30 de out. de 2013

A solidariedade pode melhorar o mundo

Pelo que eu saiba, foi um economista, o professor Guy Standing, que cunhou (e acertou em cheio!) o termo precariat. Ele o fez para substituir ao mesmo tempo os termos proletariado e classe média, que já haviam atingido amplamente a data de validade e haviam se tornado "termos zumbis", como certamente teriam sido definidos por Ulrich Beck.

Como sugere o blogueiro que se esconde atrás do pseudônimo Ageing Baby Boomer (isto é, um filho do baby boomcom muitos anos de idade), "é o mercado que define as nossas escolhas e nos isola, impedindo que qualquer um ponha em discussão o modo em que essas escolhas são definidas. Quem faz a escolha errada será punido. Mas o que torna o mercado tão cruel é o fato de que ele não se dá conta minimamente de que certas pessoas estão muito melhor equipadas do que outras a escolher bem, porque possuem o capital social, o saber ou os recursos financeiros".

O que "unifica" o precariado, o que mantém unido esse conjunto extremamente diversificado, tornando-o uma categoria coesa, é a sua condição de máxima fragmentação, pulverização, atomização. Todo os precários sofrem, independentemente da sua proveniência ou pertencimento, e cada um sofre sozinho. Mas todos esses sofrimentos suportados individualmente mostram uma surpreendente semelhança entre si. Reduzem-se a uma única coisa: a pura e simples incerteza existencial, uma assustadora mistura de ignorância e de impotência que é fonte inexaurível de humilhação.

Contudo, esses sofrimentos não se somam, ao contrário, se dividem e separam aqueles que os sofrem, negando-lhes o conforto de um destino comum, e fazem parecer risíveis os apelos à solidariedade.

Essa condição, muito visível embora se tente dissimulá-la com todos os meios, testemunha que as autoridades – que têm o poder de conceder ou negar direitos – recusaram-lhes os direitos reconhecidos a outros seres humanos, "normais" e, portanto, respeitáveis. Desse modo, ela testemunha, indiretamente, a humilhação e o desprezo de si que são uma consequência inevitável do aval, por parte da sociedade, da indignidade e da ignomínia que atinge algumas pessoas.

A política emergente – a desejada alternativa a mecanismos políticos já desacreditados – tende a ser horizontal e lateral, ao invés de vertical e hierárquico. Para mim, ela lembra um enxame: como enxames de insetos, alianças e reagrupamentos são criações efêmeras, fáceis de unir, mas difíceis de manter unidas pelo tempo necessário para "se institucionalizarem", isto é, para construírem estruturas duráveis. Elas podem se virar sem quartéis generais, burocracia, líderes, supervisores ou chefes. Unificam-se e se dispersam quase espontaneamente e com a mesma facilidade. Cada momento da sua vida é intensamente apaixonado, mas notoriamente as paixões intensas desaparecem rapidamente. Não se pode erigir uma sociedade alternativa sobre a paixão unicamente: a ilusão da sua viabilidade consome grande parte das energias que se exigiria para construí-la.

Se as revoluções não são produtos da desigualdade social, os campos minados sim. Os campos minados são áreas disseminadas de explosivos espalhados ao acaso: pode-se ter a certeza de que, uma vez ou outra, algum deles irá explodir, mas qual e quando não se pode determinar com algum grau de certeza. Como as revoluções sociais são eventos com um propósito e com um objetivo, é possível fazer algo para localizá-las e frustrá-las a tempo, enquanto isso não vale para as explosões dos campos minados.

Quando o campo minado foi predisposto por soldados de um exército, pode-se enviar outros soldados, pertencentes a um outro exército, para extrair as minas e desarmá-las: "O soldado antibombas erra uma só vez". Mas esse remédio, embora insidioso, não está disponível no caso dos campos minados predispostos pela desigualdade social: quem deve semear as minas e depois extraí-las é o mesmo exército, que não pode deixar de adicionar novos dispositivos aos velhos, nem evitar colocar o pé em cima mais e mais vezes. Semear minas e cair vítimas das suas explosões são uma mesma coisa.

Todas as variedades de desigualdade social brotam da divisão entre ricos e pobres, como Miguel de Cervantes Saavedra já observava há meio milênio. No entanto, em épocas diversas, possuir ou não possuir objetos diversos são, respectivamente, a condição mais apaixonadamente desejada e a mais apaixonadamente sofrida.

Dois séculos atrás, na Europa, ainda há poucas décadas em alguns lugares distantes da Europa, e ainda hoje em alguns campos de batalha de guerras tribais ou parques de diversões das ditaduras, o objetivo principal que opunha em conflito ricos e pobres era pão ou o arroz. Graças a Deus, à ciência, à tecnologia e a certos expedientes políticos razoáveis, não é mais assim.

Mas isso não significa que a velha divisão esteja morta e sepultada: ao contrário... Hoje em dia, os objetos do desejo cuja ausência é mais agudamente sentida são muitos e variados, e o seu número aumenta dia após dia, assim como as tentações para obtê-los.

E assim crescem a ira, a humilhação, o rancor e o ressentimento suscitados por não tê-los. E com eles o desejo de destruir o que você não pode ter. Saquear as lojas e dar-lhes chamas são gestos que podem derivar do mesmo impulso e gratificar o mesmo desejo.

Hoje, os europeus são 333 milhões, mas dentro de 40 anos, na atual taxa média de natalidade (já em queda em todo o continente), cairão para 242 milhões. Para preencher a lacuna serão necessários ao menos 30 milhões de novos desembarques, senão a nossa economia europeia sofrerá um colapso, e com ela o padrão de vida que prezamos tanto. Mas como podemos integrar comunidades diferentes?

Em um pequeno mas interessante estudo, Richard Sennett sugere que "uma colaboração informal e sem limites prefixados é a melhor maneira de fazer a experiência da diferença". Nessa frase, cada palavra é decisiva. "Informalidade" significa que não há regras de comunicação pré-estabelecidas: tem-se a confiança de que se autodesenvolvam na medida em que aumenta o alcance, a profundidade e a significância da comunicação: "Os contatos entre pessoas dotadas de competências ou de interesses diferentes são ricos quando são desordenados, e fracos são regulamentados".

"Sem limites prefixados" significa, além disso, que o resultado deveria seguir uma comunicação presumivelmente prolongada, ao invés de ser pré-estabelecido de modo unilateral: "Deseja-se descobrir a outra pessoa sem saber onde isso o levará. Em outros termos, deseja-se evitar a férrea norma da utilidade que estabelece um propósito – um produto, um objetivo político – fixado antecipadamente".

E, por fim, "colaboração": "Supõe-se que as várias partes ganhem todas com a troca, e não que uma só ganhe às custas das outras". Eu acrescentaria: é preciso aceitar que, nesse jogo particular, tanto ganhar quanto perder só são concebíveis juntos. Ou todos ganhamos ou todos perdemos. Tertium non datur.

Sennett resume a sua sugestão como segue: "Os escritórios e as ruas se tornam desumanos quando dominam a rigidez, a utilidade e a competição. Tornam-se humanos quando promovem interações informais, sem limites prefixados, colaborativas".

Eu penso que todos nós, que somos chamados e desejamos ensinar, poderíamos e deveríamos aprender a nossa estratégia com esse triplo preceito, lacônico mas abrangente, expresso por Richard Sennett. Aprender nós mesmos a pô-la em ato, mas também – e isto é o mais importante – transmiti-la àqueles que são chamados e desejam aprender conosco.
Zygmunt Bauman traduzido por Moisés Sbardelotto

29 de out. de 2013

O que é a timidez?

O rubor na face - também chamado de "vermelhidão no rosto" ou de "rosto vermelho" -, é um importante sinal de timidez ou fobia social. 

Ele pode estar associado ou não ao rubor das orelhas e do pescoço. 

Seu aparecimento é acompanhado de um sintoma que se caracteriza por sensação súbita de calor na região afetada, sendo um sinal que ganha ainda mais destaque conforme mais clara for a pele da pessoa.

Há duas categorias de causas: psicológicas e fisiológicas. As psicológicas são as próprias causas da timidez ou da fobia social, ou de qualquer outro transtorno psicológico. Em geral, esse sinal aparece quando a pessoa se julga criticada ou avaliada negativamente pelos outros, conhecidos ou não, ainda que o julgamento desfavorável seja apenas imaginado. Pode ocorrer até mesmo em situação de convívio com amigos ou familiares.

Já as causas fisiológicas dizem respeito ao que ocorre na região - rosto e/ou orelhas e/ou pescoço -: uma vasodilatação súbita e intensa aumenta o aporte de sangue para a área sem que haja uma demanda natural para isso. A razão de ocorrer particularmente nessas regiões, reside no fato de que nelas a pele apresenta uma vascularização aumentada em relação à pele da maior parte do organismo. Essas áreas - assim como a planta dos pés, a palma das mãos e os lábios, por serem partes muitos expostas ao frio - são dotadas de maior vascularização.

A timidez pode ser definida como o desconforto e a inibição em situações de interação pessoal, que interferem na realização dos objetivos particulares e profissionais de quem a sofre. Caracteriza-se pela obsessiva preocupação com as atitudes, reações e pensamentos dos outros. A timidez aflora geralmente (mas não exclusivamente) em situações de confronto com a autoridade, interação com pessoas do sexo oposto, contato com estranhos e à fala diante de grupos. A timidez é um padrão de comportamento em que a pessoa não exprime - ou exprime pouco - seus pensamentos e sentimentos, e não interage ativamente. Embora não comprometa de forma significativa a realização pessoal, constitui-se em fator de empobrecimento da qualidade de vida.

Sob esse ponto de vista, a timidez não pode ser considerada um transtorno mental. Aliás, quando em grau moderado, todos os seres humanos são, em algum momento de suas vidas, afetados pela timidez, que funciona como uma espécie de regulador social e inibidor dos excessos condenados pela sociedade.
Ela funciona ainda como um mecanismo de defesa que permite à pessoa avaliar situações novas por meio de uma atitude de cautela e buscar a resposta adequada para a situação.

Dois são os tipos de timidez:


*Timidez situacional*

- A inibição se manifesta em ocasiões específicas e,portanto, o prejuízo é localizado. Por exemplo, a pessoa interage bem com a autoridade e pessoas do sexo oposto, mas sente vergonha de falar em público;

*Timidez crônica*

- A inibição se manifesta em todas as formas de convívio social. A pessoa não consegue fazer amigos e falar com estranhos, intimida-se diante da autoridade e tem medo de falar em público, entre outros fatores.

Philip Zimbardo, da Universidade de Stanford, nos EUA, se refere ainda à outra espécie de tímido: aquele que não teme o relacionamento social, mas simplesmente prefere estar só, sentindo-se mais confortável com suas idéias e com seus objetos inanimados do que com outras pessoas.

Esta seria a pessoa comumente chamada de introvertida, que tem muitos pontos em comum com o tímido e se torna vulnerável a transtornos de ansiedade.

*Evolução da timidez*

Adultos tímidos foram crianças tímidas ou adolescentes tímidos. Já adolescentes tímidos não foram necessariamente crianças tímidas. No entanto, ter um temperamento tímido na infância ou na adolescência não torna inevitável que alguém seja assim por toda a vida.

1. Infância

Algumas crianças nascem com predisposição a serem tímidas, assim como outras têm predisposição para se tornarem hiperativas ou calmas. Mas se uma criança com tal predisposição genética encontrar um ambiente propício para a timidez se desenvolver, isso certamente ocorrerá. Não há, contudo, unanimidade entre os estudiosos sobre quais são as causas da timidez na infância, variando as opiniões de acordo com a corrente doutrinária adotada por cada profissional. Há quem aponte o papel dos pais como decisivo nesse processo, e a timidez certamente se desenvolverá se um ou ambos os pais:

- Forem eles próprios tímidos, pois a percepção depreciada de si mesmo é transferida para o filho;

- Forem muito agressivos, com o filho passando a perceber os outros como potencialmente hostis;

- Submeterem o filho a constantes críticas ou humilhações silenciosas ou públicas, comprometendo assim a auto-estima da criança;

- Criarem problemas familiares que causem vergonha, como o pai beber outer uma vida desregrada, levando a criança ou o jovem a carregar essa vergonha como parte de sua vida. O mesmo problema ocorre com a separação dos pais;

- Tiverem um comportamento frio, já que pais que não exprimem seus sentimentos não ajudam os filhos a desenvolver a percepção de confiança em si próprios. Em suma, a timidez deve ser vista como um traço do temperamento com tudo oque ele implica. Isto é, algo estável presumivelmente herdado, que aparececedo na vida de uma criança e que, provavelmente, determina o posterior desenvolvimento da personalidade, da emotividade e da conduta social.

Mas apesar do peso da hereditariedade, esse traço do temperamento poderá ser atenuado ou reforçado pela conduta dos pais e pelas experiências vividas pela criança na infância.

2. Adolescência

A timidez é mais comum na adolescência e independe do adolescente ter sido tímido na infância. O quadro na adolescência - principalmente nos primeiros anos - pode se mostrar sério, mesmo quando na infância se apresentou leve ou quase imperceptível. O rápido crescimento por que passam os adolescentes pode fazer com que ele crie uma auto-imagem desfavorável de seu corpo, do todo ou de parte dele, mesmo que essa imagem distorcida não corresponda à realidade.

Numa fase da vida em que a aceitação pelo grupo é essencial, essa distorção do corpo gera no jovem a insegurança de não ser bem visto pelos outros e favorece o reforço da timidez. Esse estado de insegurança se alterna, por vezes, com um estado de euforia, quando o jovem faz alguma coisa para mudar a parte do corpo que lhe causa desconforto, como mudar o corte de cabelo ou fazer regime para emagrecer. Esse estado de euforia, no entanto, não costuma durar muito, e logo a insegurança e a timidez se reinstalam. Esse quadro, porém, não costuma perdurar quando o jovem entra na idade adulta, por volta dos vinte anos. A persistir, no entanto, tem tudo para se transformar num quadro realmente grave de transtorno mental.

Evaristo de Carvalho - Psicólogo

25 de out. de 2013

10 lições para evitar traição

1- Nunca deixe uma 'mulher moderna' insegura.
Antigamente elas choravam. Hoje elas simplesmente traem, sem dó nem piedade. 

2- Não ache que ela tem poderes 'adivinhatórios'. Ela tem de saber da sua boca o quanto você gosta dela. Qualquer dúvida neste sentido poderá levar às conseqüências expostas acima. 

3- Não ache que é normal sair com os amigos (seja pra beber, pra jogar futebol) mais do que duas vezes por semana, três vezes então, coitado de você. As 'mulheres modernas' dificilmente andam implicando com isso, entretanto, elas são categoricamente 'cheias de amor pra dar' e precisam da 'presença masculina'. Se não for a sua meu amigo... Bem... 

4- Quando disser que vai ligar, ligue, senão o risco dela ligar pra aquele ex ou um que está insistindo para entrar na fila, é grandessíssimo.

5- Satisfaça-a sexualmente. Mas não finja satisfazê-la. As 'mulheres modernas' têm um pique absurdo em relação ao sexo e, principalmente dos 25 aos 55 anos, elas pensam, e querem fazer sexo todos os dias (pasmem, mas a pura verdade). Bom, nem precisa dizer que se não for com você.

6- Dê-lhe atenção. Mas principalmente faça com que ela perceba isso. Garanhões mau (ou bem) intencionados sempre existem, e estes quando querem são peritos em levar uma mulher às nuvens. Então, leve-a você, afinal, ela é sua ou não é?


7- Nem pense em provocar 'ciuminhos' vãos. Como pude constatar, mulher insegura é uma máquina colocadora de chifres.

8-Sabe aquele bonitão que você sabe que sairia com a sua mulher a qualquer hora? Bem... de repente a recíproca também pode ser verdadeira. Basta ela, só por um segundo, achar que você merece... Quando você reparar... já foi. 


9- Tente estar menos 'cansado'. A 'mulher moderna' também trabalhou o dia inteiro e, provavelmente, ainda tem fôlego para seu prazer. 

10- Volte a fazer coisas do começo da relação
Se quando começaram a sair viviam se cruzando em 'baladas', 'se pegando' em lugares inusitados, trocavam e-mails ou telefonemas picantes, a chance dela gostar disso é muito grande, e a de sentir falta disso então é imensa. A 'mulher moderna' não pode sentir falta dessas coisas... senão... 


Proteja-a, ame-a, e principalmente, faça-a saber disso. Ela vai pensar milhões de vezes antes de dar bola pra aquele 'bonitão' que vive enchendo-a de olhares e vai continuar, sem dúvidas, olhando só pra você!

"Quem não se dedica, se complica." Como diz uma amiga: "Mulher não trai, apenas se vinga!"

Não sei se as coisas funcionam exatamente assim mas é sempre bom estarmos atentos.
Como diz a letra do Peninha “quando a gente gosta, é claro que a gente cuida”


Se você enquadrou-se no mínimo em 3 artigos acima é bom preocupar-se. Comece hoje mesmo a reverter a situação. Leve flores, bombons, recite uma poesia do Neruda, compre um bom vinho. Elas gostam de se dizerem "moderninhas" mas derretem-se como nos tempos da vovó. É infalível.

Economizando os centavos

Esta é mais uma daquelas maravilhas que circulam na Internet. 
Vale a pena ler e refletir sobre o assunto. 

Reproduzimos na íntegra:

“Prezado Max, meu nome é Sérgio, tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada:
Quando era jovem as pessoas diziam para escutar os mais velhos, que eram mais sábios.
Agora dizem que tenho que escutar os jovens, porque são mais inteligentes.
Na semana passada li numa revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico.
E eu aprendi muita coisa… Aprendi, por exemplo, que se eu tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos 40 anos, eu teria economizado R$ 30.000,00. Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, teria economizado R$ 12.000,00 e assim por diante.
Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas, então descobri, para minha surpresa, que hoje eu poderia estar milionário.
Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei e, principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje eu poderia ter quase R$ 500.000,00 na conta bancária.
É claro que eu não tenho este dinheiro.
Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade.
Por isso acho que me sinto absolutamente feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer, porque hoje, aos 61 anos, não tenho mais o mesmo pique de jovem, nem a mesma saúde. Portanto, viajar, comer pizzas e cafés, não faz bem na minha idade e roupas, hoje, não vão melhorar muito o meu visual!
Recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que eu fiz.
Caso contrário, chegarão aos 61 anos com um monte de dinheiro em suas contas bancárias, mas sem ter vivido a vida”.
“Não eduque o seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas, não o seu preço.”

22 de out. de 2013

Despedida

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.

Cecília Meireles

Obrigado, Pe. Guido, por tudo.
Singela homenagem de um amigo

21 de out. de 2013

Chamados da vida

A cada chamado da vida o coração
deve estar pronto para a despedida e para
novo começo, com ânimo e sem lamúrias,
aberto sempre para novos compromissos.
Dentro de cada começar mora um encanto
que nos dá forças e nos ajuda a viver.
Herman Hesse

A filosofia da formiga

Eu aprendi com Jim Rohn, um dos maiores filósofos americanos da atualidade, este singelo porém poderoso conceito. A filosofia da formiga. 

Eu passei a admirar as formigas e acho que todos nós deveríamos observar um pouco mais como elas se comportam em seu dia a dia. As formigas têm uma incrível filosofia dividida em quatro partes:

Primeira parte
Formigas nunca desistem
Essa é uma incrível forma de encarar a vida. Sempre que uma formiga tem um objetivo, veja como ela procede. Se você colocar um obstáculo à sua frente ela irá subir pelo obstáculo, irá dar a volta, irá passar por baixo, irá buscar todas as alternativas, se for preciso ela contornará o aposento inteiro para ultrapassar o obstáculo, mas não voltará atrás. Que filosofia fabulosa essa de nunca desistir de buscar a maneira de chegar até onde se propôs, para atingir o seu objetivo.

Segunda parte
Formigas pensam "inverno" durante todo o verão
Essa é outra perspectiva importante para se olhar a vida. Eu não estou dizendo que devemos ficar preocupados com o futuro, com tempos ruins que poderão vir, nada disso. Apenas que nós não podemos ser tão ingênuos de achar que o verão vai durar para sempre. Assim, as formigas trabalham, colhem e guardam durante o verão, para ter o suprimento quando o inverno chegar. Pense além do verão, pois com certeza uma hora ele acaba.

A terceira parte da filosofia da formiga é justamente para amenizar a segunda.
Formigas pensam "verão" durante todo o inverno
E como isso também é importante. Durante o inverno as formigas lembram para elas mesmas que "esse frio, chuva e céu escuro não irá durar para sempre; logo nós estaremos fora na grama verde novamente". E no primeiro dia de calor elas já aparecem em todos os lugares. Se entrar uma frente fria nos primeiros dias da primavera elas se recolhem mais um pouco, mas sabem que uma hora o inverno acaba. Não irá durar para sempre.

Quarta parte
E agora a última parte da filosofia da formiga: quanto uma formiga deverá juntar durante o verão para passar o inverno? A resposta é tudo que ela puder. Que filosofia incrível essa de "tudo quanto eu puder fazer enquanto posso fazer". Ela nos remete a um outro conceito que está inerente aos resultados na vida. Ação positiva, Uau !! Que seminário ou palestra fabulosa isso daria. O Seminário da formiga, nunca desista, pense à frente, mantenha-se positivo, junte o que puder. Que auto-estima elevada e que motivação positiva terão os que praticarem a filosofia da formiga.
Wilson Meiler

20 de out. de 2013

Uma nova fronteira no combate à depressão

Medicamento melhora sintomas de pacientes graves que até agora se mostravam resistentes aos antidepressivos conhecidos e marca o início de uma grande mudança na luta contra a doença

Uma em cada cinco pessoas que você conhece experimentará algum grau de depressão ao longo da vida. 

Desse contingente, pelo menos 20% serão resistentes aos tratamentos convencionais e precisarão associar diversos recursos da medicina, como outros remédios, a estimulação magnética transcraniana, a eletroconvulsoterapia (choques) e a terapia cognitivo-comportamental, para conseguir alguma melhora dos sintomas. 

Na semana passada, esse grupo recebeu uma excelente notícia. 

No maior trabalho feito até agora com a lanicemina, substância que atua por canais inexplorados pelos antidepressivos existentes, os pesquisadores conseguiram aliviar com sucesso os sintomas de pacientes com depressão severa e difícil de tratar. E o que é melhor: sem as reações adversas intensas observadas em drogas do mesmo gênero testadas anteriormente. O trabalho foi publicado pela revista “Molecular Psychiatry”, do grupo Nature, e está sendo elogiado pela comunidade científica. 

“Essa nova substância representa o início de uma nova era no tratamento do transtorno depressivo”, pontua o psiquiatra Ricardo Alberto Moreno, coordenador do Programa de Doenças Afetivas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, a maioria dos antidepressivos disponíveis age sobre os neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina, associados com a regulação do humor, da percepção e das emoções. Ao elevar sua disponibilidade no organismo, os remédios promovem uma série de eventos dentro das células nervosas que levam à melhora dos sintomas físicos, psicológicos e comportamentais da depressão.

O alvo da lanicemina é o glutamato, neurotransmissor que atua na comunicação entre as células nervosas por caminhos diferentes daqueles utilizados pela serotonina, por exemplo. As investigações sobre as origens da doença, cujas causas e mecanismos não estão completamente elucidados, indicam que o glutamato e seus receptores (as fechaduras químicas por onde penetra nas células) podem ser peças-chave na solução de casos refratários e para acelerar as respostas dos pacientes. Presente em excesso, o neurotransmissor deflagra uma ação tóxica capaz de interditar a comunicação entre as células neuronais.

A aposta dos pesquisadores é bloquear as vias acionadas pela quantidade exagerada de glutamato e, desse modo, impedir seus efeitos. A lanicemina atua exatamente aí, inibindo um grupo de receptores chamados NMDA. Outras seis substâncias com impacto sobre o glutamato estão em estudo. 

Antes, porém, que a lanicemina possa ser indicada pelos médicos, muitos desafios precisam ser solucionados. “Parece que ela leva duas semanas para atingir seu ponto máximo de ação. Precisamos de medicamentos com impacto mais rápido, em horas ou dias, como a cetamina”, diz o o psiquiatra Moreno.

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A cetamina (também grafada como ketamina e quetamina) é um potente anestésico usado em pequenas cirurgias que, em doses menores, também age sobre receptores do glutamato e produz efeitos poderosos em pacientes graves num período que pode ser de 110 minutos após a injeção do remédio. Um dos seus problemas, porém, é que pode produzir complexas reações adversas assim que é ministrada, como alterações de percepção que levam à perda da noção de formas e sons, do espaço e da realidade. Além disso, sua atividade no organismo não se sustenta por mais de duas semanas.

“A vantagem da lanicemina é não produzir esses efeitos intensos sobre a percepção nem alterações de pressão arterial”, disse à Istoé Gerard Sanacora, diretor do programa de pesquisa em depressão da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo sobre o medicamento. A desvantagem é que a lanicemina demora como os remédios tradicionais para agir em vez de mostrar benefícios rápidos como a cetamina. No entanto, ela mostrou eficiência em bem menos tempo em um estudo inicial com 34 pacientes que nunca haviam tomado outros remédios. Isso está levando os pesquisadores a especular que a demora pode estar relacionada ao uso prévio de outras drogas. 

A próxima etapa da pesquisa será replicar as descobertas em centros de pesquisa espalhados pelo mundo. “Isso pode levar entre cinco e dez anos”, esclarece o cientista Júlio Licínio, editor da publicação que divulgou o estudo e membro do South Australian Health and Medical Research Institute, na Austrália. 
Calebe Simões

Luto e Melancolia

É da teoria da bílis negra que se cunha o termo melancolia. Este é derivado do grego melas (negro) e kholé (bile) que corresponde à transliteração latinamelaina-kole. 

Antigamente, predominava a teoria hipocrática que dividia a humanidade em quatro humores (líquidos corporais): o melancólico (bílis negra), o colérico (bílis amarela), o sanguíneo (sangue) e o fleumático (água). A melancolia decorreria de um excesso da bílis negra circulando pelo corpo e causando sentimentos negativos (apatia, tristeza, autopunição).

A melancolia é atualmente definida como um estado psíquico de depressão sem causa específica, caracterizada pela falta de prazer nas atividades diárias e desânimo como reação a um estimulo agradável que em geral causaria prazer.

Sigmund Freud, em seus estudos sobre o superego, se deparou com essa forma de depressão conhecida por melancolia que, segundo ele, diferia do luto em apenas um ponto: não havia necessariamente uma perda para tais indivíduos manifestarem tristeza, senão uma perda narcisista.

Em seu famoso texto sobre a depressão, intitulado Luto e Melancolia, Freud investiga a melancolia, um estado patológico, a partir do paradigma do luto, um estado normal:

O luto afasta a pessoa de suas atitudes normais para com a vida, mas sabemos que este afastamento não é patológico, normalmente é superado após certo tempo e é inútil e prejudicial qualquer interferência em relação a ele. Os traços mentais distintivos da melancolia são um desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade, e uma diminuição dos sentimentos de auto-estima a ponto de encontrar expressão em auto-recriminação e auto-envilecimento, culminando numa expectativa delirante de punição. 

A perturbação da auto-estima normalmente esta ausente no luto, fora isto as características são as mesmas.[...]Isso sugeriria que a melancolia está de alguma forma relacionada a uma perda objetal retirada da consciência, em contraposição ao luto, no qual nada existe de inconsciente a respeito da perda. [...] O melancólico exibe ainda outra coisa que está ausente no luto — uma diminuição extraordinária de sua auto-estima, um empobrecimento de seu ego em grande escala. No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego. [...] Quando, o melancólico em sua exacerbada autocrítica, ele se descreve como mesquinho, egoísta, desonesto, carente de independência, alguém cujo único objetivo tem sido ocultar as fraquezas de sua própria natureza, pode ser, até onde sabemos, que tenha chegado bem perto de se compreender a si mesmo; ficamos imaginando, tão-somente, por que um homem precisa adoecer para ter acesso a uma verdade dessa espécie. Luto e Melancolia - Sigmund Freud (1915).

Curiosidade: Fora atribuído a Aristóteles (384-322 a.C.), o primeiro tratado sobre a melancolia, o qual prevaleceu por toda a antiguidade. No tratado, Aristóteles fala-nos da relação entre a genialidade e a loucura, em que a melancolia passa a ser vista como uma condição de genialidade, concepção que muitos defendem até os dias atuais. 

Aqui, a melancolia não é vista como doença, mas como natureza dos filósofos e poetas, sendo que muitos homens ilustres – como Sócrates e Platão, possuíam uma visão romântica da melancolia, atrelada à ideia de que “o homem triste é também o homem profundo”. Por conta da repercussão que a obra de Aristóteles teve, tanto em sua época quanto posteriormente, a melancolia durante muito tempo foi considerada como uma condição bem-vinda, uma experiência que enriquecia a alma.
Renata Calheiros Viana

18 de out. de 2013

Reflexões (2)

A sua irritação não solucionará problema algum...
As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas...
Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar.
O seu mau humor não modifica a vida...
A sua dor não impedirá que o sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus...
A sua tristeza não iluminará os caminhos...
O seu desânimo não edificará ninguém...
As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade...
As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você...
Não estrague o seu dia.
Aprenda a sabedoria divina,
A desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre...
Para o infinito bem!
Chico Xavier

Reflexões (1)

Quando você conseguir superar graves problemas de relacionamentos, não se detenha na lembrança dos momentos difíceis, mas na alegria de haver atravessado mais essa prova em sua vida.


Quando sair de um longo tratamento de saúde, não pense no sofrimento que foi necessário enfrentar, mas na bênção de Deus que permitiu a cura.
Leve na sua memória, para o resto da vida, as coisas boas que surgiram nas dificuldades.

Elas serão uma prova de sua capacidade, e lhe darão confiança diante de qualquer obstáculo.

Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego.
Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição.
Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver.
Uns queriam pais mais esclarecidos; outros, ter pais.
Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar.
Uns queriam ter voz bonita; outros, falar.
Uns queriam silêncio; outros, ouvir.
Uns queriam sapato novo; outros, ter pés.
Uns queriam um carro; outros, andar.
Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.
Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior.

A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe e a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.
Tenha a sabedoria superior.

Seja um eterno aprendiz na escola da vida.

A sabedoria superior tolera; a inferior, julga; a superior, alivia; a inferior, culpa; a superior, perdoa; a inferior, condena.

Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!

"Uma mágoa não é motivo pra outra mágoa. Uma lágrima não é motivo pra outra lágrima. Uma dor não é motivo pra outra dor. Só o riso, o amor e o prazer merecem revanche. O resto, mais que perda de tempo... é perda de vida."
Atribuído ao Chico Xavier

17 de out. de 2013

Sol e chuva

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Oswald de Andrade

Chuva

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego…

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece…

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente…

Fernando Pessoa

15 de out. de 2013

É, eu gosto muito de ti

Olha, fique em silêncio. 
Eu gosto do teu silêncio. Mas também gosto de tuas palavras - acredite. 
Mas não vim aqui para te falar de ruídos - ou não - , estou aqui para te falar de céu, mar, estrelas e tapioca - como naquele dia, lembra? 
Ontem por incrível que pareça todos os lugares que pisei eu te procurei. 
Teus rastros ficaram por lá. 
O balançar de teus cabelos e esse teu jeito meio atacado de ser. 
Fiquei feliz em poder sentir tua falta, - a falta mostra o quão necessitamos de algo/alguém.
É assim o nosso ciclo. 
Eu te preciso. Perto, longe, tanto faz. 
Preciso saber que tu está bem, se respira, se comeu ou tomou banho - com o calor que está fazendo neste verão, tome pelo menos uns três ao dia, e pense em mim, estou com calor também. 
Me faz bem pensar nessas atividades corriqueiras, que supostamente você está fazendo. 
Ah, e eu estou te esperando, com meu vestido curto, óculos escuros grandes e meu coração pulsando forte, e te abraçar até sentir o mundo girar apenas para nós. 
É, eu gosto muito de ti. '
Caio Fernando de Abreu

Reinventar-se sempre

Sergio Albiac
Podemos acreditar que tudo que a vida nos oferecerá no futuro é repetir o que fizemos ontem e hoje. Mas, se prestarmos atenção, vamos nos dar conta de que nenhum dia é igual a outro. 

Cada manhã traz uma benção escondida; uma benção que só serve para esse dia e que não se pode guardar nem desaproveitar.

Se não usamos este milagre hoje, ele vai se perder.

Este milagre está nos detalhes do cotidiano; é preciso viver cada minuto porque ali encontramos a saída de nossas confusões, a alegria de nossos bons momentos, a pista correta para a decisão que tomaremos.

Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior porque todos os dias são diferentes, porque estamos em constante processo de mudança.
Paulo Coelho


Lamento por Eike

Não conheço Eike Batista. Nunca fomos apresentados, jamais o vi pessoalmente. Também não entendo de negócios. 

Leio e releio a história de sua ascensão e a exaustiva análise de seus erros, que levaram à queda de seu império econômico. Não conheço a Bolsa, ou esse mundo de projetos de infraestrutura, mineração, portanto compreendo apenas em certa medida.

Mas tenho a maior simpatia por Eike. Estou contra a maré, mas minha vida é assim. Nasci do contra. Agora, o inteligente é falar mal dele. Apontar, com frases inteligentes, os motivos de sua despencada. Dizer que pega mal para a imagem do país. Malhar Eike pega bem, porque, se há algo que o ser humano aprecia, é assistir à derrocada alheia.

Eike, porém, tem uma cabeça rara, raríssima, no meio empresarial brasileiro. Pensa grandioso. Durante seu auge, entrou num projeto para despoluir a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Ofereceu dinheiro próprio. Na reconstrução do Hotel Glória, quis também recuperar a marina e, pelo que sei, pretendia revitalizar todo o bairro do Flamengo, com mais hotéis, uma passarela Subterrânea, passeios de barco. Lucraria com isso? Sim. Mas o Rio ficaria mais bonito que já é. A maioria esmagadora dos empresários brasileiros pensa apenas em seu próprio negócio.

Foram-se os tempos de Assis Chateaubriand, que construiu o Masp, em São Paulo, à base de doações, praticamente extorquidas dos milionários. Graças a ele, temos um acervo artístico inestimável. A maior parte dos ricos realmente ricos que já conheci é capaz de gastar uma fortuna numa festa de batizado ou casamento, mas jamais doará uma obra a um museu. Lembro perfeitamente, há muitos anos, quando o quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral, uma das principais obras da arte nacional, foi posto à venda pela Galeria São Paulo, já fechada. A proposta era que fosse comprado por um banco ou grande empresa, doado a uma instituição, com o uso de mecanismos legais para desconto do valor no Imposto de Renda. Não houve interessado. O valor pedido, lembro com quase certeza, era ridículo pela importância da obra: US$ 250 mil. Foi parar nas mãos de um argentino, é avaliado em US$ 10 milhões e não volta mais para cá. 

A primeira vez em que estive no Metropolitan Museum, em Nova York, espantei-me com o número de doações de quadros e esculturas espantosamente valiosos. É comum, para um milionário americano, doar para uma universidade em que estudou, ou até mesmo retirar as pinturas de suas paredes para enviá-las a um museu. O vitorioso devolve à sociedade parte daquilo que conquistou. Que eu me lembre, aqui, quem realmente fez isso, mais recentemente, foi o empresário e bibliófilo José Mindlin (1914-2010). Ele doou à Universidade de São Paulo sua maravilhosa biblioteca, com livros raros conquistados ao longo de toda a sua vida. 

Existem, sim, projetos culturais de grandes empresas, no Brasil. Mas costumam ser vinculados a um ganho imediato de imagem. Transformam-se em peças publicitárias, disfarçadas com o rótulo de cultura. São teatros que adquirem o nome de patrocinadores, ou a própria empresa monta um instituto cultural. Ela ainda usa benefícios fiscais para fazer propaganda de si própria! Mas quem, realmente quem, ofereceu ultimamente uma estátua, uma obra de arte inestimável, a recuperação de um bem arquitetônico, visando unicamente ao bem público?

Não que seja fácil doar. Humildemente, já passei pela experiência. Compro sempre muitos livros e, periodicamente, doo uma boa quantidade. Já tentei, há anos, oferecê-los a bibliotecas públicas de São Paulo. Recebi um não. 

O motivo: – Não há gente para catalogar.

Imagino a dificuldade para um grande empresário, com todas as questões envolvendo impostos e tudo mais.

Eike teve, na questão cultural, uma cabeça diferente. Não estava de olho na propaganda imediata. Sei de gente que passou anos pedindo financiamento para filmes, entrando em leis etc. E, depois de uma conversa de duas horas com ele, mostrando o projeto, os produtores saíram com o dinheiro para a produção.

Agora, até criticam Eike por ser supersticioso e pôr X no nome de todas as suas empresas. Bem, Eike, te desejo sorte. Essa cabeça tão rara talvez influencie seus pares. Está mais que na hora de os milionários brasileiros deixarem de se orgulhar de seus jatinhos, festas ou compras em Paris e retribuírem suas conquistas pensando maior, de olho no bem público.

Walcyr Carrasco

14 de out. de 2013

Lei do retorno - Fleming

Uma história real. 

Chamava-se Fleming e era um lavrador escocês pobre. Um dia, enquanto trabalhava para ganhar o pão para a sua família, ouviu um pedido de socorro proveniente de um pântano das redondezas. 

Largou tudo o que estava a fazer e correu ao pântano  Lá, deparou-se com um jovem enterrado até à cintura, gritando por socorro e tentando desesperadamente e em vão, libertar-se do lamaçal onde caíra. Fleming retirou o jovem do pântano, salvando-o. 

No dia seguinte, chegou uma elegante carruagem à sua humilde casa, donde saiu um nobre elegantemente vestido, que se lhe dirigiu apresentando-se como o pai do jovem que salvara de uma morte certa. “Quero recompensá-lo", disse o nobre. “O senhor salvou a vida do meu filho". “Não, não posso aceitar dinheiro pelo que fiz”, respondeu o lavrador escocês. 

Nesse momento, o filho do lavrador apareceu à porta da casa. "É seu filho?" perguntou o nobre. "Sim", respondeu orgulhosamente o humilde lavrador. Então, proponho-lhe o seguinte: Deixe-me proporcionar ao seu filho o mesmo nível de instrução que proporcionarei ao meu. "Não tenho dúvida alguma que se converterá num homem de que ambos nos orgulharemos." 

E o Sr. Fleming aceitou. 

O filho do humilde lavrador frequentou as melhores escolas e licenciou-se em Medicina na famosa Escola Médica do St. Mary's - Hospital de Londres. 
Foi um médico brilhante e ficou mundialmente conhecido como Dr. Alexander Fleming, o descobridor da Penicilina. 

Anos depois, o “rapazinho”que havia sido salvo do pantano adoeceu com uma pneumonia. Quem salvou a sua vida desta vez? .... 
A Penicilina. 
O nome do nobre? Sir Randolph Churchill. 
O nome do filho? Sir Winston Churchill. 

Alguém disse uma vez: 
O que vai, volta. 
Trabalha como se não precisasses de dinheiro. 
Ama como se nunca tivesses sido magoado. 
Dança como se ninguém te estivesse a ver. 
Canta como se ninguém ouvisse. 
Vive como se fosse o Céu na Terra.

12 de out. de 2013

Terapia de Casais


"Há muitos problemas que podem levar um casal a procurar a terapia conjugal, tais como aumento das discussões, insatisfação na área sexual, dificuldades específicas ou um conjunto de problemas que não conseguem resolver, então precisam de uma tentativa para salvar o relacionamento antes de se separar" 

É uma terapia conjunta centrada no relacionamento amoroso. Dentro da linha Sistêmica da Terapia Familiar e Conjugal, o tratamento, nestes casos, visa facilitar a comunicação do casal que pode estar, “fechada para si e aberta para o mundo” ou, então, “fechada para si e para o mundo”. 

Não existe um tempo determinada para ser realizada, normalmente as sessões terminam quando o casal “casa-se novamente” (dá-se o “re-casamento”) ou desfaz de vez a relação. Muitas vezes, os filhos do casal em crise chegam antes ao consultório, encaminhados pelos próprios pais. Durante a análise do caso, o terapeuta faz o convite para que o casal trabalhe as questões que estão sendo assimiladas pela criança ou adolescente. 

A terapia de casal consiste na alternância de sessões individuais (entrevistas) e conjuntas. Muitas questões da vida íntima de um casal, como a insatisfação sexual e os casos extraconjugais, são tratados primeiramente entre o indivíduo e o seu terapeuta para, depois, serem trabalhados nas sessões conjuntas. 

É uma terapia conjunta, centrada no relacionamento amoroso, visando: 

 • a comunicação do casal, na vida pessoal e sexual.

• o enriquecimento dos comportamentos positivos, através do trabalho da auto-estima do parceiro mais dependente dentro da relação.
• o desenvolvimento das habilidades nas resolução de problemas, através do tratamento da dependência. Neste caso, o dominador é conduzido a limitar-se para que ele não seja conivente com o estado de dependência do outro.
• a mudança de padrões de comportamento que levam à discórdia conjugal (está muito ligado à submissão feminina e ao autoritarismo masculino)
• o alívio dos problemas sexuais (perda da libido ou casos de impotência e frigidez)
• avaliar crenças quanto ao relacionamento.
• buscar a diminuição progressiva dos conflitos. 

O objetivo maior na terapia de casal é a satisfação conjugal 

A questão primária é que a melhoria do relacionamento passa necessariamente em readquirir a capacidade de escutar profundamente a opinião do outro. Parece simples dizer ou fazer tal coisa, mas na prática é o maior empecilho no casamento. O hábito da convivência apesar de contraditório reforça uma imagem de solidão, distanciamento e afastamento, tendo em mente que a fala do parceiro jamais terá impacto. 

Não se trata apenas de desprezo, ou porque já se conquistou alguém então não se dá mais atenção; cria-se nesse ponto uma espécie de vício da negligência exatamente pela proximidade constante. Se fôssemos realmente humildes perceberíamos como somos quase que totalmente incapazes de preencher a necessidade do próximo. 

Muitas vezes achamos que sexo e materialismo podem encobrir nossa insatisfação ou infelicidade, mas a verdade é que tentar se completar afetivamente ainda é um terreno bastante virgem para o ser humano. infelizmente a relação conjugal ainda é uma briga feroz pela supremacia do hábito individual. O casal é atendido em conjunto em sessões semanais ou quinzenais que duram uma hora ou mais. O terapeuta, que não é juiz, não dirá quem tem razão nem tomará partido. 

Deverá ser neutro, ajudando o casal a reconhecer os pontos responsáveis pelos maiores conflitos. Também poderá ensinar técnicas para melhorar a convivência. Procurar terapia indica boa vontade, de um ou ambos, de manter a união. Mas em geral já tentaram muito e esta pode ser a última esperança. Não será fácil. O casamento, penso, não é um meio de atingir a felicidade. 

Muitas vezes é sofrido e espinhoso, pois viver a dois é mais difícil do que sozinho. Quando duas pessoas se relacionam, vivem momentos de amor e de rejeição, tristeza, competição. Se forem adultos, maduros e generosos, fica mais fácil. Nem sempre é assim. Por que os casais procuram a terapia Há muitos problemas que podem levar um casal a procurar a terapia conjugal, tais como aumento das discussões, insatisfação na área sexual, dificuldades específicas ou um conjunto de problemas que não conseguem resolver, uma tentativa de salvar o relacionamento antes de se separar, criticas negativas e constantes ao parceiro e incapacidade para resolver conflitos, brigas exageradas, desrespeito, insultos e rispidez, ciúmes excessivos e sem grandes motivos, isolamento físico de um dos parceiros, etc.


Recomenda-se a terapia quando um ou ambos estão infelizes, não consegue se comunicar, expressar os sentimentos e se desentendem mesmo ao tentarem fazer o melhor. Quando, sozinhos, não conseguem esclarecer o que está errado, e um ou ambos pensam freqüentemente em separar-se. A terapia não é garantia contra o divórcio, nem é a salvação do casamento. Procura compreensão e união. Afinal, quem já se amou e viveu junto, mesmo que se separe, preserva algo de bom, de ternura — exceto se houve ofensas graves. Como é a terapia Inicialmente é feita uma avaliação cuidadosa do relacionamento através de reuniões conjuntas e entrevistas individuais, esboçando-se um plano de tratamento. Se a terapia de casal for a mais indicada para os parceiros, o tratamento seguirá com sessões de terapia semanais, com duração de 1 hora e 1h30 minutos. A terapia é realizada com a colaboração participativa do casal, as intervenções e técnicas ensinadas pelo terapeuta e as atividades concluídas entre as sessões.

Tipos de casais que procuram a terapia 

De acordo com a linha Sistêmica, dentro da Terapia Familiar, pode-se traçar vários perfis psicológicos de relações conjugais desgastadas, dentre elas, destacam-se:
• Sadomasoquista - o dependente necessita da dependência para se auto-punir.
• Narcisista - o dominador suga a energia do dependente para se sentir “maravilhoso” 
• Transferência x Transferência - inversão de papéis masculinos e femininos 
• Relação “papai e mamãe” - extingue-se a libido dentro da relação 

Aprimorar a comunicação é um recurso importante para que haja saúde na relação a dois.
Exercitar tal habilidade sozinhos é o primeiro passo. 
Caso seja difícil, procurem ajuda profissional.
Fonte: Espaço Viver Zen

11 de out. de 2013

Venda do sitio

O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
- Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Poderá redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:
"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeiro. A casa banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda".
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
- Nem pense mais nisso, disse o homem. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha.
Moral da história:
As vezes não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe atrás da miragem de falsos tesouros.

Ânimo

Não desanimes. Persiste mais um tanto.
Não cultives o pessimismo.
Centraliza-te no bem a fazer.
Esquece as sugestões do medo destrutivo.
Segue adiante, mesmo varando
a sombra dos próprios erros.
Avança ainda que seja por entre lágrimas.
Trabalha constantemente. Edifica sempre.
Não consintas que o gelo do desencanto
te entorpeça o coração.
Não te impressiones à dificuldade.
Convence-te de que a vitória espiritual
é construção para o dia a dia.
Não desistas da paciência.
Não creias em realização sem esforço.
Silêncio para a injúria.
Olvido para o mal.
Perdão às ofensas.
Recorda que os agressores são doentes.
Não permitas que os irmãos desequilibrados te
destruam o trabalho ou te apaguem a esperança.
Não menosprezes o dever que a consciência
te impõe. Se te enganaste em algum trecho
do caminho, Reajusta a própria visão e
procura o rumo certo.
Não contes vantagens nem fracassos.
Estuda buscando aprender.
Não se voltes contra ninguém.
Não dramatizes provações ou problemas.
Conserva o hábito da oração para que
se te faça luz na vida íntima.
Resguarda-te em Deus e persevera no trabalho
que Deus te confiou.
Ama sempre, fazendo pelos outros
o melhor que possas realizar.
Age auxiliando. Serve sem apego.
E assim vencerás.

Francisco Cândido Xavier

4 de out. de 2013

Uma pessoa verdadeiramente forte

Loui Jover
A gente costuma ouvir que uma pessoa é forte, que tem gênio forte, quando ela reage com grande violência em situações que a desagradam.


Ou seja, a pessoa de temperamento forte só está bem e calma quando tudo acontece exatamente de acordo com a vontade dela.

Nos outros casos, sua reação é explosiva e o estouro costuma provocar o medo nas pessoas que a cercam.

Talvez essas pessoas sejam responsáveis por chamar o estourado de forte, porque acabam se submetendo à vontade dele.

Ele é forte porque consegue impor sua vontade, quase sempre por conta do medo que as pessoas têm do seu descontrole agressivo e de sua capacidade para fazer escândalo.

Se pensarmos mais profundamente, perceberemos que as pessoas de “gênio forte” conseguem fazer prevalecer seus desejos apenas nas pequenas coisas do cotidiano.

Elas decidirão a que restaurante os outros irão; a que filme o grupo irá assistir; se a família vai para a praia no fim de semana e assim por diante.

As coisas verdadeiramente importantes – a saúde delas e a das pessoas com quem convivem; o sucesso ou fracasso nas atividades profissionais, estudos ou investimentos; as variações climáticas e suas tragédias, como inundações, desabamentos e terremotos; a morte de pessoas queridas – não são decididas por nenhum de nós.

O que leva os de “gênio forte” a comportamentos ridículos: berram, esperneiam e blasfemam diante de acontecimentos inexoráveis, e contra os quais nada podemos fazer.

Reagem como crianças mimadas que não podem ser contrariadas! Afinal de contas, isso é ser uma pessoa forte? É claro que não.

Querer mandar nos fatos da vida, querer influir em coisas cujo controle nos escapa, não ésinal de força, como também não é sinal de bom senso, sensatez e de uso adequado da inteligência.

Talvez fosse muito bom se pudéssemos influir sobre muitas coisas que são essenciais. Mas a verdade é que não podemos.

Isso nos deixa inseguros, pois coisas desagradáveis e dolorosas podem acontecer a qualquer momento. E não serão nossos berros que impedirão nossos filhos de serem atropelados, nossos pais de morrerem, nossa cidade de ter enchentes ou desabamentos.

O primeiro sinal de força de um ser humano reside na humildade de saber que não tem controle sobre as coisas que lhe são mais essenciais. Sim, porque este indivíduo aceitou a verdade. E isso não é coisa fácil de fazer, especialmente quando a verdade nos deixa impotentes e vulneráveis.

O segundo sinal, e o mais importante, é a pessoa compreender que ela terá que tolerartoda a dor e todo o sofrimento que o destino lhe impuser.

E mais – e este é o terceiro sinal -, terá que tolerar com “classe” e sem escândalos.

Não adianta se revoltar. Não adianta blasfemar contra Deus. Ser forte é ter competência para aceitar, administrar e digerir todos os tipos de sofrimento e contrariedade que a vida forçosamente nos determina.

É não tentar ser espertinho nas coisas que são de verdade.

As pessoas que não toleram frustrações, dores e contrariedades são as fracas e não as fortes. Fazem muito barulho, gritam, fazem escândalos e ameaçam bater.

São barulhentos e não fortes – estas duas palavras não são sinônimos!

O forte é aquele que ousa e se aventura em situações novas, porque tem a convicção íntima de que, se fracassar, terá forças interiores para se recuperar.

Ninguém pode ter certeza de que seu empreendimento – sentimental, profissional, social – será bem-sucedido. Temos medo da novidade justamente por causa disso.

O fraco não ousará, pois a simples ideia do fracasso já lhe provoca uma dor insuportável.

O forte ousará porque tem a sensação íntima de que é capaz de agüentar o revés.

O forte é aquele que monta no cavalo porque sabe que, se cair, terá forças para se levantar.

O fraco encontrará uma desculpa – em geral, acusando uma outra pessoa – para não montar no cavalo. Fará gestos e pose de corajoso, mas, na verdade, é exatamente o contrário. Buscará tantas certezas prévias de que não irá cair do cavalo que, caso chegue a tê-las, o cavalo já terá ido embora há muito tempo.

O forte é o que parece ser o fraco: é quieto, discreto, não grita e é o ousado. Faz o que ninguém esperava que ele fizesse.

Flávio Gikovate

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