12 de jul. de 2012

O saber e a sabedoria

O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.
Cora Coralina

Chamado do Amor

Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.
Khalil Gibran

Ideais

Os ideais que iluminaram o meu caminho são a bondade, a beleza e a verdade.
Albert Einstein

Custo da sabedoria

Há três métodos para ganhar sabedoria: 
primeiro, por reflexão, que é o mais nobre;
segundo, por imitação, que é o mais fácil; 
e terceiro, por experiência, que é o mais amargo.

Confúcio

9 de jul. de 2012

Brainstorm!


Satisfazer os desejos no impulso de um beijo e extravasar toda a vontade num instante de irracionalidade é presentear o meu ego. Mas, afinal, quem disse que o politicamente correto é realmente correto pra gente? Agora sou obrigada  a manter em segredo o que todo mundo, em seu íntimo, quer mas tem medo – Satisfazer os desejos.

Malditos contratos sociais! Uma prisão que consentimos e que muitas vezes condena à prisão perpétua o que sentimos. Vous Libére! Ame! try! Erre! Vivant!

Você não é meu, talvez nunca será, mas hoje eu sou sua e amanhã também, e assim serei até quando ao meu ego convier, pois é ele quem me mantem. Dizer-te que te amo? Não cairei nessa besteira, tolice!

Tudo bem, admito... nada que aqui te escrevo faz sentido aos olhos alheios. Só que eles não sabem do nosso segredo, o que torna tudo mais dislumbrante - eu sou você e você sou eu. Por isso, não precisamos procurar sentidos, nós apenas sentimos e nos entregamos. E isso basta.
Nossa, quem coloca título numa carta assim?! Enfim... Espero que recebas com carinho essa minha simples carta de amor.

Beijos,
de sua...
Scarlett Oliveira

7 de jul. de 2012

Dormir de conchinha


Proximidade é coisa que se aprende. Demora algum tempo para que a gente relaxe na presença do outro e extraia desse contato o prazer e a paz profundos que a intimidade física proporciona. Quando isso acontece, a gente descobre, invariavelmente, que está dormindo de conchinha.

Não sei o que existe nessa posição que a torna tão universalmente afetuosa. Pense nos filmes que você viu ou nos romances que você leu: quando o narrador da história quer sugerir que o casal está muito próximo ou apaixonado, faz com que ele a abrace pelas costas e os dois adormeçam “como duas colheres”, que é o jeito como os americanos descrevem essa posição. Talvez exista a mesma expressão em japonês, mongol ou na cultura tuaregue, do norte da África. Eu não me espantaria. Sendo o corpo humano igual no mundo inteiro, é provável que diferentes culturas usem as mesmas formas corporais para demonstrar carinho e dividir conforto.

No livro Tristes trópicos, do antropólogo francês Claude Levis-Strauss, já morto, há um momento em que ele descreve como os índios nômades nambikwara, do norte do Mato Grosso, (cuja cultura material era tão pobre que nem redes ou cabanas eles tinham), dormiam aglomerados em volta da fogueira, nus sobre o chão nu, os casais abraçados em conchinhas para se esquentar e proteger. Talvez venha daí, do tempo que éramos tão selvagens e tão pobres que só tínhamos o nosso próprio corpo, e o corpo dos outros como nós, nossa disposição ancestral de abraçar pelas costas e encaixar o rosto nos cabelos da mulher querida – para esquentar e proteger.

Apesar do progresso e da nossa imensa prosperidade material, acho que às vezes ainda nos sentimos como índios nambikwara. Ainda despertamos assustados, no meio da noite, assaltados por medos e inquietações tão humanas, tão profundas, que nem sabemos de onde eles vêm. Nesses momentos de vulnerabilidade, quando nos sentimos minúsculos e irremediavelmente solitários, abraçamos o corpo da parceira ou do parceiro como se ele fosse um refúgio, talvez o último, da nossa integridade ameaçada. 
Mas isso, como eu disse no início, leva tempo. Mesmo o instinto que parece se esconder atrás do abraço de conchinha precisa ser aprendido. Lembro de um tempo, quando eu era garoto, que a proximidade de outra pessoa na hora do sono não era assim tão confortável. Aplacado o desejo, eu procurava distância e liberdade de movimentos. Só aos poucos fui percebendo que havia naquele jeito de ficar um aconchego e uma calma que eu não conhecia. Como tantos dos gestos que compõem o nosso repertório afetivo, o abraço cheio de sono e de confiança teve de ser aprendido. 

No interior das relações ocorre o mesmo processo de experimentação e aprendizado. Para muitos, essa coisa de abraçar não funciona logo de cara. É preciso tempo e proximidade para que o gesto se torne natural. Há uma parceria silenciosa nos nossos enlaces que precisa ser construída. É inútil apressá-la e talvez haja relações em que elas nunca se manifestem. Talvez por causa do temperamento dos envolvidos. Talvez pelo caráter mesmo do que existe entre eles. 

Sei que algumas pessoas recusam até de forma inconsciente esse tipo de contato afetuoso. Elas o associam a acomodação. Escolhem manter a relação no que eu chamo de estágio do beijo, quando a fome e a curiosidade pelo outro ainda não foi saciada e parece que nunca será. Nesse momento sublime dos agarros, o acesso ao corpo do outro é 100% erótico. Apenas mãos, saliva, palavras. Tem gente que se embriaga disso e não quer sair. Evita o passo seguinte, em que o barato físico pelo outro dá lugar a outro tipo de coisa, mais suave e mais silenciosa – e os beijos famintos são substituídos, sem que se perceba, pelos abraços de conchinha. Não sei se alguém já fez um estudo científico sobre isso, mas parece que a convivência simultânea entre beijos famintos e abraços de conchinha é impossível no longo prazo. Vocês me digam. 

Da minha parte, sinto que há opções a fazer e que a gente as faz todos os dias, em favor do abraço de conchinha. Passada a turbulenta adolescência, tendemos a construir relações estáveis. Nelas, os abraços cheios de sono e intimidade são mais frequentes que os beijos apaixonados. Há uma troca que parece refletir as nossas necessidades profundas. Deixamos de lado a paixão incandescente pelo afeto profundo. Trocamos tesão por amor. Claro, essa não é uma solução inteiramente satisfatória. Nem definitiva. Mas parece ser aquela que de forma mais frequente atende a nossa insondável, dolorosa e contraditória humanidade – a mesma que nos acorda no meio da noite, inquietos, e nos faz procurar, no escuro, o calor e o conforto do corpo do outro.   

Ivan Martins 

O dever de afeto e a patologia da verdade


Grande parte do sofrimento decorre da impossibilidade de nomeá-lo; profissionais que atenderam pessoas atormentadas por segredos sabem o peso do que não é dito

Nos anos 60 a francesa Françoise Dolto (1908-1988) revolucionou a psicanálise da infância com uma ideia tão simples quanto eficaz: devemos contar a verdade para as crianças. 

Depois de anos experimentando efeitos deletérios de mentiras, ocultações e demais práticas adultas de negação da verdade, Dolto percebeu como grande parte do sofrimento experimentado por alguém decorre da impossibilidade de nomeá- lo. Tese complementar: a criança sempre sabe. 

Aquele que atendeu famílias corroídas pelo segredo, pessoas atormentadas por sua orientação sexual, crianças de quem se esconde uma adoção – destinos cercados por fantasias inadmitidas – sabe o peso que se acumula na verdade que não se diz. E esse peso é ainda maior quando o tempo coagula a verdade atribuindo a ela valor e potência que não se dilui, nem se troca, nem se desloca – sua lei maior, que é a do reconhecimento compartilhado. O direito à verdade torna-se um paradoxo quando nos faz supor a existência daquele que seria seu representante fiel e executor. São os pais diante dos filhos, os amantes e os amigos entre si, as testemunhas diante do ato, as instituições por todos nós, a transmissão da cultura em seu limite. 

Nada mais perigoso do que alguém que nesta tarefa quer nomear positivamente toda a verdade. Ou seja, ao direito de verdade corresponde um tipo de dever que poderíamos chamar de dever contingente. O dever de dizer no tempo certo, para aquele a quem esta verdade concerne, seguindo a prudência de que toda a verdade não pode ser dita, como argumentava Lacan, porque isso é impossível, faltam as palavras.

É preciso coragem para dizer esta verdade, ainda que não toda. Depois de décadas de desconstrução e de relativismo multiculturalista em teoria social parece cada vez mais claro que a verdade é uma categoria incontornável da vida ética e desejante. Contudo, ela deve ser abordada pelas vias do negativo. 

Posso não saber o que é a verdade em todos os casos, seu código universal ou a língua soberana na qual ela está escrita, mas sei reconhecer o mal-estar naquele silêncio, naquele capítulo em branco de minha história, naquela palavra esquecida, naquele gesto que não veio. Esse mal- -estar precisa de um nome para se tornar sofrimento e como tal ser tratado, reconhecido e recomposto. Um grão de verdade que se dispersará em novos saberes e diferentes narrativas. Por isso quando se argumenta que a Comissão da Verdade, recentemente instituída para investigar violações ocorridas no período militar, não funcionará porque não tem poderes para prender e processar os culpados, percebe-se esta lógica que pensa que a verdade sem força de lei é impotente e que reduz o direito ao código dos deveres obrigatórios. A justiça não é o direito porque este exclui os deveres contingentes.

É este dever contingente que está em jogo quando um pai recebe ordem judicial para pagar determinada quantia como reparação por não ter “reconhecido afetivamente” sua filha, ou quando se estipula que a prole tem uma espécie de direito natural ao afeto de seus pais. Mais além das obrigações de segurança e dos encargos com a manutenção e administração da vida, fica claro que há aqui uma patologia da verdade. Nada mais certo para provocar o ódio do que o imperativo universal e obrigatório para amar. Além de contraproducente, nos parece insensato que a lei, no sentido do direito, obrigue alguém a amar. E nos soa irrisório que codifiquemos o amor em uma série de comportamentos procedimentais. 

Portanto, não conseguimos estabelecer de forma necessária e positiva o que vem a ser o direito ao afeto. Quando o fazemos geralmente temos uma patologia incipiente ou em progresso. Mas isso não quer dizer que não seja possível reconhecer, sem dúvida ou hesitação, quando estamos diante de uma transgressão, seja em relação ao dever de verdade ou de direito ao afeto. E estes não se reparam apenas juridicamente pela coerção ou prescrição, mas por meio de palavras e atos de reconhecimento.
Gonçalo Viana

6 de jul. de 2012

Centenas de mães britânicas amamentam em protesto contra cafeteria


Centenas de mulheres realizaram um protesto na cidade de Bristol, na Inglaterra, contra um café que tratou mal uma mulher que estava amamentando o filho em público.
A mãe, Kelly Schaecher, estava no café quando um funcionário disse que ela tinha que ir para um canto mais reservado amamentar seu filho. Ela contou que, quando alertou outras mulheres, o funcionário gritou com ela.
O protesto, que reuniu cerca de 300 pessoas, foi convocado por redes sociais.
O gerente da cafeteria, Davide Portini, pediu desculpas e afirmou que o funcionário apenas estava perguntando se Kelly não queria ir para um local mais protegido, já que o café tem grandes janelas que dão para a rua.
Segundo Portini, tudo não passou de um mal-entendido
Na Grã-Bretanha, a amamentação em público é protegida e garantida por lei. 
BBC Brasil

5 de jul. de 2012

O que é combinado não é caro !

Riquelme falando ao celular com torcedores do Corinthians:
“Ok, já entregamos a Libertadores, agora soltem a minha mãe!”.

Perpetuum Jazzile - Wave

A mulher e o idiota

A mulher mais idiota pode dominar um sábio. Mas é preciso uma mulher extremamente sábia para dominar um idiota. 
Rudyard Kipling

Custo de oportunidade

Uma mulher perdoará um homem por tentar seduzi-la, mas não o homem que perde essa oportunidade quando ela lhe é oferecida
Charles Talleyrand-Périgord

Imagem a procura de reflexão

Mulher: a mais nua das carnes vivas e aquela cujo brilho é o mais suave. 
Antoine de Saint-Exupéry

Vida dura

Sou uma mulher polida vivendo uma vida lascada.
Alice Ruiz

4 de jul. de 2012

Cientistas comentam descoberta do bóson de Higgs


É, sem dúvida, a maior descoberta da física de partículas dos últimos 30 anos", disse o físico brasileiro Sérgio Novaes, professor titular da Unesp e líder do grupo de física de alta energia da universidade



Em um evento histórico, cientistas do LHC, o maior colisor de partículas do mundo, anunciaram nesta quarta-feira a descoberta de uma nova partícula fundamental da matéria. Os resultados são consistentes com o "bóson de Higgs", nome dado à partícula que ajuda a explicar como o mundo à nossa volta possui massa. Se o achado for mesmo o Higgs, significa que o modelo científico para explicar os fenômenos físicos, chamado Modelo Padrão da Física de Partículas, está correto. Não é um evento corriqueiro na ciência. A última vez que os cientistas detectaram uma nova partícula da natureza foi no fim da década de 1990, chamada quark top.


O evento dá continuidade a uma série de resultados divulgados ao longo dos últimos sete meses. Foi transmitido a partir das 4 da manhã de quarta-feira pela internet e chegou a entrar nos trending topics do twitter. No Brasil, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) montou um telão com tradução e comentários para jornalistas em São Paulo. 

No fim de 2011, os físicos já haviam vislumbrado o bóson de Higgs, mas os resultados não eram tão confiantes quanto os de agora. De acordo com os físicos, desta vez a certeza é de 5 sigma em dois experimentos independentes, o que na linguagem científica quer dizer que a chance de a descoberta ser uma obra do acaso é uma em 3 milhões. É o suficiente para classificá-la como descoberta formal.

Momento histórico - Diante de um auditório lotado (que contou com a presença ilustre de Peter Higgs, físico britânico que propôs o Bóson de Higgs na década de 1960) em Genebra, na Suíça, físicos dos dois maiores experimentos do LHC, chamados CMS e Atlas, confirmaram a presença de uma nova partícula entre 125 e 126 vezes mais pesada que o próton, a partícula que forma o núcleo dos átomos, e que parece possuir todas as características do bóson de Higgs. 

"Sabemos que é um bóson, o mais pesado já encontrado", disse o porta-voz do CMS, Joe Incandela. Os bósons são partículas que descrevem a força de interação entre outras partículas que formam a matéria, como os elétrons e os neutrinos. Um deles, o único ainda não observado em experimento, é o bóson de Higgs. "Acho que a encontramos", disse o próprio Higgs após a apresentação dos grupos.

Será? - De acordo com o físico Sérgio Novaes, professor titular da Unesp e líder do grupo de física de alta energia da universidade, a empolgação dos cientistas é grande. "É, sem dúvida, a maior descoberta da física de partículas dos últimos 30 anos", disse, por meio de teleconferência. Novaes acompanhou o anúncio no auditório em Genebra. "Essa nova partícula 'cheira' a Higgs e se parece com o Higgs, mas seria ela o Higgs?", disse Hélio Takai, também por teleconferência, pesquisador brasileiro que trabalha no Brookhaven National Laboratory, nos Estados Unidos.

Se a nova partícula não for o Higgs previsto pelo Modelo Padrão, existem outros sistemas teóricos que explicam a existência da partícula. É por isso que o capítulo derradeiro da busca pela partícula final do Modelo Padrão da Física de Partículas não acabou. Agora, os físicos do CERN vão determinar as características do novo bóson.

"Será uma nova era da física de partículas", disse Pedro Mercadante, professor da Universidade Federal do ABC. "É um passo muito importante porque, apesar de os resultados apontarem para o Bóson de Higgs, os cientistas precisam confirmar se as propriedades da nova partícula são as esperadas" disse. "A nova partícula precisa ser explicada pelos cálculos do modelo padrão", explicou Takai. "Se houver acordo entre teoria e prática, poderemos dizer que trata-se do bóson de Higgs. Isso pode ocorrer ainda este ano."


Saiba mais
 

BÓSON DE HIGGS
O bóson de Higgs é uma partícula subatômica prevista há quase 50 anos. Após décadas de procura, os físicos ainda não conseguiram nenhuma prova de que ela exista. O Higgs é importante porque a existência dele provaria que existe um campo invisível que permeia o universo. Sem o campo, ou algo parecido, nada do que conhecemos existiria. Os cientistas não esperam detectar o campo -- em vez disso, eles esperam encontrar uma pequena deformação nele, chamada bóson de Higgs.

De acordo com a teoria, o campo de Higgs foi 'ligado' um trilionésimo de segundo depois que o Big Bang iniciou a criação do universo. Antes desse momento, nenhuma partícula tinha massa e elas vagavam caoticamente na velocidade da luz. Quando o campo de Higgs foi ligado, algumas partículas começaram a sentir uma espécie de 'arrasto' à medida que se movimentavam, como se estivessem presas em uma cola cósmica. Ao se apoiar nas partículas, o campo deu a elas massa, fazendo com que elas se movessem mais devagar.

Esse momento foi crucial na formação do universo porque permitiu que as partículas se reunissem e formassem todos os átomos e moléculas que existem atualmente. Mas o campo de Higgs é seletivo. Partículas da luz, os fótons, se movem pelo campo como se ele não existisse. Como o campo não se apoia sobre os fótons, as partículas ficam sem peso e destinadas a se mover por aí na velocidade da luz para sempre. Outras partículas, como os quarks e os elétrons, são influenciadas pelo campo e ganham massa no processo.
Marco Túlio Pires - Veja

A "Partícula de Deus"

Uma corrida bilionária que já durou meio século pode estar chegando ao seu fim e a ciência estaria a um passo de uma de suas maiores descobertas: a existência da “partícula de Deus”. Na manhã de hoje, o Cern anunciou em Genebra o que é a mais importante prova da existência da partícula que, para muitos, fecharia a explicação sobre a formação do Universo. 

A apresentação apontou a descoberta de uma nova partícula subatômica que poderia ser o bóson de Higgs, abrindo uma nova era para a Física. “Atingimos um marco no nosso entendimento da natureza”, declarou Rolf Heuer, diretor do Cern. “A descoberta é consistente com o bóson de Higgs”, disse. A teoria é que é essa partícula que garante massa a todas as demais e, portanto, central na explicação do Universo. Conhecida fora do mundo da ciência como «partícula de Deus», trata-se da última fronteira não resolvida pela fisica. Nos anos 60, Peter Higgs desenvolveu uma teoria na qual uma energia invisível preencheria um vácuo no espaço. Ao se moverem, partículas são puxadas uma contra as outras, dando massa a um âtomo. 

Já as partículas da luz não sentem essa atração e não contam com massa. Sem a particular responsável por unir as demais, âtomos não conseguiram ser formados no início do Universo e a vida como a conhecemos hoje simplesmente não existiria. O problema é que sua partícula hipotética – o bóson de Higgs – jamais foi encontrada, pelo menos até hoje. Depois de acumular dados de milhares de choques de partículas no acelerador subterrâneo construído entre a Suíça e França e que custou US$ 8 bilhões, os cientistas praticamente confirmam a existência de sinais da partícula. 

Dois experimentos diferentes – os detectores Atlas e o CMS- se lançaram na corrida pela partícula no Cern e hoje estão comparando seus resultados. Joe Incandela, porta-voz do CMS, confirmou que seu experimento detectou fortes sinais da partícula. “São resultados muito sólidos”,disse. Ao mostrar a tabela, ele mesmo confessou: “nem posso acreditar”. “São indícios muito fortes”, disse. A margem de erro ou variação no dado é de um a cada 1 milhão de eventos. No Cern, cientistas insistem que o resultado final e a revelação sobre o “Santo Graal” da física só teria como rival a descoberta da estrutura do DNA, há 60 anos. 

“Essa é a semana mais excitante da história da física”, declarou Joe Lykken, do Fermi National Accelerator Lab (Fermilab) que conduiu as pesquisas nos Estado Unidos nesta semana. Se for confirmada sua existência, a descoberta abrirá o caminho para detalhar o funcionamento de âtomos e do próprio Universo.
Jamil Chade

30 de jun. de 2012

Uma investigação: Chico Xavier

Há 100 anos nascia o homem que faria brasileiros de todos os credos acreditar na vida após a morte. Que mudaria a vida de famílias desconsoladas. E que colocaria a ciência atrás de respostas para as vozes do outro mundo. o mito Chico Xavier gerou tudo isso. mas o que gerou o mito Chico Xavier?

Até hoje chegam chegam cartas a Uberaba, Minas Gerais, endereçadas a Chico Xavier. Vêm pelo correio ou são jogadas por cima do muro do centro em que ele trabalhava. Parece que seus autores não se lembram de que Chico não está lá - morreu há 8 anos. Quer dizer, o homem morreu. O mito não. Normal para quem, como ele, teve trajetória de superstar. Nos anos 80, mais de 100 pessoas faziam fila à sua porta todo dia. Nos 90, foi destinatário recordista de cartas no Brasil: 2 mil por mês. Seus mais de 450 livros venderam 25 milhões de cópias. E sua influência ajudou a tornar o Brasil o maior país kardecista do mundo, com 20 milhões de fiéis. Em 2 de abril, Chico completaria 100 anos. Nem após sua morte outro médium despertou tamanho fascínio. O que Chico tinha de diferente? A SUPER investigou. E achou uma fórmula com 3 ingredientes. Comecemos por aquele que foi a origem de toda essa história: as cartas dos mortos.

As cartas 
Em 35% das cartas, a assinatura era muito parecida com a do morto, diz um estudo feito com familiares 

É numa gaveta do guarda-roupa que Hilda Braga mantém há 30 anos a carta do filho Eurípedes, morto aos 21 anos por um aneurisma. A casa simples da periferia de Uberaba - sem telefone e cheia de eletrônicos quebrados, como a TV preto e branco - também guardou por um tempo 100 cópias da mensagem. Mas todas já foram distribuídas por Hilda a amigos e conhecidos. "Mãezinha Hilda, agradeço as suas preces", diz o texto. "Encontrei na vovó Sinhana a continuação do seu devotamento de mãe." A mensagem foi escrita pelas mãos de Chico Xavier. Mas Hilda, hoje uma senhora de 80 anos, não tem dúvida sobre a autoria das palavras. "Vieram de meu filho." 

A declaração é comum no discurso de famílias que receberam alguma mensagem do além por Chico Xavier. Qual o trunfo do médium capaz de gerar essa certeza?

Pioneirismo não é. Nos anos 20, a carioca Yvonne do Amaral Pereira já psicografava receitas do médico Bezerra de Menezes, morto no século 19. Em Minas, Zilda Gama colocava as mãos sobre os olhos e escrevia livros com a assinatura de espíritos. Mas os textos dificilmente continham algum indício que servisse como prova irrefutável da autoria. 

Já as psicografadas por Chico tinham indícios: dados familiares aos quais o médium supostamente não teria acesso. Na assinada por Eurípedes, são citados a avó Sinhana, o pai, Ibrahim, e um irmão, Vicente. Além dos amigos, que estavam com ele nos últimos momentos de vida, e da morte pelo aneurisma. 

É um padrão nas cartas de Chico. Nomes de parentes aparecem em 93% das mensagens analisadas em um estudo da Associação Médico-Espírita de São Paulo, de 1990. Baseada em entrevistas com 45 famílias para quem Chico psicografou, a pesquisa também mostrou que a assinatura da carta era tida como muito parecida com a de seu suposto autor em 35% dos casos. 

"Foi um susto ver nas cartas o nome da babá que trabalhava em casa", diz a mineira Célia Diniz, que recebeu uma mensagem assinada pelo filho, morto em um acidente de bicicleta aos 3 anos de idade. Célia representa o público cativo de Chico: as mães. Atrás de notícias dos filhos mortos, elas compareciam em massa nos dois centros que Chico teve - o primeiro em Pedro Leopoldo, cidade mineira onde o médium nasceu, e o segundo em Uberaba, onde ele virou mito. Chico recebeu até mães famosas, como a atriz Nair Bello. Ela foi 3 vezes a Uberaba antes de receber, em 1977, uma mensagem do filho Manoel, morto dois anos antes em um acidente de carro. 

A atração das cartas estava no conforto que traziam. As mães buscavam consolo, explicação para a perda ou um mero alívio para a saudade. E encontravam isso nas mensagens. Além das referências familiares, que davam o ar de autenticidade, as cartas traziam boas notícias sobre o além. E vinham cheias de expressões reconfortantes. Grande parte começava do mesmo jeito: "Querida mãezinha". 

"Eu estava prestes a enlouquecer quando a primeira carta chegou. Já havia pedido para ser internada", diz a paulista Sônia Muszkat. Foi em 1979 que Sônia recebeu essa mensagem do filho Roberto, morto aos 19 anos com um choque anafilático após uma cirurgia de desvio de septo. "Na carta, Roberto descrevia sua morte e pedia que eu não me culpasse", afirma Sônia. Ela receberia outros 53 textos psicografados por Chico. Alguns vinham com frases em hebraico - Sônia e o marido são judeus. Roberto não falava o idioma, mas Chico dizia ao casal que ele estava aprendendo em uma colônia judaica no mundo espiritual. David, o pai de Roberto, chegou a desconfiar da história. Mas acabou convencido. "Em uma das sessões de psicografia, um cheiro delicioso de gardênias invadiu a sala. Depois veio uma mensagem assinada por Roberto: mãezinha querida, dedico essas flores a você."

Assim como Roberto, muitos desconfiaram das informações que apareciam nas cartas. E desconfiam até hoje. 

A rotina nas sessões de psicografia era assim: Chico se sentava à cabeceira da mesa, todas as sextas e sábados. Psicografava 4 ou 5 cartas de parentes de alguns sortudos entre as dezenas de presentes à sessão. Segundo Chico, ele não podia escolher quem seria atendido - apenas os próprios espíritos. "O telefone só toca de lá para cá", dizia. Quem entrava na fila deixava o nome em uma lista de espera e podia até acompanhar as sessões de psicografia, mas sem garantias. Daí a estupefação das famílias quando Chico lia em voz alta uma mensagem cheia de referências à família e a situações vividas pelo morto.

Mas há quem diga que Chico tinha um jeito de conseguir os dados. "Funcionários do centro espírita iam à fila pegar detalhes dos mortos. Ou aproveitavam as histórias relatadas por parentes nas cartas em que pediam uma audiência. As mensagens de Chico continham essas informações", diz o médico Waldo Vieira, com quem Chico dividiu o trabalho no centro entre 1955 e 1969. A dupla psicografava junto: quando um terminava de escrever as frases no papel, o outro assumia o lápis. "Os dois produziam textos complementares assinados pelo mesmo autor", diz o jornalista Marcel Souto Maior em As Vidas de Chico Xavier. A parceria acabou nos anos 60, quando Vieira continuou seus estudos de medicina no exterior. Hoje ele vive em Foz do Iguaçu, onde fundou um centro de estudos religiosos.

Gente como Célia Diniz e Sônia Muszkat diz não ter fornecido qualquer dado a Chico. Mas a pesquisa da Associação Médico-Espírita de São Paulo indica que Chico fazia uma entrevista - de até 10 minutos - com famílias que participariam das sessões de psicografia. Aconteceu com a do engenheiro paulista Mauricio Lopes, de 38 anos. Nos anos 70, seu irmão de 9 anos foi atropelado e morto. A família foi várias vezes a Uberaba atrás de ajuda. "Chico perguntou a minha mãe detalhes da morte e nomes de parentes. E tudo foi citado na carta depois", diz Maurício. 

Mas será que Chico era o líder de um grupo que saía à caça de dados de mortos? O filho adotivo do médium, Eurípedes Higino dos Reis, garante que não: "Chico conversava com cerca de 60 pessoas toda semana, mas sobre vários assuntos. Elas pediam conselhos financeiros, falavam sobre doenças. Nunca vi funcionários questionarem famílias desde que comecei a cuidar do centro em 1975". 

Até hoje poucos estudos tentaram verificar a autenticidade da psicografia de Chico. Um dos que mais avançaram, conduzido hoje pela Federação Espírita Brasileira, aponta que os textos podem ser genuínos. A prova seriam fatos históricos que Chico dificilmente conheceria, mas aparecem em alguns de seus textos (veja no boxe à direita).

O fato é que as cartas ganharam credibilidade, inspiradas por fontes do além ou terrenas. Até serviram como prova em 3 julgamentos - e absolveram um empresário acusado de homicídio. (Chico psicografou uma mensagem da vítima dizendo que a morte havia sido acidental.) As cartas geraram mais fé do que desconfiança. A verdadeira polêmica surgiria no outro filão do médium: os romances. 

AS VOZES
Algumas das mensagens que Chico disse ouvir. E os dados que as tornam tão impressionantes.

"Tenho procurado melhorar, a fim de auxiliar ao papai Ibrahim e aos irmãos Vicente e os outros dois, que perfazem um trio de bênçãos para a nossa casa."
Carta de Eurípedes Braga, psicografada em fevereiro de 1981.

"Rogo a Ricardo preparar-se com atenção para colocar o tefiliN com o êxito necessário e habilitar-se para recitar com clareza o Sidur."
Carta de Roberto Muszkat, setembro de 1980. O texto cita as caixas de couro e um livro usados nas rezas judaicas. 

"Mamãe Elvira, você se lembrará de quantas faixas precisei para suportar as queimaduras."
Carta de Ericson Fábio Diniz de Oliveira, abril de 1985. Ericson morreu por causa de queimaduras sofridas em um acidente com tíner.

"Sou eu, o Tetéo.Vovô me auxilia a escrever, porque estou aprendendo."
Carta de Rangel Diniz Rodrigues, novembro de 1984. Rangel morreu antes de ser alfabetizado, aos 3 anos de idade.

"O carro deslizou sem que eu pudesse controlá-lo. A manobra infeliz veio fatal e com tamanha violência que a idEia de suicídio não devia vir à baila."
Carta de Manoel Francisco Neto, psicografada em junho de 1977. Manoel era filho da atriz Nair Bello e morreu em um acidente de carro.

A polêmica 
Show de materialização de espíritos e truques para incrementar as sessões de psicografia. O lado pirotécnico de Chico Xavier provocou desconfiança. E atraiu de vez a atenção da mídia.

A carreira literária de Chico começou cedo. Aos 22 anos, ele publicava Parnaso de Além-Túmulo, um livro com poesias psicografadas de nada menos do que 14 poetas célebres, do Brasil e de Portugal. Uma estreia inspirada por um conselho vindo da mãe de Chico. Da finada mãe de Chico. 

Chico tinha acabado de entrar em contato com o espiritismo. Aos 17 anos, Francisco Cândido Xavier - seu nome completo, pelo qual ainda era conhecido - acompanhou uma irmã doente a um tratamento espírita em Pedro Leopoldo (cidade em que morava com os pais e os 15 irmãos). Lá, conheceu a obra de Allan Kardec. E foi incentivado por líderes espíritas a psicografar. Logo nas primeiras cartas psicografadas, veio a carta de sua mãe, morta quando o médium tinha apenas 5 anos de idade. Ela pedia que Chico se aprofundasse no espiritismo

Chico seguiu o conselho. Em grande estilo. Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o escolhido pelas celebridades do céu. Cruz e Sousa, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa. O material viraria o Parnaso. 

No mundo de poesias espíritas, ninguém havia publicado um livro invocando tantos nomes importantes do além. O lançamento colocou Chico Xavier sob os holofotes. Não só porque ele dizia que gente da Academia Brasileira de Letras estava agora escrevendo por uma via pouco ortodoxa. Mas porque o rapaz de 22 anos tinha produzido obras razoavelmente fiéis ao estilo dos autores que as assinavam. E sem ter tido uma educação formal. Chico havia estudado até a 4ª série do primário. Deixou o colégio aos 13 anos, porque havia começado a trabalhar - primeiro em uma fábrica de tecidos, depois como caixa de um armazém. 

A história dividiu o mundo da literatura. Alguns desconfiavam de que tudo não passava de uma fraude. A viúva de Humberto de Campos até tentou na Justiça, sem sucesso, levar os direitos autorais sobre as obras psicografadas do marido. Mas outros o defendiam. "Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, merece quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras", declarou Monteiro Lobato. 

A desconfiança dos críticos tinha motivo. Apesar de não ter ido longe na escola, Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida. Colecionou cadernos com recortes de textos e poesias. Comprou livros de sebos em São Paulo. Em sua biblioteca, preservada até hoje em Uberaba, há mais de 500 livros e revistas, com obras em inglês, francês e até hebraico. A lista inclui volumes de autores cujo espírito o teria procurado para escrever suas obras póstumas, como Castro Alves e Humberto de Campos. 

O debate em torno dos romances colocou Chico na mídia. "Foi aí que ele ficou conhecido", diz Nestor João Masotti, presidente da Federação Espírita Brasileira. Pesquisadores começaram a bater à porta do médium. Em 1939, até cientistas russos tentaram estudar seus poderes. "Mas Chico recusou, dizendo que seu guia espiritual Emmanuel não autorizava", diz Souto Maior em seu livro.

Das investidas da imprensa ele não escaparia. Eles queriam explicações não só para a linha direta que Chico dizia ter com as celebridades do outro lado, mas também para alguns shows que o médium andava fazendo por aí.

A pirotecnia

O que você veria se estivesse na plateia de Chico Xavier na década de 1940? Pra começar, um médium sentado em frente a uma cortina, a cerca de 10 metros dos espectadores. Luzes coloridas surgiriam detrás do pano. Um cheiro de éter encheria a sala. Lentamente, vultos brancos apareceriam - os médiuns explicavam que eram espíritos que haviam se materializado. "Muitas vezes a plateia podia até tocá-los e tirar fotos", afirma o médico espírita Eurípedes Tahan, que por mais de 30 anos acompanhou Chico em Uberaba e participou de várias dessas reuniões. Em alguns casos, o médium expelia uma pasta branca da boca, do nariz e dos ouvidos. Seria o ectoplasma, um produto da energia dos espíritos, considerado prova material da existência do além.

Os personagens principais da noite eram médiuns de outras cidades, acostumados a rodar o país com seus shows. Mas, em algumas delas, o próprio Chico emprestava seus poderes para a materialização. Ficava sentado em concentração enquanto os espíritos surgiam por detrás do pano. Registre-se: materializar uma pessoa, ou fazer surgir massa do nada equivalente a um homem de 70 quilos, não seria tarefa fácil. Seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidrelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas e exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.

Com shows como esses, Chico foi ficando famoso, graças a reportagens como uma publicada em 1944 por O Cruzeiro, então a revista mais importante do país. Mas ele ganharia manchetes mais bombásticas uma década depois. No fim dos anos 50, Amauri Pena Xavier, sobrinho do médium que também psicografa, deu uma entrevista ao jornal Diário de Minas - dizendo-se uma farsa. "Aquilo que tenho escrito foi criado pela minha própria imaginação", declarou. Só que o rapaz, de 25 anos à época, também insinuou que as cartas produzidas por Chico Xavier poderiam ser uma fraude. "Assim como tio Chico, tenho enorme facilidade para fazer versos, imitando qualquer estilo de grandes autores. Com ou sem auxílio do outro mundo, ele vai continuar escrevendo seus versos e seus livros." 

Pegou mal para o tio. Mesmo depois que o sobrinho, denunciado como alcoólatra pelo próprio pai, pediu desculpas publicamente pelo que disse. Chico respondeu: "Não recebi as palavras dele como acusação nem desafio. Tenho a felicidade de possuir amigos que, em matéria religiosa, não possuem a mesma convicção que eu". Acuado pelas críticas na Pedro Leopoldo de 15 mil habitantes, Chico resolveu fazer as malas e partir para Uberaba, um polo do espiritismo onde contaria com o apoio de amigos. Mas não adiantou muito. 

A imprensa seguiu na cola. Em 1971, um repórter da revista Realidade, José Hamilton Ribeiro, visitou as sessões de psicografia. E denunciou: tinha truque ali. "Meu fotógrafo viu um dos assessores de Chico levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar. As pessoas pensavam que o perfume vinha dos espíritos", diz Ribeiro. Os questionamentos colocavam Chico cada vez mais em evidência no país. E o prepararam para aquela que seria sua prova final na mídia, também em 1971: o programa Pinga-Fogo, da TV Tupi. 

Por quase 3 horas, o médium foi bombardeado por perguntas. Mas se safou. "Não me constam que obras complexas como a de Platão e Aristóteles tenham sido psicografadas. Não seria por causa da dificuldade?", questionou João de Scantimburgo, respeitado escritor da Academia Brasileira de Letras e homem católico. Chico respondeu: "Com todo respeito ao senhor, eu me permitiria perguntar se eles também não seriam médiuns". Assim Chico driblou os ataques. Disse estar sendo ajudado pelo guia Emmanuel. Foi um recorde de audiência: 75% dos televisores paulistas ficaram ligados no programa até as 3 horas da manhã. A entrevista rendeu retransmissão para 4 emissoras em rede nacional. Estava pronto o mito Chico Xavier

A POLÊMICA HOJE
Ainda tem gente tentando entender os fenômenos de Chico, vasculhando as referências históricas e literárias que ele deixou em seus livros. 

Literárias
Chico poderia ter plagiado obras. É o que investiga o espírita Vitor Moura, criador do site Obras Psicografadas. A tese é baseada na comparação entre textos. Como esta: 

• "Ao norte, os barrancos cobertos de neve do Hermon se recortam em linhas brancas no céu; a oeste, os planaltos ondulados da Gaulonítida e da Pereia." Vida de Jesus, do filósofo Ernest Renan.

• "Ao norte, as eminências nevosas do Hermon figuravam-se em linhas alegres e brancas, divisando-se ao ocidente as alevantadas planícies da Gaulanítida e da Pereia." Há Dois Mil Anos, de Chico Xavier.

Históricas
A Federação Espírita Brasileira está avaliando citações históricas que aparecem nos romances de Chico. Pelo que já foi apurado, os pesquisadores defendem que as cartas podem mesmo ter vindo do além. "Alguns relatos são tão detalhados que Chico não os faria nem com a ajuda das melhores bibliotecas", afirma Gilberto Trivelato, coordenador do estudo. "Um deles diz que a Catedral de Notre-Dame, em Paris, tinha escadas. Hoje ela não tem. Mas, se você pesquisar a fundo, descobre que no século 19 tinha, por causa de enchentes."

A CIÊNCIA E CHICO XAVIER
Palavras do outro mundo? Fraude? Nem um nem outro. Para cientistas, a explicação pode estar num meio-termo. 

Psicose
Nada de espíritos - por essa tese, as cartas seriam produzidas pelo próprio Chico. Só que ele não se lembraria disso. É como se fosse uma ação do inconsciente, ou de uma outra personalidade que ele assumiria. "A mente deixaria de ser única e vários pedaços assumiriam vida autônoma", afirma o psiquiatra Alexander Moreira de Almeida. "Mas fizemos testes com 115 médiuns, e eles têm uma sanidade mental acima da média da população", diz. 

Epilepsia
Nos anos 70, a revista Realidade publicou a cópia de um eletroencefalograma do cérebro de Chico Xavier. Sem saber o nome do paciente, um médico analisou o exame e concluiu: havia ali uma descarga elétrica anormal, capaz de provocar uma convulsão. "Poderia causar alheamento, sensação de ausência, automatismo psicomotor", afirmava o médico Juvenal Guedes. 

Criptomnésia
Um distúrbio de memória que faz com que as pessoas se esqueçam de que conhecem uma determinada informação. Os dados que Chico colocava nas cartas seriam apenas lembranças escondidas em seu próprio subconsciente. "Mas não há exame que detecte memórias falsas. Para evocá-las, o cérebro usa exatamente o mesmo mecanismo das verdadeiras", explica o neurologista Ivan Izquierdo, especialista em memória da PUC do Rio Grande do Sul.

Telepatia
Tem cientista que acredita que Chico poderia captar, inconscientemente, as memórias do morto - só de conversar com um parente dele. "O médium poderia usar poderes considerados paranormais para captar informações direto da cabeça das pessoas", afirma o psiquiatra Almeida. Até hoje, no entanto, a telepatia ainda não foi provada pela ciência.


O carisma 
Órfão Maltratado na infância, um piadista quando adulto, vítima de UMA SÉRIE DE doenças na velhice. Não foi à toa que Chico Xavier conquistou a compaixão de todo o país.

"Em 1931, o espírito do poeta Augusto dos Anjos sentia muita dificuldade em escrever por meu intermédio. Na época eu trabalhava em um armazém e cuidava de uma plantação de alho. Os espíritos começavam a conversar comigo. E então ele ditou uma poesia, chamada Vozes de uma Sombra. Começou a falar com aquelas palavras maravilhosas, muito técnicas. Eu com o regador na mão e custava a compreender. Quem era eu pra entender aquilo, que estava aguando canteiro de alho?", contava com jeitinho mineiro, fazendo a plateia do Pinga-Fogo gargalhar. Chico era um piadista. Mas não só o humor deu o carisma que o acompanharia até o fim da vida. Chico Xavier era visto como um mártir, acima de tudo. 

A começar por sua história antes de virar o médium que o país conheceu. Mineiro de família pobre, Chico dizia ouvir espíritos aos 5 anos de idade. Afirmava conversar com a mãe, recém-falecida. Da madrinha, com quem morava, ouviu um diagnóstico: estaria louco. E ganhou uns corretivos: garfadas (isso, golpes com garfo mesmo) no abdome. Rita de Cassia, a madrinha, ainda o obrigava a lamber as feridas de um primo, pra não falar mais daquelas maluquices de além. Órfão, mal-tratado e obrigado a trocar a escola pelo trabalho: assim era o pequeno Chico Xavier. Pelo menos na visão que Clementino de Alencar, jornalista de O Globo, passou em uma das primeiras reportagens sobre o médium, de 1935. Ela serviria como base para muitas das biografias já lançadas sobre Chico, e ajudaria a perpetuar a imagem de sofredor atribuída ao médium. Mesmo que detalhes da história tenham sido mais tarde desmentidos, como a versão de que Chico não era letrado.

Contribuiu para essa imagem uma política adotada por Chico desde sua primeira obra: doar todo o dinheiro conseguido com os direitos autorais de seus livros às editoras espíritas que os publicavam - e que costumavam manter instituições assistenciais. Ele nem assinava as obras. A autoria ficava em nome do espírito que teria ditado as palavras, como André Luiz e Emmanuel, os mais frequentes. "Os livros não me pertencem. Não escrevi nada. Eles escreveram", dizia. Se tivesse ficado com os direitos autorais, Chico teria levado uma bolada: 2,1 milhões de cruzeiros por ano, o suficiente para comprar 160 fuscas na época e equivalente a R$ 670 mil hoje. O cálculo foi feito nos anos 70 por especialistas, considerando uma venda de 300 mil livros por ano. Com a doação, Chico ajudou mais de 2 mil instituições do país, segundo seus assessores. 

Desde 1960, quando se aposentou, Chico vivia com uma pensão de funcionário público (trabalhou como escrivão e datilógrafo no Ministério da Agricultura). Sua casa em Uberaba, preservada pelo filho Eurípedes, tinha um portão de quase 3 metros de altura para impedir que os mais fanáticos a invadissem. Por dentro era simples: tinha móveis baratos de madeira corroídos e decoração feita com presentes dos amigos (bordados, mantas, placas, quadros). Está lá também a coleção com mais de 40 boinas, que Chico usava para esconder a careca (e que substituiriam as perucas). 

O médium também aparecia sob os olhos do país como um homem de saúde frágil. Ainda em seus 20 anos, quando já passava horas em sessões de psicografia à luz de velas, Chico descobriu uma catarata no olho direito. Depois dos 60, sofreu com pressão alta, uma hérnia e um tumor na próstata, que ele se recusou a operar com Zé Arigó, o amigo médium que dizia receber o médico Dr. Fritz. Em junho de 2001, quando se acreditava que estaria à beira da morte por causa de uma pneumonia nos dois pulmões, Chico conseguiu se salvar. E o Brasil inteiro comentou o que parecia um milagre.

Uma imagem captada pela TV Globo mostrou um raio de sol entrando no quarto do medium exatamente no dia em que Chico teve uma melhora repentina. "Ele já vinha tomando antibióticos havia 4 dias quando, de repente, começou a se recuperar", diz Eurípedes Tahan, o médico então responsável por Chico, e também amigo do médium. Dois dias depois, Chico recebia alta do hospital. Providência divina ou resultado dos remédios? Ninguém cravou a resposta. Mas o vídeo do episódio continua sendo visto até hoje pelos brasileiros no YouTube - tem mais de 100 mil visualizações. 

Chico morreu em 2002, aos 92 anos, cumprindo uma profecia sua. "Só vou morrer no dia em que o Brasil todo estiver feliz", dizia Chico. E morreu mesmo. O médium teve uma parada cardíaca no dia 30 de junho, horas antes de o Brasil ganhar a Copa do Mundo de Futebol. Cerca de 120 mil pessoas foram a seu enterro, formando uma fila de 4 quilômetros e 3 horas de espera. O então presidente Fernando Henrique Cardoso emitiu uma nota lamentando a ida daquele que era "um grande líder espiritual e uma figura querida e admirada pelo Brasil inteiro". 

Assim que Chico morreu, vários documentos que ele guardava - em geral cartas de pessoas que escreviam para ele - foram queimados por seu filho adotivo, Eurípedes Higino. Foi um pedido do pai em testamento. "Ele achava que era necessário para não dar nenhuma confusão para ninguém no futuro", diz. O filho também cuida da marca que se criou em torno de Chico Xavier. Graças ao registro da patente da assinatura do pai, ele hoje recebe 10% do lucro de tudo o que é lançado com ela (inclusive de filmes, como As Vidas de Chico Xavier, nos cinemas brasileiros a partir de abril). 

O trabalho de Chico continua hoje nas mãos de outros médiuns, como seu colega e seguidor Carlos Bacelli, que atrai centenas de fiéis por semana a suas sessões de psicografia em Uberaba (há excursões toda semana saindo de São Paulo e do Rio de Janeiro). Bacelli inclusive diz receber mensagens do próprio Chico Xavier. E não é o único. "Mais de 20 médiuns já disseram ter psicografado textos de Chico", diz Higino. "Tudo mentira. Chico disse que não voltaria tão cedo." Como ele tem tanta certeza? O pai teria deixado um código, conhecido apenas por Higino e por Tahan, para ser identificado caso resolvesse mandar um alô para o mundo dos vivos. "Continuaremos esperando", diz o filho.
Gisela Blanco

29 de jun. de 2012

Mães americanas unidas contra a ditadura da barriga negativa



Um grupo de 22 mães trabalhadoras e blogueiras americanas decidiu se reunir para enfrentar a crescente pressão sobre as mulheres em perder a barriguinha logo depois de darem à luz. Elas fizeram uma comunidade no Facebook, em que mostram os corpos pós-parto sem vergonha alguma, numa sessão de fotos chamada A Goddess Gathering (A Galeria Deusa).

A intenção é encorajar as mulheres a se libertarem dos ideais de beleza do culto ao corpo perfeito. No Brasil, essa pressão também existe, vide o caso de estrelas como a top Alessandra Ambrósio, que voltou a modelar mostrando um abdômen negativo menos de um mês depois do nascimento de Noah Phoenix (7 de maio); Luana Piovani, que teve Dom em março; e Grazi Massafera, que deu à luz a Sophia no final de maio – ela está mais magra do que nunca.
Segundo a blogueira Dena Fleno, o estopim para criar a página foi o comentário de uma amiga, que disse estar temerosa ao clicar no link ‘O corpo de Beyoncé depois do bebê’. “Tudo o que você precisa fazer é uma busca no Google com as palavras ‘corpo depois do bebê’ para ver as celebridades com a sua impossível forma física recuperada como em um passe de mágica”, relatou.

”Essas mulheres provavelmente trabalharam duro para perder a barriga e as pessoas normais – sem serem modelos da Victoria’a Secret — não tem como fazer photoshop, não têm personal trainers, cozinheiros particulares ou babás”, completa Dena, que teve a ideia do ensaio. “Foi um momento totalmente libertador. Sei que estou longe do meu ideal, mas nunca me senti mais bonita em aceitar o meu corpo”, conclui Fleno, que espera que mulheres do mundo inteiro acatem a ideia.
Bruno Astuto


O chabu de Eike Batista


O inferno astral do empresário Eike Batista foi estampado nas primeiras páginas dos jornais brasileiros de sexta-feira (29/6). Suas empresas perderam cerca de R$ 23 bilhões em valor de mercado em um ano, e passam por uma grave crise por conta de notícias frustrantes sobre o potencial de produção do primeiro campo de petróleo da OGX, uma das estrelas de sua constelação de empreendimentos ousados.
Alguns analistas se questionam se Batista estaria sendo punido justamente por sua ousadia, mas tudo indica que ele está mesmo é sendo fustigado pela realidade. Os jornais se referem a uma “crise de confiança” que teria devastado a posição da OGX no mercado de ações, provocando uma desvalorização de mais de R$ 13 bilhões em apenas dois dias. Mas não há comentários (pelo menos até onde este observador pode verificar) sobre as expectativas que se criaram ao longo do tempo em torno de suas iniciativas de negócio.
Nos primeiros testes de produção do campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, sob sua concessão, a OGX anunciou a possibilidade de vazão de 20 mil barris diários de petróleo. Naquela ocasião, cinco meses atrás, a notícia foi recebida como mais uma proeza pessoal de Eike Batista. Atrás do foguetório da imprensa, o entusiasmo dos investidores inflou o valor das ações.
Perdas bilionárias
Nesta semana, quando saíram os resultados do teste de longa duração, a direção da empresa se viu obrigada a rever essas perspectivas, frustrando o mercado. O resultado foi um movimento contrário da manada, que derrubou a confiança e levou os investidores, em massa, a tentar se livrar dos papéis.
Eike Batista demitiu imediatamente toda a direção da OGX, embora se saiba que os executivos não tinham outra alternativa a não ser divulgar os números corretos, sob pena de serem responsabilizados legalmente.
O campo de Tubarão Azul é o único entre os empreendimentos de Batista que produz petróleo – comentaristas maldosos dizem que os demais produzem notícias – e seus resultados iniciais representavam o ponto de apoio para a manutenção do bom ânimo diante das iniciativas do empresário.
Mas em vez dos 20 mil barris diários, os poços verteram apenas a média de 5 mil barris por dia. Por contaminação, o pessimismo afetou todas as demais empresas de Eike Batista, que são conhecidas por apresentar sempre a letra X em suas siglas, aumentando uma bola de neve que vinha rolando ladeira abaixo há quase um ano.
No total, segundo uma consultoria citada pela imprensa, o conjunto dos empreendimentos de Batista listados em bolsa de valores já perdeu R$ 23 bilhões em um ano. Somente em um dia, na quinta-feira (28/6), Eike Batista perdeu quase R$ 5 bilhões de seu patrimônio pessoal avaliado em R$ 44,3 bilhões, caindo do 21º lugar para o posto de número 28 na lista dos homens mais ricos do mundo, segundo a agência Bloomberg.
O “X” da questão
Não é uma questão de causar pena. Trata-se, na verdade, de um caso exemplar em que o noticiário sobre negócios contribui para produzir um cenário de fantasia em torno dos heróis do capitalismo nacional.
O Brasil sempre precisou de porta-bandeiras, como se a nacionalidade tivesse que se exibir em um desfile permanente de triunfos. Das conquistas nos esportes ao recente desempenho na economia, o orgulho brasileiro necessita de ícones, e a imprensa sempre esteve disponível para expô-los em manchetes. Seja Eike Batista ou Romarinho, o novo herói do futebol, estamos sempre em busca de um campeão.
Mas o mercado não pode viver eternamente de boas notícias, reais ou manipuladas por assessores de imprensa competentes. Em algum momento, as promessas têm que virar lucro que possa ser demonstrado nos balanços. No momento de entregar resultados concretos, a realidade cobra seu preço com os juros produzidos pela expectativa.
A demissão da diretoria da OGX, ação tomada imediatamente por Batista para tentar conter a onda de pessimismo, soa como o costume atribuído a antigos imperadores, de matar o mensageiro que porta más notícias.
Mas para o serviço ficar completo, seria preciso cortar também as cabeças de tantos colunistas e articulistas que até aqui vinham tratando Eike Batista como uma espécie de rei Midas, portador de um misterioso mapa de jazidas cuja origem ninguém tem coragem de esclarecer.
Luciano Martins Costa

28 de jun. de 2012

Porque Fazer Caridade


MISERICÓRDIA DIVINA

O nosso assunto agora é misericórdia e caridade, e se você busca a razão, a lógica ou o raciocínio do amor você anda perdendo o seu tempo. Porque segundo o critério humano, o amor verdadeiro não tem lógica, nem razão e nem raciocínio.

Eu estou falando de amor legítimo, essencial. A sua ação se opera à revelia de nossa razão. É muito simples. Porque o amor é só o que sai. O que entra é justiça, o que sai é amor. E ao sair ele é como o sol. O sol não ilumina algumas regiões e se esquiva de iluminar outras: “Opa, aqui eu tenho que fazer uma curva, não posso tocar esse ambiente porque ali tem indivíduos complicados.” Não tem disso. A bem da verdade, ele não se preocupa aonde ou em quem vai chegar.

O amor também é assim, soberano. O amor puro não se reduz às restrições da lógica e tampouco aos argumentos do raciocínio. Incoercível, sobrepuja a todos os demais atributos do espírito. O amor humano, ainda vinculado à capacidade de ser amado, não é expressão do verdadeiro amor, justamente porque age sobre a influência ostensiva da razão, porque obedece a motivos determinados.

Assim, pode ter certeza, sempre que esse sentimento se manifesta sob o império da razão ele se acha constrangido e desnaturado. O amor divino, por sua vez, paira acima da razão, desconhece os motivos e raciocínios de qualquer espécie.

O maior amigo da humanidade consubstancia o ensinamento e a exemplificação do amor divino. Você já parou para pensar nisso de forma aprofundada? Qual o argumento da razão humana nos aconselha a amar o inimigo? A orar pelo que nos maldizem e perseguem? Onde vamos encontrar a lógica do preceito que nos recomenda oferecermos a face esquerda a quem nos bate a direita? Onde o raciocínio da determinação de cedermos também a túnica a quem nos tira a capa? Ora, amigo, estas prescrições não se curvam à nossa lógica e tampouco à nossa razão, pois são mandamentos sublimes do amor, e o amor extrapola a todo entendimento. O legítimo amor não tem cheiro e sentido de justiça. De modo que vamos caminhar com paciência e tranquilidade. Apesar das aparentes conturbações o planeta está em perfeito equilíbrio. Quem governa o mundo é Deus e o amor não age com inquietação. A faceta relacionada com a irradiação do amor toma uma fisionomia ou um aspecto bem mais abrangente daquilo que a nossa mente pode conceber ou imaginar.

Há muitas criaturas no plano físico visitadas por lutas acerbas, embora possam apresentar no rosto um sorriso constante. Os que choram, diante das dores, podemos dizer sem exagero, o fazem de barriga cheia. É, isso mesmo. A frase não saiu errada, não. O planeta Terra, em tempo algum, jamais foi visitado por tanta orientação espiritual como tem sido agora, e acima de toda  dificuldade existe o amparo superior. O componente máximo doador é o criador e a misericórdia distribui dádivas em todo o universo. Em tese, não existe pai que não queira o melhor para seu filho, e são tantas as expressões da misericórdia divina que nos cercam o espírito, em todo e qualquer plano da vida, que basta olhar a natureza, física ou invisível, para sentirmos em torno de nós um aluvião de graças.

Por ser onipresente, a misericórdia suprema preenche a todos os espaços e não está a uma grande distância de nós. A misericórdia tem falado alto e a sua bondade abraça a todas as almas. O que recebemos de misericórdia, o que recebemos do amparo que está chegando a cada um de nós, forma uma soma substanciosa de padrões que estamos usando a cada momento. Em sua infinita bondade, Deus oferece-nos recursos para o saneamento de nossas próprias complicações e na equação de nossos débitos dependemos da sua misericórdia.

Rendamos culto ao perfeito amor que tudo ilumina e a todos se estende sem distinção. A nossa felicidade reside em saber que podemos estar no fundo do poço, mas ligados à fonte básica da luz em Deus. O criador salva a todos e a salvação é atributo dessa misericórdia para conosco. O plano superior jamais nega recursos aos necessitados de toda ordem. Ninguém permanece abandonado na vida e os mensageiros de Jesus socorrem sempre nas estradas mais desertas.

27 de jun. de 2012

Meio milhão de pessoas quer mudar a Lei Seca


Meio milhão. É esse o número de assinaturas que o movimento Não Foi Acidente recolheu nos últimos oito meses. Mas ainda faltam quase 800 mil para que a ação consiga enviar ao Congresso um projeto de lei que muda as regras de trânsito no Brasil.
O objetivo é tornar mais severa a punição a quem for flagrado dirigindo sob efeito do álcool. Lançada pelo palestrante Rafael Baltresca, de 32 anos, em outubro – um mês após a mãe e a irmã dele serem mortas por um motorista bêbado –, a petição pública necessita de 1,3 milhão de adesões para ter efeito.
O número representa 1% do total de eleitores registrados no País. Embora falte mais da metade das assinaturas necessárias para que a proposta seja apreciada pelos parlamentares, Baltresca já comemora a abrangência do movimento.
“Chegam assinaturas do Brasil inteiro. As pessoas estão fazendo campanha do nosso site em tudo quanto é lugar.” A assinatura de número 500 mil foi colhida durante o último fim de semana. Até a noite de ontem, mais de 505 mil pessoas haviam aderido.
O projeto de lei propõe que a embriaguez ao volante passe a ser crime, sem a possibilidade de ser caracterizada como infração administrativa, ou seja, com multas. Além disso, torna obrigatório o exame clínico de motoristas alcoolizados, formalizando a obtenção de provas de embriaguez por outros meios que não o do bafômetro.
A tolerância ao álcool também passa a ser zero. “Se a gente coloca um limite permitido de teor alcoólico, a única forma de medi-lo é com um aparelho, ou com um exame de sangue. E aí a lei dança, porque o cara pode falar ‘não’”, explica Baltresca.
O presidente da comissão de trânsito da OAB-SP, Maurício Januzzi, ajudou a elaborar o texto do projeto de lei, disponível na íntegra no site  http://naofoiacidente.org/blog , onde qualquer pessoa com título de eleitor brasileiro pode assinar a petição. A pena para quem beber, dirigir e matar no trânsito sobe dos atuais dois a quatro anos para cinco a oito anos de prisão.
A corrente de Baltresca para “mudar o Brasil”, como ele mesmo diz, começou depois de uma tragédia pessoal. Sua mãe, Miriam, de 58 anos, e irmã, Bruna, de 28, morreram ao serem atropeladas por Marcos Alexandre Martins, de 34, em setembro passado, enquanto caminhavam na calçada da Marginal do Pinheiros, ao saírem do Shopping Villa-Lobos. Martins aparentava estar embriagado. Ele responde em liberdade.
Na tarde de domingo, um crime parecido ocorreu em Mogi das Cruzes. O condutor de um carro com sinais de embriaguez perdeu o controle do veículo, que capotou, acertando e matando duas irmãs de 7 e 21 anos de idade, que andavam no acostamento.
Caio do Valle

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