25 de jan. de 2013

Sabedoria

Ronit Bigal 
A vida é curta, a arte é longa, a oportunidade é fugaz, a experiência enganosa, o julgamento difícil.
Hipócrates

24 de jan. de 2013

Mulheres consomem mais bebidas alcoólicas depois do casamento


Os homens, ao contrário, reduzem o consumo de bebidas

Além de mais responsabilidades e o início de uma vida a dois, o casamento também marca uma fase em que as mulheres costumam beber mais. De acordo com uma nova pesquisa, as mulheres consomem mais bebidas alcoólicas depois de casarem enquanto os homens diminuem a quantidade de cerveja, vinho ou uísque do dia a dia. As informações são do site do jornal inglês Daily Mail.

A pesquisa foi realizada por sociólogos em quatro universidades dos Estados Unidos. “Nossas descobertas sugerem que estar casada com um homem cria um ambiente social que aumenta as chances do consumo de bebida alcoólica entre as mulheres”, disse a pesquisadora Corinne Reczek.

O levantamento mostrou ainda que, enquanto os homens casados consomem menos álcool que solteiros ou viúvos, a ingestão de bebidas alcoólicas aumenta drasticamente em casos de separação para o sexo masculino.

"Algumas pesquisas sugerem que os homens são mais propensos a lidar com momentos estressantes com ‘externalização’, como o consumo de álcool. Já as mulheres são mais propensas a ‘internalização’, o que pode gerar depressão”, justificou Reckzek. 
Terra

Homens abandonados por mulheres formam clube na Argentina

Clube dos abandonados. Arquivo pessoal
Lázaro (de óculos de sol) lidera grupo já reúne mais de 900 membros no Facebook
Após ter sido rejeitado pela mulher, um músico argentino criou um grupo que reúne outros homens que viveram a mesma dor de cotovelo.
O 'Club de hombres abandonados por una mujer' (Clube dos homens abandonados por uma mulher) conta com quase 900 integrantes no Facebook.
Uma vez cheguei em casa e todas as minhas coisas estavam embaladas em caixas. Foi assim que ela terminou nossa relação após sete anos de namoro, de convivência", disse Lázaro à BBC Brasil. Ele contou que voltou para a casa dos pais e pensou que poderia não ser o único a viver semelhante situação.Fundador do grupo, Roberto Lázaro, de 35 anos, já participou de programas de televisão e de rádio de Buenos Aires, explicando que teve a ideia após constatar que não estava sozinho nesse "bloco do abandono".
"Achei que nós (os abandonados) podíamos nos unir nesta dor", disse.
Lázaro compôs uma música que publicou no YouTube e passou a receber contato de outros homens deixados pelas mulheres.
"Foi então que decidi fundar o clube. Mas fiquei surpreso com a rapidez com que o grupo cresceu", afirmou. O 'Clube dos abandonados por uma mulher' foi criado há menos de um ano e reúne perfis ecléticos. Homens jovens ou idosos, mas com o mesmo histórico – o abandono.

Inspiração

Lázaro costuma liderar os encontros dos "largados", que ocorre em média a cada quinze dias, em cafés e praças. Os encontros são informados previamente no mural do clube no Facebook.
O músico disse que nas conversas eles "compartilham o sofrimento", "tentam superar a angústia e transformá-la em algo positivo". Lázaro costuma dizer aos sócios do clube que a "mulher continua sendo inspiração (para a vida deles), que o ressentimento deve ser evitado". Ele reconhece, porém, que essa tarefa pode ser difícil: "Às vezes, elas nós deixam por homens mais jovens ou mais ricos."
Lázaro disse que muitos homens ainda têm vergonha de contar a experiência que viveram – especialmente na Argentina.
"Nós fomos educados para nunca chorar, nunca revelar os sentimentos. Por isso, logo no inicio alguns deixaram críticas no nosso mural (no Facebook)", disse.
O clube conta com integrantes virtuais de vários pontos da Argentina, e, segundo Laázaro, com participantes do Uruguai e do México.
"Às vezes nos reunimos só para comer pizza e papear. Mas o clube não é um grupo de alcoólicos anônimos. É de apoio àquele que quer conversar, contar sua história e saber que não está sozinho na experiência."

'Caixa de surpresa'

Jorge Roque, de 83 anos, e Cesar Cardozo, de 30 anos, contaram à BBC Brasil, como se "identificaram" com o clube. Roque ficou sabendo ao ouvir a música em um bar no bairro de Belgrano, em Buenos Aires. Cardozo conheceu a ideia pela internet.
"Fui abandonado pela primeira vez aos 18 anos e daí em diante foi uma caravana de mulheres que me deixaram ao longo da vida", disse Roque, que trabalha consertando relógios.
Para ele, as mulheres sempre foram uma espécie de "caixa de surpresa", em que pode sair uma boneca ou uma luva de boxe. Roque disse que participa das reuniões porque é uma forma de combater a solidão e de estar com aqueles com quem se "identifica".
Já Cardozo decidiu entrar para o clube depois que a mulher o trocou por seu melhor amigo.
"Já tem mais de um ano, mas é uma dor terrível. Vou vivendo o dia a dia até essa dor passar", afirmou. Quando soube da traição, ele deixou sua terra, Misiones, na fronteira com o Brasil, e mudou-se para Buenos Aires. Ele trabalha como jardineiro em uma empresa de limpeza na capital argentina. "No clube, vejo que não sou o único neste drama", disse.

'Por cinco mulheres'

No mural do clube no Facebook, os comentários têm o tom de desabafo. "(Abandonado) Por cinco mulheres", escreveu um. "Hoje aconteceu o esperado, ela me deixou dizendo que estou gordo", afirmou outro.
O mural inclui frases de auto-ajuda como as atribuídas ao escritor Paulo Coelho e versos criados pelos integrantes do grupo.
"Senhores do abandono por mulheres sem compaixão reclamam mais paixão", escreveu um sócio do clube. Outros deixam comentários irônicos: "Depois de vê-los na televisão entendi porque suas mulheres os deixaram".
As mulheres também publicaram comentários, de dor de cotovelo. "Eu também estou triste. Que vida louca", escreveu uma delas, confirmando que dor de cotovelo não é exclusividade masculina.
Marcia Carmo - BBC

A morte virou lugar-comum

Georgia O'Keeffe

Só se fala em morte, hoje em dia. Quantos morreram hoje na Síria? Só 130? Ontem foram 200. 
E na periferia de São Paulo, quantas chacinas? Só duas, com alguns feridos? Quando Hannah Arendt cunhou a expressão "banalidade do mal", ela não imaginava como a morte se tornou um fato corriqueiro no mundo atual, sem os trágicos acordes do Holocausto. Talvez haja nas matanças banais um desejo de desvendar o mistério da morte, bem lá no fundo do inconsciente.


Para além de vinganças, busca de poder ou dinheiro, ódio puro, prazer, há a vontade de 'naturalizar' a morte, de modo que ela deixe de ser a implacável ceifadora.

Tenho certeza de que os assassinos que passam de moto e metralham inocentes não têm consciência da gravidade de seus feitos - apenas mais um dia divertido de violências. Os filmes americanos buscam o tempo todo essa banalidade: tiros súbitos sem piedade, jorros de sangue ornamentais, a beleza fálica das superarmas automáticas. Nos brutos filmes de ação, nos videogames, nas notícias bombásticas de tragédias há um claro desejo de esquecer a morte, mostrando-a sem parar. Um desejo de matar a morte. Um desejo de entendê-la pela repetição compulsiva. Mas, nunca conseguiremos exorcizá-la, porque quando ela chega não estamos mais aqui. Gilberto Gil fez uma música genial sobre a morte, onde ele canta, numa toada fúnebre:

"A morte já é depois/ já não haverá ninguém/ como eu aqui agora/ pensando sobre o além. / Já não haverá o além/ o além já será então/ não terei pé nem cabeça/ nem fígado, nem pulmão/ como poderei ter medo/ se não terei coração?" É isso. Só se pode falar da morte pela ausência. Nós apenas saímos do ar. Desaparecemos.
Ela é tão banal que inventamos solenes rituais para dar-lhe consistência, religiões ou crenças materialistas para nos consolar: "O universo é a eternidade. Deus é o universo, a substância. Ele está nas galáxias e no orgasmo, nos buracos negros e no coração batendo..." "Grandes merdas" - penso hoje -, pois quando ela chega acaba a literatura. Aliás, falar sobre a morte também é um lugar-comum - mas agora, é tarde demais para mim -, tenho de ir em frente. Até o grande Guimarães Rosa caiu nessa: "Morremos para provar que vivemos". O Nelson Rodrigues me perguntava sempre: "Pelo amor de Deus, me explica essa frase! E qual a profundidade de "Viver é muito perigoso?"

A morte só tem "antes", não tem "depois" - no Ivan Ilitch, do Tolstoi, quando ela chega, acaba o conto. Ele diz no instante final: "A morte acabou". Dizem que o Muhammad Atta, o terrorista que comandou o ataque às torres de NY, era ateu, mas queria conhecer aquele instante que separava o avião da torre erguida. A morte não está nem aí para nós; ela tem "vida própria". A gente vai para um lado, o corpo para o outro. Ela nos ignora, nossos méritos, nossas obras. Mais um lugarzinho comum: "Só nos resta viver da melhor maneira possível até o fim. Tem mais é que curtir, gente boa..." Pois é; há muitos anos, pegou fogo no edifício Joelma em São Paulo, torrando dezenas de infelizes. Do prédio em frente, as teleobjetivas fotografaram todas as agonias. Até hoje, lembro-me da foto em cores de um homem de terno, pastinha 007, agachado numa janela do 20.º andar, com o fogo às costas. Seu rosto mostrava a dúvida: "O que é melhor para mim? Morrer queimado ou me jogar?" Ele curtiu até o fim - e se jogou.
O que me chateia é ficar desatualizado. As notícias vão rolar e eu nada saberei. Haverá crises mundiais, filmes que estreiam, músicas novas, e eu ficarei lá embaixo, sem saber das novidades. É insuportável a desinformação dos falecidos.
Meu avô me disse uma vez: "Acho triste morrer, seu Arnaldinho, porque nunca mais vou ver a Av. Rio Branco..." Isso me emocionou, pois ele ia diariamente ao centro da cidade, onde tomava um refresco de coco na Casa Simpatia. Por isso, quando me penso morto, eu, que não irei ao meu enterro, de que terei saudades? Ou melhor, que saudades teria se as pudesse ter?

Não terei saudades de grandes amores, de megashows da vida de hoje, excessiva e incessante. Não. Debaixo da terra, terei saudades de irrelevâncias essenciais, terei saudades de algumas tardes nubladas de domingo que só o carioca percebe, tudo parado, com os urubus dormindo na perna do vento, como dizia o sempre presente Tom, do radinho do porteiro ouvindo o jogo, terei saudades do cafezinho nas beiras dos botequins, de certos tons de roxo e rosa em Ipanema antes da noite cair, saudades do cafajestismo poético dos cariocas, saudades dos raros instantes sem medo ou culpa, de alguns momentos de felicidade profunda, sem motivo, apenas pela gratidão de respirar. Não terei saudades dos fatos e notícias, nada do mundo febril; só a quietude, o silêncio entre amigos na paz de um bar, papos de cinéfilo, risos proletários e camaradagem de subúrbio, do samba que nos envolve nas rodas pobres com a alegre sabedoria da desesperança, da Lapa, da Av. Paulista de noite, do jazz, pernas cruzadas de mulheres inatingíveis, terrenos baldios de minha infância, saudades da literatura, do prazer da arte, Fellini, Shakespeare, de Cantando na Chuva - o maior hino da alegria americana, saudades de Fred Astaire dançando Begin the Beguine com Eleanor Powell, felizes para sempre dentro do universo estrelado.

Há várias mortes. Há brutas tragédias, fomes e bombas, horrendos desastres, mas, na morte óbvia, comum, caseira, só temos duas escolhas: súbita ou lenta.
Você, frágil leitor, qual delas prefere? O rápido apagar do "abajur lilás" de um ataque cardíaco ou o lento esvair da vida, sumindo com morfina? Se eu pudesse escolher, queria morrer como o velho Zorba, o grego, em pé, na janela, olhando a paisagem iluminada pelo sol da manhã. E, como ele, dando um berro de despedida.
Arnaldo Jabor

23 de jan. de 2013

São Jorge


'Salve Jorge': da Palestina ou da Capadócia?

No Brasil e alhures são milhões os que veem novelas. Atualmente uma, Salve Jorge, se desenrola na Capadócia, Turquia, onde teria vivido São Jorge.
Entre os estudiosos há uma antiga discussão sobre o lugar de seu nascimento. Ela vem largamente discutida por Malga di Paulo, pesquisadora da vida do santo e que forneceu os dados para a atual novela. Um livro seu deverá sair brevemente. Para Malga, que conhece a fundo a Capadócia, todos os indícios levam àquele lugar como a pátria natal do famoso mártir. Outros o colocam em Lod, na Palestina, hoje Israel, onde se construiu um santuário em sua homenagem. 
É muito pouco o que podemos dizer de forma segura sobre o tema. A escola de historiadores críticos da vida dos santos e dos mártires — surgida a partir  do século 17, os Bolandistas, e sua obra Acta sanctorum — deixa a questão em aberto. Outro grupo, criado  ao redor de A. Buttler, baseando-se nos Bolandistas e acessível em português em 12 volumes, A vida dos santos (Vozes, 1984) assevera: ”Há toda uma série de motivos para se acreditar que São Jorge foi um mártir verdadeiro e real, que sofreu a morte em Lida, na Palestina, provavelmente na época anterior a Constantino (306-337). Fora disso, parece que nada mais se pode afirmar com segurança” (vol. IV, pág. 188).
Minha tendência é afirmar que a Palestina, e não a Capadócia, é o lugar de nascimento de São Jorge. A razão se prende ao fato de que teria havido uma confusão de nomes. Com efeito, havia na Capadócia um bispo chamado Jorge da Capadócia, fato historicamente bem atestado. Entrou na história da teologia, em razão das polêmicas acerca da natureza de Cristo: seria só semelhante à de Deus (arianos) ou seria a mesma (antiarianos)? Tal discussão dividiu a Igreja.  O imperador Constâncio II (um de seus títulos era de papa) queria assegurar a unidade do império mediante uma confissão  única, no caso, a ariana. Militarmente, ocupou Alexandria, foco da resistência antiariana e impôs Jorge da Capadócia como bispo ariano (357-361), mais tarde assassinado. Isso consta até nos manuais de teologia. 
Minha hipótese é que os primeiros compiladores da vida de São Jorge, já no século V e depois, no século 12I, confundiram São Jorge com esse conhecido Jorge da Capadócia, e assim o fizeram nascer aí. Uma hipótese.
Deixando a discussão de lado, importa lembrar a figura de São Jorge mais conhecida: um guerreiro, montado sobre um cavalo branco, vestido de couraça, com uma cruz vermelha num fundo branco, enfrentando terrível dragão com sua lança pontiaguda.
Por seu pai ter sido militar, seguiu essa carreira. Foi tão brilhante que o imperador Diocleciano o incorporou à sua guarda pessoal com a alta patente de Tribuno. Quando este imperador obrigou todos os soldados cristãos a renunciarem à fé cristã e adorarem os deuses romanos, sob pena de morte, Jorge se recusou e saiu em defesa de seus irmãos de fé. Preso e torturado, miraculosamente passou, diz a lenda, ileso do caldeirão de chumbo e de vários envenenamentos. Mas acabou sendo decapitado.
No início, no Ocidente, o santo era venerado apenas como um simples mártir com sua palma típica. Com o tempo e especialmente devido às cruzadas foi feito guerreiro com seus instrumentos próprios, especialmente associado ao enfrentamento com o dragão, símbolo do mal e do demônio.
A lenda mais conhecida no Ocidente é a seguinte:
Certa feita, Jorge, como militar, passou pela Líbia no norte da África. Na pequena cidade de Silene o povo vivia apavorado. Num brejo vizinho reinava terrível dragão. Seu sopro era tão mortífero que ninguém podia se aproximar para matá-lo. Cobrava cada dia dois carneiros. Terminados estes, exigia vítimas humanas, escolhidas por sorteio. Um dia a sorte caiu sobre a filha do rei. Vestida de noiva, ela foi ao encontro da morte. Eis, senão quando, surge São Jorge com seu cavalo branco e com sua longa lança. Fere o dragão e domina-o. Amarra-lhe a boca com o cinto da princesa. Esta o conduz manso como um cordeiro até o centro da cidade. Todos, agradecidos, se converteram à fé crista.
São Jorge é patrono da Inglaterra, já a  partir de 1222, mas oficialmente só em 1347, com Eduardo III, com festa solene (the St.George’s Day). Mas também a Rússia, Portugal, Bulgária, Grécia, a província da Catalunha e muitas cidades mundo afora o têm como seu padroeiro.
Uma polêmica se estabeleceu quando o Vaticano, em 1969, fez uma revisão da lista dos santos e dela retirou  o popular São Jorge, por motivos não totalmente claros. Houve uma grita geral, especialmente, por parte da Inglaterra, da Catalunha e até do time de futebol, o Corinthians, de quem é patrono. O cardeal dom Paulo Evaristo Arns, corinthiano fervoroso, intercedeu junto ao papa Paulo VI para que mantivesse a veneração de São Jorge, ao menos como  clebração optativa. Ao que o papa respondeu: ”Não podemos prejudicar nem a Inglaterra nem a nação corinthiana; prossigam com a devoção”. Em 2000 João Paulo II, com senso pastoral, restabeleceu a festa. São Jorge está presente nas tradições afro: Ogum para a Umbanda e Oxossi para ocandomblé-nagô. No Rio, o dia 23 de abril, sua festa, é feriado municipal, pois é o patrono de fato da cidade.
No próximo artigo tentaremos decifrar o arquétipo de base que subjaz ao guerreiro São Jorge e ao dragão. Enquanto isso, fazemos nossa a oração popular: ”Andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés, não me alcancem, tendo mãos, não me peguem e tendo olhos não me enxerguem... E meus inimigos fiquem humildes e submissos a Vós. Amém”.
São Jorge e o dragão: os dois lados do ser humano 
Toda religião, também o cristianismo, possui muitas valências. Além de se centralizar em Deus, elabora narrativas sobre o drama paradoxal do ser humano, gerando sentido, uma interpretação da realidade, da história e do mundo. 
Exemplar é a lenda de São Jorge e o combate  feroz com o dragão narrada no artigo anterior. Primeiramente, o dragão é dragão, portanto, uma serpente. Mas é apresentada alada, com enorme boca que emite fogo e fumaça e um cheiro mortífero. É um dragão simbólico.
No Ocidente, representa o mal e o mundo ameaçador das sombras. No Oriente, é  positivo, símbolo nacional da China, senhor das águas e da fertilidade (long). Entre os aztecas era a serpente alada (Quezalcoatl), símbolo positivo de  sua cultura. Para nós, ocidentais, o dragão é sempre terrível e representa a ameaça à vida ou as dificuldades duras da sobrevivência. Os pobres dizem: “Tenho que matar um dragão por dia, tal é a luta pela sobrevivência”.
Mas o dragão, como o mostrou a tradição psicanalítica de C. G. Jung com Erich Neumann, James Hillmann, Etienne Perrot e outros, representa um dos arquétipos (elementos estruturais do inconsciente coletivo ou imagens primordiais que estruram a psique) mais ancestrais e transculturais da humanidade.  
Junto com o dragão sempre vem o cavaleiro heroico, que com ele se confronta numa luta feroz. Que significam essas duas figuras? À luz de categorias de C. G. Jung e discípulos, especialmente de Erich Neumann, que estudou especificamente este arquétipo (A história da origem da consciência, Cultrix, 1990), e da psicoterapia existencial-humanística de Kirk J. Schneider (O eu paradoxal, Vozes, 1993), procuremos entender o que está em jogo nesse confronto. Ele ensina e nos desafia. 
O caminho da evolução leva a humanidade do insconsciente para o consciente, da fusão cósmica com o Todo (Uroboros) para a emergência da autonomia do ego. Essa passagem é dramática, nunca totalmente realizada; por isso, o ego deve continuamente retomá-la caso queira gozar de liberdade e vencer na vida. 
Mas importa reconhecer que o dragão amedrontador e o cavaleiro heroico são duas dimensões do mesmo ser humano. O dragão em nós é o nosso universo ancestral, obscuro, nossas sombras de onde imergimos para a luz da razão e da independência do ego. Por isso que em algumas iconografias, especialmente uma da Catalunha (é seu patrono), o dragão aparece envolvendo todo o corpo do cavaleiro. Numa gravura de Rogério Fernandes (com.br) o dragão aparece envolvendo o corpo de São Jorge, que o segura pelo braço e tendo o rosto, nada ameaçador na altura do de São Jorge. É um dragão humanizado formando uma unidade com São Jorge. Noutras (no Google há 25 páginas de gravuras de São Jorge com o dragão), o dragão aparece como um animal domesticado sobre o qual São Jorge de pé o conduz, sereno, não com a lança mas com um bastão. 
A atividade do herói, no caso de São Jorge, na sua luta com o dragão, mostra a força do ego, corajoso, iluminado e que se firma e conquista autonomia, mas sempre em tensão com a dimensão escura do dragão. Eles convivem, mas o dragão não consegue dominar o ego. 
Diz Neumann: ”A atividade da consciência é heroica quando o ego assume e realiza por si mesmo a luta arquetípica com o dragão do inconsciente, levando-a a uma síntese bem sucedida” (Op.cit., pág. 244), A pessoa que fez esta travessia não renega o dragão, mas o mantém domesticado e integrado como seu lado de sombra. Por esta razão, em muitas narrativas, São Jorge não mata o dragão. Apenas o domestica e o reinsere no seu lugar deixando de ser ameaçador. Aí surge a síntese feliz dos opostos; o eu paradoxal encontrou seu equilíbrio, pois alcançou a harmonização do ego com o dragão, do consciente com o inconsciente, da luz com a sombra,  da razão com a paixão, do racional com o simbólico, da ciência com a arte e com a religião. 
A confrontação com as oposições e a busca da síntese constitui a característica de personalidades amadurecidas, que integraram a dimensão de sombra e de luz. Assim o vemos em Buda, Francisco de Assis, Jesus, Gandhi  e Luther King.
Os cariocas têm grande veneração por São Jorge, mais do que por São Sebastião, patrono oficial da cidade. Mas este é um guerreiro, cheio de flechas, portanto “vencido”. O povo sente necessidade de um santo guerreiro, corajoso, que vence as adversidades. Aí São Jorge representa o santo ideal. 
Por certo, aqueles que veneram São Jorge diante do dragão não saibam nada disso. Não importa. Seu inconsciente sabe; ele  ativa e realiza neles sua obra: a vontade de lutar, de se afirmar como egos autônomos que enfrentam e integram as dificuldades (os dragões) dentro de um projeto positivo de vida (São Jorge, herói vitorioso). E saem fortalecidos para a luta da vida.         
Leonardo Boff

22 de jan. de 2013

Breve explicação : Estadio do Espelho - Lacan

Esta expressão criada por Jacques Lacan, em 1936, para designar um momento psíquico da evolução humana, situado entre os 6 e os 18 meses, durante o qual a criança antecipa o domínio sobre a sua unidade corporal através de uma identificação com a imagem do semelhante e da percepção da sua própria imagem num espelho.

É uma experiência em que a criança percepciona a imagem que vê no espelho. No início, a aparência é a de um desconhecido, mas aos poucos ela vai intuindo como sendo a sua, já que se apercebe que o espelho é uma superfície lisa e fria e, por isso, não pode ser outro bebé, acabando por se reconhecer como sendo ela própria. 

Em 1931, o psicólogo Henri Wallon chamou de "prova de espelho" a uma experiência pela qual a criança, colocada diante de um espelho, passa progressivamente a distinguir o seu próprio corpo da sua imagem refletida, o que retrata uma compreensão simbólica do espaço imaginário.

Lacan, em 1936, retoma esta terminologia, mas transformando a prova de espelho num "estádio do espelho". Mais tarde, Lacan afasta-se da ideia de Wallon ao colocar o estádio não como um processo consciente da criança mas como um processo inconsciente e fazendo parte do imaginário da criança.

Segundo Lacan, entre os 6 e os 18 meses, a criança ainda se encontra num estado de impotência e de descoordenação motora,mas antecipa imaginariamente a apreensão e o domínio da sua unidade corporal. Esta unidade opera-se por identificação com a imagem do semelhante como forma total. Ilustra-se e atualiza-se pela experiência concreta em que a criança apercebe a sua própria imagem num espelho. A fase do espelho constituiria a matriz e o esboço do que há de ser o ego, ou seja, o esboço do ego. 

Para Françoise Dolto, o estádio do espelho é simbólico para a criança do seu estar no mundo como individuo separado do outro,mas existindo no meio dos outros. 

A criança vai-se conhecendo a si mesma por quem lhe fala, através do outro, dia após dia, e este encontro vai personalizando-a,sendo ela representada auditivamente através do seu nome pronunciado pelo outro e pelas percepções que ela reconhece e que fazem a especificidade daquela pessoa (a mãe), repetidamente reencontrada. Tudo isto é importante e faz parte do desenvolvimento, mas não individualiza a criança quanto ao seu corpo. A criança tem de se ir separando da mãe, através do desmame, através dos primeiros passos, etc.
A ligação sujeito/corpo, a individuação e os limites do seu próprio corpo, decorre da experiência do espelho. Aí descobre-se como individuo único e com um corpo separado e individualizado.

Estádio do Espelho - Lacan


Lacan faz sua entrada no meio psicanalítico com uma tese completamente diferente da Teoria Freudiana. 

Segundo ele, o eu constrói-se à imagem do semelhante e primeiramente da imagem que me é devolvida pelo espelho - este sou eu. 


O investimento libidinal desta forma primordial, “boa”, porque supre a carência de meu ser, será a matriz das futuras identificações. Assim, instala-se o desconhecimento em minha intimidade e, ao querer forçá-la, o que irei encontrar será um outro; bem como uma tensão ciumenta com esse intruso que, por seu desejo, constitui meus objetos, ao mesmo tempo em que os esconde de mim, pelo próprio movimento pelo qual ele me esconde de mim mesmo. 


É como outro que sou levado a conhecer o mundo: sendo, desta forma, normalmente constituinte da organização do je” (eu inconsciente, Isso, Id), uma dimensão paranóica. O olhar do outro devolve a imagem do que eu sou. O bebê olha para a mãe buscando a aprovação do Outro simbólico. A idéia é que o bebê só conseguirá encontrar uma solução para tal estado de desamparo por intermédio de uma “precipitação” pela qual ele “antecipará” o amadurecimento de seu próprio corpo, graças ao fato de que ele se projeta na imagem do outro (figura materna) que se encontra como que por milagre diante dele.


Essa precipitação na imagem do outro, é que leva o bebê sair da sua prematuração neonatal, sendo que este movimento de precipitação, neste outro, leva o bebê a uma alienação. O bebê tem (é obrigado) a se “alienar” para que se constitua um “sujeito”. O “falo” (falus, falta) da mãe é completado com o nascimento do filho. A mãe deseja ter um filho (lhe dá um nome), engravida. Reconhece que seu filho é um ser humano e este chora porque está com fome e lhe dá o “Objeto seio” para a satisfação do bebê no prazer da oralidade (leite/alimento e a catexia da libido oral) passando o bebê da natureza (instinto-animal) para a cultura (pulsão-homem). Estabelece uma “linguagem” com o “simbólico” mãe. Este passa por um processo de “alienação” para se constituir como sujeito. 


Com o fim da fase oral (canibalesca 0 a 1,5 anos). O bebê antes do “Estádio do Espelho” (6 meses a 18 meses) não se vê como um corpo unificado, se sente como um corpo fragmentado. Sua mãe/seio faz parte dele e ela (mãe, “boca do jacaré”) sente como se ele (filho/falo) fosse parte dela. Com o princípio prazer/desprazer verificamos que a energia é maior no desprazer, o bebê busca o prazer através do seio materno (leite e libido oral). Porém só quando o bebê perde o objeto do seu desejo (mãe/seio) é que ele verifica que sua mãe não faz parte do seu corpo e não é completa (completude). Esta perda/separação vem através do “Significante Nome do Pai” que são as leis e limitações naturais da vida (trabalho, individualidade, necessidades outras, etc.). 


Chamamos “boca do jacaré ou crocodilo” o desejo da mãe de possuir (comer, canibalizar) o seu filho como se fosse parte do seu corpo. Este desejo natural coloca o filho em uma situação de escolha definitiva : ou se torna independente pela falta da mãe se transferir para o filho e se tornar um “sujeito faltante” ou é engolido pela “boca de jacaré” da mãe e se torna um “altista” ou um doente mental, fragmentado sem unidade, dependente da mãe. Quando a criança se torna uma psicótica a figura materna não o reconheceu como ser humano e não aconteceu a alienação com separação. Esta escolha, na verdade não é uma escolha. Lacan cita um relato da escolha que mostra esta situação, de uma ameaça de um ladrão onde ele pergunta : “Ou a bolsa ou a vida”. Na verdade não seria uma pergunta, seria uma escolha lógica e única: “Você perde a bolsa e ganha a vida” ou “Perde a bolsa e perde a vida”. 


O bebê na grande maioria das vezes escolhe ser um “sujeito faltante” ou um “sujeito neurótico normal”, ou seja parte do que nós somos.

21 de jan. de 2013

Comprovante de Renda


- Alô! É a dona Márcia?
- Sim, ela mesma.
- Dona Márcia, aqui é o João Carlos, seu contador. Estou ligando pra avisar que a sua declaração do I.R. caiu na malha fina da Receita, eles estão alegando incompatibilidade de renda pelo patrimônio da senhora com o salário de secretária.
- Vixi, e agora?
- Faz o seguinte, me envie uma cópia da sua principal fonte de renda atualizada, que vou ver o que faço aqui.
- Tá bom seu João, já vou tirar uma ‘xerox’ e envio por fax daqui a pouquinho.
… ... ...
... ...

  
XEROXXXXXXXX





 

 
 
 

Teoria das partes da mente humana


Freud buscou inspiração na cultura Grega, pois a doutrina platônica com certeza o impressionou em seu curso de Filosofia. 

As partes da alma de Platão correspondem ao Id, o Superego e o Ego da sua teoria das partes ou órgãos da mente.


Id - Freud buscou funções físicas para as partes da mente. O Id, regido pelo "princípio do prazer", tinha a função de descarregar as tensões biológicas. Corresponde à alma concupiscente, do esquema platônico: é a reserva inconsciente dos desejos e impulsos de origem genética e voltados para a preservação e propagação da vida.


O "Ego" lida com a estimulação que vem tanto da própria mente como do mundo exterior. Racionaliza em favor do Id, mas é governado pelo "princípio de realidade". É a parte racional da alma, no esquema platônico. É parte perceptiva e a inteligência que devem, no adulto normal, conduzir todo o comportamento e satisfazer simultaneamente as exigências do Id e do Superego através de compromissos entre essas duas partes, sem que a pessoa se volte excessivamente para os prazeres e sem que, ao contrário, se imponha limitações exageradas à sua espontaneidade e gozo da vida.


O Ego é pressionado pelos desejos insaciáveis do Id, a severidade repressiva do Superego e os perigos do mundo exterior. Se submete-se ao Id, torna-se imoral e destrutivo; se submete-se ao Superego, enlouquece de desespero, pois viverá numa insatisfação insuportável; se não se submeter á realidade do mundo, será destruído por ele. Por esse motivo, a forma fundamental da existência para o Ego é a angústia existencial. Estamos divididos entre o principio do prazer (que não conhece limites) e o principio de realidade (que nos impõe limites externos e internos). Tem a dupla função de, ao mesmo tempo, recalcar o Id, satisfazendo o Superego, e satisfazer o Id, limitando o poderio do Superego. No indivíduo normal, essa dupla função é cumprida a contento. Nos neuróticos e psicóticos o Ego sucumbe, seja porque o Id ou o Superego sao excessivamente fortes, seja porque o Ego é excessivamente fraco.


O terceiro agente é o "Superego", que é gradualmente formado no "Ego", e se comporta como um vigilante moral. Contem os valores morais e atua como juiz moral. É a parte irascível da alma, a que correspondem os "vigilantes", na teoria platônica.

O Superego, também inconsciente, faz a censura dos impulsos que a sociedade e a cultura proíbem ao Id, impedindo o indivíduo de satisfazer plenamente seus instintos e desejos. É o órgão da repressão, particularmente a repressão sexual. Manifesta-se á consciência indiretamente, sob a forma da moral, como um conjunto de interdições e de deveres, e por meio da educação, pela produção da imagem do "Eu ideal", isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa. O Superego ou censura desenvolve-se em um período que Freud designa como período de latência, situado entre os 6 ou 7 anos e o inicio da puberdade ou adolescência. Nesse período, forma-se nossa personalidade moral e social.

20 de jan. de 2013

Claude Debussy - Claire de Lune

Jovens no furdúncio litorâneo brasileiro


Acabo de voltar de uma curta temporada em praia do litoral brasileiro. Tido como tranquilo e bem frequentado, o lugar é um "furdúncio", como dizia uma amiga carioca. Jovens de todas as classes sociais, é bom frisar, se incumbem de promover ali a maior poluição sonora do planeta.


Em flagrante desrespeito às leis e aos avisos de proibição, os moleques inundam ruas e areias de "funks" que se misturam num ruído ensurdecedor. É dessa forma que o brasileiro aprende, desde cedo, a não distinguir o público do privado, a invadir espaços e a atormentar o próximo.

Nada a ver com as bandas de Carnaval cariocas, embaladas à percussão, instrumentos de sopro, cantoria e deboche, em datas pré-estabelecidas. Algo a ver com os refrões infantis do axé cotidiano e com a monótona e zangada verborragia do "rap" norte-americano. Com a diferença de que as letras são impublicáveis. Nada de duplo sentido: a grosseria é de fazer corar frequentador do mais sórdido dos puteiros. 

Não me parece tratar-se de alegria, mas de afirmação de uma identidade inexistente, de um ritmo "jovem" que, deliberadamente, amplia o fosso entre as gerações.

Na praia, a diversidade social brasileira reduz-se a uma maioria de marombeiros mais, ou menos, tatuados, obesos mais, ou menos, mórbidos com a bunda de fora, ambulantes e meia dúzia de vovós e vovôs atordoados. Apenas um traço comum: ninguém que folheie um livro, que fique calado ou fale baixo. E dá-lhe "funk".

Muitos são jovens universitários que confessam jamais ter lido um livro. Não precisam. Acreditam-se sábios via internet, Twiter, Facebook ou um mero celular. 

Ouvi de pirralhos que sua impaciência em ajudar um adulto ao computador ou a usar os controles remotos de TV deve-se ao fato de que os adultos nunca aprendem, e eles se cansam de repetir instruções. E acrescentam: não há regras, tudo muda. Se o provedor do serviço decide mudar, à distância, algumas configurações, você que se vire para descobrir uma nova forma de utilizar os controles.

Acreditam-se autores do mundo novo, jamais usuários dos benefícios urdidos por gerações passadas. Acreditam-se o marco zero da civilização. Nada contra os jovens, mas tinha razão Bibi Ferreira quando disse a uma plateia predominantemente jovem: sei que minha velhice é definitiva, mas saibam que sua juventude é passageira. 

Dizem que a população brasileira está envelhecendo. Como assim? Apesar da alta mortalidade juvenil e das cadeias repletas, só vejo gente jovem nas ruas. 

Onde se esconderam esses velhos? Já sei. Estão vendo novelas, jogando paciência, fazendo palavras cruzadas receosos de sair às ruas e serem atropelados ou assaltados numa saidinha de banco. 

Estamos todos n’água. Ou bem somos jovens, prontos para morrer de balas perdidas ou achadas, ou bem somos velhos curtindo o Alzheimer na fila do pronto-atendimento.
Flávio Saliba Cunha 

19 de jan. de 2013

Rachmaninov - Rhapsody on a theme by Paganini

Amor verdadeiro


O maior amor que alguém por ter por você é desejar que você evolua para ser a melhor pessoa que você pode ser. 

Ninguém possui você, não importa qual o relacionamento. 

Você não está nesta terra para satisfazer os sonhos não realizados de um parente frustrado, ou para proteger qualquer outra pessoa da realidade de si mesma ou do mundo.
Marsha Sinetar

Para ir longe, só com o coração

Por muito longe que o espírito alcance, nunca irá tão longe como o coração.
Confúcio

Abelardo e Heloísa


"Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo."
Carta de Abelardo a Heloísa.

"É certo que quanto maior é a causa da dor,
maior se faz a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo."
Carta de Heloísa a Abelardo

Abelardo ao conhecer a jovem Heloísa, ficou encantado com a sua beleza, e tentou aproximar-se dela, através do cônego Fulbert de Notre Dame, tio e tutor de Heloísa, oferecendo seus préstimos intelectuais à sua sobrinha. Fulbert, ansioso pelo desenvolvimento de Heloísa nas belas-artes, logo aceitou, hospedando-o em sua casa, em troca das aulas noturnas que ele lhe daria. Em pouco tempo essas aulas passaram a ser ansiosamente aguardadas e, sem demora, contando com a confiança de Fulbert, passaram a ficar a sós. Fulbert ia dormir e a criada retirava-se discretamente para o quarto ao lado.

Em alguns meses, conheciam-se muito bem, e só tinham paz quando estavam juntos, os dois se amavam apaixonadamente. Abelardo passou a se desinteressar de tudo, só pensando em Heloísa, descuidando-se de suas obrigações como professor. Os problemas começaram a surgir. Primeiro, esse amor começou a esbarrar nos conceitos da época, quando os intelectuais, como Heloísa e Abelardo, racionalizavam o amor, acreditando que os impulsos sensuais deveriam ser reprimidos pelo intelecto. Não havia lugar para o desejo, que era um componente muito forte no relacionamento dos dois, originando um intenso conflito para ambos.

Uma carta de Abelardo dirigida a Heloisa foi encontrada por uma serva e entregue a Fulbert, que imediatamente o expulsou. No entanto isso não foi suficiente para separá-los pois, com a ajuda da criada Sibyle, continuaram se encontrando. Uma noite, porém, alertado por outra criada, Fulbert acabou por descobrí-los. Heloísa foi espancada, e a casa passou a ser cuidadosamente vigiada. Mesmo assim o amor de Abelardo e Heloísa não diminuiu, e eles passaram a se encontrar onde pudessem, em sacristias, confessionários e catedrais, os únicos lugares que Heloísa podia freqüentar sem acompanhantes a seu lado.


Heloísa acabou engravidando e para evitar escândalo, Abelardo levou-a à aldeia de Pallet, situada no interior da França. Ali, Abelardo deixou Heloísa aos cuidados de sua irmã e voltou a Paris, mas não aguentou a solidão que sentia, longe de sua amada, e resolveu falar com Fulbert, para pedir seu perdão e a mão de Heloísa em casamento. Surpreendentemente, Fulbert o perdoou e concordou com o casamento. Ao receber as boas novas, Heloísa, deixando a criança com a irmã de Abelardo, voltou a Paris, sentindo, no entanto, um prenúncio de tragédia.

Casaram-se no meio da noite, às pressas, numa pequena ala da Catedral de Notre Dame, sem nem trocar alianças ou um beijo, de modo a que ninguém desconfiasse. O sigilo do casamento não durou muito, e logo começaram a zombar de Heloísa e da educação que Fulbert dera a ela. Ofendido, Fulbert resolveu dar um fim àquilo tudo. Contratou dois carrascos para invadirem o quarto de Abelardo durante a noite e castrá-lo. Após essa tragédia, Abelardo e Heloísa jamais voltaram a se falar.

Ela ingressou no convento de Santa Maria de Argenteuil, em profundo estado de depressão, só retornando à vida aos poucos, conforme as notícias de melhora de seu amado iam surgindo. Para tentar amenizar a dor que sentiam pela falta um do outro, ambos passaram a dedicar-se exclusivamente ao trabalho. Abelardo construiu uma escola-mosteiro ao lado da escola-convento de Heloísa. Viam-se diariamente, mas não se falavam nunca. Apenas trocavam cartas apaixonadas.

Com a morte de Abelardo aos 63 anos, Heloísa ergueu um grande sepulcro em sua homenagem, e faleceu algum tempo depois, sendo, por iniciativa de suas alunas, sepultada ao lado dele. Conta-se que, ao abrirem a sepultura de Abelardo, para ali depositarem Heloísa, encontraram seu corpo ainda intacto e de braços abertos, como se estivesse aguardando a chegada de Heloísa.

18 de jan. de 2013

A Fofoca

Uma mulher espalhou uma fofoca sobre uma certa pessoa que ela não conhecia bem, mas a invejava. 

Alguns dias depois, o bairro inteiro sabia a história. A pessoa que foi alvo da fofoca ficou indignada e muito ofendida. 

Mais tarde, a mulher que espalhou o boato descobriu que era tudo mentira, ficou arrependida e foi visitar um velho sábio para descobrir o que podia fazer para consertar o estrago.

- Vá até a praça principal – disse ele -, compre uma galinha e mande matar. Depois, no caminho de casa, depene-a e solte as penas uma a uma pela rua. 
Embora surpresa com o conselho, a mulher fez o que o sábio havia mandado. 
No dia seguinte ele disse: - Agora vá, recolha todas as penas que deixou cair ontem e traga para mim. 
A mulher seguiu o mesmo caminho, mas, para seu desespero, o vento tinha dispersado todas as penas. Depois de procurar por horas, ela voltou com apenas três penas na mão. 
- Está vendo – disse o velho sábio – , é fácil soltá-las, mas é impossível recolhe-las. 
Com a fofoca também é assim. Não custa muito espalhar um boato, mas, depois que se espalha, nunca se pode reverter o dano completamente. 

Buscando a autoria, na dúvida vou perguntar para D. Ermelinda que sabe da vida de todo mundo.

Solte suas amarras...


Daqui a alguns anos estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez.

Solte as amarras!

Afaste-se do porto seguro!
Agarre o vento em suas velas!

Explore! 
Sonhe! 
Descubra!

Mark Twain

Se vai tentar siga em frente

Max Ernst
Se vai tentar siga em frente.
Senão, nem comece!
Isso pode significar perder namoradas
esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça.

Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação...

A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,
do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.

Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.

Charles Bukowski

17 de jan. de 2013

Para adquirir autoconhecimento é preciso fazer a pergunta certa


Você já ouviu a opinião de muitos autores a respeito da importância de seguir o seu coração.

Eles têm razão: um caminho que não fale ao seu coração não alimentará a sua alma; e uma pessoa sem alma é um ser perdido no oceano da vida.

A exploração do nosso mundo interior ajuda a nos conhecer melhor e, portanto, a construir uma vida que tenha sentido. Fico muito triste quando converso com pessoas ricas e importantes que me confessam, quase chorando: é horrível ver que batalhei e consegui tantas coisas que queria, mas não sou feliz.

O meu sacrifício não me deu felicidade. É importante escutar a nós mesmos o tempo todo, para saber se estamos realizando objetivos que nascem do nosso coração.
Só assim teremos certeza de que, no final da vida, não iremos nos martirizar com o arrependimento.
— Mas, Roberto, como conhecer a minha alma?
Como escutar o meu coração?
Bem, a primeira dica é: faça a pergunta certa. Quando você faz a pergunta errada, o seu coração vai para muito longe.

Quer um exemplo de pergunta errada? Suponha que o seu chefe foi duro com você e apontou vários problemas de desempenho no seu trabalho. Se você perguntar a si mesmo: “Por que meu chefe está me sacaneando?”, não vai encontrar uma resposta que lhe ajude a crescer. Sentir-se vítima do seu chefe, em vez de analisar o próprio trabalho, vai deixar você distante da resposta que lhe interessa.

Nesse momento o melhor é olhar para dentro de si, verificar em quais pontos o seu chefe tem razão, analisar suas atitudes e tentar melhorar o seu desempenho.Seu namorado terminou o relacionamento com você. Em vez de perguntar por que ele a sacaneou, seria mais interessante entrar em sintonia com os próprios sentimentos. Se a tristeza aparecer, o melhor é chorar em paz, e só depois analisar seu comportamento.

Talvez você se dê conta de que estava sendo muito crítica com seu namorado e, a partir daí, aprenda a admirar mais a pessoa que você ama, percebendo com isso o que pode melhorar em sua maneira de demonstrar amor.

Veja alguns exemplos de perguntas certasSe você fizer as perguntas certas, conseguirá aprender muito sobre si mesmo.

Faça suas perguntas, mesmo que elas fiquem muito tempo sem resposta:
• O que é essencial para você?
• Qual é a sua meta profissional?
• Como gostaria de estar daqui a dez anos?
• O que você precisa fazer para realizar seus projetos?
• A sua vida está do melhor jeito que poderia estar neste momento?

A capacidade de explorar nosso mundo interior nos ajuda a tomar melhores decisões e a evitar problemas decorrentes da nossa maneira de ser. Quando tinha aproximadamente 20 anos eu era o rei das decisões impulsivas. Decidia comprar alguma coisa sem pensar e alguns dias depois tomava consciência de que tinha feito besteira. Depois de algum tempo decidindo errado, prometi a mim mesmo que sempre me daria um prazo de uma semana para pensar antes de comprar qualquer coisa mais cara.

Isso evitou que eu fizesse muitas bobagens. Conhecer-se melhor pode ajudá-lo a tomar decisões que lhe façam realmente crescer. Certa vez um deputado que gostava muito do meu trabalho telefonou-me e convidou-me a assumir um cargo de diretor de um importante hospital público. Consegui pedir a ele um prazo de um dia antes de lhe dar a resposta, o que foi um grande sacrifício, pois a minha vontade era dizer sim na hora.

Fiquei pensando sobre o assunto e me dei conta de que aceitar o convite para cuidar de um hospital não tinha o menor sentido, considerando a minha vocação de psiquiatra. O que eu gostava mesmo era de escutar as pessoas e ajudá-las a se realizar. Foi um alívio quando, no dia seguinte, liguei para dizer “não, obrigado!”. Minha alma celebrou a minha decisão. Algumas vezes, sua rota precisa ser reajustada e você só descobrirá isso se souber conversar consigo mesmo. Ficar em silêncio ajuda muito a escutar a voz da sua alma.

Sabe quando rastreamos todos os arquivos e pastas do computador em busca de alguns vírus que possam ter invadido o sistema? Sabe quando navegamos pela internet e mantemos o antivírus acionado para impedir a entrada de elementos suspeitos? Na vida real, o autoconhecimento é nosso melhor antivírus. Para que você não perca todos os seus documentos nem tenha de configurar novamente sua máquina, pergunte-se sempre o que realmente importa em cada momento de sua vida.
Roberto Shinyashiki

Lições de um retiro budista para o ambiente corporativo

Recentemente, me internei por seis dias num Templo Budista para participar de uma vivência monástica e meditação. 

Por vários motivos, a experiência foi sensacional. 
Em tempos de sucesso de obras como o Monge e o Executivo, vivenciar a rotina intensa e austera de um monastério me fez enxergar aspectos mais profundos da liderança e da convivência numa organização.

Essa experiência deixou clara a importância de cada membro engajar-se num objetivo e conduta únicos através de valores coletivos.
Cooperação, comunicação, organização, ética, eficácia e liderança, foram percebidas por outro ponto de vista, ampliando significativamente meu repertório frente a assuntos tão familiares ao ambiente corporativo.Uma experiência como essa nos leva a uma profunda reflexão intima. Não se trata de melhorar-se apenas como líder, mas de ampliar-se como ser humano e incluir-se como apenas mais uma peça na engrenagem organizacional.
Vejo essa postura como a essência do que chamamos hoje de liderança servidora. Num ambiente como este, somos incitados à co-responsabilidade, inspirados por uma ética que se revela por um compromisso natural para uma convivência equilibrada, longe de conveniências superficiais, numa disciplina e pragmatismo, às vezes, desconcertante para os nossos padrões. Não há espaço para egocentrismos e seus desdobramentos. Quando se revelaram, no perfil de um ou dois participantes mais desavisados, foram imediatamente extirpados pela Mestra responsável, com uma implacável assertividade e ternura impossível de resistir.
Apesar de sugerir uma visão e um posicionamento bastante interessante para a vida prática, por questões óbvias, não entrarei na filosofia budista, me concentrando em partes da experiência organizacional.

Gestão do Tempo: 

Apesar da agenda ser bastante intensa (atividades das 6h às 22h), havia um tempo pré-determinado para cada atividade, inclusive o descanso. Quando não concluíamos certa tarefa no tempo previsto, tínhamos que abandona-la, pois a prioridade passaria para outra atividade pré-determinada pelo programa. Isso exigia do grupo uma constante adequação da forma como realizavam suas tarefas ao tempo disponível para sua execução. Toda agenda deveria ser cumprida, sem exceções.
Não permitir invadir o tempo de outra tarefa e definir as prioridades no momento é fundamental. O foco ajuda a realizar cada tarefa bem feita e num tempo reduzido.Liderança: Apesar do rigor e disciplina intensos, havia por parte da liderança, um cuidado e compromisso com o progresso de cada participante. Não havia nenhum tipo de paternalismo, mas um interesse pela pessoa. Ao contrário do que muitos imaginam, o pensamento Budista sugere uma postura bastante pragmática diante de qualquer desafio. Objetividade, percepção ampliada, equilíbrio emocional, determinação, disciplina, tolerância, compaixão, foco e bom humor são características muito marcantes da liderança servidora, sendo possível desenvolver tais atributos por meio do treino e esforço individual.

Senso de Equipe: 

Para cada dia era definida uma equipe para cumprir certas atividades, como lavar os banheiros, lavar a louça, limpeza do templo, serviço de garçom, etc., todos deveriam passar pelo menos uma vez, por todas as atividades possíveis. Passando por diversos papéis, elevou-se o nível de tolerância e empatia do grupo, pois todos enfrentaram os mesmos desafios e pressões para cumprir as mesmas atividades, elevando o senso de equipe e cooperação. O senso de serviço ao outro é um valor fundamental, executar o trabalho para beneficio de todos e não apenas para ganhos individuais.

Gratidão: 
Uma das lições mais emocionantes foi a gratidão expressa durante as refeições. Antes e após as refeições todos acompanhavam a Dedicação dos Méritos, isto é, através de uma “oração de agradecimento” aos agricultores, cozinheiros e quem mais havia contribuído para aquela refeição estar disponível aos presentes. Tal postura e cuidado demonstra o valor e respeito que se tem por todo o “processo produtivo” de qualquer coisa que ocorra na organização.

Comunicação e Desperdício Zero: 
Na maior parte do tempo, não era permitido falar uns com os outros. Mas durante as refeições era imprescindível a comunicação com os responsáveis por servir e como se comunicar sem falar? Por meio de um rápido treinamento, aprendemos um sistema de códigos por meio das tigelas dispostas na mesa, sendo uma tigela para cada tipo de alimento. Se o participante recusasse certo tipo de alimento (diga-se de passagem, uma situação deselegante e aceitável somente por restrições medicas, pois as refeições eram deliciosas) não deveria tocar na tigela; aceitando-a, deveria aproximar a tigela de si. Havendo necessidade de mais alimento, a tigela voltaria para posição inicial e o “garçom voluntário”, imediatamente serviria mais. O desperdício era inaceitável, tudo deveria ser consumido e as tigelas saírem quase limpas. Isso se associa ao cuidado que cada um deve ter com o desperdício zero na organização e como a organização, a comunicação eficaz e atenção contribuem para isso.


Ética: 
Uma das orientações mais interessantes foi o da etiqueta, por meio da sugestão de uma postura respeitosa e elegante de se portar. Por meio dela é possível atrair e ter o respeito de todos. A maneira de andar, de falar, de portar-se sugere atitudes calmas e suaves visando invadir o mínimo possível o espaço alheio, cultivando a discrição e o respeito. Sugerem esse mesmo conjunto de atitudes ao solucionar um problema ou tomar uma decisão, sem alardes e exageros, buscando uma forma apropriada de lidar com situações e pessoas. Acreditam que a pessoa que possui tais atributos gera confiança e contribuem para a ética e a moralidade.Por meio dessa experiência, pude aprender que nosso processo de aprendizado envolve a ampliação de repertório e abertura de novos caminhos, talvez mais internos do que externos, para se alcançar a tão necessária excelência pessoal e organizacional.
Carlos Legal
Dedicado à Cristiane - mãe da Aninha e do Pedrão 

16 de jan. de 2013

Sabedoria nem sempre vem com a idade

Ao contrário do que o senso comum acredita, “virtudes” como prudência e respeito ao bem-estar alheio estão mais relacionadas à cultura que ao tempo de vida. É o que revela um estudo da Universidade de Waterloo, no Canadá, que avaliou aspectos relacionados à sabedoria em japoneses e americanos entre 25 e 75 anos provenientes de várias classes sociais. 

Mas que critérios os autores consideraram para determinar o “grau de sabedoria” dos voluntários? Conforme o psicólogo Igor Grossman, coordenador da pesquisa, esclareceu em artigo publicado em Psychological Science, ele e sua equipe criaram um questionário que media a capacidade de lidar com conflitos e de vê-los por vários aspectos – algo que, segundo a literatura científica, está intimamente relacionado ao que chamamos de sabedoria. 

Os voluntários dos dois países leram notícias de jornais sobre conflitos armados entre grupos que pensam de modo diferente e também histórias fictícias de brigas entre marido e mulher, amigos ou colegas de trabalho. Em seguida, responderam a perguntas como “O que você acha que vai acontecer com eles?” e “Por que você acha que este será o desfecho?”. Ao analisarem as respostas, os pesquisadores se concentraram nos seguintes quesitos, nesta ordem de importância: levar em conta as perspectivas de cada lado; reconhecer que uma ou ambas as partes podem rever formas de pensar e agir; considerar mais de uma solução para a questão; ponderar que não necessariamente há um lado certo e outro errado; atentar para um possível compromisso assumido antes do desentendimento e predizer uma resolução para o problema. 

Como esperavam, os psicólogos verificaram que tanto idosos americanos como japoneses tiveram desempenho semelhante. Mas a diferença foi evidente entre os mais jovens e de meia-idade das duas culturas – japoneses revelaram, em média, mais intimidade com os quesitos relacionados pela equipe de Grossman à sabedoria, principalmente quando analisaram conflitos entre duas pessoas apenas. 

“A explicação para isso são os valores culturais. Japoneses, por exemplo, tendem a priorizar a coesão social, mesmo que isso implique abdicar de ‘ganhar’ uma discussão”, diz Grossman, que afirma que a máxima “a sabedoria vem com os invernos”, eternizada por Oscar Wilde, não passa de estereótipo muito aceito tanto nas sociedades ocidentais como nas orientais. A valorização de comportamentos relacionados à sabedoria, porém, pode estimulá-los – independentemente da idade.
Mente e Cérebro

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