26 de jul. de 2012

A Alegria na Tristeza

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.
Martha Medeiros

16 de jul. de 2012

Emmanuel

Por volta de 79 a.C. viveu Públio Lentulus Sura, um cônsul, um homem de muito poder e impiedoso. Sura foi contemporâneo de Caio Júlio César, Marco Túlio Cícero, além de aliado político do temível Sérgio Lúcius Catilina. A personalidade do cônsul aparece claramente como a de um homem que se acreditava destinado a governar Roma e que o teria feito se tivesse sido vitorioso na famosa rebelião que participou como figura exponencial.


Enganado por uma profecia sobre três Cornelius governando Roma, imaginou-se como sucessor de seus parentes distantes. Um pouco mais tarde, Tertuliano o condenou a morte, estrangulado, em 5 de dezembro do ano de 63 a.C.

Depois de se passarem aproximadamente 94 anos reencarna como senador do Império Romano, agora como Públio Lentulus Cornelius, bisneto de Públio Lentulus Sura, sua reencarnação anterior. Públio Lentulus era um homem orgulhoso, mas nobre. Casou-se com uma excepcional mulher, Lívia, que ele tanto amou, mas que também, trouxe-lhe grande revolta e sofrimento por haver abraçado o Cristianismo. Tinham dois filhos, Flávia Lentúlia e Marcus. Sua filha fora atacada pelo mal da lepra, Hoje conhecido como hanseníase. Como Flávia estava muito doente, Públio Lentulus recebeu do Imperador Tibério a designação para alto cargo público na Palestina, onde havia um clima muito mais ameno para que a menina pudesse de alguma forma se restabelecer.

Foi desta forma que ele teve a grande oportunidade de encontrar Jesus. Sua esposa Lívia, que já houvera ouvido falar do Nazareno, implorou-lhe que pudesse procurar o profeta na esperança de uma cura definitiva para a pequenina, visto o grande número de comentários do povo naquela época sobre as curas operadas por Jesus. O senador aquiesceu ao pedido da esposa amada, dizendo-lhe, porém, que iria à procura do Messias, mas que não chegaria ao cúmulo de abordá-lo pessoalmente.

Na cidade de Cafarnaum, na Galiléia,quando as horas mais movimentadas do dia se escoram e o crepúsculo começou a se fazer visível,o senador então se colocou a caminho indo em direção a um lago da cidade. Depois de mais de uma hora de expectativa, deu-se então o encontro de Públio Lentulus com Jesus. Diante de seus olhos ansiosos, estava uma personalidade inconfundível e única.

Lágrimas ardentes rolaram-lhe dos olhos, que raras vezes haviam chorado, e força misteriosa e invencível fê-lo ajoelhar-se na relva lavada em luar. Desejou falar, mas tinha o peito sufocado e opresso. Foi quando, então, num gesto doce e de soberana bondade, o meigo Nazareno caminhou para ele, era como se aquela visão fosse a visão concretizada de um dos deuses de suas antigas crenças, e, pousando carinhosamente a destra em sua fronte, exclamou em linguagem encantadora, que Públio entendeu perfeitamente, dando-lhe inesquecível impressão de que a palavra era de espírito para espírito, de coração para coração. O senador quis falar, mas a voz estava embargada pela emoção e por profundos sentimentos. Desejou retirar-se, porém, nesse momento, notou que o Profeta de Nazaré se transfigurava de olhos fixos no céu.. Aquele lago, o Lago de Genesaré, deveria ser um santuário de Suas meditações e de Suas preces, no coração perfumado da natureza. Lágrimas copiosas Lhe lavaram o rosto, banhado, então por uma claridade branda, evidenciando a Sua beleza serena e indefinível melancolia…

Quais conseqüências desse encontro com o Divino Mestre? A cura de sua filha, Flávia. Lívia, esposa do senador, que era uma dama patrícia, torna-se cristã. E ele, que fora convidado pelo mestre a segui-lo, entre as opções que lhe foram apresentadas, de servir Deus ou a Mamon, escolheu servir a Mamon, ao mundo. Retornou às lides políticas e recusou-se a admitir ser Jesus o autor do restabelecimento da menina. No dia em que Jesus foi julgado e condenado à morte o patrício romano esteve ao lado de Pôncio Pilatos, mas nada disse ou fez em benefício do nazareno. Somente mais tarde, Públio Lentulus viera a compreender e aceitar o Evangelho de Jesus nos derradeiros tempos de sua romagem terrestre, quando regressou de Jerusalém para sua residência em Pompéia. Após anos de cegueira, ele desencarnou na polvorosa erupção do Vesúvio, em agosto do ano 79 da nossa era, entre chuvas de cinza e pedra, explosões ensurdecedoras, relâmpagos, ondas de lama, num espetáculo de horror..

No prefácio do livro “Há dois mil anos” ele escreve: ”Para mim essas recordações têm sido muito suaves, mas também muito amargas. Suaves pela rememoração das lembranças amigas, mas profundamente dolorosas, considerando meu coração empedernido, que não soube aproveitar o minuto radioso que soara no relógio da minha vida de Espírito, há dois mil anos”. Em 20 de dezembro de 1971, no canal 4, da extinta TV Tupi, no programa Pinga Fogo, Francisco Cândido Xavier confirmou que Emmanuel fora o Padre Manoel da Nóbrega, o admirável padre que antes de reencarnar, visitou em espírito o Brasil recém descoberto; contemplou as florestas, apiedou-se dos indígenas e amou a Terra de Santa Cruz. 

Prepara-se para a grande missão que Deus lhe reservara. Emmanuel, este é o nome de uma das mais luminosas entidades espirituais a figurais nos arraiais espiritistas. Quando citamos o nome do Mentor, nos lembramos sempre do espírito humilde, generoso, de personalidade, cujas características demonstram uma evolução intelecto-moral equilibrada. Todavia, a participação do nobre espírito junto ao Espiritismo antecede o transplante do Consolador para as plagas brasileiras, pois existe uma página de sua autoria espiritual em “o Evangelho segundo o Espiritismo”, no capítulo XI, ”Amar o próximo como a si mesmo”, no item 11, intitulada “O egoísmo”. Ele escreveu essa mensagem em Paris, em 1861.

Dentre as várias obras que Emmanuel psicografou por Chico, seria impossível deixar de citar os cinco romances produzidos nas décadas de 40 e 50: “Há dois mil anos, Cinqüenta anos depois, Ave, Cristo!,Paulo e Estevão e Renúncia,relatando alguns deles,algumas de suas experiências reencarnatórias. É considerado no meio espírita como quinto evangelista pela superior interpretação do pensamento de Jesus,analisando os sublimes textos do Evangelho nos seus livros,principalmente em:Caminho,Verdade e Vida; Pão Nosso;Vinha de Luz;Fonte Viva e Palavras de vida Eterna. 

Durante toda a elaboração da extensa obra mediúnica de Chico Xavier, Emmanuel deu incontestáveis e intermináveis atendimentos;nas memoráveis reuniões psicográficas de consolo,atendendo a familiares deste e do outro mundo;durante os trabalhos assistenciais de todos os matizes;nas sessões de desobsessão e assistência aos espíritos sofredores;nas apresentações públicas do médium e,sobretudo,nos episódios em que foram desferidos os mais sarcásticos ataques ao tutelado e à causa espírita. Jamais o amoroso Mentor de Chico deixou de representar a presença marcante da proteção e da Assistência Divina,atestando sua obra imbatível que frutifica e ainda muito frutificará,pois tem por alicerce a mensagem rediviva do próprio Cristo de Deus

15 de jul. de 2012

Quais as musicas que você identifica abaixo?


Pin Up Coke


Os outros que ajudam (ou não)


Muitos anos atrás, conheci um alcoólatra, que, aos 40 anos, quis parar de beber. O que o levou a decidir foi um acidente no qual ele, bêbado, quase provocara a morte da companheira que ele amava, por quem se sentia amado e que esperava um filho dele.

O homem frequentou os Alcoólatras Anônimos. Deu certo, mas, depois de um tempo, houve uma recaída brutal. Desanimado, mas não menos decidido, com o consenso de seu grupo dos AA, o homem se internou numa clínica especializada, onde ficou quase um ano -renunciando a conviver com o filho bebê.

Ele voltou para casa (e para as reuniões dos AA), convencido de que nunca deixaria de ser um alcoólatra -apenas poderia se tornar, um dia, um "alcoólatra abstêmio".
Mesmo assim, um dia, depois de dois anos, ele se declarou relativamente fora de perigo. Naquele dia, o homem colocou o filhinho na cama e, enfim, sentou-se na mesa para festejar e jantar.

E eis que a mulher dele chegou da cozinha erguendo, triunfalmente, uma garrafa de "premier cru" de Château Lafite: agora que ele estava bem, certamente ele poderia apreciar um grande vinho, para brindar, não é?

O homem saiu na noite batendo a porta. A mulher que ele amava era uma idiota? Ou ela era (e sempre tinha sido) companheira, não da vida do marido, mas de sua autodestruição? Seja como for, a mulher dessa história não é um caso isolado.
Quem foi fumante e conseguiu parar, quase certamente encontrou um dia um amigo que lhe propôs um cigarro "sem drama": agora que você parou, vai poder fumar de vez em quando -só um não pode fazer mal.

Também há parentes e próximos que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente: se for só hoje, uma massa não vai fazer diferença, nem uma carne vermelha. Seja qual for a razão de seu regime e a autoridade de quem o prescreveu, para parentes e próximos, parece que há um prazer em você transgredir.

Em suma, há hábitos que encurtam a vida, comprometem as chances de se relacionar amorosa e sexualmente e, mais geralmente, levam o indivíduo a lidar com um desprezo do qual ele não sabe mais se vem dos outros ou dele mesmo.

Se você precisar se desfazer de um desses hábitos, procure encorajamento em qualquer programa que o leve a encontrar outros que vivem o mesmo drama e querem os mesmos resultados que você. É desses outros que você pode esperar respeito pelo seu esforço -e até elogio (quando merecido).

Hoje, encontrar esses outros é fácil. Há comunidades on-line de pessoas que querem se livrar de seu sedentarismo, de sua obesidade, do fumo, do alcoolismo, da toxicomania etc. Os membros de uma comunidade registram e transmitem, todos os dias, seus fracassos e seus sucessos. No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos membros instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e a comunidade sabe imediatamente se ele progrediu ou não.

Parêntese. A balança on-line não funciona pela vergonha que provoca em quem engorda, mas pelos elogios conquistados por quem emagrece. Podemos modificar nossos hábitos por sentirmos que nossos esforços estão sendo reconhecidos e encorajados, mas as punições não têm a mesma eficácia. Ou seja, Skinner e o comportamentalismo têm razão: uma chave da mudança de comportamento, quando ela se revela possível, está no reforço que vem dos outros ("Valeu! Força!").

Já as ideias de Pavlov são menos úteis: os reflexos condicionados existem, mas, em geral, se você estapeia alguém a cada vez que ele come, fuma ou bebe demais, ele não parará de comer, fumar ou beber -apenas passará a comer, fumar e beber com medo.
Volto ao que me importa: por que, na hora de tentar mudar um hábito, é aconselhável procurar um grupo de companheiros de infortúnio desconhecidos? Por que os próximos da gente, na hora em que um reforço positivo seria bem-vindo, preferem nos encorajar a trair nossas próprias intenções?

Há duas hipóteses. Uma é que eles tenham (ou tenham tido) propósitos parecidos com os nossos, mas fracassados; produzindo nosso malogro, eles encontrariam uma reconfortante explicação pelo seu.

Outra, aparentemente mais nobre, diz que é porque eles nos amam e, portanto, querem ser nossa exceção, ou seja, querem ser aqueles que nós amamos mais do que nossa própria decisão de mudar. Como disse Voltaire, "Que Deus me proteja dos meus amigos. 
Dos inimigos, cuido eu".
Contardo Galligaris

O que nos motiva?


Essa curta pergunta exige um contato direto com o nosso íntimo, que é claro muitas vezes se encontra fechado por pura proteção. 
Na correria do dia a dia a nossa vida se tornou diferente do que naturalmente desejaríamos fazer com ela se não tivéssemos nascido já com tantos compromissos e obrigações burocráticas.
“Mal nascemos e temos que sair corendo atrás do dinheiro como única opção de vida! Crueldade? Mas é fato”.
Então quando perguntarmos o que nos motiva, pode ser que a resposta esteja baseada mais em sacear necessidades do que em descobrir o que verdadeiramente anima a nossa essência. 
“É isso que quero! Descobrir o que me motiva, descobrir o que gosto de fazer, mas ainda não sei… e nem sei por onde começar!” Se esse é o seu caso tente refletir sobre o que toca o seu íntimo, te alegra e te satisfaz. 
Essa coisa difícil de descobrir os antigos chamavam de talento, essa ação que nos entusiasma, que temos prazer em praticar e que de alguma forma nos desafia e por isso ela brilha de uma maneira diferente aos nossos olhos. A grande questão é se abrir pra coisas super improváveis, pois elas também podem ser talentos e a coragem de assumí-los define o começo desse caminho.
Muitos de nós não nos permitimos descobrir nossos talentos e nem o que nos motiva, não pensamos sobre isso, não temos muitas vezes tempo. Entretanto não podemos deixar passar! Simples assim, não podemos esquecer que temos uma função a cumprir e sem isso nossa vida não tem sentido.
Religião, talvez seja uma das veias mais fortes dessa tentativa em explicar o que nos motiva, mas as religiões são diferentes entre si, se misturaram à política durante os séculos ou milênios de existência, criaram dezenas regras ou histórias pra explicar como devemos nos comportar.
Talvez seja hora de menos explicações e mais ações, talvez todos esses ensinamentos e informações que hoje estão nas nossas mãos possam elucidar um caminho único para cada um, um caminho baseado no que cada um tem de melhor e todos temos algo de bom que em geral são os próprios talentos, mesmo que a gente não queira reconhecer. Devemos buscar por eles agora e ter a coragem de aceitá-los o mais rápido possível, pois essa é a maneira mais bela de nos motivarmos e de quebra contribuirmos com a sociedade em que vivemos!
Seu melhor pode ser sorrir, pode ser falar, pode ser juntar pessoas, pode ser pensar, escrever, desenhar, sonhar… não importa, sempre há alguém precisando do que você tem de melhor. O mundo é feito das diferenças, que temperam e dão graça à todas as coisas. Não necessariamente temos que fazer dos nossos talentos o trabalho principal ou fonte de renda, pois isso pode em alguns casos nos desestimular por associar-se à luta pela sobrevivência e não mais com algo que nos dê prazer. Façamos algo de útil com o pouco tempo livre que nos resta, e vamos atrás dos nossos talentos!
E aí, o que te motiva?
Danilo España

Fortuna, drogas e ruina


Misteriosa morte de Eva Rausing, esposa do herdeiro da Tetra Pak, expõe segredos de uma das famílias britânicas mais ricas

Ela era loira de olhos azuis, magra e extravagante. Casada com Hans K. Rausing, herdeiro da companhia de embalagens Tetra Pak, com quem tinha quatro filhos, a socialite Eva Rausing vivia entre as festas mais caras e badaladas de Londres e sob o escaldante sol do Caribe, onde tinha uma casa de 11 quartos à beira da praia. Hans, descrito como um homem monossilábico, nunca teve um emprego, e desfrutava da fortuna da família de maneira discreta. 

Até que, na segunda-feira 9, o império do casal desmoronou. Naquele dia, Hans foi parado pela polícia quando dirigia de forma errática pelas ruas do sul da capital britânica e acabou preso por posse de drogas ilegais. Seria apenas mais um deslize do herdeiro se os oficiais não decidissem revistar sua mansão em Chelsea. Lá, surpreendentemente, encontraram Eva morta. 

Hans foi preso sob a suspeita de ocultação de cadáver e encaminhado para tratamento médico, mas a morte ainda está envolta em mistérios. Eva, de 48 anos, era dona de um vasto histórico de dependência química. Pessoas próximas a ela disseram à imprensa britânica que já esperavam por uma overdose, mas os investigadores não souberam determinar o que a matou, em razão do estado deteriorado de seu corpo. 

A suspeita é de que Hans tenha convivido com o cadáver da mulher por quase uma semana. Segundo o testemunho de um amigo ao jornal “Daily Telegraph”, no último mês, o casal transformou sua luxuosa casa num antro de drogas e usava apenas dois quartos. “Era uma total imundície, ninguém acreditaria que eram bilionários”, disse. “Eles não podiam mais cuidar de si mesmos nem da casa.” Imagens das câmeras de segurança do local foram apreendidas e funcionários, interrogados. A mãe dela, Nancy Kemeny, disse que a filha estava se tratando num centro de reabilitação nos Estados Unidos dias antes de morrer e que viajara a Londres para convencer o marido a se juntar a ela. Para Nancy, Eva morreu por problemas do coração.

As fotos mais recentes do casal mostram a decadência física dos dois. Eva, que era fã de vestidos curtos e brilhantes, aparece com os cabelos sem corte, vestindo um casacão, uma bermuda jeans e uma sandália rasteira. Abatido, Hans veste um boné, camisa polo e um terno escuro sujo. Há 25 anos, Eva e Hans se conheceram numa clínica de reabilitação. O herdeiro voltava de uma viagem à Índia, onde havia se viciado em drogas. Filha de um executivo da Pepsi, Eva foi bem recebida pela família Rausing, que via nela a esperança de resgatar a saúde de Hans. A expectativa frustrou-se publicamente quando, em 2008, Eva foi presa depois que guardas da Embaixada dos EUA em Londres encontraram crack e heroína em sua bolsa. Numa busca mais refinada, policiais encontraram o equivalente a US$ 3 mil em cocaína no carro e na casa dos Rausing. Eles foram processados, mas escaparam da condenação ao aceitar a liberdade condicional. À época, Eva se disse envergonhada e arrependida.

ntes mesmo desse episódio, o casal se destacava pela filantropia voltada a grupos de assistência a viciados. Eva foi administradora da instituição Action on Addiction e doou quase US$ 1 milhão para a Mentor UK entre 1998 e 2010. Ao “Daily Telegraph”, o ex-chefe da Mentor, Eric Carlin, lembrou de uma reunião da organização em que alguém falou: “Nós todos concordamos que não gostamos de drogas”, ao que Eva respondeu: “Não, eu amo drogas. Esse é o problema.” “A droga é democrática, independe de classe social”, disse à ISTOÉ o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, presidente do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool. “O crack e a cocaína têm alto potencial de dependência e são procurados por quem busca barato rápido, não glamour.”

Considerada pelo “Sunday Times” a 12ª família mais rica do Reino Unido, os Rausing se mudaram para o país no início dos anos 80 para escapar do alto imposto sobre herança cobrado na Suécia. Hoje Hans Rausing pai está em 88º na lista dos maiores bilionários do mundo, segundo a revista “Forbes”, e tem uma fortuna estimada em US$ 10 bilhões. Desde 1995, ele está afastado da Tetra Pak, quando vendeu sua participação ao irmão por cerca de US$ 7 bilhões.
Mariana Queiroz Barboza

13 de jul. de 2012

O dia em que o rock mudou a história da humanidade



O cantor irlandês Bob Geldof suava horrores nos bastidores do estádio de Wembley. Em meio a um surto de ansiedade, teve uma rápida crise de choro. Somente ali ele teve consciência do tamanho da enrascada que havia se metido: dois estádios abarrotados por mais de 80 mil espectadores cada um, separados por 6 mil quilômetros, mais de 100 artistas mundiais do primeiro escalão em dois megashows com transmissão ao vivo para 1 bilhão de pessoas.

Geldof tinha certeza que o Live Aid, no dia 13 de julho de 1985, evento beneficente saído de sua cabeça, não ia dar certo. Temia que o som não estivesse bom, que os artistas convidados a tocar de graça não apareceriam, que houvesse alguma tragédia.

Só se deu conta do estrondoso sucesso da empreitada quando foi erguido, ao final do evento, como um herói e ficou nos ombros de ninguém menos do que Paul McCartney e Pete Townshend. Foi saudado como uma das grandes personalidades do nosso tempo indicado duas vezes para o prêmio Nobel da Paz. O Live Aid foi tão importante que o 13 de julho se tornou o Dia Internacional do Rock.

“O Live Aid pode ter sido a minha grande obra, mas prejudicou totalmente minha carreira, a minha capacidade de fazer o que eu amo. Se não tivesse acontecido, tenho certeza de que eu teria sido capaz de fazer a transição do The Boomtown Rats a uma carreira solo como a do Paul Weller ou Sting”, disse o cantor em entrevista ao site Evening Standard em junho passado, 27 anos depois do festival.

Apesar disso, o amargurado Geldof revelou que não se arrepende do feito. De acordo com ele, “teria sido terrivelmente irresponsável se não tivesse promovido o show”.

Contra a fome

Se Woodstock, em 1969, é considerado o sinônimo de festival de rock – um símbolo de um gênero musical e de toda uma geração –, o Live Aid foi muito mais do que isso.

Sua importância se confunde com o próprio conceito do rock. Supera inclusive em todos os sentidos o Concert for Bangladesh, de 1971, de George Harrison, considerado o primeiro evento roqueiro beneficente de peso, e o Concert for Kampuchea, de Paul McCartney, de 1979.

É inegável que o Live Aid é a grande obra de Geldof. Sentado no seu sofá detonado no flat onde morava, em Londres, no final de 1984, ruminava entre goles longos de cerveja o que faria da vida após o final melancólico de sua banda pouco antes, o Boomtown Rats, de sucesso relativo entre 1978 e 1980, até ser varrido pelo final do punk e pelo surgimento da new wave.

Irado por não receber respostas de amigos e músicos para a formação de um novo projeto musical, assistia à TV sem prestar a atenção. Sua ira aumentou quando um dos canais comerciais anunciou que em minutos exibiria “The Wall –The Movie”, o longa-metragem de Alan Parker baseado na obra-prima do Pink Floyd – e cujo ator principal era o próprio Geldof, por sinal elogiado pela interpretação.

Imediatamente trocou de canal e pegou o meio de um documentário sobre a seca monstruosa que atingia o nordeste da África, levando milhões de habitantes da Etiópia a padecer de fome total – tudo isso agravado pelas disputas políticas e guerra civil.

Indignado com as imagens de crianças esquálidas disputando migalhas com corvos e urubus debaixo de um sol insano, decidiu que tinha de fazer alguma coisa. O que veio à mente foi a gravação de um single para arrecadar fundos para combater a fome africana.

Pediu ajuda a Midge Ure, da banda pop Ultravox, e juntos depressa escreveram a música “Do They Know It’s Christmas?”. Em seguida, abriu a agenda telefônica e começou a ligar para os amigos e amigos dos amigos: Juntamente com Bono e The Edge (ambos dos U2), Boy George, Paul McCartney, Duran Duran, Frankie goes to Hollywood e muitos outros.

Geldof conseguiu marcar uma entrevista com o DJ Richard Skinner, da “BBC Radio 1”, e aproveitou para publicitar a ideia de editar um single de caridade, de tal forma que aquando do recrutamento dos músicos, já havia um enorme interesse da comunicação social no evento.

Gravado a toque de caixa para aproveitar o Natal de 1984, o projeto band Aid, reuniu a nata do pop rock inglês em um estúdio para gravar “Do They Know It’s Christmas?” O sucesso foi absurdo, com a venda de milhares de cópias no mundo inteiro.

A ideia foi copiada meses mais tarde nos Estados Unidos com a música “We Are The World” da autoria de Michael Jackson, Stevie Wonder e Lionel Richie, tendo sido este último o primeiro ponto de contacto de Geldof. Este single chegou ao topo das tabelas nos dois lados do Atlântico. Em 1986, surgia o Hear ‘N Aid, reunindo mais de 50 estrelas do hard rock e do heavy metal em outro evento beneficente.

O festival do festivais

Instigado por Paul McCartney e por jornalistas da BBC, conseguiu apoio para a realização de um grande concerto de rock reunindo quase todos os participantes do Band Aid. A participação do promotor de eventos musicais Harvey Goldsmith foi primordial para transformar os planos de Geldof e Ure em realidade, e o evento foi crescendo e ganhando visibilidade enquanto vários artistas ingleses e norte-americanos concordavam de imediato em participar.

No começo, Geldof teve de ficar ao telefone por quase uma semana convidando artistas amigos e negociando com agentes e empresários a liberação de outros músicos. Houve alguma dificuldade inicial, mas logo a adesão ao projeto virou uma avalanche. Na semana seguinte, ele é que não parava de receber ligações de vários astros mundiais.

Inicialmente programado para o dia 13 de julho no estádio de Wembley, o templo do futebol inglês em Londres, teve de ser desmembrado para outro local diante do enorme número de artistas querendo participar. Empresários de comunicações e do show business dos Estados Unidos viabilizaram o estádio JFK, na Filadélfia, para que um evento paralelo e simultâneo fosse realizado.

Sucesso absoluto, a marca Live Aid rendeu cerca de US$ 250 milhões em 27 anos de comercialização – pena que parte do dinheiro arrecadado à época tenha sido desviado pelo caminho.

Quem participou? Simplesmente todo mundo que era relevante na história do rock até então: Geldof, Paul McCartney, The Who, Mick Jagger, Keith Richards, Ron wood, Bob Dylan, Queen, U2, Judas Priest, Black Sabbath com sua formação original, Led Zeppelin reunido com Phil Collins na bateria, David Bowie, Tina Turner, Phil Collins (que tocou por algumas horas em Londres, pegou um avião supersônico Concorde e chegou a tempo para tocar na Filadélfia), Eric Clapton, Elton John, Sade, Elvis Costello, Status Quo, Spandau Ballet, Bryan Ferry, Sting, Bryan Adams, Beach Boys, B.B. King, Style Council, Santana, Duran Duran, Madonna, Pretenders, Crosby, Stills, Nash & Young, entre muitos outros. A se lamentar, as ausências de Prince (que mandou um clipe, exibido no telão), Michael Jackson e Deep Purple (reunido em sua formação clássica, não participou devido à recusa inexplicável do guitarrista Ritchie Blackmore).

O legado do Live Aid é impossível de ser medido. Foi muito além de um bem-sucedido festival musical beneficente. Virou sinônimo de festival de rock, de solidariedade, de cumplicidade, de comprometimento e de mobilização. O dia Internacional do Rock é apenas a face mais visível deste evento que teve impacto decisivo na história da humanidade.
Marcelo Moreira

Qual a origem dos nomes no rock?


Beatles
Tanta gente perguntava a origem do nome para John Lennon que cada vez ele inventava uma história diferente. A mais aceita é que o primeiro nome, The Beetles ("Os Besouros"), foi inspirado na banda The Crickets ("Os Grilos"). O "a" veio depois, por idéia de Lennon, que gostou do trocadilho com beat (ritmo, batida).

Guns n'Roses
Axl Rose teve uma banda chamada Hollywood Rose até 1985, quando formou outra com o guitarrista Tracii Guns, do L.A. Guns. O nome escolhido para o novo time foi uma mistura dos dois anteriores. Tracii só serviu para batizar a banda, pois logo deixou o grupo para dar lugar ao cabeludo Slash.

AC/DC
Angus e Malcolm Young se inspiraram na máquina de costura da irmã deles, que tinha a inscrição AC/DC(corrente alternada/corrente contínua, que indica que o aparelho funciona tanto na tomada quanto com bateria). Eles não sabiam que a sigla também é uma gíria para bissexuais.

Rolling Stones
Rollin’ Stone era o nome de um blues de Muddy Waters, ídolo do guitarrista Brian Jones, que decidiu botar o nome da música (cuja letra dizia que "pedra que rola não cria musgo") na banda. O "g" veio anos depois, dada a insistência de um empresário em prol do inglês correto.

Led Zeppelin
Keith Moon, baterista do The Who, disse a Jimmy Page que a banda dele iria voar como um balão de chumbo. Daí o nome "zepelim de chumbo", lead zeppelin. Depois Page tirou o "a" para que os fãs do grupo não pronunciassem "lid" - som que lead tem quando significa liderança.

Foo Fighters
Na 2ª Guerra, os pilotos americanos freqüentemente viam bolas de fogo e objetos não identificados enquanto sobrevoavam a Europa. Eles chamaram aquelas coisas de foo fighters: foo era o jeito americano de dizer as palavras francesas feu ("fogo") ou fou ("louco").

Ramones
Pura inspiração nos Beatles. Paul McCartney usava o nome Paul Ramon para evitar a imprensa quando dava entrada em hotéis. O baixista Douglas Colvin gostou da idéia, mudou seu nome para Dee Dee Ramone e convenceu os colegas a fazer o mesmo.

Limp Bizkit
Há duas teorias não confirmadas, cada uma com um significado da palavra limp. Na primeira, ela significa "mole", e o biscoito mole seria o cérebro do vocalista Fred Durst sob efeito da maconha. Mas a palavra também significa "manco", como um cachorro de Durst que se chamava Biscuit – a outra possível inspiração.

Sex Pistols
O nome da banda punk inglesa foi idéia do seu empresário. Malcolm McLaren se inspirou na sua butique de roupas, a Sex, e pensou que ficaria legal estender a marca para o nome da banda, acrescentando a palavra "pistola" para dar uma conotação ainda mais fálica àquele sexo punk.

Legião Urbana
Depois do fim da banda Aborto Elétrico, Renato Russo começou a tocar com o baterista Marcelo Bonfá. Antes de Dado Villa-Lobos aparecer, a idéia dos dois era revezar guitarristas e tecladistas para completar a banda. Uma legião de músicos, no caso.

Os Replicantes
No filme Blade Runner (1982), replicantes eram os andróides criados como réplicas dos humanos que acabavam se revoltando contra seus criadores. História perfeita para a banda punk gaúcha, numa época em que o filme com Harrison Ford era a coisa mais modernosa do mundo.

Paralamas do Sucesso
A banda de Herbert Vianna poderia se chamar As Plantinhas da Mamãe ou As Cadeirinhas da Vovó – o grupo ensaiava na casa da avó do baixista Bi Ribeiro. Foi ele que teve a ideia de mudar para Paralamas, que todos acharam curioso e ridículo o suficiente.

Capital Inicial
O nome da banda de Brasília não tem nada a ver com a capital federal. É que, como os músicos do grupo cantavam em festas e baladas só de brincadeira, não tinham dinheiro pra começar uma carreira profissional. Ou seja, faltava o "capital inicial".

Biquíni Cavadão
Quando tocavam músicas de Kid Abelha e Paralamas do Sucesso, o grupo de estudantes adolescentes recebeu uma visita do ilustre Herbert Vianna, que comentou: "Se eu tivesse essa idade, só pensaria em mulher, carros e biquíni cavadão". Daí pegou.
Tarso Araújo

12 de jul. de 2012

O saber e a sabedoria

O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.
Cora Coralina

Chamado do Amor

Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.
Khalil Gibran

Ideais

Os ideais que iluminaram o meu caminho são a bondade, a beleza e a verdade.
Albert Einstein

Custo da sabedoria

Há três métodos para ganhar sabedoria: 
primeiro, por reflexão, que é o mais nobre;
segundo, por imitação, que é o mais fácil; 
e terceiro, por experiência, que é o mais amargo.

Confúcio

9 de jul. de 2012

Brainstorm!


Satisfazer os desejos no impulso de um beijo e extravasar toda a vontade num instante de irracionalidade é presentear o meu ego. Mas, afinal, quem disse que o politicamente correto é realmente correto pra gente? Agora sou obrigada  a manter em segredo o que todo mundo, em seu íntimo, quer mas tem medo – Satisfazer os desejos.

Malditos contratos sociais! Uma prisão que consentimos e que muitas vezes condena à prisão perpétua o que sentimos. Vous Libére! Ame! try! Erre! Vivant!

Você não é meu, talvez nunca será, mas hoje eu sou sua e amanhã também, e assim serei até quando ao meu ego convier, pois é ele quem me mantem. Dizer-te que te amo? Não cairei nessa besteira, tolice!

Tudo bem, admito... nada que aqui te escrevo faz sentido aos olhos alheios. Só que eles não sabem do nosso segredo, o que torna tudo mais dislumbrante - eu sou você e você sou eu. Por isso, não precisamos procurar sentidos, nós apenas sentimos e nos entregamos. E isso basta.
Nossa, quem coloca título numa carta assim?! Enfim... Espero que recebas com carinho essa minha simples carta de amor.

Beijos,
de sua...
Scarlett Oliveira

7 de jul. de 2012

Dormir de conchinha


Proximidade é coisa que se aprende. Demora algum tempo para que a gente relaxe na presença do outro e extraia desse contato o prazer e a paz profundos que a intimidade física proporciona. Quando isso acontece, a gente descobre, invariavelmente, que está dormindo de conchinha.

Não sei o que existe nessa posição que a torna tão universalmente afetuosa. Pense nos filmes que você viu ou nos romances que você leu: quando o narrador da história quer sugerir que o casal está muito próximo ou apaixonado, faz com que ele a abrace pelas costas e os dois adormeçam “como duas colheres”, que é o jeito como os americanos descrevem essa posição. Talvez exista a mesma expressão em japonês, mongol ou na cultura tuaregue, do norte da África. Eu não me espantaria. Sendo o corpo humano igual no mundo inteiro, é provável que diferentes culturas usem as mesmas formas corporais para demonstrar carinho e dividir conforto.

No livro Tristes trópicos, do antropólogo francês Claude Levis-Strauss, já morto, há um momento em que ele descreve como os índios nômades nambikwara, do norte do Mato Grosso, (cuja cultura material era tão pobre que nem redes ou cabanas eles tinham), dormiam aglomerados em volta da fogueira, nus sobre o chão nu, os casais abraçados em conchinhas para se esquentar e proteger. Talvez venha daí, do tempo que éramos tão selvagens e tão pobres que só tínhamos o nosso próprio corpo, e o corpo dos outros como nós, nossa disposição ancestral de abraçar pelas costas e encaixar o rosto nos cabelos da mulher querida – para esquentar e proteger.

Apesar do progresso e da nossa imensa prosperidade material, acho que às vezes ainda nos sentimos como índios nambikwara. Ainda despertamos assustados, no meio da noite, assaltados por medos e inquietações tão humanas, tão profundas, que nem sabemos de onde eles vêm. Nesses momentos de vulnerabilidade, quando nos sentimos minúsculos e irremediavelmente solitários, abraçamos o corpo da parceira ou do parceiro como se ele fosse um refúgio, talvez o último, da nossa integridade ameaçada. 
Mas isso, como eu disse no início, leva tempo. Mesmo o instinto que parece se esconder atrás do abraço de conchinha precisa ser aprendido. Lembro de um tempo, quando eu era garoto, que a proximidade de outra pessoa na hora do sono não era assim tão confortável. Aplacado o desejo, eu procurava distância e liberdade de movimentos. Só aos poucos fui percebendo que havia naquele jeito de ficar um aconchego e uma calma que eu não conhecia. Como tantos dos gestos que compõem o nosso repertório afetivo, o abraço cheio de sono e de confiança teve de ser aprendido. 

No interior das relações ocorre o mesmo processo de experimentação e aprendizado. Para muitos, essa coisa de abraçar não funciona logo de cara. É preciso tempo e proximidade para que o gesto se torne natural. Há uma parceria silenciosa nos nossos enlaces que precisa ser construída. É inútil apressá-la e talvez haja relações em que elas nunca se manifestem. Talvez por causa do temperamento dos envolvidos. Talvez pelo caráter mesmo do que existe entre eles. 

Sei que algumas pessoas recusam até de forma inconsciente esse tipo de contato afetuoso. Elas o associam a acomodação. Escolhem manter a relação no que eu chamo de estágio do beijo, quando a fome e a curiosidade pelo outro ainda não foi saciada e parece que nunca será. Nesse momento sublime dos agarros, o acesso ao corpo do outro é 100% erótico. Apenas mãos, saliva, palavras. Tem gente que se embriaga disso e não quer sair. Evita o passo seguinte, em que o barato físico pelo outro dá lugar a outro tipo de coisa, mais suave e mais silenciosa – e os beijos famintos são substituídos, sem que se perceba, pelos abraços de conchinha. Não sei se alguém já fez um estudo científico sobre isso, mas parece que a convivência simultânea entre beijos famintos e abraços de conchinha é impossível no longo prazo. Vocês me digam. 

Da minha parte, sinto que há opções a fazer e que a gente as faz todos os dias, em favor do abraço de conchinha. Passada a turbulenta adolescência, tendemos a construir relações estáveis. Nelas, os abraços cheios de sono e intimidade são mais frequentes que os beijos apaixonados. Há uma troca que parece refletir as nossas necessidades profundas. Deixamos de lado a paixão incandescente pelo afeto profundo. Trocamos tesão por amor. Claro, essa não é uma solução inteiramente satisfatória. Nem definitiva. Mas parece ser aquela que de forma mais frequente atende a nossa insondável, dolorosa e contraditória humanidade – a mesma que nos acorda no meio da noite, inquietos, e nos faz procurar, no escuro, o calor e o conforto do corpo do outro.   

Ivan Martins 

O dever de afeto e a patologia da verdade


Grande parte do sofrimento decorre da impossibilidade de nomeá-lo; profissionais que atenderam pessoas atormentadas por segredos sabem o peso do que não é dito

Nos anos 60 a francesa Françoise Dolto (1908-1988) revolucionou a psicanálise da infância com uma ideia tão simples quanto eficaz: devemos contar a verdade para as crianças. 

Depois de anos experimentando efeitos deletérios de mentiras, ocultações e demais práticas adultas de negação da verdade, Dolto percebeu como grande parte do sofrimento experimentado por alguém decorre da impossibilidade de nomeá- lo. Tese complementar: a criança sempre sabe. 

Aquele que atendeu famílias corroídas pelo segredo, pessoas atormentadas por sua orientação sexual, crianças de quem se esconde uma adoção – destinos cercados por fantasias inadmitidas – sabe o peso que se acumula na verdade que não se diz. E esse peso é ainda maior quando o tempo coagula a verdade atribuindo a ela valor e potência que não se dilui, nem se troca, nem se desloca – sua lei maior, que é a do reconhecimento compartilhado. O direito à verdade torna-se um paradoxo quando nos faz supor a existência daquele que seria seu representante fiel e executor. São os pais diante dos filhos, os amantes e os amigos entre si, as testemunhas diante do ato, as instituições por todos nós, a transmissão da cultura em seu limite. 

Nada mais perigoso do que alguém que nesta tarefa quer nomear positivamente toda a verdade. Ou seja, ao direito de verdade corresponde um tipo de dever que poderíamos chamar de dever contingente. O dever de dizer no tempo certo, para aquele a quem esta verdade concerne, seguindo a prudência de que toda a verdade não pode ser dita, como argumentava Lacan, porque isso é impossível, faltam as palavras.

É preciso coragem para dizer esta verdade, ainda que não toda. Depois de décadas de desconstrução e de relativismo multiculturalista em teoria social parece cada vez mais claro que a verdade é uma categoria incontornável da vida ética e desejante. Contudo, ela deve ser abordada pelas vias do negativo. 

Posso não saber o que é a verdade em todos os casos, seu código universal ou a língua soberana na qual ela está escrita, mas sei reconhecer o mal-estar naquele silêncio, naquele capítulo em branco de minha história, naquela palavra esquecida, naquele gesto que não veio. Esse mal- -estar precisa de um nome para se tornar sofrimento e como tal ser tratado, reconhecido e recomposto. Um grão de verdade que se dispersará em novos saberes e diferentes narrativas. Por isso quando se argumenta que a Comissão da Verdade, recentemente instituída para investigar violações ocorridas no período militar, não funcionará porque não tem poderes para prender e processar os culpados, percebe-se esta lógica que pensa que a verdade sem força de lei é impotente e que reduz o direito ao código dos deveres obrigatórios. A justiça não é o direito porque este exclui os deveres contingentes.

É este dever contingente que está em jogo quando um pai recebe ordem judicial para pagar determinada quantia como reparação por não ter “reconhecido afetivamente” sua filha, ou quando se estipula que a prole tem uma espécie de direito natural ao afeto de seus pais. Mais além das obrigações de segurança e dos encargos com a manutenção e administração da vida, fica claro que há aqui uma patologia da verdade. Nada mais certo para provocar o ódio do que o imperativo universal e obrigatório para amar. Além de contraproducente, nos parece insensato que a lei, no sentido do direito, obrigue alguém a amar. E nos soa irrisório que codifiquemos o amor em uma série de comportamentos procedimentais. 

Portanto, não conseguimos estabelecer de forma necessária e positiva o que vem a ser o direito ao afeto. Quando o fazemos geralmente temos uma patologia incipiente ou em progresso. Mas isso não quer dizer que não seja possível reconhecer, sem dúvida ou hesitação, quando estamos diante de uma transgressão, seja em relação ao dever de verdade ou de direito ao afeto. E estes não se reparam apenas juridicamente pela coerção ou prescrição, mas por meio de palavras e atos de reconhecimento.
Gonçalo Viana

6 de jul. de 2012

Centenas de mães britânicas amamentam em protesto contra cafeteria


Centenas de mulheres realizaram um protesto na cidade de Bristol, na Inglaterra, contra um café que tratou mal uma mulher que estava amamentando o filho em público.
A mãe, Kelly Schaecher, estava no café quando um funcionário disse que ela tinha que ir para um canto mais reservado amamentar seu filho. Ela contou que, quando alertou outras mulheres, o funcionário gritou com ela.
O protesto, que reuniu cerca de 300 pessoas, foi convocado por redes sociais.
O gerente da cafeteria, Davide Portini, pediu desculpas e afirmou que o funcionário apenas estava perguntando se Kelly não queria ir para um local mais protegido, já que o café tem grandes janelas que dão para a rua.
Segundo Portini, tudo não passou de um mal-entendido
Na Grã-Bretanha, a amamentação em público é protegida e garantida por lei. 
BBC Brasil

5 de jul. de 2012

O que é combinado não é caro !

Riquelme falando ao celular com torcedores do Corinthians:
“Ok, já entregamos a Libertadores, agora soltem a minha mãe!”.

Perpetuum Jazzile - Wave

A mulher e o idiota

A mulher mais idiota pode dominar um sábio. Mas é preciso uma mulher extremamente sábia para dominar um idiota. 
Rudyard Kipling

Custo de oportunidade

Uma mulher perdoará um homem por tentar seduzi-la, mas não o homem que perde essa oportunidade quando ela lhe é oferecida
Charles Talleyrand-Périgord

Imagem a procura de reflexão

Mulher: a mais nua das carnes vivas e aquela cujo brilho é o mais suave. 
Antoine de Saint-Exupéry

Vida dura

Sou uma mulher polida vivendo uma vida lascada.
Alice Ruiz

4 de jul. de 2012

Cientistas comentam descoberta do bóson de Higgs


É, sem dúvida, a maior descoberta da física de partículas dos últimos 30 anos", disse o físico brasileiro Sérgio Novaes, professor titular da Unesp e líder do grupo de física de alta energia da universidade



Em um evento histórico, cientistas do LHC, o maior colisor de partículas do mundo, anunciaram nesta quarta-feira a descoberta de uma nova partícula fundamental da matéria. Os resultados são consistentes com o "bóson de Higgs", nome dado à partícula que ajuda a explicar como o mundo à nossa volta possui massa. Se o achado for mesmo o Higgs, significa que o modelo científico para explicar os fenômenos físicos, chamado Modelo Padrão da Física de Partículas, está correto. Não é um evento corriqueiro na ciência. A última vez que os cientistas detectaram uma nova partícula da natureza foi no fim da década de 1990, chamada quark top.


O evento dá continuidade a uma série de resultados divulgados ao longo dos últimos sete meses. Foi transmitido a partir das 4 da manhã de quarta-feira pela internet e chegou a entrar nos trending topics do twitter. No Brasil, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) montou um telão com tradução e comentários para jornalistas em São Paulo. 

No fim de 2011, os físicos já haviam vislumbrado o bóson de Higgs, mas os resultados não eram tão confiantes quanto os de agora. De acordo com os físicos, desta vez a certeza é de 5 sigma em dois experimentos independentes, o que na linguagem científica quer dizer que a chance de a descoberta ser uma obra do acaso é uma em 3 milhões. É o suficiente para classificá-la como descoberta formal.

Momento histórico - Diante de um auditório lotado (que contou com a presença ilustre de Peter Higgs, físico britânico que propôs o Bóson de Higgs na década de 1960) em Genebra, na Suíça, físicos dos dois maiores experimentos do LHC, chamados CMS e Atlas, confirmaram a presença de uma nova partícula entre 125 e 126 vezes mais pesada que o próton, a partícula que forma o núcleo dos átomos, e que parece possuir todas as características do bóson de Higgs. 

"Sabemos que é um bóson, o mais pesado já encontrado", disse o porta-voz do CMS, Joe Incandela. Os bósons são partículas que descrevem a força de interação entre outras partículas que formam a matéria, como os elétrons e os neutrinos. Um deles, o único ainda não observado em experimento, é o bóson de Higgs. "Acho que a encontramos", disse o próprio Higgs após a apresentação dos grupos.

Será? - De acordo com o físico Sérgio Novaes, professor titular da Unesp e líder do grupo de física de alta energia da universidade, a empolgação dos cientistas é grande. "É, sem dúvida, a maior descoberta da física de partículas dos últimos 30 anos", disse, por meio de teleconferência. Novaes acompanhou o anúncio no auditório em Genebra. "Essa nova partícula 'cheira' a Higgs e se parece com o Higgs, mas seria ela o Higgs?", disse Hélio Takai, também por teleconferência, pesquisador brasileiro que trabalha no Brookhaven National Laboratory, nos Estados Unidos.

Se a nova partícula não for o Higgs previsto pelo Modelo Padrão, existem outros sistemas teóricos que explicam a existência da partícula. É por isso que o capítulo derradeiro da busca pela partícula final do Modelo Padrão da Física de Partículas não acabou. Agora, os físicos do CERN vão determinar as características do novo bóson.

"Será uma nova era da física de partículas", disse Pedro Mercadante, professor da Universidade Federal do ABC. "É um passo muito importante porque, apesar de os resultados apontarem para o Bóson de Higgs, os cientistas precisam confirmar se as propriedades da nova partícula são as esperadas" disse. "A nova partícula precisa ser explicada pelos cálculos do modelo padrão", explicou Takai. "Se houver acordo entre teoria e prática, poderemos dizer que trata-se do bóson de Higgs. Isso pode ocorrer ainda este ano."


Saiba mais
 

BÓSON DE HIGGS
O bóson de Higgs é uma partícula subatômica prevista há quase 50 anos. Após décadas de procura, os físicos ainda não conseguiram nenhuma prova de que ela exista. O Higgs é importante porque a existência dele provaria que existe um campo invisível que permeia o universo. Sem o campo, ou algo parecido, nada do que conhecemos existiria. Os cientistas não esperam detectar o campo -- em vez disso, eles esperam encontrar uma pequena deformação nele, chamada bóson de Higgs.

De acordo com a teoria, o campo de Higgs foi 'ligado' um trilionésimo de segundo depois que o Big Bang iniciou a criação do universo. Antes desse momento, nenhuma partícula tinha massa e elas vagavam caoticamente na velocidade da luz. Quando o campo de Higgs foi ligado, algumas partículas começaram a sentir uma espécie de 'arrasto' à medida que se movimentavam, como se estivessem presas em uma cola cósmica. Ao se apoiar nas partículas, o campo deu a elas massa, fazendo com que elas se movessem mais devagar.

Esse momento foi crucial na formação do universo porque permitiu que as partículas se reunissem e formassem todos os átomos e moléculas que existem atualmente. Mas o campo de Higgs é seletivo. Partículas da luz, os fótons, se movem pelo campo como se ele não existisse. Como o campo não se apoia sobre os fótons, as partículas ficam sem peso e destinadas a se mover por aí na velocidade da luz para sempre. Outras partículas, como os quarks e os elétrons, são influenciadas pelo campo e ganham massa no processo.
Marco Túlio Pires - Veja

A "Partícula de Deus"

Uma corrida bilionária que já durou meio século pode estar chegando ao seu fim e a ciência estaria a um passo de uma de suas maiores descobertas: a existência da “partícula de Deus”. Na manhã de hoje, o Cern anunciou em Genebra o que é a mais importante prova da existência da partícula que, para muitos, fecharia a explicação sobre a formação do Universo. 

A apresentação apontou a descoberta de uma nova partícula subatômica que poderia ser o bóson de Higgs, abrindo uma nova era para a Física. “Atingimos um marco no nosso entendimento da natureza”, declarou Rolf Heuer, diretor do Cern. “A descoberta é consistente com o bóson de Higgs”, disse. A teoria é que é essa partícula que garante massa a todas as demais e, portanto, central na explicação do Universo. Conhecida fora do mundo da ciência como «partícula de Deus», trata-se da última fronteira não resolvida pela fisica. Nos anos 60, Peter Higgs desenvolveu uma teoria na qual uma energia invisível preencheria um vácuo no espaço. Ao se moverem, partículas são puxadas uma contra as outras, dando massa a um âtomo. 

Já as partículas da luz não sentem essa atração e não contam com massa. Sem a particular responsável por unir as demais, âtomos não conseguiram ser formados no início do Universo e a vida como a conhecemos hoje simplesmente não existiria. O problema é que sua partícula hipotética – o bóson de Higgs – jamais foi encontrada, pelo menos até hoje. Depois de acumular dados de milhares de choques de partículas no acelerador subterrâneo construído entre a Suíça e França e que custou US$ 8 bilhões, os cientistas praticamente confirmam a existência de sinais da partícula. 

Dois experimentos diferentes – os detectores Atlas e o CMS- se lançaram na corrida pela partícula no Cern e hoje estão comparando seus resultados. Joe Incandela, porta-voz do CMS, confirmou que seu experimento detectou fortes sinais da partícula. “São resultados muito sólidos”,disse. Ao mostrar a tabela, ele mesmo confessou: “nem posso acreditar”. “São indícios muito fortes”, disse. A margem de erro ou variação no dado é de um a cada 1 milhão de eventos. No Cern, cientistas insistem que o resultado final e a revelação sobre o “Santo Graal” da física só teria como rival a descoberta da estrutura do DNA, há 60 anos. 

“Essa é a semana mais excitante da história da física”, declarou Joe Lykken, do Fermi National Accelerator Lab (Fermilab) que conduiu as pesquisas nos Estado Unidos nesta semana. Se for confirmada sua existência, a descoberta abrirá o caminho para detalhar o funcionamento de âtomos e do próprio Universo.
Jamil Chade

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