17 de mar. de 2013

Só 57% dos donos de Ferrari gostam de dirigi-las

No imaginário das pessoas com uma situação financeira "comum", uma Ferrari deve oferecer extrema satisfação a seu proprietário, não é mesmo? 

Mas, de acordo com o levantamento da empresa britânica de seguros AXA, somente 57% dos proprietários entrevistados apreciam a experiência de conduzir um modelo da renomada marca de esportivos italiana.

Apesar do índice de satisfação baixo quando os proprietários falam do prazer ao dirigir seus automóveis, segundo a empresa, a firma com mais insatisfeitos é a Volvo: apenas 46% estão satisfeitos com seus automóveis. Outra empresa mal colocada foi a Land Rover, com a satisfação de somente 59% de seus respectivos donos.

Na outra mão, ainda de acordo com a pesquisa, a BMW conseguiu a posição mais alta em termos de satisfação ao dirigir de seus proprietários: 82%. Outras marcas bem quistas pelos condutores foram a Aston Martin (78%), Lexus (76%), Seat (75%).

Márcio Murta

Vai, caminha, Francisco


Chega-se à igreja de São Damião, em Assis, na Itália, a pé. Uma longa, sinuosa e quieta descida entre os olivais, rumo ao fuori muri da cidade. 
A subida de volta à parte alta, para quem quiser continuar caminhando, pode ser extenuante. Ali o jovem Giovanni Bernadone, mais tarde São Francisco, ouviu do Cristo no crucifixo a frase que nessa semana ressoou na cabeça dos católicos com a escolha do novo papa: "Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja, que está em ruínas". Francisco foi. 
E na quarta-feira tornou-se papa, personificado na figura do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio. Ao sair Sumo Pontífice do conclave, Bergoglio escolheu ser chamado de Francisco, talvez apontando, na escolha do nome, a direção dos ventos em seu papado. Ele pediu que rezassem por ele. Foi de ônibus. Pagou a conta do hotel. Dispensou as vestes opulentas. Manteve a cruz meio tosca de prata que lhe acompanha desde Buenos Aires. Chamou-se de bispo de Roma, não de papa. Além de "aos irmãos", no masculino, dirigiu-se "às irmãs". Para boa parte dos analistas, sinais claros de uma nova reconstrução da Igreja.
Papa jesuíta
Bergoglio é jesuíta, e aí reside a outra parte da explicação, a de como a tal reconstrução pode se dar para além da humildade franciscana. "É com a tradicional força evangelizadora dos jesuítas, pioneiros que sempre buscaram caminhos novos e carregam dentro de si a espiritualidade de servir", diz o padre espanhol Jesus Hortal, também membro da Companhia de Jesus e professor de Direito Canônico da PUC-Rio. Na entrevista a seguir, Hortal destrincha o significado dos gestos, das palavras e das origens de Francisco, diferenciando-o não só do alemão Bento XVI, tímido e formal, como também do espetaculoso polonês João Paulo II. "Será o papa da linguagem do povo, da proximidade, da familiaridade. Isso vai ficar bastante claro na Jornada Mundial da Juventude, no Rio, em julho", ele aposta. E lembrando o caminho até a Igreja de São Damião em Assis, resume: "Este é um papa que anda a pé".
 "Nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, a base fundamental da Companhia de Jesus, a última meditação proposta se chama meditação para alcançar o amor. Ele pede para, em tudo, amar e servir à Sua Divina Majestade. É claro que se refere diretamente a Deus. A atitude primordial de um jesuíta, portanto, é amar e servir. E isso se pode estender a todos os campos da vida. Por isso temos uma atitude de serviço e a enxergamos também nos primeiros sinais enviados pelo papa Francisco. Além disso, na Bula Regimini Militantis Ecclesiae, documento aprovado pelo papa Paulo III criando a Companhia de Jesus em 1540, fala-se expressamente que ela está para servir a Igreja sob a bandeira de Cristo. Essa espiritualidade de serviço dos jesuítas é historicamente muito clara.
Os pioneiros
"Os jesuítas sempre tiveram duas características marcantes no apostolado. Primeiro, a ênfase no aspecto intelectual. Os primeiros dez jesuítas eram estudantes da Universidade de Paris. Segundo, sempre foram pioneiros. Não se contentavam com aquilo que faziam, iam sempre buscando coisas novas, caminhos novos. Nesse sentido, outro São Francisco, que possivelmente também inspirou o papa, é São Francisco Xavier, pioneiro no anúncio do evangelho entre populações não cristãs. E pioneiro no modo de fazê-lo, porque não parou nos domínios territoriais portugueses. Foi à Índia, ao Japão, sim, mas foi além. Saiu da órbita da coroa portuguesa e chegou a lugares onde não havia um soldado português sequer. Queria entrar na China, apresentada pelos japoneses como uma civilização superior, mas não conseguiu. Morreu quando esperava o transporte para lá. Esse conceito de pioneirismo, de buscar novos rumos, está muito entranhado nos jesuítas. No Concílio de Trento do século 16, por exemplo, convocado para reformar a Igreja Católica, o papa Paulo III enviou dois jesuítas como legados seus. Depois, na implementação das determinações do concílio, coube aos jesuítas o fortalecimento das comunidades católicas na Alemanha, então ameaçadas pela Reforma Protestante. Os colégios jesuítas que começaram a se espalhar se tornaram baluartes contra o luteranismo. Mas não creio que o papa Francisco vá mudar estruturas internas da burocracia do Vaticano só porque os jesuítas são tradicionalmente organizados e disciplinados. Bergoglio vai mexer nisso porque é um traço pessoal dele. A imagem dos jesuítas como soldados, hoje, é algo mais simbólico.
Simplicidade
"Quando foi à Basílica de Santa Maria Maior na quinta-feira, em vez do carro oficial, Francisco preferiu carro comum. Eu não me espantaria com um novo estilo de papa. Eu admiraria. Na quarta, quando apareceu pela primeira vez na sacada da Basílica de São Pedro, o que mais chamou a atenção foi a ausência do mantelete vermelho, aquele traje de arminho que todos os papas sempre usaram. Francisco vestia somente a batina branca, uma cruz peitoral muito simples, de prata, que ele já tinha como bispo de Buenos Aires, e não a de ouro dos papas. Também só colocou a estola para dar a bênção. Em nenhuma parte do Vaticano aparece o brasão do novo papa. Todos os papas tiveram brasão, os bispos sempre tiveram, embora não seja mais algo obrigatório há bastante tempo. O fato é que, ao não adotar um brasão, ele está dizendo que não quer ser um senhor, um nobre de armas.
Chamar-se de Bispo de Roma
"Este é um ponto fundamental do ponto de vista teológico, inclusive. Tem a ver com a doutrina do Conselho do Vaticano II sobre a colegialidade episcopal. Isso também está numa das epístolas de Santo Inácio de Antioquia, mártir do século 2º lançado às feras em Roma. Quando estava sendo levado preso, de Antioquia (atual Síria) para Roma, ele endereçou cartas às diversas igrejas das localidades por onde ia passando. E na que escreveu aos romanos disse que a Igreja de Roma é a que preside, na caridade e no amor, a comunhão de todas as igrejas. A epístola de Santo Inácio de Antioquia aos romanos é considerada um documento histórico fundamental a respeito da igualdade de todas as igrejas. Roma, portanto, não é superior, é irmã. Ao se referir a si mesmo como bispo de Roma, Francisco não se pôs à parte ou acima dos outros bispos. Colocou-se entre eles, dando força à importância da colegialidade episcopal.
O nome Francisco
"São Francisco de Assis foi ao Egito e tentou pregar o Cristianismo de um jeito absolutamente manso, humilde, tranquilo. Durante as Cruzadas, imagine! Normalmente seria morto. Mas não, deixaram-no falar e regressar. A escolha do nome Francisco pelo cardeal Bergoglio é também claro sinal de diálogo com outras religiões. O que ele já fez muito como arcebispo de Buenos Aires, especialmente com os judeus. Há tempos ele mantém esse canal aberto.
Movimentos conservadores
 "Em relação aos diversos movimentos conservadores dentro da Igreja, como Comunhão e Libertação, Focolares e Opus Dei, não sabemos exatamente o que há ali. São tensões, ambições individuais, diferenças doutrinárias. Não temos todos os dados para saber o que o papa vai fazer. Outra coisa, porém, essa sim bem mais clara, é o problema no Banco do Vaticano e o descontentamento de cardeais com a falta de transparência. Não é um banco qualquer. É onde estão os bens eclesiásticos, o dinheiro das dioceses. Tem a finalidade fundamental do exercício da caridade, ajudar as pessoas. Por isso deve ser administrado com muito cuidado e transparência. Vai haver uma ação clara de Bergoglio sobre isso, não tenho dúvida.
Geografia católica
"Evidentemente, América Latina, Portugal e Espanha, que formam um bloco que move o catolicismo, o chamado catolicismo ibérico, têm um peso muito grande. Mais da metade dos católicos do mundo inteiro estão nesse bloco. Então, os problemas enfrentados nesses países precisam ser identificados e tratados. Há uma secularização muito forte na Espanha, na França e na Argentina também. A Argentina não tem essa proliferação de grupos pentecostais como ocorre no Brasil, porém muitos argentinos têm assumido uma atitude laicista, de querer trancar a Igreja na sacristia. Não é o laicismo enquanto laicismo o problema. É a descrença. No Brasil, o grupo religioso que mais cresceu não foi o dos pentecostais. Foi o grupo que diz não ter religião nenhuma. Isso é muito forte. Na Europa também: grande parte da população afirma que não tem preocupações religiosas. Pois o papa Francisco se põe como um anunciador do Evangelho, aprofundando a linha iniciada por Bento XVI, que fundou um Pontifício Conselho para a Evangelização. A postura do novo papa de proximidade com o povo vai ser fundamental. Hoje recebi um e-mail de minha sobrinha que vive na Espanha dizendo, impressionada: ‘Este papa é como nós, anda a pé’. Isso diz um bocado dele.
Política latino-americana
"Não é possível colar a mesma etiqueta em todos os governos da região. Cristina Kirchner é diferente de Rafael Correa. Evo Morales é diferente de Dilma Rousseff. Contudo, o que for relacionado à justiça social e igualdade encontrará eco no papa. Ele sempre foi muito claro em seu apoio e serviço aos mais necessitados. Mas, se você chamar ‘de esquerda’ ações contra a vida, como apoio ao aborto e às pesquisas com células embrionárias, por exemplo, é claro que ele se posicionará contra. A defesa da vida é bandeira irremovível da Igreja Católica.
Celibato, ordenação de mulheres
"Há coisas muito heterogêneas aí. Algumas a igreja acha que não devem mudar, exatamente porque a Igreja não está acima do Evangelho, está a serviço do Evangelho. Por exemplo, a questão do divórcio aparece muito clara na palavra de Cristo: ‘O que Deus uniu o homem não separa’. A Igreja não pode ir contra um princípio do Evangelho. Outra questão é a aplicação de tal princípio em casos práticos. Pode-se pensar em como lidar com esses temas, numa eventual mudança de atitude. Na doutrina, porém, não se mexe. Bergoglio sempre assumiu posições firmes nesse ponto. Por outro lado, celibato sacerdotal não tem a ver com isso, não é dogma de fé. É outra questão, e o papa Francisco pode modificar alguma coisa a esse respeito. A não ordenação de mulheres é um pouco mais discutível, porque houve uma carta do papa Paulo VI e depois de João Paulo II que trataram a questão como algo bastante definitivo, embora não como dogma de fé. Eu diria que alguma base para se mexer aí existe, mas não muito grande.
 
Ditadura argentina
"Estava neste momento lendo as declarações do argentino Adolfo Pérez Esquivel, ativista de direitos humanos e Prêmio Nobel da Paz que se notabilizou na luta contra a ditadura. Ele diz expressamente: ‘Houve bispos que foram cúmplices da ditadura, mas Bergoglio não’. Essa polêmica envolvendo Bergoglio com a ditadura argentina se originou por causa de dois padres que tinham sido jesuítas e foram presos. Logo acusaram Bergoglio, na época provincial jesuíta na Argentina, de ter informado os militares de que aqueles padres não eram mais jesuítas. Porém, não há a mínima prova disso. Ao contrário, ele se esforçou para libertar presos políticos em muitos casos. Essa acusação me parece uma coisa totalmente sem cabimento.
Jornada Mundial da Juventude
"Será uma invasão de argentinos no Rio de Janeiro (risos). Vai ter um feitio muito popular, de proximidade entre o papa e os jovens. Ele deve se valer de palavras e gestos para aproximar a Igreja do povo, num estilo muito diferente do de Bento XVI, que foi um papa mais comedido, de educação alemã, mais formal. Bento XVI não despertava o entusiasmo das multidões. Lembro-me da frase que as pessoas citavam como sendo muito típica dos alemães, para avaliar o papado dele: ‘Tem que haver ordem! Tem que haver ordem!’ João Paulo II, sim, era mais do espetáculo. O papa Francisco não será nem uma coisa nem outra. Será o papa da linguagem do povo, da proximidade, da familiaridade. Não com espetáculo ou grandes explosões de entusiasmo, mas com atos e palavras que façam as pessoas se sentirem unidas. Essa atitude de colocar-se no meio, de deixar as formalidades de lado e mostrar que está na Igreja junto com todos, será muito significativa."
Christian Carvalho Cruz

15 de mar. de 2013

Deus no coração

Joan Miró

E quem tem Deus no coração sabe que não há mal que vingue, nem inveja que maltrate, nem inimigos. Porque pra todo mal, há cura.
Caio Fernando Abreu

Solidão como fator de risco para saúde

O ser humano é social por natureza, não vivemos só. Temos tanta necessidade de suporte social que nossos corpos funcionam mal sem este contato. Por exemplo, a falta de contato social pode aumentar em 30 pontos a pressão arterial de pessoas portadoras de hipertensão arterial.

Um estudo com 24.000 trabalhadores mostrou que homens e mulheres com poucas ligações sociais tinham de 2 a 3 vezes mais chances de desenvolver quadros depressivos quando comparados a pessoas com fortes conexões sociais. Outro estudo mostrou que mulheres que participaram de grupos de suporte após cirurgia de câncer de mama, dobravam a sua expectativa de sobrevida.

O paradoxo é que, quanto mais deprimidos ou estressados estivermos, mais tendemos a nos afastar do grupo de pessoas próximas, o que acaba aumentando as emoções negativas e piorando o estado emocional.

Portanto, lembre-se sempre de ter momentos com as pessoas de quem gosta, pois serão certamente a fonte de suas maiores alegrias.
Frederico Porto

O que eles têm que nós não temos?


Os argentinos têm cinco prêmios Nobel. Os brasileiros, nenhum. Os argentinos têm dois Oscars.

Nós, nenhum. Os argentinos têm vários deuses no futebol. Nós também. Sou muito mais Messi que Neymar. Os argentinos têm uma mulher na Presidência. Nós também. 

Sou mais Dilma que Cristina. Argentinos e brasileiros amam um churrasco ou uma parrillada. A carne deles é muito melhor, mais saborosa e mais macia. Agora, perdemos não só na carne, mas no espírito. Os argentinos têm um papa.

Por ser jesuíta e andar sem batina de metrô e ônibus, por se recusar a receber carro e casa mesmo sendo arcebispo, por trabalhar com carentes, por não discursar em favor da Cúria e não estar associado às contas suspeitas do Banco do Vaticano, sou mais Jorge Mario Bergoglio que Odilo Scherer. 

O que mais me conquistou no primeiro papa Francisco, de cara? O sorriso e a concisão ao saudar os fiéis, pedindo a eles sua bênção. Poucas palavras, nenhuma carranca – e o sorriso que ilumina os olhos. 

A ascendência conta na personalidade. Bergoglio é um argentino-italiano, enquanto Odilo é um alemão-brasileiro. Na estampa, na postura. Sem entrar no mérito individual, para enfrentar os dilemas da Igreja Católica, os escândalos sexuais e financeiros e a perda de fiéis, falo apenas de uma questão prosaica: simpatia. Não é pop ter um papa que lê Borges e Dostoiévski e aprendeu a cozinhar com a mãe? 

Dom Odilo perdeu também por ser favorito. Como os craques dos gramados, sofreu uma marcação cerrada desde antes do conclave, especialmente dos italianos, que queriam seu conterrâneo no trono, o cardeal Angelo Scola. Os carrinhos por trás no arcebispo de São Paulo deixaram o arcebispo de Buenos Aires livre na cara do gol. Era o homem certo na hora certa. Faz sentido que o primeiro papa de fora da Europa em 1.272 anos tenha sobrenome italiano, ame ópera e seja torcedor apaixonado de futebol – mais exatamente, do clube portenho San Lorenzo, fundado por um padre. 

Há uma descrição popular bem conhecida da alma de nossos hermanos. Os argentinos são italianos que falam espanhol, mas pensam que são ingleses. Essa última parte da descrição está cada vez mais fora de moda, especialmente depois do recente plebiscito de cartas marcadas nas Malvinas. No arquipélago, um protetorado britânico com menos de 2 mil habitantes, a população continua entrincheirada nos pubs e no “fish and chips”, contra a reivindicação de soberania territorial da Argentina. Melhor dizer então que os argentinos pensam que são europeus. Até na decadência.

Hoje, nosso vizinho está acossado por uma economia em frangalhos, pelo desemprego em alta, pela inflação que provocou uma medida eleitoreira desastrada – o congelamento de preços – e pelo populismo de Cristina Kirchner, a presidente que sonha sair do poder apenas quando puder ser embalsamada. Vivemos agora com a Argentina tempos difíceis, que vão além da rivalidade folclórica e cultural. A Vale acaba de suspender o maior investimento privado da história da Argentina, de quase US$ 6 bilhões, por riscos políticos e econômicos. 

Por tudo isso, a declaração espirituosa do novo pontífice – “Foram quase até o fim do mundo para buscar um papa” – se reveste de vários significados. Ele critica o governo Kirchner. A Argentina é bem mais fim do mundo que o Brasil. O papa Francisco virá ao Rio de Janeiro para a Jornada da Juventude e deverá ser sucesso de crítica e bilheteria, por seu temperamento afável. Bergoglio passou rapidamente de argentino a “latino-americano”, para o Brasil também poder comemorar. Assim, a gente esquece que nossos vizinhos dão de cinco a zero em prêmios Nobel (dois da Paz, dois de Medicina e um de Química) e dois a zero em Oscar (O segredo dos seus olhos, de Juan José Campanella, em 2010, e A história oficial, de Luiz Puenzo, em 1985). O cinema argentino é mais sofisticado, mais diversificado e tem melhores diálogos que o brasileiro. Escapa de nosso costumeiro trinômio violência, favela e comédia. 

No futebol, a disputa é entre Messi e Neymar. O moleque de 21 anos precisa comer muito arroz com feijão para chegar à consistência do argentino. Messi só pensa na bola e na equipe. Aí dá o show da semana passada na goleada do Barcelona contra o Milan. Neymar precisa baixar a bola. Entrou na roda-viva de festas, boates, casas de shows, publicidade, brinquinhos de diamante, penteados, franjinhas e cabelos coloridos. Na mesma noite, trocou o smoking no Teatro Municipal do Rio de Janeiro por uma fantasia de Kiko, personagem do seriado Chaves, numa festa em São Paulo, onde ficou até as 4 horas da madrugada com a atriz Bruna Marquezine. Discutiu com fotógrafos. Seis horas depois, foi treinar no Santos. Imagina na Copa.
Ruth de Aquino

13 de mar. de 2013

Papa Francisco

A primeira coisa a notar a respeito do papa Francisco é que os cardeais parecem ter decidido dar uma segunda chance a ele.

Todos os relatos de cardeais que participaram do conclave de 2005, obtidos em "off" pelos principais vaticanistas (jornalistas especializados na Santa Sé), dão conta de que Jorge Bergoglio foi o único cardeal a, em 2005, ameaçar seriamente a hegemonia de Joseph Ratzinger, chegando a obter cerca de 40 votos.

Segundo um desses relatos, ele teria pedido, com lágrimas nos olhos, para que seus partidários deixassem de votar nele e elegessem Bento 16.

O nome "Francisco", embora ele não seja franciscano, mas jesuíta, parece mandar sinais importantes.
Bergoglio enfatiza a humildade em sua vida pessoal, cozinhando sua própria comida, indo de ônibus para o trabalho em Buenos Aires. E uma de suas atitudes mais famosas espelha uma ação lendária de são Francisco de Assis.

Assim como o santo italiano da Idade Média cuidava dos leprosos e não tinha medo de beijá-los, Bergoglio ficou conhecido, em 2001, por lavar e beijar os pés de 12 pacientes com Aids que visitou no hospital.
Por outro lado, a reputação do prelado chegou a ser chamuscada pela acusação, feita por um ativista de direitos humanos, de que ela teria sido cúmplice do sequestro de dois jesuítas argentinos, membros de movimentos de esquerda, durante o regime militar em seu país, em 1976.

Apesar disso, ele costuma ser elogiado por sua postura em favor da justiça social. "Vivemos na região mais desigual do mundo, a que mais cresceu e a que menos reduziu a miséria. A distribuição injusta de bens persiste, criando uma situação de pecado social que grita aos céus e limita as possibilidades de vida mais plena para muitos de nossos irmãos", declarou em 2007.

Ele tem fortes elos com o movimento de leigos Comunhão e Libertação, considerado conservador, com uma espiritualidade centrada na ideia da presença real de Jesus entre os fiéis.
Reinaldo José Lopes

Pegadinha da cerveja Carlsberg



Nessa onda toda de pegadinhas publicitárias, algumas de gosto bem duvidoso, eu tenho preferência pela abordagem da Cerveja Carlsberg. 
A do cinema cheia de mal-encarados, por exemplo, foi surpreendente e divertida, sem pegar pesado com as “vítimas”.
A cerveja agora repete a dose, e pra mim com uma ideia ainda melhor e execução mais complexa: um teste de amizade.
Um amigo ligava para outro no meio da madrugada dizendo que precisava de ajuda. Inventava que perdeu dinheiro em um jogo de poker, e pedia 300 euros para pagar a dívida e poder ir embora. Ao chegar no local – típico de filmes de gangue – é que o teste realmente começava.
Quem tivesse coragem de chegar até o final, era brindado com uma Carlsberg pela prova de amizade.

http://www.brainstorm9.com.br

12 de mar. de 2013

Hoje

Domenico Grenci
Se tiver que amar, ame hoje. 
Se tiver que sorrir, sorria hoje. 
Se tiver que chorar, chore hoje. 
Pois o importante é viver hoje. 
O ontem já foi e o amanhã talvez não venha.

Monstros e abismos

Fernand Léger
Quem deve enfrentar monstros deve permanecer atento para não se tornar também um monstro.

Se olhares demasiado tempo dentro de um abismo, o abismo acabará por olhar dentro de ti.
Nietzsche

O corpo e os sonhos

Linda Vachon
O escritor argentino Jorge Luis Borges tem um conto sobre um homem que desejava ter um filho. O homem começou a sua criação sonhando este filho parte a parte, por um período de muitas noites. Ao terminar, ele rezou para que o deus do fogo conferisse vida ao filho sonhado. O conto termina quando o sonhador descobre que ele próprio, assim como a sua criação, é também uma criação de algum sonhador.

O conto de Borges nos proporciona insight sobre o papel do sonho no processo pelo qual o corpo forma imagens. Os sonhos formam imagens e lhes dão seqüência em uma narrativa. 


O processo de sonhar conecta o corpo que nós somos com o corpo que nós estamos nos tornando. Os sonhos são uma maneira de o corpo manter uma relação continuada entre, de um lado, o corpo herdado e seu cérebro profundo e, de outro, o corpo pessoal do córtex ou cérebro novo. Os sonhos são, então, parte da realidade da vida do corpo.

Os sonhos mostram aquilo que está se formando mas ainda não está totalmente realizado. Ao crescer e formar sua identidade somática, o corpo fala consigo mesmo em muitas linguagens. Uma delas é o sonho. O corpo enquanto processo está sempre formando imagens e sonhando a sua próxima forma e como encarná-la. Borges, o sonhador, representa a nós todos, sonhando os corpos que nós somos e os corpos que nós seremos.
O seu conto também nos fala de experiência interna, de como sonho e estado de vigília são os dois lados do processo de corpar. Sonhar e a nossa capacidade de acessar o sonhar demonstram a relação que nós temos com nós mesmos. Desta maneira aprendemos sobre a diferença e a semelhança entre o self noturno e o self diurno, aprendemos como o desejo e a imagem estão interconectados.


Há uma continuidade entre o processo do corpo e a imagem do sonho. O corpo inconsciente apela para o córtex em busca de imagens de si mesmo. O cérebro acordado apela para o seu próprio corpo para animar suas imagens. Em Borges, o sonhador ao desejar um companheiro escreve não somente sobre um filho literal, mas sobre um irmão/filho interno. O seu tema faz um paralelo com a história cristã da ressurreição - Deus envia seu filho - e também um paralelo com a história de Golem dos hebreus - o gerar de um ser à semelhança da criatura humana. O tema da auto-geração a partir de si mesmo é também parte da teoria da complexidade - o pensamento mais recente sobre a teoria da evolução.


Estas histórias têm um tema em comum: a relação entre o córtex volitivo da vigília e os centros reflexo e emocional do cérebro. O cérebro faz uma imagem do corpo e depois pede ao corpo que a anime. O conto de Borges aprofunda o tema da participação humana na elaboração das formas da nossa existência, da juventude à idade adulta, à maturidade, à velhice.


Podemos aprender com os sonhos porque podemos reorganizar significado e associação, bem como influenciar a nossa estrutura somático-emocional. Os sonhos possuem uma matriz emocional. Os personagens e objetos do sonho estão embutidos nesta matriz. Apesar de nós tentarmos decodificar as imagens e representações do sonho, nós não aprendemos a vivenciá-las como um ambiente interno ou a vê-las como expressões de um estado corporal. Sonhos são parte do mistério da sabedoria somática, parte do processo do soma tornar-se ciente de si mesmo, de ter uma subjetividade. À medida em que o corpo faz crescer sua própria subjetividade, o córtex forma imagens e expressões motoras que correspondam a esta subjetividade. Quando o corpo sonha, ele usa a habilidade cortical do soma de figurar ou futurizar, para influenciar a sua maneira de estar presente.


Dois aspectos do nosso processo corporal, o herdado e o socialmente vivenciado, organizam e formam um domínio subjetivo intermediário. Esta relação complexa gera uma forma viva em si, influenciando as formas externa e interna. A nossa vida corporal é o seu próprio sujeito; o vivenciar da própria experiência torna-a uma experiência pessoal. O nosso corpo é o sujeito do seu próprio viver, o corpo é a fonte e a referência do viver. O corpo enquanto processo tem uma relação essencial consigo mesmo. Sonhar é ser íntimo de si mesmo.


As imagens do sonho são como fotos momentâneas de um continuum incessante, porém não-linear, de formas corporais, de expressões, de sentimentos e gestos. O cérebro profundo herdado continuamente tatua sua imagem no córtex cerebral receptivo e dinâmico. Assim como a pele, sua parente próxima, o cérebro também recebe e absorve padrões corporais. As pulsações corporais, o sonho sendo uma delas, aprofundam a relação do corpo consigo mesmo via osmose e influências volitivas. Desta maneira, as pulsações dão forma à identidade pessoal.


O sonho é a atividade somática falando sobre si mesma enquanto se prepara para o mundo da vigília. O corpo instintivo e as formas somáticas pessoal e social conversam umas com as outras. Algumas pessoas sonham com o homem ou a mulher selvagem apesar de viverem como cidadãos sociais adequados. Cada self exerce uma influência sobre o mesencéfalo, sobre o córtex, num diálogo interno. O corpo é um continuum responsivo excitável e contrátil, capaz de transformar a própria forma.Os sonhos, como o coração, estão continuamente mudando de forma, uma pulsação que varia de estável a menos estável, e a estável novamente. Estas pulsações celulares aprofundam a amplitude de metabolismo tissular e de expressão emocional. O sonho, o qual é organizado a partir da pulsação do corpo, ajuda a dar ao soma uma estrutura pessoal e um senso de presença.


O método de trabalho com o sonho consiste em conectá-lo mais completamente à sua própria fonte, o corpo. Nesta abordagem o foco se faz sobre a experiência somática, não sobre significado e interpretação. Os sonhos organizam a maneira como usamos nossos corpos para estarmos no mundo, e como habitamos o corpo em que vivemos. Usamos os sonhos para fazer crescer uma realidade somática e uma subjetividade complexa que abarca múltiplas realidades.


Ao trabalhar somaticamente com o sonho, peço às pessoas para contar seus sonhos de trás para frente e vice-versa, para que elas experimentem uma realidade não linear. Através de um ir e vir entre as diferentes formas somáticas de forma lenta e controlada, engajamos os padrões musculares do córtex e do tronco cerebral. Começamos a nos tornar íntimos da maneira pela qual vivenciamos o corpo herdado e as imagens do corpo no cérebro. Esta abordagem gera sentimentos e memórias associados ao crescimento do nosso corpo pessoal.


Trabalhando com o sonho, desacelerando suas seqüências e corporificando as personagens em posturas estáticas sucessivas - suas expressões corporais e gestos - vivificamos sentimentos e imaginação. Contar o sonho do começo para o fim e do fim para o começo intensifica as personagens e estabelece a relação entre os diferentes corpos. O aspecto relacional das nossas formas somáticas internas e externas confere um aspecto subjetivo à nossa vida corporal. O trabalho somático com o sonho traz o processo corpante para o mundo cotidiano do trabalho, do amor e das relações.


A prática deste trabalho tem cinco passos:

Passo 1

Recordar o sonho, em linguagem e em experiência corporal ou cerebral.

Passo 2
Intensificar somaticamente as personagens do sonho, tornando sua estrutura e suas expressões mais manifestas através de um processo neuro-muscular de intensificação e diferenciação.

Passo 3
Usar as funções cortical e volitiva para controlar o processo de desmontar a estrutura somática das personagens. Os Passos 2 e 3 proporcionam uma experiência fundamental para todo processo somático, o organizar e desorganizar das seqüências de comportamento.

Passo 4
O soma é desafiado a conter o que lhe foi tornado disponível pelo sonhar, o fluxo constante de sentimentos e forma que se reestruturam e começam a incubar uma subjetividade.

Passo 5
Nós nos re-corpamos, damos forma aos sentimentos, reencarnamos a nossa identidade somática e pessoal.

Sonhos conferem à existência do nosso soma uma subjetividade. O trabalho somático proporciona ao soma uma narrativa e um processo através dos quais este cresce seu próprio destino: nascer, fazer-se presente, morrer. O significado desta realização espelha a nossa concepção do que é imortal
Stanley Keleman

11 de mar. de 2013

Vida nova

Roger Hilton May
Você quer mudanças. Você pede prosperidade. Você quer sucesso.

Mas acorda, vai ao espelho e não vê novidades.

A vida transcorre igual, pálida, sem motivação, sem a energia que você gostaria.

Sua voz interior sopra ” Vida Nova “, mas tudo parece distante e difícil.

A culpa fica por conta do patrão, da sogra, do governo, da falta de sorte…

Aí você resolve mudar! Bem… “mas só segunda-feira” , ” dia 1º ” , “depois das férias” …

Não raro, prevalecem outros fatores condicionais:

“Se eu tivesse dez anos menos”, “se eu ganhasse na loteria” ou “quando eu me casar” , “quando eu me aposentar ” …

Desculpas não faltam, não é mesmo?

Hoje pode ser um novo dia. Basta você querer.

Se fizer as mesmas coisas de ontem, obterá os mesmos resultados de agora.

Então, é preciso agir diferente e, claro, com ousadia positiva e forte determinação.

Afinal, Deus nunca vai fazer por você aquilo que você mesmo pode fazer…

Chega de enrolar a si próprio! É preciso agir!

É preciso decretar as mudanças que tanto almeja!

“Mudar” significa inovar, alterar costumes, processar com coragem e força de vontade as transformações que se fazem necessárias.

Chega de assistir à vida passar do alto da cômoda cadeira dos críticos!

Chega de se colocar na condição de vítima!

Você pode e sabe que pode melhorar a sua vida.

A conquista de uma Vida Nova requer persistência e autoconfiança.

Mas exige, sobretudo, que você elimine de vez o vício de tudo adiar, entendendo, definitivamente, que está mais do que na hora de mudar…

Autor desconhecido

8 de mar. de 2013

Sexta-feira

Sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica.
Nelson Rodrigues

Aos 81 anos, Beatriz disse: deixem comigo!

Robert Rauschenberg

Dia desses, uma amiga do interior me ligou, queria me passar umas informações. Eu disse: "Vou te dar meu e-mail, você passa tudo. E ela: "Acha que sei trabalhar com isso? Sabe quantos anos tenho? Sou de outra geração. Não temos nada a ver com essas coisas". Sei quantos anos ela tem: 73. Porque três anos atrás o marido fez uma bela festa para os 70 anos dela. Lembrei-me que meu tio José ficou fascinado com o computador que ganhou dos filhos. E ainda não havia mouse, imaginem, era tudo controlado pelo teclado. E José estava com quase 80.

Acho que minha amiga não sabe que a vida começa aos 60. Quando jovem, lembro-me de um best-seller chamado A Vida Começa aos 40. Agora já avançamos. Aos 73 ter medo do teclado de um computador é inquietante. É estar desistindo. Desistindo cedo demais. Outro dia falei de toda essa tecnologia que nos assombra. Porém, um computador não assombra mais. Faz parte de nossas vidas, assim como o chuveiro elétrico.

Semana passada, fiquei feliz ao ler a notícia. As coisas estão mudando mesmo, ainda que sejam pontuais, aqui e ali. Pois não é que Beatriz Camargo Pimenta foi eleita presidente do Masp aos 81 anos? Olhem as fotos nos jornais. Inteira, rosto esfuziante, disposta a tocar um barco que nas últimas décadas ameaçou naufragar nas mãos de gente mais nova. O Museu é uma das mais importantes entidades deste Brasil, pelo acervo e pelos eventos que realiza. Pois está aí uma mulher que assume o risco sem medo, ela conhece arte, é colecionadora, tem tutano. Suas declarações são otimistas, de quem aceita o desafio. Longa vida para Beatriz. E para o Masp!

Nessa história de idade, fiquei impressionado quando, há duas semanas, li o livro Alfred Hitchcock e os Bastidores de 'Psicose', de Stephen Rebello, que revela um episódio significativo. O livro é a base do filme que já está em cartaz, com Anthony Hopkins no papel do "mestre do suspense". Nele vemos um momento crucial na vida de um homem de imenso talento. Aos 60 anos, depois de fazer 44 filmes, alguns de enorme sucesso, e apontado como um dos gênios do cinema, Hitchcock foi considerado "velho" pelos chefões da Paramount, que lhe negaram dinheiro para o projeto do filme Psicose. Não deixaram inclusive de chamá-lo de caduco e acabado. Hitch lutou contra o sistema, brigou com bancos, enfrentou críticas de executivos, penhorou sua casa e fez o filme, transformado em um dos maiores sucessos americanos da década de 60. Uma obra hoje clássica que foi baratíssima para os padrões hollywoodianos, 900 e poucos mil dólares.

Foi um tapa na cara dos chefões do estúdio e, igualmente, um tapa na cara de todos os que achavam (e ainda acham) que a velhice é sinônimo de invalidez, fim de linha, incapacidade de trabalho ou de criatividade. Todos os técnicos, muito mais jovens, se assombraram com o olho de Hitch, que sabia a duração exata de uma cena, de um fotograma de filme. Que sabia exatamente o que queria e como chegar lá. Não foi à toa que os jovens da nouvelle vague francesa o endeusaram. Era um "velho" que sabia demais.

Sei, as coisas têm mudado, porém lentamente. Os juízes do Supremo Tribunal Federal não são obrigados a se aposentar aos 70 anos, no auge da experiência, da capacidade mental, do conhecimento? Na maioria das empresas, os 62 anos não são comemorados com a demissão do sujeito? Semana passada, dei com um amigo que acaba de sair de uma grande instituição, porque passou dos 60. Meses depois, voltou como consultor, e com uma belo cachê, porque as gerações intermediárias não estavam dando conta do recado. Esperem! Não quero dizer que a nova geração é incompetente; nada disso; é que a mescla da experiência com o ímpeto da juventude pode resultar em momentos agradáveis e eficientes.

Meu avô paterno trabalhou até os 90 como marceneiro. Meu pai foi diariamente à sua fábrica de sacos de papel (aposentado como ferroviário, ele abriu uma pequena empresa, deu certo) até os 80 e poucos anos. Só saiu por divergências com um sócio. O doutor Jatene fez transplantes até que idade? Niemeyer, dona Canô, Krajcberg, Vanzolini, quantos mais podemos citar? E Inezita Barroso, domingo passado, não conduziu seu programa de televisão aos 88 anos? Só para citar alguns. Os velhos talvez não tenham tanta força. Mas aprendemos a fazer tudo, sentados na cadeira, na poltrona, rede, o que for. Como esses jogadores experientes que jogam na sombra.

P.S.: A propósito, no YouTube circula um vídeo de Ginger Rogers aos 92 anos dançando salsa com o neto. E no livro Em Casa, Breve Historia da Vida Doméstica, Bill Bryson comenta a certa altura que o arquiteto John Nash, na avançada idade de 46 anos, voltou a Londres...
Ignácio de Loyola Brandão


5 de mar. de 2013

Vida saudável – do escritório ao dormitório

David Hockney
A saúde é algo que está cada vez mais em pauta, sem ela não nos movemos, não criamos e em desarmonia, até nossa auto-estima vai pro espaço.

Para muitos o estresse e a falta de tempo são as maiores armadilhas para o desequilíbrio do corpo e mente, e aí “oxigenar” pode ajudar, e muito. Fora todo o estresse que acumulamos em nossas vidas frenéticas e com “zero” tempo para nós, outro fator que não ajuda é que muitos passamos a maior parte do tempo trabalhando sentados, o que definitivamente não é a melhor coisa do mundo, isso a gente já sabe …

De profissionais de grandes corporações à profissionais liberais, apaixonados ou não por aquilo que fazemos, muitas das profissões escolhidas não oferecem grande agito. E sem que a gente perceba essa falta de movimento vai gerando uma estagnação, a energia fica estancada e com o tempo isso pode gerar aumento de peso e até sedentarismo. Mas como é que conseguimos driblar a nossa rotina pra não acumular aquele peso extra que tanto nos tira a auto-estima e a motivação?! Afinal ninguém merece passar o pouco tempo que tem duelando com a balança ou lutando com o espelho. Já temos preocupações suficientes, certo?!

Dentro do assunto li numa revista estrangeira uma matéria dando algumas dicas bacanas sobre como podemos ajudar nosso corpo a funcionar, mesmo dentro da nossa rotina. Separei as dicas que achei mais interessantes, espero que possam ajudar aqueles que estão buscando um equilíbrio maior com seu corpo e por consequência sua mente. Aí vão:

-MANTER UMA BOA HIDRATAÇÃO – Água matém o metabolismo funcionando e segura a onda do apetite. Desidratação ao contrário, ajuda a parar de queimar gordura. “Legal beber pelo menos uma garrafa grande de água por dia e beber um copo de água antes das refeições também ajuda a inibir aquela fome de leão” – explica a nutricionista Lynn Clay. Dica: cortar as bebidas alcóolicas pois elas inibem o efeito dos queimadores de gordura.

-HORA DO CAFEZINHO – Vale a pena tentar trocar o cafezinho por chá verde que é excelente na queima de gordura, cada 4 xícaras por dia ajudam a queimar 100 calorias. Alguns temperos também são ativadores do metabolismo, pra aqueles acontumados em colocar pitadas de cacau no café, a simples troca por canela já ajuda a ativá-lo.

-DORMIR O SUFICIENTE – Estudos mostram que isso é vital caso a gente queira realmente lutar contra a balança. Enquanto dormimos liberamos hormônios que queiman gordura e suprimem nosso apetite. “Se não dormirmos o suficiente geramos o efeito oposto, uma vez que o corpo começa a liberar hormônios que acumulam gordura, como por exemplo o cortisol” – fala a personal Jilian Michaels. Dica: Caso precise aumentar seu sono, bacana tomar magnésio e zinco 90 minutos antes de dormir (consultar seu médico)

-DÁ-LHE VITAMINA C – Novas pesquisas mostram que aqueles que tomam 500mg de vitamina C diariamente queimam 39% mais gordura quando fazem exercício. Essa dose diária pode ser ingerida através de complexos vitamínicos ou de sucos de polpa concentrada de frutas que tenham essa vitamina. Essa tá fácil, pois além de fazer bem os sucos são uma forma gostosa de aliviar a vontade por algo doce sem aquela culpa de sempre …

-SAIR PRA CAMINHAR – Andar pode queimar mais calorias do que jogging. O segredo é caminhar em passos rápidos. “Naquela velocidade em que você fica sem ar mas pode manter uma conversa” – diz Joanna Hall, autora do livro “The GI Walking Diet”. Alternar pequenas corridas ao longo da caminhada também pode fazer um bom efeito. Uma opção que vale para todos é trocar os elevadores por escadas. (Isso eu fazia muito durante um tempo e posso dizer que realmente funciona!)

-TROCAR A ROTINA DOS EXERCÍCIOS – para aqueles que já tem uma prática esportiva bacana fazer um revezamento de atividades. O corpo se acostuma muito rápido a qualquer trabalho esportivo sendo assim nossos músculos diminuem a queima de gordura, uma vez que já se acostumaram aquele exercício. Mudar o tipo de atividade ajuda pois além de nos sentirmos mais motivados com novos desafios, o nosso corpo também tem que aprender novos comandos ajudando na queima de mais calorias. A escolha da atividade também é fundamental pois ir contrariado para a academia gera outro tipo de frustração que acaba não sendo nada saudável.

Saúde gera energia, que gera ativação, que gera entusiasmo. No final das contas saúde e entusiamo andam juntos. Espero que tenham gostado das dicas
Luah Galvão

3 de mar. de 2013

Do sexo à glória

Graham Dean

Na mocidade, a vida se apresenta como um vasto e infinito horizonte; não se enxerga nem se imagina o fim. O fim nunca haverá de chegar! Ainda tem muitas décadas à frente para se gastar.Já quando se passa dos 60, com pouca reserva pela frente, percebe-se que o passado transcorreu estupidamente depressa. A vida derreteu rapidamente como uma barra de gelo ao sol escaldante do meio-dia.
Nas peripécias juvenis da vida, a sensação de tempo tinha um valor oposto àquele do idoso, parecia que os dias eram eternidades, os meses, verdadeiras imensidões, e os anos, infinitos. O jovem se faz de mais velho, o velho tende a se fazer de mais jovem. Um deseja que o tempo corra, o outro, que o tempo pare.
Nessa estranha situação, o jovem adianta o relógio, e o idoso tenta atrasá-lo, inventa mil truques para não declarar a idade, para rejeitar a realidade marcada por cabelos brancos, por rugas, por perda de mobilidade.
Nota-se, depois de se passar por muitas estações, que as paixões juvenis conseguem reter o escorrer do tempo, e que, ao contrário, as agruras senis o aceleram. Chega-se ao momento em que a água que parecia parada no reservatório do tempo passa a se acelerar, precipita-se pelo ralo cada vez mais impiedoso.
A alteração dessas percepções acontece quando os instintos primordiais se acalmam, quando o dever de perpetuar a espécie se apazigua. Curioso: passando-se pelo momento do acasalamento, certas espécies de animais falecem, suas existências deixam de ter sentido. Já para o homem, substância mais aperfeiçoada, as oportunidades continuam, mas os dias intermináveis da juventude, cheios de compromisso, de coisas para fazer, de eventos para presenciar, deixam lugar a um lento tergiversar sem muito afã. Qualidade mais que quantidade, detalhes mais que enormidades. 
Na primeira parte da existência, o homem é movido pelo desejo da mulher, por ela faz loucuras. Na maturidade, persegue, com obstinação, o poder ou o dinheiro, que são a mesma coisa, e por eles vende a alma. Já no entardecer da vida, quando as perspectivas de sobrevivência no planeta se encurtam e se aproximam do nada, surge o desejo de glória – última fantástica ilusão – para se perpetuar ao menos na lembrança dos remanescentes. Apela-se à “sobrevivência virtual” num mundo que continuará a escaldar outros indivíduos. 
Na glória de seus feitos, sobrevivem Moisés, Alexandre, Júlio César, Augusto, Napoleão, Einstein. Porém, enquanto o sexo é para todos, e o poder/dinheiro, para alguns, a glória é atingida por poucos. Glória que esplende nas pirâmides do faraó, no esplendor dos templos de Michelangelo, nos sorrisos pintados por Leonardo, na inocente beleza dos anjos de Rafael, nos versos apaixonados de Dante, nas harmonias de Beethoven. 
Para Artur Schopenhauer, “A glória é o sol que ilumina os mortos... é o poente de uma vida que se converte na aurora da imortalidade”. Mais estupenda é a percepção de Shakespeare quando olha o “abismo” que segue ao término: “Senhores, bom dia, apagai as tochas (do mundo)...”. A glória surge assim em seu esplendor. 
Pois é isso que a vida reserva. Sexo na juventude, poder na maturidade e glória na velhice. Três são as idades. Três, as motivações. Três, os pecados principais: luxúria, que evolui para amor, avidez, que se transforma em generosidade, orgulho, que evolui para desapego. 
Os raros fulgurados pela compreensão desaparecem na autossuficiência de seu enlevo, não podem explicar o “estado de ser” que conquistaram individualmente, como a vida é dada ao sair do ventre da mãe. 
A dor acelera a evolução, é banhada de sangue, passa pela cruz e conduz a Deus.
Os budistas acreditam que, apagando-se os desejos, entregando-se ao que há de divino dentro do homem, chega-se ao nirvana, morada imaterial dos deuses. 
Já o Eclesiastes afirma que “O dia da morte é melhor do que o dia do nascimento”, por considerar que o fim do corpo esgota o ciclo dos desejos, razão direta do sofrimento. Iniciar-se-ia, assim, um descanso sem sexo, que é transitório, sem poder, que é desgastante, e sem glória, que só a Deus pertence.
Vittorio Medioli

1 de mar. de 2013

Diferenças entre a Psicanálise e o trabalho de terapia sexual


Texto inspirado no filme,  As sessões, de Ben Lewin

O filme conta a história de Mark O’Brien, escritor e poeta que, ainda criança, contraiu poliomielite. Devido à doença perdeu os movimentos do corpo, somente mexe a cabeça, vive preso a um pulmão de ferro. Aos 38 anos, depois de muita angústia e medo assume perder a virgindade, pois deseja amar e ser correpondido. Católico praticante busca a absolvição de um padre, amigo e confessor, que o orienta a pedir ajuda especializada. Ele é atendido por uma psicóloga que sugere o trabalho de uma terapeuta sexual. A terapeuta enfrenta o enorme desafio de iniciar sexualmente um homem imóvel, que tem as sensações preservadas, mas que não as controla. Os encontros despertam emoções tremendas na dupla e na platéia. A mistura de bom humor, sinceridade, ternura e fragilidade do personagem é arrebatadora – impossível não amá-lo.

Algumas palavras:  
A Psicanálise despertou o mundo para a compreensão e estudo da sexualidade humana, levantou o tabu milenar que encobria as manifestações da sexualidade infantil e adulta. Freud nos mostrou haver uma correlação entre as neuroses e a repressão da sexualidade. Depois, o mundo mudou, veio a revolução sexual, a pílula e até as aulas de orientação sexual nas escolas.

O método psicanalítico trabalha com o nível simbólico do psiquismo, por meio de toques emocionais dedilha a alma do paciente – seu campo reside no universo das representações. O psicanalista “empresta” seu mundo interior para o paciente. A matéria prima do nosso trabalho é constituída por emoções, experiências, vivências e palavras. Extraímos de nós o material que é estimulado pela demanda do paciente, o elaboramos e o colocamos à disposição dos analisandos – promove-se uma vivência emocional bastante íntima e peculiar – assim são os encontros analíticos, difíceis de descrever.

Os trabalhos terapêuticos que se dirigem diretamente ao corpo são herdeiros das ideias dos primeiros psicanalistas, que seguiram linhas de investigação diferentes das de Freud. O trabalho de terapia sexual não utiliza a metodologia psicanalítica, trabalha em nível mais concreto, cognitivo e, muitas vezes, até de treinamento. É a experiência sexual que está em jogo. O terapeuta sexual empresta seu corpo, sua liberdade e conhecimento dos estranhos caminhos da sexualidade, o estimulo é direto.

As questões éticas implicadas nesse tipo de trabalho demandam Filosofia. Até que ponto podemos e devemos estar dessa forma com os pacientes é uma pergunta importante. Não tenho resposta. A Psicanalise não se pretende dona da verdade nem pretende ser uma ideologia da moda. 

Nossos pacientes são livres, essa é uma posição ética fundamental – não somos os responsáveis por eles, por suas vidas, descobertas e decisões. O analista acompanha o paciente/analisando, pode despertar emoções, lembranças e vivências – o trabalho analítico expõe o sofrimento – mas o analista não conduz o paciente a fazer o que ele analista acredita ser o correto. Essa é a área de responsabilidade do analisando, que pode fazer o que bem entender. 

Os psicanalistas fazem uma longa formação para se prepararem para o atendimento dos pacientes. Essa formação pretende dar a condição de renunciar ao poder que, eventualmente, o paciente venha atribuir ao analista, para que ele adquira poder e autonomia sobre sua própria vida. Lacan dizia que o analista ocupava um lugar de suposto saber, é isso, suposto, apenas suposto.
Outra pergunta que o filme coloca é se o paciente não alcançaria essa possibilidade sexual com uma parceira de vida. 

Os homens, em geral, sentem muito medo de falhar e vergonha da inexperiência, mesmo os que não se encontram imobilizados, paraplégicos ou tetraplégicos. A fragilidade e o medo podem levar à escolha de um especialista, o terapeuta sexual  ou de um profissional do sexo (é o que mais ocorre em nossa cultura) que auxilie na diminuição do temor até que se sintam confiantes em controlar o processo e aprender (novos) rumos para a própria sexualidade.

Ao assistir o filme somos revisitados por angústias e preocupações referentes à sexualidade. O filme nos obriga a lembrar do próprio tormento em relação ao sexo. A solidão, o desejo de amar e ser amado e a dor do personagem principal se tornam universais.
Muitos pacientes com queixas na área da sexualidade se beneficiam da psicanálise, se libertam, pois a prisão se dá a nível psíquico e está relacionada a dificuldade em viver as próprias emoções. A sexualidade é uma emoção forte e prenhe de preconceito. O corpo e a sexualidade formam um campo a ser melhor investigado. O conhecimento que temos dessa área, por mais que tenha avançado, engatinha.
Luciana Saddi

28 de fev. de 2013

Audrey Hepburn ressuscita" em comercial e levanta polêmica nos EUA




A atriz Audrey Hepburn, que faleceu há 20 anos, foi "ressuscitada" por computação gráfica e "apareceu" um comercial de chocolate da marca Galaxy, informou a Folha de S.Paulo. O comercial reacendeu a discussão sobre o uso de celebridades mortas em campanhas publicitárias.

O filme levou mais de um ano para ser produzido e foi feito com tecnologia CGI (Computer Graphic Imagery), recurso que permite a criação de imagens por meio de computação gráfica.

De acordo com o portal CBS News, foram os filhos de Hepburn que forneceram a autorização de uso de imagem para o comercial. Eles disseram à imprensa que a mãe ficaria orgulhosa da campanha, já que "sempre foi uma fã de chocolates".

O uso da imagem de celebridades mortas causa polêmica e é motivo de debate entre entidades que regulamentam campanhas publicitárias nos EUA.

Uma pesquisa da revista Forbes aponta que, somente em 2012, mais de US$ 500 milhões (cerca de R$ 1 bi) foram arrecadados em publicidades que utilizam a imagem de celebridades mortas.
Caderno de Mídia

Como Fazer Um Bebê




O fotógrafo canadense Patrice Laroche certamente não vai ter problemas para explicar a seus filhos como nascem os bebês. Durante a gravidez de sua esposa Sandra, o artista criou uma série de fotos explicativas intitulada "Como Fazer Um Bebê".

O casal realizou seu projeto durante toda a gravidez, com fotos exatamente no mesmo lugar. 
                                                                  

 








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