19 de out. de 2012

Dias difíceis

Há dias que parecem não ter sido feitos para ti.

Amontoam-se tantas dificuldades, inúmeras frustrações e incontáveis aborrecimentos, que chegas a pensar que conduzes o globo do mundo sobre os ombros dilacerados.

Desde cedo, ao te ergueres do leito, pela manhã, encontras a indisposição moral do companheiro ou da companheira, que te arremessa todos os espinhos que o mau humor conseguiu acumular ao longo da noite.

Sentes o travo do fel despejado em tua alma, mas crês que tudo se modificará nos momentos seguintes.

Sais à rua, para atender a esse ou àquele compromisso cotidiano, e te defrontas com a agrestia de muitos que manejam veículos nas vias públicas e que os convertem em armas contra os outros; constatas o azedume do funcionário ou do balconista que te atende mal, ou vês o cinismo de negociantes que anseiam por te entregar produtos de má qualidade a preços exorbitantes, supondo-te imbecil. Mesmo assim, admites que, logo, tudo se alterará, melhorando as situações em torno.

Encontras-te com familiares ou pessoas amigas que te derramam sobre a mente todo o quadro dos problemas e tragédias que vivenciam, numa enxurrada de tormentos, perturbando a tua harmonia ainda frágil, embora não te permitam desabafar as tuas angústias, teus dramas ou tuas mágoas represadas na alma. Em tais circunstâncias, pensas que deves aguardar que essas pessoas se resolvam com a vida até um novo encontro.

São esses os dias em que as palavras que dizes recebem negativa interpretação, o carinho que ofereces é mal visto, tua simpatia parece mero interesse, tuas reservas são vistas como soberba ou má vontade. Se falas, ou se calas, desagradas.

Em dias assim, ainda quando te esforces por entender tudo e a todos, sofres muito e a costumeira tendência, nessas ocasiões, é a da vitimação automática, quando se passa a desenvolver sentimentos de autopiedade.

No entanto, esses dias infelizes pedem-nos vigilância e prece fervorosa, para que não nos percamos nesses cipoais de pensamentos, de sentimentos e de atitudes perturbadores.

São dias de avaliação, de testes impostos pelas regentes leis da vida terrena, desejosas de que te observes e verifiques tuas ações e reações à frente das mais diversas situações da existência.

Quando perceberes que muita coisa à tua volta passa a emitir um som desarmônico aos teus ouvidos; se notares que escolhendo direito ou esquerdo não escapas da ácida crítica, o teu dever será o de te ajustares ao bom senso. Instrui-te com as situações e acumula o aprendizado das horas, passando a observar bem melhor as circunstâncias que te cercam, para que melhor entendas, para que, enfim, evoluas.

Não te olvides de que ouvimos a voz do Mestre Nazareno, há distanciados dois milênios, a dizer-nos: No mundo só tereis aflições...

Conhecedores dessa realidade, abrindo a alma para compreender que a cada dia basta o seu mal..., tratarás de te recompor, caso tenhas te deixado ferir por tantos petardos, quando o ideal teria sido agir como o bambuzal diante da ventania. Curvar-se, deixar passar o vendaval, a fim de te reergueres com tranqüilidade, passado o momento difícil.

Há, de fato, dias difíceis, duros, caracterizando o teu estádio de provações indispensáveis ao teu processo de evolução. A ti, porém, caberá erguer a fronte buscando o rumo das estrelas formosas, que ao longe brilham, e agradecer a Deus por poderes afrontar tantos e difíceis desafios, mantendo-te firme, mesmo assim.

Nos dias difíceis da tua existência, procura não te entregares ao pessimismo, nem ao lodo do derrotismo, evitando alimentar todo e qualquer sentimento de culpa, que te inspirariam o abandono dos teus compromissos, o que seria teu gesto mais infeliz.

Põe-te de pé, perante quaisquer obstáculos, e sê fiel aos teus labores, aos deveres de aprender, servir e crescer, que te trouxeram novamente ao mundo terrestre.

Se lograres a superação suspirada, nesses dias sombrios para ti, terás vencido mais um embate no rol dos muitos combates que compõem a pauta da guerra em que a Terra se encontra engolfada.

Confia na ação e no poder da luz, que o Cristo representa, e segue com entusiasmo para a conquista de ti mesmo, guardando-te em equilíbrio, seja qual for ou como for cada um dos teus dias.
Raul Teixeira / Espirito de Camilo

18 de out. de 2012

Minha generosidade

Quero acolher com generosidade o que em mim se manifesta de forma incorreta. 

Não vou pedir permissão aos outros para desenvolver a mim mesma, mando no meu corpo e em tudo o que ele confina, coração incluído, consciência incluída.

Talvez eu esteja com receio de ter ido longe demais desta vez e esteja preparando a minha defesa, caso alguma coisa não saia como esperado. 

O que eu espero? Não espero nada, espero tudo, estou à deriva nessa aventura. 

Eu queria cristalizar esse momento da minha vida, mas estou em alta velocidade, e não sei se quero ir adiante, só que eu não tenho opção. Acho que é isso. Eu tinha opções, agora não tenho. Não consigo parar esse trem.
Martha Medeiros

Generosidade e compaixão

Cultivar estados mentais positivos como a generosidade e a compaixão decididamente conduz a melhor saúde mental e a felicidade
Dalai Lama

A generosidade e o egoísmo


Imagine que você está andando por um trilha e se depara com uma cobra. Em uma fração de segundo, você pula para trás. Seu cérebro agiu rapidamente, de maneira quase instintiva. Você não chegou a raciocinar se aquilo era mesmo uma cobra ou se ela era venenosa. Esse é um exemplo da forma rápida de pensar.
Essa forma de pensar é útil, pois permite reações rápidas, baseadas em informações limitadas. É importante em muitos momentos, mas pode levar a interpretações errôneas. No momento seguinte, você observa a cobra, seu cérebro conclui que ela não está em posição de ataque, que provavelmente não é venenosa e é bem pequena. 

Além disso, seu cérebro observa que ela está se dirigindo para o mato. Você conclui que o perigo não é grande. Espera um pouco e continua sua caminhada. Esse segundo momento é um exemplo da forma lenta de pensar. Como é lenta, ela não te salvaria da picada de uma jararaca prestes a dar o bote, mas, exatamente por ser lenta, permite um julgamento crítico da situação, baseado em experiências anteriores e no conhecimento adquirido.
Imagine agora que você está caminhando pela calçada e se depara com uma pessoa desmaiada. Você pode parar para ajudar, uma atitude que poderíamos chamar de generosa (se você for generoso, talvez alguém vai te ajudar em caso de necessidade); ou você pode decidir que não é um problema seu e continuar sua caminhada, uma atitude que podemos chamar de egoísta (se todos forem egoístas, ninguém vai te ajudar em caso de necessidade).
Será que nossa forma rápida de pensamento é intrinsecamente generosa e nossa forma lenta leva a uma reação egoísta? Ou ocorre o inverso: nossa forma rápida de pensamento tende a produzir uma resposta egoísta e nossa forma lenta tende a produzir uma resposta generosa?
Para responder esta questão, um grupo de cientistas fez diversos experimentos com um número grande de pessoas. Um deles consiste em propor para grupos de quatro delas o seguinte jogo: cada uma recebe R$ 10 e o cientista as informa de que elas podem separar uma parte desse dinheiro e colocá-la em um "bolo" comum. A quantidade de dinheiro que cada um põe no "bolo" é decidida individualmente e os outros não são informados da decisão. O cientista informa também que o dinheiro colocado no "bolo" será duplicado (se houver R$ 4, o cientista colocará mais R$ 4 e o "bolo" passará a conter R$ 8), e o novo total do "bolo" será dividido igualmente.
É fácil entender que se todos os quatro jogadores forem generosos e colocarem seus R$ 10 no "bolo", R$ 80 serão divididos e cada um acabará com R$ 20. Mas se somente um jogador for generoso e colocar seus R$10 no "bolo", somente R$ 20 serão divididos por quatro e os três egoístas terminarão com R$ 15, enquanto o generoso acabará com apenas R$ 5. Durante cada rodada, cabe a cada jogador decidir se quer tomar uma atitude generosa ou uma atitude egoísta.
Resultados. Num primeiro experimento, 848 pessoas foram divididas em grupos de quatro e jogaram uma rodada do jogo descrito acima. Elas podiam levar o tempo que quisessem para decidir quanto contribuiriam para o "bolo", mas os cientistas marcaram o tempo que cada um levava para decidir. O resultado demonstrou que as pessoas que decidiam em menos de 10 segundos contribuíam para o "bolo" 65% do dinheiro recebido. As pessoas que levam mais de 10 segundos para decidir tinham um comportamento mais egoísta, contribuindo em média 50% para o "bolo". O mais interessante foi que os que decidiam instantaneamente (1 segundo) contribuíam até 85% e os que levavam até 100 segundos contribuíam apenas 35% para o "bolo".
Em um outro experimento, com quase mil pessoas, os voluntários foram instruídos a decidir quanto contribuiriam em menos de 10 segundos. Nesse caso, a média de contribuição foi de 65%. Quando eles eram forçados a pensar mais por de 10 segundos antes de decidir, a contribuição média caía para 35%. Diversos outros experimentos em que o tempo de reação era relacionado com atitudes egoístas ou generosas chegaram ao mesmo resultado.
Os cientistas acreditam que esse resultado demonstra que somos instintivamente generosos, ou seja, que nosso modo rápido de pensar leva à generosidade da mesma maneira que nos leva a fugir de qualquer coisa que se pareça com uma cobra. Provavelmente, é um resquício do tempo em que vivíamos em pequenos grupos, em que a colaboração era essencial para a sobrevivência de todos. Já o pensamento lento, mais racional e influenciado pelas experiências anteriores e pela educação, resulta em um componente maior de egoísmo, talvez um reflexo da vida em sociedades complexas, onde nossa decisão de não ajudar uma pessoa desmaiada não nos exclui automaticamente da possibilidade de sermos ajudados num momento de necessidade.
A conclusão é de que somos programados para, no caso de termos de agir rapidamente, optarmos por uma atitude generosa. Se isso é verdade, nossa sociedade se tornará muito melhor se não pensarmos muito antes de ajudar o próximo.
Fernando Reinach

15 de out. de 2012

Sim, acupuntura funciona


Pelo menos 1 milhão de brasileiros se submeteram a agulhadas no ano passado para tratar problemas como dores lombares ou nas articulações. Para muitos, a acupuntura, técnica milenar chinesa baseada no estímulo de pontos do corpo por agulhas, é o último alívio depois de tratamentos com remédios, fisioterapia e, em alguns casos, até cirurgia. 

A acupuntura é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 1988 e reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina há mais de 15 anos. No Brasil, desde março, só médicos estão habilitados a praticá-la. Apesar de oficializada no país, a comunidade científica ainda tenta entender as razões e a extensão de sua eficácia.


Há décadas os pesquisadores comparam seus resultados aos de outros tratamentos ou mesmo com o poder da autossugestão. Eles querem saber se o alívio proporcionado pela acupuntura é real ou se é influenciado pela vontade do paciente de que dê certo, algo conhecido como efeito placebo.

Centenas de estudos já foram divulgados – alguns comprovando a eficácia da técnica, outros desmentindo. Um estudo publicado no site do periódico científico Archives of Internal Medicine, da prestigiada Associação Médica Americana, traz uma resposta à polêmica. Ele diz que o efeito da acupuntura é, sim, verdadeiro. “Nossos dados sugerem que a acupuntura é mais que um placebo contra dores crônicas”, afirma a epidemiologista Karen Sherman, pesquisadora da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e uma das coautoras do estudo.


A equipe de pesquisadores reavaliou 29 pesquisas que já haviam sido publicadas. Elas foram escolhidas porque tinham a metodologia mais rigorosa na coleta e interpretação dos dados e, em conjunto, analisavam um grande número de pacientes. Foram estudados os casos de quase 18 mil pessoas de Estados Unidos, Reino UnidoAlemanhaEspanha e Suécia. Os pesquisadores revisaram os dados desses levantamentos para detectar imprecisões e descartar avaliações tendenciosas. 

Chegaram à conclusão de que o alívio proporcionado pela acupuntura é maior que o originado pelo efeito placebo – ou seja, não é resultado de sugestão da mente dos pacientes. A pesquisa se restringiu à eficácia da acupuntura no tratamento de dores crônicas, como artrite e enxaqueca. Outros usos, como para tratar ansiedade, casos de depressão ou problemas gastrintestinais, não foram analisados.

Para chegar ao resultado, os estudos analisados no novo levantamento compararam o relato de três tipos de paciente. No primeiro grupo, eles fizeram o tratamento com acupuntura. Os integrantes do segundo grupo não se submeteram à técnica. No terceiro, passaram por uma acupuntura falsa – um método desenvolvido pelos cientistas para enganar os pacientes. As agulhadas eram superficiais ou em pontos do corpo que não são recomendados pela técnica. Em alguns casos, foram usadas agulhas retrá-teis, que fazem pressão e não furam a pele, estímulos elétricos e até laser para simular as perfurações. Os pesquisadores queriam que os pacientes tivessem a impressão de ser tratados para testar se apenas a crença deles na acupuntura era suficiente para gerar a sensação de melhora. 
Os resultados sugerem que não. Entre os voluntários que não fizeram acupuntura – nem a falsa nem a verdadeira –, 30% a-firmaram que a intensidade da dor diminuiu com o passar do tempo. Dos que fizeram acupuntura falsa, 42,5% relataram alívio semelhante. Entre os pacientes que passaram pela acupuntura verdadeira, 50% afirmaram que a dor diminuíra. A diferença entre a aplicação da técnica e o efeito placebo não é grande, mas já é suficiente, segundo os pesquisadores, para confirmar que existe algo mais na acupuntura que o poder da sugestão.
A evolução da técnica (Foto: Agency/Sygma/Corbis, Keystone/Getty Images e AP)
A acupuntura suscita a curiosidade de pesquisadores porque a explicação da medicina chinesa para seu funcionamento não tem correspondência na ciência médica ocidental. A técnica se baseia na ideia de que a força vital que traz saúde e bem-estar circula através do corpo por uma rede de 14 meridianos. 

Eles interligam 365 pontos que, uma vez pressionados, têm, de acordo com os preceitos da acupuntura, a capacidade de desobstruir a circulação da energia. São as interrupções de energia que causam as doenças, dizem os acupunturistas.

A medicina ocidental tenta explicar a sua maneira os mecanismos fisiológicos que fazem a acupuntura funcionar. Alguns estudos afirmam que o estímulo de terminações nervosas na pele faz com que os músculos conduzam impulsos até a medula, reduzindo a sensação de dor. Outros dizem que as agulhadas ativam neurotransmissores semelhantes à morfina, localizados na medula, que inibem a condução de alertas de dor até o cérebro. Por enquanto, não há consenso.


Os cientistas não se entendem sequer sobre a melhor maneira de medir o resultado da acupuntura. A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou no mês passado um relatório em que explica que é complicado tirar conclusões definitivas sobre a eficácia e os mecanismos de funcionamento da técnica. Os pesquisadores da OMS acham que é difícil separar os resultados das agulhas daqueles provocados pelo efeito placebo. 

Eles acreditam que o paciente sempre consegue perceber se foi espetado de verdade ou não – por mais criativos que os cientistas sejam ao tentar simular essa sensação. 

O médico alemão Edzard Ernst, fundador do primeiro departamento do Reino Unido a verificar a eficácia de práticas alternativas, tem opinião semelhante. 

“Além de ser difícil enganar o voluntário, muitos dos cientistas usam os estudos para comprovar suas crenças, o que pode levar a resultados tendenciosos”, diz Ernst, da Universidade de Exeter. Um artigo alemão sobre dor, publicado em 2005, sugere que 81% dos acupunturistas julgavam o sucesso da técnica com muito otimismo.


O novo levantamento sobre a acupuntura não deve encerrar a polêmica, mas é um passo importante para construir o consenso científico. Para os pacientes, o importante é que ela funcione em alguns casos. Remédios e tratamentos modernos tampouco são eficazes 100% das vezes. “Esse estudo sugere que é melhor usar a acupuntura para tratar dores crônicas do que não usar”, diz o ortopedista André Tsai, do Centro de Acupuntura do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Luíza Karam

12 de out. de 2012

Estudo relaciona consumo de chocolate a prêmios Nobel


O nível de consumo de chocolate pode estar relacionado à possibilidade de se obter um prêmio Nobel, segundo o inusitado estudo de um cardiologista suíço.
Franz H. Messerli traçou um paralelo entre a quantidade de chocolate consumida em um país e o seu índice de prêmios Nobel per capita.
Messerli afirma que estes resultados não implicam em uma relação de causa e efeito entre o chocolate e o Nobel, mas demonstram que ambas as variáveis têm alguma relação, ou que são influenciadas por um mesmo mecanismo.
Apesar de admitir não haver tal relação causal, o estudo inclui estimativas curiosas (e questionáveis) como que "seriam necessários 0,4 quilos adicionais de chocolate por pessoa por ano para acrescentar um prêmio Nobel a um país".
O médico menciona no trabalho um estudo anterior que demonstrou que o produto, rico em flavonoides, faria bem ao intelecto: "Já está provado que o consumo de chocolate melhora as funções cognitivas. Parece provável que a ingestão (de chocolate) crie um terreno fértil para o surgimento de indivíduos que possam chegar a ganhar um prêmio Nobel".
O trabalho foi publicado na revista New England Journal of Medicine e afirma: "Foi possível observar uma correlação expressiva entre o consumo de chocolate por pessoa em cada país e o número de premiados com o Nobel por cada dez milhões de pessoas em um total de 23 países".
De acordo com o estudo, a Suíça é o país onde mais se consome chocolate e também com mais prêmios per capita.
Levando-se em conta apenas o local de nascimento, o Brasil ganhou apenas um prêmio com Peter Brian Medawar (1915-1987), nascido no Rio de Janeiro, mas educado desde a adolescência na Grã-Bretanha, onde desenvolveu as pesquisas sobre transplantes e sistema imunológico que lhe renderam o Nobel de Medicina em 1960.
Segundo o trabalho, a Suécia é o único país que não se situa onde deveria no quadro.
"Se tomarmos o consumo sueco de chocolate, de 6,4 quilos ao ano, poderia se prever que o país escandinavo deveria ter produzido 14 premiados, e, na verdade, eles têm 32".
Messerli cogita algumas hipóteses para explicar o fato. Uma delas seria de que o comitê do Nobel tem uma predileção especial por premiar compatriotas.
BBC

Não vale quebrar a casca


Está sobrando laranja no Brasil, é o que se anda dizendo. A indústria de sucos investiu na própria plantação e os laranjeiros estão derrubando seus pomares por falta de comprador. Além disso, o consumo de suco diminui, enquanto o de refrigerante cresce.
Mas, se ainda não perdemos totalmente a brejeirice do suco de laranja espremido na hora, é uma pena que chegamos ao ponto em que saber descascar laranjas é tão sinalizador de idade quanto dizer “putzgrila”. O hábito de se sentar à sombra depois do almoço com uma bacia cheia de laranjas no colo e uma faca na mão ficou para trás.
Na faquinha. Comece pelo lado mais frágil e deixe uma ‘calota’ ao redor do pedúnculo. 
Descascar laranja exige técnica para a qual não há mais treino num mundo em que criança não pode mexer com faca e laranja já chega espremida. Mas na época em que formava fila para a bacia da fruta, ninguém queria esperar a mãe descascar a laranja de todo mundo, então a gente nascia sabendo.
Quando o movimento vira automático, parece a tarefa mais fácil do mundo. É preciso começar do lado mais frágil, oposto ao pedúnculo, ir contornando o epicarpo com a faca e, ao mesmo tempo, regular a força para atingir a exata profundidade que permite a retirada da fina camada colorida e repleta de glândulas de óleo essencial, sem machucar o albedo ou mesocarpo. Precisa empurrar para a frente a parte a ser descascada com o polegar e ajudar a rodar a laranja com a outra mão. Tudo isso, sabendo a hora de parar, pois é bom deixar uma roda de casca ao redor do pedúnculo, para dar sustentação na hora de espremer a fruta na boca. Um bom descascador destaca toda a casca numa tira só, para depois fazer a brincadeira de segurar na ponta da casca e rodá-la contando as voltas até ela se partir na idade em que você vai se casar ou ter filho.
Depois é só cortar a tampinha da laranja. Até pouco tempo atrás eu não sabia porque se tirava a calota da laranja, em vez de dividi-la em hemisférios. Mas meu pai deu uma explicação de caboclo que sabe das coisas. É no meio da fruta que ficam as sementes, portanto a parte de cima estará livre delas que continuarão aprisionadas entre as fibras quando você espremer a laranja para chupar.
Claro, há muita gente que ainda chupa laranja assim, mas que está em desuso, está.
Ainda tem a entrecasca ou o albedo, que não é casca nem polpa, mas é comestível. É pra se comer bem devagarinho, mastigando bem até formar uma massa de pectina na boca. A da laranja-baía e da lima é molinha, desmancha facilmente, mas a da pera e da lima-da-pérsia exige exercício de musculação mandibular. Uma coisa é certa: fibras solúveis do albedo mais fibras insolúveis do bagaço são um santo regulador do intestino. Uma laranja inteirinha por dia e não haveria tanta gente enfezada por aí.
Outros sucos. Se chupar laranja tem ciência, pede tempo e não combina com o comer contemporâneo, então, vamos preservar o luxo do suco espremido na hora e aperfeiçoar a diversidade. Por que só suco de laranja-pera, se há tantas outras? As doces baías, ácidas seletas, limas-de-bebê, laranjas-do-céu, campistas rurais, a amargura delicada da lima-da-pérsia e a rainha de nome e cor champanhe, mistura de baía e tangerina, só para ficar nas mais conhecidas.
E como laranjas, de origem asiática, estão entre as espécies frutíferas mais cultivadas no mundo, ideias de uso não faltam. Mesmo que não recuperemos o hábito de chupá-las, que as botemos na mesa. Façamos como os marroquinos e, que seja, comamos com garfo estas duas saladas clássicas, uma salgada, com azeitonas, e outra doce, com água de flor de laranjeira e canela. Experimente e se surpreenda.
Neide Rigo

9 de out. de 2012

A razão, desde Freud

"Isso não é nada! Deve ser psicológico!” Quantas vezes frases do tipo não são proferidas ali, onde o discurso médico se depara com seus limites? 

Buscando tranquilizar o paciente quanto à natureza de seu sofrimento, o médico afirma algo do tipo: 

“Fique tranquila, você não tem nada. Seu sintoma é psicológico”. Sem se dar conta, o discurso médico, nesses momentos, acaba emprestando ao sintoma o estatuto de mentira, de falsidade.

Esse quadro não era muito diferente na Viena antes de Sigmund Freud (1856-1939). E foi contra esse silenciamento do sintoma que Freud se levantou. 

A premissa fundamental sobre a qual ele inventou a Psicanálise era justamente a de que um sintoma – fosse ele histérico, obsessivo, fóbico, paranoico –, traduzia algo da ordem da verdade. Mesmo que não houvesse nenhuma base orgânica reconhecível. Mesmo que não houvesse, na disposição do saber, uma figura capaz de acolher a espessura daquele sofrimento.

Esse “nada” ao qual o discurso médico reduzia o sofrimento psíquico foi elevado por Freud ao estatuto de uma verdade do sujeito. Para o inventor da Psicanálise, a inexistência de um substrato orgânico para a doença não queria dizer que o sintoma não fosse real. Mas de que real o sofrimento psíquico nos fala? Qual é o gênero de verdade posto pelo sintoma?

A essa altura, o leitor pode questionar: mas o que tudo isso tem a ver com Filosofia? Por que diabos um filósofo, ocupado com grandes temas acerca da razão e do conhecimento, do agir e dos valores, deveria preocupar- se com questões tão regionais, tão marginais, relativas ao sofrimento psíquico? O interesse filosófico da Psicanálise reside justamente aí. Sem que Freud tivesse procurado, ele esbarra em problemas e tradições externas à racionalidade psicanalítica. Ao construir sua metapsicologia, o arcabouço conceitual da teoria que fundamenta a prática de escuta e tratamento do sofrimento psíquico, Freud acaba formulando uma teoria do sujeito calcada em dois pilares: a estrutura inconsciente da atividade mental e o caráter pulsional da sexualidade humana.

Assim sendo, ele acaba questionando dois pilares da Filosofia Moderna: a equivalência entre subjetividade e consciência, e o postulado da autonomia da vontade. Ao deixar de caracterizar o sujeito pela transparência dos atos de consciência – desde Descartes, o conhecimento humano seria definido por meio da evidência para a consciência (tudo aquilo que é evidente para mim, na ordem das razões, deve ser verdadeiro na ordem das coisas) –, Freud estaria propondo abandonar o solo seguro da consciência como base da teoria da subjetividade. Além disso, ao mostrar o caráter pulsional da sexualidade, Freud estaria questionando a ideia, tão cara a Kant, de que só podemos ser responsabilizados por nossos atos porquanto agimos fundamentados unicamente na autonomia da vontade.

O conceito de pulsão diz justamente que, no domínio de nossas escolhas sexuais, incluindo aí as escolhas relativas ao nosso próprio ser, os móveis últimos das nossas escolhas não coincidem com o que designamos como “vontade livre”. Ao contrário, somos determinados, ao menos em parte, por fatores contingentes ligados à nossa história singular como sujeitos.

Por tudo isso, Jacques Lacan (1901- 1981) propôs o provocativo sintagma “a razão desde Freud” para indicar que a racionalidade moderna não poderia ser indiferente ao corte representado pela invenção da Psicanálise, como teoria e como dispositivo de uma práxis. Por exemplo, sem que pudesse adivinhar, Freud, ao acolher o sofrimento psíquico como uma verdade discordante em relação ao saber médico, acabou reafirmando uma tese filosófica cara à dialética. Hegel (1770-1831) dizia que verdade e saber são duas ordens separadas, que só coincidiriam no longínquo momento do saber absoluto. Mas, na experiência da consciência, saber e verdade entrariam numa espécie de conflito. A cada passo dado pelo saber, algo da verdade escapa a esta apreensão pelo conceito. Ora, a Psicanálise, diz Lacan, representa um novo sismo nas relações entre saber e verdade.

Mas isso não é tudo. Não apenas algumas ideias centrais da concepção filosófica acerca da subjetividade moderna são postas em xeque pela invenção da Psicanálise. Pois alguém poderia dizer: “Sim, é verdade, mas a estrutura da razão como tal não tem nada a ver como isso!” Mas não é bem assim. Freud, ao tratar do inconsciente, por exemplo, não está dizendo que algumas de nossas ideias são desconhecidas de nós mesmos ou que haveria uma zona escura da nossa mente habitada por fantasmas; que somos, no fundo, animais irracionais. Ao contrário, Freud está afirmando que o inconsciente é estruturado por leis sistemáticas. Que o pensamento, em si mesmo, antes de adquirir a qualidade inconstante da consciência, é inconsciente. Ou seja, ele está postulando que a própria razão não é mais a mesma, se admitirmos as ideias de inconsciente e de pulsão.

Muitas questões importantes se estabelecem desde então: é a Psicanálise uma Ciência? O que a Psicanálise pode nos dizer acerca da Ética e da responsabilidade? Os conceitos psicanalíticos servem apenas para pensar a prática clínica ou eles podem nos auxiliar a repensar a teoria social, as produções estéticas e a experiência religiosa? São questões deste tipo que a coluna que inauguramos hoje pretende abordar.
Gilson Iannini

6 de out. de 2012

La vera Gioia - Marco Frisina



La vera gioia nasce dalla pace,
la vera gioia non consuma il cuore,
è come un fuoco con il suo calore
e dona vita quando il cuore muore;
la vera gioia costruisce il mondo
e porta luce nell'oscurità.

La vera gioia nasce dalla luce,
che splende viva in un cuore puro,
la verità sostiene la sua fiamma
perciò non tiene ombra né menzo gna,
la vera gioia libera il tuo cuore,
ti rende canto nella libertà.

La vera gioia vola sopra il mondo
ed il peccato non potrà fermarla,
le sue ali splendono di grazia,
dono di Cristo e della sua salvezza
e tutti unisce come in un abbraccio
e tutti ama nella carità.

Coro muto:
o o o...

Finale:
E tutti unisce come in un abbraccio
e tutti ama nella carità.


30 de set. de 2012

A PM não se adaptou ao regime democrático




Duas meninas, uma de 11 anos outra de 14, foram baleadas por um policial militar na Zona Sul da Capital Paulista.

O mais estarrecedor neste tipo de violência é que o que deveria ser trágico é cotidiano. Indubitavelmente aí reside uma das maiores patologias sociais de nossa época

Evidentemente houve um grave erro operacional dos agentes policiais envolvidos, que gerou consequência quase irreparável. O Estado deverá responder pelos danos ocasionados às vitimas e o agente envolvido deverá ser responsabilizado administrativa, civil e criminalmente na forma da lei.

Mas por outro lado não há que se demonizar o agente policial envolvido. De origem certamente humilde, mal treinado e com péssima remuneração, ainda mais tendo-se em conta que presta um serviço que implica arriscar a vida cotidianamente, não há que se despejar no individuo a culpa de todo um sistema de segurança.

Não faz sentido manter uma força de natureza militar como responsável pela segurança pública.

Produto da ditadura militar, tal sistema de segurança ostensiva é totalmente inadequado a um regime democrático de Direito.

Se por um lado é certo que a eventual substituição da Policia Militar por uma Guarda Civil não evitaria abusos por si só, também não há que se negar que a organização policial militar é concebida mais como força de ocupação territorial e controle político violento da população pobre.

Em vez de força de segurança pública submissa ao direito, a Polícia Militar, por sua própria estrutura preparada para a guerra e não para a proteção, se põe como força de exceção. Não reconhece na população pobre uma cidadania titular de direitos, mas apenas seres dotados de obrigações perante o Estado.

Como no mundo do capital globalizado já quase não há exércitos de mão de obra de reserva, a maioria da população pobre é destinada à exclusão da vida.

No dizer de Agamben , este amplo contingente miserável da população global é dotado apenas de “vida nua”, vida que não conta com a proteção de direitos políticos mínimos , nem mesmo o direito à sobrevivência. A PM matou mais por ano no Brasil que a maior parte das guerras ocorridas no globo nas últimas décadas.

Ao contrário, contudo, do que dizem setores mais conservadores da opinião publica, o que há não é uma “guerra” entre Estado e população pobre. O que há é um verdadeiro genocídio, de cunho racista, regionalista e social.

A título de se combater o banditismo, que sempre aumenta mesmo com toda a violência da PM, o que demonstra no mínimo sua ineficácia, trabalhadores pobres são vilipendiados cotidianamente em sua integridade física e moral, quando não são mortos por uma violência tão cruel quanto apoiada pela euro-descendência bem pensante das áreas nobres de São Paulo e de nossas capitais.

O fetiche do Estado de Polícia, do Estado autoritário que traz na punição o grande fator de contenção da violência, ainda seduz a maior parte de nossas classes médias, contra todos os dados racionais e históricos.

Ser humano que não se sinta minimamente amado, protegido e acolhido pelo meio ambiente familiar e social que o cerca é um ser, sempre e em qualquer circunstancia, com ampla possibilidade de se animalizar. Ele rouba e mata porque tem pouco a perder com a punição e mesmo com a morte, sua vida já é em si destituída de um sentido mínimo de dignidade material e afetiva que conforma o que chamamos de humano. só o que lhe resta é viver intensidades para se sentir vivo.

Enquanto persistirmos em tratarmos a pobreza com o cassetete e não com a mão solidária, enquanto nos focarmos na violência que a população pobre faz contra nós sem vermos a violência que fazemos cotidianamente contra ela, continuaremos reféns, pagando a conta desta violência em nossos faróis e esquinas mesmo que com tanques de guerra para nos defender.

As soluções são complexas, mas qualquer solução da segurança pública como política de Estado passa, a nosso ver, pela extinção da Policia Militar e sua transformação em Guarda Civil, ao menos pelo sentido simbólico de que o estado democrático, ao contrário das ditaduras, não carece estar em guerra com sua população mais pobre, preferindo o acolhimento e a proteção à chacina.
Pedro Estevam Serrano

Andar de ônibus faz bem ao seu caráter




Não confie completamente em uma pessoa que nunca andou de ônibus. 

Não importa se hoje você tem um Camaro Amarelo , se você já andou de ônibus em uma fase de sua vida, você não é a mesma pessoa. Digo mais: ainda que você tenha condições de comprar um Porsche para o seu filho quando ele fizer 18 anos, permita que ele passe ainda que poucos meses andando de ‘busão’. É que, para mim, este meio de transporte forma nosso caráter como chinelada nenhuma consegue fazer. Explico nos pontos seguintes.

1) Paciência
Tudo começa no processo de espera. Você se vê encostado na parada de ônibus esperando pela boa vontade do mesmo. Você até já decorou o horário que o “seu” ônibus passa. Mas se o motorista resolver pisar forte no acelerador e passar 3 minutos antes, só resta a você esperar mais 45 minutos pelo próximo.

2) Lidar com a humilhação
Vem ao longe o ônibus. Você reconhece no letreiro luminoso que é o SEU ônibus. Seu coração acelera. Você corre atrás dele como o Super Mario corre atrás da Princesa. Ele se aproxima e você percebe que o condutor não diminuiu a velocidade. Por algum motivo, o motorista passou direto com direito a um sorriso maroto, apontando para um suposto ônibus que vem atrás. Você fica com cara de tacho e a mão apontando para o nada.

3) Respeito às diferenças
Quando o “ônibus de trás” finalmente chega após 23 minutos, é claro que ele estará parcial ou totalmente lotado. Você se depara com um misto de sons e batuques, pessoas do Manassés pedindo doação, menino vendendo balinha e o cobrador com o humor pior do que o de um siri na lata. Você toca, ainda que não queira, pessoas que você jamais tocaria na zona de conforto de seu carro. Você é obrigado a lidar com gente diferente, sentar ao lado delas e até puxar assunto sobre “como o tempo hoje está quente”. Enfim: você deixa de lado seu ego e deixa de tanta frescura.

4) Altruísmo
Ainda que contra sua própria vontade, as Leis da Ética de Ônibus™ ‏dizem que você deve ceder seu lugar aos mais velhos e se oferecer para segurar os livros do estudante de ensino médio do cabelo esquisito que está em pé ao seu lado. Resumindo: você aprende NA MARRA a ser gente boa.

5) Capacidade cognitiva e filosófica
Janela de ônibus é praticamente a janela de sua alma. Não existe um lugar melhor para refletir sobre sua vida e colocar os pensamentos em ordem. Nem seu travesseiro; nem montes no Himalaia. Você acaba encontrando soluções para seus problemas, resolvendo cálculos complexos e tendo a ideia que faltou naquele brainstorm da reunião. Ou seja, de certa forma você se torna mais inteligente.

6) Educação
É no ônibus que você coloca em prática as palavras mágicas que sua mãe ensinou: “obrigado” (para o motorista, na hora de descer), “por favor” (a Deus, para que seu ônibus não demore tanto – todo dia peço isso a Ele) e principalmente o “COM LICENÇA” (por motivos óbvios). Ou seja: 1 ano de estágio probatório pegando ônibus e você se torna um gentleman ou uma lady.

7) Histórias para contar pros netos
Quem nunca passou por situações exóticas, engraçadas e inusitadas em ônibus? Quem nunca pegou o ônibus errado e foi parar em uma boca de fumo? (eu já!) Quem nunca ia descendo do ônibus e só na escadinha disse: “eita, esqueci de pagar! Perae moço!” (eu já) Quem nunca já sentou ao lado de uma senhora que foi com sua cara e resolveu te aconselhar com muita sabedoria? (eu já…)

Desconheço o autor mas reconheço o mérito

28 de set. de 2012

Programa


Não queremos poesia, 
Queremos mágicas, artifícios,
Procuramos tapar na existência fatais vazios
E apesar de imenso esforço, uma atrofia.
Mas o que sabem vocês outros da secreta elevação,
Dos sagrados e histéricos soluços da garganta a chorar,
Quando, consumidos pelo haxixe da alma em imersão,
Beijamos o primeiro degrau, para além de cujo limiar
Os deuses moram?
Wilhelm Klemm

O beijo

Todo mundo sonha com aquele beijo made in Hollywood, que tira o fôlego e dá início a um romance incandescente. Pena que nem sempre isso aconteça na vida real. 

O primeiro beijo entre um casal costuma ser suave, investigativo, decente. Aos pouquinhos, no entanto, acende-se a labareda e as bocas dizem a que vieram. Existe um prazo para isso acontecer: entre cinco minutos depois do primeiro roçar de lábios até, no máximo, cinco dias. 

Neste espaço de tempo, ainda compreende-se que os beijos sejam vacilantes: tratam-se de duas pessoas criando um vínculo e testando suas reações. Mas se a decência persistir, não espere ver estrelinhas na etapa seguinte. A química não aconteceu.


Beijo é maravilhoso porque você interage com o corpo do outro sem deixar vestígios, é um mergulho no escuro, uma viagem sem volta. Beijo é uma maneira de compartilhar intimidades, de sentir o sabor de quem se gosta, de dizer mil coisas em silêncio. Beijo é gostoso porque não cansa, não engravida, não transmite o HIV. 

Beijo é prático porque não precisa tirar a roupa, não precisa sair da festa, não precisa ligar no dia seguinte. E sem essa de que beijo é insalubre porque troca-se até 9 miligramas de água, 0,7 grama de albumina  0,18 de substâncias orgânicas, 0,711 miligrama de matérias gordurosas e 0,45 miligrama de sais, sem contar os vírus e as bactérias. Quem está preocupado com isso? Insalubre é não amar.

Martha Medeiros

Estudante da religião Sikh cala os críticos depois de virar piada na internet


Estudante foi fotografada na fila de um aeroporto  (Reprodução Internet / Reddit)A reação de uma jovem da religião Sikh depois de ser alvo de chacota na internet ganhou destaque pela forma com que reagiu diante das críticas. Balpreet Kaur, foi fotografada em uma fila do aeroporto com um turbante e barba no rosto e teve a imagem postada em um site de compartilhamento na categoria de humor.

A moça, que espera se tornar neurocirurgiã e é presidente da Associação dos Estudantes Sikh de Ohio, nos Estados Unidos, disse não ter vergonha de seu corpo e que não se curva diante dos caprichos estéticos da sociedade.

Ao invés de atacar quem a detratou e ridicularizou, Balpreet explicou que em sua religião mulheres e homens são tratados de forma igual e que acreditam que o corpo é algo sagrado e deve ser aceito como ele é. Ela também contou que para os Sikhs a entidade divina não tem um gênero definido e que as mulheres tem os mesmos direitos e deveres que os homens.

"Meu impacto e meu legado permanecerão. E por não ter me dedicado a beleza, tive tempo para cultivar minhas virtudes interiores e, cheia de esperança, foco minha vida na criação de mudanças e progressos para este mundo na forma que eu puder", declarou a jovem em uma de suas respostas.

Balpreet Kaur disse não se sentir desconfortável consigo mesma (Reprodução Internet / www.punjabiturban.blogspot.com)
Diante de argumentos como estes, o usuário que postou as fotos pediu desculpas pelo que fez e disse espera não ser lembrado por ter feito este tipo de brincadeira.
Estado de Minas

26 de set. de 2012

Quanto tempo o brasileiro precisa trabalhar para comprar 1 cerveja

Em parceria com o banco suíço UBS, o The Economist criou um gráfico que mostra quanto tempo, em média, os cidadaos de diferentes países precisam trabalhar para comprar 1 cerveja. Na Alemanha, por exemplo, sao necessários menos de 7 minutos de trabalho para comprar meio litro da bebida. 

O Brasil está na média mundial – por aqui, é preciso trabalhar cerca de 20 minutos. Os moradores dos EUA sao os que precisam de menos tempo – em torno de 5 minutos – e os da Índia, os que mais precisam suar a camisa para conseguir 1 gelada – quase 1 hora. Veja o gráfico logo abaixo

24 de set. de 2012

Como combater o desejo irresistível de comer


Um cupcake está chamando.
Você praticamente pode sentir o gosto dessa delícia doce e cremosa. Você quer tanto comer um que não consegue pensar em mais nada. Mas será que você realmente está com vontade de sentir esse gosto — ou será que você apenas busca as associações agradáveis que ele traz? Ou será que você precisa comer um em parte por saber que não deveria? Será que lutar contra essa fissura acabará com ela ou a tornará pior?
Os cientistas têm estudado todas essas questões para tentar compreender as ânsias por comida. As pesquisas nessa área têm ganhado um novo senso de urgência devido à epidemia de obesidade que acomete os Estados Unidos e já começa a dar sinais no Brasil e em outros países, uma vez que os desejos incontroláveis por comida são amplamente vistos como uma forte influência sobre o comportamento das pessoas que vivem beliscando, têm compulsão por comida ou bulimia.
Algumas das descobertas feitas até o momento:
Os desejos incontroláveis por comida ativam os mesmos circuitos de recompensa do cérebro que as fissuras por drogas ou álcool, segundo mostraram exames de ressonância magnética — testes que medem a atividade cerebral ao detectar alterações no fluxo sanguíneo.
Quase todas as pessoas têm desejos incontroláveis por comida de vez em quando, mas as mulheres dizem ter esses acessos com mais frequência do que os homens — e os mais jovens têm mais vontade de comer doces do que os mais velhos.
Em um estudo, 85% dos homens disseram se sentir satisfeitos após se renderem aos seus desejos incontroláveis por comida; entre as mulheres, esse percentual foi de apenas 57%.
Apesar de muitas mulheres relatarem uma vontade incontrolável por ingerir sal, gordura ou combinações bizarras de alimentos durante a gravidez, pesquisadores não têm encontrado provas científicas. Eles desconfiam que folclore e poder da sugestão sejam as causas.
Durante décadas, pesquisadores suspeitaram que os desejos por comida fizessem parte dos esforços inconscientes do corpo para corrigir deficiências nutricionais. O desejo por um bife poderia indicar a necessidade de proteína ou ferro, segundo essa teoria. Os chocólatras poderiam ter baixos níveis de magnésio ou outras substâncias químicas que alteram o humor e que estão presentes no chocolate.
[image]
Mas um número crescente de pesquisas coloca em dúvida essa noção. Afinal, poucas pessoas sentem desejo de consumir verduras cheias de vitaminas.
Ao contrário, estudos mostram que as fissuras por comida envolvem uma mistura complexa de fatores sociais, culturais e psicológicos, que é fortemente influenciada por estímulos ambientais.
Enquanto o chocolate é, de longe, o tipo de alimento que mais provoca desejos nos EUA, mulheres japonesas têm uma propensão maior a sentir desejo por sushi, segundo um estudo recente. E apenas 1% dos jovens egípcios e 6% das jovens egípcias relataram sentir desejo por comer chocolate, de acordo com um levantamento realizado em 2003. "Muitas línguas não têm uma palavra para 'craving'", diz a psicóloga Julia Hormes da Universidade de Albany, referindo-se ao termo em inglês que pode ser traduzido no Brasil como "fissura". "Esse conceito parece ser importante apenas na cultura norte-americana", diz Hormes.
Nos EUA, cerca de 50% das mulheres que sentem desejo por chocolate dizem que suas fissuras alcançam o pico durante o início de seu período menstrual. Mas os pesquisadores não encontraram nenhuma correlação entre as fissuras por comida e os níveis hormonais — e as mulheres que já chegaram à menopausa não relatam uma queda significativa na vontade de comer chocolate, mostrou um estudo de 2009. Alguns psicólogos suspeitam que as mulheres possam estar se "automedicando", uma vez que doces e carboidratos desencadeiam a liberação de serotonina e de outros químicos no cérebro que causam bem-estar.
Um estudo realizado no ano passado com 98 estudantes do sexo feminino da Universidade da Pensilvânia constatou que aquelas que relataram ter mais fissuras alimentares relacionadas ao ciclo menstrual também tinham um histórico de dietas e distúrbios alimentares, além de apresentarem altos índices de massa corporal. "Essas parecem ser mulheres que pensam: 'Eu não deveria comer chocolate de jeito nenhum'. Mas, em seguida, elas não resistem e comem uma barra inteira", diz Hormes, que coordenou a maior parte da pesquisa realizada na Universidade da Pensilvânia. "Quanto mais elas tentam restringir seu consumo, mais elas sentem essas fissuras."
Geralmente, as pessoas sentem desejo por alimentos de que gostam — mas nem sempre é assim. "É possível gostar de um alimento sem sentir um desejo incontrolável por ele, da mesma forma que é possível sentir fissura por um determinado tipo de alimento sem que se goste dele", diz Marcia Pelchat, psicóloga alimentar da empresa de pesquisas Monell Chemical Senses Center.
Um exemplo é pipoca vendida nos cinemas. Segundo Pelchat, "a maioria das pessoas admite que a pipoca vendida nos cinemas não é a melhor do mundo, mas se a fila da pipoca estiver grande demais e você não conseguir comprar, você pode bem ficar desejando a pipoca."
Exames de ressonância magnética funcional feitos por Pelchat mostraram que os desejos fortes por alimentos causados pela memória sensorial ativam as mesmas regiões do cérebro que as fissuras por álcool e drogas. Entre essas regiões cerebrais estão o hipocampo, que auxilia no armazenamento das memórias, a ínsula, envolvida nas percepções e nas emoções, e o núcleo caudado, que é importante para o aprendizado e para a memória. Esse circuito é impulsionado pela dopamina, neurotransmissor responsável pelo aprendizado movido a recompensa.
Especialistas dizem que essas fissuras alimentares são aceitáveis de vez em quando — digamos, por panetone no Natal, ou por escolhas alimentares saudáveis durante o restante do ano. Mas se render às tentações constantemente pode fazer com que esses desejos saiam do controle.
Pesquisadores que estudam o cérebro observaram que, quando as pessoas bombardeiam seus circuitos de recompensa constantemente com drogas, álcool ou alimentos ricos em açúcar, muitos dos receptores de dopamina de seu sistema param de funcionar para impedir uma sobrecarga. E, com um número menor de receptores de dopamina trabalhando, o sistema começa a apresentar mais e mais desejos, tornando-se insaciável. "Logo, um cupcake já não é suficiente. A pessoa tem que se entupir e nem assim conseguirá obter a recompensa que procura", diz Pam Peeke, médica e escritora de livros sobre alimentação. Ela observa que o vício de comer cria alterações no córtex pré-frontal, que normalmente domina a impulsividade e os ímpetos viciantes.
Qual é a melhor maneira de lutar contra essas fissuras? Muitos estudos mostraram que, quanto mais as pessoas tentam restringir um alimento, mais elas o desejam. Por isso, alguns especialistas recomendam aceitar a fissura e controlá-la.
Um estudo de 2003 do University College de Londres constatou que as pessoas que comiam chocolate só durante ou logo após as refeições conseguiram parar de ingerir o alimento mais facilmente do que aquelas que ingeriam chocolate com o estômago vazio.
A terapia cognitivo-comportamental também pode ser útil. Pesquisadores de Adelaide, na Austrália, entregaram a 110 chocólatras declarados um saco de chocolates para ser carregado onde quer que eles fossem durante uma semana, e aplicaram a metade delas uma "reestruturação cognitiva" — questionando suas ideias a respeito do chocolate —, enquanto a outra metade passou por uma "neutralização cognitiva" — para aceitar e observar suas ideias sem agir a partir delas. Ao final do experimento, o grupo que passou pela neutralização tinha três vezes mais chocolates do que o outro grupo.
Exercícios também podem ajudar. Mulheres que caminharam vigorosamente sobre uma esteira durante 45 minutos apresentaram reações cerebrais bastante inferiores a imagens de alimentos, segundo um novo estudo da Universidade Brigham Young, nos EUA.
Outras formas de distração são mascar chiclete e cheirar um produto não relacionado a alimentos. Aspirar o aroma de jasmim, por exemplo, ajuda a ocupar os mesmos receptores que atuam nos fortes desejos alimentares.
E estudos mostram que, quanto mais tempo as pessoas adiam a ingestão do alimento desejado, mais fracas fica a fissura.
Melinda Beck

23 de set. de 2012

Prometeu


A humanidade vive refém do materialismo mais feroz. Do custo comparado ao benefício, da lucratividade a qualquer preço, do consumismo idiota, da necessidade de remunerar acionistas anônimos, de pagar juros a banqueiros, impostos aos Césares, esquecendo-se de dar a Deus o que é de Deus. 
Cada um tem seu primado, que se esvanece como bolha a esbarrar no desejo e nos espinhos de outro primado. 
É o Prometeu imortal acorrentado ao rochedo com a águia comendo-lhe um fígado que se regenera a cada bicada. 
“Vaidade das vaidades”, disse Eclesiastes; “Fome de vento”, traduziu poeticamente um letrado francês. “Maia”, ilusão da matéria, sustentam os textos sagrados orientais.
“O desejo é o começo da infelicidade”, ensinou Gautama Buddha. “Doe tudo aos outros e me siga; seu será o reino do céu”, ensinou Jesus. Cristão de verdade é o yoguin, o saddhu, o homem santo que, na Índia, como um Francisco de Assis, adota o conselho de Jesus e larga tudo.
O resto parece um álibi, uma fermentação colossal de ideias e pretextos. É o vento que não sacia a nossa fome, é a águia que não mata, mas tortura Prometeu. É o César, imperador do mundo, que deseja possuir a Lua que brilha no céu de Roma. É o Midas que, a tocar os alimentos, transforma tudo em ouro e padece da fome mais brutal.
 
Bem sabe até o desprevenido que, ao morrer, nada levará. Sabe, mas não se importa. Acumula bens sem conseguir saciar a fome de vaidade. Vaidade para quê? Dizia Descartes: “Vive bem quem bem se esconde”, mas todos querem aparecer e aumentar seu saldo de maus-olhados.
 
Mais do que nunca, Platão! Mais do que nunca, seu mito da caverna para explicar o que é fácil entender e poucos tentam entender. E, no mito, o sábio grego mostra uma humanidade acorrentada, olhando suas sombras refletidas no fundo de uma caverna, enquanto o planeta, o sol, as galáxias, o universo brilham e prosperam lá fora.
 
A que serve essa luta se tudo é passageiro? A que serve ser governador se o desejo de ser presidente nos gera infelicidade?
 
Muito mais vale um pouco de tranquilidade, e o calor dos nossos amigos para comemorar no fim do dia com paz e serenidade uma mesa farta. A mesa que é o sonho de tantos desesperados.
Levante os olhos, mas sem desejar a Lua, esse astro que morreu e só inspira vampiros e lobisomens. Este é o maior desafio: aprender a dominar a si mesmo. O resto é mais simples. É consequência.
Vittorio Medioli

21 de set. de 2012

Livros


O livro não é um espetáculo em frente aos olhos do leitor. 

É um fogo que engole o leitor. Não existe a vida por um lado e a leitura por outro.

Ler pertence  à própria vida e transfigura toda vida
Pedro Eiras 

Os quilinhos a mais de Lady Gaga

Nos últimos dias, Lady Gaga vem exibindo uma silhueta mais, digamos, reconchuda nos shows que fez na Holanda e na Alemanha. 

Kelly Osbourne aposta que a cantora está grávida, a nutricionista Majid Al, convidada especial do programa de Kelly, o Fashion Police, acha que a moça engordou por abusar de bebidas alcoólicas, por mais que a Mother Monster tenha declarado, recentemente, que trocou o álcool pela maconha (tomara que os pais dos Little Monsters jamais fiquem sabendo disso). 

Há quem aposte que Gaga engordou mais de 13 quilos em tempo recorde e o real motivo da silhueta mais robusta ninguém sabe, mas acreditamos que esta nova fase da cantora pode ajudar muitos de seus fãs ao redor do globo. 

Uma recente pesquisa, liderada por pesquisadores das Universidades de Columbia, nos Estados Unidos, e da Universidade de Oxford, no Reino Unido, estima que, em 2030, metade da população norte-americana será obesa. 

Gaga sempre foi uma das celebridades que mais apoia seus fãs, cria novas formas para que eles valorizem sua auto-estima com frequência e chegou até a abrir uma instituição para combater o bullying, a Born This Way Foundation, que recebeu o nome do hit que já se transformou no hino dos que já sofreram com o preconceito.

Gaga ainda não falou nadinha sobre a sua nova forma física, mas esta pode ser uma ótima oportunidade para ela apoiar os fãs acima do peso ao redor do mundo, sendo aquele exemplo de que os gordinhos podem ser superpoderosos ídolos mundiais, sim, tal qual Beth Ditto, da banda americana Gossip. 
Heloisa Tolipan

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...