19 de fev. de 2013

Yoani Sánchez

Yoani Sánchez

Em "dossiês" e textos que disponibiliza contra Yoani Sánchez na internet, o governo cubano tem razão em um ponto: na ilha, ela não tem um décimo da popularidade que desfruta no exterior.

É provável até que muitos dos que saibam que a criadora do blog "Generación Y" é também tuiteira e crítica dos Castro a tenham conhecido pela TV estatal, que dedicou programas para atacá-la.

A pouca difusão é mais que natural no país com menor taxa de penetração de internet das Américas --22%, segundos dados oficiais, e o governo ainda conta quem acessa uma intranet estatal.

Parte do sucesso no mundo de Yoani Sánchez se explica justamente por ter chamado atenção, com seu blog criado em 2007, para essa indigência tecnológica cubana em pleno século 21.

Era um discurso fresco, no tom da moda sobre "ativismo civil" e uso da internet, sem proposta de sublevação direta, embalado no texto bem escrito da filóloga que lembrava os problemas do dia a dia em Havana.

Pela internet afora, milhares se solidarizaram por causa das dificuldades para acessar a rede (R$ 12 a hora) e pelo drama de ter as viagens negadas pelo governo --problema que só só acabou com a reforma migratória baixada em janeiro.
A voz de Sánchez ocupou o vácuo do grupo desgastado de dissidentes políticos --ligados aos anticastristas de Miami, que nem mesmo eram capazes de vencer disputas para se unir numa plataforma comum.
Esse misto de reconhecimento da novidade na paisagem cubana e o forte desejo de que ela fosse "uma em milhões" parece ter contribuído para a série de prêmios de imprensa que ganhou.

A projeção da blogueira coincidiu com a consolidação de Raúl Castro no poder, cuja primeira reforma efetiva foi liberar os celulares para o uso dos cubanos, em 2008.
O governo fez questão de lançar um tuiteiro "oficial", Yohandry Fontana, para rebater Sánchez, especialmente no plano externo, pouco tempo depois.

No plano interno, apesar de estar longe de ser uma ameaça, o irmão de Fidel e seu governo monitoram Sánchez porque ela tocou e toca em uma questão que vai ser cada vez mais importante: será possível manter o monopólio da informação e do poder de associação e mobilização na ilha em reformas?

O controle da circulação de dados e notícias já não é absoluto, e Havana sabe disso. Há centenas de esquemas diferentes para passar informação no mercado negro em Cuba. De uso de SMS em massa para convocar para festas a conexões ilegais, pen drives, discos rígidos, antenas parabólicas com sinal de Miami, sem falar na pressão para ampliar o uso da internet.

Até agora, no entanto, os operadores dessas redes fazem dinheiro com isso e não querem se arriscar com conteúdos políticos
Flávia Marreiro

18 de fev. de 2013

Mitos e verdades sobre sua barriga


Você pode até dizer que não liga para barriga tanquinho ou tem orgulho do investimento em comida e bebida que ocupa sua circunferência abdominal, mas a gente sabe. Não existe homem que nunca se pegou em frente ao espelho, ao menos uma vez na vida, ponderando: estou barrigudo? Quando a resposta é sim, a estratégia de ação que sucede o incômodo varia, mas boa parte das vezes envolve medidas mirabolantes, como fazer exercícios em jejum ou aderir a dietas milagrosas.

Para ajudar você a coibir exageros rumo a um abdômen definido, Alfa consultou o preparador físico Márcio Atalla, responsável pelo quadro Medida Certa, do Fantástico – que vem tentando dar jeito na barriga fenomenal do ex-jogador Ronaldo. 

Atalla afirma: Não existe receita padrão. “Não é simples como se imagina. Como chocolate e doces todos os dias e tenho barriga definida, mas isso é mais fácil para uma pessoa com estrutura magra. Para alguém com uma estrutura um pouco mais gorda, é fundamental combinar atividades físicas de tipos e intervalos variados com alimentação balanceada.”

Independentemente da estrutura, confira o que realmente funciona quando o assunto é barriga
Fazer abdominal acaba com a barriga
MITO

O que os exercícios localizados trazem, na verdade, é o fortalecimento do abdômen. “Abdominal sozinho não resolve de jeito nenhum, está aí o Ronaldo que não me deixa mentir. Se ele contrair o abdômen, você vai ver oito gomos. Só que esses gomos não aparecem nunca, porque ele tem uma quantidade de gordura absurda”, diz Atalla. Ou seja: é melhor emagrecer um pouco antes de se dedicar a esses exercícios.

Exercício de manhã queima mais gordura
VERDADE

Pela manhã, o nível de produção de hormônios como testosterona e GH é um pouco maior. O ganho varia entre 2% e 5%. Mas se você só funciona melhor à noite, pode ser insignificante perto de outros fatores, como a disposição para treinar. Se tiver mais energia à tarde ou à noite, priorize esses turnos.

Todo mundo pode ter um tanquinho
VERDADE

Gominhos para todos! Ter um abdômen marcado não depende da genética. “Tem gente que vai ter gomo mais forte, gente que vai ter gomo menos forte, mas se a pessoa não tiver gordura na região e a musculatura for trabalhada, eles aparecem com certeza”, diz Atalla.

Cerveja dá barriga
MITO

Ainda que abundem teorias sobre barrigas de chope, o que gera acúmulo de gordura são as calorias, que podem vir tanto de uma bebida alcoólica quanto de um suco de laranja. Se você gastar mais calorias do que consome bebendo, não vai engordar.

Para emagrecer, o melhor é cortar carboidratos
MITO

“Essa é a dieta mais imbecil que existe. A pessoa seca, mas não emagrece”, diz Atalla. Basicamente, tudo o que você vai perder é um quilo de carboidratos e os três litros de água atrelados a eles – e a gordura vai continuar toda lá.

O corpo só queima gorduras a partir de 30 minutos de exercício
MITO

“É falso. Em dois minutos de exercício, mais de 50% de sua fonte de energia já é a gordura”, explica Márcio Atalla. Variar entre atividades curtas, moderadas e intensas também ajuda, pois mantém o metabolismo sempre acelerado. “Se você fizer toda vez o mesmo treino, seu corpo se adapta e fica preparado para esses estímulos”, diz.

A gordura no abdômen é a mais perigosa
VERDADE

Cuidado com a gordura visceral, acumulada na cavidade que vai dos pulmões até a cintura: os hormônios que ela produz prejudicam o fígado e aumentam a possibilidade de um ataque cardíaco.
Revista ALFA

Liberdade

Yoani Sanchéz
A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.
Mahatma Gandhi


Visite blog Geração Y

17 de fev. de 2013

O advogado e a freira


Wanderley Pereira dos Santos
Em março, o advogado Wanderley Pereira dos Santos, morador de uma bela casa na Região da Pampulha, em Belo Horizonte, lança um livro autoral que mais parece uma confissão. Na obra O advogado e a freira (Ed. Livre Expressão), que renderia o argumento para mais um filme de Almodóvar, o empresário conta como sua alma foi salva pelo amor da freira Sabrina da Cunha Neto Pereira, a irmã Sabrina, então aos 31 anos, com quem se casou.

Antes de conhecer a moça, o empresário sentia que levava uma vida vazia e sem sentido. Seu tempo era, segundo ele, 100% consumido em futilidades. Saía todas as noites, revezando entre os restaurantes mais luxuosos da capital, como o Dádiva, Taste Vin e Favorita. "Estava farto de me exibir naquele big brother da realidade, onde as pessoas se aproximam de você pelo que representa e não pelo que é de fato. Por mais dinheiro que gastasse, sempre voltava sozinho para casa. Não há sensação mais aterradora do que a solidão", diz o advogado.

Nesse estado de espírito em que se encontrava, esmagado pela culpa cristã, Wanderley conheceu a freira Sabrina, seguidora dos votos de pobreza, castidade e obediência a Deus. Era o oposto das mulheres que rodeavam o empresário na mesa do bar, quando ele mandava o garçom abrir a garrafa de champanhe mais requintada vendida ali. "Fiquei assustado com minha pequenez perto de uma vida tão nobre quanto a dela, focada em trabalhar durante anos, sem remuneração, simplesmente para se doar a Deus. Isso me levou a uma profunda reflexão. Será que minha atividade era tão importante que eu não poderia me dedicar um pouco mais a Deus?", questiona.

Em vez de atrair Sabrina para as tentações além dos muros do convento, Wanderley sofreu uma espécie de conversão por intermédio dela. O advogado, que só frequentava a igreja em missas de sétimo dia e batizados, iria se tornar mais tarde um dos coordenadores do Terço dos Homens, celebrado na última segunda-feira do mês na Igreja Nossa Senhora Rainha, no Bairro Belvedere. Ele também passou a fazer questão de comungar todos os domingos na companhia da mulher, que participa do Sal da Terra, grupo de canto da mesma paróquia. "Ela é a vocalista do grupo, apesar da timidez", conta.

Os dois se conheceram em um churrasco de confraternização para freiras, depois que a mulher de um primo de Wanderley superou um câncer, graças às fervorosas orações. No primeiro momento, porém, o advogado recusou o convite. Era o dia 13 de julho de 2008. "Nada contra freiras, mas sentia calafrios só de pensar em um churrasco com orações", descreve no livro. Vencido pela insistência do parente e pela falta de outro programa, Wanderley viu-se no meio de um grupo de religiosas que, em vez das fofocas do mundo dos negócios, conversavam sobre Deus, votos de castidade e vocação. "Descobri que mulheres jovens e bonitas decidiam ser freiras simplesmente por seguir um chamado de Deus. No início, fiquei desconfiado. Achava que Sabrina teria sofrido uma decepção amorosa, mas não era isso", conta.

Já na primeira conversa, a irmã Sabrina admitiu que questionava sua vocação depois de sete anos e meio ao cuidar de 400 crianças de um colégio de freiras e ao compartilhar os sentimentos da sua irmã, que acabava de ter um bebê. Com a desculpa de enviar as fotos tiradas durante o churrasco, Wanderley conseguiu o e-mail da freira. No dia seguinte, transtornado de emoção, enviou a primeira mensagem, sem imaginar que ficaria meses sem resposta. “Desculpe-me, irmã Sabrina, escrevo-lhe este e-mail com as mãos trêmulas e o pensamento um pouco confuso. Estarei, a partir de agora, recordando cada segundo em que tive o privilégio de estar próximo a você, seu sorriso encantador, seu carisma, sua fé em Deus. Desculpe-me, irmã Sabrina, mas também o seu perfume suave. Sabrina, quanta suavidade existe em você”, derramou o empresário, descobrindo que ela aparecia em 34 das 46 fotos tiradas na ocasião.

Um ano depois

A conquista de irmã Sabrina custou praticamente um ano até que ela retirasse o hábito de freira, mediante autorização da madre provincial, e concordasse em se encontrar com o namorado. Para tanto, Wanderley deslocou-se por diversas vezes até Teresópolis, no Rio de Janeiro, onde a comunidade religiosa estava estabelecida. O empresário roubava minutos de atenção e olhares da freira, que se recusava a conversar com ele pessoalmente. Na primeira vez em que iria se encontrar sozinho com irmã Sabrina, na recepção de um hotel da cidade, a freira levou junto os pais. Eles queriam conhecer as reais intenções do candidato a noivo.

Aprovado pela família, o empresário inesperadamente foi rejeitado pela ex-freira. Aos prantos, Sabrina disse ao candidato que estava certa da decisão de deixar o convento, mas não sabia se estava preparada para assumir um relacionamento. “Confesso que fiquei terrivelmente abalado, mas ao mesmo tempo feliz pela sinceridade, educação e doçura com as quais ela estava me dando o fora”, explica no livro. Com os nervos em frangalhos, os dois enfim se beijaram quando Wanderley deu um ultimato: "Apesar da dor que sinto em meu coração, jamais serei um empecilho para você. Voltarei ainda hoje para BH e não mais retornarei a Teresópolis".

Passados quase cinco anos de relacionamento, Wanderley ainda não consegue acreditar no milagre da transformação da própria vida, que andava estagnada depois de 10 anos de uma separação traumática da primeira mulher. Em um trecho do livro, explica que havia decidido “nunca mais se envolver com mulher”. Hoje, Wanderley mostra-se tão encantado com a própria história a ponto de publicar o romance, que alguns leitores poderiam achar um tanto meloso. "Nossos amigos são apaixonados pela nossa história. Quem ler esse livro com o coração aberto não irá trair ninguém jamais. É diferente quando você se relaciona com uma pessoa a quem ama e respeita integralmente. Não se trata de um casamento de mentirinha", afirma o empresário, que chamou os três filhos do primeiro casamento (que foi só no civil) para ser padrinhos do segundo.
Sandra Kiefer

A felicidade

Pablo Picasso
A felicidade não é um presente divino, mas sim uma conquista diária, que tem solidez quando realizada sobre pilares resistentes. É como uma casa que primeiro você deseja (um sonho), depois projeta (um plano) e, finalmente, constrói (uma ação). Quando alguém pensa que ganhou a felicidade de presente, logo vem um pesadelo.
Como naquele homem que encontra uma mulher adorável e imagina que ela vai resolver todos os seus problemas, e mais tarde percebe que precisa evoluir muito para merecer estar com essa pessoa especial. Como o indivíduo que se forma em Direito e pensa que agora está tudo resolvido, mas depois descobre que o título é somente o início de uma série de processos a ser enfrentada. Ou aquela pessoa que monta sua própria empresa, um sonho há muito acalentado, e percebe em seguida que existe um mundo de atividades novas que ela vai ter de desempenhar.

As pessoas verdadeiramente felizes construíram suas vidas sobre bases sólidas. Feita de um mesmo concreto. É preciso observá-las e aprender com elas.
Ao final, podemos notar que os fundamentos de suas conquistas são:
competência, reciprocidade, ação e sentido.

1- Competência
Tudo o que uma pessoa faz bem é resultado do desenvolvimento de sua competência. Se você quiser ser um bom pai, vai ter de expandir sua competência. Se quiser ser um empresário, também. Quando a pessoa pensa que a habilidade vem pronta, a frustração vai estar por perto. A competência, por sua vez, é associada a três habilidades: estudo, treino e continuidade. O estudo é fundamental para que você não gaste tempo inventando a roda ou repetindo os erros dos outros. Muitos freqüentadores de minhas palestras me perguntam porque não conseguem estudar. Eu sempre digo: "Você não consegue porque, no fundo, é orgulhoso. Não acha quem possa lhe ensinar o que não saiba". As pessoas felizes têm a humildade de aprender com os outros, evitando os erros que eles já cometeram. Tudo na vida é resultado de treino. Só adquirimos a competência assim. Se você é um grande cirurgião, você treinou arduamente para isso. Mas, cuidado, esse processo não se resume apenas às coisas positivas; as negativas também estão incluídas. Os hipocondríacos, por exemplo, dedicam a vida inteira à procura de sintomas desagradáveis em seu corpo até que se tornam experts. Vivem lendo bulas de remédio e tudo o mais que aparecer a respeito de doenças. Eles também conversam e pensam sobre enfermidades o tempo todo. Quando eu era menino, assistia aos treinos do time do Santos. Ficava espantado ao ver o Pelé treinando mais tempo que os outros e pensava: "Para quê, se ele já é o melhor do mundo?" Tempos depois, eu descobri que ele era o melhor do mundo porque treinava mais que os outros. A competência também requer continuidade. Não adianta ser bom apenas por um dia. Tem de ser sempre. Não adianta começar milhares de cursos, é preciso completá-los. Não adianta atender maravilhosamente bem um cliente e ser desatento com os outros. Não adianta um único diálogo sensacional com o filho e distanciamento o resto do ano. Quem consegue ser bom todos os dias depois de um tempo fica ótimo. Muitos processos de educação não dão resultados por falta decontinuidade. As pessoas competentes concluem a trajetória a que se propuseram cumprir.

2- Reciprocidade

Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você, mas principalmente faça aos outros o que gostaria que fizessem com você. O verdadeiro campeão tem muito prazer em proporcionar crescimento para todos. Ele tem em mente que pode realizar seus sonhos desde que ajude o maior número de pessoas a realizar o dele. Os campeões conseguem ver além de seus interesses pessoais. Ele sabrem espaço para as pessoas a sua volta evoluírem e oferecem
oportunidades para isso. Se você tem um restaurante e não dá chance de seu maître crescer, ele acaba montando um restaurante emfrente ao seu. Tenha prazer em criar a felicidade para todos o que convivem com você: seu cônjuge, seus filhos ou seus clientes. Quando você quiser agradá-los, imagine algo que eles gostariam muito de fazer e surpreenda-os. Abra um champanhe para sua esposa no meio da noite. Compre um ingresso especial para aquele show de heavy metal que seu filho tanto quer ver. Tome a iniciativa de fazê-los felizes e a vida ficará mais gostosa.

3- Ação
Antigamente querer era poder. As pessoas que desejavam muito uma coisa conseguiam dar saltos em suas vidas. Hoje é preciso entender que o mundo mudou: fazer é poder. As pessoas de sucesso são aquelas que implantam o que desejam. São as que se propõe a um projeto e o realizam, prometem pedir desculpas a alguém e pedem, planejam construir um novo relacionamento com os filhos e fazem isso. Não adie as ações importantes de sua vida. Faça hoje. Faça agora. Aquele abraço de reconciliação. Aquele pedido de desculpas para o colega de trabalho. Aquela declaração de amor que vem adiando. A maior parte das pessoas sabe o que tem de fazer e fica esperando o dia ideal, que nunca chega, e a vida passa. Como disse John Lennon: "Vida é aquilo que acontece enquanto você faz planos". Por isso sonhe e faça planos, mas principalmente saia para a ação.

4- Sentido
As grandes vitórias são criadas por quem vê significado em suas lutas. O sentido maior é a força matriz para superar as dificuldades do dia-a-dia. Quem cumpre o simples ato de pegar o carro e ir para o trabalho como um gesto vazio não olha para além do cotidiano. Se você sabe porque está fazendo o que tem de fazer, será um vencedor. Para que as dificuldades tornem-se menores, a disposição deve ser maior e o brilho nos olhos deve estar presente. Os resultados aparecem como conseqüência natural de uma jornada que vem se cumprindo, e não como pagamento por uma estratégia de carreira bem montada, mas vazia de significados. Quem faz essa opção consegue até ter uma carreira aparentemente brilhante, mas não pode se perguntar "para quê?", pois provavelmente, não verá sentido naquilo que faz. Nesse caso, poderá desistir de tudo para recomeçar certo, promovendo grandes e radicais mudanças, ou poderá conviver com o risco do estresse, da depressão e da infelicidade. Não deixe para ser feliz no futuro. A felicidade é construída todos os dias, nos pequenos detalhes, nos encontros e nas reflexões. Eu acredito na felicidade e sei que Deus diz sim para aquilo em que acreditamos. Se sua vida não está do modo como você gostaria, dê um jeito de transformá-la. É o maior presente que pode dar a si mesmo.
Roberto Shinyashiki

16 de fev. de 2013

Queime gordura de acordo com os batimentos cardíacos


Especialista dá a fórmula para calcular a frequência ideal para cada pessoa



Passear no shopping, caminhar na praia ou com o cachorro, andar pela casa... para você, caminhada é tudo igual? Pode até parecer a mesma coisa, mas o resultado é completamente diferente quando se trata de uma caminhada seca gordura. O segredo? "Ela queima gordura e detona muitas calorias precisa por atingir uma faixa de frequência cardíaca específica durante o exercício", explica o personal trainer Bruno Rodrigues, de São Paulo. Quer entender mais? Acompanhe.

No ritmo certo
Para manter a forma ou queimar aqueles quilinhos indesejáveis, a caminhada está entre os exercícios preferidos das mulheres. No entanto, somente "passear" não basta para conseguir os resultados desejados.
De acordo com Bruno, para potencializar a queima de gordura, a frequência cardíaca deve ficar entre 60% a 75% da frequência cardíaca máxima da pessoa. Portanto, uma caminhada com os batimentos acelerados na medida certa significam um maior gasto calórico e gordura zero!
Para descobrir essa frequência, faça a seguinte conta:
Subtraia a sua idade de 220. Deste resultado, multiplique por 0,6 para saber qual é a taxa mínima; em seguida, multiplique por 0,75 para saber a taxa máxima. Por exemplo, para uma pessoa com 25 anos:
220 - 25 = 195 (essa é a frequência cardíaca máxima da pessoa)
Mínimo ideal: 195 X 0,6 = 117
Máximo ideal: 195 X 0,75 = 146
Logo, a frequência ideal para aumentar a queima calórica deve ficar entre 117 e 146.
"Para aferir a frequência cardíaca, basta colocar os dedos indicador e médio sobre a artéria carótida na região do pescoço e contar as pulsações durante 6 segundos. Multiplique esse resultado por 10 para saber os batimentos cardíacos por minuto", explica Bruno.
Planeje-se
Outro segredinho para a caminhada surtir efeito na balança é realizá-la de maneira moderada, durante 30 a 60 minutos em dias alternados (no mínimo três dias por semana) ou diariamente. Portanto, separe uma hora para fazer o exercício e lembre-se: "Mantenha sempre o ritmo constante, não é uma caminhada no shopping", alerta Bruno.
Para aumentar o gasto calórico, realize a caminhada também em subidas e descidas, pois exige-se mais força dos músculos, além de ajudar no fortalecimento dos membros inferiores - apenas tome cuidado para não sobrecarregar o joelho - e escolha diferentes superfícies, como areia, grama, asfalto, etc. "Isso fará que mais fibras musculares sejam recrutadas, potencializando o resultado da caminhada", enfatiza o personal. Bruno também aconselha a intercalar o tamanho das passadas durante a caminhada.
Treino de caminhada
Escolha meia horinha por dia da sua agenda e exercite-se!
Tempo: 35 minutos
5 minutos aquecimento
5 x (3 min de caminhada rápida + 2 min com passada longa)
5 minutos de caminhada leve para finalizar

Larissa Faria - Revista Shape


Na contramão


“Qual é o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?” 
Resposta: Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas. (O Livro dos Espíritos, questão 886.)

Entre a liberdade que Deus nos proporcionou está a de defendermos determinados pontos de vista quando agimos de boa fé. E é exatamente isso que vamos fazer neste artigo, apesar de sabermos que estaremos indo na contramão de tudo o que temos lido recentemente após a tragédia que vitimou os jovens em Santa Maria. Respeitamos o direito de todos aqueles que se manifestam trazendo as explicações espíritas para o fato, embora tudo não passe de hipóteses, já que a realidade somente é conhecida de Deus e dos Espíritos superiores. Escrevemos no território das hipóteses. Pode ter acontecido isso, ou pode ter ocorrido aquilo, mas a verdade, de fato, não sabemos. Fizemos o destaque na resposta dos Espíritos à pergunta 886,  exatamente por entendermos que essas hipóteses todas que desfilam pela internet ferem a indulgência para com as imperfeições alheias.

Vamos ser mais claro: o que pensaria um pai ou uma mãe que ouvisse de um espírita, diante do filho deficiente mental no leito, a explicação de que a criança é assim porque cometeu suicídio em reencarnações anteriores? Em que estaríamos ajudando esses pais diante da dor imensa que os visita dizendo a eles que o filho de hoje foi o suicida de ontem?
Não me consta que Chico Xavier que consolou inúmeras mães tenha dito a alguma delas o seguinte: - Olha, minha filha, seu filho morreu afogado porque em outras vidas ele afogava seus desafetos em um determinado rio.

Não me consta essa atitude do Chico porque ele entendia o sentido da palavra “caridade” como a entendia Jesus.
Não me consta que Chico Xavier dissesse a alguma mãe a quem consolou que o filho morreu de acidente porque em vidas passadas atropelou outras pessoas e agora estava se redimindo desencarnando através de um acidente. Não me consta essa atitude por parte dele.
Não me consta que Chico Xavier tivesse dito a alguma mãe com quem misturou suas próprias lágrimas que o filho tivesse sido assassinado porque em outra vida esse filho houvesse sido um assassino que tirara vida de outras pessoas.
Não me consta que, diante de alguma mãe desesperada porque um ente querido tenha cometido suicídio, Chico Xavier dissesse que assim ocorreu porque em outras vidas essa pessoa tivesse induzido a outra a suicidar-se também. Não me consta. Chico sabia exercer a caridade como a entendia Jesus, com indulgência para com as imperfeições alheias.
Quando ele revelou que as pessoas que desencarnaram no incêndio de um circo em Niterói no ano de 1961 eram Espíritos comprometidos diante da Lei porque haviam, no ano de 177 d.C., queimado a mil pessoas cristãs, entre mulheres e crianças, assim o fez porque o Espírito Humberto de Campos revelou a ele esse fato, evidentemente com a autorização dos planos maiores da Vida.

Quando Chico revelou que as pessoas vitimadas no terrível incêndio do edifício Andraus em São Paulo, no ano de 1972 e, posteriormente, aqueles que desencarnaram no incêndio do edifício Joelma em 1974, eram pessoas participantes das antigas Cruzadas, no século XI, que sob as bênçãos da religião dominante da época, invadiam regiões ocupadas pelos mulçumanos com a desculpa de reconquistar a chamada “terra santa”, matando a muitas pessoas, incendiando, fazendo órfãos, viúvas desesperadas, saqueando, deixando um rastro de desespero em seus caminhos, assim revelou porque do plano espiritual partiu a explicação, jamais da cabeça do Chico. Porque ele, Chico, entendia a caridade como a entendia Jesus.

De que adianta nos levantarmos em “hipoteseologistas” da dor alheia se não sabemos sequer porque sofremos? Queremos ser professores na vida alheia quando não passamos de maus alunos com as nossas próprias vidas? De que adianta dizermos aos pais desesperados da tragédia de Santa Maria que seus filhos desencarnaram de forma lamentável porque fizeram isso ou aquilo em outras vidas? Que sabemos nós? Também nos arrastamos por este planeta de provas e expiações e muitas vezes necessitamos da caridade alheia da forma como a entendia Jesus!

Se desejamos consolar aos que ficaram, revelemos a eles que a imortalidade de seus filhos é uma realidade. De que esses filhos foram amparados por entes queridos que partiram antes. Que o reencontro com esses filhos acontecerá um dia com a mais absoluta certeza, mas nos abstenhamos de levar aos corações que ficaram e emitir vibrações negativas em relação àqueles que se foram, nos arvorando em conhecedores das causas do acidente.
Jesus revelava ao paralítico, ao leproso, ao surdo e mudo, aos obsidiados, aos cegos, os motivos de suas provações ou apenas os socorria e recomendava que não voltassem a reincidir no erro? Ele tinha todas as condições de saber da vida íntima de cada um desses Espíritos, entretanto, praticava a caridade para com as imperfeições alheias! O Chico também.

Oremos pelos que se foram no acontecimento de Santa Maria. Oremos pelos pais aflitos que ficaram e pratiquemos a indulgência para com as imperfeições alheias da mesma forma como necessitamos dessa caridade para com as nossas mazelas...
Ricardo Orestes Forni 

15 de fev. de 2013

Aprenda a lição

painting by Simon Riley 
Problemas, doenças e inimigos são grandes mestres quando sabemos escutar suas orientações.

Muitas pessoas, quando estão diante de dificuldades, mergulham em uma depressão e se sentem eternas vítimas.
Sentem-se injustiçadas por tudo e por todos. Ficam revoltadas por estar passando por dificuldades e perdem a oportunidade de aprender com esse desafio e crescer.

A única maneira de aproveitar uma dificuldade para crescer é analisar os avisos que esses problemas estão nos enviando e usá-los para fazer uma reformulação completa em nossa vida.
Se você está vivendo um problema, não olhe para fora de si mesmo procurando a causa. Não tente se iludir de que o outro é a fonte dos seus problemas. Perceba que esse problema está procurando lhe dar uma lição.

Aproveite esse aviso para crescer!

Um problema sempre guarda uma lição e aprender essa lição compensa todos os sofrimentos que as dificuldades podem nos trazer! Crescer com essa lição é a única forma de tirar partido do sofrimento que um problema nos causou.
Quando aprendemos uma lição, todo o sofrimento serviu para algo maior. Quem não aprende a lição dessa dificuldade, porém, perde a maior riqueza que um problema nos traz, que é a oportunidade de crescer.
Quando não evoluímos, os problemas só nos criam mais amargura no coração. Mas existe algo ainda pior: quando não cuidamos das causas, os mesmos problemas sempre voltam. De outra forma, provavelmente, mas provocando a mesma angústia que enfrentamos anteriormente.
Quando a pessoa consciente repete uma situação do passado, percebe que vai fazer a mesma viagem, mas em um ônibus diferente. Trocou de marido, mas é simplesmente mais um alcoólatra na sua vida.

O problema é como um professor muito crítico, que cobra o melhor desempenho do seu aluno.
A diferença é que, se você não aprender a lição com o primeiro professor, logo virá um substituto mais bravo e agressivo.
Essa talvez seja uma das grandes lições da vida:
quando não enfrentamos um problema nem o resolvemos direito, certamente iremos reencontrá-lo muito maior mais adiante. Na Índia os mestres sempre dizem: os problemas são despertadores que tentam acordar as pessoas para a vida.

Aproveite para acordar logo, antes que o próximo despertador faça mais barulho.

Pense nisso: o que essa dificuldade está querendo mostrar a você?
Problemas são avisos que a vida nos envia para corrigir algo que não estamos fazendo bem.
Problemas e doenças são sinais de emergência para que possamos transformar nossas vidas.
Aliás, problemas e doenças guardam muita semelhança entre si.

Infelizmente, a maioria das pessoas, quando fica doente, cai num lamentável estado de prostração ou simplesmente toma remédio para tratar os sintomas em vez de fazer uma pausa para refletir sobre os avisos que essa doença está enviando.

São poucos os que se perguntam:
"Por que meu organismo ficou enfraquecido e permitiu que a doença o atacasse?"
Muitas vezes uma pessoa diz com a maior certeza:
"Fiquei gripada porque tive contato com uma pessoa gripada".
Mas será que ela é capaz de responder por que tantas outras que tiveram contato com aquela pessoa gripada não pegaram a doença?

Uma doença é sempre um aviso, embora muita gente não preste atenção nele.
Assim como os problemas, os sintomas vão piorando na tentativa de fazer com que você entenda o recado. No começo pode ser uma leve dor de cabeça - um recado para que você pare e analise o que está faltando em sua vida.

Mas você não tem tempo, toma um analgésico e nem percebe direito que a dor está aumentando. Então a dor piora, mas você vai à acupuntura para aliviá-la e não presta atenção quando o médico diz que o tratamento é paliativo e que você precisa mudar seu estilo de vida para eliminar as causas da doença.

As doenças são recados que precisamos levar a sério, principalmente as doenças que se repetem.
Dores de cabeça, alergias de pele, má digestão, todos esses distúrbios querem nos mostrar algo.
Saber procurar e achar as causas deles é uma atitude muito sábia. Nossos inimigos, da mesma forma que os problemas e as doenças, são gritos de alerta para cuidarmos de algo que não está certo em nossa vida. Quando os ouvimos com atenção, nossos inimigos podem se transformar em maravilhosas alavancas de crescimento pessoal.

É claro que é muito melhor ter amigos que inimigos. Mas às vezes os inimigos ajudam mais o nosso crescimento pessoal.
Para as pessoas interessadas em se desenvolver, os inimigos são muito mais estimulantes que os amigos, pois eles não lhes dão descanso, estão sempre procurando seus pontos fracos, fazem com que fiquem atentas a suas falhas e procurem novas formas de dar saltos qualitativos em sua vida.
Se você tem um inimigo, em vez de se sentir injustiçado e perseguido, agradeça a Deus por enviar alguém tão determinado a lhe mostrar para onde crescer todos os dias da sua vida. Analise suas críticas, procure meios de melhorar os pontos fracos apontados por ele, desenvolva seus pontos fortes, prepare-se para enfrentá-lo com alegria e, em lugar de ter ódio, seja grato a ele por lhe dar sugestões para melhorar a sua vida.

Assim como as doenças e os inimigos, os problemas nos enviam avisos que precisamos aprender a decodificar.
Se você tem um problema que está se repetindo em sua vida, é chegada a hora de fazer uma análise do seu significado para poder superá-lo.
E tenha muito claro que, no momento em que supera um problema que o acompanha por algum tempo, uma nova pessoa nasce dentro de você. 
Roberto Shinyashiki

12 de fev. de 2013

Bem no Fundo


No fundo, no fundo, 
bem lá no fundo, 
a gente gostaria 
de ver nossos problemas 
resolvidos por decreto 
 
a partir desta data, 
aquela mágoa sem remédio 
é considerada nula 
e sobre ela — silêncio perpétuo 
 
extinto por lei todo o remorso, 
maldito seja que olhas pra trás, 
lá pra trás não há nada, 
e nada mais 
 
mas problemas não se resolvem, 
problemas têm família grande, 
e aos domingos 
saem todos a passear 
o problema, sua senhora 
e outros pequenos probleminhas.
Paulo Leminski

Utopia e o caminhar


Caminho 10 passos e o horizonte se distancia 10 passos mais além. Para que serve a utopia? 
Serve para isso: para caminhar
Eduardo Galeano

Somos todos celebridades

Thomas Saliot
Um estudo feito pelo Laboratório de Neurociência Social da Universidade Harvard revela o que usuários de redes sociais já desconfiavam: que o cérebro humano responde a revelações pessoais utilizando os mesmos circuitos de prazer associados a comida, dinheiro e sexo. 
Compartilhar e bisbilhotar se transformou em uma espécie de compulsão diária, presente nos lugares mais inadequados.

Envolvidos pelo momento, muitos não se dão conta de que revelam mais do que seria recomendável. Com a mesma ingenuidade que um habitante de cidade pequena deixa portas e janelas abertas à noite por não temer que algo de mal aconteça, é comum ver perfis que divulgam todo tipo de informação, como se estivessem imunes a variações de contexto ou a erros de interpretação.

Quem já tem alguma experiência sabe que não deve falar do chefe ou do ambiente de trabalho nas redes, nem compartilhar conteúdo de gosto duvidoso, fazer provocações ou dizer ironias, sob pena de ter de se desculpar posteriormente a centenas de outros que não fazem ideia do que ocorreu. Também é senso comum não compartilhar, por razões de segurança, informações pessoais como aniversários, relacionamentos, localização geográfica, endereço ou telefone de casa, local e data de nascimento, nome dos filhos ou da mãe.

Nada disso é novidade. Poucos tem consciência, no entanto, do volume de informação compartilhada involuntariamente. Fotos e atualizações costumam registrar automaticamente o local e hora em que foram feitos, informações que, fora de seu contexto original, podem custar empregos, relacionamentos ou até mover ações judiciais. Mesmo apagadas, cópias de fotos podem estar armazenadas nas memórias de celulares, servidores ou discos rígidos, à disposição para serem descobertas nos momentos mais impróprios. Até imagens inocentes tendem a revelar, no conjunto, muito sobre os hábitos e preferências de seus autores.

Mídias sociais são meios de comunicação, não assentos de táxi. Não se deve falar nelas como se ninguém estivesse ouvindo ou dar opiniões quando estas não forem requisitadas. No "Show de Truman" digital, somos o produto e publicamos para uma audiência, mesmo sem nos dar conta disso. Mais do que transmitir informação, cada nova atualização ajuda a projetar uma identidade através de suas opiniões e escolhas.

Expor-se em público é difícil e estressante, é difícil manter-se o tempo todo sob controle. Nesses momentos, o ideal é tirar fotos para si mesmo ou conversar com amigos ao vivo, torcendo para que ninguém registre a conversa.
Luli Radfahrer 

A cara da vagina

Gustave Courbet, A origem do mundo
E cá estamos nós, mais uma vez. De volta às aventuras do quadro mais famoso do pintor Gustave Courbet, A origem do mundo. Não sei se existe outra obra de arte com tanta capacidade de provocar polêmica, mesmo um século e meio depois de ter sido realizada. Para quem não conhece a pintura, ela mostra uma vagina. Ou, segundo uma definição menos cultural e mais anatômica, uma vulva. Ela desponta entre as coxas femininas abertas, coberta de pelos. Há ainda a barriga e um seio. Não há o restante das pernas, não há braços, não há rosto. 

Pelo menos não havia até a quinta-feira, 7/2, quando a revista francesa Paris Match chegou às bancas. Na capa se anunciava, com grande estardalhaço, que havia sido encontrado “o rosto de A Origem do Mundo” – “a parte de cima da obra-prima de Courbet”. A vagina teria uma cara. E até um nome, uma nacionalidade e uma biografia, já que sua dona seria a irlandesa Joanna Hiffernan, modelo retratada em outras telas de Courbet, amante de outro pintor, Whistler. Cabe a pergunta: por que a vagina precisaria de um rosto?

A Origem do Mundo, a pintura, assim como as palavras “vagina” e “boceta” viveram uma série de percalços no Brasil e no mundo no ano passado. A novidade trazida pela Paris Match neste mês de fevereiro mostra que ainda haverá muitas peripécias. O psicanalista Jacques Lacan (1901-1981), que foi o último dono do quadro antes de a obra ingressar no acervo do Museu D’Orsay, em Paris, costumava dizer: “O sexo da mulher é impossível de representar, dizer e nomear”. E por isso exibia a pintura de Courbet a uma plateia seleta de intelectuais da época, num ritual cheio de suspense. Mais do que exibir, ele a desvelava, na medida em que A Origem do Mundo era ocultada atrás de uma outra pintura.

Primeiro, uma breve retrospectiva dos acontecimentos recentes. Em junho de 2012, escrevi sobre o quadro a partir de um grito que ecoou dentro da minha casa. Este era o título da coluna: “Por que a imagem da vagina provoca horror?”. Se você não a leu, pode ler aqui. Nela, conto a conturbada trajetória da pintura desde que Courbet (1819-1877) a fez, em 1866, e sugiro algumas hipóteses para o impacto tanto da imagem quanto das palavras, ainda hoje, quando corpos femininos nus se movimentam na internet a um clique.

Em setembro, o incômodo, que tanto a imagem quanto as palavras provocam, foi comprovado, mais uma vez, em dois episódios. No primeiro, a Apple censurou a palavra “vagina” . O título do livro de Naomi Wolf, respeitada escritora americana, passou de Vagina, uma nova biografia paraV****a, uma nova biografia. Neste caso, a apresentação do livro feita na livraria virtual resultou numa prova bastante irônica da atualidade da abordagem: “É um impactante novo trabalho que muda radicalmente como pensamos, discutimos e compreendemos a v****a. A autora olha para o passado e nos mostra como a v****a foi considerada sagrada por séculos até ser vista como uma ameaça”.

Na mesma época, a transmissão da palestra de Jorge Coli pelo site da Academia Brasileira de Letras (ABL) foi interrompida. O corte ocorreu no momento em que Coli, respeitado crítico de arte e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostrava uma imagem de A origem do mundo e pronunciava a palavra “boceta”. De novo, uma prova mais do que irônica da pertinência do debate.

A conferência integrava o ciclo “Mutações – O futuro não é mais o que era”, organizado pelo filósofo Adauto Novaes, e discutia “as noções de pornografia, erotismo e sexualidade dentro das artes”. Na sua reflexão, Coli sublinhava “o caráter conservador do moralismo atual e criticava os puritanismos repressivos que oprimem o imaginário, mas não apenas ele”. Censura consumada, os imortais da ABL aprovaram o ato “com louvor”.

Como se vê, 2012 foi um ano difícil para a vagina, seja como palavra, seja como imagem. E agora, logo no início de 2013, a novidade. Segundo a reportagem da Paris Match, apresentada como um “furo internacional”, o rosto de A Origem do Mundo teria sido descoberto por um amante da arte num percurso de romance.

Em janeiro de 2010, um homem identificado apenas como “John” entrou numa lojinha de antiguidades de Paris para se refugiar da chuva. Sobre uma cômoda, o rosto de uma mulher o capturou. No quadro, a “bela lasciva”, como é descrita, parecia ter sido imortalizada depois do ato de amor. E, de imediato, ele a quis. Pechinchou um pouco, pagou pela pintura não assinada o que tinha no momento e a encaixou debaixo do braço quando a chuva amainou. Ao chegar em casa, descobriu que aquela cabeça parecia ter sido cortada. E passou a buscar a origem e o restante do corpo da mulher como um detetive de histórias de mistério.

Depois de dois anos de obsessão e pesquisas, “John” chegou à conclusão de que o rosto feminino era a outra parte de A Origem do Mundo. Levou sua investigação até o Instituto Gustave Courbet. Depois de testes e análises, Jean-Jacques Fernier, considerado um dos grandes especialistas na obra do pintor, afirmou que a cabeça corresponde mesmo à pessoa.

Ao juntá-las, num quadro só, a pintura seria, segundo Fernier, um ângulo muito mais ousado de outro nu feminino de Courbet, chamado A Mulher e o Periquito, exibido no Metropolitan, de Nova York. Nesse caso, A Origem do Mundo se revelaria um quadro muito maior e faltaria ainda encontrar outras partes, como o próprio periquito em questão. No jornal Le Monde, especialistas levantaram dúvidas pertinentes sobre a veracidade da descoberta. O Museu D’Orsay, onde a pintura é exibida desde 1995, divulgou uma nota chamando a conclusão de “fantasiosa”. E dizendo: “A Origem do Mundo não perdeu sua cabeça”.

Jo, La Belle Irlandaise - Gustave Courbet 
É nesse ponto que estamos. Mas o que, afinal, essa cabeça significa? Caso a hipótese se mostre verdadeira, o que ainda é bastante duvidoso, ninguém pode negar que a história seja quase irresistível. A Paris Match não demonstrou nenhum pudor com as palavras, ao exagerar no tom: “A Origem do Mundo tem enfim um rosto. Um amante da arte descobriu a outra parte do quadro mais audacioso da história da pintura. A parte de baixo causou escândalo, a de cima provocará uma revolução”. 

Mas, voltando à questão que move esta coluna, por que A Origem do Mundo precisaria de um rosto? Entre as várias polêmicas que o quadro gerou ao longo de século e meio, uma delas era a acusação de que ao pintar uma vagina sem rosto, braços ou pernas, Courbet estaria esvaziando a história da mulher, reduzindo-a a um órgão sexual. Ela nem teria identidade, nem movimento, muito menos protagonismo. Seria apenas um objeto inerte, à mercê do desejo do homem.Por enquanto, a história toda já se mostrou um excelente negócio, mesmo que a cabeça continue sem corpo. A reportagem ganhou repercussão internacional e foi replicada no mundo todo. O rosto, que custou ao seu dono 1.400 euros (cerca de R$ 3.700) em 2010, pode deixá-lo milionário, caso seja aceito como a cabeça de A Origem do Mundo, multiplicando seu valor para 40 milhões de euros (R$ 105 milhões), segundo estimativa da revista. Já vale agora muito mais do que quando era apenas mais um quadro num antiquário, entre móveis antigos e bibelôs de avós. 

Com a descoberta do rosto perdido, pelo menos esse “problema” estaria resolvido. Agora, a mulher teria não só cara, como até nome e biografia. Juntos, estes separados no nascimento apaziguariam corações e mentes. A vagina não seria mais o centro perturbador – apenas parte, fragmento. O quadro de Courbet se tornaria apenas um nu muito ousado. Jean-Jacques Fernier, o especialista que avalizou a cabeça, chegou a lamentar que o rosto elimina o mistério e o simbolismo, a possibilidade que cada um tinha até então de imaginar o restante da mulher, completar a imagem a partir de suas experiências e fantasias.

Segundo a revista, “John”, o anônimo “amante da arte” que descobriu o rosto, sonha com expor as duas partes no Museu D’Orsay. Assim, de certo modo, o quadro estaria “inteiro” pela primeira vez. Mas o que é “inteiro”, valeria a pena perguntar? Ainda que aceitemos que o pintor também tenha feito um rosto, por alguma boa razão Courbet decidiu que ele seria uma outra inteireza. A Origem do Mundo existe inclusive para além de seu criador. Uma obra de arte é também quem a fez, o que fizeram dela ao longo de sua trajetória e o que é para cada um. Não existe uma essência a ser resgatada. No caso de A Origem do Mundo, ao supor pedaços e tentar juntá-los é que se rompe a integridade da obra.
Numa das charges sobre o episódio, um casal discute a “descoberta” diante do quadro do rosto de A Origem do Mundo. Em seguida, estão diante da Mona Lisa. A mulher percebe que o marido está pensando sobre a parte que, por dedução lógica, estaria faltando na enigmática Gioconda. “O que você está pensando?”, intima ela. E ele, todo aflito: “Nada! Juro!”.

É importante lembrar que, ao longo de sua turbulenta história, A Origem do Mundo sempre foi coberta por um véu. De tecido, como na casa de seu primeiro dono, o diplomata turco Khalil-Bey, que a escondia atrás de uma cortina verde num banheiro. Atrás de um outro quadro, como preferiu seu último dono, o psicanalista Lacan, ao instalá-la em sua casa de campo. Apenas a partir de 1995 a pintura passou a ser exposta sem véu algum no Museu D’Orsay.
Ao anunciar a “descoberta”, a reportagem da Paris Match afirmou: “Dois anos de pesquisa nos permitem retirar o véu e descobrir um enigma que tem apaixonado o mundo da arte e o grande público desde a origem do quadro”. Mas o rosto da mulher nunca foi o enigma. Nem me parece que a possibilidade de imaginá-lo seja o ganho ao se manter o mistério. O enigma é de outra ordem – e está em lugar diverso.

É a capacidade de representar o enigma que tornou esse quadro tão polêmico, na medida em que ele não representa o irrepresentável – o sexo da mulher. O que ele representa é justamente o enigma. Esta é a sua transgressão. Esta é a razão de provocar um incômodo que atravessa o tempo.
Se há algo que falta, não me parece que alguma vez tenha sido o rosto da mulher, os braços, as pernas. Se há algo perdido, não é a cabeça. O que está perdido – ou o que falta – não pode ser achado. Ou talvez o que falta seja preenchido pelo olhar de quem olha apenas no instante fugaz em que a pintura se torna também o olhar de quem a vê.

A “descoberta” de um rosto, ainda que se mostre verdadeira, não significa a retirada do véu, como se pretende. É exatamente o oposto. É mais uma tentativa de colocar um véu sobre A Origem do Mundo. Apenas que, desta vez, é uma tentativa mais perigosa, porque se pretende um véu definitivo. Por paradoxal que possa parecer, este rosto é não “uma revolução”, como quer a Paris Match, mas apenas mais um ataque de um moralismo conservador contra “a obra mais audaciosa da história da pintura”.
O rosto é o véu que jamais poderá ser arrancado.
Eliane Brum

10 de fev. de 2013

A (falta de) ciência da ressaca


Banho gelado, água de coco, café, coca-cola. Chá de hortelã, canela em pau. Chupar limão, comer ostra em jejum. Ovo cru, comprimidos e orações. Além de beber mais cerveja, é claro. Não acredite em tudo que você ouve por aí sobre como curar uma ressaca. Infelizmente, não existe nenhuma evidência científica de que qualquer remédio ou receita popular resolva o mal-estar que segue uma bebedeira.
“Você pode pesquisar na internet e encontrar todos os tipos de cura, mas essas alegações são apoiadas em poucas provas para se dizer que são verdadeiras”, diz Robert Swift, psiquiatra da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, e pesquisador do tema há mais de 20 anos.
É estranho. Afinal, a ressaca é descrita em papiros desde o Egito Antigo e até hoje é um problema sério. Uma empresa de seguros constatou que um terço dos trabalhadores ingleses já bateram ponto de ressaca — 5% deles fazem isso toda semana. Nos EUA, estima-se um prejuízo de US$ 185 bilhões por ano, com faltas e quedas de rendimento provocadas pelo problema. Como pode a medicina moderna não ter uma explicação e uma cura para um problema tão antigo e tão frequente? Primeiro, porque os médicos sempre acharam que não convém.
“A ressaca era vista como uma punição natural para controlar a bebida em excesso”, diz Richard Stephens, psicólogo da Universidade de Keele, na Inglaterra, e coautor de um recente estudo de revisão sobre o assunto. Ou seja, se criassem uma “pílula do dia seguinte ao porre”, o tiro poderia sair pela culatra: talvez as pessoas bebessem mais, o que faria aumentar o número de dependentes da droga. “Devido a esse ‘bom’ efeito, os pesquisadores ficaram longe dela para se focar nos efeitos ‘maus’ da bebida, como o alcoolismo.” Os números confirmam a tese de Stephens: nas últimas cinco décadas foram produzidos quase 13 mil estudos científicos sobre a intoxicação por álcool, mas apenas 145 investigavam a ressaca.
A ignorância sobre o tema também se explica por dificuldades práticas de estudá-lo. Talvez você discorde disso, mas, entre pesquisadores, não pega bem fazer as pessoas tomarem porres em nome da ciência. “É antiético permitir que bebam muito. E, bebendo pouco, a quantidade de álcool pode não ser suficiente para uma ressaca”, diz Stephens. Por isso, alguns estudos usam voluntários que topam ir ao laboratório depois de encher a cara por conta própria. “Só que de ressaca eles não estão muito dispostos a sair da cama.” Quem chega aos cientistas não se lembra bem o que e quanto bebeu — o que também compromete a qualidade das pesquisas.
Outro desafio é criar grupos de controle. Quando se quer testar um remédio, por exemplo, uma parte das cobaias recebe, sem saber, uma substância sem ação farmacológica. Isso desconta o “efeito placebo” (saiba mais na matéria de capa) e dá aos cientistas um parâmetro. O problema é que, nesse caso, quem recebe o placebo logo percebe que ganhou a cerveja sem álcool — afinal, eles nem ficam bêbados.
Com tanta dificuldade, a ciência não consegue confirmar nenhuma explicação para o fenômeno da ressaca. Apesar (ou justamente por causa) disso, existem diversas teorias sobre a(s) causa(s) do fenômeno — algumas mais populares e aceitas, outras menos. Todas, porém, com seus pontos fracos e incertezas.
Muitas teorias, poucas provas
A explicação mais popular para a ressaca é a desidratação. Beber 50 gramas de álcool faz uma pessoa urinar de 600 a 1.000 mililitros. Trocando em latinhas, você urina pelo menos o mesmo volume que bebe em cerveja. Se vomitar ou tiver uma diarreia ao fim da bebedeira — eventos relativamente comuns quando se passa da conta—, a falta d'água só piora. E sabe-se que a desidratação causa sede, olhos e boca secos, fraqueza e vertigem — efeitos típicos dos mais trágicos dias seguintes. Coincidência? Talvez. Estudos que analisaram a relação entre hormônios indicadores de desidratação e a intensidade da ressaca não deram em nada. O sujeito pode ter uma ressaca forte, bem hidratado, ou estar sequinho e ter uma ressaca leve. Conclusão: uma coisa não é, necessariamente, causa da outra.
Outras possíveis explicações são efeitos diretos do álcool sobre o estômago, a taxa de açúcar no sangue e o relógio biológico. A droga irrita células da parede do órgão, reduz sua capacidade de se esvaziar e o faz produzir mais ácidos. Isso explicaria dores de barriga, náuseas e vômitos. Ela também reduz a glicose no sangue, única fonte de energia do cérebro — e a falta desse combustível poderia explicar fraqueza e alterações de humor. Também se sabe que o álcool bagunça o relógio biológico. Quem vai pra cama bêbado dorme mal, e geralmente pouco. “Como bebemos à noite, isso compete com o tempo de sono”, diz Swift. Cansaço e dificuldades de concentração seriam consequência disso, talvez.
“Mas não se pode dizer que essas coisas sejam causa da ressaca”, diz a cientista holandesa Renske Penning. Autora da mais recente revisão de estudos sobre o assunto, ela notou que não existe uma associação entre esses efeitos e a intensidade da ressaca. Logo, dificilmente eles são a causa do problema. Outro ponto que coloca em xeque essas teorias é que a ressaca só chega no dia seguinte, quando o álcool e seus efeitos já se foram. Esse “atraso”, aliás, também é o que está por trás de uma das mais bizarras — e menos aceitas — explicações para a ressaca: a da síndrome de abstinência.
Com o tempo, o cérebro de quem bebe muito e com frequência se adapta ao “pé no freio” que o álcool representa. Interrompendo a bebida subitamente, o cérebro “acelera” demais e começa uma síndrome de abstinência — náusea, tremedeira, ansiedade, dores de cabeça, alucinações, agitação e convulsões. Os sintomas persistem por dias, até que o cérebro volte ao normal — ou até que o alcoólico beba de novo. Uma teoria diz que a ressaca seria uma versão desse fenômeno, light e em curto prazo. Apesar de isso não ser comprovado, há quem diga que a cura do porre seja mais bebida. “Isso é combater o mal com um mal pior, pois só adia a ressaca, que pode inclusive voltar mais forte”, diz o psiquiatra da USP Arthur Guerra, especialista em álcool e outras drogas.
As teorias mais aceitas hoje em dia para explicar a ressaca são ligadas ao acetaldeído e, acredite, ao sistema imune. O primeiro é um composto tóxico, intermediário do metabolismo do álcool. Sua concentração varia de acordo com a intensidade da ressaca, indicando uma possível relação de causa e efeito. O mesmo acontece com as interleucinas, proteínas que regulam a atividade do sistema imune. Essa associação suporta a tese de que a ressaca seria uma queda temporária de imunidade — e essa é a linha de investigação mais nova que existe para explicar a ressaca.
Também há pistas de que a ressaca pode ser agravada por diversas coisas que não têm a ver com álcool. A lista inclui desde traços de personalidade — pessoas neuróticas, por exemplo, seriam mais sensíveis a ela — à quantidade de congêneres, ingredientes que não são álcool, mas estão presentes nas bebidas, como metanol e substâncias naturais que dão cor e aroma às bebidas.
Diversas pesquisas mostram que bebidas mais escuras têm mais congêneres e causam ressacas mais fortes. Um estudo holandês de 2006, por exemplo, mostrou que para se ter uma ressaca forte é preciso beber uma quantidade de álcool quase duas vezes maior na cerveja do que no vinho tinto. Uísque e vinho tinto são os piores para o dia seguinte. Gin, vodca e cerveja, os menos perigosos.
Editora Globo

Curas ou apenas lendas?
Como você pode notar, a ciência mal consegue dizer que mecanismos biológicos desencadeiam o conjunto de sintomas que caracteriza a ressaca. Vários mecanismos podem estar envolvidos com o mal-estar do dia seguinte, provavelmente mais de um deles, mas não se sabe o papel e a importância de cada um para o quadro geral. Sem essa compreensão, é complicado desenvolver um medicamento eficaz. Você deve estar se perguntando: mas e aquele monte de remédios que dizem curar a ressaca?
“Faltam testes clínicos controlados com placebo que examinem a eficácia desses produtos, ou então os produtos mostram eficácia nula ou limitada”, escreveu o cientista holandês Jos Verster, um dos expoentes da pesquisa sobre ressaca, em um editorial de 2012 da revista Current Drug Abuse Reviews.
Apesar disso, não faltam no mercado remédios que se declaram “antirressaca”. Ano passado, o médico americano Jason Burke fez sucesso rodando por Las Vegas em um ônibus/serviço chamado Hangover Heaven (paraíso da ressaca). Com a promessa de trazer as pessoas de volta ao normal em 45 minutos com uma mistura de dez ingredientes, ele cobra de US$ 100 a US$ 200. “Muita gente diz que não é possível curar a ressaca, mas já atendemos mais de mil clientes, incluindo reincidentes. Se o tratamento não funciona, por que voltariam?”, diz Burke, apesar de seu tratamento nunca ter sido avaliado por alguém sóbrio. Analisando o coquetel de Burke, que inclui até chiclete de açaí, três especialistas consultados por GALILEU disseram que tudo é mero paliativo.
Aqui no Brasil, alguns remédios já foram obrigados a sair de circulação ou mudar de registro, depois que o Instituto de Defesa do Consumidor questionou a eficácia de uma classe de medicamentos definidos como “hepatoprotetores”. Um deles foi o Engov, obrigado a mudar seu registro e sua bula, para que conste apenas a expressão “alivia os sintomas da ressaca” (veja quadro “E o Engov, funciona?”). Ou seja, todas as promessas de cura são, na verdade, apenas paliativos para um ou outro dos sintomas físicos causados pelo excesso de álcool. Anti-inflamatórios, analgésicos, remédios para enjoo, bebidas para hidratar ou repor eletrólitos. Nada que realmente faça o problema desaparecer. Atualmente, e desde o Egito Antigo, a única coisa que cura mesmo a ressaca é o tempo. O tempo que o organismo precisa para desfazer a misteriosa bagunça que o álcool faz no seu corpo.
Editora Globo 
Alexandre Rodrigues e Tarso Araújo
Revista Galileu

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