18 de set de 2010

Aprender a Ver

Aprender a ver, habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar que as coisas se aproximem de nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este é o primeiro ensino preliminar para o espírito: não reagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam. Aprender a ver, tal como eu o entendo, é já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, o poder não "querer", o poder diferir a decisão. Toda a não-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo, tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que é já doença, decadência, sintoma de esgotamento, quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de "vício" é apenas essa incapacidade fisiológica de não reagir. Uma aplicação prática do ter aprendido a ver: enquanto discente em geral, chegar-se-á a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, ao novo de qualquer espécie deixar-se-o-á aproximar-se com uma tranquilidade hostil, afasta-se dele a mão. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o fato pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outras coisas, em suma, a famosa "objectividade" moderna é mau gosto, é algo não-aristocrático por excellence. Friedrich Nietzsche

17 de set de 2010

Lançar a capa


“49 E JESUS, PARANDO, DISSE QUE O CHAMASSEM; E CHAMARAM O CEGO, DIZENDO-LHE: TEM BOM ÂNIMO; LEVANTA-TE, QUE ELE TE CHAMA. “
50 E ELE, LANÇANDO DE SI A SUA CAPA, LEVANTOU-SE, E FOI TER COM JESUS.” 
MARCOS 10:49-40 

E Jesus, parando, disse que o chamassem. Parando é gerúndio (terminação verbal pelo sufixo ndo), e gerúndio denota ação continuada do verbo. Parando, porque Jesus não para, não cessa. Parando é uma diminuição no ritmo, não ocorrida por acaso ou pela simples vontade da inércia, mas com certa finalidade. O Cristo continua parando na saída de Jericó para atender os nossos rogos. Onde a luz entra leva esclarecimento e conforto à treva, desativando-a. É o que notamos em relação à multidão, porque se antes egoísta, sob a influência benfazeja do Mestre assume nova postura, a de chamar o cego. E nesse chamar um coração entra em relação vibracional com outro sem que exista a necessidade do contato físico, sem que seja preciso uma linha de ressonância física. É o que ocorre em meio à nossa grande indiferença, muitas vezes conseguimos identificar emoções, fatos e circunstâncias que nos encaminham para o bem. 

Muitas pessoas que aparentemente surgem ao acaso em nossa vida fazem esse papel de nos impulsionar para a frente, chegando no momento propício para a nossa melhoria, nos chamando diante da passagem do Cristo. Aquele que está perdido, seja em qual terreno for, sempre é achado pela misericórdia. A todo o tempo ele é achado, mas o difícil é nós nos acharmos. Cabe-nos ter ouvidos para ouvir, coração aberto para nos sensibilizarmos com a nova proposta, a fim de assimilarmos a sua mensagem num plano de adesão aplicativa. 

 O chamar é o que a caridade espera de nós (vamos abordar o assunto com tranquilidade no capítulo A CARIDADE). Deus não espera que resolvamos o problema de quem quer que seja, a nossa função na caridade é chamar o outro. Achamos muitas vezes que no terreno do amor operacionalizado fazemos muito, mas a nossa função é chamar, chamar o cego a multidão podia fazer. O Cristo é quem realiza, faz o que somente ele pode fazer, nos acode no atendimento às necessidades nossas. Vale lembrar que na ressurreição de Lázaro o processo foi quase análogo, ou seja, os circunstantes retiram a pedra que cerrava o sepulcro e lhe desatam, ao passo que o Cristo opera a ressurreição. No acolhimento do chamado o cego lança de si a sua capa. Porque não tem como chegar a Jesus utilizando capa. Ela é aquilo que serve para cobrir, é proteção, aparência, exterioridade, peça de vestuário usada sobre a roupa para proteger quem a veste. 

Ela é a crosta que nos envolve, o envolvimento periférico resultante da marginalização e da acomodação a que ajustamos nos séculos. E não são poucas as capas que trazemos. Muitas são as mágoas, as vibrações do orgulho, a vaidade, a presunção, o egoísmo, os interesses ou os desejos que, formando uma pesada capa, nos impossibilita acesso à verdade, nos impossibilita ver Jesus e estar com ele. Não tem como chegar ao Cristo assim. Lançar a capa é desenfaixar a alma, é desvincular-se dos envoltórios da ilusão, é despir-se dos valores que nos prendem ao passado. É a necessidade de nos desvestirmos, aliviando a carga para buscarmos e estarmos com o grande amigo da humanidade. O cego percebeu a necessidade de aliviar-se, para receber a bênção da divina aproximação lança fora de si a sua capa, correndo ao encontro do mestre e alcançando novamente a visão para os olhos apagados e tristes. 

 Criaturas humanas exibem diversas capas, alegam que a luta humana permanece repleta de requisições variadas, utilizam máscara da conveniência, dizem que é imprescindível atender à movimentação do século, porém, se alguém deseja sinceramente a aproximação de Jesus, para a recepção de benefícios duradouros, lance fora de si a capa do mundo transitório e apresente-se ao Senhor tal como é, sem a ruinosa preocupação de manter a pretensa intangibilidade dos títulos efêmeros, sejam os da fortuna material, ou os da exagerada noção de sofrimento. A manutenção de falsas aparências, diante do Cristo ou de seus mensageiros, complica a situação de quem necessita. E nada peças ao Senhor com exigências ou alegações descabidas, apenas despe tua capa mundana e apresenta-te como é, sem mais nem menos. 
Marco Antônio Galvão

16 de set de 2010

A caridade

A caridade é o processo de somar alegrias, diminuir males, multiplicar esperanças e dividir a felicidade para que a Terra se realize na condição do esperado Reino de Deus. Emmanuel
Picture by William-Adolphe Bouguereau

Bolo "Nêga Maluca"

Uma senhora entra numa confeitaria e pede ao balconista um Bolo "Nêga Maluca".
O balconista diz à cliente que usar o nome "nêga maluca", hoje em dia, pode dar cadeia, devido à: - Lei Affonso Arinos; - Lei Eusébio de Queiroz; - Artigo Quinto da Constituição; - Código Penal; - Código Civil; - Código do Consumidor; - Código Comercial; - Código de Ética; - Moral e Bons Costumes, - Além da Lei 'Maria da Penha' ...
- Então, meu filho, como peço a porra desse bolo ? - Bolo Afro-descendente com distúrbio neuro psiquiátrico...

Sutileza feminina

Um homem telefona para a sua esposa e diz: - Querida, o meu chefe convidou a mim e a alguns dos seus amigos para irmos pescar num lago distante. Vamos ficar fora uma semana. Esta é uma excelente oportunidade para eu conseguir a promoção que tenho esperado; por isso me prepare roupa suficiente para uma semana, e também a minha caixa de apetrechos de pesca. Vamos partir diretamente daqui do escritório, e vou passar aí apenas para apanhar essas coisas.
- Ah... Por favor, coloque também o meu pijama novo, aquele de seda azul.
A mulher acha que isso soa um bocado estranho, mas atende ao pedido do marido.
No fim-de-semana seguinte, ele regressa da pescaria um tanto cansado; mas, fora isso, nada de anormal. A mulher recebe-o com um beijo e pergunta-lhe se apanharam muitos peixes.
Ele responde: - Sim! Muitos pargos, algumas garoupas e uns poucos carapaus. Mas, por que é que você não colocou o meu pijama de seda azul, tal como pedi?
A mulher apenas olha fixamente nos olhos dele e responde segura de si: - Coloquei sim, querido! Coloquei-o dentro da caixa de apetrechos de pesca.
Moral da história: Nunca duvide da capacidade de raciocínio de uma mulher !! Mulher burra... Nasce homem

13 de set de 2010

A democracia no Brasil


Em feitio de exceção 
Um quarto de século de retomada da normalidade institucional em tese seria tempo suficiente para a democracia ter sido incorporada à cena nacional com a naturalidade das coisas que simplesmente "são". 

Como água encanada e luz elétrica. Na prática, porém, não tem funcionado assim: temos discutido muito a democracia no lugar de exercê-la sem discussão, o que seria muito mais natural. Depois de reconquistada a democracia a impressão que dá é que o País não sabe direito o que fazer com ela. A questão continua em aberto como ainda nos faltasse, fosse uma meta a ser alcançada, uma cidadela em permanente risco. Comparemos, para efeito de raciocínio, com a estabilidade econômica. Tem dez anos a menos e já saiu da agenda para entrar no campo dos consensos. 

Daqueles arraigados aos quais não há quem ouse agredir sob pena de perder a batalha na sociedade, de tão consolidado que está o conceito. Não se observa produção robusta e recorrente de pregações sobre os benefícios da estabilidade e a necessidade de preservá-la. Ela "é" e ponto final. Auto-explicável, auto-aplicável, compreendida e absorvida. 
Dora Kramer 



O pão, o circo e o voto 

O momento vivido pelo País tem despertado questões e aflições. 

Vamos enunciar algumas delas e tentar esclarecer os horizontes. "Muita gente acha que a democracia corre riscos quando a lei é menosprezada. Não se sabe se a legalidade que temos é firme o suficiente pra impedir retrocessos." A legalidade é firme? 

Em 1946 pensávamos que a Constituição democrática que encerrou o ciclo da ditadura Vargas tinha o apoio irrestrito do povo brasileiro e que, por isso, duraria muito; mas a volta do antigo ditador ao poder quatro anos depois, e o aparelhamento do Estado por seus seguidores abalaram nossa confiança na permanência da ordem constitucional democrática. A desestabilização das instituições não se deveu, então, à Constituição, mas aos que no governo e na oposição fraudaram a sua letra e o seu espírito, como sucederia também de 1961 a 1964. 

Não me animo a fazer prognósticos, ainda que acredite na possibilidade de se praticarem políticas constitucionalmente heterodoxas, como, aliás, pode ocorrer com quaisquer partidos ou pessoas que estejam no poder. Melhor será pensar o nosso presente e o nosso futuro em períodos longos como propuseram os grandes historiadores franceses da escola conhecida como Annales. 

Sem nenhuma vulgaridade, o ciclo que vivemos no Brasil obedece ao imperativo de por comida no prato de todos os brasileiros e de levar aos menos afortunados educação, saúde, inserção social e participação política. Ainda uma vez, embora não queira ser pitonisa, parece-me que enquanto não se exaurir esse ciclo, a maioria dos cidadãos não atribuirá importância decisiva à boa governança, à probidade inatacável dos gestores do Estado, ao respeito que eles devem às limitações constitucionais e à ética política. O ideal é que o progresso material e a evolução moral sigam pari passu. 

Isto me parece possível e percebo claramente que as pessoas e as comunidades urbanas beneficiadas por programas sociais efetivos e bem administrados despertam para outros tipos de exigência, como exação e probidade não só dos servidores do Estado como de seu próprio grupo. "O presidencialismo imperial quebra o equilíbrio entre os poderes. A ponto de Lula ter dito à sua candidata, há algumas semanas: "Espero que o seu Congresso seja melhor que o meu." O desejo de solução imediata e cabal dos problemas que afligem os mais necessitados se sobrepôs à legitimidade ética e à legalidade, representadas pela independência e equilíbrio dos poderes e a autocontenção dos que os exercem. Não são somente os pobres que assim procedem, mas também os que não o são. 

Quando o crime, organizado ou não, ameaça, pede-se ação drástica e muitas vezes injurídica, acreditando ser ela mais eficaz do que os procedimentos juridicamente legítimos. Isto não é de hoje, é de sempre, pois os antigos já diziam salus populi suprema lex est (o bem-estar do povo é a lei suprema), para se eximirem do cumprimento da lei. Da mesma forma, quando os juízes exigem da polícia e do Ministério Público o respeito à Constituição e à lei que limitam o discricionarismo na persecução penal, e mandam o Judiciário garantir os direitos individuais de inocentes e infratores, a reação da opinião pública e da opinião publicada quantas vezes denigre o Judiciário tachando-o de frouxo e covarde. 

Se o presidente do Supremo Tribunal concede habeas corpus a um homem rico, logo é suspeitado de subalternidade. Por ser rico, ninguém tem cassado os seus direitos fundamentais; tão pouco por ser pobre. "Os tribunais temem os riscos de enquadrar o presidente da República, que pouco se importa com os limites da lei." Não creio que os tribunais tenham medo de enquadrar o presidente. Compete-lhes julgá-lo somente por crime comum, uma vez que os de responsabilidade são da alçada do Congresso. Em matéria eleitoral, temos visto soluções salomônicas que multam o presidente e sua candidata, assim como os opositores de um e de outra. Talvez a Justiça Eleitoral se tenha dado conta dos seus excessos regulatórios que, restringindo os movimentos dos candidatos em dose cavalar, praticamente selam o resultado do pleito. Se o presidente, com seus altíssimos índices de popularidade, faz campanha desinibida por sua candidata, bafejada ainda pela cornucópia dos ricos, a igualdade visada pelo espartilho eleitoral é apenas uma balela. 

Fica assim demonstrado que o que assegura a lisura do pleito e a paridade dos candidatos na largada e no desenrolar da campanha eleitoral é menos a multa e muito mais a compostura das autoridades públicas - que, infelizmente, foi jogada no lixo. "A desvalorização do debate abre caminho para uma variante de ''democracia popular'' que poderia destruir as liberdades civis e dificultar a alternância de poder." A alternância dos partidos e dos governantes no poder é um dos requisitos da forma republicana do Estado, como sempre ensinaram as grandes vozes da democracia brasileira, mais que todas a de Rui Barbosa. Porém, essa alternância depende do voto que, sendo livre, não pode ser direcionado pela lei ou pelo ditado de juízes a desalojar quem está para entronizar outros que lá não estão. Independentemente dos critérios formais, o que ocorre hoje na disputa pela Presidência é a persistência do desejo de pão e circo. Mas, na medida em que se realize cabalmente, esse desejo cederá a vez a outro ciclo histórico, impulsionado pela aspiração coletiva e pessoal de valores como dignidade, liberdade e justiça. 

Então será a vez da oposição, se ela tiver paciência, determinação e fidelidade a esse ideário. "É preciso dotar a democracia brasileira de garantias mais sólidas." Cada povo tem o autoritarismo que merece e o Brasil tem vivido na ilusão de que a ordem justa e o bom governo nascem da autoridade, não da liberdade. Mas estamos aprendendo com a nossa própria experiência. Os presidentes Hugo Chávez e Lula têm nas qualidades cênicas - histriônicas frequentemente - um traço comum, a exemplo dos líderes carismáticos e autoritários do passado. Não temos democracia popular, o que temos são líderes popularescos que caíram no gosto da maioria, que os tem tornado imbatíveis, pelo menos até que a fome seja saciada. 
Célio Borja

10 de set de 2010

Alerta importante


O resfriado escorre quando o corpo não chora. 
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições. 
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair. 
O diabetes invade quando a solidão dói. 
O corpo engorda quando a insatisfação aperta. 
A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam. 
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar. 
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável. 
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas. 
O peito aperta quando o orgulho escraviza. 
O coração enfarta quando chega a ingratidão. 
A pressão sobe quando o medo aprisiona. 
As neuroses paralisam quando a "criança interna" tiraniza. 
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade. 

Preste atenção! 

O plantio é livre, a colheita, obrigatória ... 

Preste atenção no que você está plantando, pois será a mesma coisa que irá colher!

8 de set de 2010

Necessidade dos 2 tipos

Todo o homem precisa de uma mulher honesta, e, quando a encontra, precisa de uma desonesta também Bradbury

Mulheres

As mulheres não meditam, contentam-se com entrever ideias sob a forma mais flutuante e mais indecisa.
Nada se acusa, nada se fixa nas brumas douradas das suas fantasias.
São apenas aparições rápidas, figuras vagas, contornos imediatamente desvanecidos. Dir-se-ia que nada se importam com a verdade das coisas Marie Agoult

Desejos

Ao homem é lícito desejar as coisas sensíveis de maneira racional, enquanto à mulher é lícito desejar as coisas racionais de maneira sensível.
A natureza secundária do homem é a principal da mulher Friedrich Novalis

Escolhas


A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: 


"Nós somos a soma das nossas decisões". 


Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. 


Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso. Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida". 


Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. 


Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades. 


 As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços... Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas. Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. 


Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre. Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações. Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...! 


Refletindo: Se a vida fosse diferente podendo cada pessoa escolher ser uma em cada ocasião ou temporada: Talvez fosse melhor para algumas, pior para outras... E os filhos, o que seriam dos filhos?


As escolhas de cada pessoa devem ser verdadeiras, como diz o texto. Com a maturidade suficiente para lidar com os resultados, bons ou maus. Aceitando as incertezas e as dificuldades como e quando elas se apresentam, lutando para sair delas com ânimo e coragem.
E os laços que se criam através do tempo, nos relacionamentos, como seriam desatados ou mais fortemente ligados?

O texto diz que o destino pouco tem a ver com as escolhas pessoais. Acredito que o acaso ou destino não existe. pois cada ser humano está a todo instante, construindo o seu amanhã. Olhando para a vida do Planeta, dos grupos sociais, do ser enquanto indivíduo dessa geração, quais seriam as escolhas da maioria do homem planetário?
Pedro Bial

7 de set de 2010

Uma adolescência libidinosa e desregrada entrega à velhice um corpo cansado.
Cícero
Picture by Ramaz Razmadze

Ruinas do casamento


Vinte anos de romance fazem uma mulher parecer uma ruína; mas vinte anos de casamento tornam-na semelhante a um edifício público 
Oscar Wilde

As razões para a baixa libido em mulheres

De acordo com um estudo feito pela Universidade de Chicago, a falta de interesse no sexo é uma das maiores queixas de mulheres de todas as idades. As razões para essa baixa na libido variam de pessoa para pessoa. Mas algumas delas podem estar relacionadas abaixo. • Estresse Trabalhar demais pode contribuir para noites sem nenhum tipo de ação mais picante. Quando você está estressado, a energia sexual é rapidamente exaurida e você pode não querer outra coisa além de chegar em casa e dormir. Você é adulto, tem contas para pagar e teve um dia atribulado, não se preocupe, isso é normal. Só não pode se tornar crônico – mais que um ano sem desejo – porque aí o caso é para especialistas de saúde mental e apenas férias podem não dar conta de resolver seu problema (que provavelmente passa pela satisfação no relacionamento ou algum evento traumático). • Saúde física Ninguém se sente sexy quando está resfriada, com problemas de estômago ou dores. Isso também pode fazer você deixar de querer fazer sexo. Mas cuidado com sua saúde: a diabete, o hipotireoidismo, o câncer e problemas no coração também fazem que a libido desapareça. Se você está há muito tempo assim, já passou da hora de ir ao médico. • Remédios Diversos remédios e fármacos podem interferir no seu apetite sexual. Várias pesquisas apontam que antidepressivos populares ou mesmo remédios para emagrecer fazem o desejo desaparecer e até o orgasmo se tornar mais difícil de ser alcançado. Inclua nessa lista diversos remédios para hipertensão, drogas psicotrópicas, sedativos, fármacos com opiáceos na fórmula e mesmo algumas pílulas anticoncepcionais (mas não todas). • Mudanças drásticas Se você acabou de se casar ou se separar, mudou de emprego ou de casa, e mesmo faz um novo e tortuoso caminho pelo trânsito até chegar ao seu escritório, você pode estar física e mentalmente cansada. As mudanças drásticas em hábitos rotineiros também são uma forma de estresse – mesmo as mais positivas – e sua vida sexual pode esfriar por algum tempo. Calma, após se acostumar com as novas rotinas tudo deve voltar ao normal. • Idade Algumas pesquisas indicam que o sexo pode ficar melhor com a idade, mas as variações hormonais antes e durante a menopausa podem levar à baixa libido. Há relatos de mulheres que dizem até mesmo ter aversão ao toque e o ato sexual pode se tornar doloroso por conta das mudanças no nível de lubrificação vaginal. • Relacionamento Desinteresse temporário no parceiro é normal. Mas se isso acontece há algum tempo e não há variações positivas o problema pode ser o relacionamento em si. Se há uma tensão ou um sentimento de infelicidade constante, o desejo sexual pode desaparecer. Hora de pensar os prós e os contras de estar acompanhado. • Imagem corporal Aprender a amar seu corpo é, provavelmente, uma das melhores maneiras de desenvolver a própria sexualidade. Se você se sente desconfortável com sua imagem física há uma propensão a esconder o corpo do parceiro e isso, aos poucos, vai esfriando as coisas entre vocês. Quem mais precisa gostar do seu corpo é você mesma. • Depressão Se você está com sintomas de depressão, o sexo, com certeza, vai sumir da sua agenda. Todo mundo tem um dia ruim, mas semanas e meses é mais difícil. A depressão é um transtorno mental bastante comum e pouco tratado – principalmente por causa do estigma – e você não deve pensar duas vezes antes de consultar um profissional. • Filhos pequenos Um pequeno indivíduo que precisa de muita atenção. A lactação, a adaptação pós-parto e os desequilíbrios do sono podem contribuir para a baixa na libido. Além disso, a baixa no estrogênio nas mulheres que estão amamentando também leva a um menor desejo sexual, menos lubrificação vaginal e mesmo dores no ato sexual. • Abuso de álcool e outras drogas O consumo excessivo de bebidas alcoólicas e drogas pode aumentar o sexo por algum tempo. Mas em longo prazo, caso o hábito seja constante, há uma baixa da libido. Lembre-se: toda festa tem hora para acabar. Dicas Para aumentar sua saúde sexual não há segredos. Uma dieta saudável, sono regular, uma rotina de exercícios físicos e meditação para espantar o estresse são o ponto de partida. Exercite a fantasia também: jogos eróticos ou um novo ambiente podem ajudar a reacender a chama. Conversar sobre sexo com o parceiro também é outra boa pedida. Caso tudo isso falhe repetidamente, consulte um médico ou um terapeuta especializado em sexualidade. Estar com problemas sexuais também é algo normal e não é preciso se envergonhar.

6 de set de 2010

Advento do poder

O conceito de democracia natural, as perdas para a humanidade com a sua derrocada e a ascensão de grupos específicos 


 À medida que as venerações iam crescendo, tomando corpo e se oficializando nas comunidades humanas no período do Neolítico, constatam-se gravíssimas mudanças na estrutura cultural. 


Entre essas consequências, tem-se a ressaltar a fatal extinção da democracia natural. Houve um tempo em que alguns indivíduos começaram a se destacar dos demais em face de habilidades extraordinárias. 


De maneira que, o respeito expandido aos dotes extra-sensoriais, ao poder de magia e à possibilidade de comunicação com entidades do além, que alguns indivíduos manifestavam, já concorria a distingui-los dos outros membros sociais. O que os tornava ainda mais diferentes era o acúmulo de oferendas recebidas e os diferenciados recantos reservados aos seus rituais e moradias, estas últimas cada vez mais distanciadas e com algumas excentricidades. Havia outras associações que contribuiriam mais ainda para destaque daqueles personagens especiais. Qualquer fato incomum que sucedia, como escassez de alimentos, doenças, inundações, secas, terremotos e outros desastres naturais, eles se protagonizavam como os intermediários entre as forças provocadoras das desditosas situações. 


Naqueles momentos, em que havia coincidência de soluções favoráveis às comunidades, creditavam-se às manifestações dos paranormais, os quais ora se comunicando com os duplos dos homens ou espíritos especificados, ora empregando gestos e poções (atos mágicos). A cada evento, eram agraciados com mais presentes e regalias. Se todos tinham acesso às mulheres, para eles iniciava-se reserva exclusiva de algumas, talvez as mais atraentes. Se todos tinham o direito à distribuição equitativa dos alimentos, para eles, os melhores bocados. Se cada um resolvia os seus cuidados pessoais, para eles seguramente homens, mulheres ou crianças se ofereciam para cuidar de seus tratos pessoais. 


 De forma imperceptível pela comunidade, aos poucos aqueles indivíduos foram se vendo com mais bens e privilégios do que os demais, diferenciando-se bastante dos mesmos. Suas predições e opiniões ganhavam maior peso porque provinham de espíritos ou deuses, entidades que tinham o poder sobre o destino das coisas, acima de qualquer atitude convencional. Não demorou, então, que seus dizeres assumissem forças inquestionáveis acima das opiniões dos outros membros. Essa centralização lhes dava liderança fixa e permanente. Como a fonte das opiniões e decisões partia de um só, não mais se requeria a opinião de todos. Aquele cidadão com alguns bens a mais, mulheres exclusivas, o comando das decisões comunais e o único que se comunicava com o além, se apresentava como uma figura diferenciada e sujeita à sagração. Surgia, então, o Poder. 


O poder e a história da democracia natural Aqui vale uma observação: Na democracia natural não havia líder fixo e imutável, mas lideranças naturais, específicas a cada tarefa social e que se dissolvia com a consecução dos objetivos alcançados pela comunidade. O resultado de tudo isso seria a desintegração crescente da democracia natural. Esta se esfacelava em favor do indivíduo que manipulava os poderes espirituais. Daqui para frente, os assuntos da comunidade não seriam mais decididos com a participação efetiva de todos os membros. Um só individuo a tudo mandava e a tudo decidia. Como se tratava de uma contextura fora dos liames naturais, aquele novo poder acima dos demais geraria objetivos diversos daqueles destinados ao bem da comunidade, se restringindo a atos de acordo apenas com a vontade do xamã, do sumo-sacerdote. Inevitavelmente, o líder sacerdotal foi aumentando seus serviçais e clientes (os apadrinhados), os quais eram beneficiados com mais bens e prerrogativas. Guerras e rituais contra outras comunidades lhes traziam mais mulheres e mais serviçais, transformados a seguir em escravos, que engrossavam a legião dos servidores do Templo, do clã sacerdotal e de sua corte. 


Não demorou muito para que o líder sacerdotal, com seu poder absoluto e filhos diferenciados, implantasse a monarquia hereditária. Com efeito, dessa forma, a democracia natural se viu abolida em todas as sociedades civilizadas. Pesquisadores presumem que a democracia natural tenha sobrevivido entre os primitivos povos mesopotâmicos. Pelo menos a arqueologia apresenta alguns indícios de sociedade democrática. Os sinetes de chamada dos cidadãos encontrados se assemelham aos da democracia de Milão dos séculos XII e XIII. Os túmulos não indicam diferenciamento, como os das fases posteriores durante os reinados dos soberanos da Antiga Caldeia, o que representa o igualitarismo a todos os membros. 


 De qualquer maneira, algumas comunidades humanas chegaram até o século XX, ainda exercitando a democracia natural. Foi encontrada em todos os continentes, da América à Europa, da África à Polinésia. Em alguns lugares a democracia natural se apresentava em estágio de transformação na monarquia absoluta, mas trazia ainda relativo processo de decisão comunal e controle dos poderes por todos os membros, como foi o caso das comunidades da Germânia, antes da aculturação romana. Podemos agora retornar à democracia natural e estudar o seu funcionamento. O ponto fundamental de sua operacionalização é o comando nas decisões fomentado sob propensões naturais dos seres humanos. Estes são dotados de instintos gregários que os estimulam a objetivar o bem da sociedade. Conforme observado, não havia lideranças fixas, nem governo. 


Todos agiam voluntariamente e todos tinham participação nas decisões. Os bens eram comunais. Em sociedades de nossa atual civilização não resta dúvida que a complexidade cultural produziu comportamentos humanos perniciosos à vida social, mas não tanto a ponto de bloquear totalmente as tendências naturais dos indivíduos. Evidente que a desnaturalização das comunidades humanas prejudicou o desempenho dos indivíduos em termos de solidariedade. Entrementes, mesmo com as deturpações ocorridas no conjunto cultural dos povos, os cidadãos de uma forma geral são estimulados por seus instintos sociais em função do bem da comunidade. Numa nação qualquer, quanto menor forem a má distribuição de rendas, as desigualdades previdenciária e salarial, os privilégios a grupos políticos, religiosos, sindicais, maior será a vazão dos instintos sociais, fato esse demasiadamente comprovado pelas pesquisas. Na democracia natural não havia líder fixo e imutável, mas lideranças naturais, específicas a cada tarefa social e que se dissolvia com a consecução dos objetivos alcançados pela comunidade 


 Observa-se que a média em decisões coletivas se encaminha bastante ao bom-senso, mesmo que os indivíduos separadamente considerados possam ter atributos não recomendáveis. É a força do instinto social embora sensivelmente prejudicado por falsos conceitos e a ação de grupos sumamente egoístas e dominantes dos poderes da sociedade. Sim os seres humanos estão destinados a serem sensatos e cooperadores. Se a situação demonstra o contrário em muitos casos, trata-se de algum erro social, mas não o suficiente, vale repetir, para destruir de vez com as tendências naturais de todos os indivíduos. O que equivale a dizer que não se deve partir da hipótese de que a democracia natural não funcionaria a contento, porque, em relação aos humanos, temos de atender à perspectiva da existência do Bem e do Mal na natureza humana. Ora, filosoficamente falando, não persiste nenhum fundamento para esse dualismo. Existem realmente entes humanos bons e maus no conceito em que são empregadas essas palavras? Noção de bem e mal Em decorrência da decadência cultural perpetrada na humanidade, deparamos com a noção de que há o Bem e o Mal, e por consequência indivíduos bons e maus. 


É a essência da doutrina maniqueísta, a qual consiste na crença da realidade simultânea de dois princípios divinos: o Bem e o Mal. Foram esses mesmos Bem e Mal que muito preocuparam os zoroastrianos, e ainda o espírito do Bem e do Mal que atormentou os autores dos Vedas. Um mal que tem feito milhões de pessoas, há mais de mil anos se dirigirem a Ganges, outros tantos a Meca, e igualmente a Roma e a Jerusalém, para se verem livres do mesmo. Muitas religiões, procurando fundamentar adequadamente os seus princípios, utilizaram-se dessas criações. A doutrina judaico-cristã, por exemplo, além de afirmar a existência do Bem e do Mal, e de que o homem é, por natureza, mau, procura até mesmo indicar a origem desse fato. De modo que, simbolizando o erro humano no pecado de Adão, tratou de mostrá-lo em forma de desobediência. 


Assinala-nos São Gregório: "A tragédia do homem é que pelo pecado original sua natureza é corrupta e o inclina para o mal; e esta má-formação espiritual básica é transmitida de pai para filho por meio da procriação sexual". E chegaram, infantilmente, a alvitrar que o mal estaria nas partes sexuais do corpo humano, especialmente no da mulher. Foram mais além e propuseram que a causa sendo imanente na representante feminina, taxaram-na a origem de todos os males que afligem a humanidade. Como essas criaturas têm sofrido ao longo dos anos as conseqüências de tão curta e falsa visão do mundo! Essa parvoíce abrangeu os judeus com o papel representado por Eva. Outros apontavam à lua, ao sol, aos animais e determinados fenômenos e objetos, o motivo do Mal; com certeza, muito se tem tentado enfeitar essa fantasia, todavia sem êxito. As palavras Bem e Mal sempre preocuparam os civilizados, elevando-os a princípios, e em torno dos quais suscitaram as mais absurdas conotações, resultando em símbolos os mais ridículos, e finalmente, advindo divindades, espíritos, demônios, e os persas anunciando que somente no fim do mundo, com a vinda de um Messias nascido de uma virgem e da semente de Zaratustra, esse dualismo seria extinto, dualismo esse que se entranhou nas grandes religiões, e vigora nas atuais crenças, reduz-se, entretanto, a um simples fator biológico. 


 Não tem sentido acentuar filosoficamente ser boa ou má uma coisa. No reino animal inexiste substância a esse conceito. Nenhum animal é mau ou bom pelas suas atitudes; todos agem simplesmente pela sua sobrevivência com as aptidões que a natureza lhes adaptou. O predador e a sua presa têm as tendências e instintos necessários à conservação de suas espécies respectivamente, nada tem a ver se são maus ou bons. E o homem também está incluso nesse sistema. Um guepardo não é mau porque mata uma gazela, nem bom porque alimenta seus filhotes. Ilógico pensar que um ser social, como o homem, nasça destinado a fazer o mal aos outros membros da sociedade. Se assim fosse, não seria social nem haveria sociedades. O indivíduo é uma parte com uma função a cumprir para o funcionamento da corporação comunitária. Todos necessitam da colaboração e da solidariedade de cada um. 


O contrário seria uma aberração no mundo natural. Esta lhe dotou de faculdades, tendências e instintos, próprios de um ser social: predisposições a realizar atos para sobrevivência de sua espécie. Em suma, a democracia natural funciona em tribos indígenas de uma forma racional, harmônica e sensata, por força das próprias propensões naturais de cada indivíduo, que o impulsiona a agir pelo bem da sociedade Foi com base nessas falsas premissas, que durante séculos, insistiram em formas de governo contrárias a natureza humana, como a Monarquia. Diante da presumível malignidade ingênita dos cidadãos, admitiram o Absolutismo e a Autocracia dos monarcas. Códigos draconianos vigoraram para debelar a maldade dos homens, ao mesmo tempo em que eram desprezados estudos sobre as causas primeiras. Nesta época, jamais poderiam imaginar que o verdadeiro regime na organização política dos povos era baseado justamente nos bons propósitos dos cidadãos. 


Entretanto, esses são os alicerces que fizeram funcionar perfeitamente a democracia natural, tanto entre os pré-históricos como em povos de cultura primitiva. Democracia nas tribos indígenas Em suma, a democracia natural funciona em tribos indígenas de uma forma racional, harmônica e sensata, por força das próprias propensões naturais de cada indivíduo, que o impulsiona a agir pelo bem da sociedade. Contemplando o comportamento das tribos brasileiras localizadas no Parque Nacional do Xingu, confirmam-se essas assertivas. 


São interessantes, portanto, as observações sobre as tribos indígenas do Brasil Central, sem aculturação dos civilizados, sobretudo daquelas onde os irmãos Vilas Boas conviveram por mais de 40 anos. Podemos ter uma ideia muito aproximada do processo decisório dos proto-históricos sobre os problemas emergentes como abrigo, segurança, ameaça de animais predadores, caça, intempéries, transmigração, doenças, mortes, resolvendo sobre a escolha da presa, quando, local, quem, tática, remoção e guarda da caça ou de suas partes, atendimento a enfermos, enterro, rumo do deslocamento, etc. Talvez se dispondo em círculo, sentados, ou simplesmente agachados, riscando o solo com gravetos na discussão de suas táticas e tarefas. O formato em círculo, muito notado nas tribos indígenas, é próprio de uma reunião de iguais, onde cada um fala de igual para igual, sem outro tipo de acomodação, que opostamente inclina os indivíduos a transparecer formalidade perante líderes permanentes, poderosos, distintos e reverenciados. Em contato com o antropólogo pesquisador e arte-educador brasileiro, Walde-Mar de Andrade e Silva, que teve longa experiência com os indígenas das tribos do Xingu, suas informações e esclarecimentos foram muito importantes. 


Em primeiro lugar, todas as decisões das tribos necessitam da participação efetiva de todos os membros. Os mais velhos absorviam em suas células familiares as opiniões e solicitações das crianças, mulheres e filhos. Sua missão é filtrar as colocações dos seus parentes e levá-las aos demais membros da comunidade. À primeira vista, pode parecer uma Gerontocracia. Todavia, há que considerar alguns detalhes que afastam essa hipótese. A gerontocracia se caracteriza pela atuação de um conselho fixo de anciãos, de modo temporário (como a Gerúsia dos Espartanos) ou permanente (como a Câmara dos Lordes na Inglaterra). 


Entre aqueles indígenas, porém, cada reunião é aberta a todos os anciões. Cada um dos velhos da tribo poderá ou não comparecer, mas nenhum tem cadeira cativa. Aquele que passa a reconhecer-se como ancião, pode voluntariamente comparecer, falar e votar na reunião. Os mais velhos apenas transmitem de forma apurada as conclusões obtidas no seio familiar. De um velho se ouve que o seu neto sugere que os arcos de brinquedos sejam feitos pelos mestres com materiais e técnica dos arcos dos adultos, pois melhor aprenderiam a arte de caça ou poderiam ajudar os adultos na caçada. De outro, se escuta que a sua filha sugere que os homens ajudem na colheita dos inhames naquela temporada, pois as plantações muito distantes estão prejudicando alguns afazeres das mulheres. 


No final, todos analisam, discutem e decidem. ...foi uma perda para a humanidade a extinção da democracia natural. No entanto, devido ao aumento da população e do território das nações civilizadas, conclui-se que se tornaria difícil a sua operacionalização Por fim, chega-se a conclusão de que foi uma perda para a humanidade a extinção da democracia natural. No entanto, devido ao aumento da população e do território das nações civilizadas, conclui-se que se tornaria difícil a operacionalização da democracia natural. Insofismavelmente, haveria de se construir um novo modelo de democracia natural. 


Ou mais precisamente, como fazer ressurgir a democracia natural diante dos problemas acima mencionados? Nada melhor do que indagar das ciências sociais e humanas, como convocar e fazer todos os cidadãos comuns participar e também exercer o controle sobre os poderes? Essa resposta veio com a democracia pura, pois esse regime estabelece os sistemas em que possibilita aos cidadãos comuns realizar esse intento, através da participação total dos cidadãos ou de parte dos mesmos. A ferramenta principal de que se servirá a democracia pura é a Internet, que fará com que os membros sociais participem e decidam os assuntos da sociedade tanto quanto o faziam na democracia natural. 


 Aliás, a Internet é o meio racional e cômodo, que evita decisões em praça pública e de grupos segregados. Os cidadãos comuns podem no seu lar ou ambiente de trabalho acompanhar tranquilamente os debates, programas e perfis, de assuntos e de candidatos e expor as suas decisões por intermédio de um sistema, que lhe permitirá resolver de forma matemática e completa. Destarte, a democracia pura tem condições de reviver a democracia natural, pois os assuntos e decisões comunais seriam de todos os cidadãos e estes seriam os únicos que controlariam os poderes, através de comitês sorteados e renovados anualmente. Temos ciência de que as sociedades atuais são mais complexas, como nos referimos anteriormente, e que os indivíduos não são tão uniformes como as comunidades primitivas, mas a viabilização da democracia pura, que revive assim a democracia natural, é plenamente possível e mais eficaz do que na Representação Política. Tendo em vista que 16% da população adulta das grandes metrópoles sejam afetadas por psicoses, conforme pesquisas psicopatológicas, alguns autores avaliam que o julgamento de assuntos pelo povo seja precário. A situação seria agravada se acrescentassem os contingentes dos menos letrados e dos desinteressados. 


Acontece, porém, que recentes estudos da ciência também revelam que cada indivíduo conduz consigo peculiares códigos de ética, de humanidade e de nacionalidade, não importando seu nível cultural nem seu comportamento social. Os pesquisadores têm constatado que até mesmo psicopatas autores de assassinatos hediondos e demais criminosos, ao se manifestarem sobre assuntos em geral, tendem a fazê-lo obedecendo a ângulos éticos, humanos e patrióticos. Deduz-se então que cada estado psicopatológico e ausência de instruções e analfabetismo não são suficientes para obstruir a ação dos códigos mentais. Em outros termos, ressalvados propósitos que o preocupem no momento, o elemento humano, ao decidir sobre um assunto de fundamental essencialidade à comunidade ou do país, tende a reagir sempre em consideração aos padrões de moral, dos instintos sociais e defesas nacionais guardadas em sua mente, independentes de seu ínfimo ou amplo conhecimento, formação cultural e perturbação mental. As decisões do povo podem ser extraordinariamente sensatas. Basta atender alguns requisitos consoantes estabelecidos na doutrina da Democracia Pura Por outro lado, muitos estudiosos são relutantes em aceitar a decisão social promanada de todos os cidadãos de uma nação. 


Argumentam que o povo resolve sobre as coisas de forma emotiva e amorfa. E que o povo não tem condições de votar sobre assuntos complexos. Citam exemplos como: a determinação da infeliz invasão de Siracusa votada pelos cidadãos gregos em assembléia e a votação contada em minutos de um complicado código de leis civis por um Cantão suíço. Outros criticam a assembléia do povo, falando propositadamente como de uma multidão espremida numa praça pública votando leis e candidatos, em meio a discursos inflamados de oradores demagogos e populistas. Engano! Não é nada disso que se passa com o povo. 


As decisões do povo podem ser extraordinariamente sensatas. Basta atender alguns requisitos consoantes estabelecidos na doutrina da Democracia Pura, mormente o correspondente ao emprego do sistema matemático SHP, que supre todas as alegações com respeito a decisões irracionais. Finalmente, pode-se dizer sem erros que a democracia natural pode ser revivida na sua versão de democracia pura no mundo moderno de uma forma tranquila, suave e racional. 
José Vasconcelos

5 de set de 2010

4 de set de 2010

O amor

Amor não se conjuga no passado; ou se ama para sempre, ou nunca se amou verdadeiramente. M. Paglia Picture by Pissaro

Amor e luz

Se a luz é o primeiro amor da vida, não será o amor a luz da vida? Balzac

3 de set de 2010

Intolerância

Derramar seu sangue, privar seus filhos de ter uma mãe, mas por quê? Porque viveu, porque amou, porque é uma mulher, uma iraniana? Me nego a aceitar Carla Bruni

Diário Secreto

No casamento a revitalização da luxúria só pode ser conseguida enfraquecendo e destruindo os seus laços. Quero dizer, amantes.
É por isso que a luxúria se torna um pecado, pois está destinada a morrer, e se ainda se acende isso só acontece por causa das mulheres fora do casamento. É assim que chegamos à ideia original de pecado quando a luxúria é a inimiga do amor.
A cópula entre marido e mulher não é pecaminosa porque é feita sem luxúria. Todos os casos extraconjugais são luxuriosos e por isso pecaminosos. Assim, todas as tentativas de reavivar a luxúria no casamento são más, incluindo o afastamento. Porque reacender a luxúria por um curto período ameaça um casamento, sujeitando a esposa à tentação de adultério na separação. O casamento foi criado para destruir a paixão embora a princípio atraia com paixão. Calcar a paixão com a paixão.
O casamento seduz com a legitimidade e com a disponibilidade da luxúria. Ao fazermos o juramento de fidelidade, não suspeitamos que estamos também a renunciar à luxúria. O casamento foi criado para distrair as pessoas da luxúria com a ajuda da luxúria. Por isso, para bem de um casamento forte, tem se aguentar o seu desaparecimento. Não sustenham a respiração!
A luxúria é o orgulho do corpo; o amor é o orgulho da alma, um orgulho que não é mais que a luxúria da alma.
Alexander Puschkine

Tu tens um medo

Tu tens um medo: Acabar. 
Não vês que acabas todo dia. 
Que morres no amor. Na tristeza. 
Na dúvida. 
No desejo. 
Que te renovas todo dia. 
No amor. 
Na tristeza. 
Na dúvida. 
No desejo. 
Que és sempre outro. 
Que és sempre o mesmo. 
Que morrerás por idades imensas. Até não teres medo de morrer. 
E então serás eterno. 
Cecília Meireles

Assalto

Alô? Quem tá falando? - Aqui é o ladrão.
- Desculpe, a telefonista deve ter se enganado, eu não queria falar com o gerente do banco. Tem algum funcionário aí?
- Não, os funcionário tá tudo refém.
- Há, eu entendo. Afinal, eles trabalham quatorze horas por dia, ganham um salário ridículo, vivem levando esporro, mas não pedem demissão porque não encontram outro emprego, né?
Vida difícil... Mas será que eu não poderia dar uma palavrinha com um deles? - Impossível. Eles tá tudo amordaçado.
- Foi o que pensei. Gestão moderna, né? Se fizerem qualquer crítica, vão pro olho da rua. Não haverá, então, algum chefe por aí? - Claro que não mermão. Quanta inguinorânça! O chefe tá na cadeia, que é o lugar mais seguro pra se comandar assalto!
- Bom... Sabe o que é? Eu tenho uma conta... - Tamo levando tudo, ô bacana. O saldo da tua conta é zero! - Não, isso eu já sabia. Eu sou professor! O que eu queria mesmo era uma informação sobre juro. - Companheiro, eu sou um ladrão pé-de-chinelo. Meu negócio é pequeno. Assalto a banco, vez ou outra um sequestro.. Pra saber de juro é melhor tu ligá pra Brasília. - Sei, sei. O senhor tá na informalidade, né? Também, com o preço que tão cobrando por um voto hoje em dia...
Mas , será que não podia fazer um favor pra mim? É que eu atrasei o pagamento do cartão e queria saber quanto vou pagar de taxa. - Tu tá pensando que eu tô brincando? Isso é um assalto! - Longe de mim pensar que o senhor está de brincadeira! Que é um assalto eu sei perfeitamente; ninguém no mundo cobra os juros que cobram no Brasil. Mas queria saber o número preciso: seis por cento, sete por cento?
- Eu acho que tu não tá entendendo, ô mané. Sou assaltante. Trabalho na base da intimidação e da chantagem, saca? -Ah, já tava esperando. Você vai querer vender um seguro de vida ou um título de capitalização, né?
- Não... Já falei... Eu sou... Peraí bacana... Hoje eu tô bonzinho e vou quebrar o teu galho. (...um minuto depois) - Alô? O sujeito aqui tá dizendo que é oito por cento ao mês. - Puxa, que incrível! - Incrive por quê? Tu achava que era menos?
- Não, achava que era mais ou menos isso mesmo. Tô impressionado é que, pela primeira vez na vida, eu consegui obter uma informação de uma empresa prestadora de serviço pelo telefone em menos de meia hora e sem ouvir 'Pour Elise'.
- Quer saber? Fui com a tua cara. Acabei de dar umas bordoadas no gerente e ele falou que vai te dar um desconto. Só vai te cobrar quatro por cento, tá ligado? - Não acredito! E eu não vou ter que comprar nenhum produto do banco? - Nadica de nada, já tá tudo acertado!
- Muito obrigado, meu senhor. Nunca fui tratado dessa... (de repente, ouvem-se tiros e gritos) - Ih, sujou! Puliça! - Polícia? Que polícia? Alô? Alô? (sinal de ocupado...) - Droga! Maldito Estado: quando o negócio começa a funcionar, entra o Governo e estraga tudo!
Luís Fernando Veríssimo

2 de set de 2010

História Através da Música no Teatro Café Pequeno

Nostálgico

Quando eu era garoto, minha mãe me mandava ao supermercado e com apenas 2 Reais eu voltava com: 3 kgs de batatas, 1 pacotão de pão, 2 litros de leite, 1/2 kg de queijo, 1 caixa de chá, 1 dúzia de ovos e 2 litros de óleo. Hoje em dia não dá mais para fazer isso... Encheram o supermercado de câmeras!!!

Casamento

Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer". Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.
De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente. Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: "Por quê?"
Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou "você não é homem!" Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.
Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa. Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora. No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.
Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e voltei a dormir.
Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possivel. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus examos no próximo mês e precisava de um ambiente propício para prepar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais. Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis. Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. "Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio" ,disse Jane em tom de gozação.
Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo "O papai está carregando a mamãe no colo!" Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não conte para o nosso filho sobre o divórcio" Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório. No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado. No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim. No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei. Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse "Todos os meus vestidos estão grandes para mim". Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias. A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso... ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração..... Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos. Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse "Pai, está na hora de você carregar a mamãe". Para ele, ver seu pai carregando sua mão todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo. Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento. Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras: "Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo". Eu não consegui dirigir para o trabalho.... fui até o meu novo futuro endereço, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia...Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela "Desculpe, Jane. Eu não quero mais me divorciar". Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa "Você está com febre?" Eu tirei sua mão da minha testa e repeti "Desculpe, Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe. A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar. Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: "Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe". Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama - morta. Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio - e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso. Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz! Se você não dividir isso com alguém, nada vai te acontecer. Mas se escolher compartilhar com alguém, talvez salve um casamento. Muitos fracassados na vida são pessoas que não perceberam que estavam tão perto do sucesso e preferiram desistir..
Enviado pelo Albertinho Batista

1 de set de 2010

Mensagem do dia

Não interessa como foi a farra. Volte pra casa sempre de cabeça erguida !

Um cabelo no prato...

O freguês recebe o seu prato no restaurante, olha e chama o garçom de volta:
- Garçom! Olha aqui: um fio de cabelo no meu prato!
- Não tem problema. Isso é do saco do feijão.
- Ah, bom! Então aproveita e me dá uma cervejinha!
- Tudo bem. (Grita) Feijão! Salta uma cervejinha aqui pro doutor!

Para atravessar contigo o deserto do mundo

Para atravessar contigo o deserto do mundo 
Para enfrentarmos juntos o terror da morte 
Para ver a verdade, para perder o medo 
Ao lado dos teus passos caminhei 
Por ti deixei meu reino meu segredo 
Minha rápida noite meu silêncio 
Minha pérola redonda e seu oriente 
Meu espelho minha vida minha imagem 
E abandonei os jardins do paraíso 
 Cá fora à luz sem véu do dia duro 
Sem os espelhos vi que estava nua 
E ao descampado se chamava tempo 
 Por isso com teus gestos me vestiste 
E aprendi a viver em pleno vento. 
Sophia de Mello Breyner Andresen

Decisão

Uma vez tomada a decisão de não dar ouvidos mesmo aos melhores contra-argumentos: sinal do caráter forte. Também uma ocasional vontade de se ser estúpido. Friedrich Nietzsche

Cientistas da Universidade Colúmbia descobrem que dormir pouco pode aumentar os riscos de depressão na adolescência

Ir para a cama cedo ajuda a evitar a depressão. Essa é a descoberta de cientistas da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos. O grupo de pesquisadores descobriu que a depressão é 24% mais comum em adolescentes que têm permissão para ir para a cama tarde que em jovens cujos pais exigem que se recolham mais cedo. O estudo mostra que os voluntários que se deitavam muito tarde dormiam, em média, sete horas e meia por noite; os que se recolhiam mais cedo, oito horas e dez minutos, em média. Os pesquisadores interpretavam “horário de dormir imposto pelos pais” como o oposto de “contar horas de sono”, para descartar a possibilidade de que a depressão estava fazendo alguns jovens dormir menos, e não o contrário. Um trabalho anterior sustenta a ideia de que poucas horas de sono podem levar à depressão. Uma pesquisa da Universidade de Londres mostrou que crianças que sofrem de insônia estão mais sujeitas a desenvolver o transtorno na adolescência. E outro estudo, sobre o risco do transtorno hereditário em jovens, agora na Universidade de Pittsburgh, mostrou que o indicador biológico de recuperação, isto é, não sofrer de depressão, era o sono adequado. Embora seja improvável que dormir pouco seja o único responsável pela falta de ânimo dos adolescentes, aqueles com predisposição genética ou ambiental para a falta de sono podem apresentar risco maior. Experimentos realizados no Centro Médico Walter Reed do Exército e na Universidade da Califórnia em Berkeley, ambos nos Estados Unidos estão começando a esclarecer essa relação. Durante ressonâncias magnéticas, pessoas saudáveis mas com privação de sono apresentam aumento de atividade na amígdala, órgão cerebral envolvido no processamento das emoções, e redução de atividade no córtex pré-frontal – as mesmas alterações observadas em pessoas deprimidas. Em um dos estudos do Centro Médico Walter Reed do Exército, ao se defrontar com imagens perturbadoras os participantes começaram a apresentar sintomas de depressão e os voluntários de Berkeley se mostraram mais estressados que os participantes descansados. O psicólogo William D. Scott Killgore, da Escola de Medicina de Harvard, do Hospital McLean e coautor da pesquisa do Exército, observa que todos esses efeitos neurobiológicos podem atingir os jovens de forma intensa. “Como os adolescentes sofrem muitas pressões na vida cotidiana ─ cada vez mais complicada ─, eles precisam de mais horas de sono que crianças ou adultos; assim, não dormir direito pode se transformar em um problema.”

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