22 de nov. de 2012

O ser e a bola


Como o futebol pode se apoderar da alma do torcedor – e moldar sua personalidade



Um amigo tenta me consolar do rebaixamento do Palmeiras à segunda divisão: “Ainda bem que você tem outros times para compensar!” 
É verdade. Como muitos meninos criados no interior do Brasil, adotei um time para cada Estado da federação. Assim, já que minha cidade não contava com possíveis campeões (havia um revezamento de troféus entre os dois times de Porto Alegre), eu mantinha meu interesse à distância pelo futebol.
Em São Paulo, calhou de meu time ser somente o Palmeiras, um dos símbolos da imigração italiana no Brasil. Mas tenho times espalhados pelo Brasil e pelo mundo, não vou citar todos aqui. Fico apenas com o Rio de Janeiro. Houve um tempo em que adotei quase todas as equipes cariocas, já que eu promovia campeonatos de botão com os amigos na condição de “treinador” dos times cariocas disponíveis. Em relação ao campeonato do Rio, portanto, tornei-me ecumênico, pois gosto de todos. Consigo ser Vasco, Fluminense e Flamengo ao mesmo tempo, bem como Botafogo, Bangu e América.
  O que eu quero dizer é que possuo uma espécie de defeito de personalidade porque não me prendo visceralmente a nenhum clube, embora torça por alguns. Em futebol, meu coração é leviano. Eu colecionava figurinhas de todos os times. Sou de um tempo em que amigos e suas famílias iam aos estádios com camisas de times diferentes, torcendo no mesmo espaço por times rivais. E ninguém se matava ou matava os outros por isso. Com o tempo, os torcedores foram forçados a se transformar em fanáticos. Enquanto isso, cresci e me interessei por outros assuntos além do futebol. Mas ele permaneceu, como o menino permanece no homem.
A razão, no entanto, veio me socorrer. Em vez de sair para berrar ofensa ou me mortificar, passei a refletir sobre como o futebol no Brasil não apenas faz parte da vida das pessoas, como sobretudo constitui o sujeito, para roubar um termo de psicanálise. Assim como Jean-Paul Sartre diria que o ser precede a essência, eu me arrisco a dizer que no Brasil e em outros países a bola precede o homem. O futebol, em especial o time, fornece as características do que constrói o sujeito. E, numa tosca paráfrase a Thomas Hobbes, o homem é o time do homem. Hoje, torcer consiste em uma ação bem diferente daquela de minha infância. 
Torcer é “ser”. Assim, “ser” palmeirense em São Paulo, sobretudo nos últimos meses, significa apreciar as grandes tragédias, purgar os pecados nas chamas da derrota, rastejar em tempos difíceis e sair purificado ao final. No domingo passado, a assistir pela televisão a mais uma derrocada palmeirense, preferi ouvir uma ópera completa, O crepúsculo dos Deuses, de Richard Wagner, na versão “mozartiana” de Karl Böhm. Ao mesmo tempo que terminavam os últimos acordes - que marcam o fim dos deuses e o nascimento da humanidade – ouvi ao longe os fogos da torcida adversária, locupletando-se com a derrota alheia. Não atendi ao telefonema de meu cunhado santista, para não ouvir zombarias. Depois, no Twitter, algum gaiato postou: “Palmeirenses, tranquem as portas e fiquem em casa porque vamos festejar e arrebentar quem usar camisa verde”. Quase fui obrigado a me sentir humilhado, ofendido e acuado.  
A tradição de glórias e derrotas de uma equipe e futebol deve necessariamente pesar sobre os ombros do torcedor. Ser palmeirense é assumir a pungência da tragédia. O palmeirense é o novo sofredor diante da força do destino (é um título de ópera aliás). Ocupa o lugar deixado há muito tempo pelos coritintianos. Da mesma forma, ser corintiano hoje impõe ao ser do torcedor uma certa dose de grandiosa insanidade. Quando a Fiel grita que é um bando de loucos, não é só força de expressão. Trata-se da manifestação de uma crença arraigada na essência de cada um dos integrantes do grupo. Pertencer a uma torcida implica compartilhar cores, valores, origens, amizades, amores e idiossincrasias. É odiar os mesmos inimigos. É matar e morrer por esses “ideais”. Daí o surgimento das agressivas torcidas organizadas, que também podem reencarnar no Carnaval, com suas facções fantasiadas de escolas de samba.
Os reflexos da ontologia da bola acontecem até na vida amorosa. A comédia O casamento de Romeu e Julieta, de 2004, transforma a rivalidade entre as famílias Capuleto e Montecchio, de Verona, para as torcidas corintiana e palmeirense. Um corintiano pede uma palmeirense em casamento, mas precisa se disfarçar de verde para agradar ao sogro, dirigente do Palestra Itália. Conheço uma situação parecida: um casal de namorados, ela palmeirense, ele corintiano, que muitas vezes têm problemas de relacionamento por causa do fanatismo de um e outra. Uma coisa será impossível, infelizmente: vê-los em um setor de qualquer estádio, juntos, namorando, cada um com sua camisa, como teria sido comum em meados do século passado. Torcidas e amor, torcidas e diversidade são termos incompatíveis. As torcidas organizadas – e mesmo as não - se transformam em falanges de uma guerra perpétua e inexplicável. Pertencer a um time significa satanizar aqueles que não pertencem à falange. 
A que se deve tal situação? Talvez à degeneração dos valores humanos e culturais, fenômeno que se repete e se torna mais dramático nos estádios de futebol. Assim, o fanatismo clubístico é tanto um fator de união como de cizânia social. Sigmud Freud e Elias Canetti ensinaram que a psicologia das massas é irracional e causadora de tremendos conflitos. O fanatismo não tem outro sentido que estimular o ódio e o ressentimento ao “outro”. Esse tipo de mobilização em torno de uma ideia, ainda que clubística, já mostrou ser deletério. É algo próximo ao fascismo, e as torcidas organizadas são as atacantes do processo. Como ensinou o Filósofo das Quatro Linhas: “Futebol é futebol – e vice-versa”. Ou, pelo menos, deveria ser assim. O problema é que ele pode deixar de ser só futebol para transbordar para outras áreas. Feito um regime totalitário, por exemplo, o futebol se apodera do sujeito. O esporte atua como um invasor de almas. Sob a capa de cultura, ele vampiriza a vontade e anula a iniciativa do torcedor.

Você, palmeirense, já pensou em não ser palmeirense por um dia, por uma semana? (neste momento, seria aconselhável). E você, são—paulino, santista, gremista e outros, que tal passar umas horas sem encarnar o time, sem pensar nele? Eu, que me cultivei na admiração ecumênica por vários times, acho isso natural e saudável. Não consigo entender a mentalidade de “onda” com que alguns indivíduos cultivam a própria personalidade. Afinal, futebol não é tão importante assim para compor a maneira de viver, pensar e se comportar de qualquer indivíduo. O ser precede a bola - e é maior que ela.

Luís Antônio Giron

Uma potência que cai


Fluminense campeão por antecipação, Palmeiras na segunda divisão. O que pior se espera de um campeonato de pontos corridos e com bloco de rebaixados aconteceu: um líder disparado que torna as últimas rodadas supérfluas, a não ser para quem ainda busca consolo na classificação para uma das competições satélites, e uma potência que cai.
Defendo, solitariamente, a tese de que deveria haver uma espécie de liga de intocáveis, clubes que por sua tradição e pelo tamanho e poder econômico da sua torcida estariam imunes ao vexame do rebaixamento. Isto não eliminaria o ascenso e o descenso, ainda haveria lugar para os times que vêm de baixo subirem na vida. Apenas os grandes clubes, por pior que fossem nos campeonatos, e por pior administrados, não correriam o risco de cair. Estariam, por assim dizer, protegidos da sua própria incompetência.
Minha tese não é elitista nem sentimental. Se baseia em frio raciocínio capitalista. Qual é a lógica de um negócio que de uma hora para outra mutila o seu próprio mercado, tirando de cena uma das suas maiores atrações e dispensando o seu público? Eu sei, eu sei. As estatísticas mostram que as grandes torcidas não abandonam o time rebaixado, antes reforçam a sua devoção para ajudar a tirá-lo do buraco. O que é muito bonito, mas não esconde o fato de que grandes organizações profissionais como o Palmeiras são obrigadas a se submeter a regras amadorísticas.
Shakespeare sabia que a morte de um comum pode ser trágica mas só a morte de reis dava boas peças. Uma potência que cai tem ressonâncias e implicações que fazem pensar, como a queda dos reis shakespearianos, na transitoriedade da glória fugaz, e nunca é um espetáculo menos que impressionante - mesmo que a imagem que perdure seja apenas a de uma torcedora enxugando as lágrimas com a camiseta do clube.
Mas eu não deveria estar escrevendo tudo isto. Ultimamente minha única alegria como torcedor tem sido a de poder dizer que, falem o que falarem dele, o Internacional jamais caiu para a segunda divisão.
Luis Fernando Verissimo

10 passos para se livrar das dívidas até o fim do ano

Chegar ao fim do ano com dívidas pode gerar angústia com a aproximação das festas e das pesadas despesas de início de ano. 

Veja a seguir o que fazer para se livrar das dívidas até o fim do ano (ou ao menos reduzi-las), para iniciar 2013 no azul:

1. Forme uma reserva financeira se você é um “endividado controlado”
Ter dívida não é um problema. O crédito possibilita a antecipação dos sonhos de consumo e é uma ferramenta poderosa de planejamento para quem sabe usá-lo corretamente. Segundo o educador financeiro Reinaldo Domingos, autor do livro “Livre-se das dívidas”, existem dois tipos de dívidas e dois tipos de endividados.
As dívidas de valor são aquelas que têm bens em garantia e financiam grandes sonhos, como o financiamento habitacional e o de veículos; as dívidas sem valor são aquelas sem bens em garantia e que, por isso, têm juros elevados, como as dívidas no cartão de crédito, no crediário e no cheque especial. “São dívidas de valor menor e que facilmente levam as pessoas a se descontrolarem”, observa Domingos.
Já os dois tipos de endividados são, segundo Domingos, o “controlado” e o “descontrolado”. O “descontrolado” é o inadimplente, isto é, aquele que tem dívidas em atraso, principalmente dívidas caras para gastos cotidianos, como cartão de crédito e cheque especial. É principalmente este sujeito que deve fazer uma faxina na vida financeira na virada do ano.
O “controlado”, porém, é aquele que paga as prestações de seus financiamentos e suas contas em dia, sem entrar no cheque especial e sempre quitando a fatura do cartão de crédito integralmente na data certa. “Se você é um endividado ‘controlado’, não tem problema passar a virada do ano com dívidas”, ressalta.
Ou seja, se o pagamento de suas dívidas cabe dentro do seu orçamento, não há muito com que se preocupar. Se este é o seu caso, o principal conselho para você é: forme uma reserva financeira. “Se você não tiver reservas e tiver algum problema que o impeça de pagar suas prestações, vai acabar pagando caro por sua inadimplência”, lembra Domingos. O atraso no pagamento de uma parcela gera multa e juros de mora e pode levar o CPF do devedor a ser inscrito em um cadastro de inadimplentes.
2. Coloque “sair das dívidas” na lista de objetivos de ano novo – mas não como único objetivo
Se você está apreensivo com o seu endividamento – principalmente se você é um endividado “descontrolado” – coloque “sair das dívidas” na sua lista de objetivos para o novo ano. “Sair das dívidas deve ser um sonho, mas não o único. Coloque na lista também outros desejos”, diz Reinaldo Domingos, que lembra que outros anseios incentivam a não se endividar mais e a poupar.
3. Verifique os motivos do endividamento
Endividados “descontrolados” devem começar a faxina financeira pela verificação dos motivos que levaram ao endividamento. “Não adianta apenas usar o 13º salário para pagar as dívidas em atraso sem identificar a origem do descontrole financeiro. Assim você estará combatendo apenas o efeito, e não a causa da inadimplência”, diz Reinaldo Domingos.
4. Faça uma faxina financeira
Identificada a causa do desequilíbrio financeiro, é hora de colocar no papel todas as receitas e despesas mensais para compreender onde existem excessos. “O primeiro passo é reunir a família, para todos chegarem a uma solução juntos. Todo orçamento tem excessos que podem ser cortados”, lembra Domingos.
5. Corte as despesas em excesso
Corte primeiro os pequenos gastos supérfluos. Por supérfluo entenda-se o que não afeta o bem-estar e autoestima da família. “Não adianta cortar o cabelereiro da mulher ou os gastos com o futebol do homem no fim de semana se isso for muito importante para a autoestima de ambos”, diz o educador financeiro, que lembra que o que é supérfluo varia de família para família. Mas certamente é possível reduzir gastos com lazer, supermercado, luz, água, telefone e gás, por exemplo.
6. Crie uma folga no seu orçamento
Após os cortes, será possível criar uma folga no orçamento. Essa folga possibilitará, por exemplo, a renegociação de dívidas. “Se você criar uma folga no orçamento, já consegue definir quanto poderá pagar por mês para fazer uma proposta ao credor”, observa Domingos.
7. Use os recursos que entrarem para amortizar ou quitar dívidas
Quem tem dívidas de valores pequenos, ainda que em atraso, pode tentar quitá-las ou amortizá-las com algumas fontes de recursos extras. “A entrada do 13º salário é sempre uma boa oportunidade, principalmente para quitar dívidas no cheque especial e no cartão de crédito. Vender 10 dias de férias também é uma opção para começar o novo ano com tranquilidade”, indica Jurandir Sell Macedo, consultor de Finanças Pessoais do Itaú e professor da UFSC.
Além disso, se possível, aproveite créditos da Nota Fiscal Paulista e da Nota Fiscal Paulistana para abater, respectivamente, IPVA e IPTU e deixar o bolso mais leve no início do ano.
8. Troque linhas de crédito caras por outras mais baratas
Quem tem dívidas caras em atraso e está pagando juros altos pode tentar uma renegociação com o banco, substituindo essas linhas de crédito por linhas mais baratas, como empréstimos pessoais, empréstimos consignados ou mesmo linhas que tenham bens como garantia, como penhor, refinanciamento de imóvel ou refinanciamento de carro. Nestas modalidades, é possível pegar um percentual do valor do bem emprestado, deixando-o como garantia, seja ele uma joia, uma casa ou um carro.
Também é possível fazer a portabilidade de uma dívida de um banco para outro sem custo, caso o novo banco ofereça condições mais vantajosas, tanto em termos de custo de manutenção de conta e tarifas quanto de juros e custo efetivo total da dívida.
Ainda assim, o banco de destino não é obrigado a aceitar a transferência do débito, e esse benefício só costuma ser vantajoso para linhas como empréstimos pessoais, crédito consignado e financiamentos de veículos. Dívidas no cartão de crédito e no cheque especial devem preferencialmente ser trocadas por linhas mais baratas, e linhas como crédito direto ao consumidor normalmente têm prazo curto demais para compensar a migração. Já no caso dos financiamentos habitacionais, os custos cartoriais, que deverão ser pagos novamente, geralmente tiram a vantagem da migração.
9. Renegocie dívidas em atraso
Dívidas atrasadas também podem ser renegociadas com o credor, principalmente se o seu nome estiver “sujo”, isto é, incluído em um cadastro de inadimplentes. Após criar uma folga no seu orçamento, procure o credor para propor um alongamento do prazo, com redução do valor das parcelas e dos juros, ou mesmo um desconto para quitação à vista. Ciente de quanto pode pagar por mês, é possível já fazer a proposta adequada às suas possibilidades.
A renegociação pode ser feita por conta própria ou com a ajuda de um órgão de defesa do consumidor. A Serasa Experian lançou recentemente um serviço que permite ao credor fazer a proposta de renegociação ao devedor pela internet. Caso aceite, o devedor não precisa fazer mais nada, apenas imprimir o boleto e começar a pagar sob as novas condições.
10. Pague primeiro as dívidas de serviços essenciais
A quitação das dívidas também deve seguir uma ordem, dando-se preferência aos serviços essenciais, que podem ser cortados caso não sejam pagos, como contas de luz, telefone, água e gás. Para Reinaldo Domingos, em seguida devem ser pagas ou renegociadas as dívidas que têm bens em garantia, que podem ser retomados em caso de inadimplência, como financiamentos e refinanciamentos de imóveis e veículos.
Em seguida, diz o educador financeiro, devem ser pagas as dívidas com juros maiores, como as do cartão de crédito e do cheque especial. E, finalmente, as dívidas de juros menores que não têm bens atrelados a elas. “Para estas, dá para dizer não em um primeiro momento”, diz Domingos.
Julia Wiltgen


21 de nov. de 2012

Casamento bom

O casamento é uma defesa eficaz contra o declínio natural de satisfação com a vida, afirmam psicólogos norte-americanos. Apesar das crises e das críticas, o efeito benéfico do matrimônio é superior ao do nascimento de um filho

Muito já se falou sobre a falência do casamento. Não faltam exemplos, mundo afora, de maridos e esposas brigando como gato e rato e até chegando a extremos. Mas, se casar pode ser ruim, não casar pode ser pior, sustenta um recente estudo norte-americano, publicado no Journal of Research in Personality.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan liderados por Stevie Yap debruçaram-se sobre um levantamento realizado na Grã-Bretanha entre 1991 e 2008, baseado em entrevistas anuais com mais de dez mil adultos sobre o grau de satisfação com a vida. A equipe de Yap identificou quatro subgrupos de casais relacionados a eventos existenciais importantes: aqueles que haviam se casado pela primeira vez; os que tiveram seu primeiro filho; cônjuges que enviuvaram; e casais que sofreram com desemprego durante os anos do estudo. Cada membro desses subgrupos foi comparado a indivíduos com características demográficas similares que não haviam vivenciado esses acontecimentos.

O objetivo era verificar se características pessoais, tais como afabilidade ou extroversão, ajudam a lidar com eventos significativos, como pesquisas anteriores sugeriam. A resposta, no caso, foi negativa: não foram encontradas evidências consistentes que justificassem essa suposição. Mas as informações colhidas no levantamento revelaram um ângulo pouco conhecido do casamento.

Estabilidade
As pessoas que se casaram pela primeira vez, e se mantiveram nesse estado civil, declaram sentir-se naturalmente mais felizes nos primeiros anos do matrimônio. Com o passar dos anos, a satisfação existencial cai a níveis próximos às circunstâncias pré-matrimoniais.

A pesquisa não contém evidências de que os casados eram mais ou menos felizes do que os solteiros da mesma faixa etária, mas revela que os solteiros exibem “recuos” na felicidade bem mais acentuados em longo prazo. Aparentemente, o matrimônio mantém o nível de satisfação mais estável.

Yap observou, em pesquisas anteriores, que as pessoas entre 20 e 39 anos apareciam como as menos felizes quando comparadas a outras décadas de vida. Mas poucas dessas viveram relacionamentos de longo prazo. A partir dos resultados obtidos, o psicólogo concluiu que relações duradouras, como casamento, preservam os cônjuges contra o desgaste natural do nível de felicidade. “O casamento não torna você mais feliz do que estava antes de se casar. Mas protege contra o declínio da felicidade que teria ocorrido se você não houvesse se casado”, afirma. A pesquisa do Journal of Research in Personalityinfelizmente não define o que significa “declínio da felicidade”. Os níveis de felicidade dos casais que tiveram o primeiro filho subiam após o evento, caindo, depois, para um patamar semelhante ao que antecedia o nascimento. Esse foi o subgrupo que mais se aproximou dos casados pela primeira vez. No entanto, segundo Yap, a vinda do primeiro filho não preserva a felicidade tal como o casamento, embora os dois eventos figurem entre os mais positivos da existência.

Membros dos subgrupos que enfrentaram a morte do cônjuge ou a perda do emprego apresentaram declínio de satisfação consistente, em longo prazo. Aparentemente, muitos não conseguem assimilar a mudança ocorrida e recompor a vida. Já pessoas que enviuvaram com a idade média de 80 anos relataram níveis de satisfação antes do falecimento do cônjuge mais altos do que qualquer outro membro de subgrupo, fosse dos casados, dos pais do primeiro filho ou daqueles que sofreram demissão do emprego.

A conclusão é clara: há um vínculo de longo prazo entre o casamento e a felicidade. “O estudo evidencia que, na média, o casamento é bom e faz muito bem”, afirma o pesquisador.

Eduardo Araia

18 de nov. de 2012

Cientistas mapeiam a atividade cerebral de médiuns


cerebro arteA atividade cerebral em determinadas partes do cérebro dos médiuns diminui nas sessões de psicografia, revela um artigo científico publicado nesta sexta-feira na revista PLOS ONE. Realizado por pesquisadores da Universidade Thomas Jefferson, nos Estados Unidos, e da Universidade de São Paulo (USP), o estudo mapeou, por meio de tomografias, os cérebros de uma dezena de médiuns brasileiros enquanto eles psicografavam.
As áreas do cérebro que apresentaram redução no fluxo sanguíneo cerebral foram o hipocampo esquerdo, o giro temporal superior direito e regiões do lobo frontal, que são associadas ao raciocínio, planejamento, geração de linguagem, movimento e solução de problemas. Para os autores, entre eles Andrew Newberg, professor da Universidade Thomas Jefferson, e Julio Peres, professor do Instituto de Psicologia da USP, essa pouca atividade pode indicar falta de foco, de atenção e de autoconsciência durante as psicografias. O curioso, no entanto, é que a complexidade das cartas redigidas durante o transe da psicografia deveria estar relacionada com uma maior atividade nessas áreas do cérebro.
"Experiências espirituais afetam a atividade cerebral, e isso é conhecido. Mas a resposta cerebral à prática de uma suposta comunicação com um espírito ou uma pessoa morta recebeu pouca atenção científica. A partir de agora, novos estudos devem ser realizados", diz Newberg.

Saiba mais

PSICOGRAFIA
Habilidade atribuída a médiuns de escrever mensagens ditadas por espíritos, estabelecendo uma espécie de elo entre o mundo terreno e o espiritual.

HIPOCAMPO
São estruturas localizadas nos lobos temporais do cérebro humano responsáveis pelas memórias de curto e longo prazo. A relação entre seu tamanho e capacidade, no entanto, ainda não está clara. A região atua também no sistema de navegação espacial e na ativação de hormônios que respondem a situações de estresse, adaptando o corpo.
De acordo com o espiritismo, os médiuns, quando psicografam, recebem mensagens de espíritos de pessoas mortas. No Brasil, o mais conhecido dos médiuns foi o mineiro Chico Xavier (1910-2002), que produziu mais de 400 livros.
Para comparar o nível de atividade cerebral durante as psicografias, os cientistas aplicaram exames nos médiuns enquanto eles escreviam textos sem estar em estado de transe. 
Experiência — A redução da atividade no lobo frontal ocorreu em níveis diferentes nos participantes. Eles foram separados entre médiuns experientes e iniciantes, sendo que o tempo de exercício da atividade variava de 5 a 47 anos. Para os noviços, a atividade no lobo posterior foi consideravelmente mais intensa. De acordo com os pesquisadores, isso pode indicar um maior esforço para tentar atingir com sucesso o estado de transe.
Outra questão levantada pela pesquisa é a complexidade dos textos produzidos. Uma análise mostrou que o conteúdo das cartas psicografadas era mais complexo do que as redigidas para outros fins. "Particularmente, os médiuns mais experientes produziram um material mais complexo, o que na teoria deveria requerer mais atividade nos lobos temporal e frontal. Mas este não foi o caso", escrevem os estudiosos. O conteúdo das cartas psicografadas, por exemplo, envolvia princípios éticos e abordava questões de espiritualidade e ciência.
Uma das hipóteses para esse fenômeno, segundo os pesquisadores, é que, ao reduzir a atividade do lobo frontal, outras partes do cérebro sejam acionadas, aumentando o nível de complexidade. "Enquanto as razões exatas para isso são ainda desconhecidas, nosso estudo sugere que há uma correlação neurofisiológica envolvida", afirma Newberg.
Essa correlação, no entanto, não é, absolutamente, um indicativo de uma suposta conexão com o mundo espiritual, ou algo do gênero. O mesmo fenômeno observado no cérebro dos médiuns ocorre com o cérebro de pianistas, por exemplo. Enquanto eles estão aprendendo a tocar e é preciso se concentrar em cada nota musical, o cérebro é ativado. Mas às medida que se tornam experts e tocar não requer mais tanta concentração, o cérebro não produz tanta atividade. "Podemos estar vendo um fenômeno parecido, no qual os médiuns treinam seus cérebros para desempenhar uma atividade psicográfica", diz Newberg.

"O estudo contribui para o nosso entendimento da relação entre o cérebro e as experiências e práticas espirituais" 

Andrew Newberg
Diretor de Pesquisa no Myrna Brind Center of Integrative Medicine da Universidade Thomas Jefferson


Por que houve essa diferença na atividade cerebral de acordo com a experiência dos médiuns?
Eu acho que isso reflete como o cérebro pode ser treinado para uma tarefa particular — um efeito de treino. Por exemplo: quando uma pessoa começa a aprender a tocar piano, ou outro instrumento musical, ela precisa, a princípio, focar em aprender cada nota — presumivelmente ativando o cérebro. Mas, na medida em que ela se torna um expert, o cérebro fica mais eficiente e pode até diminuir sua atividade, uma vez que tocar torna-se uma coisa fácil, que pode ser feita sem pensar. Podemos estar vendo um fenômeno parecido, no qual os médiuns treinam seus cérebros para desempenhar uma atividade psicográfica.
O que a redução da atividade em certas partes do cérebro sugere?
Neste caso, o estudo sugere que áreas que normalmente funcionam quando estamos escrevendo ou realizando outras tarefas cognitivas, de certa forma, desligam quando a pessoa entra em estado de transe. Isso é consistente com a experiência (dos médiuns) segundo a qual eles não estão no comando da prática e do que estão escrevendo. Quando a atividade do lobo frontal diminui, a pessoa não sente que está realizando uma tarefa, e sim que essa tarefa está sendo feita para ela.
Qual a relação entre experiências espirituais e a atividade cerebral?
As experiências espirituais são muito diversificadas e incluem processos cognitivos, emocionais, de percepção e de comportamento. Dependendo do tipo de experiência, nós vemos diferentes maneiras no modo como o cérebro responde. Para a psicografia, o lobo frontal diminui sua atividade porque o transe faz com que eles sintam que não estão escrevendo.
Na opinião do senhor, qual a maior contribuição do estudo?
Eu acho que o estudo contribui para o nosso entendimento da relação entre o cérebro e as experiências e práticas espirituais. Também nos leva a pensar se os médiuns de fato estão conectados a um reino espiritual, ou se simplesmente estão usando seus cérebros para construir essas experiências. Esse estudo não nos dá uma resposta definitiva. Mas traz muita coisa para pensarmos.
Revista Veja

16 de nov. de 2012

Aprender, sempre

Quanto possível faça algo ou aprenda algo de útil para que seu dia de hoje seja melhor que o de ontem.
André Luiz

Conflitos

Na discussão, o vencido obtém maior proveito, pois aprende aquilo que ainda não sabia.
Epícuro

Conheça o pai da 'invenção' mais letal da história


Ele parece pequeno e inofensivo - branco e com apenas oito centímetros de tamanho. Mas o cigarro é visto como um dos grandes males da saúde pública e repudiado como poucos produtos.

Mas quem o inventou e como essa pessoa pode ser responsabilizada pelas inúmeras mortes provocadas pelo cigarro?

O cirurgião americano Alton Ochsner lembra que, quando ainda era estudante de medicina em 1919, sua turma foi chamada para assistir a uma autópsia de uma vítima de câncer de pulmão. Na época, a doença era tão rara que os estudantes acharam que não teriam outra chance de testemunhar algo parecido.

Quase um século depois, estima-se que 1,1 milhão de pessoas morram por ano da doença. Cerca de 85% dos casos são relacionados a apenas um fator: tabaco.

"O cigarro é o artefato mais mortal da história da civilização humana", diz Robert Proctor, da Universidade de Stanford. "Ele matou cerca de 100 milhões de pessoas no século 20."

Fenômeno

Jordan Goodman, autor do livro "Tabaco na História" disse que, como historiador, ele teve o cuidado de não apontar o dedo a nenhum indivíduo, "mas na história do tabaco eu me sinto confiante em dizer que James Buchanan Duke - conhecido como Buck Duke - foi responsável pelo fenômeno do século 20 conhecido como cigarro".

Em 1880, aos 24 anos, Duke entrou em um nicho da indústria do tabaco - os cigarros já enrolados. Uma equipe pequena de Durham, no Estado da Carolina do Norte, enrolava a mão os cigarros Duke of Durham.

Dois anos depois, Duke percebeu uma chance de ganhar dinheiro. Ele começou a trabalhar com um jovem mecânico chamado James Bonsack, que disse que poderia construir uma máquina para fabricar cigarros.

Duke estava convencido que as pessoas estariam dispostas a fumar os cigarros perfeitamente simétricos produzidos pela máquina.

O equipamento revolucionou a indústria do tabaco.

"Trata-se, essencialmente, de um cigarro de tamanho enorme, cortado em comprimentos apropriados, por lâminas rotativas", diz Robert Proctor.

Mas, como as pontas ficavam abertas, o tabaco precisava ser umedecido, para ficar rígido, e não cair do cigarro. Isso era feito com ajuda de aditivos químicos, como glicerina, açúcar e melaço.

Mas esse não era o único desafio. Antigamente, as funcionárias enrolavam cerca de 200 cigarros por turno. A nova máquina produzia 120 mil cigarros por dia - um quinto do consumo de todos os Estados Unidos, na época.

"O problema é que ele era capaz de produzir muito mais cigarros do que conseguia vender", diz Goodman. "Ele precisava entender como conquistar esse mercado."

Marketing e publicidade

A resposta estava na publicidade e no marketing. Duke patrocinou corridas, distribuiu cigarros gratuitamente em concursos de beleza e colocou anúncios nas revistas da época.

Ele também percebeu que a inclusão de figurinhas colecionáveis nas carteiras de cigarro era tão importante quanto trabalhar na qualidade do produto. Em 1889, ele gastou US$ 800 mil em marketing (ou US$ 25 milhões, em valores de hoje em dia).

Bonsack ficou com a patente da máquina, mas, em gratidão ao apoio de Duke, deu 30% de desconto no seu aluguel ao industrial.

A vantagem competitiva - aliada à promoção vigorosa - foi fundamental para o sucesso de Duke. Como suspeitava, as pessoas gostavam dos cigarros feitos pela máquina. Eles tinham aparência mais moderna e higiênica. Uma das campanhas enfatizava o fato de que cigarros manuais eram feitos com contato da mão e da saliva de outras pessoas.

Mas, apesar de o número de fumantes ter quadruplicado nos 15 anos até 1900, o mercado ainda era um nicho, já que a maioria das pessoas mascava tabaco ou fumava usando cachimbos ou charutos.

Duke - que também era fumante - viu o potencial competitivo dos cigarros em relação aos demais produtos. Uma das vantagens era a facilidade para acendê-los, ao contrário dos cachimbos.

"O cigarro, realmente, era usado de forma diferente", diz Proctor. "E uma das grandes ironias é que os cigarros eram considerados mais seguros do que os charutos porque eram vistos como apenas 'pequenos charutinhos'."

Mas um elo direto com câncer de pulmão não foi encontrado até 1957 na Grã-Bretanha e 1964 nos Estados Unidos.

Os cigarros chegaram a ser promovidos como benéficos à saúde. Eles eram listados nas enciclopédias farmacêuticas até 1906 e indicados por médicos para casos de tosse, resfriado e tuberculose - uma doença que é agravada pelo fumo.

Moralidade

No começo dos anos 1900, houve um movimento antitabagismo, mas ele estava mais relacionado à moralidade do que à saúde.

O crescimento no número de crianças e mulheres fumantes era parte de um debate sobre o declínio moral da sociedade. Os cigarros foram proibidos em 16 Estados americanos entre 1890 e 1927.

A atenção de Duke voltou-se para o exterior. Em 1902, ele formou a empresa britânica British American Tobacco. As embalagens e o marketing foram ajustados para mercados consumidores diferentes, mas o produto era basicamente o mesmo.

"Para ele, todos os cigarros eram iguais. Toda a globalização que hoje nos é familiar, com marcas como McDonalds e Starbucks - tudo isso foi antecipado por Duke e seus cigarros."

A indústria do cigarro continua em expansão até hoje. Apesar de ela estar em queda em determinados países desenvolvidos, no mundo emergente, a demanda por cigarros cresce 3,4% por ano. Em números globais, a indústria ainda está crescendo.

A Organização Mundial da Saúde alerta que, caso não sejam adotadas medidas preventivas, 100 milhões de pessoas morrerão de doenças relacionadas ao tabaco nos próximos 30 anos - um número superior à soma de vítimas da Aids, tuberculose, acidentes de carros e suicídios.

Mas Buck Duke pode ser responsabilizado por isso? Afinal de contas, ninguém é obrigado a fumar.

Em um ensaio recente para a revista Tobacco Control, Robert Proctor argumenta que todos na indústria tabagista têm sua parcela de culpa.

"Nós temos que perceber que anúncios podem ser cancerígenos, junto com as lojas de conveniência e até farmácias que vendem cigarros. Os executivos que trabalham na indústria tabagista causam câncer, assim como os artistas que desenham as carteiras e as empresas de relações públicas e marketing que lidam com essas contas", diz Proctor.

Buck Duke morreu em 1925, antes da era dos grandes processos e da responsabilização do tabaco por doenças como câncer de pulmão.

"Eu não o culparia pelo [crescimento do] consumo de cigarros", diz Bob Durden, que é biógrafo do industrial. Ele aponta que Duke também foi responsável por ações positivas, como doações de mais de US$ 100 milhões para o Trinity College, na Carolina do Norte, que foi rebatizado de Duke University, em sua homenagem.

"Ele foi tanto um herói quanto um vilão ", diz Goodman. "Buck Duke é um herói em termos de sua compreensão do mercado e da psicologia humana, da formação de preço, da publicidade. Nesse sentido, ele não é vilão. Mas ele fez o mundo fumar cigarros. E os cigarros são o grande problema do século 20."
BBC

14 de nov. de 2012

O lobo de Gúbio

Um dos episódios mais conhecidos da vida de São Francisco é o do lobo de Gúbio. Mais de uma fonte franciscana relatam o fato. 

Contam os biógrafos do santo que apareceu nos arredores da cidade de Gúbio um lobo que, em pouco tempo, aterrorizou toda cidade, devido à sua voracidade, devorando não só animais, mas, inclusive, homens e mulheres. 

Em Gúbio, cidade na Úmbria, todos andavam armados quando saíam da cidade, como se fossem para um combate. Por isso, cercaram a cidade com altas muralhas e reforçaram as portas.

Certa vez, quando Francisco chegou naquela cidade, estranhou muito o medo do povo. Percebeu que a culpa não podia ser unicamente do lobo. Havia no fundo dos corações outra causa que era tão destrutiva como parecia ser a causa do lobo.

Logo, Francisco ofereceu-se para ajudar. Resolveu sair ao encontro do lobo, sozinho e desarmado, mas cheio de simpatia e benevolência pelo animal, e como dizia às pessoas, na força da “Cruz”.

O perigoso lobo, de fato, foi ao encontro de Francisco, raivoso e de boca aberta pronto para devorá-lo!

Ao se aproximar do lobo, ordenou-lhe, em nome de Cristo, que não fizesse nenhum mal aos habitantes da cidade nem, tampouco, aos animais irracionais. Em contrapartida, prometeu-lhe que ninguém lhe faria qualquer mal. Disse, ainda, que, enquanto o lobo vivesse, lhe seria dado alimento pelos homens daquela cidade. Ditas essas coisas, São Francisco aproximou-se do lobo e lhe estendeu a mão. O lobo, por sua vez, ergueu a pata dianteira e colocou-a mansamente sobre a mão de São Francisco. 

Ante tal gesto, o santo entrou na cidade – pois seu encontro inicial com o lobo acontecera fora – e pediu aos presentes a garantia de que, doravante, alimentariam o lobo, afirmando que se colocava como fiador de que aquele observaria o pacto de paz, no que todos aquiesceram prontamente. Depois disso, São Francisco se dirige ao lobo, conclamando-o a entrar com ele na cidade. 

São Francisco, diante de todos, disse ao lobo: ‘E tu, irmão lobo, prometes observar o pacto com eles, a saber, de não lesar nem animal nem pessoa alguma?’ E o lobo, ajoelhando-se, com inclinação da cabeça e com gestos do corpo, e abanando a cauda e as orelhas, demonstrou a todos de maneira evidente que observaria os pactos prometidos”

Oração de São Francisco de Assis


Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

São Francisco de Assis

Do ventre de Maria Picalini e Pietro Bernardone, na cidade de Assis, Itália nasce em 26 de setembro de 1182, Francisco Bernardone

Francisco de Assis em outra encarnação fora João Evangelista, discípulo querido, responsável pela vida de Maria, após a volta de Jesus ao seu verdadeiro Reino.

Sua mãe queria chamá-lo de João, mas seu nome foi mudado para Francisco depois de um sonho que seu pai teve pouco antes da criança nascer onde João Evangelista pregava e falava lindas palavras de amor para ele. João Evangelista precisou trocar de nome para fugir dos assassinos dos cristãos, seu novo nome era Francisco, Pai Francisco para seus fiéis amigos.

Seu pai Pedro Bernardone, rico comerciante de tecidos, sonhava fazê-lo homem de negócios e de fortuna, mas Francisco, de gênio alegre e cavaleiresco pensava mais nas glórias do mundo do que nos negócios. 

Em 1202, com 20 anos, foi a guerra entre sua cidade natal (Assis) e Perusa, ao partir, jurou voltar consagrado cavaleiro. Caiu prisioneiro, ficando um ano na prisão. Comportou-se com serenidade, levantou a moral dos seus companheiros, transmitindo confiança e alegria. Foi resgatado pelo pai, por estar muito doente e permaneceu um tempo em Assis para sua recuperação.

Refeito da grave doença e em período de transição que mudou sua vida, encontrava-se caminhando fora da cidade, quando viu um leproso vindo na sua direção, ficou apavorado pois tinha horror desta doença, quis fugir, mas manteve-se firme, dirigiu-se ao doente, beijou-lhe as mãos e o rosto, em demonstração de afeto e encheu-lhe a bolsa de moedas, com generosidade.


Ao retirar-se sentiu-se vitorioso e voltou-se para ver uma vez mais o estranho, não logrou perceber figura alguma na estrada, o homem desaparecera misteriosamente. Após este fato sentiu o chamado de Deus. 

Enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: "Francisco, restaura minha igreja". O chamado, ainda pouco claro para Francisco, foi tomado no sentido literal e o santo vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. 

É bom ressaltar que na época que Francisco nasceu, tínhamos uma igreja católica dominante e corrupta, onde pecado era ser pobre. No Egito e na Síria dominava o sultão Saladino, o comandante da 3ª cruzada, onde os muçulmanos venceram o temido Ricardo Coração de Leão, este sultão marcou sua história na idade média contribuindo para a calamidade universal como conquistador. As cruzadas eram tão maléficas quanto a inquisição iniciada por Torquemada em 1420.

Seu pai, não aceitou seu modo de vida e quis apenas receber o dinheiro que Francisco gostaria de gastar com os pobres e com a igreja. Francisco resolve entregá-lo com amor, pois não era apegado a este bem. Vai ao bispo e renuncia a tudo, e sem mais, tira sua roupa e fica nu perante todos, livre assim a tudo que o prendia a seu pai terrestre.

Em janeiro de 1206 começa a reparação da capela de São Damião em 1208, também o de San Pietro e Santa Maria Degli Angeli ou Porciuncula, que era dos beneditinos e fora emprestada a Francisco onde passou a ser o berço de uma nova ordem.

Neste tempo, muitos adeptos da nova filosofia resolveram segui-lo , os primeiros personagens são: frei Leão, frei Filipe, frei Câncava, frei Arlindo, frei Bernardo, frei Pedro, frei Rufino, frei Silvestre, frei Ângelo, frei Quirino, frei Tancredo, frei José, frei Luiz, frei Diogo, frei Egidio, frei Morico, frei João da Capela e frei Sabatino. Interessante dizer que o frei João da Capela abandonou a ordem nos primeiros meses por não conseguir manter a castidade.

Foi assim que Francisco tratou de desprezar a própria vida mundana para encontrar como pobre a felicidade que tanto almejava. Saiu em busca de sua paz ajudando doentes, confortando miseráveis e leprosos, amando todos como irmãos.
Amava tanto a Deus que lutava constantemente pela salvação das almas, seu amor ao próximo era tão intenso que quando não podia mais andar e quase cego, percorria as terras montado em um jumento para levar a benção do Senhor. 


Em seu amor a Deus sempre repetia: "Senhor! Minha alma tem sede de Vós e meu corpo mais ainda".

Em uma noite memorável, pediu humildemente a Jesus, que, mesmo não merecendo tanta glória, se fosse da vontade Divina, que as chagas imortalizadas pelo Mestre tomasse conta de seu maltratado corpo. Acordou então com chagas nos pés e nas mãos.

Em 3 de outubro de 1226, com 45 anos, o planeta perde o seu maior representante divino.

Ao desencarnar, Francisco viu então uma fila de anjos batendo palmas e Jesus no centro, aproximou-se chorando como criança e falou ao Mestre: "Mestre, se porventura mereço a tua benção, que ela seja dada aos companheiros que ficam no mundo. Eles carecem da Tua ajuda agora e sempre"
.

13 de nov. de 2012

Pepsi Special - que dizem - ajuda a emagrecer

O Japão está lançando uma edição especial da Pepsi que promete ajudar a emagrecer reduzindo a absorção de gordura. 

Descrita como “alimento para usos específicos relacionados à saúde”, a Pepsi Special tem o selo de aprovação do governo japonês e começa a ser vendida hoje. 

Aliás, acabaram de inventar a desculpa perfeita para quem nao quer se livrar do refrigerante mesmo quando diz que está de diet
Blue Bus

A estética da corrupção

Meu Deus, como a CPI do Cachoeira e o "mensalão" do Zé Dirceu têm nos ensinado no último ano... Aprendemos muito sobre a estética da corrupção, sobre a semiologia dos casos cabeludos. 

Eu adoro o vocabulário das defesas, das dissimulações, as carinhas franzidas dos acusados na TV ostentando dignidade, adoro ver ladrões de olhos em brasa, dedos espetados, uivos de falsas virtudes. 

Quando explode um choro, é um êxtase. Alegam, entre soluços, que são sérios, donos de empresas impecáveis. Vai-se olhar as empresas, e nunca nada rola normal, como numa padaria. As empresas sempre são "em sanfona", "en abîme" - uma dentro da outra, sempre com "holdings", subsidiárias, firmas sem dono, sem dinheiro, sem obras, vagando num labirinto jurídico e contábil que leva a um precioso caos proposital, pois o emaranhado de ladrões dificulta apurações. Me emociona a amizade dentro das famílias corruptas. São inúmeros os primos, tios, ex-sócios, ex-mulheres que assumem os contratos de gaveta, os recibos falsos, todos labutando unidos. 
Baixa-me imensa nostalgia de uma família que não tenho e fico imaginando os cálidos abraços, os sussurros de segredo nos cantos das varandas, o piscar de olhos matreiros, as cotoveladas cúmplices quando uma verba é liberada em 24 horas, os charutos comemorativos; tenho inveja dos vastos jantares repletos de moquecas e gargalhadas, piadas, dichotes, sacanagens tão jucundas, tão "coisas nossas", que até me enternecem pela preciosidade antropológica de nossa sordidez.
Adoro ver as caras dos canalhas. Muitos são bochechudos, muitos cachaços grossos, contrastando com o "style" anoréxico das vítimas da seca, da fome - proletários 'chiques', 'elegantérrimos' pela dieta da miséria. Os corruptos tendem para a obesidade e parecem acumular dentro das barrigas suas riquezas sempre iguais: piscinas, fazendas, lanchões, 'miamis'. Todos têm amantes, todos com esposas desprezadas e tristes se consumindo em plásticas e murchando sob litros de botox, têm filhos paspalhões, deformados pelas doenças atávicas dos pais e avôs. Aprecio muito bigodões e bigodinhos. Nas oligarquias, os bigodes corruptos são poderosos, impositivos, bigodes que ocultam origens humildes criadas à farinha d'água e batata-de-umbu, camuflando ancestrais miscigenados com índios e negros, na clara dissimulação de um racismo contra si mesmos.
Amo o vocabulário dos velhacos e tartufos. É delicioso ver as caras indignadas na TV, as juras de honestidade, ouvir as interjeições e adjetivos raros: "ilibado", "estarrecido", "despautério", "infâmias", "aleivosias"... Os corruptos amam a norma castiça da língua, palavras que dormem em estado de dicionário e despertam na hora de negar as roubalheiras. São termos solenes, ao contrário das gravações em telefone: "Manda a grana logo para o F.d.p. do banco, que é um grande *#@, senão eu vou #@** a mãe deste *#&@ !!!" Outra coisa maravilhosa nos canalhas é a falta de memória. Ninguém se lembra de nada nunca: "Como? Aquela mulher ali, loura, 'popozuda', de minissaia? Não me lembro se foi minha secretária ou não". E o aparente descaso com o dinheiro? Na vida real, farejam a grana como perdigueiros e, no entanto, dizem nos inquéritos: "Ih!... como será que apareceram R$ 10 milhões na minha conta? Nem reparei. Ah... esta minha memória!..."
E logo acorrem os juízes das comarcas amigas, que dão liminares e mandados de segurança de madrugada, de pijama, no sólido apadrinhamento oligárquico, na cordialidade forense e sempre alerta, feita de protelações, dasaforamentos, instâncias infinitas, até o momento em que surge um juiz decente e jovem, que condena alguém e é logo xingado de "exibicionista". Adoro as imposturas, as perfídias, os sepulcros caiados, os beijos de Judas, os abraços de tamanduá, as lágrimas de crocodilo. Adoro a paisagem vagabunda de nossa vida brasileira, adoro esses exemplos de sordidez descarada, que tanto ensinam sobre o nosso Brasil. 

Amo também ver o balé jurídico da impunidade. Assim que se pega o gatuno, ali, na boca da cumbuca, ali, na hora da "mão grande", surgem logo os advogados, com ternos brilhantes, sisudos semblantes, liminares na cinta, serenidade cafajeste e, por trás de muitos deles, dá para enxergar as faculdades malfeitas, as 'chicaninhas' decoradas, os diplomas comprados. Imagino a adrenalina que lhes acende o sangue quando a mala preta voa em sua direção, cheia de dólares. Imagino os olhos covardes dos juízes que lhes dão ganho de causa, fingindo não perceber a piscadela cúmplice que lhes enviam na hora da emissão da liminar.
Os canalhas explicam o Brasil de hoje. Eles têm raízes: avô ladrão, bisavô negreiro e tataravô degredado. Durante quatro séculos, homens como eles criaram capitanias, igrejas, congressos, labirintos. Nunca serão exterminados; ao contrário - estão crescendo. Acham-se sempre certos, pois são 'vítimas' de um mal antigo: uma vingança pela humilhação infantil, pela mãe lavadeira ou prostituta que trabalhou duro para comprar seu diploma falso de advogado. Não adianta prender nem matar; sacripantas, velhacos, biltres e salafrários renascerão com outros nomes, inventando novas formas de roubar o País.
Adoro ver como eles gostam do delicioso arrepio de se saberem olhados nos restaurantes e bordeis; homens e mulheres veem-nos com volúpia: "Olha, lá vai o ladrão..." - sussurram fascinados por seu cinismo sorridente, os "maîtres" se arremessando nas churrascarias de Brasília e eles flutuando entre picanhas e chuletas. Enquanto houver 25 mil cargos de confiança no País, enquanto houver autarquias dando empréstimos a fundo perdido, eles viverão. Não adiantam CPIs querendo punir. No caso do mensalão, durante suas defesas no STF, vimos que muitos contavam justamente com as deficiências da Justiça para ganhar. Pode ser que agora mude tudo, depois desse julgamento histórico. Mas, enquanto houver este bendito Código de Processo Penal, eles sempre renascerão como rabos de lagartixa.
Arnaldo Jabor

Educação - Criando Exemplos


Você se torna o herói de seu filho quando ele lhe vê como o exemplo a ser seguido. É o pai herói, algo muito assustador. 
Por muitos anos convivi com um professor na USP que era muito estudioso. Ele era um idealista, acreditava que faria um mundo melhor se somente sua visão política fosse compartilhada por todos. Pregava a luta armada para chegar ao poder, coisa comum na universidade quando eu era mais jovem.
Era sério e sisudo, nunca o vi soltar uma gargalhada; trabalhava aos sábados e domingos e ia a todas as reuniões de protestos. Fumava, mas não bebia. Não tomava sol por causa dos raios ultravioletas e era vegetariano por convicção. Bastante tímido, vestia-se mal; não era necessariamente uma pessoa encantadora. Você tinha que fazer um enorme esforço para conhecê-lo. Não me parecia uma pessoa feliz, pois os problemas do mundo pareciam que residiam nos seus ombros.
Ele me fazia lembrar da famosa cena contada por Kierkegaard. Um homem abstraído, tão preocupado com problemas mais importantes que ele, que lentamente se esquece de que existe, de que tem valor por si só, a tal ponto que um dia ele acorda e descobre que está morto.
Muitos professores universitários acabam assim. Frustrados por não terem mudado o mundo, amargurados com o rumo diverso do planeta. Os seus filhos dificilmente irão considerar estes mestres como exemplos a ser seguidos. Infelizmente, são poucos os professores que seus filhos irão idolatrar.
Um aluno aprende mais pelos exemplos de seus pais, amigos e de alguns poucos professores do que pelas pérolas de sabedoria contidas nos livros textos e transmitidas em aula.
Nossos filhos sonham encontrar na faculdade belos exemplos de adultos líderes da sua sociedade, para fazer contraponto com as falhas e fraquezas de seus pais. Infelizmente, a maioria se decepciona. A maioria dos pais também se decepciona com o que os filhos aprendem na escola e os exemplos de vida que deveriam ser seus professores.
Lee Iacocca, ex-presidente da Chrysler, quis ser presidente da República e mandou publicar o seguinte anúncio: “Se a nossa sociedade fosse inteligente, colocaria seus membros mais qualificados como professores de nossos filhos, e nós, pobres mortais, ficaríamos com os empregos menos importantes da economia.”, como ser presidente da Chrysler.
Em defesa dos professores, devo lembrar os leitores que com os salários atuais da maioria dos professores não dá para contratar os “membros mais qualificados” da sociedade. São os membros mais altruístas da sociedade, isto sim.
Quantas vezes já participei de reuniões de pais de alunos, lutando para não reduzir as anuidades escolares, e sim aumentá-las para melhorar o nível dos professores. Muitos pais não percebem que reduzir anuidades das escolas significa reduzir a qualidade dos professores no ano seguinte.
Sociedades que se desenvolvem pela emulação e pelo exemplo são mais ágeis do que as que se desenvolvem com maciços investimentos em educação. Educação, na maioria das vezes, significa ensinar as teorias do passado — e não soluções inovadoras do presente.
Países onde se investe maciçamente em pesquisas, e onde os professores mostram em primeira mão estas pesquisas aos seus alunos, não estão ensinando no sentido clássico da palavra. Eles estão mostrando o exemplo, exemplos novos de teorias e soluções.
Não sou contra universidades. Sou a favor da criatividade, da pesquisa, da ciência, algo que nossas universidades públicas e privadas nem sempre ensinam. O Brasil até recentemente estava entre os últimos colocados em patentes.
Nossas universidades são inclusive pródigas em desdenhar os exemplos que surgem na sociedade civil, as lideranças que emergem do seio da sociedade. Empresários, executivos, administradores, políticos eleitos, e especialmente os líderes religiosos são vistos e retratados pelos nossos intelectuais com desprezo.
Nossa civilização está cada vez mais em frangalhos em termos éticos e morais justamente porque desdenhamos cada vez mais o exemplo da nobreza humana.
Ao escrever este capítulo, me dei conta de que praticamente dediquei a minha vida inteira a mostrar à sociedade brasileira os grandes exemplos que tínhamos neste país e que ignorávamos.
Iniciei minha carreira em 1974, quando criei a edição “Melhores e Maiores” para a revista Exame, na qual selecionava as trinta melhores empresas brasileiras, anualmente.
Foi o início de um movimento que hoje se chama benchmarking. Era uma nova forma de ver o mundo, era uma nova forma de desenvolver pesquisas, a de mostrar os bons exemplos, na área da administração.
A ciência de 1870 a 1950, e em alguns casos até hoje, era dominada por um método de pesquisa que consistia em observar doenças, o lado ruim, os defeitos, os fracassos. Até hoje a medicina gasta mais em cura de “doenças” do que em medicina preventiva, ou medicina sadia, em como manter um corpo sadio.
Sigmund Freud dominou a Psicologia por muitos anos baseado nas neuroses e as psicoses humanas, que ele observava nos seus pacientes doentes. Até hoje temos muito pouca pesquisa sobre personalidades sadias, justamente porque pessoas sadias não procuram médicos e psiquiatras.
Depois de 25 anos de “Melhores e Maiores”, decidi repetir a metodologia para criar e divulgar o prêmio “Bem Eficiente”, mostrando as melhores entidades beneficentes deste país, os grandes exemplos de solidariedade humana que temos.
O prêmio ajudou a mostrar o exemplo na área social, as cinquenta melhores entidades beneficentes deste país. Mas iniciativas como estas são poucas na imprensa brasileira. O tema diário é normalmente sobre nossos maus exemplos, casos de corrupção, politicagem, crimes de todos os tipos, desastres, etc.
Quem você conhece pessoalmente que lhe serve de exemplo? Quem são seus “gurus”, termo nem sempre bem visto no Brasil?
Quem seu filho terá como exemplo no futuro? Quem seu filho tem como exemplo no presente? Se você não se preocupar com esta pergunta e tiver respostas claras até os oito anos de idade dele, se você não criar oportunidades para que ele aprenda destas pessoas que você escolheu, ou ajudou-o a escolher você corre um enorme risco.
Bertolt Brecht, famoso dramaturgo alemão, dizia que “pobre era o país que precisava de heróis”. Eu diria justamente o contrário. Pobre é o país que possui poucos heróis e exemplos a seguir.
Os poucos heróis que surgem de tempos em tempos, parece que temos uma certa dose de prazer em logo os destruir.
Diante dessa triste situação, a verdade é esta. O grande exemplo para os seus filhos será você.
Você e seu cônjuge. Vocês dois são os únicos exemplos em quem seus filhos poderão se basear.
Portanto, cuide para que sejam bons exemplos. É assustador mas eles irão aprender muito mais de você do que você pode imaginar.
Seu filho só tem você para aprender que a vida é bastante diferente da vida intelectual da universidade. Com você ele aprenderá a lidar com erros, incertezas e flutuações da vida. Aprenderá a lidar com reveses, como os meses em que você não tem salário garantido para pagar as contas. Nessas ocasiões ele observará se você se desespera ou se segue em frente.
Stephen Kanitz

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