31 de mai. de 2008

Coerção e liberdade


Que não haja oposição entre a coerção e a liberdade; que, ao contrário, elas se auxiliem - toda a liberdade exerce-se para contornar ou superar uma coerção, e toda a coerção apresenta fissuras ou pontos de menor resistência que são incitações à criação -, nada, sem dúvida, consegue dissipar melhor a ilusão contemporânea de que a liberdade não suporta entraves e de que a educação, a vida social, a arte requerem para desabrochar um ato de fé na omnipotência da espontaneidade: ilusão que certamente não é a causa, mas na qual é possível ver um aspecto significativo da crise que o Ocidente atravessa hoje.
Claude Lévi-Strauss

Tudo é possível


Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário
Albert Einstein

Rastreamento de bicarbonato detecta câncer, diz estudo


A substância química bicarbonato, produzida naturalmente pelo corpo, pode ajudar a detectar células cancerosas em mapeamentos ultra-sensíveis, sugere uma pesquisa realizada pela organização britânica Cancer Research UK.
No corpo humano, o bicarbonato está envolvido no balanceamento do pH - o equilíbrio entre ácido e base alcalina - do corpo. Mas o tecido canceroso transforma a substância em dióxido de carbono.
A equipe da Cancer Research UK descobriu que exames de MRI - imagens obtidas por ressonância magnética - conseguem detectar mudanças na substância e, dessa forma, identificar o câncer em estágios iniciais.
Quase todos os tipos de câncer têm um pH baixo, o que significa que tecidos cancerosos são mais ácidos do que os tecidos ao redor.
Usando o MRI, eles rastrearam o bicarbonato convertido em dióxido de carbono dentro do tumor.
Fazendo testes em camundongos, os pesquisadores conseguiram aumentar a sensibilidade nos escaneamentos de MRI em 20 mil vezes, segundo a revista especializada Nature.
Segundo os pesquisadores, tal precisão pode ser usada não apenas para detectar tumores, mas também para descobrir se tratamentos estão funcionando em seu estágio inicial.
Atualmente, não há uma maneira segura de medir o pH em pacientes, mas a identificação de áreas de acidez pode ajudar a descobrir células cancerosas bem pequenas.
"Esta técnica pode ser usada como um sistema de aviso ultrasensível para os sinais do câncer", disse o pesquisador Kevin Brindle, da Cancer Research UK.
"Ao explorar o sistema natural do corpo para equilibrar o pH, nós descobrimos um jeito potencialmente seguro de medir o pH para saber o que está acontecendo no organismo do paciente", disse o pesquisador.

BBC

30 de mai. de 2008

Via expressa

Como medir um homem na escala entre macho e bicha


1 - Higiene pessoal
· Toma banho em 3 minutos e usa sabão em barra = macho
· Toma banho rápido e usa xampu = homem médio
· Demora meia hora e usa sabonete líquido = tendências gays cultas
· Toma banho de espuma na banheira = viadaço assumido

2 - Higiene pessoal
· Mija em pé e nem sacode o pinto = macho para caralho
· Mija em pé e sacode o pinto para secá-lo = muito homem
· Mija sentado e sacode o pinto para secá-lo = tendências homossexuais
· Mija sentado e seca a ponta do pinto com papel toalha perfumado = muito gay, praticamente uma moça

3 - Uso de cremes e bronzeadores
· Não usa = macho
· Usa um pouco no verão = sensível
· Usa bastante no verão = bichinha
· Usa bastante o ano todo = bicha total

4 - Presentes que gosta de ganhar
· Uma garrafa de cachaça ou whisky = homem másculo
· Uma peça de roupa = fino
· Doces, bombons etc. = meio viado
· Flores e/ou perfumes = viadaço

5 - Tratamento dos animais de estimação
· Seu cão vive no quintal e come restos de comida = varão
· Seu cão vive dentro de casa, come ração especial = delicado
· Acaricia muito o gato (que já é boiola por si só) que dorme na sua própria cama = bicha total

6 - Uso do espelho
· Não usa = viking
· Usa somente para fazer barba e pentear cabelo = vaidoso
· Admira sua pele e observa seus músculos = gay
· Igual ao gay, e ainda admira seu bumbum = louca desatada
· Admira-se com diferentes perucas, vestidos e maquiagem = travesti

7 - Penteado
· Não se penteia = machão
· Penteia-se depois do banho = homem
· Penteia-se várias vezes ao dia = fresco
· Penteia-se várias vezes ao dia e pinta cabelo = bicha
· Penteia os outros e dá conselhos de penteados = bicha louca

8 - Limpeza da casa
· Varre quando ouve a sujeira estalar sob a sola dos sapatos = animal
· Varre quando o pó cobre o chão = macho
· Limpa com água e detergente = fresco
· Limpa com água, detergente e aromatizante = mariposa
· Usa aspirador de pó = borboleta

9 - Esportes preferidos
· Futebol, luta livre, automobilismo = macho de carteirinha
· Tênis, boliche, voleibol = tendências gays ocultas
· Aeróbica, spinning = louca
· Os mesmos, mas usando short de lycra = extra boiola

10 - Comidas preferidas
· Capivara, javali, animais assados, comida apimentada e gordurosa = tarzan
· Peixe e salada para não engordar = sensível
· Sanduíches integrais, consomées = fresco
· Aves acompanhadas de vegetais cozidos no vapor = bicha muito louca

11 - Cerveja
· Gelada e em grandes quantidades = macho demais
· Só uma para matar a sede no calor = bichice sob controle
· Com limão e sal = super bicha
· Sem álcool = praticamente uma libélula

Conhece-ti a ti mesmo


Aprendi a conhecer-me a mim próprio, e certamente desde então nunca mais ri ou escarneci de ninguém que não fosse eu próprio.
Gotthold Lessing

Selo




Seja como um selo: aguente até chegar ao seu destino.
Josh Billings

Saindo do armário


To get out of the closet, sair do armário, é uma expressão muito usada para designar a atitude de homossexuais que assumem sua orientação. Esse processo, porém, nunca foi fácil.
A homossexualidade é reconhecida há milênios, mencionada na Bíblia e em textos da Antigüidade clássica; mas, apesar da tolerância grega em relação a ela, de maneira geral tratava-se de transgressão e dificilmente poderia ser abordada em texto, a não ser de forma críptica, camuflada, como acontece em sonetos de Shakespeare.
A literatura explicitamente gay é, portanto, relativamente recente. A rigor, só há cerca de três décadas o gênero se impôs dentro do quadro de liberação sexual que permitiu a muitas pessoas abordar o tema na ficção, na poesia, no ensaio. Os autores atuais dão prosseguimento à obra daqueles que, homossexuais ou não, falaram corajosamente do “amor que não ousa dizer seu nome”.
A editora americana Triangle, especializada em literatura gay, pediu a um grupo de intelectuais e autores uma lista das 100 melhores obras no gênero. Mesmo com absoluta e previsível preponderância de americanos, obteve uma lista notável: começando com Morte em Veneza, de Thomas Mann, passando por Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust, e chegando a O beijo da mulher-aranha, do argentino (que viveu no Brasil) Manuel Puig, autores importantíssimos são citados: James Baldwin, Jean Genet, André Gide, Virginia Woolf, E. M. Forster, Gore Vidal, Marguerite Yourcenar, Evelyn Waugh, Gertrude Stein, Truman Capote, Christopher Isherwood, Colette, Henry James, Lezama Lima.
A essa relação poderíamos acrescentar os nomes de Lord Byron, Walt Whitman, Allen Ginsberg, García Lorca, Oscar Wilde, Arthur Rimbaud e Tennessee Williams. No Brasil são listados, entre os escritores homossexuais, João do Rio (cuja sexualidade foi objeto de muitas disputas), Pedro Nava, Caio Fernando Abreu, Walmyr Ayala. Há pelo menos um clássico de nossa literatura que aborda o tema da homossexualidade: é O bom crioulo (1895), de Adolfo Caminha, escritor que faleceu muito jovem, e autor de uma sombria obra, na qual o romance mencionado não constitui exceção.
Dentro do espírito da época, é um texto naturalista que narra a ligação entre o negro Amaro, escravo fugido que se torna marinheiro, e o grumete Aleixo, que trabalha na mesma embarcação. O livro é, portanto, duplamente “transgressor”: amor entre homens, amor entre um negro e um branco. Amaro, que tem 30 anos, domina Aleixo, que, com seus 15, ainda é quase um menino. Caminha introduz ainda uma prostituta, Carolina, que, seduzindo Aleixo, cria um inusitado triângulo amoroso, que termina em tragédia quando Amaro mata Aleixo e é preso.
Publicado no Reino Unido, na Alemanha, na França, no México, em Portugal, o livro teve grande repercussão. Mesmo obtendo êxito, contudo, os autores homossexuais passaram por situações difíceis. Na Cuba de Fidel Castro eram mal-vistos e isso originou um incidente lendário com o poeta Virgilio Piñera que, em certa ocasião, teria se embrenhado com um rapazinho num milharal. Avisada, a polícia cercou o local e surpreendeu os dois em flagrante. O policial que comandava a operação perguntou a Piñera o que ele estava fazendo. “É uma espécie de reforma agrária”, respondeu o trêmulo poeta.
Dentro da abertura cubana, isso possivelmente não acontecerá mais. E como Fidel nos garantiu que os milharais cubanos não serão transformados em biocombustível, podemos esperar progressos reais.
Moacyr Scliar

29 de mai. de 2008

Colar de Carolina

Com seu colar de coral,
Carolina
corre por entre as colunas
da colina.

O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.

E o sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral

nas colunas da colina.

Cecília Meireles

Carol, parabéns pelo seu aniversário.
Sua simplicidade, sua tranquilidade, seu charme e seu carisma encantam a todos que de ti aproximam.

A vergonha



Sinto vergonha, logo existo
Vladimir Soloviev


O amor


Os filósofos e os próprios teólogos distinguem duas espécies de amor, a saber, o amor que chamam de concupiscência, que não passa do desejo ou do sentimento que se tem por aquilo que nos dá prazer, sem que nos interessemos se ele está a receber amor; e o amor de benevolência, que é o sentimento que se tem por aquele que, pelo seu prazer e sua felicidade, nos dá amor.

O primeiro faz-nos visar o nosso prazer, e o segundo, o prazer do outro, mas como se fizesse, ou melhor, constituindo o nosso; pois, se não tornasse a cair sobre nós de alguma maneira, não poderíamos por ele nos interessar, porque é impossível, seja o que for que digam, nos desapegarmos do nosso próprio bem.
Wilhelm Leibniz
Picture by Pablo Picasso

As lembranças de cada um

A capacidade de armazenar recordações e “filtrá-las” é uma característica específica de cada indivíduo – uma espécie de “impressão digital”. Não por acaso, a memória de trabalho (ou de curto prazo, que nos permite guardar temporariamente um número limitado de informações, como números de telefones que usamos com certa freqüência, por exemplo) varia consideravelmente de uma pessoa para outra.

De acordo com o estudo sobre esse tipo de memória desenvolvido pelos pesquisadores americanos Fiona McNab e Torkel Klingberg, o processo de seleção das lembranças que devem ser guardadas ou dispensadas pode ser comparado aos dos filtros de spam do computador. O funcionamento dessas “peneiras mentais” situadas nos gânglios basais pode comprometer ou facilitar a lembrança de números, nomes de pessoas, compromissos etc.

Filtros ineficientes causam, por exemplo, atividades desnecessárias e excessivas nas regiões cerebrais que “arquivam” as informações da memória de trabalho – as áreas parietais posteriores, situadas ao longo do topo do cérebro em direção ao dorso. Poderíamos dizer que essas regiões desempenham o papel do disco rígido do computador, mas quando se trata de memória de trabalho, é mais adequado afirmar que sua função não é tanto guardar dados permanentemente, mas sim armazena-los temporariamente da memória à qual temos acesso de forma aleatória.

É aceitável fazer um paralelo com a memória RAM (random access memory), já que as informações são mantidas enquanto estão em uso ou poderão ser usadas em breve. Embora não existam evidências válidas sobre a importância da eficiência de filtragem de itens irrelevantes da memória de trabalho é necessário ter cuidado para não negligenciar a possibilidade de que as diferenças na capacidade de RAM também afetam a memória de trabalho.

Se o tamanho da RAM realmente for importante, então a correlação entre seu tamanho e a eficiência de filtragem pode ser imperfeita. Por analogia, as velocidades máximas de sprint e as resistências dos indivíduos podem estar imperfeitamente correlacionadas, mesmo que as duas qualidades dependam de certos fatores comuns, como o estado geral de saúde.

De fato, existem evidências de que a capacidade de armazenamento da memória de trabalho é mais importante do que se supunha há alguns anos. Em 2005, os pesquisadores J. Jay Todd e René Marois, da Universidade Vanderbilt, mostraram que a atividade cerebral nas áreas parietais posteriores – RAM da memória de trabalho – tinha relação com o desempenho mnêmico. Em uma pesquisa de 2006 realizada com adultos de um grupo de controle e pacientes esquizofrênicos, o pesquisador J. M. Gold e colegas testaram a memória para os itens sobre os quais os indivíduos recebiam a informação que poderiam ignorar.

Em comparação com os indivíduos de controle, os pacientes esquizofrênicos lembraram de menos itens de toda a série – ou seja, não se recordavam dos itens que deveriam acessar, nem daqueles que poderiam ignorar. Contudo, tanto os sujeitos do grupo de controle quanto os esquizofrênicos se lembraram muito melhor de itens aos quais “prestaram atenção” do que daqueles que tiveram permissão de ignorar. Em outras palavras: a eficiência da filtragem era aproximadamente igual nos dois grupos.

Enquanto isso, um estudo de 2006, em meu próprio laboratório, constatou que a capacidade de armazenamento e a eficiência de filtragem da memória de trabalho estavam parcialmente relacionadas e eram parcialmente distintas – algo como a relação entre sprint e resistência acima sugerida. Nem todo participante com habilidade relativamente alta conseguiu filtrar itens irrelevantes com grande eficiência.O panorama dos resultados demonstra que tanto a capacidade de armazenamento quanto a eficiência de filtragem afetam a habilidade da memória de trabalho de um indivíduo.

Novos métodos de análise do cérebro não substituem necessariamente os mais antigos – assim como os automóveis não eliminaram a praticidade das bicicletas e essas, por sua vez, não substituíram as caminhadas. Há espaço para dirigir carros, pedalar e andar. De forma similar, diagnósticos por imagem são compatíveis com os métodos comportamentais e de raciocínio filosófico voltados para a investigação da mente. Em 1971, no ensaio “Art in Bits and Chunks”, o psicólogo Rudolf Arnheim, especialista em estudos sobre percepção, sugeriu que a ferramenta mais importante de um psicólogo é a poltrona. A sentença ainda soa verdadeira para a pesquisa cerebral.
Nelson Cowan

28 de mai. de 2008

Chocolate para diabéticos


O chocolate, quem diria, pode fazer bem a pessoas diabéticas. Sob condições, é claro. O chocolate em questão precisa ser do tipo amargo (enriquecido com uma substância específica) e deve ser consumido em dose moderada. De acordo com uma pesquisa conduzida por cientistas alemães, o consumo de uma xícara de chocolate amargo enriquecido com ‘flavonóides’ pode ajudar diabéticos a prevenir doenças cardíacas.

O estudo, publicado na revista científica Journal of the American College of Cardiology, sugere que os compostos conhecidos como flavonóides, presentes no cacau, principal ingrediente do chocolate, seriam os responsáveis pela ação benéfica da bebida. Os flavonóides – também presentes no vinho tinto - impulsionam o aumento da produção de óxido nítrico, que atua no relaxamento e dilatação das artérias.
O consumo de chocolate amargo enriquecido com flavonóides, demonstrou ser eficaz na normalização das funções arteriais dos diabéticos.
Para realizar o estudo, os cientistas alemães desenvolveram um tipo especial de chocolate com alta concentração de flavonóides. A equipe testou os efeitos do consumo em um grupo de dez pacientes diabéticos, que tomaram um copo do chocolate enriquecido, três vezes ao dia, durante um mês. Segundo os resultados observados pela equipe, a habilidade de dilatação das artérias aumentou quase que imediatamente após o consumo da bebida.
O pesquisador ressalta, no entanto, que sua pesquisa não é sobre o chocolate, mas sobre os flavonóides. E mesmo o uso destes a favor dos diabéticos ainda precisa ser melhor estudado por especialistas.

A verdade



Na realidade, não conhecemos nada, pois a verdade está no íntimo
Demócrito
Picture by Monet

Tem que valer a pena


No mundo dos negócios, existe um cálculo chamado custo/benefício que deveria ser usado em todas as circunstâncias da vida.

O que todo mundo quer – claro – é se atirar a todos os prazeres, sem pensar nas conseqüências. Só que para cada prazer costuma chegar, mais cedo ou mais tarde, a conta. Mesmo quando se trata de coisas banais.

Quem não gosta de ver um filme na televisão comendo uma caixa de chocolates inteira? Só que no dia seguinte, na hora de entrar no jeans, não consegue, e talvez se arrependa quando pensar que vai passar uma semana tomando sopa para poder voltar à forma antiga. Será que valeu?


Existem dias em que tudo conspira a favor: você está rodeada de pessoas de quem gosta, a conversa está ótima, a música maravilhosa, não vai ter que trabalhar no dia seguinte, já sabe em quem vai votar. Porém, às vezes você tem um trabalho para terminar – e como resistir àquele convite? A certeza de uma noite agradável é bem melhor do que cumprir a obrigação, claro. Acaba optando por deixar a tarefa para o dia seguinte; afinal, pode conciliar, e não perde o jantar nem o trabalho. Aí, passa a noite angustiada, acaba fazendo mal o trabalho e se sentindo péssima – será que valeu? O que se quer na vida é comer o bolo e ao mesmo tempo guardar o bolo, e quem souber conciliar as duas coisas, por favor, cartas à redação.

Mas existem problemas mais difíceis de resolver: é quando eles envolvem sentimentos. Você está com um homem legal, mas passando por um momento de crise. Há muito tempo ele não diz que você é bonita e gostosa, como fazia antes, e você precisa ouvir essas palavras mais do que do ar que respira. Pois é exatamentenessa hora que aparece o outro.

Mesmo não sendo especialmente bonito ou brilhante, ele tem faro; faro para detectar que aquele é o momento certo para chegar perto e dizer o que você precisa ouvir: que é bonita e gostosa – e tudo que vem na seqüência. E aí, como é que fica?

Se for em frente, está arriscando uma relação com muitos prós por uma aventura que pode ou não ter conseqüências, e geralmente não tem. Mas por acaso é justo abrir mão de sensações maravilhosas, de ouvir declarações de amor, de ter a ilusão de estar apaixonada, do coração que dispara, em nome – aliás, em nome de quê? Ah, que nenhuma mulher nessa situação peça conselhos, pois só ela pode saber o que fazer; ela e mais ninguém.

Será paixão? Será a necessidade de quebrar o tédio em que se transformou a vida? Será uma atração física incontrolável? Ou estará ela apenas precisando ouvir de um homem, de qualquer homem, as coisas que o outro não diz mais? Será, será – será o quê?

Difícil esse momento. Se resolver ser sensata, vai se achar antiga e careta; se por acaso se deixar levar, estará tornando muito vulnerável uma relação que ainda não acabou, e que poderia nem estar assim tão ruim se não tivesse aparecido o galã.

Antes de tomar qualquer decisão mais radical, seria bom raciocinar, mas para isso é necessário cabeça fria. Para não pensar que está apaixonada sem estar, para não achar que uma atração física – que pode existir por vários homens, aliás, e até ao mesmo tempo – é incontrolável, para não pensar que essa dificuldade vital de se sentir desejada é suficiente para mudar os rumos de uma vida.

É claro que não se pode – nem se deve – ser sensata o tempo todo. Mas quando a conta chegar – porque ela chega – é importante que seja paga com prazer. E só se paga com prazer o que valeu de verdade.
Danuza Leão
Picture by Pedro Calapez

Vergonha



Comunicar por escrito é submeter-se a muitas variáveis intervenientes, como por exemplo, o público a que se destina, a finalidade, o tipo do veículo e outras mais.
Numa revista acadêmica, por exemplo, a apresentação de um texto pede ou a prova de uma hipótese, ou a dedução de uma conclusão, ou a justificativa da oportunidade do tema.
Não importa como ou por quê, mas o texto vem sempre acompanhado de bibliografia, comentada ou não, e de pelo menos alguma menção à oportunidade do tema.

Um mesmo conteúdo pode ser exposto na forma de jornalismo científico ou cultural, pode aparecer em revistas acadêmicas, pode ser apresentado em conferências e mesas redondas. No caso do jornalismo, apresenta-se e ilustra-se o fato, o tema, a hipótese, sem a obrigação de provar, deduzir ou concluir o tema ou a hipótese. Basta chamar a atenção para o fato. Pode ainda, o mesmo tema, transformar-se num misto dos dois anteriores, na forma de um ensaio ou mesmo de uma crônica.

Sem pretender aqui mais do que comentar, gostaria de chamar a atenção para a importância da divulgação de hipóteses que podem levar o leitor a refletir sobre o tema, a perceber mais detalhes, ou mesmo, para fazer o pesquisador atentar para o que ocorre no mundo fora do olhar da ciência.
Localizando-me à margem de qualquer pretensão científica, venho observando, neste passeio pela vida, e por aí e encontrando preciosidades que gostaria muito que tivessem outros destinos além do meu prazer de descobrir - que fossem melhor pesquisados e que fossem melhor divulgados.

Quisera ter, no mundo, "um lugar" donde pudesse, às vezes, lançar sementes em direção à academia e também ao mesmo tempo para a mídia. Não tenho a pretensão de oficializar este lugar, de ter cargo ou função oficial donde exercer este trabalho. Quisera isto sim ver pesquisado e divulgado um pouco do que percebo interessante neste meu caminhar pelo mundo e pela vida. Pretensão e água benta todo mundo toma o quanto quer. O lugar que mais me parece assemelhar-se a este meu desejo é a posição do professor que recebe mestrandos e doutorandos para os quais podem ser lançados temas e idéias, ou do diretor de instituição que, no ato de distribuir suas verbas, implementa e promove.

Pediram-me e eu adorei que o tivessem feito, um texto, diria brincando "quase científico". Pediram-me um artigo de interesse científico, no qual estariam dispensadas provas, bibliografias, notas de rodapé e citações. Entendi que podia apresentar uma idéia. Acrescento que gostaria que fosse pesquisada e divulgada, e ainda que se transformasse em muitas teses, das quais brotassem muitas outras idéias.

Este meu tema nasceu de uma consulta a uma velha Enciclopédia Britânica. Não me lembro por quê, mas quis ver o que se falava sobre "vergonha". Fiquei pasma. Descobri, depois de muito folhear, que este assunto não aparecia, nem na micropédia, nem na macropédia. Como será que Freud explicaria esta ausência? Não pode ser a idade da enciclopédia a razão. Shame/vergonha pode até estar caindo em desuso, mas não é novidade. Esta falta me levou a divagar. E sem recorrer a qualquer outra bibliografia, vou fazer um "vol d'oiseau" sobre o assunto.
Se você puder escolher entre sentir vergonha ou sentir culpa, o que escolheria?
Ainda não respondeu?

Então respondo eu. Sem qualquer dúvida, sem qualquer titubear, prefiro sentir culpa. (Você pode estar se perguntando por que enfiei o conceito de culpa aí. Por serem duas instâncias psíquicas que podem aparecer em resposta a erros. Só isso.)
Quando digo que errei, digo que conheço o "certo" mas não quis, não pude ou não consegui fazer "certo". Posso procurar explicações para diminuir minha culpa, examinar as circunstâncias que me levaram ao erro, pecado, crime ou transgressão. Dizendo-me culpada, estou afirmando que seria capaz de acertar. Estou dizendo ainda que posso treinar-me errar menos. Enfim, coloco-me como alguém capaz.

Sentir culpa pressupõe o conhecimento das causas do erro. Parece-me até que é da letra da lei que desconhecer a regra atenua, mas não isenta de culpa.
Encaramos a culpa como resultante de uma falha na relação entre o culpado e regras do mundo. Culpa fala erro, não de incapacidade. Em relação a ela cabe julgamento, perdão ou mesmo absolvição. A culpa pode desaparecer sem deixar nódoa ou marca se tivermos pago por ela. E a vergonha? Esta
tem a ver com incapacidade de algum tipo. É diretamente referida à auto-estima. Como é que você imagina que você mesmo deveria ser para ser digno de seu próprio amor e aprovação?

Você pode perfeitamente "morrer de vergonha" de certos atos, fatos, circunstâncias das quais ninguém jamais te culparia. Quando nos envergonhamos, o olhar do outro somado ao nosso desprezo por nós mesmos, torna viver o momento insuportável. Todos existem, todos estão ali, mas o envergonhado gostaria de desaparecer para que a falha que o envergonha não seja percebida. Tem a ver, a vergonha, com uma depreciação fatal, instantânea de nós mesmos. Quando alguém enrubesce, aquele que o vê enrubescido pode nem saber por quê, mas sente, o envergonhado, que está inadequado, que mostrou-se inapto, atrasado, estabanado, ou simplesmente errado. Escorregar e cair no meio da rua deixa qualquer um envergonhado. Para isto não há nem condenação, nem perdão. Portanto, não há absolvição.

Já houve tempo em que a área genital do corpo humano era chamada de "vergonhas". A pessoa pilhada nua, até hoje, cobre com as mãos seus genitais como último recurso para evitar a vergonha total. Muitas situações constrangedoras são regradas por leis e mandamentos cuja função é nos proteger de passar vergonha. Roubar nos torna culpados, ser pilhado roubando nos faz morrer de vergonha - além da culpa. Eu imagino que o reflexo de cobrir os genitais, quando pilhado em nudez, tenha a ver com o perigo do outro conhecer o nosso desejo sexual ou a ausência dele. Uma ereção diante de uma mulher-tabu (mãe, irmã, filha) é para ser escondida. De qualquer forma não nos convém sermos traídos por atos-reflexos.

Estes traem desejos, inaptidões. Mostram o que não queremos, por mil motivos, mostrar. É proibido desnudar-se em muitos lugares. Mas em outros é permitido. "Pode se despir, sou médico", diz-se nos consultórios. Dissimulamos a pobreza ou a carência em certas circunstâncias, mas quando queremos um empréstimo ou uma ajuda apresentamos a carência.

Vergonha é paralisante, pode impedir nossa participação em certos eventos. Vergonha do próprio corpo pode nos impedir de freqüentar lugares esportivos. A vergonha é inesperada, desconcertante. O gago fica mais gago por vergonha de ter gaguejado. Quem enrubesce fica mais vermelho de vergonha de ter enrubescido. Quem sua nas mãos sua mais de medo que percebam o seu suor. Todos queremos funcionar bem. Disfunções que não são culpa de ninguém, mexem com a nossa auto-estima. Uma espinha na ponta do nariz é razão para não sair de casa. Não saber que talher usar num banquete constrange quem acha que devia saber. Muitos tem vergonha de pedir orientação no trânsito e ficam perdidos pelas ruas. Narcisismo e vergonha caminham em paralelo. Quanto maior a vaidade maior o medo da vergonha.

A culpa desencadeia uma série de reações pessoais e sociais. Até uma conversa pode diminuir o efeito de certas culpas. Um julgamento pode absolver ou condenar. As leis, os estatutos, falam dos erros pelos quais nos culpam mesmo que não nos sintamos culpados, e falam também de castigos. Aceitam-se os veredictos. Já para a vergonha o mundo dá poucos remédios, que no final resume-se a umas poucas medidas: da vergonha só nos livramos aceitando-nos com nossos defeitos, o que significa aceitar-se sem esconder as próprias faltas, falhas ou carências. O remédio fica em torno de fortificar a auto-estima a ponto de nos permitir suportar o olhar do outro sem nos sentirmos na obrigação de dissimular o erro. A vergonha tem um parente além do narcisismo: é prima irmã da hipocrisia. No que tange às situações de culpa, a hipocrisia não basta. É preciso ocultar o delito. Para a vergonha ocultação não é suficiente.
Existem culpados que se envergonham até de ocultar o mal feito, e o exibem, mesmo que isto redunde em exclusão ou prisão. Será que isto tem a ver com o dito popular que o criminoso sempre volta ao local do crime? Seria para não confessar sua vergonha de si mesmo? Ou seria um desejo secreto de ser pilhado e assim sobrecarregar-se com a vergonha além da culpa?
P.S.: Será que a Enciclopédia Britânica vai ter que colocar um dia o verbete "vergonha"?
Afinal, se o narcisismo e a vaidade andam em trilhos paralelos à vergonha, podemos prever o recrudescimento da vergonha como sentimento importante de controle social neste mundo, que dizem tantos autores, é a era da vaidade e do narcisismo.
Anna Veronica Mautner
Picture by Ernest Ludwig Kirchner

27 de mai. de 2008

A alegria


A alegria evita mil males e prolonga a vida
William Shakespeare
Picture by Paula Rego

Originalidade


É curioso. Só se julga profundo o que disser coisas diferentes de toda a gente. E todavia a grande originalidade está em dizer as mesmas coisas, mas ao nível do espanto e maravilha que nos despertam.
Toda a gente sabe que o homem é mortal, mas poucos vêem isso e se espantam de que seja assim. Toda a gente sabe que há bichos e plantas e estrelas e o mais. Mas conhecê-lo ao nível do extraordinário que aí existe é raro como ser doido.
A grande originalidade não é dizer coisas novas mas ser novo diante das coisas velhas.
Vergílio Ferreira
Picture by David Brady

Falta de vontade


Força não falta a ninguém; o que falta a muitos é vontade.
Victor Hugo

A sociedade do narcisismo e da melancolia


A melancolia (palavra que em meados do século 19 começa a ser substituída pelo termo depressão) é considerada a doença mental contemporânea, e cabe indagar como nossa sociedade facilita o surgimento dessa patologia. Não faremos distinção entre melancolia e depressão.

Para muitos, a depressão é uma patologia orgânica, que transparece psicologicamente como tristeza profunda ou melancolia.

Ou seja, esta é um sintoma daquela. Em contrapartida, para Freud, não há diferença entre uma e outra. Ambas exprimem o mesmo fenômeno, embora possamos considerar a depressão um sintoma da melancolia, uma vez que a palavra "depressão" significa rebaixamento, ou seja, uma diminuição das atividades, que pode ser tanto orgânica quanto psíquica.

Em "Luto e melancolia", Freud apresenta uma analogia entre melancolia e luto. A diferença entre ambos decorre da ausência de disposição patológica no luto e da presença dela na melancolia. Psicanaliticamente, uma "disposição patológica" é uma série de condições da vivência pessoal que faz alguém reagir sempre de uma certa maneira aos acontecimentos. Ao contrário da melancolia, no luto não há disposição patológica porque, embora leve a um afastamento das atitudes normais para com a vida, não é duradouro, não define um modo constante de viver e se espera que a anormalidade seja passageira, não necessitando de tratamento médico.

No caso da melancolia, a predisposição patológica é dada pelo narcisismo: como este foi vivenciado e porque o indivíduo ficou fixado nele. Freud enumera os traços distintivos da melancolia, os mesmos encontrados no luto, com uma única exceção: a perturbação da auto-estima não é encontrada neste último. Os demais traços comuns a ambos são: desânimo profundo e penoso, perda de interesse pelo mundo externo, perda da capacidade de amar, afastamento de toda e qualquer atividade.

Reação à perda de alguém que se ama, no luto a falta de interesse pelo mundo externo se dá porque este não traz de volta o objeto perdido; a falta de capacidade para amar outros ou outras coisas ocorre por não se ter a capacidade de substituir o objeto perdido por um novo objeto, fazendo com que a única atividade possível seja "realizada com a memória do ser querido".

Freud fala no "trabalho do luto", cujo objetivo é desinvestir o objeto perdido, renunciar a ele, levando a libido (a energia psíquica) de volta ao eu para que este possa desejar um outro objeto. De fato, ao sentir a falta do objeto, o sujeito enlutado descobre que era precisamente esse objeto desejado que, perdido, não pode ser substituído por outro, e a libido se volta para o objeto ausente por meio de lembranças e expectativas que o sujeito se recusa a abandonar. O trabalho do luto consiste em evocar as lembranças e investi-las fortemente uma a uma, de maneira a que, paulatinamente, a energia psíquica se desligue delas. O luto revela um traço constitutivo da humanidade do homem, isto é, a maneira de experimentar a ausência.

Perda e luto
Como o luto, a melancolia é também reação à ausência, à perda de um objeto amado. Nela, porém, a perda é de natureza mais ideal e inconsciente: "O melancólico não sabe o que perdeu", escreve Freud.
A melancolia é, pois, a reação inconsciente a uma perda, seja ela real ou imaginária, seja conhecendo-se ou não o objeto perdido, seja conhecendo-se o objeto sem que se saiba o que se perdeu com ele. Nos dois casos há um empobrecimento e um vazio; contudo, no luto, isso ocorre em relação ao mundo, enquanto que, na melancolia, em relação ao eu.

Enquanto o trabalho do luto tem como objetivo liberar o eu para que possa "viver" outra vez, na melancolia o sujeito experimenta desprezo por si mesmo, não busca a vida nem preza o instinto de viver. O que chama a atenção de Freud, de um ponto de vista psicológico, é a diminuição da pulsão de vida, e quando o melancólico busca a morte, compreende-se seu caráter patológico. Freud, ao introduzir a noção de inconsciente, introduziu também a exigência de que o médico ouvisse e levasse a sério o discurso de seus pacientes, signos visíveis de acesso ao invisível, entendido como o sentido.
A revolução psicanalítica consiste em ouvir o paciente, não para desmenti-lo, e sim para compreender o sentido da imagem que tem de si mesmo. O melancólico tem satisfação ao comunicar seus defeitos, julgando com isso apresentar-se tal como é. As auto-acusações do paciente, explica Freud, não são totalmente desprovidas de razão, ainda que não haja correspondência entre o grau de autodegradação e sua justificativa real.

É exatamente isto que permite diferenciar a melancolia do luto: a fala e o comportamento do melancólico levam a uma conclusão surpreendente, pois o objeto amado perdido é o próprio eu. O outro (perdido) é o eu. Admitir que o paciente está descrevendo o que realmente se passa nele significa admitir que a perda se refere à auto-estima e que, portanto, o eu está perdido para si mesmo.

Freud descreve a melancolia como um fenômeno psíquico de caráter representacional, ou como uma "neurose de defesa". Em termos freudianos, a defesa nada mais é do que um mecanismo pelo qual o eu procura proteger-se das excitações ligadas a representações que lhe são incompatíveis (incompatíveis porque lhe causam dor ou sofrimento). A melancolia é um tipo peculiar de defesa, que Freud designa como "neurose narcísica", na qual a capacidade do sujeito de estabelecer vínculos libidinais (ou de energia psíquica) com os objetos está prejudicada ou mesmo perdida.

O outro é o eu
Todos nós partimos de uma "escolha objetal", isto é, da ligação da energia psíquica a determinada pessoa; pode ocorrer, a seguir, que a escolha seja abalada por um acontecimento real ou não, algo concreto, ou um sentimento, ou uma fantasia.
Este leva à perda do objeto, ou seja, leva a libido a desligar-se dele. Se a energia psíquica tomar um caminho normal, liga-se a outro objeto. Ora, na melancolia, a energia psíquica livre se recolhe no eu e estabelece uma identificação entre este e o objeto perdido.
Com essa identificação, entramos no núcleo da melancolia, qual seja, a perda do objeto passa a ser perda do próprio eu e o conflito que existia entre o eu e a pessoa amada passa a ser o conflito entre a crítica do eu e o eu. O "outro" é o outro e simultaneamente o próprio eu, que mimetizou esse outro, identificando-se com ele e o perdendo, donde a neurose ser narcísica.

A melancolia nos ensina muito sobre todos os humanos. De fato, no ponto de partida do desenvolvimento de nossa vida psíquica, há um momento claramente narcisista, pois, como explica Freud, definido como a condição em que o sujeito toma a si mesmo como objeto de amor, o narcisismo implica superestima, uma vez que no narcisismo infantil destaca-se a vivência prazerosa da criança de sentir-se especial, perfeita, de que são superestimadas sua beleza, sua inteligência e todas as suas qualidades, enquanto seus defeitos são negados ou esquecidos.

Dessa forma, o amor do narcisismo se caracteriza pela idealização de si - um eu ideal. A libido descrita como narcisismo reivindica um lugar no curso regular do desenvolvimento sexual humano. A melancolia é a fixação no estágio infantil do narcisismo, quando a energia psíquica livre retorna ao eu e, por ter havido uma identificação narcisista com o objeto, é ao narcisismo que a libido retorna. A identificação narcisista com o objeto vem substituir a relação com o objeto, resolvendo assim o conflito entre o sujeito e a pessoa amada.

Caso o indivíduo no início da vida sofra sucessivos desapontamentos amorosos, o narcisismo infantil fica gravemente ferido e ele sente-se totalmente abandonado; isso gera as primeiras crises de depressão. A impossibilidade de referir-se a um passado de lembranças amoráveis define a situação da gênese psicológica da melancolia.

Se concordarmos com Freud em considerar a melancolia uma neurose narcísica, vale a pena observarmos as características da nossa sociedade, levantando a hipótese de que esta incentiva o surgimento de patologias narcísicas, entre as quais a melancolia. Idéia reforçada se, com Christopher Lasch ( A cultura do narcisismo), considerarmos não apenas que a cultura ocidental contemporânea estimula o narcisismo, mas também que a própria cultura é narcisista. Se uma cultura narcisista propicia o aparecimento da melancolia, podemos compreender porque a incidência de melancólicos (ou depressivos) é hoje tão grande.

Alguns traços permitem pensar a sociedade contemporânea como narcisista e promotora de narcisismo: o gosto pelo efêmero e a perda de referência temporal ao passado e ao futuro; a rápida obsolescência das qualificações para o trabalho, dos valores e das normas de vida e o prestígio do paradigma da moda; a competição como forma de constituição da identidade pessoal; o medo, gerado pela insegurança e pela competição; a perda da autonomia individual sob o poderio do "discurso competente" (a fala dos especialistas); a incapacidade para simbolização e o conseqüente fascínio pelas imagens e pela nova forma da propaganda e da publicidade, que não operam referidas às próprias coisas e sim às suas imagens (juventude, beleza, sucesso, poder) com as quais o consumidor deve identificar-se. Desses traços, a relação com o tempo, e a impossibilidade de simbolização sob o prestígio das imagens são importantes para a determinação da melancolia.

Sociedade narcisista
Nossa sociedade alimenta o gosto pelo efêmero; passado e futuro não são referências psicológicas e sociais predominantes, mas sim o presente como instante fugaz.
Porém, a ordem humana surge exatamente como capacidade para simbolizar, isto é, para lidar com o ausente, e a primeira relação com a ausência é dada pela relação com o outro sob a forma do tempo, seja como relação com o morto - relação com o que se tornou ausente - seja como relação com a natureza por meio do trabalho, que torna presente o que estava ausente.
A temporalidade, relação com a ausência, é, assim, decisiva para a realização do trabalho do luto, e a impossibilidade dessa relação temporal é o que opera na melancolia e dificulta (quando não impede) o trabalho de sua superação. Ora, a sociedade do efêmero, do tempo reduzido ao instante presente fugaz abandonou a densidade e profundidade do tempo, desencadeando a impossibilidade de simbolizar a ausência e, portanto, gerando depressão, isto é, a melancolia.

A sociedade narcisista desvaloriza culturalmente o passado, não sendo surpreendente que este apareça sob a forma da "nostalgia", como se o passado fosse o mesmo que velhos estilos e velhas modas sempre repostos pelo mercado como um bem de consumo volátil. De fato, sem interesse pelo passado, o narcisista também não se interessa pelo futuro, achando difícil a interiorização de associações e de lembranças felizes com as quais poderia enfrentar a velhice que, no seu entender, sempre traz tristeza e dor.

A incapacidade para atar os laços do passado e do futuro coloca a sociedade e os indivíduos na mesma condição de Narciso, incapaz de amadurecer. Também a ameaça de catástrofes (de guerras de extermínio geral, desastres ecológicos irreversíveis, surgimento de novos vírus etc.) tornou-se uma preocupação cotidiana. E, assim, justifica-se viver o momento, o viver para si, e não para as gerações futuras. Perdeu-se o sentido de continuidade histórica, na qual as gerações se sucediam do passado para o futuro. A sociedade sem futuro se dispõe a um narcisismo coletivo.

Se a grande questão do melancólico é não conseguir lidar com uma perda, a perda inconsciente de si mesmo, da auto-estima, e sendo a sociedade atual marcada pelo descartável, ou seja, por perdas, o sentimento de ruína do indivíduo é explicado pela sua impossibilidade de sentir-se valorizado, de sentir-se capaz de corresponder a seu eu ideal, uma vez que ele próprio é descartável nesta sociedade. Se tudo é descartável e efêmero, tudo se torna imediatamente ruína e a própria sociedade, imersa em ruínas, é melancólica.

Nessa cultura do individualismo competitivo, o indivíduo é levado pelo desejo desenfreado da felicidade, identificada ao sucesso, sendo este identificado à supremacia pela eliminação do outro (eliminação que, se não é física, é moral e profissional). O propósito do indivíduo, porém, não é castigar o outro com suas próprias incertezas, e sim encontrar um sentido para a vida; por isso ele é perseguido pela ansiedade, desconfiando da competição por tê-la inconscientemente associado a uma enorme necessidade de destruição. Dessa forma, o narcisista ferozmente competitivo em busca de sucesso, portanto, de reconhecimento e aprovação, paradoxalmente só pode intensificar o isolamento do eu.

O núcleo da sociedade narcisista é a necessidade do espelho, isto é, das imagens. O indivíduo da cultura do narcisismo é aquele que depende do espelho dos outros para validar sua precária ou inexistente auto-estima, traço que, como vimos, marca indelevelmente o melancólico. Ficando a sós consigo mesmo, cresce sua insegurança, pois ele precisa de platéia e admiração.

Se tomarmos a relação dos indivíduos com as imagens produzidas pelos instrumentos produtores de realidade virtual e pelos outros meios de comunicação de massa, veremos repetir-se exatamente o que se passa no mito de Narciso. A imagem midiática, espelho que reflete uma imagem que deve ser desejada ou desejável, é, por sua irrealidade, inteiramente inalcançável. Há um abismo entre o dever-ser da imagem e o ser do indivíduo que, identificando-se com a imagem, sente-se distante de si e experimenta uma perda contínua.

Isso é tanto mais relevante para compreendermos a extensão assumida pela melancolia (com o nome de depressão), quanto mais levarmos em conta que as mensagens midiáticas, visando à sedução, operam com simulacros, imagens do real intensificado, dotado de uma aparência mais real do que o próprio real, para torná-lo absolutamente desejável. Isso significa que a identificação por meio do espelho ou da imagem inalcançável e absoluta impossibilita uma identidade pessoal positiva ou afirmativa e instaura uma identidade negativa ou por falta.
Eis a razão por que um dos traços mais marcantes da experiência contemporânea é o auto-exame corporal e psíquico incessante com a finalidade de detectar imperfeições, incorreções e faltas por comparação com a imagem hiper-real ou virtual. Não poderia ser mais óbvia a conseqüência: tem um nome preciso uma experiência contínua de falta e perda, de desconhecimento de si por identificação negativa com um outro que é o próprio eu. Chama-se melancolia.
Luciana Chauí Berlinck

26 de mai. de 2008

O bodhisattiva e o dragão


Um dia um violento rei dragão encontrou um bodhisattva no caminho.

O bodhisattiva disse:

- Não mate, meu filho! Se você se mantiver os cinco preceitos e cuidar de todas as vidas você será feliz.

Ao ouvir somente estas poucas palavras, o dragão se tornou totalmente não violento. As crianças que cuidavam de animais no sopé das montanhas do Himalaia tinham muito medo do dragão.
Mas quando ele se tornou manso, elas perderam seu medo e começaram a pular em cima dele, puxar a sua cauda e jogar pedras em suaboca. Depois de um tempo, o dragão já não podia comer e ficou muito doente.

Quando o rei dragão se encontrou de novo com o bodhisattva, ele gritou:
- Você me disse que se eu observasse os cinco preceitos e tivesse compaixão, eu seria feliz. Mas agora eu sofro e de modo algum estou feliz.
O Bodhisattva respondeu:
- Meu filho, se você tem compaixão, moralidade e virtude, deve ter também sabedoria e inteligência este é o modo de você se proteger. Da próxima vez que as crianças fizerem você sofrer mostre a elas seu fogo. Depois disso, elas não mais o incomodarão.

bodhisattva : é um termo do budismo que designa seres de sabedoria elevada, que seguem uma prática espiritual que visa a remover obstáculos e beneficiar todos os demais seres.

As mulheres e os artistas



As mulheres bonitas não sabem envelhecer, os artistas não sabem sair de cena quando é tempo: ambos estão errados

Artur Rubinstein

Paixões humanas


Eu considero inteligente o homem que em vez de desprezar este ou aquele semelhante é capaz de o examinar com olhar penetrante, de lhe sondar por assim dizer a alma e descobrir o que se encontra em todos os seus desvãos.

Tudo no homem se transforma com grande rapidez; num abrir e fechar de olhos, um terrível verme pode corroer-lhe as entranhas e devorar-lhe toda a sua substância vital.

Muitas vezes uma paixão, grande ou mesquinha pouco importa, nasce e cresce num indivíduo para melhor sorte, obrigando-o a esquecer os mais sagrados deveres, a procurar em ínfimas bagatelas a grandeza e a santidade. As paixões humanas não têm conta, são tantas, tantas, como as areias do mar, e todas, as mais vis como as mais nobres, começam por ser escravas do homem para depois o tiranizarem.

Bem-aventurado aquele que, entre todas as paixões, escolhe a mais nobre: a sua felicidade aumenta de hora a hora, de minuto a minuto, e cada vez penetra mais no ilimitado paraíso da sua alma. Mas existem paixões cuja escolha não depende do homem: nascem com ele e não há força bastante para as repelir. Uma vontade superior as dirige, têm em si um poder de sedução que dura toda a vida. Desempenham neste mundo um importante papel: quer tragam consigo as trevas, quer as envolva uma auréola luminosa, são destinadas, umas e outras, a contribuir misteriosamente para o bem do homem.
Nicolau Gogol
Picture by Herbert Dicksee

O tempo


O tempo é o elemento de transformação.
Carlos Drummond de Andrade
Picture by Paul Klee

Geração X


As empresas necessitam muito dos profissionais da Geração X - pessoas com trinta a quarenta anos de idade - que devem exercer cargos de liderança nas corporações nas próximas duas décadas.
Muitas empresas, no entanto, estão dando como certo poder contar com esse pequeno e precioso grupo de profissionais. A maior parte daqueles que fazem parte dessa geração não se sente ameaçada pela vida corporativa.
Tendem a não acreditar nas instituições em geral e magoam-se profundamente com as premissas que pressupõem que se motivam pelas mesmas razões que a geração dos boomers (pessoas nascidas logo após a Segunda Guerra Mundial) se motivou. Planejam deixar a vida corporativa em breve para iniciar algum empreendimento ou trabalhar em empresas pequenas, opções que se encaixam melhor, para eles, que os papéis corporativos que necessitarão assumir.

Por que a geração X encontra-se desconfortável com a vida corporativa?- a carreira demorou para decolar: muitos ainda sofrem com isso. Graduaram-se quando a economia estava em crise e os boomers já tinham ocupado a maioria dos cargos importantes. A Fortune, em 1985, disse: “A Geração X está achando a vida, na fronteira profissional, mais difícil do que jamais achou... encontram-se parados no trânsito demográfico... presos e enfrentando a oferta de graduados da década passada.”

- quando eram adolescentes, viram adultos serem demitidos das grandes corporações: o termo reengenharia passou a fazer parte do universo das empresas. Isso causou uma sensação de falta de credibilidade nelas e um forte desejo de preencher a vida com “planos B”, “só para garantir”. Muitos desses adultos que foram vistos por esses adolescentes estavam sendo demitidos quando tinham em torno de quarenta anos

– aproximadamente a idade que hoje possuem aqueles que fazem parte da Geração X.

- planos de carreira estreitam-se no topo: a gama de opções perceptíveis diminui à medida que os profissionais tornam-se cada mais especializados nas funções ou atividades. A sensação de ter um plano de carreira que se afunila e o aumento da vulnerabilidade dele é mais palpável na transição de cargos de média gerência para de alta gerência, exatamente o ponto onde a grande maioria dessa geração encontra-se hoje.

- a economia estava em crise quando a carreira estava se iniciando: além disso, justo agora que eles estão assumindo papéis de liderança, as dificuldades voltaram a ser maiores e os próprios papéis a desempenhar estão mais vulneráveis do que em qualquer momento da década passada.

- a incômoda Geração Y: muitos pertencentes à Geração X agora devem atuar como gestores da Geração Y. Sejamos sinceros: é uma missão impossível, ao menos se definirmos “gerir” como controlar seus canais de comunicação. Ao mesmo tempo que os indivíduos da “Y” competem por promoções e tentam “aparecer bem na foto”, muitos da Geração X acham que os da Y dão conta de fazer várias coisas ao mesmo tempo. E isso os incomoda.

- a Geração X, na realidade, está cercada por um ambiente descontraído, mas que não é para ela: Os boomers e a geração Y estão aprendendo um com o outro – e gostando disso. A Geração X sente-se deixada de lado.

- a Geração X é o grupo mais conservador da força de trabalho: além disso, são cercados por tipos cool de ambos os lados. Na vida pessoal, essa geração não é particularmente fã de regras mas acha que, no trabalho, elas devem cumpridas – e se ressentem quando outros não fazem o mesmo. Soa injusto a eles que a etiqueta na corporação ser reescrita, considerando que essa geração teve que obedecer a sistemas rígidos por tanto tempo.- indivíduos da Geração X guardam um segredo a sete-chaves: ela não se sente nada confortável, ao contrário do que pensam, com a tecnologia, que muda a maneira como as coisas são feitas.
Para os boomers é considerado aceitável dissimular ignorância e pedir ajuda, mas é embaraçoso para a Geração X fazer o mesmo.- os colegas da geração boomers são inoportunos: a Geração X acha exagerado o grau de interações que os pais boomers, dos subordinados da Geração Y, realizam, e a maneira como são ignorados em função da constante presença deles no ambiente de trabalho dos filhos.- a pressão pelos deveres paternos está no ápice: a Geração X é mais comprometida em despender mais tempo com seus filhos que os pais dela eram, mas isso está ficando cada vez mais difícil.
Seria o momento de eles descerem do vagão corporativo? Esperamos que não – ao menos para boa parte deles. As corporações precisam muito da liderança que essa geração pode exercer. O que falta é elas criarem um ambiente corporativo que a conduza de forma mais concreta à realização de suas necessidades e materialização de suas preferências.
Tammy Erickson

25 de mai. de 2008

Será que Nossa Postura está Correta?

O futuro

A melhor maneira de prever o futuro é criando-o.
Peter Ferdinand Drucker
Picture by Giuseppe Santomaso

Conversa


O homem divide uma conversa em duas partes: falar e ouvir sua fala interior
John Fowles
Picture by William-Adolphe Bouguereau

O amor


O amor é o triunfo da imaginação sobre a inteligência.
Mencken
Picture by Wesley Duke Lee

Persistência


Quando nada parece ajudar, eu vou e olho o cortador de pedras martelando sua rocha talvez cem vezes sem que nem uma só rachadura apareça.
No entanto, na centésima primeira martelada, a pedra se abre em duas, e eu sei que não foi aquela que a conseguiu, mas todas as outras que vieram antes.
Jacob Riis
Picture by Naoko

E volte para o caminho certo


Algumas vezes, tomamos decisões erradas - geralmente sem considerar quem somos - e acabamos caindo em um buraco do qual parece que jamais sairemos.

Nos tornamos infelizes. Uma decisão errada leva até outra, que leva para outra e uma fileira de dominós acaba caindo sem parar. Vamos dormir e nos perguntamos: o que é que fiz da minha vida?

Há pessoas que, neste processo, se transformam em tubos: acordam, escovam osdentes, fazem o desjejum, trabalham, almoçam, trabalham voltam para casa, jantam, dormem e, em alguns pontos do dia, vão ao banheiro. No dia seguinte, repetem exatamente a mesma coisa. E no outro. E no outro. E no outro. Sem que haja uma luz no fim do túnel. São tubos, pelos quais passa comida.

Após uma palestra, um espectador veio dizer que sentia-se um zumbi, alguém que passa os dias apenas reagindo aos acontecimentos e pessoas, sem escolher nada do que acontecia: "Escolhi minha profissão porque tinha que agradar meu pai, me casei com alguém que mal conhecia porque estava sozinho, naquele momento, trabalho no que não gosto porque tenho que pagar as contas". E completou: "Pisquei os olhos e já passaram 30 anos, igual ao personagem do filme 'Click'." Tenho vários sonhos que ainda poderia realizar, mas será que eu devo?"

Na maioria das vezes, quando alguém pergunta isso, é porque já sabe a resposta. Há momentos nos quais os dias parecem se repetir, na vida de todos nós, e tudo parece igual. Mas isso pode ser um bom sinal. Afinal, quando estamos na estrada, indo de uma cidade para outra, há momentos em que o ponto da estrada no qual estamos é exatamente igual o ponto que passamos quinze quilômetros antes. Isso não é um problema, já que sabemos para onde vamos. Sabemos que a estrada é o caminho para a outra cidade. A viagem pode até ser desconfortável, cansativa, longa e monótona - mas sabemos aonde queremos chegar.

Por isso, se o ponto da vida no qual estamos agora é um caminho para nos levar aonde desejamos chegar, não se preocupe com essa aparente repetição do nada. É apenas uma percepção parcial da realidade, mas dentro de algum tempo você chegará onde deseja. Continue avançando e prenda-se à realidade dos resultados, mesmo que apenas em sua mente, pois eles chegarão. Neste caso, a repetição, o hábito e a aparente monotonia são apenas a estrada que levará você até a cidade desejada. Continue firme.

Cada metro que você avança será um metro a menos até seu sonho. Por outro lado, se o ponto da vida no qual você está foi causado por uma decisão claramente equivocada, e os dias estão se repetindo como um castigo aparentemente sem razão, é hora de mudar. É o momento de balançar a árvore da sua vida, para ver o que cai, como fazíamos quando crianças e queríamos apanhar frutas. Comece mudando por dentro, imediatamente. Mude o que você escolhe ver, ler, ouvir, as pessoas com as quais escolhe estar, aquilo que você diz e o que você aprende. Talvez não seja fácil. Sua mãe, pai, cônjuge, filhos, amigos e colegas podem reagir tentando bloquear suas mudanças, geralmente com a melhor dasintenções.

Mas a mão não alcança aquilo que o coração não almeja, portanto é melhor escutar seu coração para a tomada de decisões. Sempre unindo a razão e a ação contínua, claro, porque pensar apenas com o coração não é a chave. A chave é usar a razão, a emoção e a ação em tudo o que você deseja. E estes três lados devem estar alinhados, com o mesmo objetivo. Se você estiver indo para a direção desejada, com a pessoa desejada, agindo todos os dias, a repetição não será um problema - será apenas um ponto da estrada que levará você do lugar onde está agora para a vida que deseja viver. Pense em um tempo no qual as coisas tinham tudo para serem perfeitas. Tente voltar a este tempo, como um motorista volta para a estrada certa, após teres colhido o caminho errado. E volte para o caminho certo. Sua vida merece isso.
Aldo Novak

24 de mai. de 2008

Casamento quente

Brilho suave


Mulher: a mais nua das carnes vivas e aquela cujo brilho é o mais suave
Antoine de Saint-Exupéry
Picture by Alma-Tadema

Amar e ser amado


Ser profundamente amado por alguém dá-nos força.
Amar alguém profundamente dá-nos coragem!
Lao-Tsé
Picture by Ademir Martins

Desejar a amizade é um grande erro


É um erro desejar ser compreendido antes de se ser elucidado por si mesmo a seus próprios olhos. É procurar prazeres na amizade, e não méritos.
É qualquer coisa de mais corruptor ainda do que o amor. Venderias a tua alma por amor. Aprende a repelir a amizade, ou melhor, o sonho da amizade. Desejar a amizade é um grande erro.
A amizade deve ser uma alegria gratuita como as que a arte ou a vida oferecem. É preciso recusá-la para se ser digno de a receber: ela é da categoria da graça «Meu Deus, afastai-vos de mim...».
É dessas coisas que são dadas por acréscimo. Toda a ilusão de amizade merece ser destruída. Não é por acaso que nunca foste amado. Desejar escapar à solidão é uma covardia. A amizade não se procura, não se imagina, não se deseja; exercita-se, é uma virtude. Abolir toda esta margem de sentimento, impura e enevoada.
Ou melhor (pois não é necessário desbastar-se a si mesmo rigorosamente), tudo o que, na amizade, não passe por alterações efetivas deve passar por pensamentos ponderados.
É absolutamente inútil privar-se da virtude inspiradora da amizade. O que deve ser severamente proibido, é sonhar com os prazeres do sentimento. É corrupção. E é tão estúpido como sonhar com a música ou com a pintura. A amizade não se deixa afastar da realidade, tal como o belo. E o milagre existe, simplesmente, no fato de que ela existe. Aos vinte e cinco anos é mais que tempo de acabar radicalmente com a adolescência.
Simone Weil
Picture by Toulouse Lautrec

Narrar o tempo


Pode narrar-se o tempo, o tempo em si mesmo, como tal e em si? Não, na verdade seria uma empresa louca. Uma narração onde se dissesse: «O tempo passava, fluía, o tempo seguia o seu curso», e assim por diante, nunca um homem de espírito são poderia considerá-la história.

Seria mais ou menos como se alguém tivesse a ideia barroca de manter durante uma hora uma e a mesma nota, ou um só acorde e quisesse que isso fosse considerado música. Porque a narração parece-se com a música no sentido de que ela «realiza» o tempo, «enche-o convenientemente», «divide-o» e faz que «se passe qualquer coisa nele», para citarmos, com a melancólica piedade que se devota às palavras dos defuntos, algumas expressões habituais do saudoso Joachim, palavras que foram proferidas há muito; nem sabemos se o leitor dá claramente conta de quanto tempo se passou desde que foram pronunciadas.

O tempo é o elemento da narração, assim como é o elemento da vida: está-lhe inseparavelmente ligado, como aos corpos no espaço. O tempo é também o elemento da música, a qual mede e divide o tempo, tornando-o, simultaneamente, interessante e precioso, no que, como já foi dito, se assemelha à narração que, ela também (e de maneira muito diferente da presença imediata e brilhante da obra plástica, que só está ligada ao tempo como corpo), não é mais do que uma sucessão, é incapaz de apresentar-se senão como uma fluência, e tem necessidade de recorrer ao tempo ainda que tente ser inteiramente presente num dado momento.
Thomas Mann
Picture by Trevor Wells

Sem apetite na cama? Troque o sabão em pó!


É verdade! Pequenos erros, como lavar as calcinhas com sabão em pó, podem ser o primeiro passo para acabar com o seu apetite sexual. Foi exatamente isso o que descobriu o ginecologista Eliano Pellini, chefe do setor de Medicina Sexual da Faculdade de Medicina do ABC.

Ele fez uma pesquisa e concluiu que certas substâncias do dia-a-dia podem ser as responsáveis pela falta de libido do casal. "A mulher que procura o ginecologista por causa da falta de desejo acredita que está com alguma disfunção orgânica e coloca a culpa em fatores externos, como o envelhecimento, as alterações hormonais e o parceiro", comenta.

Mas elas têm que ficar de olho aberto para alguns produtos, remédios e até mesmo cosméticos que atuam diretamente sobre o seu desejo sexual, como afirma o especialista. Além do sabão em pó, há outros vilões que podem estar minando o seu desejo e como se livrar deles:
Cosméticos com propileno glicol:
essa substância está presente em inúmeros cosméticos. Ela é responsável por fixar o cheiro dos produtos, mas também pode alterar o odor natural do corpo e inibir o desejo tanto do homem quanto da mulher. Confira sempre o rótulo na hora de comprar.
Fertilizantes:
frutas, legumes e grãos com fertilizantes podem inibir os hormônios sexuais e diminuir a libido do casal. Nesse caso, o ideal é evitar produtos com agrotóxicos e priorizar os orgânicos.
Sabão em pó e sabonetes em barra:
esses produtos alteram o cheiro e a acidez da vagina. Evite qualquer um dos dois, seja na hora de lavar as peças íntimas ou de tomar banho. Prefira produtos neutros para correr desses vilões.
Antialdosterona:
presente na maior parte dos anticoncepcionais modernos, essa substância é a maior responsável pelo alívio da retenção de líquidos. Mas, por outro lado, altera os níveis hormonais da mulher, o que contribui para diminuir a libido. Nesse caso, o melhor é consultar seu ginecologista.
Antiácidos:
eles alteram a quantidade de óxido nítrico no corpo, uma das substâncias responsáveis pelo cheiro característico da vagina de uma mulher. Isso faz com que o homem tenha dificuldades para se excitar.

23 de mai. de 2008

Parar de fumar é socialmente contagioso


Se o vício em cigarros começa como um hábito, parar de fumar é socialmente contagioso. Um amplo estudo realizado nos Estados Unidos ao longo dos últimos 30 anos mostra que a iniciativa de parar de fumar está diretamente relacionada com o ambiente social.

"Analisando amplas redes sociais, descobrimos que grupos inteiros de pessoas que não se conhecem obrigatoriamente param de fumar ao mesmo tempo", afirmou Nicholas Christakis, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard e co-autor do trabalho.

"Desse modo, se há uma mudança no zeitgeist (espírito da época) dessa rede social, como uma mudança cultural, todo um cloletivo de pessoas conectadas, mas que não se conhecem necessariamente param de fumar em grupo", disse. Os pesquisadores obtiveram os dados a partir da reconstrução de uma rede social de 12.067 indivíduos entre 1971 e 2003. Todas as mudanças familiares dos participantes, casamentos, mortes ou divórcios, foram catalogadas.

Os pesquisadores registraram também os contatos com amigos próximos, colegas de trabalho e vizinhos.

A maior parte desses amigos e colegas também participaram do estudo, o que permitiu a observação de um total de 53.228 relações sociais, familiares e profissionais.

O mais impressionante, no entanto, é que as pessoas param de fumar em grupo, e não sozinhas, destaca o trabalho, publicado ontem no New England Journal of Medicine.
"Quando nos fixamos no conjunto dessas redes sociais sobre um período de 30 anos, constatamos que o tamanho médio das ramificações de fumantes se mantém mais ou menos igual. Só que há cada vez menos e menos dessas ramificações com o passar do tempo", explicou James Fowler, da Universidade da Califórnia, co-autor do estudo. O trabalho também aponta para o fato de que os fumantes estão cada vez mais marginalizados em diferentes grupos sociais.

Em 1971, não havia distinção social entre fumantes e não-fumantes, tanto nas empresas quanto na sociedade. Nas décadas de 80 e 90, no entanto, "constatou-se uma mudança de atitude radical que se traduz em uma rejeição aos fumantes na periferia das redes sociais", segundo James Fowler.
Dedicado aos primos Nilo (meu eterno professor) e Vanessa que largaram de vez este vício.

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