16 de set. de 2012

Melhorando minha autoestima


Pessoal to tentando aumentar minha auto-estima. Aos poucos eu acho que conseguirei chegar lá. Agora consigo tratar todo mundo bem, é impressionante, trato bem até meus inimigos!


Esta sendo muito bom, eles agora estão até gostando de mim (algo que eu pensei que nunca fosse acontecer).Se eu quiser posso ficar aqui até amanhã escrevendo...

São 3 horas da manhã. Porém, escrevo isso! 


Gostaria de ressaltar que tenho 16 anos e penso que se continuar assim, vou conseguir, viver essa vida de uma forma muito feliz!

Comecei agora com isso, tem 2 semanas que to me sentindo bem!

O importante é saber que nunca seremos "perfeitos" temos que nos controlar, porque deve chegar um dia que eu devo pensar: "Ah, eu sou muito bom com tudo mundo, nossa sou perfeito e tal".

Vou ter que perceber isso tudo, nunca falar muito, ouvir na maioria das vezes.

Graças a Deus enquanto eu era meio que um viciado em jogos e tal, eu estudava muito, era bom aluno, e portanto eu falo inglês e espanhol fluentemente, "tô" tentando melhorar meu português. Também estudava muita geografia, história, matemática, mas nunca estudei química, física e redação. Agora pretendo as estudar. 

Enfim pessoal, é isso aí, está sendo muito bom viver dessa maneira, mas sei que hei de melhorar em muita coisa e que nunca poderei me achar perfeito! 
Terei de tomar cuidado e precisar que meus amigos me avisem, me auxiliem em momentos difíceis. 

É isso aí pessoal, vou tentar melhorar, mas pelo menos estou aprendendo um pouco, um pouquíssimo do que é VIVER! 
Temos que aprender muito e nunca parar de aprender! 

Sem dúvidas, viver é muio bom, mas eu ainda não atingi esse "máximo" e nunca atingirei! 

Mas lembrem-se a vida é complexa e todo mundo no início nos critica, nos chama de doidos, malucos, mas aos poucos, nos manerando e mostrando para as pessoas quem realmente queremos ser, é a melhor maneira de ser feliz! 

Um abraço para todos vocês e desejo do fundo do meu coração, uma excelente vida para vocês e que todos sejam felizes! 

OBS: Terminei de ler este texto e não sei como escrevi isso tudo.
Guilherme

Compartilho e-mail recebido do Guilherme após ler: A arte de viver bem consigo mesmo

15 de set. de 2012

Ratos e Homens


Quando o ex-presidente Lula indicou o nome do procurador Joaquim Barbosa para o Supremo Tribunal Federal, em 2003, aplaudiu a si mesmo por mais esse lance da genialidade política que lhe é atribuída. 
Tornava-se, com isso, “o primeiro presidente deste país” a levar um negro à mais alta corte de Justiça do Brasil ─ o que não é bem assim, pois antes de Barbosa o STF teve dois ministros mulatos, já esquecidos na bruma dos tempos. 
Mas o que vale nas coisas da política, em geral, é o que se diz ─ e o que se disse é que havia ali um plano magistral. O novo ministro, agradecido pela honra recebida, seria um belo amigo do governo nas horas difíceis. Acontece que os melhores planos, muitas vezes, não acabam em bons resultados; o que decide tudo, no fim das contas, são os azares da vida. O grande problema para Lula foi que o único negro disponível para ocupar o cargo era Joaquim Barbosa ─ e ali estava, possivelmente, uma das pessoas menos indicadas para fazer o que esperavam dele.
Para começo de conversa, Barbosa dá a impressão de detestar, positivamente, o rótulo de primeiro “ministro negro” do STF. Não quer que pensem que está lá para preencher alguma espécie de “cota”; a única razão de sua presença no STF, julga o ministro, são seus méritos de jurista, adquiridos em anos de trabalho duríssimo e sem a ajuda de ninguém. Nunca precisou do apoio da “comunidade negra”, nem da secretaria da igualdade racial, ou coisa que o valha. Também não parece se impressionar, nem um pouco, com gente de origem humilde. É filho de um pedreiro do interior de Minas Gerais, tornou-se arrimo de família na adolescência e ao contrário de Lula, que não bate ponto desde que virou líder sindical, em 1975, Barbosa começou a trabalhar aos 16 anos de idade e não parou até hoje.
O ministro, além disso, é homem de personalidade notoriamente difícil, sujeita a ásperas mudanças de humor e estoques perigosamente baixos de paciência. É atormentado por uma hérnia de disco que lhe causa dores cruéis e o obriga muitas vezes a ficar de pé durante as sessões do STF. É, em suma, o tipo de pessoa que se deve tratar com cuidado. Lula e o PT fizeram justamente o contrário. Quando Barbosa se tornou relator no processo do mensalão, em 2006, continuaram apostando todas as fichas na histórica impunidade com que são premiados no Brasil réus poderosos e capazes de pagar advogados caros. Descobriram, agora, que o trabalho de Barbosa puxou as condenações em massa no julgamento do mensalão ─ e jogou uma banana de dinamite no sistema de corrupção que há dez anos envenena a vida pública no Brasil.
A primeira trovoada séria veio quando o ministro aceitou a denúncia da procuradoria contra os quarenta do mensalão. Na época, o único deles com cabeça foi o ex-secretário-geral do PT Silvio “Land Rover” Pereira; não contestou a acusação, foi punido com prestação de “serviços comunitários” e acabou resolvendo seu caso a preço de custo. Os demais, guiados pelo farol de Lula, preferiram ficar debochando. Durante o tempo todo, ele sustentou que o mensalão “nunca existiu”. Quando o julgamento começou, disse que não iria acompanhar nada: “Tenho mais o que fazer”. Delúbio Soares, operador-mor do guichê de pagamento do esquema, afirmou que tudo iria acabar em “piada de salão”. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, garantiu que o povo estava interessado, mesmo, é na novela das 9. O que queriam com isso? Imaginavam que Joaquim Barbosa, trabalhando como um burro de carga, com a tortura da dor nos quadris e seu temperamento de porco-espinho, estava achando engraçado ouvir que o seu esforço era uma palhaçada inútil? Lula e sua tropa tinham certeza de que o processo iria se arrastar até o Dia do Juízo Final. O ministro Barbosa, hoje, poderia dizer: “Não contavam com a minha astúcia”. No caso, sua astúcia foi entender a diferença entre “muito tempo” e “nunca”. Tudo seria demorado, claro. Mas ele tinha certeza de que terminaria o seu trabalho ─ e que os 80% de popularidade de Lula, aí, não iriam servir para nada.
Em sua curta obra-prima Ratos e Homens, um dos clássicos da literatura populista americana, John Steinbeck se inspira num antigo poema escocês para nos dizer que os mais bem cuidados planos deste mundo, sejam feitos por ratos ou por homens, são coisas frágeis; podem ser desfeitos pela roda do acaso, que é indiferente tanto aos projetos mais humildes quanto aos mais ambiciosos, e só acabam deixando mágoa e dor. Joaquim Barbosa talvez faça com que os mensaleiros se lembrem disso por muito tempo.
J R Guzzo

13 de set. de 2012

Conselhos simples

Utilize as horas com moderação, realizando cada tarefa por sua vez, sem interrupção.

Trabalho continuado - rendimento vultuoso.

Modifique, sem mais tardança, o conceito negativo a respeito de quem você conheceu num momento infeliz.

A opinião má que se renova contribui para a sementeira da fraternidade.

Antes que os labores diurnos o surpreendam, realize no leito a comunhão com o Senhor, através da meditação.

O homem mantém a comunicação com o Pai Celeste pelos invisíveis fios do pensamento.

Resguarde-se da enfermidade, cultivando a higiene mental.

Mente asseada - corpo equilibrado.

Recolha, em cada dificuldade, a mensagem oculta de advertência para a vida.

Obstáculo vencido - aprendizagem inesquecível.

Acomode-se ao temperamento alheio, vencendo as imposições do instinto, quando a serviço do auxílio.

Quem relaciona dificuldades não dispõe de tempo para ajudar.

Receba o intrujão com delicadeza, expondo-lhe a verdade sem arrogância deliberada.

Todo usurpador se transforma em algoz de si mesmo.

Precavenha-se da agressão do ódio, pelo exercício do amor.

A constância no bem imuniza o homem contra o contágio das misérias morais.

Aceite o sofrimento como fenômeno natural da experiência evolutiva.

A enfibratura moral consolida-se no fragor das batalhas diárias.

Repare a terra submissa e boa, sulcada pelo arado para a dádiva do pão.

Aprenda com ela a lição da humildade e deixe que o Agricultor Compassivo transforme sua vida num seminário de amor para o bem de todos.
Marco Prisco - Psicografia de Divaldo Franco

A estética do adultério


No tocante ao processo de abordagem proposto pela ficção pátria sobre a temática do adultério, após a publicação de Dom Casmurro, de Machado de Assis, sem sombra de dúvida foi o romancista Jorge Amado, com o seu Dona Flor e seus dois maridos, com humor, criatividade e irreverência, o principal responsável pela revisão estética referente à traição feminina na literatura brasileira. A fabulosa e imaginativa contribuição do autor de Capitães de Areia se dá pelo fato de que, guardada as devidas proporções cronológicas, tal enredo em que está envolto o triângulo amoroso composto por Florípedes, Teodoro Madureira e Vadinho se equipararia ao esboço ficcional representado por Bento, Escobar e Capitu.
Protagonizado por um célebre boêmio conhecido como Vadinho, que retorna do além para reatar os laços matrimoniais com a sua jovem e bela esposa, o subterfúgio narrativo utilizado em Dona Flor..., a princípio, se assemelha a outro registro literário machadiano intitulado Memórias póstumas de Brás Cubas. Em Dom Casmurro, porém, a mesma dúvida de adultério que recai sobre Capitu, no romance de Jorge Amado esbarraria na impossibilidade de traição de uma viúva com o inveterado jogador falecido numa eufórica manhã de Carnaval de Salvador. Destarte, o jogo de inversão do foco narrativo propõe, magistralmente, o esvaziamento da ideia de culpabilidade por sobre Florípedes, porque não seria verossímil que cometesse adultério com um sarcástico espectro de homem, representado pelo esposo que reaparecera para pôr à prova sua integridade de família.
De outra feita, poder-se-ia afirmar que, se o marido pródigo e beberrão ressuscitara para reatar as rédeas de um convívio social ilustrado por cabarés e cassinos, não seria o defunto-personagem Vadinho atraiçoado pelos feitiços de uma adúltera Dona Flor que, após o período de nojo e luto, professora de culinária se unira ao sistemático farmacêutico tocador de clarinete ou oboé, Teodoro Madureira? No registro machadiano, as inúmeras hipóteses articuladas por um incisivo estratagema de acusação contra a idoneidade moral de Maria Capitolina irá permear a tessitura do discurso assinalado pelo viés das contradições de um suposto marido traído, a impelir o leitor ao seguinte questionamento: afinal Capitu traiu ou não Bento Santiago?
A partir de reminiscências construídas com o nítido intuito de inculpar a cigana oblíqua com olhos de ressaca, o ex-seminarista e bacharel Bentinho dissecaria o seu caráter ardiloso e melífluo, desde ingênuos episódios de infância às furtivas ocasiões de encontro para se justificar a evidência da dissimulação incutida no espírito de Capitu.
Em resposta a Dom Casmurro, lembrem-se de que o ficcionista baiano dizia, aos quatro cantos, que fora escolha dela, Flor, que se definira pelos dois cônjuges que intitulam o magnífico livro de Jorge Amado. Os detratores de sua obra e estilo poderão se contrapor ao fato de vir de um escritor tão repudiado pelo cânon e academia a mais contundente resposta modernista sobre um assunto tão apreciado pelos pós-românticos Flaubert, Tolstói e Stendhal – o adultério feminino de Ema Bovary, de Ana Karenina e da senhora de Rênai.Muito provavelmente, com a malévola e habitual intenção de desqualificá-lo, irão alegar – quiçá empanzinados de soberba e aguerrida erudição forjada em gabinete ou escritório –, que, por pura intuição pornográfica, imaginara a saga de sua heroína a esbanjar uma genuína brasilidade pitoresca e mestiça, muito aquém da experiência shakespeariana empregada por Graciliano Ramos em São Bernado.  
Por empréstimo, enfim, apropriar-me-ei de uma profana paródia, que até poderia ser atribuída ao arguto e voraz espírito do memorialista Brás Cubas, cuja audácia aludira ao Pentateuco para se prevalecer de seu discurso póstumo: “Ó Senhor do Bonfim, Oxóssi e Iemanjá, perdoai-vos, porque eles não sabem o que escrevem sobre um velho mestre marinheiro!...” Decerto, a esta altura em companhia do patusco Quincas Borba numa mesa do Bar Vesúvio de propriedade do turco Nacib em Ilhéus ou nas mais insólitas paragens do firmamento em boa companhia de Caymmi e Caribé, um indiferente e folgazão Jorge Amado há de celebrar com moda de viola, cachaça, charuto e raparigas, o seu festejado centenário de vida e glória literária: “Se for falar de Teresa, meu bem, pergunte primeiro a mim”.    
 Wander Lourenço de Oliveira

12 de set. de 2012

Voyager completa 35 anos


Lançadas em 1977, as duas sondas ainda estão no Sistema Solar rumo ao espaço interestelar

Há 35 anos tinha início a maior viagem realizada até hoje por uma máquina feita pelo ser humano. As naves espaciais Voyager 2 e Voyager 1 foram lançadas, respectivamente, nos dias 20 de agosto e 5 de setembro de 1977 e ainda surpreendem os cientistas. As sondas construídas para a exploração interplanetária se dirigem para a borda de nosso sistema solar, próximas ao espaço interestelar. 

Apesar de ter sido lançada 16 dias após sua irmã gêmea, a Voyager 1 está mais distante. A localização atual dela é de 18,2 bilhões de quilômetros do Sol, cerca de 3 bilhões de quilômetros mais longe do que a Voyager 2, que em 13 de agosto se tornou a espaçonave mais antiga em atividade – batendo o recorde da Pioneer 6, lançada em dezembro de 1965 e que enviou sinais por 12.758 dias.

Cientistas acreditam que as naves do Projeto Voyager estejam atualmente na heliosfera, a bolha de partículas eletricamente carregadas sopradas para fora pelo Sol.

Desde 2004, a sonda Voyager 1 explora a região da bolha que envolve o Sistema Solar, onde os ventos solares se aquecem e experimentam uma incrível desaceleração de velocidade

Há muitos meses os cientistas têm observado que a Voyager 1 se comporta como se estivesse em plena travessia da fronteira em direção à matéria escura, ou o espaço interestelar.

Os especialistas só não sabem ainda quanto tempo levará para que a sonda rompa essa barreira. A torcida é para que isso aconteça antes de 2025, quando as baterias de plutônio das sondas devem acabar e ambas as máquinas irão prosseguir sua incrível odisseia pelo espaço de forma silenciosa.

Um dos que festejam cada nova descoberta como se fosse a última é Ed Stone, cientista do projeto da agência espacial norte-americana (Nasa) desde o lançamento das duas sondas. "A era espacial tinha apenas 20 anos e não havia nenhuma evidência de que qualquer espaçonave poderia viajar para tão longe do Sol", declarou o coordenador da missão em entrevista à revista Nature deste mês.



Para Stone, de 76 anos, detectar e caracterizar o limite do Sistema Solar – chamado de heliopausa – seria o bônus final para as sondas de mais de três décadas de idade. "Após 35 anos, as nossas espaçonaves estão prestes a fazer novas descobertas. Esperamos ansiosamente os sinais de que entramos no espaço interestelar", revelou o físico ao jornal The Guardian.

O que inicialmente foi planejado pela Nasa para ser uma missão de quatro anos, para capturar dados e imagens de Júpiter e Saturno, logo se estendeu para outros dois planetas. O feito a tornou ainda mais grandiosa graças a uma meticulosa correção de rota da Voyager 2, permitindo a nave que tem o tamanho de um carro popular se aproximar de Urano e Netuno.

Mas essa aventura interplanetária foi pensada ainda nos anos 1960, quando os cientistas decidiram aproveitar o raro alinhamento de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno para encurtar o caminho e economizar combustível, ao aproveitar a força gravitacional de cada planeta como impulso.

O ambicioso plano era uma oportunidade única para aquela geração, pois só se repete a cada 175 anos. E a história da ciência continua a ser escrita após as naves Voyager 1 e Voyager 2 terem revelado a atmosfera profunda e nebulosa da lua de Saturno, Titã, os vulcões da lua de Júpiter, Io, o campo incomum magnético de Urano, e os gêiseres de Tritão, o mundo gelado que orbita o planeta Netuno.

Ao ser questionado quanto ao fim dessa viagem aos confins do Sistema Solar, Ed Stone é sintético: "Uma coisa que a Voyager nos ensinou foi estarmos preparados para ser supreendidos".

Jornal da Tarde

O tempo, a Terra e a Lua


A Lua, segundo as teorias mais recentes, veio da Terra, arrancada por uma colisão cataclísmica com um planetoide do tamanho de Marte. Isso ocorreu na infância do Sistema Solar, uns 4,5 bilhões de anos atrás. Para quem aprecia referências bíblicas, a Lua é como Eva, nascida da costela de Adão, no caso, a Terra.

A matéria que foi assim arrancada acabou por se dispersar em torno da Terra e, aos poucos, foi se reaglutinando em um único corpo celeste, fadado a girar em torno de seu astro criador pela inexorável ação da gravidade.

Com isso, Terra e Lua têm suas dinâmicas interligadas desde a sua origem. Como a Lua veio da Terra, sua distância até nós já foi bem menor. Se hoje a Lua ocupa não mais do que uma área equivalente a uma unha no céu (em torno de meio grau), ela já foi bem mais visível.

Essa proximidade, devido ao fato de a força da gravidade cair com o quadrado da distância, significa que, no passado, a influência da Lua sobre a Terra, e a da Terra sobre a Lua, era muito maior.

Hoje, o efeito mais óbvio dessa atração são as marés, duas altas e duas baixas por dia. Fazendo as contas, a força das marés varia com o cubo da distância, sendo ainda mais sensível à ela do que a atração gravitacional. Portanto, no passado, as marés eram mais dramáticas do que são hoje.

A intensidade era tal que oceanos podiam se elevar por centenas de metros, e a própria crosta terrestre pulsava, variando em altitude por dezenas de metros, como se fosse feita de massa de modelar. Aos poucos, a Lua foi se afastando da Terra, como continua a fazê-lo, numa taxa de 4 cm ao ano. Isso significa que o efeito de maré diminui com o tempo. E os dias vão se tornando cada vez mais longos.

Muita gente me pergunta se o tempo anda passando mais rápido do que antigamente. A resposta é não; um minuto continua sendo um minuto, já que a definição de minuto não mudou. O que muda sempre é a duração do dia, mesmo que de modo imperceptível para nós. Estimativas atuais afirmam que a duração de um dia, uma revolução completa da Terra em torno de si mesma, aumenta 1,7 microssegundos por século. Com esse passo de tartaruga, meio bilhão de anos atrás o dia durava um pouco mais de 22 horas, e um ano tinha 397 dias.

Esse efeito vem, também, das marés. A Lua, que hoje nos mostra sempre a mesma face, já girou de maneira diferente. No futuro longínquo, com a desaceleração contínua da rotação da Terra, o dia durará 47 horas, e a distância até a Lua será 43% maior do que é hoje.

A essa altura, a Terra girará em torno de seu eixo com o mesmo período no qual a Lua girará em torno da Terra. A Lua estará sempre sobre o mesmo ponto do nosso planeta, como hoje o fazem os satélites geossíncronos. Será um futuro estranho, muito diferente de hoje, quando a Lua ainda é generosa com todos na Terra. Mas isso só ocorrerá dentro de bilhões de anos.

Pensando sobre esses efeitos, vemos como tanto em nossas vidas é produto de convenções que, mesmo se tomadas como permanentes, não o são. Tudo vem da nossa percepção da passagem do tempo, a qual, numa vida de apenas uma centena de anos, é cega aos percalços lentos da dança dos astros.
Marcelo Gleiser

6 de set. de 2012

Para nunca mais esquecer os nomes





































Gugu, vontade de saber os nomes surgiu quando fomos montar o "Arnaldo".
Biel adorou.

E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só

...vou confessar então: meu coração não quer mais existir, meus olhos vermelhos, cansados de chorar querem sorrir...
Roberto Carlos

Ingratidão


Sofremos demais pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos.
Shakespeare

5 de set. de 2012

Gordo ativo é tão saudável quanto magro, dizem estudos



Dois estudos publicados hoje questionam o conceito já cristalizado de que gordura extra é sempre sinal de maior risco para a saúde. O fenômeno é chamado pelos pesquisadores de paradoxo da obesidade: em certos casos, os quilos além da conta não indicam perigo e podem até ser protetores.

A primeira pesquisa analisou dados de 43 mil americanos divididos em grupos conforme o nível de obesidade e os resultados em testes de colesterol, pressão arterial e condicionamento físico.

Após um acompanhamento de cerca de 14 anos, os médicos, liderados por Francisco Ortega, da Universidade de Granada (Espanha), perceberam que os obesos considerados saudáveis após os exames tiveram um risco 38% menor do que os não saudáveis de morrer por qualquer causa. A redução de morte por problema cardíaco ou câncer foi de 30% a 50%.

O desempenho desses gordos "em forma" ao longo do tempo foi similar ao dos magros saudáveis, segundo o estudo, publicado hoje no "European Heart Journal". Outro trabalho, na mesma edição da revista especializada, analisou, por três anos, a mortalidade de 64 mil suecos com problemas cardíacos (como angina e infarto) submetidos a um exame de imagem para determinar a saúde de suas artérias coronárias.

Os pacientes foram subdivididos de acordo com seu IMC (índice de massa corporal, calculado dividindo o peso em quilos pela altura ao quadrado, em metros).

O gráfico de mortalidade ficou em forma de "U": quem estava nos extremos (muito magros ou obesos mórbidos) tinha risco mais alto de morrer do que paciente intermediários, com sobrepeso ou obesidade moderada.

De acordo com o cardiologista Eduardo Gomes Lima, do Hospital 9 de Julho, esses achados propõem um questionamento ao uso do índice de massa corporal como método para avaliar obesidade.
"Dizer que um IMC a partir de 30 significa obesidade é suficiente? Nessa população vai ter obeso de verdade, mas também uma população com boa condição física, com muita massa magra. Não dá para colocar o IMC como grande definidor de prognóstico dos pacientes."

A pesquisa que acompanhou os americanos credita o melhor condicionamento físico dos obesos saudáveis como responsável pelo menor risco de morte observado nesse grupo em relação aos não saudáveis.

De acordo com o cardiologista Raul Santos, diretor da unidade de lípides do Incor (Instituto do Coração do HC de São Paulo), os exercícios reduzem o impacto dos efeitos prejudiciais da gordura.
"O exercício tem ação anticoagulante, ajuda a dilatação dos vasos e melhora a resistência à insulina, tendo um efeito contrário ao da obesidade. É melhor ser um obeso que se exercita do que um magro sedentário."

Para Santos, no caso do estudo com cardíacos, o efeito protetor conferido aos obesos moderados é mais difícil de explicar. Uma possibilidade é a de esse grupo ter pessoas com menos gordura abdominal, que produz substâncias inflamatórias e é um conhecido fator de risco cardíaco.
"Recomendamos a quem tem problema cardíaco perder peso, especialmente se a pessoa for barriguda."

Lima afirma que não se deve ficar com a impressão de que a obesidade não tem consequências. "A obesidade mórbida sempre está associada a um prognóstico pior."
Para ele, o importante é a necessidade de redefinir os limites da obesidade. "Talvez a gente esteja sendo muito rígido nessa avaliação."
Débora Mismetti


Editoria de arte/folhapress



O amor é fundamental

Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho...
Wave - Tom Jobim

Meu tédio


Nas paredes do meu tédio, escrevo teu nome.

Paul Éluard

Estudo polêmico diz que comida orgânica 'não é mais nutritiva'

Um estudo da universidade de Stanford, nos Estados Unidos, afirma que comida orgânica não é mais nutritiva do que os demais alimentos. 

Na média, não foi detectada diferença na tabela nutricional, embora os alimentos orgânicos demonstraram conter 30% menos agrotóxicos.

A pesquisa contradiz o que muitos especialistas dizem sobre alimentos orgânicos. Os resultados do estudo de Stanford foram criticados por ativistas que fazem campanha por agricultura sustentável e produtos orgânicos.

'Surpresos'. O trabalho analisou dados de 17 estudos, que compararam pessoas que comeram alimentos orgânicos com outras que ingeriram não-orgânicos. Também foram observados 223 trabalhos sobre os níveis de nutrientes, bactérias, fungos e agrotóxicos em vários alimentos, incluindo frutas, legumes, grãos, carnes, leite e ovos.

Comidas orgânicas são produzidas de maneira a evitar o uso de agrotóxicos e outros defensivos agrícolas e com padrões menos nocivos ao meio ambiente. Além disso, elas não podem ser modificadas geneticamente.

"Alguns acreditam que comida orgânica é sempre mais saudável e com mais nutrientes. Nós ficamos um pouco surpresos de não descobrirmos isso", conta o pesquisador-chefe, Crystal Smith-Spangler.

De acordo com o estudo, frutas e legumes contêm a mesma quantidade de vitaminas, e o leite não apresenta variação no teor de proteína e gordura. No entanto, algumas pesquisas apontaram que o leite orgânico possui mais ômega-3.

Alimentos orgânicos contém mais nitrogênio, o que de acordo com os pesquisadores se deve a diferenças no fertilizante usado e na técnica de colheita. Mas eles acreditam que isto não traz benefícios a saúde.

Críticas. 

A pesquisa foi divulgado na publicação médica Journal Annals of Internal Medicine, e foi criticada por muitos especialistas. Para os críticos, nenhuma das pesquisas analisadas durou mais de dois anos, o que impossibilitaria conclusões de longo prazo.

Além disso, as evidências usadas na pesquisa variaram muito, o que, de acordo com os pesquisadores, é explicado pelas diferentes condições climáticas e de solo.

A Associação do Solo, entidade britânica que faz campanha pelo plantio sustentável de comida, disse que o estudo contém falhas.

"Um estudo do Reino Unido usando uma análise correta das estatísticas descobriu que a maioria das diferenças nos níveis de nutrientes entre frutas e legumes orgânicos e não-orgânicos vistos neste estudo dos Estados Unidos são, na verdade, muito significativos", disse a entidade.
BBC Brasil

4 de set. de 2012

Reforma Íntima sem Martírio


Reforma íntima deve ser considerada como melhoria de nós mesmos e não a anulação de uma parte de nós considerada ruim. Uma proposta de aperfeiçoamento gradativo cujo objetivo maior é a nossa felicidade.
Quem está na reforma interior tem um referencial fundamental para se auto-analisar ao longo da caminhada educativa, um termômetro das almas que se aprimoram: inevitavelmente, quem se renova alcança a maior conquista das pessoas livres e felizes: O prazer de viver.
Convenhamos que há muitos companheiros queridos do nosso ideário  satisfeitos com o fato de apenas evitarem o mal, entretanto, estejamos alerta para a única referência ética que servirá a cada um de nós no reino da alma liberta da vida física: Fazer todo o bem que pudermos no alcance de nossas forças.
Para isso, somente trabalhando por uma intensa metamorfose  nos reinos do coração de onde procedem todos os males. Nossas imperfeições são balizas demarcatórias do que devemos evitar,um aprendizado que pode ser aproveitado para avançarmos.A postura de “ser contra”o passado é um processo de negação do que fomos, do qual a astúcia do orgulho aproveita para encobrir  com ilusões acerca de nossa personalidade. O ensino do Evangelho “reconcilia-te depressa com teu adversário enquanto estás a caminho com ele” é um roteiro claro.


Essa conciliação depende da nossa disposição de encarar a realidade sobre nós próprios, olhar para o desconhecido mundo interior, vencer as“camadas de orgulho do ego”, superar as defesas que criamos para esconder as “sombras”e partir para uma decidida e gradativa  investigação sobre o mundo das reações pessoais através da auto-análise, sem medo do que encontraremos.

Reformar é formar novamente, dar nova forma. Reforma íntima nada mais é que dar nova direção aos valores que já possuímos e corrigir deficiências cujas raízes  ignoramos ou não temos motivação para mudar. É dar nova direção a qualidades que foram desenvolvidas  na horizontalidade evolutiva,que conduziram o homem às conquistas do mundo transitório. Agora, sob a tutela da visão imortalista, compete-nos dirigir os valores amealhados na verticalidade para Deus, orientando as forças morais para as vitórias eternas nos rumos da elevação espiritual pelo sentimento.

O passado está arquivado como experiência intransferível e eterna; não há como matar o passado, porém, podemos vitalizá-lo com novos e mais ricos potenciais do espírito na busca do encontro como  o ser divino, cravado na intimidade profunda de nós próprios. Não há como extinguir o que aconteceu, todavia, podemos travar  uma relação sadia e construtora de paz com o pretérito...

Não são poucos os companheiros que demonstram silencioso desespero quando percebem que o esforço pessoal de melhoria parece insuficiente ou sem resultados.Para a maioria de nós, contrariedade significa que algo ou algum acontecimento não saiu como esperávamos, por isso algumas criaturas costumam dizer:nada na minha vida deu certo! É tudo uma questão de interpretação. Quase sempre essa expressão “não deu certo” quer dizer que não saiu conforme nosso egoísmo.
O desapontamento, portanto é altamente educativo quando a alma, ao invés de optar pela tristeza e revolta,  prefere enxergar o futuro diverso daquele que planejou e, no qual a grande meta da felicidade pode e deve estar incluída. Procure retornar ao ambiente sensório lentamente trazendo essa sensação de felicidade consigo mesmo, de auto-amor.

Repita sempre a vivência 
O êxito dependerá da disciplina na assiduidade e no cultivo do desejo de melhorar sua vida integral.
Seja feliz sempre.
Todos temos um incomparável valor perante a vida, compete-nos descobri-lo e viver plenamente.
Wanderley S. de Oliveira/ Ermance Dufaux

2 de set. de 2012

Craudete e Creuza


Duas amigas se encontraram num ponto de ônibus :

- E aí, Creuza, porque tu num foi nu pagodi onti ?

- Pagodi ? 
Qui pagodi qui nada, Craudete !
Ônti eu saí cum brancu di fechá o cumerciu...

- Tu saiu cum brancu ? Brancu mermo ?

- Tô falandu, muié! 
O nome dele é CRÁUDIO. 
O cara tá amarradão na minha figura ! 

- Me conta isso direitu, Creuza ! 
Cumu foi qui tu arranjô essa pérula ? 

-Tudo muito simpres, Craudete. 
Eu ia passandu pela rua, ele se agradou da minha pessoa, puxô cunversa e marcamo pra saí dinoite. 

- E onde foi que tu se incontrô com ele ? 

- Sincontrei ? 
Tu tá doida ?
O Craudio foi me buscá em casa, que ele é um homi muito do fino !
Hora marcada ! 
Veiu mi buscá di carro, minha nega ! 
Eu não deixei por meno e me enfeitei toda, naqueli justinho pretinhu e doradu. 
Subi naqueli tamancu vermeio e tasquei aquelis brincu pratiadu qui tu mi deu ! 

- Creuza, tu divia tá um arrazo !
Aí cês foram fazê um lanchi ? 

- E tu acha qui o Cráudio é homi di fazê lanchi ? 
Fomu num belu dum restauranti da Zona Sul. 
Cumi camarão, Craudete ! 

- Tô toda arripiada ! 
I depois, Creuza ? 

- Depois nós fumo dançá numa buati de crasse.
Tiramu aquele sarro ! 
Tomei até uísqui 12 ano ! 
Mi esbardei ! 

- Qui inveja qui eu tô, muié !
Mi Nossa Sora Parecida !
Depois oceis foram pru motel, é craro ! 

- Craro qui não ! 
Não fala bestera, Craudete ! 
É craro qui nós fumo pru apartamentu dele ! 
Qui apê, mulé !
Um luxo só ! 
Sabe daquelis sofá que afunda quandu agente senta ? 
Pois é ! 

- Deus seja louvadu ! 
E aí, Creuza ? 
Já tô ficandu toda impipocada ! 

- Bom, aí nóis cumeçamu a namorá. Beiju pra lá, beiju pra cá.
Fumo tirandu a rôpa...
E aí ele pediu preu pegá o pênis dele ! 

- Péra aí, Creuza ! 
Pênis ? 
Qui diabu é issu ? 

- Pôrra, Craudete, comu tu é inguinoranti !...

É o mesmu qui caraio, só qui é mais branquinhu, mais molinhu i mais menor !!!

1 de set. de 2012

Livre-se do mau humor


O sentimento aumenta o risco para doenças cardiovasculares, reduz a imunidade e dificulta a concentração, entre outros prejuízos. Mas a ciência aponta os caminhos para combatê-lo

Cilene Pereira, Mônica Tarantino e Monique Oliveira
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Sabe aqueles dias em que você acorda querendo brigar com a sombra, gritar com o filho porque ele derramou uma gota de leite na toalha da mesa e responder “bom dia por quê?” quando alguém simplesmente o cumprimentou? Você com certeza despertou sob o domínio do mau humor, esse sentimento tão familiar a todos e infelizmente cada vez mais comum. Embora para muitos possa parecer algo banal – sem repercussões além da própria cara feia e do incômodo sentido por quem está por perto –, esse estado de espírito traz muito mais prejuízos à saúde e à vida em geral do que se imaginava. Um crescente campo de pesquisas está revelando que episódios de mau humor causam no organismo danos importantes. “Ele provoca reações fisiológicas que resultam em diversos problemas de saúde”, afirma a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da seção brasileira da International Stress Management Association (Isma-BR), entidade voltada para o estudo e gerenciamento do estresse. Uma amostra do impacto pode ser observada nos resultados de uma pesquisa realizada pela instituição. De acordo com o trabalho, 85% dos indivíduos mal-humorados apresentam bruxismo ou rangem os dentes, 12% são hipertensos, 42% não têm boa qualidade de sono e 68% apresentam dificuldade de concentração. Além disso, eles sofrem o enfraquecimento do sistema de defesa do corpo, ficando vulneráveis ao ataque de vírus e bactérias, e mudanças metabólicas que contribuem para a maior contração dos vasos sanguíneos, o que eleva ainda mais o risco para doenças cardiovasculares.
Esses danos são basicamente consequência das mudanças provocadas pelo sentimento na química cerebral. Ele é uma resposta emocional a algo considerado uma ameaça ao bem-estar. Pode ser qualquer coisa: uma fechada no trânsito, um encontro com uma pessoa desagradável. Entendido dessa maneira, o cérebro se organiza para reagir a tal ameaça. Estruturas são acionadas e o resultado é a liberação em cascata de hormônios como a adrenalina e o cortisol. “Isso faz com que o corpo fique em estado de alerta máximo, com péssimo resultado para a saúde”, diz o neurologista Fernando Gomes Pinto, do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-SP).
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Existem conseqüências indiretas também. “O mau humor afeta os pulmões”, diz Ana Rossi. “Quando a pessoa está tensa por causa dele, a expansão pulmonar durante a respiração fica prejudicada. Há predominância da respiração torácica em lugar da abdominal, que é mais profunda”, diz a especialista. Segundo ela, isso faz com que o pulmão não funcione com eficiência. “Um dos resultados é uma sensação constante de cansaço”, explica Ana Rossi. Uma pesquisa da Universidade de Brasília com 64 trabalhadores da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, por sua vez, mostrou como o sentimento pode afetar a ergonomia no trabalho. De acordo com o estudo, a disposição inadequada dos elementos e ferramentas para a prestação de serviços leva a um ciclo de dores posturais e ansiedade, ao mesmo tempo causas e consequências do mau humor dos funcionários. “As localizações do guichê e da recepção de informação encontram-se inapropriadas. Os subordinados não conseguem encontrar os chefes nem os colegas”, descrevem os autores. “Há um predomínio da vivência do sofrimento com claros prejuízos fisiológicos individuais”, pontuaram.
Até aqui, está-se falando do mau humor normal, a que todos nós estamos sujeitos. Mas há um nível ainda mais perigoso: quando ele vira de fato uma doença. Nesse caso, recebe o nome de distimia. Trata-se de um mau humor que perdura por pelo menos dois anos, acompanhado por alterações do sono, do apetite (para mais ou para menos) e que encontra precedentes no histórico familiar. “Ela é um subtipo de depressão”, explica o psiquiatra Táki Cordás, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Segundo o médico, acredita-se que as pessoas com distimia já tiveram depressão em algum momento do passado e ficaram com um resíduo. “A distimia traz prejuízos para as relações e é incapacitante”, afirma o psiquiatra Luis Felipe de Oliveira Costa, do Programa de Estudos de Doenças Afetivas (Progruda), do HC-SP.
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O diagnóstico da doença é geralmente tardio. “A pessoa só vai procurar ajuda quando a vida já está muito comprometida”, explica Elie Cheniaux, pesquisador do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E, até esse período, o indivíduo já foi também exposto ao risco de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes e depósito de gordura abdominal (condição que eleva o risco para enfermidades cardíacas), entre outras questões. O cérebro também sofre. “Pode haver redução intelectual resultante de perda neuronal”, explica o psiquiatra Cordás. “O nível do hormônio cortisol fica muito mais alto, o que mata alguns neurônios”, diz. O tratamento é similar ao da depressão crônica. No entanto, há o registro de menos tolerância aos antidepressivos em pacientes distímicos. “Mas hoje já há opções bem mais toleráveis”, diz o psiquiatra Ricardo Alberto Moreno, também do Progruda. “Eles não afetam tanto a libido e as náuseas são menos frequentes.”
Não há uma resposta definitiva que explique, por exemplo, por que determinadas pessoas são mais mal-humoradas do que outras. O que se sabe é que, a exemplo de diversas outras características de personalidade, há o peso da genética e o peso do ambiente. Ou seja, filhos de pais marcadamente mal-humorados têm mais chance de manifestar o mesmo comportamento porque herdaram essa tendência e porque crescem em ambientes nos quais o sentimento predomina. “O mau humor é uma associação de temperamento, que nasce com você, com aquilo que você adquire com o meio”, resume o psiquiatra Cordás.
Mais recentemente, aprofundou-se uma linha de estudo que busca identificar outras causas para o mau humor. Descobriu-se que algumas doenças podem estar envolvidas no seu surgimento. A última pesquisa a revelar esse tipo de associação foi divulgada na edição de maio da publicação científica “Diabetes Technology & Therapeutics”. “Distúrbios de humor e sua relação com um controle ruim de glicose, que pode levar a sérias complicações causadas pela diabetes, é um tema de grande preocupação”, disse Satish Garg, da Universidade do Colorado (EUA). “Mas ainda não sabemos o que vem primeiro: se as oscilações de humor estão por trás da diabetes ou o contrário.” Um trabalho conduzido por cientistas da Universidade de Illinois (EUA) deu uma indicação de pelo menos parte da resposta. O estudo monitorou as concentrações de glicose em um grupo de mulheres portadoras de diabetes tipo 2 e concluiu que grandes oscilações da taxa de açúcar no sangue estão associadas a mau humor e baixa qualidade de vida, segundo escreveram os autores da pesquisa. Em outros casos, a relação está mais estabelecida. Um exemplo é a associação entre o hipertireoidismo e o sentimento. A hiperatividade da glândula tireoide pode deixar o paciente mais vulnerável a episódios de mau humor.
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DANOS
Segundo o psiquiatra Cordás, quando o mau humor
vira doença, pode prejudicar o cérebro
Todo o interesse pelo tema é resultante de uma importante constatação científica obtida nos últimos anos: o humor – neste caso, o bom – é mais vital para a nossa sobrevivência do que se pensava. Em primeiro lugar, ele foi uma das razões que possibilitaram a evolução da espécie humana, segundo uma corrente de pesquisas a respeito do assunto. No início do mês, por exemplo, cientistas da Universidade da Pensilvânia (EUA) divulgaram um estudo revelando que um bom senso de humor é uma das principais características procuradas pelas mulheres em possíveis parceiros – fator, portanto, que facilitou a reprodução humana ao longo das eras. “Essa característica pode ser entendida como um sinal de que o homem não é agressivo. A mulher entende que ele não a machucará nem à sua prole”, explicou à ISTOÉ Garry Chick, da Universidade da Pensilvânia (EUA), coordenador do trabalho. “E há pesquisas mostrando que os homens também gostam de mulheres que riem de suas piadas”, complementou o pesquisador. Na visão do psicólogo americano Peter Gray, professor do Boston College University (EUA), o humor também serviu como elemento agregador quando o homem ainda vivia em grupos. “Ele foi uma das maneiras encontradas para impedir brigas e discussões, ajudando a manter a paz entre os indivíduos e, consequentemente, a sobrevivência do grupo”, disse à ISTOÉ.
A outra razão vem da certeza de seu impacto sobre a saúde – tanto o mau quanto o bom. Se o primeiro, como demonstram as pesquisas, é bastante prejudicial, o segundo, ao contrário, é como um bálsamo para o organismo. Há uma profusão de trabalhos atestando seus benefícios. Na Universidade de Ohio (EUA), os cientistas concluíram que o sentimento está associado a uma melhora na qualidade de vida de portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica, caracterizada por dificuldade progressiva para respirar. Depois de analisarem as reações de 46 pacientes após assistir a vídeos divertidos, os pesquisadores concluíram que aqueles que exibiram maior senso de humor reportaram menos sintomas de depressão e ansiedade. “Acreditamos que os pacientes devem ser encorajados a participar de atividades que despertem o bom humor”, afirmou à ISTOÉ Charles Emery, líder do trabalho.
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Na Austrália, cientistas da University of New South Wales verificaram os efeitos positivos na contenção de crises de agitação de pacientes com demência. Parte da equipe de cuidadores de uma instituição que abriga idosos com demência foi treinada para usar o humor no trato dos doentes. “Constatamos que o humor e a brincadeira, quando usados regularmente, reduzem os níveis de agitação”, informou à ISTOÉ Lee-Fay Low, responsável pelo trabalho. A mesma estratégia revela-se útil para reduzir o medo de dentista, conforme demonstraram cientistas da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e também aumentar a tolerância à dor, como apontou estudo da Universidade da Califórnia (EUA). “Barreiras psicológicas podem ser quebradas pelo humor”, afirmou Jenny Bernson, coordenadora da experiência sobre o temor de dentista.
Ser bem-humorado ajuda até a memorizar melhor as informações. Esta foi a conclusão a que chegaram os cientistas da Universidade de Notre Dame (EUA) após experimento no qual acompanharam a capacidade de memória de 66 pessoas depois de terem sido expostas a desenhos animados. “Somos mais propensos a nos lembrar de coisas que achamos engraçadas. Isso pode ocorrer porque reagimos ao humor fisicamente”, explicou à ISTOÉ Alexis Chambers, líder da pesquisa. “Ele ativa áreas do cérebro importantes para o processamento das emoções e da memória”, complementou. A recomendação dos pesquisadores é usar o humor para auxiliar na memorização de informações. Uma das sugestões, por exemplo, é criar uma história divertida e embutir nela a informação a ser lembrada.
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Diante de tantas evidências, é mais do que necessário tentar se livrar do mau humor. É verdade, porém, que, dependendo do dia, isso não é nada fácil. “Mas é preciso ter em mente que parte dele pode ser manejada”, afirma a psicóloga Mônica Portella, especialista em terapia cognitivo-comportamental (objetiva mudar padrões de pensamentos que resultam em comportamentos prejudiciais), do Centro de Psicologia Aplicada e Formação, do Rio de Janeiro. “É um trabalho constante. A pessoa mal-humorada precisa se monitorar”, orienta.
Além de disciplina, há estratégias simples que podem ser adotadas para trocar a feição ranzinza por um rosto alegre. “As pessoas podem passar 15 minutos todas as noites pensando em três coisas engraçadas que aconteceram durante o dia”, sugeriu à ISTOÉ Willibald Ruch, da Universidade de Zurique, na Suíça. “Se fizerem isso por um período, terão uma espécie de diário de humor ao qual sempre poderão recorrer quando quiserem melhorar seu estado de espírito”, complementou. Há dois meses, Ruch e sua equipe publicaram um trabalho segundo o qual treinar algumas capacidades – manter o bom humor e expressar gratidão, por exemplo – aumenta significativamente a sensação de bem-estar. E de felicidade.
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Foto: Kelsen Fernandes; Gabriel Chiarastelli; Rogério Cassimiro; Gabriel Chiarastelli; Pedro Dias/Ag. Istoé

Mudanças

Nada é permanente, exceto a mudança.
Heráclito

Transformações


É muito estranho o tempo que estamos vivendo agora. Um tipo de mentalidade hitleriana que se espalhou pelo mundo ou ficou trancada no armário desde a época do ditador. Por racismo e preconceito o norueguês Anders Behring Breivick pediu desculpas aos colegas de ideologia por só ter matado 77 pessoas que não pensavam como eles, em vez de ter acabado com todos.
Um jogo de futebol, que sempre foi considerado um esporte saudável, agora passou a seguir, a sério, a música de Jackson do Pandeiro: “ Esse jogo não pode ser um a um, se o meu clube perder, mato um!”. Hoje em dia, a parte da torcida que perde, mata os torcedores do clube que ganha, como aconteceu com as torcidas do Vasco, Flamengo e Fluminense.
Não há mais discussão em família. Se o pai não concorda com a mãe, por exemplo, saca o revólver e dá um tiro nela por que a sopa estava fria ou outros motivos parecidos. E o que dizer das escolas onde as crianças morrem com tiros disparados contra elas sem saber por quê?
Talvez vingança da professora de matemática , cuja matéria os alunos, ou parte deles, implicam.
Então esses assassinos são consultados por médicos que declaram que eles não são loucos, mas têm apenas uma maneira diferente de pensar.
Eu, que pertenci à geração Paz e Amor, não que tenha participado dela, de carteirinha, como muitos que desistiram da vida cotidiana e foram pra Arembepe se drogar e olhar o mar, fiquei entre a paz e o Movimento Estudantil contra a ditadura militar, mas nossa guerra também era pela paz, contra torturas, prisões e  pela liberdade de pensamento.
Quanta gente deu a vida  por esses ideais nos anos 60, pra acabar nisso? Acaba a ditadura e libera o ditador que vive em cada um de nós? É isso que é liberar geral? Uma vida sem diálogos? A única coisa necessária é um revólver no bolso e estamos combinados assim? Tem também o dinheiro que substitui tudo: caráter, modo de pensar, jeito de agir.
Já fui assaltada oito vezes no Rio de Janeiro, do Leme ao Pontal. Mas continuo andando de metrô ou mesmo de ônibus, se tiver que ir à cidade, por exemplo. No metrô bato papo com todo mundo, gente que me conhece, gente que nunca me viu, papo que, em geral, começa comigo perguntando ao colega de banco onde devo saltar pra ir à rua tal.
Quando volto de ônibus pra casa, reparo em gente conhecida que finge que não me vê por vergonha de estar num ônibus. Então, viram de costas, põem o jornal no rosto ou mesmo  pensam em se atirar pela janela. Eu, não. Vou olhando a rota da cidade a Botafogo que fazia no Buick do meu pai, pois tudo naquela época era na cidade: médicos, dentistas, lojas. Então fiz uma viagem ao passado, que começou na Colombo, depois peguei o ônibus e fiquei olhando o Hotel Novo Mundo, a Praça Paris, que antigamente tinha bichos esculpidos nas folhas das árvores, em volta do lago, passei por aquele edifício cinzento que chamam de Dakota brasileiro, num estilo eclético, o edifício Biarritz que amo até hoje, o Palácio do Catete, a Igreja da Glória, linda em cima daquele morro, com exceção absoluta daquele cabeção do Getúlio na entrada da praça, em baixo. 
Qual é o sentido daquilo? O que faz ali?
Talvez tenha seguido os conselhos daquela música de Carnaval que cantávamos nos bailes infantis:
“Bota o retrato do velho, outra vez
Bota no mesmo lugar
Que o sorriso do velhinho
Faz a gente se alegrar...”
Será, meu Deus?
Maria Lucia Dahl

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