21/11/2014

Releitura de Autorretrato com Macaco – Frida Kahlo

frida-Kahlo
Aceitei fazer esse trabalho de patchwork instigada por um convite e uma provocação. O convite era criar alguma coisa com referência a Frida e a provocação: por que não? Aceita a aposta me ponho a trabalho em torno de Frida e vou procurando, escolhendo, juntando objetos para iniciar o trabalho, resíduos materiais: pedaços de tecidos, de algodão, de seda, linhas, botões, cordões, transitando entre o possível, com as técnicas de patchwork e habilidades manuais e o contingente, o material que escolho e do qual me aproprio ao acaso. Objetos comuns como um pedaço de malha preta e de cetim verde torna-se outra coisa, estranha ao seu uso, torna-se uma trança. Também entre o possível e o contingente é o trabalho da psicanálise, com o impossível sempre a rondar, como a acossar também o trabalho de criação.
Cria-se com a técnica a serviço do inconsciente, ou do desejo que é seu outro nome. O ato de criação é uma ruptura com a inércia, com o estabelecido e faz surgir algo de novo. E o artesão trabalha concentrado e ao mesmo tempo esvaziado de pensamento e atento às possibilidades de conjugar os objetos quase que com uma atenção flutuante que é própria do trabalho analítico.
Quanto ao panô sobre Frida há de princípio uma escolha de com qual obra trabalhar. Nos quadros de Frida muitos dos traumas pelos quais passou estão à mostra. Antes dela a arte do ocidente jamais havia usado imagens de nascimento ou aborto, órgãos internos à vista como comenta Sarah Lowe no Diário de Frida kahlo.
O papel de paciente era familiar a Frida, atingida por vários problemas de saúde, a começar por uma poliomielite aos 7 anos de idade, um grave acidente aos 18, tendo sofrido várias intervenções cirúrgicas ao longo de sua vida e ficando por vários períodos imobilizada em uma cama.
Seus autorretratos – ela pintou cerca de 55, um terço de sua produção – são pinturas provocativas e agressivamente audaciosas. Carlos Fuentes escreve na introdução do diário de Frida que o corpo é o templo da alma e o rosto é o templo do corpo. E quando o corpo decai, como ocorreu com ela, a alma não tem outro santuário a não ser o rosto.
Minha atenção se volta para os autorretratos e a presença constante de animais. Escolho “Autorretrato com macaco”, um quadro de 1938. Foi, por sinal em 38, a decisiva mudança de Frida de artista amadora para pintora profissional quando vendeu seu primeiro quadro para um astro de cinema e expôs 25 obras na galeria Julien Levy, em Nova York.
No autorretrato escolhido, há luminosidade e em minha apropriação dele coloco opacidade. Há um ponto em torno do qual o trabalho começa: o rosto. O rosto humano é um ponto de atração do olhar por excelência. E no rosto de Frida ressalta a sobrancelha. É como sua marca registrada, a sobrancelha e depois o jeito de colocar o cabelo, as tranças realçadas. E nesse quadro há a presença do macaco que funciona como um ponto de humor, um ponto de fuga, um umbigo do quadro.
Marcel Duchamp, artista que revolucionou a arte na segunda metade do século 20 com o que viria a se chamar ready-made, proferiu uma conferência em 1957 (The criative art) onde apresentou que o ato do artista não é executado sozinho. Fazendo um parêntese, Duchamp foi o autor da famosa obra que tem fixada uma roda de bicicleta sobre um banco de cozinha e ele disse a propósito disso que qualquer objeto pode tornar-se uma obra de arte, basta um gesto do artista. Um objeto cotidiano torna-se de repente, por um simples gesto, algo estranho, um familiar-estranho.
Voltando à sua conferência, Duchamp disse que é necessário a presença do outro que se coloca diante da obra, o olhador, o contemplador que decifra e interpreta as qualidades intrínsecas da obra e dessa forma acrescenta sua contribuição ao ato criador. Duchamp disse ainda que o próprio ato criador é esburacado; há uma falha, uma inabilidade necessária ao artista em expressar sua intenção. E nesse descompasso entre o que se queria realizar e o que se produziu reside a “condição artística” contida na obra.
Abordando o trabalho analítico, Lacan disse que o analista, é por não pensar que ele opera, mas ele sabe que o faz, ele está advertido disso. Quanto a Frida, ela disse: “pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”. Uma fala que mostra o sujeito às voltas com o que lhe instiga e com um equívoco, é porque não sabe que seu inconsciente opera se expressando em sua arte.
Sua obra procura tecer uma continuidade de sua vida e produz uma descontinuidade que se reproduz naquele que a olha. A obra de Frida ressoa em mim como dada a sobressaltos. Em um instante parece que se abre uma fenda, e algo que não deveria estar ali surge e o fio que amarra simbólico, tempo e a própria vida se rompe e se mistura. Resisto e pronto, algo se recompõe e posso a partir disso explorar suas ressonâncias em meus próprios questionamentos e me por também a trabalho.
Helena Maria Galvão Albino

19/11/2014

Mulheres...

Eu entendo-me sempre melhor com uma mulher do que com um homem. 
A conversa é sempre mais solta, mais descontraída. 
Eu acho que a relação com as mulheres é mais direta.
José Saramago

Dieta mediterrânea é melhor ‘antídoto’ contra obesidade, dizem cientistas

Uma dieta mediterrânea é mais eficiente para combater a obesidade do que a simples contagem de calorias, afirmam cientistas.
Eles acrescentam que esse tipo de dieta reduz o risco de ataques cardíacos e derrames.
Além disso, na opinião desses especialistas, uma alimentação baseada em frutas, legumes, verduras e cereais seria mais eficiente para a perda de peso do que dietas com baixa ingestão de gordura.
A recomendação foi feita por meio de uma declaração conjunta publicada na revista científica PMJ (Postgraduate Medical Journal, na sigla em inglês) e assinada por nomes de peso como o presidente da Academy of Medical Royal Colleges do Reino Unido, Terence Stephenson, e Mahiben Mara, alto funcionário do NHS (National Health Service, o SUS britânico).
No abaixo-assinado, os especialistas criticaram a indústria da dieta por focar a perda de peso na restrição calórica em vez da "boa alimentação".

Melhor do que remédio
Segundo eles, pesquisas indicam que a dieta mediterrânea, incluindo frutas, legumes e verduras, cereais e azeite de oliva, reduz rapidamente o risco de ataques cardíacos e derrames e permitem uma perda de peso mais gradativa a longo prazo.
O autor do abaixo-assinado, o cardiologista Aseem Malhotra, afirma que as evidências científicas são "irrefutáveis".
"O mais importante é dizer às pessoas que elas devem se concentrar em comer melhor".
Inspirada pela cozinha tradicional de países como Grécia, Espanha e Itália, a dieta mediterrânea sempre esteve associada à boa saúde e a corações sadios.
Essa dieta consiste tipicamente em comer várias porções de legumes e verduras, frutas frescas, cereais integrais, azeite de oliva e sementes oleaginosas, além de frango, peixe, carne vermelha, manteiga e gordura animal.
"O impacto desse tipo de alimentação na saúde do paciente se dá de forma muito rápida. Sabemos que a tradicional dieta mediterrânea que é rica em gordura – por meio de testes controlados em grupos aleatórios – reduz o risco de ataque cardíaco e derrames pouco tempo depois de colocada em prática".
No artigo, os médicos também dizem que a dieta mediterrânea é três vezes mais eficiente para a redução da mortalidade em pacientes que já tenham sofrido ataques cardíacos do que medicamentos para baixar o colesterol.
Para David Haslam, diretor-presidente do Fórum de Obesidade Nacional do Reino Unido, a recomendação dos médicos é "bem vinda".
"Uma caloria não é só uma caloria. É ingênuo pensar que os complexos sistemas de apetite hormonal e neurológico do nosso corpo respondem a diferentes substâncias de igual maneira".
Adam Brimelow

Existencialismo

O termo foi criado por Jean-Paul Sartre para descrever suas próprias filosofias. Até 1950, o termo era aplicado a várias escolas divergentes de pensamento.

Apesar das variações filosóficas, religiosas e ideologias políticas, os conceitos do existencialismo são simples:
  • A espécie humana tem livre arbítrio;
  • A vida é uma série de escolhas, criando stress;
  • Poucas decisões não têm nenhuma conseqüência negativa;
  • Algumas coisas são absurdas ou irracionais, sem explicação;
  • Se você toma uma decisão, deve levá-la até o fim.
O existencialismo representa a vida como uma série de lutas entre o indivíduo e tudo. O indivíduo é forçado a tomar decisões; freqüentemente, qualquer escolha é uma escolha ruim. Nas obras de alguns pensadores, parece que a liberdade e a escolha pessoal são as sementes da miséria. A maldição do livre arbítrio foi de particular interesse dos existencialistas teológicos e cristãos. Dando o livre arbítrio, o criador estava punindo a espécie humana na pior maneira possível.

As regras sociais são o resultado da tentativa dos homens de limitar suas próprias escolhas. Ou seja, quanto mais estruturada a sociedade, mais funcional ela deveria ser. A adoção dessa teoria antropológica pode explicar porque os existencialistas tendem a ser favoráveis ao autoritarismo ou a formas rígidas de governo, como o comunismo, socialismo e fascismo. Com apenas um partido político, um líder forte, uma única direção, é muito mais fácil alcançar a funcionalidade.

Os existencialistas explicariam porque algumas pessoas se sentem atraídas pelas carreiras militares baseando-se no desafio de tomar decisões.

Seguir ordens é fácil; requer pouco esforço emocional fazer o que lhe mandam. Se a ordem não é lógica, não é o soldado que deve questionar. Deste modo, as guerras podem ser explicadas, genocídios de massa podem ser entendidos. As pessoas estavam apenas fazendo o que lhe foi dito.

Como pode um filósofo que enfoca o indivíduo abraçar uma teoria social tão anti-indivíduo?

De fato, Sartre e Heidegger acreditavam que foram libertados de decisões básicas, sobre como obter comida, abrigo e segurança, para concentrar-se em decisões mais importantes.

Heidegger e Sartre, partidários de Hitler e da União Soviética, respectivamente, viram em governos autoritários a promessa da liberdade individual para exercer a arte, ciência, etc. Quando a utopia fosse alcançada e as pessoas estivessem fazendo o que melhor sabiam fazer, o indivíduo seria beneficiado, assim como a própria sociedade.

18/11/2014

Amanhecer

Deixei uma ave me amanhecer.
Manoel de Barros

O homem, ser relacional

O homem é um ser relacional. 

Nossa vida é impensável sem relacionamentos. Viver é relacionar-se e quanto mais competência temos no lidar com as pessoas, mais felizes somos. 

As relações suprem nossas necessidades de afeto, de inclusão, de amar e ser amado, de brincar e de partilhamento. Daí a importância da amizade no nosso equilíbrio emocional. 

Um dos sinais típicos da depressão é o afastamento dos amigos e a tendência ao isolamento e um dos sinais de felicidade é a abertura do mundo emocional através de passeios, festas e até viagens com os amigos. Mas para que a amizade cumpra com o papel equilibrador na nossa vida, alguns critérios são fundamentais: o amigo não tem necessariamente que sofrer com o sofrimento do outro. 

A compaixão, a solidariedade, a compreensão da dor do amigo são mais importantes que sofrer junto. Ao contrário, amigo é aquele que fica alegre com a alegria do outro, e isto é difícil já que vivemos numa sociedade altamente competitiva. Ficar triste com a tristeza de alguém é fácil. Difícil é vibrar com o sucesso do amigo. E as separações? Em tudo o que é vivo está implícito a possibilidade da morte. Em todo amor existe a possibilidade do abandono. Muitas amizades se desfazem e quando isto acontece é natural o pesar, a tristeza. Evitar o envolvimento com as pessoas por causa disso é o mesmo que não querer viver porque vamos morrer. Uma das condições para sermos felizes é a capacidade de viver intensamente cada relacionamento no momento presente. 

A vida é para ser vivida e não para ser conservada. Nossa ânsia de estabilidade e segurança nos faz ver o casamento, a amizade ou qualquer relacionamento muito mais como algo a ser mantido. Privilegiamos a posse e esquecemos do usufruir. Queremos a garantia do amanhã nas relações em detrimento do prazer que nos oferecem hoje. Resumindo, a instituição da amizade é sagrada na nossa vida, conquanto nos ajude no caminho do auto-conhecimento, no crescimento enquanto pessoa e nos faz felizes. O prazer de partilhar a alegria com os amigos cria base para uma vida celebrativa, lúdica e amorosa.
Antônio Roberto

A dívida começa na cabeça

A falta de planejamento financeiro ainda é um problema que afeta a maioria dos brasileiros. Para ter uma ideia, 63% das famílias tinham dívidas em julho deste ano.
Quatro em cada dez consumidores inadimplentes dizem que não vão pagar suas dívidas nos próximos três meses, de acordo com um levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito. Um dos principais motivos, segundo 36% dos entrevistados, é a dificuldade de mudar o padrão de consumo. Como explicar esse descontrole com o dinheiro? 
Conforme mostram pesquisas da chamada psicologia econômica e de sua área afim, as finanças comportamentais, existem armadilhas cognitivas que influenciam nosso comportamento quando se trata de dinheiro.
“São mecanismos mentais rápidos, automáticos e, muitas vezes, inconscientes, que nos levam a tomar decisões inadequadas”, diz Adriana Rodopoulos, economista com formação em psicologia econômica e sócia-fundadora da Oficina de Escolhas, de São Paulo. É o caso de nossa tendência a empurrar eternamente a decisão de trocar de plano de telefonia ou de TV a cabo mesmo sabendo que o atual nos dá prejuízo.
Para driblar as armadilhas mentais que minam seu orçamento, o primeiro passo é tomar consciência delas. Depois, você pode estudar a melhor estratégia para se forçar, por exemplo, a economizar em vez de apenas gastar.
“Colocar lembretes para você mesmo, incluindo alarmes que alertem o dia de guardar dinheiro, pode ser uma opção para começar a se organizar”, afirma a psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira, professora da Fipecafi e membro do Núcleo de Estudos Comportamentais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Romper com o ciclo dos mecanismos automáticos que nos levam a decisões erradas pode ser a chave para conquistar uma vida financeira mais feliz.
Fuja destas ciladas
Confira os comportamentos que podem prejudicar suas finanças e quais são os truques para combatê-los:
1 Inércia
O que é: tendência de manter as coisas como estão, às vezes de maneira inconsciente.
Como prejudica as finanças: seus efeitos são, em geral, de longo prazo. Trocar de plano de saúde ou pesquisar novas opções para o pacote de TV a cabo dá trabalho, e acabamos deixando para depois. Essas pequenas economias, quando negligenciadas, comprometem o orçamento.
Como lidar com o problema: questione-se sobre a necessidade de determinados produtos ou serviços que você contrata. Se o gasto não valer a pena, elimine a despesa. Outra recomendação é estabelecer um prazo para fazer pesquisas e cortar alguns serviços.
2 Comportamento de manada
O que é: tendência inconsciente de seguir o comportamento de um grupo ou da maioria.
Como prejudica as finanças: se um grupo de amigos vive com a corda no pescoço, a probabilidade de você também se enforcar nas dívidas é grande, porque tende a achar isso normal.
Como lidar com o problema: analise como você age financeiramente quando está em grupo e procure não reproduzir, sem questionamentos, o comportamento da maioria. Por exemplo, se você vai a um restaurante com amigos e todos propõem dividir a conta, questione se, no seu caso, optar pela comanda individual poderia ser vantajoso.
3 Busca de confirmação
O que é: tendência de buscar, a todo custo, aspectos e informações que confirmem aquilo em que queremos acreditar — até quando estamos errados.
Como prejudica as finanças: insistir em investimentos errados, em vez de reagir rápido, nos faz perder mais dinheiro. É o caso do investidor da bolsa que se apega a qualquer informação positiva para alimentar sua confiança num fundo de ações que está se desvalorizando.
Como lidar com o problema: faça contrapontos em suas análises. Antes de escolher um investimento, compare-o com outros e busque os pontos negativos de cada um.
4 Contas mentais
O que é: segundo o psicólogo israelense Daniel Kahneman, ganhador do Nobel de Economia de 2002, nosso cérebro compartimentaliza as informações financeiras sem enxergar o patrimônio como um todo. “Usamos diferentes contas: temos dinheiro para os gastos, a poupança, um fundo de reserva para os filhos ou emergências médicas”, diz o especialista.
Como prejudica as finanças: é comum que pessoas endividadas mantenham investimentos porque consideram o dinheiro aplicado como algo separado do patrimônio.
Como lidar com o problema: liste todos os seus bens, aplicações e dívidas. Use um caderno ou uma planilha para anotar as prestações que vão cair a cada mês.
5 Aversão à perda
O que é: dificuldade de assumir seus erros e aceitar perdas.
Como prejudica as finanças: suponha que você tenha comprado um carro de 30 000 reais em 48 parcelas e, na metade do financiamento, não consiga mais pagá-lo. A situação racional é repassar o financiamento para outra pessoa. Mas o que acontece, na prática, é que nos apegamos ao que já foi pago, e a dívida só cresce simplesmente porque não conseguimos aceitar a perda do automóvel.
Como lidar com o problema: A regra básica é analisar os riscos embutidos na operação com antecedência. No caso de empréstimos ou financiamentos, observe o Custo Efetivo Total, valor que inclui taxa de juro e encargos financeiros. Lembre-se de pesquisar detalhes, como a taxa de administração cobrada pelos bancos.
Danylo Martins

13/11/2014

O apanhador de desperdícios - Manoel de Barros

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

05/11/2014

Nasrudin e o casamento

Nasrudin estava proseando com um conhecido , que lhe indagou:

- Mullah, responda-me, você nunca pensou em se casar?

- Sim, claro que já. Quando eu era jovem, determinei-me a achar o meu par perfeito. Cruzei o deserto,cheguei em Damasco, e conheci uma mulher belíssima e espiritualmente muito evoluída; mas as coisas triviais, do dia a dia, a atrapalhavam.

Mudei de rumo e lá estava eu, em Isfahan; ali pude conhecer uma mulher com dom para as coisas materiais, da vida caseira, e além disso se mostrou muito espiritualizada. Porém, carecia de beleza física. Pensei: o que fazer?
E resolvi ir ao Cairo. Lá cheguei e logo fui apresentado a uma linda jovem, que também era religiosa, boa cozinheira e conhecedora dos afazeres do lar. Ali estava a minha mulher ideal.

- Entretanto você não se casou com ela. Porquê?

- Ah, meu prezado amigo,ela também estava buscando o homem ideal

31/10/2014

Sua alma

Ninguém é dono de sua felicidade, por isso: não entregue sua alegria, sua paz e sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém!
Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, das vontades ou dos sonhos de quem quer que seja.
A razão da sua vida é você mesmo.
A sua paz interior é a sua meta de vida.
Quando sentir um vazio na alma, quando acreditar que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remeta seu pensamento para os seus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você.
Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você. 

Não coloque objetivos longe demais de suas mãos, abrace os que estão ao seu alcance hoje.
Se anda desesperado por problemas financeiros, amorosos ou de relacionamentos familiares, busque em seu interior a resposta para acalmar-se.
Você é reflexo do que pensa diariamente.
Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que quer oferecer a você o melhor.
Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo, que está pronto para ser feliz.
Trabalhe, trabalhe muito a seu favor. 

Pare de esperar a felicidade sem esforços.
Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou inda.
Critique menos, trabalhe mais.
E, não se esqueça nunca de agradecer.
Agradeça tudo que está em sua vida neste momento, 
inclusive a dor. 

Nossa compreensão do universo ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida.
A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las.
Se você anda repetindo muito: “eu preciso tanto de você” ou, “você é a razão da minha vida” - cuide-se.
É lícito afirmar que são prósperos os povos cuja legislação se deve aos filósofos.
A inteligência é a insolência educada.
Nosso caráter é o resultado de nossa conduta.
Egoísmo não é amor, mas sim, uma desvairada paixão por nós próprios.
O homem sábio não busca o prazer, mas a libertação das preocupações e sofrimentos.
Ser feliz é ser auto-suficiente...
Seja senhor de sua vontade e escravo da sua consciência.
Pense nisso!
Seja Feliz!
Aristóteles

30/10/2014

Ode à beleza

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.
William Shakespeare

6 mentiras que você ouviu sobre ser chefe

Engana-se quem pensa que virar chefe significa se livrar para sempre das tarefas maçantes do cotidiano e só observar "tranquilamente" o trabalho dos outros.
O  líder na verdade é um acumulador de funções, segundo explica João Marcelo Furlan, sócio da Enora Leaders. “A menos que tenha um altíssimo cargo dentro da empresa, você ainda vai ter algum papel operacional”, afirma ele.
Furlan diz que a necessidade de executar tarefas técnicas surpreende sobretudo os novatos. “Quem é inexperiente muitas vezes esquece que chefes também têm os seus próprios chefes, e precisam elaborar planilhas, documentos e relatórios para eles”, ilustra o especialista.
Muitos aspirantes à cadeira do patrão também ignoram que estar em um cargo de liderança implica ter diversas obrigações e dificuldades que passam longe das preocupações do resto da equipe.
Com a ajuda de Furlan, alguns equívocos ligados ao assunto que merecem ser desconstruídos. Veja a seguir:
1. A equipe vai te obedecer só porque você é o chefe
Acha que ter autoridade é suficiente para garantir a produção? Ledo engano, diz Furlan. “Não adianta mandar as pessoas fazerem algo, elas precisam ter vontade de atender aos seus pedidos”, explica.
E isso não é nada fácil. De acordo com ele, motivar outras pessoas é uma habilidade que exige treino, maturidade e uma boa dose de inteligência emocional.
2. É mais fácil ver a entrega ser feita do que fazê-la
“A vida do chefe não é nada mansa”, brinca Furlan. Ao contrário do que muitos pensam, gerar resultados a partir do trabalho de outras pessoas pode ser muito custoso.
“Você precisa ter capacidade técnicas, para planejar e organizar as tarefas alheias, mas também habilidades mais comportamentais, para mobilizar e acompanhar as pessoas”, diz o especialista.
3. O chefe tem independência para fazer o que quiser
Ser líder não significa ter licença para tomar decisões arbitrárias. “Você ainda vai ser parte do sistema e, como tal, precisará se adaptar às suas regras e limitações”, explica o sócio da Enora Leaders.
O chefe precisa se moldar a todo tipo de restrição. O orçamento, por exemplo não está à sua plena disposição, e nem as suas ideias podem contrariar a estratégia global da empresa. “Existem também muitas disputas internas e jogos de poder que diminuem a liberdade do líder”, comenta Furlan.
4. Sua relação com antigos colegas não vai mudar porque você virou chefe
De uma forma ou de outra, assumir uma posição gerencial afeta os relacionamentos que você construiu até então na empresa. “Você passa a ter acesso a informações confidenciais e, querendo ou não, é obrigado a jogar no time do patrão”, afirma o especialista.
Segundo ele, precisar defender os interesses da empresa - mesmo que isso signifique demitir um amigo, por exemplo - causa frustração em muitos chefes novatos. “É difícil, mas você precisa estar preparado para se afastar um pouco”, diz.
5. Se você não conseguir atender à expectativa, tudo bem
Ao dar uma promoção, a empresa oferece também um voto de confiança - mas ele não é para sempre. “É um caminho sem volta: você não pode retornar a uma posição operacional, caso não dê certo”, diz ele.
Em outras palavras, as expectativas precisam ser correspondidas para que o chefe se mantenha no cargo. “Você precisa ter certeza de que está preparado para liderar antes de aceitar um convite como esse”, afirma.
6. A chefia é a linha de chegada da carreira
Outro mito comum é pensar que o chefe é o “sabe-tudo” que atingiu o nível máximo de desenvolvimento na empresa. “Na verdade, essa é justamente a hora em que você mais vai aprender’”, diz o especialista.
Se é provável que o profissional tenha sido alçado à chefia porque era um bom "técnico", é fato que ele passará a ser avaliado em quesitos até então inéditos para ele. “É como se jogassem você em uma piscina: ou você aprende a nadar ou vai engolir água”, brinca Furlan.
Claudia Gasparini

22/10/2014

Bela

A beleza na mulher honesta é como o fogo afastado ou a espada de ponta, que nem ele queima nem ela corta a quem deles se aproxima.
Miguel de Cervantes

O lado obscuro da inteligência emocional

A inteligência emocional já virou um clichê do mundo corporativo. Desde que o americano Daniel Goleman lançou, em 1995, o best-seller Inteligência Emocional, o tema se tornou recorrente dentro das empresas — quase como um amuleto que garantia ascensão profissional.
A inteligência emocional sempre pareceu uma característica positiva, mas alguns estudiosos estão contradizendo essa teoria de que saber interpretar as próprias emoções e os sentimentos dos outros é sempre algo benéfico. Os professores Martin Kilduff, Dan S. Chiaburu e Jochen I. Menges lançaram uma tese, publicada pela escola de negócios da Universidade Texas A&M, na qual questionam o lado benéfico da inteligência emocional.
Segundo os autores, pessoas que têm essa habilidade elevada podem, também, desenvolver um lado maquiavélico, manipulando os outros com facilidade. Isso porque, de acordo com os estudiosos, os emocionalmente inteligentes mudam os próprios sentimentos para fabricar impressões favoráveis. Ou seja, fingem o que não sentem para conquistar um objetivo de ganho pessoal ou obter uma informação estratégica. 
Basicamente, a inteligência emocional tem três pilares: perceber as próprias emoções e as dos outros; usar o lado emocional para facilitar o pensamento; e entender as emoções e manejá-las em si mesmo e nos outros.
“Quem usa esses atributos com ética consegue criar empatia com mais facilidade e criar laços de liderança”, diz Rodrigo Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional. Mas quem se deixa levar apenas pelos resultados positivos que a inteligência emocional pode proporcionar corre o risco de se tornar um manipulador.
Claro que, para isso, é preciso ter predisposição — algum traço de perversidade na personalidade que, estimulado pelo ambiente de alta pressão ou de clima tóxico, favoreça a atitude manipuladora. “Entre 4,5% e 6% das pessoas têm traços de perversidade”, diz Luiz Fernando Garcia, psicanalista e presidente da Cogni-MGR, consultoria de treinamento de São Paulo. “No mundo corporativo, esse índice sobe para 16%.”
Os manipuladores com alta inteligência emocional conseguem entender rapidamente quais são os sentimentos alheios e se a outra pessoa está passando por um momento delicado. “Eles costumam usar táticas de chantagem e dissimulação para pressionar o colega ou subordinado a fazer algo que vá gerar algum resultado positivo para o manipulador”, afirma Carlos Diz, do Centro de Neoliderança, do Rio de Janeiro.
Há maneiras de se proteger de um chefe ou colega que use a inteligência emocional para manipular os outros. A mais importante é desenvolver a consciência do que se passa ao redor. “Isso nos permite perceber o que está acontecendo e ter mais controle sobre se estamos ou não sendo coagidos”, afirma Carlos.
Essa consciência pode ser treinada por meio de meditação e de exercícios diários, como negar a assinatura de um jornal ou a doação para uma instituição de caridade. Só é manipulado quem permite — e dizer “não” para quem quer estimulá-lo a fazer algo é um escudo contra a manipulação.
Outro exercício é dar feedback objetivo ao manipulador. “Na hora de conversar, procure deixar claro o que você quer”, diz Luiz Fernando. Evite levar o diálogo para o lado pessoal e, ao concluí-lo, faça um resumo do que você quis dizer para inibir que o outro encontre brechas em seu raciocínio e as use contra você no futuro.
Elisa Tozzi

Paraplégico volta a andar após cirurgia revolucionária

Um homem paraplégico voltou a andar graças a um transplante de células nervosas realizado na Polônia, em uma operação sem precedentes. Darek Fidyka, um búlgaro de 40 anos, é a primeira pessoa no mundo a se recuperar de um rompimento total dos nervos da coluna vertebral. Ele recebeu um transplante de células de sua cavidade nasal para a medula espinhal e, após reabilitação de um ano, ele pode caminhar com o auxílio de um andador — Fidyka também recuperou algumas funções da bexiga e do intestino.

"Para mim, isto é ainda mais impressionante do que um homem caminhando na Lua", afirmou Geoffrey Raisman, professor do Instituto de Neurologia do University College de Londres (UCL), na Inglaterra, e um dos autores do estudo publicado na revista Cell Transplantation.
"Quando começa a retornar (os movimentos), você sente que sua vida começou de novo, como se fosse um renascer. É um sentimento incrível, difícil de descrever", declarou Fidyka ao programa Panorama, da emissora britânica BBC, que teve acesso exclusivo ao paciente e aos médicos.
A operação — Em 2010, Fidyka ficou paralisado do peito para baixo após ser esfaqueado várias vezes. Apesar de meses de fisioterapia intensiva, ele não mostrava nenhum sinal de recuperação.
A cirurgia foi realizada por uma equipe médica polonesa, coordenada pelo neurocirugião Pawel Tabakow, da Universidade de Wroclaw, na Polônia, um dos maiores especialistas em lesões medulares do mundo. Os médicos utilizaram células nervosas do nariz do paciente a partir das quais se desenvolveram os tecidos seccionados — o complexo circuito responsável pelo olfato é a única parte do sistema nervoso que se regenera durante toda a vida e foi essa característica que os cientistas procuraram reproduzir na lesão de Fidyka. As células do próprio paciente não seriam rejeitadas e o tecido medular poderia ser reparado.
A técnica de transplante, descoberta na UCL, apresentou bons resultados em laboratório, mas nunca havia sido testada com sucesso em um ser humano. Na primeira das duas operações, os cirurgiões removeram um dos bulbos olfativos do paciente e fizeram as células crescer em cultura. Duas semanas depois, foi feito o transplante na medula por meio de microinjeções.
Fidyka manteve seu programa de condicionamento — cinco horas de exercícios durante os cinco dias da semana — e percebeu que a cirurgia havia sido bem sucedida quando, após três meses, sua coxa esquerda começou a desenvolver músculos. Seis meses depois, deu seus primeiros passos com o apoio de fisioterapeutas. Agora, após dois anos, caminha apenas com o andador. De acordo com os cientistas, exames mostraram que a lacuna na medula espinhal do paciente se fechou após o tratamento.
"Nós acreditamos que o procedimento é uma descoberta capital que, se for desenvolvida, constituirá uma mudança histórica para as pessoas que sofrem de ferimentos na coluna vertebral", declarou Raisman.
AFP

15/10/2014

Estudo relaciona custo do casamento com divórcio




É possível "prever" a duração de um casamento de acordo com o custo de sua festa. Pelo menos é o que diz um estudo feito pelos economistas norte-americanos Andrew Francis e Hugo Mialon, da Universidade de Emory, em Atlanta. 

Segundo eles, quanto mais cara a cerimônia e tudo o que estiver relacionado ao "grande dia", maior é probabilidade de divórcio. 

A razão para isso é que as celebrações mais onerosas impulsionam o endividamento familiar e uma consequente crise no relacionamento. 

A pesquisa analisou mais de 3 mil pessoas que se casaram nos Estados Unidos e, por meio desta amostra, concluiu que, para ter um casamento duradouro, não é aconselhável gastar mais de US$ 20 mil (R$ 48 mil). 

Se isso for verdade, grande parte dos casamentos entre celebridades está condenada ao fracasso. Um exemplo é o matrimônio da socialite Kim Kardashian com o jogador de basquete Kris Humphies, que custou mais de 8 milhões de euros (R$ 24 milhões) e durou 72 dias. 

Outro é a cerimônia da princesa Diana e do príncipe Charles, na qual foram gastos aproximadamente 80 milhões de euros (R$ 240 milhões), resultando em um complicado divórcio 15 anos depois. 
ANSA

10/10/2014

O homem obsoleto

No filme O Exterminador do Futuro, um computador altamente inteligente se torna autoconsciente e começa um holocausto nuclear, que aniquila a raça humana, deixando algumas poucas almas valentes para combater os robôs. A data fictícia do catastrófico evento, agosto de 1997, passou sem que ocorresse essa distopia tecnológica.

No entanto, embora não devamos temer que as máquinas terminem com nossa vida, o medo de que acabem com nossos meios de subsistência é cada vez maior.

O temor é baseado na observação de que cada vez mais máquinas ou sistemas de computadores executam tarefas até então consideradas exclusivas do ser humano. Quando os computadores assumirem todos os trabalhos, o que nós faremos? Terminaremos como os cavalos, anteriormente importantes “trabalhadores”, mas substituídos há tempos por máquinas?

Essas previsões sombrias surgem da falta de entendimento dos princípios econômicos. Na economia, o preço (o salário, no caso do emprego) varia para assegurar que a oferta se iguale à demanda e que existam poucos recursos subutilizados. Portanto, o problema não será de desemprego, e sim de desigualdade — caso as ocupações sejam desigualmente substituídas por computadores.

Por que o desenvolvimento tecnológico é causa de maior desigualdade? 

A resposta está na atenção dada às tarefas. Categorizar os profissionais pelo que fazem se torna uma distinção importante: alguns realizam tarefas manuais rotineiras (como caixas de lojas, operários de fábricas, caixas de banco), enquanto outros executam tarefas intelectuais não rotineiras (escritores, cientistas, CEOs).

Os computadores podem realizar as tarefas manuais rotineiras facilmente, tomando o lugar dos trabalhadores que as desempenham. Mas os empregados intelectuais não são facilmente substituíveis — e, na verdade, produzem mais graças aos computadores, seja porque conseguem mais informações, seja porque podem distribuir o resultado de seu trabalho de forma mais simples. Essa distinção é um potente prognosticador dos trabalhos que serão substituídos pelas máquinas.

Por conseguinte, sempre existirá emprego suficiente. A questão é se nós, como sociedade, estaremos dispostos a aceitar os desiguais salários dos mercados resultantes. O que podemos fazer para evitar que o desenvolvimento tecnológico deixe para trás algumas partes da sociedade?

A solução deve ser a educação e a contínua atualização das pessoas, de modo a garantir que todos possam se beneficiar da tecnologia e que ninguém termine como um “cavalo”.
Morten Olsen

09/10/2014

4 estudos que vão te encher de esperança sobre o futuro da humanidade

Com tantas notícias ruins, crimes, corrupção e problemas que vemos no mundo, é fácil desanimar e perder um pouco da fé na humanidade. Mas há quem pense o contrário e diga que estamos melhores do que nunca. 

Veja aqui alguns estudos científicos que podem te ajudar a restaurar a fé na humanidade e enxergar um futuro melhor no horizonte.


1 – Mentir faz mal para saúde

Todo mundo já contou uma mentira aqui ou ali, seja com boas ou más intenções. Em geral, mentiras não são algo bom, nem mesmo para a nossa saúde. 
Um estudo da Universidade de Notre Dame, Nos Estados Unidos, concluiu que mentir pode causar problemas físicos e psicológicos no curto prazo. Eles chegaram a essa conclusão depois de analisar os efeitos da honestidade ao longo de 10 dias em um grupo de pessoas. 
Cem indivíduos foram separados em dois grupos, sendo um instruído a não mentir e outro deixado livre para enganar. O grupo honesto apresentou no fim do período uma saúde melhor, com quatro vezes menos queixas ligadas à saúde mental e três vezes menos reclamações de dores físicas.

2 – Desastres nos tornam altruístas

Pense em algum momento extremo, de um desastre onde você deva correr pela sua vida, como um incêndio. Em geral, imaginamos cada pessoa correndo por si, tentando se salvar. Mas segundo um estudo da Max Planck Institute, da Alemanha, desastres na verdade nos tornam altruístas. 
Não apenas as pessoas tendem a se manter mais acalmas do que é esperado nesses casos, como elas na verdade se sentem motivadas a ajudar umas as outras. Além disso, atos altruístas movimentam as mesmas áreas ativadas pelo prazer no sexo ou com drogas.

3 – Fazer o bem é o melhor motivador

Não apenas somos inspirados a sermos mais altruístas em situações emergenciais, como ficamos muito mais motivados a realizar uma tarefa quando sabemos que ela fará bem a alguém. 
Adam Grant, professor da UPenn’s Wharton, dedicou boa parte de sua carreira a estudar o que torna as pessoas motivadas. Ao contrário do que muitos imaginam, não são incentivos pessoais, como um salário maior. 
Estudando um grupo de funcionários trabalhando em um call center para solicitar doações, Adam percebeu uma mudança drástica no comportamento depois que eles interagiram com as pessoas que se beneficiavam daquelas doações. Depois de perceber que estavam de fato ajudando alguém, eles passaram a gastar duas vezes mais tempo no telefone e solicitar três vezes mais dinheiro em média para cada doador.

4 – Vivemos na era mais pacífica da humanidade

Você lê sobre assassinatos, roubos e tudo o que há de ruim no jornal e imagina que estamos piores do que nunca, certo? Na verdade, há quem esteja mais otimista. Segundo Steven Pinker, professor e psicólogo de Harvard, estamos na era mais pacífica da nossa história. E ele tem números para provar isso.
Pinker constatou que as taxas de homicídios em países da Europa vêm caindo século após século. No século XIV, em Londres, para cada 100 mil habitantes, 50 eram assassinados. Hoje, esse número caiu para 2 – média semelhante ao restante da Europa. 
Samuel Bwoles, diretor do Centro de Ciências do Comportamento do Instituto Santa Fé, afirma que entre 14% e 46% das pessoas enterradas em assentamentos humanos há cerca de 50 mil anos morreram de forma violenta. Com esses dados, Pinker concluiu que, em sociedades onde não haviam um governo definido, como os povos bárbaros da Idade Média, cerca de 15% da população morria de forma violenta.
No século XX, apesar de todas as guerras, o número caiu para 3%. Pinker calcula que, se as guerras no século XX fossem travadas nas condições das sociedades tribais, cerca de 2 bilhões de pessoas teriam morrido, ao invés de 100 milhões. 
A diferença é que hoje as notícias desses massacres absurdos chegam para nós rapidamente pelos meios de comunicação. Notícias, em geral, são negativas e sensacionalistas.
Gabriel Tonobohn

06/10/2014

Comunismo só funciona na miséria

Karl Marx falhou: como cientista e até como profeta. Esse fracasso já foi referido em coluna (Será que Deus existe?).
Mas faltou acrescentar um pormenor: Marx nem sequer previu que a sua "luta de classes" seria substituída por uma perpétua "imitação de classe".
O proletariado não desejava destruir o sistema capitalista. Pelo contrário: desejava antes participar nele, imitando a burguesia –nos seus hábitos e gostos– e desfrutando dos mesmos confortos materiais que só o capitalismo permite.
Se dúvidas houvesse, bastaria olhar para os confrontos em Hong Kong, com os manifestantes a exigir respeito pelas eleições de 2017 na ilha. Pequim ficou em estado de alerta.
Entendo: em 1989, o PC chinês contemplou a desagregação do comunismo na Europa com horror. Consta até que o líder de então, Deng Xiaoping, terá ficado assustado com os fuzilamentos sumários do encantador casal Ceausescu, na Roménia.
O colapso da União Soviética, pouco depois, deixou o aviso: não bastava reprimir uma população miserável, como aconteceu na Praça de Tiananmen. Era preciso responder aos anseios da população, o que significava abrir as portas a um "capitalismo de Estado" controlado.
Fatalmente, o PC chinês ignorou a maior fraqueza da teoria marxista: o capitalismo, e mesmo o "capitalismo de Estado", não se limita a matar a fome e a permitir carros ou roupas de grife.
Cedo ou tarde, a emergência de uma classe média significa também que as massas desejam mais: coisas intangíveis como liberdade, participação política e até o direito de governar.
Em Hong Kong, essas reivindicações podem ser explicadas (e reforçadas) pela tradição de liberdade que já existia antes da devolução britânica em 1997.
Mas, como informa a revista "The Economist", essas reivindicações são já sentidas em todo o país –de tal forma que uma das prioridades do regime nesses dias foi ocultar da população continental a "Revolução dos Guarda-Chuvas" de Hong Kong.
Durante décadas, vários especialistas sobre a China formularam a questão clássica: será possível ter uma sociedade capitalista sem o tipo de liberdades de uma sociedade democrática?
As imagens de Hong Kong são a primeira e promissora resposta. E são também uma confirmação histórica: para o comunismo funcionar, é importante que uma sociedade seja mantida rigorosamente na miséria.
João Pereira Coutinho

03/10/2014

Delicadeza

A delicadeza e a dignidade é o próprio coração que ensina e não um mestre de dança.
Fiodor Dostoievski
Paint by Paul Klee

Onde nasce o Ebola?

Dificilmente o vírus chegará ao Brasil. Mas todos os países precisam se precaver do seu contágio. 
A distância vê-se apenas uma fresta estreita e escura, recortada na base da montanha e oculta pela vegetação. De perto, a entrada tem 55 metros de largura, expandindo- se por 200 metros montanha adentro. De dia, a luz penetra na caverna fria e úmida, permitindo vislumbrar parte do interior. Na entrada, pegadas de elefantes formam um mosaico no solo barrento. Toda noite, as manadas entram na caverna Kitum para raspar as paredes com as presas, em busca de sais e minerais. A caverna situada no Parque Nacional Monte Elgon, no Quênia, formada há sete ou oito milhões de anos a partir de erupções vulcânicas, é um caso único no mundo de crescimento por ação de elefantes.
À medida que se penetra no interior, a luz se dissolve na escuridão. O silêncio só é interrompido pelo chilrar dos morcegos que vivem em colônias, dependurados no teto. Embaixo deles há espessas manchas Planeta setembro 2014 de uma substância verde, pegajosa e molhada – o guano (fezes). Prontos para a revoada, centenas de olhos vermelhos observam. Kitum seria apenas uma entre as muitas cavernas africanas se não fosse por um motivo sombrio: os membros da tribo masai que habitam a região sempre tiveram casos de parentes mortos por uma estranha doença que causava sangramento até a morte. Em 1980 e em 1987, dois estrangeiros estiveram em Kitum e contraíram um vírus raríssimo, o marburg, sucumbindo em poucos dias com hemorragias maciças. Foi assim que Kitum entrou no radar dos caçadores dos raros vírus filamentosos, o marburg e seu primo ebola. 
O marburg foi o primeiro “filovírus” (da família filoviridae) descoberto. Na verdade, ele apareceu na Alemanha, em 1967, na cidade de mesmo nome, em macacos trazidos de Uganda pela empresa Behring Works, que produzia vacinas. Em alguns dias, foi o fim do mundo: sete dos 30 funcionários infectados morreram com fortes hemorragias. Mas isso era apenas um introito. Em 1976, outro filovírus mortal surgiu no Sudão, causando devastação em aldeias e comunidades tribais; e, assim como veio, desapareceu, sem ser estudado, definido e classificado. Esse vírus ganhou o nome do rio que atravessa a região, o Ebola.
Meses depois do “ebola Sudão”, outro filovírus mais letal ainda surgiu 800 quilômetros a oeste, na província de Bumba, na atual República Democrática do Congo (antigo Zaire), às margens do rio Ebola, ganhando o nome de “ebola Zaire”. Uma terceira variedade do ebola surgiu inesperadamente em 1989, na cidade de Reston, na Virgínia, nos Estados Unidos, levada por um grupo de macacos importados das Filipinas. Com o tempo, outras mutações surgiram, como o ebola Costa do Marfim (1994) e o raríssimo ebola Bundibugyo (2008), registrado em Uganda. Talvez apareçam outras. 
O marburg mata 25% de suas vítimas. O primo ebola Sudão é duas vezes mais mortífero, matando 50% dos infectados (mesma mortalidade da peste negra na Europa medieval). O vírus da febre amarela, considerado muito perigoso, mata uma a cada 20 vítimas, ou 5%. Já a variedade “ebola Zaire” mostrou-se bem mais agressiva, matando 90% dos infectados. O ebola Reston é o mais benigno: elimina animais, mas causou apenas sintomas semelhantes aos da gripe em humanos. 
Imprevisibilidade
Desde 1976, quando dois surtos simultâneos surgiram em Nzara, no Sudão, e em Yambuku, na República Democrática do Congo, e saúde a família ebola foi identificada pela primeira vez, já houve 25 irrupções epidêmicas, sempre no continente africano. Normalmente, as epidemias ocorriam em regiões tribais, atingindo pequenas comunidades com contágio fulminante, e logo desapareciam. 
Ao matar rapidamente as vítimas, o vírus inviabilizava sua propagação Em 2014, entretanto, a epidemia é a de maior magnitude já registrada. Em 8 de agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto como “emergência de saúde pública de alcance mundial”. Já são mais de 1.386 mortos e mais de 3.000 infectados. Mais de 80 localidades foram atingidas em três países da África Ocidental – Guiné, Serra Leoa e Libéria, entre capitais, cidades e aldeias. A Nigéria também registrou seus primeiros casos. A Costa do Marfi m e o Senegal estão em estado de alerta contra o vírus altamente contagioso. “De maneira inédita, o surto se espalhou para além da fronteira de três países africanos, tornando-se a maior distribuição geográfica do vírus na história”, afirma Leticia Linn, diretora de comunicação da OMS. 
“O surto de agora tem um caráter inteiramente diferente”, afirma Valdilea Veloso, infectologista da Fiocruz. O clínico português Paulo Reis, 42 anos, que atua na organização Médicos sem Fronteiras, relata grandes dificuldades do trabalho de campo na Guiné: “Desta vez há muito mais gente infectada. Em Uganda as pessoas já conheciam a doença, mas na Guiné nem os médicos tinham ouvido falar dela”, conta. O mais perturbador é que, apesar de quase meio século de pesquisa desde o aparecimento do marburg na Alemanha, os cientistas continuam sem saber quem é o hospedeiro do vírus e ao que se deve o aparecimento das epidemias letais, apesar de suspeitarem de algumas espécies de primatas. 
Na verdade, o ebola Zaire vem se mostrando menos letal do que de costume, matando apenas 60% dos infectados. “Mas estamos chegando ao nosso limite”, afirma Bart Janssens, diretor de operações da Médicos sem Fronteiras. “A epidemia já está fora de controle; necessitamos de reforços e não vejo o recrudescimento do surto em menos de seis meses”, diz. 
Contágio rápido
Um marco da batalha contra os filovírus foi a morte do homem conhecido como Yu G, no Sudão, em julho de 1976, com hemorragia maciça por todos os orifícios do corpo. O doente trabalhava numa fábrica de algodão nas proximidades da cidade de Nzara, bem perto de uma floresta. Yu G. ficou famoso mundialmente por ser o “caso índex”, o primeiro humano infectado por um vírus desconhecido, o ebola Sudão. Ele ocupava uma sala, nos fundos da fábrica, com morcegos pendurados no teto. Dias após sua morte, dois funcionários apresentaram febre e dores no corpo e morreram com hemorragias devastadoras. Ao contrário do tímido Yu G., um deles era extrovertido e mulherengo e, antes de surgirem os sintomas, espalhou o vírus pela cidade. 
O vírus devastou Nzara e atingiu a vizinha cidade de Maridi, onde havia um pequeno hospital, matando pacientes, atendentes, enfermeiros e médicos. Com poucos recursos, o hospital aplicava injeções com as mesmas agulhas sujas o dia inteiro. Os pesquisadores que rastrearam o surto descobriram que as cadeias de infecção retrocediam de geração em geração até o discreto senhor Yu G. 
No hospital de Maridi, os pacientes entravam em pânico, arrancavam as roupas e corriam pelas ruas, sem entender o que se passava. O surto só arrefeceu quando os doentes morreram e os sobreviventes fugiram da instituição. Assim como surgiu, o ebola Sudão desapareceu subitamente, e o mundo quase não tomou conhecimento desse primeiro surto. O vírus voltou a se esconder em seu reservatório na floresta tropical, secretamente alojado em algum hospedeiro desconhecido. Hoje, 38 anos depois da morte de Yu G., os pesquisadores conseguiram identificar anticorpos e traços genômicos do ebola Sudão em três espécies de morcegos frugívoros.
A variedade ebola Zaire surgiu na aldeia de Yambuku, num pequeno hospital dirigido por freiras missionárias belgas. Ali, as freiras também aplicavam dezenas de injeções utilizando apenas algumas seringas. As pessoas que acorriam ao hospital em busca de alívio para a malária eram infectadas e dias depois morriam de hemorragia. O vírus atacou 55 aldeias ao redor de Yambuku, matando 400 pessoas. Mais uma vez, a epidemia só cessou quando os doentes morreram e os sobreviventes fugiram para a selva.
Expedição frustrada
Na primavera de 1988, o especialista em biorrisco e caçador de vírus norte-americano Eugene Johnson, diretor do Instituto Médico de Pesquisas de Doenças Infecciosas do Exército dos EUA, liderou uma expedição à caverna Kitum. Levou com ele uma equipe de 35 pessoas, entre médicos, pesquisadores e naturalistas, vasta quantidade de material de pesquisa, tendas, trajes herméticos, armadilhas, cobaias e macacos. 
Como não há sensores para detectar um vírus, o método consagrado de investigação é deixar um animal de sentinela onde se espera que o vírus esteja e esperar que a cobaia adoeça. Os pesquisadores montaram tendas de pesquisa, de necropsia e de descontaminação. Durante um mês, mantiveram-se em trabalho de campo.
Com a ajuda dos quenianos e dos masais do Monte Elgon, capturaram milhares de insetos e centenas de animais de pequeno porte. Estudaram os registros médicos da população e tiraram milhares de amostras de sangue das pessoas e do gado, mas as análises revelaram não serem soropositivas para o marburg, ou seja, não tinham anticorpos da doença e, portanto, não haviam sido expostas a ela. Infelizmente, não foram descobertos vestígios de marburg ou ebola.  
Além da incerteza sobre o hospedeiro, o mais desconcertante continua a ser a velocidade do contágio por contato. Em muitas regiões da África, as mulheres preparam os mortos para o funeral e servem comida no velório. No calor, as cerimônias fúnebres duram dois ou três dias e as pessoas acariciam e abraçam demoradamente o morto, mantendo contato com fluidos cadavéricos saturados de vírus. Em quase todas as epidemias ocorridas, esse foi um importante meio de contágio e as mulheres, os principais vetores. 
O contato sexual é outra via de transmissão. O vírus ebola não viaja pelo ar, como o da gripe. Para que o contágio se dê através do ar, é preciso que haja nebulização de fluidos como tosse, espirros, vômitos e convulsões que espalhem secreções corpóreas. Há também relatos de gente que adoece após ingerir carne de macacos, antílopes e morcegos, animais que integram a dieta em alguns países africanos. 
Não há remédios ou vacinas contra a doença, ainda. O tratamento visa à manutenção da saúde: hidratação, alimentação e contenção da febre. Só o isolamento dos doentes e dos que tiveram contato com estes pode deter a epidemia, a maior dificuldade da missão que tenta combater o ebola na África Os EUA desenvolveram um medicamento experimental, o ZMapp, produzido em quantidade pequena e ainda sujeito a anos de trâmites de testes e aprovação. Diante da gravidade da situação, a OMS autorizou seu uso imediato. Macacos medicados experimentalmente com o ZMapp já foram curados. Dois médicos americanos infectados com o ebola Zaire receberam o medicamento e foram salvos. A OMS acredita que uma vacina pode estar disponível já em 2015. Mas, enquanto isso, todos os países devem se prevenir contra a doença. 

Johnny Mazzilli
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