12 de set. de 2012

O tempo, a Terra e a Lua


A Lua, segundo as teorias mais recentes, veio da Terra, arrancada por uma colisão cataclísmica com um planetoide do tamanho de Marte. Isso ocorreu na infância do Sistema Solar, uns 4,5 bilhões de anos atrás. Para quem aprecia referências bíblicas, a Lua é como Eva, nascida da costela de Adão, no caso, a Terra.

A matéria que foi assim arrancada acabou por se dispersar em torno da Terra e, aos poucos, foi se reaglutinando em um único corpo celeste, fadado a girar em torno de seu astro criador pela inexorável ação da gravidade.

Com isso, Terra e Lua têm suas dinâmicas interligadas desde a sua origem. Como a Lua veio da Terra, sua distância até nós já foi bem menor. Se hoje a Lua ocupa não mais do que uma área equivalente a uma unha no céu (em torno de meio grau), ela já foi bem mais visível.

Essa proximidade, devido ao fato de a força da gravidade cair com o quadrado da distância, significa que, no passado, a influência da Lua sobre a Terra, e a da Terra sobre a Lua, era muito maior.

Hoje, o efeito mais óbvio dessa atração são as marés, duas altas e duas baixas por dia. Fazendo as contas, a força das marés varia com o cubo da distância, sendo ainda mais sensível à ela do que a atração gravitacional. Portanto, no passado, as marés eram mais dramáticas do que são hoje.

A intensidade era tal que oceanos podiam se elevar por centenas de metros, e a própria crosta terrestre pulsava, variando em altitude por dezenas de metros, como se fosse feita de massa de modelar. Aos poucos, a Lua foi se afastando da Terra, como continua a fazê-lo, numa taxa de 4 cm ao ano. Isso significa que o efeito de maré diminui com o tempo. E os dias vão se tornando cada vez mais longos.

Muita gente me pergunta se o tempo anda passando mais rápido do que antigamente. A resposta é não; um minuto continua sendo um minuto, já que a definição de minuto não mudou. O que muda sempre é a duração do dia, mesmo que de modo imperceptível para nós. Estimativas atuais afirmam que a duração de um dia, uma revolução completa da Terra em torno de si mesma, aumenta 1,7 microssegundos por século. Com esse passo de tartaruga, meio bilhão de anos atrás o dia durava um pouco mais de 22 horas, e um ano tinha 397 dias.

Esse efeito vem, também, das marés. A Lua, que hoje nos mostra sempre a mesma face, já girou de maneira diferente. No futuro longínquo, com a desaceleração contínua da rotação da Terra, o dia durará 47 horas, e a distância até a Lua será 43% maior do que é hoje.

A essa altura, a Terra girará em torno de seu eixo com o mesmo período no qual a Lua girará em torno da Terra. A Lua estará sempre sobre o mesmo ponto do nosso planeta, como hoje o fazem os satélites geossíncronos. Será um futuro estranho, muito diferente de hoje, quando a Lua ainda é generosa com todos na Terra. Mas isso só ocorrerá dentro de bilhões de anos.

Pensando sobre esses efeitos, vemos como tanto em nossas vidas é produto de convenções que, mesmo se tomadas como permanentes, não o são. Tudo vem da nossa percepção da passagem do tempo, a qual, numa vida de apenas uma centena de anos, é cega aos percalços lentos da dança dos astros.
Marcelo Gleiser

6 de set. de 2012

Para nunca mais esquecer os nomes





































Gugu, vontade de saber os nomes surgiu quando fomos montar o "Arnaldo".
Biel adorou.

E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só

...vou confessar então: meu coração não quer mais existir, meus olhos vermelhos, cansados de chorar querem sorrir...
Roberto Carlos

Ingratidão


Sofremos demais pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos.
Shakespeare

5 de set. de 2012

Gordo ativo é tão saudável quanto magro, dizem estudos



Dois estudos publicados hoje questionam o conceito já cristalizado de que gordura extra é sempre sinal de maior risco para a saúde. O fenômeno é chamado pelos pesquisadores de paradoxo da obesidade: em certos casos, os quilos além da conta não indicam perigo e podem até ser protetores.

A primeira pesquisa analisou dados de 43 mil americanos divididos em grupos conforme o nível de obesidade e os resultados em testes de colesterol, pressão arterial e condicionamento físico.

Após um acompanhamento de cerca de 14 anos, os médicos, liderados por Francisco Ortega, da Universidade de Granada (Espanha), perceberam que os obesos considerados saudáveis após os exames tiveram um risco 38% menor do que os não saudáveis de morrer por qualquer causa. A redução de morte por problema cardíaco ou câncer foi de 30% a 50%.

O desempenho desses gordos "em forma" ao longo do tempo foi similar ao dos magros saudáveis, segundo o estudo, publicado hoje no "European Heart Journal". Outro trabalho, na mesma edição da revista especializada, analisou, por três anos, a mortalidade de 64 mil suecos com problemas cardíacos (como angina e infarto) submetidos a um exame de imagem para determinar a saúde de suas artérias coronárias.

Os pacientes foram subdivididos de acordo com seu IMC (índice de massa corporal, calculado dividindo o peso em quilos pela altura ao quadrado, em metros).

O gráfico de mortalidade ficou em forma de "U": quem estava nos extremos (muito magros ou obesos mórbidos) tinha risco mais alto de morrer do que paciente intermediários, com sobrepeso ou obesidade moderada.

De acordo com o cardiologista Eduardo Gomes Lima, do Hospital 9 de Julho, esses achados propõem um questionamento ao uso do índice de massa corporal como método para avaliar obesidade.
"Dizer que um IMC a partir de 30 significa obesidade é suficiente? Nessa população vai ter obeso de verdade, mas também uma população com boa condição física, com muita massa magra. Não dá para colocar o IMC como grande definidor de prognóstico dos pacientes."

A pesquisa que acompanhou os americanos credita o melhor condicionamento físico dos obesos saudáveis como responsável pelo menor risco de morte observado nesse grupo em relação aos não saudáveis.

De acordo com o cardiologista Raul Santos, diretor da unidade de lípides do Incor (Instituto do Coração do HC de São Paulo), os exercícios reduzem o impacto dos efeitos prejudiciais da gordura.
"O exercício tem ação anticoagulante, ajuda a dilatação dos vasos e melhora a resistência à insulina, tendo um efeito contrário ao da obesidade. É melhor ser um obeso que se exercita do que um magro sedentário."

Para Santos, no caso do estudo com cardíacos, o efeito protetor conferido aos obesos moderados é mais difícil de explicar. Uma possibilidade é a de esse grupo ter pessoas com menos gordura abdominal, que produz substâncias inflamatórias e é um conhecido fator de risco cardíaco.
"Recomendamos a quem tem problema cardíaco perder peso, especialmente se a pessoa for barriguda."

Lima afirma que não se deve ficar com a impressão de que a obesidade não tem consequências. "A obesidade mórbida sempre está associada a um prognóstico pior."
Para ele, o importante é a necessidade de redefinir os limites da obesidade. "Talvez a gente esteja sendo muito rígido nessa avaliação."
Débora Mismetti


Editoria de arte/folhapress



O amor é fundamental

Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho...
Wave - Tom Jobim

Meu tédio


Nas paredes do meu tédio, escrevo teu nome.

Paul Éluard

Estudo polêmico diz que comida orgânica 'não é mais nutritiva'

Um estudo da universidade de Stanford, nos Estados Unidos, afirma que comida orgânica não é mais nutritiva do que os demais alimentos. 

Na média, não foi detectada diferença na tabela nutricional, embora os alimentos orgânicos demonstraram conter 30% menos agrotóxicos.

A pesquisa contradiz o que muitos especialistas dizem sobre alimentos orgânicos. Os resultados do estudo de Stanford foram criticados por ativistas que fazem campanha por agricultura sustentável e produtos orgânicos.

'Surpresos'. O trabalho analisou dados de 17 estudos, que compararam pessoas que comeram alimentos orgânicos com outras que ingeriram não-orgânicos. Também foram observados 223 trabalhos sobre os níveis de nutrientes, bactérias, fungos e agrotóxicos em vários alimentos, incluindo frutas, legumes, grãos, carnes, leite e ovos.

Comidas orgânicas são produzidas de maneira a evitar o uso de agrotóxicos e outros defensivos agrícolas e com padrões menos nocivos ao meio ambiente. Além disso, elas não podem ser modificadas geneticamente.

"Alguns acreditam que comida orgânica é sempre mais saudável e com mais nutrientes. Nós ficamos um pouco surpresos de não descobrirmos isso", conta o pesquisador-chefe, Crystal Smith-Spangler.

De acordo com o estudo, frutas e legumes contêm a mesma quantidade de vitaminas, e o leite não apresenta variação no teor de proteína e gordura. No entanto, algumas pesquisas apontaram que o leite orgânico possui mais ômega-3.

Alimentos orgânicos contém mais nitrogênio, o que de acordo com os pesquisadores se deve a diferenças no fertilizante usado e na técnica de colheita. Mas eles acreditam que isto não traz benefícios a saúde.

Críticas. 

A pesquisa foi divulgado na publicação médica Journal Annals of Internal Medicine, e foi criticada por muitos especialistas. Para os críticos, nenhuma das pesquisas analisadas durou mais de dois anos, o que impossibilitaria conclusões de longo prazo.

Além disso, as evidências usadas na pesquisa variaram muito, o que, de acordo com os pesquisadores, é explicado pelas diferentes condições climáticas e de solo.

A Associação do Solo, entidade britânica que faz campanha pelo plantio sustentável de comida, disse que o estudo contém falhas.

"Um estudo do Reino Unido usando uma análise correta das estatísticas descobriu que a maioria das diferenças nos níveis de nutrientes entre frutas e legumes orgânicos e não-orgânicos vistos neste estudo dos Estados Unidos são, na verdade, muito significativos", disse a entidade.
BBC Brasil

4 de set. de 2012

Reforma Íntima sem Martírio


Reforma íntima deve ser considerada como melhoria de nós mesmos e não a anulação de uma parte de nós considerada ruim. Uma proposta de aperfeiçoamento gradativo cujo objetivo maior é a nossa felicidade.
Quem está na reforma interior tem um referencial fundamental para se auto-analisar ao longo da caminhada educativa, um termômetro das almas que se aprimoram: inevitavelmente, quem se renova alcança a maior conquista das pessoas livres e felizes: O prazer de viver.
Convenhamos que há muitos companheiros queridos do nosso ideário  satisfeitos com o fato de apenas evitarem o mal, entretanto, estejamos alerta para a única referência ética que servirá a cada um de nós no reino da alma liberta da vida física: Fazer todo o bem que pudermos no alcance de nossas forças.
Para isso, somente trabalhando por uma intensa metamorfose  nos reinos do coração de onde procedem todos os males. Nossas imperfeições são balizas demarcatórias do que devemos evitar,um aprendizado que pode ser aproveitado para avançarmos.A postura de “ser contra”o passado é um processo de negação do que fomos, do qual a astúcia do orgulho aproveita para encobrir  com ilusões acerca de nossa personalidade. O ensino do Evangelho “reconcilia-te depressa com teu adversário enquanto estás a caminho com ele” é um roteiro claro.


Essa conciliação depende da nossa disposição de encarar a realidade sobre nós próprios, olhar para o desconhecido mundo interior, vencer as“camadas de orgulho do ego”, superar as defesas que criamos para esconder as “sombras”e partir para uma decidida e gradativa  investigação sobre o mundo das reações pessoais através da auto-análise, sem medo do que encontraremos.

Reformar é formar novamente, dar nova forma. Reforma íntima nada mais é que dar nova direção aos valores que já possuímos e corrigir deficiências cujas raízes  ignoramos ou não temos motivação para mudar. É dar nova direção a qualidades que foram desenvolvidas  na horizontalidade evolutiva,que conduziram o homem às conquistas do mundo transitório. Agora, sob a tutela da visão imortalista, compete-nos dirigir os valores amealhados na verticalidade para Deus, orientando as forças morais para as vitórias eternas nos rumos da elevação espiritual pelo sentimento.

O passado está arquivado como experiência intransferível e eterna; não há como matar o passado, porém, podemos vitalizá-lo com novos e mais ricos potenciais do espírito na busca do encontro como  o ser divino, cravado na intimidade profunda de nós próprios. Não há como extinguir o que aconteceu, todavia, podemos travar  uma relação sadia e construtora de paz com o pretérito...

Não são poucos os companheiros que demonstram silencioso desespero quando percebem que o esforço pessoal de melhoria parece insuficiente ou sem resultados.Para a maioria de nós, contrariedade significa que algo ou algum acontecimento não saiu como esperávamos, por isso algumas criaturas costumam dizer:nada na minha vida deu certo! É tudo uma questão de interpretação. Quase sempre essa expressão “não deu certo” quer dizer que não saiu conforme nosso egoísmo.
O desapontamento, portanto é altamente educativo quando a alma, ao invés de optar pela tristeza e revolta,  prefere enxergar o futuro diverso daquele que planejou e, no qual a grande meta da felicidade pode e deve estar incluída. Procure retornar ao ambiente sensório lentamente trazendo essa sensação de felicidade consigo mesmo, de auto-amor.

Repita sempre a vivência 
O êxito dependerá da disciplina na assiduidade e no cultivo do desejo de melhorar sua vida integral.
Seja feliz sempre.
Todos temos um incomparável valor perante a vida, compete-nos descobri-lo e viver plenamente.
Wanderley S. de Oliveira/ Ermance Dufaux

2 de set. de 2012

Craudete e Creuza


Duas amigas se encontraram num ponto de ônibus :

- E aí, Creuza, porque tu num foi nu pagodi onti ?

- Pagodi ? 
Qui pagodi qui nada, Craudete !
Ônti eu saí cum brancu di fechá o cumerciu...

- Tu saiu cum brancu ? Brancu mermo ?

- Tô falandu, muié! 
O nome dele é CRÁUDIO. 
O cara tá amarradão na minha figura ! 

- Me conta isso direitu, Creuza ! 
Cumu foi qui tu arranjô essa pérula ? 

-Tudo muito simpres, Craudete. 
Eu ia passandu pela rua, ele se agradou da minha pessoa, puxô cunversa e marcamo pra saí dinoite. 

- E onde foi que tu se incontrô com ele ? 

- Sincontrei ? 
Tu tá doida ?
O Craudio foi me buscá em casa, que ele é um homi muito do fino !
Hora marcada ! 
Veiu mi buscá di carro, minha nega ! 
Eu não deixei por meno e me enfeitei toda, naqueli justinho pretinhu e doradu. 
Subi naqueli tamancu vermeio e tasquei aquelis brincu pratiadu qui tu mi deu ! 

- Creuza, tu divia tá um arrazo !
Aí cês foram fazê um lanchi ? 

- E tu acha qui o Cráudio é homi di fazê lanchi ? 
Fomu num belu dum restauranti da Zona Sul. 
Cumi camarão, Craudete ! 

- Tô toda arripiada ! 
I depois, Creuza ? 

- Depois nós fumo dançá numa buati de crasse.
Tiramu aquele sarro ! 
Tomei até uísqui 12 ano ! 
Mi esbardei ! 

- Qui inveja qui eu tô, muié !
Mi Nossa Sora Parecida !
Depois oceis foram pru motel, é craro ! 

- Craro qui não ! 
Não fala bestera, Craudete ! 
É craro qui nós fumo pru apartamentu dele ! 
Qui apê, mulé !
Um luxo só ! 
Sabe daquelis sofá que afunda quandu agente senta ? 
Pois é ! 

- Deus seja louvadu ! 
E aí, Creuza ? 
Já tô ficandu toda impipocada ! 

- Bom, aí nóis cumeçamu a namorá. Beiju pra lá, beiju pra cá.
Fumo tirandu a rôpa...
E aí ele pediu preu pegá o pênis dele ! 

- Péra aí, Creuza ! 
Pênis ? 
Qui diabu é issu ? 

- Pôrra, Craudete, comu tu é inguinoranti !...

É o mesmu qui caraio, só qui é mais branquinhu, mais molinhu i mais menor !!!

1 de set. de 2012

Livre-se do mau humor


O sentimento aumenta o risco para doenças cardiovasculares, reduz a imunidade e dificulta a concentração, entre outros prejuízos. Mas a ciência aponta os caminhos para combatê-lo

Cilene Pereira, Mônica Tarantino e Monique Oliveira
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Sabe aqueles dias em que você acorda querendo brigar com a sombra, gritar com o filho porque ele derramou uma gota de leite na toalha da mesa e responder “bom dia por quê?” quando alguém simplesmente o cumprimentou? Você com certeza despertou sob o domínio do mau humor, esse sentimento tão familiar a todos e infelizmente cada vez mais comum. Embora para muitos possa parecer algo banal – sem repercussões além da própria cara feia e do incômodo sentido por quem está por perto –, esse estado de espírito traz muito mais prejuízos à saúde e à vida em geral do que se imaginava. Um crescente campo de pesquisas está revelando que episódios de mau humor causam no organismo danos importantes. “Ele provoca reações fisiológicas que resultam em diversos problemas de saúde”, afirma a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da seção brasileira da International Stress Management Association (Isma-BR), entidade voltada para o estudo e gerenciamento do estresse. Uma amostra do impacto pode ser observada nos resultados de uma pesquisa realizada pela instituição. De acordo com o trabalho, 85% dos indivíduos mal-humorados apresentam bruxismo ou rangem os dentes, 12% são hipertensos, 42% não têm boa qualidade de sono e 68% apresentam dificuldade de concentração. Além disso, eles sofrem o enfraquecimento do sistema de defesa do corpo, ficando vulneráveis ao ataque de vírus e bactérias, e mudanças metabólicas que contribuem para a maior contração dos vasos sanguíneos, o que eleva ainda mais o risco para doenças cardiovasculares.
Esses danos são basicamente consequência das mudanças provocadas pelo sentimento na química cerebral. Ele é uma resposta emocional a algo considerado uma ameaça ao bem-estar. Pode ser qualquer coisa: uma fechada no trânsito, um encontro com uma pessoa desagradável. Entendido dessa maneira, o cérebro se organiza para reagir a tal ameaça. Estruturas são acionadas e o resultado é a liberação em cascata de hormônios como a adrenalina e o cortisol. “Isso faz com que o corpo fique em estado de alerta máximo, com péssimo resultado para a saúde”, diz o neurologista Fernando Gomes Pinto, do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-SP).
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Existem conseqüências indiretas também. “O mau humor afeta os pulmões”, diz Ana Rossi. “Quando a pessoa está tensa por causa dele, a expansão pulmonar durante a respiração fica prejudicada. Há predominância da respiração torácica em lugar da abdominal, que é mais profunda”, diz a especialista. Segundo ela, isso faz com que o pulmão não funcione com eficiência. “Um dos resultados é uma sensação constante de cansaço”, explica Ana Rossi. Uma pesquisa da Universidade de Brasília com 64 trabalhadores da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, por sua vez, mostrou como o sentimento pode afetar a ergonomia no trabalho. De acordo com o estudo, a disposição inadequada dos elementos e ferramentas para a prestação de serviços leva a um ciclo de dores posturais e ansiedade, ao mesmo tempo causas e consequências do mau humor dos funcionários. “As localizações do guichê e da recepção de informação encontram-se inapropriadas. Os subordinados não conseguem encontrar os chefes nem os colegas”, descrevem os autores. “Há um predomínio da vivência do sofrimento com claros prejuízos fisiológicos individuais”, pontuaram.
Até aqui, está-se falando do mau humor normal, a que todos nós estamos sujeitos. Mas há um nível ainda mais perigoso: quando ele vira de fato uma doença. Nesse caso, recebe o nome de distimia. Trata-se de um mau humor que perdura por pelo menos dois anos, acompanhado por alterações do sono, do apetite (para mais ou para menos) e que encontra precedentes no histórico familiar. “Ela é um subtipo de depressão”, explica o psiquiatra Táki Cordás, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Segundo o médico, acredita-se que as pessoas com distimia já tiveram depressão em algum momento do passado e ficaram com um resíduo. “A distimia traz prejuízos para as relações e é incapacitante”, afirma o psiquiatra Luis Felipe de Oliveira Costa, do Programa de Estudos de Doenças Afetivas (Progruda), do HC-SP.
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O diagnóstico da doença é geralmente tardio. “A pessoa só vai procurar ajuda quando a vida já está muito comprometida”, explica Elie Cheniaux, pesquisador do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E, até esse período, o indivíduo já foi também exposto ao risco de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes e depósito de gordura abdominal (condição que eleva o risco para enfermidades cardíacas), entre outras questões. O cérebro também sofre. “Pode haver redução intelectual resultante de perda neuronal”, explica o psiquiatra Cordás. “O nível do hormônio cortisol fica muito mais alto, o que mata alguns neurônios”, diz. O tratamento é similar ao da depressão crônica. No entanto, há o registro de menos tolerância aos antidepressivos em pacientes distímicos. “Mas hoje já há opções bem mais toleráveis”, diz o psiquiatra Ricardo Alberto Moreno, também do Progruda. “Eles não afetam tanto a libido e as náuseas são menos frequentes.”
Não há uma resposta definitiva que explique, por exemplo, por que determinadas pessoas são mais mal-humoradas do que outras. O que se sabe é que, a exemplo de diversas outras características de personalidade, há o peso da genética e o peso do ambiente. Ou seja, filhos de pais marcadamente mal-humorados têm mais chance de manifestar o mesmo comportamento porque herdaram essa tendência e porque crescem em ambientes nos quais o sentimento predomina. “O mau humor é uma associação de temperamento, que nasce com você, com aquilo que você adquire com o meio”, resume o psiquiatra Cordás.
Mais recentemente, aprofundou-se uma linha de estudo que busca identificar outras causas para o mau humor. Descobriu-se que algumas doenças podem estar envolvidas no seu surgimento. A última pesquisa a revelar esse tipo de associação foi divulgada na edição de maio da publicação científica “Diabetes Technology & Therapeutics”. “Distúrbios de humor e sua relação com um controle ruim de glicose, que pode levar a sérias complicações causadas pela diabetes, é um tema de grande preocupação”, disse Satish Garg, da Universidade do Colorado (EUA). “Mas ainda não sabemos o que vem primeiro: se as oscilações de humor estão por trás da diabetes ou o contrário.” Um trabalho conduzido por cientistas da Universidade de Illinois (EUA) deu uma indicação de pelo menos parte da resposta. O estudo monitorou as concentrações de glicose em um grupo de mulheres portadoras de diabetes tipo 2 e concluiu que grandes oscilações da taxa de açúcar no sangue estão associadas a mau humor e baixa qualidade de vida, segundo escreveram os autores da pesquisa. Em outros casos, a relação está mais estabelecida. Um exemplo é a associação entre o hipertireoidismo e o sentimento. A hiperatividade da glândula tireoide pode deixar o paciente mais vulnerável a episódios de mau humor.
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DANOS
Segundo o psiquiatra Cordás, quando o mau humor
vira doença, pode prejudicar o cérebro
Todo o interesse pelo tema é resultante de uma importante constatação científica obtida nos últimos anos: o humor – neste caso, o bom – é mais vital para a nossa sobrevivência do que se pensava. Em primeiro lugar, ele foi uma das razões que possibilitaram a evolução da espécie humana, segundo uma corrente de pesquisas a respeito do assunto. No início do mês, por exemplo, cientistas da Universidade da Pensilvânia (EUA) divulgaram um estudo revelando que um bom senso de humor é uma das principais características procuradas pelas mulheres em possíveis parceiros – fator, portanto, que facilitou a reprodução humana ao longo das eras. “Essa característica pode ser entendida como um sinal de que o homem não é agressivo. A mulher entende que ele não a machucará nem à sua prole”, explicou à ISTOÉ Garry Chick, da Universidade da Pensilvânia (EUA), coordenador do trabalho. “E há pesquisas mostrando que os homens também gostam de mulheres que riem de suas piadas”, complementou o pesquisador. Na visão do psicólogo americano Peter Gray, professor do Boston College University (EUA), o humor também serviu como elemento agregador quando o homem ainda vivia em grupos. “Ele foi uma das maneiras encontradas para impedir brigas e discussões, ajudando a manter a paz entre os indivíduos e, consequentemente, a sobrevivência do grupo”, disse à ISTOÉ.
A outra razão vem da certeza de seu impacto sobre a saúde – tanto o mau quanto o bom. Se o primeiro, como demonstram as pesquisas, é bastante prejudicial, o segundo, ao contrário, é como um bálsamo para o organismo. Há uma profusão de trabalhos atestando seus benefícios. Na Universidade de Ohio (EUA), os cientistas concluíram que o sentimento está associado a uma melhora na qualidade de vida de portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica, caracterizada por dificuldade progressiva para respirar. Depois de analisarem as reações de 46 pacientes após assistir a vídeos divertidos, os pesquisadores concluíram que aqueles que exibiram maior senso de humor reportaram menos sintomas de depressão e ansiedade. “Acreditamos que os pacientes devem ser encorajados a participar de atividades que despertem o bom humor”, afirmou à ISTOÉ Charles Emery, líder do trabalho.
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Na Austrália, cientistas da University of New South Wales verificaram os efeitos positivos na contenção de crises de agitação de pacientes com demência. Parte da equipe de cuidadores de uma instituição que abriga idosos com demência foi treinada para usar o humor no trato dos doentes. “Constatamos que o humor e a brincadeira, quando usados regularmente, reduzem os níveis de agitação”, informou à ISTOÉ Lee-Fay Low, responsável pelo trabalho. A mesma estratégia revela-se útil para reduzir o medo de dentista, conforme demonstraram cientistas da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e também aumentar a tolerância à dor, como apontou estudo da Universidade da Califórnia (EUA). “Barreiras psicológicas podem ser quebradas pelo humor”, afirmou Jenny Bernson, coordenadora da experiência sobre o temor de dentista.
Ser bem-humorado ajuda até a memorizar melhor as informações. Esta foi a conclusão a que chegaram os cientistas da Universidade de Notre Dame (EUA) após experimento no qual acompanharam a capacidade de memória de 66 pessoas depois de terem sido expostas a desenhos animados. “Somos mais propensos a nos lembrar de coisas que achamos engraçadas. Isso pode ocorrer porque reagimos ao humor fisicamente”, explicou à ISTOÉ Alexis Chambers, líder da pesquisa. “Ele ativa áreas do cérebro importantes para o processamento das emoções e da memória”, complementou. A recomendação dos pesquisadores é usar o humor para auxiliar na memorização de informações. Uma das sugestões, por exemplo, é criar uma história divertida e embutir nela a informação a ser lembrada.
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Diante de tantas evidências, é mais do que necessário tentar se livrar do mau humor. É verdade, porém, que, dependendo do dia, isso não é nada fácil. “Mas é preciso ter em mente que parte dele pode ser manejada”, afirma a psicóloga Mônica Portella, especialista em terapia cognitivo-comportamental (objetiva mudar padrões de pensamentos que resultam em comportamentos prejudiciais), do Centro de Psicologia Aplicada e Formação, do Rio de Janeiro. “É um trabalho constante. A pessoa mal-humorada precisa se monitorar”, orienta.
Além de disciplina, há estratégias simples que podem ser adotadas para trocar a feição ranzinza por um rosto alegre. “As pessoas podem passar 15 minutos todas as noites pensando em três coisas engraçadas que aconteceram durante o dia”, sugeriu à ISTOÉ Willibald Ruch, da Universidade de Zurique, na Suíça. “Se fizerem isso por um período, terão uma espécie de diário de humor ao qual sempre poderão recorrer quando quiserem melhorar seu estado de espírito”, complementou. Há dois meses, Ruch e sua equipe publicaram um trabalho segundo o qual treinar algumas capacidades – manter o bom humor e expressar gratidão, por exemplo – aumenta significativamente a sensação de bem-estar. E de felicidade.
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Foto: Kelsen Fernandes; Gabriel Chiarastelli; Rogério Cassimiro; Gabriel Chiarastelli; Pedro Dias/Ag. Istoé

Mudanças

Nada é permanente, exceto a mudança.
Heráclito

Transformações


É muito estranho o tempo que estamos vivendo agora. Um tipo de mentalidade hitleriana que se espalhou pelo mundo ou ficou trancada no armário desde a época do ditador. Por racismo e preconceito o norueguês Anders Behring Breivick pediu desculpas aos colegas de ideologia por só ter matado 77 pessoas que não pensavam como eles, em vez de ter acabado com todos.
Um jogo de futebol, que sempre foi considerado um esporte saudável, agora passou a seguir, a sério, a música de Jackson do Pandeiro: “ Esse jogo não pode ser um a um, se o meu clube perder, mato um!”. Hoje em dia, a parte da torcida que perde, mata os torcedores do clube que ganha, como aconteceu com as torcidas do Vasco, Flamengo e Fluminense.
Não há mais discussão em família. Se o pai não concorda com a mãe, por exemplo, saca o revólver e dá um tiro nela por que a sopa estava fria ou outros motivos parecidos. E o que dizer das escolas onde as crianças morrem com tiros disparados contra elas sem saber por quê?
Talvez vingança da professora de matemática , cuja matéria os alunos, ou parte deles, implicam.
Então esses assassinos são consultados por médicos que declaram que eles não são loucos, mas têm apenas uma maneira diferente de pensar.
Eu, que pertenci à geração Paz e Amor, não que tenha participado dela, de carteirinha, como muitos que desistiram da vida cotidiana e foram pra Arembepe se drogar e olhar o mar, fiquei entre a paz e o Movimento Estudantil contra a ditadura militar, mas nossa guerra também era pela paz, contra torturas, prisões e  pela liberdade de pensamento.
Quanta gente deu a vida  por esses ideais nos anos 60, pra acabar nisso? Acaba a ditadura e libera o ditador que vive em cada um de nós? É isso que é liberar geral? Uma vida sem diálogos? A única coisa necessária é um revólver no bolso e estamos combinados assim? Tem também o dinheiro que substitui tudo: caráter, modo de pensar, jeito de agir.
Já fui assaltada oito vezes no Rio de Janeiro, do Leme ao Pontal. Mas continuo andando de metrô ou mesmo de ônibus, se tiver que ir à cidade, por exemplo. No metrô bato papo com todo mundo, gente que me conhece, gente que nunca me viu, papo que, em geral, começa comigo perguntando ao colega de banco onde devo saltar pra ir à rua tal.
Quando volto de ônibus pra casa, reparo em gente conhecida que finge que não me vê por vergonha de estar num ônibus. Então, viram de costas, põem o jornal no rosto ou mesmo  pensam em se atirar pela janela. Eu, não. Vou olhando a rota da cidade a Botafogo que fazia no Buick do meu pai, pois tudo naquela época era na cidade: médicos, dentistas, lojas. Então fiz uma viagem ao passado, que começou na Colombo, depois peguei o ônibus e fiquei olhando o Hotel Novo Mundo, a Praça Paris, que antigamente tinha bichos esculpidos nas folhas das árvores, em volta do lago, passei por aquele edifício cinzento que chamam de Dakota brasileiro, num estilo eclético, o edifício Biarritz que amo até hoje, o Palácio do Catete, a Igreja da Glória, linda em cima daquele morro, com exceção absoluta daquele cabeção do Getúlio na entrada da praça, em baixo. 
Qual é o sentido daquilo? O que faz ali?
Talvez tenha seguido os conselhos daquela música de Carnaval que cantávamos nos bailes infantis:
“Bota o retrato do velho, outra vez
Bota no mesmo lugar
Que o sorriso do velhinho
Faz a gente se alegrar...”
Será, meu Deus?
Maria Lucia Dahl

31 de ago. de 2012

Joaquim Barbosa - Merece o respeito do povo brasileiro

Joaquim Barbosa nasceu em Paracatu, noroeste de Minas Gerais. 

É o primogênito de oito filhos. Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram. 

Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público. 

Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado. 

Foi Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia e, após, foi advogado do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) (1979-84). 

Prestou concurso público para procurador da República, e foi aprovado. Licenciou-se do cargo e foi estudar na França, por quatro anos, tendo obtido seu mestrado e doutorado ambos em Direito Público, pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e 1993. Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 

Foi visiting scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000) e na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law (2002 a 2003). Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade.
Fonte: Wikipédia

29 de ago. de 2012

Cia. Repentistas do Corpo


Olá amigos, familiares e colegas!


É com prazer que convidamos a todos para a temporada de estreia do espetáculo "SAMBABEBOM". 
O novo trabalho interdisciplinar da Cia. Repentistas do Corpo é inspirado na cadência e na síncope do Samba.

Agradecemos bastante a ajuda na divulgação das apresentações que serão gratuitas.

Grande abraço,

Sérgio Rocha e Cláudia Christ
Cia. Repentistas do Corpo

ciarepentistasdocorpo.blogspot.com
(11) 35022824 e 991969838




27 de ago. de 2012

O homem que devora livros

 (Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Usa jeans e gosta de boteco o campeão de leitura da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa. Também revela jamais ter adoecido ou se sentido sozinho desde que aprendeu a ler. A média do ilustre letrado nos últimos 50 anos é de oito livros por mês – cerca de 4.800. No primeiro semestre de 2012, já foram 50 títulos “devorados”, retirados no setor de empréstimo domiciliar, no prédio anexo do Circuito Cultural Praça da Liberdade. Em 2011, sem contar as compras em livrarias, sebos e endereços da internet, foram 105 livros. Clóvis José Ferreira, de 64 anos, é homem simples, de raízes populares, viajante, gourmet, pai, avô e morador do Bairro Santa Tereza, Região Leste da capital.

Nascido em Manhuaçu, na Zona da Mata mineira, o aposentado, dono de pequeno negócio do ramo imobiliário, não queria aparecer. Acabou convencido a falar e tornar pública a paixão pela leitura, que o destaca entre os mais de 90 mil associados da biblioteca estadual. Encontro marcado no “berço” do sujeito magro e elegante, com entrada pela Avenida Bias Fortes – edifício que leva o nome do Professor Francisco Iglesias (1923-1999) – respeitado intelectual e historiador brasileiro. No andar superior, onde fica parte do acervo de 230 mil títulos, Clóvis passeia com a desenvoltura de conhecedor de todas as estantes e prateleiras. Não dá conta de conversar sem ir até os livros – seus prediletos – para recomendar leitura. São muitos, mal cabem na caderneta de mão.


O leitor lista dezenas de autores de “escrita mais fácil”, acessíveis a qualquer sujeito de mínima boa vontade. “Qualquer livro ruim é melhor do que livro nenhum”, complementa. Explica detalhes da literatura de John Grisham, Dickens, Harold Robbins – “na minha época, considerado pornográfico”, diverte-se –, James Ellroy, Dennis Lehane, Michael Connelly, James Clavell, Taylor Caldwell, entre outros tantos que venceram a velocidade da escrita da reportagem. Em cada corredor, muitas histórias, mergulhos vividos pelo homem da vista incansável. “Leitura não faz mal para a vista, leio desde os 8 anos e até hoje não precisei usar óculos. Tem gente que duvida. Aí, pego o catálogo e leio as letras mais miúdas. Pelo contrário, ter aprendido a ler nas condições mais precárias, em movimento e com pouca luz, fez com que a minha visão até melhorasse”, considera Clóvis, que na quinta-feira comemora 65 anos.


Gostos 


Segue passeio pelas prateleiras e comenta romances de mais de mil páginas – alguns, lidos duas vezes. “Gosto mesmo das biografias. O que não leio são os “modismos”. Essa onda de vampiro, de lista dos 10 mais, não me pega. Não é a minha praia”, revela. Entre os brasileiros de que mais gosta, Clóvis destaca Guimarães Rosa, Benito Barreto, Agripa Vasconcelos, Érico Veríssimo, Jorge Amado… “precisa mesmo dizer? São tantos…”. Conta ter prazer com a literatura policial: “Os personagens são riquíssimos”. Com 6 mil em espécie, de Ellroy, com 850 páginas, explica: “Ele escreve de modo direto, cortante. Gosto muito”. Em novo corredor, aponta para as prateleiras: “Os ingleses descobriram o filão da Idade Média e se tornaram especialistas. Olhe só a quantidade de livros”.

“Se fosse rico, não seria tão feliz. A felicidade é uma obrigação. Em mim não há espaço para as tristezas, para os aborrecimentos, depressão, nada disso”, diz. O jovem aposentado se orgulha de, até os 50 anos, ter dado volta ao mundo por meio da literatura. “Não tenho dúvida de que a vida que levo, a minha boa relação com o mundo e com o outro é resultado dos personagens e das histórias que conheci nos livros. A leitura melhora o ser humano. Quem lê é diferente. Não importa se você é pedreiro ou astronauta. Se você lê, o seu olhar vai além. Você se torna um profissional diferenciado. Entende e sabe identificar melhor as qualidades e os defeitos das pessoas”, considera. Para ele, se as pessoas lessem mais o mundo seria melhor. “Às vezes venho aqui e tem quatro pessoas, é triste isso.”


Simpático, ele é muito querido. Maria Aparecida Costa Duarte, coordenadora do setor de empréstimo domiciliar, há 16 anos entre os livros da Praça da Liberdade, cita o microempresário como exemplo de bom leitor. “Entre os mais velhos, tem gente que apenas pega os livros emprestados. O Clóvis não. Ele lê muito. Gosta de ler”, ressalta. Ao ver o ilustre leitor alvo da câmera entre as estantes, a funcionária de sorriso bonito dispara: “Tá parecendo um galã, heim!”. Tudo baixinho, muito respeitoso. Estamos na biblioteca.


Volta ao mundo pelas páginas
Tamanha intimidade alcançada com os continentes, levado pelas letras a conhecer a Europa e os Estados Unidos, para o aposentado pareceu uma nova visita. “Depois que me aposentei, passei 18 dias sozinho em Manhattan e parecia que eu conhecia a cidade. Não me senti um estrangeiro em Nova York. Talvez por todas as histórias lidas, passadas na ilha. Na Europa, me emocionei em Paris, diante do Arco do Triunfo. Portugal, nem posso dizer isso, mas chego a ver como o melhor da Europa”, sorri. Em meio às estantes, atende o telefone para tratar de negócios. Sem tirar o olho da prateleira, orienta o trabalho do outro lado da linha, saca um livro: Servidão humana, de William Somerset Maugham. “Este livro é fantástico. Li quando tinha 14 anos”.

Divorciado, pai da nutricionista Carolina, de 32, e da advogada Isabella, de 29, Clóvis conta há 10 anos ter descoberto novo amor. Mas volta a falar da outra paixão: os livros. “Já tive época de paixões diferentes: O profeta, de Khalil Gibran; A ratazana, de Günter Grass; A montanha mágica, de Thomas Mann…”. O aposentado, leitor ilustre, também é internauta, “dos bons”, cliente da Estante Virtual – site que oferta mais de 9 milhões de títulos, “incluindo difíceis e esgotados”. No entanto, mesmo com planos de adquirir seu tablet nos EUA, na próxima viagem, Clóvis não abre mão de ter um bom exemplar nas mãos. “Não acredito no fim dos livros e faço questão de continuar marcando presença na biblioteca. Na companhia dos livros, nunca me sinto só”. Em casa, não conta ou acumula títulos. Os que compra são para doação. Para ele, os livros precisam circular. “Devem estar sempre ao alcance de todos”, ensina.
Jefferson da Fonseca Coutinho

26 de ago. de 2012

A dimensão do profundo: o espírito


O ser humano não possui apenas exterioridade, que é sua expressão corporal. Nem só interioriadade, que é seu universo psíquico interior. Ele vem dotado também de profundidade, que é sua dimensão espiritual.
O espírito não é uma parte do ser humano ao lado de outras. É  o ser humano inteiro, que por sua consciência se percebe partencendo ao Todo e como porção integrante dele. Pelo espírito temos a capacidade de ir além das meras aparências, do que vemos, escutamos, pensamos e amamos.  Podemos apreender o outro lado das coisas, o seu profundo.  As coisas não são apenas "coisas". O espírito capta nelas símbolos e metáforas de uma outra realidade, presente nelas mas que não está circunscrita a elas, pois as desborda por todos os lados. Elas recordam, apontam e remetem à outra dimensão a que chamamos de profundidade.
Assim, uma montanha não é apenas uma montanha.  Pelo fato de ser montanha, transmite o sentido da majestade.  O mar evoca a grandiosidade, o céu estrelado, a imensidão, os vincos profundos do rosto de um ancião, à dura luta  da vida e os olhos brilhantes de uma criança, o mistério da vida. 
É próprio do ser humano, portador de espírito, perceber valores e significados e não apenas elencar fatos e ações.  Com efeito, o que realmente conta para as pessoas não são tanto as coisas que lhes acontecem mas o que elas significam para suas vidas e que tipo de experiências marcantes lhes proporcionaram. 
Tudo que acontece carrega, existencialmente, um caráter simbólico, ou podemos dizer até sacramental. Já observava finamente Goethe:”Tudo é passageiro não é senão  um sinal” (Alles Vergängliche ist nur ein Zeichen”). É da natureza do sinal-sacramento tornar presente um sentido maior, transcendente, realizá-lo na pessoa e fazê-lo objeto de experiência. Neste sentido, todo evento nos relembra aquilo que vivenciamos e nutre nossa profundidade. 
É por isso que enchemos nossos lares com fotos e objetos amados de nossos pais, avós, familiares e amigos; de todos aqueles que entram em nossas vidas e que tem significado para nós.  Pode ser a última camisa usada pelo pai que morreu de um enfarte fulminante com apenas 54 anos, o pente de madeira da avó querida que faleceu já há anos ou a folha seca dentro de um livro, enviada pelo namorado cheio de saudades. Estas coisas não são apenas objetos;  são sacramentos que nos falam para o nosso profundo, nos lembram pessoas amadas ou acontecimentos significativos para nossas vidas
O espírito nos permite fazer uma experiência de não dualidade, tão bem descrita pelo zenbudismo. “Você é o mundo, é o todo” dizem os Upanishads  da Índia enquanto o guru aponta para o universo.  Ou “Você é tudo”, como muitos iogues dizem.  O Reino de Deus (Malkuta d’Alaha ou ‘os Princípios Guias do Todo) estão dentro de vós”, proclamou Jesus.  Estas afirmações nos remetem a uma experiência viva ao invés de uma simples doutrina. 
A experiência de base é que estamos ligados e religados (a raiz da palavra religião) uns aos outros e todos com a Fonte Originária.  Um fio de energia, de vida e de sentido passa por todos os seres tornando-os um cosmos ao invés de caos, uma sinfonia ao invés de cacofonia. Blaise Pascal que além de genial matemático era também místico, disse incisivamente; “É o coração que sente Deus, não a razão” (Pensées, frag. 277).  Este tipo de experiência transfigura tudo.  Tudo se torna permeado de veneração e unção.
As religiões vivem desta experiência espiritual. Elas são posteriores a ela. Articulam-na em doutrinas, ritos, celebrações e caminhos éticos e espirituais.  Sua função primordial é criar e oferecer as condições necessárias para permitir a todas as pessoas e comunidades mergulharem na realidade divina e atingir uma experiência pessoal do Espírito Criador. 
Esta experiência, precisamente por ser experiência e não doutrina, irradia serenidade e profunda paz, acompanhada pela ausência do medo.  Sentimo-nos amados, abraçados e acolhidos pelo Seio Divino.  O que nos  acontece, acontece no seu amor.  Mesmo a morte não nos mete medo; é assumida como parte da vida, como o grande momento alquímico da transformação que nos permite estar verdadeiramente no Todo, no coração de Deus. Precisamos passar pela morte para viver mais e melhor
Leonardo Boff 

25 de ago. de 2012

Tapinha de amor


Lista Forbes

E a lista da Forbes das mais poderosas do mundo: 
1) Merkel 
2) Hillary 
3) Dilma 
e em 82) Gisele! 
Agora bota todas peladas e refaz a lista!
José Simão

O que queremos?

Não sabemos escolher o que nos trará felicidade. E o que queremos nem sempre é o que precisamos
Epicuro

Amor e desejo

Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro
Carl Jung

Onde está a paz?

A paz vem de dentro de você mesmo. Não a procure à sua volta.
Buda

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