora, lentes de contato e pílula anticoncepcional.Não existiam radares, cartões de crédito, raio laser nem patins on-line. Não se havia inventado ar-condicionado, lavadora, secadoras (as roupas simplesmente secavam ao vento).
O homem nem havia chegado à lua, rapazes não usavam piercings. Nasci antes do computador, das terapias de grupo..Até completar 25 anos, chamava cada homem de "senhor" e cada mulher de "senhora" ou "senhorita". No meu tempo, virgindade não produzia câncer.
Ensinaram-nos a diferenciar o bem do mal, a ser responsáveis pelos nossos atos.Acreditávamos que "comida rápida" era o que a gente comia quando estava com pressa. Ter um bom relacionamento, era dar-se bem com os primos e amigos. Tempo compartilhado, significava que a família compartilhava férias juntos. Não se conhecia telefones sem fio e muito menos celulares. Nunca havíamos ouvido falar de música estereofônica, rádios FM, fitas K-7, CDs, DVDs, máquinas de escrever elétricas, calculadoras (nem as mecânicas quanto mais as portáteis).
"Notebook" era um livreto de anotações. Aos relógios se dava corda a cada dia. Não existia nada digital, nem relógios nem indicadores com números luminosos dos marcadores de jogos, nem as máquinas. Falando em máquinas, não existiam cafeteiras automáticas, microondas nem rádio-relógios-despertadores. Para não falar dos videocassetes, ou das filmadoras de vídeo. As fotos não eram instantâneas e nem coloridas. Havia somente em branco e preto e a revelação demorava mais de três dias. As de cores não existiam e quando apareceram, sua revelação era muito cara e demorada.
Não se havia ouvido falar de "Pizza Hut", "McDonald's", nem de café instantâneo. Havia casas onde se comprava coisas por 5 e 10 centavos. Os sorvetes, as passagens de ônibus e os refrigerantes, tudo custava 10 centavos. No meu tempo, "erva" era algo que se cortava e não se fumava. "Hardware" era uma ferramenta e "software" não existia.
Fomos a última geração que acreditou que uma senhora precisava de um marido para ter um filho. Agora me diga quantos anos acha que tenho?
Hiii... vovô.. mais de 200!
Falou o neto.
- Não, querido, somente 58!
Picture by Katharine Gracey

20 de nov. de 2007

Arrependo-me


Arrependo-me muitas vezes de ter falado, nunca de me ter calado.
Públio Siro
Picture by Susan Osborne

Elegância


Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam mais do que falam.
E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece.
É quem presenteia fora das datas festivas.
É quem cumpre o que promete.
E, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando, e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
É elegante a gentileza...atitudes gentis falam mais que mil imagens...
Abrir a porta para alguém...é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar...é muito elegante.
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Oferecer ajuda...é muito elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
Olhar nos olhos ao conversar, é essencialmente elegante.
A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras".
Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.

Atribuído originalmente à Toulouse Lautrec.

Enviado pela Lúcia Vieira - Psicóloga e professora de dança do ventre

Gratidão



Quem acolhe um benefício com gratidão, paga a primeira prestação da sua dívida .
Séneca
Picture by Kirsten Gaeding

Mudanças...


Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças. Em minhas palestras, por todo o país, encontro inúmeras pessoas que querem"ter" coisas, "ter" sucesso e "ter" a pessoa certa ao seu lado. Mas, encontro poucas pessoas que me perguntam como "ser"... e quase ninguém se lembra de que ainda está em processo de adaptação e que precisa mudar.

Mudar é ser diferente.
Na verdade, apenas uma pessoa em milhares preocupa-se em ser a pessoa certa. A pessoa certa para aquele cargo, a pessoa certa naquele relacionamento, a pessoa certa para aquele sonho. Naturalmente, sempre somos a pessoa errada, quando nascemos. Mas temos o potencial para sermos a pessoa certa para tudo o que vem pela frente. Isso acontece porque, geneticamente, somos criaturas programadas para nascer antes de estarmos prontos, e ficamos prontos no correr dos anos.
Por isso, não tema. Se você é a pessoa errada, bem vindo ao clube. Agora, para terminar seu processo de nascimento, não importa sua idade, você só precisa fazer as coisas que tornem você a pessoa certa. A pessoa certa para o cargo, para o projeto, para o sonho e para a outra pessoa. A natureza, espertamente, nos joga no planeta sem terminar nosso processo adaptativo e temos que passar vários anos sentindo o ambiente no qual nascemos, e nos adaptando a ele.

Isso se aplica à comida, à temperatura, àspessoas, à cultura, aos desafios e todo o resto. Em outras palavras, para terminar nosso nascimento, você e eu temos que mudar. Mudar de tamanho, já que nascemos todos pequenos, mudar de peso, mudar de aparência, mudar de habilidades, mudar de... preencha o espaço. Temos que mudar tudo. Mudar é ser diferente. Mudar é adaptar-se. Mudar é terminar nosso nascimento. Quem não se adapta ao planeta, perece. Tem sido assim há mais de 260 milanos, só para ficar na raça humana.

Por isso, dependendo da região do planeta na qual você nasceu, "pensará" que gosta do alimento "a", ou do alimento "b". Na verdade, você gostará de qualquer alimento que tenha sido oferecido na infância e que evite sua morte. É por isso que você encontrará humanos em quase qualquer buraco daTerra. Nós nos adaptamos a quase tudo. Há uma ilusão, que foi criada por vários interesses diferentes, de que você pode obter coisas sem alinhar-se com elas, sem transformar-se, sem merecê-las. Sem mudar. Esqueça. Quanto mais rápido você livrar-se dessa ilusão, mas rápido poderá ter tudo o que desejar. Porque, ao ser, você passa a ter. É uma lei da natureza.
A seleção natural garante a sobrevivência do mais apto, e o mais apto é aquele que muda mais rapidamente, para compreender oque o cerca e tornar-se indispensável ao ambiente. O menos apto é aquele que acredita que o ambiente deve transformar-se para ele. O mais apto sobrevive. O menos apto...Isso é engraçado. Porque poucas pessoas parecem pensar nessa realidade. Há profissionais que querem ter este ou aquele cargo, mas jamais se prepararam para ele, e, portanto jamais são "a pessoa certa" para ocupá-lo. Há homens e mulheres que querem ter aquela pessoa, mas se comportam como se aquela pessoa devesse mudar, para elas. Elas têm que mudar para as outras pessoas.

Há um problema de percepção aqui. Ninguém tem aquilo que não está preparado para ter. Portanto, para ter mais, você deve tornar-se mais. Para ter uma vida melhor, você precisa ser uma pessoa melhor. E, para dizer a verdade, quando você vive uma vida que não deseja, precisa mudar logo. Porque se você continuar fazendo as mesmas coisas que trouxeram sua vida até aqui, continuará tendo os mesmos resultados.

Veja, se você estiver sentindo-se solitário, ou solitária, a primeira coisa que passará por sua mente é: como posso ter mais amigos? Este é o pensamento errado. Esteja você onde estiver, se você sair por ai procurando um amigo, dificilmente encontrará um. Mas se você andar pelos mesmíssimos lugares e tiver por objetivo ser amigo de todos os que encontrar, você terá centenas de amigos. Seja e você terá. Este é o pensamento certo.
Aldo Novak
Picture by Andre Deymonaz

19 de nov. de 2007

Com emoção (3)

Jogue fora suas “batatas” !


Um professor pediu aos alunos que levassem uma sacola com batatas para a sala de aula.
Solicitou que separassem uma batata para cada pessoa que os magoara ou de alguma forma os fizera sofrer.
Então, que escrevessem o nome da pessoa na batata e a colocassem dentro da sacola.
Eles começaram a pensar, e foram lembrando uma a uma...
Algumas sacolas ficaram muito pesadas!
A tarefa seguinte consistia em durante uma semana carregar consigo a sacola com as batatas para onde quer que fossem.
Com o tempo as batatas foram se deteriorando.
Era um incômodo carregar a sacola o tempo todo e ainda sentir seu mau cheiro.
Além disso, a preocupação em não esquecê-la em algum lugar fazia com que deixassem de prestar atenção em outras coisas que eram importantes para eles.
E foi assim que os alunos entenderam a lição de que carregar mágoas é tão ruim quanto carregar batatas.
Quando damos importância aos problemas não resolvidos ou às promessas não cumpridas, nossos pensamentos enchem-se de mágoa, aumentando o stress e roubando nossa alegria.
Perdoar e deixar estes sentimentos irem embora é a única forma de trazer de volta a paz e a calma.
Vamos lá!
Jogue fora suas “batatas” !
Anônimo
Picture by Pierre-Auguste Renoir

Um cego em Paris


Dizem que havia um cego sentado na calçada em Paris, com um boné a seus pés e um pedaço de madeira que, escrito com giz branco dizia: “Por favor, ajude-me sou cego”.

Um publicitário, da área de criação, que passava em frente a ele, parou e viu umas poucas moedas no boné. Sem pedir licença, pegou o cartaz, virou-o, pegou o giz e escreveu outro anúncio. Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi embora. Pela tarde o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmola.

Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas.
O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele que lhe reescreveu seu cartaz,
sobretudo querendo saber o que havia escrito ali. O publicitário respondeu:
“Nada que não esteja de acordo com seu anúncio, mas com outras palavras”.
Sorriu e continuou seu caminho. O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia:

“Hoje é primavera em Paris e eu não posso vê-la”.

Mudar a estratégia quando nada nos acontece pode nos trazer novas perspectivas.
Precisamos escolher a forma certa para tocarmos, sensibilizarmos as pessoas.
Picture by Ronald Lewis

Cartas


Passou no seu casamento por aquilo que é quase um fato universal - os indivíduos são diferentes uns dos outros.
Basicamente, constituem um para o outro um enigma indecifrável.
Nunca existe acordo total. Se cometeu algum erro, esse erro consistiu em ter-se esforçado demasiadamente por compreender totalmente a sua mulher e por não ter contado com o fato de, no fundo, as pessoas não quererem saber que segredos estão adormecidos na sua alma.
Quando nos esforçamos demasiado por penetrar noutra pessoa, descobrimos que a impelimos para uma posição defensiva e que ela cria resistências porque, nos nossos esforços para penetrar e compreender, ela sente-se forçada a examinar aquelas coisas em si mesma que não desejava examinar.
Toda a gente tem o seu lado obscuro que - desde que tudo corra bem - é preferível não conhecer.
Mas isto não é erro seu.
É uma verdade humana universal que é indubitavelmente verdadeira, mesmo que haja imensas pessoas que lhe garantam desejar saber tudo delas próprias.
É muito provável que a sua mulher tivesse muitos pensamentos e sentimentos que a tornassem desconfortável e que ela desejava ocultar de si mesma. Isto é simplesmente humano. É também por este motivo que tantas pessoas idosas se refugiam na própria solidão, onde não serão incomodadas. E é sempre sobre coisas de que elas não desejariam estar muito cientes.
O senhor não é, obviamente, responsável pela existência destes conteúdos psíquicos. Se, apesar disto, ainda for atormentado por sentimentos de culpa, reflita então sobre os pecados que não cometeu e que gostaria de ter cometido.
Isto poderá eventualmente curá-lo dos seus sentimentos de culpa relativamente à sua mulher.
Carl Jung
Picture by Jan Weiss

18 de nov. de 2007

Você sabe comer frutas?



Fruta é o mais perfeito alimento, gasta uma quantidade mínima de energia para ser digerida e dá ao seu corpo o máximo em retorno.
O único alimento que faz seu cérebro trabalhar é glicose. A fruta é principalmente frutose (que pode ser transformada com facilidade em glicose), e na maioria das vezes 90-95 por cento de água.
Isso significa que ela está limpando e alimentando ao mesmo tempo.

O único problema com as frutas é que a maioria das pessoas não sabe como comê-las de forma a permitir que o corpo use efetivamente seus nutrientes.
Deve-se comer frutas sempre com o estômago vazio.

Por quê?

A razão é que as frutas não são, em princípio, digeridas no estômago: são digeridas no intestino delgado.
As frutas passam rapidamente pelo estômago, dali indo para o intestino, onde liberam seus açúcares. Mas se houver carne, batatas ou amidos no estômago, as frutas ficam presas lá e começam a fermentar.
Você já comeu alguma fruta de sobremesa, após uma lauta refeição, e passou o resto da noite arrotando aquele desconfortável sabor restante?
É porque você não a comeu da maneira adequada. Deve-se comer frutas sempre com o estômago vazio. A melhor espécie de fruta é a fresca ou o suco feito na hora.
Você não deve beber suco de lata ou do recipiente de vidro. Por que não?
A maioria das vezes o suco foi aquecido no processo de vedação e sua estrutura tornou-se ácida. Quer fazer a mais valiosa compra que possa?

Compre uma centrífuga.
Você pode ingerir o suco extraído na centrífuga como se fosse a fruta, com o estômago vazio. E o suco é digerido tão depressa que você pode comer uma refeição quinze ou vinte minutos mais tarde.
O Dr. William Castillo, chefe da famosa clínica cardiológica Framington, de Massachusetts, declarou que fruta é o melhor alimento que podemos comer para nos proteger contra doenças do coração. Disse que as frutas contêm bioflavinóides, que evitam que o sangue se espesse e obstrua as artérias. Também fortalecem os vasos capilares, e vasos capilares fracos quase sempre provocam sangramentos internos e ataques cardíacos.

Agora, uma coisa final que gostaria que mantivesse em sua mente sobre frutas.
Como se deve começar o dia? O que se deve comer no café da manhã? Você acha que é uma boa idéia pular da cama e encher seu sistema com um grande monte de alimentos (principalmente o café e o pão branco com manteiga), que levará o dia inteiro para digerir? Claro que não.
O que você quer é alguma coisa que seja fácil de digerir, frutas que o corpo pode usar de imediato, e que ajuda a limpar o corpo. Quando levantar-se, e por tanto tempo durante o dia quanto for confortavelmente possível, coma só frutas frescas e sucos feitos na hora. Mantenha esse esquema até pelo menos o meio-dia, diariamente.

Quanto mais tempo ficar só com frutas em seu corpo, maior oportunidade de ele limpar-se. Se você começar a se afastar do café e dos outros lixos com que costuma encher seu corpo no começo do dia, sentirá uma nova torrente de vitalidade e energia, tão intensa que você mal acreditará.
Tente durante os próximos dez dias e veja por si mesmo.

Lucy


Que os Beatles tenham sido mais populares do que Jesus Cristo, como Lennon afirmou numa de suas mais sonoras e polêmicas frases, é obviamente muito difícil, dado o histórico traço judaico-cristão do Ocidente, mesmo que a mídia lhes tenha feito as vezes das cruzadas em direção ao Oriente.
Mas, à parte o criacionismo, Lennon e os Beatles ficam com a vantagem de terem, indiretamente, “batizado” o primeiro ancestral do homem. O cientista Donald Johanson conta no seu livro de divulgação, assinado com Maitland Edey, que, após a localização do fóssil, houve tanta euforia que à noite ninguém dormiu. E um gravador tocou direto o hit Lucy in the sky with diamonds, até que a alguém da equipe ocorreu a idéia de chamarem a descoberta de suas vidas de “Lucy”.
Seria esse um detalhe banal, pois nomes podem surgir quase que de quaisquer coisas ou casualidades? Talvez. Mas, no entremeado terreno da ciência e da cultura, depois de Lucy a história da evolução não pode ser mais contada sem, pelo menos, uma nota de rodapé para os Beatles. E o próprio Johanson o releva: “- Lucy? Essa é a inevitável pergunta de quem vê o fóssil pela primeira vez. E tenho sempre que explicar: - Sim, era uma fêmea. E tem aquela história dos Beatles”.
Quase penitenciando-se, a sobriedade do grande cientista confessa: “Não se esqueça de que ficamos nas nuvens quando a encontramos”. E foi assim, marcando presença na parte que lhes cabia, que a turma do “ié-ié-ié” entrou para as crônicas da ciência. É importante dizer isso, porque em Lucy in the sky with diamonds muitos não enxergaram nada além do que a mera sigla de LSD.

Se vira nos 30´


Você sabia que se as pessoas não estiverem prestando atenção em suas palavras, provavelmente, a culpa é sua?
Esta é uma regra que vale a pena considerar - salvo uma ou outra exceção, não existe ouvinte desinteressado, mas sim orador desinteressante.
Entendi, Polito. Devo ser interessante para atrair a atenção e manter a concentração dos ouvintes. Só preciso saber como agir e por onde começar. Você já deve ter ouvido falar ou até ter assistido ao quadro "se vira nos 30", levado ao ar no programa do Faustão pela Rede Globo de Televisão. Muita gente se inscreve para participar do programa e ter a chance de mostrar seus "excepcionais dotes artísticos".

Em 30 segundos, o candidato precisa se virar do jeito que puder para encantar um grupo de jurados e não ser gongado. Por isso, fazem de tudo, desde equilibrar os mais inusitados objetos, tocar sozinhos vários instrumentos estranhos de uma só vez, dançar de cabeça para baixo, assobiar e chupar cana. O que a maioria dessa turma faz só por brincadeira, outros, no dia-a-dia, fazem para sobreviver - são os camelôs. De maneira geral, são pessoas com pouca ou nenhuma formação escolar, que passam o dia tentando reunir grupos de curiosos para vender o que cair em suas mãos.Você talvez esteja pensando: "mas, que raio de conversa esquisita é essa? Afinal, o que tem a ver o 'se vira nos 30' com os camelôs e com o meu desempenho na arte de falar para conquistar o interesse dos ouvintes?"

Pode parecer estranho, mas tem tudo a ver. Se você desejar ser bem-sucedido com a sua comunicação verbal, precisará aprender um pouco com cada um desses "guerreiros" que usam o que sabem fazer de melhor para dar seu espetáculo na tentativa de atingir seus objetivos.
É o espetáculo que torna o conteúdo atraente. Se você se preocupar apenas com o conteúdo da mensagem imaginando que só com esse ingrediente conquistar os ouvintes, corre o risco de estar enganado.
Observe os palestrantes que vivem com agenda tomada. Todos vão para o palco prontos para participar de um verdadeiro show. Provocam risos, arrancam lágrimas, mexem com as emoções dos ouvintes, fazem tudo o que podem para que platéia não fique desinteressada nem caia na apatia.
É assim também que os camelôs tocam seu trabalho. Precisam atrair a atenção das pessoas e seduzi-las para que comprem seus produtos. Se eles apenas se preocupassem em destacar as qualidades dos produtos que precisam vender, poderiam voltar para casa com as mãos abanando.
É questão de sobrevivência -ou vendem e garantem os trocados de que necessita para manter a família ou terminam o dia sem ter ao menos o que comer. Temos muito que aprender com esses heróis das ruas.

Certa vez participei de uma reportagem do Programa Vitrine da TV Cultura, sobre a atividade dos camelôs. Atuando como repórter, fui até o centro velho de São Paulo para entrevistá-los e tentar descobrir um pouco sobre suas estratégias de comunicação. Fiquei surpreso e muito impressionado com o conhecimento que possuem sobre a arte de falar!
Um deles me contou qual a tática que utiliza para chamar a atenção das pessoas, que sempre passam apressadas. Ele usa a força da sua voz para pronunciar algumas frases de impacto. Dessa forma os transeuntes ficam curiosos e param para ver o que está acontecendo.

Esse é um ótimo recurso para introduzirmos no nosso show. Especialmente nos casos em que os ouvintes estejam dispersos, alheios, desligados, algumas frases com informações que possam provocar impacto poderão deixá-los curiosos e interessados no que temos a dizer.
O segundo que entrevistei me disse que sua maior preocupação era com o comportamento e a reação das pessoas. Assim que percebia os primeiros sinais de desatenção, por exemplo, se passassem a olhar para o chão, para os lados, movimentar muito a cabeça, ou mudar com freqüência o apoio do corpo ora sobre uma perna, ora sobre outra, estava na hora de contar uma história instigante, curiosa, para trazer o pensamento de volta.

Ele me confidenciou que nada poderia ser pior do que perder a atenção dos ouvintes. Por isso, se a história não funcionasse, não hesitava em usar sua arma secreta - punha a Catarina na roda. Catarina era uma cobra enorme que havia sido treinada para fumar. Não dava outra, ninguém batia em retirada enquanto Catarina dava suas baforadas. Não tenha ilusões. Por melhor que seja sua mensagem, depois de algum tempo, entre cinco e dez minutos, o ouvinte cria um foco de atenção viciado e passa a ter dificuldade para se manter concentrado em suas palavras. Uma história curta, atraente na hora em que o público começa a perder a atenção, fará com que a platéia volte a se concentrar na mensagem.
Finalmente, a descoberta mais surpreendente. O terceiro camelô que entrevistei disse que depois da aplicação de toda essa estratégia – contar histórias engraçadas, fazer o público rir ou chorar, introduzia nas trincheiras adversárias os serviços do "agá". O "agá" atua como cúmplice do camelô. Ele fica no meio das pessoas como se fosse mais um entre tantos interessados. No momento certo ele toma a iniciativa de maneira acintosa para comprar o produto do camelô.

Eu perguntei se essa atitude não poderia ser vista como uma trapaça. Ele não se mostrou ofendido com meu questionamento e respondeu com toda naturalidade: não se esqueça de que estamos em uma verdadeira praça de guerra e eu preciso vencer essa batalha. Acredito que um agazinho bem plantado não prejudica ninguém. É só uma isca para garantir o leitinho das crianças. Analise o que você sabe fazer de melhor. Talvez você saiba fazer imitações. É possível que tenha habilidade para contar histórias. Quem sabe tenha o dom para cantar ou tocar algum instrumento. Vale também sapatear ou fazer mágicas. Aperfeiçoe o que já sabe fazer e se torne ainda melhor. Durante a apresentação, lance mão desses recursos para que façam parte do seu show. Se conseguir contextualizar bem essas inserções, elas poderão participar de maneira tão harmoniosa no conjunto da exposição que o resultado será muito positivo.

Quanto maior o público e mais inculto, maior a quantidade de espetáculo que você deverá utilizar. À medida que o tamanho da platéia diminui e o nível intelectual aumenta, menor também deverá ser o volume do show. Entretanto, por mais bem preparados que sejam os ouvintes e por menor que seja o público você nunca poderá deixar de usar algum tipo de espetáculo. Afinal, os ouvintes serão sempre seres humanos, e todos nós gostamos de receber o conteúdo de uma mensagem de forma atraente e estimulante.
Para que a sua mensagem seja bem-sucedida e você consiga as vitórias que deseja em suas apresentações, deve lançar mão de tudo o que puder para dar o seu show. Precisa aprender a se virar nos 30 e a ser cativante como um bom camelô. Tirando todos os excessos e exageros e guardadas todas as proporções devidas, esta pode ser uma boa proposta para que tenha ainda mais sucesso com a comunicação.
Reinaldo Polito
Picture by Ken Bailey

17 de nov. de 2007

Love


Estudo revela que depois de fazerem amor:

10% dos homens voltam-se para o lado direito

10% para o lado esquerdo

e os outros 80% voltam para casa!

O casamento


O casamento se assemelha a uma tesoura; lâminas tão presas entre si que dificilmente podem ser separadas, se movendo geralmente em direções opostas e, no entanto, sempre ferindo qualquer um que se coloque entre elas.
Sydney Smith
Picture by Stephen Huneck



A alegria do coração


A vida revela-se ao mundo como uma alegria.

Há alegria no jogo eternamente variado dos seus matizes, na música das suas vozes, na dança dos seus movimentos.

A morte não pode ser verdade enquanto não desaparecer a alegria do coração do ser humano.
Tagore
Picture by Mikhail Larionov

Diante da Aldeia


Os rostos que emergem dos campos perguntam-me
pelo regresso.
O meu grito não perturba a andorinha
pousada no ramo partido.

Sombria
é a minha alma, que o vento impele
para o mar, a fim de cheirar o sal da terra.

A minha lenda é mortal.
Debaixo da árvore, que é semelhante ao meu irmão,
Conto as estrelas dos mareantes.
Thomas Bernhard
Picture by Abel Manta

Poder não fazer nada


Não existe prazer em não ter nada para fazer.
A graça é ter muito o que fazer e não fazer nada.
Mary Little
Picture by Himani

16 de nov. de 2007

Inveja


Os ataques da inveja são os únicos em que o agressor, se pudesse, preferia fazer o papel da vítima.
Niceto Zamora
Picture by Teo Alfonso

Normose


Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que mepareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de *normose*, a doença de ser normal.

Todo mundo quer se encaixar num padrão.Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se "normaliza" acaba adoecendo.

A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias,depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós?Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? Eles não existem.

Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa.Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta.

Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais. Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes .
Martha Medeiros
Picture by Art Frahm

Estes versos


Guarda estes versos que escrevi chorando como um alívio à minha saudade, como um dever do meu amor; e quando houver em ti um eco de saudade, beija estes versos que escrevi chorando.
Machado de Assis

Outras palavras


Aquele que usa, em suas retóricas, as palavras que os homens se habituaram a ouvir há muito tempo talvez ainda receba algum aplauso; no entanto, para que do caos nasça um cosmo social os homens deverão dignar-se a ouvir outras palavras e outras sentenças.
Rudolf Steiner
Picture by Susan Norris

15 de nov. de 2007

Pára-raios automotivo


Uma loira chegou com seu carro novinho numa loja de acessórios e disse pro vendedor:
Quero instalar um pára-raios no meu carro.
E o vendedor explicou:
Olha, eu nunca ouvi falar nesse equipamento pra veículo. Por que é que você quer instalar um pára-raios no seu carro?
E a loura: - Heloooooooooouuuuuuuu! Nunca ouviu falar de seqüestro relâmpago não, ô desinformado?

Experiência


Experiência é algo que sempre penso que tenho, até obter mais dela
Burton Hillis
Picture by Ferdinand Hodler

Com emoção (2)

A síndrome de burnout


A síndrome de burnout, identificada na década de 1970, caracteriza-se por uma tríade de dimensões (exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal) e é uma condição relacionada à organização do trabalho. Entretanto, não consta nas classificações psiquiátricas.

Freudenberger, em 1974, descreveu o burnout como um "incêndio interno" resultante da tensão produzida pela vida moderna, afetando negativamente a relação subjetiva com o trabalho. Segundo Maslach, o burnout é uma síndrome psicológica resultante de estressores interpessoais crônicos no trabalho e caracteriza-se por:


  • exaustão emocional,
  • despersonalização (ou ceticismo)
  • diminuição da realização pessoal (ou eficácia profissional).
A exaustão emocional (EE) caracteriza-se por fadiga intensa, falta de forças para enfrentar o dia de trabalho e sensação de estar sendo exigido além de seus limites emocionais.
A despersonalização (DE) caracteriza-se por distanciamento emocional e indiferença em relação ao trabalho ou aos usuários do serviço.
A diminuição da realização pessoal (RP) se expressa como falta de perspectivas para o futuro, frustração e sentimentos de incompetência e fracasso.
Também são comuns sintomas como insônia, ansiedade, dificuldade de concentração, alterações de apetite, irritabilidade e desânimo.
A síndrome de burnout é um constructo em investigação. Segundo Maslach, o burnout não é uma síndrome clínica, e sim um diagnóstico de situação de trabalho.
Será que os casos que preenchem os critérios para burnout, segundo a escala de Maslach, na clínica psiquiátrica seriam casos a mais de depressão?
Como estabelecer, então, a relação de tais casos com a organização do trabalho?
Um relato de caso não pode responder a perguntas que somente estudos prospectivos poderão, mas abre a discussão sobre a síndrome de burnout na clínica e nosologia psiquiátricas.
Isabela Vieira - Médica psiquiatra - (e outros pesquisadores)

14 de nov. de 2007

Trabalhar divertindo-se


O mestre na arte de viver faz pequena distinção entre seu trabalho e sua diversão, sua atividade e seu descanso, sua mente e seu corpo, sua informação e sua recreação, seu amor e sua religião. Ele dificilmente sabe qual é qual.

Ele simplesmente busca sua visão de excelência em qualquer coisa que faça, deixando que os outros decidam se ele está trabalhando ou se divertindo.
Para ele, ele está sempre fazendo ambos.
Texto Budista
Picture by Charles Ebbets

Expansão do Universo



Uma vez que você consegue aceitar o universo como matéria expandindo dentro do nada que é algo, vestir mantas xadrez com franjas se torna fácil.
Albert Einstein
Picture by Arthur Sasse

As mãos


Que tristeza tão inútil essas mãos
que nem sequer são flores
que se dêem:
abertas são apenas abandono,
fechadas são pálpebras imensas
carregadas de sono.
Eugénio de Andrade
Picture by Carl Aagaard

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