13 de nov. de 2012

Educação - Criando Exemplos


Você se torna o herói de seu filho quando ele lhe vê como o exemplo a ser seguido. É o pai herói, algo muito assustador. 
Por muitos anos convivi com um professor na USP que era muito estudioso. Ele era um idealista, acreditava que faria um mundo melhor se somente sua visão política fosse compartilhada por todos. Pregava a luta armada para chegar ao poder, coisa comum na universidade quando eu era mais jovem.
Era sério e sisudo, nunca o vi soltar uma gargalhada; trabalhava aos sábados e domingos e ia a todas as reuniões de protestos. Fumava, mas não bebia. Não tomava sol por causa dos raios ultravioletas e era vegetariano por convicção. Bastante tímido, vestia-se mal; não era necessariamente uma pessoa encantadora. Você tinha que fazer um enorme esforço para conhecê-lo. Não me parecia uma pessoa feliz, pois os problemas do mundo pareciam que residiam nos seus ombros.
Ele me fazia lembrar da famosa cena contada por Kierkegaard. Um homem abstraído, tão preocupado com problemas mais importantes que ele, que lentamente se esquece de que existe, de que tem valor por si só, a tal ponto que um dia ele acorda e descobre que está morto.
Muitos professores universitários acabam assim. Frustrados por não terem mudado o mundo, amargurados com o rumo diverso do planeta. Os seus filhos dificilmente irão considerar estes mestres como exemplos a ser seguidos. Infelizmente, são poucos os professores que seus filhos irão idolatrar.
Um aluno aprende mais pelos exemplos de seus pais, amigos e de alguns poucos professores do que pelas pérolas de sabedoria contidas nos livros textos e transmitidas em aula.
Nossos filhos sonham encontrar na faculdade belos exemplos de adultos líderes da sua sociedade, para fazer contraponto com as falhas e fraquezas de seus pais. Infelizmente, a maioria se decepciona. A maioria dos pais também se decepciona com o que os filhos aprendem na escola e os exemplos de vida que deveriam ser seus professores.
Lee Iacocca, ex-presidente da Chrysler, quis ser presidente da República e mandou publicar o seguinte anúncio: “Se a nossa sociedade fosse inteligente, colocaria seus membros mais qualificados como professores de nossos filhos, e nós, pobres mortais, ficaríamos com os empregos menos importantes da economia.”, como ser presidente da Chrysler.
Em defesa dos professores, devo lembrar os leitores que com os salários atuais da maioria dos professores não dá para contratar os “membros mais qualificados” da sociedade. São os membros mais altruístas da sociedade, isto sim.
Quantas vezes já participei de reuniões de pais de alunos, lutando para não reduzir as anuidades escolares, e sim aumentá-las para melhorar o nível dos professores. Muitos pais não percebem que reduzir anuidades das escolas significa reduzir a qualidade dos professores no ano seguinte.
Sociedades que se desenvolvem pela emulação e pelo exemplo são mais ágeis do que as que se desenvolvem com maciços investimentos em educação. Educação, na maioria das vezes, significa ensinar as teorias do passado — e não soluções inovadoras do presente.
Países onde se investe maciçamente em pesquisas, e onde os professores mostram em primeira mão estas pesquisas aos seus alunos, não estão ensinando no sentido clássico da palavra. Eles estão mostrando o exemplo, exemplos novos de teorias e soluções.
Não sou contra universidades. Sou a favor da criatividade, da pesquisa, da ciência, algo que nossas universidades públicas e privadas nem sempre ensinam. O Brasil até recentemente estava entre os últimos colocados em patentes.
Nossas universidades são inclusive pródigas em desdenhar os exemplos que surgem na sociedade civil, as lideranças que emergem do seio da sociedade. Empresários, executivos, administradores, políticos eleitos, e especialmente os líderes religiosos são vistos e retratados pelos nossos intelectuais com desprezo.
Nossa civilização está cada vez mais em frangalhos em termos éticos e morais justamente porque desdenhamos cada vez mais o exemplo da nobreza humana.
Ao escrever este capítulo, me dei conta de que praticamente dediquei a minha vida inteira a mostrar à sociedade brasileira os grandes exemplos que tínhamos neste país e que ignorávamos.
Iniciei minha carreira em 1974, quando criei a edição “Melhores e Maiores” para a revista Exame, na qual selecionava as trinta melhores empresas brasileiras, anualmente.
Foi o início de um movimento que hoje se chama benchmarking. Era uma nova forma de ver o mundo, era uma nova forma de desenvolver pesquisas, a de mostrar os bons exemplos, na área da administração.
A ciência de 1870 a 1950, e em alguns casos até hoje, era dominada por um método de pesquisa que consistia em observar doenças, o lado ruim, os defeitos, os fracassos. Até hoje a medicina gasta mais em cura de “doenças” do que em medicina preventiva, ou medicina sadia, em como manter um corpo sadio.
Sigmund Freud dominou a Psicologia por muitos anos baseado nas neuroses e as psicoses humanas, que ele observava nos seus pacientes doentes. Até hoje temos muito pouca pesquisa sobre personalidades sadias, justamente porque pessoas sadias não procuram médicos e psiquiatras.
Depois de 25 anos de “Melhores e Maiores”, decidi repetir a metodologia para criar e divulgar o prêmio “Bem Eficiente”, mostrando as melhores entidades beneficentes deste país, os grandes exemplos de solidariedade humana que temos.
O prêmio ajudou a mostrar o exemplo na área social, as cinquenta melhores entidades beneficentes deste país. Mas iniciativas como estas são poucas na imprensa brasileira. O tema diário é normalmente sobre nossos maus exemplos, casos de corrupção, politicagem, crimes de todos os tipos, desastres, etc.
Quem você conhece pessoalmente que lhe serve de exemplo? Quem são seus “gurus”, termo nem sempre bem visto no Brasil?
Quem seu filho terá como exemplo no futuro? Quem seu filho tem como exemplo no presente? Se você não se preocupar com esta pergunta e tiver respostas claras até os oito anos de idade dele, se você não criar oportunidades para que ele aprenda destas pessoas que você escolheu, ou ajudou-o a escolher você corre um enorme risco.
Bertolt Brecht, famoso dramaturgo alemão, dizia que “pobre era o país que precisava de heróis”. Eu diria justamente o contrário. Pobre é o país que possui poucos heróis e exemplos a seguir.
Os poucos heróis que surgem de tempos em tempos, parece que temos uma certa dose de prazer em logo os destruir.
Diante dessa triste situação, a verdade é esta. O grande exemplo para os seus filhos será você.
Você e seu cônjuge. Vocês dois são os únicos exemplos em quem seus filhos poderão se basear.
Portanto, cuide para que sejam bons exemplos. É assustador mas eles irão aprender muito mais de você do que você pode imaginar.
Seu filho só tem você para aprender que a vida é bastante diferente da vida intelectual da universidade. Com você ele aprenderá a lidar com erros, incertezas e flutuações da vida. Aprenderá a lidar com reveses, como os meses em que você não tem salário garantido para pagar as contas. Nessas ocasiões ele observará se você se desespera ou se segue em frente.
Stephen Kanitz

11 de nov. de 2012

A receita das mulheres 'megabombadas'


Qual sua opinião sobre o conjunto estético da jovem dançarina na foto à direita? Como em praticamente tudo neste mundo, as opiniões provavelmente serão muito divergentes. Várias mulheres, inspiradas pelo padrão esguio das modelos famosas, se arrepiarão de horror. Vários homens, autodeclarados adeptos da fartura, aprovarão. Num ponto todos concordarão: isso nunca existiu antes. São as mulheres em permanente expansão corporal.
Dotadas de um tipo físico já naturalmente reforçado, elas abusam das cirurgias plásticas até os limites da elasticidade cutânea, turbinam a musculatura com exercícios que deixariam muitos homens sem fôlego e seguem dietas desenhadas para estufar todas as curvas que podem ser aumentadas. Nos intervalos da malhação, muitas também aplicam os aditivos que funcionam como uma espécie de fermento dos músculos. São as megabombadas.
A maior parte das substâncias usadas por mulheres que querem ficar bombadonas imita, de maneira sintética, a testosterona. Com funções importantíssimas quando distribuído de forma natural, esse hormônio existe em grandes quantidades no corpo dos homens e, em proporções bem menores, no das mulheres. Quando injetada artificialmente, a testosterona produz transformações chamadas de virilizantes no organismo feminino. A voz fica mais grossa e nascem pelos escuros e espessos no rosto e nos mamilos. Outro sinal patente de seu uso são as espinhas nas costas, no colo e no rosto.
"Minha voz passou de Sandy para Ivete Sangalo”, brinca Maysa. As transformações também podem atingir os órgãos genitais, especialmente o clitóris, que chega a quadruplicar de tamanho. “Quando turbinado pela testosterona, o clitóris incha e pode chegar a medir 7 centímetros”, diz a endocrinologista Amanda Athayde, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. “Ao contrário do que seria uma conclusão natural, o aumento do clitóris não influencia no prazer sexual. Algumas terminações nervosas são danificadas e a mulher pode até perder a sensibilidade na região.”
Fotos: João Laet/ Ag O Dia e Danilo Carvalho AGNEWS
O oposto - Mirella Santos: antes empurrava 300 quilos; hoje, está mais magra e levou junto o marido humorista
O oposto - Mirella Santos: antes empurrava 300 quilos; hoje, está mais magra e levou junto o marido humorista
Na forma aprovada pela medicina universalmente aceita, a testosterona sintética é componente de uma série de medicamentos usados para tratar pacientes que sofrem de degenerações musculares graves. Evidentemente, exige prescrição médica. Malhadores mal orientados conseguem comprar o produto pela internet ou com receitas de médicos amigos. É assim também que é feito o acesso ao GH, sigla em inglês para o hormônio do crescimento. Produzido pela glândula hipófise, ele tem um papel essencial no processo de crescimento das crianças e dos jovens. Nas mãos dos malhadores bombados, é utilizado para aumentar a densidade óssea e a massa muscular.
Mudanças - Por causa da atuação na ossatura, um de seus efeitos colaterais muda até o formato do rosto. “Isso acontece com o alargamento dos maxilares. Em casos mais graves, esse alargamento promove mudanças na arcada dentária, como a separação dos dentes. O hormônio também reduz a gordura do rosto, deixando a mandíbula mais projetada”, explica Marcello Bronstein, professor de endocrinologia da Faculdade de Medicina da USP. Mais grave ainda são as agressões do GH e dos esteroides anabolizantes a órgãos vitais como o coração e o fígado. “O coração também é músculo e, assim, sofre os efeitos da hipertrofia. As artérias ficam entupidas e aumenta o risco de infarto”, diz o fisiologista Renato Romani, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo. “Já o fígado é o estabilizador químico do organismo. Quando ao volume natural de impurezas se acrescentam substâncias ingeridas, como os anabolizantes, ele pode sofrer lesões graves.”
Há mulheres que malham de maneira agressiva para conquistar músculos que muitos homens não têm usando apenas uma força de vontade quase sobrenatural. A paulista Fabiana Frota, 31, garante que é uma delas. Mulher de Alexandre Frota, atualmente dedicado à carreira de jogador de futebol americano, e dançarina do programa do Raul Gil, Fabiana é incisiva ao declarar que não tem “nem uma gota de anabolizante, Deus me livre, de jeito nenhum” no corpo. “Em São Paulo, a mulherada usa menos, mas no Rio de Janeiro é uma loucura. Elas querem ficar enormes para alguém ver e chamar para desfilar no Carnaval”, compara.
A dançarina começou a trabalhar os músculos há quatro anos com o personal trainer Renato Ventura. O formato corporal foi encomendado pessoalmente por seu amigo Frota, que pediu coxas grossas e nádegas bem pronunciadas, mas “nada de braço de marmanjo”, segundo relembra Ventura. “Ele gosta de mulher fininha em cima e gostosona embaixo”, explicita. Fabiana, analisa o treinador, tem “uma genética mágica”, que faz com que ela ganhe músculos muito facilmente.
Para dar um belo empurrão na genética, três vezes por semana Fabiana treina exclusivamente coxas e nádegas com cargas bombásticas: 40 quilos em cada tornozeleira. “Com esses pesos que eu também carrego na barriga, fico parecendo uma mulher-bomba”, diverte-se ela, referindo-se aos infames coletes usados por terroristas suicidas. As dez claras de ovo cozidas que come no lanche da tarde “me ajudaram a ganhar o par de coxas que eu buscava”, diz a dançarina. A única coisa que ela diminuiu foram as próteses mamárias de silicone. As originais, de 550 mililitros, foram trocadas por outras de 470, para que não produzam um efeito gigantesco demais quando aparecem na televisão.
Esteroides - Mulheres que vivem profissionalmente do corpo não deixam tudo nas mãos da natureza. A comparação à esquerda entre uma modelo conhecida pelo corpo esguio como a sul-africana Candice Swanepoel e a musculosa Fabiana Frota mostra as diferenças entre padrões distintos de beleza - e de resultados buscados com os exercícios físicos. No caso das mulheres que usam substâncias proibidas, esses resultados são potencializados. Os esteroides estimulam a produção de miócitos, nome das células que constituem os músculos, e podem aumentar entre 30% e 50% a circunferência das coxas.
“Sem o anabolizante, o corpo leva o dobro do tempo para conseguir isso”, diz o fisiologista Renato Romani. A ex-apresentadora de TV Mirella Santos costumava fazer musculação sete vezes por semana, levantar 300 quilos com as pernas e tomar intragáveis cinco shakes de proteínas por dia. Também dava uma incrementada. “Há uns dez anos, usei anabolizante. Parei porque eu não gosto de regra, de ter de tomar um negócio todo dia, na mesma hora”, lembra Mirella, que abandonou o padrão mulher-bomba e voltou a ter um corpo enxuto fazendo exercícios mais leves e uma dieta em que reina o sushi. “Malhamos juntos e terminei entrando também na onda da alimentação saudável dela”, diz Wellington Muniz, humorista do Pânico e marido de Mirella. Mas que ninguém fale em enxugar alguma coisa perto de Maysa Abusada. O cachê dela em shows em que dança subiu de 800 para 3 000 reais com o corpo expandido. “Os homens viram o pescoço quando passo”, alegra-se. “Mulheres e travestis também, mas é só para botar olho gordo.” Abusada. 
Marília Leoni

10 de nov. de 2012

Sede prudente..

Sede prudente, não acendais para nosso inimigo uma fornalha tão quente que sirva para chamuscar-vos.
Shakespeare

Eu não merecia


“... Por que uns nascem na miséria e outros na opulência, em nada terem feito para justificar essa posição?

Por que para uns nada dá certo,enquanto que para outros tudo parece sorrir?...”

“...As vicissitudes da vida têm, pois, uma causa, e, uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa.
Eis do que cada um deve compenetrar-se bem...” 

Capítulo 5. item 3 do Evangelho


Assumir total responsabilidade por todas as coisas que acontecem em nossa vida, incluindo sentimentos e emoções, é um passo decisivo em direção a nossa maturidade e crescimento interior. A tendência em acusar a vida, as pessoas, a sociedade,o mundo enfim, é tão antiga quanto o gênero humano; e muitos de nós crescemos aprendendo a raciocinar assim, censurando todos e tudo, nunca examinando o nosso próprio comportamento, que na verdade decide a vida em nós e fora de nós.

Assimilamos o “mito do vitimismo” nas mais remotas religiões politeístas,vivenciadas por todos nós durante as várias encarnações, quando os deuses temperamentais nos premiavam ou castigavam de conformidade com suas decisões arbitrárias. Por termos sido vítimas nas mãos dessas divindades, é que passamos a usar as técnicas para apaziguar as iras divinas,comercializando favores com oferendas a Júpiter no Olimpo, a Netuno nas atividades do oceano, a Vênus nas áreas afetivas e a Plutão, deus dos mortos e dos infernos.

Aprendemos a justificar com desculpas perfeitas os nossos desastres de comportamento,
dizendo que fomos desamparados pelos deuses, que a conjunção dos astros não estava propícia, que a lua era minguante e que nascemos com uma má estrela.Ainda muitos de nós acreditamos ser vítimas do pecado de Adão e Eva e da crença de um deus judaico que privilegia um povo e despreza os outros,surgindo assim a ideia da hegemonia divina das nações.

As pessoas que acreditam ser “vítimas da fatalidade” continuam a apontar o mundo exterior como culpado dos seus infortúnios. Recusam absolutamente reconhecer a conexão entre seus modos de pensar e os acontecimentos exteriores. São influenciadas pelas velhas crenças e se dizem prejudicadas pela força dos hábitos, pelas cargas genéticas e pela forma como foram criadas, afirmando que não conseguem ser e fazer o que querem.


Não sabem que são arquitetos de seu destino, nem se conscientizam de que o passado determina o presente, o qual, por sua vez, determina o futuro.A vítima sente-se impotente  e indefesa em face de um destino cruel.Sem força nem capacidade de mudar, repetidas vezes afirma: “Eu não merecia isto”, “A vida é injusta comigo”, nunca lhe ocorrendo, porém, que o seu jeito de ser é que materializa pessoas e situações em sua volta. 

Defendem seus gestos e atitudes infelizes dizendo: “Meus problemas são causados por meu lar”, “Os outros sempre se comportam desta forma comigo". 

Desconhecem que as causas dos problemas somos nós e que, ao renascermos, atraímos esse lar para aprendermos a resolver nossos conflitos. São os nossos comportamentos interiores que modificam o comportamento dos outros para conosco. Se somos, pois, constantemente maltratados é porque estamos constantemente nos maltratando e ou maltratando alguém.


Ninguém pode fazer-nos agir ou sentir de determinada maneira sem a nossa permissão. Outras pessoas ou situações poderão estimular-nos a ter certas reações, mas somente nós mesmos determinaremos quais serão e como serão essas reações. As formas pelas quais reagimos foram moldadas pelas experiências em várias vidas e sedimentadas pela força de nossas crenças interiores - mensagens gravadas em nossa alma. 

Portanto, precisamos assumir o comando de nossa vida e sair do posicionamento infantil de criaturas mimadas e frágeis, que reclamam e se colocam como “vítimas do destino.Admitir a real responsabilidade por nossos atos e atitudes é aceitar a nossa realidade de vida - as metas que alteram a sina de nossa existência.Em vez de atribuirmos aos outros e ao mundo nossas derrotas e fracassos, lembremo-nos de que “as vicissitudes da vida têm, pois, uma causa,e, uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa”
.

http://www.etcaritas.com.br

9 de nov. de 2012

Lua, ilumina a rua

Não diga que a lua está brilhando. Mostre-me seu reflexo num caco de vidro.
Anton Tchekhov

Vire o rei…


Nada nesta vida vem de graça. E dizem que isso é a graça do negócio. 
Por isso, para se dar bem nas áreas de sua vida que interessam mesmo – a saber: no trabalho, nas redes sociais você tem que se dedicar. 
Consultamos especialistas em cada um desses temas e pedimos a eles que listassem as coisas mais importantes que devem ser feitas para que um sujeito seja realmente bem-sucedido. Veja aqui como virar um rei.
…no trabalho

Siga as regras de onde você trabalha Toda empresa tem regras e horários que devem ser seguidos. Sempre. Se for se atrasar, avise seu chefe. Se precisar faltar, avise seu chefe – com antecedência.

Seja educado com todos Não é só o seu chefe que você precisa tratar bem, mas também quem está abaixo de você e quem está no mesmo cargo. “É preciso ter controle e saber respeitar o outro”, diz a psicóloga especialista em relações de trabalho Lizandra Kimie Arita.

Cuidado com erros de português Não sabe como escrever uma palavra? Procure em um dicionário. Ative o corretor ortográfico do seu e-mail e mesmo assim releia tudo o que você escrever.

Faça networking Conheça as pessoas com quem você trabalha, descubra interesses em comum. Seja simpático, participe de almoços e happy hours – e, claro, não exagere no álcool.

Faça mais do que esperam Se um cliente ou seu chefe pedirem um projeto, não se contente em atender ao pedido. Ofereça mais. “Isso surpreende as pessoas e faz com que elas acreditem mais no seu potencial”, diz Lizandra.

Atualize-se Não importa ter feito a melhor faculdade do mundo se você nunca mais fez nada. Inscreva-se na pós-graduação e em cursos da sua área. E também saia da sua zona de conforto, aprenda sobre as outras áreas da empresa

Tenha exemplos Preste atenção nas pessoas bem-sucedidas ao seu redor, as mais cultas. Ouça o que elas têm a dizer, pergunte sobre suas experiências, peça auxílio quando necessário. Não as inveje. Ao contrário: siga o exemplo delas.
…nas redes sociais

Use e abuse delas Twitter, Facebook, Instagram e afins podem render enormes vantagens em todos os campos de sua vida: profissional, social, sexual.

Escolha a melhor rede Se você é bom com frases curtas, use o Twitter. Se acha que é melhor falar com as pessoas, o Facebook é melhor. Se curte vídeos, vá ao YouTube. Fotos? Instagram. E se o seu negócio é desenhar, tente a Deviantart, que reúne o trabalho de vários ilustradores.

Escolha seu personagem Você tem de ser um pouco “personagem de si próprio” nas redes sociais. Tem humor ácido? Faça posts meio cínicos. Entende muito de algum assunto? Escreva sobre ele. Mas não invente um ser muito diferente do original. “Antes de sair bancando o humorista no Twitter, pense se você consegue manter esse personagem”, afirma Luli Radfahrer, professor de Comunicação Digital na ECA-USP e autor do livro Enciclopédia da Nuvem.

Conserve sua vitrine “Sempre pense o que você tem que possa interessar a outras pessoas e mantenha-se atualizado sobre o assunto que você quer tratar”, explica o professor Luli.

O virtual é real Tenha noção do que você posta. Pense se você falaria o que você quer postar em voz alta. Se não é algo que você possa bradar, delete

Interaja com pessoas influentes… Siga pessoas interessantes e influentes no Twitter e estabeleça contato com elas. Quanto mais coisas bacanas você postar, maior a chance de elas retuitarem. Assim, seu perfil ganha relevância

…E também com as normais Não esqueça de responder às perguntas de seus seguidores ou amigos. Comente posts que acha interessante

Limite a quantidade de posts Cuidado para não virar um spammer – aquele chato da internet

Fale com poucas pessoas no chat “Ao falar com várias pessoas ao mesmo tempo, você corre o risco de mandar o que não devia para a pessoa errada e gerar um estresse desnecessário”, diz Pollyana Ferrari, consultora em mídias sociais e professora da PUC-SP.
COISAS PROIBIDAS
1 Não infle seu ego: ninguém quer ver os seus músculos apertados em uma camiseta.
2 Não saia marcando seus amigos, você não sabe onde eles falaram que estariam para as mulheres deles.
3 Seu namoro é só seu: nada de ficar postando milhares de “eu te amo, xuxuzinho”.
4 Ser um pouco polêmico pode até atrair atenção, mas ficar discutindo com todo mundo que tem opinião contrária a você é perda de tempo.
5 Você sai por aí dando cantada nas mulheres que encontra no metrô ou na rua? Pois as redes sociais também não são para isso. Claro, se você achou uma amiga de escola que continua gata, chame-a no bate-papo reservado para conversar.
Camila Ciarallo

8 de nov. de 2012

Getulio Vargas em dois Mundos

Livro: Getulio Vargas em dois Mundos


Vida política: 
Nasceu em São Borja (RS) em 19/04/1883; foi chefe do governo provisório depois da revolução de 1930; foi presidente eleito pela constituinte em 10/11/1937 (ditadura e estado novo); foi deposto em 29/10/1945; voltou à presidência em 31/01/1951 pelo voto popular; suicidou-se em 1945 pressionado por interesses econômicos estrangeiros com aliados no Brasil (Carlos Lacerda e Ademar de Barros).

Última encarnação: 
Getúlio Dornelles Vargas foi um presidente ditador, mostrando-se capaz de todos os atos lícitos e ilícitos para manter sua posição de chefe de uma Nação, muito orgulhoso e egoísta a ponto de cometer um ato insano contra a própria vida ao ver que não mais poderia se manter no poder.

Na espiritualidade: 
Após ter escrito uma carta onde contava que deixaria ao povo o legado macabro de sua morte, e cometido o suicídio, fica vagando por muito tempo em locais de sofrimento e sem consciência se sua verdadeira situação, até ser amparado por amigos espirituais e levado a uma colônia socorrista. Lá passaria por um tratamento prolongado com medicação, alimentação adequada, oração, passes terapêuticos, de refazimento perispiritual, repouso e aos poucos ir retomando a consciência e tentando se lembrar de sua vida anterior. Para uma recuperação melhor, recebeu a visita de sua esposa Darci, onde teve a compreensão de que estava desencarnado.
Começa a melhorar e é transferido ao departamento dos recuperados aos cuidados de irmã Cíntia, após uma entrevista com o mentor maior, irmão Fabrício.
Começa um trabalho onde é colocado para rever seus atos em uma grande tela, e toma conhecimento de que sua encarnação como presidente foi toda planejada na espiritualidade por ele e devido aos bons propósitos a que era movido, foi aprovada sua reencarnação.
Foi constatando que a causa a que se propôs de inicio, na espiritualidade, foi sendo esquecida por causa do orgulho ferido, enquanto esteve na vida política terrestre. Viu que suas intenções eram boas, mas seu governo era regado de orgulho e vaidade e não admitia opiniões adversas.
Viu-se na tela de recordações, suas encarnações anteriores; como rei em um país distante, onde seus inimigos eram jogados na vala do palácio para serem devorados pelos répteis, e que quem fazia este trabalho era nada mais nada menos que seu inimigo político na época em que foi presidente do Brasil, Carlos Lacerda.
Viu-se em outra encarnação aonde viera em condições físicas e financeiras muito tristes, e outra em uma situação pouco melhor sendo pároco, dedicando-se a uma pequena comunidade, servindo de teste para que depois pudesse envergar a posição de mando novamente e verificar se seus propósitos idealizados pelo seu espírito, estavam cristalizados no coração ou se falharia novamente.
Após ter tomado conhecimento de todos os seus erros e enganos, Getúlio passa a desempenhar uma nova tarefa onde se dedica a cuidar de irmãos em situação deplorável, limpá-los e mantê-los em ambiente limpo e agradável. Este trabalho era muito desgastante e precisava de ajuda para refazer-se de tão cansado e enojado que ficava.
Pede que esta história seja levada ao seu povo como demonstração de arrependimento e da intenção real que tinha, mas que se afastou de seus propósitos realizados na espiritualidade e o quanto a vida está ligada a estes propósitos e atos cometidos em um passado distante.
Pede por fim que inclua no livro uma carta onde diz que está no departamento dos auxiliares e que agora com esta nova visão reconhece e tem consciência dos erros que cometeu, pede desculpas a todos que prejudicou e que agora se sente modificado, com muita ajuda neste País da Verdade onde se encontra.

O atentado da Rua Tonelero


Ensina o dito popular que "agosto é mês de desgosto". Para os políticos é mês de astral ruim, especialmente para os presidentes da República, e o pior agosto para um presidente foi, sem dúvida, o de 1954, quando no dia 24 Getúlio Dornelles Vargas se suicidou. O suicídio foi conseqüência do que acontecera dias antes (5/8) que ficou conhecido como o "Atentado da Rua Tonelero".
O atentado foi contra o jornalista e político Carlos Lacerda, que ficou ferido no pé. Foram ainda vítimas o major-aviador Rubem Florentino Vaz, que morreu, e o guarda municipal Sávio Romero, também atingido por um tiro.
Lacerda, além de candidato a deputado federal, era diretor-proprietário do jornal Tribuna da Imprensa. Seja como jornalista, seja como político, era um opositor sistemático e virulento do governo Vargas, o que o levava muitas vezes a distorcer a verdade dos fatos e a pregar a subversão da ordem. Mas isso não justificava a tentativa de sua eliminação física – na época vivia-se a democracia e para os caluniadores existia a Justiça.
A mecânica do atentado
Fato é que Lacerda fora ameaçado algumas vezes; portanto, um grupo de oficiais da Aeronáutica servia-lhe de segurança durante seus comícios noturnos. Naquele início de madrugada do dia 5, ele voltava de um deles, no pátio do Colégio São José. Chegara à Rua Tonelero, onde morava, no carro de seu "segurança do dia", o major Rubem Vaz. Estava também acompanhado por seu filho Sérgio. Os três desceram do carro, conversaram um pouco e já se tinham despedido quando surgiu da escuridão uma pessoa, que atirou contra Lacerda. O major atracou-se com este e levou um tiro mortal no peito. Depois de colocar seu filho a salvo na garagem do prédio, Lacerda revidou, atirando contra seu agressor, que fugiu. O guarda municipal Sávio Romero, que ouvira os disparos e fora verificar o que estava acontecendo, também foi atingido pelo fugitivo, que entrou num táxi. Mesmo caído, Romero conseguiu atirar contra o carro e anotar sua placa.
Por um desses acasos da vida, poucos metros à frente do carro do major estava estacionado um velho Packard, e três jornalistas do Diário Carioca conversavam: do lado de fora, Armando Nogueira e Deodato Maia, repórter esportivo, e, no banco de trás do carro, Otávio Bonfim – o que transformou o atentado da Rua Tonelero em furo de reportagem histórico e o real ponto de partida para a magnífica carreira de Armando Nogueira. Otávio Bonfim, em declarações dadas em 16/5/1992, disse que do pequeno vidro traseiro do carro "viu tudo"; todavia, adiante disse que a iluminação da rua só era boa na parte central. Como o carro estava estacionado no meio-fio esquerdo, a visão não podia ser boa. De mais a mais, eles devem ter tomado ciência depois do fato acontecido, o que não desmerece o furo.
Nos 50 anos do atentado, o Jornal do Brasil saiu na frente na edição de domingo (1/8) com "Rumos da história – Repercussão dos tiros disparados contra o jornalista levou Getúlio Vargas ao suicídio", introdução para o artigo "Rua Toneleiros (sic), o abismo de Getúlio Vargas", do jornalista Pedro do Couto. A introdução logo no início comete um equívoco histórico comprometedor:
"O atentado da Rua Toneleros (na verdade, Tonelero, nome de uma passagem das esquadras brasileiras na Guerra do Paraguai)".
A passagem de Tonelero aconteceu durante a guerra contra o ditador argentino Juan Manoel Rosas, a 17 de dezembro de 1851, e a Guerra do Paraguai teve início somente em 1865. Mas tudo bem, o artigo de Pedro do Couto é muito bom, conta suas recordações dos fatos, por isso mesmo nos explica a mecânica do atentado.
O preço do crime
O único que sabe exatamente como e o que aconteceu naquela madrugada é o autor do atentado, mais que as vítimas sobreviventes e mais ainda do que os três jornalistas testemunhas, pois era o único a não sofrer o fator surpresa. Portanto, o documento mais importante para contar a história desde o início é o depoimento-confissão do autor dos disparos, Alcino João do Nascimento.
Inicialmente vale saber como as autoridades chegaram a Alcino. Foi pela forma mais fácil, o motorista do táxi que o conduziu e lhe deu fuga, Nelson Raimundo de Souza, sabendo que seu carro fora reconhecido, pois antes mesmo do raiar do dia a imprensa já começara a funcionar, noticiando pelo rádio o atentado e seus detalhes, resolveu no mesmo dia 5 apresentar-se ao distrito policial e contar tudo. Seu ponto de táxi era na Rua Silveira Martins, esquina da Rua do Catete – isto é, junto ao então palácio presidencial – e servia habitualmente a componentes da guarda pessoal de Getúlio. No dia do atentado havia ficado à disposição de Climério Euribes de Almeida, integrante desta guarda pessoal. Para chegar a Alcino foi fácil. Ele foi preso e seu depoimento, dado em 13 de agosto. O que chama a atenção em suas declarações é o amadorismo e a ingenuidade, resultando num monte de atrapalhadas que marcaram o atentado.
A primeira atrapalhada foi a escolha do pistoleiro. Alcino era marceneiro e fazia biscates esporádicos. Uns sete meses antes conhecera José Antônio Soares, que passou a ajudá-lo financeiramente, pois estava em dificuldades. Até que Soares um dia lhe disse que precisava matar um desafeto que tentava seduzir sua mulher. Alcino aceitou imediatamente a empreitada por um pagamento de cinco mil cruzeiros. No carnaval cumpriu seu trabalho, mas depois o pagante descobriu que o sicário havia matado a pessoa errada.
O fato não impediu que Soares o apresentasse a Climério, pois este precisava eliminar alguém. O pagamento era alto, 500 mil cruzeiros (para se ter uma idéia, Alcino pagava 550 cruzeiros mensais de aluguel) e, mais que isso, uma nomeação como investigador da polícia..
Gregório Fortunato
Inicialmente Alcino foi levado pelos dois a um comício em Nova Iguaçu para tomar conhecimento de quem deveria matar: era Carlos Lacerda. O segundo passo era marcar o atentado. Ficou estabelecido que seria em Barra Mansa, quando ele faria mais um comício. Tudo certo, partiram os três no carro de Soares para esta cidade, só que a 5 quilômetros da chegada o automóvel enguiçou. Tiveram que adiar tudo, pois sem o veículo a fuga seria impossível. Tornaram marcar o assassinato para o dia 4 de agosto, quando o jornalista faria comício no Colégio São José, na Tijuca. Encontraram-se Climério e Alcino no Jardim do Méier às 17h, tomaram um táxi até o tal colégio. Chegando, Climério foi telefonar a Nelson Raimundo de Souza para que viesse até lá e assim os servisse para a fuga, mas não o achou no ponto. Deixou recado sobre o local em que o estava esperando. De fato, Nelson chegou, mas a essa altura já eram 11 da noite, todo mundo tinha saído do colégio, e Alcino não vira Lacerda.
Voltou ao táxi e Climério mandou que fossem para Copacabana, estacionaram o carro numa transversal à Tonelero. Pouco depois chegou Lacerda com o filho e Rubem Vaz, acontecendo exatamente o já contado acima. Quando Alcino, em fuga, entrou no táxi, notou que Climério havia desaparecido. Nelson o estava levando para o centro da cidade; ao passar pela Avenida Beira-Mar, pediu para dar uma parada e jogou o revólver calibre 45 (arma então privativa das Forças Armadas, e que lhe fora dado por Climério) no mar. Foi deixado na esquina das ruas México e Santa Luzia. No Palácio Monroe (antiga sede do Senado Federal, hoje demolida) pegou um lotação (microônibus com 20 lugares sentados), foi até a Praça da Bandeira e tomou um táxi até a casa de Climério, que ficava no Cachambi. Quando chegou, ele não estava e sua mulher ouvia no rádio as notícias do atentado. Climério chegou com Nelson, deu-lhe 10 mil cruzeiros e, a partir daí, foi somente um fugir e esconder-se até que foram presos.
Chegou-se também facilmente a Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de Getúlio, que inicialmente negou qualquer conhecimento no atentado. Mas aí vai outra atrapalhada das grandes. Gregório mandara 50 mil cruzeiros para a fuga de Climério, Alcino e Soares, e parte desse dinheiro foi encontrado em poder deles: o número de série das notas novas de 500 cruzeiros era igual ao de uma quantidade de dinheiro encontrada na casa de Gregório.
Perguntas que faltaram
Sem saída, confessou-se mandante do atentado, instigado pelos deputados Euvaldo Lodi e Danton Coelho – estes, obviamente, negaram tudo até na acareação. Ficou claro que Benjamin Dornelles Vargas, irmão de Getúlio, sabia de tudo o que estava para acontecer. O deputado Luthero Vargas, filho de Getúlio, nada teve com o atentado. O próprio presidente da República também era desconhecedor da conspiração, chegando a dizer, num desabafo: "Os tiros da Rua Tonelero me acertaram pelas costas".
Finalmente, foram condenados Gregório Fortunato, Climério Euríbes de Almeida e Alcino João do Nascimento.
Neste 5 de agosto, 50 anos depois do atentado, Alcino João do Nascimento, com 82 anos, o único sobrevivente, deu entrevista à jornalista Daniela Dariano, do Jornal do Brasil. Sua versão é um pouco complicada. Estando armado, atravessou a rua, na direção de Lacerda, quando o major Rubem Vaz atracou-se com ele. Lacerda atirou, atingindo Vaz nas costas, e Alcino, assustado, deu-lhe um tiro no peito, mas não teria sido esse disparo que causou a morte, e sim o de Lacerda. Ficou faltando ele contar por que atravessou a rua em direção ao grupo de Lacerda, quem atirou em Lacerda e no guarda municipal Sávio Romero e por que fugiu, se era, como disse, um detetive trabalhando há dez anos com Getúlio...
Se estas perguntas lhe tivessem sido feitas durante a entrevista esclareceriam muitas coisas. Cada um tem o direito de contar o que quiser, mas para ser acreditado deve ser pelo menos coerente.
Giulio Sanmartini

7 de nov. de 2012

Saiba o que a vitória de Obama significa para o mundo


O presidente dos EUA, Barack Obama, foi reeleito. E agora? 
O que seu segundo mandato significa para as relações dos EUA com outros países e regiões?
MÉXICO E AMÉRICA LATINA
Will Grant, da BBC no México, diz: "Há um suspiro de alívio quase audível no México com a reeleição de Obama. Ainda há uma percepção ampla no país, e ao redor da América Latina, de que republicanos não representam ou compreendem o interesse de hispânicos nos EUA, nem, por extensão, de suas famílias ao sul da fronteira. No entanto, mais imigrantes ilegais foram deportados sob a gestão de Obama do que por qualquer governo desde os anos 1950.
Ainda assim, muitos na América Latina esperam que um segundo mandato de Obama signifique uma relação melhor com os vizinhos dos EUA. Muitos acham que Obama não cumpriu o que prometeu sobre a América Latina - seja no que diz respeito às relações políticas com a Venezuela, ao embargo comercial com Cuba ou à violenta guerra contra as drogas no México.
Entretanto, o voto que mais afetará o México não é o que definiu o ocupante da Casa Branca, mas o sobre a legalização da maconha no estado de Washington e no Colorado. Muitos analistas esperam que a decisão de passar a medida desfira um profundo golpe nos enormes lucros dos poderosos carteis de droga mexicanos. A maconha é responsável por boa parte de seu lucro, no valor de US$ 6 bilhões (R$12,3 bilhões) por ano, através do tráfico ilegal.
EUROPA
O correspondente da BBC em Bruxelas Chris Morris afirma: "A Europa acordará hoje com um suspiro de alívio. As pesquisas de opinião sempre mostraram o presidente Obama como mais popular que o governador Romney no continente - para a maior parte dos governos, também, a continuidade em Washington é melhor do que uma troca de guarda. O secretário do Tesouro americano, Tim Geithner - assim como o próprio presidente -, está profundamente envolvido com discussões sobre a zona do euro. A União Europeia está tão envolta em debates internos sobre a crise na zona do euro que não quer distrações externas. A UE também vem trabalhando de forma próxima ao governo Obama em vários itens da política externa - o Irã em particular. Mesmo que haja mudanças na equipe de Obama num segundo mandato, a vitória do presidente significa que não haverá uma mudança dramática de rota que as capitais europeias tenham que equacionar.
CHINA
O correspondente da BBC Martin Patience escreve, em Pequim: "A vitória do presidente Obama ocorre um dia antes do começo do congresso que determinará a mudança de liderança chinesa - o que ocorre uma vez a cada década. Então o foco dos líderes chineses está em casa - e não além do Pacífico.
Mas durante a campanha presidencial americana, ambos os candidatos foram bastante críticos da China, pressionando a China pelo que viam como práticas comerciais injustas. Alguma ressaca de dor dessas acusações pode permanecer por muito tempo depois das eleições. As relações entre os dois países passaram por momentos de tensão nos últimos anos - particularmente no que diz respeito a assuntos econômicos.
Pequim também está profundamente preocupado com a estratégia de Obama de reforçar sua presença militar na Ásia. Algumas autoridades chinesas acham que Washington está tentando conter o avanço da China. Serão esses assuntos que dominarão a relação diplomática mais importante do mundo.
AFEGANISTÃO
Quentin Sommerville, da BBC em Cabul, escreve: "Muito no Afeganistão é visto agora sob o prisma do fim da operação de combate liderada pelos EUA aqui. Uma mudança no comandante-em-chefe não deveria fazer muita diferença na política americana - houve pouca diferença entre os candidatos, para além do fato de Romney afirmar que ouviria mais os generais que estão no país.
A questão à frente de Obama agora é o quão rapidamente o restante das tropas americanas voltará para casa, e quantas serão deixadas após 2014. Os comandantes militares querem uma retirada mais gradual, e que uma força de cerca de 10 mil homens permaneça. Mas a Casa Branca, com um mandato renovado, deve pressionar por uma saída acelerada, com menos soldados e fuzileiros americanos ficando para dar assistência às forças afegãs, após 2014.
IRÃ
Mohsen Asgari, em Teerã para a BBC, escreve: "Muitos no Irã estavam preocupados, achando que se um republicano vencesse, isso significaria guerra, e acreditavam que uma vitória de Obama tornaria a vida das pessoas mais segura, porque os EUA então acelerariam a retomada das negociações por uma nova rodada de conversas sobre as ambições nucleares iranianas.
No entanto, alguns ativistas políticos iranianos acreditam que a vitória de Obama significará mais pressão sobre o Irã. 'Barack Obama goza de popularidade considerável junto à comunidade internacional, diferentemente de Romney, e isso o ajudará a reforçar a coalizão contra o Irã e pôr mais pressão sobre o país', diz Naser Hadian, professor de política da Universidade de Teerã.
ÁFRICA
Andrew Harding, da BBC em Johanesburgo, escreve: "Obama fez apenas uma visita à África subsaariana em seu primeiro mandato. O quanto isso mudará no segundo mandato? Essa questão foi, talvez compreensivelmente, pouco levantada na campanha eleitoral - que focou em assuntos domésticos e nas revoltas árabes.
Nos bastidores, a diplomacia americana sem dúvida continuará furiosamente sob demandas internacionais múltiplas. O começo de um segundo mandato deve ser marcado por mais do mesmo: esforços internacionais para retirar rebeldes da Al Qaeda do norte do Mali - por força ou negociação - e esforços para garantir que o Zimbábue e o Quênia evitem repetir a violência que marcou suas últimas eleições.
Até agora não há sinal de uma grande "Doutrina Obama" para a África - e talvez isso seja bom, dada a diversidade e a complexidade do continente. 
BBC

6 de nov. de 2012

Viaja dentro de ti mesmo

Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo,
e reflete,
como a mina de rubis,
os raios de sol
para fora de ti.
A viagem conduzirá a teu ser,
transmutará teu pó em ouro puro
Mevlana Jalaludim Rumi

Fonte Viva


"A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos." 
TIAGO, 5:16

Considerando as ondas do desejo, em sua força vital, todo impulso e todo anseio constituem também orações que partem da Natureza.
O verme que se arrasta com dificuldade, no fundo está rogando recursos de locomoção mais fácil.
A loba, cariciando o filhote, no imo do ser permanece implorando lições de amor que lhe modifiquem a expressão selvagem.
O homem primitivo, adorando o trovão, nos recessos da alma pede explicações da Divindade, de maneira a educar os impulsos de fé.
Todas as necessidades do mundo, traduzidas no esforço dos seres viventes, valem por súplicas das criaturas ao Criador e Pai.
Por isso mesmo, se o desejo do homem bom é uma prece, o propósito do homem mau ou desequilibrado é também uma rogativa.
Ainda aqui, porém, temos a lei da densidade específica.
Atira uma pedra ao vizinho e o projétil será imediatamente atraído para baixo.
Deixa cair algumas gotas de perfume sobre a fronte de teu irmão e o aroma se espalhará na atmosfera.
Liberta uma serpente e ela procurará uma toca.
Solta uma andorinha e ela buscará a altura.
Minerais, vegetais, animais e almas humanas estão pedindo habitualmente, e a Providência Divina, através da Natureza, vive sempre respondendo.
Há processos de solução demorada e respostas que levam séculos para descerem dos Céus à Terra.
Mas de todas as orações que se elevam para o Alto, o apóstolo destaca a do homem justo como sendo revestida de intenso poder.
É que a consciência reta, no ajustamento à Lei, já conquistou amizades e intercessões numerosas.
Quem ajunta amigos, amontoa amor. Quem amontoa amor, acumula poder.
Aprende, assim, a agir com justiça e bondade e teus rogos subirão sem entraves, amparados pelos veículos da simpatia e da gratidão, porque o justo, em verdade, onde estiver, é sempre um cooperador de Deus.
Francisco Cândido Xavier - Ditado Pelo Espírito Emmanuel

5 de nov. de 2012

Segredo da família Schurmann vira livro

Por mais de dez anos, a família Schurmann guardou um segredo. Velejadores, que trocaram a vida confortável em Santa Catarina pela (falta de) rotina em um barco, estavam acostumados a ter as aventuras em alto-mar registradas por emissoras de tevê e jornais. 

A volta ao mundo e o estilo de vida pouco usual foram contados em livro. 

Mas o casal Vilfredo e Heloisa e os filhos Pierre, David e Wilhem tiveram de aprender a conciliar a exposição com aquilo que não podiam revelar - a caçula Katherine, adotada aos 3 anos, em 1995, era soropositiva.

A morte de Kat, em 2006, fez com que o voto de silêncio fosse quebrado. A própria menina queria contar que era portadora de HIV, como forma de combater o preconceito. "A luta de uma criança contra essa doença é inglória. Mas nada é pior do que o preconceito e a falta de amor", dizia a nota divulgada pelos Schurmann, em maio de 2006, após a morte da caçula por complicações decorrentes de uma pneumonia.
Heloisa, aos 64 anos, reuniu forças e as páginas manchadas de lágrimas, com letra por vezes ilegível, em que desabafou a dor pela morte da filha. Em Pequeno Segredo - A Lição de Vida de Kat para a Família Schurmann, lançado pela editora Agir, ela fala sobre a difícil decisão de adotar uma criança soropositiva, as viagens pelo mundo, as dificuldades para conseguir atendimento médico e sobre como Kat transformou a vida deles.
Katherine era filha da brasileira Jeanne com o neozelandês Robert. O casal, que também velejava, conheceu os Schurmann em 1991, quando a família aportou na Nova Zelândia. Jeanne tinha recebido havia pouco a notícia de que estava grávida. O que não sabia é que havia sido contaminada pelo HIV em transfusões de sangue que recebera em 1986, depois de ser atropelada por um caminhão, e acabaria transmitindo o vírus para o marido e a filha.
Quando Robert e os Schurmann se reencontraram, em 1995, Jeanne já havia morrido, a saúde do neozelandês se deteriorava e ele estava desesperado, sem saber com quem deixaria a filha. Escolheu Heloisa e Vilfredo. "Pensei nos olhinhos dela e em seu sorriso feliz cada vez que me via e, mesmo antes de consultar os meninos, Vilfredo e os médicos, já sabia que havia me tornado mãe de Kat", escreve Heloisa.
O apoio da família foi incondicional. A primeira crítica veio do médico responsável pelo tratamento de Kat. "Nem parentes vocês são!", disse o homem, que deu seis meses de vida para Kat e aconselhou os Schurmann a não entrarem com os papéis para adoção. "Todos nós somos terminais, porque a única certeza que temos na vida é a de que vamos morrer. O duro é que os médicos continuam fazendo isso com as pessoas."
A rotina da família teve de se adaptar às necessidades de Kat. Apesar de ela precisar de remédios difíceis de encontrar e infusões de imunoglobulina para melhorar as defesas do organismo, os Schurmann deram a volta ao mundo, refazendo a rota de Fernão de Magalhães. Kat tinha 8 anos e ficou 912 dias no mar; visitou 44 países; além de falar português e inglês, aprendeu espanhol.
Heloisa buscava médicos em cada porto. Por duas vezes, na Ilha de Samoa e na Indonésia, recusaram tratamento para Kat. Com contatos com médicos na Grã-Bretanha, descobriu um pediatra que atendia soropositivos.
"Mais que uma história sobre HIV, é uma história de vida. Ouço pais de crianças diabéticas ou com intolerância alimentar que não viajam, mal saem de casa. Há possibilidades abertas a todas as crianças. É preciso lutar. As pessoas às vezes colocam um ponto final antes do tempo."
Kat escreveu seis diários. Ali, contou sobre a paixão por Lucas, um colega de escola, como se sentiu ao descobrir que tinha aids, as alegrias nas viagens. Mas também relatou os preconceitos que sofria por ser mais baixa e por ter dificuldade para andar - efeitos da medicação que tomava.
"As crianças muitas vezes são cruéis. Cada mãe tem um desafio, que é encontrar aquilo que faz do seu filho especial. Para Kat, eu lembrava do quanto ela era corajosa, enfrentava tempestades em alto-mar. Se a criança se sentir amada incondicionalmente, sem diferenças, ela vai encontrar um lugar para ela no mundo", diz Heloisa, para quem a filha deixou uma lição do que é "desapego".
"Os filhos não são nossos. Você tem de criá-los para a vida. O mais difícil é o desapego espiritual. Esse, ainda estou aprendendo."
Clarissa Thomé

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