21 de fev de 2015

A roubalheira repulsiva e a nação estarrecida

Os extraordinários fatos que nas últimas semanas vêm se desenrolando diante dos nossos olhos estupefatos, a série de denúncias logo comprovadas de corrupção em órgãos estatais e partidos políticos, de­ixam-nos alertas: o que fizemos? 
Como permitimos que tudo isso chegasse a esse ponto — que nos parece quase sem volta —, exigindo terra arrasada para começar a construir, do erro, uma nova nação?
Pode até haver chefes que, em qualquer escalão, não percebam a corrupção entre seus funcionários, se for um breve episódio; mas, se se prolongar por um pouco de tempo que seja, denota grave incompetência de parte dos mandantes. Se souberem e fecharem os olhos permitindo que os crimes continuem, porque “afinal no Brasil é assim, sempre foi assim, e assim é por toda parte”, serão pelo menos cúmplices, ainda que não metam a mão pessoalmente no dinheiro (que neste caso se acumula em milhões e bilhões).
Dinheiro que faz uma desesperada falta em todos os aspectos tão carentes do país de que os responsáveis não cuidaram, ocupados em conseguir mais poder.
A roubalheira é ainda mais repulsiva, pois não se trata de roubar o não essencial, mas de tirar do prato dos pobres a comida, o dinheiro do remédio, os livros, mesas e cadeiras da escola, instrumentos e pessoal de hospitais e postos de saúde, possibilidade de tráfego aos caminhões que transportam alimento e bens de consumo, funcionamento ou mera manutenção das imensas engrenagens deste pobre país, que agora podemos chamar de “pobre” nos dois sentidos, material e moral.
Pobres de nós, que não sabíamos porque olhávamos para o outro lado, porque éramos mesmo ignorantes, porque acreditamos nos líderes errados, porque não nos informamos, porque não estávamos nem aí.
O que vai acontecer? Ao que vemos, muito mais denúncias, provas, prisões e — espero — condenações. Como ocupar os lugares de mando vazios? Que seja com gente competente, não com apaniguados e correligionários. Que seja com gente corajosa, disposta a enfrentar desafios que dinheiro nenhum compensa.
Todos de certa forma permitimos que acontecesse o que agora nos horroriza, ao menos a nós que acordamos, ou sempre denunciamos, nós que nos preocupamos tardiamente ou que já havia um bom tempo balançávamos a cabeça prenunciando os dias de hoje. “Virão tempos sombrios”, dizíamos uns aos outros: pois chegaram.
Uma inflação descontrolada, uma população assustada e a cada dia mais empobrecida, endividada e desatendida, autoridades confusas e desnorteadas, algumas tentando salvar o que pode ser salvo e corrigir o que pode ser corrigido, delineiam uma boa temporada de sofrimento para quase todos nós.
Aqueles em que tantos acreditaram nutrem pensamentos delirantes em sua ilha da fantasia, negando a tragédia que ocorre debaixo de seus olhos: pobreza, inflação descontrolada, endividamento em massa, decadência da educação, saúde, moradia, transporte, segurança e dignidade, e — pior de tudo — a morte lenta da confiança. Eles de todos os modos procuram pateticamente negar o verdadeiro drama que nos assola a todos, sem exceção.
A nação estará estarrecida? O título desta coluna reflete o que eu sinto e o que desejaria que todos sentissem. Parte do país finalmente abre os olhos, aponta as orelhas e atina com a realidade dura destes tempos que apenas começam a se revelar incrédulos. Porém, há semanas multidões requebram ao ritmo das músicas de Carnaval — porque afinal ninguém é de ferro.
Não sou contra o Carnaval, mas imagino que, quando elas despertarem para a realidade depois dessas festas, se botassem nariz de palhaço e voltassem às ruas, não para dançar enquanto o Titanic afunda, mas para protestar e exigir, poderiam salvar o que ainda pode ser salvo.
Que os deuses — e técnicos competentes — nos ajudem, e esta nau brasileira não se rompa, não se destroce, mas se equilibre e, ainda que penosamente, suba à tona e retome algum tipo de rota salvadora — antes que se apaguem as últimas luzes desta maltratada pátria.
Lya Luft

13 de fev de 2015

Mr. Catra - Vale a pena ler

Wagner Domingues da Costa é Mr. Catra, o rei do funk. Em mais de 20 anos de carreira, já cantou vários gêneros -- do funk "consciente", com letras que tratavam da vida ruim na prisão, até os com letras explícitas sobre sexo. 
Agora, lança um projeto paralelo cantando algo inspirado em rock pesado. Segundo sua própria definição, trata-se do “super power funk'n roll”, uma mistura da pressão e força do rock com uma pitada de sensualidade do funk. 
Quase formado em direito, Mr. Catra vive numa casa confortável em São Paulo, onde mora definitivamente há um ano. Diz que, se o Rio de Janeiro é o berço do funk, São Paulo é a maternidade, e vem cuidando muito bem do bebê. Catra começou falando de música, mas tratou de outras coisas que considera importantes: segurança pública, maioridade penal e legalização das drogas.
ÉPOCA - O senhor acompanhou o caso dos policiais no Rio de Janeiro que, em agosto de 2014, atiraram em um carro com jovens voltando de uma festa? Os policiais reclamam que são jogados à própria sorte, ganham mal, têm equipamento inadequado, têm medo de pendurar a farda no varal de casa. Como melhorar a relação da polícia com o cidadão?
Mr. Catra - Se (o policial) hesitasse ali, poderia perder a vida também! Ele cometeu um erro, mas a culpa não é do policial, nem da menina que invadiu a blitz. A culpa é da sociedade. O policial ganha muito pouco para arriscar a vida dele, para hesitar em um momento daquele. A polícia é reflexo do governo. Melhora o governo que a polícia vai melhorar.  O repúdio que o povo sente pela polícia é o repúdio que sente do governo. A policia é mandada pelo governo, troca o governo que a policia muda. A gente não pode nem culpar o policial, ele está ali pra cumprir ordem.  
ÉPOCA - A redução da maioridade penal foi tema de debate político nas ultimas eleições.  O que o senhor acha das mudanças propostas nas penas para menores de 18 anos que cometerem crimes graves?
Mr. Catra - Qual é a responsabilidade de um menino de 16 anos? Quem tem de ser responsabilizado pelas atitudes de um menino de 16 anos é o país. É o governo. Para cada criança infratora, deveria ter um governante na cadeia. Porque a culpa não é da criança, a culpa é de quem está ensinando. Por exemplo, como o professor pode ganhar mal, o cara que te ensina a ler e escrever? Qual estrutura o Estado dá para as crianças não serem menores infratores? Isso é covardia. Criança tem que estar na escola e não na cadeia. Criança tem que ter reabilitação, e essa cadeia que está aí não reabilita ninguém. Só vai fazer dele uma marginal mais perigoso amanhã. O que melhora não é cadeia, é amor.
ÉPOCA - No Brasil, Pelé, Joaquim Barbosa, Taís Araújo e Lázaro Ramos são ídolos nacionais. São Paulo já elegeu prefeito negro, o Celso Pitta. Por isso, tem quem considere que o preconceito no Brasil é só de classe – contra pobres, e não contra negros. O que o senhor acha?
Mr. Catra - Essa é a realidade do Brasil: se você tiver dinheiro, você é doutor, se não tiver, você é mulambo. Você vale o que você tem. Vale a lei do mais esperto. É igual na Disney, todo mundo que ser o Mickey e ninguém quer ser o Pateta.
ÉPOCA - Qual sua opinião sobre a legalização da maconha?
Mr. Catra - Sou a favor da legalização das drogas, mas o Brasil não está preparado. Eu sou a favor de as pessoas pararem de usar as drogas para se matar. A gente paga para a população ficar se matando, eu sou contra esse gasto exorbitante com segurança pública por conta das drogas. Isso produz lucro para o traficante. Existe o trafico de drogas. Quer acabar com ele? Legaliza. Vai acabar com o traficante. Ele vai ganhar dinheiro como? Não vai vender mais, com a concorrência. Acabaria com várias despesas que a gente tem e acabaria com o poder do narcotráfico. 

Existe o trafico de cigarros, mas o traficante de cigarro não ganha tanto, porque o cigarro é liberado. Com o trafico de outras drogas ia acontecer a mesma coisa. Imagina pegar todo o dinheiro da venda de drogas e investir em hospital? Em vez de pegar o dinheiro para investir na segurança pública, porque não pega o dinheiro das drogas para investir em educação, escola? Faz como em Amsterdã, na Holanda. Se você quer ter seu coffee shop (lojas que vendem maconha com autorização do governo), você pega uma autorização, vai lá e monta seu negocio. Quem fuma, fuma. Quem cheira, cheira. Tem gente que gosta de beber e tem gente que não bebe. Tudo que você quer, você encontra. Não tem essa de está proibido ou está liberado. As pessoas já escolhem os que elas querem. Se a violência está aí, é porque a política permitiu. Se as drogas estão aí, é porque a política permitiu. O governo é o maior produtor de traficante que temos.
ÉPOCA - E sobre a legalização da maconha para fins medicinais?
Mr. Catra - Se o bagulho salva vidas, se ameniza a dor... está provado cientificamente que a maconha é um remédio para várias enfermidades. As pessoas só falam da maconha como entorpecente, não falam como remédio, como recurso para o mercado têxtil. Quem está proibindo tem interesse na indústria do algodão, na indústria farmacêutica. A maconha tem muito mais função do que o tabaco.

7 de fev de 2015

O grande apagão

Sempre me impressionou o tabu que envolve algumas palavras. Por muito tempo palavrões pronunciados em outro idioma apareciam nas legendas de nossos cinemas e TV substituídos por reticências, ou numa tradução mais branda, enquanto na tela se desenrolavam cenas então ditas “fortes”.
Hoje pouca coisa seria considerada imprópria, pois a qualquer hora do dia crianças ligam a TV e, a não ser que haja algum adulto presente propondo algo mais divertido, assistem a cenas tórridas. A intimidade pessoal vem sendo tão banalizada que pouca coisa nos choca – ou escondemos isso para que não pareçamos antiquados?
Voltando aos tabus verbais: procuramos evitar o nome de certas enfermidades que nos assustam, como se, pronunciadas, elas pudessem nos contaminar. O Diabo tem centenas de apelidos – um dos encantos na minha obra predileta, Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, é ver os nomes que lhe dão, sobretudo no interior, de “Coisa Ruim”, “Renegado” e outros: é a poderosa e colorida imaginação do povo, criativa como a das crianças.
Atualmente, ao menos nos escalões do governo, “recessão”, “apagão” e “racionamento” são os malditos, como se, mascarados por eufemismos, eles não fossem o flagelo real de empresas e indivíduos, pela incompetência ou interesses políticos das autoridades responsáveis (que vinham sendo avisadas), provocando a falta de água e os apagões elétricos, dentro de todo um quadro seriíssimo de falhas estruturais pelo país.
“Recessão”, como mencionada (logo corrigida) pelo ministro da Fazenda, poderia ter uma conotação positiva, com o significado de controlar para arrumar, e depois refazer a casa, buscando o bem real de seus moradores – até onde isso interessa ao Estado.
Empenhado numa batalha feroz pela manutenção do poder, o governo nos arrastou a este fundo de oceano onde estamos ancorados, raspando as areias e ameaçando ali ficar: estimulou com veemência o consumo, deixando multidões inadimplentes ou gravemente endividadas. Tratou adversários de maneira abominável, iludiu o povo com promessas vãs, de muitas maneiras colaborou para o apagão das nossas estruturas públicas e a fragilidade dos nossos valores morais.
Volto a mencionar algumas mazelas, além de água e energia: o caos na educação (vejam as redações do Enem e o desinteresse pela melhor qualificação do ensino), que deveria obter os maiores investimentos, pois é onde tudo começa: posso tomar banho frio e enxergar à luz de velas, mas preciso de uma cabeça instruída para decidir minha vida e a do meu país.
Lembro o precaríssimo saneamento, a segurança falida, as leis ineficientes e a impunidade que causam uma carnificina diária; a situação da saúde é criminosa; os meios de transporte atormentam as pessoas e entravam a economia; a comunicação corre o risco de ser controlada; e relações internacionais inadequadas nos afastam dos países adiantados (lembrem que a diplomacia leva a imagem do país).
Sozinho, o ministro Joaquim Levy será um curativo sobre um imenso corpo doente. Seriam necessários muitos competentes como ele para consertar o que aí está. Esperemos que, apesar dos problemas (não sabemos da missa nem dezoito avos), ele não desista, a fim de que este povo não seja mais massacrado, e a nação não passe vexames iguais ao exemplo que cito aqui: como muitas entidades públicas no Brasil, várias embaixadas brasileiras estão com as contas atrasadas. O governo não lhes envia os recursos essenciais, elas precisam economizar energia e água, não pagam a funcionários e fornecedores, falta papel para as impressoras – logo até o papel higiênico será uma preciosidade.
Não sou pessimista, mas de um realismo moderado. Enquanto os responsáveis por essa escandalosa situação não tiverem a coragem de encarar a realidade, assumir e consertar seus malfeitos com honestidade e firmeza, continuaremos uma nação avestruz, com as ignorantes cabeças escondidas na areia. E não conseguiremos dar um passo à frente: será escuro do apagão geral.
Lya Luft

5 de fev de 2015

Navegar é Preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Fernando Pessoa

Dilma e as promessas

30 de jan de 2015

Máscara de carnaval

A Graça Foster e o Cerveró foram numa loja de fantasias comprar uma máscara de carnaval e o atendente vendeu só o elástico.

Winston Churchill


Todas as grandes coisas são simples. E muitas podem ser expressas numa só palavra: 
liberdade; justiça, honra, dever, piedade, esperança.
Winston Churchill

30 Janeiro 1965 funeral de Sir Winston Churchill

28 de jan de 2015

Morar junto é uma ilusão


Na primeira cena, ela está colada à tela, enredada em ideias para um novo projeto. Ele enxerga um corpo e supõe que ela está à disposição. Chama, pergunta, mas não é a esposa ali. Ela fala qualquer coisa para se desvencilhar das interrupções e voltar ao trabalho. Depois a reclamação: "Você me ignora, não me ouve, é grossa". Ela poderia responder: "É você que inicia diálogos de uma posição ruim, sem antes ver onde estou".

Na segunda cena, ele está lavando louça ou se vestindo, ela está em outro cômodo. Por comodidade (notem o radical em comum), em vez de andar até ela para uma conversa com 100% de atenção, ele quase grita: "Meu pai está mal. Vamos lá amanhã?". Ela responde como dá, ele não cessa a conversa, eem minutos entram em um tema espinhoso, que exigiria um contato olho no olho. Sem querer, ele solta uma ofensa e a situação deságua em sofrimento. Brigam por distração - somada à, digamos, falta de infraestrutura para um diálogo. Ele poderia se desculpar assim: "Falei aquilo porque estava fazendo outra coisa, foi um gesto emocional, por favor desconsidere o conteúdo".

Na terceira e última cena, ela está lendo A Soma de Tudo (Sum, do neurocientista David Eagleman), com corpo e mente imaginando experiências possíveis após a morte. Ela não está avoada ou longe; ela está presente em um lugar sutil. Tanto é que se ele chegasse com uma boa pergunta ("O que está visualizando aí em seu mundo?"), ela falaria por horas. Mas ele vem com tudo e mostra o celular: "Pira nesse vídeo!". O modo como nos aproximamos de alguém escancara onde está nossa mente. Se estamos autocentrados, chegamos afobados, igual faz uma criança, querendo sempre a preferencial no trânsito das urgências, como se todos fossem personagens de um mesmo filme: o nosso. Se não estamos autocentrados, vemos um outro mundo (não metros, mas quilômetros à frente), nos aproximamos com interesse e com a liberdade de interromper ou de deixar para depois. Um dos atos mais cruéis é roubar o tempo, a atenção, a energia das pessoas elevá-las a desperdiçar parte da vida com frivolidades. É um roubo como qualquer outro.

Triste: quanto maior a intimidade, mais tomamos a proximidade como estabelecida, menos nos aproximamos de verdade. Casar ou morar junto não significa habitar o mesmo mundo do outro - e que bom que seja assim. Ainda que estejamos sob o mesmo teto, ou justamente por isso, precisamos sempre bater na porta. E esperar que ela se abra.

Gustavo Gitti

25 de jan de 2015

Onde moram os mais ricos dos mais ricos

O Fórum Econômico Mundial chegou ao fim com muitas discussões sobre a crescente desigualdade e referências ao "1% mais rico".

Relatório da entidade Oxfam causou polêmica ao prever que o grupo de 1% das pessoas mais ricas do mundo possuirá, em breve, mais do que o resto da população mundial. A estimativa foi baseada em pesquisa do banco Credit Suisse, que estimou a riqueza total das famílias em todo o mundo em 2014 em US$ 263 trilhões (R$ 678 trilhões).

Isso é riqueza, não renda. É calculado como ativos menos dívida.

Obviamente, bilionários como Bill Gates, Waren Buffet e Mark Zuckerberg fazem parte deste 1%. Mas quem mais? Segundo o Credit Suisse, outras 47 milhões de pessoas - todas com uma riqueza equivalente ou superior a US$ 798 mil (R$ 2,06 milhões)

Isso inclui muitas pessoas em países desenvolvidos que não se consideram ricas, mas que possuem uma casa quitada ou já tenham pago parte significante de suas hipotecas.

Entre elas, estão 18 milhões de pessoas nos Estados Unidos, o país com maior número de integrantes no grupo do 1%.

São 3,5 milhões na França, 2,9 milhões no Reino Unido e 2,8 milhões na Alemanha. A Alemanha tem a maior economia da Europa e a razão por ter menos pessoas ricas, segundo o Credit Suisse, é que tem níveis menores de pessoas com casa própria.

Há dois países asiáticos com mais de 1 milhão de pessoas entre as mais ricas: Japão (4 milhões) e China (1,6 milhão).

O país com a maior proporção de integrantes em relação à população é a Suíça: um em cada dez - ou 800 mil dos 8 milhões - tem patrimônio superior a US$ 798 mil.

Mas o relatório do Credit Suisse não conta a história inteira, já que não leva em conta o custo para comprar bens em cada país, por exemplo. Meio milhão de libras pode comprar um apartamento de um quarto no centro de Londres, mas em outros países compra uma mansão. O estudo também não leva em conta a renda.

Já para estar entre os 10% mais ricos, é necessário ter US$ 77 mil em ativos (R$ 198 mil). E para figurar na metade de cima dos mais ricos do mundo é preciso US$ 3.650 (R$ 9.408)
BBC

16 de jan de 2015

O plano cobre

Humor cáustico perde a graça quando precisa ser explicado. Falhei. Poucos se divertiram e muitos se ofenderam. A intenção não era essa. Leia o texto e deixe seu recado nos comentários.

Todo pobre tem problema de pressão. Seja real ou imaginário. É uma coisa impressionante. E todos têm fascinação por aferir [verificar] a pressão constantemente. Pobre desmaia em velório, tem queda ou pico de pressão. Em churrascos, não. Atualmente, com as facilidades que os planos de saúde oferecem, fazer exames tornou-se um programa sofisticado. Hemograma completo, chapa do pulmão, ressonância magnética, ultra de bexiga cheia. Acontece que o pobre - normalmente - alega que se não tomar café da manhã tem queda de pressão. 

Como o hemograma completo exige jejum de 8 ou 12 horas, o pobre, sempre bem arrumado, chega bem cedo no laboratório, pega sua senha, já suando de emoção [uma mistura de medo e prazer, como se estivesse entrando pela primeira vez em um avião] e fica obcecado pelo lanchinho que o laboratório oferece gratuitamente depois da coleta. Deve ser o ambiente. Piso brilhante de porcelanato, ar condicionado, TV ligada na Globo, pessoas uniformizadas. O pobre provavelmente se sente em um cenário de novela.
Normalmente, se arruma para ir a consultas médicas e aos laboratórios. É comum ver crianças e bebês com laçarotes enormes na cabeça e tênis da GAP sentados no colo de suas mães de cabelos lisos [porque atualmente, no Brasil, não existem mais pessoas de cabelos cacheados] e barriga marcada na camiseta agarrada.

O pobre quer ter uma doença. Problema na tireoide, por exemplo, está na moda. É quase chique. Outro dia assisti a um programa da Globo, chamado Bem-Estar. Interessantíssimo. Parece um programa infantil. A apresentadora cola coisas em um painel, separando o que faz bem e o que faz mal dependendo do caso que esteja sendo discutido. O caso normalmente é a dúvida de algum pobre. Coisas do tipo "tenho cisto no ovário e quero saber se posso engravidar". Porque a grande preocupação do pobre é procriar. O programa é educativo, chega a ser divertido.
Voltando ao exame de sangue, vale lembrar que todo pobre fica tonto depois de tirar o sangue. Evita trabalhar naquele dia. Faz drama, fica de cama.
Eu acho que o sonho de muitos pobres é ter nódulos. O avanço da medicina - que me amedronta a cada dia porque eu não quero viver 120 anos - conquistou o coração dos financeiramente prejudicados. É uma espécie de glamourização da doença. Faz o exame, espera o resultado, reza para que o nódulo não seja cancerígeno. Conta para a família inteira, mostra a cicatriz da cirurgia.

Acho que não conheço nenhuma empregada doméstica que esteja sempre com atacada da ciática [nervo ciático inflamado]. Ah! Eles também têm colesterol [colesterol alto] e alegam "estar com o sistema nervoso" quando o médico se atreve a dizer que o problema pode ser emocional.
O que me fascina é que o interesse deles é o diagnóstico. 
O tratamento é secundário, apesar deles também apresentarem certo fascínio pelos genéricos.

Mesmo "com colesterol" continuam comendo pastel de camarão com catupiry [não existe um pobre na face da terra que não seja fascinado por camarão] e, no final de semana, todo mundo enche a cara no churrasco ao som de "deixar a vida me levar, vida leva eu" debaixo de um calor de 48 graus.
Pressão: 12 por 8
Como são felizes. Babo de inveja.

ATENÇÃO:

Humor cáustico perde a graça quando precisa ser explicado. Falhei. Poucos se divertiram e muitos se ofenderam. A intenção não era essa.
Silvia Pilz - O Globo

8 de jan de 2015

6 de jan de 2015

A delicadeza dos dias

“Mãe, sabia que, quando a gente cresce, pode voltar a brincar com os brinquedos de criança?”, anunciou minha afilhada Catarina, três anos e oito meses. E seguiu, em sua primeira declaração de Ano-Novo. “A gente precisa dos brinquedos pra ir na faculdade. Eu vou ser escrevista." Escrevista?, pontuou a mãe, interrogativa. "Escrevista, mãe. Aquela pessoa que escreve pra ler."


Catarina é assim. Cercada de princesas, porque ela também é uma princesista praticante, ela às vezes silencia os adultos ao redor, arrancando-nos da repetição neurótica dos dias. É visível que sente compaixão por nós, a ponto de, neste Natal, ter fingido acreditar no Papai Noel para não nos decepcionar. Fizemos coisas ridículas, na falta de chaminés o Papai Noel teria descido por uma janela pela qual não passaria um duende com anorexia, e ela deixou passar. Mas, juro, seus olhos eram tão céticos quanto os de Humphrey Bogart em Casablanca.

Dias antes ela já havia simulado crer numa carta que o velho teria lhe escrito de próprio punho, na qual, por uma incrível coincidência, lhe dava conselhos iguaizinhos aos que a mãe lhe dá todo dia. Catarina mal continha o riso quando lhe perguntei sobre a carta. Mas fingiu acreditar, por amor. Mentiras sinceras já lhe interessam.

Passou a virada do ano vestida de Alice, a do País das Maravilhas. Percebo que, para ela, somos todos o coelho branco. “Ai, ai, meu Deus, alô, adeus, é tarde, tarde é tarde. Não, não, não, eu tenho pressa, pressa....” De tanto nos observar, percebeu que precisamos muito de nossos brinquedos na vida adulta. E nos autorizou. Por isso nos mandou brincar.

Há quem se engane e pense que as crianças falam “errado” por não conhecerem ainda as palavras “certas”. Não. Elas chegam às palavras exatas e depois nós as encaixotamos com a uniformidade do dicionário, “corrigindo-as”. Alguém pode se confundir e achar que Catarina queria dizer “escritora” e não “escrevista”, como disse. Nada. Escrevista era a palavra exata. Aquela pessoa que escreve não para ser lida, mas para ler, como Catarina mesmo esclareceu. Ler a si mesma. Uma vista de si.

E Catarina já é uma escrevista. O que pode ocorrer é que, na faculdade, talvez ela deixe de ser. Mas apenas se esquecer de levar seus brinquedos. Espero estar viva para lembrá-la.

Catarina já se conta, passa os dias se contando, em longas narrativas. Ela sabe o que Fernandes, o personagem do filme indiano “Lunchbox”, de Ritesh Batra, descobriu quando já começava a envelhecer: “Acho que esquecemos das coisas se não tivermos a quem contá-las”. Um dia, por engano, Fernandes recebeu no seu escritório uma marmita que não era para ele, mas era para ele: “O trem errado às vezes leva ao destino certo”. A partir desse desacerto tão acertado, iniciou-se uma correspondência entre a mulher que cozinha e o homem que come. Fernandes, que se limitava a repetir os dias, passou a enxergar os dias quando começou a escrever para ela. A cor, o cheiro, o sabor da comida onde ela escondia as palavras despertaram seus sentidos, até então embrutecidos pela repetição. Ele era um contador – um contador de números que não contava os sentimentos. Nem contava, não era importante, para ninguém. Ao se contar, finalmente contou, em mais de um sentido. Contou para ela, contou para si mesmo.

Há um momento nesse filme tão bonito em que Fernandes pela primeira vez se detém para observar os quadros de um pintor de rua pelo qual passa todo dia sem parar. O pintor pinta sempre a mesma paisagem. Mas, se olhar bem de perto, Fernandes descobre, não é a mesma paisagem. Como o dia dele, que só parece ser o mesmo. Ou só é o mesmo se ele não for capaz de enxergar a delicadeza, as infinitas pequenas mudanças, a eterna novidade do mundo de que falava Fernando Pessoa, aquele que precisou de pelo menos três heterônimos para dar conta de si.

De repente, Fernandes descobre-se numa das telas. Sem o véu enganador da rotina, que até então o cobria, consegue se reconhecer na paisagem. Ele agora é um homem que está. Decide pegar um riquixá para revisitar as paisagens da sua vida, ver os lugares que via sem ver, agora vendo. Ao final desse percurso, ele é outro. Um outro que, agora descoberto, terá de se descobrir novamente em cada dia seguinte.

Foi o Papai Noel da Catarina quem me deu esse filme no Natal. E eu acreditei nesse Papai Noel. Ou fingi acreditar, por compaixão de mim. Me lembrou de um outro filme, mais antigo, “Cortina de Fumaça”, dirigido por Wayne Wang e Paul Auster. Nele, Auggie Wren, dono de uma tabacaria, há anos tira todo dia, às oito da manhã, uma fotografia da mesma esquina do Brooklin, em Nova York. Ele mostra esse álbum com 4 mil fotografias a um de seus fregueses, Paul Benjamin, que depois de virar algumas páginas diz: “São todas iguais”. Auggie responde: “Sim, 4 mil dias comuns”. Paul ainda está confuso, um pouco condescendente. Ele é um escritor de romances diante do dono de uma tabacaria: “Acho que ainda não entendi direito...”. Auggie tenta lhe explicar: “É a minha esquina, nessa pequena parte do mundo também acontecem coisas”. E vai colocando mais um álbum diante de Paul, que folheia entediado e cada vez mais rapidamente. Auggie adverte: “Você não vai entender se não folhear mais devagar, amigo”.

Ele sabe que, se olhar bem, Paul vai reconhecer a esquina. O homem diante dele é um escritor, mas Auggie, como Catarina, é um escrevista. Então, Paul finalmente descobre. Ele vê Ellen, a mulher que amou e que morreu, numa das fotos. Ela está lá, na mesma esquina que agora já não poderia ser a mesma. Ao ver a foto, Paul reencontra a si mesmo num outro tempo, porque, quando perdemos alguém que amamos, nosso luto também se dá por aquele que éramos com aquela pessoa. E que, sem ela, já não podemos ser. Um luto pelo outro é sempre também um luto de si. E lá ficou Paul, em lágrimas, diante da esquina que finalmente enxergou, com saudades dela e dele com ela. O álbum, agora, já não tinha a mesma foto repetida centenas de vezes, mas centenas de fotos de esquinas diferentes.

Temos vivido nesse mundo de acontecimentos, de espasmo em espasmo. Estamos intoxicados por acontecimentos, entupidos de imagens. Há sempre algo acontecendo com muitos pontos de exclamação – ou fingindo acontecer para que de fato nada aconteça. E há a nossa reação nas redes sociais – às vezes uma ilusão de ação. E nas viradas de ano há ainda as resoluções, que também pressupõem uma ação.

Mas o que é preciso para, de fato, se mover? Penso que, para que exista uma mudança real de posição e de lugar, é preciso perceber o pequeno, o quase invisível de nossa realidade externa e interna. É pelos detalhes que enxergamos a trama maior, é na soma das sutilezas que a vida se desenrola, são as subjetividades que determinam um destino. É preciso desacontecer um pouco para ser capaz de alcançar a delicadeza dos dias.

Nesse tempo em que ninguém tem tempo para ter tempo, a delicadeza de uma vida parece ter sido relegada à ficção. É no cinema e na literatura que nos enternecemos e derrubamos nossas lágrimas ao testemunhar as sutilezas que esquecemos de enxergar ou não somos capazes de enxergar nos nossos dias de autômatos. Os personagens da ficção têm mais carne que nós, precisamos deles para nos lembrar de quem somos. Os robôs já estão aí, temos agora de reinventar os humanos.

O exemplo extremo talvez seja o dos pais que se esquecem dos filhos trancados no carro, bebês que acabam morrendo por asfixia ou por insolação no banco de trás. Já foi dito que esse fenômeno seria uma marca do autocentrismo ou do narcisismo que assinalaria a paternidade desse momento histórico. O filho como uma desimportância, um atrapalho, no máximo um troféu da potência do pai. Minha hipótese é outra.

Acho que esses pais estão automatizados, como estamos todos. Tão incapazes de enxergar as diferenças de dias que parecem iguais, que acabam deixando de ver algo tão grande quanto a presença de um bebê no banco de trás. Não é que se esqueçam dos filhos, porque para esquecer, assim como para lembrar, é preciso estar presente. Presos no pesadelo de estarem vivendo sempre o mesmo dia, esses pais estão ausentes de si, numa espécie de transe mortífero. São despertados para a vida pela morte do filho.

O título do comovente filme do brasileiro Caetano Gotardo é expressivo: “O que se move”. Ele contas três histórias baseadas em notícias de jornais. Numa delas, alcançamos os detalhes e os acasos de um pai que, no primeiro dia de férias da mãe, carrega o filho no banco de trás do carro. Com o balanço, o bebê acaba dormindo, e o pai o “esquece”. Ele passa a manhã no trabalho sentindo-se perturbado, doente, mas não consegue identificar o que está errado. É de novo no cinema, muito mais do que nas notícias, que conseguimos enxergar esses pais na delicadeza monstruosa da tragédia.

Em algum momento esquecemos do que sabe Catarina, paramos de nos contar. Alguém pode argumentar que nunca tantos falaram sobre si e se registraram em selfies em todas as situações. Mas o que o selfieconta? Penso que há algo no selfie para além da crítica que em geral lhe fazem, a de ser um mero registro do autocentrismo ou do narcisismo dessa época. O mesmo vale para muitos Tweets e posts no Facebook. Há qualquer coisa de pungente no selfie, uma expressão de nosso desespero por tentar provar que existimos, já que não conseguimos nos sentir existindo. Melhor ainda se for um autorregistro com alguém famoso, detentor de um certificado de existência validado pela mídia, que então seria estendido ao seu autor. Nesse sentido, o selfie não me exaspera, mas me emociona. Cada selfie é também a imagem de nossa ausência.

O contar de que fala Catarina, a escrevista, é outro. É por esse contar que sugiro que façamos não uma lista de resoluções de Ano-Novo, mas uma lista de delicadezas que estiveram presentes em 2014, mas que não vimos e não reconhecemos por termos nos tornado seres condenados à repetição.

Esse mundo que criamos nos brutaliza de tantas formas ao nos reduzir a consumidores, e também a consumidores de acontecimentos. Diante da brutalidade das horas, a delicadeza é um ato de insubordinação e um ato de resistência. Em 2015, desejo a todos um reencontro com a delicada trama dos dias. E, não esqueçam, levem seus brinquedos.
Eliane Brum


Manga madura versus likes no Instagram


Em 2011, ganhei uma bolsa para passar três meses na Índia. Eu estava trabalhando no rascunho de um livro e precisava de tempo para me dedicar exclusivamente a isso. Fui parar na Fundação Sanskriti, um lugar incrível, em Nova Déli, onde funcionam três museus e dez estúdios de artistas.
Logo que cheguei, recebi um pendrive de acesso à internet e estava feliz da vida por ter conexão ilimitada. Até que apareci para o primeiro almoço coletivo e descobri que não pegava muito bem essa história de se conectar à internet. Afinal, pensavam meus companheiros de residência, estávamos na Índia e, ali, a pessoa deve querer se desligar do mundo.

Diante disso, tive uma pequena crise e me perguntei se estava contaminando uma oportunidade de experiência autêntica por falar no skype com minha família, compartilhar fotos no Instagram e descobrir notícias do mundo pelo mural do Facebook. Mas, ao postar a primeira foto da Índia e bater meu recorde de likes no Instagram, deixei de lado as dúvidas.

Dessa maneira, fiz as pazes com o pendrive e me libertei da pressão de meditar. E quando precisava descansar das personagens que tomavam forma nas páginas do livro, pegava o metrô lotado e ia para Nehru Place, um centro comercial famoso por suas lojas de tecnologia. Nehru Place e suas lojas de hardware, estandes de consertos de computador e milhares de pessoas barganhando nos preços era meu lugar favorito para passar as tardes imersa na Índia - uma Índia muito diferente do ideal ocidental, mas tão genuína quanto qualquer outra.

Eu me lembrei desta história porque recebi um e-mail criticando os jovens, que passam muito tempo diante de suas telas e não sabem que "a verdadeira felicidade é comer manga madura no pé". O e-mail me fez pensar nos meus amigos da Fundação Sanskriti e em como alguns deles acreditavam que a verdadeira felicidade estava em passar as tardes meditando. Eles estavam certos? Espero que sim e torço para que estivessem investindo tempo naquilo que lhes trazia felicidade. Mas sei que eles se enganavam ao pensar que a minha felicidade estava em me desconectar.

Como cresci em Minas e passei muitas férias em sítios, conheço bem a alegria de comer manga madura no pé. Só não tenho certeza de se aquelas tardes eram mais felizes do que as que passei com meus irmãos, jogando Sonic ou Super Mario Bros. Nas minhas memórias, a felicidade está onde ela aconteceu. E é quando junto manga no pé com Super Mario Bros que minha infância parece tão sensacional.

Barbara Soalheiro

29 de dez de 2014

A Arte de Pensar Claramente

Que o ser humano não é completamente racional não é novidade para ninguém. Mas o surpreendente é que cometemos equívocos de pensamento mesmo quando acreditamos que estamos usando a lógica.
Essas escorregadas são a matéria-prima do livro A Arte de Pensar Claramente, escrito por Rolf Dobelli, ex-executivo do grupo suíço de aviação Swissair, cofundador da empresa Getabstract, especializada em resumos de livros, e criador do Zurich Minds, organização sem fins lucrativos que visa discutir novas ideias nos campos da ciência, arte e negócios.
Partindo de episódios cotidianos, pesquisas científicas e estudos psicológicos, o autor mostra que, ao usar o senso comum, as pessoas cometem erros de decisão sem nem mesmo perceber.
Para melhorar o raciocínio lógico e a tomada de decisões, Rolf nada contra a corrente (inclusive de uma de suas empresas) e afirma que é necessário aumentar o contato com textos longos — dos livros, principalmente. “Sou contra notícias superficiais, não leio jornal e não me faz falta”, diz o autor. “Além de nos dar uma noção equivocada dos riscos, as notícias curtas nos fazem acreditar que entendemos o mundo, e o fato é que não entendemos.”
A seguir, descubra quais são os dez erros de raciocínio mais recorrentes, de acordo com Rolf, e saiba o que fazer para não cometê-los.
Como se proteger de deslizes na hora de fazer escolhas
1 - Ter excesso de confiança 
O conhecimento e a capacidade de prognosticar costumam ser superestimados pelas pessoas. A maneira mais comum para testar o chamado efeito de excesso de confiança, abordado pela primeira vez pelos pesquisadores Marc Alpert e Howard Raiffa, era por meio de jogos de adivinhação, perguntando às pessoas quanto estavam seguras em relação a uma opinião específica ou às respostas que davam.
Elas erravam muito mais do que acreditavam — ainda mais se fossem especialistas. O ceticismo é a arma contra essa armadilha. Duvidar das próprias projeções e pensar em cenários pessimistas é importante para decidir melhor. 
2- Iludir-se com a fama
Sofremos a ilusão do corpo de nadador. A expressão é de Nassim Taleb, autor de A Lógica do Cisne Negro. Ele decidiu nadar duas vezes por semana com a ilusão de que ficaria com a silhueta semelhante à dos profissionais.
Mas notou que os atletas não têm esse físico por ser bons nadadores: nadam bem porque têm corpo adaptável ao esporte. O mesmo pode ser aplicado à Universidade Harvard.
Muitos profissionais bem-sucedidos estudaram lá. Isso significa que é uma boa escola? Não. Apenas que recruta os melhores alunos. Para qualquer projeto que exija esforço, analise seu perfil e seja bastante sincero antes de pular na piscina. 
3 - Acreditar na unanimidade
Em 1950, o psicólogo Solomon Ash comprovou como a pressão do grupo desvirtua o bom senso. Uma pessoa avaliava o tamanho de algumas linhas.
Quando estava sozinha, costumava acertar. Mas, quando dividia a sala com um ator que respondia errado de propósito, tinha mais propensão a errar. Em 30% dos casos, a pessoa avaliada creditava a resposta equivocada. É uma fragilidade que requer atenção: desconfie das unanimidades.
4 - Só enxergar os sucessos 
O chamado “viés de sobrevivência” é, de acordo com o autor, o fato de que os seres humanos superestimam sistematicamente a probabilidade de sucesso.
Como o sucesso produz maior visibilidade do que o fracasso, tendemos a olhar mais para as histórias que deram certo e menos para projetos, investimentos e carreiras que não decolaram.
Um escritor de sucesso, por exemplo, é um em meio a centenas de autores que nunca conseguiram publicar um livro. A maneira correta de encarar a realidade é conhecer projetos, empresas e produtos que deram errado.  
5 - Sentir medo das autoridades
É comum acreditar que desobedecer às autoridades pode ser perigoso. Mas, para Rolf, os líderes também erram. O que não pode ser feito é levar o pensamento a um nível inferior para não contrariar o chefe ou por temê-lo.
Isso faz com que as pessoas obedeçam a ordens esdrúxulas. Mantenha-se crítico e desafie quem, teoricamente, sabe mais. Isso aumenta a liberdade e a autoconfiança.
6 - Achar que, se não aconteceu, nunca vai acontecer
Esse pensamento é chamado de “viés de disponibilidade” e ocorre, por exemplo, quando alguém pensa que, se conhece uma pessoa que sempre fumou e morreu aos 100 anos, o cigarro não é tão prejudicial.
É um engano perigoso, pois cria um falso mapa de riscos mental. Foge disso quem convive com pessoas que têm opiniões e estilos de vida diferentes: a diversidade funciona como um escudo.
7 - Ficar preso à reciprocidade
A reciprocidade se resume a ajudar o outro porque ele o ajudou. O cientista Robert Cialdini, que pesquisou o assunto, constatou que o ser humano não gosta de se sentir culpado.
Por isso, fica pressionado a retribuir e pode misturar as relações, como favorecer um cliente que ofereceu ingressos para o futebol. A melhor estratégia é recusar presentes e favores. 
8 - Pensar que muito esforço significa bons resultados
Quando alguém dedica muita energia a uma tarefa, tende a superestimar os resultados. O nome disso é justificativa do esforço. Cursos de MBA usam essa estratégia deixando os alunos atarefados em excesso e tão exaustos que, no futuro, vão pensar que a qualificação foi essencial para a carreira — mesmo que não seja verdade.
Sempre que investir em algo que demandou esforço, examine friamente o resultado — e apenas o resultado.
9 - Não largar uma ideia ruim
Muitos profissionais não desistem de projetos fadados ao fracasso apenas porque já gastaram tempo demais em cima daquela ideia. É a falácia do custo irrecuperável. Isso atinge as pessoas fora do ambiente de trabalho, em planos que demandaram investimento de tempo, energia e dinheiro.
Quanto mais se gastou, maior a pressão interna para não desistir. O problema é que se anda em círculos: o projeto ruim não abre espaço para um novo projeto melhor. Na hora de continuar ou não com algo, não importa o que já se investiu, mas qual é a estimativa de futuro.
10 - Sentir-se tranquilo porque está bem informado 
Há hoje a sensação de que, quanto mais informação disponível, melhores as decisões tomadas. Segundo Rolf, isso é falso. O argumento do autor é o seguinte: se as centenas de milhares de economistas do mundo com pilhas de relatórios, estudos e levantamentos não conseguiram prever a crise financeira de 2008 que assolou os Estados Unidos e a Europa, informação não é tudo.
Moral da história: não se sinta seguro porque está com todos os dados em mãos nem perca tempo tentando reuni-los. Preste atenção nos fatos presentes na hora de tomar uma decisão. 
Dalen Jacomino

24 de dez de 2014

Evocação de Natal

O maior de todos os conquistadores, na face da Terra, conhecia, de antemão, as dificuldades do campo em que lhe cabia operar.

Estava certo de que entre as criaturas humanas não encontraria lugar para nascer, à vista do egoísmo que lhes trancava os corações; no entanto, buscou-as, espontâneo, asilando-se no casebre dos animais.

Sabia que os doutores da Lei ouvi-lo-iam indiferentes, com respeito aos ensinamentos da vida eterna de que se fazia portador; contudo, entregou-lhes, confiante, a Divina Palavra.

Não desconhecia que contava simplesmente com homens frágeis e iletrados para a divulgação dos princípios redentores que lhe vibravam na plataforma sublime, e abraçou-os, tais quais eram.

Reconhecia que as tribunas da glória cultural de seu tempo se lhe mantinham cerradas, mas transmitiu as boas novas do Reino da Luz à multidão dos necessitados, inscrevendo-as na alma do povo.

Não ignorava que o mal lhe agrediria as mãos generosas pelo bem que espalhava; entretanto, não deixou de suportar a ingratidão e a crueldade, com brandura e entendimento.

Permanecia convicto de que as noções de verdade e amor que veiculava levantariam contra ele as mantilhas da perseguição e do ódio; todavia, não desertou do apostolado, aceitando, sem queixa, o suplício da cruz com que lhe sufocavam a voz.

É por isso que o Natal não é apenas a promessa da fraternidade e da paz que se renova alegremente entre os homens, mas, acima de tudo, é a reiterada mensagem do Cristo que nos induz a servir sempre, compreendendo que o mundo pode mostrar deficiências e imperfeições, trevas e chagas, mas que é nosso dever amá-lo e ajudá-lo mesmo assim.
Memei

Natal

E inútil que se apresente Jesus como filósofo do mundo.

O Mestre não era um simples reformador.
Nem a sua vida constituiu um fato que só alcançaria significação depois de seus feitos inesquecíveis, culminantes na cruz.

Jesus Cristo era o esperado.
Pela sua vinda, numerosas gerações choraram e sofreram.
A chegada do Mestre foi a Benção
Os que desejavam caminhar para Deus alcançavam a Porta.
O Velho Testamento está cheio de esperanças no Messias.

O Evangelho de Lucas refere-se a um homem chamado Simeão, que vivia esperando a consolação de Israel. Homem justo e inspirado pelas forças do Céu, vendo a Divina Criança, no Templo, tomou-a nos braços, louvou ao Altíssimo e exclamou: Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra."

Havia surgido a consolação.
Ninguém estaria deserdado.
Deus repartira seu coração com os filhos da Terra.
E por isso que o Natal é a festa de lágrimas da Alegria.
Chico Xavier - Emmanuel

Aspectos emocionais do envelhecimento

Ao nascer o ser humano está completamente indefeso e desamparado. 


Necessita completamente dos cuidados de um outro ser, da mãe para cuidá-lo, alimentá-lo e ir aos poucos apresentando-lhe o mundo. 


 Podemos dizer que é através do amor que recebe da mãe, de seu investimento e de sua dedicação que a criança vai descobrindo as possibilidades de interagir com o mundo, e vai aprendendo e desenvolvendo habilidades. A infância é o período em que o ser humano mais se desenvolve, mais aprende e a etapa responsável pelos modelos de relacionamento que o adulto vai experimentar. 


Na infância a criança experimenta nas brincadeiras, nos jogos sua relação com o mundo, suas dúvidas e questões fundamentais que acompanham o ser humano por toda vida: quem sou eu? O que sou para o outro? De onde vim? Para onde vou? A infância permanece o paraíso perdido para onde sempre se volta nos momentos difíceis, nos momentos de perda e que fica cada vez mais perto com o avançar da idade, como nos mostra de maneira tocante o poema de Manuel Bandeira


Depois vem a adolescência, a vida adulta, a maturidade, a velhice e por fim a morte. Ângela Mucida em seu livro O sujeito não envelhece explora a questão do sujeito diante da velhice. Aponta que falar da velhice suscita sempre um certo desconforto. Talvez decorra da conjunção entre idade cronológica e a exposição à morte. Quanto mais se vive mais se aproxima da morte. Com o passar do tempo a vivência de fragilidade do corpo se acentua bem como aumentam na velhice as experiências de perdas. Quem viveu muito experimentou também muitos lutos: pais, parentes queridos, amigos, trabalho, bens materiais. Falar da velhice incomoda porque expõe o limite ao qual todos nós somos submetidos. Nossa vida é transitória e tem um tempo para existir. 


Velhice e longevidade 
A questão do envelhecimento e da longevidade humana é algo que já se fazia presente na mais remota história. Seja na busca pela fórmula da eterna juventude associada à felicidade plena, ou como preocupação constante do homem em todos os tempos. A imortalidade e a eterna juventude são sonhos míticos da espécie humana. A procura da fonte da juventude é assunto desde os mais antigos escritos. Por isso falar da velhice incomoda. 


E também desacomoda muitos restos. Quantos projetos e sonhos foram relegados, deixados à espera de um tempo propício e de repente se percebe que talvez não possam mais ser retomados. Falar da velhice desacomoda a ideia de imutabilidade, desacomoda os ideais e as certezas nas quais todo sujeito se reconhece. A velhice é um momento marcado pela vivência da finitude, em que a fantasia de eternidade encontra um limite. Na juventude e idade adulta, tem-se a ilusão de um tempo indefinido para se obter o que se deseja. 


Tal ilusão altera-se com a velhice. É interessante apontar na velhice os futuros sonhados e não cumpridos e que nessa etapa perderam a possibilidade de realização. Essa constatação surge diante do encontro com o irremediável: menopausa, mudança no desempenho corporal, aposentadoria e esclarecem muitos casos de depressão na velhice. Quanto a relação da velhice com a aposentadoria é interessante ressaltar que a aposentadoria foi fixada, na década de 40, arbitrariamente, em 55 anos (a expectativa de vida naquela época era de 62 anos). 


O tempo desse repouso merecido não era longo. Aposentadoria e morte estavam perto de coincidir. De pouco tempo para cá, sabe-se que, biologicamente, o homem pode viver até os 100 anos, até mais e morrer em boa saúde. Maud Mannoni escreve no livro O nomeável e o inominável: “Quando se fica velho? Se é a brusca deterioração do estado físico que faz o sujeito realizar a dependência em que se vê projetado, este infortúnio ( a doença) que exclui toda esperança pode ocorrer em qualquer idade. A repercussão não será a mesma aos 20 anos e depois dos 80. 


A condenação à morte está lá, presente, desde o nascimento. Acaba-se por esquecê-la. A velhice nada tem a ver com a idade cronológica. É um estado de espírito. Existem velhos de 20 anos, jovens de 90. É uma questão de generosidade de coração, mas também de guardar em si uma certa dose de cumplicidade com a criança que se foi.” No nosso inconsciente temos dificuldade de lidar com a velhice. O velho é sempre o outro no qual nós não nos reconhecemos. 


O sujeito vê o seu envelhecimento pelo olhar do Outro, ou ele se vê velho pelo olhar que o Outro lhe devolve. Não existe para o sujeito algo palpável sinalizando sua velhice, pois “velho” é sempre o Outro (Outro com maiúscula, simbolizando a cultura, o conjunto dos outros semelhantes). É possível justapor a tese de um sujeito que não envelhece e desconhece o tempo – o atemporal do inconsciente - com aquilo que envelhece e se modifica no decurso do tempo e que impõe ao sujeito a criação de novas formas de atualizar seu passado, e enlaçá-lo ao futuro sempre possível de ser preparado e antecipado ainda que a relação do idoso com o tempo se caracterize por um encurtamento do futuro. Ao contrário dos jovens, o sujeito idoso tem uma longa vida às suas costas e esperanças limitadas à sua frente. 


Daí se percebe em alguns a atenção mais concentrada no passado e uma notável desesperança nos projetos futuros. Vemos muitos idosos atualizarem seu passado pelas lembranças: contam e recontam passagens nas quais se sentem escrevendo a sua história. Reviver o passado é uma via importante pela qual sustentam os investimentos na vida. O problema é quando se torna a única via de realização, cortando os investimentos no presente. O equilíbrio psíquico do idoso depende da capacidade de conjunção de sua existência passada com o presente considerando as condições e possibilidades que o cercam. 


Envelhecimento 
O envelhecimento, em termos gerais, é definido como um processo que acompanha o organismo do nascimento até a morte. A velhice é um momento específico dentro desse processo marcado pelo modificação do funcionamento de diversas funções, bem como intensificando algumas dificuldades, não implicando no entanto, em acréscimo de doenças. A gerontologia distingue senescência e senilidade. Senescência é um processo fisiológico inelutável do organismo que acarreta modificações precisas associadas a uma redução de todas as funções sem provocar doenças. Senilidade refere-se a patologias do envelhecimento. 


Há modificações que se aceleram a partir de determinada idade e que podem se expressar sob diferentes maneiras nas funções do organismo ( respiratória, circulatória, etc) bem como na imagem: rugas, cabelos brancos, flacidez, etc. Convém ressaltar que muitas doenças tidas como próprias da velhice como Alzheimer, não são efetivamente doenças que prevaleçam em idosos. Alguns autores assinalam que a dificuldade encontrada em realizar o luto das perdas, a dificuldade com a imagem na qual não se reconhece, o isolamento e a restrição dos laços sociais, a falta de investimento libidinal podem ser fatores importantes na constituição do Alzheimer. 


O sujeito precipita-se numa espécie de autodestruição que toma, paulatinamente, a forma de uma morte por meio de infindáveis doenças. O sujeito escolhe, ainda que sem o saber, uma morte em vida, paradoxalmente por temor da morte. Velhice e cultura A velhice é determinada em cada época e em cada cultura de forma diferenciada. As palavras que usamos para referi-la provocam efeitos sobre os sujeitos. A velhice é portanto um efeito de nossa fala. A velhice enquanto categoria social não diz nada a respeito de cada sujeito. Quando começamos a envelhecer? Há consenso de que a idade cronológica é muito imprecisa para se determinar a velhice. 


Em algumas categorias esportivas, por exemplo, se fala de velhice aos 30 anos. Não se pode, todavia desconsiderar o tempo que passa. As possibilidades de investir em projetos, em objetos, não são as mesmas com o passar do tempo. Muitos dos projetos tornam-se inviáveis a partir de determinada idade e o luto do que poderia ter sido ou do que se foi tem de ser realizado, impondo novas respostas ao sujeito. Entra-se na velhice, idéia compartilhada por muitos autores, quando se perde o desejo.Se a idade cronológica, as marcas corporais, as doenças são demasiadas imprecisas para se definir a velhice, não se pode desconhecer que o tempo impõe seus efeitos. 


A velhice provoca uma alteração importante no narcisismo, na auto-estima e portanto, um sentimento de desvalorização. Algumas sociedades segregam os idosos, aumentando o sentimento de desvalorização. Há, entretanto outras culturas em que os idosos têm um lugar social importante. Nas sociedades pré-modernas os idosos gozavam de prestígio e eram respeitados pelos demais em sua autoridade e sabedoria. Eram responsáveis pela transmissão da experiência acumulada, das tradições culturais. A sabedoria crescia com o passar dos anos e os mais velhos exerciam ainda o papel religioso, pois faziam a mediação entre o mundo dos vivos e dos mortos. 


Com o processo de modernização, a industrialização trouxe o afastamento dos velhos do mundo produtivo cujo saber não eram mais adequado às exigências do mundo industrial que se voltava para o jovem escolarizado. Onde existe, porém uma suposição de saber do idoso, existe um tratamento respeitoso do mesmo. O Papa João Paulo II, no ano de 1999 (Ano Internacional do Idoso), escreveu uma carta aos anciãos, afirmando que estes ajudam a contemplar os acontecimentos terrenos com mais sabedoria, porque as vicissitudes os tornaram mais experientes e amadurecidos. Eles são guardiões da memória coletiva e, por isso, intérpretes privilegiados daquele conjunto de ideais e valores humanos que mantêm e guiam a convivência social. 


Lidando com o envelhecimento 
Cada sujeito envelhece a seu modo, com as singularidades que carrega e que acabam ficando mais marcantes com o transcurso do tempo. Se os acontecimentos existenciais eram sentidos com dificuldade ou sofrimento na idade adulta ou jovem, quando as condições de vida eram mais satisfatórias e atraentes e a própria fisiologia era mais favorável, no envelhecimento, quando as circunstâncias concorrem naturalmente para um decréscimo na qualidade geral de vida, a existência será mais conflituosa. Quando a velhice vem acompanhada de doenças, de limitações, É o momento em que aparece o grave problema de comprometimento de uma existência autônoma. 


O sujeito já não se pode cuidar, não pode portanto ter uma vida independente. O idoso doente, ainda que não fale, percebe nos cuidados, a realidade que lhe é propiciada, e que faz surgir nele uma dimensão tranquilizadora ou de desamparo. Todos os “pequenos nadas” que dão à vida seu sal constituem uma dimensão essencial: um olhar, uma palavra amiga, um gesto de carinho, uma pequena atenção. O que mantém vivo, “com vida”, um idoso fragilizado é a afeição, a ternura, o aconchego no qual possa haver a presença de alguém que o reconheça, que o escute, que o acolha. 


O cuidar vai além do atendimento às necessidades básicas do sujeito no momento em que ele está fragilizado, é um exercício de respeito, de amor e compaixão Dalai Lama, líder espiritual dos budistas, ganhador do Premio Nobel da Paz, define a compaixão como uma atitude mental baseada no desejo de que os outros se livrem do sofrimento, e que está associada a uma sensação de compromisso, responsabilidade e respeito com o outro. Essa questão é tratada com sensibilidade no livro A Arte da Felicidade (página 143). 


Nesse livro são citadas pesquisas que comprovam os benefícios da compaixão sobretudo para quem a pratica. Vencendo o medo de envelhecer Todos envelheceremos. Apenas aqueles que foram retirados prematuramente da vida não o farão. O medo de envelhecer está presente para todos, como a dor de existir. Mas podemos lidar melhor com ele, podemos aprender. Experimentando a serenidade interior com o que temos, a gratidão pelas coisas que nos cercam e nos propiciam alegria e bem-estar, valorizando as emoções positivas que são benéficas. Em suma, vivenciando a atitude infantil de contentamento, de desejo, que traz um sabor novo à vida.
Helena Maria Galvão Albino, psicóloga clínica
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