15 de fev de 2016

O poder da nova meditação

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HARMONIA

A meditação pauta a vida da apresentadora Fernanda Lima: ''Minha prioridade
é olhar o céu, o sol, pisar na areia, ficar com meus filhos. Depois vem todo o resto''
Você já lavou a louça prestando atenção somente no movimento das mãos? 
Ou tomou banho experimentando a sensação do sabonete ao tocar sua pele? Caminhou sentindo os pés pisarem no solo? A grande maioria das pessoas certamente responderia não a essas questões – e provavelmente as achariam tolas. Em um mundo cada vez mais acelerado, que exige respostas instantâneas, e onde ninguém tem tempo para nada, práticas cotidianas como as citadas acima são feitas no “piloto automático”.  
Em contrapartida, médicos e psicólogos confirmam que nunca houve tanta gente sofrendo de estresse,  ansiedade e depressão. Número que cresce de forma assustadora, à medida que o mundo acelera, as demandas aumentam e o dia continua com as mesmas e insuficientes 24 horas. Com isso, estar atento ao momento presente se tornou quase impossível. Em busca de aliviar o estresse opressivo ou até não entrar em colapso, cada vez mais pessoas têm lançado mão da meditação. Mas de um novo tipo, diferente daquela associada a denominações religiosas, praticada em ambientes imaculados e tranquilos. 
Nascido em prestigiosas  universidades dos Estados Unidos e da Europa, o Mindfulness, chamado também de consciência ou atenção plena, está causando uma revolução no jeito de se meditar. Por meio de exercícios de respiração e concentração, a técnica ajuda a combater os males da nossa época de uma forma simples e pode ser adotada em todas as ações do cotidiano. Além disso, pesquisadores confirmam seus efeitos positivos à saúde. Já famoso internacionalmente, o Mindfulness ganhou força no Brasil e começa a ser estudado e aplicado em universidades, consultórios e também no Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao contrário das meditações que exigem posições específicas, o Mindfulness tem como objetivo estimular o cérebro a perceber os movimentos do corpo e as sensações em qualquer situação. A apresentadora Fernanda Lima, 38 anos, medita há 16, desde que começou a praticar ioga. O dia a dia corrido não a impede de meditar. Ela conta que antes de dormir, tira o travesseiro da cama, fica com o corpo reto e faz os exercícios de respiração. Essa é uma das técnicas mais utilizadas pelo Mindfulness. Trata-se do “escaneamento corporal”, quando uma pessoa fica na posição horizontal e é estimulada a sentir todas as partes do corpo por meio da mente e da respiração. Segundo ela, os brasileiros precisam desmistificar a meditação. “Tento explicar que o objetivo é entrar em contato com os pensamentos, manter a respiração e organizar pensamentos por prioridades.” Fernanda também adotou o hábito de meditar pela manhã, antes de começar suas atividades. “Comprei um banquinho e fico respirando por 10 minutos, depois disso me sinto renovada.”
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As pesquisas sobre Mindfulness começaram em 1979, na Universidade de Massachussets, nos Estados Unidos. O médico Jon Kabat-Zinn desenvolveu um programa para reduzir o estresse baseado na prática. O método também foi estudado na Universidade de Oxford, na Inglaterra. “Foi o avanço científico que permitiu o boom que estamos vendo hoje”, afirma o psicólogo clínico Marcelo Batista de Oliveira, do Centro Paulista de Mindfulness. Aos poucos, conforme os estudos avançavam, os especialistas percebiam que esse tipo de meditação, que surgiu no meio acadêmico e era desvinculado de qualquer religião, conseguia reduzir os níveis de estresse e ansiedade dos pacientes. O segredo era colocar na rotina práticas diárias para exercitar o “estar presente”. Pioneira nos estudos dos benefícios do Mindfulness no cérebro, a neurocientista norte-americana Sara Lazar detectou, em 2005, que o córtex pré-frontal – a área do cérebro responsável pela concentração, memória e tomada de decisões – era mais estimulada no grupo de pessoas que faziam meditação. Em 2011, um segundo estudo revelou que as práticas meditativas provocam um aumento de volume em regiões da mente relacionadas à regulação emocional, à empatia e à cognição. Logo, o método avançou para outros países e chegou ao Brasil em 2006. Um dos primeiros nomes a investigar os efeitos do Mindfulness aplicado à saúde foi a neurocientista Elisa Kozasa,  pesquisadora do Hospital Israelita Albert Einstein. “Hoje existem diferentes estudos para redução de estresse, ansiedade, dor crônica e prevenção de recaídas para usuários de drogas”, diz ela.
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 Com isso, a nova meditação também ganhou força como técnica integrativa aos tratamentos de saúde convencionais. Desde setembro de 2015, as práticas de Mindfulness começaram a ser oferecidas pelo programa de extensão da Universidade Federal de São Paulo, em parceria com o SUS, no Centro Brasileiro de Mindfulnes e Promoção da Saúde. O coordenador do programa, Marcelo Demarzo explica que a principal aplicação da técnica é prevenir recaídas em casos de ansiedade, dor crônica e depressão. “As práticas diminuem em até 50% a chance de voltar a sentir esses males”, diz. “A pessoa se coloca como observador de si mesmo e faz uma espécie de desintoxicação do pensamento.” Funciona assim: as Unidades Básicas de Saúde enviam pacientes para fazer exercícios da prática. Eles passam por uma análise inicial, na qual é avaliado o grau de ansiedade, o estilo de vida e o uso de medicamentos. Com isso, eles podem ou não começar o curso de oito sessões.
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A psicóloga Malu Favarato, 51 anos, conheceu o Mindfulness no ano passado. Ela trabalha como voluntária na triagem de pacientes para o curso. “Para quebrar a rotina de estresse e sair do piloto automático faço algumas práticas por 20 minutos”, diz ela. “No começo era mais difícil, hoje me concentro na respiração com mais facilidade, levo a atenção para onde tenho dores.” A irmã e artista plástica, Milene, de 46 anos, tem transtorno bipolar e crises de depressão. Com a ajuda de Malu, fez o curso em outubro. “Em 2014, fui diagnosticada com artrose cervical, tomava antidepressivo, estabilizador de ânimo e ansiolítico”, afirma. Hoje a medicação já foi reduzida pela metade. “Mudou meu estilo de vida”, diz. A pesquisadora da Unifesp, Isabel Weiss, explica que esse é o objetivo da técnica. “São exercícios de respiração para acalmar. Os pacientes conhecem suas necessidades por meio do próprio corpo.”
No Brasil, Isabel foi a primeira a estudar os efeitos do Mindfulness para a prevenção de recaídas em usuários de drogas e fumantes. Nesses casos, foram desenvolvidas práticas específicas como o exercício “surfando na fissura”, no qual o usuário é conduzido a uma situação de desconforto e aprende a lidar com a onda de emoções do momento até passar. “Tendemos a reagir negativamente sempre”, diz. Atraída pelas práticas de atenção plena, a dermatologista Carolina Marçon fez o curso da Unifesp em novembro. “Nossas reações ocorrem baseadas na memória que temos de um fato e não no fato em si”, afirma. “Essas técnicas nos ancoram no momento presente.” Para ela, a meditação ajudou a tomar decisões sem uma carga emocional tão elevada, a ter mais discernimento e clareza. Hoje, recomenda o Mindfulness em seu consultório para ampliar os efeitos do tratamento convencional. “A pele está totalmente ligada às questões emocionais e ao sistema nervoso”, afirma. Nos EUA, existem casos de pacientes com psoríase que responderam melhor ao tratamento com a meditação.
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O Mindfulness também está sendo adotada no universo corporativo. “Para garantir a qualidade de vida, prevenir o burnout (ponto máximo de estresse) e desenvolver estratégias de liderança, a meditação é muito eficiente”, diz Demarzo, da Unifesp. Embora ainda precise ser mais difundido, o método praticado nas empresas, e mais disseminado entre profissionais da saúde, ajuda a desenvolver habilidades cognitivas importantes. Com um dia corrido, que exige ir de uma academia à outra para dar aulas, a personal trainer e professora de fitness Lara Magnet Dias, 41 anos, conta que a rotina de trabalho sempre lhe gerou ansiedade. “Me cobrava muito”, diz. Ao conhecer o Mindfulness, a maneira de lidar com a rotina mudou. “O meu dia é tão agitado quanto antes, mas lido de maneira diferente, com menos cobrança”, afirma. Lara também conta que dá mais valor aos momentos em que está com a filha, Isabela, de 2 anos. 
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Para o relações públicas Mateus Furlanetto, 37 anos, conhecer o método também ajudou no trabalho, mas ele aponta outro viés. “O que mais senti foi que consegui tirar de mim o sentimento de culpa por não estar fazendo e produzindo mil coisas”, diz. “Também acredito que hoje consigo dar uma dimensão real aos problemas, sem ampliá-los.” Para a empresária Fernanda Prando Godoy, 47 anos, meditar é tão essencial que ela tira um tempo no próprio escritório para a prática. “Sou uma pessoa ansiosa, lido com prazos e com pressão. Tento meditar duas vezes por dia, por 30 minutos.” Mas a experiência, claro, teve reflexos além da área profissional. “Hoje presto mais atenção na comida, coisa que nunca tinha feito. Noto a cor, o cheiro.” O bom da técnica é que não são necessários cursos dispendiosos e demorados para aprendê-la. Há uma série de aplicativos bastante didáticos disponíveis (leia ao lado).
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Por ter nascido em universidades e longe de um contexto religioso, o Mindfulness não impõem condições aos novos adeptos da prática. Não há contra-indicação e a experiência, dizem os especialistas e praticantes, é única e individual. Os benefícios surgem quando menos se espera. “Percebi o efeito da prática num dia que tive uma discussão com um cliente por telefone. Eu desliguei e o problema foi desligado junto. Em outros tempos, ficaria ruminando aquela situação por horas”, diz a empresária Fernanda Godoy. Ainda que as práticas de meditação sejam inúmeras e existam há milhares de anos, entender os mecanismos de como elas funcionam, a partir do espectro neurocientífico, é o que tem feito a nova meditação prosperar. “A ciência do Mindfulness avançou de uma tradição misteriosa para uma prática secular, benéfica e tão simples quanto escovar os dentes pela manhã”, afirma a neurocientista Claudia Aguirre, do aplicativo Headspac
Fabíola Perez e Camila Brandalise

3 de fev de 2016

Carnaval

Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as consciências nas festas carnavalescas. É lamentável que na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com os títulos da civilização.

Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.

Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e às vezes toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.

É estranho que as administrações e elementos de governos colaborem para que se intensifique a longa serie de lastimáveis desvios de espíritos fracos, cujo caráter ainda aguarda o toque miraculoso da dor para aprender as grandes verdades da vida.

Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidades e de fome, sobram às fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se acentue o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos.

Ação meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos aos necessitados de um pão e de um carinho. Ao lado dos mascarados da pseudoalegria, passam os leprosos,os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras.Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem?

Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco, dentro de suas possibilidades, para que possamos reconstituir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas.

É incontestável que a sociedade pode, com seu livre arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas,enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastigio e de sua grandeza,ela só poderá fornecer com isso um eloquente atestado de miséria moral.
Francisco Xavier/ Emmanuel

2 de fev de 2016

Coisas simples



























Não permito que nenhuma reflexão filosófica me tire a alegria das coisas simples da vida

Sigmund Freud

Morning Has Broken



Performed by Orla Fallon - Music by Cat Stevens

Morning Has Broken
Morning has broken, like the first morning
Blackbird has spoken, like the first bird
Praise for the singing, praise for the morning
Praise for the springing fresh from the world

Sweet the rain's new fall, sunlit from heaven
Like the first dewfall, on the first grass
Praise for the sweetness of the wet garden
Sprung in completeness where his feet pass

Mine is the sunlight, mine is the morning
Born of the one light, eden saw play
Praise with elation, praise every morning
God's recreation of the new day
















A Manhã Se Rompeu
A manhã se rompeu
Como a primeira manhã
O melro cantou
Como o primeiro pássaro
Louvor para o canto
Louvor para a manhã
Louvor para o nascimento recente
Do mundo

Doce é a chuva do novo outono
Iluminada pelo sol vindo do céu
Como o primeiro orvalho
Sob a primeira grama
Louvor para a doçura do jardim molhado
Brotado em completude
Por onde os pés dele passam

Minha é a luz do sol, minha é a manhã
Nascida de uma luz, o paraíso viu a diversão
Louve com entusiasmo, louve cada manhã
A recriação de Deus do novo dia

A manhã se rompeu
Como a primeira manhã
O melro cantou
Como o primeiro pássaro
Louvor para o canto
Louvor para a manhã
Louvor para o nascimento recente
Do mundo

1 de fev de 2016

A importância da auto estima

A forma como nos sentimos acerca de nós mesmos é algo que afeta crucialmente todos os aspectos da nossa experiência, desde a maneira como agimos no trabalho, no amor e no sexo, até o modo como atuamos como pais, e até aonde provavelmente subiremos na vida. 

Nossas reações aos acontecimentos do cotidiano são determinadas por quem e pelo que pensamos que somos. 

Os dramas da nossa vida são reflexo das visões mais íntimas que temos de nós mesmos. 

Assim, a auto-estima é a chave para o sucesso ou para o fracasso. É também a chave para entendermos a nós mesmos e aos outros.

Além de problemas biológicos, não consigo pensar em uma única dificuldade psicológica – da ansiedade e depressão ao medo da intimidade ou do sucesso, ao abuso de álcool ou drogas, às deficiências na escola ou no trabalho, ao espancamento de companheiros e filhos, às disfunções sexuais ou à imaturidade emocional, ao suicídio ou aos crimes violentos – que não esteja relacionada com uma auto-estima negativa.

De todos os julgamentos que fazemos, nenhum é tão importante quanto o que fazemos sobre nós mesmos. A auto-estima positiva é requisito importante para uma vida satisfatória. Vamos entender o que é auto-estima. Ela tem dois componentes: o sentimento de competência pessoal e o sentimento de valor pessoal. 

Em outras palavras, a auto-estima é a soma da autoconfiança com o auto-respeito. Ela reflete o julgamento implícito da nossa capacidade de lidar com os desafios da vida -entender e dominar os problemas - e o direito de ser feliz - respeitar e defender os próprios interesses e necessidades.

Ter uma auto-estima elevada é sentir-se confiantemente adequado à vida, isto é, competente e merecedor, no sentido que acabamos de citar. Ter uma auto-estima baixa é sentir-se inadequado à vida, errado, não sobre este ou aquele assunto, mas errado como pessoa.

Ter uma auto-estima média é flutuar entre sentir-se adequado ou inadequado, certo ou errado como pessoa e manifestar essa inconsistência no comportamento – às vezes agindo com sabedoria, às vezes como tolo – reforçando, portanto, a incerteza.

A capacidade de desenvolver uma autoconfiança e um auto-respeito saudáveis é inerente à nossa natureza, pois a capacidade de pensar é a fonte básica da nossa competência, e o fato de que estamos vivos é a fonte básica do nosso direito de lutar pela felicidade. Idealmente falando, todos deveriam desfrutar um alto nível de auto-estima, vivenciando tanto a autoconfiança intelectual como a forte sensação de que a felicidade é adequada. 

Entretanto, infelizmente, inúmeras de pessoas não se sentem assim. Sofrem de sentimentos de inadequação, insegurança, dúvida, culpa e medo de uma participação plena na vida – um sentimento vago de “eu não sou suficiente”. Esses sentimentos nem sempre são reconhecidos e confirmados de imediato, mas eles existem.

No processo de crescimento e no processo de vivenciar esse crescimento, é muito fácil que nos alienemos do autoconceito positivo - ou que nunca formemos um. Poderemos nunca chegar a uma visão feliz de nós mesmos devido a informações negativas vindas dos outros, ou porque falhamos em nossa própria honestidade, integridade, responsabilidade e auto-afirmação, ou porque julgamos nossas próprias ações com uma compreensão e uma compaixão inadequadas. 

Entretanto, a auto-estima é sempre uma questão de grau. Não conheço ninguém que seja totalmente carente de auto-estima positiva, nem que seja incapaz de desenvolver auto-estima.

Desenvolver a auto-estima é desenvolver a convicção de que somos capazes de viver e somos merecedores da felicidade e, portanto, capazes de enfrentar a vida com mais confiança, boa vontade e otimismo, que nos ajudam a atingir nossas metas e a sentirmo-nos realizados. 

Desenvolver a auto-estima é expandir nossa capacidade de ser feliz. Se entendermos isso, poderemos compreender o fato de que para todos é vantajoso cultivar a autoestima. Não é necessário que nos odiemos antes de aprender a nos amar mais; não é preciso nos sentirmos inferiores para que queiramos nos sentir mais confiantes. Não temos de nos sentir miseráveis para querer expandir nossa capacidade de alegria.

Quanto maior a nossa auto-estima, mais bem equipados estaremos para lidar com as adversidades da vida; quanto mais flexíveis formos, mais resistiremos à pressão de sucumbir ao desespero ou à derrota. Quanto maior a nossa auto-estima, maior a probabilidade de sermos criativos em nosso trabalho, ou seja, maior a probabilidade de obtermos sucesso. 

Quanto maior a nossa auto-estima, mais ambiciosos tenderemos a ser, não necessariamente na carreira ou em assuntos financeiros, mas em termos das experiências que esperamos vivenciar de maneira emocional, criativa ou espiritual. 

Quanto maior a nossa auto-estima, maiores serão as nossas possibilidades de manter relações saudáveis, em vez de destrutivas, pois, assim como o amor atrai o amor, a saúde atrai a saúde, e a vitalidade e a comunicabilidade atraem mais do que o vazio e o oportunismo.

Quanto maior a nossa auto-estima, mais inclinados estaremos a tratar os outros com respeito, benevolência e boa vontade, pois não os vemos como ameaça, não nos sentimos como “estranhos e amedrontados num mundo que nós jamais criamos” (citando um poema de A. E. Housman), uma vez que o auto-respeito é o fundamento do respeito pelos outros. 

Quanto maior a nossa auto-estima, mais alegria teremos pelo simples fato de ser, de despertar pela manhã, de viver dentro dos nossos próprios corpos. São essas as recompensas que a nossa autoconfiança e o nosso auto-respeito nos oferecem.

Vamos nos aprofundar mais no significado do conceito de auto-estima. Auto-estima, seja qual for o nível, é uma experiência íntima; reside no cerne do nosso ser. É o que EU penso e sinto sobre mim mesmo, não o que o outro pensa e sente sobre mim.

Quando crianças, nossa autoconfiança e nosso auto-respeito podem ser alimentados ou destruídos pelos adultos – conforme tenhamos sido respeitados, amados, valorizados e encorajados a confiar em nós mesmos. Mas, em nossos primeiros anos de vida, nossas escolhas e decisões são muito importantes para o desenvolvimento futuro de nossa auto-estima. 

Estamos longe de ser meros receptáculos da visão que as outras pessoas têm sobre nós. E de qualquer forma, seja qual tenha sido nossa educação, quando adultos o assunto está em nossas próprias mãos. Ninguém pode respirar por nós, ninguém pode pensar por nós, ninguém pode nos dar autoconfiança e amor-próprio. 

Posso ser amado por minha família, por meu companheiro ou companheira e por meus amigos e, mesmo assim, não amar a mim mesmo. Posso ser admirado por meus colegas de trabalho e mesmo assim ver-me como um inútil. Posso projetar uma imagem de segurança e uma postura que iludem virtualmente a todos e ainda assim tremer secretamente ao sentir minha inadequação. 

Posso preencher todas as expectativas dos outros e, no entanto, falhar em relação às minhas; posso conquistar todas as honras e apesar disso sentir que não cheguei a nada; posso ser adorado por milhões e despertar todas as manhãs com uma nauseante sensação de fraude e vazio. Chegar ao “sucesso” sem conquistar uma auto-estima positiva é ser condenado a sentir-se um impostor que aguarda intranquilo ser desmascarado.

Assim como a aclamação dos outros não cria a nossa auto-estima, também não o fazem os conhecimentos, a competência, as posses materiais, o casamento, a paternidade, a dedicação à caridade, as conquistas sexuais ou as cirurgias plásticas. Essas coisas podem às vezes fazer com que nos sintamos melhor sobre nós mesmos temporariamente, ou mais confortáveis em situações particulares, mas conforto não é auto-estima.

A tragédia é que existem muitas pessoas que procuram a autoconfiança e a auto-estima em todos os lugares, menos dentro delas mesmas, e, assim, fracassam em sua busca. Veremos que a auto-estima positiva pode ser entendida como um tipo de conquista espiritual, isto é, uma vitória na evolução da consciência. 

Quando começamos a entender a auto-estima dessa forma, como uma condição da consciência, entendemos quanta tolice há em acreditar que, se pudermos causar uma boa impressão nos outros, teremos uma auto-avaliação positiva. Pararemos de dizer a nós mesmos: “Se pelo menos eu tivesse mais uma promoção; se pelo menos me tornasse esposa e mãe; se pelo menos fosse reconhecido como um bom provedor; se pelo menos pudesse comprar um carro maior; se pelo menos pudesse escrever mais um livro, comprar mais uma empresa, ter mais um amante, mais uma recompensa, mais um reconhecimento de minha generosidade – então, realmente me sentiria em paz comigo mesmo....”. Perceberíamos então que a busca é irracional, que o anseio será sempre “por mais um”.

Se ter auto-estima é julgar que sou adequado à vida, à experiência da competência e do valor, se auto-estima é a auto-afirmação da consciência, de uma mente que confia em si, então ninguém pode gerar essa experiência a não ser eu mesmo.
Quando avaliamos a verdadeira natureza da auto-estima, vemos que ela não é competitiva ou comparativa.

A verdadeira auto-estima não se expressa pela auto glorificação à custa dos outros, ou pelo ideal de se tornar superior aos outros, ou de diminuir os outros para se elevar. A arrogância, a jactância e a superestima de nossas capacidades são atitudes que refletem uma auto-estima inadequada, e não, como imaginam alguns, excesso de auto-estima.

Uma das características mais significativas da auto-estima saudável é que ela é o estado da pessoa, que não está em guerra consigo mesma ou com os outros. A importância da auto-estima saudável está no fato de que ela é o fundamento da nossa capacidade de reagir ativa e positivamente às oportunidades da vida – no trabalho, no amor e no lazer. A auto-estima saudável é também o fundamento da serenidade de espírito que torna possível desfrutar a vida.
Casa do Aprendiz
Baseado no livro de Stephen R. Covey
Eu adoro seu blog! 

Li pela primeira vez há muitos anos quando passei por uma fase difícil. 

Desde então de vez em quando eu volto para reler meus posts favoritos, eles nunca falham em me acalmar. 

Escrita muito gostosa, positiva não-Poliana. Volte a escrever um dia, se possível. 

Aprendi muito aqui. 
Janaina

21 de fev de 2015

A roubalheira repulsiva e a nação estarrecida

Os extraordinários fatos que nas últimas semanas vêm se desenrolando diante dos nossos olhos estupefatos, a série de denúncias logo comprovadas de corrupção em órgãos estatais e partidos políticos, de­ixam-nos alertas: o que fizemos? 
Como permitimos que tudo isso chegasse a esse ponto — que nos parece quase sem volta —, exigindo terra arrasada para começar a construir, do erro, uma nova nação?
Pode até haver chefes que, em qualquer escalão, não percebam a corrupção entre seus funcionários, se for um breve episódio; mas, se se prolongar por um pouco de tempo que seja, denota grave incompetência de parte dos mandantes. Se souberem e fecharem os olhos permitindo que os crimes continuem, porque “afinal no Brasil é assim, sempre foi assim, e assim é por toda parte”, serão pelo menos cúmplices, ainda que não metam a mão pessoalmente no dinheiro (que neste caso se acumula em milhões e bilhões).
Dinheiro que faz uma desesperada falta em todos os aspectos tão carentes do país de que os responsáveis não cuidaram, ocupados em conseguir mais poder.
A roubalheira é ainda mais repulsiva, pois não se trata de roubar o não essencial, mas de tirar do prato dos pobres a comida, o dinheiro do remédio, os livros, mesas e cadeiras da escola, instrumentos e pessoal de hospitais e postos de saúde, possibilidade de tráfego aos caminhões que transportam alimento e bens de consumo, funcionamento ou mera manutenção das imensas engrenagens deste pobre país, que agora podemos chamar de “pobre” nos dois sentidos, material e moral.
Pobres de nós, que não sabíamos porque olhávamos para o outro lado, porque éramos mesmo ignorantes, porque acreditamos nos líderes errados, porque não nos informamos, porque não estávamos nem aí.
O que vai acontecer? Ao que vemos, muito mais denúncias, provas, prisões e — espero — condenações. Como ocupar os lugares de mando vazios? Que seja com gente competente, não com apaniguados e correligionários. Que seja com gente corajosa, disposta a enfrentar desafios que dinheiro nenhum compensa.
Todos de certa forma permitimos que acontecesse o que agora nos horroriza, ao menos a nós que acordamos, ou sempre denunciamos, nós que nos preocupamos tardiamente ou que já havia um bom tempo balançávamos a cabeça prenunciando os dias de hoje. “Virão tempos sombrios”, dizíamos uns aos outros: pois chegaram.
Uma inflação descontrolada, uma população assustada e a cada dia mais empobrecida, endividada e desatendida, autoridades confusas e desnorteadas, algumas tentando salvar o que pode ser salvo e corrigir o que pode ser corrigido, delineiam uma boa temporada de sofrimento para quase todos nós.
Aqueles em que tantos acreditaram nutrem pensamentos delirantes em sua ilha da fantasia, negando a tragédia que ocorre debaixo de seus olhos: pobreza, inflação descontrolada, endividamento em massa, decadência da educação, saúde, moradia, transporte, segurança e dignidade, e — pior de tudo — a morte lenta da confiança. Eles de todos os modos procuram pateticamente negar o verdadeiro drama que nos assola a todos, sem exceção.
A nação estará estarrecida? O título desta coluna reflete o que eu sinto e o que desejaria que todos sentissem. Parte do país finalmente abre os olhos, aponta as orelhas e atina com a realidade dura destes tempos que apenas começam a se revelar incrédulos. Porém, há semanas multidões requebram ao ritmo das músicas de Carnaval — porque afinal ninguém é de ferro.
Não sou contra o Carnaval, mas imagino que, quando elas despertarem para a realidade depois dessas festas, se botassem nariz de palhaço e voltassem às ruas, não para dançar enquanto o Titanic afunda, mas para protestar e exigir, poderiam salvar o que ainda pode ser salvo.
Que os deuses — e técnicos competentes — nos ajudem, e esta nau brasileira não se rompa, não se destroce, mas se equilibre e, ainda que penosamente, suba à tona e retome algum tipo de rota salvadora — antes que se apaguem as últimas luzes desta maltratada pátria.
Lya Luft

13 de fev de 2015

Mr. Catra - Vale a pena ler

Wagner Domingues da Costa é Mr. Catra, o rei do funk. Em mais de 20 anos de carreira, já cantou vários gêneros -- do funk "consciente", com letras que tratavam da vida ruim na prisão, até os com letras explícitas sobre sexo. 
Agora, lança um projeto paralelo cantando algo inspirado em rock pesado. Segundo sua própria definição, trata-se do “super power funk'n roll”, uma mistura da pressão e força do rock com uma pitada de sensualidade do funk. 
Quase formado em direito, Mr. Catra vive numa casa confortável em São Paulo, onde mora definitivamente há um ano. Diz que, se o Rio de Janeiro é o berço do funk, São Paulo é a maternidade, e vem cuidando muito bem do bebê. Catra começou falando de música, mas tratou de outras coisas que considera importantes: segurança pública, maioridade penal e legalização das drogas.
ÉPOCA - O senhor acompanhou o caso dos policiais no Rio de Janeiro que, em agosto de 2014, atiraram em um carro com jovens voltando de uma festa? Os policiais reclamam que são jogados à própria sorte, ganham mal, têm equipamento inadequado, têm medo de pendurar a farda no varal de casa. Como melhorar a relação da polícia com o cidadão?
Mr. Catra - Se (o policial) hesitasse ali, poderia perder a vida também! Ele cometeu um erro, mas a culpa não é do policial, nem da menina que invadiu a blitz. A culpa é da sociedade. O policial ganha muito pouco para arriscar a vida dele, para hesitar em um momento daquele. A polícia é reflexo do governo. Melhora o governo que a polícia vai melhorar.  O repúdio que o povo sente pela polícia é o repúdio que sente do governo. A policia é mandada pelo governo, troca o governo que a policia muda. A gente não pode nem culpar o policial, ele está ali pra cumprir ordem.  
ÉPOCA - A redução da maioridade penal foi tema de debate político nas ultimas eleições.  O que o senhor acha das mudanças propostas nas penas para menores de 18 anos que cometerem crimes graves?
Mr. Catra - Qual é a responsabilidade de um menino de 16 anos? Quem tem de ser responsabilizado pelas atitudes de um menino de 16 anos é o país. É o governo. Para cada criança infratora, deveria ter um governante na cadeia. Porque a culpa não é da criança, a culpa é de quem está ensinando. Por exemplo, como o professor pode ganhar mal, o cara que te ensina a ler e escrever? Qual estrutura o Estado dá para as crianças não serem menores infratores? Isso é covardia. Criança tem que estar na escola e não na cadeia. Criança tem que ter reabilitação, e essa cadeia que está aí não reabilita ninguém. Só vai fazer dele uma marginal mais perigoso amanhã. O que melhora não é cadeia, é amor.
ÉPOCA - No Brasil, Pelé, Joaquim Barbosa, Taís Araújo e Lázaro Ramos são ídolos nacionais. São Paulo já elegeu prefeito negro, o Celso Pitta. Por isso, tem quem considere que o preconceito no Brasil é só de classe – contra pobres, e não contra negros. O que o senhor acha?
Mr. Catra - Essa é a realidade do Brasil: se você tiver dinheiro, você é doutor, se não tiver, você é mulambo. Você vale o que você tem. Vale a lei do mais esperto. É igual na Disney, todo mundo que ser o Mickey e ninguém quer ser o Pateta.
ÉPOCA - Qual sua opinião sobre a legalização da maconha?
Mr. Catra - Sou a favor da legalização das drogas, mas o Brasil não está preparado. Eu sou a favor de as pessoas pararem de usar as drogas para se matar. A gente paga para a população ficar se matando, eu sou contra esse gasto exorbitante com segurança pública por conta das drogas. Isso produz lucro para o traficante. Existe o trafico de drogas. Quer acabar com ele? Legaliza. Vai acabar com o traficante. Ele vai ganhar dinheiro como? Não vai vender mais, com a concorrência. Acabaria com várias despesas que a gente tem e acabaria com o poder do narcotráfico. 

Existe o trafico de cigarros, mas o traficante de cigarro não ganha tanto, porque o cigarro é liberado. Com o trafico de outras drogas ia acontecer a mesma coisa. Imagina pegar todo o dinheiro da venda de drogas e investir em hospital? Em vez de pegar o dinheiro para investir na segurança pública, porque não pega o dinheiro das drogas para investir em educação, escola? Faz como em Amsterdã, na Holanda. Se você quer ter seu coffee shop (lojas que vendem maconha com autorização do governo), você pega uma autorização, vai lá e monta seu negocio. Quem fuma, fuma. Quem cheira, cheira. Tem gente que gosta de beber e tem gente que não bebe. Tudo que você quer, você encontra. Não tem essa de está proibido ou está liberado. As pessoas já escolhem os que elas querem. Se a violência está aí, é porque a política permitiu. Se as drogas estão aí, é porque a política permitiu. O governo é o maior produtor de traficante que temos.
ÉPOCA - E sobre a legalização da maconha para fins medicinais?
Mr. Catra - Se o bagulho salva vidas, se ameniza a dor... está provado cientificamente que a maconha é um remédio para várias enfermidades. As pessoas só falam da maconha como entorpecente, não falam como remédio, como recurso para o mercado têxtil. Quem está proibindo tem interesse na indústria do algodão, na indústria farmacêutica. A maconha tem muito mais função do que o tabaco.

7 de fev de 2015

O grande apagão

Sempre me impressionou o tabu que envolve algumas palavras. Por muito tempo palavrões pronunciados em outro idioma apareciam nas legendas de nossos cinemas e TV substituídos por reticências, ou numa tradução mais branda, enquanto na tela se desenrolavam cenas então ditas “fortes”.
Hoje pouca coisa seria considerada imprópria, pois a qualquer hora do dia crianças ligam a TV e, a não ser que haja algum adulto presente propondo algo mais divertido, assistem a cenas tórridas. A intimidade pessoal vem sendo tão banalizada que pouca coisa nos choca – ou escondemos isso para que não pareçamos antiquados?
Voltando aos tabus verbais: procuramos evitar o nome de certas enfermidades que nos assustam, como se, pronunciadas, elas pudessem nos contaminar. O Diabo tem centenas de apelidos – um dos encantos na minha obra predileta, Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, é ver os nomes que lhe dão, sobretudo no interior, de “Coisa Ruim”, “Renegado” e outros: é a poderosa e colorida imaginação do povo, criativa como a das crianças.
Atualmente, ao menos nos escalões do governo, “recessão”, “apagão” e “racionamento” são os malditos, como se, mascarados por eufemismos, eles não fossem o flagelo real de empresas e indivíduos, pela incompetência ou interesses políticos das autoridades responsáveis (que vinham sendo avisadas), provocando a falta de água e os apagões elétricos, dentro de todo um quadro seriíssimo de falhas estruturais pelo país.
“Recessão”, como mencionada (logo corrigida) pelo ministro da Fazenda, poderia ter uma conotação positiva, com o significado de controlar para arrumar, e depois refazer a casa, buscando o bem real de seus moradores – até onde isso interessa ao Estado.
Empenhado numa batalha feroz pela manutenção do poder, o governo nos arrastou a este fundo de oceano onde estamos ancorados, raspando as areias e ameaçando ali ficar: estimulou com veemência o consumo, deixando multidões inadimplentes ou gravemente endividadas. Tratou adversários de maneira abominável, iludiu o povo com promessas vãs, de muitas maneiras colaborou para o apagão das nossas estruturas públicas e a fragilidade dos nossos valores morais.
Volto a mencionar algumas mazelas, além de água e energia: o caos na educação (vejam as redações do Enem e o desinteresse pela melhor qualificação do ensino), que deveria obter os maiores investimentos, pois é onde tudo começa: posso tomar banho frio e enxergar à luz de velas, mas preciso de uma cabeça instruída para decidir minha vida e a do meu país.
Lembro o precaríssimo saneamento, a segurança falida, as leis ineficientes e a impunidade que causam uma carnificina diária; a situação da saúde é criminosa; os meios de transporte atormentam as pessoas e entravam a economia; a comunicação corre o risco de ser controlada; e relações internacionais inadequadas nos afastam dos países adiantados (lembrem que a diplomacia leva a imagem do país).
Sozinho, o ministro Joaquim Levy será um curativo sobre um imenso corpo doente. Seriam necessários muitos competentes como ele para consertar o que aí está. Esperemos que, apesar dos problemas (não sabemos da missa nem dezoito avos), ele não desista, a fim de que este povo não seja mais massacrado, e a nação não passe vexames iguais ao exemplo que cito aqui: como muitas entidades públicas no Brasil, várias embaixadas brasileiras estão com as contas atrasadas. O governo não lhes envia os recursos essenciais, elas precisam economizar energia e água, não pagam a funcionários e fornecedores, falta papel para as impressoras – logo até o papel higiênico será uma preciosidade.
Não sou pessimista, mas de um realismo moderado. Enquanto os responsáveis por essa escandalosa situação não tiverem a coragem de encarar a realidade, assumir e consertar seus malfeitos com honestidade e firmeza, continuaremos uma nação avestruz, com as ignorantes cabeças escondidas na areia. E não conseguiremos dar um passo à frente: será escuro do apagão geral.
Lya Luft

5 de fev de 2015

Navegar é Preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Fernando Pessoa

Dilma e as promessas

30 de jan de 2015

Máscara de carnaval

A Graça Foster e o Cerveró foram numa loja de fantasias comprar uma máscara de carnaval e o atendente vendeu só o elástico.

Winston Churchill


Todas as grandes coisas são simples. E muitas podem ser expressas numa só palavra: 
liberdade; justiça, honra, dever, piedade, esperança.
Winston Churchill

30 Janeiro 1965 funeral de Sir Winston Churchill

28 de jan de 2015

Morar junto é uma ilusão


Na primeira cena, ela está colada à tela, enredada em ideias para um novo projeto. Ele enxerga um corpo e supõe que ela está à disposição. Chama, pergunta, mas não é a esposa ali. Ela fala qualquer coisa para se desvencilhar das interrupções e voltar ao trabalho. Depois a reclamação: "Você me ignora, não me ouve, é grossa". Ela poderia responder: "É você que inicia diálogos de uma posição ruim, sem antes ver onde estou".

Na segunda cena, ele está lavando louça ou se vestindo, ela está em outro cômodo. Por comodidade (notem o radical em comum), em vez de andar até ela para uma conversa com 100% de atenção, ele quase grita: "Meu pai está mal. Vamos lá amanhã?". Ela responde como dá, ele não cessa a conversa, eem minutos entram em um tema espinhoso, que exigiria um contato olho no olho. Sem querer, ele solta uma ofensa e a situação deságua em sofrimento. Brigam por distração - somada à, digamos, falta de infraestrutura para um diálogo. Ele poderia se desculpar assim: "Falei aquilo porque estava fazendo outra coisa, foi um gesto emocional, por favor desconsidere o conteúdo".

Na terceira e última cena, ela está lendo A Soma de Tudo (Sum, do neurocientista David Eagleman), com corpo e mente imaginando experiências possíveis após a morte. Ela não está avoada ou longe; ela está presente em um lugar sutil. Tanto é que se ele chegasse com uma boa pergunta ("O que está visualizando aí em seu mundo?"), ela falaria por horas. Mas ele vem com tudo e mostra o celular: "Pira nesse vídeo!". O modo como nos aproximamos de alguém escancara onde está nossa mente. Se estamos autocentrados, chegamos afobados, igual faz uma criança, querendo sempre a preferencial no trânsito das urgências, como se todos fossem personagens de um mesmo filme: o nosso. Se não estamos autocentrados, vemos um outro mundo (não metros, mas quilômetros à frente), nos aproximamos com interesse e com a liberdade de interromper ou de deixar para depois. Um dos atos mais cruéis é roubar o tempo, a atenção, a energia das pessoas elevá-las a desperdiçar parte da vida com frivolidades. É um roubo como qualquer outro.

Triste: quanto maior a intimidade, mais tomamos a proximidade como estabelecida, menos nos aproximamos de verdade. Casar ou morar junto não significa habitar o mesmo mundo do outro - e que bom que seja assim. Ainda que estejamos sob o mesmo teto, ou justamente por isso, precisamos sempre bater na porta. E esperar que ela se abra.

Gustavo Gitti

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