10 Julho 2009

Não julgue tão rapidamente

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O Padre e a Freira no Motel



O padre (muito cavalheiro) ofereceu a freira uma carona até o convento, já que estava tarde e a chuva não demoraria a chegar....No caminho o carro quebrou. Depois de caminharem uma hora embaixo de chuva, avistaram um motel, e o padre sugeriu.

- Irmã, creio que será melhor dormimos aqui neste motel, e amanhã chamaremos o carro do convento para buscarmos.

A irmã toda molhada e cansada concordou feliz da vida!!!!
Na recepção, foram informados que tinham somente um quarto com uma cama de casal disponível.
O padre olhou para a freira e disse:
- Sem problemas, a Irmã pode dormir na cama, que eu durmo no chão.

E assim fizeram.
No entanto, no meio da madrugada, a irmã acordou o padre dizendo:

- Padre! O senhor esta acordado?
- (O padre bebado de sono) Hein?! Ah, irmã, o que foi?
- Ah... é que eu estou com frio. O senhor pode pegar o cobertor para mim?
- Sim, irmã, pois não!

O padre então se levantou, pegou o cobertor no armário e cobriu a irmã com muita ternura.
Uma hora depois a irmã acorda o padre de novo dizendo:

- Padre! O senhor ainda está acordado?
- ( O padre babando na gola) Ah? Ah,irmã, o que foi agora?
- É que eu ainda estou com frio. O senhor pode pegar outro cobertor para mim?
- Claro irmã pois não !

Mais uma vez o padre se levantou cheio de amor e boa vontade para atender o pedido da irmã.
Outra hora se passou e mais uma vez a irmã chamou pelo padre.

- Padre. O senhor ainda esta acordado?
- (O padre engasgando com o próprio ronco) Ah? Sim irmã, o que foi agora?
- É que eu não estou conseguindo dormir. Ainda estou com muito frio.

Finalmente, entendendo as intenções da irmã, o padre então falou:

- Irmã, só nós dois estamos aqui, certo?
- Certo!
- O que acontecer, ou deixar de acontecer aqui, só nós saberemos e mais ninguém, certo?
- Certo!
- Então tenho uma sugestão: Que tal se a gente fizer que nem marido e mulher?

A freira então pula de alegria na cama e diz:

- Sim! Sim! Vamos fazer que nem marido e mulher!

Daí o padre muda o tom de voz e grita:

- Então levanta e pega você mesma esta droga de cobertor!

Pensou que iria ter um final erótico né?
Reze 10 ave-marias e 20 pai-nossos pelos maus pensamentos...
Enviada pelo Luiz Antônio (Nonõ) que com certeza será em alguns anos sucessor do Roger Federer.

O golpe do ano



Acompanhado de uma belíssima mulher, o sujeito entra na joalheria e manda que ela escolha a jóia que quiser, sem se preocupar com o preço.
Examina daqui, experimenta uma, depois outra, ela finalmente decide por um colar de ouro com diamantes e rubis. Preço... US$ 458 mil.

Ele manda embrulhar, saca um talão de cheques e começa preencher. Assina, destaca e ao estendê-lo, percebe a fisionomia constrangida e preocupada do vendedor examinando o cheque. O cliente, então num gesto de gentleman, toma a iniciativa:

- Vejo que você está pensando que o cheque pode não ter fundos. É natural, eu também desconfiaria, afinal, uma quantia tão grande.

- Tudo bem. Façamos o seguinte: hoje é sexta-feira e o banco já fechou. Você fica com o cheque e com a jóia. Na segunda-feira, você vai ao banco, pega o dinheiro e manda entregar a jóia na casa dela, ok?

Cheio de mesuras e agradecimentos pela compreensão o vendedor encaminha o casal até a saída, desejando-lhes um bom fim de semana.

Na segunda-feira, o vendedor liga para o cliente para dizer-lhe que, infelizmente, deve ter havido algum equívoco do banco, mas o cheque não tinha fundos.

Ouve, então, uma voz meio sonolenta:
- Sem problema. Pode rasgar o cheque. Eu já dormi com a mulher.

Dieta de baixa caloria prolonga a vida e a saúde de macacos


Um estudo realizado ao longo de 20 anos determinou que cortar calorias em cerca de 30% reduz o envelhecimento e ajuda a adiar a morte. Em macacos.

Não se trata de uma dieta rápida para perder alguns quilos. Cientistas já sabiam que é possível prolongar a vida de camundongos e de criaturas mais primitivas - moscas, vermes - com cortes profundos e prolongados no que seria o consumo normal de energia.

Agora surge a primeira evidência de que a mesma conduta adia a manifestação das doenças do envelhecimento em primatas, também - macacos reso do Centro de Primatas Nacional de Wisconsin, EUA. Os pesquisadores relatam suas descobertas na edição desta semana da revista Science.

E quanto a um outro animal da família dos primatas, os seres humanos? Ninguém ainda sabe ainda se as pessoas, num mundo de consumo exagerado, seriam capazes de suportar a privação por tempo suficiente para que ela fizesse diferença, muito menos como ela iria afetar nossos corpos, mais complexos. No entanto, há várias tentativas em andamento.

"O que realmente gostaríamos nem é tanto que as pessoas vivessem mais, mas que vivessem com mais saúde", disse o médico David Finkelstein, do Instituto Nacional do Envelhecimento. Os macacos de Wisconsin parecem ter feito as duas coisas.

"O fato de haver menos doenças nesses animais é notável", afirmou Finkelstein.

As possibilidades da restrição calórica datam de estudos com roedores realizados nos anos 30. Mas hoje é um tema quente entre os pesquisadores que buscam entender os diferentes processos que levam o corpo humano a falhar com a idade, de forma que alguns talvez possam ser revertidos.

Macacos reso em cativeiro têm uma expectativa de vida média de 27 anos, e portanto notar o efeito neles demora mais que nos camundongos de vida curta. O estudo mais recente envolve 76 animais - 30 que são acompanhados desde 1989, e 46, desde 1994. Eles eram adultos de tamanho normal e em dieta normal para um macaco em cativeiro, que consiste em uma mistura enriquecida com vitaminas e algumas frutas.

Os cientistas destinaram metade dos macacos para uma dieta de restrição calórica, cortando o consumo diário de calorias em 30%, mas garantindo que não ficassem desnutridos.

Até agora, 37% dos macacos mantidos na dieta normal morreram de doenças ligadas ao envelhecimento. Entre os que receberam menos calorias, a taxa é de 13%. Alguns macacos morreram de outras causas, como ferimentos, que não são tidas como ligadas à nutrição.

A morte não foi a única diferença. Os macacos com poucas calorias tiveram menos da metade da incidência de tumores malignos e de doenças do coração que os demais. Imagens do cérebro mostraram um encolhimento menor causado pela idade. Eles também preservaram mais massa muscular.

O principal pesquisador responsável pelo estudo, Richard Weindruch, da Universidade de Wisconsin, acredita que a mudança de dieta está reprogramando o metabolismo dos animais, de um modo que reduz o envelhecimento.

O governo dos EUA está financiando um estudo em pequena escala para ver se algumas pessoas de peso normal são capazes de conviver com um corte calórico de 25% por dois anos, e se esse corte produzirá indicadores de que os problemas da idade podem estar sendo adiados.

Finkelstein adverte que ninguém deve tentar uma restrição calórica por conta própria: cortar os nutrientes de forma errada pode trazer problemas sérios de saúde. Seu conselho para quem busca longevidade: "Tome cuidado com o que come, mantenha uma mente ativa, faça exercícios e não seja atropelado".
Associated Press

09 Julho 2009

Liberdade interior


Se não alcançar a liberdade interior, que outra liberdade espera alcançar?
Arthur Graf
Picture by Renoir

Pensar positivo


Quando você espera por coisas boas, elas estão constantemente à sua disposição e se tornam realidade em sua vida.
Alfred Woodward
Picture by Andy Warhol

A reconfiguração da família e as novas formas de ser do lar


O trecho da famosa música Pais e Filhos, da banda de rock Legião Urbana, sintetiza, em uma ótica estética, muitas das transformações sociais pelas quais a instituição familiar contemporânea tem atravessado.

"Eu moro na rua, não tenho ninguém, eu moro em qualquer lugar, já morei em tanta casa que nem me lembro mais, eu moro com meus pais". Essa mensagem demonstra com sutileza e claridade o sofrimento dos filhos que são muito afetados pela separação dos pais, fato que tem se tornado cada vez mais comum, conforme apontam os dados do IBGE .

No entanto, esse rearranjo da família atual não pode ser negado e deve, inclusive, ser celebrado como uma transformação positiva nos padrões e nas relações afetivas, rumo às vivências mais plurais e democráticas. A sua aceitação é fonte destacada de reflexão social e implica ainda a necessidade de se repensar a elaboração de políticas públicas. Com as grandes transformações observadas nas últimas décadas no campo da sexualidade, da afetividade e das dinâmicas sociais, a família nuclear, heterossexual, não deve ser mais tida como o modelo único, ou mesmo o padrão referencial, mas apenas como mais uma forma de arranjo familiar. Afinal de contas, o número de mulheres e homens que coordenam sozinhos seus lares junto com os seus filhos é altíssimo. Além disso, cresce a percepção social de que é fundamental reconhecer o direito de casais homossexuais de constituírem uma família e terem filhos.

Neste quesito, as políticas públicas brasileiras são avançadas, pois refletem a família a partir de sua função, levando em consideração a solidariedade entre seus membros, o desencadeamento das relações entre eles e a importância no desenvolvimento que cada indivíduo exerce sobre o outro. Não há e não deve haver qualquer juízo de valor acerca de qual a orientação sexual "ideal" dos cônjuges. Ao contrário, deve existir apenas um reforço no papel da família como instituição central para a proteção social.
É fundamental reconhecer o direito de casais homossexuais de constituírem uma família e terem filhos Essa visão de família não unilinear está substanciada tanto na realidade quanto em diversos documentos governamentais, principalmente aqueles voltados à assistência social, onde o apoio, a orientação e a manutenção da família constituem a prioridade.

Mas não é aquela família "quadradinha", que muitas vezes imaginamos à luz de preconceitos e visões heteronormativas do mundo.
As políticas públicas atuais levam em consideração modelos diferenciados de famílias, partindo do pressuposto de que as mulheres ganharam não apenas a sua independência financeira, mas também a de seus destinos, passando a coordenar as suas famílias, sem receios de fracasso, porém muitas vezes enfrentando o preconceito da sociedade - situação comum também aos casais homossexuais. Neste caso em particular, nos parece que, muitas vezes, as concepções das políticas públicas compreendem um nível avançado até de absorção de novos padrões comportamentais.

Mas, no âmbito das dinâmicas cotidianas, as relações caminham a passos lentos e nem sempre percorrem o mesmo caminho das legislações. Em alguns casos, porém, a legislação parece bastante retrógrada, principalmente quando observamos a difi- culdade de adoção de filhos por parte de casais homossexuais.
Quando isso ocorre, se transforma em notícia nacional, num acontecimento que "está para além desta sociedade", pois parece ofender os valores de setores conservadores da sociedade, sobretudo os religiosos. É utilizando esse tipo de exemplo que podemos perceber com mais clareza o quanto a sociedade como um todo é preconceituosa, o quanto idealizamos um tipo de família heterossexual, em que o pai exerce o papel de coordenador do lar. O enfrentamento a essa dominação masculina e heterossexual da instituição familiar serve de bandeira para diversos movimentos sociais, tais como o feminista e o GLBTT. Como bem podemos notar, a realidade social está mil anos à frente de alguns valores que ainda persistem.

O que insiste em permanecer é a sombra do preconceito que, no decorrer de nossa formação, enquadra o sexo feminino e masculino em caixinhas de titânio, vinculadas à identidade sexual heterossexual, que são quase impossíveis de serem quebradas. A formação das crianças ainda é dividida em meninos e meninas, a dominação de gênero ainda está impressa em cada brinquedo infantil, que irá, de certa forma, determinar as habilidades a serem desenvolvidas em cada um de nós. Assim, a divisão social do trabalho é naturalizada, como se homens já nascessem conhecendo matemática e a estrutura completa de um computador, enquanto as meninas nascem sabendo fazer uma deliciosa feijoada, aprendendo bem as técnicas de manejo com o fogão e com a lavadora de roupas.


É preciso, porém, compreender que a diversidade sexual, com sua pluralidade afetiva e de experiências, constitui, sobretudo, um positivo elemento de integração dos laços sociais e de vivência civilizada. A orientação sexual do indivíduo não influencia de forma negativa o seu caráter. Pelo contrário, só traz benefícios à sociedade, pois um indivíduo satisfeito no seu relacionamento afetivo-sexual será uma pessoa feliz e tranquila em todos os ambientes sociais, seja de trabalho, escola ou família.

A comprovação do bem-estar social causado pela aceitação das diferentes orientações sexuais é a própria verificação do que ocorre quando ela não existe.
As pessoas podem se isolar, se destruir, ficar atormentadas. Outras podem até se suicidar por não aguentarem a pressão da sociedade, que neste caso tende a sufocar os indivíduos, fazendo que eles, muitas vezes, vivam se escondendo do grupo social. O isolamento é comum entre os indivíduos homossexuais que tentam evitar o preconceito. No entanto, os movimentos sociais já lutam de todas as formas para que os homossexuais não tenham de se isolar e possam viver sua afetividade e sexualidade como os heterossexuais, já que a ideia é sufocar o preconceito e não o indivíduo.
Ádima Domingues da Rosa
Picture by Tarsila do Amaral

08 Julho 2009

Muito melhor que a Liza Minelli

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Dinâmica para recrutamento


O método consiste em:

1-Colocar todos os candidatos num galpão
2-Disponibilizar 200 tijolos para cada um.
3-Não dê orientação alguma sobre o que fazer.
4-Tranque-os lá.

Após seis horas, volte e verifique o que fizeram.

Segue a análise dos resultados:

1 - Os que contaram os tijolos contrate como contadores.

2 - Os que contaram e em seguida recontaram os tijolos, são auditores.

3 - Os que espalharam os tijolos são engenheiros.

4 - Os que tiverem arrumado os tijolos de maneira muito estranha, difícil de entender, coloque-os no Planejamento, Projeto e Controle de Produção.

5 - Os que estiverem jogando tijolos uns nos outros, coloque-os em Operações.

6 - Os que estiverem dormindo, coloque-os na Segurança.

7 - Aqueles que picaram os tijolos em pedacinhos e estiverem tentando montá-los novamente, devem ir direto à Tecnologia da Informação.

8 - Os que estiverem sentados sem fazer nada ou batendo papo-furado, são dos Recursos Humanos.

9 - Os que disserem que fizeram de tudo para diminuir o estoque mas a concorrência está desleal e será preciso pensar em maiores facilidades, são vendedores natos.

10 - Os que já tiverem saído, são gerentes.

11 - Os que estiverem olhando pela janela com o olhar perdido no infinito, são os responsáveis pelo Planejamento Estratégico.

12 - Os que estiverem conversando entre si com as mãos no bolso demonstrando que nem sequer tocaram nos tijolos e jamais fariam isso, cumprimente- os com muito respeito e coloque-os na Diretoria.

13 - Os que levantaram um muro e se esconderam atrás são do Departamento de Marketing.

14 - Os que afirmarem não estar vendo tijolo algum na sala, são advogados, encaminhem ao Departamento Jurídico.

15 - Os que reclamarem que os tijolos 'estão uma porcaria, sem identificação, sem padronização e com medidas erradas', coloque na Qualidade.

16 - Os que começarem a chamar os demais de 'companheiros' , elimine-os imediatamente antes que criem um sindicato.

Atenciosamente,
Psicólogo Chefe

Observar a democracia com as lentes de Bobbio


A tradição de pensamento que alguns estudiosos quiseram chamar de "escola de Turim" tem, entre seus temas principais de reflexão, e não apenas de preocupação intelectual, mas também de compromisso civil, o problema da democracia. Trata-se na realidade de um problema complexo, ou de um nó de problemas particularmente intricado, que deve ser enfrentado, sobretudo, com os instrumentos teóricos da análise conceitual.

A teoria analítica da democracia que foi elaborada dentro da escola de Turim, acima de tudo e eminentemente na obra de Norberto Bobbio, é em primeiro lugar uma teoria jurídica, distinta das teorias políticas, como, por exemplo, as de Giovanni Sartori ou Robert A. Dahl, e das teorias economicistas como as de Anthony Downs, e também de Joseph Schumpeter. A teoria de Bobbio é geralmente considerada a versão mais pontual e madura da chamada "concepção processual" da democracia, que, ao longo do século 20, para superar as ambiguidades e os equívocos das concepções "substanciais", concentrou a atenção sobre as "regras do jogo".

Nos últimos tempos voltou-se a refletir sobre este núcleo interno da concepção bobbiana, a teoria das regras constitutivas da democracia, na tentativa de reconstruí-la, reformulá-la e empregá-la como instrumento de diagnóstico para medir o grau de democracia dos regimes políticos contemporâneos.

A tabela bobbiana das regras democráticas

1 - Todos os cidadãos que alcançaram a maioridade, sem distinção de raça, religião, condição econômica e sexo, devem desfrutar dos direitos políticos, ou seja, todos têm o direito de expressar sua própria opinião ou de escolher quem a exprima por eles;

2 - O voto de todos os cidadãos deve ter o mesmo peso;

3 - Todas as pessoas que desfrutam de direitos políticos devem ser livres para poder votar de acordo com sua própria opinião, formada com a maior liberdade possível por meio de uma concorrência livre entre grupos políticos organizados competindo entre si;

4 - Devem ser livres também no sentido de ter condição de escolher entre soluções diferentes, ou seja, entre partidos que têm programas diferentes e alternativos;

5 - Seja por eleições, seja por decisão coletiva, deve valer a regra da maioria numérica, no sentido de considerar eleito o candidato ou considerar válida a decisão obtida pelo maior número de votos;

6 - Nenhuma decisão tomada pela maioria deve limitar os direitos da minoria, particularmente o direito de se tornar por sua vez maioria em igualdade de condições.

Essas seis regras são chamadas de "procedimentos universais", ou seja, as normas que estabelecem, de acordo com as fórmulas simples e iluminadoras de Bobbio, o "quem" e o "como" da decisão política - e que se encontram em todos os regimes geralmente chamados democráticos.

Todas as regras enumeradas por Bobbio dizem respeito, direta ou indiretamente, à instituição que caracteriza a democracia representativa: as eleições. Hoje, e não sem bons argumentos, tende-se a não considerar indissolúvel o nexo entre eleições e democracia. Que as eleições são um indicador insuficiente da democracia de um sistema político é algo evidente, até mesmo banal. Mas isso não deve levar à atribuição de uma importância secundária à instituição das eleições, nem mesmo a negligenciá-la ou desacreditá-la, como às vezes tendem a fazer alguns promotores da (assim chamada) "teoria deliberativa da democracia" atualmente em voga.

Um leitor de Bobbio poderia se limitar a confirmar outra obviedade banal: em uma coletividade de grandes dimensões, a autodeterminação democrática não pode se realizar a não ser sob a forma da democracia representativa, e esta não pode sobreviver sem as eleições. Há quem pense que as eleições podem ser abolidas e substituídas pelas formas difusas de "deliberação" (seja lá o que isso signifique). É verdade que uma democracia "apenas" eleitoral pode ser uma democracia aparente, mas também é verdade que, abolidas as eleições, não se teria mais nenhuma democracia, nem aparente nem real.


Critérios de democratização

A tabela bobbiana das seis regras não é a tradução sintética em normas, ou em princípios inspiradores de normas, da concepção processual da democracia. Assim, as seis regras são apenas a explicitação articulada de sua definição mínima "segundo a qual por regime democrático se entende principalmente um conjunto de regras de procedimento para a formação das decisões coletivas, nas quais é prevista e facilitada a participação mais ampla possível dos interessados".

Também com o propósito de testar a validade e a fertilidade da teoria bobbiana, eu sugeri que esse "conjunto de regras" pode ser adotado e utilizado como um verdadeiro e apropriado critério de democratização, simplificado, mas eficaz, ou seja, como parâmetro essencial de um juízo que estabelece se este ou aquele regime político realmente merece o nome de democracia. Na perspectiva de Bobbio, na realidade, as "regras do jogo" valem como condições da democracia. Aplicando de um modo elementar e intuitivo a gramática do conceito de "condição", pode-se dizer que, se essas regras encontrarem eco e aplicação real na vida política de uma coletividade, então essa coletividade pode se reconhecer e autodenominar democrática.

No capítulo da Teoria geral da política que assumi como texto de referência, Bobbio nos convida a considerar as seis regras como condições separadamente necessárias e apenas conjuntamente suficientes: "Não tenho dúvidas do fato de que basta a não observância de uma destas regras para que um governo não seja democrático". Em outro texto, Bobbio parece muito mais flexível: "Nenhum regime histórico jamais observou completamente o conteúdo de todas estas regras; e por isso é lícito falar de regimes mais ou menos democráticos".

Começo observando que Bobbio considera "graus diferentes de aproximação do modelo ideal". Devemos esclarecer que o "modelo ideal" que ele menciona não é a soma das promessas e ilusões que a doutrina democrática moderna, de Rousseau em diante, associou à prefiguração da comunidade política ideal. Nesse sentido, Bobbio dizia que o distanciamento da prefiguração doutrinária e idealizada da sociedade democrática, verificada em todas as experiências concretas de "realização" da democracia, não foi a "de 'transformar' um regime democrático em um regime autocrático". A fronteira entre os dois tipos de regime está no fato de que, e na medida em que, as regras do jogo democrático sejam respeitadas de alguma maneira e até certo grau.

O problema mais importante não é tanto o de definir o número de regras que devem ser respeitadas para que um regime concreto possa passar no teste da democracia, mas o da forma e do grau de sua aplicação. Então, adverte Bobbio, as regras do jogo são "aquelas listadas, simplíssimas, mas nada fáceis de aplicar corretamente". Por isso, na análise de casos das democracias reais, "deve-se ter em mente o possível desvio entre a enunciação [das regras] de seu conteúdo e o modo pelo qual elas são aplicadas".

E isso permite reconhecer que há democracias reais mais democráticas ou menos democráticas. Mas em 1984 Bobbio não hesitava: "mesmo a mais distante do modelo", ou seja, do paradigma de uma aplicação correta das regras do jogo, "não pode ser de modo algum confundida com um estado autocrático". Então, afirmava ele, apesar das secas réplicas da história às promessas e ilusões da doutrina democrática moderna, "não se pode falar propriamente de uma 'degeneração' da democracia".

Eu me pergunto: isso ainda é verdadeiro? Estamos dispostos a reconhecer essa afirmação, depois de 25 anos? Se mantivermos a formulação de Bobbio, que assumia como termo de comparação a "era das tiranias", os totalitarismos do século 20, provavelmente sim. Porém, podemos nos perguntar: depois da análise de Bobbio, que outras transformações sofreu a democracia?

Vejamos: diante do problema dos imigrantes, hoje particularmente agudo na Europa - ou, em outras partes do mundo, como na América Latina, diante da interminável massa de cidadãos inexistentes, excluídos não apenas da vida pública, mas condenados a uma condição de existência miserável e sem resgate -, como fica a condição de inclusão posta como primeira regra da tabela de Bobbio? Diante dos efeitos distorcidos da representação política, produzidos por grande parte dos sistemas eleitorais atualmente em vigor nas democracias reais, como fica a condição de equivalência dos votos individuais definida pela segunda regra?

Diante das grandes concentrações nas mídias, como fica a condição de pluralidade da informação exigida implícita mas claramente na terceira regra, para a livre formação das opiniões e das escolhas dos cidadãos? Diante da personalização da luta política e da administração do poder, da distorção das cúpulas e das "lideranças" da vida pública, das campanhas eleitorais reduzidas a duelos pela conquista monocrática dos cargos supremos, e do consequente empobrecimento das opções disponíveis, como ficam as condições de pluralismo político requeridas pela quarta regra?

E diante da configuração da dialética política como um jogo de soma zero, no qual "quem ganha leva tudo", não se poderia falar talvez de um abuso do princípio da maioria, postulado pela quinta regra como uma condição simples da eficiência da democracia? E, finalmente: diante das repetidas e difundidas violações dos direitos fundamentais, sobretudo dos direitos sociais, mas também dos direitos de liberdade, pelos mesmos governos das democracias reais nas mais recentes estações políticas, e diante das alterações na separação dos poderes, como ficam os "direitos das minorias" protegidos pela sexta regra como condição para a sobrevivência da democracia?

É supérfluo acrescentar que essas minhas considerações não pretendem de fato valer como uma crítica a Bobbio. Pelo contrário: elas pretendem mostrar a permanente validade, fertilidade e efetividade dos instrumentos conceituais que sua teoria da democracia nos oferece, mesmo se a aplicação desses instrumentos aos casos concretos da experiência política contemporânea nos cause uma preocupação, com relação aos destinos da democracia, maior do que aquela que o próprio Bobbio, o Bobbio "pessimista", manifestava um quarto de século atrás.


Tolerância - debate livre - fraternidade

Pode parecer que uma teoria centrada nas regras do jogo seja a expressão de uma concepção puramente técnica da democracia, estranha a toda problemática ética, e distante do mundo dos valores. Não é assim. Bobbio sente a necessidade de responder a uma pergunta que ele mesmo reconhece como "fundamental": "Se a democracia é principalmente um conjunto de regras de procedimento, como pode pretender contar com 'cidadãos ativos'? Para que cidadãos ativos existam, não seria preciso que tivéssemos ideais? Certamente temos ideais. Mas como não se dar conta de quais grandes lutas ideais produziram essas regras?". Em suma: Bobbio nos faz entender claramente que as mesmas técnicas processuais, "que tão frequentemente zombaram das regras formais da democracia", são o fruto de escolhas de valores, e são postas como condições para a criação de uma forma de convivência desejável e aprovada com base em determinados valores.

Mas quais valores? Para simplificar, sugiro dividir o mundo dos valores que são relacionados à ideia de democracia, fazendo dela um ideal a ser buscado, em dois hemisférios. No primeiro encontramos os valores implícitos nas mesmas regras processuais da democracia como objetivos ideais que esta apenas permite perceber, e então como critérios que a tornam preferível às outras regras políticas. São os valores democráticos no sentido estrito. Bobbio enumera explicitamente quatro: tolerância, não violência, renovação da sociedade pelo debate livre, e fraternidade.

Mas não é difícil ver que na tabela das seis regras do jogo democrático (sobretudo nas quatro primeiras) estão implícitos também os outros dois valores da tríade francesa clássica, ou seja, igualdade e liberdade. Não a igualdade e a liberdade em geral, em cada significado e especificação possível, mas sim determinados tipos delas. Corretamente democrático é o reconhecimento da dignidade política igualitária de todos os indivíduos, da qual decorre a distribuição igualitária do direito/poder de participar da formação das decisões coletivas. Do mesmo modo, corretamente democrática é a liberdade positiva, que é a liberdade como autonomia, a capacidade de determinar por si mesmo suas próprias opiniões e escolhas políticas, e de fazê-las valer na arena pública.

Isso significa talvez que as liberdades (assim chamadas) negativas ou civis, de um lado, e as dimensões econômico-sociais da igualdade, de outro, não são valores, ou não têm nada a ver com a democracia? Não: elas são valores, e nós as encontramos no segundo hemisfério do mundo axiológico que permeia a ideia de democracia. Não valores democráticos no sentido estrito, que são analiticamente incluídos no conceito de democracia - tanto é verdade que por vezes têm sido assumidos e reivindicados mesmo sem e contra a democracia, respectivamente pelos movimentos liberais e socialistas.

Contudo, são valores que devem ser reconhecidos como tais, e buscados para permitir a existência mesma da democracia e sua melhoria, e que por outro lado só a democracia permite realizar e garantir de formas não precárias ou distorcidas. Naturalmente, é preciso novamente distinguir e especificar: do ponto de vista democrático, nem toda forma de liberdade, nem toda forma de igualdade é um valor.

Aquelas que Bobbio chama de "as quatro grandes liberdades dos modernos" - a liberdade pessoal, de opinião, de reunião e de associação - são valores de tradição liberal que um bom democrata deve fazer. As normas das constituições liberais que reconhecem essas liberdades como direitos fundamentais da pessoa, esclarece Bobbio, "não são propriamente regras do jogo: elas são regras preliminares que permitem a realização do jogo". Poderíamos dizer que, se as regras do jogo são as condições da democracia, os quatro grandes direitos de liberdade negativa são suas pré-condições liberais. Mas devemos acrescentar que algumas dimensões não políticas da igualdade, também reivindicadas como direitos fundamentais das tradições socialistas, representam as pré-condições sociais das pré-condições liberais da democracia.

Que sentido teriam os direitos de participação política se não fossem garantidos os direitos à livre manifestação do pensamento, à livre reunião e associação? Mas que sentido teria a liberdade de pensamento, de reunião, de associação, sem o direito à educação, de um lado, e às informações livres e plurais, do outro? Que valor têm os direitos de liberdade sem o poder concreto de fazer o que é permitido fazer? Para que têm valor esses direitos sem as condições materiais que colocam os indivíduos enquanto tais, todos os indivíduos, como livres?

Para retomar, simplificar ainda mais, e tentar fixar algum ponto principal de orientação teórica, proponho o seguinte esquema conceitual. Uma afirmação como "a democracia é o regime da igualdade e da liberdade política" deve ser considerada como um juízo analítico: o predicado deixa explícito qual é o conteúdo do (significado do) sujeito. Uma proposição (dupla) como "a democracia é o regime das liberdades individuais e/ou das igualdades sociais", que à primeira vista pode parecer extravagante, contudo é diversamente reconduzida a algumas declinações históricas da noção de democracia.

Tal proposição deve ser considerada, feitas as especificações oportunas, como um juízo sintético: a síntese entre a) liberdade e igualdade política, b) liberdades liberais e c) justiça social representa, de um lado, uma demanda imprescindível, já que diz respeito ao nexo entre as condições e pré-condições da democracia; por outro lado, constitui um horizonte normativo inesgotável para a melhoria contínua da democracia e a correção de seus defeitos.

A ideia de democracia também pode ser empreendida de uma perspectiva diferente, adotando o esquema conceitual da tríade daquilo que Bobbio chama de seus ideais: democracia, direitos do homem e paz. Esses três ideais estão interligados por um nexo de implicação recíproca que a história da segunda metade do século 20 revelou: "Os direitos do homem, a democracia e a paz são três momentos necessários do mesmo movimento histórico". Hoje podemos dizer que a necessidade daquele tríplice vínculo é confirmada, em negativo, também pelo "movimento contra-histórico" que estamos sofrendo logo depois do fim do século. Nas últimas duas décadas parece realmente que a história mudou de direção, que a corrente do movimento inverteu sua marcha, ou que aquilo que Bobbio chamava de "matéria bruta" do mundo opôs uma dura resistência aos ideais de democracia, dos direitos e da paz: não apenas freou sua afirmação, mas também provocou sua crise.


Crise da democracia

Que a democracia hoje esteja em crise, nos vários significados atribuídos a esta palavra, é uma afirmação banal, mas não por isso menos verdadeira. Como já tive ocasião de mencionar, um dos aspectos dessa crise consiste na difusão, em escala planetária, de certas formas de atuação política que alguns estudiosos batizaram com um neologismo: "antipolítica". Mesmo que o conceito ainda seja nebuloso, o termo designa com uma boa aproximação a visão e a estratégia dos partidos e movimentos que buscam agregar consenso ao redor de fórmulas demagógicas neopopulistas, caracterizadas pela contraposição da vontade "verdadeira" do "povo" àquela expressa pelas culturas políticas sedimentadas no sistema de partidos e das instituições de representação.

Na Europa muitos atores políticos de direita, expressões do "chauvinismo do bem-estar" produzido pela globalização, obtiveram notáveis sucessos com métodos antipolíticos. Na América Latina também há alguns sujeitos (com presunções e pretensões) de esquerda, que viram nas vítimas da globalização uma oportunidade para assumir os esquemas da antipolítica. Com efeito: para designar ambos, os de direita e de pseudoesquerda, eu seria tentado a adotar, em vez do neologismo "antipolítica", o termo mais explícito "antidemocracia"; também para sugerir que, apesar do consenso eleitoral obtido por esses atores políticos, trata-se de uma caricatura, de uma imitação de democracia: de uma democracia aparente que reveste e disfarça formas incipientes de autocracia eletiva.

A noção de antidemocracia contém um potencial explicativo maior. Em uma série de artigos dedicados à história política italiana, Bobbio elaborou um modelo conceitual baseado na dupla equação entre fascismo e antidemocracia, e entre democracia e antifascismo. A argumentação na qual esse esquema se desenvolve permite revelar a essencial negatividade lógica e axiológica do fascismo, cuja identidade se resolve na negação total da democracia. Sugiro que hoje isso pode, uma vez mais, revelar-se fértil para atingir esse modelo conceitual construído por Bobbio sobre a história italiana, para iluminar alguns dos derivados mais perigosos da política contemporânea.


Facismo pós-moderno

Ao risco de fazer tremer os historiadores de profissão, que já mal suportam o uso extenso do termo fascismo para designar realidades históricas distintas daquela originária da Itália, e se opõem decididamente à acepção genérica desse mesmo termo, que abrange vários tipos de regimes ditatoriais ou autoritários, eu proporia caracterizar as diversas manifestações da "antidemocracia" que estamos observando em muitas partes do mundo, embora em graus e formas diversas, como fascismo pós-moderno: que a mistura entre repressão violenta e ilusão demagógica própria do fascismo histórico privilegia (até agora?) o segundo ingrediente; que fomenta a hiperpersonalização da política e às vezes expressa figuras grotescas de poder carismático; que busca o fortalecimento do Executivo (depois de ter sido conquistado) debilitando vínculos e controles; que age de maneiras potencialmente (mas às vezes claramente) subversivas da ordem consolidada nas arquiteturas constitucionais. Um exemplo? Nos últimos anos de sua vida ativa, o próprio Bobbio sublinhou a analogia entre o Partido Fascista e a Forza Italia, o partido pessoal inventado por Berlusconi, mostrando a natureza essencialmente "subversiva" de ambos.

Em um dos artigos sobre a história italiana que acabo de mencionar, escrito em 1983, depois de lembrar o juízo irônico de Marx, de acordo com o qual certos fenômenos históricos ocorrem duas vezes, primeiro como tragédia e depois como farsa, Bobbio observava que o fascismo era ao mesmo tempo tragédia e farsa. A dimensão trágica não precisa ser ilustrada: basta mencionar a feroz repressão da oposição política e de toda forma de dissensão, e a miserável guerra ao lado da Alemanha nazista.

Com relação à dimensão farsesca, da qual Bobbio naquele texto oferece vários exemplos, me limito a recomendar (sobretudo para os mais jovens, que talvez não a conheçam) a visão de certas imagens dos "jornais cinematográficos" da época, que nos passavam a figura do "líder" Mussolini na sacada do Palazzo Venezia, com os punhos na cintura e o maxilar levantado, enquanto se dirigia à multidão da "massa oceânica": eu asseguro que elas são muito mais grotescas que a famosa sequência do filme de Charlie Chaplin na qual Hitler joga bola com o mapa-múndi.

Portanto, como tragédia e farsa foram perfeitamente fundidas no regime de Mussolini, Bobbio conclui então que o fascismo não teria podido se repetir. Hoje, um observador desencantado com a realidade não hesitaria muito para julgar aquela conclusão como precipitada. E, se fosse particularmente pessimista, adiantaria a hipótese de que talvez um novo ciclo de tragédias e farsas se abriu, ainda que com termos invertidos: em resumo, levantaria a questão de que muitos episódios políticos ridículos do fascismo pós-moderno, dos quais somos em diversas medidas (e não apenas na Itália) os espectadores não divertidos, poderiam preceder novas tragédias.

Um escritor do século 19, Vincenzo Gioberti, dedicou uma obra para glorificar a primazia moral e cívica dos italianos. Nas mais recentes estações políticas, frequentemente fui tentado a reverter a retórica giobertiana, denunciando a primazia imoral e anticívica dos italianos, que ofereceram ao mundo o modelo do fascismo desde o início do século 20 e, não satisfeitos, antes do fim do milênio, quase como uma grotesca prefiguração do apocalipse, colocaram em cena uma variação inédita da antidemocracia baseada na idiotização dos cidadãos pela mídia.

Bobbio se acostumou a repetir que a Itália é um laboratório político. Permito-me acrescentar: às vezes se assemelha ao laboratório de Frankenstein. Produz monstros. E como muitos produtos made in Italy demonstraram ser muito bem-sucedidos, eu recomendo a todos continuar observando atentamente aquilo que sai de nosso laboratório.


Tanto para o mal quanto para o bem. Nós também produzimos coisas boas. Acima de tudo - e não me canso de repetir -, a Constituição da República Italiana de 1948, que foi a primeira a ser elaborada no período imediato do pós-guerra, como fruto de uma assembleia constituinte eleita por sufrágio universal e pelo método proporcional, e que também pode ser considerada, a seu modo, como exemplar.

Tanto é verdade que foi tomada como um ponto de referência, e sob muitos aspectos como um modelo mesmo, a exemplo dos redatores da Constituição espanhola pós-franquista. E então de muitos produtos da cultura, não apenas artística, mas também propriamente política: a necessidade de enfrentar tantas calamidades afia o talento. Aqui, como conclusão, só posso recomendar, inclusive como um meio de formarmos anticorpos contra o risco de uma nova forma de antidemocracia travestida de democracia eleitoral, e contra os perigos de um fascismo pós-moderno, a leitura atenta da obra de Norberto Bobbio: um produto da melhor cultura italiana.
Michelangelo Bovero

07 Julho 2009

Brincando de Papai Mamãe


Joãozinho chega da escola e vai direto à geladeira pegar o sorvete.
Sua mãe entra na cozinha e dá aquela bronca:
- Nada disso, Joãozinho. Isso não é hora de tomar sorvete!
Está quase na hora do almoço... Vá lá fora brincar!
- Mas, mamãe, não tem ninguém para brincar comigo!
A mãe entra no jogo dele e diz:
-Tá bom, então eu vou brincar com você.
Do que é que nós vamos brincar?
- Quero brincar de papai-e-mamãe.
Tentando não mostrar surpresa ela responde:
-Tá certo. O que é que eu devo fazer?
- Vá para seu quarto, vista o baby-doll e deite-se.
Pensando que vai ser bem fácil controlar a situação, a mãe sobe as escadas.
Joãozinho vai até o quartinho e pega um velho chapéu do pai. Ele também encontra um toco de cigarro num cinzeiro e o coloca no canto da boca. Sobe as escadas e vai até o quarto da mãe.
A mãe levanta a cabeça e pergunta:
- E o que eu faço agora?
Com um jeito autoritário, Joãozinho diz:
- Desça logo e dê sorvete ao garoto!

Autoajuda ‘não beneficia pessoas com baixa autoestima


Repetir pensamentos positivos para si pode acabar tendo efeito contrário ao desejado em indivíduos com baixa autoestima, afirma um estudo de pesquisadores canadenses.

Segundo o estudo, frases encorajadoras e positivas a respeito de si funcionam apenas para quem já tem autoestima alta.

Os pesquisadores das universidades de Waterloo e de New Brunswick pediram a participantes do seu projeto que repetissem para si mesmos a frase “sou uma pessoa adorável”. Depois, eles analisaram a impressão dos participantes sobre si.

No grupo com baixa autoestima, os que tentaram este recurso de autoajuda se sentiram piores do que antes. Já pessoas com alta autoestima se sentiram – levemente – melhores após repetir o mantra positivo.

Os psicólogos pediram então que os participantes listassem pensamentos positivos e negativos a respeito de si. Eles descobriram que, paradoxalmente, aqueles com baixa autoestima se sentiam melhor quando podiam ter pensamentos negativos a respeito de si, e não quando eram obrigados a se focar nos pontos positivos.

Em um artigo na revista científica Psychological Science, os cientistas sugerem que, assim como elogios exagerados, asseverações puramente positivas tais como “eu me aceito completamente” podem produzir pensamentos contraditórios em indivíduos com baixa autoestima.
“Repetir afirmações positivas pode beneficiar algumas pessoas, como indivíduos com alta autoestima, mas sair pela culatra no caso das pessoas que mais precisam deles”, afirmou a psicóloga que coordenou a pesquisa, Joanne Wood.

Ela destacou, entretanto, que os pensamentos positivos funcionam como parte de uma terapia mais ampla.

A ideia de que as pessoas devem “se ajudar” a fim de se sentir melhor foi elaborada há 150 anos pelo médico escocês Samuel Smiles. Seu livro sobre o tema, que trazia orientações como “os céus ajudam aqueles que se ajudam”, vendeu 250 mil cópias.

Hoje, o negócio da autoajuda virou uma indústria multibilionária.
BBC
Picture by
John Singer Sargent

Como evitar a Influenza A (gripe suina)


É sempre bom se prevenir...

A pedido de um amigo de pesquisas no tempo do nosso saudoso e querido Corsini, do qual fui amigo (nos anos 70) e discípulo no começo dos anos 80 em Imunologia e Genética (Unicamp), vou repassar a todos a maneira mais correta e saudável de enfrentar essa Influenza A (erroneamente chamada de gripe suína).

O melhor que voce pode fazer é reforçar o seu sistema imunológico através de uma alimentação correta e saudável, no sentido de manipular sua imunidade, preparando suas células brancas do sangue (neutrófilos) e os linfócitos (células T) as células B e células matadoras naturais.

Essas células B produzem anticorpos importantes que correm para destruir os invasores estranhos, como vírus, bactérias e células de tumores.
As células T controlam inúmeras atividades imunólogicas e produzem duas substâncias químicas chamadas Interferon e Interleucina,
essenciais ao combate de infecções e de tumores.

Bem vamos ao que interessa, ou seja quais alimentos são importantes (estimulam a ação do sistema imunológico e potencializam seu funcionamento).

Antes de mais nada, tome pelo menos um litro e meio de água por dia pois os vírus vivem melhor em ambientes secos e manter suas vias aéreas úmidas desestimulam os vírus. Não a tome gelada, sempre preferindo água natural e de preferência água mineral de boa qualidade.
Não tome leite, principalmente se estiver resfriado ou com sinusite pois produz muito muco e dificulta a cura.

Use e abuse do Iogurte natural, um excelente alimento do sistema imunológico.
Coloque bastante cebola na sua alimentação.
Use e abuse do alho que é excelente para o seu sistema imunológico.
Coloque na sua alimentação alimentos ricos em caroteno (cenoura, damasco seco, beterraba, batata doce cozida, espinafre cru, couve) e alimentos ricos em zinco (fígado de boi e semente de abóbora).
Faça uma dieta vegetariana (vegetais e frutas).
Coloque na sua alimentação salmão, bacalhau e sardinha, excelentes para o seu sistema imunológico.
O cogumelo Shiitake também é um excelente anti-viral, assim como o chá de gengibre que destrói o vírus da gripe.
Evite ao máximo alimentos ricos em gordura (deprimem o sistema imunológico), tais como carnes vermelhas e derivados.
Evite óleo de milho, de girassol ou de soja que são óleos vegetais poli-insaturados.

Importante: mantenha suas mãos sempre bem limpas e use fio dental para limpar os dentes, antes da escovação. Com esses cuidados acima e essa alimentação... os vírus nem chegarão perto de voce.

Uma pequena contribuição para voce enfrentar essa e qualquer gripe que porventura apareça no seu caminho. Se achar útil por favor repasse aos seus amigos...

Prof. Dr. Odair Alfredo Gomes
Laboratório Morfofuncional
Faculdade de Medicina - Unaerp

Crise: uma abordagem criativa


Confira algumas lições para sustentar a participação de mercado e a fidelidade de seus clientes atendendo as mudanças das necessidades.

O ano que se passou foi extraordinariamente dramático nos âmbitos político e econômico. Em ambos os aspectos, a necessidade de mudar ficou clara até mesmo para o observador menos atento.

Nos negócios, as dificuldades dos três grandes fabricantes automotivos dos Estados Unidos são uma grande lição sobre o valor de adotar os princípios amplos do lean.

Colocando de lado por um momento as pressões dos sindicatos em relação aos fabricantes de automóveis, o que prejudicou sua capacidade competitiva foi a falta de disposição de transformar corretamente as empresas, no sentido de atender às necessidades de qualidade, valor, inovação e agilidade do mercado. Em uma recessão, as companhias tendem a optar por demissões, fechamentos e cortes de custos como ferramentas de sobrevivência.

Embora algumas destas opções possam ser inevitáveis, pense em analisar detidamente a sua empresa, concentrando-se no que você faz melhor e renovando o foco na conexão com seus clientes, na sua criatividade e na procura de desperdícios.

O objetivo deve ser a velocidade e a agilidade, além de fazer mais com menos, e pensar em como despertar estes imperativos em cada um dos colaboradores. Ao lidar com as oscilações do mercado e o estresse econômico, examine atentamente as características das empresas lean que foram bem-sucedidas na transformação das suas estruturas para obter vantagem competitiva em qualquer ambiente de negócios.

Lições como o aumento da sensibilidade às mudanças nas demandas dos clientes podem sustentar a participação de mercado e a fidelidade dos clientes.

• Concentre-se no que você pode controlar. Elimine o desperdício das suas operações. Retire o que não agrega valor para liberar o caixa. Reexamine seus estoques, seus lead times, o seu uso de energia e seus processos de contas a receber - as fontes mais óbvias de desperdício.

• Estreite suas conexões com os clientes. Ouça seus clientes. Procure-os e descubra o que eles realmente querem por intermédio de discussões e observações, para que você possa desenvolver soluções imediatas e inovadoras para as necessidades que eles não conseguem articular. Aproximar-se dos seus clientes é essencial até mesmo para descobrir onde está o desperdício. Concentre-se no lead time, na qualidade e em inovações de valor.

• Crie sincronia entre a sua cadeia de suprimentos e o restante da sua empresa. Estabeleça parcerias em todas as áreas da sua cadeia de valor. Reduza radicalmente seu capital de giro, relacionando as demandas dos clientes e melhorando os fluxos de estoque em toda a cadeia de suprimentos.

• Aproveite os ganhos para crescer. Sempre que você eliminar etapas que não agregam valor e reduzir o desperdício nos seus processos, conseguirá aumentar a capacidade, a produtividade e diminuir os gastos de capital.

• Crie uma visão atual e atraente do futuro. Comunique a visão de "tempos forçados" a todos na organização e esclareça as funções de cada um. Desenvolva um roteiro para atingir esta visão que todos possam seguir. A comunicação acaba com a especulação e permite que todos se concentrem em colaborar para melhorar os negócios.

As ferramentas estão aí e existem há muito tempo. É somente uma questão de criar prioridades em 2009 para usá-las. Precisamos ser mais concentrados e estar dispostos a voltar aos fundamentos. Reveja o que funcionou para você em outras épocas e se aprofunde ainda mais nestes êxitos. Enraíze o lean profundamente na sua cultura organizacional. Isso garantirá que a sua empresa consiga resistir ao inesperado.

O LeanSigma®, processo que possibilita a redução de prazo de entrega, de estoque, assim como o aumento da produtividade e da qualidade do atendimento ao cliente, funcionará mesmo durante recessões econômicas se você adotar plenamente seus princípios. Ele é um aliado tanto em tempos difíceis como em bons tempos. Na verdade, ele pode ser o antídoto para as dificuldades que poderemos enfrentar no futuro . Os tempos difíceis não duram para sempre, mas as pessoas e empresas resistentes, sim.
Anand Sharma é fundador e CEO da TBM Consulting Group, Inc. e autor dos livros "A Máquina Perfeita" e "O Antídoto"

06 Julho 2009

O pescador e o banqueiro


Um banqueiro de investimentos americano estava no cais de uma povoação das Caraíbas, quando chegou um barco com um único pescador. Dentro do barco, havia vários atuns amarelos de bom tamanho.

O americano elogiou o pescador pela qualidade do pescado e perguntou-lhe:

“Quanto tempo gastou a pescá-los?”

O pescador respondeu que pouco tempo.

O americano perguntou-lhe logo: “Porque não gasta mais tempo e tira mais pescado?”

O pescador disse que tinha o suficiente para satisfazer as necessidades imediatas da sua família.
Então disse o americano: “Mas que faz você com o resto do seu tempo?”
O pescador disse: “Depois de pescar, descanso um pouco, brinco com os meus filhos, durmo a sesta com a minha mulher, vou ao povoado à noite, onde tomo vinho e toco
guitarra com os meus amigos.
Tenho uma vida prazenteira e ocupada"…
O americano replicou: "Sou um especialista em gestão e poderia ajudá-lo. Você deveria investir mais do seu tempo na pesca e adquirir um barco maior.
Depois, com os ganhos, poderia comprar vários barcos e eventualmente até uma frota de barcos pesqueiros.
Em vez de vender o pescado a um intermediário, poderia fazê-lo directamente a um processador e eventualmente até abrir a sua própria processadora.

Poderia assim controlar a produção, o processamento e a distribuição.

Deveria sair deste pequeno povoado e ir para a capital, donde geriria a sua empresa em expansão".

O pescador perguntou: “Mas, quanto tempo demoraria isso?”

O americano respondeu: “Entre 15 e 20 anos".

“E depois?“, perguntou o pescador.

O americano riu-se e disse que essa era a melhor parte. “Quando chegar a hora, deveria anunciar uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) e vender as acções da sua empresa ao público. Ficará rico, terá milhões!

"Milhões ... E depois?“, tornou o pescador.
Diz o americano:
“Poderá então retirar-se. Vai para uma povoação da costa, onde pode dormir até tarde, pescar um pouco, brincar com os seus filhos, dormir a sesta com a sua mulher, ir todas as noites ao povoado tomar um vinho e tocar guitarra com os seus amigos".

Responde o pescador: “Por acaso isso não é o que já tenho?"
Moral da história:
Quantas vidas se desperdiçam buscando alcançar uma felicidade que já se tem, mas que muitas vezes não vemos. A verdadeira felicidade consiste em apreciar o que temos, e não em sentirmo-nos mal por aquilo que não temos.

"Se choras por ter perdido o sol, as lágrimas não te deixarão ver as estrelas“

A Felicidade é o caminho não o destino.
Cristina Sáenz Enríquez

Brahma, o deus da criação


No hinduísmo, Brahma é o deus da criação. Junto de Vishnu, o mantenedor, e Shiva, o destruidor, compõe a Trimurti, trindade dos principais deuses hindus. Comumente, é representado com quatro cabeças, quatro braços e a pele vermelha. Desloca-se pelos ares carregado por um cisne e traz em cada mão um objeto: a escritura fundamental do hinduísmo - os Vedas; uma flor de lótus representando o mundo criado; um cetro, que simboliza sua capacidade de reinar; uma vaso contendo água, mostrando que o deus é um asceta e um rosário, usado durante a meditação.

Segundo Glória Arieira, professora de Vedanta do Rio de Janeiro, confundir o deus mitológico Brahma, com o conceito filosófico brahman é um erro muito comum, porém muito grave. “Brahmam, o absoluto, é a verdade essencial que existe em todos os seres, diferente de Brahma, o criador, deidade da mitologia hindu”. A professora dá um exemplo para tornar os conceitos mais claros: “Pense num pote de barro. Se falamos da figura que o produziu, falamos do criador. Agora, se você fala do barro, do material constituinte deste e de todos os outros potes, falamos da natureza intrínseca dos seres, falamos do absoluto”.

Anderson Allegro, professor do Aruna Yoga, em São Paulo, explica que brahmam é a consciência que permeia tudo aquilo que existe. “Ele é responsável por movimentar o universo. Na verdade, é graças a brahman que o universo existe”. Ele conta ainda que o absoluto está diretamente ligado ao mantra OM, pois este é a representação do infinito. “Ao entoá-lo relembramos desta essência que é o brahman, essência que está dentro de todos nós”.

Um deus sem lar

Diferente de deidades como Vishnu e Shiva, que possuem templos ao redor do mundo que lhes fazem reverência, Brahma tem apenas um, localizado no lago Pushkar em Ajmer, na Índia. Segundo Glória, isso acontece pois não há o que pedir para o deus. “Ninguém pede criação, porque isso nós já temos”.

Anderson explica o fato pela mitologia hindu. Segundo ele, Brahma nasceu de uma flor de lótus que saiu do umbigo de Vishnu. Sem saber disso, Brahma encontrou Vishnu descansando no oceano primordial. Sendo ele aquele que tudo criou, achou estranho encontrar alguém que nunca viu. Perguntou a Vishnu quem era e o que fazia ali. Os dois, porém, começam uma discussão. No meio da briga, Brahma descobriu a verdadeira história sobre o seu nascimento e ficou revoltado, afinal, ele é o criador do universo, como poderia ter se originado do corpo de outro deus?

Durante a discussão, um pilar de fogo - cujo tamanho é infinito - sai do solo. Muito surpresas, as deidades decidem fazer uma aposta: o deus mais antigo será aquele que conseguir encontrar o fim do pilar. Brahma saiu voando e Vishnu transforma-se em um javali e cava a terra.

No meio do caminho, Brahma encontrou uma flor caindo do céu. Perguntou se ela sabia onde era o fim do pilar. Ela disse que não, que estava caindo por toda a eternidade e sempre viu o pilar ali. Brahma, então, resolve trapacear. Pede à flor que vá com ele até Vishnu e lhe diga que Brahma encontrou o fim do pilar e ganhou a aposta. A flor concorda.
Thaís Harari

05 Julho 2009

Estoque de Conhecimento x Engenheiros Especialistas

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É possível calar essas vozes?


Países com regimes autoritários tentam, em vão, bloquear a internet, enquanto aprendem a usá-la a seu favor

- Rezar para hoje às 4 da tarde a Praça Toopkhane se transformar num mar de verde, na maior manifestação dos últimos 30 anos, Mousavi ESTARÁ PRESENTE (#)eleição iraniana

A mensagem, postada no Twitter na manhã de quinta-feira, é uma das inúmeras que surgiram com a Revolução Iraniana Versão 2009, em que o namoro entre os jovens da elite deste país e as mais recentes tecnologias da internet transformou o impasse de outro modo apavorante que se vê nas ruas de Teerã numa história prazerosa.

De fato, a revolução está sendo comentada em blogs, no Twitter, no Facebook - e não apenas em Teerã. O blogueiro Andrew Sullivan contribuiu para despertar todo este estardalhaço cibernético com sua mensagem datada de 13 de junho - "a Revolução será divulgada pelo Twitter?" - na qual ele dizia que a utilização dessa plataforma significa que "não dá mais para segurar as pessoas. Não dá mais para controlá-las". E depois que o Departamento de Estado pediu ao Twitter que adiasse a manutenção prevista para a semana passada, a fim de que esta linha de comunicação entre o Irã e o resto do mundo permanecesse aberta, um dos fundadores da companhia, Biz Stone, postou uma mensagem meio acanhada, quase congratulando-se consigo mesmo, no seu blog: "Nos faz sentir humildes o fato de pensar que nossa companhia, criada há apenas dois anos, possa desempenhar um papel tão importante em termos globais e que as autoridades tenham chegado a destacar a nossa importância".

Não há dúvida de que assistimos ao surgimento de uma nova e poderosa força. Cidadãos que antes não tinham voz em público usam agora os recursos baratos da internet para falar ao mundo sobre o drama que se desencadeou desde que o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi declarado o vencedor das eleições presidenciais, resultado que muitos contestam. Na semana passada, o governo conseguiu coibir o emprego da internet e das mensagens de texto, mas o Twitter demonstrou que é quase impossível bloqueá-lo. O termo de busca mais comum no Twitter foi durante dias "#eleiçõesiranianas" - o "hashtag" (forma de organizar os tópicos) das discussões sobre o Irã -, enquanto a imprensa internacional dependia e continua dependendo das informações e das imagens divulgadas por cidadãos via Twitter.

Mas, apesar de todas as suas promessas, existem limites precisos para o que Twitter e outras recursos da internet, como o Facebook e os blogs, podem fazer por cidadãos de sociedades autoritárias. Os 140 caracteres permitidos em um tweet não representam o fim da política como a conhecemos - e às vezes podem até se revelar um instrumento útil para os regimes autoritários. Por maior que seja a sua profusão, os tweets não podem obrigar os líderes iranianos a mudar seu curso, como o aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do país, deixou claro na função religiosa da sexta-feira em sua dura repreensão aos manifestantes. No Irã, como em qualquer parte do mundo, se uma verdadeira revolução se desencadear, terá de ser offline.

Em primeiro lugar, a própria arquitetura interna do Twitter impõe limitações ao ativismo político. Há tantas mensagens pipocando a cada momento que será difícil que uma, especificamente, seja ouvida. E o limite de 140 caracteres - que constitui em parte o charme do serviço e o segredo do seu sucesso - restringe um argumento bem sustentado e suas nuances. De fato, "dê-me a liberdade ou então dê-me a morte" totaliza 41 caracteres, mas todo o discurso de Patrick Henry (um dos líderes da Independência americana) ultrapassou as 1.200 palavras. O mais emocionante é o efeito desse discurso em sua totalidade e o que ele revela a respeito do espírito do momento, mas ele se dirige a uma população de usuários ricos, que falam inglês e de bom nível acadêmico. O mesmo se aplica à blogosfera e às redes sociais como o Facebook.

Em segundo lugar, os governos ciosos do seu poder também podem usar o ciberespaço para reprimir quando se sentem ameaçados. O Estado iraniano tem uma das censuras online mais formidáveis do mundo. Somente na semana passada, as autoridades bloquearam o acesso ao YouTube, ao Facebook e à maioria dos sites mais citados pelos segmentos reformistas da blogosfera farsi. Reforça essa censura com a vigilância e a ameaça de prisão a quem se manifesta. Mesmo que o governo não consiga bloquear o discurso político ou a organização social, a possibilidade de retaliação futura pode apavorar os ativistas e os críticos mais devotados.

Paradoxalmente, a "liberdade de gritar" online pode na verdade até mesmo ajudar os regimes autoritários, servindo de uma espécie de válvula de escape política. Quando a dissensão é canalizada no ciberespaço, pode manter os manifestantes longe das ruas e ajudar as forças de segurança do Estado a perseguir ativistas políticos e as novas vozes online. Como disse na semana passada o ativista egípcio Saad Ibrahim, em defesa da democracia durante uma discussão no Instituto da Paz em Washington, isso parece fazer parte de uma longa tradição dos governos do Oriente Médio, principalmente no Egito, onde as divergências são canalizadas para as universidades e podem até florescer, desde que nunca ultrapassem os muros dessas instituições.

Em terceiro lugar, a blogosfera não está limitada a ativistas jovens, liberais, contrários ao regime; os simpatizantes do Estado mostram-se cada vez mais ativos na briga pela supremacia online. Nossa pesquisa na blogosfera iraniana mostra que os conservadores políticos e religiosos estão tão em evidência quanto os críticos do regime. Embora a blogosfera iraniana seja, na realidade, o foro no qual as mulheres falam dos seus direitos, os jovens criticam a polícia da suposta moralidade, os jornalistas lutam contra a censura, os reformistas pressionam pela mudança e os dissidentes exigem a revolução, é também o foro em que se elogia o líder supremo, se nega o Holocausto, se defende a Revolução Islâmica e se celebra o Hezbollah. É ainda o foro em que os grupos de estudantes islâmicos se mobilizam e líderes favoráveis ao establishment, como o presidente Ahmadinejad, procuram o contato com o seu eleitorado. Nossa pesquisa mais recente sugere que, no ano passado, o número e a popularidade dos blogueiros islâmicos e politicamente conservadores cresceram em relação ao dos reformistas seculares, talvez em razão dos acontecimentos que levariam às eleições presidenciais.

O bate-papo online tem um valor enorme por oferecer uma janela para uma sociedade que, de outro modo, ficaria fechada. Mas, no Irã, grande parte das conversações pela internet não tem absolutamente nada a ver com política ou revolução. A religião é o tema principal dos blogueiros - e não necessariamente a política da religião, e sim seus aspectos históricos, teológicos e pessoais. E qual é o tema mais frequentemente discutido nos blogs iranianos? A poesia.

Os regimes autoritários também estão impacientes por utilizar a internet para difundir sua própria marca de ativismo político. No Irã, por exemplo, a Basiji, uma força paramilitar voluntária sob a autoridade da Guarda Revolucionária, prometeu criar 10 mil blogs para combater o que definiu como elementos estrangeiros que tentam promover a revolução online. (A iniciativa acabou fracassando.) Os partidários do governo também realizaram ataques cada vez mais sofisticados a sites populares em farsi, por considerar que não defendiam suficientemente o governo ou não criticavam as ações de Israel na Faixa de Gaza, no inverno passado.

Na Rússia, pessoas que apoiam a renovada afirmação geopolítica do país lançaram ataques online a críticos do governo. Durante a Revolução Laranja na Ucrânia, em 2004 e 2005, os sites dos que protestavam foram invadidos e temporariamente fechados. O mesmo aconteceu em 2007 com os sites oficiais do governo e dos bancos na Estônia, depois que o governo do país decidiu mudar um monumento da era da Guerra Fria, que homenageava soldados soviéticos, de lugar. Imediatamente antes do conflito do ano passado entre a Rússia e a Geórgia, foram realizados os chamados DDOS (Distributed Denial Of Service, ou ataques de negação de serviço) contra sites do governo georgiano. É quase impossível saber quem é responsável por estes atos, mas, na Estônia, o movimento da juventude Nashi, pró-Kremlin, reivindicou a responsabilidade pelos ataques.

Na China, o governo ajudou a treinar e financiar um grupo que se infiltrou nas salas de bate-papo chinesas e em fóruns da internet a fim de combater as discussões contrárias ao partido. Chamados em seu conjunto de "partido dos 50 cents", por causa do pagamento que supostamente recebem para cada postagem favorável ao governo, esses policiais cibernéticos procuram boletins populares e tentam torcer as discussões que poderiam criticar o Partido Comunista ou a política do governo.

E, apesar disso, as conversas no Twitter continuam. Enquanto países como o Irã reprimem os discursos e a organização online, os assíduos da internet encontram maneiras de burlar os controles estatais. No Irã, assim como na China, Mianmar e em partes da ex-União Soviética, está ocorrendo um verdadeiro processo "liga e desliga", em que os cidadãos falam e o Estado reprime.

Evidentemente, os governos sempre têm uma espécie de opção nuclear a respeito da rede: fechá-la e mantê-la fechada. Foi o que aconteceu em Mianmar quando os monges foram para as ruas em 2007. É a política usada pela Coreia do Norte e por Cuba, onde poucos têm acesso à internet, em geral para fins muito limitados.

No entanto, a maioria dos governos autoritários parece mais ambivalente. Eles temem as repercussões políticas do amplo uso da internet, mas temem também as consequências econômicas e políticas de uma proibição ainda mais rigorosa.

Basta ver o bloqueio e desbloqueio constante do Facebook no ano passado, no Irã. Quando o site funciona, os cidadãos usam-no como uma ferramenta efetiva de organização em favor do candidato da oposição - no caso atual, os 65 mil integrantes do grupo favorável a Mir Hossein Mousavi. O Estado então começa a se irritar com a força dessa ação coletiva e bloqueia o acesso ao Facebook. Depois de algum tempo, muitas pessoas reclamam porque a proibição é suspensa para em seguida voltar a vigorar.

O mesmo acontece na China, onde nos últimos quatro anos, a Wikipedia foi bloqueada e desbloqueada, e onde recentemente o Twitter e o YouTube foram fechados por ocasião do 20º aniversário da repressão na praça de Tiananmen.

Então, quem vencerá? Estarão os regimes militares dispostos a conceder ao seu povo a autonomia decorrente do acesso irrestrito à internet? Ou estes regimes submeterão a rede à sua vontade exercendo a censura, a vigilância e a propaganda?

Com tantos indivíduos capazes de burlar os esforços do governo para bloquear a comunicação online, particularmente através do Twitter, é surpreendente que o governo iraniano não tenha fechado completamente o acesso à internet. Do mesmo modo, como descobrimos em nosso recente estudo da blogosfera árabe, o governo egípcio tolera uma ampla atividade dos blogs por parte da Irmandade Muçulmana, e proíbe suas outras atividades. Os chineses abrandam frequentemente suas normas mais rigorosa sobre o uso da rede, ao longo do tempo. E a junta militar de Mianmar não mantém a internet desligada por muito tempo. Recentemente, quase todos esses regimes preferiram deixar a internet mais aberta do que fechada, e depois trataram de regulamentar atividades específicas que consideram perigosas.

Afinal, parece que as pessoas que vivem em regimes autoritários como o do Irã são tão viciadas em internet quanto todos nós. Muito embora em geral os governos reprimam, não podem manter a internet fechada por muito tempo sem uma forte reação dos cidadãos. As autoridades iranianas têm o poder de fechar a internet da mesma maneira como já fecharam os jornais reformistas, mas talvez estejam mais preocupados agora com a possibilidade de que qualquer ação empurre aqueles que estão apenas assistindo - ou blogando ou twittando - para junto das multidões de manifestantes que já estão nas ruas.


John Palfrey, Bruce Etling e Robert Faris - Washington Post

Tão jovens e tão ameaçados


Era uma sexta-feira e a residente de medicina Lúcia Gutheil Gonçalves, então com 24 anos de idade, estava pronta para aproveitar a noite de Porto Alegre. Havia acabado de se maquiar e, para ir embora, só precisava pegar a bolsa. No momento em que tentou fazer o gesto, no entanto, seu braço não se moveu. Lúcia pensou em sentar-se para relaxar. Dessa vez, foi a perna direita que não obedeceu ao comando. Ela caiu. Deitada no chão e com a parte direita do corpo paralisada, alcançou o celular e ligou para a mãe: "Meu corpo não se move". Não conseguiu emitir nem mais uma palavra – a essa altura, sua voz já soava empastada. Sua mãe, médica, entendeu o que estava acontecendo e agiu rapidamente: em apenas meia hora, a residente recebeu o diagnóstico de derrame cerebral em um pronto-socorro hospitalar.

A cada ano, no Brasil, cerca de 20 000 jovens como Lúcia são acometidos por derrame cerebral, doença que se caracteriza pela interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro. O número, por si só, surpreende, já que a doença é comumente associada aos mais velhos. Outro dado espantoso: em grande parte das vezes, o derrame entre jovens decorre de um segundo mal também relacionado ao processo natural de envelhecimento, a aterosclerose – a deterioração e o estreitamento da parede das artérias causados pelo acúmulo de placas de gordura e de cálcio. Um estudo conduzido no Rio Grande do Sul com 682 homens e mulheres vítimas de derrame mostrou que 20% dos participantes com até 45 anos apresentavam esse distúrbio. Nos anos 80, apenas 10% dos casos de derrame entre pacientes da mesma faixa etária eram decorrentes de aterosclerose. "Trata-se de um quadro extremamente preocupante", diz o neurologista Maurício Friedrich, do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, um dos coordenadores da pesquisa.

Os jovens sofrem cada vez mais de doenças associadas aos velhos porque seu estilo de vida, para evitar meias palavras, é uma porcaria. Tabagismo, má alimentação, stress e sedentarismo, além de influenciar diretamente no desenvolvimento de distúrbios extemporâneos, também agravam fatores de risco preexistentes. "A adoção de hábitos saudáveis é tão importante que poderia evitar pelo menos 30% dos casos de aterosclerose", diz Eli Faria Evaristo, neurologista do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Tal redução, por sua vez, teria um forte impacto na diminuição dos casos de derrame cerebral."

O derrame é a doença que mais mata no Brasil – a cada ano, 100 000 brasileiros morrem vítimas da doença. Além da aterosclerose, problemas congênitos e arritmias cardíacas estão entre as suas principais causas. Dos que sobrevivem a ele, cinco em cada dez ficam com sequelas permanentes. A gravidade da doença depende tanto do local atingido quanto do número de vasos que foram comprometidos pela falta de irrigação sanguínea. O tratamento é, na maioria das vezes, feito com trombolíticos – medicamentos que facilitam a circulação sanguínea. Em metade dos casos, as sequelas da doença podem ser completamente revertidas. Para isso, é fundamental que o paciente receba socorro rapidamente. No caso de derrames leves, pacientes atendidos em até quatro horas têm 50% de possibilidade de ter as lesões totalmente revertidas. Já as vítimas atendidas em até uma hora têm mais de 90% de chance de sair ilesas – graças à presteza da mãe, foi esse o caso de Lúcia, a residente gaúcha.

Adriana Dias Lopes

04 Julho 2009

Irmão do Rubinho

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O que fazer no avião quando o passageiro do lado é um mala


O que fazer no avião quando o passageiro do lado é um chato?

1. Tirar o laptop da mala;
2. Abrir o laptop devagarinho e calmamente;
3. Ligar;
4. Assegurar-se de que o vizinho está olhando;
5. Ligar a Internet;
6. Fechar os olhos por breves momentos, abri-los de novo e dirigir o olhar para o céu;
7. Respirar profundamente e abrir este site:


http://www.myit-media.de/the_end.html

8. Observar a expressão facial do vizinho.

Palíndromos


Um palíndromo, como devem saber, é uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos - normalmente, da esquerda para a direita ou ao contrário, da direita para a esquerda.

Exemplos: OVO, OSSO, RADAR.

O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do conhecido SOCORRAM-ME, SUBI NO ÓNIBUS EM MARROCOS.


Diante do interesse pelo assunto, (confessa, você leu a frase de trás pra frente) tomei a liberdade de selecionar alguns dos melhores palíndromos da língua de Camões.

ANOTARAM A DATA DA MARATONA

ASSIM A AIA IA A MISSA

A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA

A DROGA DA GORDA

A MALA NADA NA LAMA

A TORRE DA DERROTA

LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL

O CÉU SUECO

O GALO AMA O LAGO

O LOBO AMA O BOLO

O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO

RIR, O BREVE VERBO RIR

SAIRAM O TIO E OITO MARIAS

ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ

“ O Carrasco do Amor”




Fragmentos do texto

Há poucas discussões explicitas acerca do significado da vida. A busca do significado, muito semelhante à busca do prazer, deve ser conduzida indiretamente. O significado resulta da atividade significativa: quanto mais o procuramos deliberadamente menos provável será seu encontro; as perguntas racionais que alguém pode fazer a respeito do significado sempre excederão as respostas.

A presença do significado é um subproduto do vínculo e do comprometimento, e é nesse sentido que as pessoas devem dirigir seus esforços – não que o vinculo ofereça uma resposta racional sobre os significados, mas porque faz com que essas perguntas não tenham importância.

Se você quer que seu filho viva num mundo amoroso, cabe a você construir esse mundo e você precisa começar pelo seu próprio comportamento. Você não pode ficar à margem de sua própria lei. Essa é a base de qualquer sistema ético.
Irvin D. Yalom

03 Julho 2009

Pedro - Tim e Vanessa

De quem é a culpa?


Não existe um culpado sozinho. Em uma relação afetiva, as consequências são dos dois. Ambos são responsáveis tanto pelo sucesso quanto pelo fracasso da relação.

O afeto não é decorrente do vínculo genético. Se não houver uma tentativa de aproximação de ambos os lados, a relação estará predestinada ao fracasso. O relacionamento afetuoso deverá ser fruto de aproximação espontânea, cultivada reciprocamente, e não de simples cumprimento de um dever social imposto de fora para dentro.

As relações são de mão dupla, não se tem um ato isolado, o parceiro estará sempre consciente ou não. Enquanto estiver na relação, estará compactuado com o parceiro. Muitas vezes as reclamações entram no lugar da solução, a palavra já traduz reclama-ação. Quem estiver na relação da qual está reclamando, é por que escolheu estar e lá não tem sentido ficar acusando e responsabilizando o parceiro.

Cada um é responsável pelo seu sofrimento, pois muitos preferem ficar na relação fracassada do que correr riscos. Sim leitor, a culpa é da sua ex-mulher e a culpa é sua também. Portanto, é importante aprender que na vida não existe nenhum sofrimento que não seja de nossa responsabilidade.
Antônio Roberto
Picture by Michael Parkes

Cura pela melodia


Em todas as culturas, sociedades e épocas, considera-se que a música detém um poder específico sobre a alma, a consciência e os sentimentos dos indivíduos e da coletividade, qualquer que seja a forma que a atividade musical assume na realidade histórica e social concreta.

Todos já experimentamos esse poder caprichoso: a audição casual de um trecho de canção, as notas de uma sonata clássica ou um solo jazzístico de piano atingem, com precisão misteriosa, zonas de nossa memória e de nossa sensibilidade até então na sombra. Somos assim inesperadamente – e de boa vontade – dominados por uma emoção pura inominável – e familiar.

Somos tentados a pensar a música como uma potência que escapa às hierarquias e generalizações, um domínio indiferenciado e caótico: afinal, essa experiência parece ser pessoal, embora compartilhada por milhões de pessoas, e, além disso, qualquer que seja o tipo de música, o resultado não é alterado (nesse campo, Bach vale tanto quanto Laura Pausini). Não devemos, porém, subestimar esse poder universal, tantas vezes identificado como uma das marcas fundamentais da natureza humana, sobretudo quando ele tem a possibilidade de alterar os estados de consciência das pessoas. É o que ocorre, por exemplo, na terapia de dança e música do tarantulismo, que realiza rituais antiguíssimos, e em experiências de possessão do êxtase ativadas por sons, presentes em todo o mundo, da Terra do Fogo à Sibéria, do Brasil ao Vietnã.

O som governa a mente do homem e os deuses não são estranhos a esse atributo, se é verdade que, nos diversos mitos de criação, sempre que a gênese do mundo é descrita com suficiente precisão, um elemento acústico intervém no momento decisivo da ação: no instante em que a entidade divina manifesta sua vontade de criar o céu, a terra, os homens e todas as coisas, ela emite um som, muitas vezes cantando ou tocando um instrumento.

Os poderes dignos de uma divindade parecem se transferir a essa forma de expressão difusa em todas as culturas, capaz de suscitar emoções profundas, comover, entristecer, excitar e até promover a cura: o xamã africano reanima o jovem debilitado tocando ao seu lado um pequeno tambor, com um ritmo progressivamente idêntico ao do coração do rapaz, depois o alterando até atingir o correto batimento cardíaco. Sugestão? Talvez, mas, sobretudo, uma questão de ritmo, como no caso do baterista que arrebata o público.

O som musical, integrado no sistema de representações que lhe confere seu poder específico, surpreende não só porque intervém de modo direto no estado de consciência do indivíduo, mas, ainda mais, por sua capacidade de influenciar coletivamente o comportamento das pessoas. Os mais de 700 mil jovens europeus que tomaram as ruas da Berlim unificada dos anos de 1990, não para “mudar o mundo”, mas para experimentar, por horas, o impressionante rito pós-moderno da rave mais gigantesca da história, foram protagonistas, testemunhas e herdeiros inconscientes de uma vivência de estimulação psico-motora coletiva não muito distante da produzida pelos ritos ligados aos transes dionisíacos, dessa vez induzidos pelo som implacável da música techno. O som e o ritmo eram encantatórios, como o dos xamãs, talvez potencializado pelo álcool e outras substâncias: mas esta também é uma história antiga...

É evidente que a música “excita as almas”. Daí a desconfiança geral, a má reputação de certas práticas musicais para as instituições, em todas as épocas e regimes: atraente, universal e perigosa, a complexa questão da música é por vezes rebaixada a simples problema de ordem pública.

A universalidade da resposta individual e coletiva aos poderes da música significa que esta corresponde a uma disposição psicofísica inata da natureza humana, mais ou menos desenvolvida dependendo da pessoa. Haveria algo como uma “mente musical”? E, caso exista, quais são os processos psíquicos e fisiológicos ativados na produção e audição de um trecho musical?

Os progressos da pesquisa científica sobre o cérebro geraram conhecimentos a respeito do “onde” e do “como”: sabemos que o hemisfério direito é o “lócus musicalis” da tonalidade, do timbre e da harmonia, enquanto outros aspectos da música, como o ritmo, pertencem ao hemisfério esquerdo. Essa descoberta e muitas outras não bastam, todavia, para afirmarmos que a ciência explicou a criatividade musical e seus poderes, destinados, em alguma medida, a permanecer ocultos. Em particular, o “porquê” da música permanece fora do horizonte da demonstração científica.

O artista tem o conhecimento da arte e a mão tremente, escreveu Dante no Canto XIII do Paraíso: isto é, o artista possui a técnica, o habitus, o domínio de sua arte, mas só é artista em razão daquele “tremor”, que não pode ser calculado ou dominado, aquela hesitação sem a qual nada ocorre e sem a qual a arte não é possível. É em virtude desse tremor que a arte, e, portanto, a música, escapa a qualquer forma excessiva de controle racional. O poder da música jamais foi plenamente demonstrado pela ciência, mas sempre foi descrito: comunidades das mais diversas tradições e culturas não só descreveram e aceitaram esse poder, mas empenharam-se em celebrá-lo coletivamente, com seus rituais, danças, cantos, corpos e instrumentos. Para todas elas e um pouco para todos nós parece valer a célebre observação de Friedrich Nietzsche: sem música, a vida seria um erro.

Ricardo Giagni
Picture by Maggie Taylor

01 Julho 2009

A formiga boladona


Era uma vez, uma formiguinha e uma cigarra muito amigas.
Durante todo o outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de inverno. Não aproveitou nada do sol, da brisa suave do fim da tarde e nem o bate-papo com os amigos ao final do trabalho tomando uma cervejinha gelada.

Seu nome era 'Trabalho', e seu sobrenome era 'Sempre'.

Enquanto isso, a cigarra só queria saber de cantar nas rodas de amigos e nos bares da cidade; não desperdiçou nem um minuto sequer. Cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o sol, curtiu prá valer sem se preocupar com o inverno que estava por vir. Então, passados alguns dias, começou a esfriar. Era o inverno que estava começando.

A formiguinha, exausta de tanto trabalhar, entrou para a sua singela e aconchegante toca, repleta de comida. Mas alguém chamava por seu nome, do lado de fora da toca.
Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpresa com o que viu. Sua amiga cigarra estava dentro de uma Ferrari amarela com um aconchegante casaco de vison.

E a cigarra disse para a formiguinha:
- Olá, amiga, vou passar o inverno em Paris.
- Será que você poderia cuidar da minha toca?
- E a formiguinha respondeu:
- Claro, sem problemas!
- Mas o que lhe aconteceu?
- Como você conseguiu dinheiro para ir à Paris e comprar esta Ferrari?

E a cigarra respondeu:
Imagine você que eu estava cantando em um bar na semana passada e um produtor gostou da minha voz.
Fechei um contrato de seis meses para fazer show em Paris...
A propósito, a amiga deseja alguma coisa de lá?

Desejo sim, respondeu a formiguinha.
Se você encontrar o La Fontaine (Autor da Fábula Original) por lá, manda ele
ir para o "Senado Federal (aqui não sai palavrão)!!!'

Moral da História:
Aproveite sua vida, saiba dosar trabalho e lazer, pois trabalho em demasia só traz benefício em fábulas do La Fontaine e ao seu patrão. Trabalhe, mas curta a sua vida.
Ela é única!!!
Se você não encontrar a sua metade da laranja, não desanime, procure sua metade do limão, adicione açúcar, pinga e gelo, e...

Seja feliz !

Estudo vincula ciclismo a baixa qualidade de esperma


Ciclistas profissionais deveriam considerar a possibilidade de congelar seu esperma antes de iniciar suas carreiras, dizem pesquisadores espanhóis.

Eles constataram que a qualidade do esperma cai dramaticamente após treinamento rigoroso.

O estudo, feito com triatletas de elite, revelou que em atletas que percorrem mais de 300km por semana de bicicleta, apenas 4% dos espermatozoides têm aparência normal.

Com níveis tão baixos de espermatozoides saudáveis, um homem teria "problemas de fertilidade significativos", disseram os especialistas em reunião da European Society of Human Reproduction and Embryology.

Entretanto, um especialista britânico disse que é improvável que os homens que usam a bicicleta para ir ao trabalho enfrentem problemas de fertilidade por causa do tempo que passam no banquinho da bicicleta.

A especialista responsável pelo estudo, Diana Vaamonde, da Escola de Medicina da Universidade de Córdoba, na Espanha, disse que outros estudos já demonstraram que níveis muito altos de exercício afetam a fertilidade tanto em homens como em mulheres.

No novo estudo, os especialistas pediram a 15 triatletas com idade em torno de 33 anos que não tivessem relações sexuais durante três dias antes de terem uma amostra de seu esperma colhida.

Quando os pesquisadores compararam os resultados ao tipo de treinamento, apenas o ciclismo foi associado à qualidade do esperma, ou seja, correr ou nadar não foram associados a uma baixa contagem de espermatozoides saudáveis.

Em todos os homens - que treinaram uma média de nove vezes por semana nos últimos oito anos - menos de 10% dos espermatozoides tinham aparência normal. Em homens mais férteis, entre 15 e 20% dos espermatozoides têm aparência saudável.

Nos que percorreram mais de 300 km por semana de bicicleta, a proporção de espermatozoides com tamanho e forma normais caiu para 4%, nível em que um homem pode ter dificuldades em conceber sem o auxílio de tratamento.

Anormalidades

O calor gerado pelas roupas colantes, a fricção dos testículos contra o banco da bicicleta e o estresse sobre o corpo resultante da imensa quantidade de energia necessária para fazer exercícios tão rigorosos poderia contribuir para a baixa qualidade do esperma, disse Vaamonde.

A equipe está fazendo mais pesquisas para entender como o ciclismo pode afetar os processos metabólicos no corpo levando á produção de esperma anormal.

Vaamonde acrescentou que não está claro se a qualidade do esperma melhoraria caso os homens parassem de praticar o esporte. Ela acredita, no entanto, que após anos de danos isto é pouco provável.

"Uma medida possível seria congelar o esperma (dos atletas), mas quando eles começam a treinar não estão conscientes dos danos que podem ser causados ao seu esperma".

A especialista acrescentou que deveriam ser feitas pesquisas sobre formas de proteger os ciclistas contra problemas de fertilidade.

"Dependendo do mecanismo que leva à formação de esperma anormal, (as medidas de proteção) poderiam incluir receitar antioxidantes e modificar os programas de treinamento".

Um especialista em andrologia da University of Sheffield, Allan Pacey, disse que existe muito interesse sobre uma possível associação entre ciclismo e fertilidade masculina, mas os resultados tem sido ambíguos.

"É importante enfatizar que mesmo que a associação entre o ciclismo e a baixa qualidade do esperma seja correta, homens fazendo treinamento para triatlo passam mais tempo no banquinho do que o ciclista mediano ou alguém que vai de bicicleta para o trabalho".

Pacey acrescentou que 40 anos atrás andar de bicicleta era muito mais comum, mas não há evidência de que os homens fossem menos férteis.
BBC Brasil

28 Junho 2009

Chegada ao céu




Michael Jackson: um rei que passou 5 décadas surpreendendo


Michael mudou a história da música no século 20, tanto quanto os Beatles ou Bob Dylan. Sem ele, teria sido mais difícil para Justin Timberlake, Ashanti, Jay-Z, Madonna, Beyoncé, Britney e mesmo Eminem. Todas as boys band, de Boyzone a New Kids on the Block, deveriam pagar royalties para Michael. Não só pelos passos de dança que ele inventou (como o moonwalk, aquele jeito de parecer que está deslizando para trás numa escada rolante), mas pelo fato de que ele ajudou a quebrar o preconceito de gerações em relação à música pop.

Há 26 anos, quando lançou o disco Thriller, inscreveu definitivamente seu nome na história da música, mas sua obra-prima não foi o único momento em que vitaminou a música popular (Off the Wall e Bad são igualmente impressionantes). Já criança, com os irmãos Tito, Jermaine, Jackie, Marlon e Randy, balançou os alicerces da música negra americana nos anos 1970.

Logo depois, em carreira-solo, trouxe os códigos do hip-hop para uma região confortável da música, isso quando o hip-hop ainda não era o mainstream. Flertou com o heavy metal, trazendo outro maluco famoso, Slash, do Guns N’ Roses, para tocar consigo Também rompeu barreiras sociais, integrando sons do gueto e do povo com as tramas da alta sociedade.

O Rei do Pop criou as regras prototecnológicas do moderno espetáculo de arena, e foi seguido por outros de sua geração, como Madonna, U2 e mesmo os Stones. Nos anos 1980, tornou-se o primeiro artista afro-americano a entrar de sola na grande janela da adolescência branca com seus videoclipes insuperáveis, como Beat It, Billie Jean e Thriller. No ano passado, ao fazer 50 anos de idade, Jacko, como era mais conhecido, tinha deixado de ser gênio para ser só excêntrico. Fez discos a custos astronômicos (Invincible, um dos mais recentes, teve gasto de US$ 30 milhões, o que fazia cada cópia do álbum custar uma fortuna).

Fora de forma e com a saúde abalada, voltou a fazer shows e anunciou 50 apresentações em Londres até março de 2010 - precisava pagar contas atrasadas, que eram muitas. Michael esteve no Brasil em 1993 e depois voltou para gravar videoclipe com o Olodum. Andava pelo morro e pela favela como para reencontrar algum elo fundamental que o reengatasse com seu passado. Mas atropelou um garoto durante fuga com os paparazzi e ficou em choque.

Extravagante, recluso, maluco, supostamente pedófilo e vítima de abuso na infância, embranqueceu a pele e enfureceu os críticos. Peter Pan da terra do pop, criou o rancho Neverland para perpetuar sua busca de um Eldorado onde o tempo não corre. Amigo de outros esquisitões do star system, como Liz Taylor, Naomi Campbell e Macaulay Culkin, foi execrado e amado na mesma intensidade. Quando exibia os filhos da janela de um hotel, perigosamente, passou o atestado definitivo de insanidade

Michael Jackson passou a vida surpreendendo as pessoas, e nos anos recentes nos espantou mais por sua capacidade de causar escândalos e por sua vida pessoal (cirurgias plásticas, acusações de desvios sexuais, dívidas impagáveis) do que por seu talento, que era imenso.
Jotabê Medeiros

Lavar mão de criança é ato mais eficaz contra resfriados e outras viroses


A chegada oficial do inverno, no último domingo, renova a preocupação a respeito de como evitar as viroses respiratórias. Pais de filhos em idade escolar costumam ficar especialmente alertas devido às lembranças de noites mal dormidas em consequência de viroses que acometem os pequenos nessa época.

O que nem todos eles sabem é que a principal medida para conter esse tipo de vírus está bem a seu alcance -ou, melhor, nas mãos das crianças.

Isso é o que apontou uma análise de 51 estudos sobre diferentes medidas para restringir epidemias de vírus respiratórios, realizada por pesquisadores da Cochrane Collaboration, organização internacional que avalia pesquisas médicas.

Mais do que usar máscaras e luvas ou manter os doentes em quarentena, a intervenção mais eficaz para reduzir a disseminação de doenças respiratórias é manter as mãos das crianças bem limpas.

A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Hospital e Maternidade Santa Joana, concorda. "Tenho orientado pessoas que vão viajar para locais com a gripe suína a higienizar frequentemente as mãos, porque é nelas que carregamos o vírus e onde ele sobrevive por até 30 minutos", diz.

Richtmann diz que as crianças carregam mais vírus porque não têm o hábito de lavar as mãos. "Temos que ensiná-las desde pequenas. Se conseguirmos incutir nas crianças a importância da higienização das mãos para se alimentarem, após irem ao banheiro ou quando espirram, elas serão adultos mais preparados para evitar a contaminação", acredita.

O infectologista e pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo Evandro Roberto Baldacci vê a pesquisa com mais cautela. Para ele, as vias aéreas também são responsáveis por grande parte da transmissão dos vírus respiratórios, por meio de espirros e tosse.

"Tanto é assim que a ocorrência dessas doenças aumenta no inverno, quando as crianças ficam em ambientes confinados, que favorecem a transmissão por via aérea", diz. "Mas o agente transmissor também fica nas superfícies. Quando elas são manuseadas e, depois, quando a mão é levada ao rosto, pode contaminar a pessoa."

O pediatra observa que outra razão para as crianças serem as principais responsáveis pela contaminação está no fato de elas levarem mais as mãos à boca e ao nariz, em um processo de autoinoculação do vírus.

Segundo Baldacci, lavar as mãos com sabonete comum, incluindo todos os dedos e fazendo movimentos de fricção entre eles, é o suficiente como preventivo. Álcool em gel, vendido em farmácias, pode completar a higiene. "Ele prolonga o tempo de mão limpa, mas não substitui a água e o sabão."

Viroses mais comuns

Diferentemente do que se imagina, o vírus influenza, causador da gripe comum, não é o mais frequente entre os vírus respiratórios, pois causa só de 10% a 15% das doenças virais respiratórias, diz Baldacci.

"O grande vilão é o VSR (vírus sincicial respiratório), que chega a ser responsável por 70% dessas doenças, dependendo da época." Ele provoca uma inflamação na parede dos brônquios com sintomas semelhantes aos de um resfriado.

Outro vírus comum é o adenovírus, que causa febre alta, conjuntivite e dor de garganta. "Há cerca de um mês, muita gente aqui em São Paulo pegou o adenovírus, que causa uma virose severa", diz Baldacci.
Rachel Botelho - Folha de São Paulo

Lua de Saturno tem condições para vida, diz estudo


Dois estudos publicados nesta quinta-feira na revista científica Nature discutem hipóteses sobre a existência de um oceano de água salgada – em outras palavras, condições para o desenvolvimento de vida – nas profundezas subterrâneas de Enceladus, uma das luas de Saturno.

Os dois estudos, que chegam a conclusões discrepantes, analisaram amostras de uma coluna de gases, vapor de água e minúsculas partículas de gelo que emana violentamente da superfície do corpo celeste. Os cientistas tentam encontrar explicações para as observações divergentes.

No primeiro estudo, os pesquisadores Nikolai Brilliantov, da Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha, e Juergen Schmidt, da Universidade de Potsdam, na Alemanha, defendem a teoria de que a coluna expelida da superfície de Enceladus é alimentada por um oceano salgado subterrâneo.

A hipótese de um oceano subterrâneo já vinha sendo investigada pelos cientistas. Agora, ao analisar o material recolhido em 2005 pela sonda Cassini, eles dizem ter detectado sais de sódio entre as partículas de gelo lançadas a centenas de quilômetros no espaço.

Para Brilliantov e Schmidt, este fato corrobora as teorias atuais de que, sempre que uma lua tiver um oceano subterrâneo profundo em contato com a superfície rochosa por muitos milhões de anos, este oceano será salgado.

Vida fora da Terra

De acordo com o estudo, os resultados indicam que a concentração de cloreto de sódio neste corpo de água pode ser tão alta quanto nos oceanos terrestres.

“A Enceladus é um dos lugares com maiores chances de se encontrar vida no Sistema Solar fora da Terra”, disse à BBC o cientista John Spencer, da missão espacial Cassini.

“Estão presentes os três principais ingredientes necessários à vida – os elementos químicos básicos, os blocos básicos, uma fonte de energia, e agora achamos que existe água também. Todos os elementos estão aí. Se isto é suficiente para gerar vida ainda não sabemos, mas estamos muito interessados em saber mais.”

Enceladus está localizada no anel mais distante de Saturno, “E”. Além da Terra, de Marte e da lua de Júpiter Europa, é um dos poucos lugares nos quais astrônomos dizem ter evidências diretas da existência de água.

Entretanto, um segundo estudo publicado na edição desta quinta-feira da Nature diz não ter encontrado evidências de sódio nas partículas emanadas da coluna de vapor – o que não confirmaria a hipótese de “gêiseres” alimentados por um oceano subterrâneo.

Discrepâncias

O professor Nicholas Schneider, do Laboratório para Física Atmosférica e Espacial da Universidade de Colorado, nos EUA, disse que a diferença nos resultados pode ser explicada pela existência de cavernas profundas nas quais a água evapora lentamente.

“Só se a evaporação fosse mais explosiva, ela conteria mais sais”, afirmou Schneider.

Se for correta a hipótese das cavernas, ele raciocinou, o vapor só seria expelido violentamente no vácuo do espaço ao vazar por rachaduras na superfície gelada de Enceladus conhecidas como “listras de tigres”.

“A idéia da evaporação de um oceano profundo e cavernoso não é tão dramática quanto a que imaginamos antes, mas é possível tendo em vista os resultados até o momento”, disse o pesquisador.

Mas ele advertiu que as evidências podem também significar eventos distintos. “Pode ser gelo aquecido virando vapor no espaço. Poderia até haver locais onde a crosta fricciona em si mesma e este atrito cria água líquida que então evapora no espaço”, prosseguiu.

“Estas são hipóteses que não podemos verificar com os resultados obtidos até agora.”

BBC

27 Junho 2009

Eu queria mais tempo

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Trilha de contradições


"Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce." Já escrevi sobre essa frase. Sim, repito alguns temas, que são parte do meu repertório, pois todo escritor, todo pintor, tem seus temas recorrentes. No alto dessa escada nos seduzem novidades e nos angustia o excesso de ofertas. Para baixo nos convocam a futilidade, o desalento ou o esquecimento nas drogas. Na dura obrigação de ser "felizes", embora ninguém saiba o que isso significa, nossos enganos nos dirigem com mão firme numa trilha de contradições.

Apregoa-se a liberdade, mas somos escravos de mil deveres. Oferecem-nos múltiplos bens, mas queremos mais. Em toda esquina novas atrações, e continuamos insatisfeitos. Desejamos permanência, e nos empenhamos em destruir. Nós nos consideramos modernos, mas sufocamos debaixo dos preconceitos, pois esta nossa sociedade, que se diz libertária, é um corredor com janelinhas de cela onde aprisionamos corpo e alma. A gente se imagina moderno, mas veste a camisa de força da ignorância e da alienação, na obrigação do "ter de": ter de ser bonito, rico, famoso, animadíssimo, ter de aparecer – que canseira.

Como ficcionista, meu trabalho é inventar histórias; como colunista, é observar a realidade, ver o que fazemos e como somos. A maior parte de nós nasce e morre sem pensar em nenhuma das questões de que falei acima, ou sem jamais ouvir falar nelas. Questionar dá trabalho, é sem graça, e não adianta nada, pensamos. Tudo parece se resumir em nascer, trabalhar, arcar com dívidas financeiras e emocionais, lutar para se enquadrar em modelos absurdos que nos são impostos. Às vezes, pode-se produzir algo de positivo, como uma lavoura, uma família, uma refeição, um negócio honesto, uma cura, um bem para a comunidade, um gesto amigo.

Mas cadê tempo e disposição, se o tumulto bate à nossa porta, os desastres se acumulam – a crise e as crises, pouca trégua e nenhuma misericórdia. Angústias da nossa contraditória cultura: nunca cozinhar foi tão chique, nunca houve tantas delícias, mas comer é proibido, pois engorda ou aumenta o colesterol. Nunca se falou tanto em sexo, mas estamos desinteressados, exaustos demais, com medo de doenças. O jeito seria parar e refletir, reformular algumas coisas, deletar outras – criar novas, também. Mas, nessa corrida, parar para pensar é um luxo, um susto, uma excentricidade, quando devia ser coisa cotidiana como o café e o pão. Para alguns, a maioria talvez, refletir dá melancolia, ficar quieto é como estar doente, é incômodo, é chato: "Parar para pensar? Nem pensar! Se fizer isso eu desmorono". Para que questionar a desordem e os males todos, para que sair da rotina e querer descobrir um sentido para a vida, até mesmo curtir o belo e o bom, que talvez existam? Pois, se for ilusão, a gente perdeu um precioso tempo com essa bobajada, e aí o ônibus passou, o bar fechou, a festa acabou, a mulher fugiu, o marido se matou, o filho... nem falar.

Então vamos ao nosso grande recurso: a bolsinha de medicamentos. A pílula para dormir e a outra para acordar, a pílula contra depressão (que nos tira a libido) e a outra para compensar isso (que nos rouba a naturalidade), e aquela que ninguém sabe para que serve, mas que todo mundo toma. Fingindo não estar nem aí, parecemos modernos e espertos, e queremos o máximo: que para alguns é enganar os outros; para estes, é grana e poder, beleza e prestígio; para aqueles, é delírio e esquecimento.

Para uns poucos, é realizar alguma coisa útil, ser honrado, apreciar a natureza, sentir o calor humano e partilhar afeto. Mas, em geral medicados, padronizados, desesperados, medíocres ou heroicos, amorosos ou perversos, nos achando o máximo ou nos sentindo um lixo, carregamos a mala da culpa e a mochila da ansiedade. Refletindo, veríamos que somos apenas humanos, e que nisso existe alguma grandeza. Mas, convencidos de que pensar dói e de que mudar é negativo, tateamos sozinhos no escuro, manada confusa subindo a escada rolante pelo lado errado.
Lya Luft
picture by Paul Cézanne

Cozinha que cura


Antigamente, a cozinha era o lugar onde se preparavam as refeições que iam nos sustentar o dia inteiro. Nossas avós e bisavós costumavam usar alimentos frescos, saídos diretamente da horta e do pomar.Isso garantia um sistema imunológico forte.

E quando adoecíamos, os remédios eram as plantas medicinais, ervas e temperos que curavam quase tudo. A boa notícia é que cientistas, médicos e nutricionistas estão cada vez mais interessados em pesquisar esses velhos hábitos alimentares e as pesquisas nessa área revelam que a alimentação pode prevenir e tratar certas doenças.

O segredo para manter a saúde e ter vida longa é simples: consumir menos alimentos industrializados, se possível ingerir somente orgânicos, ter uma dieta bem variada, rica em vegetais, frutas, grãos, cereais e carnes magras. Parece fácil na teoria, mas por que é tão difícil fazer isso na prática? Os nutricionistas explicam que é uma questão de mudanças de hábitos. E para aqueles que acreditam que alimentação saudável não combina com sabor, os especialistas garantem que há uma ampla variedade de receitas deliciosas que fazem bem para a saúde.

A terapeuta e culinarista naturista Carla Saboya, do Rio de Janeiro, ensina que para ser saudável, a dieta tem de ser variada. “O ideal é comer variedades e porções de vários grupos de alimentos, como cereais integrais, verduras, raízes e frutas”, diz. O especialista em nutracêutica e autor do livro Lugar de Médico é na Cozinha (Ed. Alaúde), Alberto Peribanez Gonzalez, defende a alimentação viva — alimentos crus e germinados —, orgânica como forma de prevenir e tratar as doenças. Segundo ele, o que não deve faltar na dieta diária do brasileiro são frutas frescas, hortaliças e grãos. “Ao mesmo tempo, deve-se evitar todos os açúcares, mesmo os mais integrais, assim como as farinhas e o pão e os alimentos industrializados”, explica

Menos radical, Carla Saboya acredita que é possível ter uma dieta equilibrada, é necessário fazer substituições. “Por exemplo, o arroz pode ser substituído pela quinoa, batata, batata-doce, cará, mandioquinha e mandioca”, ensina.

Preparo dos alimentos

Quem acha que lavar as verduras e frutas em água corrente é o suficiente para matar as bactérias está enganado. Os especialistas dizem que, mesmo no caso de orgânicos, a lavagem deve ser bem cuidadosa, principalmente no caso das folhas, que devem ser lavadas uma a uma. No caso de legumes e frutas, o ideal é lavar com uma escova ou esponja as de casca mais grossa. “A verdura deve ser bem lavada e deixada de molho por uns 15 minutos. Muitas pessoas têm problemas de vermes porque não tomam esses cuidados”, diz Carla.

Depois de lavadas, podem-se deixar os alimentos mergulhados na água com duas colheres de sopa de vinagre para cada litro de água por 30 minutos. O vinagre não mata as larvas, mas faz com que se soltem das verduras. Ou ainda deixá-las de molho com água sanitária ou em uma solução de hipoclorito de sódio e permanganato de potássio chamada hidrosteril com meio litro de água por 15 minutos, que elimina larvas e bactérias. Depois de qualquer um desses procedimentos, é necessário lavar os alimentos novamente em água corrente.

Além de escovas de uso culinário para limpar os alimentos, o dr. Alberto recomenda lavar bem as mãos antes de manipular os alimentos com sabão de coco. Ele alerta que verduras da horta orgânica não devem ser lavadas antes de ir para refrigeração, pois perderão a flora bacteriana de cobertura, entrarão em desequilíbrio e degenerarão dentro da geladeira.

Outros cuidados que devemos ter é conservar as sementes em recipientes que não sejam transparentes, nem de alumínio. Podem ser potes de plásticos, desde que sejam muito bem vedados e secos, pois a luminosidade oxida os alimentos.

Ciência e Ayurveda

O que a ciência descobre pelos resultados das pesquisas em laboratórios, a medicina ayurvédica sabe na prática. Estudos mostram uma relação entre o consumo de vegetais e uma série de benefícios à saúde. “Dentre esses alimentos, podemos citar o aipo, com ação antioxidante e anti-inflamatória; e a cebola, que reduz o colesterol, a formação de coágulos sanguíneos, diminui a pressão arterial e a arritmia cardíaca”, diz Sônia Soares Costa, professora do Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ela coordena, junto com a professora Russolina Zingali, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, algumas pesquisas com a salsinha que revelam que suas folhas possuem a propriedade de diminuir a formação de trombose em ratos. “Esse condimento é usado ao longo da história da humanidade para tratamento de várias doenças. É considerado cicatrizante, anti-hemorrágico e benéfico no combate aos problemas digestivos, como flatulência e aerofagia. Também é considerado um regulador do ciclo menstrual e estimulante das funções renais”, esclarece Sônia.

Outros estudos sugerem que a curcumina, presente na cúrcuma e conhecida na culinária como açafrão-da-terra, auxilia no tratamento de câncer de pele e que o curry pode diminuir a incidência do Mal de Alzheimer e Parkinson, é anti-inflamatório e antioxidante. Em geral, as pimentas ajudam a reduzir o colesterol e aceleram o metabolismo.

A médica ayurvédica Maria Stela de Simone, do Rio de Janeiro, explica que os condimentos ajudam a eliminar ama, que são os alimentos que não foram digeridos e formaram toxinas. “As plantas medicinais, principalmente as mais picantes, têm maior conteúdo dos elementos fogo e ar, que ajudam o organismo a fazer uma autodepuração e desintoxicar.” Segundo ela, não é necessário encher o prato de condimentos para ter os benefícios. “Basta usar uma pitada diária, o uso deve ser constante”, lembra. Ela ressalta ainda que quem mais se beneficia com as especiarias mais picantes é o dosha kapha. “Os desequilíbrios desse dosha são colesterol alto, diabetes, inchaço e acúmulo de muco e eles podem fazer uso de todas as pimentas fortes, raiz-forte, alho, gengibre, curry e pimenta-do-reino.” A médica lembra que pitta deve evitar esses temperos fortes, mas pode comer à vontade os menos picantes, como orégano, manjericão, salsa, coentro, manjerona, erva-doce e hortelã e vata deve ficar no meio-termo, consumir moderadamente um pouco de tudo e principalmente noz-moscada, cominho, mostarda, canela, cravo, açafrão e cardamomo.
Patrícia Ribeiro

26 Junho 2009

We Are the World




Em Janeiro de 1985, 45 dos maiores nomes da música norte-americana gravaram o LP We Are the World, para arrecadação de fundos para o combate da fome na África. O single, LP e o clipe renderam cerca de 55 milhões de dólares. Formaram o grupo USA for Africa.

Inspirado pela reunião que ficou conhecida como Band Aid, Michael Jackson organizou a gravação do single We Are the World, escrito com o companheiro de gravadora Lionel Richie. O single foi lançado em 1985 para arrecadar fundos para a campanha USA for Africa, em benefício de famílias da África. We Are the World apresentava 44 vocalistas diferentes, incluindo Michael e Lionel, Harry Belafonte, Tina Turner, Cyndi Lauper, Diana Ross, Ray Charles e Stevie Wonder e foi produzido por Quincy Jones, que também fez a regência do grupo. A vendagem atingiu 7 milhões de cópias só nos Estados Unidos, tornando-se um dos singles mais vendidos de todos os tempos.
Esqueçamos os desvios.Vamos homenageá-lo com o que fez de bom.

Michael Jackson: o lamento dos amigos e artistas


Madonna, rainha do pop - "Sempre admirei Michael Jackson. O mundo perdeu um de seus grandes, mas a sua música viverá para sempre". Ela enviou condolências aos três filhos de Michael Jackson e todos os membros da família. "Deus os abençoe".

Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia: "O mundo perdeu uma de suas figuras mais influentes e icônicas."Nossos corações estão com a família de Michael Jackson, seus filhos e seus fãs no mundo todo.Desde suas apresentações com o Jackson Five à estreia do passo Moonwalk e do álbum Thriller, Michael foi um fenômeno do pop que nunca parou de impulsionar a criatividade".

Lisa Marie Presley, ex-mulher de Michael Jackson e filha de Elvis Presley - "Eu estou muito triste e sentindo todas as emoções possíveis. Estou com o coração quebrado pelos filhos dele que eram tudo para ele e a família. Esta é uma perda muito grande em todos os sentidos, faltam-me palavras para dizer mais alguma coisa".

Priscilla Presley, ex-sogra do cantor: "Estou em choque, como todo mundo deve estar", disse. "Meu coração e meus pensamentos estão com sua família neste momento difícil", disse a atriz e empresária, que foi mulher do cantor Elvis Presley e cuja filha, Lisa Marie foi casada com Michael de 1994 a 1996.

Michael Levine, publicista que representou Jackson quando o cantor foi acusado de molestar uma criança em 1993 - "Devo confessar que não estou surpreso com esta trágica notícia. Michael esteve em uma jornada autodestrutiva por anos. O talento dele era inquestionável, mas o mesmo podemos dizer com relação ao desconforto dele em relação às normas do mundo. Um ser humano simplesmente não pode sobreviver com este nível prolongado de estresse".

Dick Clark, apresentador do American Bandstand, programa em que surgiu o ícone pop na banda Jackson Five - "Conhecia o Michael desde criança e vi ele crescer através dos anos. Dentre todos os homens do mundo do entretenimento com os quais eu trabalhei, Michael foi o mais marcante. Muitos tentaram e ainda vão tentar copiá-lo, mas o talento dele jamais será alcançado"

Russell Simmons, empresário do hip-hop e fundador do Def-Jam Records -"Michael foi o maior ícone cultural da minha geração. Tinha coragem, era único e incrivelmente talentoso. Sentiremos muito a sua falta".

Dionne Warwick, cantora e amiga - "Perdemos um ícone da nossa indústria e meu coração manda condolências para a família e os filhos dele nessa hora de tristeza pela qual eles estão tendo que passar. Ele seguirá vivo na minha memória e mais ainda através da música que ele compartilhou com tantas pessoas"

Neil Portnow, presidente da academia nacional de Recording Arts - "Ele era um verdadeiro ícone da música que era possível ser identificado pela voz, os inovadores movimentos de dança, uma deslumbrante versatilidade musical e a pura energia que foi transportada desde a infância dele até a aclamação mundial. Vencedor 13 vezes do prêmio Grammy, a carreira de Michael transcende os gêneros culturais e a contribuição dele estará para sempre nos nossos corações e na nossa memória".

Michael Jackson ensaiou, cantou e dançou um dia antes de morrer


O astro da música pop cantou e dançou na noite do dia 24 de junho. Ele ensaiava para os shows que faria a partir do próximo dia 13, em Londres, em seu retorno aos palcos na turnê "That's it". De acordo com o site de celebridades TMZ, Michael chegou após as 22h para ensaiar com a banda e os dançarinos de sua trupe.

Segundo uma das pessoas que participavam do ensaio, Michael chegou com três horas de atraso e "apático" ao ginásio Staples Center, onde o grupo já havia iniciado os testes. "Isso era normal para quem o conhecia", afirmou o site. Ele morreu na tarde desta quinta-feira em Los Angeles (Estados Unidos), de parada cardíaca, aos 50 anos.

Michael estava obstinado com sua volta aos palcos --seria 50 shows em uma arena para 23 mil pessoas que poderiam ajudá-lo a cobrir uma dívida de US$ 320 milhões.

Seu primeiro show, após um hiato de ao menos 12 anos em grandes trunês, seria dali a duas semanas. Para entrar em forma, ele tomava remédios de uso restrito e seguia uma dura rotina de treinamentos diários.

A família negou comentar sobre a causa da morte do cantor. O IML (Instituto Médico Legal) de Los Angeles deve realizar uma autópsia nesta sexta, para determinar o que levou a vida do excêntrico astro do pop. O resultado deve sair à tarde.

Remédios

Para Brian Oxman, advogado, porta-voz da família e amigo pessoal do artista, os remédios de venda controlada podem ter sido essa causa. Michael vinha tomando remédios devido às lesões que sofria durante os ensaios para seu grande regresso artístico, disse Oxman. O músico já havia mahucado uma vértebra e uma perna durante os ensaios.

Segundo ele, o uso destes medicamentos preocupava a família, já que vários membros do staff de Jackson tinham autorização para obter estas drogas. "Não conheço a causa de tudo isso, mas eu temia o caso. Isso é um claro resultado de abuso de medicamentos, a não ser que a causa seja outra", afirmou.

Jackson teve vários episódios com drogas vendidas somente sob prescrição médica ao longo de sua carreira. "Não sei exatamente os remédios que ele tomava, mas as informações de que dispomos indicam uma ampla gama [de produtos de venda controlada]", declarou.

Jermaine Jackson, irmão do cantor, afirmou que os médicos tentaram reanimá-lo por mais de uma hora, sem sucesso. Abatido, o ex-integrante do grupo Jackson 5 afirmou que Michael chegou ao UCLA Medical Service por volta das 14h (horário local), após ser encontrado inconsciente em sua casa.

A polícia de Los Angeles abriu uma investigação para esclarecer as circunstâncias que levaram à repentina morte do cantor, poucos minutos após seu internamento. Os médicos declararam 14h26 (18h26 de Brasília) como hora da morte do cantor --por volta das 13h (hora local) ele havia sido encontrado inconsciente em sua casa, no luxuoso bairro de Bel Air.

O delegado Greg Strank não esclareceu como Michael foi encontrado, ou se havia elementos que levantassem suspeitas sobre um delito ou um suicídio por abuso de medicamentos. Ele só descartou completamente a hipótese de um crime.

Shows

Segundo o produtor Jay Coleman, que representou Jackson nos anos 80, o regresso do astro aos palcos, após anos de ausência, foi algo "muito estressante" para um perfeccionista como Michael.

"Essas serão minhas últimas performances em Londres", chegou a anunciar o cantor, em março. Ele comemoria seus 50 anos --completados em agosto do ano passado. O astro planejava voltar aos palcos com uma série de 50 shows, após uma reclusão voluntária desde 2005, quando foi absolvido da acusação de abuso sexual de um menor.

"A preparação para uma sequência de shows desta envergadura foi algo muito estressante", disse Coleman, que colocou Jackson nos spots publicitários da Pepsi.

O jornal britânico "The Times" noticiou no último dia 15 que Jackson vinha treinando duro para entrar em forma. O responsável por seu treinamento era Lou Ferrigno, o Hulk da série de televisão dos anos 70.

Ex-fisiculturista, Ferrigno disse que Michael estava frágil demais e recusava-se a erguer peso porque não queria ficar musculoso: "Michael é mais delicado. Nosso treinamento condicionou-o para a dança", afirmou. Segundo o tabloide "The Sun", Michael fazia apenas uma refeição por dia e chegou a pesar 57 kg (com 1,78 m de altura).
Uol

25 Junho 2009

O peru do vigário



O vigário de um vilarejo tinha um peru como mascote.
Certo dia, o peru desapareceu, e ele achou que alguém o havia roubado.
No dia seguinte, na missa, o vigário perguntou à congregação:
- Algum de vocês aqui tem um peru?
Todos os homens se levantaram.
- Não, não, disse o vigário, não foi isso que eu quis dizer.
A pergunta certa é:
- Algum de vocês viu um peru?
Todas as mulheres se levantaram..
- Não, não, repetiu o vigário; o que eu quero dizer é se algum de vocês viu um peru que não lhes pertence.
Metade das mulheres se levantou.
- Não, não, disse o vigário novamente.
Talvez eu possa formular melhor a pergunta:
- Algum de vocês viu o meu peru?
Todos os coroinhas se levantaram.

Aposentadoria


Estudo mostra que deixar o mercado de trabalho pode levar a desânimo e doenças

Uma pesquisa recente adverte: "Aposentar-se pode ser prejudicial à saúde". Publicado em março no American Journal of Epidemiology, o levantamento, da Universidade de Atenas (Grécia), acompanhou cerca de 17 mil homens e mulheres por quase oito anos.

Os participantes não tinham doenças prévias, como as cardiovasculares, diabetes ou câncer. No fim do estudo, foram feitos ajustes estatísticos para que condições como tabagismo, obesidade e sedentarismo não influenciassem os resultados. Em números: os aposentados apresentaram 51% mais risco de morte em relação aos que continuaram trabalhando.


Patrícia Raymundo, 55, aposentou-se aos 44 e depois resolveu ser voluntária em uma ONG
O risco cresce em proporção inversa à idade do aposentado: quanto mais jovem, maior chance de morte. Entre os participantes que tinham menos de 55 anos, por exemplo, 9% dos aposentados morreram no decorrer do estudo, contra apenas 1% de morte entre os não--aposentados.
"Concluímos que a aposentadoria precoce pode ser um fator de risco de mortalidade em geral e, particularmente, de morte decorrente de doenças cardiovasculares em pessoas aparentemente saudáveis", disse à Folha por e-mail a coordenadora da pesquisa, Christina Bamia, do departamento de higiene e epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Atenas.
Para Bamia, os dados contradizem a percepção generalizada de que a aposentadoria levaria a uma melhor qualidade de vida e ao aumento da longevidade.

No entanto, ela diz não ter dados para explicar os motivos que levam às doenças e à morte."Com os dados disponíveis no estudo, não podemos indicar os mecanismos que estão por trás dessa associação, mas suspeitamos que a aposentadoria pode envolver a deterioração do status econômico, o abandono de hábitos saudáveis ou a adoção de hábitos prejudiciais à saúde, além de todas as conseqüências psicossociais que ela envolve."

Os fatores psicossociais são considerados decisivos pelo cardiologista Roque Savioli, diretor da Unidade de Saúde Suplementar do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo). "Estudos mostram a importância desses fatores no desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Em minha experiência clínica, percebo como é comum o aposentado experimentar uma falta de objetivos e de sentido na vida, que leva à depressão. Assim, passa a não se cuidar, abandona as atividades físicas, enfim, contribui ainda mais para o surgimento da doença", diz.

Embora o estresse profissional também seja um fator de risco para a saúde do coração, Savioli acredita que, ao se aposentar, a pessoa pode ser submetida a outros tipos de estresse, não menos importantes do que os vividos no trabalho."Entre eles, o estresse marital. Quanto mais tempo a pessoa fica ociosa, maior a probabilidade de surgirem conflitos com os familiares", afirma o cardiologista.

Ficar ocioso e sem perspectiva é o problema. "A aposentadoria em si não mata, mas sim a forma como ela é encarada", diz Lucia França, professora do mestrado em psicologia da Universidade Salgado de Oliveira (no Rio de Janeiro) e autora de "O Desafio da Aposentadoria" (ed. Rocco).
Ela diz que se aposentar bem ou mal é algo relacionado a uma série de atitudes tomadas durante toda a vida profissional, e não apenas na hora de encerrá-la. "Se o profissional é envolvido demais com a organização onde trabalha, deixar o emprego pode gerar depressão e doenças", aponta. Outras atitudes importantes são equilibrar a vida profissional com a pessoal e diversificar interesses --quem faz isso tem mais chance de encontrar atividades que tragam realização ao deixar o emprego formal.

Valor social
Um aspecto que nem sempre é percebido, mas que, para França, pode estar na origem do estresse nas relações familiares, é a percepção de perda de status, do valor social que a pessoa tinha vinculado à sua ocupação profissional. Em contrapartida, há pessoas que encontram, na aposentadoria, tempo para se dedicar a atividades em que a valorização social adquire um sentido muito mais amplo.
Trabalhar para ajudar outras pessoas também traz benefícios pessoais --entre eles, manter a saúde, a disposição física e a mente ativa.

A professa Patrícia Raymundo, 55, trabalhou por 25 anos na rede municipal de ensino de São Paulo. Aos 44 anos, aposentou-se. "Havia acabado meu tempo. Saí com muita dor no coração", conta. Por um lado, ao parar de trabalhar, ela conseguiu mais tempo para se dedicar à mãe doente. Mesmo assim, diz que sentia muita falta da escola, das crianças e do convívio profissional e que "ficava às vezes melancólica". Quando uma amiga falou com Patrícia sobre a ONG Viva e Deixe Viver, que prepara e leva voluntários para contar histórias para crianças hospitalizadas, não teve dúvidas e, após quase quatro anos inativa profissionalmente, pegou a bagagem que havia acumulado como educadora e fez o curso que a ONG promove para preparar seus voluntários.

Hoje, ela diz que não se considera aposentada. "Minha semana é rica, cheia de possibilidades. Tenho sempre uma história nova para contar. Isso, sem dúvida, contribui para a minha boa saúde", afirma.
Com o trabalho voluntário, surgiram até oportunidades profissionais remuneradas. Hoje, ela é convidada por livrarias e por empresas para contar histórias, seja para o público infantil, seja para o adulto, em programas corporativos de treinamento de funcionários.
Além de todos esses benefícios, Patrícia ressalta que, para exercer sua atividade de contadora de histórias voluntária, ela precisa sempre se reciclar, estudar, ler muito. Assim, não há espaço para a mente ociosa.

Redescoberta do prazer
"Uma mente ágil não dá espaço para a tristeza", afirma Ana Alvarez, fonoaudióloga e autora de "Deu Branco" (ed. Record), entre outros livros. Ela acha que a aposentadoria se torna um risco para a saúde quando a pessoa não busca novas experiências e se isola. "Os mecanismos de recompensa do cérebro não são ativados e ele começa a trabalhar desmotivado. Não encontrando mais situações que proporcionem prazer, o cérebro passa a funcionar como em estados de depressão. Aí a pessoa acaba adoecendo", diz.

E, de fato, Márcia Villela, 54, adoeceu. Aos 18 anos, começou a trabalhar como relações públicas. Aos 46, parou. O primeiro ano ela passou cuidando do marido doente, que acabou morrendo. Mas, depois, não conseguiu retomar suas atividades e "entrou em parafuso", conta. "Tive câncer de mama e de útero e neuralgia do trigêmeo [disfunção do nervo craniano que causa dores intensas]. Por quatro anos, vivia meio na marra, totalmente 'down'."
A sorte de Márcia foi, mesmo que "na marra", ter aceitado o convite de uma amiga para participar de um chá dançante. A dança foi para ela o caminho para redescobrir um sentido na vida. E recuperar o prazer de viver, a auto-estima e a saúde. "Hoje, só tenho dor na sola do pé, de tanto dançar. De resto, a saúde está perfeita", afirma.Dançando, Márcia --que diz que estava "um monstro de gorda" após quatro anos de inatividade-- perdeu 26 quilos, fez novos amigos e até descobriu uma nova área de trabalho. Prestes a abrir uma espaço para a prática de danças, comemora: "Transformei meu gosto em negócio".

Sem pendurar as chuteiras
"A depressão entre aposentados é alta, atinge entre 10% e 15% deles. [O distúrbio] tem causas orgânicas, químicas, mas fatores psicológicos e ambientais acabam sendo precipitantes e mantenedores dos quadros depressivos", diz João Toniolo Neto, professor de geriatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Embora a aposentadoria possa desencadear esse quadro, Toniolo Neto acha precipitado considerar o fato causa direta de doenças e mortes. "A pessoa pode começar a se isolar, comer mal, tornar-se sedentária, fumar mais, e tudo isso são fatores de risco, mas não é tão simples fazer uma correlação imediata."

O cardiologista José Carlos Pachon, diretor do serviço de arritmias do HCor (Hospital do Coração) de São Paulo, também vê com reservas as conclusões do estudo da Universidade de Atenas. "No estudo, não há informações importantes, como quantas aposentadorias foram compulsórias e quantas foram voluntárias.Esse seria um dado fundamental para avaliar as conseqüências sobre a saúde cardiovascular, já que a aposentadoria compulsória pode representar o início de uma vida 'negativa', ao passo que a voluntária pode representar o fim de muitos problemas e o início de uma fase 'positiva'", diz.
Pachon conta que, para um grupo de pacientes, a recomendação é parar de trabalhar --são, por exemplo, profissionais submetidos a níveis muito altos de estresse. Para outro grupo, diz que recomenda que continuem trabalhando. "São os que entram em depressão quando param. Isso aumenta vários fatores de risco, como hipertensão, diabetes, obesidade abdominal e a chance de desenvolver a síndrome metabólica."

Roberto Joaquim, 65, está no grupo dos que podem (e devem) continuar trabalhando. Para ele, trabalho não é estresse, e sim fonte de prazer. Aposentado da empresa em que trabalhou por quase 38 anos, diz que nunca pensou em "vestir o pijama e pendurar as chuteiras". Deu um jeito de encontrar outra fonte de renda. No início, montou uma loja, mas não era isso o que queria da vida.

Mas não desistiu e, com o tempo, montou sua própria empresa, que produz agulhas especiais, colchetes e ganchos. Um de seus clientes é a empresa em que foi empregado por décadas. Tem boa saúde e, como era de se esperar, ela é atribuída em boa parte ao fato de continuar ativo. "Enquanto você trabalha, tem sonhos. Se deixar de sonhar, pode morrer."
Iara Biderman

24 Junho 2009

Jacky James - Take My Heart




take my heart, its your to take
take my heart, its your to break
take it now and keep it always
ever more or just to day
take my heart and make it thrill
with my heart do as you will
do it all, I love you madly
madly, if you take my heart

life is short
for everyone
give your hand
you will be my own

do you hear me now

Paixão e desespero


Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só queria ter o que eu tivesse sido e não fui.
Clarice Lispector
Picture by Mary Mansey

Os desejos do amor


O amor é como a criança: deseja tudo o que vê.
William Shakespeare
Picture by Kenji Inoue

São demais os perigos desta vida


São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher
Vinicius de Moraes

A condição humana


Recentemente, a ciência vem-se esforçando por tornar “artificial” a própria vida, por cortar o último laço que faz do próprio homem um filho da natureza.

O mesmo desejo de fugir da prisão terrena manifesta-se na tentativa de criar a vida numa proveta, no desejo de misturar, "sob o microscópio, o plasma seminal congelado de pessoas comprovadamente capazes a fim de produzir seres humanos superiores" e “alterar-lhes o tamanho, a forma e a função”; e talvez o desejo de fugir à condição humana esteja presente na esperança de prolongar a duração da vida humana para além do limite dos cem anos.
Hannah Arendt

23 Junho 2009

É noite


Uma noite de escuridão profunda.
No ramo da velha figueira
uma rã coacha sem cessar
predizendo uma tempestade, um dilúvio
e eu afogo-me no medo.

É noite.

E com a noite o mundo parece um cadáver na sepultura;
E no medo digo para mim:
"E se chover torrencialmente em todo o lado?"
"E se a chuva não parar até que a terra se afunde na água, como um pequeno barco?"

Nesta noite de terrível escuridão

Quem pode dizer o que seremos quando a alvorada chegar?
Irá a luz da manhã fazer com que a irritada face da tempestade desapareça?

Nima Yoshij

Crise no Irã vai além do resultado das eleições



A crise após as eleições presidenciais no Irã se desenvolveu em uma velocidade tão vertiginosa que ainda é difícil entender as suas possíveis implicações.

Até cerca de duas semanas atrás, o presidente Mahmoud Ahmadinejad podia alegar que o Irã era um país "quase completamente livre".

Já havia céticos então. Agora, a imprensa estrangeira no país está sendo obrigada a trabalhar sob algumas das mais duras restrições do mundo.

Cabe perguntar onde esta crise pode chegar e o que quer a oposição.

Até o momento, os manifestantes iranianos exigem apenas uma coisa: a convocação de novas eleições, já que eles acreditam que o opositor Mir Houssein Mousavi teria vencido o pleito da semana passada, enquanto os resultados oficiais apontam para uma vitória de Ahmadinejad.

Quando os manifestantes gritam nas ruas "morte ao ditador", não dizem a quem exatamente estão se referindo. Eles podem não apenas estar se dirigindo ao presidente Ahmadinejad, mas também ao líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

Mesmo assim, isto não é um desafio aberto ao sistema islâmico que governa o país desde a Revolução de 1979, pelo menos até agora.

As mulheres que participam dos protestos, por exemplo, ainda não estão tirando os véus que cobrem suas cabeças, embora muitas não gostem de ser obrigadas a usá-los.

Os manifestantes também costumam gritar "Deus é grande", querendo ressaltar que eles são tão religiosos quanto aqueles que apoiam o governo.

Dignidade e prisões

O governo reage aos protestos com uma exibição de dignidade ferida, como se a ideia de que ele pudesse ter fraudado as eleições fosse impensável, embora a oposição veja a fraude como bastante evidente.

Embaixadores estrangeiros são convocados um a um e censurados até mesmo por ousarem criticar a morte de manifestantes.

Enquanto isso, as autoridades enviam seus "brutamontes", os Basijis - membros da milícia pró-governo - para intimidar os oposicionistas.

Dormitórios estudantis são revirados, manifestantes são detidos durante os protestos.

Blocos de apartamentos de onde os iranianos gritam palavras de ordem são invadidos e carros destruídos.

A onda de prisões chegou a um ponto em que até um dos mais próximos assessores do aiatolá Khomeini, Ebrahim Yazdi, foi detido.

Até agora, nenhuma decisão foi tomada pelo governo para realmente controlar a crise, mas isto deve acontecer cedo ou tarde.

Luta de gigantes

Enquanto isso, uma disputa de poder está acontecendo no topo do sistema iraniano.

O aiatolá Ali Khamenei apostou sua carreira política no apoio inequívoco à vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad nas eleições.

Khamenei tem muitas cartas nas mãos. Ele é o comandante supremo das Forças Armadas, além de ser apoiado fielmente pelo Conselho dos Guardiões, que está revisando os resultados do pleito.

Até agora, ninguém ousou questionar sua autoridade, pelo menos não abertamente.

Mas, do outro lado, está o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, que tem apoiado as campanhas oposicionistas.

Desde o início da campanha, ficou claro que ele desejava se vingar de Ahmadinejad, que o venceu nas eleições presidenciais de 2005.

Além disso, há provavelmente uma rivalidade mais profunda com o líder supremo do país. Rafsanjani apoiou Khamenei quando ele sucedeu Khomeini, em 1989.

Esta rivalidade veio à tona quando, durante um debate televisionado, Ahmadinejad acusou a família de Rafsanjani de corrupção.

Muitos iranianos acreditam que as acusações podem ser verdadeiras, mas maneira como foram feitas por Ahmadinejad causaram escândalo.

A acusação fez com que Rafsanjani escrevesse uma carta sem precedentes para o líder supremo, pedindo que ele agisse a respeito e fazendo ameaças.

Rafsanjani escreveu que, se nada fosse feito, "os vulcões que queimam dentro de peitos flamejantes aparecerão na sociedade, como vemos nas reuniões a que assistimos nas ruas, praças e universidades".

Estas "chamas", disse Rafsanjani na carta, podem se "espalhar pelas eleições e além delas".

Akbar Hashemi Rafsanjani também tem armas poderosas.

Ele é o líder da Assembleia dos Especialistas, o grupo de clérigos responsável por eleger, supervisionar e até substituir o líder supremo do país.

Uma ação do grupo contra Khamenei seria inédita. Mas Rafsanjani recentemente foi reeleito para o cargo com uma grande maioria. Além disso, Khamenei também tem muitos inimigos entre os clérigos.

Rafsanjani também lidera o Conselho de Discernimento, que é responsável por mediar as disputas entre os órgãos do governo.

Além disso, a conhecida riqueza de Rafsanjani não pode ser subestimada.

Futuro

Pode ser que existam partidários do governo que estejam ficando encorajados pelas manifestações, mas há também muitos que têm uma adoração genuína por Ahmadinejad.

Entre os oposicionistas, a crise após as eleições fez com que anos de frustração contra o sistema viessem à tona.

Os dois lados podem estar discutindo agora a questão das eleições. Mas a verdadeira discussão é sobre o futuro do Irã. Esta é uma batalha importante, gigantesca, cujo resultado ninguém pode prever.
Jon Leyne - BBC

O poder dos impotentes


De como a Revolução Islâmica alimentou os filhos que, finalmente, irão devorá-la

Independentemente do que possa ocorrer no futuro, o fato é que o Irã já escreveu um novo capítulo na história do poder popular.
Todos aqueles que conseguiram transpor a barreira do medo no país e protestar pacificamente nas ruas de Teerã, Isfahan ou Shiraz, portando alguma fita verde, fizeram história.

Sozinhos, os indivíduos são impotentes. Mas juntos, pelo poder absoluto dos números, eles conseguem, mesmo que por poucas horas, contestar de maneira cabal o violento poder repressivo do Estado. Mesmo os brutamontes da milícia Basij não conseguem espancar tanta gente. Enquanto os manifestantes de verde continuarem não violentos, como ocorreu com a grande maioria deles, e enquanto saírem às ruas em grande número, Mahatma Gandhi os estará aplaudindo do seu túmulo. Porque aprenderam a lição fundamental de Gandhi sobre o poder dos impotentes.

A quintessência do poder popular permanece a mesma, mas cada novo capítulo da sua história traz um fato novo. No caso do Irã, a inovação foi a utilização das mais novas tecnologias de comunicação e informação.

Detalhes sobre os locais das manifestações, táticas e slogans foram passados por meio do Twitter, redes sociais virtuais como Facebook e mensagens de texto para celulares.
Videoclipes das manifestações e gravações foram carregados no YouTube e outros websites de modo a poderem ser acessados por pessoas fora do país e retransmitidos de volta. O Davi digital combatendo o Golias teocrático.

Nada disso significa que os jovens iranianos usando o Twitter pela liberdade terão sucesso a curto prazo. Ou que mais alguns deles não serão atacados e assassinados em seus dormitórios estudantis pelos milicianos Basij, como já ocorreu. Nem significa que nós, no Ocidente, devemos rotular apressadamente os eventos como a "revolução verde", e mais rapidamente ainda compará-los à derrubada do Xá, 30 anos atrás. E tampouco que devemos ser ingênuos quanto aos motivos de conspiradores clericais, como Hashemi Rafsanjani, cujas manobras nos bastidores são uma parte importante desta história.

Os movimentos do poder popular quase sempre fracassam, pelo menos no curto prazo. Como ocorreu com os protestos em Mianmar, em 2007, eles vivem das lembranças e imagens tocantes de um curto momento de poder popular, até que, talvez décadas depois, finalmente ocupam o seu lugar na mitologia retroativa de um país libertado.

No caso presente, não tenho dúvida de que os jovens e as jovens que forneceram grande parte da energia das manifestações da oposição acabarão vencendo. Dois em cada três iranianos têm menos de 30 anos. Muitos nasceram na época em que os mulás exortavam as famílias a ter mais filhos - os pequenos "soldados do Imã oculto", como eram chamados - para fortalecer o novo regime islâmico e substituir os mártires da guerra entre Irã e Iraque. Graças a uma grande expansão do ensino superior na República Islâmica, milhões deles foram para a universidade. Quase a metade das pessoas com nível universitário no país é constituída de mulheres. E mais de dois terços da população iraniana vivem nas cidades.

Essa população jovem, cada vez mais educada e urbana, quer empregos, casa, oportunidades e mais liberdade. Qualquer pessoa que viajar pelo Irã e conversar com esse jovens pode observar como estão descontentes. Na semana passada, o mundo inteiro viu isso: sobretudo nos rostos e nas palavras inesquecíveis das mulheres iranianas que, como qualquer mulher num Estado islâmico, necessitam duplamente do poder dos impotentes.

Portanto, essa Revolução Islâmica criou os filhos que finalmente irão devorá-la. Aqueles destinados a serem os "soldados do Imã oculto" um dia verão a saída dos autodenominados oficiais do Imã oculto, como Mahmoud Ahmadinejad. Mas esse dia provavelmente não será hoje ou amanhã.

No momento, devemos nos concentrar numa eleição roubada. Foi a magnitude e o descaramento da fraude eleitoral que transformou um momento político num momento histórico. Se o regime tivesse procurado resolver as coisa de um modo que Ahmadinejad ficasse com, digamos, 52%, e os candidatos de oposição vencendo em suas cidades natais, ocorreriam protestos, mas provavelmente não nessa escala. Muitos, incluindo governos ocidentais, podem aceitar o resultado e reconhecer que Ahmadinejad teve, de fato, um enorme apoio. Em vez disso, o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, autorizou essa fraude esmagadora e até saudou-a como um "julgamento divino".

Como resultado desse supremo julgamento político equivocado do líder supremo , os protagonistas da mudança agora têm duas grandes vantagens: primeiro, existe apelo simples e claro que atrai o apoio de milhões de iranianos comuns que podem não concordar com muitas outras coisas. "Meu voto foi tratado com desprezo. Ele tem que ser respeitado." Em segundo lugar, o próprio regime está profundamente dividido, um fato que tem sido crucial para o sucesso de outros movimentos do poder popular.

Para aqueles iranianos que querem uma mudança de peso, o desafio agora é manter a pressão popular pacífica, que deve continuar estrategicamente concentrada na exigência de Mousavi de uma nova eleição. Chegaremos a um momento crucial se o Conselho dos Guardiães, que está reexaminando o "julgamento divino" a ponto de aprovar uma recontagem parcial, decidir na próxima uma ou duas semanas que Ahmadinejad venceu, embora por uma margem menor de divina falsificação. E depois? Haverá energia suficiente, em algum ponto entre uma juventude conectada, mobilizada, o campo de Mousavi e facções descontentes dentro do regime, para sustentar a demanda de uma nova eleição? Ou tudo isso vai evaporar, vencido por uma combinação de repressão, censura, exaustão e desacordo?

Somente o povo iraniano pode responder a isso. Somente ele tem o direito de dar a resposta. Porque se os governos ocidentais apoiarem explicitamente Mousavi e os manifestantes, como George W. Bush teria feito, e John McCain vem insistindo, isso só dará ao regime um cassetete com que espancar os democratas iranianos. Afinal de contas, o Irã é um Estado que por décadas coloca a culpa de todos os seus males nas maquinações dos grandes (americanos) e pequenos (britânicos) satãs. Em compensação, acompanhar a China e a Rússia e reconhecer a vitória fraudulenta de Ahmadinejad, colocando equivocadamente em primeiro lugar um interesse de curto prazo, que é prosseguir com as negociações na área nuclear, e depois o interesse de longo prazo, que é a democratização do país, será um tapa no rosto dos iranianos privados do direito de voto.

Do mesmo modo, como é gratificante constatar que nos últimos cinco meses, até agora, Barack Obama conseguiu chegar ao equilíbrio certo.

No entanto, existe algo que os governos democráticos podem e devem fazer, sem precisar dizer alguma coisa que tenha relação direta com as autoridades iranianas. É manter e fortalecer a infraestrutura de informação global do século 21, que vai permitir que os iranianos. seja qual for o candidato que apoiarem, continuem em contato e descubram o que está de fato ocorrendo no seu próprio país. No início dessa semana, passei algum tempo no estúdio londrino do Serviço de TV Persa da BBC observando o pessoal carregando e retransmitindo gravações em vídeo, postagens em blogs e mensagens geradas pelos iranianos de dentro do Irã. Provavelmente a coisa mais importante que o Departamento de Estado americano fez para o Irã recentemente foi contatar o Twitter durante o fim de semana e insistir para que adiasse uma planejada atualização do serviço que poderia prejudicar a comunicação entre os iranianos durante algumas horas cruciais das manifestações de protesto.

Bem-vinda a nova política do século 21.
Timothy Garton Ash
Professor de estudos europeus da Universidade Oxford, senior fellow da Hoover Institution, da Universidade de Stanford, e autor de Free World (Penguin UK), seu último livro

22 Junho 2009

Bom senso


O bom senso é a coisa mais bem distribuida do mundo: porque, cada um pensa estar tão bem provido do mesmo que até os mais difíceis de contentar com outros bens quaisquer, não têm costume de desejar mais senso do que aquele que já possuem.

Descartes

Picture by Paul Cézanne

Sonhos


Freud dizia que os sonhos eram gerados por desejos e medos ocultos; e que os conteúdos eram bizarros devido à censura desses desejos e medos. Duas asneiras.
Allan Hobson - psiquiatra

Hora de o RH vestir a camisa... Dos clientes


Independente da profundidade e da origem global ou local, as crises sempre acabam sendo as “grandes culpadas” pelas demissões nas empresas.

Em meio aos diversos períodos turbulentos das últimas décadas, a área de recursos humanos parece ter o papel único –e estanque - de agente operacionalizador dessas dispensas.

Ou seja, ao RH cabe a parte desagradável no relacionamento entre corporações e profissionais, a obediência ao famigerado “cumpra-se” estampado no final das cartas circulares da casa matriz ou do alto-escalão exigindo um corte linear.

Nessas horas difíceis, os gestores diretamente responsáveis pela contratação e administração da carreira do profissional a ser “guilhotinado” desaparecem, o que revela uma total falta de preparo para lidar com as questões humanas no meio profissional, seja por conta de uma formação acadêmica inadequada para o papel a ser exercido ou por falta de uma atualização contínua, que os profissionais de todas as áreas deveriam receber nas empresas ao longo de toda a carreira.

Costumo ler e ouvir muitas teorias perfeitamente tangíveis sobre a importância estratégica dos recursos humanos, que reluto em acreditar que a maioria dos RHs ainda aceite a posição de “antena repetidora”. Longe de termos as organizações adeptas do conceito de knowledge learning and teaching company (uma empresa que aprende e ensina conhecimentos), o humano das organizações continua despreparado para atuar de forma ajustada e alinhada com as respectivas oscilações e mudanças dos mercados. O mundo corporativo passa a impressão de desalinho entre o modelo de negócios e a estratégia associada com a parte dos processos, responsável pelo envolvimento direto das pessoas dentro das organizações.

Muito mais que um viés psicológico, os RHs precisam injetar uma forte dosagem de conhecimentos de pedagogia no desenvolvimento da organização. Quem tem sob sua responsabilidade a condução de pessoas dentro das empresas precisa ter conhecimentos de uma pedagogia corporativa que permita disseminar e desenvolver os conhecimentos e competências requeridas pelos processos de negócios. Isso vale com crise ou sem crise.

Sempre, e mais que nunca, é tempo de investir no capital humano. O momento é de procurar dar os primeiros passos rumo a novos caminhos. Para tanto, é necessário que a companhia esteja preparada para evoluir mesmo em períodos incertos. Contar com pessoas melhor preparadas e ferramentas que permitam enfrentar o futuro é uma questão de sobrevivência. É necessário um compromisso com a inovação da cooperação aberta e, conseqüentemente, com um estilo aberto de liderança.

Mas, afinal, qual é o papel relevante do RH seja com crises ou sem crises? Certamente não é apenas o de contratador ou dispensador de pessoas. Em função da cultura, cada organização procura achar um papel ideal que ajude a questão da gestão do capital humano. Não existe uma receita infalível, mas fica aqui uma questão: quando o RH estará pronto para mudar o discurso de “precisamos vestir a camisa de nossa empresa” para algo mais adequado aos tempos atuais, algo como “precisamos vestir a camisa de nossos clientes”.

Colocando-se no campo de visão de negócios do cliente, conseguimos surpreendê-lo com soluções inovadoras que ele precisa, mas não consegue de alguma forma comunicar. O mundo mudou, a concorrência se acirrou e o grande desafio de todas as empresas é de provocar mudanças e fazer melhor que seus concorrentes. O cliente tem o poder decretar o sucesso ou o fracasso de seu negócio. Nessa missão, as áreas da empresa devem atuar em harmonia e todos os colaboradores, sem exceção, devem dedicar-se ao processo de inovação contínua com um objetivo único: a satisfação do cliente. Quem sabe seja esta a verdadeira vocação do RH. O que você acha?
Dieter Kelber
Picture by Antov Antonov

21 Junho 2009

Maria Callas






"Se você ama a música a ponto de servi-la humildemente, o sucesso acontecerá automaticamente”
Maria Callas

Uma voz cortante, poderosa, capaz de levar o ouvinte a abismos de paixão ou de dor lancinante. Maria Callas é a emoção superlativa. Uma diva única, quase força da natureza. Quem viu seus olhos expressivos, a visceral interpretação de suas violetas, rosinas, turandots, lucias e normas jamais voltará a se conformar somente com uma bela voz de soprano. A indomável Callas, geniosa, intempestiva, era regida pelos sentimentos. Em sua pele, nenhum personagem de ópera era ficcional. O sangue fervia, a dramaticidade explodia, puro êxtase. Butterfly era um lamento nunca ouvido, Magdalena a voz da emoção, e Violeta morria de olhos abertos, encarando uma platéia atônita e chocada.

Ela encantou Pasolini, Zeffirelli e Visconti, emudeceu poderosos e seduziu milhões. Era a Grande Callas, La Divina Callas, sobrenome que nem era seu e que criou fazendo um anagrama com o nome do maior templo da ópera: o teatro Scala, de Milão. Paradoxalmente, essa mulher que fazia de seu canto a expressão máxima de todos os sentimentos humanos, foi desprezada pelo único homem que amou. A crueldade do armador grego Aristóteles Onassis pode ser medida por uma frase proferida quando a voz de Maria já declinava, em que comparava sua poderosa voz a “um apito que você traz na garganta”.

Boa parte da atração que Maria Callas exerce sobre o grande público tem raízes fincadas exatamente em sua biografia, permeada por espetaculares feitos e por escândalos alimentados pela mídia. Veja-se o caso do milionário Onassis. No auge da fama, Maria sofreu tremendo assédio por parte do armador grego, que era casado com Tina. Presentes luxuosos e toda sorte de mimos foram usados por Onassis para convencê-la. Ela capitulou e mergulhou em uma relação atormentada, onde foi submetida a humilhações, como o desprezo de Christina, a filha de Onassis, ou o momento em que teve de depor em um tribunal americano sobre sua participação na separação do casal Onassis. Seu divórcio de Giovanni Battista Meneghini foi explorado à exaustão pelos jornais, suas explosões de fúria ficaram registradas pelos fotógrafos, sua intimidade foi devassada.

O mundo acompanhou a grã sacerdotisa do canto quando ela descobriu amor e sexo aos 36 anos e então desejou deixar de ser deusa e assumir uma vida mais pacata e caseira: “Só desejo um marido, filhos e um cachorro”, declarou.

Aristo - a forma carinhosa com que Maria tratava Onassis na intimidade – coroou sua passagem pela vida de Callas trocando-a por Jacqueline Kennedy quando esta enviuvou do presidente americano. Repetiu com Jacqueline o assédio que havia feito a Maria. O trauma emocional de Callas foi proporcional ao impacto causado pelo novo casal Onassis

Outra façanha de Maria refere-se à silhueta. Da soprano gordinha, em poucos meses ela se transformou em uma sílfide e abriu um debate acalorado sobre o impacto do emagrecimento sobre sua voz. Esse episódio é apontado como uma das maiores provas de sua quase legendária persistência, uma força de vontade assombrosa que a atraía como ímã para todos os desafios, tanto na carreira artística como na vida íntima.

Mas, além da curiosidade que despertava e dos escândalos que protagonizava, Maria era uma artista fulgurante. Nada em sua biografia se compara ao poder encantatório de sua voz. A gravação da sua mais famosa apresentação da Norma, de Vincenzo Bellini (1801-1835), com a orquestra do Scala, regida pelo maestro Tullio Serafin, é um ícone da história da ópera pela emoção e dramaticidade que emergem da voz de Maria. Norma foi o papel que Callas mais representou: 92 vezes. A ópera toda – mas principalmente a ária Casta Diva – consolidaram sua reputação e sua fama. Curiosamente, a seu amor pelo canto deve-se o resgate de Norma, que habitava um certo limbo, bem como algumas óperas de Rossini, a quem emprestou um sopro de graça e leveza.

Inspirada pela condução segura de Serafin, Maria fez mais: subverteu as regras até então aceitas no canto lírico e ousou desconstruir a exagerada especialização que se instalara. Os sopranos, em sua época, estavam subdivididos em dramático, mezzo, coloratura, ligeiro e spinto. Ninguém ousava romper a barreira. Maria fez isso, e logo na estréia em Verona, em 1947, aos 24 anos. Contrariando tudo o que até se acreditava, cantou na mesma semana Tristão e Isolda, de Richard Wagner, Turandot, de Giaccomo Puccini, e voltou a Wagner no papel de Brunnhilde. Um verdadeiro feito o de cantar – e simultaneamente - o repertório de vários tipos de soprano.

Décadas depois, em uma das famosas master classes que Callas deu na Juilliard School of Music em Nova York, em 1971-72, ela sentenciou: "Hoje só se fala em baixo profundo, baixo cantante, barítono-baixo ou soprano ligeiro, soprano spinto, soprano disso, soprano daquilo. A cantora é soprano, e basta! Um instrumentista faz os baixos e agudos. Do mesmo modo, um cantor deve cantar em todas as tessituras".

Sua interpretação da Tosca, de Giacomo Puccini (1858-1924), também entrou para a história do bel-canto, principalmente na apresentação que fez no Scala sob a regência de Victor de Sabata. Floria Tosca foi representada 39 vezes por Callas, mas nada se compara com a majestosa apresentação de 1953, em que Maria contracena com dois outros cantores respeitáveis: o tenor Di Stefano e o baixo Tito Gobbi.

Curiosamente, a Tosca ocupou especial lugar em sua vida. Maria - nascida em Manhattan, filha de gregos - estreou na Ópera Nacional de Atenas em 1942 exatamente com a Tosca. E foi com ela que encerrou sua carreira em 1965, em Londres.

Maria morreu sozinha, em seu apartamento de Paris, em 16 de setembro de 1977, vítima de um infarto. Enquanto o enterro percorria a rua Georges Bizet, centenas de parisienses que choravam saudaram a passagem do esquife com a saudação que emocionava Maria na saída dos teatros: “Brava Callas!, Brava Maria!”. Na primavera de 1979, suas cinzas foram lançadas no Mar Egeu.
Fonte: www.artelivre.net

Aristóteles Sokratis Onassis


Aristóteles Sokratis Onassis foi o mais poderoso empresário do setor de marinha mercante na Grécia. Além disso, sua vida particular o tornou uma das pessoas mais famosas do mundo. E tudo começou do nada.

Ele nasceu na cidade turca de Esmirna, que, em 1906, tinha uma grande colônia grega. Em 1922, após uma tentativa frustrada de invadir Istambul, o governo grego perdeu o controle que estabelecera em Esmirna em 1919 e aceitou uma troca de civis. Cerca de 400 mil turcos que habitavam na Grécia voltaram para sua terra de origem, enquanto que um milhão de helenos chegaram à Grécia como refugiados. A família de Onassis estava nesse grupo.

Em 1927, com apenas US$ 250 partiu em direção à Argentina, onde tentaria uma nova vida. Em Buenos Aires, falsificou sua identidade para “envelhecer” seis anos e ter condições legais de trabalhar. Tornou-se telefonista e, nas horas vagas, estudava por conta própria o mercado financeiro. Com os poucos lucros obtidos pela especulação, pôde comprar roupas sofisticadas e passou a freqüentar a alta sociedade portenha.

Aos poucos, os ganhos de Onassis se tornaram mais significativos e, com a ajuda de seu pai que permanecera na Grécia, se aventurou na importação de tabaco turco. Seu contato com a terra natal aumentou e ele decidiu voltar, mas manteve-se na exportação de tabaco. Para ampliar sua capacidade de transporte de tabaco, comprou dois navios no Canadá.

Após um problema burocrático no porto de Roterdã, Onassis trocou a bandeira de seus barcos, agora com registro do Panamá. Com isso, trâmites como número de tripulantes, impostos e tipo de carga passaram a ser resolvidos com mais rapidez, barateando seus processos. Criativo, conseguia empréstimos bancários com constância, aumentando o tamanho de sua frota.

Em 1946, se casou com Athina Livranos, filha de outro empresário grego do setor de marinha mercante. Mudou-se para os Estados Unidos, onde ganhou espaço no mercado de petroleiros e baleeiros. Em 1956, vendeu sua frota baleeira para o japoneses e, com o lucro, fundou a companhia aérea Olympic Airways. Após diversas negociações com o governo grego, a empresa obteve privilégios para se tornar a linha aérea nacional da Grécia, mesmo sendo de propriedade privada.

Em 1959, Onassis iniciou um longo romance com a soprano grega Maria Callas. No ano seguinte, se divorcia de Athina. A artista chegou a encerrar sua carreira temporariamente para acompanhar o empresário.
Até que o grego anunciou seu casamento com Jacqueline Kennedy, viúva do ex-presidente norte-americano John Kennedy, em 1968. Em depressão, Callas praticamente encerrou sua carreira naquele momento.

A Olympic sobrevivia com dificuldades, mas a família Onassis quis mantê-la. Com a morte de seu filho Alexander em um acidente aéreo em 1974, Aristóteles ficou extremamente abalado e decidiu vender a Olympic para o governo grego.


Os negócios com os petroleiros estavam bem, mas a saúde do milionário, não. Em 1975, Onassis morreu devido a complicações após uma cirurgia. Sua fortuna ficou com Christina, sua única filha. Ela se suicidou em Buenos Aires em 1988 e sua única filha, Athina Onassis Roussel, de apenas 18 anos, herdou a fortuna calculada em US$ 3 bilhões. Athina é casada com cavaleiro brasileiro Álvaro Afonso de Miranda Neto, o Doda.

20 Junho 2009

Direto ao coração


Existe um caminho do olho para o coração que não passa pelo intelecto
Chesterton
Picture by Giuseppe Santomaso

Um sonhador, mas não o único


Morrer, dormir... dormir?
Talvez sonhar.
William Shakespeare

Neurolinguístíca


Quando ele me disse
ô linda,
pareces uma rainha,
fui ao cúmice do ápice
mas segurei meu desmaio.

Aos sessenta anos de idade,
vinte de casta viuvez,
quero estar bem acordada,
caso ele fale outra vez.
Adélia Prado

Uma abordagem equivocada da prostituição


Desde o início do século XX a prostituição tem sido abordada no Brasil como um problema de saúde pública.

De acordo com a psicóloga Luciene Jimenez, a situação é histórica. “A epidemia de sífilis foi o principal motivo para a criação de políticas de saúde para essa população.

As ações estavam pautadas sobre o agente de transmissão da doença e não consideravam as pessoas envolvidas” aponta. Ela ainda ressalta que nos dias atuais, em relação à AIDS e prostituição acontece o mesmo viés regulamentarista dos tempos da sífilis. Na opinião da pesquisadora, falta espaço para a cidadania.

Luciene é psicóloga do Centro de Referência de DST/HIV da cidade de Diadema, na Grande São Paulo, e desenvolveu um estudo baseado na experiência de quatro anos de trabalho em campo e entrevistas com prostitutas e travestis da cidade. “As políticas de saúde vigentes contêm a epidemia e têm apresentado alguns resultados para barrar a transmissão do vírus, porém não de propiciar espaços para o exercício de cidadania e inclusão social destas pessoas.”

De acordo com a psicóloga, até maio de 2008, quando foi encerrada a pesquisa, a política de saúde colocada pelo Programa Nacional para profissionais do sexo estava centrada na prevenção de DST/HIV, compreendida como uma proposta de contenção da transmissão do vírus por meio da distribuição de insumos (camisinhas, gel lubrificante, folders, etc.) e do melhor acesso aos serviços de saúde. “Para ser uma política voltada para a questão da cidadania precisa de fluxos e parcerias que estão fora da saúde como educação, cultura, habitação, etc”, reflete Luciene.

Os travestis são os que mais sofrem, pois são os mais excluídos do acesso a bens, serviços e programas sociais. “A garota de programa, por transitar entre mulher e prostituta até consegue driblar o estigma e, esporadicamente, ter acesso à educação e outros serviços. Mas os travestis não têm como entrar na escola sem mostrar o que realmente são. E não frequentarão a escola se não tiverem um mínimo de aceitação, uma frestinha de porta aberta.”, explica.

A legislação brasileira é muito ambígua com relação à prostituição. Ao mesmo tempo em que ela permite a prática, restringe-a só às mulheres e sem nenhum tipo de agenciamento ou organização. “Se duas ou três prostitutas alugarem um apartamento para fins de prostituição, isso é crime. Tudo o que uma mulher pode, se quiser se prostituir é ficar na rua, a céu aberto, sem nenhum tipo de proteção. Elas não podem nem ao menos se organizar em forma de cooperativas”. Além disso, a legislação não prevê a prostituição de homens. “Se um homem está na rua andando de um lado para o outro, com fins de prostituição ou não, ele pode ser punido no delito vadiagem”.

“A prostituição é um problema social e legal complexo e como tal precisa ser considerado e compreendido desde o ponto de vista dos modos de organização da sociedade”, diz Luciene. E que deve ter uma abordagem ampla que considere toda a extensão do tecido social. Afinal, há um ponto importante de convergência entre travestis e prostitutas: “Diversos estudos, apontam que os clientes que procuram os travestis são os mesmos que procuram as prostitutas. Em geral são homens maduros, pais de família que se consideram socialmente heterossexuais e, não raramente, buscam negociar o sexo sem preservativo”.

Agência USP de Notícia
Picture by Henri Matisse

19 Junho 2009

É preciso não esquecer nada


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos severos conosco,
pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles

Não há explicação


Quem começa a entender o amor, a explicá-lo, a qualificá-lo e quantificá-lo, já não está amando.
Roberto Freire

Depois de escrever


Depois de escrever, leio...
Porque escrevi isto? Onde fui buscar isto? de onde veio isto?
Isto é melhor que eu...
Seremos nós, neste mundo, apenas canetas com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?
Fernando Pessoa

Amar


Amar é a coisa mais fácil, é a solução do mundo, pois o amor é que resolve todas as diferenças. Quando realmente amo alguém, mais respeito que ela ame outras pessoas. A confiabilidade é que é o estado de amor. Amar é dar folga para o outro, liberdade de escolher.

Quando amo alguém, devo e tenho que dizer uma verdade, considero sempre o local, a forma, a hora. Quem ama não quer ferir ao outro, a verdade é usada para resolver e não para humilhar ou cobrar.

Minha ação pode ter ressonância negativa, caso não leve em conta o sentimento que minhas palavras vão causar no outro.

Relacionar com pessoas não amorosas é um perigo, você sempre estará sofrendo ou magoando com as atitudes e palavras ditas por pessoas desamorosas, estará sempre se desmotivando e usurpando sua liberdade. A sua escolha, leitora, é fundamental para sua felicidade e sua sanidade. O amor vai além de você, ele é dirigido pela percepção que tenho do que vou causar e provocar no outro, os cuidados são fundamentais e, quando a pessoa é amorosa, age com muita naturalidade neste cuidado.

A verdade não justifica a violência, e a violência impera nas pessoas que querem ter poder. Quando o poder entra no lugar do amor, a relação seja de que nível for vai fatalmente separar estas pessoas, que irão em busca da liberdade. Outro fator que destrói a relação é a crítica, adjetivar a pessoa, como por exemplo, dizendo que ela tem dificuldade de entender, de aprender, ou que é incompetente. Inferiorizar alguém, fazê-lo se sentir dispensável, além de ser violência, mostra que quem está ofendendo provavelmente é o que está com ciúme ou inveja, e a chance deste limite ser dele mesmo é quase total.

A relação que não preserva a liberdade em geral acaba em sofrimento e abandono. Quem quer poder para se sentir confortável, escraviza quem está ao seu lado e depois não entende por que as pessoas as abandonam. Pessoas que se sentem superiores, que necessitam mandar, controlar, se tornam caprichosas, antipatizadas e provavelmente quem está ao seu lado é por medo e não por respeito e amor. Um dia elas se tornarão solitárias, pois ninguém consegue ficar nesta prisão para satisfazer o ego frágil deste tirano que só pensa em satisfazer a si mesmo.
Antonio Roberto

18 Junho 2009

Manhã de Carnaval

Ser bi está na moda


As artistas dizem que são bissexuais. As meninas ficam com outras meninas. Alguma coisa está mudando ou é tudo marketing e imitação?

Elas são bonitas, femininas, vaidosas. E gostam umas das outras. Ao menos é o que dizem – e dizem cada vez mais. Em três semanas consecutivas de maio, três estrelas americanas famosas revelaram que sentem atração pelo mesmo sexo. Megan Fox, símbolo sexual da nova geração, afirmou que prefere as mulheres por serem mais “limpinhas”.
O furacão Fergie, do Black Eyed Peas, disse que gostou de experimentar moças. A performática Lady Gaga confirmou sua bissexualidade – e aproveitou para lançar um clipe da nova música beijando outra mulher. Em abril, fora a vez de Kelly McGillis, musa dos anos 80.

A jovem atriz americana Lindsay Lohan, ídolo teen do cinema, não tem escondido sua dor de cotovelo depois que a namorada, uma DJ, a abandonou. Isso sem falar na megaestrela Angelina Jolie, que, antes de se tornar mãe de família, alardeava sua bissexualidade (Brad Pitt acreditou, mas na cama do casal, em vez de outras mulheres, há cada vez mais crianças).
No Brasil, Preta Gil não cansa de se rotular como “total flex”. Afinal, trata-se da liberação de um desejo feminino ou de estratégia de marketing?

Lindsay Lohan

Para os especialistas, as duas respostas estão corretas. O erotismo que envolve duas mulheres é infalível em termos de mídia – graças à curiosidade geral sobre a homossexualidade e ao fato de ser a fantasia número um dos homens. Mas a natureza feminina, mais flexível e com menos defesas em relação à afetividade, acaba proporcionando uma liberdade maior no campo sexual – sem que necessariamente haja rotulações. “Viver uma ou outra experiência com alguém do mesmo sexo é diferente de ser bissexual”, afirma Carmita Abdo, psiquiatra e coordenadora do Projeto Sexualidade da Universidade de São Paulo (USP). “Nem todas as pessoas crescem com uma definição tão absoluta quanto à orientação sexual. Muitas vezes é preciso amadurecer para chegar a uma identidade. E hoje existe uma maior permissividade para a experimentação.”

Lançado no ano passado, o livro Look both ways (Olhe para os dois lados), das terapeutas americanas Elizabeth Oxley e Claire Lucius, vai na mesma direção. Para as autoras, homens e mulheres têm a mesma curiosidade sobre o mesmo sexo. Mas as mulheres, que não têm barreiras em beijar e abraçar confortavelmente suas amigas, migram mais facilmente para o teste sexual. Até aí, tudo bem. Mas é mesmo necessário contar tudo na primeira entrevista?

“É marketing total”, diz a webdesigner paulista Del Torres, idealizadora do Leskut – um site de relacionamentos só entre meninas que, em nove meses, já tem 14 mil participantes. Lésbica assumida, 29 anos, ela diz que, quando existe o desejo verdadeiro, o comportamento é discreto. “As celebridades estão cansadas de saber que esse tipo de declaração chama a atenção, além de torná-las modernas e mais interessantes.” Del lembra a história da dupla de rock russa t.A.t.U. Em 2004, as duas meninas já haviam vendido mais de 2 milhões de CDs, alardeando a ideia de que eram namoradas. No clipe mais famoso, da música “All the things she said” (“Todas as coisas que ela disse”), mostravam o sofrimento por um amor proibido. Usando uniforme de estudantes. Na chuva. “Quando a dupla se desfez, uma delas engravidou do namorado secreto, com quem está casada até hoje”, diz Del. Agora querem voltar a gravar juntas e já avisaram, em entrevista recente: “Quando bebemos, ainda ficamos”.

Não há dúvida de que mulher com mulher dá audiência. Há quem diga que tudo começou com o beijo cinematográfico que Madonna deu em Britney Spears no Video Music Awards, em 2003. Não foi um selinho. Justin Timberlake, ex de Britney e a caminho, na época, de tornar-se parceiro musical de Madonna, não conseguiu disfarçar o choque, registrado pelas câmeras. Hoje, apenas cinco anos depois, talvez já achasse normal.

Há uma epidemia de beijos femininos na mídia, das brasileiras do axé Daniela Mercury e Alinne Rosa, na gravação de um DVD no ano passado, às francesas Sophie Marceau e Monica Bellucci, nuas e abraçadas na revista Paris Match deste mês. No último Big brother, a sensação foi o selinho debaixo d’água de Priscila e Milena, que bateu recordes nos sites de notícias.
O recém-formado grupo nacional Sexy Dolls anunciou, em seu primeiro clipe, um “beijo triplo”. O vídeo ficou quase uma semana entre os mais vistos do portal Globo.com. Até Woody Allen não resistiu e colocou no filme Vicky Cristina Barcelona uma cena em que Scarlett Johansson beija Penélope Cruz – acontecimento que foi badalado insistentemente anos antes de o filme entrar em cartaz.

Qual é o reflexo de tantas cenas públicas e declarações de bissexualidade na cabeça das adolescentes, mulheres em formação? A psicoterapeuta e sexóloga Mara Pusch, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acredita que o fenômeno da bissexualidade feminina na mídia libera as meninas para o desejo de experimentação inerente aos seres humanos. “Quando uma menina diz que é bissexual, ela talvez nem saiba direito do que está falando. Está apenas querendo descobrir do que gosta, o que quer. Se uma pessoa famosa diz que faz o mesmo, ela se sente mais livre”, afirma. “Nesse treino de sexualidade, as meninas costumam não entender direito o que sentem pela melhor amiga, se é admiração ou atração. E ficam mais confortáveis de colocar à prova.”

E onde entram os meninos nisso? Para a psiquiatra Carmita Abdo, muitas vezes eles é que estão no centro de tudo. “São jogos sexuais. Elas sabem que, hoje, beijar a amiga na boca é uma forma de atrair os meninos”, afirma. Del Torres, do Leskut, diz que “virou modinha” as garotas viverem agarradas, sentarem uma no colo da outra ou se beijarem no meio da turma – mesmo que não se digam claramente bissexuais. “Elas acham cool, gostam de chocar e também de atrair os garotos. Mas a verdade é que não se definiram ainda”, diz.

A estudante de marketing paulistana Lygia, de 19 anos, conta que seu primeiro beijo foi aos 9. Na melhor amiga. “Nós estávamos brincando, eu fui chegando perto e a beijei”, diz. Um pouco mais velha, passou a ficar com meninos, mas só porque as amigas faziam o mesmo. No ano passado seguiu seu desejo e ficou de novo com uma menina. “Agora sou lésbica. Acho bom que hoje o preconceito seja menor”, diz.

Ela já contou aos pais e a alguns amigos sobre suas experiências. Outra estudante, Aline, de 16 anos, ficou com uma menina aos 13. Tudo começou quando a amiga contou que gostava de meninas. Alguma coisa a acendeu: “Ainda é cedo para me definir. Hoje eu digo que sou bi. Mas no futuro posso mudar”.

Se a homossexualidade – ou bissexualidade – feminina está mais palatável, é porque vem embrulhada num pacote delicado e feminino. Quando o armário se abre, saem dele mulheres magras, sexy, de batom. É o fenômeno chamado light lesbian chic ou lipstick lesbian, cujo símbolo televisivo é o seriado americano The L word, que já entra na quinta temporada. Nele, um grupo de lésbicas lindas vive histórias de amor repletas de cenas tórridas. Professora de literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autora de livros sobre homossexualidade como As heroínas saem do armário, Lúcia Facco critica a força do modelo da “lésbica de batom” como o único aceito (e até festejado) na sociedade.

“De repente, mulher gostar de mulher entrou na moda. Mas desde que elas tenham características consideradas femininas, que atraiam os olhares masculinos e não choquem”, afirma. Para ela, o imaginário social poderia ser mais bem trabalhado para compreender e aceitar bissexuais e lésbicas de uma maneira geral – bem como todo o universo homossexual. Essa é uma possibilidade. A outra é lembrar às garotas, em casa, que nem tudo o que seus ídolos fazem ou dizem que fazem precisa ser imitado. E que tampouco precisam se deixar levar pelos garotos a fingir que são o que não são.
Martha Mendonça e Fernanda Colavitti