27 de set. de 2013

A mulher é mais julgada do que o homem?


Se alguém quer magoar ou ofender uma mulher, o recurso mais simples é soltar um comentário maldoso sobre sua aparência. 

É comum a ideia de que elas são mais exigentes com a própria imagem do que com a dos homens. E que costumam criticar mais a aparência de outras mulheres do que eles fazem com os membros de seu gênero.

A maior ofensa para o sexo masculino costuma ser associada ao questionamento de sua masculinidade. Quando o alvo é o homem do tipo machão, então, é esperado que sua reação seja mais agressiva (e até violenta).
O fato é que ninguém gosta de ter suas competências e imagem questionadas, principalmente se elas são socialmente definidas como importantes. A reação será ainda pior se houver, por parte do ofendido, alguma insegurança ou complexo em relação à qualidade criticada negativamente.

Mas é possível dizer que mulheres são mais sensíveis a críticas e julgamentos do que os homens? Segundo o psicólogo comportamental e doutorando do Departamento de Psicologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Ricardo Monezi, "ambos sofrem com julgamentos, mas elaboram o sofrimento de jeitos diferentes".
A diferença no jeito de lidar com uma ofensa explica no desnível histórico entre eles e elas: uma desigualdade de papéis sociais que vai sendo superada muito aos poucos, e com grandes dificuldades.
Espaços considerados masculinos
Mesmo considerando que, hoje, a igualdade entre homens e mulheres é muito maior, a situação demora a se equalizar. "Mulheres são mais suscetíveis à censura, porque o espaço público e o universo profissional ainda são masculinos", afirma a socióloga e professora da PUC-SP e da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Carla Cristina Garcia. O problema maior com as críticas surge quando mulheres penetram os espaços tradicionalmente masculinos, porque passam a ser muito mais cobradas. 
"Cada vez que a mulher entra no espaço masculino sofre muito mais pressão; se faz algo para o bem ou para o mal, a cobrança é maior, como se estivesse se metendo em algo que não lhe cabe", diz a socióloga. "A questão é de gênero, e porque elas precisam ser quatro, cinco ou seis vezes melhores do que os homens para que tenham o mesmo reconhecimento deles, é que temos a impressão de que estão mais suscetíveis e sensíveis aos julgamentos".

Coisa de homem, coisa de mulher?

Além do sério problema de segurança e autoestima gerado pela desigualdade entre os sexos, há outros fatores psicossociais que explicam a ideia de que a a mulher sofre mais com julgamentos –sejam eles sinceros ou apenas maldosos.
Elas aprendem desde o berço que não podem ser agressivas, pois "isso não é comportamento de mulher". Portanto, têm menos abertura para contestar, brigar, xingar e expressar sentimentos de raiva, aflição ou angústia. Os homens, porém, têm mais liberdade para reações agressivas.
"O resultado é que mulheres apresentam mais depressões e ansiedades (elas implodem, mas não explodem), são mais assediadas e obrigadas a conviver com os velhos julgamentos preconceituosos: 'solteirona', 'feia', 'subiu na carreira porque é amante do chefe', 'está mal humorada porque lhe falta outra coisa'", exemplifica Garcia. É muito mais raro ouvir dizer que um homem foi promovido por ser amante de alguém.

Ser julgado faz mal
"Julgamentos podem ser tão severos que geram níveis de estresse altíssimos, a ponto de causar úlceras, gastrites, variações hormonais e disfunções na amamentação, dermatites, quedas de cabelo, entre outras doenças endócrinas e cardiovasculares", enumera o psicólogo Ricardo Monezi.
A psicóloga e professora da PUC-SP Flavia Arantes Hime acredita que, se mulheres são mais sensíveis a julgamentos do que os homens, isso ocorre porque tal sensibilidade também foi cultural e socialmente aprendida. "A mulher ainda é criada para cuidar do âmbito privado, da casa e da família, voltada para a intimidade, o trato, sentimento ou bem-estar do outro".
O fato de acumularem funções (mães, profissionais e administradoras da casa), somado à necessidade de estarem sempre elegantes, magras e bem arrumadas, faz com que se cobrem ainda mais ou sintam com maior peso as críticas: não têm o mesmo desempenho ou experiência dos homens no trabalho, não são boas mães (pois passam a maior parte do tempo trabalhando), entre outros motivos.
"A própria mulher idealiza muito seu papel de boa mãe e dona de casa; isso provoca uma sobrecarga de estresse e autocobrança", afirma Flávia Hime.

Hormonal ou cultural?

De acordo com pesquisadores como Monezi, a diferença no jeito de elaborar internamente julgamentos tem fundo não só cultural e psicossocial. "É da própria estrutura hormonal da mulher ser mais agregadora e conseguir absorver o impacto dos julgamentos, reagindo de um jeito que a favorece mais, como que servindo de estímulo para vencer um desafio, com sucesso e habilidade", diz o psicólogo da Unifesp. Já o homem quer dar o troco e reage às críticas com agressividade, ímpeto típico da testosterona. 
A vantagem delas é que, com toda a cobrança e acúmulo de funções, elas vão se tornando cada vez mais habilidosas, porque aprendem a pensar antes de reagir; não têm vergonha de pedir ajuda quando precisam e se capacitam a vencer desafios em casa, na educação dos filhos, no trabalho, nos estudos, tudo ao mesmo tempo.
Segundo Flávia Hime, é importante que todas as mulheres passem a tomar atitudes libertas de velhos preconceitos: "Elas não devem cobrar apenas das filhas que a ajudem a tirar a mesa depois do jantar, mas também do marido e dos filhos", exemplifica.
Já Monezi acha que os homens é que deveriam aprender com as mulheres: absorver melhor as críticas ou "sofrer" um pouco mais com elas, e utilizar julgamentos não como fundamento da agressividade, mas como oportunidade de um autoexame mais profundo.
Goivanny Gerolla

22 de set. de 2013

5 técnicas de Meditação

Ao longo dos séculos, monges, padres, lamas e santos adotaram a meditação como caminho para encontrar Deus. Hoje, cada dia mais gente descobre nessa prática a chave para enfrentar o cotidiano com mais equilíbrio e vitalidade. 

Aqui, você conhece a origem das técnicas e descobre como começar agora mesmo! Se a água barrenta ficar quieta por muito tempo, o barro se depositará no fundo e a água se tornará clara. Na meditação, quando o barro de seus pensamentos inquietos começa a depositar-se, o poder de Deus começa a refletir-se nas águas claras de sua consciência."

Essas palavras do mestre indiano Paramahansa Yogananda (1893-1952) contam a sensação de quem pára alguns minutos para meditar. Antes restrita aos religiosos, essa prática tem sido adotada por pessoas de todas as idades e estilos de vida, que buscam ter mais vigor e clareza e, além disso, encontram um caminho para a sensibilidade e a espiritualidade. A meditação pode ser feita em qualquer hora e lugar. Basicamente, ela faz com que a mente e o corpo fiquem em sintonia, conectados ao tempo presente.

Essa integração aumenta a serenidade e reduz os níveis de estresse e desgastes emocionais desnecessários. "Meditar é cultivar estados da mente que levam à paz e ao bem-estar", diz a monja Kelsang Pälsang, diretora dos mosteiros budistas da tradição kadampa no Brasil. E não é preciso se ligar a uma religião para desfrutar de todos os benefícios da meditação. Há escolas de diversas linhas espalhadas pelo país abertas para iniciantes. Hinduísmo Essa tradição, que remonta a mais de 4 mil anos antes de Cristo, abriga tantas possibilidades de meditação quantos foram os mestres espirituais na Índia.

No Brasil, uma opção para a prática é a Self-Realization Fellowship, que tem como objetivo "disseminar técnicas para atingir a experiência pessoal e direta de Deus e ensinar que o propósito da vida é a evolução, além de libertar o homem de seu tríplice sofrimento: a doença física, as desarmonias mentais e a ignorância espiritual", como define seu fundador, o iogue Paramahansa Yogananda. Jeane Capilli Pen, coordenadora da entidade em São Paulo, informa: "A Self tem diversos horários de meditações gratuitas, e o praticante inicialmente segue as instruções de um orientador".

Outra opção é a Organização Brahma Kumaris, que trabalha com o desenvolvimento de valores espirituais em 86 países e tem cursos gratuitos de meditação raja ioga. "A raja ioga é a arte de viver em equilíbrio, ser feliz e pacífico", explica Luciana Ferraz, coordenadora nacional da entidade. 

Meditação hinduísta 
1. Sente-se em uma cadeira, com a coluna alinhada e pés bem apoiados no solo. Se preferir sentar no chão, fique com as pernas cruzadas, em posição de lótus. 
2. Deixe a respiração bem tranqüila, os olhos abertos e pense: "Eu focalizo a atenção no que está acontecendo em meu mundo interior". 
3. Perceba que muitos pensamentos passam pela mente e que você tem o poder de escolher os melhores e dispensar os ruins. Pense: "Eu escolho o pensamento de paz". 
4. Visualize um ponto de luz no centro da testa, entre as sobrancelhas. Pense: "Sinto que sou um ser de luz e paz". 
5. Preste atenção em como sua mente está calma e saboreie esse momento. Pense: "Deus também é um ponto de luz. Sinto a paz e o amor Dele chegando a mim. Absorvo essa paz e irradio-a para o mundo". 
6. Fique alguns momentos apreciando a experiência e volte lentamente sua atenção para o que está a sua volta.


Budismo 
A partir da segunda metade do século 20, o budismo tornou-se a tradição oriental que mais cresceu nas Américas e na Europa. As escolas seguem os ensinamentos de Buda, que abandonou uma vida de riqueza para buscar a iluminação, há 2,5 mil anos. No Brasil, existem várias linhagens budistas com diferentes tipos de meditação.

O Centro Dharma da Paz, fundado em São Paulo em 1988 pelo lama Gangchen Rimpoche, mestre do budismo tibetano, está hoje sob a orientação espiritual de seu discípulo lama Michel, brasileiro reconhecido como a reencarnação de um mestre do Tibete. Lá é feita a meditação tântrica, "cuja essência é a identificação do praticante com seu potencial de iluminação, seu Buda interno, em todas as atividades da vida", diz Daniel Calmanowitz, diretor do centro. Ele explica: "As pessoas ainda não são seres iluminados, mas se identificam como tal quando se visualizam como a própria divindade. E os benefícios são deixar de lado a autocobrança e aumentar a autoa-aceitação".

Há dez anos, chegou ao Brasil uma linha do budismo mahayana (que quer dizer "caminho da ajuda mútua"), da tradição kadampa. Fundada por Geshe Kelsang Gyatso, está presente em capitais e cidades do interior de São Paulo. 

A monja Kelsang Pälsang, diretora nacional dos centros, conta: "Os kadampas contemporâneos fazem uma meditação adaptada para pessoas modernas, que têm pouco tempo e muita pressa em aprender". 

 Meditação budista tibetana 
1. Comece pensando: "Assim como eu quero ser feliz e evitar o sofrimento, os outros seres também querem a felicidade". 
2. Lembre-se dos seres vivos a seu redor - família, amigos, animais. Todos querem ser felizes. 
3. Surgirá uma forte sensação de que todos são iguais, querem a mesma coisa e são irmãos. 4. Quando essa sensação surgir, procure concentrar-se nela sem distrações. Quanto mais familiarizar a mente com essa ideia, mais calma e tranquila ela se tornará. Zen-budismo 

O zen-budismo pertence à escola soto zen do budismo japonês, fundada no século 13. Chegou ao Brasil em 1956, trazida pelas comunidades japonesas, e hoje tem templos e mosteiros em vários Estados. 
A essência do zen é o estado de meditação em busca da não-dualidade. 

"Temos que ultrapassar os limites da mente, que considera o gosto/não gosto, amo/odeio, apego/aversão. Assim, chegamos ao ponto em que, unidos, vemos que somos a vida do Universo", ensina a monja Cohen, fundadora da Comunidade Zen-Budista, em São Paulo. 

 Além da compaixão, outra meta no zen é a iluminação. A mestra Shundo Rôshi ilustra a idéia no livro Para uma Pessoa Bonita (ed. Palas Athena). Ela conta que leu numa placa: "Faz barulho porque não está completo". Deliciada com o humor, pensou: "Faz sentido. Uma cabaça cheia até a boca não tem som se é sacudida, mas, se houver saquê no fundo, fará barulho. Os seres humanos são como as cabaças: a pessoa sábia é tranqüila em qualquer circunstância, como se nada a perturbasse". Mas a calma do zen também é alerta. A mente desperta é um exercício de atenção aos pensamentos e à respiração. 

E o caminho é: persistência e paciência. Há dois anos, a monja Cohen começou nos parques de São Paulo a "meditação andando". "Fomos mostrar que existe um comportamento voltado para a paz. Em vez de gritar com alguém, bater a porta, por exemplo, você pode caminhar quando está nervoso. Ficar em silêncio, entrar em contato consigo mesmo e achar uma solução de transformação verdadeira." 

Meditação zen-budista 
1. Em um local agradável, alinhe a coluna, firme os pés no chão e afaste ligeiramente as pernas, sem travar os joelhos. 
2. Respire esvaziando bem o pulmão, soltando todo o ar pela boca várias vezes. 
3. Depois, lentamente, caminhe com passos miúdos. Inspire e dê mais um passo (do tamanho da metade de seu pé). Expire e avance da mesma forma. 
4. Sinta o chão sob os pés, a brisa no rosto, as áreas de luz e de sombra a seu redor. 
5. Perceba que às vezes você pensa ou não pensa. Se se distrair, volte a prestar atenção. 
6. Sinta que sua mente está em paz e, lentamente, volte a caminhar normalmente. Sua saúde agradece Médicos têm indicado com freqüência a prática de diferentes técnicas de meditação para ajudar no tratamento e na prevenção de doenças do coração, câncer e distúrbios do sono. 

As práticas levam ao controle da respiração, que, por sua vez, diminui a pressão sangüínea, aumenta a circulação e desintoxica o organismo. O cardiologista José Antônio Curiati, doutor pela Universidade de São Paulo (USP), fez um estudo com idosos cardíacos, na faixa etária de 76 anos. Eram 39 pacientes, divididos em dois grupos. Um praticava meditação durante meia hora, duas vezes ao dia. O outro grupo não. Conclusão do doutor Curiati: "Os que praticaram tiveram melhora na liberação dos hormônios que aliviam o estresse, na eficiência respiratória e na qualidade de vida em geral". O Instituto do Sono de São Paulo atende 50 pacientes ao mês com queixa de insônia. 

A meditação é usada em 30% desses casos. "Já nas primeiras três semanas de prática, os efeitos positivos são registrados", afirma o neurologista Ademir Baptista da Silva, chefe do setor de distúrbio do sono do Hospital São Paulo, que trabalha há 15 anos com casos de insônia. 

A psicóloga da entidade, Eliane Aversa Lopes, que ensina a prática aos pacientes, diz: "A ansiedade é o que dificulta iniciar o sono. Então indicamos a meditação para baixá-la. Isso aumenta a chance de que o sono venha e seja reparador". 

Meditação para dormir bem 
1. Sente-se em um ambiente tranqüilo, com as luzes apagadas. Deite, feche os olhos e preste atenção em seu corpo. 
2. Perceba cada ponto de tensão. Comece por cabeça, pescoço, ombros e vá descendo e relaxando ponto a ponto. 3. Observe o ritmo da respiração e vá fazendo com que ela aconteça na altura do abdômen e não no tórax. Isso melhora a oxigenação e libera emoções contidas. Relaxe, até dormir. Recomendações: Vá para o quarto apenas quando já estiver com sono.
Faça esse exercício todas as noites, durante 15 minutos. 

Cristianismo 
Pouca gente sabe, mas há várias meditações cristãs. Fernando Altmayer, professor do departamento de teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, conta: "A meditação cristã nasceu do mundo judaico, após uma releitura do movimento místico que veio de Moisés e Abraão. Depois, os padres do deserto, cerca de 300 anos após a vinda de Jesus Cristo, começaram a meditar sistematicamente." 

Desde a tradição dos desertos da Síria e do Egito nos séculos 3 e 4, místicos como são Francisco de Assis (séculos 12 e 13), passando por santa Teresa D'Ávila e são João da Cruz (século 16) e chegando a Teilhard Chardin e Tomás Merton (século 20), exercitaram técnicas para meditar. 

O teólogo carioca Frei Betto lembra: "De modo geral, existem três linhas. Os beneditinos, que combinam oração com trabalho (ora et labora), os franciscanos e os dominicanos, cuja espiritualidade é baseada na identificação com os pobres, e uma terceira linha, a dos jesuítas, que centram a meditação nos episódios da vida de Jesus". 

Em qualquer meditação, o que vale é persistir. 

Meditação cristã 
1. Procure um lugar silencioso. 
2. Faça uma leitura de um fato importante em sua vida do dia, do mês, do ano. Nesse balanço, procure se lembrar das pessoas e das crises. 
3. Escolha e leia um trecho da Bíblia a cada dia. 
4. Concentre-se em uma palavra ou frase, compreendendo o sentimento e o sentido profundo de cada mensagem. 
5. A seguir, fique em frente a uma imagem bonita (paisagem ao ar livre ou diante de uma bela foto) para de novo prestar atenção no silêncio.
Marisa Marega

21 de set. de 2013

Gesù Bambino (Menino Jesus)


O jornal italiano Corriere della Sera publicou em sua edição eletrônica de fim de semana uma enquete muito divertida. Tratava-se de opinar sobre o relacionamento das crianças italianas com o Gesù Bambino (Menino Jesus). Os leitores deveriam escolher entre frases tiradas do livro:


"Caro Gesù: la giraffa la volevi proprio così o è stato un incidente?" 
(Querido Jesus, a girafa você queria assim mesmo ou foi um acidente?), lançado pela editora Sonzogno.

É uma amostra do que elas costumam escrever nas redações da escola, nas aulas de catecismo e em bilhetinhos de final de ano. 

Na Itália, o Papai Noel não toma conta do imaginário infantil e Gesù Bambino é um poderoso concorrente do bom velhinho nórdico.

Escolha a sua frase preferida:

"Querido Menino Jesus, todos os meus colegas da escola escrevem para o Papai Noel, mas eu não confio naquele lá. Prefiro você.“ (Sara)

"Querido Menino Jesus, obrigado pelo irmãozinho. Mas na verdade eu tinha rezado pra ganhar um cachorro." (Gianluca)

"Querido Jesus, por que você não está inventando nenhum animal novo nos últimos tempos? A gente vê sempre os mesmos." (Laura)

"Querido Jesus, por favor, ponha um pouco mais de férias entre o Natal e a Páscoa. No meio, agora está sem nada.“ (Marco)

"Querido Jesus, o padre Mário é seu amigo ou você conhece ele só do trabalho?“ (Antonio)

"Querido Menino Jesus, por gentileza, mande-me um cachorrinho. Eu nunca pedi nada antes, pode conferir.“ (Bruno)

"Querido Jesus, talvez Caim e Abel não se matassem se tivessem um quarto pra cada um. Com o meu irmão funciona." (Lorenzo)

"Querido Jesus, eu gosto muito do padre-nosso. Você escreveu tudo de uma só vez, ou você teve que ficar apagando? Qualquer coisa que eu escrevo eu tenho que refazer um monte de vezes." (Franco)

"Querido Jesus, nós estudamos na escola que Thomas Edison inventou a luz. Mas no catecismo dizem que foi você. Pra mim ele roubou a sua idéia.“ (Daria)

"Querido Jesus, em vez de você fazer as pessoas morrerem e aí criar novas pessoas,por que você não fica com as que já tem?" (Marcello)

"Querido Jesus, você é invisível mesmo ou é só um truque?"(Giovanni)

20 de set. de 2013

Sexta-feira

Amanhã vou estar mais suave
E quarta vai ser o meu dia
O fim-de-semana promete
Domingo vai ter que dar sol
Segunda vou acontecer
Não posso perder o teu show
Pro mês vou te visitar
É agora que eu saio de vez
Que bom que eu vou te encontrar
Amanhã vou estar mais feliz
Martha Medeiros

Prioridades

Jamie Edwards
Não gosto de desistir das coisas que amo e não gosto que meus clientes desistam. Por isso, ajudo-os a tentar tudo o que puderem, e tudo o que souberem, para assumirem as rédeas de suas vidas profissionais, pessoais e emocionais. A sua vida merece uma chance de ser especial e memorável. E isso inclui em que você se dedique para fazer a vida de alguém especial, feliz e completa. Com sorte, também significa ter alguém que faça isso por você.Não por dever, apenas, mas por ser um caminho apaixonante da realização.

Mas, infelizmente, no que se refere ao relacionamento entre duas pessoas, não podemos controlar todas as variáveis, as limitantes e os resultados. Até porque os resultados envolvem diferentes percepções, desejos e níveis de comprometimento. O amor, embora seja um verbo, antes de uma emoção, é uma daquelas áreas nas quais todos nós gostaríamos de controlar os dois lados da equação, mas só podemos controlar o nosso lado. E torcer. Um romance, seja ele namoro, noivado, casamento ou bodas de diamante, exige que os dois queiram dar um passo em direção ao futuro misterioso todos os dias - juntos. Mesmo que seja para sofrerem juntos, desafiando os problemas. Se você é do tipo que quer casar, e continuar se comportando como solteiro, então é melhor não casar.
Fique como está. Sei que o que está na moda é a fantasia de que "ser livre" é o melhor. Ser independente. Mas, apesar do estardalhaço que algumas revistas semanais fazem, dizendo que muitas pessoas querem ficar sós, não é a realidade que encontro com meus clientes. Para mim eles, e elas, dizem a verdade. E a verdade é diferente daquilo que dizem para o show da mídia, ou para uma roda de amigos.Ninguém quer ficar só. As pessoas apenas vestem uma confortável imagem de que a "liberdade" é mais vantajosa do que o compromisso, assim como dizem veementemente que jamais entrarão em um supermercado que os tratou mal - só para irem direto lá, quando tiverem que comprar algo.

Quando o silêncio das paredes internas do coração começa a ser escutado, o "caldo entorna", e você se pega pensando em passar os próximos anos vivendo com aquela pessoa. Na medida do possível, apoio meus clientes em seus sonhos e desejos. Mas, nem sempre. Há momentos nos quais você deve olhar bem para aquela pessoa que está tratando você apenas como uma opção, uma alternativa temporária, e deixar de ter a vida dela como sua prioridade. Algumas vezes, ser a pessoa ideal não é o bastante. Especialmente, quando o outro lado da moeda tem uma lista de prioridades enorme, e você aparece em um ingrato 256° lugar.

Naturalmente, há momentos nos quais um amor não pode lhe dar atenção. E ajudo meus clientes a entenderem isso. Há altos e baixos em qualquer vida, por isso não devemos assumir o pior, apenas por um problema temporário. Mas, há também situações nas quais você precisa entender que talvez haja muito mais dentro de você do que a outra pessoa nota ou dá valor.

Quase dois anos atrás, uma cliente tratou exclusivamente deste problema comigo. Ao final do nosso processo de trabalho, ficou claro que ela não era prioridade nenhuma para o noivo. Era apenas uma opção e um "problema" na agenda. Depois de tentar tudo, e mais um pouco, ela rompeu o noivado. Ele teve todas as chances de abrir os olhos. Ela deixou de tratar como prioridade, aquele que a tratava como opção.

Na última segunda feira, ela me telefonou e convidou para seu aniversário (é comum meus ex-clientes tornarem-se amigos). Aniversário e noivado. Com outra pessoa, claro. O engraçado da história? É que o "ex" diz ter descoberto, tarde demais, que "ela era a mulher da vida dele".

Flores, presentes e telefonemas não adiantaram -- minha cliente me autorizou a contar a história, sem revelar seu nome.O que existe no coração dela, agora, são as lembranças de ter sido apenas mais um item, em uma agenda lotada. Agora o coração dela já está em outra vida. Ela tem outra prioridade. E o noivo atual a vê como prioridade também.

O verbo amar, entre eles, se transformou no sentimento. Agora, o ex-noivo é carta fora do baralho. Lembre-se: Não trate como prioridade quem te trata como opção. Dê todas as chances que puder. Mas, quando não houver mais o que fazer, não faça. Pare de tentar. Você saberá quando a hora chegou. Você saberá quando já tentou tudo. E, quando chegar este momento, olhe ao redor. Se alguém não trata você como prioridade, há quem trate. Ai pertinho de você. É só olhar com o coração. Você merece ser prioridade de alguém. Você merece ser o rei, ou a rainha, e não o vassalo, ou vassala. O amor é um jogo de "iguais de coração". Não trate como prioridade quem te trata como opção.
Aldo Novak

16 de set. de 2013

Juliana D'Agostini

Capturando estrelas

Eirik Stensrud
Os poderosos de antigamente mantinham ao seu lado, além de ministros, banqueiros e generais, grupos ecléticos de artistas, cientistas, arquitetos, filósofos, às vezes magos com chapéus pontudos. Montavam grandes bibliotecas e valorizavam pessoas de saber. As cortes eram os principais centros de cultura e arte, fato que, pelo menos em parte, compensava as falhas democráticas do sistema feudal conquistado na marra invariavelmente com o apoio de um Maquiavel.

Os Medicis, senhores de Florença, interpretaram o rolo dos monarcas mecenas melhor do que qualquer outro interessado de sua época. Os gênios que cresceram à sombra dos Medicis ditaram o estilo e os costumes de Roma, Londres, Paris, Viena, Praga, Moscou, do mundo inteiro.

Os tempos mudaram. Ao contrário dos senhores de Florença, os governantes da atualidade, produtos bastardos das democracias, cultuam, por excelência e exclusividade, o populismo e a demagogia. Sabem conviver com banqueiros, empreiteiros, economistas cinzentos, às vezes com fraudadores, laranjas e figuras que, dos antigos esplendores dos Medicis, não lembram nada.


Nada mesmo. Até os assessores destinados a comparecer em público costumam despejar pouco brilho e quase nenhuma admiração. Comunicam- se com linguagem arrastada e fria, adotada em relatórios que servem para Bolsa de Valores e são ininteligíveis às massas.
Poucos deles sabem soletrar o nome de uma meia dúzia de filósofos, de pensadores humanistas; suas culturas parecem fabricadas numa linha de montagem de caminhões.

O sistema favorece, nas proximidades do poder, apenas os astutos e quem demonstra capacidade de sobreviver à competitividade bestial. Em suma, quem se orienta num arcabouço labiríntico que deveria servir ao povo, mas que dele suga, ou que sempre sugou, favorecido pela ignorância e pela incapacidade do próprio povo em decifrar o melhor.Platão julgava que os mais ignorantes não teriam capacidade para escolher o melhor para eles. Assim como as crianças não têm capacidade para se autogovernar.

Cosimo de Medici, que foi bastante amado pelos seus súditos, se cercava de figuras como Marsilio Ficino, que escreveu “O Modo de Capturar a Vida das Estrelas” (“De Vitae Coelibus Comparanda”), obviamente para pô-las a serviço de um bom governo. Algo de fantástico, comovente, que hoje não cabe no apertado modo de viver e de ser malgovernado.
Vittorio Medioli

12 de set. de 2013

Gol 1000 - Tulio Maravilha

Despedida

Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos, 
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar 
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos 
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame, 
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste. 
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança. 
E eu lhe digo adeus
Pablo Neruda

11 de set. de 2013

'Amor à Vida’ reabre discussão sobre hospitais psiquiátricos

Nos episódios que foram ao ar na primeira semana de setembro, Paloma (Paolla Oliveira), protagonista da novela Amor à Vida, foi internada à força em uma clínica psiquiátrica. Sua internação é mais uma das infindáveis artimanhas do irmão Félix (Mateus Solano), que busca roubar seu posto de preferida do pai, o todo-poderoso César (Antonio Fagundes). No folhetim, o propósito do autor Walcyr Carrasco foi reabrir a discussão sobre o tratamento dos doentes mentais no Brasil. “Há uma corrente que acredita que o paciente deve conviver com a família, fora da clínica. Esse é um ponto de vista profissional e quero propor a discussão”, diz.
Carrasco faz menção à antipsiquiatria, uma abordagem contrária à internação de doentes mentais em hospitais psiquiátricos.
Como tantas teorias surgidas na década de 1960, a antipsiquiatria é um amálgama de pensamento especializado e ideologia esquerdista (com ênfase maior na segunda). Seu pai foi o italiano Franco Basaglia, psiquiatra e militante do Partido Comunista, que tratava a loucura como "construção social" e os hospícios, como instituições destinadas ao controle de "corpos e mentes", em total benefício do status quo. Depois de atingir seu auge nas décadas de 1970 e 1980, o discurso da antipsiquiatria saiu de voga. Não é mais usual encontrá-lo repetido nas escolas médicas. Sua herança, no entanto, ficou.
A antipsiquiatria teve um lado positivo: chamou atenção para a realidade dos manicômios — que quase em toda parte eram casas de horror. Bem mais duvidosa é a maneira como a ela informa, de maneira não declarada, políticas públicas de saúde que buscam pura e simplesmente o fim dos leitos hospitalares dedicados aos doentes psiquiátricos. Aqui, ideias abstratas sobre doença e controle social se sobrepõem à necessidade clínica de tratar cada doente como um caso em particular, que precisa de soluções próprias.
Essa é a realidade do sistema de saúde no Brasil atualmente. Em 2001, foi publicada uma lei que determina o fim progressivo dos hospitais psiquiátricos no Brasil. Há, no entanto, um grupo de psiquiatras que defende, com bons argumentos, que é preciso, ao contrário, um aumento no número de leitos hospitalares psiquiátricos.

Tratamento mental

O ELETROCHOQUE
Na novela Amor à Vida, Paloma é falsamente diagnosticada com esquizofrenia paranoide. A doença é um tipo de psicose na qual a pessoa se desconecta da realidade e perde a capacidade de discernimento. Os sintomas costumam ser manias  persecutórias e delírios. No folhetim, a protagonista é internada, obrigada a tomar algumas medicações e, por não melhorar, submetida ao eletrochoque.

Segundo Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (SBP), a eletroconvulsão terapêutica (nome médico do eletrochoque) é uma técnica permitida nos dias de hoje. "O paciente é anestesiado e não sente dor", diz. Quando submetida a esse tratamento, a pessoa recebe uma baixa corrente elétrica que a induz à convulsão, que dura cerca de 30 segundos — por isso ela chacoalha na maca.
A técnica é eficaz e, normalmente, são feitas de nove a 12 sessões — de uma a duas por semana. O eletrochoque, no entanto, é usado apenas em último caso. Segundo o especialista, são os pacientes graves, que não responderam bem à nenhuma medicação, que têm indicação para a técnica.
Manicômios — “A noção de doença mental é usada para identificar ou descrever alguns aspectos da chamada personalidade de um indivíduo”, escreveu o psiquiatra húngaro Thomas Szasz (1920-2012), uma das referências da antipsiquiatria, em artigo publicado no periódico American Psychologist, em 1960. Ao insistir que as fronteiras entre normalidade e loucura eram porosas, o movimento forçou uma revisão dos tratamentos psiquiátricos — e sobretudo dos locais onde ele acontecia, os hospitais conhecidos como manicômios.
Na década de 1970, a luta contra essas instituições estava a pleno vapor. Lutava-se para acabar com situações como a do Hospital Colônia, o maior hospício do Brasil. Aberto em 1903 em Barbacena, há indícios de que 60.000 pessoas morreram no local até seu fechamento, na década de 1980 — vítimas de seções fatais de choques elétricos, inanição, precárias condições de higiene e assassinatos. 
No livro O Holocausto Brasileiro (Geração Editorial) a jornalista Daniela Arbex narra a história do hospital. Segundo registros do local, 70% dos pacientes que passaram por lá nunca foram devidamente diagnosticados. É certo que nem todas as pessoas entregues a essas instituições tinham distúrbios mentais. Homossexuais, criminosos, portadores de doenças venéreas muitas vezes eram ali internados. A história de Paloma em Amor à Vida remete claramente a episódios como esses: ela não é doente, mas vítima de um golpe.
Herança — Pôr um fim em situações como a do Hospital Colônia era, obviamente, um objetivo legítimo. Algo diferente é afirmar que a doença psiquiátrica é sempre uma "construção social" e que o tratamento hospitalar de pessoas com problemas desse tipo deve ser banido. Hoje, o sistema de saúde brasileiro tem como meta reduzir ao máximo o número de leitos psiquiátricos, e encaminhar os doentes ao tratamento em ambulatórios. A ideia é falha quando se trata de pacientes graves. Na maioria dos casos de surto, a pessoa precisa ser internada por um período indeterminado, que pode durar poucos dias, meses ou anos. “Se o paciente coloca em risco a vida dele e a de outra pessoa, ele precisa ser hospitalizado pelo tempo que for necessário”, diz Antonio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.
No Brasil, entretanto, isso tem se tornado cada vez mais difícil. Só no município de São Paulo, de 15 a 20 internações de pacientes em surto não podem ser atendidas por dia. “O SAMU [serviço de atendimento móvel de urgência] não está preparado para atender essa população e chega a recusar esses pacientes”, diz Geraldo da Silva. Segundo um levantamento recente, cerca de 1.500 esquizofrênicos moram nas ruas de São Paulo, e metade da população carcerária do País tem algum tipo de problema mental. “Dentro dos prontos-socorros, os médicos não estão preparados para atender esses pacientes. O cenário no Brasil hoje é muito ruim”, diz.
Para o Ministério da Saúde, investir nesses centros especializados, com equipes multidisciplinares, significa humanizar o tratamento. A ação integra a política do governo de abolir os hospitais psiquiátricos. “Essas instituições servem apenas para deixar a doença crônica”, diz o sanitarista Helvécio Magalhães, secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde. De 2002 a 2012, o número de leitos psiquiátricos em hospitais públicos passou de 51.393 para 29.958. “No início da década de 1990 existiam 120.000 leitos”, diz Valentim Gentil, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).
Essa queda drástica no número de leitos é acompanhada por um aumento no número dos Centros de Atenção Psicossocial, os chamados CAPs: passaram de 424 unidades, em 2002, para 1.803, em 2012. “O problema é que o CAP não é suficiente. A grande maioria fecha às 18 horas, a família tem que ter disponibilidade para levar e buscar todos os dias e alguns pacientes simplesmente não se adaptam”, diz Gentil. De acordo com o especialista, a maioria dessas unidades também não tem psiquiatra à disposição, nem está preparada para atender um paciente em surto. “O tratamento da saúde mental está em colapso”, diz.
Segundo o professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Wagner Gattaz, o modelo de tratamento oferecido pelo governo decorre de um cálculo político injustificável. “Como louco não vota e nem protesta, viu-se como algo interessante acabar com os hospitais psiquiátricos para economizar”, diz Gattaz. Em 2011, foram gastos 525,71 milhões de reais para manter 32.284 leitos hospitalares. Se tivessem sido mantidos os 120.000 leitos em hospitais públicos originais, existentes na década de 1990, os gastos seriam quase quatro vezes maiores, segundo dados do próprio Ministério da Saúde. Enquanto isso, foram gastos, também em 2011, 1,2 bilhão de reais para manter 1.742 unidades do CAPs. Em uma conta grosseira, acabar com os leitos hospitalares rendeu, em um ano, uma economia de meio milhão de reais aos cofres públicos.
Terapia — Tratar doentes mentais, alertam especialistas, é uma tarefa complexa e multidisciplinar. De acordo com Gentil, os CAPs são necessários, desde que haja também investimento em outras áreas da saúde mental. “Além desses centros é preciso ter ambulatórios, leitos em hospitais gerais e em hospitais especializados, uma moradia supervisionada e casas de transição onde o paciente se prepara para voltar à sociedade”, diz.
As moradias supervisionadas são casas onde pacientes graves e crônicos passam a morar, sempre acompanhados de atendimento especializado. Em algumas cidades do país, isso já vem sendo colocado em prática, como em Belo Horizonte. “São locais pequenos, cabem no máximo 20 pessoas. Ali vivem os pacientes que têm no convívio com a família e a sociedade algo impossível”, diz o psiquiatra Francisco Paes Barreto. A iniciativa, no entanto, ainda é pontual e precária.
Aretha Yarak e Mariana Zylberkan

9 de set. de 2013

A palavra

Sergio Lopez
A palavra quando é criação desnuda. 
A primeira virtude da poesia tanto para o poeta como para o leitor é a revelação do ser. 
A consciência das palavras leva à consciência de si: a conhecer-se e a reconhecer-se.

Octavio Paz

A arte de viver em paz consigo mesmo. Uma questão de ecologia interna

Costa Dvorezky
Como já o expressamos, a maior parte das pessoas procura a Paz fora de si. Quando foi fundada a UNESCO, como organismo das Nações Unidas responsável pela educação, ciência e cultura no mundo, no seu preâmbulo se declarou que a violência e as guerras nascem no espírito dos seres humanos, e que as defesas da Paz precisam ser erguidas no seu espírito.

Na realidade não há nada a "erguer", pois a paz sempre está ali; mas deixamos de enxerga-la pois ninguém nos mostrou onde ela está. Para descobrí-la, precisamos saber que isto exige uma tomada de consciência de onde e como encontrá- la.

Há três grandes espaços do nosso ser mais íntimo, onde podemos encontrar a paz: O nosso corpo físico, o nosso espaço emocional e a nossa mente. Vamos, para cada um destes níveis, mostrar como, de maneira bem concreta, podemos experienciar e vivenciar a paz.

A PAZ DO CORPO

Esta pode ser experienciada, isto é, vivenciada através do relaxamento. Vivemos constantemente numa agitação às vezes frenética. As nossas emoções destrutivas como a raiva ou o ciúme, criam tensões no nosso corpo. A resposta a estas tensões é o relaxamento.
Relaxamento se aprende; mas você pode fazer a experiência agora, durante esta leitura. Basta para isto fechar os olhos, ficar bem a vontade, dar umas três inspirações profundas, soltar os músculos, imaginar que você está num lugar ideal de descanso como uma praia ou uma rede na montanha.
Fique uns dez minutos neste estado relaxado. Tome então consciência do seu estado físico-geral. "Bem estar, descontraído, em paz, bem, a vontade, solto, repousado", são, entre outras as declarações dos que estão saindo de um relaxamento.

Para você realmente entender de que se trata, é indicado fazer esta experiência agora. 
Caso você ter goste, convêm você fazer um curso de relaxamento ou mesmo de Ioga. A sua vida cotidiana vai mudar se você resolver praticar relaxamento todos os dias, de manhã e de noite.
Esta melhora será muito maior ainda se você for tratar da fonte das tensões musculares, as emoções destrutivas. É disto que vamos tratar agora.

A PAZ DO CORAÇÃO

Porque e como lidar com as emoções destrutivas?
Se você quiser despertar a paz do seu coração, aprende a lidar com as suas emoções destrutivas.
O estudo das causas do estresse indica as emoções destrutivas como sendo as grandes causadoras do estresse.
Que emoções são estas? Podemos definí-las como as que causam conflitos com os outros e para si mesmas. São as expressões internas e externas das nossa neuroses. Uma boa definição do neurótico é a que o descreve como uma pessoa que sofre e faz sofrer os outros; e o que faz sofrer os outros, senão o ciúme, o apego exagerado a coisas, pessoas ou mesmo idéias, a rejeição e a raiva, o orgulho e a indiferença?.
Nas próximas semanas observe bem você mesmo e os outros ao redor de si. E veja se o que está sendo questionado aqui não corresponde a uma grande verdade!
Como então lidar com estas emoções já que elas são tão destrutivas?
Grande parte da humanidade costuma se deixar levar por elas, perdendo o auto controle. Tomemos como exemplo da raiva; Elas gritam, ofendem, magoam, muitas vezes a quem amam, e depois se sentem culpadas e sofrem. Podemos afirmar que isto não é uma boa solução.

Outras pessoas, assumem um comportamento oposto: achando que a raiva é uma emoção feia e repreensível, rechaçam e recalcam o seu sentimento de rejeição. Continuam cheias de mágoas e de ressentimentos não expressos. Repetindo esta maneira de ser durante meses ou mesmo anos, acabam estressadas, somatisando a sua raiva contida sob forma de úlcera duodenal ou de enfarto do miocárdio. Então esta também não uma solução.

O que fazer então, se agredir ao outro ou agredir a si mesmo resultar em sofrimento?
Existe uma terceira alternativa, uma espécie de caminho do meio. Em vez de soltar a raiva ou de dominá-la, existe uma solução bastante esperta: simplesmente tomar consciência dela e deixá-la passar, como uma nuvem de tempestade passa e deixa o sol brilhar de novo e o céu ficar azul.
É claro que você precisará de certo tempo, algumas semanas ou meses para conseguir bom resultado. Quanto mais cedo você começar, mais cedo você se tornará um ser livre das suas emoções pesadas. A verdadeira liberdade é esta.

No início a gente se esquece; mas aos poucos você acaba constatando que você chegou ao ponto de ver a emoção chegar. Você poderá dizer com um certo senso de humor: "lá vem ela de novo!" Este será um excelente sinal de sucesso. Você não pode se livrar de todo da raiva, mas pode fazer com que ela se transforme em sentimentos de amizade ou mesmo de amor. E, aos poucos isto se transformará numa segunda natureza. Você começará a irradiar paz e serenidade em torno de você, sobretudo se paralelamente você praticar diariamente o relaxamento do corpo.
Você obterá ainda mais alegria e harmonia na sua existência, se além de lidar com estas emoções você cultivar altos sentimentos humanos, tais como a alegria, o amor, a compaixão e a equidade. A alegria de compartilhar felicidade com as pessoas. O amor no sentido de querer a felicidade das pessoas ao seu redor; a compaixão significando o sentimento e o ato de ajudar o outro a aliviar o seu sofrimento. E a equidade no tratamento igual de todos os seres deste universo, sem nenhuma preferência por um ou outro.
Assim você terá adquirido a paz do coração, além da paz do corpo.

A PAZ DE ESPÍRITO

Mas mesmo tendo adquirido a paz do corpo e a paz no nível das emoções, isto é, a paz de coração, a sua mente continua agitada, gerando uma hiperatividade no mundo externo e uma invasão, para não dizer uma inflação, de pensamentos: Idéias, imagens, formas, símbolos, memórias desfilam, numa dança incessante. No fim do dia você só tem uma vontade, de ir para cama e dormir!
Esta é a atividade típica da sua mente com as suas infinitas produções e funções bastante úteis para o nosso cotidiano. A mente nos permite raciocinar, lembrar, apreciar, comparar, julgar, decidir, avaliar, nos defender. A mente existe para, entre outras funções, defender a nossa existência. Só que de vez em quando ela nos atrapalha bastante por funcionar demasiadamente, sobretudo se fomos educados para ser um intelectual e hipertrofiamos esta função

Embora uma atividade normal do espírito, em certas ocasiões ela gera emoções destrutivas.
Basta, por exemplo, se lembrar de um inimigo seu, e você fica com raiva! 
E, com tudo isto, perdemos a paz de espírito. A mente, gerada pelo espírito, acaba obstruindo a nossa via de acesso a paz natural, caraterística do próprio espírito. E assim, perdemos o controle de nós mesmos.
Mais ainda, existe um aspeto muito sutil do pensamento: é que a sua natureza própria é de tudo dividir. Mais particularmente o conceito de "EU", divide a nossa percepção em duas partes: Eu e o mundo, o espaço interior e o espaço exterior, você e os objetos e assim por diante.

Na realidade esta divisão é ilusória, pois a ciência nos ensina que tanto o ser humano como todos os objetos e mundo ao seu redor são constituídos de energia, e da mesma energia. Assim senso nada é separado neste nível de compreensão da verdadeira natureza das coisas.
Esta ilusão ou fantasia é que constitui a causa primordial de todos os nosso problemas. 
Pois por causa desta miragem da separação, nos apegamos a tudo que nos dá prazer, evitamos ou rejeitamos tudo que nos causa dor, e ficamos indiferentes ao que nos causa nem prazer nem dor. Isto se refere a coisas, pessoas ou mesmo idéias. 
Esta é a raiz da raiva, da possessividade e da indiferença. Por exemplo, porque estamos percebendo o mundo como exterior a nos, exploramos a natureza do nosso Planeta até não sobrar mais nada.
A possessividade dos madereiros, e o seu apego ao lucro sem fim, causam a devastação das florestas tropicais.
Mas pode-se observar o mesmo apego e suas conseqüências nefastas bem juntinho de nós mesmos, dentro de cada um. O exemplo mais clássico é o que acontece no início de um namoro. Ele e ela se encontram pela primeira vez; trocam carinho, acham gostoso e na hora de se despedir um pede ao outro o seu número de telefone ou ainda marcam encontro para o dia seguinte; neste momento é o sinal de que já apegaram um ao outro. Querem a continuidade do prazer. 

O apego irá então se manifestar sob várias formas; eles vão ficar ansiosos e com medo de não se encontrar, ou com ciúmes por ignorar si existe outro ou outra. Se um chegar muito atrasado no encontro o outro ficará com raiva ou, no mínimo, ressentido.
Se soubessem que não estão separados, mas originados e constituídos da mesma essência, o próprio apego cairia por si só, pois é a energia se apegando a ela mesma! Na espera do novo encontro cada um cuidaria das suas coisas e dos seus afazeres, sem expectativa nem medo, com abertura total a tudo que vier acontecer. Se cada um vier, será uma nova alegria; se um falhar, não vai haver decepção pois não se esperou nada.

Como então dissolver esta ilusão de separatividade, já que ela é a fonte última de todo sofrimento ?
As tradições multimilenares, tanto do oriente como do ocidente, nos dão uma resposta bastante clara a respeito. Elas aconselham o recolhimento no silêncio. Isto pode ser entendido como o silêncio de um mosteiro. Realmente, para alguns mais engajados isto é uma solução que leva mais rápido ao silêncio interior, desde que acompanhado de meditação precedida e ou ajudada pela oração conforme a orientação dada pela tradição espiritual de cada mosteiro. 
Mas não há necessidade de se refugiar num mosteiro ou numa gruta do Himalaia, para sair da ilusão da dualidade. Isto pode ser feito através da meditação diária, uma ou duas vez por dia, de manhã e ou de noite
Meditar consiste em ficar quieto, se recolher, se adentrar, e deixar passar os pensamentos e as emoções que aparecem na mente. Neste ato de tranqüilizar a mente, aparece a verdadeira natureza do Espirito em que inexiste separação, pois se vivência a indivisibilidade do espírito pessoal e do espírito do universo. O universo é autoconsciente; a nossa consciência percebida pela mente como individual é a Auto Consciência do Universo. Ela é representada no meio do círculo da Arte de Viver em Paz, mais abaixo deste texto.

Inexiste separação entre as duas consciências; elas são uma só, isto é absolutamente indivisíveis.
Existem muitos cursos de meditação à sua disposição. Faça uma escolha prudente e lúcida. Informe-se antes de tomar uma decisão junto de amigos ou conhecidos competentes, sobre a idoneidade e competência do professor ou instituição.
Mas se você tiver a felicidade de encontrar um verdadeiro mestre realizado e plenamente desperto, será a melhor solução. Enquanto isto não acontecer, siga uma formação de Ioga, ou de Tai Chi, ou ainda de Meditação Transcendental, além de tudo que já foi recomendado acima. 
Pois a verdadeira paz de espírito se encontra no espaço entre dois pensamentos, lá de onde saem e para onde voltam os pensamentos. É este espaço que a prática da Meditação lhe ajudará a descobrir de modo vivenciado.
Pierre Weil

6 de set. de 2013

Oração a Bezerra de Menezes

Nós Te rogamos, Pai de Infinita Bondade e Justiça, as graças de Jesus Cristo, através de Bezerra de Menezes e suas legiões de companheiros. 

Que eles nos assistam, Senhor, consolando os aflitos, curando aqueles que se tornem merecedores, confortando aqueles que tiverem suas provas e expiações a passar, esclarecendo aos que desejarem conhecer a verdade e assistindo a todos quanto apelam ao Teu infinito Amor.

Jesus, Divino portador da graça e da verdade, estende Tuas mãos dadivosas em socorro daqueles que Te reconhecem o despenseiro Fiel e Prudente; fazei-o, Divino Modelo, através de Tuas equipes consoladoras, de Teus espíritos servidores, a fim de que a Fé se eleve, a Esperança aumente, a Bondade se expanda e o amor triunfe sobre todas as coisas.

Bezerra de Menezes, Apóstolo do Bem e da Paz, amigo dos humildes e dos enfermos, movimenta as tuas falanges amigas em benefício daqueles que sofrem, sejam males físicos ou espirituais. 

Abnegados Espíritos, dignos obreiros do Senhor, derramai as curas sobre a humanidade sofredora, a fim de que as criaturas se tornem amigas da Paz e do Conhecimento, da Harmonia e do Perdão, semeando pelo mundo os divinos exemplos de Jesus Cristo, Assim seja.

4 de set. de 2013

Velho ranzinza


Quando um velho homem morreu numa enfermaria de geriatria de um lar de idosos numa cidade do interior da Austrália, pensava-se que ele não tinha mais nada de qualquer valor.

Mais tarde, quando as enfermeiras reuniram os seus parcos pertences, encontraram este poema. 

A sua qualidade e conteúdo impressionaram tanto a equipe, que fizeram cópias e distribuíram por cada uma das enfermeiras do hospital. 

Uma das enfermeiras levou uma cópia para Melbourne ... 

O único legado deste velho homem para a posteridade já apareceu nas edições de Natal de revistas em todo o país e figura nas revistas de Saúde Mental. Uma apresentação de slides também foi feita com base no seu simples mas eloquente poema. 

E esse velho homem, com nada para dar ao mundo, é agora o autor deste poema "anônimo" que circula por toda a "net".

VELHO RANZINZA...
O que vêem vocês enfermeiras?... O que vêem vocês?
O que pensam vocês quando estão a olhar para mim?
Um homem tonto,... não muito sábio,
Habitualmente incerto… de olhar distante?
Que se suja com a comida... e que não faz qualquer comentário,
Quando você diz em voz alta... “Eu gostaria que você tentasse!”
Parece que não percebe... as coisas que você faz.
E que está sempre a perder... uma meia ou um sapato?
Que, resistindo ou não... a deixa fazer o que quiser,
E apenas com um banho e a alimentação... para preencher um dia inteiro?
É nisso que está a pensar?... É isso o que você vê?
Então abra os olhos, enfermeira... você não está a olhar para mim.
Eu vou lhe dizer quem eu sou ... enquanto permaneço sossegado, aqui sentado
À medida que ajo ao seu comando,... e como à sua vontade.
Eu sou uma criancinha de dez anos... com um pai e uma mãe,
Irmãos e irmãs... que se amam.
Um jovem de dezesseis... com asas nos pés,
Sonhando que muito em breve... uma namorada, ele vai encontrar.
Aos vinte, rapidamente, um noivo... o meu coração dá um salto
Lembrando os votos... que eu prometi respeitar.
Agora aos vinte e cinco... tenho os meus filhos,
Que precisam de mim para os guiar... e um lar seguro e feliz.
Um homem de trinta... os meus filhos estão a crescer rapidamente,
Ligados um ao outro... com os laços que devem durar.
Aos quarenta, os meus jovens filhos... cresceram e partiram,
Mas a minha mulher está ao meu lado... para ver que eu não me lamento.
Aos cinquenta anos, mais uma vez,... bebês brincam sobre os meus joelhos,
Conhecemos de novo, crianças... a minha amada e eu.
Dias sombrios caem sobre mim... a minha mulher agora está morta.
Eu olho para o futuro... e eu tremo de pavor.
Porque os meus filhos estão todos criando... os seus próprios filhos.
E eu penso naqueles anos... e no amor que eu conheci.
Agora eu sou um velho homem... e a natureza é cruel.
É um gracejo fazer a velhice... parecer uma tolice.
O corpo desintegra-se... a graça e o vigor desaparecem.
Existe agora uma pedra... onde um dia, eu tive um coração.
Mas dentro desta velha carcaça... ainda habita um homem novo.
E volta e meia... o meu coração maltratado incha.
Eu lembro-me das alegrias... eu lembro-me do sofrimento.
E eu estou a amar e a viver... a vida de novo.
Eu penso nos anos, todos muito curtos... que desapareceram num instante.
E aceito o facto gritante... de que nada dura.
Por isso, abram os olhos, gente... abram e vejam.
Não um velho tonto.
Olhem bem e... vejam ..EU!

Keith A. Wells Sr.

Lembrem-se deste poema, da próxima vez que se cruzarem com uma pessoa idosa, a qual poderão ignorar, sem ver a alma jovem dentro dela ... 

Um dia, vamos todos, ser idosos, também! 

"As coisas melhores e mais bonitas deste mundo não podem ser vistas ou tocadas. Elas devem ser sentidas pelo coração!"

3 de set. de 2013

Dor e lamentação

Se a dor te visita o coração,improvisando tempestades de lagrimas em teu campo interior, não te confies ao incêndio do desespero, nem ao gelo da lamentação.
Chico Xavier (Emmanuel)

Em silêncio

Kyle Brock
Se sabes, atende ao que ignora, sem ofuscá-lo com a tua luz.
Se tens, ajuda ao necessitado, sem molestá-lo com tua posse.
Se amas, não firas o objeto amado com exigências.
Se pretendes curar, não humilhes o doente.
Se queres melhorar os outros, não maldigues ninguém.
Se ensinas a caridade, não te trajes de espinhos, para que teu contacto não dilacere os que sofrem.
Tem cuidado na tarefa que o Senhor te confiou.
É muito fácil servir à vista. Todos querem fazê-lo, procurando o apreço dos homens.
Difícil, porém, é servir às ocultas, sem o ilusório manto da vaidade.
É por isto que, em todos os tempos, quase todo o trabalho das criaturas é dispersivo e enganoso. Em geral, cuida-se de obter a qualquer preço as gratificações e as honras humanas.
Tu, porém, meu amigo, aprende que o servidor sincero do Cristo fala pouco e constrói, cada vez mais, com o Senhor, no divino silêncio do espírito...
Vai e serve.
Não te dêem cuidado as fantasias que confundem os olhos da carne e nem te consagres aos ruídos da boca.
Faze o bem, em silêncio.

Foge às referências pessoais e aprendamos a cumprir, de coração, a vontade de Deus.
Chico Xavier

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