31 de jul de 2010

Adivinha quem estava dirigindo ?

Estavam em um carro: Adriano, Wagner Love e Bruno. Adivinha quem estava dirigindo ?
É muito óbvio...mas, eu consegui errar!!!
. . Já sabe ? . . . . . . Pensa mais um pouquinho.... . . . . . . . . . . . . Resposta: . . A POLÍCIA ! kakakakaka

Quem sou eu?

Nesta altura da vida já não sei mais quem sou...
Vejam só que dilema:
Na ficha da loja sou CLIENTE, no restaurante FREGUÊS, quando alugo uma casa INQUILINO, na condução PASSAGEIRO, nos correios REMETENTE, no supermercado CONSUMIDOR.
Para a Receita Federal CONTRIBUINTE, se vendo algo importado CONTRABANDISTA. Se revendo algo, sou MUAMBEIRO, se o carnê tá com o prazo vencido INADIMPLENTE, se não pago imposto SONEGADOR. Para votar ELEITOR, mas em comícios MASSA , em viagens TURISTA , na rua caminhando PEDESTRE, se sou atropelado ACIDENTADO, no hospital PACIENTE.
Nos jornais viro VÍTIMA, se compro um livro LEITOR, se ouço rádio OUVINTE. Para o Ibope ESPECTADOR, para apresentador de televisão TELESPECTADOR, no campo de futebol TORCEDOR.
Se sou corintiano, SOFREDOR. Se sou palmeirense, SOU PORCO, Se sou santista, SOU PEIXE, Se sou são paulino, SOU PÓ DE ARROZ... Agora, já virei GALERA. (se trabalho na ANATEL , sou COLABORADOR ) e, quando morrer... uns dirão... FINADO, outros... DEFUNTO, para outros... EXTINTO , para o povão... PRESUNTO...
Em certos círculos espiritualistas serei... DESENCARNADO, evangélicos dirão que fui... ARREBATADO...
E o pior de tudo é que para todo governante sou apenas um IMBECIL !!!
E pensar que um dia já fui mais EU.
Luiz Fernando Veríssimo

A vida é sorte

A vida é sorte, minha gente...
As possibilidades simplesmente surgem, as oportunidades surgem, cabe a você aceitá-las ou não. Algumas a gente aceita de vez, sem saber se realmente vale à pena, algumas a gente aceita com certeza de que vale à pena... E vale!
Às vezes não aceitamos e nos arrependemos, às vezes não nos arrependemos, mas... Quem vai saber?
A gente vive e a vida é um grande risco... Não sei de quase nada, mas de uma coisa eu tenho certeza: o amor existe sim. Posso sentir. Está nas pequenas coisas... Está nas pessoas tão queridas que chegaram a se preocupar mais do que eu com esse dia...

Eu acredito nas pessoas

Especialmente naquelas em que habita algo mais que a humanidade. Aquelas que, às vezes, a gente confunde com anjos e outras entidades divinas... Falo daquelas pessoas que existem em nossas vidas e enchem nosso espaço com pequenas alegrias e grandes atitudes...
Daquelas que te olham nos olhos quando precisam ser verdadeiras, que tecem elogios, agradecem e pedem desculpas com a mesma simplicidade de uma criança... Pessoas que não precisam fazer jogos para conseguir o que buscam, porque seus desejos são realizados por suas ações e reações, não por seus caprichos... Pessoas que fazem o bem e se protegem do mal, apenas com um sorriso, uma palavra, um beijo, um abraço, uma oração...
Pessoas que atravessam as ruas, sem medo da luz que existe nelas, caminham firmes e levantam a cabeça em momentos de puro desespero... Pessoas que erram mais do que acertam, aprendem mais do que ensinam e vivem mais do que sonham...
Pessoas que cuidam do seu corpo, porque este os acompanhará até o fim. Não ficam julgando gordos ou magros, negros ou brancos... Pessoas, simplesmente pessoas, que nem sempre têm certeza de tudo, mas acreditam sempre. Transparentes, amigas, espontâneas, até mesmo ingênuas... Prefiro acreditar em relacionamentos baseados em confiança, serenidade, humildade e sinceridade... Prefiro acreditar naqueles encontros, que nos transmitem paz e um pouco de gratidão... Prefiro acreditar em homens e mulheres, que reverenciam a vida com a mesma intensidade de um grande amor... Que passam pela Terra e deixam suas marcas, suas lembranças, que deixam saudades e não apenas rastros... Homens e mulheres que habitam o perfeito universo e a perfeita ordem nele existente... Homens e mulheres de alma limpa e puros de coração.

30 de jul de 2010

Descansando após visita da sogra

 

Banheiro feminino

O grande segredo de toda a mulher, com relação aos banheiros é que quando pequena, quem a levava ao banheiro era sua mãe. Ela ensinava a limpar o assento com papel higiênico e cuidadosamente colocava tiras de papel no perímetro do vaso e instruía: "Nunca, nunca sente em um banheiro público"
E, em seguida, mostrava "a posição", que consiste em se equilibrar sobre o vaso numa posição de sentar, sem que o corpo, no entanto, entre em contato com o vaso. "A Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, super importante e necessária, e irá nos acompanhar por toda a vida. No entanto, ainda hoje, em nossa vida adulta, "a posição" é dolorosamente difícil de manter quando a bexiga está quase estourando.
Quando você TEM que ir ao banheiro público, você encontra uma fila de mulheres, que faz você pensar que o Bradd Pitt deve estar lá dentro. Você se resigna e espera, sorrindo para as outras mulheres que também estão com braços e pernas cruzados na posição oficial de "estou me mijando".
Finalmente chega a sua vez, isso, se não entrar a típica mamãe com a menina que não pode mais se segurar. Você, então verifica cada cubículo por debaixo da porta para ver se há pernas. Todos estão ocupados.
Finalmente, um se abre e você se lança em sua direção quase puxando a pessoa que está saindo. Você entra e percebe que o trinco não funciona (nunca funciona); não importa... você pendura a bolsa no gancho que há na porta e se não há gancho (quase nunca há gancho), você inspeciona a área.. o chão está cheio de líquidos não identificados e você não se atreve a deixar a bolsa ali, então você a pendura no pescoço enquanto observa como ela balança sob o teu corpo, sem contar que você é quase decapitada pela alça porque a bolsa está cheia de bugigangas que você foi enfiando lá dentro, a maioria das quais você não usa, mas que você guarda porque nunca se sabe...
Mas, voltando à porta... Como não tinha trinco, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto, com a outra, abaixa a calcinha com um puxão e se coloca "na posição". Alívio...... AAhhhhhh.... .finalmente. .. Aí é quando os teus músculos começam a tremer ...
Porque você está suspensa no ar, com as pernas flexionadas e a calcinha cortando a circulação das pernas, o braço fazendo força contra a porta e uma bolsa de 5 kg pendurada no pescoço. Você adoraria sentar, mas não teve tempo de limpar o assento nem de cobrir o vaso com papel higiênico. No fundo, você acredita que nada vai acontecer, mas a voz de tua mãe ecoa na tua cabeça "jamais sente em um banheiro público!!!" e, assim, você mantém "a posição" com o tremor nas pernas...
E, por um erro de cálculo na distância, um jato finíssimo salpica na tua própria bunda e molha até tuas meias!! Por sorte, não molha os sapatos. Adotar "a posição" requer grande concentração. Para tirar essa desgraça da cabeça, você procura o rolo de papel higiênico, maaassss, para variar, o rolo está vazio...! Então você pede aos céus para que, nos 5 kg de bugigangas que você carrega na bolsa, haja pelo menos um miserável lenço de papel. Mas, para procurar na bolsa, você tem que soltar a porta. Você pensa por um momento, mas não há opção...
E, assim que você solta a porta, alguém a empurra e você tem que freiá-la com um movimento rápido e brusco enquanto grita OCUPAAADOOOO! !! Aí, você considera que todas as mulheres esperando lá fora ouviram o recado e você pode soltar a porta sem medo, pois ninguém tentará abrí-la novamente (nisso, nós, as mulheres, nos respeitamos muito) e você pode procurar seu lenço sem angústia. Você gostaria de usar todos, mas quão valiosos são em casos similares e você guarda um, por via das dúvidas. Você então começa a contar os segundos que faltam para você sair dali, suando porque você está vestindo o casaco já que não há gancho na porta ou cabide para pendurá-lo. É incrível o calor que faz nestes lugares tão pequenos e nessa posição de força que parece que as coxas e panturrilhas vão explodir. Sem falar do soco que você levou da porta, a dor na nuca pela alça da bolsa, o suor que corre da testa, as pernas salpicadas.
A lembrança de sua mãe, que estaria morrendo de vergonha se a visse assim, porque sua bunda nunca tocou o vaso de um banheiro público, porque, francamente, "você não sabe que doenças você pode pegar ali" ... você está exausta. Ao ficar de pé você não sente mais as pernas. Você acomoda a roupa rapidíssimo e tira a alça da bolsa por cima da cabeça!...
Você, então, vai à pia lavar as mãos. Está tudo cheio de água, então você não pode soltar a bolsa nem por um segundo. Você a pendura em um ombro, e não sabendo como funciona a torneira automática, você a toca até que consegue fazer sair um filete de água fresca e estende a mão em busca de sabão. Você se lava na posição de corcunda de notre dame para não deixar a bolsa escorregar para baixo do filete de água... O secador, você nem usa. É um traste inútil, então você seca as mãos na roupa porque nem pensar usar o último lenço de papel que sobrou na bolsa para isso.
Você então sai. Sorte se um pedaço de papel higiênico não tiver grudado no sapato e você sair arrastando-o, ou pior, a saia levantada, presa na meia-calça, que você teve que levantar à velocidade da luz, deixando tudo à mostra! Nesse momento, você vê o seu amigo que entrou e saiu do banheiro masculino e ainda teve tempo de sobra para ler um livro enquanto esperava por você. "Por que você demorou tanto?" pergunta o idiota. Você se limita a responder "A fila estava enorme"
E esta é a razão porque nós, as mulheres, vamos ao banheiro em grupo. Por solidariedade, já que uma segura a tua bolsa e o casaco, a outra segura a porta e assim fica muito mais simples e rápido já que você só tem que se concentrar em manter "a posição" e a dignidade.

29 de jul de 2010

Simpli-cidade

Ao terminar uma aula, fui pega pela pergunta de um aluno: por que você faz isso? E para quê? Essa dúvida me fez emudecer. Não gosto de respostas prontas ou apressadas, fiquei temerosa pela pequenez que eu poderia transmitir com palavras ansiosas. Aquelas questões incitaram em mim muito mais silêncio que resposta. Pedi licença para no silêncio buscar algo digno de ser dito. Drummond disse “Convive com teus poemas antes de escrevê-los”. Convivendo com a dúvida, notei que ela é terreno fértil de possibilidades e que, então, fui conduzida a uma esfera muito peculiar de memórias. Lembrei-me das tardes quentes de minha infância simples, em que eu e meus amigos nos divertíamos muito brincando com a “nossa piscina” de água da chuva recolhida num balde azul em que só cabia uma criança e esperávamos por nossa vez rindo e nos deliciando com o prazer do colega. Recordei minha mãe preparando um bolo de fubá, artigo de luxo, para receber sua amiga para um café. A conversa começava sempre à tarde e terminava quase na hora do jantar.Tinham tempo! Coisa rara e cara hoje em dia! E as idas ao banco? Antes, sem internet nem caixas eletrônicos, conhecíamos os funcionários e os tratávamos com a dignidade e o respeito que mereciam. A mesma coisa com o padeiro, com o motorista do ônibus e com o carteiro. As nossas relações e nossa vida eram mais artesanais e mais elaboradas, como a receita do bolo feita em casa tem sabor mais agradável. Relações que eram cultivadas, regadas e alimentadas com respeito. Hoje é difícil saber o que tem acontecido com a humanidade. A era industrial e tecnológica parece ter nos transformado em máquinas. Na fila as pessoas ficam impacientes, o clima se torna hostil e não há gentileza nem troca. Aquele bom-dia sem olho no olho que não é bom nem para quem dá nem para quem ouve. Não ouvimos o outro. Não olhamos o outro. Andamos solitários, massificados e reduzidos a quase nada. Os sorrisos tornaram-se obrigações de cordialidade. Sorrisos de quem não quer sorrir. A doença da modernidade e que atinge milhões é a “crise da impaciência adquirida”. Pés inquietos, unhas roídas e dedos nervosos nos joguinhos de celular. Doença triste, silenciosa, mata sem que se perceba. E mata não somente o doente, mas também o alvo no momento da sua crise. A crise ocorre no trânsito, na fila do cinema, no aeroporto e é altamente contagiosa nos grandes centros. A epidemia se alastra por São Paulo. O órgão de defesa civil deveria interditar a cidade. Buda já dizia que paciência é uma das mais altas virtudes, uma dica velha que se faz urgente para essa epidemia queacomete a população mundial. Esquecemos que a experiência sagrada da vida se faz a cada instante, como diz genialmente Leonardo Boff: “A experiência do mistério não se dá apenas no êxtase, mas também, cotidianamente, na experiência de respeito diante da realidade e da vida. A mística não é o privilégio de alguns bem-aventurados, mas de uma dimensão da vida humana à qual todos têm acesso”. Como perceber o sagrado se estamos tão envolvidos com pequenas coisas do cotidiano que nos aprisionam? É na simplicidade que nos encontramos e podemos partilhar a plenitude do Universo. Talvez pratiquemos unicamente para sermos humanos no significado mais profundo que esta palavra pode ter. Talvez, para curar a complexidade e ser simples. Talvez, para esculpirna argila da vida obras de amor, de paz, de generosidade e de tolerância. Talvez, para que possamos olhar nos olhos. Talvez, para que o sorriso seja de franqueza. Talvez, para nos libertar do vago sentido. Talvez, para dar sabor mais agradável à vida, como bolo feito em casa. Ou quem sabe, para comungarmos o ideal de um mundo mais justo. Talvez, para que nossos encontros engrandeçam a nossa jornada. Juliana Araújo

28 de jul de 2010

A passagem

A morte nada mais é do que uma passagem. A passagem de um mundo que conhecemos bem, para outro totalmente desconhecido. E, por isso, amedronta e traz dor... Essa era a sensação de dois fetos gêmeos dentro do útero da mãe, que percebiam que chegava a hora de nascer. Um perguntou ao outro: - E aí, você acredita na vida após o parto? E o irmão respondeu: - Não, ninguém voltou para contar. Nascer, para eles, seria passar de um mundo conhecido para o desconhecido... Aquele mundo imenso fora dos limites do útero materno. Quantas vezes nós também olhamos para a nossa vida com a mesma limitação? Pois igual aos fetos, cremos que o mundo se reduz ao que conhecemos, ao que nos parece familiar, ao que podemos perceber com os nossos sentidos. Os dois gêmeos, estavam familiarizados com o quentinho da bolsa, as batidas do coração da mãe e o alimento que chegavam fácil por um tubo... Assustados, conversavam sobre aquele momento traumático. Como seria o mundo lá fora? Escuro? Frio? Ameaçador? Estavam prestes a ser expelidos daquela penumbra repousante para um mundo de luz, cores, cheiros e ruídos... Eles sentiam medo de sair dali... As contrações começaram, o mundo em torno se fechava e eles estavam sendo forçados de lá para fora. Ao nascer, o impacto dos pulmões se enchendo de ar pela primeira vez causou um impacto tão violento que até a memória da vida intra-uterina se extinguiu... E o que eles tinham a frente era nada mais do que a vida... A vida num mundo, até então desconhecido onde eles iriam crescer, se formar, ter descendentes, envelhecer e novamente se preparar para uma nova passagem... Por isso, os monges beneditinos jamais falam de morte e sim de passagem. Passamos por esta vida, como um grande presente de amor que Deus nos deu... Nosso nascimento, "o nascimento desses fetos", certamente trará muita felicidade e amor aos seus pais e, vendo assim, como uma passagem, podemos imaginar que o que nos espera, na outra etapa, na outra passagem... É algo muito melhor. Nada mais natural que a morte! E, tenho certeza que um dia todos nos encontraremos: A vida é um mistério maravilhoso!

Uma colaboração (não um conselho) pra você

Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de vinho do Porto, dizer a minha neta: - Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado, sente-se aqui do meu lado. Tenho umas coisas para te contar.

E assim, dizer apontando o indicador para o alto: - O nome disso não é conselho, isso se chama colaboração! Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus anos, quero dividir com você. Por isso, vou colocar mais ou menos assim: - É preciso coragem para ser feliz. Seja valente. Siga sempre o seu coração.

Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão. E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação. Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas a escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você. Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim.
Aproveite sua casa, mas viaje ...vá a Fernando de Noronha, ao Pantanal... Cuide bem dos seus dentes. Experimente, mude, corte os cabelos. Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..." Tenha uma vida rica de vida. E de verdade, acima de tudo! Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela. E tome sempre conta da sua reputação, ela é um bem inestimável.

Porque, sim, as pessoas comentam, reparam e, se você der chance, elas inventam também detalhes desnecessários.

Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status. A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco! Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de otimizar os genes da reprodução, sugere que procure alguém diferente...

Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão. Se o casamento não der certo opte pela vida. Faça do fogão, do pente, da caneta e do papel seus instrumentos de criação. Leia, pinte, desenhe, escreva. E, por favor, dance, dance, dance até o fim, senão por você, o faça por mim. Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam e sempre o farão. Cultive os bons amigos.

Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor. Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza. Era isso minha querida. Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: - Como vai você? 
Crônica de Maria Sanz Martins, revista AG. 

21 de jul de 2010

Receita de Frango com Cerveja

Ingredientes: 24 garrafas de cerveja da boa; 01 frango de aproximadamente 2 quilos; Sal, pimenta e cheiro verde a gosto; 350 ml de azeite de oliva extra virgem; Nozes e amendoim. Modo de preparar:

Pegue o frango. Beba uma garrafa de cerveja. Envolver o frango e temperá-lo com sal, pimenta e cheiro verde a gosto. Massageá-lo com azeite. Pré-aquecer o forno por aproximadamente 10 minutos. Sirva-se de uma garrafa bem gelada enquanto aguarda. Use as nozes e o amendoim como 'tira gosto'. Colocar o frango em uma assadeira grande. Sirva-se de mais duas geladinhas enquanto prepara. Envolver o frango em celofane ou papel alumínio. Axustar o terbostato na marca 3, e debois de uns vinch binutos, botar paraassassinar.. digu: assar a ave. Virar mais uma cerveja (não no frango, no gogó...). Debois de beia hora, berificar a tempraturatura e gontrolar a assadura do frango. Tentar zentar na gadeira, servir-se de uoooooooootra gafarra de cerbeja. Cozer(?), costurar(?), cozinhar, sei lá, voda-se o vrango. Deixáááá o filho da buta do pato no vorno por umas 4 horas. Tentar retirar o peru do vorno. Num vai guemar a mão, garaio! Mandar mais uma boa dose de cerva pra dentro... de você, é claro. Tentar novamente tirar o sacana do chest do vorno, porque na primeira teenndadiiiva dããão deeeeuuuuuu. Begar o vrango que gaiu no jão e enjugar o filho da buta com o bano de jão e cologá-lo numa pandeja ou qualquer outra borra, bois avinal você nem gosssssssssta muito dessa merda mesmo. Tá Bronto.

20 de jul de 2010

O cinema não passa mais cinema Houve um tempo em que pegar um cineminha era um programa ideal. Cinema era lugar de pensamento, diversão, exercício de dúvidas, construção de gosto e fortalecimento de convicções políticas. De uns tempos para cá, a programação tem sido marcada pelo interesse exclusivo nas bilheterias que a diversidade ficou condenada. Só há lugar para os blockbusters, esses filmes que já chegam com marketing consolidado e têm como maior qualidade fazer as contas a cada fim de semana para ver quanto faturaram. Os filmes e cineastas tambem mudaram. Há vários elementos envolvidos nessa mudança. Em primeiro lugar, o mundo parece ter se tornado mais burro. É um juízo radical mas singelo: a inteligência é sempre exigente. Além disso há um vínculo necessário entre a beleza e a compreensão. Quanto mais profundo um pensamento maior a probabilidade de que ele exprima verdades igualmente profundas. No caso da arte, essa relação se estabelece em produções que apelam a um só tempo para a emoção e o entendimento. Hoje, a procura é por efeitos e, dessa forma, se contam os laços que ligam estética, ética e epistemologia. Além da perda de substância, o vazio da produção cinematográfica atual é exemplo da perversão da arte em nome da economia. Os filmes valem pelo que faturam. Como o mercado é cada vez mais tocado pelo desejo adolescente da compulsão à repetição, os filmes se tornaram franquias: vampiros, comédias românticas, catástrofes, super-heróis. Não há lugar para adultos nas salas de cinema. Essa juvenilização combina, em outra vertente, com a forma como o programa cinema se transformou: um convescote barulhento, cheio de comida e porcarias, interrompido por telefones e faniquitos. Outro elemento que precisa ser considerado é a incapacidade dos programadores de preservarem um espaço ecologicamente viável para a inteligência. Se todas as salas só programam filmes de adolescentes, os adultos têm duas saídas: ou se tornam adolescentes (triste realidade, cada vez mais presente) ou procuram outra forma de diversão. Nos dois casos, a longo prazo, os cinemas têm tudo para se tornar um negócio com perspectiva de crise. Sem motivação, o gosto tocado, a necessidade incessante de rapidez, o espectador se cansa e muda de estímulo. Esse pode ser uma ponta de sucesso de filmes em 3D, visto menos pela narrativa que pela experiência sensorial. João Paulo Jornal EM / pensar 17/07/10
imagem: René Magritte

19 de jul de 2010

Em Minas é assim...

MUIÉ MINEIRA Os dois cumpadres pitavam o cigarrim de paia e prosiavam.

Um deles pergunta:

- Ô cumpadre, cumé que chama mesmo aquela coisa que as muié tem(faz um sinal com as duas mãos), quentim, cabeludim, que a gente gosta, é vermeia e que come terra? - Uai...quentim... vermeia..? A gente gosta? Uái sô, só pode ser xoxota.Mas eu num sabia que comia terra, sô!! O outro dá uma pitada no cigarro: - Pois come, cumpadre. Só di mim, cumeu treis fazenda. TREM CAIPIRA Uma mulher estava esperando o trem na estação ferroviária de Varginha, quando sentiu uma vontade de ir urgentemente ao banheiro. Foi.... Quando voltou, o trem já tinha partido. Ela começou a chorar. Nesse momento, chegou um mineiro, compadeceu-se dela e perguntou: - Purcaus diquê qui a sinhora tá chorano? - É que eu fui urinar e o trem partiu... - Uai, dona! Por caus dissu num precisa chorá não...tenho certeza bissoluta qui a sinhora já nasceu com esse trem partido.... Em agradecimento à leitora Marta Bellini

15 de jul de 2010

Em Minas é assim...(II)

TRAIÇÃO À MINEIRA O amigo chega pro Carzeduardo e fala: - Carzeduardo, sua muié tá te traino co Arcide. - Magina!! Ela num trai eu não. Cê tá inganado, sô. - Carzeduardo! Toda veiz qui ocê sai pra trabaiá, o Arcide vai pra sua casa eprega ferro nela.- Duvido! Ele não teria corage.... - Mais teve! Pode confiri. Indignado com o que o amigo diz, o Carzeduardo finge que sai de casa,sesconde dentro do guarda-roupa e fica olhando pela fresta da porta. Logovê sua mulher levando o Arcide para dentro do quarto pra começar a sacanage. Mais tarde, ele encontra com o amigo, que lhe pergunta o que houve.E então, o Carzeduardo relata cabisbaixo: - Foi terrive di vê!!!... ele jogou ela na cama, tirou a brusa.... eos peito caiu....tirou a carcinha...e a barriga e a bunda dispencaro....... tirou asmeia...e apariceu aquelas varizaiada toda, as perna tudo cabiluda. E eu dentro do guarda roupa,cas mãos no rosto, pensava: 'Ai...qui vergonha que tô do Arcide!!!' SUTILEZA MINEIRA O cumpadi, há muito tempo de olho na cumadi, aproveitô a ausência do cumpadie resolveu fazer uma visitinha para ver se ela não carecia de arguma coisa... Chegando lá, os dois meio sem jeito, não estavam acostumados a ficar asós....falaram sobre o tempo.... - Será qui chove? - Pois é..... Ficô um grande silêncio..... Aí, o cumpadi se enche de corage e resorve quebrá o gelo: - Cumadi....qui qui ocê acha: trepemo ou tomemo um café? - Ah, cumpadi...cê mi pegô sem pó.....

Pai Nosso original

Este é o Pai Nosso original que Jesus pronunciava sempre antes dos seus sermões em Issa. E esta gravado em uma pedra de mármore, nesta região! Esta é a tradução mais verdadeira do Aramaico para o portugues, sem a interferencia da Igreja Catolica ou de qualquer outra religião! Abwun d’bwashmaya Nethqadash shmakh Teytey malkuthakh Nehwey tzevyanach aykanna d’bwashmaya aph b’arha. Hawvlan lachma d’sunqanan yaomana. Washboqlan khaubayn (wakhtahayn) aykana daph khnan shbwoqan l’khayyabayn. Wela tahlan I’nesyuna Ela patzan min bisha Metol dilakhie malkutha wahayla wateshbukhta l’ahlam almin. Ameyn "Pai-Mãe, respiração da Vida, Fonte do som, Ação sem palavras, Criador do Cosmos!
Faça sua Luz brilhar dentro de nós, entre nós e fora de nós para que possamos torná-la útil. Ajude-nos a seguir nosso caminho, respirando apenas o sentimento que emana do Senhor...
Nosso EU, no mesmo passo, possa estar com o Seu, para que caminhemos como Reis e Rainhas com todas as outras criaturas.
Que o Seu e o nosso desejo, sejam um só, em toda a Luz, assim como em todas as formas, em toda existência individual, assim como em todas as comunidades...
Faça-nos sentir a alma da Terra dentro de nós, pois, assim, sentiremos a Sabedoria que existe em tudo. Não permita que a superficialidade e a aparência das coisas do mundo nos iluda, e nos liberte de tudo aquilo que impede nosso crescimento...
Não nos deixe ser tomados pelo esquecimento de que o Senhor é o Poder e a Glória do mundo, a Canção que se renova de tempos em tempos e que a tudo embeleza. Possa o Seu amor ser o solo onde crescem nossas ações. Que Assim Seja

Goleiro & amante


Bruno, acusado de ter tomado medidas bem drásticas para dar um fim em Eliza, uma moça com quem teve um relacionamento do qual nasceu um filho, está sendo condenado antes do julgamento (precisamos de audiência, entende?), mas continua sendo chamado de "o goleiro Bruno". 


 Já a referida moça é geralmente chamada de "(ex-)amante", um termo de óbvias conotações negativas. A diferença de tratamento é tão grande quanto seria se ele fosse chamado de "assassino" e ela de "jovem" ou "modelo" ou "atriz" (desde que a palavra não fosse acompanhada de um riso maroto, dada sua área típica de atuação). 


Às vezes, quando os redatores estão de bem com a vida, chamam-na de "namorada". Mas "amante" ganha de longe! Por que a diferença? A mídia, que, sempre que é criticada, afirma que querem controlar sua liberdade, o que é uma bobagem, tem um longo histórico de falta de objetividade em casos semelhantes. 


Moços da periferia são sempre bandidos, bandidos da classe média são sempre jovens ou estudantes. Basta ver como foram chamados os que queimaram um índio em Brasília e os que bateram numa empregada doméstica no Rio. Até a distribuição de "suposto/suposta" é desigual! 
Sírio Possenti

14 de jul de 2010

EM MINAS É ASSIM

A PESQUISADORA E O MINEIRIN Uma pesquisadora do IBGE bate à porta de um sitiozinho perdido nointerior de Minas. - Essa terra dá mandioca? - Não, senhora,responde o roceiro. - Dá batata? - Também não, senhora! - Dá feijão? - Nunca deu! - Arroz? - De jeito nenhum! - Milho? - Nem brincando! - Quer dizer que por aqui não adianta plantar nada? - Ah! ... Se plantar é diferente..
NUDEZ MINEIRA Dois cumpadre de Uberaba tavam bem sossegadim fumando seus respectivocigarrim de paia e proseano.Conversa vai, conversa vem, eis que a certa altura um deles pergunta pro outro: - Cumpadre, u quê quiocê acha desse negóço de nudez? No que o outro respondeu: - Acho bão, sô! O outro ficou assim, pensativo, meditativo...e perguntou de novo: - Ocê acha bão purcaus diquê, cumpadre? E o outro: - Uai! É mió nudês do que nunósso, né mesmo?

13 de jul de 2010

O espanto: a arte A música, a arte em geral, age nos ponto em que o homem se encontra dividido entre o que o toca e o que ele pensa. O fato de que “tocar” não seja “pensar” remete para essa dissociação entre intelecto e afetividade, através da qual o sujeito se sente separado do que ele sente ser a vida quando ele a pensa, enquanto que ela se apodera dele quando ele cessa de pensá-la e senti-la. A esse respeito, se uma música ou um quadro nos surpreendem, é que, tendo o poder de nos tocar, eles nos dão o sentimento de poder tocar o que chamamos “a vida”, e que deixamos, momentaneamente, de estar separados de sua “presença”, que nos era velada por essa re-presença que é a representação psíquica. .... O que nos faz ouvir a música senão a presença do inaudível, até então banido da mesmice tagarela do cotidiano? Alain Didier-Weill Os três tempos da lei

12 de jul de 2010

Criando pontes


Em algum momento de sua vida você já se sentiu sozinho a ponto de não saber a quem recorrer em uma situação difícil? 

Ou quem sabe já experimentou a sensação de mesmo estando rodeado de pessoas sentir-se como se não houvesse ninguém com quem realmente pudesse contar? 

 Momentos como esse, em que passamos pela sensação de solidão, ocorre com todos os seres humanos. 

Todos nós necessitamos de atenção e aconchego. Todos gostamos de ter alguém para nos ouvir, a quem podemos contar nos­sas proezas, alguém que realmente se interesse por nós, pelo que somos. E ao nos descobrir­mos isolados - quando mais desejamos nos sentir protegi­dos ou amparados - temos um grande desafio a ser enfrentado: a importância de aprendermos a criar pontes. A ponte é uma construção que liga duas margens, dois pontos que, sem ela, ficariam sepa­rados. Onde há ponte, há união. Portanto, não há como criarmos verdadeiras pontes sem gerarmos união entre as margens que se comunicam. 

Assim, como nas construções de engenharia, as construções humanas necessitam de pontes que possam ligar pessoas, idéias e corações. Quando nos sentimos isolados é que mais percebemos a importância de alguém conseguir fazer uma ponte até nossa intimidade, ferida por algum motivo. Poder contar com pes­soas sensíveis que captem nossa necessidade e tomem a iniciativa de trazer sua ponte até nós nesses momentos de fragilidade é uma verdadeira dádiva que não podemos deixar de agradecer. 

 Entretanto, não podemos esquecer que a mesma solidão que hora sentimos é tam­bém vivenciada pelo outro. Quem nos cerca em casa, no trabalho, no círculo de amizades ou mesmo no cotidiano, também necessita da iniciativa de se estabelecer pontes, fazendo contato através da doação de nossa atenção, de afeto e de tudo mais que pudermos oferecer. 

 O que se observa é que, quem mais semeia pontes, tem sempre livre acesso aos corações e mentes daqueles que jamais se esquecem de quem lhes salvou do isolamento nos momentos dificeis. Pode ser um telefonema, um e-mail, uma frase, um sorri­so, um olhar, uma carta, um presente, uma prece, não importa a ação, sempre podemos criar pon­tes a nos unir com quem nos cerca. 
É importante que deseje­mos essas pontes, mas é mais sábio aprendermos a dar o pri­meiro passo para edificá-las, experimentando o prazer de eliminar distâncias.
Ricardo Melo
Instituto Ricardo Melo

11 de jul de 2010

Diário de uma Doméstica
'Hoje de manhã eu fui à feira. Antes de sair, meu patrão me pediu para eu trazer figo.
Aí eu perguntei: - figo fruta ou bife de figo? Ele ficou uma fera. Gente fina, o seu Adamastor, num ligo não, ele tem sistema nervoso. Também, com um emprego chato daqueles, vou te contar. Ele é Fiscal da Receita. Deve ser um saco ficar conferindo receita de médico o dia inteiro. Depois chegou o Adamastorzinho, o filho mais novo deles.
Acabou de ganhar um carro todo equipado. Tem roda de maionese, farol de pilha, teto ensolarado e trio elétrico. Não sei porque trio elétrico num carro, deve ser porque ele gosta de música baiana. Ingrato esse Adamastorzinho. Fiz a comida preferida dele e ele ainda me chamou de burra. Eu disse a ele, toda boba, quando ele chegou:
- Adamastorzinho, adivinha a comida que eu fiz pra você?
- Qual, Dircinéia?
- Começa com 'i'... - 'i' ???
- É, Istrogonofi !!!
Eu descobri que aqui nessa mansão é tudo fachada! Tudo é emprestado! TUDO! A roupa que o patrão usa é de um tal de Armani, a gravata é de um tal de Pierre Cardin... nadica de nada é deles.
E, meu patrão além de pobre, é muito exibido. Outro dia eu escutei ele falando no telefone que tinha um Picasso. Que nada, é piquinininho de dá dó!

9 de jul de 2010

O Tao da Física

A Física atômica revê os conceitos clássicos da matéria, espaço, tempo, causa e efeito, levando nossa percepção do mundo a conhecer um processo de transformação. A Física moderna leva-nos a uma visão do mundo bastante similar às visões adotadas pelos místicos de todas as épocas e tradições. Esse retorno não se baseia apenas na intuição mas igualmente em experimentos de grande precisão e sofisticação e num rigoroso e consistente formalismo matemático. O termo Física deriva da palavra grega physis e significava, originalmente, a tentativa de ver a natureza essencial de todas as coisas. Todas as diversas escolas do misticismo oriental enfatizam a unidade básica do universo. O objetivo mais elevado para seus seguidores é tornar-se consciente de todas as coisas, transcender a noção de si mesmo individual e identificar-nos com a realidade fundamental. Os objetos possuem um caráter fluido e em eterna mudança. A visão oriental é intrinsecamente dinâmica, contendo o tempo e a mudança como característica fundamentais. O cosmo é visto como uma realidade inseparável, em eterno movimento, vivo, orgânico, espiritual e material ao mesmo tempo. Sendo o movimento e a mudança propriedades essenciais das coisas, as forças geradoras do movimento não são exteriores aos objetos, mas uma propriedade intrínseca da matéria. O reino do conhecimento racional é naturalmente o reino da ciência. Mede, quantifica, classifica e analisa. É um mundo de distinções intelectuais, de opostos que só podem existir em mútua relação. A abstração constitui uma característica crucial desse conhecimento. Construímos um mapa intelectual da realidade na qual as coisas são reduzidas a seus perfis mais gerais. O conhecimento racional é um sistema de símbolos e conceitos abstratos, caracterizado pela estrutura seqüencial e linear de nosso pensamento e nossa fala. O mundo natural, por sua vez, compõe-se de infinitas variedades e complexidades, um mundo multidimensional.
Fritijof Capra

Da importância do acaso

Dorival Caymmi é que cantava: "Mas como o acaso é importante, querida, de nossas vidas a vida fez um brinquedo também"... Esses versos vieram-me à cabeça, por acaso, porque estava lendo um livro que comprei, não por acaso. É que o autor falava de uma série de descobertas feitas na ciência, muitas por acaso. Mas fica claro que só puderam se transformar em descobertas científicas porque o acaso estava sendo observado por pessoas que têm pelo acaso um respeito nada ocasional. Aquela maçã que, dizem, caiu na cabeça do Newton por acaso, fazendo com que ele deduzisse coisas sobre a lei da gravidade, pode ter caído por acaso, concordo, mas não foi por acaso que ele tirou disso grandes ilações. Não é de hoje que maçãs e até gigantescas jacas desabam sobre cabeças e nem por isso a ciência progride. Igualmente aquela estória de Arquimedes mergulhado na banheira e, de repente, descobrindo, por acaso, que o fato de seu corpo boiar explicava muita coisa que interessa à ciência dos fluidos, da navegação e da irrigação. Só as pessoas atentas podem perceber o acaso. Só as pessoas que procuram o sentido das. Coisas podem converter o acaso em informação. Leio que dois rádioastrônomos, Wilson e Penzias, em Nova Jersey, estavam tentando usar uma antena poderosa quando, estranhamente, começaram a perceber que havia um ruído, um zumbido inexplicável zanzando por ali.Pensaram que era alguma sujeira no material ou má conexão de tomadas. Não era. Estavam, por acaso, ouvindo sons que ajudavam a medir o limite do universo. E nem sabiam que era isso que estavam ouvindo. Só se deram conta da importância da descoberta involuntária que fizeram quando conversaram com outros cientistas e acabaram vendo a repercussão disso no New York Times. Resultado: ganharam o Nobel de Física de 1978. Não é por acaso que cientistas e artistas se interessam tanto pelo acaso.É que não basta ficar ali, racional e objetivamente, querendo tirar leite da pedra e minhoca do asfalto. Agente tem que deixar a atenção repousar, ficar provisoriamente irresponsável. Deixar o acaso trabalhar. O radar está ligado e, de repente, pimba! Oba! Eureka! Surge á solução de um problema, de um poema, de uma obra. É o famoso estalo, insight ou epifania que, dizem, ocorreu com o lendário Padre Vieira. Acho que os pescadores entendem bem do que estou falando. Eles não sabem muito bem o que está ocorrendo sob as águas, mas jogam o anzol com a isca e ficam ali distraídos, quer dizer, numa atenta distração. Aliás, também Clarice Lispector, por acaso me lembro, usou essa metáfora do pescador para falar do processo criativo. Agente tem que fingir que está "distraído". Distraído, mas, como diz uma amiga, "com a atenção de bode na canoa". Temos que ter certa reverência pelo acaso. Até no amor. Agente topa, por acaso, com as pessoas mais diversas nas esquinas, coquetéis, festas,blogs,internet e de repente uma capta nossa atenção, nos' fisga, nos arrebata. Por acaso? Tem gente que por urgente acaso acredita no horóscopo, cartomante, etc. É que as pessoas procuram essas assessorias quando estão ao léu da sorte, mais fragilizadas. E quando se está mais fragilizado, o acaso e a possibilidade viram certeza. Mas aí já é um perigo, porque sair procurando sinais reveladores em tudo o que se vê pode confundir a recepção da mensagem por vir. O bom é encontrar fora aquilo que se procura dentro da gente. Ou, como diziam nossos pais: quem procura, acha. Às vezes, claro.
Affonso Romano de Sant'anna

8 de jul de 2010

Significado da vida

Há poucas discussões explicitas acerca do significado da vida. A busca do significado, muito semelhante à busca do prazer, deve ser conduzida indiretamente. O significado resulta da atividade significativa: quanto mais o procuramos deliberadamente menos provável será seu encontro; as perguntas racionais que alguém pode fazer a respeito do significado sempre excederão as respostas. A presença do significado é um subproduto do vínculo e do comprometimento, e é nesse sentido que as pessoas devem dirigir seus esforços – não que o vínculo ofereça uma resposta racional sobre os significados, mas porque faz com que essas perguntas não tenham importância. Se você quer que seu filho viva num mundo amoroso, cabe a você construir esse mundo e você precisa começar pelo seu próprio comportamento. Você não pode ficar à margem de sua própria lei. Essa é a base de qualquer sistema ético. Irvin D. Yalom O Carrasco do Amor

7 de jul de 2010

A alegria

O sofrimento não tem nenhum valor. Não acende um halo em volta de tua cabeça, não ilumina trecho algum de tua carne escura (nem mesmo o que iluminaria a lembrança ou a ilusão de uma alegria). Sofres tu, sofre um cachorro ferido, um inseto que o inseticida envenena. Será maior a tua dor que a daquele gato que viste a espinha quebrada a pau arrastando-se a berrar pela sarjeta sem ao menos poder morrer? A justiça é moral, a injustiça não. A dor te iguala a ratos e baratas que também de dentro dos esgotos espiam o sol e no seu corpo nojento de entre fezes querem estar contentes.
Ferreira Gullar

Poema 20

Puedo escribir los versos más tristes esta noche. Escribir, por ejemplo: “La noche esta estrellada, y tiritan, azules, los astros, a lo lejos”.
El viento de la noche gira en el cielo y canta. Puedo escribir los versos más tristes esta noche. Yo la quise, y a veces ella también me quiso. En las noches como ésta la tuve entre mis brazos. La besé tantas veces bajo el cielo infinito. Ella me quiso, a veces yo también la quería. Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos. Puedo escribir los versos más tristes esta noche. Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido. Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella. Y el verso cae al alma como al pasto el rocío. Qué importa que mi amor no pudiera guardarla. La noche está estrellada y ella no está conmigo. Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos. Mi alma no se contenta con haberla perdido. Como para acercarla mi mirada la busca. Mi corazón la busca, y ella no está conmigo. La misma noche que hace blanquear los mismos árboles. Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos. Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise. Mi voz buscaba el viento para tocar su oído. De otro. Será de otro. Como antes de mis besos. Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos. Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero. Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido. Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos, mi alma no se contenta con haberla perdido. Aunque éste sea el último dolor que ella me causa, y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.
Pablo Neruda
Picture by Van Gogh

3 de jul de 2010

O japonês e o jamaicano


Um Japonês tinha uma noiva que se chamava ‘Wendy’, decidiu tatuar no seu ‘pênis’ o nome da sua noiva. 

Quando o pênis ficava em repouso lia-se WY, quando estava alegre lia-se WENDY. 

Um dia o japonês decide ir de férias à Jamaica. Certo dia na praia de naturismo, apareceu a seu lado um Jamaicano negro e muito grande. 

 O japonês repara que no pênis do Jamaicano também se lia WY. 

Então ele decide perguntar: - Tua noiva também se chama Wendy? 

O negro responde: - Não. Por quê ? 
- Porque o meu pênis também diz WY e quando está alegre diz WENDY… 
- Não irmão. O meu quando está alegre diz: “WELCOME TO JAMAICA, THANKS FOR YOUR VISIT. HAVE A NICE DAY”

Leis estranhas sobre sexo


1* No Líbano, os homens podem legalmente ter relações sexuais com animais, mas têm que ser fêmeas. Relações sexuais com machos são puníveis com a morte. (Sem comentários) 


2* No Bahrain, um médico pode legalmente examinar a genitália feminina, mas ele é proibido de olhar diretamente para ela durante o exame. Ele pode apenas olhar através de um espelho. (Por a mão pode, olhar não!) 


3* Os muçulmanos não podem olhar os genitais de um cadáver. Isto também se aplica aos funcionários da funerária... Os órgãos sexuais do defunto devem estar sempre cobertos por um tijolo ou por um pedaço de madeira. (um tijolo?). 


4*A penalidade para a masturbação na Indonésia é a decapitação...(De qual cabeça???) 


5* Há homens em Guam cujo emprego em tempo integral é viajar pelo país e deflorar virgens, que os pagam pelo privilégio de ter sexo pela primeira vez. Razão: Pelas leis de Guam, é proibido virgens se casarem. (Agora diz pra mim: existe emprego melhor no planeta?). 


6* Em Hong Kong, uma mulher traída pode legalmente matar seu marido adúltero, mas deve fazê-lo apenas com suas mãos. Em contrapartida, a mulher adúltera pode ser morta de qualquer outra maneira pelo marido. (Mata com machadada! mas não consegui esquecer de Guam...) 


7* A lei autoriza vendedoras a ficarem de topless em Liverpool, Inglaterra, mas somente em lojas de peixes tropicais. (É pro comprador mostrar a vara!) (Será que tem que fazer prova para este emprego em Guam?) 


8* Em Cali, na Colômbia, uma mulher só pode ter relações com seu marido, quando na primeira vez que isso ocorrer, sua mãe estiver no quarto para testemunhar o ato. (Imagina transar com a sogra assistindo? Fala sério....Vai começar a novela das oito, resolve rápido! ). (Ainda continuo pensando em Guam... Como faço para mandar meu curriculo?...) 


9* Em Santa Cruz, na Bolívia, é ilegal um homem ter relações com uma mulher e a filha dela ao mesmo tempo. (Ficar esperando a vez do lado da cama pode!). (E aquele emprego em Guam ainda é remunerado!) 


10* Em Maryland preservativos podem ser vendidos em máquinas somente em lugares onde são vendidas bebidas alcoólicas para consumo no local. (Tem que usar no balcão?). (Será que Guam é muito longe daqui?) Guam deve ser aquele lugar que os livros sagrados chamam de paraíso... 
Me mudo para lá amanhã e ainda pago para trabalhar.

Poema de amor

Este é um poema de amor por isso nele não poderá faltar a menção a alguma flor e por isso digo rosa ou lírio ou simplesmente rubro, rubro e espero as páginas imantarem-se de vermelho por isso digo febre e noite e fumo para dizer ansiedade e desperdício de sêmen e de horas e cigarros à janela acesos como estrelas com a noite numa ponta e nós consumindo-nos na outra este é definitivamente um poema de amor por isso nele devo dizer casa e olhos e neblina e não devo dizer que o amor é uma doença uma doença do pensamento uma desordem que põe tudo o mais em desordem uma perda que põe tudo a perder e porque é um poema de amor sob pena de ser devolvido como uma carta sem destinatário ( e todos devem saber que não se deve brincar com os correios) este poema deve dirigir-se a alguém porque a alguém o amor deve ferir com sua pata negra e então à falta de outro este poema eu dedico (mas não tema, o tempo também nisso porá termo) a você.
Ana Martins Marques
arte: René Magritte

1 de jul de 2010

Família é prato difícil de preparar

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. 


Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. 


Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. 


Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente. 


 E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. 


Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. 


Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe “Família à Oswaldo Aranha”, “Família à Rossini”, Família à “Belle Meunière” ou “Família ao Molho Pardo” em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. 


Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de “Família Diet”, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir. Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia- a -dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. 


Muita coisa se perde na lembrança, principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.
Francisco Azevedo 
O Arroz de Palma

30 de jun de 2010

O segredo da minhoca

O avô observa o neto brincando no quintal e vai perguntar o que ele está fazendo.
O neto diz:
- Enfiando as minhocas de volta para a toca delas... - E como é que você consegue, meu neto, o bicho é todo molenguento? - É segredo vovô! - Te dou dez reais para você me ensinar a fazer isso. - Bem eu passo laquê, espero secar esticando a minhoca... aí é só colocar no buraco. - Toma os dez reais...
No dia seguinte o avô chega para o neto, tira cem reais do bolso e dá pro neto... - Ta ficando esquecido, vô? O senhor já me deu os 10 reais. - Eu sei. Esses 100 foi a tua avo' que mandou...

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