20 de jan. de 2008

Como destruir um homem


Para destruir, aniquilar definitivamente um homem, infligir-lhe as punições mais terríveis, diante das quais o assassino mais feroz tremeria de pavor, basta apenas lhe atribuir um trabalho de caráter total e inteiramente inútil e irracional.
Fiódor Dostoiévski
Picture by Salvador Dali

A morte


Nasce-se todo inteiro, mas morre-se apenas a parcela do todo que nos foi morrendo ao longo da vida e nos tinha em pé.
Por isso a morte mais natural de um velho é cair para o lado.
Vergílio Ferreira
Picture by Paul Klee

Entendendo os Sonhos


Ao longo de sua história, a humanidade tenta entender o significado dos sonhos. Desta questão cuidaram os filósofos, místicos e cientistas, chegando eles às mais diferentes respostas. Diversas culturas antigas e mesmo muitas atuais, interpretam os sonhos como inspirações, sinais divinos, visões proféticas, fantasias sexuais, realidade alternativa, e diversas outras crenças, medos e conjecturas, dada a sua natureza intrigante e enigmática.

Em 1900, em seu livro "A Interpretação dos Sonhos", Sigmund Freud defendia a idéia de que os sonhos refletiam a experiência inconsciente. Ele teorizou que o pensamento durante o sono tende a ser primitivo ou regressivo e que os efeitos da repressão são reduzidos. Para ele, os desejos reprimidos, particularmente aqueles associados ao sexo e à hostilidade, eram liberados nos sonhos quando a consciência era diminuída. Entretanto, naquela época, a fisiologia do sono e sonhos era desconhecida, restando a Freud apenas a sua interpretação psicoanalítica dos sonhos.

Somente na década dos 50, com a descoberta de que os movimentos rápidos dos olhos (o chamado sono REM, ou Rapid Eyes Movement sleep), eram frequentemente um indicativo de que o indivíduo estava sonhando uma nova era da pesquisa sobre sonhos emerge, e alguns elementos da psicanálise tiveram que ser modificados ou abandonados.
Hoje sabemos que os sonhos são entendidos como parte do ciclo do sono determinado biologicamente. Diversas teorias tem sido descritas, baseadas em achados neurofisiológicos e comportamentais, seja através do registro de ondas cerebrais, seja por estudos com lesão e estimulação de estruturas no cérebro (de animais) que são acreditadas estarem envolvidas com os sonhos.

Por que o cérebro sonha?
De natureza muitas vezes bizarra, irreal e confusa, os sonhos são especulados por alguns estudiosos do sono e sonhos como sendo um meio pelo qual o cérebro se livra de informações desnecessárias ou erradas durante o período em que o indivíduo está acordado - um processo de "desaprendizagem" ou aprendizagem reversa, proposta por Francis Crick e Graeme Mitchison, em 1983. Estes pesquisadores postularam que o néocortex, uma complexa rede de associação neural, poderia se tornar carregado por grandes quantidades de informações recebidas. O neocórtex poderia desenvolver, então, pensamentos falsos ou "parasíticos", pensamentos estes que comprometeriam o armazenamento verdadeiro e ordenado da memória.

Isto explicaria porque as crianças, cujo rítmo de aprendizagem é intenso, apresentam mais sono REM que os adultos. Elas necessitariam, segundo esta idéia, esquecer as diversas associações erradas ou sem sentido que se formam durante a sua aprendizagem quando estão acordadas, favorecendo, desta forma, o armazenamento das associações ou informações que são verdadeiramente importantes.

Em linha semelhante de pensamento, outros estudiosos teorizaram que os sonhos consistem de associações e memórias eliciadas da parte frontal do cérebro, em resposta a sinais randômicos do tronco encefálico. Estes autores
sugeriram que os sonhos são o melhor "ajuste" que o cérebro frontal poderia fornecer a este bombardeamento randômico do tronco cerebral. Nesta proposição, os neurônios da ponte, via tálamo, ativariam várias áreas do córtex cerebral eliciando imagens bem conhecidas ou mesmo emoções, e o córtex então, tentaria sintetizar as imagens disparadas. O sonho "sintetizado" pode ser completamente bizarro e mesmo sem sentido porque ele está sendo desencadeado por uma atividade semi-randômica da ponte (veja Substrato Neural dos Sonhos).
William Dement nos chama a atenção para o fato de que cada um de nós somos "loucos", quando, ao sonhar, manifestamos as mais bizarras situações. Outros pesquisadores predizem que falhas na habilidade em processar o sono REM, podem causar fantasias, alucinação e obssessão. Outros ainda, afirmam que a falta de sonhos (de sono REM) induz psicoses alucinatórias e outros distúrbios mentais.

Com base em tais achados e teorias, podemos pensar que sonhos são mecanismos de defesa e adaptação, e a "loucura" manifestada durante este estado silencioso e inconsciente, parece ser necessária para que nos mantenhamos "sãos" durante o nosso agitado estado de consciência.
Silvia Helena Cardoso, PhD
Picture by Kenn Backhaus

Problemas objetivos e os subjetivos


Nossa vida se divide em dois tipos de problemas. Os problemas objetivos, reais, factuais, como as dívidas, doenças, perdas, calúnia, traições e assim por diante. Tudo aquilo que não aconteceu como prevíamos ou desejávamos.

A outra classe de problemas é de natureza subjetiva. É aquilo que sentimos diante da realidade dolorosa ou preocupante. É a nossa frustração, tristeza, raiva frente ao mundo adverso. Essas duas situações se interpenetram e, na maioria das vezes, não sabemos por onde começar para resolver o sofrimento.

Na nossa cultura, marcadamente estruturada na ação, fomos acostumados a atacar os problemas apenas pelo seu lado prático, partindo do pressuposto que tudo aquilo que sentimos é fruto da situação. Em outras palavras, acreditamos que as dívidas é que nos tornam tristes e desesperados. Todas as pessoas que neste momento estão em estado de dor psicológica são capazes de justificar o seu sofrimento pelos fatos acontecidos ou prestes a acontecer. Se não vemos solução para o problema, entramos nos “becos sem saída”.

Como resolver uma morte acontecida, traição consumada e doença incurável? Todo mundo sabe que uma forma de lidar como horror da realidade é vê-la de outro ângulo. É mudar a perspectiva no pensar e no sentir. Para isso é fundamental um intenso centramento no mundo subjetivo, no próprio sujeito, nos sentimentos e no “eu”. Para resolver qualquer dificuldade precisamos estar com muita energia, criatividade e esperança.

O leitor terá de cuidar inicialmente e com afinco dos seus sentimentos negativos, da frustração e da tristeza. Colocar o tempo a seu serviço e investir na preparação do guerreiro que se encontra frágil e vulnerável. Comece pelo descanso e pelo sono. Evite pensar obsessivamente no problema, principalmente se esse pensar vem acompanhado de auto-acusações, lamentações e pena de si mesmo. Não se esqueça de que a noite só escurece até a meia-noite, depois começa a clarear. Desista de ser super-homem, aceite sua humanidade e as soluções virão.
Antônio Roberto

19 de jan. de 2008

Homem-Metade

Quando perdeu metade do seu corpo, ao ser cortado próximo à altura da cintura por um caminhão, em 1995, os médicos que lhe socorreram, acharam que era um milagre ele ter sobrevivido.

Agora, Peng Shulin, conhecido na China como Homem-Metade, surpreende os médicos, aprendendo a andar novamente.


Acamado por mais de dez anos, familiares e amigos tinham pouca esperança de que ele fosse viver qualquer coisa parecida com vida normal outra vez. Afinal, precisou da ajuda de vinte médicos para conseguir manter-se vivo.

Sem as pernas, Shulin ficou com apenas 78 cm de altura. Mas recentemente, começou a exercitar seus braços, para poder executar tarefas diárias tais como lavar seu rosto e escovar seus dentes.
Os médicos no centro de pesquisa e reabilitação da China em Beijing começaram a pensar na possibilidade de fazê-lo andar novamente.




Eles, então encontraram um método engenhoso de construir uma espécie de "copo" onde Shulin pudesse movimentar-se, e assim andar através do seu próprio corpo.
O Sr. Peng disse que, apesar de ter que aprender a andar outra vez, está extremamente satisfeito com a nova prótese

E tem gente que ainda reclama da vida!

Enviado pela Lucilene Barbalho direto de Belém PA

O homem e sua carga


Conta-se que homem caminhava vacilante pela estrada, levando uma grande pedra numa mão e um tijolo na outra. Nas costas carregava um saco de terra; em volta do peito trazia vinhas penduradas. Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou:

'Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão grande?'

'É estranho' eu nunca tinha realmente notado que a carregava.

E então jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor. Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou: 'Diga-me, cansado viajante, por que carrega esse saco de terra tão pesado?' 'Estou contente que me tenha feito essa pergunta, porque não tinha percebido o que estava fazendo comigo mesmo. Então ele jogou o saco de terra fora e continuou seu caminho com passos muito mais leves. Um por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas cargas desnecessárias. E ele foi abandonando uma a uma. Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou mais tranqüilo e mais feliz.

Qual era na verdade o problema dele? A pedra, o saco de terra? Não. Era a falta de consciência da existência desses pesos. Uma vez que as viu como cargas desnecessárias, livrou-se delas bem depressa e já não se sentia mais tão cansado. Esse é o problema de muitas pessoas. Elas estão carregando cargas sem perceber. Não é de se estranhar que estejam tão desanimadas!

O que são algumas dessas cargas que pesam na mente de uma pessoa e que roubam as suas energias?
a. Pensamentos negativos.
b. Culpar e acusar outras pessoas.
c. Permitir que impressões tenebrosas descansem na mente.
d. Carregar uma falsa carga de culpa por coisas que não poderiam terevitadas.
e. Auto-piedade.
f. Acreditar que não existe saída.

Todo mundo tem o seu tipo de carga especial, que rouba energia. Quanto mais cedo começarmos a descarregá-la, mais cedo nos sentiremos melhor e caminharemos mais levemente.
Vernon Howard

Trios importantes


Três verbos importantes existem que, bem conjugados, serão lâmpadas luminosas em nosso caminho
Aprender
Servir
Cooperar

Três atitudes exigem muita atenção
Analisar
Reprovar
Reclamar

De três normas de conduta jamais nos arrependeremos
Auxiliar com a intenção do bem
Silenciar
Pronunciar frases de bondade e estimular sempre

Três diretrizes manter-nos-ão invariavelmente em rumo certo
Ajudar sem distinção
Esquecer todo mal
Trabalhar sempre

Três posições devemos evitar
Maldizer
Condenar
Destruir

Possuímos três valores que, depois de perdidos, jamais serão recuperados
A hora que passa
A oportunidade de elevação
A palavra falada

Três programas sublimes se desdobram a nossa frente, revelando-nos a Glória da Vida Superior
Amor
Humildade
Bom ânimo

Para que possamos efetivamente evoluir, devemos seguir sempre as três abençoadas regras de salvação:
Corrigir em nós o que nos desagrada nos outros
Amparar-nos mutuamente
Amar-nos uns aos outros

E lembrar que jamais devemos culpar alguém por aquilo que nos acontece, pois nós somos os responsáveis diretos por tudo de bom ou de mal que surgir em nosso caminho...
Sempre !
Chico Xavier

Como parar de fumar


Se você pretende parar de fumar, guarde esta tabela. Ela vai ajudá-la a vencer as dificuldades e aproveitar os benefícios de largar o vício.

Existem alguns tratamentos que facilitam o processo de parar de fumar. Os mais indicados são os adesivos de nicotina e as cápsulas de bupropiona (vendidas apenas com receita médica). O mais importante, no entanto, é ter força de vontade para tomar a iniciativa de largar o vício. E manter a decisão por várias semanas, até que a dependência da nicotina e o costume de recorrer ao cigarro como calmante desapareçam da sua cabeça.


Para ajudar quem está parando de fumar a vencer esse período crítico, elaboramos um diário especial. Criado com a ajuda do psiquiatra Daniel Sócrates, especialista em tratamento de tabagismo, ele mostra, a cada dia, o que a pessoa deve fazer para continuar longe do cigarro e os benefícios que ela teve até ali. Nossa dica é: imprima esta página, pregue-a num local bem visível e vá riscando os dias da vitória.

1º dia FAÇA!
Apague o cigarro, jogue fora o maço e esconda cinzeiros e isqueiros.
SAIBA! Após 2 horas não haverá mais nicotina no seu organismo, a pressão sanguínea e a pulsação voltarão ao normal.

2º dia FAÇA!
Conte para os amigos que parou de fumar, assim você assume um compromisso.
SAIBA! O nível de oxigênio no sangue se normalizou.

3º dia FAÇA!
Reduza a quantidade de café, prefira um chá.
SAIBA! Seu olfato já percebe melhor os cheiros, a comida fica mais saborosa.

4º dia FAÇA!
Bateu aquela vontade de fumar?
Controle-se. Em 5 minutos a fissura passa.
SAIBA! Seu cérebro sente falta da nicotina e você fica um pouco irritada. Não ceda à tentação, seja forte.
5º dia FAÇA!
Fazer exercício é ótimo e ajuda a desintoxicar o organismo.
Que tal uma caminhada hoje?
SAIBA! As células do seu corpo começam a se recuperar das agressões causadas pelo fumo

6º dia FAÇA!
Não fique perto de quem fuma. Fuja das áreas para fumantes.
SAIBA! A produção de radicais livres caiu e sua pele já começa a ficar mais bonita.

7º dia FAÇA!
Quando sair com os amigos, evite bebidas alcoólicas.
O álcool aumenta a vontade de fumar. SAIBA! Os sintomas da abstinência estão menores que nos dois primeiros dias, agora ficará mais fácil ficar sem o cigarro.
8º dia FAÇA!
Não fique em casa sozinho. Saia para conversar, namorar ou apenas dar uma volta na rua. SAIBA! O coração e o intestino, prejudicados pela má circulação, voltam a funcionar bem.

9º dia FAÇA!
Se no trabalho der aquela vontade de fumar, mastigue um chiclete.
Ele a ajudará a esquecer o cigarro.
SAIBA! As pessoas não vão mais sentir o cheiro do cigarro em seus cabelos. Seu hálito estará mais fresco.

10º dia FAÇA!
Você merece comemorar. Em dez dias, economizou R$ 25. Que tal um cineminha a dois?
SAIBA! Se a sua garganta costumava ficar irritada com o excesso de cigarro, ela não trará mais problemas.

11º dia FAÇA!
Uma lista com os motivos que levaram você a largar o cigarro e os benefícios dessa atitude. SAIBA! Suas unhas começam a ficar menos amareladas.

12º dia FAÇA!
Seu paladar está melhor.
Mantenha uma dieta balanceada e tome muita água para purificar o corpo.
SAIBA! Parar de fumar pode fazer você engordar até 5 kg. Mas os males do cigarro são maiores do que uns quilos a mais.

13º dia FAÇA!
Antes de dormir tome um banho quente e beba um chá ou leite.
Isso a ajudará a enfrentar a insônia.
SAIBA! O corpo sente falta da nicotina e precisa se adaptar à ausência da substância.

14º dia FAÇA!
Está na hora de mudar seus hábitos. Procure novas atividades, isso deixará você mais feliz. SAIBA! Se você acender um cigarro, voltará a fumar. Por isso, seja forte.
Alessandro Rovêda

18 de jan. de 2008

Sonhar


Sonhar permite que cada um e todos de nós sejamos loucos, silenciosamente e com segurança, cada noite de nossas vidas.
William C. Dement
Picture by Walter Anderson

Emoção e Sentimento


A emoção é uma experiência afetiva que aparece de maneira brusca e que é desencadeada por um objeto ou situação excitante, que provoca muitas reações motoras e glandulares, além de alterar o estado afetivo. Nossa existência está contextualizada no mundo e como tal, vivemos cercados de objetos, situações e de outras pessoas com quem interagimos.
Tudo o que nos cerca provoca um desejo de afastamento ou de aproximação e estes desejos, mesmo que não sejam realizados, constituem a experiência afetiva de cada um. Para muitos teóricos, a diferença existente entre emoção e sentimento diz respeito apenas ao grau de intensidade e, neste caso, um estado afetivo mais suave, relacionado com as características do objeto em questão, constituiria um sentimento, enquanto que a emoção seria um sentimento mais intenso.

Não existe uma classificação precisa para emoções e sentimentos, mas há um certo consenso entre os profissionais da psicologia que consideram alegria, tristeza, medo e raiva como emoções fundamentais. A característica e intensidade da emoção depende do objeto que a desencadeia e, mesmo que as reações orgânicas que aparecem pareadas a uma emoção forem induzidas por injeção de hormônios ou outras drogas, a emoção sentida frente a um objeto ameaçador será distinta da induzida artificialmente.

Algumas reações motoras ou glandulares acompanham diferentes emoções, como é o caso do choro que pode aparecer junto com emoções diferenciadas. As reações orgânicas aparecem depois da compreensão que o indivíduo tem da natureza do objeto desencadeador da emoção. Existem várias teorias relacionadas às emoções e as dificuldades encontradas para estudar o assunto são muitas. As duas teorias principais da emoção são a periférica e a excitatória. De acordo com a teoria periférica, a emoção depende de um conhecimento prévio e a repercussão orgânica é desencadeada por uma reação afetiva a este conhecimento.

Neste conceito, as reações nos órgãos viscerais ou musculares antecedem à emoção, que é desencadeada quando o indivíduo toma conhecimento destas reações. A teoria excitatória é mais recente e valoriza a idéia de que a percepção do valor que o objeto tem, no momento em que ele se apresenta ao sujeito, é tão importante quanto a percepção das excitações, que são produzidas pelos órgãos periféricos no desencadeamento das emoções.
Alexandre Dal Pizzol
Picture by Antonio Canova

Explorar e experimentar


Eu não aceito quaisquer fórmulas absolutas para viver. Nenhum código pré-concebido pode ver à frente tudo o que pode acontecer na vida de um homem.

Conforme vivemos, crescemos e nossas crenças mudam. Elas devem mudar. Assim, penso que devemos viver com esta constante descoberta.

Devemos ser abertos para esta aventura em um grau elevado de consciência de viver.

Devemos apostar nossa inteira existência em nossa disposição para explorar e experimentar.
Martin Buber
Picture by David Brier

17 de jan. de 2008

As 3 fases do homem







solteiro










casado












divorciado

Crescendo com nossos filhos


Em cada dia de nossas vidas, depositamos algo no banco de memórias de nossos filhos.
Charles Swindoll
Picture by Joseph Roberts

Ação é o que conta


Os pequenos atos que se executam são melhores que grandes atos que apenas se planejam.
George Marshall
Picture by Laurie Fields

A pedra



A pedra

O distraído nela tropeçou...
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês cansado da lida, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.
Drummond a poetizou.
Já, David matou Golias, e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura...
E em todos esses casos, a diferença não teve na pedra, mas no homem!
Não existe 'pedra' no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento.
Picture by Eva Carter

Desligue o piloto automático

Há alguns anos pesquisadores colocaram um desses ratinhos de laboratório, também conhecidos como cobaias, em um labirinto e o estimularam a encontrar o queijo que estava do outro lado. Durante algum tempo o ratinho tentou alguns caminhos até finalmente encontrar a saída que Levava ao "grande prêmio".
Os testes continuaram, dessa vez sem o queijo, e o ratinho encontrou a saída na metade do tempo, repetiram várias vezes à experiência e no final o ratinho saia do labirinto em menos de um terço do tempo levado na primeira vez.
Lembrei dessa história porque recentemente eu estava procurando um documento importante e pensei que pudesse estar dentro de alguma gaveta na mesa do escritório. Puxei a primeira gaveta até a metade, olhei na área visível e não achei o que estava procurando, abri as outras gavetas e continuei a busca...Nada! Imaginei que talvez estive em outro lugar e comecei a fazer uma verdadeira revolução no lugar. Uma hora depois eu ainda não havia encontrado o tal documento.


Tive um insight...Voltei a procurar na primeira gaveta, aquela que eu pensei que encontraria rapidamente o documento. Puxei a gaveta até o final e não é que o tal documento estava lá! Um pouco irritado por ter perdido uma hora do meu valioso tempo, fiquei tentando descobrir que tipo de aprendizado havia nessa situação. Nós também somos treinados a resolver diversos tipos de problemas dentro de nossas empresas, nos tornamos especialistas para cada tipo de coisa e assim como o ratinho de laboratório nós ficamos viciados em encontrar uma saída sempre da mesma maneira.

Ficamos presos ao paradigma do sucesso do passado, ficamos tão acostumados a fazer as coisas sempre da mesma maneira, e quando precisamos de novas respostas acabamos acessando a mesma fonte de sempre, e com isso repetimos as mesmas soluções, que se tornando novos problemas, já que temos que viver em um mundo que muda o tempo todo Já diz o ditado popular; "Pra quem é bom no martelo tudo na vida é prego". Por isso, nessa semana, recomendo que você faça algo diferente. Ao invés de aceitar logo a primeira resposta, pense um pouco mais, não se contente com as respostas prontas, e "abra a gaveta inteira"! Para solucionar os novos desafios que surgem todos os dias, muitas vezes precisamos desligar o piloto automático e aprender novas formas de enxergar as coisas. Os grandes líderes fazem isso o tempo inteiro.


E você o que vai fazer diferente essa semana? Sucesso!
Fernando Oliveira

16 de jan. de 2008

Juventude eterna


O inverno cobre minha cabeça, mas uma eterna primavera vive em meu coração.
Victor Hugo
Picture by Frederick Pawla

O valor de cada um


Qualquer indivíduo é mais importante do que a Via Láctea.
Nelson Rodrigues
Picture by Jill O'Flannery

Objetivos de vida


Na construção de nossas vidas é sempre importante fixar algumas metas. Elas nos fazem canalizar energias para a sua realização. A visualização mental de nossos desejos é uma técnica poderosa para transformá-los em realidade.
Os objetivos, por outro lado, não podem ser motivo de sofrimento, é tê-los como referência e não como determinantes.
O tempo, principalmente o futuro, deve ser visto como nosso aliado de crescimento. Devemos distinguir os objetivos “nutrientes” dos objetivos torturadores.
Quando nos escravizarmos a eles, não percebendo sua relatividade, passam a ser fonte de sofrimento, minam nossa energia e nos fazem infelizes. A virada de ano é uma ótima ocasião para renovarmos o propósito de desenvolvimento e de melhoria na nossa qualidade de vida. É muito saudável o propósito de emagrecer, fazer exercício físico, economizar, visitar amigos, parar de fumar etc. Mas, para que essas metas sejam forças impulsionadoras, não podemos levá-las a ferro e fogo. Afinal de contas somos seres humanos livres, imperfeitos e alguns objetivos serão alcançados e outros não.
A paciência conosco é um caminho amoroso para nosso crescimento. E não podemos nos esquecer que o grande objetivo da vida é a nossa felicidade, todas as outras metas são apenas meios para o objetivo maior. Não se justifica nos atormentarmos, sentirmos culpa e sofrermos em torno de nossos desejos. Os objetivos vitais são apenas uma seta indicando o caminho futuro. Façamos nossos objetivos, de preferência por escrito, e lutemos por eles alegremente.
Antônio Roberto
Picture by Gustav Klimt

O que nós queremos deles ...


Mas afinal, o que querem as mulheres de um homem? O que nós queremos? Em primeiro lugar, que ele nos ame muito; muito, mas não exageradamente.

Que nos entenda, que nos ouça sempre com muita atenção, mesmo que não esteja muito interessado no que estamos falando (mas fingindo estar). Não, ele não precisa nos trazer flores; mas deve estar sempre nos procurando, fazendo um carinho no nosso ombro, pousando (apenas pousando) a mão na nossa coxa por debaixo da mesa ou quando estiver dirigindo o carro, coisa de quem se sabe dono absoluto do nosso coração (e do nosso corpo); só faz isso um homem seguro, que é o que todas queremos.

Por outro lado, é preciso que ele nos solicite muito, pergunte que gravata deve usar, se gostamos da água-de-colônia nova, que carro deve comprar, mesmo que acabe fazendo o que quer, sem dar a mínima para nossa opinião. Mas também é preciso que às vezes fique quieto, calado, para nos deixar bem inquietas, imaginando no que será que ele está pensando. Mulher não pode nunca se sentir nem muito segura nem muito insegura: tem que ser no ponto certo. O ponto certo, essa é a questão. Para isso é preciso sensibilidade, coisa fundamental no homem que se ama.

Sensibilidade para sentir quando estamos precisando de um carinho, de um amasso ou de ficar em silêncio. E ser capaz de, na hora de uma briga, dizer vem cá, sua boba", e a gente se aninhar nos braços dele esquecendo de tudo que estava falando. Ah, como é bom um homem assim. Não é preciso que ajude a lavar os pratos nem a arrumar a cozinha, essas bobagens a gente faz com o maior prazer quando ama. Mas a cada cinco minutos pode perguntar, enquanto assiste o futebol (sem tirar os olhos da TV), se ainda vai demorar muito essa arrumação, pedir para você levar uma cerveja e dizer "vem sentar do meu lado para ver o jogo". Esse jogo não nos interessa nem um pouco, mas saber que ele precisa de nós num momento tão crucial é tudo de que precisamos para ser felizes. E quando o time dele fizer um gol e ele comemorar te abraçando e beijando muito, seja solidária e mostre-se tão feliz como se tivesse acabado de ganhar o mais lindo vestido da última coleção de Valentino.

Não basta ser mulher: tem que participar. A hora de ir para a cama é muito importante: mesmo que ele esteja estudando um processo ou lendo uma revista em quadrinhos, é fundamental que ponha a perna em cima da sua, para que você sinta que, aconteça o que acontecer, ele estará sempre ligado em você. E um homem que quer ser amado sobre todas as coisas não pode jamais, mas jamais, depois de apagar a luz do abajur, se virar de costas para dormir; isso é crime que nenhuma mulher perdoa. E quando, já no escuro, ele faz um carinho na sua cabeça e se encaixa - não há mulher que resista a um homem que sabe se encaixar bem -, aí é que você sente a felicidade total e pensa que é aquele homem, aquele e nenhum outro, que pode fazê-la feliz.
É só isso que queremos dos homens. Não é pedir muito, é?
Danuza Leão
Picture by Peter Quidley

15 de jan. de 2008

Ópio do povo


O sofrimento religioso é, a um único e mesmo tempo, a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condições desalmadas. É o ópio do povo.
Karl Marx

Gratidão antes da partida


Andei por esta terra durante trinta anos e, por gratidão, quero deixar alguma lembrança.
Vincent Van Gogh
Picture by Vincent Van Gogh

E assim falou Zarathustra


Mostro-vos o super-homem. O homem é algo que deve ser sobrepujado. Que tendes feito para sobrepujá-lo ?

Todos os seres até hoje criaram alguma coisa superior a si mesmos; e vós quereis ser o refluxo deste grande fluxo e até mesmo retroceder às bestas, em vez de superar o homem?
Friedrich Nietzche
Picture by Jean-Francois Millet

Festa no apartamento


Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco. Há no ar um certo queixume sem razões muito claras.

Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem

De onde vem isso?

Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, Antonio Cícero, uma música que dizia:
"Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento".

Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são, ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na gramado vizinho. As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes... Falsos sorrisos...Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das angústias. Pra consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos, ricos, sedutores.

"Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo".

Nesta era de exaltação de celebridades fica difícil mesmo achar que a vidada gente tem graça. Mas tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé? Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista. As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento!
Martha Medeiros
Picture by Steven Meyers

14 de jan. de 2008

Tudo flui


Tudo flui e nada permanece; tudo se afasta e nada fica parado....

Você não consegue se banhar duas vezes no mesmo rio, pois outras águas e ainda outras sempre vão fluindo....

É na mudança que as coisas acham repouso.
Heráclito
Picture by Pablo Picasso

A disciplina


A disciplina é a parte mais importante do sucesso
Truman Capote

Culinária, educação e medicina

Sábado passado, meio-dia e meia: telefonema de um amigo, afamanado jornalista mineiro, recomendando que eu não deixasse de ler o artigo do economista Rubem de Freitas Novaes, publicado na página 7 de um jornal carioca.

O telefonema pegou-me em plena atividade culinária, tentando aproveitar duas peras, daquelas duras, incomíveis sem prévia cocção.

Se a necessidade faz o monge, não faz o confeiteiro, mas havia que aproveitar as peras, que, na geladeira, me olhavam de esguelha. Apurei com uma senhora francesa que as frutas, descascadas, deveriam ser postas em pé, numa pequena panela com vinho tinto, duas colheres de açúcar e canela, deixando-as cozer até que ficassem moles.

E agora? Será que estrago uma garrafa de vinho, que custa aí seus R$ 40, para salvar duas peras? Sobremesas de R$ 45 – cerca de U$ 25 – só nos melhores restaurantes do mundo. Sem contar meu trabalho, que, à beira de um fogão quente, num dia quentíssimo, não tem preço. De saída, eliminei a canela: não gosto do pó obtido com a trituração da casca da Cinnamomum zeylanicum, árvore nativa da Índia e do Sri Lanka. Além do mais, ando tão distraído que ouço falar do Sri Lanka e me lembro do tempo em que se chamava Ceilão (viria daí o “zeylanicum”?), depois de atender pelo nome da Taprobana nos versos de Camões. A partir de Camões, não me responsabilizo pelo resto.


Como é possível confeitar pensando nas armas e varões que passaram inda além da Taprobana? Noite dessas, de banho tomado, nadando na maionese do projeto de uma casa que pretendo construir, em vez da loção para ficar cheiroso, encharquei-me de Listerine: cabelo, pescoço, rosto, orelhas... Fui obrigado a tomar outro banho, de meia hora, para disfarçar o odor de timol 0,064%, eucaliptol 0,092%, salicilato de metila 0,060%, mentol 0,042%, água purificada, álcool 21,6%, benzoato de sódio, N-propanol, poloxamer 407 etc. Que diabo será poloxamer 407? Estabelecido o fato de que eu não gastaria uma fortuna para salvar duas peras, resolvi cozinhá-las na cerveja, com duas colheres de açúcar, sem canela. O resultado ficou bem razoável. Bebi o resto da cerveja, tive as peras como sobremesa (poire au bière?), acendi o charuto e fui ler o artigo do economista.

Nele, Novaes constata que em 2007 nossas perspectivas de desenvolvimento, no médio e longo prazos, foram abaladas pelas sucessivas demonstrações de que a educação no Brasil vai de mal a pior e que os nossos jovens estão entre os mais fracos do mundo em ciências, matemática e no domínio do idioma pátrio. E diz que boa parte do problema está na matéria-prima: a criança – multidão de estudantes com sinais evidentes de deficiência mental para aprendizados mais complexos. Mesmo correndo o risco de parecer politicamente incorreto, Novaes constata que a maioria dos nascimentos se dá em lares mal-estruturados, onde são precárias as condições de apoio à boa formação intelectual da criança. Má nutrição e/ou ausência de estímulos mentais adequados na fase pré-escolar geram handicaps cognitivos que tornam quase impossível o desempenho escolar satisfatório.

E o negócio vai por aí: “Sem que haja plena consciência do problema, seguida de ação, continuaremos a trilhar o caminho do emburrecimento progressivo de nossa juventude e a comprometer o bem-estar das futuras gerações de brasileiros”. Terminei a leitura perplexo com a recomendação do jornalista mineiro, porque já escrevi um livro sobre o assunto. Pelo visto, o bom amigo não leu nem sequer o primeiro capítulo do meu livrinho. Nele, conto que os neuropediatras sabem que uma gestante desnutrida lesa em 15% as células cerebrais do feto.
De outra parte, uma criança desnutrida em seu primeiro ano de vida terá mais 15% de suas células cerebrais lesadas. A soma da gestante desnutrida com a desnutrição no primeiro ano de vida, contudo, não dá 30%, mas 60%. Claro que não invento: recolhi os números do livro Neurologia infantil, do médico Aron Diament.


Citadas desde o Código de Hamurabi, 2100 a.C., e o Papiro Terapêutico de Tebas (1552 a.C.), as DMs (deficiências mentais), complexo sintomatológico cuja única unidade reside na deficiência intelectual, atingiam cerca de 10% da população mundial, antes da criminosa explosão demográfica que vai por aí.
Em algumas regiões do Brasil, o médico Elsimar Coutinho estima que esses números se aproximem de 30% ou 40%. E o pessoal tá-que-tá: é filho que não acaba mais.
Eduardo Almeida Reis
Picture by Blue Sorsdahl Phase

Educação e planejamento familiar


Ao se fazer um balanço dos acontecimentos de 2007, nada chamou mais a atenção daqueles que se preocupam com nossas perspectivas de desenvolvimento no médio e longo prazos que as sucessivas demonstrações de que a educação no Brasil vai de mal a pior e que nossos jovens estão entre os mais fracos do mundo em domínio do idioma pátrio, ciências e matemática.

Em conseqüência, muito se escreveu para mostrar que as causas de nossas carências eram multifacetadas, passando por deficiência na formação dos professores, pobreza de equipamentos escolares, má remuneração dos profissionais da área, educação ideologizada, etc. etc.

Em suma, escolas e mestres não estariam à altura da missão a ser desempenhada.

Entretanto, há de se ter coragem para aceitar que boa parte do problema está na própria matéria-prima básica e razão final do processo educacional: a criança. É "politicamente incorreto", pode parecer elitista e de mau gosto, mas é forçoso reconhecer que escolas e professores não podem fazer milagres diante de uma multidão de estudantes com sinais evidentes de deficiência mental para aprendizados mais complexos.

Nossas estatísticas de crescimento populacional mostram que cada vez mais os nascimentos se dão em lares mal estruturados, onde são precárias as condições de apoio à boa formação intelectual das crianças. Muitos dos filhos assim nascidos são fruto de gravidez não programada e indesejada. Ora, é nos primeiros estágios de vida que se formam os neurônios. Má nutrição e/ou ausência de estímulos mentais adequados na fase pré-escolar geram handicaps cognitivos que tornam quase impossível o desempenho escolar satisfatório dos jovens, mais adiante.

Por sua vez, adultos incapazes de dominar o idioma pátrio e os rudimentos da matemática serão também incapazes de habilitar-se para as tarefas cada vez mais sofisticadas do mercado de trabalho urbano. O resultado é que disparam as estatísticas do crime e da mendicância, áreas para as quais não se demanda qualificação intelectual alguma e que passam a garantir a sobrevivência de quem não consegue retirar o sustento das atividades produtivas normais.

A teoria econômica nos ensina que cabe a intervenção governamental quando certos atos geram impactos, sobre terceiros, não levados em conta pelo agente primeiro da ação. Quando uma família dá vida a crianças que serão malcuidadas, está impondo um ônus a toda a sociedade que arcará, em última análise, com as conseqüências indesejadas de seus atos. Estas "externalidades negativas" justificam a adoção de um amplo programa de incentivos à contenção voluntária da natalidade, direcionado para segmentos fortemente carentes da população, visando à universalização das possibilidades de planejamento familiar.
Sem que haja a plena consciência do problema posto, seguida de ação, continuaremos a trilhar o caminho do emburrecimento progressivo de nossa juventude e a comprometer o bem-estar das futuras gerações de brasileiros. É simples assim!
Rubem de Freitas Novaes, Economista

13 de jan. de 2008

Inteligencia e sabedoria


Não há equívoco maior do que confundir homens inteligentes com sábios.
Francis Bacon
Picture by Salvador Dali

O que pode uma mulher

Depois de te perder, te encontro com certeza / Talvez num tempo da delicadeza (Chico Buarque)

Os argentinos, quem diria! Últimos representantes daquela escola para homens (que aqui no Brasil já fechou) elegeram uma presidente - Cristina Kirchner. Ponto para eles.
Não tanto pelo aspecto político da escolha, mas pelo antimachismo. Temos também Michelle Bachelet no Chile, Angela Merkel na Alemanha. Tínhamos Benazir Bhutto, assassinada por ter sacudido a ditadura no Paquistão, o que só aumenta a força simbólica de sua herança. Ainda temos a somali Ayaan Ali, refugiada na Holanda para escapar da lei islâmica. As mulheres estão tomando o poder? O mundo vai virar de cabeça para baixo? Não nos precipitemos. Mulheres no poder não constituem uma novidade assim tão espantosa.
Pensem na rainha Vitória, em Catarina de Médici e Isabel de Castela. No século 20 tivemos Margareth Tatcher, Indira Ghandi, Golda Meir. O poder é um lugar que tolera excentricidades, desde que não alterem seu funcionamento e os compromissos que o sustentam. Mulheres no poder não garantem, como sonhamos nos anos 60, políticas mais justas, mais humanitárias.

Podem ser tão truculentas e injustas quanto os homens. Condoleezza Rice não pratica a política dos sonhos dos movimentos feministas. Nem dos movimentos negros. Se o feminismo lutou pelo reconhecimento de que a diferença entre os sexos não implica diferenças de talento e competência, temos de admitir que também não garante diferenças éticas. As poucas mulheres que se destacam em altos cargos políticos interessam menos que a trajetória de milhões de anônimas para as quais o verbo poder importa mais que o substantivo. Hoje se diz que as mulheres “estão podendo”. O início desse deslocamento empreendido em direção ao território ocupado pelos homens foi registrado por Virginia Woolf em seu diário: ela escreveu que na Inglaterra da década de 20 a humanidade estava se transformando, ou pelo menos 50% dela - as mulheres.

Ocorre que os 50% de mulheres não se moveram de seus lugares tradicionais sem abalar a suposta identidade da outra metade. Masculino e feminino são campos escorregadios que só se definem por oposição, sempre incompleta, um ao outro. São formações imaginárias que buscam produzir uma diferença radical e complementar onde só existem, de fato, mínimas diferenças. O resto é questão de estilo.Até pelo menos a segunda metade do século 19 o divisor de águas era claro: os homens ocupavam o espaço público. As mulheres tratavam da vida privada. Privada de quê? De visibilidade, diria Hanna Arendt. De visibilidade pública. O termo é impreciso, pois nunca faltou visibilidade ao corpo feminino. Nem sob os véus islâmicos. Nem sob o jugo torturante de anquinhas e espartilhos. Do que as mulheres estiveram privadas até o século 20 foi de presença pública manifesta não em imagem, mas em palavra. A palavra feminina, reservada ao espaço doméstico, não produzia diferença na vida social. Ouvi do filósofo Bento Prado, em 1988, uma brilhante interpretação para a provocação lacaniana que diz “não existe a mulher”. Bento sugeriu que a inexistência de um significante que represente, no inconsciente, o conjunto das mulheres deve-se ao fato de as mulheres, durante séculos, não terem inscrito sua experiência no campo da cultura. Foram objetos do discurso dos homens, não sujeitos de um discurso próprio.

No último século, o avanço das mulheres sobre todos os espaços da vida pública abalou a sustentação imaginária da diferença, dita “natural”, entre os sexos. Isso produziu nos homens o efeito de uma perda. Ou de uma feminização. A masculinidade, construção discursiva tão cultural como a feminilidade, vem sendo profundamente abalada. A pergunta freudiana, “o que quer uma mulher?” foi substituída, em nossos dias, por: o que é um homem? O que um homem precisa fazer para provar que é realmente um homem?

Se na vida pública os campos já se embaralharam de maneira irreversível, na vida privada a resposta parece banal: um homem “se garante” ao satisfazer sua mulher. Isso torna o poder sexual das mulheres quase intolerável, com efeitos terríveis de aumento da violência doméstica. Se a satisfação da mulher é a prova dos nove da masculinidade do homem, pode-se dizer que esta é hoje uma fortaleza sitiada. Ou uma “identidade” (aspas necessárias) acuada. Os acuados, como se sabe, costumam ficar violentos - mas a brutalidade não pode ser o último avatar da masculinidade.Desde a popularização dos métodos anticoncepcionais, nada mais obriga uma mulher a permanecer casada, nem fiel, ao homem que não a satisfaz - supondo, como é provável que ela pense, que o problema seja apenas dele. Supondo que, no sexo, alguém possa satisfazer o outro por completo.

Outro aforismo provocativo de Lacan, “não existe a relação sexual”, refere-se à impossibilidade de complementariedade perfeita entre os sexos. Até mesmo o casamento, que na modernidade se inspirou na idéia de que homem e mulher poderiam formar dois-em-um, já não é o que prometia ser. Resta a histeria, essa forma de sofrimento neurótico que muitos psicanalistas (homens) consideram como o paradigma da feminilidade. A histérica acredita no Homem como detentor do falo - o que a torna irresistível para os que ainda esperam manter os territórios masculino e feminino rigorosamente diferenciados. Só que a demanda histérica é impossível de satisfazer, o que acaba por desmoralizar o poder masculino. A histeria seria uma espécie de “feminismo espontâneo”, na expressão de Emilce Dio Bleichmar: uma recusa do lugar estereotipado de castradas aliada à ignorância sobre o caráter simbólico do falo e da castração.

A alternativa seria a invenção de uma nova arte erótica, mais de acordo com as possibilidades de troca que já estão abertas, embora mal aproveitadas, a partir das novas configurações do masculino e do feminino.
A relativa feminização dos homens e a recém conquistada “masculinidade” nas mulheres podem contribuir para romper os automatismos sexuais que sempre empobreceram a experiência erótica de uns e de outras.
Se a delicadeza não precisa estar toda do lado das mulheres, os homens já não precisam se garantir pela força. Nem pela brutalidade.
Alguns meninos e meninas das novas gerações pós-feminismo sabem disso. Mas é preciso coragem e um pouco de imaginação para ultrapassar a miragem fálica que estereotipa a diferença sexual. As mulheres, que já nasceram “sem nada a perder”, poderiam ensaiar a mestria nas artes eróticas que a imaginação literária há muito lhes havia reservado.
Maria Rita Kehl, psicanalista

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...