17 de fev. de 2014

A chance perdida pelo futebol brasileiro

Detesto a expressão, mas vou usar: semana passada, o futebol brasileiro perdeu uma grande oportunidade para – desculpem – fazer história.

Não creio que a torcida do Real Garcilaso seja mais ou menos racista do que quase todas as outras do planeta – o que inclui as nossas. Não vi o jogo, mas é bastante provável que o time peruano tenha entrado em campo com mais negros que o Cruzeiro. E sou capaz de apostar que, se na saída do estádio os imbecis que imitaram macacos encontrassem Teófilo Cubillas – o maior jogador peruano de todos os tempos, e negro –, todos pediriam autógrafos e produziriam selfies abraçados ao ídolo.

Não há o que justifique a atuação da torcida do Real Garcilaso, mas antes que surja alguma proposta de ataque militar a Huancayo, quero crer que o objetivo ali era puramente futebolístico: desestabilizar o jogador, tirar-lhe o foco da partida e induzi-lo a erros. Vi Tinga declarar que ele até tentou esquecer as ofensas e se concentrar no jogo, mas tinha sido muito difícil. A abjeta estratégia dos torcedores do Real Garcilaso alcançara o que pretendia.

E foi aí que o futebol brasileiro perdeu o bonde.

Ao primeiro guincho da torcida peruana, caberia ao capitão do Cruzeiro, o bom goleiro Fábio, dirigir-se serenamente ao juiz e dizer que, naquele momento, seu time estava saindo de campo e abandonando a partida. (É por isso que capitães devem ser escolhidos criteriosamente, e precisam ter personalidade e autonomia para agir como legítimos representantes do clube dentro de campo.) Já que Fábio não tomou a atitude, ela teria que vir do treinador Marcelo Oliveira. Finalmente, com Fábio e Marcelo Oliveira compreensivelmente envolvidos pela pressão do jogo, seria obrigação do diretor de Futebol, Alexandre Mattos, ordenar a retirada.

Isto feito, os demais clubes brasileiros participantes da Libertadores – Atlético Mineiro, Atlético Paranaense, Botafogo, Flamengo e Grêmio – deveriam se juntar ao Cruzeiro e, com ou sem o apoio da pouco confiável CBF, exigir a eliminação sumária do Real Garcilaso do torneio. Caso contrário, os seis abandonariam a competição.

Os intransigentes defensores do futebol-negócio certamente irão argumentar com o montante de interesses em jogo. Mas, como diz a campanha publicitária do MasterCard, há coisas que não têm preço. E da mesma forma que a Nissan rescindiu seu contrato com o Vasco, devido aos constantes atos de selvageria protagonizados por uma das torcidas organizadas vascaínas, qual patrocinador não gostaria de ter sua imagem ligada aos times que tomassem a corajosa altitude? 

Em vez disso, entretanto, ficamos sabendo que a CBF emitiu nota oficial onde “concita os órgãos com poderes disciplinares no âmbito da Confederação Sul-Americana de Futebol – CONMEBOL, a sancionarem energicamente os responsáveis pelo triste e lamentável evento”, e vimos que viraram notícias um telegrama de Joaquim Barbosa e uma tuitada da presidenta.

Para manifestações tão flagrantes de racismo em um esporte tão popular, é muito pouco. Perto do que o futebol brasileiro poderia e deveria ter feito, é nada. Só falta agora alguém organizar um protesto nas areias de Copacabana.
Jorge Murtinho

12 de fev. de 2014

Ratan e o prêmio ganho na loteria

 Foto: BBCBrasil.com
Após receber torpedo fraudulento por celular, morador de vilarejo foi a escritório da BBC em Nova Déli buscar suposto prêmio que poderia chegar a US$ 478 mil


Um morador de um vilarejo na Índia viajou 1,7 mil km até o escritório da BBC em Nova Déli para reivindicar milhões que ele acreditava ter ganho na "Loteria BBC".
Ratan Kumar Malbisoi, de 41 anos, desempregado, foi fisgado em um esquema fraudulento (conhecido em linguagem cibernética como phishing, do verbo to fish, ou pescar) após receber um torpedo no celular, dois anos atrás.
"A mensagem dizia que eu tinha ganho entre 20 e 30 milhões de rupias (entre US$ 319 a 478 mil) na loteria nacional da BBC. E pedia que eu enviasse meus dados bancários para que pudessem fazer o pagamento", contou Ratan.
Um homem pobre e de pouca escolaridade, Ratan não percebeu que a mensagem era parte de um golpe. Ratan não só entrou em contato com os falsários, como também enviou a eles seus dados bancários e um extrato de sua conta. E conversou com os bandidos por telefone, várias vezes, nos últimos dois anos, pedindo que enviassem o prêmio prometido.
No mês passado, cheio de esperança, ele viajou cerca de 1,7 km do vilarejo onde vive, no Estado de Orissa, no leste da Índia, até o escritório da BBC em Nova Déli. O dinheiro para a viagem, ele contou, foi emprestado por amigos. Ratan chegou à capital indiana no meio de uma frente fria, vestindo apenas calça e camisa. Depois de passar a noite na plataforma da estação ferroviária, ele seguiu, pela manhã, para o escritório da BBC
Ao chegar à recepção, pediu para falar com Geeta ou Smita. Em uma das ligações que recebera do "escritório da BBC", a pessoa tinha se identificado por um desses nomes, disse. Então eu fui chamada. Ratan contou que, assim que recebeu o primeiro torpedo, em abril de 2012, não perdeu tempo em responder, enviando seu nome e endereço. Dentro de poucas horas, os bandidos telefonaram de volta.
"A pessoa disse que era o 'diretor da BBC'. Falava muito bem. E me prometeu uma grande quantia de dinheiro, mas disse que primeiro eu teria de pagar 12 mil rupias (US$ 191) para que ele pudesse transferir os fundos".
"Eu disse a eles que era muito pobre e não tinha dinheiro. Ele respondeu que eles não poderiam me pagar, mas continuamos negociando e depois de um tempo eles finalmente baixaram o valor para 4 mil rupias".
Ratan explicou que ainda assim não tinha como pagar. Chegou até a sugerir que eles poderiam "descontar as 4 mil rupias do valor do prêmio e me enviar o restante". Isso não seria possível, foi a resposta. Ratan não desistiu. Escreveu uma carta pedindo ajuda, contando sobre sua situação difícil, falando sobre a esposa e as três filhas, explicando que morava em um vilarejo perto da floresta e não tinha casa. Na carta, ele incluiu uma foto da família.
"O 'diretor da BBC'" era sempre muito atencioso, contou. Prometeu que viria à Índia visitá-lo. A última conversa telefônica que tiveram foi em novembro do ano passado.
"Contei que tinha perdido minha mãe e ele perguntou se eu havia recebido o cheque que eles tinham me enviado. Quando ele falou sobre o cheque, decidi vir ao escritório da BBC para saber se tinha sido mandado para cá", contou.
Ratan estava convencido de que as ligações tinham sido feitas da Grã-Bretanha. O número aparentava ser britânico, mas os especialistas é difícil confirmar isso.
O especialista em lei cibernética indiana Pavan Duggal explicou que esses números são falsos. Normalmente, não partem de um celular e sim de um website. E que é possível obter-se números que aparentam vir de qualquer país desejado.
Duggal contou que o golpe aplicado em Ratan é conhecido como um "velho golpe 419 nigeriano", por causa do número da lei nigeriana que trata de fraude.
Marcas
A BBC vem oferecendo orientação a pessoas que recebem mensagens como essas. Segundo o especialista em tecnologia Prasanto K. Roy, elas estão se alastrando e são perigosas. Os falsários usam marcas como a da BBC ou Coca-Cola porque têm credibilidade e são conhecidas globalmente.

"Obviamente, há (pessoas) suficientes, a maioria em cidades pequenas, que não têm muita escolaridade e não entendem muito sobre tecnologia e internet".
Na Índia, o meio preferido dos falsários é o celular. O país é um dos mercados de telefonia móvel que mais crescem no mundo, com 890 milhões de usuários.
O número de telefone que Ratan me deu foi atendido por um homem cujo sotaque parecia mais africano do que britânico.
Ele se apresentou como Scott Smith, disse que vivia na Grã-Bretanha mas recusou-se a me dizer qual era sua profissão. Quando eu disse que estava ligando da BBC, foi ficando cada vez mais agressivo.
"Estou muito ocupado e não posso falar com você. Vou denunciar você para a polícia e pedir que investiguem você. Não acredito que você é da BBC e se eu pudesse ver você, faria você ser presa", disse, antes de bater o telefone.
Depois de dois dias em Déli, Ratan conseguiu voltar para casa. De mãos vazias, mas em segurança. Mas não estou certa de que consegui convencê-lo de que o "diretor da BBC" com quem ele vinha conversando era na verdade um bandido falsário.
"Nunca senti que ele estava tentando me enganar. Gostava de conversar com ele, ele era sempre muito gentil". Ratan disse que nunca contou o caso à polícia.
"Se não quiserem me dar o dinheiro, não posso forçá-los. O dinheiro é deles".
Geeta Pandey - BBC

6 de fev. de 2014

Como é o governo deste país

Como é o modus operandi deste governo atual.

O cidadão está no fundo do poço, mas o “intelectual” não lhe dá a escada, o meio pelo qual ele possa galgar os degraus e subir, desde que faça algum esforço.


Ao contrário, o “homem humanitário” debruça na borda do buraco, estica um braço que nunca vai adiantar e faz cena de que quer ajudar.

O "descamisado" do fundo do poço não sabe que existe uma escada, logo, imagina que aquele homem é bom e quer ajudá-lo, assim, aposta nele.

Os meios (escadas): 
Escola pública de qualidade, cursos técnicos, Transporte, Segurança, Infra estrutura, Economia forte, criação de empregos, etc.

Os jogos de cena: 
Bolsa família, Auxílio reclusão, maciça propaganda, Cotas raciais, etc.

Política do “Pão e Circo”; pão (bolsa isso, bolsa aquilo...) e circo (estádios glamorosos).

O país afunda, mas o poder está garantido.

5 de fev. de 2014

10 razões para parar de trabalhar tanto

A revista Time selecionou bons motivos para diminuir o ritmo no trabalho
A redatora Mita Dira postou um tweet da Indonésia em 14 dezembro dizendo que já estava há pelo menos 30 horas trabalhando. Poucas horas depois ela entrou em coma e morreu no dia seguinte vítima de exaustão e excesso de trabalho. Por conta deste e de outros casos, a revista americana Time elencou dez boas razões para que os profissionais evitem trabalhar tanto.
Quantidade mata qualidade
Você quer ser excelente no que faz . Mas quanto mais tarefas você assumir, menor a chance de fazer um excelente trabalho em qualquer um deles. Corte itens da sua lista de tarefas, senão você pode errar naqueles que mais importam.

Assuntos do sono
"O caminho para uma vida mais produtiva e mais alegre passa por uma boa noite de sono", segundo Arianna Huffington em uma TED talk em 2011. Ela já passou por isso, chegou a desmaiar de cansaço e quebrar o maxilar. Agora é uma espécie de evangelista do sono. "Recentemente, fui jantar com um cara que se gabou de que ele tinha conseguido dormir apenas quatro horas na noite anterior". Ela respondeu: “se você tivesse chegado cinco, este jantar teria sido muito mais interessante."

Você não presta quando é preciso
Segundo a Time, entrar em uma reunião cansado e distraído não vale a pena. Você vai ser ruim para a geração de novas ideias e para encontrar soluções criativas para os problemas.

Seu humor é um desmancha-prazeres
O tipo de irritabilidade e impaciência que se passa com excesso de trabalho e atraso vai lançar uma nuvem negra sobre as pessoas ao seu redor, tanto no trabalho como em casa. Você é um funcionário que irá prejudicar a sua carreira. Se você é um pequeno empresário, irá prejudicar o seu negócio.

Seu julgamento é prejudicado
A pesquisa é precisa: a privação de sono prejudica a tomada de decisão. Como líder, o julgamento pobre é algo que você não pode pagar. Tirar algumas tarefas de sua lista de coisas a fazer pode significar que você use seu máximo de concentração e inteligência para as decisões difíceis que o seu trabalho exige.

Você está dando um mau exemplo
O horário de trabalho e o tom que você definiu para si mesmo provavelmente será espelhado pelo mais inteligente e mais ambicioso de seus empregados. Que tipo de líderes e chefes que você quer que eles sejam? Se você quer ideias mais brilhantes, então não crie um ambiente onde todos disputam para ver quantas horas eles podem trabalhar sem cair.

Sempre haverá mais trabalho
Se você executar o seu próprio negócio, há sempre um novo projeto para começar, um novo cliente de prosseguir ou uma nova tecnologia para experimentar. Isso pode ser uma coisa boa, mas só se você tiver tempo e energia para fazê-los com excelência.

Você está machucando seus relacionamentos
Pode haver pessoas na sua vida se sentindo excluídos. Não espere até que seja tarde demais.

Você está estragando a sua saúde
Será que Mita Diran sabia que ela estava arriscando sua vida por trabalhar tanto? Parece claro pelos seus tweets que não. Se tivesse, ela teria feito uma escolha diferente. Se você deixa o seu horário de trabalho interferir na sua alimentação e exercício físico regular, para não mencionar o sono, é possível que você esteja encurtando a sua vida por excesso de trabalho. Vale a pena?

A maioria do trabalho é menos importante do que você pensa
Há alguns anos, um homem atendeu pacientes em fase terminal. Aqueles que tinham tido carreiras lamentaram o número de horas que passaram no trabalho. Mas muitos de seus pacientes também falaram de sonhos que desejavam e que haviam realizado.

Pergunte-se: em 10 anos, vou me preocupar com isso? Se a resposta for não, então provavelmente é hora de parar e ir descansar um pouco.

4 de fev. de 2014

Mapa nova-iorquino

Me perguntaram quem é o mais nova-iorquino dos nova-iorquinos e o primeiro nome que pintou foi Woody Allen. Bobagem minha. 

Ele e as situações e os personagens dos seus filmes são nova-iorquinos, mas o nova-iorquino típico não é um cineasta neurótico genial.

Todos temos neuras. 
Quais tipificam Nova York?


Numa cidade de oito milhões de habitantes, mais da metade nascidos fora daqui ou filhos de pais imigrantes, quem é típico? Na década de 70, quando fizeram o retrato do americano típico, encontraram uma mulher de meia idade, de origem alemã.
Se você perguntar a dezenas de pessoas quem é o nova-iorquino típico e como aprender a conviver com ele nesta cidade, vai encontrar dezenas de respostas diferentes.

Pedro Andrade, companheiro de mesa no programaManhattan Connection, acaba de lançar o Melhor Guia de Nova York. Confie nas sugestões dele. Foi a todos lugares, conhece donos e empregados.
Pedro viveu em várias cidades. Diz que ser nova-iorquino não tem relação com a cidade onde a pessoa nasceu, cresceu ou mora, mas é onde se sente em casa. No caso dele, Manhattan.
Ele oferece uma longa lista de sugestões práticas de como ser um nova-iorquino já na primeira viagem, para seu próprio bem e para o bem da cidade.
Sempre dê gorjeta ao bartender e ao taxista.
Evite Times Square, Soho e Quinta Avenida nos fins de semana.
Não se assuste com as ratazanas do Lower East Side. Fazem parte do cenário.
Evite pochete, chinelo de dedo e calça capri. Esta, nem em Capri.
Não aplaudir o piloto nas aterrissagens, nem pedir autógrafo a celebridades.
Não dependa de táxis entre 3h30 e 4h30. É hora de mudança de turno.
A pizza de US$ 0,99 pode ser tão boa quanto a de US$ 99.
Não peça descontos nem "choros" no bar.
Não critique turbantes, badulaques, piercings e tatuagens. A big applenão gosta do tédio visual.
Simpatia, paciência, cordialidade, iniciativa e bom humor funcionam em Nova York.

Brian Lehrer é meu mais nova-ioquino dos nova-iorquinos. 62 anos, com QI de 168. Nascido em Nova York, é um premiado radialista, escritor e documentarista.
Entre os prêmios, ganhou o Heart of New York Award, do New York Press Club, pelo documentário Immigrant New York, the last 20 years. Da Biblioteca Pública de Nova York, ganhou o "Best Books for the Teenaged" pelo The Korean Americans. Há muitos outros.
Brian faz um programa diário de duas horas na WNYC, a rádio pública de Nova York. Entrevista de Hillary Clinton a mãe de um garoto de 9 anos que vai para a escola de transporte público, mas quase sempre tem um tópico sobre a cidade, do banal ao profundo. Nenhum outro programa tem pulso mais preciso de Nova York.
Esta semana ele perguntou: "Quem ensinou você a ser um nova-iorquino?". Jorraram respostas pelo telefone, Twitter e e-mail.

Aqui vão algumas.

"Foi um amigo. Aconselhou: 'Abra a porta para os outros, ajude a carregar pacotes, ceda assentos para grávidas. Sempre divida o espaço público'."
"Uma garçonete do hotel Edison. Ela me ensinou a comer uma bagel."
"Minha colega de trabalho: 'Seja fingida até chegar onde você quer'".
"Meu marido me ensinou a surfar as multidões nas estações no rush sem mudar o ritmo das passadas."
"Meu marido sugeriu viagens no metrô até o extremo sul e extremo norte da cidade. E voltar a pé. Num domingo, uma caminhada levou 9 horas. Foi o melhor dia de todos."
"Um amigo me disse quando cheguei, em 1969: 'Se você não encontrar o que procura, o que procura vai encontrar você'. E acertou."
Uma australiana, de Sydney, aprendeu com um nova-iorquino a dar um tapão no capô de carros que avançam nas faixas de pedestres. Em Sydney, se você der um tapa num capô, o motorista do carro desce e dá um murro em você. Em Nova York, eles ficam sentados, mansinhos.

Eu e meus amigos mudamos para Nova York na década de 70, certos de que nossos destinos eram os teatros da Broadway.
Aprendemos:
1 - Caminhe, caminhe, caminhe até aprender o caminho.
2 - Enquanto estiver caminhando, cante. Ninguém vai incomodar você enquanto você canta.
3 - Nunca aborde gente famosa. Os famosos merecem ficar em paz.
4 - Se alguém parece perdido, ajude.
5 - Sempre caminhe.
Dos cinco que vieram, apenas um chegou à Broadway.

Lição aprendida: não há nova-iorquino típico nem lição definitiva. Se você não achar Nova York, talvez Nova York ache você.
Lucas Mendes


1 de fev. de 2014

8 histórias que provam : O sucesso vem com derrotas


Não é sempre que o sucesso vem fácil. Na maior parte das vezes, ele só dá as caras depois de muito esforço e muitas tentativas fracassadas. 



A regra é bem ilustrada por uma frase de Wiston Churchill: "o sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo". 


Veja, a seguir, as histórias de pessoas que se deram bem na vida - mas não sem antes passar por bons bocados.








1. Oprah Winfrey



A maior apresentadora da televisão americana chegou a ser demitida de uma emissora no início de sua carreira. No começo da década de 1980, Oprah trabalhava como âncora de um jornal do canal WJZ-TV, a TV local da cidade de Baltimore, do estado de Maryland. Segundo seu chefe, ela se deixava envolver demais nas histórias que contava em seu programa e, por isso, foi mandada embora.



Poucos anos depois, em 1986, seu talk show, o Oprah Winfrey Show, começava a ser exibido em cadeia nacional. O programa foi renovado até à 25ª temporada e rendeu à apresentadora muitos prêmios de reconhecimento, inclusive sua primeira aparição na lista da revista Time de pessoas mais influentes do mundo. Além desta, Oprah passou a figurar também em outro importante ranking: o dos mais ricos do mundo. Segundo a revista Forbes, o patrimônio da americana é de US$ 1,4 bilhão.





2. Harrisson Ford

A primeira vez que Harrisson Ford apareceu no cinema foi para fazer um pequeno papel em "O Ladrão Conquistador", de 1966. Da estreia, no entanto, não vieram grandes oportunidades para o ator. Com uma esposa e dois filhos para manter, ele largou tudo, em 1970, para se tornar carpinteiro - uma profissão que ele julgava mais estável financeiramente.

Coincidência ou não, Ford começou a construir gabinetes para o cenário de "Loucuras de Verão", filme dirigido por George Lucas, em 1973. O contato com o diretor lhe rendeu uma participação no longa e, mais para a frente, o papel de Han Solo em "Star Wars IV: Uma Nova Esperança". Conhecido também por sua atuação em Indiana Jones e Blade Runner, o artista possui, hoje, dois recordes hollywoodianos no Guinnes Book: o de ator que gerou o maior lucro de bilheteria e o de ator com mais filmes que ultrapassaram a marca de US$ 100 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos.


3. Tim Allen

Pouca gente sabe, mas Tim Allen passou dois anos preso por posse e tráfico de cocaína. A prisão ocorreu pouco depois de Allen iniciar sua carreira como comediante - ele fazia apresentações de stand up comedy em casas noturnas de Detroit.

Em sua condenação, Allen recebeu uma sentença reduzida após concordar em testemunhar contra seu parceiro no tráfico. Ele cumpriu pena na Prisão Federal de Sandstone, onde se tornou conhecido por conquistar tanto os guardas quanto os prisioneiros mais difíceis com seu senso de humor.





4. Andrea Bocelli

Antes de se tornar tenor, Andrea Bocelli se apresentava em bares da cidade de Pisa, na Itália. O dinheiro que ganhava à noite garantia não só o pagamento das aulas de canto, mas também da faculdade de direito que ele cursava.

Depois de se formar, em 1987, e trabalhar durante um ano como advogado, Bocelli optou pela música como carreira definitivamente. Ele começou a ter aulas de canto com o maestro Luciano Bettarini e passou a se dedicar ao canto em tempo integral.


Tanto trabalho teve retorno. Quatro anos depois de iniciar suas lições com Bettarini, quando já tinha 33 anos, a voz do cantor chegou aos ouvidos de Luciano Pavarotti. O experiente cantor se tornou "padrinho" da carreira de Bocelli.





5. Walt Disney

Acredite se quiser: muito antes de o Mickey ser criado, Walt Disney foi demitido de seu trabalho em um jornal por sua "falta de imaginação e boas ideias". Ele trabalhava como ilustrador de anúncios publicados nas páginas do veículo.

Quando saiu do emprego, em 1921, ele se juntou ao seu irmao Roy e o amigo Ub Iwerks para fundar a produtora Laugh-O-Gram, que criava animações de contos de fadas - a predecessora do Walt Disney Studios. Os desenhos feitos pelo trio começaram a ser exibidos nos cinemas da cidade do Kansas antes das sessões de filmes.

Durante um período, o estúdio fechou um acordo com uma distribuidora de Nova York que apenas pagava pelas animações seis meses depois de recebê-las. Foram tempos difíceis para Disney, que precisou reduzir as despesas e a equipe ao máximo para fazer a empresa sobreviver. O ilustrador não poupou esforços: no final do ano de 1922, ele estava morando no escritório da Laugh-O-Gram, comendo comida de cachorro e tomando banho uma vez por semana em uma estação de trem.

Depois de fazer uma animação sobre higiene dental para um dentista da região, Disney obteve dinheiro o suficiente para levar a Laugh-O-Gram para Hollywood, em 1923. Lá, o estúdio fechou um contrato com Universal Studios, que passou a comprar e a exibir as animações da equipe. Foi nesse período que Disney criou um de seus importantes personagens, o Coelho Osvaldo, que se tornou bastante popular quando foi lançado.

O ilustrador, no entanto, não colocou sua assinatura no desenho do pequeno coelho - uma brecha que permitiu à Universal roubar a figura, levando consigo a equipe de desenhistas do Laugh-O-Gram. Quando isso ocorreu, Disney enviou um telegrama ao seu irmão dizendo para ele não se preocupar, pois ele já tinha um novo personagem em sua mente: Mickey Mouse. O sucesso obtido pelo camundongo tirou o ilustrador e seus sócios da miséria.


6. Steve Jobs

A história de como a Pixar foi criada começa com um fato intrigante: a demissão de Steve Jobs da companhia que ele próprio fundou, a Apple.

É conhecido o fato de que Jobs não era um chefe fácil. Pelo contrário, ele era extremamente exigente e tinha uma maneira cruel de cobrar seus funcionários. Esse jeito tornou sua imagem desgastada no conselho da empresa, que, chefiado por John Sculley, optou por uma reestruturação. Nela, Jobs não teria o controle de nenhuma divisão, mas poderia ficar na empresa com o título de presidente do conselho. O empresário não aceitou e saiu da Apple.

Um ano depois, em 1986, Jobs comprou um estúdio de computação gráfica chamado Lucasfilm. Rebatizada de Pixar (uma mistura das palavras pixels e arte), a empresa desenvolveu uma parceria estratégica com a Disney, com a qual criou, produziu e lançou animações de 3D de sucesso, começando com Toy Story.


7. J. K. Rowling

Joanne Rowling, ou J. K. Rowling, era mãe solteira e estava desempregada quando começou a escrever sobre Harry Potter, seus amigos e a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Ela conta que a figura do bruxo com uma cicatriz em formato de raio na testa surgiu inesperadamente em sua cabeça, durante uma viagem de trem em 1990. A história criada ao entorno do personagem Harry Potter ajudava Rowling a passar o tempo, enquanto enfrentava uma depressão e dificuldades financeiras.

A escritora apresentou "Harry Potter e a Pedra Filosofal", o primeiro livro da sequência, a oito editoras diferentes antes de conseguir publicá-lo, em 1997, pela Bloomsbury Press. A obra conta hoje com mais de 120 milhões de cópias comercializadas.

Toda a série Harry Potter foi traduzida para mais de 67 idiomas e vendeu cerca de 1 bilhão de exemplares até dezembro de 2011. Com o grande sucesso de seus livros, Rowling tornou-se a mulher mais rica na história da literatura.

8. Ricardo Nunes

“A dificuldade faz a gente aprender mais rápido”. A frase é de Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro e o principal acionista da Máquina de Vendas. O empresário sabe bem do que fala: seu pai morreu aos 40 anos, fazendo com que ele, filho mais velho, começasse a trabalhar para ajudar a mãe com a renda da casa.

Nunes começou, então, a vender tangerinas na porta de uma faculdade. Em pouco tempo, notou que muitas pessoas não compravam as frutas porque não queriam descascá-las. Assim, passou a vender tangerinas descascadas.

Depois de algum tempo, o empresário começou a vender liquidificadores. Vendo que existia muita concorrência no mercado, optou por uma estratégia intrigante: cobrir qualquer oferta. Por causa disso, ele conta que perdeu muito dinheiro com os liquidificadores. O lado bom era que os clientes que vinham à loja acabavam saindo de lá com outros produtos. 

No final das contas, as teorias aplicadas na venda de tangerinas e no comércio de liquidificadores deram resultado. Nunes hoje está à frente de uma rede de varejo que fatura R$ 9 bilhões por ano.

Fabiana Pires - Época

31 de jan. de 2014

Decisão Judicial

Diante de tantas manifestações de frieza e desumanidade que vemos, a cada dia, no exercício de nossa atividade profissional, é alentadora, uma decisão como a que abaixo transcrevemos.

Juiz nega Justiça Gratuita para garoto, mas desembargador reverte a decisão 

É simplesmente emocionante a decisão de um desembargador do Tribunal de Justiça e São Paulo. 

Um garoto pobre, que perdeu o pai em um acidente de trânsito pediu ajuda da Justiça Gratuita, mas um juiz negou. A negativa por si só já comove, principalmente pela falta de humanidade. Só que, a decisão de um desembargador é ainda muito mais emocionante 

Decisão do desembargador José Luiz Palma Bisson, do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferida num Recurso de Agravo de Instrumento ajuizado contra despacho de um Magistrado da cidade de Marília (SP), que negou os benefícios da Justiça Gratuita a um menor, filho de um marceneiro que morreu depois de ser atropelado por uma motocicleta
O menor ajuizou uma ação de indenização contra o causador do acidente pedindo pensão de um salário mínimo mais danos morais decorrentes do falecimento do pai.

Por não ter condições financeiras para pagar custas do processo o menor pediu a gratuidade prevista na Lei 1060/50. O Juiz, no entanto, negou-lhe o direito dizendo não ter apresentado prova de pobreza e, também, por estar representado no processo por "advogado particular".

A decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a partir do voto do desembargador Palma Bisson é daquelas que merecem ser comentadas, guardadas e relidas diariamente por todos os que militam no Judiciário. 

Transcrevo a íntegra do voto: 

É o relatório. Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro, ou sem ele, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna. 

Aquela para mim maior, aliás, pelo meu pai - por Deus ainda vivente e trabalhador - legada, olha-me agora. É uma plaina manual feita por ele em paubrasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem
sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem apenas papel repetido. É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina. 

Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos. São os marceneiros nesta Terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é. 

O seu pai, menino, desses marceneiros era. Foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante. Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres. 

Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d'água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou. 

Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos... 

Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir. Fica este seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com ares de definitiva, a antecipação da tutela recursal. 

É como marceneiro que voto. 
JOSÉ LUIZ PALMA BISSON - Relator Sorteado?

25 de jan. de 2014

Síndrome de Greta Garbo

Sei que é inevitável falarem de mim, tanto por causa da minha carreira na televisão quanto por ser casada com um ator, mas essa exposição compromete o meu trabalho como psicóloga. É ruim para mim, um assunto que ficou para trás.” Foi em frente ao seu consultório, na zona sul de São Paulo, que a ex-atriz Lídia Brondi reforçou a sua posição a favor do anonimato para a Istoé. 
Aos 53 anos, casada há 23 com o ator Cássio Gabus Mendes, Lídia preserva o mesmo sorriso de três décadas atrás, quando figurava no seleto grupo das maiores e mais belas estrelas da televisão brasileira. As suas ligações com o passado param por aí. Em 1990, aos 30 anos, ela colocou um ponto final na carreira marcada por sucessos como “Dancin’ Days” (1978), “Roque Santeiro” (1985) e “Vale Tudo” (1988), só para citar três novelas da Rede Globo. Saiu de cena no auge, quando seu rosto estampava a capa de inúmeras revistas – masculinas, inclusive –, para o espanto da classe artística e do público que a enxergava como uma espécie de nova namoradinha do Brasil. Sua última novela foi “Meu Bem, Meu Mal” (1990). 
“As pessoas ainda me procuram para falar sobre o meu trabalho na televisão e têm curiosidade sobre a minha vida, mas já faz 20 anos. Isso me surpreende”, diz Lídia. A ex-atriz e, hoje, psicóloga viveu o que no meio artístico passou a ser conhecido como síndrome de Greta Garbo, em referência à artista sueca que trocou o status de estrela de Hollywood dos anos 1920 e 1930 para viver reclusa em sua terra natal (leia quadro). Lídia, porém, não é a única brasileira nesse panteão das deusas reclusas. 
Em 2010, aos 35 anos, a atriz Ana Paula Arósio surpreendeu ao pedir demissão da Globo, após conquistar, em 11 anos de casa, prêmios, fama e idolatria por meio de trabalhos como “Hilda Furacão” (1998) e “Terra Nostra” (1999). Desde então, a sua ocupação passou a ser os afazeres do Haras São Carlos, em Santa Rita do Passa Quatro, cidade de 26 mil habitantes no interior de São Paulo. Trilhar uma carreira de sucesso no mundo dos artistas é tido por muitos como uma espécie de bilhete de loteria premiado, a concretização de um sonho. O que explicaria, então, o movimento contrário das celebridades que trocam o pedestal ocupado por uma minoria por uma vida comum à maioria?
chamada.jpg
RECLUSÃO
Ana Paula Arósio cavalga em sua fazenda, em Santa Rita
do Passa Quatro (SP), e, em 1997, na novela "Ossos do Barão"
SINDROME-X-IE.jpg
“Há uma fantasia que habita a cabeça dos famosos. Muitos, em algum momento, pensam: ‘Uma hora eu desapareço’”, diz o psicanalista Jacob Pinheiro Goldberg, autor do livro “Sentido e Existência”, que trata da relação do ser humano com a sua imagem. Psiquiatra e psicanalista carioca, Luiz Alberto Py argumenta que não é tão raro pessoas nessas condições não desejarem mais ser quem eram. 
“Ainda mais quem começou em um caminho muito cedo e não teve uma escolha própria amadurecida sobre o que fazer na vida”, afirma. Lídia Brondi e Ana Paula Arósio iniciaram precocemente no meio artístico, aos 14 e 12 anos, respectivamente. Tiveram de encarar pressões e responsabilidades para as quais muitos não estão preparados nem deveriam ser expostos nessa idade. Mais tarde, com maior discernimento e donas do próprio nariz, tornaram-se sensíveis às agruras da exposição e decidiram sair da vitrine, como se isso fosse possível. 
Há vários apelos para que elas voltem. Em novembro, por exemplo, o diretor de núcleo Wolf Maya rasgou elogios a Ana Paula e afirmou: “Faço aqui um apelo público, nós não podemos perder Ana Paula Arósio.” E fãs de Lídia Brondi criaram blogs para cultuar momentos marcantes da carreira da estrela.
01.jpg
A opção de sumir do mapa acaba se revelando um jeito eficiente de continuar aparecendo. É o que ocorre com Ana Paula, 38 anos. Em Santa Rita do Passa Quatro, poucos são os habitantes que desfrutam de sua confiança. Muitos, porém, têm uma história sobre ela para contar. As lendas em torno do seu estilo de vida proliferam como resultado da sua opção por não circular e não interagir. Assim, ela se tornou um mito cercado por um pequeno séquito. 
“Não posso falar sobre a nossa relação, fui proibida por ela”, diz Claudete Aparecida Arósio, mãe da ex-atriz. Ana Paula, dizem comerciantes locais, já foi vista em bares da cidade – em um deles, cujo dono é um de seus funcionários no haras, teria até arriscado algumas tacadas em uma mesa de bilhar – e bebendo cerveja acompanhada de amigos em lojas de conveniência de postos de gasolina. Conta-se, inclusive, que ela teria a mania de dar cerveja a seus cavalos. Funcionários da prefeitura também afirmam já tê-la visto entrando no banco, circulando como uma transeunte, de bota, calça de administradora rural suja de terra, cabelo preso e óculos escuros para esconder o farol que a tira do anonimato no ato – os hipnotizantes olhos azuis. 
“Ela veio uma vez aqui, num sábado à tarde. Encostou sua caminhonete preta e desceu para beber três cervejas e comer panceta frita acompanhada de um homem”, diz Roberto Correia, proprietário do Boteco do Roberto. A ex-atriz escolheu viver com o marido, o bioarquiteto e cavaleiro Henrique Pinheiro, 35 anos, em uma zona rural afastada do centro da cidade. Para chegar à porteira da sua propriedade de 40 alqueires (o equivalente a 48 campos de futebol), é preciso encarar cinco quilômetros de uma estreita estrada de terra. ISTOÉ tentou ali, sem sucesso, um contato com a protagonista de “Hilda Furacão”.
06.jpg
GRETA-08-IE-2305.jpg
EXPEDIENTE
Fachada do prédio onde fica o consultório de Lídia Brondi,
na zona sul de São Paulo: a ex-atriz passou na faculdade de
psicologia, em 2002, dez anos depois de se afastar da tevê
O fato de se tornar uma figura pública, conhecida por muita gente e assediada continuamente deixa o indivíduo sufocado, afirma o psicanalista Goldberg. Além disso, ele é submetido a juízos o tempo todo e surge o medo da desaprovação. A vulnerabilidade do olhar alheio implica sensação de crítica. “E tem a questão da fantasia, da destruição da identidade por causa do personagem. 
Vários fatores podem levar a uma fragilidade psicológica”, afirma. Ana Paula tem aversão não só à imprensa, mas ao público. Convidada recentemente para assistir a uma prova de tambor, que consiste em contornar três tambores montados em um cavalo no menor tempo possível, teria assim reagido, segundo uma pessoa próxima: “Ah, mas o pessoal vai ficar em cima, me enchendo o saco.”
03.jpg
Quando Lídia Brondi decidiu abandonar a vida artística, rumores davam conta de que uma síndrome do pânico teria sido o motivo, fato negado pela atriz. “A maioria dos famosos, em um determinado momento, tem pelo menos alguns sintomas de síndrome do pânico, mas claro que não divulgam publicamente”, diz Goldberg. Pai de Lídia, o pastor Jonas Rezende conta que tentou dissuadir a filha de desistir de seu contrato com a Globo, argumentando a importância do trabalho dela. “Eu disse que tevê é um veículo de entretenimento e diverte milhões de pessoas. Mas ela tinha tomado uma decisão que vinha sendo amadurecida havia algum tempo. Era uma fase de sua vida que se esgotou”, afirma Rezende.
04.jpg
Dez anos depois de deixar a tevê, aproximadamente, Lídia foi aprovada na faculdade de psicologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo. Graduada, hoje ela intercala atendimentos em seu consultório e em um ambulatório da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Seu nome consta da equipe do Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência (Prove). A psicóloga vai a pé de um local a outro sem receio de ser reconhecida, o que, segundo ela, acontece com mais frequência do que ela imaginaria. Dedicada, chega a cancelar viagens para não deixar de atender seus pacientes. Começa cedo no consultório e, dependendo da agenda, encerra o expediente por volta das 21 horas. A ex-atriz, mãe de Isadora, 28 anos, da união de cinco anos com o diretor da Globo Ricardo Waddington, não cogita retornar à antiga profissão.
Hoje em dia, Ana Paula Arósio faz as vezes de administradora rural em seu haras, enquanto o marido se encarrega de fazer supermercado, ir ao correio e cuidar das tarefas bancárias. Outro dia, a ex-atriz se embrenhou no meio do lago para instalar um vaso no local e, em 2012, foi até a delegacia de Santa Rita do Passa Quatro para registrar um boletim de ocorrência contra o proprietário do sítio vizinho, que, curiosamente, é pai de um ex-namorado. Ela o acusa de ser o responsável por um incêndio criminoso que consumiu uma quadra da sua plantação de cana-de-açúcar. “Ela e o ex-sogro vivem às turras, uma história mal aparada desde que ela terminou o namoro com o filho dele”, diz um parente do ex-sogro de Ana Paula.
02.jpg
Além de cana-de-açúcar, Ana Paula e o marido produzem feno, que é vendido para sítios e fazendas da região por R$ 7 o fardo. Os dois possuem um campo de produção de cerca de cinco alqueires no haras. Recentemente, também, adquiriram um trailer para transportar os cavalos – têm cerca de 30 –, a paixão de Ana Paula. Quatorze anos atrás, a atriz já dava sinais – mesmo desfrutando das benesses de protagonista da novela do horário nobre da Globo (“Terra Nostra”) – do papel que gostaria de desempenhar na vida real. Lá atrás, em uma entrevista, contou que seu avô, bem-sucedido morando em uma fazenda, decidira sair do fim de mundo em que se encontrava para viver na cidade grande. Dera ouvido ao que diziam seus amigos sobre as boas oportunidades oferecidas na metrópole – mas não foi bem-sucedido. A conclusão de Ana Paula, à época com 24 anos: “É por isso que até hoje eu sinto necessidade de estar no campo, de trabalhar com a terra.” A duras penas, sob críticas de diretores que contavam com a sua presença em gravações de novela e eventos de lançamento, ela jogou tudo para o alto, desceu do pedestal e calçou as botas surradas de um anonimato que ainda não se concretizou.
05.jpg
MISTERIOSA
Acima, Greta Garbo caracterizada como Marguerite para o
filme "Dama das Camélias", de 1936; abaixo,
a atriz caminha por Paris, em 1958
GRETA-09-IE-2305.jpg
Rodrigo Cardoso e Camila Brandalise - IstoÉ

21 de jan. de 2014

Preguiça

Todo dia, lá pelo fim do dia, ela chega. Você senta para ver televisão e, quando os comerciais interrompem seu programa favorito, você nota que o controle remoto ficou lááá longe –e decide que esperar alguns minutinhos até o programa voltar não será tão ruim assim. 

Então bate a sede, mas você avalia mentalmente a distância até a geladeira –e decide que não está com tanta sede assim. Ao menos, nada que faça o esforço valer a pena.

Essa é a preguiça, nome comum para um estado cerebral que afeta a nós todos, todos os dias, quase que com hora marcada: o estado de falta de motivação causado pelo acúmulo de adenosina no seu sistema de recompensa como resultado das várias horas passadas no estado acordado.

Um dos efeitos da adenosina é bloquear a ação da dopamina, substância que, no sistema de recompensa, leva à ativação do estriado ventral. Esta, por sua vez, dá aquele surto de prazer que, quando produzido logo após algo bem feito, serve como recompensa –e, quando obtido só de pensar em fazer alguma coisa, e logo antes de fazê-la, serve como uma cenoura na ponta da varinha e empurra seu cérebro à ação.

O sistema de recompensa, contudo, funciona em paralelo com outro sistema, centrado no córtex cingulado anterior, que avalia custos: o esforço de se mexer. Se você sai do sofá ou não depende de quem fala mais alto e ganha a disputa –seu cingulado anterior ou o estriado ventral. E com o estriado ventral encharcado de adenosina, dá para imaginar que a sede terá que ser muito grande, e o comercial, muito ruim para fazer você sair do sofá.

Como a adenosina que se acumula é um subproduto natural do funcionamento de neurônios e outras células no cérebro, não há jeito: a preguiça certamente baterá no final do dia. O que é bom, pois assim você sossega e tem mais chances de adormecer. Por isso, também, jogar videogames altamente motivadores à noite (ou ler aquele livro de suspense com uma reviravolta a cada página) é uma péssima ideia: não há adenosina que chegue para neutralizar a ação de tanta dopamina.

Mas nem toda relutância em se mexer é por preguiça. Estou de férias onde, se quiser, posso ficar o dia todo lendo na rede. Aí a competição é outra: entre o prazer de continuar na rede e o novo candidato a próxima atividade. Geralmente só ganham a cozinha e o banheiro, ou um joguinho de cartas...
Suzana Herculano-Houzel

19 de jan. de 2014

As 9 coisas mais legais já feitas com impressoras 3D

Foi-se o tempo em que impressoras 3D serviam para imprimir figuras indefinidas e inúteis. 

Hoje, é possível fazer quase tudo com essas máquinas – de obras de arte a inovações na medicina. 

A variedade é tanta que, este ano, o Japão (é claro) ganhou um museu totalmente dedicado a criações 3D. 

Escolhemos as invenções mais curiosas que tem sido feitas com essas máquinas. É, gente, o futuro chegou.

1. Quase todos os itens de Zelda

Para começar bem, que tal essa coleção invejável de itens que Link coleta em Legends of Zelda? O criador do site Hyrule Foundry, que é dedicado ao jogo, criou essas belezinhas. São ao todo 32 réplicas perfeitas de objetos presentes no game. Alguns deles ainda estão sendo aprimorados, como as poções, que pedem uma impressão mais translúcida. E sabe qual é a melhor parte? Dá para comprar os itens separadamente ou toda a coleção, que custa por volta de 300 dólares. 

2. Arte
Todas as peças que o artista Joshua Harker disponibiliza em sua loja na Etsy são feitos com a impressora 3D.  Além de esculturas, Harker também faz bijuterias e até capa de celular no mesmo estilo.


3. Figura de ação de Halo
Infelizmente não sabemos a origem desta figura de ação incrível, mas este comercial do Halo 3 – feito totalmente com figuras 3D – pode nos dar uma pista. Bacana, não?

4. Luva do Homem de Ferro

Criada por Brian Cera, estudante da Universidade de Wisconsin, essa luva do Homem de Ferro é facilmente manipulável e incrível.

5. Guitarras
Esta não é apenas uma réplica de uma Les Paul. É uma réplica funcional de uma Les Paul! E pela bagatela de 3500 dólares (sem frete incluso), esse e outros modelos podem ser seus. 

6. Snowboard
A empresa de snowboards Signal decidiu inovar na criação de um de seus produtos e desenvolveu uma prancha feita totalmente em uma impressora 3D. O protótipo não está à venda – é bastante caro para ser produzido comercialmente –, mas você pode conferir um vídeo ( com legendas em inglês) de seu funcionamento aí embaixo.

7. Um robô
InMoov on New Yorker

O escultor Gael Langevin, inspirado pelo robô C3PO de Guerra nas Estrelas, lançou um desafio na internet. Será que é possível construir um robô com impressoras 3D e trabalho coletivo? Para ajudar na construção do InMoov, apelido carinhoso do robô, basta ter uma impressora 3D e muita boa vontade. As instruções e os detalhes dessa empreitada estão no site de Langevin. Quando finalizado, o robô será capaz de responder a comandos de voz.

8. Células-tronco
Chegando nas áreas mais ousadas da impressão 3D, os estudiosos escoceses da Universidade de Heriot-Watt desenvolveram um mecanismo que se utiliza das células como “tinta”, que pode ser imprimida. Os cientistas acreditam que este pode ser o primeiro passo rumo à criação de órgãos feitos em impressoras 3D. 

9. Um prédio
Se é possível criar coisas microscópicas como células, por que não objetos gigantescos como prédios? Esse deve ter sido o pensamento dos pensadores por trás da Softskil Design, a Protohouse. Para esses caras, não basta fazer uma casa em 3D – ela tem que ter um design maluco, como esse da foto acima. Outras opções, mais realistas, estão sendo pensadas por desenvolvedores holandeses pensam em utilizar material descartável, como casca de batata e garrafas plásticas, para construir prédios com a ajuda de gigantescas impressoras 3D. Será que vai?
Cláudia Fusco

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...