22 de jun. de 2012

Marido exigente


O marido decide mudar de atitude. Chega em casa todo machão e ordena:
– Eu quero que você prepare uma refeição dos deuses para o jantar e, quando eu terminar, espero uma sobremesa divina. 
Depois, você vai me trazer um uísque e preparar um banho, porque eu preciso relaxar. 
E tem mais: quando eu terminar o banho, adivinha quem vai me vestir e me pentear?
– O homem da funerária – respondeu placidamente a esposa.

“Nossa, que cara sensível!”


A mulher conhece um cara num bar e começam a conversar. Papo vai, papo vem, acabam indo ao apartamento dele. 

Chegando lá, ela nota uma estante de três prateleiras com centenas de ursinhos de pelúcia. Na de baixo, estão os menores; na do meio, os médios; e, na de cima,os ursos maiores. 

Ela fica imaginando: “Nossa, que cara sensível!”. 

Começam a se beijar e têm uma noitada maravilhosa de sexo. 

No dia seguinte, estão deitados, quando ela pergunta, toda sorridente:

– E então, que tal?

Ele responde:
– Pode pegar o prêmio da prateleira de baixo

Qual o segredo da longevidade no Japão?

O Japão tem a maior média de expectativa de vida do mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e das Nações Unidas (ONU), e o segredo não é somente a alimentação, como se pensava.


Segundo Kenji Shibuya, professor do departamento de política global de saúde da Universidade de Tóquio, as razões da longevidade japonesa têm tanto a ver com o acesso a medidas de saúde pública quanto a uma dieta equilibrada, educação, cultura e também atitudes de higiene no dia-a-dia.
O especialista e uma equipe de pesquisadores estudaram vários aspectos da cultura, da política e da economia japonesa que influenciam na forma de viver da população e publicaram o estudo no jornal médico The Lancet.
''A expectativa de vida do japonês aumentou rapidamente entre os anos 50 e 60, primeiramente, por causa da queda da taxa de mortalidade infantil'', explicou à BBC Brasil o professor Shibuya.
Depois, as autoridades concentraram esforços para combater a mortalidade adulta. O resultado positivo foi, em grande parte, consequência dessa política de saúde adotada pelo país.
Histórico de sucesso 

Hoje, um bebê quando nasce no Japão pode esperar viver até 86 anos se for uma menina, e quase 80 se for menino.

Mas segundo o estudo conduzido pelo professor Shibuya, os japoneses nem sempre tiveram a perspectiva de viver por tanto tempo.
Em comparação com dados de 1947, houve um salto de mais de 30 anos na expectativa de vida de uma pessoa. Esse crescimento começou no final da década de 50, quando o país passou a experimentar um desenvolvimento econômico acelerado.
No pós-guerra, o governo começou a investir em ações de saúde pública, introduzindo o seguro nacional de saúde em 1961, tratamento grátis para tuberculose e infecções intestinais e respiratórias, além de campanhas de vacinação.
Uma das principais ações foi a redução das mortes por acidente vascular cerebral (AVC). ''Isso foi um dos principais impulsionadores do aumento sustentado da longevidade japonesa depois de meados dos anos 1960'', contou o estudioso.
''O controle da pressão arterial melhorou através de campanhas, como a de redução do consumo de sal, e uma maior utilização de tecnologias de custo-benefício para a saúde, como medicamentos anti-hipertensivos com cobertura universal do seguro de saúde.''
Educação e cultura
Porém Shibuya lembra que o crédito dessa conquista não é só do governo. ''Em 1975, muitas doenças não transmissíveis já estavam em níveis extremamente baixos em comparação com outras nações de alta renda, devido em grande parte a uma herança cultural de cuidados com a alimentação e prática de atividades físicas'', sugere.
Além disto, segundo o estudo, os japoneses dão uma atenção à higiene em vários aspectos da vida diária. "Essa atitude pode, em parte, ser atribuída a uma complexa interação de cultura, educação, clima (por exemplo, temperatura e umidade), ambiente (por exemplo, ter água em abundância e ser um país consumidor de arroz) e a velha tradição xintoísta de purificar o corpo e a mente antes de se encontrar com outras pessoas", diz o estudo.
''Eles também são conscientes em relação à saúde. No Japão, check-ups regulares são normais e oferecidos em larga escala em escolas e no trabalho, a todos, pelo governo'', afirma ainda o estudo. ''Em terceiro, a comida japonesa tem benefícios nutricionais balanceados e a dieta da população tem melhorado de acordo com o desenvolvimento econômico ao longo das décadas.''
Para o cantor de rua japonês Yu Rikiya, de 68 anos, o segredo é o fato de haver muitas atividades voltadas para pessoas de idade mais avançada. "Essas pessoas têm um motivo toda semana para continuar vivendo. Fazem o que gostam, se divertem e não se estressam", sugere ele.
Além de produzir e vender os próprios CDs, Yu Rikiya canta na noite e diz que nunca se preocupou com o avanço da idade. ''Temos acesso a médicos, tratamentos e remédios. Ganho o suficiente para comer e sustentar a família. Saio com amigos para beber e curtir a vida. Então, para que se preocupar?'', questiona, sorrindo.
''Quero viver muito ainda, produzir mais música e, quem sabe, ainda ser famoso um dia'', planeja.
Envelhecimento 

O lado negativo do sucesso do Japão em conseguir manter a população saudável é o desequilíbrio populacional. Até agora, cerca de 24% da população tem mais de 65 anos.

Mas cálculos do governo apontam que, em 2060, a porcentagem de idosos será de 40%, numa população que se reduzirá dos atuais 127 milhões para 87 milhões.
Segundo o estudo, a expectativa de vida deve aumentar ainda mais, chegando a 84 anos para homens e 90 para as mulheres.
''O rápido envelhecimento da população japonesa é um desafio para o sistema de saúde do Japão em termos de financiamento e qualidade dos cuidados'', aponta Shibuya.
''Simplesmente aumentar a expectativa de vida não faz mais sentido. Devemos focar mais em maximizar de forma saudável essa expectativa de vida'', sugere.
Outros desafios que o Japão enfrenta são altos índices de alcoolismo, tabagismo e suicídio, problemas gerados em parte por causa do aumento do desemprego e do prolongamento da crise econômica.
BBC Brasil 

21 de jun. de 2012

Relatos de horror sobre a ditadura estão escondidos no anonimato



Ao lado do depoimento da ex-militante Dilma estão guardados quase mil processos em que companheiros de luta contam com detalhes técnicas de tortura adotadas pelos seus algozes 


O depoimento pessoal de Dilma Rousseff, que 30 anos depois de sofrer tortura em Juiz de Fora seria eleita presidente do Brasil, é apenas uma parte num conjunto de 916 peças de horror que estavam até agora esquecidas na última sala do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG), no Edifício Maletta, no Centro de Belo Horizonte. Nesse teatro de barbárie e agonias, não há protagonistas. São histórias de centenas de militantes políticos de Minas torturados na frente de seus bebês, homens casados que se tornaram estéreis por levar choque nos órgãos genitais e mulheres que seriam violadas no anonimato das celas pelos seus algozes.

Uma das técnicas mais sádicas de tortura era a da “latinha”. “A primeira coisa que eles faziam era arrancar a roupa da gente e deixar completamente nua. Depois, colocavam descalça em cima de duas latinhas abertas, como a de salsicha, com as bordas afundando no pé. A gente tinha de aguentar até não poder mais. Se caísse ou descesse, era espancada por eles. Era um tipo de crueldade abaixo do nível humano. Era bestial”, revela o trecho de uma das vítimas, que permanece aqui no anonimato. 

Outro “método” relatado nas prisões mineiras não envolvia o emprego da violência física. Na verdade, nem precisava. Seu teor era psicológico. Era usada principalmente com mães ou grávidas. Tratava-se de colocar uma criança engatinhando em cima de uma mesa para forçar a “confissão” da torturada. Caso ela não falasse, o torturador avisava que a criança poderia cair. “Manusearam meu corpo, torceram o bico dos meus seios e enfiaram a mão em mim. Um dia, eu estava arrebentada depois de ter sido torturada das 19h até as 5h da manhã quando fui estuprada pelo sargento Leo, da PM”, conta Gilse Westin Cosenza, hoje aos 68 anos, a primeira da lista de 53 pessoas indenizadas pela comissão mineira, em 2002.

Quando foi presa, aos 25 anos, Gilse era vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da PUC Minas. Ela foi levada para a cadeia com o marido, o vice-presidente do DCE da UFMG, o estudante de economia Abel Rodrigues Avelar. Os dois pertenciam à organização Ação Popular (AP). De todas as sessões de humilhação sofridas pela então estudante do curso de serviço social, para Gilse a pior envolveu a filha Juliana, aos 4 meses. “A passagem mais barra pesada, de tudo o que relatei à comissão de Minas, envolveu minha filha, que hoje está bem, tem 43 anos, é analista de sistemas e trabalha no TRE, no Rio de Janeiro. Na época, eles quase me enlouqueceram dizendo que iriam pegá-la, que eles iriam encontrá-la onde ela estivesse e que eu deveria falar o que eles queriam ouvir. Com todas as minhas forças, eu desejei ficar louca antes”, desabafa a militante, que 15 dias antes de ser presa havia entregado o bebê à irmã Gilda, casada com Henrique Sousa Filho, o cartunista Henfil, que ela chama de Henriquinho. 

Ao reencontrar a filha, Juliana estava perto de completar 2 anos. Só então aprendeu a falar mamãe e papai, conhecendo os próprios pais. No longo período em que permaneceu presa, Gilse não apenas não enlouqueceu, como também nunca desistiu de lutar pela volta da democracia no Brasil. “Sou privilegiada. Muitos ficaram afetados psicologicamente pela tortura e nunca conseguiram se reerguer. Em cada uma das famílias brasileiras que viveram na nossa época, é rara aquela que não tem uma pessoa morta, torturada, banida do país ou que tenha perdido o emprego durante o regime militar”, compara. Ela promete: “Os torturadores ainda estão impunes. Jurei que enquanto estiver viva não vou parar de lutar por um país justo para nossos filhos”. 

Exemplo de vida 

Quando flagra uma manifestação na praça principal de Teófilo Otoni, o ex-militante da causa operária Tim Garrocho, com a autoridade que lhe concedem seus 82 anos, não consegue se segurar. Aproxima-se dos manifestantes, puxa um deles no canto, pelo braço, e diz ao pé do ouvido: “Você pode até não saber disso, mas ajudei vocês a estarem hoje reunidos aqui na praça”. Celebridade no Vale do Mucuri, Tim é exemplo de vida para os três filhos legítimos (ganhados antes de ficar preso em 12 locais diferentes), três filhos adotivos, cerca de 20 netos e cinco bisnetos. Segundo Tim, o operário que mais apanhou em Minas foi o Porfírio Francisco de Souza. “Eu o vi entrando na prisão, ainda forte, e no final, irreconhecível”, afirma. 

Porfírio, militante do extinto Partido Comunista Brasileiro (PCB), morreu em 2004 em Montes Claros, aos 84 anos. “Além de choques elétricos e ter levado no pau de arara, ele sofreu com agulhadas nos dedos, entre as unhas. Chegaram até a arrancar as unhas dele na sede do antigo Dops, em BH, em 1969, logo depois do AI-5”, conta o aposentado e ex-soldado da Polícia Militar Aran Francisco de Matos, de 65, sobrinho do ex-militante. 

“Aquela cambada não respeitava ninguém. Em Governador Valadares, quebraram meu braço esquerdo e me chutaram até eu vomitar sangue”, revela, sem esconder a raiva, Tim Garrocho, ex-líder sindical, que antes de ser preso chegou a ter três mandatos de vereador. “Depois do golpe, não pude crescer politicamente. Eles me liquidaram, minha esposa ficou adoentada e eu tive de vender muita coisa para me sustentar. Hoje não tenho nem aposentadoria, pois não consegui comprovar meus direitos políticos”, afirma. Com a terceira matéria sobre a tortura de Dilma nas mãos, Tim Garrocho, que acompanha desde a primeira, dá sua opinião. “Se a presidente tem memória de elefante, a minha é de 100 elefantes. Meu torturador era Klinger Sobreira de Almeida, que na época era tenente em Valadares. Antes de bater, ele tirava o relógio, para não se machucar. Não me esqueço disso.” 
Luiz Ribeiro - Jornal Estado de Minas

18 de jun. de 2012

CPI do Cachoeira

Moral dessa CPI: 
De tanto nada ser perguntado, nada foi respondido!
José Simão

17 de jun. de 2012

Maurício de Nassau


Ele passou apenas sete anos no Brasil, mas hoje, 400 anos depois de seu nascimento, seu nome está associado à época de ouro da presença holandesa no Recife. Ao voltar para Europa, fracassado econômica e militarmente, e até a morte, Maurício de Nassau seria chamado de "o brasileiro"
No amanhecer de 9 de maio de 1624, moradores de São Salvador da Bahia viram entrar no porto uma frota de 25 velas que exibiam reluzentes canhões pintados de vermelho. Eram os holandeses, ou flamengos, que em menos de um dia tomaram a cidade, num ataque à sede do governo-geral do Brasil. Ali, do outro lado do Oceano Atlântico, no novo mundo, iniciara-se mais um episódio da guerra de independência dos Países Baixos (atual Holanda) contra a Espanha – a quem América portuguesa foi anexada em 1580. No ano seguinte, os 1,9 mil soldados holandeses foram dominados e entregaram suas armas ao exército do rei da Espanha. A cidade foi reconquistada. Em 14 de fevereiro de 1630, os flamengos reapareceram, dessa vez com uma armada de 67 velas. Desembarcaram em Pau Amarelo, litoral norte de Pernambuco, e tomaram a direção de Olinda. Tentaram apoderar-se da vila e, no fim, estabeleceram-se no povoado do Recife. Onde ficariam por 24 anos. Nesse período, Recife se tornaria a Nova Holanda. E, para governá-la, a Companhia das Índias Ocidentais enviou para o Brasil o conde Maurício de Nassau. Ao desembarcar em 1637, ele daria início à chamada “idade de ouro” do Brasil holandês.
O contexto histórico em que se deu a vinda dos holandeses para o Brasil é o dos conflitos europeus em torno da questão colonial. “Os Países Baixos rivalizavam com a Espanha pelo controle do rentável comércio marinho de especiarias asiáticas, escravos africanos e, como não poderia deixar de ser, pelo açúcar brasileiro”, afirma a historiadora Adriana Lopez, autora do livro Guerra, Açúcar e Religião no Brasil dos Holandeses. Assim, a capitania de Pernambuco tornou-se um inevitável campo dessa briga. Para a Companhia, a sede do governo-geral interessava politicamente e a capitania de Pernambuco economicamente. Pois no início do século 17, a região abrigava mais de 120 engenhos e, com as capitanias vizinhas, tornou-se “a área de produção açucareira mais importante do mundo”, segundo o historiador Evaldo Cabral de Mello, em O Brasil e os Holandeses.
À Companhia das Índias Ocidentais, criada em 1621 pelos holandeses, cabia o monopólio sobre a conquista, o comércio e a navegação na América e na África. Assim como à Companhia das Índias Orientais estava reservada a parte oriental do mapa-múndi. “As duas dividiram entre si o mundo, tal qual os reis de Portugal e da Espanha pactuaram Tordesilhas”, diz Adriana.
Expulsos da Bahia, os soldados da Companhia tomaram Recife e Olinda. A região transformou-se num só fogo: os engenhos foram abandonados, os canaviais incendiados. Moradores recrutados formaram patrulhas organizadas por Matias de Albuquerque, governador da capitania, que conseguiu manter, por cinco anos, os inimigos restritos ao povoado do Recife.
Com a ajuda de Domingos Fernandes Calabar, luso-brasileiro conhecedor dos labirínticos rios pernambucanos, os holandeses dominaram parte do nordeste do Brasil, da foz do Rio São Francisco até o Rio Grande. De lá, partiram para a conquista do Maranhão (que só foi conquistado em 1641). A queda do Forte dos Afogados, no Recife, em março de 1633, abriu aos invasores o caminho para os engenhos da Várzea (onde hoje está um dos mais aprazíveis bairros do Recife). Também foram pilhados os engenhos em Goiana e Igarassu, com a conquista da vizinha Itamaracá. Os holandeses atacaram o Forte do Cabedelo, na Paraíba, ao norte, e Porto Calvo, em Alagoas, ao sul. Estavam assim tomado o Nordeste açucareiro e seus pontos de comunicação com a Europa, por onde chegavam mantimentos e escoava-se a produção.
Conquistado o território, chegou a hora de a Companhia organizar sua nova colônia e colocá-la para funcionar – e lucrar. Para a tarefa, chamou um certo Johan Maurits von Nassau-Siegen. Nascido há exatos 400 anos, ele era filho de uma importante família da Europa e, aos 32 anos, tinha uma vitoriosa carreira militar. Parecia ser o homem certo para a função.
Como governador da Nova Holanda, -receberia 1,5 mil florins mensais (o melhor terreno no centro do Recife custaria cerca de 2,5 mil florins) além de seu salário como coronel do Exército, mais uma ajuda de 6 mil florins para despesas pessoais. E ainda o direito a 2% sobre tudo o que fosse apreendido no litoral do Brasil. Era uma proposta irrecusável, principalmente para quem, na época, construía um palácio, em Haia, na Holanda, e estava cheio de dívidas.
Mas o novo governador não veio só. Ao todo, uma comitiva com 46 artistas, cronistas, naturalistas e arquitetos, o acompanhou em sua viagem ao Brasil. Eles seriam responsáveis pela documentação não só das obras do governo, mas da sociedade recifense da época. “Projetaram uma nova cidade, reproduziram as paisagens, fizeram mapas, catalogaram animais e plantas, e retrataram o homem indígena e africano. A fidelidade e a precisão de todo esse trabalho faz com que até hoje seja considerado um importante acervo da história das ciências”, diz o historiador Leonardo Dantas Silva. Até então, o Novo Mundo jamais fora alvo de observações tão precisas. “É essa produção que faz, hoje, o período holandês ser tão lembrado por meio da figura de Nassau – que permaneceu no Brasil apenas sete dos 24 anos de ocupação”, afirma Adriana.
Recife, que relatos da época chamam simplesmente de “povo”, era, no começo do século 17, um burgo “que os nobres de Olinda deviam atravessar pisando em ponta de pé, receando os alagados e os mangues”, escreveu José Antônio Gonsalves de Mello Neto, no clássico Tempo dos Flamengos. A situação agravou-se em novembro de 1631, quando os holandeses incendiaram Olinda. A cidade e “seus inacessíveis oito morros e casas distantes entre si” era difícil de defender das investidas dos portugueses e, por isso, acabou condenada à destruição pelos invasores.
Quando chegou no Recife, em 1637, Nassau encontrou uma população de cerca de 7 mil pessoas obrigada a conviver nas piores condições de higiene e conforto. Para enfrentar a falta de habitações, iniciou a construção, na Ilha de Antônio Vaz (hoje, o bairro de Santo Antônio, no centro do Recife), do que veio a ser a Mauritsstaden ou, para nós, em bom português, a Cidade Maurícia. Ali, ele erigiu para si dois palácios, o de Friburgo e a casa da Boa Vista. E iniciou a urbanização do povoado, seguindo um projeto que contemplava ruas, praças, pontes, mercados, canais, jardins e saneamento, enfim uma cidade de verdade. Afinal, “os holandeses que aqui estiveram eram todos originários de aglomerados urbanos e, por isso mesmo, não poderiam pensar numa cidade que não fosse voltada para o urbano”, diz Leonardo.
Nassau determinou que os moradores varressem a rua defronte suas casas e os orientou “a não despejar mais as imundices senão nas praias”, escreveu Mello Neto. O Recife (atualmente o Bairro do Recife) foi, enfim, em 28 de fevereiro de 1644, ligado à Cidade Maurícia com a construção da primeira ponte da América Latina (onde atualmente fica a ponte Maurício de Nassau). Para a inauguração, Nassau anunciou à população que um boi iria voar sobre suas cabeças. Para surpresa geral, na hora da festa, um boi, ou melhor, o couro de um boi enchido com palha, preso a uma corda, desceu por uma corda do alto do Palácio Friburgo.
Recife tornou-se a cidade mais cosmopolita do continente. Holandeses, franceses, alemães, poloneses que integravam os quadros da Companhia das Índias acorriam para lá. Mulheres chegaram da Holanda e fizeram que o Recife, segundo um relato da época, tivesse os “bordéis mais vis do mundo”. A cidade passou por um terrível surto de sífilis. Doença de cidade grande.
Apesar da relativa paz entre os invasores holandeses e os locais portugueses e brasileiros, durante as obras da Cidade Maurícia, a Companhia passou a questionar a administração de Nassau, que não obtinha os lucros que esperava. “Os novos dominadores eram formados em sua maioria por comerciantes e gente da navegação, acostumados a viver em áreas urbanas e, como tal, não se adaptaram à vida rural, onde se encontravam os principais núcleos da produção do açúcar”, diz Leonardo Dantas, em seu novo livro, João Maurício Brasileiro (ainda inédito). “Eis a primeira falha da tentativa de colonização holandesa no nordeste do Brasil: os invasores podiam ter conseguido apoderar-se dos engenhos, mas não das técnicas de produção de açúcar.”
Ao conquistar Pernambuco, os holandeses confiscaram parte dos engenhos. Os senhores, então, tiveram de pagar caro ao novo governo por suas terras. Quem não teve como pagar ficou devendo. Nassau fazia vista grossa, mas, por pressão da Companhia, passou a cobrar os empréstimos. Assim, atraiu a revolta daqueles que sabiam transformar cana em açúcar. “Ao fazer isso, cultivou entre os donos de engenhos o sentimento de que era melhor – e mais barato – se livrar dos holandeses”, diz Pedro Puntoni, pesquisador da Universidade de São Paulo.
A empresa exigiu o aumento da arrecadação e a cobrança imediata das dívidas e, como não foi atendida, em maio de 1643, o governo holandês mandou que Nassau retornasse. Porém, ele demorou quase um ano para obedecer. Num documento, o seu Testamento Político, Nassau recomendou que, na sua ausência, o governo fosse tolerante com práticas religiosas e exercesse sem rigor a cobrança dos créditos dos engenhos. Que conservasse as fortificações, não abusasse das torturas e fizesse o que fosse possível para atrair a simpatia dos comerciantes portugueses.
Do outro lado do oceano, a Companhia das Índias empobrecia. Por isso, enviava menos recursos para a colônia que, aos poucos, entrou em colapso. “Do início da guerra de restauração, em 1645, até a expulsão total dos holandeses, em 1654, foram anos de muita penúria no Brasil holandês”, diz Adriana Lopez. Cercada no Recife, a população foi obrigada a incluir gatos, cachorros, cavalos e até ratos no cardápio.
O conde Nassau voltou à Europa no mesmo barco que o trouxera ao Brasil, o Zuphen. Ao seu redor, navegava uma frota de 13 navios, e um carregamento avaliado em 2,6 milhões de florins, composto principalmente de açúcar, fumo, pau-brasil e madeiras de lei. Para se ter uma idéia, a ponte construída por Nassau anos antes custou 140 mil florins. Com ele, estavam, além de amostras de plantas, animais e artefatos indígenas, toda a produção de seus cronistas, pintores e naturalistas. Material que, desde aquele momento, iria dar à Europa um valioso testemunho das riquezas naturais e culturais no Novo Mundo. Esse acervo também fez com que Johan Maurits von Nassau-Siegen passasse a ser lembrado, até hoje, em terras do além-mar, como Maurício Brasileiro.
Mariana Lacerda

16 de jun. de 2012

Conhece este país?


Quando você perceber que, para produzir, precisa obter da autorização de quem não produz nada; 
Quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; 
Quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você;
Quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.

Ayn Rand

Milionários chineses fazem concurso para encontrar noivas


Sem tempo para encontrar namoradas, milionários chineses estão recorrendo a um concurso para selecionar futuras esposas.
Organizado pelo Clube dos Empresários Solteiros de Guangzhou, o evento atraiu 3,1 mil mulheres que se inscreveram nas primeiras duas etapas, e ainda vai percorrer oito cidades chinesas.
A competição tem exigências bastante específicas quanto ao perfil das candidatas: elas devem ser bonitas, ter entre 19 e 28 anos, altura entre 1,60 m e 1,75 m, diploma universitário e perfil para serem "boas esposas".
"A ideia foi reunirmos as moças e fazermos a seleção inicial para os executivos, já que eles trabalham muito e não têm tempo de encontrar namoradas", explicou à BBC Brasil Chen Hemu, um dos organizadores da competição.
A primeira etapa do "Concurso pela Beleza Global" foi realizada em 20 de maio, em Guangzhou, cidade dos 18 milionários inscritos no projeto. A segunda etapa ocorreu em Chengdu, no dia 3 de junho. Em julho o concurso seguirá para Xangai, depois Pequim e Tianjin.
Pré-seleção
Nenhum dos empresários inscritos participou dos encontros, que ocorreram em hotéis de luxo. Com fortuna média avaliada em 360 milhões de yuans (R$ 115 milhões), os empresários pagaram um grupo de conselheiros para encontrar as meninas e fazer uma pré-seleção.
Dentre os avaliadores está até um "leitor de faces" (comum na China, o profissional lê a personalidade da pessoa pelos traços faciais) e astrólogo.
"Todos os homens têm necessidades e exigências específicas, mas ao traçarmos um perfil da mulher que eles procuram, conseguimos selecionar 320 candidatas na primeira rodada, e 300 na segunda", conta Chen.
Dentre os quesitos avaliados, estão também testes escritos de personalidade, teste físico, capacidade econômica da família e teste psicológico. "O que os homens querem, em geral, são meninas que possam ser boas esposas, que sejam bonitas, altas e que possam ter filhos", explica Chen.
Há porém exigências particulares. O homem mais rico do grupo, cuja fortuna atinge os 10 bilhões de yuans (R$ 3,2 bilhões) quer que sua eventual noiva seja virgem e não pese mais do que 55 quilos.
Testes
Cada etapa do concurso é divida em cinco testes. Primeiro, as meninas são avaliadas por um cirurgião plástico, para a confirmação de que a beleza é genética e não fruto de uma cirurgia.
Depois, passam por uma entrevista com um psicólogo, seguido do encontro com o fisionomista e astrólogo, que analisa a compatibilidade astral da candidata e do milionário.
A quarta fase é um teste de conhecimentos gerais e de passado educacional, conduzido por um professor universitário. O último teste é feito por um "especialista em amor", que irá, a partir de uma entrevista, descobrir se as intenções de casamento das meninas são verdadeiras.
"Há muitas candidatas que querem encontrar um marido e estão interessadas apenas no dinheiro deles. Assim sabemos se, pelo menos, elas gostariam genuinamente de construir e cuidar de uma família", afirma Chen.
Festa e interação
As informações sobre os milionários participantes do projeto não são reveladas às candidatas. Elas apenas são informadas da média de idade (que varia entre 31 e 46 anos) e que eles trabalham em ramos diferentes da indústria.
Ao final da competição, 28 meninas serão escolhidas para participar de uma festa luxuosa a ser realizada em Guangzhou com a presença dos 18 milionários.
Durante os dois dias de festa, eles poderão interagir e se conhecer melhor - sob a liderança dos especialistas contratados pelo Clube.
Chen acredita ser ainda muito cedo para avaliar se o Clube atingirá sua meta de cupido.
"Eles ainda não viram as meninas. Por enquanto, estão confiando no nosso trabalho para a seleção, e ainda temos outras cidades para visitar. Mas achamos que temos chance de fazer bons contatos."
O conselheiro não sabe dizer se há urgência para a realização do casamento por algum dos participantes. "Temos um empresário divorciado. Talvez ele tenha mais pressa", pondera.
No entanto, ele não desconsidera a opção de propor um casamento em grupo para os ricos que encontrarem um par. "Se todos tivermos sorte e eles toparem, por que não?"
'Machismo'
Para o organizador, o evento não deve ser visto como uma forma de discriminação contra as mulheres ou uma maneira de tratar as concorrentes como mercadorias. "É uma forma de ajudar nossos membros."
Nas redes sociais chinesas, comentários sobre os eventos são muitos. Mas a maioria questiona, em tom de piada, a possibilidade de haver virgens entre as candidatas.
Em menor número, há também comentários contra o "machismo" da iniciativa.
"Casamento deveria ser sobre amor, não uma entrevista de emprego. As mulheres chineses se põem na condição de mercadoria há anos. Uma pena que elas estejam participando - principalmente por terem diplomas universitários", comentou um leitor do jornal China Daily.
BBC Brasil

14 de jun. de 2012

Crise não. Oportunidade!


Todas as situações em nossas vidas têm no mínimo dois lados. Um positivo e outro negativo. Como percebemos, e mais do que isso, de que maneira lidamos com elas é que fará toda a diferença.

Pensemos então na crise, qualquer natureza de crise – financeira, familiar, pessoal, social. Todo momento de crise é uma oportunidade, uma ocasião favorável para o aprendizado. Em relação ao mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que desaparecem produtos e serviços, surgem novos ou se renovam.

Crises representam momentos especiais para renovação, para se desfazer do velho que não funciona mais e para que surja o novo. Podemos olhar a situação sendo vítima das circunstâncias, com um olhar pessimista e achar que estamos acabados, liquidados, que é o fim, ou entender que podemos ser agentes e que podemos agir e tirar o melhor proveito da situação.

É a oportunidade que temos de refletir, repensar, agir e reposicionar. Muita gente só tem esse tipo de atitude em situações como essa, quando são arremessados da sua zona de conforto para a zona de pânico. Crises são ótimas oportunidades para se descobrir coisas novas. A crise tira as pessoas, necessariamente da zona de conforto… e isso não é ruim!

A questão não é a crise, senão o que fazemos com ela. Que aprendizado podemos tirar desses momentos.

Comparo crises com as dores de cólicas. São cíclicas e fazem parte da vida. A pior é sempre aquela que a gente está vivendo agora. As que já passaram já foram superadas, bem ou mal. Se o problema não tem solução, já está solucionado. Agora, se tem, vamos arregaçar as mangas e começar a fazer. Ficar sentado, reclamando da vida e não fazer nada, não vai mudar nada mesmo! É preciso ter coragem e AGIR.

Você poderá se sentir refém e imaginar que não pode fazer nada. Mas pode! Todos nós podemos fazer alguma coisa, por mínima que seja para reduzir custos, melhorar o ambiente de trabalho, propor melhorias, encontrar alternativas. A necessidade é mãe da criatividade.

Outro dia mesmo, conversando com colegas, profissionais liberais, discutia-se a troca de serviços entre eles. A ideia nem é nova, pois isso é escambo, e já era praticado na idade média, mas era interessante para ambas as partes. Outra situação que vi, foi reduzir o tempo de trabalho, sem demitir, o que permite que a pessoa possa se dedicar a outras atividades no tempo que sobra e às vezes até melhora a qualidade de vida, aumentar o convívio com a família e os amigos, geralmente prejudicado pela alta carga de trabalho. Há muitas outras possibilidades surgindo. Negociações que antes pareciam pouco prováveis de acontecer são boas saídas agora. Estamos falando de adaptação, seleção natural. Viva Darwin!

Trabalho com pessoas há mais de 20 anos e posso garantir que as pessoas são capazes de fazer coisas extraordinárias. Quando definem seus objetivos, investem suas energias nesse propósito e acreditam que conseguirão, perseguem seus objetivos obstinadamente. A paralisia acontece diante do medo. O medo, portanto, é seu maior inimigo, não a crise. A crise está fora e o medo está dentro.

Momentos de crise nos permitem:

•A possibilidade de rever processos e procedimentos.
•Adaptar aos novos tempos e as necessidades.
•Flexibilizar. Abandonar posições para buscar interesses.
•Refletir que na maioria do tempo “estamos” e não “somos” (estamos gerente, estamos diretores, estamos supervisores). Rever a questão do ser/ estar, pois as pessoas costumam se esconder sob seus papéis sociais e muitas vezes transformam o papel profissional no único papel a ser desempenhado na vida.
•Entrar em contato com a humildade para reconhecer que novas oportunidades, mesmo que muito diferentes das que já foram vividas são chances para aprender e conhecer coisas e pessoas novas.
•Estar mais aberto a rever paradigmas. Problemas novos ou antigos, hoje, exigem soluções novas e isso implica em sair da zona de conforto.

Por isso, pense em que lugar você deseja estar nessa hora de grandes chances. Se como vítima reclamando que o mundo está difícil e que o melhor é esperar para ver como fica, ou ser agente e participar desse grande movimento de transformação e de revisão da nossa sociedade contribuindo com o melhor que você tem para tornar nosso mundo e o seu cada vez melhor. Não esqueça, depois de pensar, comece a agir. Pensar sem agir é devaneio, não muda nada!

Mãos à obra!
Adriana Gomes

11 de jun. de 2012

Paixão e desejo

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. 
Luiz Fernando Veríssimo

Paixões

As paixões são como as ventanias que incham as velas do navio. Algumas vezes o afundam, mas sem elas não se pode navegar.
Voltaire

Juízo final.

Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro. 
Não espere o juízo final. 
Ele realiza-se todos os dias. 
Albert Camus

Solteiros transam muito mais que casados


Se você acha que o bom é ser solteiro, porque a cama vira um tédio depois do casamento, está enganado. 

Um estudo feito pelo Ministério da Saúde em 2003 revela que a vida sexual de brasileiros solteiros e casados é praticamente a mesma. Segundo a pesquisa, 33% dos casados praticam sexo entre 1 e 3 vezes por semana, contra apenas 30,2% dos solteiros que namoram sério e 37,7% de quem namora sem compromisso. 

Nos EUA, uma investigação semelhante conduzida pelos médicos Aaron Carroll e Rachel Vreeman, da Escola de Medicina de Indiana, chegou a números ainda mais surpreendentes. Carroll e Vreeman constataram que, por lá, 43% dos casados têm relações sexuais de 2 a 3 vezes por semana. Entre os solteiros, esse índice cai para 26%.

Pense bem: é natural que pessoas casadas transem tanto quanto ou até mais que as solteiras. "O parceiro está ali todos os dias e é muito mais acessível", diz o psiquiatra Alexandre Saadeh, especialista em sexualidade e professor do Instituto de Psiquiatria da USP. Quem apenas namora, sem viver junto com a outra pessoa, não tem tantas oportunidades de sexo. 

E quem nem namora, menos ainda. Para piorar, os solteiros que apenas "ficam" nem sempre apresentam o comportamento mais favorável. "Nas baladas, às vezes as pessoas bebem muito ou consomem drogas, e isso atrapalha tanto a aproximação quanto o desempenho", diz a psicóloga Ana Cristina Canosa, diretora da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana (SBRASH). "Os casados, por outro lado, têm a vantagem de conhecer o corpo e a própria rotina do outro, o que costuma facilitar muito as coisas."


Quantidade x Qualidade

Para o psiquiatra Alexandre Saadeh, ser solteiro até pode significar maior disponibilidade para o sexo. Mas isso nem sempre acontece, pois tudo depende de uma variedade de fatores. "Um homem solteiro ou separado, de trinta e poucos anos, que tenha um bom rendimento financeiro e um local para transar, certamente consegue mais parceiras do que um homem tímido sem os mesmos atributos", diz Saadeh. "A mulher solteira predisposta ao sexo casual, por sua vez, pode assustar os pretendentes."

A totalidade dos especialistas, contudo, afirma que a preocupação deveria ser maior com a qualidade, não com a quantidade das relações. E aqui, de novo, casais com algum nível de comprometimento também levam vantagem. Segundo o psicólogo Flavio Gikovate, especialista em relacionamentos, quem namora firme tende a ter a vida sexual mais satisfatória de todas, pois não sofre com a rotina do casamento, nem com a falta de intimidade característica do sexo sem compromisso. 

"Quando são íntimas, as pessoas conversam mais, estabelecem vínculos, e isso deixa o sexo melhor", afirma Gikovate. "No casamento, essa intimidade existe, mas ela pode ser severamente afetada por preocupações de ordem financeira ou pela chegada de filhos."
 Lizandra Almeida

10 de jun. de 2012

Traição, ciúme e morte


Apenas o rótulo de crime passional não é suficiente para explicar o assassinato e esquartejamento do executivo Marcos Matsunaga por sua mulher, Elize

Não havia sangue nas paredes, quarto desarrumado, nem arma jogada no chão. Nada lembrava um crime passional comum em que a pessoa, tomada por ciúme, atira contra o parceiro num rompante. O que chocou a todos no assassinato do executivo da Yoki Marcos Kitano Matsunaga, 42 anos, foi a crueldade metódica da autora do homicídio, a bacharel em direito Elize Ramos Matsunaga, 38, sua mulher. Após atirar na cabeça do marido durante uma briga no sábado 19 de maio – ao questioná-lo sobre traições –, ela teve a frieza necessária para, passadas dez horas da morte, limpar os resquícios de sangue, desmembrar cuidadosamente o corpo, colocar as partes em malas e despejá-las em uma estrada a mais de 40 km do local do assassinato. Como enquadrar o esquartejamento, um ato meticuloso, em um crime passional, no qual a emoção está no comando?

“O gesto tem um significado mais profundo que vai além da questão prática de se ocultar o cadáver”, diz o psiquatra forense Miguel Chalub, professor das universidades Federal (UFRJ) e Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). “O autor do crime pensa: aquele corpo que não quis ser meu não será de mais ninguém. O assassino sente a necessidade de degredar o corpo da vítima.” Elize confessou o homicídio na semana passada depois de ser confrontada com evidências de autoria do crime. Imagens do circuito interno do prédio onde morava com Matsunaga e a filha de I ano mostravam que o executivo não havia deixado seu apartamento desde a noite do sábado. Elize, por sua vez, aparece saindo de casa no domingo pela manhã com três malas e voltando à noite sem elas. A polícia rastreou ainda seu celular e há registros de que o aparelho esteve na região onde o corpo foi desovado.

Elize contou à polícia que atirou no marido, na cobertura de 500 m2 onde viviam com uma pistola 380 que o executivo, colecionador de armas, havia lhe dado de presente. Ela disse ter sido agredida com uma tapa durante a discussão em que confrontou Matsunaga com evidências sobre o adultério providenciadas por um detetive particular. Para esquartejá-lo, usou os conhecimentos adquiridos em um curso de enfermagem e na atuação em uma clínica cirúrgica. Uma babá cuidava da filha de 1 ano em um dos cômodos da casa enquanto, por quatro horas, ela desmembrava o corpo com uma faca com lâmina de 30 cm. “Ela viveu dois tempos distintos. Primeiro cometeu o crime por motivação passional, depois se viu diante de um problema – o de ocultar o cadáver. E para isso teve tempo suficiente a fim de planejar esse segundo ato”, analisa o psiquiatra forense Talvane Marin de Moraes. Após o desaparecimento do marido, Elize ainda tentou levar uma vida normal. Cinco dias depois, comprou bolsas Louis Vuitton com o cartão da vítima no Shopping Iguatemi. No período entre o desaparecimento de Matsunaga e a constatação da sua morte, o irmão do executivo recebeu uma mensagem do e-mail dele dizendo estar bem. Ainda não se sabe se foi enviada por Elize.

O casal estava junto havia dois anos. Casaram-se na Igreja Anglicana em São Paulo, onde também batizaram a filha, e costumavam comparecer aos cultos dominicais. Também iam ao sítio da família em Ibiúna, no interior. Pai de outra menina do primeiro casamento, Matsunaga fazia o tipo discreto e poucas pessoas sabiam que ele era neto do fundador de uma das maiores empresas alimentícias do Brasil, envolvida em fusão de quase R$ 2 bilhões com a gigante americana General Mills. “Eles frequentavam uma capela da Vila Brazilândia, uma comunidade carente, onde ajudavam a nossa creche e era comum levarem presentes para as crianças”, afirma o reverendo Aldo Quintão, líder da Catedral Anglicana. A família de Elize, que é do Paraná, está muito abalada. O advogado contratado pelos parentes, Auro de Almeida Garcia, afirmou que não havia notícias de desentendimentos entre o casal e que a família pretende pedir a guarda do bebê. 

Os Matsunaga estão estarrecidos. “Todos ficaram chocados com as circunstâncias do crime e com o fato de ser Elize a autora, já que ela tinha uma boa relação com a família”, afirma o advogado Luiz Flávio Borges D’Urso. À polícia, a acusada não falou em arrependimento, apesar de ter chorado em alguns momentos. “Ela não demonstrou nenhum tipo de indignação ou emoção no momento da prisão”, disse o delegado Jorge Carrasco, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil paulista. A prisão dela foi prorrogada por mais 15 dias, tempo em que a polícia investigará se tudo o que Elize narrou está de acordo com as provas periciais e se alguma outra pessoa a ajudou, principalmente no momento de se livrar do corpo de Matsunaga.

Natália Martino e Flávio Costa

8 de jun. de 2012

Tempo, tempo...

O tempo amadurece todas as coisas. Nenhum homem nasce sábio.
Miguel de Cervantes

Perdoar é Ter Domínio sobre a Felicidade para conquistar a Paz

Todos ansiamos a conquista da paz e procuramos a alegria de viver na Terra. Porém, que tipo de felicidade é essa que quanto mais se caça mais afastada permanece? Para que verdadeiramente conquistemos a paz e a felicidade, é urgente reconhecermos nossas fraquezas morais e colocarmos em prática a melhoria pessoal. Das diferentes angústias que nos afastam da paz e da felicidade, a mágoa tem lugar de relevo. Pensando nisso, deliberamos escrever a respeito do perdão, por considerar ser uma das grandes virtudes, por via das quais conseguiremos a paz e a felicidade cobiçadas.

A ordem “perdoar setenta vezes sete vezes” proferida por Jesus precisa ser aplicada ao limite máximo das nossas experiências cotidianas. Não obstante, excepcionalmente conseguimos perdoar pessoas que nos causaram algum agravo, lesão, perda ou ofensa, pois quase sempre elegemos permanecer zangados, desgostosos, melindrados ou magoados (às vezes por uma vida inteira ou várias encarnações). Há casos em que alguns instantes após a ocorrência da ofensa, quiçá, o agressor que nos danificou já tenha esquecido a expressão infeliz ou o insulto a nós dirigido. No que tange ao nosso sentimento de justiça, experimentamos em cada afronta sofrida a cólera ou a aversão e diversas ocasiões podemos escolher espaçar no tempo esses sentimentos destrutivos, na forma de rancor, preservando no recesso de nossa mente a aflição, a agonia, a ansiedade por alongados anos.

Jesus ensinou: "Se perdoardes aos homens as ofensas que vos fazem, também vosso Pai celestial vos perdoará os vossos pecados. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará os vossos pecados".(1) Perdoar é atitude sublime, além de imperativo, já que para que sejamos perdoados é mister que absolvamos o ofensor. O Criador tem nos indultado desde sempre. Tomando-se por base o convite ao perdão, ensinado e exemplificado pelo Cristo, aprendamos a não permitir que consternações, injúrias, danos morais de qualquer espécie nos causem repugnâncias, desapontamentos e agressividades delituosas. Temos na figura incomparável do Crucificado o exemplo culminante de clemência.

Infelizmente, quase sempre optamos por não perdoar no sentido mais exato do termo perdão. Criamos imagens sobre a ofensa sofrida e permanecemos reproduzindo a mágoa a todos que atravessam o nosso caminho, e muitas vezes chegamos às lágrimas, nos fazendo de vítimas quase sempre diante de tudo e de todos. Quando não topamos com alguma pessoa disposta a escutar a nossa lamúria, continuamos reprisando de contínuo a história do insulto em nosso coração. Essa sensação nos deteriora as ideias e ocupa um imenso espaço em nossa mente. É uma categoria de auto-obsessão. Com a mente embebida de pensamentos de “vingança e justiça com as próprias mãos”, não alcançamos raciocínios lógicos; não localizamos expedientes criativos para as dificuldades mais simples, arruinamos a aptidão de concentração, nos tornamos irrequietos e enfadados com pequeninas coisas.

“O perdão do Senhor é sempre transformação do mal no bem, com renovação de nossas oportunidades de luta e resgate, no grande caminho da vida. O perdão é em qualquer tempo, sempre um traço de luz conduzindo a nossa vida à comunhão com Jesus.”(2) Mas quando optamos por não perdoar (ou tão somente perdoar da “boca para fora”), denunciamos o outro pela nossa desdita, o que equivale a responsabilizar o próximo pela nossa condição de vítima em infindável amargura. Agindo assim, estamos oferecendo autoridade ao ofensor sobre nós, ou seja, a faculdade de despedaçar a nossa paz, a nossa calma, o nosso prazer de viver (felicidade) e sobretudo a nossa preciosa saúde.

Não desconhecemos que nosso estado emocional conduz a saúde de todos os complexos fisiológicos. Quando sustentamos bons pensamentos e emoções serenas, geramos frequências magnéticas que alcançam todas as estruturas celulares, conduzindo as reações eletrobioquímicas, a seiva imunológica, a divisão das células, a simbiose entre os tecidos, a alimentação, as funções neuropsíquicas, a pujança de ânimo, enfim, o vigor e a harmonia do arcabouço orgânico.

Sem sombra de dúvida, o máximo de benefício do perdão é para quem perdoa incondicionalmente. O infrator que nos ocasionou determinado agravo não está torturado com a nossa situação emocional. “Quem bate esquece” - diz o jargão popular – é verdade! O ofensor, via de regra, esquece a injúria que suscitou o nosso ajuizamento com a consequente condenação. Em boa medida, perdoar constitui desanuviar o coração; arrancar um espinho encravado n’alma, ter domínio sobre a tão procurada felicidade e conquistar a paz.
Jorge Hessen

7 de jun. de 2012

Um modo incoerente de fazer jornalismo


Os profissionais de Comunicação, sobretudo os jornalistas, estão sendo cada vez mais vistos com olhos de desconfiança por boa parcela da população. Diante de notícias e comentários estereotipados e (muitas vezes) de mau gosto, o jornalismo já não é mais visto como um lugar de construção e desconstrução de fatos, mas como legitimador de um senso comum superficial. É possível encontrar distorções (sutis e escrachadas) nos mais variados meios de comunicação, nas abordagens de incontáveis temas.
Como seria impossível relatar todas as falhas éticas (sejam de ethos jornalístico ou relativas a um código de moralidade da profissão) que – infelizmente – encontramos publicadas cotidianamente em diversas interfaces, este artigo tem seu foco voltado à cobertura da Marcha das Vadias de Porto Alegre em 2012 pela Rede Brasil Sul de Televisão (RBS – distribuidora da Rede Globo para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina).
A Marcha das Vadias é um manifesto que ocorre desde 2011 em várias partes do mundo, inclusive em várias cidades do Brasil. A onda de protestos começou quando foi constatado um número bastante alto de estupros na Universidade de Toronto (Canadá) e um policial tentou “conscientizar” as mulheres dizendo-lhes que “não se vestissem como vadias” se não quisessem ser estupradas – como se (absurdamente) as mulheres abusadas pudessem ser culpadas por seu estupro. A manifestação em Porto Alegre aconteceu no dia 27 de maio (domingo) e atraiu pelo menos 1.500 pessoas à Praça da Redenção (Praça Farroupilha).
Roupas curtas
O evento ativista reuniu mulheres, homens, homossexuais, idosos e crianças que reivindicaram igualdade de direitos, clamaram pelo fim do machismo, do abuso sexual e da violência contra as mulheres – independentemente da roupa que elas estejam usando. O movimento pacífico não era partidarizado, embora houvessem algumas pessoas com símbolos e bandeiras de partidos políticos, e não pretendia visibilizar nenhuma organização ou instituição em específico. Apesar de frases e gritos de crítica à Igreja católica (que é totalmente contra o aborto) e ao sistema capitalista (iniciativas mais isoladas), foi uma marcha voltada à sociedade em seus mais diversos âmbitos.
Desde o início, durante a confecção de cartazes, muitos ativistas já comentavam os possíveis desdobramentos midiáticos que a marcha – organizada com a ajuda imprescindível de redes sociais virtuais – poderia causar e especulavam quais seriam os discursos e críticas ao protesto por parte da RBS, que concentra boa parte dos meios de comunicação do estado e da região Sul do país. Mas a empresa surpreendeu. E não foi de maneira positiva.
Distorcer entrevistas e minimizar a participação popular da marcha foi apenas o começo. Afirmar que um movimento que parou uma importante via da capital com mais de mil manifestantes tinha “dezenas de pessoas” no jornal impresso Zero Hora foi uma piadinha bem rápida, perto da stand up comedy que se desenrolaria na segunda-feira subsequente (28 de maio). Logo no Bom Dia Rio Grande, telejornal matinal da emissora no estado, gritos e frases de efeito contra a violência sexual e pela igualdade de gênero foram simplesmente igualados às escolhas de vestuário das mulheres – com direito a comparações com personagens caricaturais de novelas. Mensagens como “Meu corpo, minhas regras”, “Estupro não tem justificativa”, “Pelo fim da violência contra a mulher”, “Menos violência + orgasmo”, “Se ser livre é ser vadia, somos todas vadias”, “Estupro = Machismo”, “Eu não vim da tua costela, tu que vieste do meu útero”, “Basta! Não somos estupráveis”, “Mulher bonita é a que luta”, foram simplesmente ignoradas em parte da matéria, que mostrou a Marcha das Vadias como um protesto para que as mulheres usem roupas curtas ou chamativas. E só.
Participação “oportuna”
Parece óbvio que se a marcha tivesse um motivo eminentemente estético, de aparência, relativo à moda, não haveria o por quê de marchar e de mobilizar tantas pessoas em torno de uma causa. Mas o discurso da RBS deixou claro que o grupo ativista lutava pelo direito de usar roupas consideradas “vulgares” quando as mulheres bem entendessem. Visão reducionista que transfere o valor do poder político das mulheres a uma discussão sobre moda, consumo e corpo físico.
Apesar de a matéria televisiva ter mencionado que a organização do protesto defendia que “[...] a mulher deve ser respeitada, independente (sic) da forma de se vestir”, imediatamente depois a repórter Dayanne Rodrigues diz que as mulheres estavam lutando (pasmem!) para que as roupas justas não fossem consideradas vulgares. O foco da matéria foi nas roupas das mulheres, e não no manifesto pacífico contra o machismo e a violência sexual. E como já não fosse suficientemente incoerente, exibe um trecho de entrevista (que contradiz a fala da própria repórter) com uma das organizadoras da marcha explicando que, não importa a roupa que a mulher use, nada confere a um homem o direito de abusar sexualmente dela.
Até aí, talvez algum leitor pense que esta análise é totalmente feminista, radical e que não considera eventuais deslizes que ocorrem naturalmente na profissão de jornalista, na correria das redações etc. Mas a reportagem é fechada com “chave de ouro” com a participação bastante “oportuna” de uma consultora de moda. Sim, porque uma consultora de moda obviamente iria revelar dados importantes correlacionados a uma marcha contra a violência sexual (quanta coerência!). Deturpando o objetivo principal da Marcha das Vadias, a matéria passa a discutir o que uma mulher pode vestir (ou não) e quando vestir, ratificando assim os padrões impostos às mulheres quanto ao estereótipo e ao comportamento – aspectos ironicamente questionados na marcha.
“Voz do povo”
Quando a repórter diz que “vale o bom senso” em relação às roupas a serem usadas por mulheres, ela deve ter esquecido (ironicamente) sobre como esse é também um elemento primordial na produção de conteúdo jornalístico. O direito de sair de shortinho ou de minissaia defendido na marcha não é um apelo comercial para que se compre mais dessas peças de roupas, mas um pedido de respeito para que, muito vestida ou pouco vestida, nada dê o direito a qualquer homem de considerá-la fácil, vulgar ou “estuprável”. A impressão que ficou é a de que, se não houvesse imagens, facilmente acreditaríamos que a repórter nem teria se dado ao trabalho de ir à manifestação para ouvir a versão dos ativistas.
E as incoerências supracitadas no impresso e na TV do grupo RBS foram apenas uma preparação ao que viria a ser dito em um programa da Rádio Atlântida (pertencente ao mesmo conglomerado comunicacional) horas mais tarde. O locutor Alexandre Fetter, em total desrespeito às manifestantes, disse: “Vão lavar uma louça. Como vou respeitar quem se auto-intitula de vadia?” O comentário gerou revolta por parte de muita gente e gerou uma série de réplicas ao “comunicador” (se é que é possível utilizar essa denominação), a ponto de ele escrever debochadamente em sua conta de Twitter as seguintes mensagens: “Sofrendo ataque de vadias e variações sobre o gênero, a tarde inteira” e “Daí quem se auto intitula vadia fica braba por que a chamo pelo título. Não consigo entender, daí, gurias. Relaxem e, eventualmente, gozem.”
Surge, então, o questionamento: seria essa a “voz do povo” do Rio Grande do Sul? De uma pessoa que utiliza um programa de rádio para debochar de causas ativistas e claramente corrobora com agressões simbólicas machistas? De alguém que sequer foi capaz de pesquisar no Google sobre os motivos do nome da Marcha das Vadias? O já referido “bom senso” citado pela repórter do Bom Dia Rio Grande espera que não.
“Aprodução e transmissão do saber”
Percebe-se que, se a sociedade e a cultura do brasileiro estão tendendo (mesmo que lentamente) à não aceitação de estereótipos e ao não conformismo, o profissional de comunicação das grandes empresas (talvez imposto por seus editores, ou não) deturpa critérios de noticiabilidade, modifica narrativas e sentidos, desconsidera denúncias importantes. E um jornalismo que não acompanha esse processo está fadado a ser tão desacreditado quanto a política eleitoral no país.
Levando em conta a noção de ethos, que seria “a imagem de si que o locutor constrói em seu discurso para exercer uma influência sobre seu alocutário” (CHARAUDEAU & MAINGUENEAU, 2004, p.220), qual é a imagem de si que os comunicadores estão construindo? Será que os jornalistas e o locutor do grupo RBS tentam ser objetivos à medida do possível, ou seria esse um jornalismo híbrido deformado no qual “nem temos um jornalismo opinativo consistente, pluralista; nem temos um jornalismo noticioso habilitado a exercer a grande reportagem de aprofundamento e investigação dos problemas sociais” (MEDINA, 1988, p. 140)?
Se, como diz Pena (2005), “a notícia nunca esteve tão carregada de opinião”, por que travestir de informativo o que não é? Se o mesmo teórico diz que o jornalismo é uma “prática discursiva especializada de produção e transmissão de saber”, não seria esse saber orientado e direcionado previamente? Se “a percepção individual, para ser ampliada, necessita da assistência de intérpretes munidos com dados não amplamente disponíveis à experiência individual” (BAUMAN, 2004), como proceder quando os intérpretes não estão devidamente informados e bradam o que primeiro lhes vier à cabeça?
Pretensa objetividade
Este artigo não tem a intenção de incitar o boicote à RBS, ou de propor alternativas de comunicação aos produtos do grupo. Mas questionamos como dar credibilidade a uma empresa de comunicação que age da forma supracitada e que, muito irônica e incoerentemente, recém publicou um “guia de ética” que prega que “o primeiro dever do jornalismo é a busca da verdade”, que considera como seu objetivo “assegurar ao público seu direito à informação independente, à opinião plural, às respostas e às correções sempre que estas se fizerem necessárias” e que se diz “uma empresa ética e que se orgulha do que faz”. É difícil encontrar na prática um “bom senso” da RBS que seja tão lindo e transparente como é o guia utópico.
A Marcha das Vadias de Porto Alegre conseguiu o que queria: gerar debates, discussões, dissabores, polêmica e visibilidade ao movimento pelo fim da violência sexual. Junto com um novo pensamento em termos de sociedade e de educação (voltadas à diversidade), o que deve ser repensado no fazer jornalístico e na sua pretensa objetividade?
Tamires Coêlho

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