9 de fev. de 2008

Estas defesas nos protegem?

Todos criamos cascas protetoras, para nos defender dos outros. Bichos cascudos têm pouca mobilidade, e machucam os outros. Uma velha tradição diz que o ser humano faz tudo para ter prazer na vida, e evitar a dor.
Verdade?

Normalmente não procuramos demonstrar o amor que sentimos, quando amamos. Amor é ruim? Feio? Dói? Também evitamos o choro, mesmo quando a vontade é grande.
Choro é feio?
Dói?

A mulher e o homem apaixonados se encontram.Tem vontade de pegar um na mão do outro, afagar o cabelo, abraçar, olhar nos olhos, puxar o nariz, brincar de faz de conta, manifestar ternura, contentemento, alegria, felicidade. Mas em geral não fazem nada disso.Tolhem os gestos mais espontâneos e ingênuos, que não são feios nem doem.
Dariam prazer?

De fato (e infelizmente) na hora das coisas boas ficamos cheios de dedos. Não sabemos senti-las, muito menos nos entregar a elas. E usamos desculpas para esconder nossa incapacidade. Dizemos:
- Não estava na hora.
- Ele não é a pessoa certa.
- O lugar não era adequado.
- O que iriam pensar?
- Não devo, não sou dessas.
Verdade que procuramos prazer e evitamos a dor?
Acho que acontece o contrário; defendemo-nos de coisas excelentes, fabricando uma casca protetora, verdadeira couraça. Os psicanalistas a chamam de defesa psicológica ou mecanismo de fuga ou proteção? Toda casca faz do indivíduo um especialista? Ele sempre responde as incertezas do mesmo jeito. Por isso, torna-se muito capaz numa direção, e incapaz na outra.

Alguns exemplos: o desdenhoso sabe desdenhar espetacularmente, mas sua habilidade termina aí. O orgulhoso é especialista em colcar-se acima das coisas, e incapaz de vivê-las. O gozador tem grande capacidade em rir de tudo, porém, não sente nada de importante, já que tudo é risível. O sério julga o mundo sério demais e achata a vida. Não sabe rir.

O displicente não leva nada a sério, então, não há nada que lhe interessa. A ingênua diz com espanto nos olhos que tudo é novo, mesmo acontecimentos velhos de muitos anos. E não se enriquece com acúmulo das experiências. O cobrador vive exigindo que as pessoas cumpram sua obrigação, com isso elimina a possibilidade (e risco) das respostas espontâneas.

O desconfiado está sempre desconfiado e afasta as coisas boas que interpreta como malévola. A eterna vítima é técnica em queixar-se, portanto não se arrisca a viver uma situação agradável. O Don Juan transforma a vida numa caçada à mulher, porém é incapaz de amar alguém.
O falador interminável teoriza sobre tudo e não vive, a vida é um dicionário. Esses são só alguns exemplos de cascas. Pois há tantas....e todas dificultam a vida. Como se fossem óculos escuros, impossibilitando a visão do arco-iris. O cavaleiro medieval, armado de imponente armadura, investe contra o índio nu. Casca e não casca. Quem vai ganhar?

Se for preciso passar por uma ponte estreita (ou seja, por um momento difícil) é quase impossível manter o equilíbrio com a armadura. O índio ganha se surgir um perigo inesperado; como é que o cavaleiro se defenderá? Ele só sabe fazer as coisas de um jeito (é um especialista). O índio ganha. Se acontecer um empurrão (isto é, se as pressões sociais forem muitas), o cavaleiro não resiste e cai. O índio ganha.
Além disso, durante todo o tempo da luta, o encouraçado tem a respiração deficiente. Em conseqüência disso, ele pensa, sente e se mexe mal, pois a casca feita, na verdade, por tensões musculares que prendem, como uma roupa apertada, inibe todas as expansões.

Voltando aos exemplos, como o cavaleiro encouraçado, o desdenhoso, a vítima, o orgulhoso e os outros cascudos, especializados em suas defesas se movem, respiram, se sentem mal, vivem mal.
Todo bicho muito cascudo, tartaruga, besouro, morre quando cai de costas.
Seria bom aprender esta lição. A casca oprime, limita e sufoca. Nos torna burro em todas as reações que fogem a nossa especialidade. Nos deixa tenso e sem reações de forma que deixamos a vida passar sem ralmente vivê-la, como se passa o tempo.
José Angêlo Gaiarsa
Picture by Rodolfo Jimenez

8 de fev. de 2008

O óbvio


É preciso ter uma mente muito fora do comum, para analisar o óbvio.
Albert Whitehead

Vida breve, vida


A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.

Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.

Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras, demita-se.

Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz.

Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.
Mário Quintana
Picture by Rodney White

Coisas que a vida ensina depois dos 40


Amor não se implora, não se pede não se espera...
Amor se vive ou não.
Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você.
Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus para mostrar ao homem o que é fidelidade.
Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz.
As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros.
Perdoar e esquecer nos torna mais jovens.
Água é um santo remédio.
Deus inventou o choro para o homem não explodir.
Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso.
Não existe comida ruim, existe comida mal temperada.
A criatividade caminha junto com a falta de grana.
Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.
Amigos de verdade nunca te abandonam.
O carinho é a melhor arma contra o ódio.
As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
Há poesia em toda a criação divina.
Deus é o maior poeta de todos os tempos.
A música é a sobremesa da vida.
Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças a cerca de suas ações.
Obrigada, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que abrem portas para uma vida melhor
O amor... Ah, o amor...O amor quebra barreiras, une facções, destrói preconceitos, cura doenças. Não há vida decente sem amor! E é certo, quem ama, é muito amado. E vive a vida mais alegremente.
Artur da Távola
Picture by Patricia Laspino

As virtudes aristotélicas



As virtudes aristotélicas

1- Coragem
Um compromisso de fazer o que é correto , apesar da ameaça de perigo.

2- Autocontrole
Uma moderação racional e um autodomínio adequado em nossos prazeres.

3- Liberalidade
A liberdade de dar a outros o lhes pode ser de ajuda.

4- Grandiosidade
A capacidade de agir em grande escala.

5- Orgulho
Um verdadeiro senso de honra e dignidade.

6- Bom - humor
Calma interior manifestada por comportamento exterior apropriado.

7- Autenticidade
Forte disposição para a honestidade em todas as coisas.

8- Cordialidade
Conduta de tratar os outros jovialmente e de maneira sociável.

9- Presença de espírito
Capacidade para ver e expressar o humor apropriadamente.

10- Justiça
Disposição fundamental de tratar os outros bem e imparcialmente.
Picture by Michelangelo Pergolesi

7 de fev. de 2008

Como dizia o poeta

Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não
Vinícius de Moraes
Picture by Don Li-Leger

Poesia dedicada a Thiago Franco, que como ninguém sabe passar pela vida e viver intensamente.
Pelo menos enquanto não termina o curso de medicina. Depois serão plantões de 24 horas e em 7 dias por semana. Aí quero ver seu pique para viver a vida em sua plenitude.
Thiago, parabéns pelo seu aniversário. Continue sendo esta pessoa luminosa !

O sentido de humanização da vida...


“Gentileza se volta para um sentido de humanização da vida na cidade contemporânea.
As cidades marcadas pela violência e pelo desapêgo de seus habitantes, colocam-se para, o Profeta, como um mundo a restituir.
Assim se deu com o local do circo em Niterói, e com os viadutos do Caju, no Rio de Janeiro.
Sobre as cinzas e sob a fumaça dos viadutos da megalópole, em seus lugares mais inóspitos e desolados, o homem, vindo de Cafelêndia, vem exaltar seu “anúncio”, transposto em letras azuis e em faixas verde-amarelo”.
Leonardo Caravana Guleman

6 de fev. de 2008

Simples


É uma prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas de um modo simples.
Ralph Waldo Emerson
Picture by Gary Faye

O bem e o barulho


O bem não faz barulho, e o barulho não faz bem.
Francisco de Sales
Picture by Leonardo da Vinci

Agradecimento


Teresa,
Obrigado pelas palavras carinhosas. Continue nos prestigiando com suas visitas.
O incentivo vem de pessoas como você, que nos bridam com esta elegancia e sensibilidade.

O sujeito e suas motivações

O sujeito é movido por forças que desconhece; o verdadeiro sentido de suas experiências está onde sua consciência não pode chegar; ele é um trágico personagem sempre tentando compreender e interpretar as motivações desconhecidas que o governam.
J. Bezerra
Picture by Hettie Saaiman

Equilibrio


Gostamos de dividir o mundo, as coisas e as pessoas em categorias que se opõem: bom e mau, certo ou errado, vida pessoal ou vida profissional, materialista ou espiritualista. Estamos sempre optando entre uma coisa e outra, o que nos traz muita ansiedade e angústia. A procura da inteireza, da conciliação entre os opostos, da ausência de luta interna é a mesma procura da paz, do amor e da felicidade. Os antigos místicos diziam que a virtude está no meio, indicando que o esforço do homem tem de se concentrar no equilíbrio. Todo excesso prejudica, seja para um lado ou para outro.

No caminho do crescimento emocional, cada vez mais teremos de abrir mão desta partícula alternativa –“ou” – e de aderir à partícula integrativa – “e”. Um exemplo simples, do dia-a-dia, talvez nos aclare melhor. Quando os meus filhos eram crianças, um deles me perguntou se eu me achava inteligente. Já nessa época, às voltas com a necessidade de aceitar os opostos, me lembro de ter respondido: “Depende da hora. Às vezes, me sinto bastante inteligente; às vezes, extremamente idiota”. E ainda acrescentei: “Sou também bom e mau, verdadeiro e falso, calmo e nervoso”.
Somos feitos de algumas dualidades. Corpo e alma, razão e emoção, individualidade e vida social. A decorrência disso é que somos seres materialistas e espiritualistas e que devemos conjugar com igual importância o verbo ser e o verbo ter. O que é, porém, equilíbrio? Equilíbrio é deixar que os opostos façam as pazes no nosso coração. Todos sabem quando estão exagerando. Equilíbrio é olhar com amor, sem julgar os aspectos aparentemente contraditórios da realidade e saber que, apesar da diversidade, o mundo é um só. Só assim podemos ter paz. A paz de aceitar o mundo tal qual ele é. Equilíbrio, em todos os aspectos da nossa vida, é como caminhar numa corda bamba. O segredo para não cair é, ao sentir que está pendendo demais para um lado, fazer força no sentido contrário.
Antônio Roberto
Picture by Laura Monahan

5 de fev. de 2008

Auto-estima


Um homem vale tanto quanto o valor que dá a si próprio
François Rabelais
Picture by John Glembin

Sementes



Toda semente de ódio, deixada a esmo pelo caminho, sempre se transforma em plantação de infelicidade, proporcionando colheita de amarguras.
Manoel Philomeno de Miranda
Picture by Dorothea Lange

A história (ou o que dela conhecemos)


A história não está ligada ao homem, nem a qualquer objeto em particular. Consiste inteiramente no seu método; a experiência comprova que ele é indispensável para inventariar a integralidade dos elementos de uma estrutura qualquer, humana ou não humana.
Longe portanto de a pesquisa da inteligibilidade resultar na história como o seu ponto de chegada, é a história que serve de ponto de partida para toda a busca de inteligibilidade. Assim como se diz de certas carreiras, a história leva a tudo, mas contanto que se saia dela.
Lévi-Strauss
Picture by Max Pechstein

4 de fev. de 2008

O poder da alegria


O homem hoje, para ser salvo, só tem necessidade de uma coisa: abrir o coração à alegria
Bertrand Russell
Picture by Paul Cézanne

A arte de fazer feliz


Não há nada melhor para uma alma do que tornar menos triste outra alma.
Paul Verlaine
Picture by Pablo Picasso

Indiferença


O homem que vive na indiferença, é aquele que ainda não viu a mulher que deve amar.
Jean de La Bruyère
Picture by Vincent van Gogh

Money for nothing

O dinheiro suscita a maior parte das vociferações que ouvimos: é o dinheiro que fatiga os tribunais, é ele que coloca pais e filhos em desavença, é ele que derrama venenos, é ele que põe a espada nas mãos dos assassinos e das legiões; ele está manchado de sangue nosso; é por causa dele que as discussões de marido e mulher ressoam na noite, é por causa dele que a turba aflui aos tribunais; por causa dele, os reis massacram, saqueiam e arrasam cidades que demoraram séculos a construir, para procurarem ouro e prata entre as cinzas. Vês os cofres arrumados a um canto?
É por causa deles que se grita até os olhos saírem das suas órbitas e que os brados ressoam nos tribunais; é por causa deles que juízes vindo de regiões longínquas se reúnem para decidir qual é a avidez mais justa. E quando, não por um cofre, mas por um punhado de ouro ou por um denário que se dispensaria a um escravo, se perfura o estômago de um velho que ia morrer sem herdeiros?

E quando, possuindo vários milhares, um usurário de pés e mãos deformados, incapaz sequer de mexer no dinheiro, reclama, furioso, os juros dos seus asses? Se me apresentasses todas as minas e todo o dinheiro que delas retiramos, se pusesses aos meus pés todos os tesouros escondidos (pois a avareza devolve ao interior da terra aquilo que dela fora retirado com maldade). não creio que todas estas riquezas conseguissem impressionar um homem virtuoso.

Quão risíveis são todas as coisas que nos provocam lágrimas!
Sêneca

3 de fev. de 2008

O Tejo


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha cidade, mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha cidade, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha cidade.

Fernando Pessoa


A arte da tolerância


Grande Espírito, ajuda-me a jamais julgar o outro até que eu tenha andado em seus mocassins
Prece dos índios sioux americanos
Picture by Paul Ranson

O sucesso e as boas maneiras


Para ter sucesso neste mundo não basta ser estúpido, é preciso também ter boas maneiras.
Voltaire
Picture by Lucas Valckenborch

O enigma dos 4 livros

Códigos indecifráveis, autores anônimos, enredos delirantes.
Conheça os segredos impressos nas páginas dos livros mais misteriosos da história

Em um monastério medieval, um homem está escrevendo. Seus instrumentos: um pergaminho de pele de ovelha e uma pluma. O resultado de seu trabalho será um objeto único e precioso, um tesouro digno de ser guardado a sete chaves e contemplado com espanto e admiração por gerações de estudiosos.
Um livro.

Essa cena se repetiu inúmeras vezes ao longo dos séculos. Nos primórdios, em vez de pergaminhos usava-se argila ou tábuas de madeira com cera. No lugar da pluma, um estilete. Mas o resultado era o mesmo: uma obra literária de personalidade única. A realidade mudou apenas em 1498, quando o alemão Johannes Gutenberg inventou o tipo móvel. Mudou, mas pouco. As obras surgidas na infância da tipografia estavam longe de ser itens populares. Eram vendidas por fortunas a aristocratas bibliófilos e ricos membros da Igreja.

Foi apenas no século 19, após a Revolução Industrial, que o livro se incorporou ao dia-a-dia. Antes disso, durante milênios e milênios, cada livro era considerado uma relíquia. Não é por acaso, portanto, que algumas obras mantenham até hoje a aura de mistério.
Os Livros do destino
Eram os últimos anos do século 6 a.C. quando uma viajante entrou pelos portões de Roma e pediu uma audiência com Tarquínio, governante da cidade. A estrangeira trazia 9 livros que continham "revelações divinas". Pediu 300 peças de ouro pelo lote, provavelmente escrito em folhas de palmeira ou papiro, já que não havia pergaminhos na época. Tarquínio recusou. Irritada, a desconhecida queimou 3 livros e ofereceu os restantes pelo mesmo preço. Proposta negada, ela destruiu outras 3 obras e repetiu a pedida. Impressionado, Tarquínio consultou seus sacerdotes e comprou os livros sobreviventes. Em seguida encerrou os volumes numa cripta subterrânea sob o Templo de Júpiter Capitolino - o mais importante da cidade.
Esse relato foi narrado por diversos historiadores antigos. Lactâncio, que viveu no século 3 d.C., afirmou que a desconhecida era Sibila de Cumas, sacerdotisa do deus Apolo, que tinha o dom da clarividência. Seus livros estariam repletos de profecias. Hoje, sabe-se que a maior parte da história não passa de lenda. O que não resolve o mistério. Por exemplo: havia, de fato, uma coleção de obras misteriosas nos subterrâneos do Templo de Júpiter. Era conhecida como Libri Fatales, os "Livros do Destino", ou Libri Sibillini, os "Livros da Sibila".
Escritos em grego, os volumes só podiam ser manuseados por sacerdotes conhecidos como quindecemviri, ou "os quinze homens", e sob ordem expressa do Senado. Revelar seu conteúdo rendia a pena de morte. Os livros eram consultados sempre que uma calamidade se aproximava. Interpretando os versos, os sacerdotes encontravam a solução para o problema e prescreviam construções de templos, orações ou sacrifícios humanos. A enigmática coleção foi destruída em 83
a.C., quando o Templo de Júpiter ardeu em chamas. De seu conteúdo, restaram apenas alguns poucos versos.

A origem dos Libri até hoje intriga historiadores. Para o francês Raymond Bloch, as obras foram escritas pelos etruscos - povo que habitava a Itália antes de Roma ser fundada - e traduzidas para o grego. Há quem opine que tudo não passava de embuste. "Os livros podem ter sido forjados pelo próprio Tarquínio, que usaria as profecias para justificar suas decisões", escreveu a espanhola Concha de Salamanca no Dicionário del Mundo Clásico.
A história dos Libri não acabou com o incêndio do templo. Até o século 4, escritores forjaram cópias da coleção para propagandear o cristianismo: os versos traziam previsões, "escritas séculos antes do nascimento de Jesus", que falavam sobre a vinda do Messias. As farsas circularam pela Europa durante séculos e foram reunidas num único volume pelo editor Servatius Gallaeus, na Holanda. Isso em1689.

Delírios de São Tomás
Um casal de gêmeos siameses é embalado por um pássaro azul gigante. Enquanto isso, dois cavaleiros cruzam lanças montados em feras monstruosas: o primeiro usa um elmo feito de raios de sol, o segundo tem 3 rostos semelhantes às fases lunares.
Mais adiante, uma criança nua, com a cabeça estraçalhada, arranca pedaços do tórax e os oferece a um companheiro. Sob as asas negras de um corvo, um macaco sorridente toca violino.

Não, leitor, essas cenas não estão em um quadro de Salvador Dali. As imagens acima fazem parte dos tesouros gráficos do Aurora Consurgens - em latim, "Aurora que Surge", escrito entre os séculos 13 e 15, um dos livros mais obscuros da Idade Média. Grande parte do seu mistério gira em torno do nome do autor. De acordo com tradições medievais, esse seria o último livro escrito por são Tomás de Aquino, um dos maiores pensadores do cristianismo.

Considerado incompreensível pela maioria dos estudiosos, Aurora pertence a um gênero há muito desaparecido: o tratado alquímico. A alquimia era uma espécie de ciência primitiva, que misturava química, filosofia, astrologia e misticismo. Seus praticantes dedicavam-se a uma tarefa digna de contos fantásticos: encontrar a fórmula da "pedra filosofal", substância capaz de converter metais em ouro e de prolongar a vida. As imagens podem ser vistas como metáforas para os processos de transformação - um animal macho e um animal fêmea juntos, por exemplo, poderiam simbolizar a união do enxofre com o mercúrio, substâncias que os alquimistas consideravam opostas.

Durante centenas de anos, o Aurora foi uma das obras mais raras do mundo ocidental. Suas cópias limitavam-se a manuscritos esparsos. Até que no início do século 20 uma reprodução foi casualmente descoberta por um bibliófilo famoso: o psicólogo suíço Carl J. Jung, que ficou hipnotizado pelas imagens fantasmagóricas e interpretou os símbolos alquímicos do Aurora como alegorias do inconsciente humano. Jung levava a sério a versão que atribuía a obra a são Tomás. Para ele, o livro era uma transcrição das últimas palavras do filósofo, pronunciadas em seu leito de morte no mosteiro de Santa Maria della Fossa-Nuova, na Itália. A hipótese é apoiada nos relatos de alguns biógrafos que afirmam que o santo morreu em estado de perturbação mental, assombrado por delírios místicos e visões do além. "À primeira vista, o Aurora parece um texto esquizofrênico, com múltiplos sentidos divergentes", diz Gelson Luis Roberto, presidente do Instituto Junguiano do Rio Grande do Sul. "Mas um olhar mais cuidadoso revela que, talvez, trate-se dos últimos estertores de uma mente brilhante."

O Enigma de Veneza
Os livros impressos no século 15 são conhecidos como incunabula - de incunabulum, em latim, "berço" ou "princípio". Raros, frágeis e belos, são objeto de desejo de qualquer bibliófilo. Em dezembro de 1499, chegou às estantes de Veneza um dos incunabula mais estranhos e controvertidos. A obra tem biografia tão intrigante quanto o título da capa: Hypnerotomachia Poliphili, que numa tradução aproximada do grego significa "A Luta Amorosa de Poliphilo em um Sonho". A autoria é desconhecida - apenas o editor é conhecido: Aldus Manutius, o primeiro impressor profissional da Itália.

O Hypnerotomachia tem uma característica célebre: as magníficas ilustrações em litogravura. "O livro representa uma revolução na história da tipografia. É uma obra de arte", diz o empresário e bibliófilo José Mindlin, um dos poucos sul-americanos que contam com um exemplar na prateleira. Mas o que fez mesmo a fama do livro é o fato de ser um dos mais complicados de todos os tempos. Escrito numa mistura de latim, italiano, grego, hebraico, árabe e imitações de hieróglifos egípcios, a narrativa mistura pesadelos sanguinolentos, aventuras intricadas e devaneios eróticos, entremeados por comentários sobre literatura, arte e música.

O enredo é um labirinto: durante um sonho, Poliphilo parte em busca de sua amada, Polia, atravessando bosques, ruínas e cidades bizarras. Nesse cenário delirante, depara com deuses, ninfas e dragões. Um texto do século 16 sugeriu que a narrativa obscura e as ilustrações enigmáticas eram partes de um código alquímico. No best seller O Enigma do Quatro, publicado no Brasil em 2005, os autores tentam encontrar significados ocultos nos jogos de palavras do livro. Sobre a misteriosa identidade do autor, existem apenas pistas. Por exemplo: alinhadas, as letras iniciais de cada um dos 38 capítulos formam a frase "Poliam Frater Franciscus Colonna Peramavit" - em latim, "O irmão Francisco Colona amava Polia loucamente". Sabe-se que na época havia dois Franciscos Colonna: um aristocrata romano e um monge dominicano - este, o maior suspeito. De acordo com os anais dominicanos, por volta de 1500 ele solicitou um empréstimo para ajudar na publicação de um livro. Na década de 1990, a estudiosa francesa Liane Lefaivre sugeriu nova hipótese: o autor seria Leon Battista Alberti, espécie de artista multimídia do Renascimento, que era pintor, músico, arquiteto, filósofo, poeta e lingüista. Com um currículo desse calibre, Alberti bem que poderia ter escrito o livro mais complicado da literatura ocidental.
O doutor fantástico
A aura de mistério que cerca os Libri Fatales ou o Aurora Consurgens é alimentada pelo anonimato. Já as Opera Omnia Paracelsi ("Obras Completas de Paracelso") entraram para o panteão dos enigmas pelo motivo oposto: as lendas e controvérsias que cercam a figura de seu autor. O suíço Theophrastus Philipus Aureolus Bombastus, mais conhecido como Paracelso, é um dos autores mais esquisitos na história. Era médico, químico e astrólogo; baixinho, enfezado e beberrão. Viajou com uma pequena trouxa de roupa pela França, Suécia, Rússia. Há quem diga que ele foi até a China, que estudou os segredos dos sábios de Constantinopla.

Paracelso fez fama transcrevendo suas experiências. Para ele, o Universo tinha demônios, espíritos e bruxas. Magia e ciência se cruzavam. E o mundo guardava uma doutrina secreta, passada a cada geração por magos persas, sacerdotes egípcios e alquimistas medievais, que ensinava a transformar metais, prever o futuro e tratar doenças incuráveis. Os inimigos esbravejavam, mas não conseguiam resolver a contradição: parecia inexplicável que a ciência maluca de Paracelso funcionasse tão bem - ele conseguia curar mais gente do que seus críticos.

A maior parte dos seus escritos foi reunida na coleção Omnia Opera, publicada no século 16. Desde então, sua fama oscila de louco a visionário. "Ele é uma figura controvertida, no limite entre a ciência e o obscurantismo", diz Jorge de Carvalho, antropólogo da Universidade Nacional de Brasília. Essa combinação de cientista moderno e feiticeiro medieval ainda é um enigma - e as páginas de seus tratados continuam tão intrigantes e perturbadoras quanto 5 séculos atrás.
José Francisco Botelho
Picture by Valentina

2 de fev. de 2008

Os 3 últimos desejos de Alexandre o Grande




Quando à beira da morte, Alexandre convocou os seus generais e relatou seus 3 últimos desejos:
1 - que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;
2 - que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas...);
e 3 - que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.
Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões. Alexandre explicou:
1 - Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm poder de cura perante a morte;
2 - Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;
3 - Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

Imensidão


Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.
Carl Sagan
Picture by Charters d'Azevedo

Tempo e Olfato


Que me quer este perfume?
Nem sequer lhe sei o nome.
Sei que me invade a narina
como incenso de novena.
Que me passeia no corpo
como os dedos tangem harpa.
E me devolve ao pretérito
e a um ser de lava, quimérico,
ser que todo se esvaía
pela porta dos sentidos,
e do mundo em que saltava,
qual dum espelho lascivo,
retirava a própria imagem
na pura graça da origem...
Cheiro de boca? de casa?
de maresia? de rosa?
Todo o universo: hipocampo
no mar celeste do Tempo.
Carlos Drummond de Andrade
Picture by Childe Hassam

Exercitar-se e viver mais


Um dos mais longos estudos já realizado sobre os benefícios da boa forma física na meia-idade mostrou que homens que envelhecem em forma vivem mais, independente de raça ou situação financeira. Mais de 15.000 veteranos das Forças Armadas dos Estados Unidos, brancos e negros, com idades entre 50 e 70 anos, foram analisados entre maio de 1983 e dezembro de 2006. Cada um deles foi encorajado a se exercitar durante uma média de 7 anos e meio, realizando testes de desempenho periodicamente. A partir dos resultados, os participantes foram classificados em níveis que mediam sua capacidade física: baixa, moderada, alta e muito alta.

Após os 23 anos do estudo, as mortes registradas no grupo de baixa capacidade física foram 50% mais freqüentes do que entre os homens com alta capacidade. Comparados aos da categoria mais baixa, os homens de capacidade física muito alta tiveram risco de morte 70% menor. Os pesquisadores também levaram em conta fatores como renda e acesso a cuidados médicos. Nenhum deles influenciou o impacto da boa forma no aumento dos anos de vida. Segundo Peter Kokkinos, do Veterans Affairs Medical Center, em Washington, que conduziu a pesquisa, 30 minutos de caminhada rápida, de cinco a seis vezes por semana, já são suficientes para levar um homem de meia-idade da categoria baixa para a muito alta em poucos meses.
Revista Veja
Picture by Maurice Denis

1 de fev. de 2008

Felicidade


Felicidade vem da capacidade de sentir profundamente, desfrutar com simplicidade, pensar com liberdade, arriscar e ser necessário.
S. Jameson
Picture by Larry Rivers

Ódio Necessário


Estavam alguns homens debaixo de uma grande árvore. E um dos homens tinha olhos para ver. E ele viu: no cimo da árvore havia um pássaro, magnífico na sua beleza essencial. Os outros não o viam, mas o homem foi assaltado por um violento desejo de conseguir chegar até junto do pássaro para o apanhar; não conseguia ir-se embora dali sem o pássaro.

Todavia, como a árvore era alta, ele não podia lá chegar, e não tinha escada. mas sendo tão poderoso o seu desejo, a sua alma encontrou uma maneira. Ele puxou os homens que ali se encontravam e pô-los uns sobre os outros, cada um deles sobre os ombros de um companheiro.

Ele pôs-se lá no alto, por cima deles todos, de tal modo que conseguiu chegar até junto do pássaro e o agarrou. Os outros, tendo embora ajudado aquele homem, não sabiam nada acerca do pássaro e não o viam. Mas ele, que sabia que o pássaro estava ali, e que o via, não teria podido chegar até ele sem os outros. Se aquele que estava na base da torre tivesse abandonado o seu lugar, o que se encontrava lá em cima teria necessáriamente caído.
Nicole Jeammet
Picture by Larry Rivers

O trabalho



O trabalho é o médico da natureza e é essencial à felicidade humana.
Galeno

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