6 de jan. de 2013

10 tendências que irão mudar sua vida


Pistas não faltam: seja pelo jeito peculiar com que as famílias vão se transformando, seja pela rotina das cidades, a evolução dos gostos e preferências das sociedades
Pistas não faltam: seja pelo jeito peculiar com que as famílias vão se transformando, seja pela rotina das cidades, a evolução dos gostos e preferências das sociedades, as apostas da ciência ou os caminhos abertos pela tecnologia, já é possível vislumbrar como será a vida de um cidadão daqui para a frente. Os sinais estão por aí, como mostram os especialistas em tendências. E é bom ir se acostumando com as novidades. Grande parcela da população mundial vai preferir morar sozinha, sem o apoio de empregados domésticos e sem sofrer com a solidão. A vida social online será intensa e a vida real, adequada a um mundo de diversidades. O novo cidadão nem saberá o que é dinheiro de papel e estará livre das preocupações de armazenar coisas – sejam livros, sejam discos, documentos pessoais ou até mesmo comida. Ele só tomará remédios personalizados, mudará costumes e hábitos financeiros para cuidar da velhice – sua e de seus familiares. Nas páginas seguintes, ISTOÉ detalha dez das principais tendências que definirão seu novo cotidiano.
1 - Morar Sozinho
Sozinho em um apartamento. Assim viverá grande parcela da população mundial nas próximas décadas, de acordo com os analistas de tendências. A largada foi dada pelos países mais ricos, em especial os localizados na península escandinava. Ali estão os três com mais moradores avulsos do mundo: Noruega, Finlândia e Dinamarca – em todos, mais de um terço das casas tem um só habitante. No Brasil, o fenômeno ainda desponta, mas com bastante vigor. Entre o censo de 2000 e o de 2010, o número total de moradias com um só habitante subiu 41%. Hoje são cerca de sete milhões de casas de sozinhos. A equação que explica o fenômeno, seja aqui, seja na Noruega, tem em sua base três fatores comuns. “São eles a estabilidade econômica, a independência feminina e a revolução da comunicação”, disse à ISTOÉ Eric Klinenberg, pesquisador da Universidade de Nova York e autor do livro “Vivendo Sozinho” (tradução livre, Editora Penguin, 2012). Nesse somatório, explica Klinenberg, cada elemento influencia a seu modo. O dinheiro é fundamental para pagar os custos, que são maiores. A independência feminina permitiu às mulheres bancar um estilo de vida independente, tornando-as parcela significativa dessa população. E os meios de comunicação facilitam a convivência, evitando que os sozinhos se tornem solitários.

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Solidão, inclusive, não é boa palavra para definir essa nova geração de quem mora só. O que se vê nesses lares nem de longe lembra a imagem estigmatizada da excêntrica tia solteirona sem amigos e cheia de gatos. “Moro só por opção e nem bicho de estimação tenho, pois passo quase o dia todo fora”, diz o engenheiro Frederico Lainer, 30 anos, que vive em um espaçoso quarto e sala na Cidade Baixa, bairro tradicional de Porto Alegre. Lainer resolveu assumir a casa por sua conta e risco após um período de vida em comum com uma namorada. Hoje engrossa a lista dos sozinhos de Porto Alegre, capital brasileira líder no ranking de gente que vive só. Por lá, 21,4% das residências abriga um único morador, índice bem acima da média do País, que é de 12,2%. Mas quem imagina que morar só é coisa de jovem, se engana. Os maiores de 60 anos representam 42% das casas de um único habitante no Brasil. “O fenômeno ocorre atrelado ao envelhecimento da população”, afirma a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Ana Lúcia Sabóia. Mais velhos, com boa saúde e estabilidade financeira, os idosos têm optado por seguir a vida em suas próprias casas, bancando as despesas.
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Enquanto cada vez mais gente opta por um estilo de vida sozinho (apenas nos Estados Unidos, 36% de sua população estará morando só até 2020), teóricos começam a discutir outra faceta desse fenômeno: sua sustentabilidade. “A quantidade de alimento que se compra é grande, então se perde muito, sem contar os gastos fixos, como eletricidade, que não são divididos”, afirma o professor Samy Dana, da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo. Todo esse consumo concentrado em uma só pessoa tem feito vários pesquisadores rotularem esse estilo de vida como insustentável em larga escala. O próprio Dana, porém, faz a defesa de quem mora só e diz que há necessidade de se estudar melhor o tema. “Se por um lado se gasta mais eletricidade, de outro se economiza combustível, porque a maior parte das residências dos sozinhos está nas regiões centrais, então se gasta menos com deslocamento.” .
2- O fim do dinheiro
Pouco seguro, o dinheiro de papel vislumbra uma derrota cada vez mais próxima para as novas tecnologias. Com um mercado de pagamentos móveis com potencial para movimentar US$ 600 bilhões por ano até 2016, nos cálculos da consultoria Gartner, o celular é a próxima fronteira a ser explorada pelos bancos (leia reportagem à página 64). Lançado recentemente pelo governo brasileiro, o Sistema de Pagamento Móvel promete ser uma alternativa para quem ainda não está incluído no sistema financeiro, além de reduzir os custos das transações eletrônicas e aumentar a concorrência, reinventando assim a forma como se utiliza a moeda no País. As regras do novo marco regulatório serão definidas pelo Congresso em 2013. O alcance da medida é amplo. Afinal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 70% dos brasileiros acima de 10 anos de idade têm celular. A perspectiva da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) é que, até 2018, os aparelhos móveis tenham o mesmo peso que a internet nas transações bancárias.

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Com o avanço da classe média e o aumento da renda da população, a substituição do papel é resultado direto da expansão dos meios digitais. Nos últimos cinco anos as movimentações virtuais tornaram a internet o principal meio para transações financeiras. Segundo a Febraban, o número correspondeu a 24% do total em 2011 (último dado disponível), enquanto as transações em terminais de
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autoatendimento e agências caíram para 13,5% e 10,9%, respectivamente. Ao redor do mundo, o dinheiro virtual se transformou também no principal campo de disputa das gigantes da tecnologia, sedentas por abocanhar uma fatia de um universo trilionário. Enquanto a moeda do Facebook, chamada de Facebook Credits, amplia sua função original de comprar aplicativos e bens virtuais, para se integrar a promoções de empresas físicas, como lojas e restaurantes, Apple e Google investem na criação do que chamam de “carteira universal.” Graças a essa tecnologia, um simples aplicativo de celular vai reunir e armazenar versões digitais de cartões de crédito, de fidelidade e cupons de descontos num lugar só.
3- A casa sem empregada
Agências que oferecem serviço eventual de faxineiras. Eletrodomésticos mais práticos e compactos. Comida congelada e produtos de higiene mais eficientes e concentrados. Alta expressiva no número de famílias que optam por diaristas. Vale-tudo para compensar a escassez de empregadas domésticas mensalistas no Brasil. Cerca de 500 mil mulheres, 10% do total, largaram a profissão entre 2009 e 2011, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As profissionais que se ocupavam dos afazeres domésticos tiveram acesso à educação e optaram por se recolocar em postos de trabalho no setor de comércio e serviços. E o mercado tem respondido com novos serviços e produtos para suprir os hábitos das famílias.

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De 2000 a 2012, cresceu três vezes e meia o custo de manter uma funcionária na residência, informa a consultoria econômica LCA, com base na inflação oficial. Em 2012, o custo do serviço aumentou 12,8%, quase o dobro da inflação. Para a economista Hildete Pereira de Melo, especializada no estudo do trabalho doméstico, sem a figura da mulher contratada para cuidar da casa, as relações familiares tendem a ser mais igualitárias. As estatísticas, porém, mostram que essa mudança caminha em ritmo lento. “Em alguns lares, filhos e homens ganham mais responsabilidades. Mas, na maioria, é a mulher que fica sobrecarregada”, afirma Alexandre Fraga, sociólogo do trabalho na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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Mas há transformações em curso. Na casa do professor carioca Cosme da Cunha, de 36 anos, a esposa, Marta, tem horários mais apertados e ele é quem dá conta da rotina doméstica e da filha Helena, de 3 anos. Cunha dá banho e alimenta a menina, que depois passa o dia na escola. Os adultos cooperam na faxina pesada de acordo com suas aptidões e tempo livre. “Escolhemos preservar nossa intimidade e segurar as pontas sozinhos. O lado ruim é ficar mais cansado, mas fazemos tudo aproveitando a família reunida”, diz. Para poupar tempo, Cunha apela para a comida congelada e investiu em um congelador avantajado. Lava-louças, aspiradores de pó e até máquinas que passam roupa entram no esforço para cortar o tempo gasto com tarefas domésticas. A expectativa da indústria é de alta de até 30% nas vendas de eletrodomésticos nos próximos anos. Cresceu também a procura por produtos de limpeza menos agressivos para quem vai manusear. “As donas de casa não investiam em tecnologia porque quem cuidava da limpeza era a empregada. Agora, elas querem fugir das tarefas mais desagradáveis e estão dispostas a pagar mais por isso”, afirma Maribel Suarez, professora do Centro de Estudos em Consumo da Coppead/ UFRJ.
4- Comida que não estraga
“Validade: 5 anos após a data de fabricação”. Parece absurdo, mas essa frase pode estar escrita na embalagem de um sanduíche num futuro não muito distante. E não estamos falando de comidas desidratadas e sem gosto. A culinária do futuro visa a estender o tempo que os produtos podem ficar nas prateleiras dos supermercados, mas sem perder em nutrientes, textura, aparência e, claro, sabor.


Uma das maiores interessadas no tema é a Nasa. Com a tecnologia disponível hoje, uma viagem tripulada de ida e volta a Marte levaria mais de três anos. Assim, um dos maiores desafios da agência espacial americana será alimentar os astronautas durante o período. “Vamos criar um menu que dure até cinco anos em temperatura ambiente, sem refrigeração ou congelamento, pois os equipamentos ocupariam muito espaço e energia da nave. Estamos investigando o uso de técnicas alternativas”, explica Grace Douglas, pesquisadora do Projeto de Tecnologia Avançada de Alimentos da Nasa.

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Um dos métodos que mais têm atraído os cientistas é denominado HPP (sigla em inglês para Processamento por Alta Pressão), que usa pressões elevadíssimas para matar micro-organismos. “Bombeamos líquido a níveis muito altos de pressão para o interior de um cilindro especialmente projetado, no qual está o alimento. A pressão chega ao peso equivalente exercido por dois elefantes em cima da área de uma moedinha”, exemplifica Amauri Rosenthal, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos. Além de exterminar doenças, a técnica preserva os compostos e as vitaminas.


O Exército americano já usa a tecnologia de alta pressão para desenvolver o que tem sido chamado de “sanduíche indestrutível”. Com a meta de produzir alimentos que possam ser carregados pelos soldados em longas expedições, a principal função do HPP nesse caso é criar uma barreira contra a umidade e o oxigênio, elementos que tornam o ambiente propício e agradável para as bactérias. Até o momento, já conseguiram manter fresco um sanduíche de pepperoni por três anos.

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Antes de um produto do tipo ir para as prateleiras, é preciso saber o que o consumidor pensa. “Um exemplo é o tratamento dos alimentos por irradiação (processo no qual a comida é tratada com raios gama, raios X ou feixe de elétrons). Quem vai comprar pode associar esse termo com a radioatividade e rejeitar o produto, apesar de o procedimento ter sido considerado seguro por um comitê de especialistas internacionais, não causando dano à saúde, desde que limitado a certos níveis de irradiação”, explica Rosenthal. 


A alta tecnologia aplicada à conservação de alimentos pode ajudar o homem a explorar regiões inóspitas da Terra e do espaço. Além disso, se conseguíssemos diminuir as perdas durante o transporte e o armazenamento, poderíamos reduzir o desperdício de 1,3 bilhão de toneladas de comida que acontece todos os anos, de acordo com dados da ONU. Mas, como toda revolução tecnológica, os alimentos de longuíssima duração podem encontrar resistência. Afinal, quem se arriscaria hoje a comer um sanduíche fabricado cinco anos atrás?

5- Vida social online
Não se espante se boa parte dos desejos de um próspero 2013 chegar a você neste começo de ano pelo Facebook. Ou que as fotos das férias do seu filho pisquem na tela do seu celular poucos segundos depois que elas forem tiradas. Acostume-se. A vida social, antes condicionada à presença física em festas, viagens, passeios e encontros, hoje acontece cada vez mais no mundo virtual. Com a ajuda das mais populares redes sociais – como Facebook e Twitter –, as pessoas compartilham de votos de felicidade a opiniões políticas, de fotos e vídeos de férias a reclamações de trabalho, de fofocas pessoais a gritos de torcida. E tudo de forma assustadoramente veloz, com alcance cada vez maior. Em 2012, por exemplo, 63,9 milhões de brasileiros se identificaram como usuários de redes sociais, acessando as páginas do computador de casa, do trabalho e pelo celular. Até 2014, serão pelo menos 79,3 milhões, ou 37,7% da população nacional, segundo dados da consultoria americana eMarketer. “Todos temos uma necessidade muito grande de pertencer a um grupo, de nos sentirmos parte de algo”, diz Luciana Ruffo, psicóloga do Núcleo de Pesquisa de Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Hoje, estar nas redes sociais é garantir pertencimento a um grupo cada vez maior e mais influente.”

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Com o avanço vertiginoso das redes sociais, não há faixa etária que fique de fora dessa nova onda. Mas, se as ferramentas são as mesmas para as diferentes idades, o uso delas é diferente. Entre os mais jovens, por exemplo, a construção de uma identidade virtual completa, com fotos, gostos e opiniões, tudo editado para que só o melhor apareça, é a regra. Já para os mais velhos, reencontrar amigos, manter contato com os filhos e mostrar as conquistas de uma vida madura parece ser o comportamento preferido. “Essa diferença pode gerar conflitos”, diz Luciana. Os maduros costumam implicar com a exposição dos jovens na rede. Queixar-se da falta de paciência que eles passam a ter com a vida real, acostumados com a velocidade da vida virtual, é outro problema comum.
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“Lembrar os filhos que, apesar de parecidos, o mundo real e o virtual são coisas diferentes é importante”, afirma a psicóloga. Não é fácil, mas há quem consiga. Maria Paula Fernandes, 48 anos, roteirista e fundadora do Movimento Gota D’Água, é um exemplo. Usuária voraz do Facebook, ela vive ajudando os sobrinhos a tirarem o melhor das redes sociais sem confundir as coisas. “Os adultos que já estão nas redes têm mais condições de dar apoio”, diz. “Como a vida real, a virtual está cheia de maravilhas e problemas.”
6- Com a cabeça na nuvem
Uma boa memória e uma agenda de papel eram suficientes para armazenar boa parte das informações que utilizamos com mais frequência. Agora – com as facilidades oferecidas por computador, celular e ferramentas de busca –, datas de aniversário, números de telefone e compromissos migraram para fora de nossa cabeça. Não há consenso científico sobre se isso é bom ou ruim, mas uma coisa 
é certa: a internet está mudando o funcionamento de nosso cérebro. Um experimento feito na Universidade de Colúmbia (EUA) apontou que as pessoas fazem menos esforço para memorizar uma informação quando acham que ela será armazenada no computador. Os pesquisadores notaram que, ao ouvir uma pergunta, os voluntários pensavam primeiro com quais mecanismos poderiam ir atrás da resposta. Segundo a psicóloga Betsy Sparrow, que conduziu o estudo, isso reflete uma falta de necessidade de decodificar internamente as informações que nos cercam. 

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Uma alteração, mais química, no cérebro foi diagnosticada por cientistas da Universidade da Califórnia (EUA). Eles compararam usuários frequentes de internet com aqueles que não têm familiaridade com a rede. A pesquisa mostrou que os cérebros dos voluntários do primeiro grupo foram ativados mais intensamente. “Pesquisar na internet exercita a mente, e eu especulo que isso seja positivo”, diz o neurocientista Gary Small, autor principal do estudo.
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A rede não necessariamente nos deixa mais burros, mas pode atrapalhar o aprendizado. “Antes, um aluno lia livros, sublinhava textos, fichava e anotava. Hoje, faz uma pesquisa no Google, entrega um trabalho e logo esquece o que escreveu”, diz o psicólogo Eduardo Honorato, professor da Faculdade Martha Falcão, em Manaus, e especialista em internet. Para Rosa Maria Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP, não é o caso de demonizar a internet. “Ainda estamos vivendo uma fase de aprendizagem”, diz.
7- Uma medicina feita para você
Você vai ao médico, relata seus sintomas e deixa o consultório com um pedido de exames tradicionais (colesterol, glicemia, etc.) e outro solicitando a análise do seu perfil genético. Ele deseja saber como seu organismo reagirá a determinada droga e se há algo em seu DNA que pode interferir – para melhor ou para pior – no trabalho a ser feito. Esta situação é a essência de um novo conceito de cuidado com a saúde chamado medicina personalizada. Ele consiste no oferecimento de estratégias desenhadas para o indivíduo de acordo com suas características genéticas.

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A ideia começa a ganhar a prática médica graças aos avanços da genética, que possibilitam a realização de testes a preços mais acessíveis. O tratamento do câncer é a área na qual a aplicação do conceito está mais adiantada. Foi usado pela primeira vez no tratamento de câncer de mama. Descobriu-se que a droga Herceptin só funcionava nas mulheres que apresentavam atividade no gene responsável por determinar a produção da proteína HER-2. Foi criado um teste para selecionar essas pacientes e usar a medicação somente nos casos em que ela tem efeito. “Depois, verificou-se que 5% a 10% dos pacientes com tumor de estômago também manifestam amplificação desse gene”, explicou a médica Isabela Werneck, do Hospital A. C. Camargo, em São Paulo. E eles passaram a se beneficiar do Herceptin. Hoje, há outros exemplos: há exames para saber em que pacientes serão eficazes drogas como o cetuximabe, contra o câncer colorretal, o bevacizumabe, indicado para combater o tumor de pulmão, o vemurafenibe, que combate o melanoma, e o crizotinibe, recomendado contra o câncer de pulmão.


A adoção da medicina personalizada também se intensifica na cardiologia. Existem testes para saber a resposta individual ao clopidrogel e a varfarina, usados por doentes cardíacos. E outras possibilidades estão em estudo. Um artigo publicado por Stephen Liggett, da Universidade do Sul da Flórida, descreveu como o perfil genético poderá predizer quem se beneficiará de uma droga para tratar insuficiência cardíaca, o bucindolol. “O teste nos diz quem irá responder à droga de uma forma muito favorável e quem não terá reação”, disse Liggett.

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Nos laboratórios de diagnóstico, encontram-se testes que rastreiam reações a uma gama ampla de medicamentos. Um deles, o Amplichip 450, aponta como será a metabolização de drogas como o carvedilol (anti-hipertensivo), amitriptilina e paroxetina (antidepressivos) e fenitoína e diazepan (antiepiléticos). No Richet, do Rio de Janeiro, há um teste que indica a predisposição a doenças cardiovasculares e a reação a algumas drogas, principalmente as indicadas para o controle da pressão arterial. “Com o resultado, há menos risco de indicação de remédio em dosagem incorreta”, explica Hélio Magarinos Torres Filho, diretor-médico do laboratório..
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O Laboratório SalomãoZoppi Diagnósticos, de São Paulo, em parceria com o geneticista Ciro Martinhago, oferecerá a partir deste ano o sequenciamento total do DNA humano feito aqui no Brasil. O processo reduzirá o tempo de espera para o resultado de cerca de três meses, quando a análise é feita fora do País, para um mês. Além disso, introduzirá testes para conhecer as reações de cada um a anti-inflamatórios e antialérgicos. “Este é o caminho da medicina. Hoje, as drogas que já passaram por testes que indicam com mais precisão a quem irão beneficiar têm preferência de aprovação nos Eua”, diz Martinhago, assessor científico do SalomãoZoppi.
8- O convívio com a diversidade sexual
Não passou despercebida a iniciativa da Rede Globo de mostrar, na final do reality show “The Voice”, em dezembro do ano passado, imagens da família da vencedora, Ellen Oléria, com a seguinte legenda: “Mãe e namorada de Ellen”. A opção por não esconder a identidade sexual da participante é reflexo da mudança no modo como a sociedade brasileira lida com a diversidade – um avanço que ocorre a passos rápidos. “Sou formada em direito e minha monografia, apresentada em 2009, foi sobre a união homoafetiva”, afirma Rosa Maria Gonzaga Arouche, que acaba de formalizar seu casamento com Antonieta Cavalcante de Sousa na cidade de Santos, em São Paulo. “Na hora em que assinei a certidão, três anos depois, senti toda a emoção de ver o meu trabalho se concretizar.”

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A história de Rosa e Antonieta só foi possível porque, em 2011, o Supremo Tribunal Federal estendeu os direitos da união estável aos homossexuais. Com esse precedente, uma série de jurisprudências foi aberta e benefícios como herança, acesso a plano de saúde e pensão alimentícia se tornaram realidade para essa parcela da população. “O direito acompanha a evolução da sociedade”, diz Luiz André Sousa Moresi, presidente da ONG Revida e primeiro a se casar com uma pessoa do mesmo sexo no Brasil. Segundo a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, no entanto, esse avanço precisa ser acompanhado pelo Poder Legislativo, onde as principais propostas do movimento gay seguem estancadas, como é o caso do Projeto de Lei 122, que criminaliza a homofobia. “O Judiciário tem sido sensível ao princípio da igualdade e o Poder Executivo tem ampliado as políticas antidiscriminatórias. Mas falta o pilar do Legislativo”, afirmou a ministra Maria do Rosário à ISTOÉ. Esse vazio faz com que, apesar de todos os avanços, a violência homofóbica siga aumentando. Dados do Grupo Gay da Bahia mostram que os assassinatos de homossexuais subiram de 266 em 2011 para 308 em 2012. Segundo a Secretaria de Direitos Humanos, as denúncias registradas no Disque 100 aumentaram 197% nos últimos 12 meses. “Trata-se de um segmento muito vulnerável”, afirma Maria Berenice Dias, presidente da Comissão da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
9- O preço da longevidade nas famílias
O Brasil já é uma nação de idosos. “E os estudos apontam que a partir de 2030 a população com mais de 45 anos crescerá”, afirma a economista Ana Alice Camarano, especialista em longevidade do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Se por um lado a convivência entre gerações de uma mesma família é gratificante, por outro, quando o envelhecimento não ocorre de forma saudável, é motivo de apreensão. Hoje, por exemplo, 3,1 milhões de idosos brasileiros têm dificuldades de executar as atividades mais básicas da vida diária, como tomar banho, comer e ir ao banheiro sozinhos. Os impactos financeiros e emocionais para cuidar deles são grandes e desgastantes para toda a família.“Um familiar em geral abre mão da sua vida para assumir o gerenciamento da vida do idoso. As contas, a compra e a administração dos remédios, as consultas, tudo vira tarefa dessa pessoa”, afirma o geriatra Saulo Buksman, diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. O peso é tamanho que existe até uma doença já descrita com o nome de “estresse do cuidador”. “Mistura depressão, culpa e raiva. A pessoa tem um estresse muito forte, que pode induzir a doenças”, diz o médico.

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Uma das soluções que vêm ganhando força são as instituições de longa permanência para idosos. São casas nas quais os mais velhos são acompanhados por equipes de saúde multidisciplinares, participam de atividades terapêuticas e desfrutam de acomodações confortáveis. Na grande maioria delas, o idoso também pode ser deixado durante um período do dia, como numa creche. Mas o preço é mais alto do que o pedido para cuidar de crianças: gira em torno dos R$ 4 mil mensais.


Um dos problemas é que as políticas de hoje são voltadas apenas para o envelhecimento ativo. “Temos academia da terceira idade em cada esquina, centros de convivência, universidades para idosos, mas estamos deixando de lado o velho frágil e pobre”, diz a pesquisadora Ana Alice. “E não temos mais tantos cuidadores familiares. As famílias estão diminuindo e as mulheres hoje participam ativamente do mercado de trabalho. Elas não podem mais ficar em casa”, afirma. A especialista defende que seja dada uma compensação financeira ao parente que se dedique ao cuidado do idoso, já que muitos saem do mercado de trabalho para isso.

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Foi o caso da empresária Mariana Lima, 32 anos, que teve de fechar a empresa de marketing para cuidar de uma tia de 80 anos, que sofre de Alzheimer. “Ela ficava agitada em casa. Dizia que não era a casa dela e queria fugir”, conta a empresária. Mariana banca parte das despesas da tia, já que a pensão que ela recebe é insuficiente. “Somente um dos remédios custa R$ 400. E ainda pago R$ 1.808,33 de plano de saúde”, diz.
10- A imortalidade dos ídolos
Antes de morrer, o popstar ­Mi­chael Jackson estava à beira da falência. No ano passado, contudo, ele foi o cantor morto com o maior rendimento no show business: faturou US$ 145 milhões. Se essa cifra prova que as chamadas “delebs” (celebridades falecidas) continuam vivas na memória de seus fãs, uma nova tecnologia veio mostrar que elas podem ser imortais: o holograma. A família Jackson já declarou que uma cópia digital do Rei do Pop está em estudo para uma turnê este ano, numa lista que inclui Elvis Presley, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Freddie Mercury, Kurt Cobain e até Marilyn Monroe. No Brasil, um Cazuza versão digital está sendo feito pela empresa francesa 4DMotion para um show em comemoração aos seus 55 anos, em abril. “Temos de admitir que hoje a definição de carreira não se refere apenas ao período em que o artista era vivo”, afirma Mark Roesler, um dos maiores agentes desse segmento.

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Tentativas de “ressurreição” de astros pop já vinham acontecendo há mais de uma década, mas só mostrou seu incrível resultado no início do ano passado, com a apresentação do rapper Tupac Shakur no festival Coachella, nos EUA. Seu “ersatz” foi desenvolvido por meio de um método revolucionário: uma pessoa com físico semelhante ao do cantor repete seus gestos e é gravada segundo a técnica de animação “motion capture”; na sequência, um rosto idêntico ao dele é criado digitalmente a partir de fotos e imagens de arquivo. Isso havia sido feito no cinema em filmes como “O Senhor dos Anéis” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Agora chega aos shows. Para se reproduzir ao vivo, a apresentação pré-gravada do cantor é projetada em um espelho no piso do palco e refletida numa tela especial de poliéster Mylar.
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A próxima etapa é fazer a projeção em formato 3D, dispensando a tela e permitindo que o astro se movimente em todas as direções. “Esse é só o primeiro passo. Eles vão chegar lá”, diz o empresário Rafael Reisman, que trouxe ao Brasil as apresentações virtuais (só que ainda em telão) de Elvis Presley, todas com lotação esgotada. Outro fator que vai revolucionar o mercado de shows no futuro é que a cópia virtual custa menos que um popstar real: a criação do Tupac Shakur holográfico ficou entre US$ 100 mil e US$ 400 mil e pode fazer infinitos shows. Já o cachê cobrado por um popstar do nível de Paul McCartney, por exemplo, chega a US$ 4 milhões por apresentação.
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Revista IstoÉ

5 de jan. de 2013

Florir

Deixe a vida fazer com você o que a primavera faz com as flores.
Pablo Neruda

Solidão a dois

picture by Marc Chagall
A comunicação entre as pessoas é um dos exercícios mais freqüentes, indispensáveis e, no entanto, frustrantes do cotidiano. Nem sempre o que se diz é o que de fato se sente. Romances têm início, e também terminam, com base em equívocos, em erros de avaliação, em expressões e ações subjetivas, mesmo que pretendamos lhes dar a maior objetividade possível, ao tentarmos comunicar nossos pensamentos, emoções ou sentimentos.

Até os gestos mais espontâneos, inocentes e que não escondam nenhuma segunda intenção, correm o risco de serem mal-interpretados e nos trazerem aborrecimentos, não somente nos relacionamentos amorosos, mas no dia-a-dia. Palavras, por sua vez, são ambíguas, com sentidos muitas vezes bastante vagos, quando não opostos aos que pretendemos lhes emprestar, e mais complicam do que favorecem a genuína comunicação.

Quantas vezes, por exemplo, um elogio é interpretado como galhofa pelo nosso (ou pela nossa) interlocutor (ou interlocutora), gerando tensões, conflitos, rompimentos, quando não coisa pior! E a recíproca, claro, é verdadeira. Por isso, esse ato supremo de racionalidade é o que mais me fascina e foi o que determinou, inclusive, o meu rumo na vida, a minha atividade à qual dedico 24 horas por dia, a minha paixão e a minha profissão.

Escrevi, recentemente, uma crônica, em que tentei demonstrar o acerto do escritor francês André Malraux, que disse que integramos o que pode ser denominado de “a civilização da solidão”. Não, é claro, no sentido em que o termo é usualmente compreendido, ou seja, da falta de companhia, mas num outro mais profundo, intrínseco, espiritual: o de não sermos entendidos em nossas palavras, ações e, notadamente, intenções pelos que nos cercam ou que convivem conosco.

Creio que não há quem nunca não tenha se sentido só, absoluta e irremediavelmente só, mesmo caminhando em uma rua apinhada de gente de alguma gigantesca metrópole, ou num teatro superlotado, durante um show de música popular, ou num estádio de futebol, em dia de grande clássico ou em tantos outros lugares, caracterizados pelo grande afluxo de pessoas. Há, porém, uma forma de solidão mais comum e muito mais incômoda e dolorosa. Não raro, ela deixa marcas profundas em nossa mente, tanto no consciente quanto, e principalmente, no subconsciente, e é causa de grande sofrimento, que não raro se transforma em complexos de inferioridade, neuroses, psicoses ou coisas piores. Tem motivado, inclusive, tragédias, como agressões físicas e/ou morais, assassinatos, suicídios etc.

Refiro-me à chamada “solidão a dois”. Todo relacionamento afetivo, que não objetive, somente, uma ocasional relação sexual, começa sob os melhores augúrios e expectativas. Principalmente quando achamos que encontramos o amor da nossa vida. Alguns conseguem, bem ou mal, expressar esse afeto, e receber reciprocidade. Nesses casos, a união se torna estável, cresce, se consolida e dura até que um dos parceiros venha a morrer.

Outros se acomodam, assumem a postura de “donos” do seu par, ou experimentam aventuras extraconjugais que machucam e não raro sufocam e findam por matar o afeto, mas por questões familiares, mantêm, nominalmente, o casamento. Tornam-se infelizes (e geram infelicidade a quem juraram “amor eterno”). Instala-se, num relacionamento desse tipo, a terrível solidão a dois em que, fisicamente, os parceiros permanecem juntos. Mas psicológica e afetivamente...

Há casos e casos, todos com final infeliz. Existem pares, por exemplo, que mesmo se amando reciprocamente, não sabem expressar o que sentem. Findam por se separar, em meio a ressentimentos, mágoas, recriminações e surdo (mas onipresente) rancor mútuo.E tudo por que? Por falta de diálogo. Pelo fato dos dois (ou de um deles pelo menos) se esquecerem que o amor é auto-doação mútua, total, irrestrita e permanente. Por não se darem conta que o relacionamento amoroso não se trata de mera transação, do tipo dá cá, toma lá. Por não entenderem que ele não é um jogo de interesses, não importa de que natureza, e que não implica em dominação e conseqüente servidão, mas exige absoluta igualdade, quer de comportamento, quer de sentimentos, entre os parceiros.

Quem raciocina de forma egoísta, julgando-se o centro do universo e, portanto, “senhor” da companheira (ou “senhora” do companheiro, claro), faz com que o relacionamento fique doentio, vicioso, asfixiante e assuma caráter de terrível instabilidade, mesmo que ambos se amem, genuína e sinceramente. Quem agir dessa forma, certamente irá conhecer as agruras e o terror da solidão a dois. Sua aposta, mesmo que não se dê conta ou que negue, será no fracasso. Por isso, é de rara felicidade o que Vinícius de Moraes escreveu, em um dos seus antológicos e mais inspirados poemas, conhecido pela maioria. Ou seja, que “o amor é eterno... enquanto dura”. Para uns, adquire a durabilidade que se estende por toda a vida (e, quem sabe, além dela).
Para outros...pode durar poucos anos, quando não meses, semanas ou mesmo alguns parcos dias
Pedro J. Bondaczuk

4 de jan. de 2013

A imortalidade da alma

picture by Ju Côrte Real
"Conhece-te a ti mesmo e serás imortal" Alguns séculos antes de Cristo, vivia em Atenas, o grande filósofo Sócrates. A sua filosofia não era uma teoria especulativa, mas a própria vida que ele vivia. Aos setenta e tantos anos foi condenado à morte, embora inocente. 

Enquanto aguardava no cárcere o dia da execução, seus amigos e discípulos moviam céus e terra para o preservar da morte. O filósofo, porém não moveu um dedo para esse fim; com perfeita tranqüilidade e paz de espírito aguardou o dia em que ia beber o veneno mortífero. 

Na véspera da execução, conseguiram seus amigos subornar o carcereiro (desde daquela época já existia essa prática...), que abriu a porta da prisão. 

Críton, o mais ardente dos discípulos de Sócrates, entrou na cadeia e disse ao mestre: - Foge depressa, Sócrates! 
- Fugir, por que? - perguntou o preso.
- Ora, não sabes que amanhã te vão matar? 
- Matar-me? A mim? Ninguém me pode matar! 
- Sim, amanhã terás de beber a taça de cicuta mortal - insistiu Críton. 
- Vamos, mestre, foge depressa para escapares à morte! 
- Meu caro amigo Críton - respondeu o condenado - que mau filósofo és tu! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim ...
Depois puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou: - Críton, achas que isto aqui é Sócrates?
E, batendo com o punho no osso do crânio, acrescentou: - Achas que isto aqui é Sócrates? ... Pois é isto que eles vão matar, este invólucro material; mas não a mim. 

"Eu sou a minha alma. Ninguém pode matar Sócrates! "... E ficou sentado na cadeia aberta, enquanto Críton se retirava, chorando, sem compreender o que ele considerava teimosia ou estranho idealismo do mestre. No dia seguinte, quando o sentenciado já bebera o veneno mortal e seu corpo ia perdendo aos poucos a sensibilidade, Críton perguntou-lhe, entre soluços: - Sócrates, onde queres que te enterremos?

Ao que o filósofo, semiconsciente, murmurou: - Já te disse, amigo, ninguém pode enterrar Sócrates ... Quanto a esse invólucro, enterrai-o onde quiserdes. Não sou eu... Eu sou a minha alma... 

E assim expirou esse homem, que tinha descoberto o segredo da Felicidade, que nem a morte lhe pôde roubar. "Conhecia-se a si mesmo, o seu verdadeiro Eu divino. Eterno imortal..." 

Assim somos todos nós seres Imortais, pois somos Alma, Luz, Divinos, Eternos... Nós só morremos, quando somos simplesmente esquecidos... 
Uberto Rhodes

Tudo flui e nada permanece


Tudo flui e nada permanece; tudo se afasta e nada fica parado.
Você não consegue se banhar duas vezes no mesmo rio, pois outras águas e ainda outras sempre vão fluindo.
É na mudança que as coisas acham repouso.
Heráclito

A horrível verdade sobre o estupro em Nova Délhi


Sonia Faleiro
Quando adolescente, aprendi a me proteger. Nunca ficava sozinha, se possível, e andava depressa, cruzando os braços sobre o peito, recusando todo contato visual ou mesmo um sorriso. Abria caminho no meio da multidão curvando os ombros para frente, e evitava sair de casa depois do escurecer, se não fosse num carro particular. Numa idade em que as jovens em todos os outros lugares começam a fazer suas primeiras experiências com um estilo mais ousado de vestuário, eu usava roupas duas vezes maiores do que o meu tamanho. Ainda não consigo me vestir de forma a parecer atraente sem ter a sensação de estar me expondo ao perigo.
A situação não mudou quando cheguei à idade adulta. O spray de pimenta não existia ainda e minhas amigas, todas de classe média ou média alta como eu, carregavam alfinetes ou outros objetos como armas no caminho da universidade e do emprego. Uma delas andava com uma faca e insistia que eu devia fazer o mesmo.
Recusei, mas havia dias em que ficava tão enraivecida que poderia usá-la - ou, pior ainda, alguém poderia usá-la contra mim.
O persistente concerto de assobios, miados, palavras sibiladas, alusões sexuais ou ameaças abertas continuaram. Grupos de homens andavam pelas ruas vadiando, e sua forma de comunicação eram as canções de filmes indianos que viviam cantando, repletas de duplos sentidos.
Para deixar claras suas intenções, mexiam a pélvis para frente quando uma mulher passava.
Não eram apenas os ambientes públicos que eram pouco seguros. Até na redação de uma importante revista onde eu trabalhava, no consultório de um médico, até mesmo numa festa privada - era impossível escapar da intimidação.
No dia 16 de dezembro, como o mundo agora sabe, uma mulher de 23 anos voltava para casa com o namorado depois do assistir ao filme As aventuras de Pi num shopping center de Délhi. Quando tomaram o que lhes pareceu um ônibus, os seis homens que estavam no veículo estupraram e torturaram a mulher de maneira tão brutal que destruíram seus intestinos. O ônibus fora apenas um chamariz. Eles espancaram brutalmente também o namorado da jovem e jogaram os dois fora do veículo, deixando-a à beira da morte.
A jovem não se rendeu. Ela começara aquela noite vendo um filme sobre um sobrevivente, e provavelmente sentiu-se determinada a sobreviver também. Então ela realizou outro milagre. Em Délhi, uma cidade onde a degradação das mulheres é comum, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas e enfrentaram a polícia, as bombas de gás lacrimogêneo e os canhões de água para expressar sua revolta. Foi o maior protesto jamais realizado na Índia contra a agressão sexual e o estupro até aquele momento, e desencadeou manifestações em toda a nação.
A fim de proteger a identidade da vítima, seu nome não foi divulgado.
Mas embora ela continue sem nome, não ficou sem rosto. Para vê-lo, bastou que as mulheres se olhassem no espelho. A plena dimensão da sua vulnerabilidade finalmente foi compreendida.
Quando fiz 26 anos, mudei-me para Mumbai. A megalópole comercial e financeira tem sua carga de problemas específicos, mas, em termos culturais, é mais cosmopolita e liberal do que Délhi. Ainda zonza com a liberdade recém-conquistada, comecei a fazer matérias sobre o bairro da prostituição e percorria subúrbios perigosos tarde da noite - sozinha e usando transporte público. Acho que a minha experiência em Délhi teve um resultado positivo: fiquei agradecida pelo ambiente comparativamente seguro de Mumbai e resolvi aproveitar ao máximo.
Mas a jovem jamais terá esta oportunidade. Na manhã de sábado, 13 dias depois de ter sido brutalizada, esta estudante de fisioterapia, que sem dúvida sonhara em melhorar a vida das outras pessoas, perdeu a sua. Morreu por falência múltipla dos órgãos.
A Índia tem uma legislação contra o estupro; assentos reservados para as mulheres nos ônibus, policiais femininas; linhas especiais para pedir a ajuda da polícia. Mas estas medidas não têm tido eficiência diante de uma cultura patriarcal e misógina. Trata-se de uma cultura que acredita que o pior aspecto do estupro é a corrupção da vítima, que nunca mais poderá encontrar um homem para casar com ela - e que a solução é casar com o estuprador.
Estas crenças não se restringem às salas de estar, mas são expressas abertamente. Nos meses anteriores ao estupro coletivo, alguns políticos de destaque atribuíram o aumento das estatísticas sobre estupro à crescente utilização dos celulares pelas mulheres e ao fato de elas saírem à noite. "Somente porque a Índia conseguiu a liberdade depois da meia-noite não significa que as mulheres possam se aventurar a sair depois do anoitecer", disse Botsa Satyanarayana, líder do Partido do Congresso do Estado de Andhra Pradesh.
Denúncias. Mudar é possível, mas as pessoas devem denunciar logo os casos de estupro e de agressão sexual para que a polícia possa realizar as investigações, e os casos levados aos tribunais possam tramitar rapidamente e não demorar anos a fio. Dos mais de 600 casos de estupro relatados em Nova Délhi em 2012, somente um levou à condenação. Se as vítimas acreditam que receberão justiça, se mostrarão mais dispostas a falar. Se os supostos estupradores temerem as consequências de suas ações, não atacarão as mulheres nas ruas impunemente.
As dimensões dos protestos públicos e na mídia deixaram claro que o ataque constituiu um divisor de águas. A horrível verdade é que a jovem atacada no dia 16 teve mais sorte do que muitas vítimas de estupro. Ela foi uma das raras mulheres que receberam algo parecido com justiça. Foi hospitalizada, sua declaração foi gravada e em poucos dias todos os seis suspeitos do estupro foram presos e, agora, estão sendo processados por assassinato. Tal eficiência é algo incomum na Índia.
Não foi a brutalidade das agressões contra a jovem que tornou sua tragédia inusitada; foi o fato de que esta agressão, finalmente, provocou uma resposta
Sonia Faleiro

Amor doentio

Amor a primeira vista, amor de verão e amor de infância. Quase todo mundo já teve um ou todos eles. E o amor patológico? Você já viveu algum?

O amor patológico é uma doença que causa dependência como se fosse uma droga, só que nesse caso, a droga não é um produto químico ou álcool, é o parceiro ou parceira. 

De acordo com a psicóloga Sílvia Rezende Azevedo, o amor patológico atinge com mais freqüência as mulheres, mas os homens também podem sofrer desse mal. Para saber se alguém tem amor doentio é só analisar o relacionamento. 

"Chega a um ponto que o amor fica obcecado e a pessoa deixa a sua vida para viver a do outro ou não permite que o parceiro tenha vida própria".Segundo Sílvia, quando a pessoa deixa os amigos, o parceiro passa a ocupar mais espaço do que a família, o trabalho e outros afazeres, ou o medo da relação acabar é incontrolável e se começa a seguir e vigiar o outro, é certo que o amor deixou de ser algo saudável e se transformou num vício. 

"Pesquisas mostram que as áreas do cérebro que são ativadas quando se está interessado por alguém são as mesmas da obsessão. É uma sensação química e quando o amor passa a ser doentio a pessoa tem crises se está longe ou sem o parceiro, tem sentimentos de culpa. É como se fosse uma droga que não se pode ficar sem", explica Sílvia.

A psicóloga afirma que é difícil perceber que o limite saudável de uma relação está sendo ultrapassado devido a uma questão cultural de que em um relacionamento amoroso, principalmente no início, é normal amar exageradamente, demonstrar que ama e fazer uma série de coisas pelo outro. "É como o consumo de álcool que é uma droga aceitável e consumida socialmente. No começo você bebe e não percebe nada porque está dentro do normal, com o passar do tempo sua vida começa a girar em torno disso e você não percebe que está passando do limite", compara.A pessoa doente se torna impulsiva e compulsiva devido ao vício. 

O amor se transforma em um sentimento destrutivo para o casal e que em alguns casos pode ocasionar tragédias como crimes e suicídios. O amor patológico pode atingir, principalmente as mulheres com mais de 30 anos e que não têm um relacionamento estável. "As mulheres estão mais seletivas e depois de determinada idade, quando encontram um parceiro, ficam doentes por ele e são capazes de fazer tudo para não perder essa relação", diz Sílvia.Esse amor doentio não fica restrito a relação homem-mulher. Pode atingir também pais, irmãos, filhos e amigos. "Algumas mães gostam tanto dos filhos que acabam com o relacionamento amoroso deles e alguns amigos têm ciúme doentio pelo outro", exemplifica. 

Características do amor patológico 
A psicoterapeuta e pesquisadora do Ambulatório do Amor em Excesso (Amore) da USP, Eglacy Sophia, destaca alguns sintomas dos 'doentes de amor': - Sintomas de abstinência (como angústia, taquicardia e suor) na ausência ou no distanciamento (mesmo afetivo) do amado - O indivíduo se preocupa excessivamente com o outro - Atitudes para reduzir ou controlar o comportamento de cuidar do parceiro são mal-sucedidas - É despendido muito tempo para controlar as atividades do parceiro - Abandono de interesses e atividades antes valorizadas - O quadro é mantido, apesar dos problemas pessoais e familiares Serviço 

O Ambulatório do Amor em Excesso da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) aceita voluntários para tratamento e pesquisa do amor patológico. As triagens são agendadas pelo telefone (11) 3069-7805, somente às quartas-feiras, das 10h às 17h. Os participantes passam por 16 sessões de psicoterapia e psicodrama em grupo.
Terra





Jealousy

Oh how wrong can you be?
Oh to fall in love was my very first mistake
How was I to know I was far too much in love to see?
Oh jealousy look at me now
Jealousy you got me somehow
You gave me no warning
Took me by surprise
Jealousy you led me on
You couldn't lose you couldn't fail
You had suspicion on my trail


How how how all my jealousy
I wasn't man enough to let you hurt my pride
Now I'm only left with my own jealousy


Oh how strong can you be
With matters of the heart?
Life is much too short
To while away with tears
If only you could see just what you do to me
Oh jealousy you tripped me up
Jealousy you brought me down
You bring me sorrow you cause me pain
Jealousy when will you let go?
Gotta hold of my possessive mind
Turned me into a jealous kind


How how how all my jealousy
I wasn't man enough to let you hurt my pride
Now I'm only left with my own jealousy
But now it matters not if I should live or die
'cause I'm only left with my own jealousy

Ciúme

Oh como você pode estar errado?
Oh, me apaixonar foi meu primeiro grande erro
Como iria saber, Se estava muito apaixonado para ver?
Oh ciúme, olhe para mim agora
Ciúme, você começou de alguma maneira
Você não me deu avisos
Me pegou de surpresa
Ciúme você me seduziu
Você não podia perder, não podia falhar
Você tinha suspeitas dos meus rastros

Como como como todo meu ciúme
Eu não fui homem o bastante para te deixar ferir meu orgulho
Agora estou só com meu ciúme

Oh, como você pode ser forte
Com assuntos do coração?
A vida é muito curta
Para se deixar passar com lágrimas
Se só você pudesse ver, O que fez comigo
Oh ciúme, você me deu uma rasteira
Ciúme você me deixou para baixo
Você me traz tristeza, você me causa dor
Ciúme, quando você irá embora?
Tomou conta da minha mente possessiva
Transformou-me num tipo ciumento

Como como como todo meu ciúme
Eu não fui homem o bastante para te deixar ferir meu orgulho
Agora estou só com meu ciúme
Mas agora não importa se eu devo viver ou morrer
Porque agora estou só com meu ciúme

3 de jan. de 2013

Milionária chinesa trabalha como faxineira para "dar exemplo" aos filhos


Uma milionária chinesa de 53 anos, proprietária de 17 imóveis, trabalha como faxineira seis dias por semana para, segundo ela, ensinar aos seus filhos as virtudes do trabalho, relata nesta quinta-feira o diário "South China Morning Post".

Yu Youzhen, que vive na cidade de Wuhan e cujas propriedades estão avaliadas em milhões de dólares, trabalha há 15 anos na limpeza do Birô de Administração Urbana por um salário de 1.420 iuanes (US$ 228). 

"Quero ser um exemplo para meus filhos. Não quero me sentar ociosamente e dilapidar minha fortuna", assinalou Yu em entrevista ao diário. 

Seguindo o exemplo de sua mãe, seus filhos trabalham em atividades comuns, pelo que um deles é motorista e ganha 2 mil iuanes mensais (US$ 320), enquanto outra, cujo emprego não foi revelado, recebe 3 mil iuanes (US$ 481). 

Yu se queixa de que muitos vizinhos não entendem sua forma de vida, e alguns já chegaram a insultá-la publicamente por isso. 

Durante sua juventude, trabalhou como agricultora e carregou diariamente sacos de hortaliças para vender nos mercados da cidade. 

Mais tarde, na década de 1980, economizou o dinheiro com o qual construiria três casas de cinco andares nos arredores de Wuhan, que depois começou a alugar e iniciou um "império" que controla enquanto varre três quilômetros de ruas por dia.

As dez ‘tendências globais’ dos próximos cinco anos


O mundo dos próximos anos deve ser mais interconectado, de população mais velha e urbana, e com uma classe média mais forte nos países emergentes.
Mas também será um mundo de jovens desiludidos, de incertezas econômicas, crescente disparidade de renda e sob sérios desafios climáticos.
Essas são algumas das tendências previstas pela empresa de pesquisas Euromonitor International, autora de um relatório chamado "Dez Macro Tendências para os Próximos Cinco Anos".
O objetivo do relatório é analisar o futuro dos mercados consumidores. Confira as projeções:

'Futuro incerto'
Dívidas fora de controle, medidas de austeridade na zona do euro e distúrbios políticos globais causam o maior nível de incerteza política e econômica dos últimos anos, aponta o relatório.
"E se a situação se prosseguir, isso terá efeitos para os consumidores que, em tempos incertos, vão exercitar a cautela ao tomar decisões de consumo."

'Classes médias emergentes'
"A expansão da classe média nos diversos países emergentes será um dos efeitos-chave do crescimento econômico (desses países), à medida que grandes contingentes populacionais deixaram a pobreza e formaram uma base de consumidores cada vez mais exigentes e sofisticados", opina a Euromonitor.
Relatório de novembro do Banco Mundial cita por exemplo o aumento da renda média na América Latina. Na última década a classe média da região cresceu em 50%, de 103 milhões de pessoas em 2003 para 152 milhões em 2009, hoje representando 30% da população.
Na Rússia, analistas apontam que a classe média está mais influente e busca sua voz na política; a China mira cada vez mais seu mercado de consumo doméstico, diante do desaquecimento da economia global.

'Jovens desiludidos'
A crise em países desenvolvidos teve como desfecho os altos índices de desemprego entre os jovens, e essa tendência deve se manter, diz a Euromonitor.
Entre os casos mais graves estão a Espanha e a Grécia, onde, segundo dados da Eurostat (instituto oficial de estatísticas da União Europeia), a taxa de desocupação de pessoas com menos de 25 anos supera os 50%.
Essas taxas contribuem para a insatisfação dos eleitores mais jovens, muitos dos quais têm saído às ruas de Atenas e Madri para protestar contra as medidas de austeridade na Europa.
O relatório da Euromonitor afirma que "faltam perspectivas decentes para os jovens, que enfrentam altos desemprego, custos universitários e custos de vida, além da falta de moradia acessível e do fardo de ter que ajudar os mais idosos no futuro".

'Divisão entre ricos e pobres'
O Brasil vive um momento histórico de redução da desigualdade, mas isso não necessariamente se repete no resto do mundo.
Segundo estudo prévio da Euromonitor, de março, a desigualdade de renda aumentou na maioria dos países entre 2006 e 2011, forçada pelo envelhecimento da população, pelo crescimento do desemprego e das medidas de austeridade em países desenvolvidos, além da persistente divisão entre áreas rurais e urbanas nos países em desenvolvimento.
Segundo o levantamento, essas disparidades podem minar os benefícios da recente onda de crescimento em alguns países.
A Euromonitor cita que aumentos desproporcionais de salários, avanços tecnológicos e urbanização também podem favorecer a desigualdade.
Para a consultoria, essas divisões também estão por trás de distúrbios sociais.

'O desafio climático'
"Padrões climáticos cada vez mais erráticos e o aumento dos níveis dos mares serão as maiores ameaças às populações nos próximos cinco anos e depois", diz a análise da Euromonitor.
Serve de exemplo a supertempestade Sandy, que recentemente varreu a costa leste dos EUA e deixou mais de 40 mortos no país. Os custos de reconstrução das áreas devastadas foram estimados em de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões.
Mas os prejuízos causados pelo clima "errático" vão muito além disso. "Secas e enchentes continuarão a provocar devastação em plantações, afetando os preços dos alimentos nos próximos anos", segundo o relatório da Euromonitor.

'Um mundo em processo de envelhecimento'
A tendência global é de taxas menores de nascimentos e maior expectativa de vida, o que resulta em uma população mais velha.
O Brasil se encaixa nessa tendência: a taxa de fecundidade foi de 1,86 filho por mulher em 2010, segundo o IBGE. A população brasileira deve se estagnar a partir de 2030. As consequências socioeconômicas de casos como o brasileiro são diversas.
"Populações em processo de envelhecimento vão impactar as perspectivas futuras de crescimento econômico, por conta da redução da mão de obra e de taxas mais baixas de poupança e investimento", prevê a Euromonitor. "Ao mesmo tempo, gastos públicos relacionados à idade (caso da saúde) devem aumentar significativamente."

'Transição urbana'
"A urbanização será uma tendência de longo prazo, mas seu ritmo cresceu perceptivelmente nos últimos anos e o crescimento das cidades alcançou níveis sem precedentes em mercados emergentes", aponta o levantamento.
A China é um exemplo, com a construção de cidades que têm virado polo de atração para hotéis, aeroportos e outros empreendimentos.
Em âmbito global, mais da metade da população já vive em áreas urbanas.
"O êxodo do campo à cidade é fortemente impulsionado pelo anseio por mais poder econômico", diz a Euromonitor. "A transição global para a vida urbana está moldando os mercados consumidores e a demanda."

'Pessoas em movimento'
Para a consultoria, o mundo fica "menor" à medida que mais pessoas têm acesso à opção de viajar, estudar e trabalhar fora de seus países de origem.
"A continuidade da migração tem impacto significativo nas economias, nos mercados e no consumo", opina a Euromonitor. "A maior diversidade étnica oferece boas oportunidades aos mercados."

'Mundo mais conectado'
Previsão da consultoria tecnológica IDC aponta que, a partir de 2015, usuários acessarão mais a internet por dispositivos móveis - tablets e smartphones - do que por computadores.
"Quase um terço dos consumidores globais online têm acesso à web em seus celulares", afirma a Euromonitor.
"Mídias sociais como Facebook e Twitter estão mudando a forma como as pessoas interagem. Uma estratégia bem-sucedida em mídias sociais será uma prioridade para as empresas no mundo inteiro."

'China global'
Segundo a Euromonitor, está mudando o foco dos investimentos estrangeiros chineses: inicialmente concentrados em países em desenvolvimento e ricos em recursos naturais, eles agora se começam a se voltar à América do Norte e à Europa.
"Diversas marcas chinesas entraram na arena global e tentarão desafiar marcas globais estabelecidas", prevê o relatório. "Especialistas creem que os investimentos externos de empresas chinesas tenham um crescimento expressivo na próxima década."
BBC Brasil 

Relaxe, você está em casa!

Depois de um dia corrido, nada como chegar em casa, descansar e , assim, repor as energias. Mas se mesmo nesse refúgio está difícil se livrar do estresse, algumas medidas podem torná-lo um lugar mais agradável e aconchegante.

Deixe entrar! Se você é do tipo que tem mania de manter portas e janelas fechadas, alto lá: está na hora de combater esse hábito, que compromete não apenas o bem-estar, mas também a sua saúde. Acontece que, além do abafamento e do odor desagradável, o ar de lugares fechados costuma ser de três a cinco vezes mais poluído que o de locais bem ventilados. "Isso cria condições ideais para a permanência de vírus, bactérias, poeira e ácaros, que prejudicam o sistema respiratório e imunológico", conta a médica otorrinolaringologista, Flavia Lira Diniz, da Clínica Faciall, de São Paulo.

Então, já sabe: deixe vidros e cortinas abertos, algumas horas por dia, para renovar o ar e manter o ambiente mais fresco. Com essa prática, sua casa contará ainda com a iluminação natural, que além do caráter sustentável, aquece o corpo, o coração e confere ânimo extra para encarar as atividades diárias. "A energia e a claridade do sol sugerem vida, movimento, circulação. É uma força tão intensa que ajuda a afastar emoções que nos deixam estagnados, como a tristeza e a preguiça", garante a terapeuta holística Cibele Tamasauskas, de São Paulo. Boas-vindas a você! De acordo com a cultura indiana, um importante ponto energético da casa se localiza sobre a porta de entrada. Isso porque o local representa a transição do mundo exterior para o interior e do público para o privado. Manter essa área sob bons fluidos evita que o ambiente seja contaminado com pensamentos e atitudes negativos, que possam vir de fora.

As dicas para alcançar esse objetivo provêm da milenar arte hindu de planejamento, chamada vaastu shastra, e são muito simples: a decoração deve ser alegre, com cores que remetam a boas emoções.

"Um símbolo auspicioso, que represente paz e prosperidade, fixado sobre a porta também atrai boas energias. Outra prática comum é colocar plantas, em ambos os lados da entrada ou decorá-la com uma guirlanda de folhas, preferencialmente de mangueira", esclarece a professora de cultura indiana Patrícia Romano, proprietária da filial paulista da escola Natyalaya, que tem sede em Kerala, na Índia.

E para quem quer levar a fundo a ideia de não trazer para casa as vivências exteriores, aí vai outra dica. Tire os sapatos antes de entrar: eles podem carregar energias pesadas. Para facilitar, deixe sempre um chinelo à disposição, perto da entrada, e utilize-o apenas no ambiente interno. Mente sossegada O sistema no qual vivemos privilegia a ação e o resultado. Por isso, estamos o tempo todo realizando tarefas, pensando em soluções e discutindo sobre elas com alguém. O resultado de vivenciar essa rotina é um esgotamento fí- sico e mental. A boa notícia é que esse mal tem remédio: basta, vez ou outra, tirar o pé do acelerador, olhar para dentro de si e serenar os pensamentos. Parece difícil? Os especialistas garantem que com a ajuda da meditação, essa é uma atitude possível.

O primeiro passo é escolher um local tranquilo da casa. Acomode-se com uma postura firme, mas confortável, sobre uma cadeira e almofada. Agora, está na hora de exercitar o poder de focar a sua mente em algo. "Para os iniciantes, sugiro atenção redobrada na respiração. O pensamento tentará fugir, buscar outros focos, mas é importante trazê-lo de volta e mantê-lo ocupado apenas em inspirar e expirar", sugere a professora de práticas meditativas Maria José Piva, de São Paulo.

Se preferir, tente outro método: escolha uma música suave, identifique a presença de um instrumento e siga sua sonoridade até o término da canção, percebendo até os momentos em que ele fica ausente. Você vai ver como esses minutos de afastamento das preocupações irão revigorar a alma! O poder das cores Você já deve ter ouvido por aí que as cores exercem influência sobre o nosso estado de espírito. Isso não se dá apenas pelas percepções visuais: cada tom emite uma vibração e frequência diferente, que são recebidas pelo corpo e pela mente, causando deter- minadas alterações. Por isso, fique ligado! Um lar harmonioso pede a utilização das cores corretas, de acordo com a função de cada ambiente.

"Cores frias e claras, como azul, verde e lilás, sugerem tranquilidade e relaxamento. Por isso são ideais para locais que pedem mais leveza e introspecção, como o quarto. Já as nuanças quentes, como vermelho, laranja e amarelo, têm uma energia mais vibrante e alegre, que pede ação, e devem ser utilizadas onde haja movimentação de pessoas e ideias", diz a terapeuta holística Cibele Tamasauskas, de São Paulo.

Mas se o projeto da casa estiver todo pronto, faça mudanças sutis, incluindo objetos como cortinas, quadros, almofadas e até tons de luz que tenham o efeito colori- do que você deseja. Solta o som! Já reparou como muitas vezes, em momentos de estresse ou aflição, recorremos à música como ferramenta de alívio? "Além de ser uma forma de expressão, a música libera uma série de hormônios neurotransmissores e ativa áreas cerebrais que estão intimamente ligadas ao estado de humor", diz Luisiana Passarini, coordenadora do Centro de Musicoterapia Benenzon Brasil, da capital paulista.

Por isso, não tenha dúvida: quando bater aquele desânimo, bote sua playlist para rolar. Nesse caso, músicas animadas e com batidas bem marcadas podem ser eficientes. Se a necessidade for relaxar, opte por versões mais lentas. "É importante ressaltar que não existem regras para essa escolha. A canção deve despertar em você aquilo que deseja sentir, independentemente do ritmo", salienta a especialista. Espaço para o novo O excesso de coisas na estante, dentro dos armários ou empilhadas nas prateleiras já fala por si só. É tanta informação que o desgaste vem só de olhar. Para evitar esses acúmulos desnecessários, o ideal é, pelo menos duas vezes ao ano, propor uma limpeza geral na casa. Durante essa tarefa, tente ser maleável e praticar o desapego.

"Desfazer-se daquilo que não se usa mais traz consigo o sentimento de libertação. Da mesma forma, poder acolher roupas e objetos novos significa experimentar outros papéis, acolher experiências diferentes e se arriscar por caminhos inusitados", pondera a psicóloga Maria Cristina Capobianco, de São Paulo. É como dizem por aí: renovar é preciso. Pronta para começar? Atmosfera de bem-estar Além de trazer à tona sentimentos, lembranças e sensações, os aromas têm ação terapêutica. Isso ocorre porque, assim que os inalamos, nossas células nervosas respondem ativando o sistema límbico, que libera substâncias relaxantes ou estimulantes no organismo. Para aproveitar bem esses benefícios, faça combinações certeiras de óleos. Quem ensina o caminho é a aromaterapeuta Sâmia Maluf, de São Paulo.

Banho para liberar o estresse e a ansiedade Ingredientes 10 ml de óleo vegetal de semente de uva 5 gotas de óleo essencial de benjoin 15 gotas de óleo essencial de bergamota 5 gotas de óleo essencial de patchuli 15 gotas de óleo essencial de pau-rosa Preparo Para quem tem banheira, basta adicionar os óleos à água. Quem utiliza o chuveiro pode diluir a sinergia em um pouco de água e, durante o banho, aplicar a mistura em suaves movimentos pelo corpo, com uma bucha, enxaguando em seguida.
Patrícia Affonso

2 de jan. de 2013

Só o necessário

Fechei os olhos e pedi um favor ao vento:
Leve tudo que for desnecessário.
Ando cansada de bagagens pesadas... 
Daqui para frente levo apenas o que couber no bolso e no coração. 
Cora Coralina

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