1 de dez. de 2013

A danada da nostalgia

Lucian Freud
Por que será que, por mais que a gente tente, muitas vezes é incapaz de abandonar determinadas memórias afetivas: imagens que construímos de nós mesmos, velhos amores, antigos padrões de comportamento? 

E parece que não adianta mesmo fugir – tais memórias são nossa bagagem, estarão sempre a nos acompanhar. Claro que tudo isso depende do uso que fazemos do nosso passado. Pois uma coisa é ter o tempo pretérito como referência – é por meio do exemplo de pessoas e ações que vieram antes de nós que procuramos não perpetuar os erros de outrora ou que nos espelhamos para construir um presente melhor.

Isso é essencial em todas as culturas, do velho pajé que conta antigas proezas da tribo aos mais jovens até os livros de história que nos ensinam sobre os capítulos sombrios da nossa civilização. Outra coisa bem diferente (e daninha) é a fixação no passado, quando remoemos aquilo que já está longe no tempo e no espaço, ou idealizamos (alguém, uma situação, um estilo de vida) a ponto de não mais conseguirmos olhar para a frente e aproveitarmos o presente – nosso tempo – em todo seu potencial. 

Aí entra a danada da nostalgia. Sim, porque a nostalgia, essa palavra grega que significa algo como “saudade de um lar que não mais existe ou nunca existiu”, pode ser um obstáculo para o nosso crescimento. Repare em como num momento ou outro a gente pensa num tempo bom que não volta nunca mais, numa “era de ouro” (completamente idealizada, uma ficção que mistura memória e desejo) em que tudo tinha cores mais belas. Ah, antigamente... Faz mal? Em The Future of Nostalgia (“O futuro da nostalgia”, sem edição brasileira), Svetlana Boym, professora de literatura comparada na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, explica que o conceito de nostalgia, diferentemente do que muitos pensam, não vem da poesia ou da política, mas da medicina, e data do século 17. 

 Naquela época, alguém que padecesse de nostalgia podia apresentar sintomas tão variados e nefastos como náusea, perda de apetite, febre alta chegando até mesmo a complicações físicas extremas, como inflamações no cérebro e ataques cardíacos. Em suma: nostalgia, naquele tempo, fazia parte de um temível rol de doenças classificadas pela ciência médica do período. “Nos velhos tempos, nostalgia era uma doença curável. Perigosa, mas não letal”, escreve Svetlana Boym. O tratamento mais difundido era feito com emulsões hipnóticas e ópio. No século 19, o escritor e médico brasileiro Joaquim Manuel de Macedo (que entraria para os compêndios como o popular autor do romance A Moreninha) arrolava em sua tese Considerações sobre a Nostalgia, apresentada à Faculdade de Medicina, complicações como disenteria e febres. 

A doença nostalgia era constantemente atribuída aos soldados em guerra e aos imigrantes vindos do interior. A coisa parecia mesmo tão grave, num tempo que ainda não vira o aparecimento da moderna psicologia e de todo o aparato farmacêutico, a ponto de Joaquim Manuel de Macedo tratála como uma espécie de demência. Hoje em dia, no entanto, não se toma a nostalgia como uma condição patológica como se supunha no passado. Ao ser comparada à depressão e à melancolia, por exemplo, a nostalgia pode ser considerada um estado de espírito, quando a depressão e a melancolia são doenças em si. “A nostalgia pode ser vista como algo que desperta para a ideia de que também no presente coisas boas serão possíveis. Somente quem viveu momentos belos e felizes é que é invadido pela nostalgia, diferentemente daquele que passou pela vida e não viveu. Por isso, nostálgicos voltam ao passado no qual amaram e foram amados. 

Na melancolia ou depressão: nunca foram amados ou amparados”, afirma a psicanalista Maria Olympia França. Faz sofrer Você certamente conhece a figura: aquele eterno insatisfeito, o tipo de pessoa de quem mais se ouve que antigamente... – ah! antigamente, como as mulheres eram mais bonitas (a beleza natural), as ruas mais limpas e o ar mais puro. É bem possível mesmo que a vida fosse mais amena. O custo de vida era mais baixo e o trânsito, muito menos estressante. E, lógico, havia menos gente no mundo. Acontece que esse “antigamente” idealizado nunca mais voltará. Fato é que fabricamos muitas das nossas memórias e não temos certeza do passado, por isso mesmo é que o tempo pretérito nos parece ter cores tão mais definidas e ostenta uma cenografia tão impecável. É como um quadro que pintamos em nosso cérebro. Para Maria Olympia, a nostalgia é uma espécie de reaproveitamento da tristeza. 

“Ainda que difusa, ela sinaliza algo que foi bom. Eu era feliz e não sabia”, afirma a psicanalista. Isso denota o estado fantasioso da nostalgia em relação ao presente. Claro que é impossível voltar ao passado, mas trazer seus elementos agradáveis de volta ao presente é algo bastante concreto. Se você gostava, por exemplo, de tocar violão, mas não pratica há anos, que tal treinar de vez em quando? Se sente muita falta da casa da mãe, comer um arroz com feijão no fim de semana pode dar um gostinho do lar para sempre desaparecido. Não é que vá matar a saudade. Até porque nostalgia e saudade são coisas diversas. “A nostalgia é um estado mais amplo, mais difuso que um sentimento de saudades. Enquanto este diminui quando reencontramos o objeto faltante, a nostalgia pode permanecer mesmo quando reencontramos aquilo de cuja falta nos demos conta”, diz a psicanalista. Mas ajuda a acalmar o sofrimento. 

 Pois nostalgia e perda são sentimentos tão parecidos que muitas vezes podem se confundir. A dor imensa que representa a perda de um filho é um exemplo de situação-limite que instaura uma condição nostálgica – e que pode desencadear uma baita depressão, já que as lembranças do passado se convertem em um fardo insuportável. “Nesses casos, a tristeza levará à impotência, ao sentimento de fracasso e de culpa. Nada mais é recuperável”, diz a psicanalista. Aí o recomendável é que se trate a depressão advinda desse processo. Quando a perda é coletiva, como no caso dos fluxos migratórios (os imigrantes europeus na virada do século 20 que desembarcaram no Brasil e em outras nações das Américas, os migrantes do Nordeste que vieram ajudar a construir a riqueza de São Paulo), há a criação daquilo que se chama uma “memória cultural”. 

No caso de imigrantes, segundo estudos, é notada a criação de nichos específicos e a apreciação de locais determinados, o que a gente pode facilmente reparar em nosso dia a dia. Quem mora em São Paulo ou em outra grande metrópole, por exemplo, e não conhece uma “turma” muito unida que veio de outra cidade? Ou restaurantes típicos – cantinas italianas, churrascarias, casas de sushi – frequentados por grupos específicos? Isso é muito comum. O pessoal elege alguns lugares, como bares ou casas de amigos, para frequentar e manter o contato com as próprias raízes. Pois Svetlana Boym explica essa manutenção da memória cultural através de um “estranhamento e sentimento de solidariedade entre os membros do grupo estrangeiro, que geram afeto e reflexão”, além de uma “vulnerabilidade ao lugar”. 

É universal Falando assim, até parece que a nostalgia é um estado psicológico exclusivo de determinados casos: na verdade, a maioria das pessoas a vive sem sequer se dar conta dela, mesmo que seja de uma vida que não é a sua. Nostalgia do que não viveu parece complexo demais? Então basta observar o mercado de consumo. O design, a arquitetura, a moda, o cinema, as telenovelas, tudo está preparado para atender a demandas por artefatos vindos diretamente do passado. São festas “anos 80” com sucessos da Blitz e da Xuxa, remakes de filmes clássicos, o Fusca renascido no neoretrô New Beetle, a volta dos discos de vinil ao mercado. 

De onde vem esse desejo de eterno retorno? Das memórias afetivas, das contingências do mercado, é um traço geracional? De tudo isso um pouco. Cíntia Teixeira, professora de filosofia e coordenadora do IPPEX (Instituto de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da Faced), de Minas Gerais, afirma que a necessidade de trazer elementos de outras épocas para o presente é uma alternativa ao inevitável progresso do esquecimento. E além disso é um traço geracional, marca daqueles que estão entre os 20 e poucos e 30 anos. “Em larga escala, a geração Y participa de grandes eventos culturais com o intuito de rememorar o passado, sem ter a clareza do que foi e qual a real importância daquela geração e de reviver essa situação”, diz. 

E tem mais: o passado trazido de volta tem um bocado de presente. “Os eventos do passado são manipulados e reconstituídos perante uma audiência do presente, estabelecendo-se dessa forma uma conexão dinâmica entre ambos os tempos”, afirma. “Essa onda de nostalgia do passado é muito mais vivida por pessoas que sequer existiam naquele tempo homenageado que pelas pessoas que de fato estavam lá.” Svetlana Boym observa que nostálgicos são geralmente pessoas de sentidos mais apurados. Ora, são os sentidos (audição, olfato, paladar...) que nos arrastam com mais força para as memórias afetivas. Talvez estejam nos sentidos as memórias afetivas que movem tais vontades e sensibilidades. Já é folclórica a história do escritor francês Marcel Proust que, provando um biscoitinho chamado madeleine, foi acometido por um verdadeiro ataque de nostalgia – o que gerou um dos maiores monumentos da história da literatura, o romance Em Busca do Tempo Perdido. 

Outro escritor, o jovem brasileiro Daniel Galera, autor dos romances Mãos de Cavalo e Cordilheira, entre outros, diz que, embora não considere a nostalgia característica predominante em seus personagens, assume vivê-la em seu personagem da vida real. “Eu tenho nostalgia de uma vida mais solitária, às vezes. Parece que em algum momento vivi no interior ou numa praia quando era criança, e que tenho saudade disso. Mas sempre morei em cidades grandes e fui a lugares isolados apenas como visitante ocasional. Esse tipo de nostalgia quase sempre é uma armadilha, porque é mera construção mental. Você sente que já viveu aquilo e sente falta, mas não é verdade. É uma narrativa ilusória da memória”, diz Galera. Criação e memória, eis os pilares da nostalgia. Julia Valle é estilista e costuma desenvolver, no mínimo, três coleções por ano. 

Para cada uma delas precisa buscar inspirações totalmente novas. Acontece que o totalmente novo demonstra sinais de esgotamento, dando lugar à repetição, por isso ocorre uma tendência de retorno a épocas anteriores: “Soa fresco de uma forma, mas ao mesmo tempo já tem aquela garantia de que foi amplamente aceito em algum momento da história”, diz a jovem estilista, que confessa que gostaria de ter vivido nos anos 1920. É particular Márcia e Sílvio (os nomes foram trocados para manter a privacidade das fontes) se apaixonaram no trabalho: o processo de produção de um curta- metragem. Ele, o diretor, bem mais velho, tinha uma postura jovem para a idade. Ela, atriz na ocasião, se sentia compreendida em sua pretensa maturidade. Márcia lembra que a experiência do filme foi poderosa emocionalmente e a lua de mel durou cerca de um ano. 

“Foi quando algo se rompeu e começaram a se abrir feridas, traições descobertas e muita dor”, diz, afirmando que a partir daí o caso começou a ser tão intenso quanto avassalador. “Perdi as contas de quantas vezes terminamos e voltamos. Já não sabia mais para o que queria voltar. Queria um resgate, não conseguia deixar as boas lembranças.” Márcia chegou a se mudar de cidade para abandonar a memória, em vão. Ela afirma que ainda acreditava ser mais feliz com Sílvio. “Retomamos inclusive a distância, o que quase me levou à depressão. Estava prestes a largar tudo diante da doença que nossa vida em casal se tornou”, admite. Márcia diz que hoje Sílvio a procura de tempos em tempos e ela tem de se esforçar para não fantasiar um passado que ficou enterrado. “Guardo nossas memórias com carinho, mas hoje sei que é impossível resgatá- las”, afirma. 

Casos como o de Márcia são mais comuns do que pensamos e servem como lembrança (sem trocadilhos) de que é muito importante ter cuidado com as fantasias. Elas podem literalmente nos prender a uma realidade inexistente e impedir um desenvolvimento no presente, além de uma possibilidade de vislumbrar o futuro. Uma saudade dos velhos tempos ou uma fantasia sobre certo fato do qual você adoraria ter participado podem alimentá-lo, mas, quando essas sensações se tornam obsessivas, é melhor ficar atento: finque o pé no presente e bola pra frente. 
Deborah Couto e Silva

30 de nov. de 2013

Querer Bem (Birmingham)



No caminho achar o que faz 
A força de querer bem
Do céu, do mar, a luz, a cor 
Seu coração
Toda fruta, cada flor 
Para cheirar, sentir sabor
De cada beijo seu 
É tanto querer bem
Pedaços da manhã 
Imagens que vão ficar
Verde lugar
Paisagem desse caminhar 
Da noite não temer 
O fraco tom do luar
Amarela luz
Da cor do lampião de gás
Hely Rodrigues e Tavinho Moura

Tomas um Mate?



O mate, ou chimarrão não é uma bebida.
Bueno, sim, pois é um líquido e entra pela boca, porém não é uma bebida.
No Rio Grande do Sul e nos países cisplatinos, ninguém toma mate porque tem sede.
É mais um costume, como coçar-se.
O mate faz exatamente o contrário da televisão: te faz conversar se estás com alguém e te faz pensar quando estás solito. 
O mate ou chimarrão é feito com a erva mate, a qual é encontrada principalmente no sul do Brasil e norte da Argentina.

É uma bebida genuinamente nativa, sendo o mais antigo e tradicional dos hábitos gauchescos. É um legado dos índios Guaranis e esse costume foi fortalecido e expandido pelos espanhóis e jesuítas. Quando chega alguém na tua casa, a primeira frase é “buenas” e a segunda é: vamos matear?

Isto se passa em todas as casas, seja de rico ou de pobre. Passa entre mulheres e homens, velhos ou jovens. É a única bebida compartilhada entre pais e filhos sem discussão e onde ninguém “enche a cara”. Chimangos ou maragatos, gremistas ou colorados cevam mate sem entreveros. 

No inverno ou no verão
É a única coisa em que nos parecemos vítimas e carrascos; bons e maus. Quando tens um filho, começas a dar mate quando ele te pede. Se o dá morno com algum açúcar, se sentem grandes. E tu sentes um orgulho enorme quando um piazito teu começa a chupar o mate, parece que o coração te sai do corpo.

Depois com os anos, eles elegem se o tomam amargo ou doce, muito quente ou tererê, com casca de laranja ou limão ou ainda com alguma planta medicinal misturada à erva. 
Quando conheces alguém e não tens confiança, ao convidá-lo para um mate perguntas:
-Doce ou amargo? 
E se o outro responde: 
-Como tu tomas 
É um bom sinal. 
Nas casas do Rio Grande do Sul sempre há erva mate.

A erva é a única que há sempre, com inflação, com fome, com militares, com democracia, com “mensalões”, ou com quaisquer de nossas pestes e maldições eternas. E se um dia não houver, um vizinho têm e te dá, pois a erva não se nega a ninguém. 

O Rio Grande do Sul é um dos poucos lugares do mundo onde a transformação de uma criança para um homem ocorre num dia em particular. Esse dia não é o dia em começastes a fumar, ou usar calças, ou quando fizestes circuncisão, ou entrasse para a universidade ou começou a viver longe dos pais. Começamos a ser grandes no dia que temos a necessidade de tomar, pela primeira vez, um mate solito.

Não é casualidade. No dia que uma criança põe a chaleira no fogo e toma seu primeiro mate sem que haja nada em casa, nesse minuto é que descobre que tem alma. 
Ou está morto de medo, ou está morto de amor, ou algo: porém não é um dia qualquer. 
Poucos são os que se recordam desse dia, mas em todos há uma revolução por dentro a partir desse dia. 
O simples mate é nada mais nada menos que uma demonstração de valores. 
É a solidariedade de bancar o mate lavado porque a charla é boa. A charla, não o mate. 
É o respeito pelos tempos para falar e escutar, tu falas enquanto o outro toma, até que num momento dizes: 
-Basta, troca a erva ! 
É a obrigação de dizer obrigado ao menos uma vez ao dia. 
É a atitude ética, franca e leal de encontrar-se sem maiores pretensões, de compartilhar.

Enviado pela Drika, gaúcha da melhor qualidade

28 de nov. de 2013

Fases da vida

Quantas vezes nos precipitamos em julgar alguém e, depois de algum tempo, vemos que estávamos totalmente errados. 

É um erro grave, pois através desse equívoco, podemos jogar na “lama”, a reputação e a credibilidade de uma pessoa. 

Um pai resolveu dar bom ensinamento para seus quatro filhos. 

Mandou-os para o mesmo local, mas em diferentes épocas do ano. 

O primeiro foi no inverno, o segundo, na primavera, o terceiro, no verão e o último no outono. No final das idas dos filhos ao local, o pai os reuniu e pediu que relatassem o que tinham visto. 

O primeiro disse que as árvores eram muito feias e não tinham nenhum atrativo. 
O segundo discordou e disse que as árvores eram verdes e cheias de brotinhos. Poderiam ter um bom futuro próximo. 

O terceiro, indignado, disse que estavam totalmente errados, pois elas estavam com um aroma delicioso, floridas e lindas. 
O último filho discordou também de todos e disse que as árvores estavam cheias de frutos e que a cena era maravilhosa. 

O pai ouviu os filhos com atenção e no final do relato de todos, disse: “Na verdade, todos vocês viram as mesmas árvores, porém, em diferentes estações. E que fique a lição, meus filhos, não julguem uma árvore ou pessoas em diferentes épocas da sua vida”. 

Por isso amigos, lembrem-se sempre: Cuide das fases de sua vida e não permita que a dor de apenas uma “estação” destrua a alegria de todas as outras. 

Quanto à fase da vida das outras pessoas, não faça pré-julgamentos, pois pode estar diante de uma pessoa que se encontra no mais profundo e tenebroso “inverno”. 
Portanto: “Oriente sua mente e mude a sua vida”.

Detalhes do Comportamento dos Outros

Rene Magritte

Devemos ter muito cuidado para não emitir uma opinião demasiado favorável de um homem que acabamos de conhecer; pelo contrário, na maioria das vezes, seremos desiludidos, para nossa própria vergonha ou até para nosso dano. 

A esse respeito, uma sentença de Sêneca merece ser mencionada: 
Podem-se obter provas da natureza de um carácter também a partir de miudezas. Justamente nestas é que o homem, quando não se procura conter, é que revela o seu caráter. Nas ações mais insignificantes, em simples maneiras, pode-se amiúde observar o seu egoísmo ilimitado, sem a menor consideração para com os outros e que, em seguida, embora dissimulado, não se desmente nas grandes coisas.

Não se deve perder semelhante oportunidade. 
Quando alguém procede sem consideração nos pequenos acontecimentos e circunstâncias da vida diária, intentando obter vantagens ou comodidade, em prejuízo de outrem, nas coisas em que se aplica a máxima de a lei não se ocupa com ninharias, ou ainda apropriando-se do que existe para todos, podemos convencer-nos de que no coração de tal indivíduo não reside justiça alguma; ele será um patife também nas grandes situações, caso as suas mãos não sejam atadas pela lei e pela autoridade. Não lhe permitamos, pois, que transponha a soleira da nossa porta. Sim, quem viola sem escrúpulos as leis do seu clube, violará também as do Estado tão logo possa fazê-lo sem perigo. 

Arthur Schopenhauer

Os arrogantes


Defeitos, quem não os tem? 

Há os avarentos, os mal-humorados, os fofoqueiros, os mentirosos, os chatos. Não os expulsamos a pontapés do universo porque todos nós, com maior ou menor freqüência, um dia também já fomos pães-duros, já passamos uma maledicência adiante e já torramos a paciência alheia. 

É preciso ser tolerante com os outros se queremos que sejam conosco, não é o que dizem? Então, ok, aceitam-se as falhas do vizinho. Mas arrogância não tem perdão. E os arrogantes não são poucos. Façamos aqui um retrato falado: são aqueles que andam de nariz em pé, certos de que são o último copo d'água do deserto. 

Aqueles que são grosseiros com subalternos, que empolgam-se ao falar de atributos que imaginam ser exclusivos deles, os que furam a fila do restaurante e tomam como ofensa pessoal caso sejam instalados numa mesa mal localizada. São os que ostentam, que dão carteiraço e que sentem um prazer mórbido em humilhar aqueles que sabem menos - ou que podem menos. São os preconceituosos e os que olham o mundo de cima pra baixo. Será que eles acreditam que são assim tão superiores? Lógico que não, e isso é que é patético. Os arrogantes são os primeiros a reconhecer sua própria mediocridade, e é por isso que precisam levantar a voz e se auto promover constantemente. 

Eles não toleram a porção de fragilidade que coube a todos nós, seres humanos, e não se acostumam com a ideia de que são exatamente iguais aos seus semelhantes, sejam estes garçons, porteiros da boate ou executivos de multinacionais. Dão a maior bandeira da sua insegurança. O arrogante acredita que todos estão a falar (mal) dele, lê entrelinhas que não existem, escuta seu nome mesmo quando não foi pronunciado e, ao descobrir que não é mesmo dele que estão falando, aí é que morre de desgosto. 

Todo arrogante traz um complexo de inferioridade que salta aos olhos. Sempre tive um pouco de pena deles pelo papelão que desempenham em público. Dizem que Naomi Campbell entra nas melhores butiques brasileiras, escolhe algumas roupas e sai sem pagar, acreditando estar enaltecendo a loja com sua simples presença no estabelecimento. É uma arrogante folclórica e inofensiva. Atentos devemos ficar aos arrogantes armados: os que invadem países, os que destroem quem atravessa seu caminho. 

O caso do juiz cearense é típico: quis entrar num supermercado que já havia fechado e o vigia teve a petulância de tentar impedir. Levou um tiro, claro. Que o juiz alega ter sido acidental, sem explicar a razão de, depois de disparar, não ter nem ao menos olhado pro cadáver e ter ido direto às gôndolas atrás do que queria comprar: cerveja, gilete, sorvete, sabe-se lá o que lhe era tão urgente. Repare bem: quase todos os atos de violência são protagonizados por um arrogante que entra em pânico com a palavra não. 

Mais vale a lágrima da derrota do que a vergonha de não ter lutado, por isso lute por tudo aquilo que sonhaste, mesmo que te custe uma lágrima derramada! 

A vitória mais bela que se pode alcançar é vencer a si mesmo.
Martha Medeiros

26 de nov. de 2013

O laço e o abraço

Meu Deus! Como é engraçado! Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas. 

Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. 

É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. 

É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço. 

E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? 

Vai escorregando... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço. 

Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. 

E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço. 

Ah! Então, é assim o amor, a amizade. 

Tudo que é sentimento. 

Como um pedaço de fita. 

Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. 

Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade. 

E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços. 

E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço. 

Então o amor e a amizade são isso... 

Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam. 

Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!
Maria Beatriz Marinho dos Anjos

Contempla mais longe

Contempla mais longe

Para o esquimó, o céu é um continente de gelo, sustentado a focas.

Para o selvagem da floresta, não há outro paraíso, além da caça abundante.

Para o homem da religião sectária, a glória de além-túmulo pertence exclusivamente a ele e aos que se lhe afeiçoam.

Para o sábio, este mundo e os círculos celestiais que o rodeiam são pequeninos departamentos do Universo.

Transfere a observaçao para teu campo de experiência diária e não olvides que as situações externas serão retratadas em teu plano interior, segundo o material de reflexão que acolhes na consciência.

Se perseverares na cólera, todas as forças em torno te parecerão iradas.
Se preferes a tristeza, anotarás o desalento, em cada trecho do caminho.
Se duvidas de ti próprio, ninguém confia em teu esforço.
Se habituaste às perturbações e aos atritos, dificilmente saberás viver em paz contigo mesmo.

Respirarás na zona superior ou inferior, torturada ou tranqüila, em que colocas a própria mente. E, dentro da organização na qual te comprazes, viverás com gênios que invocas. Se te deténs no repouso, poderás adquiri-lo em todos os tons e matizes, e, se te fixares no trabalho, encontrarás mil recursos diferentes de servir.

Em torno de teus passos, a paisagem que te abriga será sempre em tua apreciação aquilo que pensas dela, porque com a mesma medida que aplicares à Natureza, obra viva de Deus, a Natureza igualmente te medirá!
Emmanuel

25 de nov. de 2013

Novos remédios revolucionam o combate ao câncer de próstata

Aos 68 anos, Herbert Fontenele recebeu o diagnóstico de câncer de próstata metastático. O tumor invadira a bexiga, a uretra e os ossos. 

Era 2009. Pelas estimativas médicas, Fontenele teria apenas um ano de vida. Mas ele não desistiu. Foram doze sessões de quimioterapia e outras 32 de radioterapia. E os efeitos colaterais do tratamento, terríveis — dores fortes na região do abdômen, vômitos constantes e prostração. 

“O sofrimento era tão grande que cheguei a pensar que deveria ter deixado a doença seguir seu rumo natural”, diz Fontenele. A situação começou a mudar em 2010, quando ele participou das pesquisas finais de um novo medicamento para câncer de próstata metastático, a abiraterona. Em seis meses, seu quadro clínico se reverteu. O PSA, o principal marcador sanguíneo da doença, atingiu uma taxa equivalente à de um homem saudável, de 0,3. Fontenele mantém a terapia com o medicamento e seguirá assim até o momento em que o câncer deixar de reagir à abiraterona — quatro comprimidos diários e nenhuma reação adversa. Hoje, a vida dele é a mesma de antes da doença: trabalha, passeia com os amigos, viaja com a família e faz caminhadas pelas praias de São Luís, no Maranhão, onde mora.


A reviravolta na doença de Fontenele é um excelente retrato da história do tratamento do câncer de próstata metastático. Lançada comercialmente no Brasil em 2012, a abiraterona é um dos quatro novos medicamentos desenvolvidos nos últimos três anos para o combate à doença. Com eles, a taxa de sobrevivência dos doentes aumentou 30%, em cinco anos. Pode parecer pouco, mas não é. A elevação da taxa de sobrevida nos últimos cinco anos de pacientes com tumores avançados de mama girou em torno dos 20%. Dos de intestino, 10%. O tempo a mais que esses remédios proporcionam é como aquele que Fontenele experimenta — sem dores, sem prostração, sem enjoos. Vida normal, portanto. O diagnóstico de câncer de próstata metastático já não significa mais necessariamente uma sentença de morte. “Trata-se do maior impacto já visto em tão pouco tempo no tratamento de qualquer câncer metastático”, diz Fernando Maluf, chefe da oncologia clínica do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes, da Beneficência Portuguesa, em São Paulo.
De todos os cânceres em fase de metástase, o de próstata é o mais controlável. Os novos medicamentos são desenvolvidos a partir de uma tecnologia extremamente sofisticada. A abiraterona, por exemplo, ataca o tumor em duas frentes. Corta a produção na glândula suprarrenal do hormônio testosterona, o combustível para os tumores prostáticos, e diminui a síntese do hormônio dentro das células cancerígenas. Além da abiraterona, há três medicações de ultimíssima geração (veja o quadro abaixo). Algumas delas são de um requinte tecnológico impressionante, como a vacina terapêutica Sipuleucel-T. Feita sob medida para o paciente, ela estimula o sistema imunológico a combater as células tumorais. Um mês de tratamento custa 90 000 reais. Ainda não há previsão de chegada da vacina ao Brasil.
O câncer de próstata está entre os tumores mais indolentes. Ele leva quinze anos para atingir 1 centímetro cúbico. Com esse tamanho, pequeno, o tumor está confinado à glândula, e pode ser tratado com tranquilidade. Quando ele escapa e atinge outro órgão, a coisa muda de figura. “A lentidão, benéfica no início da doença, torna-se um grande problema na fase de metástase”, explica o oncologista Andrey Soares, do Hospital Albert Einstein e do Centro Paulista de Oncologia, ambos em São Paulo. Tumores de crescimento lento são resistentes à quimioterapia, a primeira opção de tratamento nos casos de metástase. Isso porque os quimioterápicos têm como característica atingir o DNA da célula tumoral sobretudo durante a divisão das células. “Quando a divisão é lenta, o efeito da químio é menor, portanto. E é nesse cenário que os novos medicamentos representam uma grande notícia”, diz Gustavo Guimarães, urologista do hospital A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo.
Todos os anos 60 000 homens recebem o diagnóstico de câncer de próstata no Brasil — é a segunda neoplasia mais comum entre o sexo masculino, depois dos tumores de pele. Quando a doença é diagnosticada e tratada precocemente, a cura chega a 97%. O problema é que dois em cada dez casos da doença no país são descobertos em fase de metástase. Nos Estados Unidos, esse índice cai à metade. Diz Marcello Ferretti Fanelli, diretor da Oncologia Clínica do A.C. Camargo: “Conseguiremos reverter essa situação com investimentos na prevenção”. Lembre-se aqui do bê-á-bá: homens que pertencem a grupos de risco, como os pacientes negros ou com casos de câncer de próstata na família, devem fazer exames de rotina anuais a partir dos 45 anos. Os que não correm risco, a partir dos 50 anos. Os exames consistem no teste sanguíneo do PSA e no toque retal. Ainda há muito a ser feito — apenas metade dos brasileiros com mais de 45 anos vai ao urologista regularmente.
Adriana Dias Lopes - Veja

21 de nov. de 2013

O pote rachado

Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara a qual ele carregava atravessado em seu pescoço.

Um dos potes tinha uma rachadura. Enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe, o pote rachado chegava apenas com a metade da água.

Foi assim por dois anos, diariamente: o carregador entregando um pote e meio de água na casa do chefe.

Claro que o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações.

Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas metade do que ele havia designado a fazer.

Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem, um dia a beira do poço:

- Estou envergonhado e quero pedir-lhe desculpas.-

- Por quê? – perguntou o homem, – de que você esta envergonhado? -

- Nestes dois anos eu fui capaz de entregar apenas a metade de minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de seu chefe. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho e não ganha o salário completo pelos seus esforços – disse o pote.

O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão, falou: – Quando retornarmos para a casa do meu chefe, quero que percebas as flores ao longo do caminho. -

De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou as flores selvagens ao longo do caminho e isto lhe deu certo ânimo.

Mas ao final da estrada, o pote rachado ainda se sentia mal porque tinha a metade e de novo, pediu desculpas ao homem por sua falha. Disse, então, o homem ao pote:

- Você notou que pelo caminho só havia flores do seu lado? Eu, ao conhecer o seu defeito, tirei vantagem dele e lancei sementes de flores no seu caminho. E cada dia, enquanto voltávamos do poço, você as regava. Por dois anos eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu chefe. Sem você ser do jeito que é ele não poderia ter esta beleza para dar graça a sua casa.

20 de nov. de 2013

4 razões para você (tentar) parar de comer batata frita

Douradas, sequinhas, frescas e crocantes. Se não fossem as pesquisas e as informações nutricionais, seria difícil de acreditar que algo tão saboroso como uma porção de batata frita é, na verdade, quase que um veneno para o corpo. E essa preocupação é válida não só para quem está de dieta.


De acordo com a nutricionista Bianca Evans, essas guloseimas são prejudiciais em suas diversas formas: desde a batata pré-frita e congelada até os salgadinhos industrializados, passando pela versão descascada, cortada e frita em casa. Por isso, maneiras alternativas de preparo, como cozinhar e assar no forno, são maneiras bem-vindas de manter parte do sabor sem afetar a saúde, segundo ela. A seguir você confere o que há de tão perigoso nessa delícia, ainda mais quando consumida em excesso.
Gorduras saturadas
Tanto as batatas pré-fritas congeladas quanto as tipo chips são ricas em gordura saturada. Dependendo da marca, uma xícara de batata palha, por exemplo, pode ter 20 gramas de gorduras totais, o que representa mais de 35% do valor diário de referência de consumo, em uma dieta de 2.000 calorias. Essa mesma quantidade pode levar 10g de saturadas (45% do VDR).
Uma porção de 50 gramas de batata chips pode ser ainda pior, já que há marcas em que há quase 20 gramas de gordura, sendo 17 gramas do tipo saturado (quase 80% do indicado por dia). Já uma porção de 85 gramas de batata inglesa frita em casa (12 tirinhas) tem 10 gramas de gorduras (quase 20% do VDR).
Esse excesso é prejudicial ao organismo já que, além de engordar, pode provocar problemas cardiovasculares, nas artérias e no coração, aumentar o colesterol ruim (LDL), a pressão arterial e provocar doenças como diabetes.
Gorduras trans
A conservação das batatas industrializadas (pré-fritas, servidas em redes de fast-food ou do tipo salgadinho) depende, em alguns casos, das gorduras trans (formadas pelo processo de hidrogenação dos óleos vegetais). Esse tipo de ácido graxo é um dos grandes vilões da saúde, pois é capaz de aumentar o colesterol ruim e abaixar o nível de colesterol bom (HDL), além de estar associado à incidência de câncer e de doenças cardiovasculares.
Diante desses riscos, diferentes marcas têm se esforçado para não usar a gordura hidrogenada para retardar o perecimento dos produtos, mas ainda há aquelas que utilizam o método. “As batatas congeladas costumam ter muitos conservantes e gorduras trans. Se você descongelar e deixar fora da geladeira, elas ainda vão demorar a estragar. Além disso, elas são também muito mais calóricas”, afirma a nutricionista Bianca Evans.
Sódio em excesso
O sódio é outro ingrediente muito presente nas receitas de batatas industrializadas e que faz mal se houver exagero. “A conservação delas é feita com sal e gordura”, diz Bianca. Em quantidade excessiva, esse ingrediente pode levar ao aumento de pressão arterial, aumentando o risco de infarto, AVC (acidente vascular cerebral), insuficiência renal e cardíaca, doenças neurológicas, aneurisma, problemas respiratórios e retenção de líquidos.
A mesma xícara de batata palha mencionada anteriormente possui 200 miligramas de sódio (8% do valor diário referencial), por exemplo. A outra versão frita industrializada é ainda pior, com quase 290 miligramas da substância (pouco menos de 12% do VDR).
Carboidratos que podem engordar
Esse alimento tem outro fator que prejudica principalmente aqueles que estão em briga constante com a balança. De acordo com a nutricionista, a batata inglesa tem um alto índice glicêmico, ou seja, quando é ingerida, se transforma rapidamente em açúcar no organismo. Isso faz com que haja picos de liberação de insulina no sangue, o que contribui para o aumento da gordura corporal.
Uma alternativa sugerida por Bianca Evans é substituir esse tipo pela batata-doce. Apesar do nome, essa variação tem um índice glicêmico mais baixo e libera mais lentamente a glicose, mantendo baixo o nível de insulina. “É bom lembrar também que a batata é substituta do arroz e do macarrão. Então, se for comer batata, é bom não consumir outros tipos de carboidrato”, afirma a especialista.
Luciana Carvalho

19 de nov. de 2013

Mentiras


Uma coisa é a realidade e os fatos, outra é a imagem que queremos passar para as outras pessoas. Como a nossa sociedade dá mais valor ao que as pessoas pensam, ela incentiva a mentira. 

Nossa sociedade é muito presa à imagem. É uma sociedade narcisista. A criança é natural, espontânea, é ela mesma. 

Ela é verdadeira! Se ela não gosta de alguém, ela revela. Isso, porém, tem um preço. Muitas vezes ela é castigada, é punida pela sua verdade. 

Com o tempo ela aprende a simular. Assim foi a história de cada um de nós. Esse é o primeiro motivo da mentira: o medo. O medo da rejeição, o medo da crítica e o medo de ficar só. É uma forma de se defender do julgamento do outro. Outro fator que leva a pessoa a distorcer os fatos é o sentimento de inferioridade. 

Pessoas que se sente menos que os outros costumam mentir para se sentirem mais. É o caso de pessoas que falam possuir bens que não possuem e que dizem ter uma importância social que não tem. 

Popularmente, é a pessoa que gosta de “contar vantagem”. E a pessoa que se acostumou a mentir excessivamente para os outros com o tempo passa a acreditar nas próprias mentiras, ou seja, começa a mentir para si própria. 

E isso é grave porque é a raiz da neurose. Neurótico é a pessoa que não é verdadeira consigo mesma. Ela não se conhece porque não vê como ela é. Ela vive distanciada da sua realidade e se imagina diferente do que é. Na depressão, na angústia, no medo e na culpa há uma grande dose de mentira.
Antônio Roberto

Na pele dos especialistas

A pele é um dos órgãos com que precisamos tomar mais cuidados. Além de ser nosso cartão de visita, ela fica diretamente exposta à radiação do sol, ao calor, ao vento. 

Por isso é tão grande a busca por tratamentos estéticos e de rejuvenescimento para a pele – da cabeça aos pés. Clarear, eliminar sardas, diminuir rugas e marcas de expressão, esticar, levantar, esfoliar... 

O que diriam os especialistas em dermatologia sobre o que é essencial para cuidar da pele? 

E se a pele fosse a deles próprios? 

Escolhemos os dermatologistas mais queridinhos das estrelas para saber como eles cuidam de seu maior órgão – e que dicas oferecem aos leitores.


Otávio Macedo: "Não gaste dinheiro com cosméticos caros. Prefira fórmulas manipuladas na medida para você" Idade: 54 anos “bem vividos”
Usa somente produtos manipulados e diz que tem um truque especial para manter a pele bonita: bom humor. Além disso, pratica atividade física cinco vezes por semana (pilates, musculação com personal trainer e caminhadas) e segue uma alimentação balanceada supervisionada por nutricionista. 
Entre os seus clientes, estão Marília Gabriela, a atriz Gabriela Duarte, as apresentadoras Claudete Troiano e Renata Fan e os empresários Márcio e Fanny Goldfarb.

Cuidados diários: “Faço higiene facial com espuma de limpeza à base de chá-verde – um potente anti-oxidante –, de manhã e à noite. Também pela manhã, após fazer a barba, passo um serum lifting matificante [produto que reduz o brilho provocado pela oleosidade da pele] com fatores de crescimento, vitaminas C e E, nanosferas de retinol e fator de proteção solar 30. À noite, alterno o uso de ácido retinóico, tazaroteno e adapaleno (todos da família dos retinóides) em gel especial matificante.” 

 O que já fez: Submete-se a tratamento com Thermacool a cada 6 meses, algumas sessões de Fraxel e botox (só entre as sobrancelhas) e Foto-modulação com leds (Gentle-waves), sempre. 
Dicas do especialista:
- Dois segredos que fazem toda diferença: filtro solar durante o dia e ácido retinóico à noite– a vida toda! 
- Atualmente, você só vai precisar de cirurgia plástica muito mais tarde, uma vez que os novos tratamentos cosmiátricos minimamente invasivos nos deixam com aparência mais jovem por mais tempo; 
- Não gaste seu dinheiro com cosméticos caros. Fórmulas manipuladas por seu dermatologista são exclusivas para você. Invista em tratamentos com laser fracionado, rádio-freqüência e leds.

Ligia Kogos: "Quem cuida da pele constantemente tem mais benefícios do que quem resolve fazer todos os tratamentos de uma hora para a outra"
Idade: Ligia é absolutamente contra dizer quantos anos tem. “Um dos primeiros passos para o rejuvenescimento é não revelar a idade”, justifica.
Ao contrário do que muitos especialistas indicam, a dermatologista lava o rosto com água quente pela manhã. Segundo ela, faz desinchar, facilita a penetração dos cremes e tira a palidez matinal. 

Ela também indica loções com álcool (hidroacoólicas), que limpam em profundidade e são boas para tirar tanto a poluição quanto a maquiagem. É dona de uma linha completa de cosméticos e de uma clínica procurada por estrelas como Hebe Camargo, Ana Hickman, Wanessa Camargo, Walter Feldman, o jogador Kaka, a rainha Sílva da Suécia e o empresário João Dória Júnior.
Cuidados diários: "Logo que acordo, já lavo o rosto com água quente e sabonete líquido. Passo loção adstringente com ácido salicílico e hidratante com FPS 12, mais hormônio estradiol e liftline, que promove o 'efeito Cinderela'. 

Esse efeito dá um ar de descansado mesmo que se tenha dormido pouco. Passo maquiagem logo de manhã e permaneço com ela até o fim do dia. Antes de dormir, tiro com óleo demaquilante formulado, lavo com sabonete líquido, passo adstringente e alterno dois tipos de serum: um feito de vitamina C e hidroxyprolisilane e outro com ácido glicólico e estradiol. Uma vez por mês eu passo ácido retinóico."

O que já fez: Aplicação de toxina botulínica, preenchimento, preenchimento dos lábios, terapia fotodinâmica com ácido ALA, biofotomodulação, peeling de ácido retinóico, Quantum (laser), Accent, depilação a laser e intradermoterapia

Dicas da especialista: - Para quem chega muito cansado em casa e tem pouco tempo pra descansar, ou compromisso em seguida, indico borrifar essência de eucalipto nas paredes do box do banheiro e tomar banho bem quente. Você tem uma sensação de sauna expressa e relaxamento, além de desentupir as vias aéreas; - Não importa a idade, é sempre bom usar alguma substância com pH ácido, além do hidratante. Procure produtos com vitamina C, ácido glicólico ou peça ao seu dermatologista uma receita de ácido retinóico, para passar uma noite por mês. Essas substâncias revitalizam e pele e a deixam mais viçosa; - O mais importante para se ter uma pele bonita é o cuidado simples e constante: passar diariamente hidratante com filtro solar e um produto com pH ácido. 

A pessoa que cuida constantemente tem mais benefícios do que aquela que, de uma hora para outra, resolve fazer uma série de tratamentos. É só perder três minutos pela manhã e três à noite.

Ana Lúcia Recio: "Bons hábitos refletem positivamente no futuro" Idade: 48 anos
Como Ana Lúcia é morena e não toma sol, se não passar maquiagem, fica com aspecto um pouco abatido. Por isso, usa filtro solar com cor, blush e batom cor de boca ou levemente colorido. É a queridinha das atrizes Xuxa Lopes e Bia Seidl.

Cuidados diários: “Lavo o rosto pela manhã com sabonete específico. Aplico vitamina C e filtro solar com cor. Lavo novamente à noite e alterno um creme rejuvenescedor com um hidratante com agentes clareadores e antioxidantes. Diariamente, tomo um complexo vitamínico.”

O que já fez: “Ainda não fiz nenhum tratamento ou cirurgia e não pretendo fazer. Não posso prever, mas cuido da pele para evitar uma cirurgia no futuro. Procuro fazer uma dieta balanceada e exercícios físicos seis vezes por semana. Acho que fiquei viciada no bem-estar que eles oferecem. Quero envelhecer de modo saudável e bons hábitos ao longo da vida refletem positivamente no futuro.”

Dicas da especialista: - Tenha uma rotina diária: limpe, hidrate e proteja-se do sol. Isso fará uma grande diferença para a saúde de sua pele ao longo dos anos.

Nicholas Perricone Idade: 59 anos
Famoso dermatologista americano, Perricone acredita que a alimentação é a melhor forma de proteger a pele e mantê-la saudável. 

Ele descobriu o DMAE (dimetilaminoetanol – que tonifica a pele e evita a flacidez) e é autor de quatro bestsellers: A Dieta Perricone, A Promessa Perricone, O Guia Perricone para Ter a Pele Mais Jovem e O Fim da Rugas. Estrelas de Hollywood como Cameron Diaz, Jennifer Lopez, Julia Roberts e Sharon Stone são alguns de seus clientes fidelíssimos.

Cuidados diários: “No meu dia-a-dia, preocupo-me em me alimentar bem desde a hora em que acordo, e mesmo quando como na rua, procuro seguir minha dieta balanceada. Uso cosméticos apropriados para o cuidado da pele e nunca saio de casa sem um filtro solar. Também faço exercício físico todos os dias e nunca durmo com a pele suja da poluição do dia-a-dia.”
O que já fez: Nenhum tratamento na área estética.

Dicas do especialista: - Sempre seguir a teoria dos três benefícios, que explico em meus livros: 
1. Ter uma dieta balanceada antiinflamatória; 
2. Consumir suplementos, pois, infelizmente nem tudo podemos tirar dos alimentos; 
3. Usar produtos cosméticos eficazes.- Quando for fazer o prato, escolha uma proteína e bons carboidratos (com baixo índice glicêmico), beba muita água, faça exercícios físicos (sem exagerar no esforço) e tenha muito cuidado com o sol, até em dias nublados; - Não se esqueça de dormir pelo menos 8 horas por noite. A sua pele é o reflexo do tipo de vida que você leva.

Adriana Vilarinho : "A cada 15 dias, esfolio o corpo todo com açúcar cristal e óleo de amêndoas" Idade: 39 anos
Nunca se submeteu a uma cirurgia, mas está sempre experimentando as novidades de sua clínica. Aliás, serve de cobaia para todas as novas tecnologias antes de oferecê-las aos clientes. Adriana confessa um segredinho bem caseiro: uma vez a cada 15 dias, esfolia o corpo todo com açúcar cristal e óleo de amêndoas. 
Beldades como Naomi Campbell, Adriane Galisteu, Daniella Cicarelli e as angels brasileiras da Victoria's Secret exibem os bons resultados dos tratamentos e cosméticos indicados pela especialista.

Cuidados diários: “Lavo o rosto de duas a três vezes ao dia. Sempre tonifico a pele, passo hidratante com filtro solar pela manhã, cosméticos especiais para o contorno dos olhos, cremes clareadores e nutritvos à noite e sempre faço laser Fraxel e Thermacool.”
O que já fez: Peelings, laser (Fraxel e Thermacool), preenchimento, drenagem uma ou duas vezes por semana, Velashape e depilação a laser.

Dicas da especialista: - Lave sempre o rosto pela manhã e à noite, além de usar bons produtos com filtro solar;- O Velashape, para celulite, dá ótimos resultados. A depilação a laser é sempre um ótimo investimento.

Denise Steiner Idade: 53 anos
Denise não tem nenhum truque, apenas leva um creme na bolsa e o passa antes da maquiagem.

Cuidados diários: “Faço ginástica às 6h15 da manhã. Quando acordo, lavo o rosto e passo um creme antioxidante (com vitaminas, coffeberry, entre outros) ou com ácido retinóico. Depois da malhação, tomo banho e retiro os mesmos. Passo, então, um filtro solar com hidratante e, à noite, uso alternadamente ácido, antioxidante e tensor.”

O que já fez: Aplicação de toxina botulínica, radiofreqüência e luz pulsada

Dicas da especialista: - Passar creme antes da maquiagem ajuda a manter a pele mais jovem, assim como usar diariamente o filtro solar.


Nuno Osório : "Uso hidrante com filtro solar durante o dia" Idade: 46 anos
Nuno é econômico no uso de cosméticos e outros produtos para a pele. Ele só usa o bom e velho filtro solar.

Cuidados diários: “Pela manhã, lavo o rosto e passo hidratante com filtro solar. À noite, uso hidratante sem filtro.”
O que já fez: Peelings e aplicações de toxina botulínica Dicas do especialista: - Beber com moderação, dormir adequadamente e evitar a exposição solar.

Glossário 
Accent: para celulite e gordura localizada. Um aparelho emite ondas de radiofreqüência que geram calor e quebram as células de gordura
.
Botox: é uma das apresentações da toxina botulínica, que ocasiona a paralisação temporária dos músculos, maquiando rugas e marcas de expressão.

DMAE: sigla para Dimetilaminoetanol, que aumenta o tônus muscular e promove a firmeza da pele.

Fraxel: tratamento a laser para renovação superficial e profunda da pele, com a formação de uma nova camada de colágeno e cicatrização rápida.

Peeling: podem ser químicos ou físicos, com aplicação de substâncias para esfoliação ou de aparelhos de atrito, respectivamente. A finalidade é amenizar manchas, superfícies ásperas, rugas e cicatrizes superficiais.

Quantum: aparelho de luz pulsada que estimula a derme e aumenta a produção de colágeno. Também retira manchas e pequenos vasos sanguíneos.

Terapia Fotodinâmica: usado para o tratamento de tumores de pele, acne e rejuvenescimento. Há dois agentes – um creme fotossensibilizador e uma luz vermelha, específica para ativar o creme fotossensível que foi aplicado sobre a pele doente.

Thermacool: aparelho de radiofreqüência monopolar que reduz as marcas de envelhecimento.

VelaShape: massagem mecânica que reduz celulite, flacidez, gordura localizada e dá novos contornos ao corpo.
Laura Lopes - Época

17 de nov. de 2013

Joaquim Barbosa

Joaquim Barbosa foi caprichoso na execução das penas do mensalão. Poderia ter aguardado até segunda-feira para mandar prender os condenados. 

Preferiu apressar o passo. Levou trabalho para casa, lapidou os mandados de prisão até tarde da noite, e mandou recolher os presos em pleno feriado. 

Um feriado simbólico: 15 de novembro, Dia da Proclamação da República. Foi como se o ministro desejasse, por assim dizer, reproclamar a República.
Primeiro dos oito ministros indicados por Lula para o STF, Barbosa chegou ao tribunal graças à coloração de sua pele. Recém-empossado, em janeiro de 2003, Lula incumbiu o então ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos de encontrar um nome para o Supremo. Fez uma exigência: no melhor estilo 'nunca antes na história', queria nomear o primeiro ministro negro do STF.
Thomaz Bastos garimpou um negro de mostruário. Primogênito de oito filhos de um pedreiro com uma dona de casa da cidade mineira de Paracatu, Barbosa formara-se e pós-graduara-se na Universidade de Brasília. Passara pela Sorbonne, fora professor visitante de Columbia e lecionava na Universidade da Califórnia. De quebra, votara em Lula.
Indicado com “entusiasmo”, Barbosa tomou posse no STF em junho de 2003. Decorridos dez anos, frequenta o noticiário como uma espécie de coveiro do ex-PT. Lula procurava um negro. Achou um magistrado. Entre fazer média com o petismo e exercer o seu ofício, Barbosa optou pela lei.
No penúltimo lance do processo, Barbosa levou ao plenário a tese do fatiamento das penas. Fez isso para antecipar a execução dos pedaços das sentenças insuscetíveis de recurso. Prevaleceu no plenário. E impediu que o STF virasse Papai Noel dos condenados que questionaram parte dos veredictos por meio dos famosos embargos infringentes, ainda pendentes de apreciação.
Quarenta dias antes do Natal, em pleno Dia da Proclamação da República, Barbosa mandou para a cadeia uma dúzia de condenados graúdos –políticos, banqueiros, operadores de arcas eleitorais. Coisa nunca antes vista na história desse país, diria Lula se pudesse.
O PT critica as condenações. Dirceu e Genoino declaram-se presos políticos. Devem a perseguição a Lula e Dilma. Passaram pelo julgamento do mensalão, além de Barbosa, outros sete ministros indicados por Lula e quatro escolhidos por Dilma Rousseff.
Barbosa não foi a única autoridade brasiliense a celebrar o calendário. Dilma também anotou no Twitter: “Hoje comemoramos o 124º aniversário da Proclamação da República. A origem da palavra República nos ensina muito. A palavra República vem do latim e significa ‘coisa pública’.
 Ser a presidenta da República significa exatamente zelar e proteger a ‘coisa pública’, cuidar do bem comum, prevenir e combater a corrupção.”
Embora não tivesse a intenção, foi como se Dilma batesse palmas para o STF e para Barbosa, o magistrado que Lula imaginou que fosse apenas negro
Josias de Souza

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