21 Novembro 2009

A morte lenta do cigarro


No Rio de Janeiro, a lei que proíbe o consumo de cigarro em bares e restaurantes entrou em vigor na quarta-feira passada, deixando o rastro típico de sua chegada: fiscalização rígida, reclamações e uma liminar que desobrigou 2.000 estabelecimentos de cumprir a lei.

Há quase quatro meses, lei semelhante baniu o cigarro dos bares e restaurantes de São Paulo, produzindo polêmica parecida e levando o governo federal a reclamar junto ao Supremo Tribunal Federal. No próximo fim de semana, o cigarro estará proibido nos bares e restaurantes do Paraná, e não será surpresa se causar confusão.

Na quinta-feira passada, a proibição já passou a valer para Curitiba, onde meia dúzia de equipes de fiscalização estava escalada para zelar pelo cumprimento da lei. Em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, uma lei antifumo, menos rigorosa, deve entrar em vigor em breve. Em Brasília, já faz tempo que não se pode acender um cigarro dentro dos bares e restaurantes. Houve confusão, protesto, reclamações, mas a lei pegou. A constatação dos tempos atuais é inequívoca: a moda contra o cigarro, que agora se espalha pelo Brasil, pegou. Pegou nas democracias do Ocidente e, em certos casos, até mesmo em países mais pobres.

Em alguns, as restrições são ousadas (Irlanda, 2004: o cigarro é banido até do símbolo nacional, os pubs). Em outros, são proibições ainda tímidas (República Checa, 2006: começou o veto ao cigarro nas escolas). Há países onde a lei funciona perfeitamente bem (Suécia, 2005: o cigarro sumiu dos locais públicos). Há outros em que é ignorada (Paquistão, 2003: fuma-se até dentro dos órgãos públicos). Apesar das diferenças de ritmo e intensidade, o banimento do cigarro parece inexorável no Ocidente.

O melhor exemplo talvez seja a França, a Paris dos cafés, dos maços de Gauloises decorados com o elmo alado dos gauleses outrora invencíveis. Em 1991, entrou em vigor uma lei que bania o cigarro dos locais públicos e exigia que os restaurantes criassem áreas para não fumantes. Foi francesamente ignorada. No ano passado, uma nova lei, mais rígida que a anterior, pegou. O cigarro é a droga mais popular do século XX. Teve a mais espetacular trajetória de um produto no surgimento da sociedade de massas. No apogeu, era símbolo das mais instintivas ambições humanas: a riqueza, o poder, a beleza. No ocaso, virou câncer, dor e morte.

É possível que não esteja longe o dia em que o tabaco será presença rara na paisagem urbana, restrito a calçadas e espaços ao ar livre. Ou nem isso. Em São Francisco, em respeito às crianças, o cigarro foi banido de parques, praças e praias. Em Nova York, que há seis anos embarcou de cabeça no veto ao tabaco, já se proíbe cigarro até dentro de casa. São cada vez mais numerosos os empreendimentos imobiliários cujos donos só alugam apartamentos a locatários que se comprometem a não fumar em casa.

Em dezembro, uma administradora predial, a Kenbar Management, alugará 300 unidades em Manhattan, com uma novidade: além de proibir locatários de fumar nas varandas e nos terraços, vetará o cigarro até nas calçadas que circundam o edifício. A mola propulsora das proibições é uma só: os males causados ao fumante passivo, que é exposto involuntariamente à fumaça de terceiros. "Não há nenhuma dúvida de que estar exposto ao cigarro alheio mata. O debate sobre isso, do ponto de vista científico, acabou", diz o epidemiologista Thomas Frieden, festejado pelo sucesso com que implantou a lei antifumo em Nova York (veja o quadro abaixo).

A suspeita é antiga. Ainda em 1928, cientistas alemães divulgaram a hipótese de que o câncer de pulmão em mulheres não fumantes poderia ser causado pelo cigarro dos maridos – intuição genial numa época em que pouco se sabia sobre os males causados pelo cigarro nos próprios fumantes. Nos anos 30, pela primeira vez usou-se o termo Passiv-rauchen (fumo passivo, em alemão). Daí em diante, as evidências foram se avolumando, mas só ganharam um impulso a partir da década de 70.

Os primeiros estudos abrangentes surgiram no Japão e na Grécia – e não por acaso. Eram países com alta incidência de fumantes entre homens e baixíssima entre mulheres. Assim, tornaram-se um laboratório vivo para estudos do fumo passivo. Em Atenas, o epidemiologista Dimitrios Trichopoulos, examinando casos entre 1978 e 1980, descobriu que mulheres de fumantes tinham mais câncer de pulmão. O epidemiologista japonês Takeshi Hirayama, depois de acompanhar 250 000 adultos por anos a fio, identificou que o risco de mulheres de fumantes terem câncer de pulmão aumentava de 40% (quando o marido fumava até catorze cigarros por dia) a 90% (um maço ou mais).

O estudo de Hirayama foi duramente atacado pela indústria do tabaco, mas trabalhos posteriores provaram que o japonês tinha razão. Nos Estados Unidos, o governo divulgou as primeiras suspeitas de que o fumante passivo podia ser prejudicado no início dos anos 70. Mais tarde, na divulgação de um relatório em 1986, o governo americano trocou a suspeita pela certeza. Há três anos, um novo estudo atualizou as conclusões de 1986. O documento afirma que a exposição à fumaça do cigarro causa "doença e morte prematura em crianças e adultos que não fumam", diz que, apesar da crescente proibição do cigarro em lugares públicos, cerca de 60% dos americanos não fumantes ainda apresentam "evidências biológicas" de exposição à fumaça e alinha as seguintes conclusões:

As crianças expostas ao cigarro correm mais risco de morrer repentinamente, ter infecções respiratórias, problemas no ouvido, asma mais severa e crescimento lento dos pulmões.

Os adultos expostos ao cigarro podem sofrer efeitos adversos imediatos no sistema cardiovascular e têm mais probabilidade de desenvolver doença cardíaca e câncer de pulmão.

Há um mês, o Institute of Medicine, que reúne as principais academias de ciências americanas, divulgou estudo que mostra que a exposição ao cigarro aumenta o risco de doença cardiovascular de 25% a 30%. Calcula-se que, anualmente, 46 000 americanos morram do coração e 3 000 em decorrência de câncer de pulmão por inalar fumaça de terceiros. E o que vem a ser isso? O instituto de combate ao câncer diz que o fumante passivo pode absorver mais de 4 000 substâncias químicas, das quais 250 são nocivas à saúde, e que, entre estas, cinquenta podem causar câncer. A lista assusta: inclui benzeno (que se encontra na gasolina), cádmio (metal usado em baterias) e cloreto de vinila (empregado nos plásticos, como PVC).

Diante disso, é natural que alguém já comece a sentir dores no peito, mas não há motivo para alarme: as substâncias aparecem em quantidades ínfimas. Fazem mal, mas é preciso que a exposição à fumaça seja prolongada, sistemática. Qual a quantidade-limite? Isso é que ninguém sabe. Mas a melhor ciência hoje diz que "não existe nível seguro de exposição ao cigarro".

No Brasil, estima-se que pouco mais de 16% da população seja fumante. É um dos mais baixos índices do mundo, o que faz do país um lugar próprio para popularizar as leis contra o fumo. Desde 1996, uma lei federal proíbe o cigarro em recintos públicos fechados, mas autoriza a criação de áreas reservadas a fumantes e não fumantes em restaurantes. Daí a confusão jurídica: uma lei federal permite fumar nos restaurantes, mas as leis estaduais que estão entrando em vigor, como as do Rio e de São Paulo, dizem o contrário.

Nessa disputa, pode ser que o governo federal esteja juridicamente certo ao reclamar da inconstitucionalidade das leis estaduais no STF, mas os estados estão do lado da razão científica – os frequentadores de bares e restaurantes, sobretudo os que trabalham nesses lugares, estão sendo involuntariamente expostos a um mal comprovado. E são milhões. Essa constatação, que passou a ser feita com solidez na década de 80, mudou radicalmente a forma como o cigarro era visto no mundo. Até nos cafés do Egito, onde se fuma narguilé, há tentativas de barrar o tabaco. Antes da comprovação dos males provocados ao fumante passivo, o cigarro, mesmo causando dano à saúde do fumante, era considerado uma opção individual, uma questão de escolha pessoal. Com a certeza de que faz mal aos não fumantes, passou a ser uma agressão inadmissível a vítimas inocentes e involuntárias.

Na forma moderna, o cigarro surgiu no fim do século XIX e, até o início do século seguinte, sua difusão foi acidentada. Nos EUA, país que promoveu o triunfo e a tragédia do cigarro, o tabaco não era bem-visto até a I Guerra Mundial, ainda que seu consumo viesse aumentando ano após ano. O cigarro fazia mal à saúde, já se suspeitava, e deteriorava os hábitos de uma sociedade ainda herdeira dos códigos morais vitorianos. O fumo se espalhava, mas era tido como coisa de degenerados e delinquentes. Até que veio a I Guerra, e tudo mudou. A campanha contra males físicos e morais do cigarro ficou frívola diante das atrocidades do front – e os soldados, afinal, precisavam de algo para distrair e relaxar. Poucas coisas ajudaram mais a elevar o cigarro a um patamar de respeito do que a declaração do general John Pershing (1860-1948), líder da força expedicionária americana na Europa: "Se me perguntarem do que precisamos para vencer a guerra, eu direi: munição e tabaco". Pronto. Mandar cigarro aos rapazes no front virou gesto de patriotismo. Compartilhar um cigarro na trincheira, símbolo de camaradagem.

Com o fim da guerra, virtualmente uma geração inteira de americanos voltou para casa viciada em algo que pouca gente conhecia – nicotina. Nos anos 20 e 30, o consumo explodiu. "Ao migrar da periferia para o centro da sociedade, o cigarro produziu inovações críticas na produção tecnológica, na propaganda, no design e no comportamento social", afirma Allan Brandt, autor de um excelente livro sobre o assunto, The Cigarette Century (O Século do Cigarro). As feministas erguiam o cigarro como uma declaração de autonomia.

Um dos mentores da popularização foi Edward Bernays, sobrinho de Sigmund Freud nascido na Áustria e criado nos EUA. Era uma fera na arte da "motivação de massa". Associou o cigarro à moda, à alta-costura parisiense, à própria psicanálise – "sublimação do erotismo oral" – e ajudou a inseri-lo nas telas do cinema, onde ficava magistral entre os dedos de Humphrey Bogart ou os lábios de Rita Hayworth. Há coisas impressionantes sobre o cigarro. No cinema, servia para sublinhar qualquer emoção: autoconfiança, ansiedade, expectativa, surpresa. Na vida real, era um fenômeno cultural que rompia a barreira entre os sexos. Representava, a um só tempo, símbolo de masculinidade (quando nas mãos do homem) ou de sensualidade (nas mãos da mulher). Incrivelmente, valia para tudo e para todos.

Hoje, com uma lentidão exasperante para quem está morrendo de câncer, mas com uma rapidez impressionante no tempo histórico, o cigarro chegou ao fundo do poço nas democracias ocidentais. Mas à redução do consumo nos países ricos correspondeu um aumento, primeiro, nos países do antigo bloco soviético e, depois, no leste da Ásia. No início deste mês, as grandes indústrias fizeram até uma cúpula em Bangcoc, na Tailândia, onde jovens apareceram para protestar. É para o mercado asiático que, embalada pela abertura das fronteiras econômicas com a globalização, a indústria tabagista está migrando em busca dos lucros que perde nas sociedades mais abastadas.

Hoje, cerca de 60% dos fumantes estão nessas duas regiões do planeta. A potência emergente do momento, a China, está repetindo a trajetória dos EUA de meio século atrás. De 1965 a 1990, o consumo de cigarros mais do que duplicou na China, onde o mercado ainda é predominantemente masculino. Mantida a tendência atual, em que de 80 000 a 100 000 pessoas começam a fumar todos os dias, o cigarro matará 1 bilhão de pessoas no decorrer do século XXI, ou dez vezes mais do que no século passado. O Brasil, pelo menos, começou a fazer a sua parte para evitar tamanha tragédia.
André Petry

O crepúsculo dos sábios


O conceito de universidade moderna e a natureza do conhecimento que ela produziu até os anos 1960 tinham por objetivo formar o cientista. Este representava o "mestre da verdade" porque capaz de compreender seu ofício na complexidade dos saberes e da história.

Sua autoridade procedia de sua palavra pública, pela qual se fazia responsável. O cientista era o intelectual, e para ele a pesquisa não correspondia a uma profissão, mas a uma vocação.

O conhecimento mantinha sua autonomia com respeito às determinações imediatamente materiais e do mercado. Sua temporalidade - a da reflexão - compreendia-se no longo prazo, garantidora da transmissão de tradições e de suas invenções.

A universidade pós-moderna, por sua vez, converte pesquisa em produção, constrangendo-se à pressa e à produtividade quantificada do conhecimento, adaptando-se à obsolescência permanente das revoluções técnicas, promovidas pelas inovações industriais segundo a lógica do lucro. A temporalidade do mercado confisca o tempo da reflexão, selando o fim do papel filosófico e existencial da cultura. Para a universidade moderna não cabia a pergunta "para que serve a cultura", mas sim "de que ela pode liberar".

A universidade moderna elevava a sociedade aos valores considerados universais no concerto das nações que procuravam uma linguagem comum ao patrimônio cultural de toda a humanidade, devolvendo-o à sociedade com seus maiores cientistas e seus melhores técnicos. Essa foi a tradição de Goethe que havia formulado a ideia da Weltliteratur, da literatura universal como cosmopolitismo do espírito.

A universidade pós-moderna é a da indiferenciação entre pesquisa e produção. O intelectual cultivado foi destituído - em todos os domínios do conhecimento - pelo especialista e seu conhecimento particularizado, cujo contato com a tradição cultural é episódico ou inexistente. Seu discurso não diz mais o "universal" e se limita a formulações técnicas, perdendo-se o sentido do conhecimento e seus fins últimos, com a passagem da questão teórica "o que posso saber" para a pragmática "como posso conhecer". Para Gunther Anders, o emblema da conversão do intelectual em pesquisador, da razão crítica em desresponsablização ética e racionalidade técnica, foi Fermi na Itália e Oppenheimer nos EUA, cujas pesquisas sobre a bomba atômica foram tratadas por eles em termos estritamente técnicos.

A universidade pós-moderna não lida mais com as "grandes narrativas" nem busca a fundamentação do conhecimento e seus primeiros princípios. Como o mercado, se pauta pela mudança incessante de métodos e pesquisas. Nada aprofunda, produzindo uma cultura da incuriosidade, imune ao maravilhamento. Em sua pulsão antigenealógica, acredita que tudo o que nela se desenvolve deve a si mesma, não reconhecendo nenhuma dívida simbólica com as gerações passadas. Essa circunstância, por sua vez, pode ser compreendida no âmbito da massificação da cultura e da universidade.

Com a ditadura dos anos 1960 no Brasil, a universidade pública moderna - concebida de início para formar as elites governantes, a partir do ideário de universidade cultural, científica e com suas áreas técnicas - começa sua desmontagem, o que e resulta em sua massificação. Sob a pressão de massas historicamente excluídas dos bens científicos e culturais, bem como do sucesso profissional aferido pelo enriquecimento nas profissões liberais, a universidade pós-moderna acolhe populações sem o repertório requerido anteriormente para a vida acadêmica. Face ao ideário moderno baseado no mérito de cada um e não mais no sistema nobiliárquico do nascimento, e sua incompatibilidade com a desigualdade real de oportunidades para a ascensão social, a universidade pós-moderna questiona, contrapondo-os, mérito e igualdade, reconhecendo no primeiro a manutenção do regime de privilégios e distinções do passado.

Assim, a universidade atual adapta-se à fragilidade do ensino fundamental e médio, passando a compensar as deficiências dessa formação. Para isso, a graduação retoma o ensino médio, a pós-graduação a graduação, o doutorado o mestrado, cuja continuidade é o pós-doutorado, tudo culminando na ideia da "formação continuada" e de avaliações permanentes. Ao mesmo tempo, a ideia de pesquisa moderna anterior transforma-se em fetiche pós-moderno, tanto que a iniciação científica se faz para estudantes em preparação para a vida universitária adulta, mas constrangidos a publicações precoces.

O paradoxo é grande, uma vez que, maiores as carências nos anos de formação do estudante - como a precariedade no acesso à bibliografia em idiomas estrangeiros e dificuldades de expressão oral e escrita na língua nacional -, mais estreitos são os prazos para a conclusão de mestrados e doutorados. Prazos e métodos, por sua vez, migram das disciplinas científicas para todos os campos do conhecimento, sob o impacto do prestígio da formalização do pensamento, como é possível reconhecer, em particular no estruturalismo e, mais recentemente, no linguistic turn, sua legitimidade garantida pelo rigor científico de suas formulações. Acrescente-se o abandono da ideia de rigor na escrita e o fim do estilo, com o advento do gênero paper e a multiplicação de congressos no mundo globalizado.

Massificada a cultura, proliferaram, com a ditadura militar, a privatização do ensino e seu barateamento, as universidades particulares - salvo as exceções de praxe - prometendo ascensão social e acesso ao "ensino superior" e decepcionando suas promessas. A universidade moderna que a antecedeu garantia o exercício da formação especializada e se encontrava na base dos cursos técnicos com formação humanista para todos os que não se encaminhavam para a pesquisa, devendo atender à profissionalização, mas também à felicidade do conhecimento.

A emergência da universidade pós-moderna diz respeito ao abandono dos critérios consagrados até então a fim de democratizá-la. Mas a democratização pós-moderna é massificação. A sociedade democrática comportava diversas representações das coisas: os partidos representavam as diferentes opiniões, os sindicatos os trabalhadores, a Confederação das Indústrias os empresários. Na sociedade pós-moderna, o consenso é produzido pela mídia e suas pesquisas de opinião, através da eficiência persuasiva da televisão, que primeiramente cria a opinião pública e depois pesquisa o que ela própria criou. Razão pela qual massificação significa perda da qualidade do conhecimento produzido e transmitido, adaptado às exigências de massas educadas pela televisão, com dificuldade de atenção e treinadas para a dispersão, mimadas por uma educação que se conforma a seu último ethos.

A cultura pós-moderna é a da "desvalorização de todos os valores". Sua noção de igualdade é abstrata, homóloga à do mercado onde tudo se equivale. Em meio à revolução liberal pós-moderna, a universidade presta serviços e se adapta à sociedade de mercado e ao estudante, convertido em cliente e consumidor, como o atesta a ideologia do controle dos docentes por seus alunos.

Em seu ensaio Filosofia e Mestres, Adorno diz, temendo incorrer em sentimentalismo, que o conhecimento exige amor. Sua universidade, a de Frankfurt, era moderna, humanista, como era humanista o professor de uma fita italiana dos anos 1970. No filme, estudantes impedem o franzino docente de literatura românica com seus compêndios eruditos de entrar na sala de aula onde discutem questões do curso. Sentado em um banco, o mestre escuta o vozerio e ruídos de cadeiras sendo arrastadas. Por fim é chamado e, quando entra, os estudantes em suas carteiras estão em círculo, e o professor senta-se entre eles. Discutem então o que o professor deveria ensinar-lhes. Como não chegam a nenhum consenso e o dia se faz crepuscular, decidem finalmente deixar que o professor se manifeste. Ao que o professor, retomando seu lugar junto à lousa e diante de todos, anuncia: "Estou aqui para ensinar a vocês a beleza de um verso de Petrarca".

Metáfora rigorosa para a educação, da escola maternal à universidade, o conhecimento, como escreveu Freud, é uma das tarefas mais nobres da humanidade no longo processo de sua humanização.

Olgária Matos

20 Novembro 2009

Hipocrisia


A “desipocritização” das organizações será uma das mais árduas tarefas que os grandes gestores do futuro terão pela frente.

Quero abordar um assunto pouco discutido no meio acadêmico ou empresarial, mas que pode comprometer o ambiente, o desenvolvimento e o futuro de uma empresa: a hipocrisia.

O dicionário Houaiss define a hipocrisia como:

1. característica do que é hipócrita, falsidade, dissimulação.

2. ato ou efeito de fingir, de dissimular os verdadeiros sentimentos, intenções; fingimento, falsidade.

3. caráter daquilo que carece de sinceridade.

Em poucas palavras, poderíamos dizer que a hipocrisia é a manifestação fingida de bons sentimentos. No contexto do comportamento humano, parece-nos que a hipocrisia – nos dias atuais – é uma característica comportamental observada em alguns ou vários momentos nos contextos que fazem parte da vida do ser humano.

Jacques Anatole France, poeta e romancista francês, dizia que “não há castos: somente doentes, hipócritas, maníacos e loucos”. É lógico que tal afirmação é radical demais para um observador mais sensato, porém acreditamos que poucos discordarão de Napoleão Bonaparte quando disse que “quem sabe adular também é capaz de caluniar”.

Tenho a impressão de que, atualmente, a hipocrisia está tão impregnada nas relações humanas que em muitos momentos ela é – mesmo quando percebida – consentida e bem recebida pelas pessoas, especialmente as inseguras e com baixa auto-estima ou carência afetiva. Quem nunca fez um elogio a alguém apenas para ser gentil ou enaltecer uma qualidade inexistente como forma de incentivo? Ou, ainda, quem nunca foi bajulado escancaradamente?

A realidade é que a hipocrisia está aí e, portanto, também está presente no mundo dos negócios e das organizações. Quantos comerciais veiculados diariamente nos vários meios da comunicação são absolutamente verdadeiros na intenção, na mensagem ou nas imagens?

Será que não é possível uma empresa patrocinar um atleta, equipe ou clube e, ao invés de dizer que faz isso em prol do desenvolvimento do esporte e da juventude em nosso país, afirmar que só espera um retorno em aumento das vendas, de clientes, da produção e do lucro? Caro leitor, você acharia isso normal e compraria o produto dessa empresa?

Outro campo onde a hipocrisia é muito marcante é o da responsabilidade social. Nos últimos vinte anos, tornou-se cada vez maior o número de empresas que sentiram a necessidade de passar uma imagem corporativa socialmente responsável e o fizeram através da propaganda, a forma mais fácil de construir e oferecer ao mercado uma imagem saudável e positiva. Porém, o lucro – e só ele – parece continuar a ser o único propósito de muitas empresas!

Inúmeros projetos e programas são inquestionavelmente excelentes em suas concepções e fundamentalmente importantes para a sociedade, contudo, é preciso criar uma nova essência de valor para tratar a responsabilidade social sem hipocrisia.

Nas empresas
Vamos agora abordar a questão da hipocrisia dentro das empresas. Todo profissional com alguma experiência sabe que pessoas desleais e individualistas existem em quase todas as organizações. Sabe também que puxões de tapete, promoções absurdas, protecionismos incompreensíveis e desrespeitos pessoais ou profissionais não são ocorrências tão raras. Se tudo isso acontece em tantas empresas, é também fácil supor que a hipocrisia, por estar tão impregnada no comportamento humano, seja uma realidade comumente observada dentro das organizações.

Seguramente, você já passou por alguma situação característica de um comportamento hipócrita. Dentre os inúmeros exemplos que podem ser mencionados, eis alguns:

• Empregados que ficam após o expediente a fim de mostrar comprometimento e responsabilidade para seus superiores;
• Funcionários que chegam na empresa e só cumprimentam os superiores;
• Subordinados que só almoçam com os chefes e evitam os colegas;
• Aqueles que só elogiam o chefe, mesmo após uma decisão equivocada ou precipitada;
• Aqueles que agradecem, mesmo não concordando, pela explicação do porquê a promoção foi concedida a outro funcionário e não para si;
• Aqueles que se desculpam junto ao superior após receber uma “bronca” que não mereciam;
• Aqueles que elogiam um colega quando ele está presente e, quando o mesmo se retira, criticam-no abertamente;
• Aqueles que dizem sentir-se privilegiados por fazer parte de uma equipe da qual discordam totalmente.

A realidade é que a hipocrisia está sempre presente e é difícil dimensionar com que frequência ela se torna um mal efetivo para as organizações.

Um mal necessário?
Neste ponto, levanta-se a seguinte questão: é possível criar um ambiente interno absolutamente isento de hipocrisia? É muito difícil, senão quase impossível. Primeiramente, em razão da natureza humana, que, em tantas circunstâncias, engana-se ao aceitar a hipocrisia como uma atitude sincera, educada ou motivacional. Em segundo lugar, porque no mundo corporativo, apesar do esgotamento dos atuais modelos de gestão, ainda não se conseguiu desenvolver um novo modelo em que prevaleça – nas palavras, nos gestos e nas ações – a sinceridade absoluta, o respeito em todos os graus e a franqueza custe o que custar.

Imagine um ambiente em que, por pior que fosse a crise, a direção chamasse todos os funcionários e anunciasse, com total franqueza, o corte de alguns deles para viabilizar a manutenção da operação com a lucratividade mínima imposta pelos acionistas. O que aconteceria com o moral e comportamento dos funcionários que ficassem? Como seriam escolhidos os demitidos? Como fazer um corte sem protecionismos ou preferências pessoais? Qual seria a posição do sindicato diante dessa situação?

Suponha agora um funcionário atender uma reclamação em razão da qualidade e concordar com o cliente que, apesar da certificação ISO 9000, o produto adquirido é o que de melhor a empresa consegue fazer, que o produto do concorrente é superior, mas que espera que, como cliente, ele entenda a situação e continue comprando em razão da franqueza demonstrada. Ponha-se no lugar desse cliente. O que você faria ou diria?

Certamente, ainda estamos distantes de um ambiente corporativo isento de hipocrisia. Mas não custa sonhar – e desejar – que um dia isso será possível se, desde já, for iniciada uma mudança de conduta de nossas lideranças, com práticas diárias onde prevaleça a franqueza (em tudo que for possível) e o incentivo ao aprendizado sobre o que é hipocrisia e seus malefícios para as pessoas e para a organização.

A “desipocritização” (embora a palavra não exista) de nossas organizações será uma das mais árduas tarefas que os grandes gestores do futuro terão pela frente. Por ora, talvez tenhamos que concordar com Rafael Russon quando ele afirma que “a hipocrisia no ambiente de trabalho começa na entrevista de emprego e só termina com aquele e-mail de despedida ao sair”.
É uma triste realidade, infelizmente!
Carlos Alberto Zaffani

18 Novembro 2009

A sociedade liquida e a feminilidade


O intelectual polonês radicado na Inglaterra, o sociólogo Zygmunt Bauman líder da “sociologia humanística”, em suas obras tenta compreender a complexidade e diversidade da vida humana sugerindo a metáfora da “liquidez” para caracterizar o estado da sociedade moderna.
Como os líquidos se caracterizam por uma incapacidade de manter a forma, “Nossas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crença e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar em costumes, hábitos e verdades auto-evidentes”.

“A verdade que torna os homens livres é, na maioria dos casos, a verdade que os homens preferem não ouvir”.
Zygmunt Bauman

Bauman norteia seu termo “Modernidade líquida”, expressão síntese desta nova idéia, afirmando que o maior problema da atual sociedade está justamente nesta ausência de se auto-questionar e se posicionar. Ela prefere não tentar se reconhecer e sente-se absolvida a cada justificativa em seu senso comum e/ou acadêmico, o que causa certa intransigência a novas questões, principalmente se estas tiverem força suficiente para por em juízo o modelo vigente.

As regras desta sociedade são claras: conversa-se, negocia-se, cumprimenta-se cordialmente, mas sempre evitando maior contato, como dogmatiza essa modernidade leve e solta que assim desfigura a, então, relação congruente da idéia de espaço-tempo de outrora para criar uma relação. , Ao contrario do tempo em que a velocidade dependia do esforço humano ou animal, hoje as extensões fisiológicas, que abocanham espaços cada vez maiores em cada vez menos tempo, estendem distâncias, encurtam o tempo. Expande-se a expectativa de vida, mas torna-se todo ato desse tempo de locomoção e vivência numa ação instantânea, imediatista, onde a exaustão e desaparecimento do interesse também ocorrem em breve tempo.

Não há tempo a ser “perdido”:

De pratico nesta Modernidade liquida, temos uma mulher que tem uma breve infância, uma adolescência com características sexuais e psicológicas de uma adulta e uma adulta eternamente na busca de uma juventude perene. Menstruarão aos 10 anos , anticoncepcionais até os 34 anos e uma gestação beirando os 40. Adaptando-se como os líquidos adaptam -se ao recipiente, ao ambiente que as moldam.

O modelo de mulher que sua avó foi não lhe serve de exemplo. O modelo de mulher que sua mãe é muito menos. Ser o que a mídia propõe é um suicídio. A mulher que os homens querem é uma mulher liquida , que se adapte ao seu conteudo. Uma mulher sem forma propria, mas sim o seu complemento.

A que cada mulher recriar-se não do barro como Adão foi feito. Nem de uma costela masculina como Eva. Madre Tereza de Calcutá acreditava numa divindade masculina. Acreditar em si é a única solução.

Politicos como os que temos em nosso paises e nos principais paises com que nos relacionamos são em suas maiorias "liquidos". Sem formas proprias, muito menos ideais. E pior, de um liquido de odor fétido cheirando a podridão.
Eliezer Berenstein

17 Novembro 2009

É proibido transar sobre a linha férrea



Entre o canto de pássaros, muito verde e ninguém mais por perto, uma placa fincada ao lado dos trilhos da ferrovia de Engenheiro Evangelista de Souza, no extremo sul da cidade de São Paulo, anuncia: "É proibido transar sobre a linha férrea. Logo abaixo, outro aviso. A "pena" é de "reclusão de dois a cinco anos e multa", conforme o artigo 260 do Código Penal.

O aviso está errado, segundo a Secretaria Municipal de Verde e Meio Ambiente e a concessionária ALL, que têm logotipos na placa. Segundo elas, foi efeito de vandalismo.

A secretaria explica: o autor da gracinha descolou as quatro últimas letras (adesivadas) da palavra "transitar" e colou de volta as duas últimas, chegando a "transar". De fato, as letras "a" e "r" estão desalinhadas na comparação com as restantes. As secretaria já pediu alterações à concessionária.

O "vândalo", porém, tem sua razão ao avisar que sexo nos trilhos não está liberado. O artigo 233 do Código Penal proíbe "ato obsceno em lugar público" e prevê "detenção de três meses a um ano, ou multa". Já o 260 prevê prisão ou multa a quem "impedir ou perturbar serviço de estrada de ferro".
Daniel Bergamasco

A Europa que desperdiçou 1989


1989 foi o maior ano da história mundial desde 1945. Em política internacional, ele mudou tudo. Conduziu ao fim do comunismo na Europa, da União Soviética, da Guerra Fria e do curto século 20.

Abriu as portas à unificação alemã, a uma União Europeia historicamente sem precedente, estendendo-se de Lisboa a Talin, à ampliação da Otan, a duas décadas de supremacia americana, à globalização e à ascensão da Ásia. A única coisa que ele não mudou foi a natureza humana.

Em 1989, os europeus propuseram um novo modelo de revolução, não violenta, "de veludo", questionando o exemplo de violência de 1789 que durante dois séculos foi o que a maioria das pessoas achava que era uma revolução. Em vez de jacobinos e guilhotina, eles ofereceram às pessoas poder e negociações numa mesa redonda.

Com a impressionante renúncia de Mikhail Gorbachev ao uso da força (um exemplo luminoso da importância do indivíduo na história), um império detentor de armas nucleares, que para muitos europeus parecera tão duradouro e sólido como os Alpes, não apenas porque possuía aquelas armas de destruição total, simplesmente desapareceu, silenciosa e repentinamente. Mas então, como se isso tudo fosse bom demais para ser verdade, 1989 trouxe também a fatwa do aiatolá Khomeini contra Salman Rushdie - o tiro de largada para outro prolongado conflito na Europa, iniciado antes mesmo que o último houvesse realmente terminado.

Anos como esse só ocorrem uma ou duas vezes no curso de uma vida. 2001, o ano dos ataques terroristas do 11 de Setembro, foi outro ano importante, é claro, sobretudo porque alterou as prioridades dos Estados Unidos no mundo. Mas não provocou tantas mudanças quanto 1989. Como a Guerra Fria havia afetado até o menor dos Estados africanos, fazendo dele um potencial peão no grande jogo de xadrez entre Leste e Oeste, também seu fim afetou todos os países. E lugares como o Afeganistão foram esquecidos, negligenciados por Washington, já que não pesavam mais numa disputa global com a agora ex-União Soviética. Os mujahedin tinham feito seu trabalho e podiam partir. Mas um desses "guerreiros santos", chamado Osama bin Laden, tinha outras ideias.

O epicentro de 1989 foi a Europa entre o Reno e os Urais, e foi ali que ela mais mudou. Nenhum vizinho da Polônia hoje o era em 1989. Alias, muitos Estados e algumas fronteiras da Europa Oriental são hoje mais novos que os da África. A vida de todo homem, mulher e criança mudou além de qualquer reconhecimento - e em nenhum lugar mais que na antiga República Democrática Alemã, cujo atestado de óbito foi escrito há 20 anos num dia 9 de novembro, com a derrubada do Muro de Berlim.

Num plano mais próximo, temos as histórias dos jovens - checos, húngaros e alemães-orientais - nascidos em 1989, que estão se agarrando às chances de liberdade e desfrutando delas; e dos muitos, mais velhos e menos favorecidos, que, por virem passando por maus bocados desde então se tornaram raivosos e desiludidos.

No extremo, temos a dança global das velhas e das novas superpotências. Potencialmente, elas agora são três: Estados Unidos, China e União Europeia (UE). Os EUA ainda são a única superpotência genuína, tridimensional. Quando os ex-presidentes Gorbachev e George H. W. Bush se reuniram com o ex-chanceler Helmut Kohl em Berlim, no mês passado, Bush pai prestou tributo a seu amigo "Mikhail". Ele podia se dar ao luxo de ser generoso: afinal, a América vencera.

Mais precisamente, os EUA emergiram como vencedores graças, em parte, a suas próprias políticas, mas também ao trabalho de outros. Seria difícil, porém. dizer que os EUA tenham empregado muito bem suas duas décadas subsequentes de supremacia - principalmente sob Bush filho. O país viveu à larga, acumulando uma pilha de dívidas tanto em nível familiar como nacional. Não criou uma nova ordem internacional duradoura. E tem agora um presidente maravilhoso que deseja fazer isso, mas provavelmente já não dispõe dos meios.

A China é o mais surpreendente dos vencedores. Vale lembrar que quando Gorbachev visitou Pequim no início do verão de 1989 teve de ser introduzido sorrateiramente, por uma entrada lateral, no complexo de Zhongnanhai dos líderes do Partido Comunista porque havia muitos manifestantes na Praça Tiananmen (da Paz Celestial). A China parecia à beira de algum tipo de revolução de veludo.

Mas aí veio o massacre de 4 de junho na praça. Um calafrio percorreu a Eurásia, de Pequim a Berlim. China e Europa separaram-se dramaticamente.

Traumatizados pelos protestos de Tiananmen e o colapso do comunismo na União Soviética e na Europa Oriental, os líderes do PC chinês aprenderam as lições de como evitar o destino de seus camaradas europeus. Agarrando as oportunidades econômicas oferecidas pela globalização, ela própria decisivamente catalisada pelo fim do comunismo europeu, os líderes chineses avançaram pela estrada na qual Deng Xiaoping (alguém da estatura de Gorbachev em termos de impacto na história) os lançara.

O resultado: um híbrido que pode ser simplificadamente definido como capitalismo leninista - algo simplesmente inimaginável em 1989. E uma superpotência emergente com US$ 2 trilhões de reservas que agarrou os EUA numa chave de braço financeira.

É verdade que a China é uma superpotência frágil, com muitas tensões e contradições internas e pouquíssima liberdade; mas ainda assim é uma formidável competidora com o capitalismo democrático liberal estilo ocidental. Bem mais formidável que o islamismo militante passadista - uma ameaça real, mas não um sério competidor ideológico.

E depois estamos nós: a velha Europa, onde tudo começou. Num ensaio na New York Review of Books recentemente republicado no jornal The Guardian, sugeri que 1989 foi o melhor ano da história europeia. É uma pretensão ousada, e os leitores são convidados a apontar um ano melhor. Mas duas décadas depois, e em meus momentos mais sombrios, 1989 às vezes me parece o último e tardio florescimento de uma rosa muito velha. Evidentemente, alcançamos algumas grandes coisas desde então. Ampliamos a UE . Temos (ou pelo menos alguns de nós têm) uma moeda europeia única. Temos a maior economia do mundo. No papel, a Europa parece bem. Mas a realidade política é muito diferente.

Esta não é a Europa de coração grande com a qual visionários como Vaclav Havel sonharam em 1989. É a Europa do outro Vaclav, Vaclav Klaus, assinando o Tratado de Lisboa com os dentes rangendo após arrancar pequenas concessões provincianas. É a Europa de David Cameron, que na defensiva estreiteza nacional de sua visão europeia, é realmente bastante representativo do europeu contemporâneo. (Churchill! Deveríeis estar vivo nesta hora: a Europa precisa de vós.) Mergulhado no narcisismo da diferença mínima, somente meio desperto para o mundo de gigantes que emergem a seu redor, nosso político médio da França, Alemanha ou Polônia pouco melhorou.

Assim, depois de 20 anos, a questão com a qual nós europeus nos deparamos é esta: conseguiremos recapturar algo da ousadia estratégica e da imaginação histórica de 1989? Ou deixaremos que outros moldem o mundo enquanto nos acomodamos, como Hobbits, em nossos buracos nacionais e fingimos que não há gigantes caminhando sobre nossas cabeças?
Timothy Garton Ash

15 Novembro 2009

O jogo dos anões


Um grupo de anões decide jogar futebol.

Alugam um campinho de várzea e vão pra lá contentes e eufóricos.

Lá chegando, percebem que não existe vestiário e então decidem vestir uniforme no banheiro do boteco lá perto.

Todos entram e se dirigem para o fundo do bar, onde ficava o banheiro.

Chega um bêbado e pede uma garrafa de cachaça.

Após alguns minutos passam pelo bêbado os jogadores anões,vestidos de azul.

O bêbado não entende nada, fica bolado, mas continua bebendo. Em seguida, passam os anões de uniforme vermelho.

O bêbado chega pro dono do bar e diz:

- Aí maluco, fica ligado que o jogo de totó tá fugindo

As bolsas mais caras do mundo


Marc Jacobs Carolyn Crocodile R$63.360,00 - é feita de couro roxo de crocodilo.












Nancy Gonzalez Porousus R$63.360,00 - feita de peles e couros exóticos.
















Fendi Selleria R$80.256,00 - feita de couros chinchila e zibelina.













Louis Vuitton Tribute Patchwork Bag R$88.704,00 - bolsa de edição limitada, feita de 15 partes das melhores bolsas de Louis Vuitton.



















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Leiber Precious Rose Handbag R$194.304,00 - A única bolsa do mundo feita a mão com 1.016 diamantes, 1.169 safiras Rosa e 800 turmalinas























Hermès Matte Crocodile Birkin Bag R$253.440,00 - bolsa de 30 centímetros feita de couro de crocodilo e com 10 quilates de diamantes.















The Chanel Diamond Forever Classic Bag R$551.232,00 - são 334 diamantes e ouro branco. Somente 13 foram feitas no mundo inteiro.












Agora a "hors concours"!
Bolsa Família do Governo Lula Mais de R$4.000.000.000,00 - feita com o mais puro couro da classe média brasileira.

Tenho medo da palavra verdade


Tenho medo da palavra verdade. É tão crua. Parece feita de faca. A palavra verdade não permite o erro, daí não conhecer o perdão. A verdade, se existe, deve ser exagerada demais. É maior que o mar. O mar tem margens e a verdade não. A verdade não possui fronteiras. A verdade não permite perguntas. A verdade é uma resposta quase falsa. A verdade invade....

Fui criado por via das dúvidas. Quando adoecia, minha mãe chamava o farmacêutico, pro via das dúvidas. Mas, por via das dúvidas, acendia uma vela. Por via das dúvidas escaldava um chá. Por via das dúvidas mandava benzer. E eu, por via das dúvidas, voltava a ter saúde. A dúvida me salvou. As pessoas que cismam ter encontrado a verdade me assustam.
Bartolomeu Campos de Queirós

Dr. Içami Tiba


O palestrante é membro eleito do Board of Directors of the International Association of Group Psychotherapy.
Conselheiro do Instituto Nacional de Capacitação e Educação para o Trabalho "Via de Acesso".
Professor de cursos e workshops no Brasil e no Exterior.


Em pesquisa realizada em março de 2004, pelo IBOPE, entre os psicólogos do Conselho Federal de Psicologia, os entrevistados colocaram o Dr. Içami Tiba como terceiro autor de referência e admiração,o primeiro nacional.
1º- lugar: Sigmund Freud;
2º- lugar: Gustav Jung;
3º- Lugar: Içami Tiba


1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre.

2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar com internet, som, TV, etc.

3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.

4. É preciso confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.

5. Informação é diferente de conhecimento.. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona.

6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai determinar que não haverá um passeio, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinqüente.

7. Em casa que tem comida, criança não morre de fome . Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto quem tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer.

8. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.

9. É preciso transmitir aos filhos a idéia de que temos de produzir o máximo que podemos. Isto porque na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio: não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.

10. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconseqüente.

11. A gravidez é um sucesso biológico e um fracasso sob o ponto de vista sexual.

12. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para fazer uso da droga . A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve 'abandoná-lo'.

13. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.

14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.

15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo..

16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se for mal na faculdade.

17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca..

18. Se a mãe engolir sapos do filho, ele pensará que a sociedade terá que engolir também.

19. Videogames são um perigo: os pais têm que explicar como é a realidade, mostrar que na vida real não existem 'vidas', e sim uma única vida. Não dá para morrer e reviver. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.

20. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.

21. Pais e mães não pode se valer do filho por uma inabilidade que eles tenham. 'Filho, digite isso aqui pra mim porque não sei lidar com o computador'. Pais têm que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível pagarem para falar com o filho que mora longe.

22. O erro mais freqüente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.

23. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.

24. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que mostrar qual é o consumo (kWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.

25. Dinheiro 'a rodo' para o filho é prejudicial. Mesmo que os pais o tenham, precisam controlar e ensinar a gastar.

Frase: "A mãe (ou o pai!) que leva o filho para a escola, não vai buscá-lo na cadeia."

13 Novembro 2009

Teste para Detecção de Psicopata


Teste para Detecção de Psicopata
Esse é um teste psicológico de verdade.

Uma garota, durante o funeral de sua mãe, conheceu um rapaz que nunca tinha visto antes.
Achou o cara tão maravilhoso que acreditou ser o homem da sua vida.
Apaixonou-se por ele e começaram um namoro que durou uma semana. Sem mais nem menos, o rapaz sumiu e nunca mais foi visto. Dias depois, a garota matou a própria irmã.

Questão:

Qual o motivo da garota ter matado sua própria irmã?


(Não desça até o final antes de ter pensado em uma resposta)

Realmente tente responder, pois é interessante.


Pense Pink, Pense
(Se você não tem filhos pequenos não entendeu a piada)



Ela matou porque esperava que o rapaz pudesse aparecer novamente no funeral de sua irmã.

Se você acertou a resposta, você pensa como um psicopata.
Esse é um famoso teste psicológico americano para reconhecer a mente de assassinos seriais (Serial Killers).

A maioria dos assassinos presos acertou a resposta.
Para um psicopata, sempre os fins justificam os meios.


Se você errou...
Bom para você,
Bom para sua família e
Bom para seus amigos.

Se você acertou a resposta...
Apague meu Nome da sua agenda,
Apague meu nº do seu celular,
Apague meu e-mail do seu micro e esqueça que me conheceu um dia!!!
Eu não vi nada, não sei de nada, aliás, nem te conheço... quem é você?

Leite achocolatado pode reduzir inflamação


Sai daí, vinho tinto. Dê espaço para o leite com chocolate. Um novo estudo sugere que o consumo regular de leite desnatado com cacau rico em flavonoides pode reduzir a inflamação, potencialmente desacelerando ou prevenindo o desenvolvimento da arteriosclerose. No entanto, os pesquisadores notaram que o efeito não era tão pronunciado quanto o observado com o vinho tinto.

Cientistas em Barcelona, Espanha, recrutaram 47 voluntários, com 55 anos de idade ou mais, que apresentavam risco de doenças cardíacas. A metade deles recebeu sachês de 20g de pó de cacau solúvel para beber com leite desnatado duas vezes por dia, enquanto o restante tomou leite desnatado puro. Um mês depois, os grupos inverteram a bebida.
Exames de sangue descobriram que, depois que os participantes tomavam leite achocolatado duas vezes ao dia durante quatro semanas, eles apresentaram níveis significativamente mais baixos em vários indicadores bioquímicos de inflamação, embora alguns indicadores de inflamação celular tenham permanecido iguais.

Os participantes também apresentaram níveis significativamente mais altos do colesterol bom, HDL, depois de concluir a dieta do leite com chocolate. O estudo aparece na edição de novembro do The American Journal of Clinical Nutrition e já está disponível online.

"Como a arteriosclerose é uma doença inflamatória das artérias de baixo grau, o consumo regular de cacau parece prevenir ou reduzi-la", disse Dr. Ramon Estruch, da Universidade de Barcelona, principal autor do artigo, acrescentando que mais estudos são necessários.
Roni Caryn Rabin - The New York Times

Ilana Casoy


Em 2004, Ilana Casoy deixou para trás seus longos e bem tratados cabelos loiros.

A decisão de passar a tesoura na bela madeixa não foi por vaidade, tampouco pelo desejo de mudar, mas sim devido a uma ameaça ouvida por telefone: "Vou te encontrar na morte, Rapunzel." Sem hesitar, procurou seu cabeleireiro.

"Acabei com a fantasia do cara", conta. "Mas depois gostei tanto da praticidade do corte que não quis mais saber de cabelo comprido."

Cuidado nunca é demais quando se está exposta a bandidos, afinal, Ilana tornou-se uma respeitada especialista em decifrar mentes de criminosos, principalmente os serial killers. Com base em evidências levantadas por peritos, elabora o perfil psicológico do assassino. Essas informações ajudam a polícia a criar estratégias de interrogatório, desvendar o caso e chegar até o culpado.

Entre as muitas investigações em parceria com órgãos oficiais, destacam-se crimes "famosos", como o do maníaco de Guarulhos e o de Suzane von Richthofen. Atualmente, acompanha o caso Nardoni junto com a promotoria. Mas também costuma viajar pelo País para investigar, ao lado da polícia, assassinatos que não chegam ao noticiário.

Formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, seu conhecimento sobre a mente de um assassino – baseada em muita pesquisa e experiência de "campo"– rendeu três livros, todos com várias edições pela Ediouro. O primeiro deles, Serial Killer – Louco ou Cruel?, faz um apanhado de casos solucionados pelo mundo afora e está na nona edição.

Depois escreveu Serial Killers – Made in Brasil, que segue para a sétima edição este mês. "Histórias de ficção acabam quando o autor quer. Mas, no meu caso, por serem verídicas, muita coisa pode mudar quando um criminoso sai da cadeia após cumprir pena, morrer ou até se casar", observa Ilana. "Por essa razão, invisto muito do meu tempo atualizando meus livros."

Em O Quinto Mandamento, que está na quinta edição, ela conta os bastidores do homicídio do casal Richthofen, arquitetado pela filha Suzane. A publicação será adaptada para o cinema, pelas mãos da produtora e atriz Ana Paula Sant’Anna, que também interpretará a criminosa. "Vou ajudar a escrever o roteiro do filme", diz a paulistana, que completou 49 anos em fevereiro, e que é sobrinha do jornalista Boris Casoy e prima do apresentador Serginho Groismann.

VIRADA

Aos 20 anos, Ilana casou-se. Com 25, já cuidava de dois filhos. Perto de completar 40, deu um basta no emprego de administradora e pediu a conta na escola onde trabalhava. Foi quando resolveu escrever um livro, para a surpresa do marido e dos dois filhos. Queria também testar se era disciplinada o suficiente para realizar esse projeto pessoal.

O gênero policial sempre lhe interessou: "Ler e pesquisar sobre crimes sempre foi meu hobby. Tudo começou por causa dos filmes policiais com histórias baseadas em fatos reais. Não me conformava em não saber o que tinha sido ficção e realidade."

Curiosa, queria saber em qual crime o filme Silêncio dos Inocentes tinha se baseado. E onde Alfred Hitchcock havia buscado inspiração para construir as tramas de seus famosos suspenses. Começou a ir atrás dos casos reais, vasculhando pela internet os documentos da Scotland Yard, FBI, Suprema Corte americana e de vários outros países. Arquivava todo material sobre assassinos em série que conseguia.

A única dificuldade era obter informações no Brasil. Mas com a cara e coragem, há nove anos, Ilana procurou a Academia de Polícia de São Paulo e o departamento de perícia da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa.

"Em outros países, as informações são todas digitalizadas e com acesso quase irrestrito a crimes antigos, mas aqui não havia nada assim", conta. "Por ter sido algo inédito no meio, acabei sendo bem recebida, apesar de todo o estranhamento inicial."

Depois, Ilana soube pela internet que haveria um curso de perícia e pediu para ser aluna ouvinte. A resposta não veio de imediato, pois o pedido inusitado movimentou dirigentes que nunca haviam se deparado com uma mulher ávida por informações sobre crimes. Como uma coisa leva a outra, as portas começaram a se abrir. Até que foi convidada por um perito para acompanhar uma ocorrência de homicídio e não parou mais.

No seu primeiro contato direto com um assassino, Ilana conta que teve muito medo. Tremia sem parar. Hoje, já não se intimida quando precisa entrevistá-los na cadeia. "Eles me respeitam bastante", garante. "Assim como me tratam superbem, eu faço o mesmo, porque, apesar de tudo, são pessoas que também têm direitos."

Cenas chocantes de um crime não lhe causam mais tanto desespero, sofrimento, tristeza, insônia, vontade de chorar. Porém, precisa tirar brevíssimas férias para se recuperar do baque, da tensão que envolve seu trabalho, mesmo que tenha aprendido a controlar suas emoções.

"Só consigo lidar com uma realidade tão triste porque tenho um porto seguro, que é a minha família." Mesmo assim, faz terapia duas vezes por semana. Para quem está de fora, fica fácil separar o bem do mal, o certo do errado. Mas para quem está lá, no meio do furacão, não é bem assim.

– Ao conversar com um assassino, você ri e chora com ele. É uma mistura, porque quero entender a vida dele, mais do que o crime que cometeu. Geralmente são pessoas que tiveram uma infância difícil, o que não justifica os atos, é claro. O problema é que esses infelizes sentem dor, mas também causam muita dor.

Sobre as ocorrências que já acompanhou, Ilana fala: "O crime que mais me choca? Sempre o que estou trabalhando no momento. É doloroso entrar na cabeça de um assassino e ajudar a polícia a agir rápido para encontrá-lo. Quando isso acontece, respiro aliviada por ter evitado mais mortes."


CRIME DESVENDADO

Um dos crimes que ajudou a solucionar foi o do "monstro da Ceasa", em Belém do Pará. André Barboza matou três meninos de 14 anos após levá-los a um matagal e violentá-los, entre dezembro de 2006 e fevereiro de 2007. Foi condenado a 104 anos de prisão.

Em parceria com a psicóloga forense Maria Adelaide Caires, Ilana traçou o perfil do assassino. Ao analisar os laudos dos crimes, descobriu que se tratava de um heterossexual, e não de um homossexual como os investigadores acreditavam. O caso lhe rendeu uma medalha da Polícia Civil do Pará e um prêmio do FBI durante um congresso entre peritos. Recentemente, subiu ao palco para apresentar esse estudo aos participantes do 20º Congresso Nacional de Criminalística e o 3º Internacional, realizados em outubro, em João Pessoa. De todos os peritos criminais que lá estavam, era a única que não tinha especialização oficial.

Por não fazer parte dos quadros formais da perícia, Ilana não ganha honorários pelo seu trabalho. Quando é chamada para auxiliar em algum caso, tem apenas os custos da viagem, estadia e alimentação pagos. "O importante para mim é que me dão a grande oportunidade de ganhar experiência e ter acesso às histórias", diz ela, que faz pós-graduação em Criminologia no Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.

Seu próximo livro já está a caminho: ela vai contar a dinâmica do júri no caso Nardoni, explicando como funciona essa comissão, pouco conhecida pela população.
Ciça Vallerio

12 Novembro 2009

A cerveja e os vermes


No laboratório de Biologia, o mestre diz :
Temos um copo com água, outro com cerveja e dois vermes...
- Agora alunos, atenção !

Observem os 'vermes', disse o professor, colocando um deles dentro da água pura.
A criatura nadou agilmente no copo, como se estivesse feliz e brincando.

Depois, o mestre colocou o outro verme no segundo copo, contendo cerveja.
O bicho se contorceu todo, desesperadamente, como se estivesse louco para sair do líquido e depois afundou como uma pedra, absolutamente morto.

Satisfeito com os resultados, o professor perguntou aos alunos:
'E então, que lição podemos aprender desta experiência?'

O aluno observador levantou a mão, pedindo para falar, e sabiamente respondeu:
-'Devemos beber muita cerveja para não termos vermes.'
Foi aplaudido de pé pela galera...

A vingança


A vingança consiste na pior resposta que podemos dar a alguém ou a algo que nos prejudicou.

Embora muitos aspectos da vingança possam lembrar o conceito de igualar as coisas, na verdade, a vingança em geral tem um objetivo mais destrutivo do que construtivo.

Quem busca vingança, deseja forçar o outro lado a passar pelo que passou e garantir que não seja capaz de repetir a ação nunca mais.

Ao armar-se de calúnia e de outros mecanismos de perseguição ontra aquele a quem odeia, está realizando uma luta contra si mesmo, pois está apenas projetando o lado sombrio de sua personalidade.

“Ah, o covarde que se vinga é assim 100 vezes mais culpado do que o que enfrenta seu inimigo e o insulta em plena face”. No indivíduo, esse comportamento provoca o perverso mecanismo conflitivo, que o leva ao desespero, e mesmo quando o outro já não mais lhe representa perigo algum, mesmo depois de se render ou ser aniquilado, os efeitos desastrosos da vingança não desaparecem frustrando a quem aparentemente estaria vitorioso, por isto ela é sem fim.

A vingança não é eficaz para qualquer tipo de situação, pois ela é de curta duração, é um prazer imediato. Aquele ressentimento que existe nas pessoas e as leva a acreditar que, se devolver o mal que lhe fizeram, resolverá o conflito. Engano, a vingança, como já disse, é sem fim justamente por ter vida curta, passa logo, o ódio retorna e a pessoa já começa a maquinar o próximo passo. Finalizo com o pensamento Benjamin Franklin: “Causar um dano coloca você abaixo do inimigo, vingar-se faz com que você se iguale a ele, perdoá-lo coloca você acima dele ”.

Antônio Roberto

Eles só pensam naquilo


Quando a cama de casal se divide em: "sempre a dor-de-cabeça" e "ele só pensa naquilo" é sinal de que alguma coisa anda errada no relacionamento? Nem sempre. A situação pode ser simplesmente um dos impasses que a diferença entre a libido masculina e a feminina causa.

Avaliar esse descompasso e fazer comparações, no entanto, não é tão simples, já que os hormônios variam não só entre os sexos como também de pessoa a pessoa. O urologista da Sociedade Brasileira de Urologia, Carlos Jardim, lembra que a questão cultural também ronda os machões de plantão. "O homem ainda é visto como caçador. Ele tem que apresentar desejo sexual sempre em alta", comenta.

De acordo com a ginecologista do Hospital São Luiz, Fabiane Sabbag, os diversos hormônios que regem homens e mulheres são os maiores responsáveis pela eventual falta de sintonia na libido de um casal.

"A testosterona (hormônio sexual masculino) é constante nos homens. Já as mulheres enfrentam as variações hormonais do ciclo menstrual. É um efeito cíclico", explica a ginecologista. Isso significa que o desejo sexual feminino está relacionado aos picos que os hormônios sofrem durante o ciclo menstrual. No período de ovulação (para quem tem um ciclo regular, a ovulação acontece durante os 14 dias contados a partir do início da menstruação), por exemplo, a combinação de estrógeno, progesterona e testosterona está elevada, fazendo com que a mulher se interesse mais pelo parceiro. O contrário acontece quando a mulher está menstruada.

Nos homens, o nível de testosterona é o mesmo até que a andropausa comece a dar sinais. "O homem produz testosterona a vida toda, mas a partir dos 40 anos, é comum haver uma diminuição anual dessa produção", diz o especialista da SBU. Com as mulheres, a queda nos hormônios é mais brusca, característica marcante da famosa menopausa.

Carlos explica que, hoje em dia, é comum ver mulheres buscando a reposição hormonal como tratamento preventivo à falta de desejo sexual. "Muitas querem repor os hormônios para acompanhar o pique do parceiro que, além de apresentar os sintomas mais tarde e de forma mais lenta, encontra alternativas para prolongar a qualidade do sexo", diz.

Mas a diminuição dos hormônios e do desejo feminino pode acontecer até pelo uso de anticoncepcionais. "Nesse caso, a libido cai porque a pílula inibe a ovulação e, com isso, evita os picos hormonais", afirma Fabiane.

11 Novembro 2009

Amor e ódio nascem no mesmo lugar


Dizem que o amor vem do coração, mas e o ódio? Pesquisadores estão em busca dos fundamentos neurológicos do ódio, assim como da música, da religião, da ironia e de outros conceitos abstratos. A ressonância magnética funcional (RMf) começa a revelar como essa forte emoção se inicia no cérebro.

No ano passado, o neurobiólogo Semir Zeki, do Laboratório de Neurobiologia da University College London, liderou um estudo que mapeou os cérebros de 17 adultos enquanto contemplam imagens de pessoas que eles admitiram odiar. Na tela nota-se que áreas no giro frontal medial, putâmen direito, córtex pré-motor e ínsula medial foram ativados. Os pesquisadores observaram que partes do chamado “circuito do ódio” também estão envolvidas no início de um comportamento agressivo, mas sentimentos intrinsecamente agressivos ─ como raiva, perigo e medo ─ apresentam padrões cerebrais diferentes dos do ódio.

Certamente o ódio pode surgir de sentimentos positivos, como o amor romântico ─ na figura de um ex-parceiro ou rival em potencial. O amor, porém, parece desativar áreas tradicionalmente associadas com o julgamento, enquanto que o ódio ativa áreas do córtex frontal que podem estar relacionadas com a avaliação de outra pessoa e previsão de seu comportamento.

Algumas associações com o amor, entretanto, são surpreendentes, observam os autores do estudo publicado em outubro de 2008 na PLoS ONE. As áreas do putâmen e ínsula ativadas pelo ódio são as mesmas das do amor romântico. “Essa ligação pode explicar porque amor e ódio estão tão intimamente relacionados nas pessoas.”

No entanto, esse estudo inicial não convenceu a comunidade científica de que essas são as raízes neurológicas do ódio. “Ainda é realmente muito cedo”, observa Scott Huettel, professor-associado de psicologia e neurociência da Duke University, não envolvido no estudo. Outras emoções, como felicidade e tristeza, já são mais bem compreendidas, acrescenta. “Até sensações como arrependimento têm coordenadas neurais bem definidas.”

O próximo passo, segundo Huettel, será realizar mais pesquisas sobre aspectos bem específicos e tipos de ódio ─ incluindo ódio contra grupos de pessoas em vez do ódio a uma única pessoa ─ e depois testá-las em diferentes situações. Também será importante estudar casos em que partes do cérebro tenham sido danificadas e tendências emocionais tenham sido alteradas. “Se a ativação positiva e a debilidade, de uma região do cérebro danificada, forem identificadas, já será um bom indício de que se encontrou, pelo menos, uma parte do circuito”.

Para que serve o ódio, ainda é uma questão debatida. Embora alguns argumentem que o sentimento oferece uma vantagem evolucionária ─ poderia ajudar as pessoas a decidir quem confrontar ou desprezar ─, Huettel observa que, da mesma forma que se identifica um circuito neural dedicado, tudo não passa de “um palpite bem dado”.
Katherine Harmon

Ioga, arma contra depressão e ansiedade


Uma pesquisa conduzida na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comprovou uma antiga suspeita. A prática da ioga é capaz de combater a depressão e a ansiedade, além de aumentar a qualidade de vida e a produtividade.

"Foi principalmente contra a ansiedade que detectamos efeitos positivos, porque a ioga trabalha a concentração", diz a pesquisadora Thais Godoy, do Instituto de Medicina Comportamental do Departamento de Psicobiologia da Unifesp.

Professora de posturas e chacras (pontos de energia no corpo) há cinco anos, Thais decidiu testar cientificamente as mudanças observadas em seus próprios alunos. "Muita gente começa a fazer ioga sem botar fé nos benefícios", diz. "Assim mesmo, eles vêm, pois, como um exercício físico, a ioga interfere no organismo a despeito da consciência e da vontade do praticante".

Para Ricardo Monezi, professor da Unifesp e orientador da pesquisa, um dos grandes feitos da ioga é minar os sintomas do stress e da depressão. "Muitas pessoas deprimidas têm dor nas costas por adotar uma postura arqueada, e essa dor reabastece a depressão", diz Monezi. A ioga, garante o especialista, trabalha a postura e a respiração, alivia a dor e propicia uma melhora na qualidade de vida.

Teoria e prática - O estudo acompanhou por três meses 15 voluntários submetidos a exercícios de respiração e de postura - o grupo recebeu o nome de experimental. Simultaneamente, outras 15 pessoas, que não realizaram nenhuma atividade física, também foram observadas - é o chamado grupo de controle. Os níveis de ansiedade e depressão de todos foram mensurados no começo e no fim do estudo.

Quando a pesquisa foi iniciada, o grupo experimental apresentava, na média, um nível de ansiedade entre leve e moderado. Ao final do estudo, esses voluntários já apresentavam sinais apenas leves. Já o grupo de controle, que não realizou a ioga, manteve os mesmos níveis.

No caso da depressão, a diferença entre os grupos é numérica, porque ambos tiveram a mesma evolução em termos de nível - passando do patamar leve para o mínimo. A vantagem do grupo iogue está na quantidade de participantes que registrou evolução: 68%, ante 39%.

Complemento - Apesar dos bons efeitos obtidos com a ioga, Thais alerta que a prática deve ser encarada como uma arma complementar contra a depressão e a ansiedade, e nunca como remédio único.

Maria Carolina Maia

10 Novembro 2009

Ponte


O mundo é uma ponte. Passe sobre ela. Não construa seu lar nela.
Inscrição na Mesquita de Fatehpur, Sikri, Índia, século 17

Responsabilidade moral e a loucura


Reflexão sobre o motivo de uma pessoa portadora de transtorno psíquico não ser responsável por seus atos num momento de loucura

Na ultima novela de Gloria Perez, Caminho das Índias, exibida pela Rede Globo, a autora nos permite num deslocamento do nosso olhar, nos deparar com questões diversas que nos provocam. Uma delas diz respeito à responsabilidade moral. Vou descrever uma das cenas. Um dos personagens, Tarso, em pleno surto esquizofrênico, tinha uma arma nas mãos e atirou em outra pessoa. A mãe de Tarso, Melissa Cadore assumiu a culpa pelo filho. O desfecho da trama não 'e relevante. A questão surge neste momento: Tarso, portador de esquizofrenia, poderia ser responsabilizado por ter atirado, nesta circunstância específica?

Parece que fica claro que não, pois o personagem, naquele momento, não tinha consciência do ato. Não dispunha livremente da sua vontade, por não poder dispor da sua razão, uma vez que se encontrava preso à autoreferencialidade da loucura. Sabe-se que, para se imputar responsabilidade por um ato a outrem, é necessário examinar se ao praticar tal ato ao agente foi possível optar livremente por sua execução. No caso de Tarso, sabemos que ele não dispunha de tal condição.

Os pais de Tarso, por serem negligentes com o tratamento e não assumirem a doença do filho, poderiam ser responsabilizados moralmente pelo desatino praticado pelo filho em momento de loucura? Parece-me que sim. Uma vez que escolhem ignorar o fato de ser o filho portador de transtorno mental e por isso não lhe providenciam o adequado tratamento. Ao optarem pela ignorância, assumem a responsabilidade pelo ato de insanidade praticado por Tarso. É conveniente sublinhar que os pais de Tarso escolhem pelo não saber e que poderiam, e deveriam, em tese, ter o conhecimento da afecção psíquica que acomete o filho e do tratamento possível. Todavia, se Tarso não tivesse ainda desencadeado a esquizofrenia e o seu ato fosse de todo inesperado, não poderiam ser responsabilizados, pois ignorariam verdadeiramente a predisposição psíquica do mesmo. Nesse caso, a ignorância os eximiria da responsabilidade moral.

Suponhamos, ainda, que os pais de Tarso não tivessem acesso à informação e nem aos meios de procurar obtê-la, e devido a isso não pudessem perceber a doença do filho e tampouco mensurar sua gravidade. Seriam responsáveis, nesse caso, pelos atos insanos praticados por ele? Não, pois não disporiam das condições de saber e, consequentemente, ignorariam realmente, sem opção de escolha.

Leiamos Sánchez Vásquez: "A ignorância das circunstâncias, da natureza ou das consequências dos atos humanos autoriza a eximir um indivíduo da sua responsabilidade pessoal, mas essa isenção estará justificada somente quando, por sua vez, o indivíduo em questão não for responsável pela sua ignorância; ou seja, quando se encontra na impossibilidade subjetiva ou objetiva (por motivos históricos e sociais) de ser consciente de seu ato."

Neste artigo, refletimos sobre o motivo de uma pessoa portadora de transtorno psíquico não ser responsável por seus atos praticados em momento de loucura e descobrimos que falta a ela, nesse momento, a possibilidade de pensar no registro simbólico, pois se encontra emaranhada na autoreferencialidade do imaginário, e devido a isso perde a possibilidade de optar livremente por agir ou não. Sendo coagida internamente à ação é irresponsável, nesse momento, por seu ato. Mas torna-se responsável àquele que sabendo da possibilidade da loucura em tal sujeito a ignora, impedindo-o de tratar-se adequadamente.

Gostaria, para finalizar este artigo, de lembrar que o portador do transtorno mental não se reduz à psicopatologia a qual está sujeito. Ele é pessoa e como pessoa o transtorno mental é uma possibilidade sua. Mas existem outras. Lembremo-nos de Arthur Bispo do Rosário, John Nash, Florbela Espanca, Robert Schuman, entre incontáveis outros, cujo legado de genialidade e beleza os tornam inesquecíveis e a nós todos mais ricos e humanizados por intermédio de suas obras!
Augusta Cristina de Souza Novaes

08 Novembro 2009

Não basta apagar o fogo


Foto da frente de combate ao incêndio que devastou a Austrália.
Quem não entende um olhar, muito menos entenderá uma longa explicação.
Provérbio Árabe

Ainda há o que derrubar


A queda do muro de Berlim é universalmente interpretada como o fim da guerra fria e a vitória do capitalismo e da democracia liberal.

Por essa visão triunfante, que comemora 20 anos, a história é passível de uma visão teleológica (ou seja, destinada a uma finalidade inevitável), na qual o estágio mais avançado é o chamado Estado democrático de direito, em sua versão europeia: liberal em economia e tolerante em política.

O muro era a cicatriz que estampava a divisão do mundo entre dois blocos, um capitalista, liderado pelos Estados Unidos; e outro socialista (ou do chamado socialismo realmente existente), que tinha a União Soviética como cabeça, coração e cofre. Quando a parede caiu, foi carimbada a vitória do lado ocidental e, de quebra, declarado o fim do sentido da distinção entre esquerda e direita.

Não foi a primeira vez que isso ocorreu. No século 19, o filósofo Hegel já decretara que o Estado Alemão de seu tempo ocupava o topo da pirâmide evolutiva das organizações sociais, realizando na prática o que ele previra em teoria: um movimento dialético ascensional até o estágio em que as contradições seriam todas resolvidas. A inspiração hegeliana é a mesma que deu ao cientista político norte-americano Francis Fukuyama a certeza de que havíamos chegado ao fim da história com os Estados Unidos. Berlim seria o lugar mítico do dissolvimento da ideologia em nome de uma nova realidade política: o fim do comunismo e a afirmação do projeto da globalização. Um único mundo.

No entanto, se a vitória do mercado parecia evidente, mesmo às economias planejadas que começavam a flexibilizar sua inserção internacional e quebrar o automatismo das relações entre blocos, o substrato ideológico foi dado de barato, como consequência natural: quanto mais mercado, mais liberdade. Não era bem assim e não foi assim depois da queda do muro. O que a guerra fria tinha de mais forte não era a oposição em torno de ideias, mas o consenso numa dinâmica econômica marcada pela centralização, pela dependência, pela desigualdade regional e pelo peso do armamentismo. Lá como cá.

As duas superpotências haviam pervertido a economia mundial em torno de uma corrida armamentista poderosa, em escala nunca vista na história da humanidade, extremamente dispendiosa. E o que é mais significativo, tratava-se de uma guerra desigual. Os EUA dominavam a tecnologia e o comércio na porção mais rica da economia mundial; a URSS, drenada pelos seus satélites, mal sustentava seus projetos bélicos; o restante do planeta, onde possivelmente poderiam surgir tensões e alianças pró-socialismo, não representava quase nada em termos econômicos. A Guerra Fria, mesmo antes de acabar, já tinha vencedor.

Mas o que fez com que o “superpoder” soviético derretesse não foram apenas as qualidades de seu oponente, mas seus defeitos intrínsecos. Politicamente, o bloco comunista não conseguiu incorporar a demanda real por participação, não foi capaz de modernizar suas relações sociais, se mostrou incompetente para explorar os novos recursos que dinamizavam o mercado internacional. O socialismo realmente existente agonizava em autoritarismo, ineficácia e pobreza. Quando o muro caiu, os alicerces já estavam podres. Querer barrar tudo com concreto era uma possibilidade tão inviável quanto construir castelos no ar. E mesmo nesse tipo de engenharia, a União Soviética se mostrava capenga. O sonho acabava.

Sem entrar em minúcias, que obrigariam a acompanhar o processo em muitos países, cada um com suas especificidades, a identidade entre a queda do muro e o fim das ideologias é algo frágil, que não se sustenta nos fatos que se seguiram ao ano de 1989. Na verdade, mais que nunca, esquerda e direita passaram a ter sentido no cenário político. O que ficou estabelecido, por obra e engenho dos dois lados da disputa, é que a situação anterior era insustentável para a nova dinâmica política e econômica. No entanto, mesmo aparentemente indiviso, o mundo ainda abrigaria duas grandes perspectivas: de um lado os que acreditam que o fundamento da sociedade é a liberdade; de outro os que apostam na igualdade.

DISTINÇÃO
Quem tem como ponto de partida a liberdade pode criar uma economia poderosa, uma sociedade participativa e uma política democrática, ainda que não se coloque como obrigação reduzir afirmativamente as injustiças. Os que se fundam na perspectiva da igualdade submetem a produção e a posse de bens ao uso potencialmente equitativo da riqueza social, em forma de distribuição de poder, serviços e até mesmo dinheiro. Ser de direita ou de esquerda, mais que uma posição partidária ou política, no sentido operacional, é uma distinção ética e filosófica. O que permite que políticas de esquerda possam ser liberais e projetos de direita mais igualitários.

Temos que comemorar os 20 anos da queda do muro de Berlim como uma conquista de civilização. Mas é preciso ficar atento para outros muros imaginários que se mantêm edificados, como a pobreza estrutural de um modelo excludente e inviável em termos humanos e ambientais. A recente crise financeira internacional foi outro exemplo da desregulagem de um sistema que ser quer perfeito, que fica como alerta para as consciências em festa. Sem falar dos muros reais, como o que Israel edificou para concretizar sua política externa fundada em belicismo e numa concepção muito particular de vingança e retaliação.
Enfim, a boa nova da queda é que os homens se tornaram irredutíveis na defesa da liberdade. Agora é chegada a hora do mesmo empenho em relação à igualdade.
João Paulo

Cem anos de solidão


Claude Lévi-Strauss construiu a cultura de nosso tempo – mas ao século XX, esse que ele atravessou, dedicava um olhar pessimista e incrédulo

"Odeio as viagens e os exploradores." Essa frase, a primeira e a mais conhecida de Tristes Trópicos (1955), era provocação de um homem que amava as expedições. Claude Lévi-Strauss, belga radicado em Paris, viveu no Brasil de 1935 a 1939. Ajudou a criar a Universidade de São Paulo ao lado do psiquiatra Georges Dumas e do historiador Fernand Braudel.

No Paraná, em Mato Grosso e na Amazônia, a partir da convivência com os índios cadiuéus, bororos, nambiquaras e tupis-cavaíbas, construiu uma catedral de pensamento que dominaria seu campo de estudos por quase todo o século passado. Ao chegar, tinha apenas 26 anos. Ao retornar para a França, com a publicação de seu clássico, solidificara um modo de entender a cultura que enterrou concepções eurocêntricas duradouras.

Tristes Trópicos foi o início de uma coleção de livros que sustentou a antropologia estrutural. O método estruturalista, que Lévi-Strauss cimentou, se propunha a estudar o mundo real de modo a identificar nele padrões comuns, ou estruturas, que sempre se repetiriam. Por essa visão, estruturas iguais poderiam ser discernidas na mente de um silvícola, na da gente culta das cidades, na cabeça de um prêmio Nobel ou na do pior aluno da classe.

Para Lévi-Strauss, o indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, constrói objetos. Nesse caminho, o ser humano obedece a leis que não criou. Elas pertencem a um mecanismo inato do cérebro – são, portanto, estruturais. Antes dele, a antropologia apenas colecionava histórias avulsas, anedóticas. Lévi-Strauss demonstrou ser possível estabelecer conexões entre culturas de tempos e regiões diferentes. Hoje soa óbvio, mas eis a mágica dos raciocínios inaugurais. Ao seu tempo esse esquematismo significou uma libertação da visão predominante em uma Europa ainda presa ao preconceito de que os selvagens eram "metade demônios, metade crianças", como definiu o inglês Rudyard Kipling em seu poema O Fardo do Homem Branco.

O lugar-comum, antes do estruturalismo, tratava as sociedades primitivas como intelectualmente sem imaginação, ancorando seu contato com a vida e a religião na mera satisfação urgente das necessidades de comida, roupa e abrigo. No contato com os índios brasileiros, ele descobriu uma lógica refinada, além de senso de ordem e design. Lévi-Strauss deu nobreza intelectual ao pensamento selvagem, abrindo assim uma linha de investigação da vida dos povos isolados. "Com ele, tomamos consciência ao mesmo tempo da diferença e da universalidade", afirma Françoise Héritier, herdeira da cadeira de Lévi-Strauss no Collège de France. "O seu principal legado é este: somos diferentes, sim, mas podemos nos entender, porque nossas estruturas mentais funcionam da mesma maneira."

Elegíaco, melancólico e irônico, Lévi-Strauss era um pesquisador com a cabeça de antigamente incomodado com o presente. Avesso a todos os movimentos culturais modernos, considerava a literatura morta desde Diderot (1713-1784) e a evolução da música encerrada com Beethoven (1770-1827). Foram 100 anos de solidão, honestidade intelectual e de solene indiferença dedicada aos modismos e às apropriações do estruturalismo pelo marxismo (com Louis Althusser) e pela psicanálise (com Jacques Lacan). Lévi-Strauss marcou o pensamento de nosso tempo, mas o século XX, esse que ele atravessou, nunca recebeu o menor elogio de um homem que ia da modéstia à arrogância com rapidez. "Não há mais nada a fazer: a civilização já não é essa flor frágil que se preservava", escreveu em Tristes Trópicos. "A humanidade instala-se na monocultura; prepara-se para produzir civilização em massa, como a beterraba."

Seus escritos tangenciavam o romantismo francês de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Essa imagem o fez símbolo da contracultura nos anos 60 e 70. Era simplificação que rejeitava, por representar distorção de suas ideias. Para Lévi-Strauss, o selvagem não era intrinsecamente nobre por estar próximo da natureza. Em 1993, entrevistado pelo autor, então correspondente de Veja em Paris, disse, ao tomar conhecimento das aventuras de Paulinho Paiakan, o índio estuprador que buscava impunidade: "Os índios não podem beneficiar-se ao mesmo tempo da cultura antiga e da cultura nova, é uma ou outra". Claude Lévi-Strauss faria 101 anos em 28 de novembro. No sábado 31, esse totem exótico e corajoso que abriu a mente da humanidade fechou os olhos.
Fábio Altman - Revista Veja

07 Novembro 2009

Duplo carpado

video

Mulheres: Não se arrisquem esta é a roupa adequada para assistirem aulas na Uniban



A Uniban informou, em um anúncio publicitário publicado nos jornais de domingo, ter decidido expulsar a aluna Geisy Villa Nova Arruda da instituição. A jovem foi insultada por outros estudantes da instituição no dia 22 de outubro, por causa de um vestido curto que usava.

No dia do episódio, a Polícia Militar teve de ser chamada para conter as agressões verbais. As imagens da confusão foram gravadas por universitários e postadas no site YouTube no mesmo dia. Desde o ocorrido, a estudante não voltou mais à universidade.

No comunicado, o Conselho Superior da Universidade afirma ter decidido desligar a aluna do quadro de alunos da instituição "em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos da dignidade acadêmica e à moralidade. A Uniban também suspendeu das atividades acadêmicas temporariamente dos alunos envolvidos em devidamente identificados no incidente de 22 de outubro.
Terra

O urro ancestral da faculdade injuriada

O caso não caberia nem em um folhetim vulgar, não fosse o YouTube denunciando a verdade. A "puta da faculdade" é uma história bizarra: uma mulher de 20 anos é vítima de humilhações. A razão foi um vestido rosa e curto que a fazia se sentir bonita.

Sem ninguém saber muito bem como o delírio coletivo teve início, dezenas de pessoas passaram em coro a gritar "puta" e ameaçá-la de estupro. A saída foi esconder-se em uma sala, sob os urros de uma multidão enfurecida pela falta de decoro do vestido rosa. Além da escolta policial, um jaleco branco a protegeu da fúria agressiva dos colegas que não suportavam vê-la em traje tão provocante.

Colegas de faculdade, professores e policiais foram ouvidos sobre o caso. O fascínio compartilhado era o vestido rosa. Curto, insinuante, transparente foram alguns dos adjetivos utilizados pelos mais novos censores do vestuário da sociedade brasileira. "A roupa não era adequada para um ambiente escolar", foi a principal expressão da indignação moral causada pelo vestido rosa. Rapidamente um código de etiqueta sobre roupas e relações sociais dominou a análise sociológica sobre o incidente. Não se descreveu a histeria como um ato de violência, mas como uma reação causada pela surpresa do vestido naquele ambiente.

O que torna a história única é o absurdo dos fatos. Um vestido rosa curto desencadeia o delírio coletivo. E o delírio ocorreu nada menos do que em uma faculdade, o templo da razão e da sabedoria. Os delirantes não eram loucos internados em um manicômio à espera da medicação ou marujos recém-atracados em um cais após meses em alto-mar. Eram colegas de faculdade inconformados com um corpo insinuante coberto por um vestido rosa. Mas chamá-los de delirantes é encobrir a verdade. Não há loucura nesse caso, mas práticas violentas e intencionais. Esses jovens homens e mulheres são agressores. Eles não agrediram o vestido rosa, mas a mulher que o usava para ir à faculdade.

Não há justificativa moral possível para esse incidente. Ele é um caso claro de violência contra a mulher. Ao contrário do que os censores do vestuário possam alegar, não há nada de errado em usar um vestido rosa curto para ir às aulas de uma faculdade noturna. As mulheres são livres para escolher suas roupas, exibirem sua sensualidade e beleza. A adequação entre roupas e espaços é uma regra subjetiva de julgamento estético que denuncia classes e pertencimentos sociais. Não é um preceito ético sobre comportamentos ou práticas. Mas inverter a lógica da violência é a estratégia mais comum aos enredos da violência de gênero.

A multidão enfurecida não se descreve como algoz. Foi a jovem mulher insinuante quem teria provocado a reação da multidão. Nesse raciocínio enviesado, a multidão teria sido vítima da impertinência do vestido rosa. As imagens são grotescas: de um lado, uma mulher acuada foge da multidão que a persegue, e de outro, do lado de quem filma, dezenas de celulares registram a cena com a excitação de quem assiste a um espetáculo. Ninguém reage ao absurdo da perseguição ao vestido rosa. O fascínio pelo espetáculo aliena a todos que se escondem por trás das câmaras. Quem sabe a lente do celular os fez crer que não eram sujeitos ativos da violência, mas meros espectadores.

Pode causar ainda mais espanto o fato de que a multidão não tinha sexo. Homens e mulheres perseguiam o vestido rosa com fúria semelhante. Há mesmo quem conte que a confusão foi provocada por uma estudante. Mas isso não significa que a violência seja moralmente neutra quanto à desigualdade de gênero. É uma lógica machista a que alimenta sentimentos de indignação e ultraje por um vestido curto em uma mulher. A sociologia do vestuário é um recurso retórico para encobrir a real causa da violência - a opressão do corpo feminino. Não é o vestido rosa que incomoda a multidão, mas o vestido rosa em um corpo de mulher que não se submete ao puritanismo.

Não há nada que justifique o uso da violência para disciplinar as mulheres. Nem mesmo a situação hipotética de uma mulher sem roupas justificaria o caso. Mas parece que uma mulher em um vestido insinuante provoca mais fúria e indignação que a nudez. O vestido rosa seria o sinal da imoralidade feminina, ao passo que a nudez denunciaria a loucura. A verdade é que não há nem imoralidade, nem loucura. Há simplesmente uma sociedade desigual e que acredita disciplinar os corpos femininos pela violência. Nem que seja pela humilhação e pela vergonha de um vestido rosa.
Debora Diniz

Miss Imperfeita


'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.

A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.


Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.

Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias.

Cinco dias!

Tempo para uma massagem.

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar.

Para engravidar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'
Martha Medeiros
Picture by Alberto Pancorbo

06 Novembro 2009

A vitoria


A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitoria propriamente dita.
Mahatma Gandhi

Dedicado à Marta,Regina e Ivana

Vontade


Querer vencer significa já ter percorrido metade do caminho.
Paderewsky

Persistência



"We’re never sold out"
(Nunca estamos esgotados)
Joe Abruzzese
Presidente de vendas da CBS Television Network

Cinco dos melhores profissionais de vendas dos Estados Unidos foram recentemente entrevistados pela Revista Business 2.0 (God of Sales), e listaram as várias qualidades e características que julgam necessárias para ser um profissional bem-sucedido. Três delas se destacam e são comuns a todos:

Informação
Você sempre deve lembrar da regra dos 20 x 80, em que 20% dos seus clientes são responsáveis por 80% das suas vendas. Sendo assim, a informação mais importante é saber quem são os seus melhores clientes, os chamados usuários–líderes, ou ainda heavy–users, e, assim, procurar novos produtos para os seus atuais clientes em vez de novos clientes para os seus atuais produtos. Isso nos remete à segunda qualidade mais citada por eles.

Relacionamento
As organizações percebem que manter relacionamentos com seus clientes atuais é mais lucrativo do que buscar novos clientes. Hoje, mais do que nunca, você precisa destas pessoas, capazes de vender, que tenham a consciência que ao vender é preciso criar um vínculo com o cliente, caso contrário, ele atravessa a rua e compra de alguém que tenha o que ele procura.

Persistência
Segundo eles, é a qualidade que separa os profissionais de sucesso dos demais. A persistência é bem ilustrada nesta matéria por Joe Abruzzese, presidente de vendas da CBS Television Network, "É como nadar em um rio: se você parar de nadar, você pode afundar". Em tempos difíceis como este, você deve ser persistente, fazer o dobro de ligações, o dobro de visitas, enfim deve fazer sempre o máximo possível.

Como a persistência foi muito abordada pelos entrevistados, vou continuar escrevendo este artigo abordando o assunto com base em outras fontes.

A persistência é mais importante do que a motivação?

Muitas vezes sim, pois a motivação é aquilo que faz com que você queira algo e corra atrás dos seus objetivos, já a persistência faz com que você não desista. Existem muitas pessoas motivadas mas pouco persistentes, a quem popularmente chamamos de "fogo de palha".

Quantos começam um curso de idiomas, um regime, um projeto e, ao primeiro obstáculo, desistem?

Esta relação pode ser bem observada no filme "Homens de Honra", com Robert de Niro e Cubba G. Jr. O papel do jovem marinheiro vivido por Cubba Jr. traz em sua essência o que vem a ser persistência. Temos exemplos de persistência em nossas próprias vidas, especialmente no esporte, como a maratonista que chega sem nenhuma condição física no final da prova, mas mesmo assim a termina. Todos se lembram da cena, mas ninguém se lembra de quem venceu a prova.

Um outro exemplo ocorreu na Olimpíada de Sidney, quando um nadador africano bateu o record olímpico de "lentidão aquática", mas mesmo assim terminou a prova e teve seu esforço reconhecido pelo público, que o aplaudiu. A relação de exemplos seria imensa, entretanto, o importante é ter histórias pessoais e profissionais em que a persistência seja fator crítico para o sucesso.

Por que devo ser persistente?

Se ainda restar esta dúvida, lembre-se que a persistência confere a maior de todas as vitórias: a vitória pessoal, o sentimento de que você conseguiu aquilo que queria.
Renê Fernando Cardoso

05 Novembro 2009

O padre e a pecadora


Padre, perdoa-me porque pequei (voz feminina)
Digame filha quais são os teus pecados?
Padre, o demónio da tentação se apoderou de mim, pobre pecadora.
Como é isso filha?
É que quando falo com um homem, tenho sensações no corpo que não saberias descrever...
Filha, apesar de padre, eu também sou um homem...
Sim, padre, por isso vim confessarme consigo.
Bem filha, como são essas sensações?
Não sei bem como explicá-las neste momento meu corpo se recusa a ficar de joelhos e necessito ficar mais a vontade.
Sério??
Sim, desejo relaxar o melhor seria deitar-me...
Filha, deitada como?
De costas para o piso, até que passe a tensão....
E que mais?
É como um sofrimento que não encontro palavras..
Continue minha filha.
Talvez um pouco de calor me alivie..
Calor?
Calor padre, calor humano, que leve alívio ao meu padecer...
E com que frequência é essa tentação?
Permanente padre. Por exemplo, neste momento imagino que suas mãos massageando a minha pele me dariam muito alívio...
Filha?!
Sim padre, me perdoa, mas sinto necessidade de que alguém forte me estreite em seus braços e me dê o alívio de que necessito...
Por exemplo, eu?
Sim padre, você é a categoria de homem que imagino poder me aliviar.
Perdoa-me minha filha, mas preciso saber tua idade...
Setenta e quatro, padre.
Filha, teu problema é reumatismo...Vai em paz.

Ilustres desaparecidos


Daí então você vai, acorda e começa a cismar. Que fim levou fulano? Que fim levou tal coisa?

Não, não é a idade. Isso pode dar em qualquer época da vida. Dar conta de certos sumiços, digo. Pode ser um velho amigo que você não vê há séculos, pode ser uma marca de colírio que era a único que resolvia qualquer inflamação nos seus olhos.

Pode ser um cinema que derrubaram sem você se dar conta. Pode ser uma atriz de cinema que, cada vez que aparecia uma fotografia dela, em jornal ou revista, você se detinha um pouquinho mais para apreciar. Pode ser um político. Dos nossos, dos estrangeiros. Esses desaparecimentos não conhecem fronteiras. Os jogadores de futebol estão bem alto na lista de ilustres desaparecidos.

Pode ser também mania que desapareceu. Que fim levou aquela história que há alguns anos rolava entre tudo quanto é celebridade de que tinha sido violada, ou violado, pelos pais, que, em geral, além do mais, também praticavam o satanismo? As gírias e bordões fazem fila para se mandarem. Pode ser moda que leva a breca. Quem decidiu que esse ou aquele “look” já eram? Quem decretou um fim aos jeans boca-de-sino? E a música gênero disco e as discotecas?

E por aí vai.

Estranho e interessante é quando o que some, o que o gato engole, já era em si estranho e interessante. Pense bem, ponha a mão no coração, com os olhos perscrutadores diga a verdade: qual foi a última vez que você viu um disco voador? Ou, no mínimo, leu sobre alguém que viu um OVNI? Leu alguma coisa nos jornais sobre gente sequestrada por alienígenas?

Nada. Coisa alguma. Feito fantasma ou assombração desapareceram nos deixando essas outras tolices fantasiosas a que, por falta de capacidade ou imaginação, chamamos de recessão, aquecimento mundial, conflitos armados em vários pontos do globo terrestre.

Por outro lado - e péssimo lado -, mesmo não sendo uma boa, os piratas voltaram. Sem Errol Flynn, sem perna de pau, sem venda no olho, sem cara de mau.

Nesse sumiço todo o que mais me desperta a curiosidade é o triste fim do Triângulo das Bermudas. Tinha uma época em que você não podia abrir o jornal ou ligar a televisão sem dar de cara com mais um mistério envolvendo o Triângulo das Bermudas.

Sumia barquinho de pesca com cubano tentando fugir para Miami, sumia navio, sumia avião, sumia nadador audaz. Surgia livro que não acabava mais a respeito. Toda sorte de explicações. De alienígenas em ação às infrutíferas tentativas de cientificar o grande segredo da região, passando por teorias que sopravam vida na igualmente desaparecida Atlântida, mais conhecida como “O Continente Perdido”.

Perdeu-se, pois, nas Bermudas, toda uma região em forma de vasto triângulo, que pode ou não ter sido uma mera (mera?) consequência das atividades solares magnéticas. Quem achar ganha um doce. Muito melhor um Triângulo das Bermudas do que um Pentágono no Iraque ou Afeganistão.

Ivan Lessa
Picture by Basquiat

As seis perfeições do budismo


Praticar a generosidade, a disciplina ética, a paciência, a sabedoria, o esforço entusiástico e a concentração levam a um estado de bem-estar e felicidade plenos. Saiba como trazê-las para seu dia a dia e ter mais qualidade de vida.

Imagine como seria se cada um de nós, ao nascer, recebesse um roteiro para encontrar a tão sonhada felicidade. Nesse tal código de conduta não estaria o nome de seu par perfeito nem a profissão que você deveria seguir para ter sucesso, mas algumas atitudes capazes de afastá-la da tristeza e da dor, levando-a a um estágio de bem-estar pleno.

Pois, para os praticantes do budismo, esse roteiro existe e está expresso nas seis perfeições descritas por Buda e seus discípulos. A palavra perfeição, ou paramita (em tibetano), tem como tradução literal a expressão “ir além”, ou “atravessar para a outra margem”. Segundo os preceitos do budismo, essa “travessia” é o caminho mais eficiente para quem busca se libertar de emoções perturbadoras – como a raiva, o medo e a depressão – e quer viver com mais alegria, paz e prosperidade.


Na realidade, o termo perfeição, nesse contexto, é usado para simbolizar seis virtudes: generosidade, disciplina ética, paciência, esforço entusiástico, concentração e sabedoria, que juntas configuram um estilo de vida baseado na compaixão. Isso porque, no budismo, o outro vem sempre em primeiro lugar e seu contentamento funciona como uma espécie de termômetro para sabermos se estamos na trilha certa para obter nossa própria satisfação.

Para divulgar essa profunda filosofia, diversos representantes e divulgadores do budismo no Brasil se reuniram na Livraria da Vila, em São Paulo, por ocasião do lançamento do livro As Seis Perfeições – Como Atingir o Bem-Estar Supremo (WMF Martins Fontes), do mestre Geshe Sonam Rinchen. Na obra, o autor – que é professor de filosofia budista em Dharamsala, cidade indiana onde vivem o dalai-lama e as principais autoridades tibetanas condenadas ao exílio – comenta as vantagens de incorporarmos essas virtudes ao nosso dia a dia. “Ao respeitarmos o outro, por meio da prática das seis perfeições, somos capazes de alcançar o que mais desejamos”, diz. Ao que acrescenta a monja Coen, fundadora da Comunidade Zen Budista de São Paulo: “Quem pega só para si não percebe que faz parte de um todo e que beneficiando os outros também será beneficiado”.

Aplicação e disciplina
De acordo com Rinchen, enquanto a prática da generosidade, da disciplina ética e da paciência é direcionada ao benefício dos outros, a concentração e a sabedoria são importantes para o desenvolvimento pessoal. Já o esforço entusiástico é necessário em ambos os casos.

Mesmo com o roteiro de Buda em mãos, alcançar o bemestar pleno exige dedicação. Rinchen afirma que somente com a prática constante e diária, mesmo nas situações mais simples da vida, é possível desenvolver essas virtudes.

Essa é também a opinião da lama Tsering Everest, coordenadora do centro de budismo tibetano Odsal Ling, em São Paulo: “A mudança de hábitos somente é alcançada com a prática. Você pode usar as seis perfeições no ato de ouvir, ao arrumar a cama ou ao servir uma xícara de chá, mas o principal é saber que tudo o que fazemos deve ter como base não o eu, mas o todo”. Dadas as explicações, está na hora de saber como as seis perfeições podem ajudá-la a ser plena e equilibrada. Conheça um pouco mais sobre cada uma delas a seguir.

1. Generosidade
Uma das principais práticas da filosofia budista, é também sinônimo de doação. Mais do que abrir mão dos bens materiais e de consumo, ela implica disposição para dar algo ao outro de maneira espontânea e de boa vontade.

O primeiro passo para você alcançá-la em plenitude é superar o apego. “Pensar na transitoriedade das coisas, inclusive do corpo, diminui nossa ligação excessiva a tudo que nos rodeia. Dê o possível agora e deseje intensamente ser capaz de se desapegar daquilo de que é mais difícil renunciar”, aconselha Geshe Sonam Rinchen.

O exercício de tal atitude e a compreensão da transitoriedade das coisas evitam que soframos exageradamente na ausência de objetos, pessoas ou posses que consideramos importantes. Ele recomenda: “Não adie uma ação generosa. Aproveite cada oportunidade que surgir na vida, pois possuir muito é inútil e, quanto maior a doação, mais recursos virão em nossa direção”. Do ponto de vista do budismo, o excesso de bens materiais, além de não trazer a real felicidade para a vida, gera concentração de riqueza de um lado e miséria do outro. Já a divisão dos recursos é capaz de criar prosperidade para todos. Vale lembrar mais uma vez que a generosidade só tem valor quando é sincera, feita com alegria e sem esperar nada em troca.

2. Disciplina ética
Formado pela junção de duas qualidades igualmente importantes e profundas, esse preceito se manifesta de três maneiras diferentes: a coibição do mal, a criação da virtude e o trabalho voluntário pelo próximo.

Para o budismo, o mal se expressa por meio de toda atitude física e verbal que possa prejudicar os outros e a nós mesmas. Por isso, um dos papéis da disciplina ética é justamente evitar a impulsividade, o arrependimento e levar à consciência plena das palavras e dos atos diários.

“O primeiro passo para ter essa virtude é reconhecer e admitir os pensamentos e ações faltosos como tais”, diz Rinchen. Depois vem a necessidade de transformar suas atitudes: “Você está fazendo o que sempre fez, não é de surpreender que as coisas estejam na mesma. Se quiser que elas sejam diferentes, terá de mudar de hábitos”, orienta.

3. Paciência
Mais do que a simples calma, a paciência representa a capacidade de permanecer com a mente serena em qualquer situação, aceitando voluntariamente as adversidades e confiando que, aconteça o que acontecer, será para seu bem. Ela seria, em linhas gerais, uma compilação da tolerância, da resignação e da fé. Mas é preciso, entretanto, diferenciar a paciência da supressão da raiva, alerta Rinchen. “Quando a raiva simplesmente submerge, persiste como ressentimento, e a paz e a harmonia não são possíveis enquanto houver mágoa”, diz. A paciência seria então o contrário da raiva, a possibilidade de perceber as dificuldades e defeitos dos outros e de compreendê- los, sem julgar, criticar ou condenar. Algo que não é fácil, é claro, mas que pode ser conquistado pouco a pouco. Outro alicerce dessa virtude é a esperança. “Assim como o dia é seguido pela noite e a noite pelo dia, bons e maus períodos se sucedem. Quando houver maus períodos, tome coragem e pense que o sofrimento não durará para sempre”, sugere.

4. Sabedoria
Raiz de todas as qualidades, essa é uma virtude importante para a prática de todas as outras. Sem ela, a generosidade, a disciplina ética, a paciência, o esforço entusiástico e a concentração se tornam cegos. Para Rinchen, é ela que faz com que cada virtude se torne mais forte.

Até mesmo para ser generoso, é preciso ser sábio, dizem os especialistas. “O inferno está cheio de boas intenções, por isso é importante sabermos quem e como ajudar para não acabarmos prejudicando quem recebe”, explica Enio Burgos, fundador da Associação Meditar, em São Paulo. O simples ato de dar dinheiro a uma criança de rua, por exemplo, pode parecer uma boa ação, mas corre o risco de contribuir para o mal, caso ele seja usado para a compra de drogas. Essa visão mais abrangente das causas e consequências de nossos atos é a sabedoria, virtude que pode ser adquirida com estudo, observação da realidade e fortalecimento de um olhar mais profundo sobre a existência humana.

Buda disse: “Muitos problemas do mundo têm raiz na ignorância”. Na visão budista, negar que não fazer o bem aos outros nos prejudica explica, em parte, o caos que vivemos. O inverso também é verdadeiro: o bem que fazemos volta para nós. “Se percebêssemos a vida como uma oportunidade de nos tornarmos pessoas melhores e enxergássemos no outro um igual, não haveria tanto sofrimento”, diz Burgos.

5. Concentração
Você tem o hábito de fazer mil coisas ao mesmo tempo e de estar sempre preocupada com problemas que ainda não aconteceram? Para o budismo, esse comportamento demonstra que sua mente não está tranquila, pois foi dominada pelo medo e pela ansiedade, emoções contrárias à felicidade. A melhor maneira de combater esses sentimentos, diz Rinchen, é se esforçar para manter a atenção no aqui e agora, vivenciando cada momento por vez, com total concentração, sem perder o foco, haja o que houver. “Precisamos estar mais presentes em cada ato de nossa vida”, afirma o escritor Enio Burgos. “Vejo pais tão apressados ao buscarem os filhos na escola que mal esperam a criança entrar no carro para acelerar. Sabemos que todos têm uma vida corrida, mas, se não temos tempo em quantidade, que possamos dar pelo menos qualidade às pessoas que convivem conosco.”

Para aprimorar a concentração, os budistas usam a meditação, que acalma os pensamentos e evita que possíveis problemas, reais ou imaginários, desviem nossa atenção do que realmente importa: o agora.

6. Esforço entusiástico
Todas as conquistas ganham sabor especial quando alcançadas com esforço. Para o budismo, não é somente o bom resultado que nos alegra, mas o caminho que percorremos para consegui-lo. Na visão do autor, ainda que uma pessoa não alcance o que deseja, se tiver se dedicado a isso, ficará feliz no final, pois sabe que fez o seu melhor.

Essa junção de prazer e dedicação é o esforço entusiástico, virtude capaz de tornar menos espinhosas até mesmo as tarefas mais difíceis. Ela pode se manifestar na forma de determinação para enfrentar um obstáculo, caso de um atleta que não poupa esforços para superar seus limites, na satisfação em fazer o que é certo e no trabalho em favor do próximo. Para entender isso, basta lembrarmos de pessoas que, em casos de desastres, largam tudo para socorrer os amigos e vizinhos e sentem-se muito felizes com isso.

“Todos nós enfrentamos na vida adversidades as quais não podemos controlar, mas os grandes mestres nos mostraram outra dimensão de felicidade, relacionada ao fato de sermos íntegros o tempo todo, dando nosso melhor em todas as tarefas que fazemos, sejam elas para nós ou para os que convivem conosco”, afirma a lama Tsering.
Melissa Diniz

04 Novembro 2009

Blogs, twitter, Orkut e outros buracos


Não estou no "twitter", não sei o que é o "twitter", jamais entrarei nesse terreno baldio e, incrivelmente, tenho 26 mil "seguidores" no "twitter". Quem me pôs lá? Quem foi o canalha que usou meu nome? Jamais saberei. Vivemos no poço escuro da web. Ou buscamos a exposição total para ser "celebridade" ou usamos esse anonimato irresponsável com o nome dos outros. Tem gente que fala para mim: "Faz um blog, faz um blog!" Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais... Jamais farei um blog, esse nome que parece um coaxar de sapo boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo sobre o saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares incessantes.

Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer. Olho as opiniões, as discussões "on line" e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.
O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação "em rede" para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente, os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas "on line".

Quero sossego, mas querem me expandir, esticar meus braços em tentáculos digitais, meus olhos no "Google" ("goggles" - olhos arregalados) em órbitas giratórias, querem que eu seja ubíquo, quando desejo caminhar na condição de pobre bicho bípede; não quero tudo saber, ao contrário, quero esquecer; sinto que estão criando desejos que não tenho, fomes que perdi. Estamos virando aparelhos; os homens andam como robôs, falam como microfones, ouvem como celulares, não sabemos se estamos com tesão ou se criam o tesão em nós. O Brasil está tonto, perdido entre tecnologias novas cercadas de miséria e estupidez por todos os lados. A tecnociência nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas vivas, chips, pílulas para tudo, enquanto a barbárie mais vagabunda corre solta no país, balas perdidas, jaquetas e tênis roubados, com a falsa esquerda sendo pautada pela mais sinistra direita que já tivemos, com o Jucá e o Calheiros botando o Chávez no Mercosul para "talibanizar" de vez a América Latina. Temos de ‘funcionar’ - não de viver. Somos carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa. Assistimos a chacinas diárias do tráfico entre chips e "websites".

O leitor perguntará: "Por que esse ódio todo, bom Jabor?" Claro que acho a revolução digital a coisa mais importante dos séculos. Mas estou com raiva por causa dos textos apócrifos que continuam enfiando na internet com meu nome.

Já reclamei aqui desses textos, mas tenho de me repetir. Todo dia surge uma nova besteira, com dezenas de emails me elogiando pelo que eu "não" fiz. Vou indo pela rua e três senhoras me abordam: "Teu artigo na internet é genial! Principalmente quando você escreve: ‘As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro...’ "Não fui eu...", respondo. Elas não ouvem e continuam: "Modéstia sua! Finalmente alguém diz a verdade sobre as mulheres! Mandei isso para mil amigas! Adoraram aquela parte: ‘Tenho horror à mulher perfeitinha. Acho ótimo celulite...’" Repito que não é meu, mas elas (em geral barangas) replicam: "Ah... É teu melhor texto..." - e vão embora, rebolando, felizes.

Sei que a internet democratiza, dando acesso a todos para se expressar. Mas a democracia também libera a idiotia. Deviam inventar um "antispam" para bobagens.

Vejam mais o que "eu" escrevi: "As mulheres de hoje lutam para ser magrinhas. Elas têm horror de qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba!..." Luto dia e noite contra cacófatos e jamais escreveria "cós acaba!" Mas, para todos os efeitos, fui eu. Na internet, eu sou amado como uma besta quadrada, um forte asno... (dirão meus inimigos: "Finalmente, ele se encontrou...")

Vejam as banalidades que me atribuem:

"Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!"

Ou: "A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!"

Ainda sobre a mulher: "São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades".

Há um texto bem gay sobre os gaúchos, há mais de um ano. Fui "eu", a mula virtual, quem escreveu tudo isso. E não adianta desmentir.

Esta semana, descobri mais. Há um texto rolando (e sendo elogiado) sobre "ninguém ama uma pessoa pelas qualidades que ela tem" ou outro em que louvo a estupidez, chamado "Seja Idiota!"...

Mas o pior são artigos escritos por inimigos covardes para me sujar.

Há um texto de extrema direita, boçal, xingando os brasileiros, onde há coisas como: "Brasileiro é babaca. Elege para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari. Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de R$ 90 mensais para não fazer nada não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo. Noventa por cento de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como ‘aviãozinho’ do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora... O brasileiro merece! É igual a mulher de malandro - gosta de apanhar..."

E o pior é que muita gente me cumprimenta pela "coragem" de ter escrito essa sordidez.
Ou seja: admiram-me pelo que eu teria de pior; sou amado pelo que não escrevi.

Na internet, eu sou machista, gay, idiota, corno e fascista.

É bonito isso?
Arnaldo Jabor

This is beautiful! Try not to cry (Isto é lindo! Tenta não chorar


Ela deu um pulo assim que viu o cirurgião a sair da sala de operações.

Perguntou:
-Como é que está o meu filho? Ele vai ficar bom?
- Quando é que eu posso vê-lo?'

O cirurgião respondeu:
- Tenho pena. Fizémos tudo mas o seu filho não resistiu.

Sally perguntou:
- Porque razão é que as crianças pequenas tem câncer? Será que Deus não se preocupa?
- Aonde estavas Tu, Deus, quando o meu filho necessitava?...'

O cirurgião perguntou:
-Quer algum tempo com o seu filho? Uma das enfermeiras irá trazê-lo dentro de alguns minutos e depois será transportado para a Universidade.

Sally pediu à enfermeira para ficar com ela enquanto se despedia do seu filho. Passou os dedos pelo cabelo ruivo do seu filho.

- Quer um cachinho dele?' Perguntou a enfermeira.
Sally abanou a cabeça afirmativamente.

A enfermeira cortou o cabelo e colocou-o num saco de plástico, entregando-o a Sally.

- Foi ideia do Jimmy doar o seu corpo à Universidade porque assim talvez pudesse ajudar outra pessoa, disse Sally. No início eu disse que não, mas o Jimmy respondeu:
- Mãe, eu não vou necessitar do meu corpo depois de morrer. Talvez possa ajudar outro menino a ficar mais um dia com a sua mãe.

Ela continuou:
- O meu Jimmy tinha um coração de ouro. Estava sempre a pensar nos outros. Sempre disposto a ajudar, se pudesse.

Depois de aí ter passado a maior parte dos últimos seis meses, Sally saiu do "Hospital Children's Mercy" pela última vez. Colocou o saco com as coisas do seu filho no banco do carro ao lado dela. A viagem para casa foi muito difícil. Foi ainda mais difícil entrar na casa vazia.

Levou o saco com as coisas do Jimmy, incluindo o cabelo, para o quarto do seu filho. Começou a colocar os carros e as outras coisas no quarto exatamente nos locais onde ele sempre os teve.
Deitou-se na cama dele, agarrou a almofada e chorou até que adormeceu.

Era quase meia-noite quando acordou e ao lado dela estava uma carta.

A carta dizia:
-Querida Mãe,
Sei que vais ter muitas saudades minhas; mas não penses que me vou esquecer de ti, ou que vou deixar de te amar só porque não estou por perto para dizer:"AMO-TE".
Eu vou sempre amar-te cada vez mais, Mãe, por cada dia que passe.
Um dia vamos estar juntos de novo. Mas até chegar esse dia, se quiseres adotar um menino para não ficares tão sozinha, por mim está bem.
Ele pode ficar com o meu quarto e as minhas coisas para brincar. Mas se preferires uma menina, ela talvez não vá gostar das mesmas coisas que nós, rapazes, gostamos.
Vais ter que comprar bonecas e outras coisas que as meninas gostam, tu sabes.
Não fiques triste a pensar em mim. Este lugar é mesmo fantástico!
Os avós vieram me receber assim que eu cheguei para me mostrar tudo, mas vai demorar muito tempo para eu poder ver tudo.
Os Anjos são mesmo lindos! Adoro vê-los a voar!
E sabes uma coisa?...
O Jesus não parece nada como se vê nas fotos, embora quando o vi o tenha conhecido logo.
Ele levou-me a visitar Deus!
E sabes uma coisa?...
Sentei-me no colo d'Ele e falei com Ele, como se eu fosse uma pessoa importante. Foi quando lhe disse que queria escrever-te esta carta, para te dizer adeus e tudo mais.
Mas eu já sabia que não era permitido.
Mas sabes uma coisa Mãe?...
Deus entregou-me papel e a sua caneta pessoal para eu poder escrever-te esta carta.
Acho que Gabriel é o anjo que te vai entregar a carta.
Deus disse para eu responder a uma das perguntas que tu Lhe fizeste,
"Aonde estava Ele quando eu mais precisava?"...
Deus disse que estava no mesmo sítio, tal e qual, quando o filho dele,
Jesus, foi crucificado. Ele estava presente, tal e qual como está com todos os filhos dele.
Mãe, só tu é que consegues ver o que eu escrevi, mais ninguém.
As outras pessoas veem este papel em branco.
É mesmo maravilhoso não é!?...
Eu tenho que dar a caneta de volta a Deus para ele poder continuar a escrever no seu Livro da Vida.
Esta noite vou jantar na mesma mesa com Jesus.
Tenho a certeza que a comida vai ser boa.
Estava quase a esquecer-me: já não tenho dores, o câncer já se foi embora.
Ainda bem, porque já não podia mais e Deus também não podia ver-me assim.
Foi quando ele enviou o Anjo da Misericórdia para me vir buscar.
O anjo disse que eu era uma encomenda especial! O que dizes a isto?...
Assinado com Amor de Deus, Jesus e de Mim.

03 Novembro 2009

Você Consegue ?



Se você consegue começar o dia sem cafeína para despertar.

Sem uma gota de álcool para se alegrar no fim da tarde e, à noite, consegue ir para a cama sem nenhum comprimido para dormir.

Se você consegue manter o bom humor, ignorando os males do mundo e as suas próprias dores.
Se consegue engolir as queixas e evitar aborrecer os outros com seus problemas.

Compreender quando as pessoas - mesmo as que te amam - estão ocupadas pra te atender agora...
Se você consegue suportar a crítica e aceitar a censura, mesmo por um erro que não cometeu.

Se você consegue relevar a grosseria das pessoas, sem se revoltar.
Enfrentar a vida sem mentiras e falsidades.

E, do fundo do coração, não ter qualquer preconceito de raça, crença, idade ou opção sexual.
Se você consegue comer a mesma comida todos os dias e continuar feliz.
Se depois de horas de solidão você consegue, sem cobranças, receber a quem chega com imensa alegria.

Se consegue amar incondicionalmente, sem esperar nada em troca.
E acreditar que cuidarão de você até o fim da vida...
Se você consegue isso, meu amigo, você é quase tão perfeito quanto o seu cão.

Gratidão


Nossos pais ensinam que é educado agradecer quando recebemos algo.

Eu, que fui bem educada, aprendi a dizer obrigada logo que comecei a falar.

Mas levei anos pra entender que não é só uma questão de educação... é necessidade... é filosofia de vida.

Agradecer é um dos atos mais felizes que alguém pode praticar.
Mas nem todo mundo sabe a importância da gratidão.
No meu entender, a gratidão deve vir antes do pedido.
Antes do prêmio.
Antes da conquista.
Dizer obrigado assim que a gente abre os olhos de manhã, é confiar no bem que está pra acontecer.
Parece complicado, mas é simples.

Quando a gente se acostuma a agradecer, percebe que as coisas fluem com mais confiança. mais certeza...
E o medo vai embora.
Dizer obrigado antes de desejar, é acreditar na realização.

Dizer obrigado em vez de lamentar, diminui as perdas.
Dizer obrigado nos coloca numa condição gostosa de viver nesse mundo. Quer coisa mais legal do que agradecer por estarmos vivos?

Experimenta só dizer obrigado por tudo o que você tem...
E pelo que nem tem ainda...
Você não faz ideia da energia positiva que essa simples palavrinha é capaz de atrair. Depois você me conta...
Eu, que já sou grata pela chance de falar dessas coisas que me fazem um bem enorme...
Fico mais grata ainda por ter você aí, me ouvindo com tanto carinho.
Obrigada mesmo!
Lena Gino

02 Novembro 2009

O Paulo Francis que não vimos

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Viver para o consumo

No dia 6 de março de 2007 morria aos 77 anos em Paris o filósofo e sociólogo francês Jean Baudrillard. Como ele, apesar de mais de uma dezena de livros e artigos e palestras em universidades no mundo todo terem feito o seu pensamento circular, tanto que até virou mote para um filme de Hollywood (Matrix), um olhar irônico sobre a sociedade e a força da crítica na formulação do pensamento filosófico se foram.

Contestador da afluente sociedade do consumo e dos objetos que fazem parte do seu universo exposto nas vitrines das lojas de departamento e shoppings centers das grandes cidades, Baudrillard também aponta sua pena para o mundo dos meios de comunicação de massa alimentado por imagens que não cessam de entrar e habitar o imaginário do homem nos tempos atuais.

Na visão da mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ondina Pena Pereira, a importância do pensamento de Jean Baudrillard é inestimável para aqueles que se recusam a embarcar de olhos vendados nas narrativas sedutoras da sociedade contemporânea.

"Somos (na obra dele) convidados a participar de um ponto de vista que torna irrisórios os argumentos em defesa da contemporaneidade: um mundo pragmático onde, sob o império da lógica econômica, da produção e da hegemonia dos códigos, cria-se um sistema capaz de neutralizar e tornar inútil toda a atividade crítica, inclusive a atividade crítica teórica", acrescenta.

OS PRIMEIROS PASSOS

Formado pela Sorbonne em língua alemã, ele lecionou a disciplina em diferentes escolas secundárias na França até 1966, além de traduzir para o francês, durante o período, textos de dramaturgos germânicos como Bertold Brecht e Peter Weiss. Em 1968, sob orientação do filósofo Henri Lefebvre, ele conclui a sua tese de mestrado "O sistema dos objetos", na qual problematiza o lugar que mesas, televisões, carros e bolsas, por exemplo, ocupam o cotidiano das pessoas.

Questiona Baudrillard no primeiro parágrafo da introdução do trabalho: "Poderemos classificar o luxuriante aumento do número de objetos como o fazemos com a fauna e flora, completo com espécies glaciais e tropicais, mutações inesperadas, e variações ameaçadas de extinção?" A resposta para a pergunta é sim, e o filósofo vai além. Para ele, quando alguém compra uma bolsa Louis Vuitton ou um tênis Adidas ou ainda uma televisão LG 48 polegadas com tela plana e um aparelho de DVD Blue Ray de última geração ou um aparente exclusivamente meio de locomoção (carro), na verdade leva para a casa ou deixa na garagem um símbolo. Isto é, expressa um estilo de vida, um modo de enxergar o mundo e diferenciar e distinguir e se afirmar uma pessoa da outra ou grupos de outras formações sociais, calibrando positivamente ou negativamente as escolhas.

Já parou para pensar o que representa um carro, além de te levar da casa ao trabalho ou para uma viagem pelo litoral? É o simbolismo do individualismo e espírito de liberdade defendidos pela modernidade, bem como um objeto que seduz, dá prazer, concede status, poder e desperta a ambição dos indivíduos.

Tanto que o escritor italiano Luigi Pirandello (1867-1936) chegou a dizer que o fruto da engenhosidade da raça humana é na verdade criação do diabo. "Utilizando a sedução irresistível, o egoísmo e a ambição por status dos seres humanos, alcança o objetivo diabólico de gerar o caos nas cidades, o congestionamento das vias, a impossibilidade de estacionar, tudo seguido da paralisação da vida urbana", lembra o urbanista paulista Jorge Wilheim, em artigo na Folha de S. Paulo de 28 de julho deste ano, para comentar a situação do trânsito na maior cidade do Brasil
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Na visão do filósofo francês, o carro é onde é possível discernir com mais facilidade o conluio entre o nosso sistema subjetivo de necessidades e o sistema objetivo da produção. "O carro revela o objeto (...) a apresentação abstrata de qualquer finalidade no sentido de velocidade e prestígio, conotação formal, técnica conotação, diferenciação, catexia emocional, e projeção de fantasia", escreve. O homem se incorporando a uma máquina, o mito grego do Centauro atualizado e revisado.

Durante algum tempo, Baudrillard se estabelece como docente da Universidade de Nanterre, local de onde emergiu importante movimento de contestação juvenil que desembocou no agitado Maio de 68 na França e no mundo, lecionando um curso sobre a disciplina. Permanece na instituição até 1986, quando se transfere para o Instituto de Pesquisa e da Informação Sócio-Econômica (IRIS), da Universidade de Paris-IX Dauphine.

Na sua obra seguinte, "Sociedade do Consumo: Mitos e Estruturas" , de 1970, o francês mergulha ainda mais fundo na dinâmica dos objetos no mundo contemporâneo e relaciona aqueles ao universo das compras: "É preciso deixar claro desde o início que o consumo é uma forma ativa de se relacionar (não só com objetos, bem como com a sociedade e o mundo), uma forma de atividade sistemática e resposta geral que sustenta nosso sistema cultural como um todo", revela. Ele vai mostrar na obra de que maneira as grandes empresas vão forjar irrepreensíveis desejos, criando novas hierarquias que substituem as tradicionais diferenças de classes. O ato de comprar, de ter coisas, transforma-se dessa maneira em um novo mito tribal, a moral dos tempos modernos, acrescenta.

Para ficar ainda no campo automotivo, o que Baudrillard quer dizer é o cerne da crônica descontraída dos cariocas irmãos Valle no disco "Mustang Cor de sangue, Corcel cor de mel", do final da década de 1960, quando o Brasil começa a entrar para valer na era do consumismo e da sociedade de massa: "a questão social, industrial, não quer que eu ande a pé, na vitrine um Mustang cor de sangue."

Dessa maneira, a informação é também uma mercadoria, ou ainda artífice de tendências de consumo ou "criadora" de modas. Os meios de comunicação também alimentam, assim, o sistema capitalista na sua essência mais profunda, isto é, de criar cada vez mais necessidades, para se elaborarem mais soluções e produtos, perpetuando a dinâmica dos meios de produção e fazendo o capital circular. E a indústria fonográfica, do cinema, em suma, do entretenimento, também fazem parte dessa máquina. Como escreveu Karl Marx no seu ensaio "Manuscritos econômico filosóficos", de 1884 - também conhecido como "Manuscritos de Paris", cidade na qual residia na época o filósofo alemão - no interior da propriedade privada: "Cada homem especula sobre como criar no outro uma nova carência, a fim de forçá-lo a um novo sacrifício, colocá-lo em nova sujeição e induzi-lo a um novo modo de fruição e, por isso, de ruína econômica."

MÍDIA

Sendo os meios de comunicação um dos pilares do sistema vigente, no caso o capitalismo, é de se esperar a difusão das suas ideias por meio dos seus veículos. E até o tempo livre e de lazer é travestido em momento de consumo. É a culpa de nada fazer versus o imperativo do consumo; e também tempo de não pensar e fugir do dia a dia.

Baudrillard também era fotógrafo. E, ironicamente, foi um ferrenho crítico da proliferação de imagens no mundo contemporâneo e sua influência no cotidiano dos sujeitos e de que maneira estes enxergam o mundo e a realidade, e desenvolveu a teoria sobre a simulação e simulacro em livro homônimo de 1981. Para ele, o fenômeno faz com que seja criada uma espécie de "hiper-realidade", que não é nem o objeto retratado nem tampouco a sua reprodução. "Atravessando um espaço cuja curvatura não é mais aquela do real, nem da verdade, a era da simulação é inaugurada pela liquidação de todos os referenciais", analisa.

Sendo o funcionamento da sociedade apoiada em um sistema desse tipo, a dominação torna-se mais fácil, mas que por sua vez opera por uma complexa lógica e que esconde tal condição, não distinguindo dominados e dominantes. Ondina explica que o que faz a distinção entre a dominação e a hegemonia é a falência da realidade: "A globalização, que na verdade nada mais é do que a hegemonia de uma potência mundial, só pode ocorrer nesse contexto do virtual e das redes", diz. Isso ocorre porque ela precisa simular uma homogeneidade, uma igualdade entre as culturas e entre os povos. "A simulação só acontece porque os signos estão esvaziados de sua substância", acrescenta.

A potência mundial em questão são os Estados Unidos, que a partir da queda do muro de Berlim, em 1989, e o fim do bloco soviético, afirmaram-se mundialmente como nação global e hegemônica. Na obra em questão, o filósofo diz que a Disneylândia é um modelo perfeito de todos os elementos do emaranhamento de uma obra de simulacro, com todos os seus "fantasmas e ilusões", como piratas e o mundo futurista, atraindo multidões porque representa ou emula um microcosmo social, uma miniatura dos prazeres da "América real", do idealizado modo de vida e pensar do estadunidense, com suas alegrias e repressões. E ao mesmo tempo o parque temático criado por Walt Disney e seus personagens, apesar de sustentarem uma ideologia, esconde a verdadeira América, com seus paradoxos e imperfeições.

PENSAMENTO INTENSO

Foi no começo dos anos 1990, momento em que o francês começa a escrever regularmente para importantes publicações da imprensa, principalmente francesas e anglosaxãs, que sua fama transpõe a fronteira acadêmica e ele se transforma em celebridade intelectual. Uma série de textos publicados no "Libération" e "The Guardian" entre janeiro e março de 1991, sobre a Guerra do Golfo, em que ele chega a negar a existência do conflito, contribuíram para que ele ganhasse ainda mais publicidade

A guerra que se deu no Golfo Pérsico, porque o Iraque não acatou a resolução do Conselho de Segurança da Organizações das Nações Unidas (ONU) que exigia a retirada das tropas de Bagdad do Kwait, sendo invadido pelos Estados Unidos (com a ajuda de Reino Unido e outros países) logo em seguida, foi, para Baudrillard, ao menos se comparada com conflitos anteriores até então, não convencional, porque na verdade não foi travada homem a homem, mas sim, por parte dos ocidentais, através da tela do computador ou da televisão.

O conflito pela primeira vez na história recebeu cobertura televisiva 24 horas por dia e sete dias por semana pela CNN, que levava todos os dias aos lares cenas que remetiam a jogos de videogame e filmes de Hollywood, de alvo à distância sendo atingidos pelos armamentos ultramodernos, os chamados "ataques cirúrgicos" estadunidenses e britânicos. Nem um soldado morto no chão de batalha, ao menos do lado ocidental, o que, pelo efeito das imagens geradas, fez com que um evento sangrento e que matou milhares de iraquianos fosse considerado por alguns como "guerra limpa".

Um de seus últimos grandes debates foi originado mais tarde, quando dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, o filósofo provoca polêmica mais uma vez. Ele subverte a lógica de que o ataque às torres gêmeas em Nova Iorque tenha sido uma ação de resistência vinda de fora do mundo ocidental, no caso do Islã, como resposta aos desmandos das grandes potências contra países e povos cujo Deus é chamado de Allah e têm Maomé como profeta. Para ele, o incidente foi criado pelo próprio Estados Unidos, por esse motivo vai considerar que na verdade na manhã do dia célebre houve "o suicídio das torres gêmeas".
Marcelo Galli

01 Novembro 2009

Hope of Deliverance




I will always be hoping, hoping.
You will always be holding, holding
My heart in your hand.
I will understand

I will understand someday, one day.
You will understand always, always
From now until then.

When it will be right, I don´t know.
What it will be like, I don´t know.
We live in hope of deliverance
From the darkness that surrounds us.

Hope of deliverance, hope of deliverance
Hope of deliverance from the darkness
That surrounds us.

And I wouldn´t mind knowing, knowing
That you wouldn´t mind going,
Going along with my plan.

When it will be right, I don´t know.
What it will be like, I don´t know.
We live in hope of deliverance
From the darkness that surrounds us.

Hope of deliverance, hope of deliverance
Hope of deliverance from the darkness
That surrounds us.

Hope of deliverance.
Hope of deliverance.
I will understand.

Detalhes

Você é detalhista?
na foto abaixo, olhe atentamente, e diga:
O que você viu em primeiro lugar?

Bom, “aquilo que você viu” é apenas o ombro, ou melhor, a dobra da axila da loira segurando a câmera........ se não acredita.....olha de novo!

Que mente incorrigível, hein ?!?!?!?!!?

Pela dor ou pelo amor


Não é pela força que uma pessoa se torna ambientalista. Trata-se de uma mudança de padrão de vida que vai gerar frutos a médio e longo prazo

Com tantas notícias graves envolvendo o meio-ambiente pelo mundo, pode-se dizer que toda ação ambiental, por menor que seja, é bem-vinda. Venha de onde vier, será sempre “lucro”.

Em qualquer oportunidade de contato com públicos diversos em que o tema seja abordado, creio que pelo menos uma pessoa sairá motivada ou inspirada para pesquisar mais sobre o as questões ambientais. Nem todos sairão plantando árvores ou substituindo todos os itens de sua casa por outros “verdes”, mas alguma transformação deve acontecer.

Um exemplo a ser citado são as empresas sustentáveis (ou consideradas assim) que procuram aplicar esse conceito em ações simples, como reduzir consumo de energia e água, praticar a coleta seletiva ou treinar e capacitar seus funcionários para um mundo mais verde. O setor de construção civil pode erguer ou reformar um imóvel com itens ecologicamente corretos, desde a compra de materiais, a contratação de mão-de-obra local e propor, ao término da obra, a continuidade dessa visão.

Isso não quer dizer, necessariamente, que todas pessoas sairão destas palestras ou treinamentos ambientalistas, no sentido mais amplo da palavra.

Muitos alegam que, devido à atualidade que o termo sustentabilidade representa, ela é tratada apenas como um negócio. Em alguns casos, pode ser. Mas o que importa é a ação, a postura, a prática, a vontade, mesmo que o objetivo seja comercial. O foco principal é que algo está sendo feito por um mundo melhor. No final, o resultado é louvável.

Uma empresa solicita a visita de uma consultoria ambiental no caso de sofrer uma pressão dos consumidores, quando é autuada por um órgão fiscalizador, quando a matriz exige mudanças nos padrões de fabricação e compra de matéria-prima, mas raramente por uma visão ecológica do negócio. Na maioria das vezes, a motivação financeira predomina, já que a associação de uma marca a práticas sustentáveis reforça o marketing ecológico. Ainda assim, as vantagens existem.

Claro que seria magnífico se as empresas se importassem de forma sincera com o meio ambiente e nenhuma se dispusesse a exibir uma certificação ambiental que na prática não saiu do papel. No entanto, a informação é um importante fomento das causas ambientais. O fato de a empresa implantar práticas mais verdes na sua rotina faz com que funcionários e consumidores tenham acesso a novidades.

Há várias formas de comunicar esse conceito: eventos, comunicados, reuniões ou palestras sobre meio ambiente para os funcionários, chamando a atenção para as necessidades e dilemas ambientais do presente e as possíveis mudanças no cotidiano. Por exemplo, trocar idéias sobre como ter práticas mais saudáveis e sustentáveis e incentivar a formação de comissões internas para decidir essas práticas. Outras, com pouco custo e muito efeito, como disponibilizar textos sobre meio ambiente no site da empresa; implantação de programa de coleta seletiva para funcionários, colaboradores e fornecedores; buscar tecnologias para aproveitar a luz natural e economizar água.

Cada situação citada pode levar as pessoas a pensar sobre as questões ambientais que preocupam e não poupam nenhum país deste mundo. Longe de ser os antigos “ecochatos” da década de 80 ou meros ativistas verdes, precisamos no momento de ação – e não de falsos pragmatismos.

O Governo tem criado as regras do jogo para as empresas e para a sociedade como um todo. São leis e decretos instituindo a coleta seletiva, proibindo o corte de árvores nativas e medidas para amenizar a poluição e a devastação em todas as suas formas. Sim, isto é muito bom. Pode parecer ingenuidade ou irresponsabilidade, mas várias sementes de consciência ambiental estão sendo plantadas. Não é pela força que uma pessoa se torna ambientalista, pois de certa forma implica em criar hábitos e pequenos sacrifícios diários. Trata-se de uma mudança de padrão de vida que vai gerar frutos a médio e longo prazo. Conheço pessoas que fumam, mas têm uma postura em relação às questões ambientais mais contundentes que muitos ecochatos. Existem por aí muitos lobos em pele de cordeiro e no ambientalismo não é diferente.

O meio ambiente carece de práticas, de ações sustentáveis. Cuidar do lugar em que vivemos é, sim, uma obrigação moral. Ou alguém aí pretende beber água contaminada, comer um alimento tóxico, ter problemas respiratórios pela poluição do ar, tampar o nariz ao ver um lago (quando poderia mergulhar nele) e andar várias quadras sem ver uma árvore adulta sequer? Quem quer ser adepto não é preciso nem sair de casa. Pode começar eliminando a prática de lavar a calçada com mangueira. Todos podemos ser ambientalistas por ações e não apenas por formação ou por ser membro de uma entidade de defesa dessa causa. Pequenas ações vão despertar o ambientalista que existe em você.
Jetro Menezes

31 Outubro 2009

Judeu doador


Um judeu, de sangue raríssimo, doou ½ litro de sangue a um milionário muito doente.

Para retribuir o gesto, o milionário deu-lhe uma BMW, 0 km. Dias depois, o milionário precisou de mais sangue. Avisou ao judeu, que super-depressa foi ao hospital. Seria preciso mais 1 litro.

O judeu falou:
- Se quiser, tire logo 3 litros.

Assim feito.

No dia seguinte o judeu recebe uma caixa do milionário contendo 3 esfirras. Ficou indignado!Foi cobrar do milionário uma explicação..

- Ora, da primeira vez, doei ½ litro e ganhei uma BMW.Na segunda vez, 3 litros e só ganhei 3 esfirras. Por quê?

O milionário explicou:
- Você esqueceu de que agora tenho sangue judeu?

Gestos ajudam a desenvolver inteligência



Ao entrar em um café movimentado, você provavelmente verá pessoas conversando e gesticulando. Um homem no balcão indica o café que deseja ─ xícara média, ─ e suas mãos assumem um formato familiar, mostrando o tamanho da xícara. Ao lado dele, duas irmãs riem. Enquanto uma delas conta uma história sobre sua viagem a Fernando de Noronha e todos os peixes que viu nos mergulhos que fez, suas mãos sacodem e se movem rapidamente no mar invisível à sua frente. O instinto de gesticular acompanhando a fala é fundamental para a natureza humana.

Se você já questionou o porquê dos gestos, provavelmente pensou que gesticulamos para auxiliar na compreensão do que estamos querendo dizer. Indicar o tamanho de uma xícara ou a dose de uma bebida pode ajudar o balconista a entender exatamente o que você deseja. Mostrar onde o peixe se escondeu ou a velocidade com que ele se movimentou pode ajudar a amiga a criar uma imagem mais exata da sua percepção dos recifes locais.

Mas, será que os gestos podem ter também outra finalidade? Muitos cientistas acreditam que os gestos podem ajudar o interlocutor e os movimentos das mãos ajudam a pensar. Cientistas se interessam cada vez mais pela relação corpo-pensamento, ou como nosso corpo dá forma a processos mentais abstratos. Os gestos estão no centro dessa questão. O debate se concentra no papel do movimento na aprendizagem, e nas pesquisas sobre como os alunos aprendem a resolver problemas de matemática na sala de aula.

A titulo de ilustração, considere o problema da soma: 3 + 2 + 8 = _ + 8. Um aluno pode criar uma forma de “v”, com o indicador e o dedo médio, entre os algarismos 2 e 3, enquanto tenta entender o conceito de “agrupamento”, somando os números adjacentes, técnica que pode ser usada para resolver o problema.

Pesquisas anteriores mostraram que quando foi solicitado aos alunos para gesticular enquanto conversassem sobre problemas, aprenderam a resolvê-los de forma mais eficiente. Isso foi verificado, independentemente de se dizer aos alunos quais gestos fazer ou se os gestos eram espontâneos.
Agora a questão é: como isso acontece? O novo estudo, conduzido por Susan Goldin-Meadow e Zachary Mitchell, da University of Chicago, e por Susan Wagner-Cook, da University of Iowa, teve como foco a resolução de problemas matemáticos por alunos de terceira e quarta séries do ensino básico. Os alunos treinados a utilizar a forma de “v”, ao resolver um problema como 3 + 2 + 8 = __ + 8, aprenderam a solucioná-lo com maior eficácia. Além disso, os alunos apresentaram melhor desempenho mesmo se treinados a empregar a forma de “v” em pares de números errados. Pelo simples ato de fazer o gesto o corpo sugere o conceito de “agrupamento”.

A questão então é: qual teria sido exatamente o procedimento que permitiu isso? Durante o estudo, todos os alunos memorizaram a frase “Quero deixar um lado igual ao outro”. Na ocasião, foi solicitado que os alunos dissessem a frase em voz alta quando fosse apresentado um problema a ser resolvido. Os autores sugerem que os alunos que gesticularam também tentaram criar uma correlação entre a fala e os gestos de forma a unir os dois significados. Esse procedimento poderia consolidar o novo conceito de “agrupamento” na mente dos alunos.
O mesmo processo poderia ocorrer em qualquer situação em que a pessoa que fala e gesticula tenta entender, seja relembrando detalhes de eventos passados ou imaginando como montar uma bicicleta recém retirada da embalagem.
O estudo tem implicações importantes para o campo da Psicologia Cognitiva.

Historicamente, esse campo entende conceitos (os elementos básicos do pensamento), como representações abstratas que não contam com a fisicalidade. Essa noção, conhecida como dualismo cartesiano, agora está sendo desafiada por outra linha de pensamento, chamada Cognição Corporal, que entende conceitos como representações corporais baseadas na percepção, ação e emoção. Embora muitas evidências sustentem a visão da Cognição Corporal, até agora nunca existiu um relato detalhado baseado em experimentos de como a incorporação dos gestos desempenha um papel na aprendizagem de novos conceitos.

O estudo também tem implicações práticas aos professores didáticas, que podem reformular sua didática para ensinar aos alunos novos conceitos utilizando gestos. Os resultados desse estudo podem não valer para os gestos feitos em bares e cafés que você costuma frequentar, no entanto, na próxima vez que conversar com uma amiga gesticuladora, pode ser interessante considerar como o movimento das mãos contribuem para dar forma aos pensamentos dela e aos seus.

O golpe do balão vazio


A não viagem de Falcon foi uma vigarice somada à falência ética e o anseio bocó de aparecer do pai

Faz hoje dez dias que a família Heene deu o golpe do balão, no Colorado. O assunto deveria ter morrido assim que se descobriu que o menino Falcon Heene não estava a bordo daquele balão de fabricação doméstica, em forma de disco voador; mas a mídia é insaciável, e o episódio continua rendendo.

Rendendo notícias (na quarta-feira a rede de TV ABC adiou sine die a reprise de um programa da série Wife Swap em que os Heenes deram o ar de sua brejeirice, sete meses atrás), especulações (Richard Heene, pai de Falcon e mentor da fraude, pode pegar entre 4 e 6 anos de cadeia), gozações na internet e até devaneios líricos sobre o ancestral desejo dos humanos de voar, de preferência para bem longe deste insensato mundo.

Os devaneios são lícitos. O homem sempre quis, mesmo, imitar os pássaros (como o grego Ícaro), apreciar o mundo lá de cima (como os baloneiros de Júlio Verne), atravessar terras e mares pelo céu (como o padre Bartolomeu de Gusmão) ou simplesmente levitar e sumir (como a bela Remédios de Cem Anos de Solidão). Nem todos se deram tão mal quanto Ícaro, cujas asas de cera os raios solares derreteram no ar, e o padre paranaense Adelir de Carli, aquele patético Dick Kennedy de sotaina que morreu tentando bater o recorde de voo em balões de festa, em abril deste ano; e só um menino, Pascal Lamorisse, se deu maravilhosamente bem com os balões (um vermelho, outro laranja) que seu pai, o cineasta Albert Lamorisse, lhe pôs à disposição em dois marcos do cinema poético francês.

Falcon, porém, não se ajusta a nenhum desses arquétipos. Escondido na garagem de sua casa, enquanto todos morriam de suspense em cadeia nacional e via satélite, foi apenas um falso herói, o cúmplice de uma pegadinha publicitária visando à concretização de um reality show, um inocente útil do pai. Certas pessoas fazem qualquer coisa para aparecer na televisão. Só não digo que Richard Heene foi às últimas consequências porque, afinal, não amarrou o filho ao balão. Seu parâmetro grego não é Dédalo, o pai de Ícaro, mas Heróstrato, aquele incendiário que destruiu o templo de Artemisa, em Éfeso, uma das sete maravilhas da Antiguidade, só para ganhar fama e ter seu nome para sempre lembrado.

Por esse aspecto, a não viagem em balão de Falcon foi uma vigarice perfeitamente sintonizada com a falência ética corrente e o anseio bocó de se expor aos olhos da multidão, através do vídeo, como se aparecer na televisão fosse uma necessidade vital, como respirar, comer, beber e dormir; vale dizer, um encontro de Narciso com Heróstrato. A patranha talvez não renda um reality show exclusivo para os Heenes, mas já resultou num dos maiores hits do YouTube deste semestre, com o Hitler de Bruno Ganz, no filme A Queda, apostando tudo no sucesso da viagem em balão de Falcon e apavorado com a hipótese de que lhe possa suceder o que aconteceu com o dirigível Hindenburg, ao tentar aterrissar em Nova Jersey, em 1937.

Fissurados em almas do outro mundo, discos voadores e seres extraterrenos, os americanos costumam embarcar com muita facilidade em mistérios criados ou alimentados pela imprensa, fraqueza que Edgar Allan Poe explorou até em sua obra jornalística. Em 13 de abril de 1844, o diário New York Sun anunciou a chegada em breve a Manhattan de um balão, batizado Victoria, que levaria apenas 75 horas para atravessar o Atlântico. Antes que os leitores descobrissem que se tratava de uma cascata, Poe providenciou a sua, publicando no jornal Columbia Spy, de Lancaster (Pensilvânia), um "diário de bordo" do capitão do Victoria, com a cobertura completa do frisson que seu pouso provocara em Nova York. Como se sabe, só em 1919 um balão conseguiria atravessar de fato o Atlântico, numa viagem que durou bem mais do que 75 horas.

Se contemporâneos de Poe, os Heenes na certa teriam engolido o embuste do Victoria, se é que não o teriam inventado e repassado a notícia de sua vinda ao New York Sun.

Richard e Mayumi formam um casal animado e telegênico, meio nerd, meio Mulder & Scully, dado a caçar tornados e ovnis; ou seja, tanto poderiam estar em Twister como em Encontros Imediatos do Terceiro Grau, e sua vida talvez fosse mais animada se morassem no Novo México, mais precisamente em Roswell. Por conta dessas peculiaridades spielberguianas é que desfrutaram seus primeiros momentos de notoriedade em Wife Swap, reality show criado há seis anos na Inglaterra, que, apesar do que o título sugere, não estende à cama o seu troca-troca temporário de esposas e maridos.

Franquia adaptada com sucesso aos mais distintos lugares (no Chile, se chama ¿Quién Cambia Quién?), Wife Swap é uma gincana para testar a capacidade de adaptação e reajuste de casais, pais e filhos ao convívio com um estranho ou uma estranha, durante duas semanas. Richard, Mayumi e os meninos (sintomaticamente batizados com nomes de personagens de videogame) fizeram sucesso junto aos telespectadores, a despeito de uma gafe cometida por Richard que, a certa altura do programa, fez o seguinte comentário para a provisória sucedânea de Mayumi: "Todas as mulheres despencam depois dos 25".

Mayumi, que já passou dos 25, é de origem japonesa. Aprecia todos aqueles esoterismos que acalentam a alma nipônico-robótica, sismologia, reencarnações - e a aproximaram de Richard. Nisso lembra a primeira-dama do Japão, Yukio Hatoyama, que jura ter viajado num ovni triangular até Vênus, nos anos 1970, e desse tour sideral deu detalhes num best seller. Yukio vangloria-se de quebrar o jejum "comendo um pedaço do sol" e de ter sido vizinha e amiga de Tom Cruise, em "outra encarnação" - em Tóquio. Para voar 80 km sobre o Colorado ela nem precisaria de um balão.

Sérgio Augusto

30 Outubro 2009

O Poeta pede ao seu amor



Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.

Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.
Federico Garcia Lorca

García Lorca era escritor, poeta e dramaturgo, um dos mais conhecidos literatos da língua espanhola. Criou o grupo de teatro "La Barraca". Socialistas sem esconder suas idéias, teve suas obras proibidas por Francisco Franco. Foi preso por ordem de um Deputado católico sob a alegação de que ele era "mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver". Em 19/08/1936 foi executado pelos franquistas com um tiro na nuca na cidade de Granada, Espanha. Sendo assim uma das primeiras vítimas da Guerra Civil espanhola.

Vinde a mim


"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve."

Sofrimento


Cada um de nós sofre inevitavelmente derrotas temporárias de formas diferentes, nas ocasiões mais diversas. Cada uma destas derrotas e adversidades traz consigo a semente de um amadurecimento ou benefício, pois todas as vezes que superamos uma adversidade nos tornamos mais fortes emocionalmente.

A vida não esconde os sofrimentos da existência, como também não esconde as angústias que, admitindo ou não, enfrentamos momento após momento! Algumas pessoas preferem ter atitudes que lhes rouba o contato com a realidade. Há uma palavra para expressar esta maneira de lidar com os fatos: alienação. Negar a realidade, contudo, não a altera. O perigo de negar a realidade é o de transformar o verdadeiro em falso e o falso em verdadeiro, mas, mesmo assim, o que se nega não deixa de existir.. O sofrimento é um fator inerente à existência.

A cada dia teremos que lidar com momentos inesperados, como perdas, traições, falsidades, mentiras, invejas, ciúmes etc., pois esta é a condição humana, mas também é a nossa chance de a cada sofrimento que superamos, como já disse, nos tornarmos mais fortes e melhores. As pessoas se frustram quando se vêem vitimas do sofrimento. Mas a verdade é que não há como fugir da experiência universal do sofrimento. Como bem escreveu o rabino Kushner: “Todos somos irmãos e irmãs no sofrimento. Ninguém chega até nós de uma casa que nunca conheceu a tristeza”.
Antônio Roberto

29 Outubro 2009

Shiiittt!!

video

Café da manhã no McDonald´ s


Esta é uma bela história e é também uma história real.
Sou mãe de três crianças (14, 12 e 3 anos) e recentemente terminei a minha faculdade.

A última aula que assisti foi de sociologia.

O professor dava as aulas de uma maneira inspiradora, de uma maneira que eu gostaria que todos os seres humanos também pudessem ser.

O último projeto do curso era simplesmente chamado "Sorrir".

A classe foi orientada a sair e sorrir para três estranhos e documentar suas reações...

Sou uma pessoa bastante amigável e normalmente sorrio para todos e digo oi de qualquer forma. Então, achei que isto seria muito tranquilo para mim...

Após o trabalho ser passado para nós, fui com meu marido e o mais novo de meus filhos numa manhã fria de Março ao McDonald's.

Foi apenas uma maneira de passarmos um tempo agradável com o nosso filho...

Estávamos esperando na fila para sermos atendidos, quando de repente todos a nosso redor começaram a ir para trás, e então o meu marido também fez o mesmo...

Não me movi um centímetro... Um sentimento arrebatador de pânico tomou conta de mim, e me virei para ver a razão pela qual todos se afastaram...

Quando me virei, senti um cheiro muito forte de uma pessoa que não toma banho há muitos dias, e lá estava na fila dois pobres sem-teto.

Quando eu olhei ao pobre coitado, próximo a mim, ele estava "sorrindo".

Seus olhos azuis estavam cheios da Luz de Deus, pois ele estava buscando apenas aceitação.

Ele disse, Bom dia!, enquanto contava as poucas moedas que ele tinha amealhado.

O segundo homem tremia suas mãos, e ficou atrás de seu amigo. Eu percebi que o segundo homem tinha problemas mentais e o senhor de olhos azuis era sua salvação..

Eu segurei minhas lágrimas, enquanto estava lá, parada, olhando para os dois.

A jovem mulher no balcão perguntou-os o que eles queriam.

Ele disse, "Café já está bom, por favor....", pois era tudo o que eles podiam comprar com as poucas moedas que possuiam... (Se eles quisessem apenas se sentar no restaurante para se esquentar naquela fria manhã de março, deveriam comprar algo. Ele apenas queria se esquentar)...

Então eu realmente sucumbi àquele momento, quase abraçando o pequeno senhor de olhos azuis.

Foi aí que notei que todos os olhos no restaurante estavam sobre mim, julgando cada pequena ação minha.

Eu sorri e pedi à moça no balcão que me desse mais duas refeições de café da manhã em uma bandeja separada.

Então, olhei em volta e vi a mesa em que os dois homens se sentaram para descansar... Coloquei a bandeja na mesa e coloquei minha mão sobre a mão do senhor de olhos azuis...

Ele olhou para mim, com lágrimas nos olhos e me disse, "Obrigado!!"

Eu me inclinei, acariciei sua mão e disse "Não fui eu quem fiz isto por você, Deus está aqui trabalhando através de mim para dar a você esperança!!"

Comecei a chorar enquanto me afastava deles para sentar com meu marido e meu filho... Quando eu me sentei, meu marido sorriu para mim e me disse, "Esta é a razão pela qual Deus me deu você, querida, para que eu pudesse ter esperança!!"...

Seguramos nossas mãos por um momento, e sabíamos que pudemos dar aos outros hoje algo pois Deus nos tem dado muito.

Nós não vamos muito à Igreja, porém acreditamos em Deus. Aquele dia, me foi mostrada a Luz do Doce Amor de Deus. Retornei à aula na faculdade, na última noite de aula, com esta história em minhas mãos.

Eu entreguei "meu projeto" ao professor e ele o leu. E então, ele me perguntou: "Posso dividir isto com a classe?"

Eu consenti enquanto ele chamava a atenção da classe para o assunto.

Ele começou a ler o projeto para a classe e aí percebi que como seres humanos e como partes de Deus nós dividimos esta necessidade de curarmos pessoas e de sermos curados.

Do meu jeito, eu consegui tocar algumas pessoas no McDonald's, meu filho e o professor, e cada alma que dividia a classe comigo na última noite que passei como estudante universitária...

Eu me graduei com uma das maiores lições que certamente aprenderei:

Aceitação incondicional
Enviado pela Lucilene Barbalho

Partindo de menos lixo para lixo-zero


No Parque Nacional de Yellowstone, os copos transparentes e talheres brancos de plástico não são o lixo típico de uma lanchonete. Feitos de plásticos a base de plantas, eles se dissolvem como mágica quando aquecidos por mais de alguns minutos.

No Ecco, um restaurante popular em Atlanta, os garçons não raspam mais os restos de comida dentro do lixo. Eles são jogados em cilindros de 18 litros e levados para uma pilha de compostagem nos fundos.

E em oito de suas fábricas na América do Norte, a Honda está reciclando com tanta diligência que elas se livraram de todas as suas lixeiras.

Em todos os Estados Unidos, uma estratégia antilixo conhecida como "lixo-zero" está deixando de ser exceção e se transformando em norma, ganhando espaço nas lanchonetes das escolas, parques nacionais, restaurantes, estádios e corporações.

O movimento é simples na teoria, embora nem sempre o seja na prática: produzir menos lixo. Evite as embalagens de isopor ou qualquer outra que não seja biodegradável. Recicle ou transforme em composto tudo o que puder.

Apesar de nascida do idealismo, a filosofia de lixo-zero está sendo incentivada por causa da dura realidade: a dificuldade cada vez maior de conseguir permissões para novos aterros sanitários e uma consciência de que os dejetos orgânicos nos aterros liberam metano que ajuda a aquecer a atmosfera da Terra.

"Ninguém quer um aterro perto de casa, inclusive nas áreas rurais", disse Jon D. Johnston, chefe de gerenciamento de materiais para a Agência de Proteção Ambiental que está ajudando a liderar o movimento do lixo-zero no sudeste dos EUA. "Nós percebemos que o aterro é valioso e não podemos enterrar coisas que não precisam ser enterradas."

Os norte-americanos ainda são os campeões incontestes do lixo, jogando cerca de 4,6 libras por pessoa por dia, de acordo com os números mais recentes da EPA. Mais de metade disso termina nos aterros ou incinerada.

Mas lugares como a comunidade da ilha-resort de Nantucket oferecem um vislumbre do futuro. Quase sem espaço para aterro e preocupados com o custo de enviar o lixo de barco para o continente a 48 quilômetros de distância, eles implantaram uma rígida política de gerenciamento do lixo há mais de uma década, disse Jeffery Willett, diretor de obras públicas na ilha.

A cidade, com o consentimento dos moradores preocupados com os aumentos dos impostos, obriga a reciclar não só itens que são normalmente reprocessados como o alumínio, vidro e papel, mas também pneus, pilhas e utensílios domésticos.

Jim Lentowski, diretor-executivo da Fundação de Conservação Nantucket sem fins lucrativos e morador permanente da ilha desde 1971, disse que separar o lixo e entregá-lo ao complexo de reciclagem e disposição se tornou algo natural para a maioria dos moradores.

O complexo também tem uma estrutura parecida com uma garagem onde os moradores podem deixar livros e roupas e outros itens reutilizáveis para outras pessoas levarem para casa.

O estacionamento para cem carros do aterro é um ponto de encontro animado para os moradores locais, acrescentou Lentowski. "Na manhã de sábado durante a época eleitoral, os políticos ficam por lá e entregam broches de campanha", disse. "Se você quiser sentir como é a comunidade, este é um ótimo lugar para ir."

Willet disse que apesar de a quantidade de lixo que os moradores da ilha produzem continuar a mesma, a proporção de lixo que vai para o aterro caiu para 8%.

Por outro lado, os moradores de Massachusetts como um todo enviam uma média de 66% de seu lixo para os aterros ou incineradores. Apesar de Willett ter divulgado o modelo de Nantucket por todo o país, a maioria das comunidades ainda não têm a infraestrutura para estabelecer uma meta de lixo-zero.

Além da dificuldade de persuadir os moradores e empresários a separarem seu lixo, muitas cidades grandes e pequenas não estão dispostas a fazer investimentos significativos em máquinas como composteiras que podem processar alimentos e lixo orgânico dos jardins. Mesmo assim as atitudes estão mudando, e cidades como San Francisco e Seattle estão à frente da transformação. Ambas adotaram planos para incentivar práticas de lixo-zero e estão coletando o lixo orgânico nas calçadas nas áreas residenciais para compostagem.

Os resíduos alimentares, que segundo a EPA representam cerca de 13% do total de lixo em todo o país - e muito mais quando os recicláveis são levados em conta - são vistos como o próximo grande desafio.

Quando os restos de uma maçã, o pão embolorado e a comida da semana passada vão para os aterros, eles não devolvem os nutrientes que retiraram do solo ao serem produzidos. Além disso, quando são selados nos aterros sem oxigênio, os materiais orgânicos soltam metano, um potente gás de efeito estufa, enquanto se decompõem. Se forem para a compostagem, entretanto, os alimentos podem se decompor e retornar para a terra como um adubo natural, sem produzir metano no processo.

A Green Foodservice Alliance, uma divisão da Associação de Restaurantes da Geórgia, tem acrescentado restaurantes em toda Atlanta e periferia às suas áreas consideradas de lixo-zero. E novas companhias estão surgindo para atender ao crescimento da demanda dos restaurantes para o transporte de lixo para reciclagem e compostagem.

Steve Simon, sócio do Fifth Group, companhia que é dona do Ecco e de quatro outros restaurantes na área de Atlanta, disse que a parte mais difícil de participar do programa da área de lixo-zero não é treinar sua equipe, mas sim encontrar transportadores confiáveis.

"Agora há apenas dois na cidade, e nenhum deles tem mais de um ano de existência, então ainda é uma situação muito experimental", disse Simon.

Ainda assim, ele disse que não tem muitas dúvidas de que o setor de transporte irá crescer e de que todos os cinco restaurantes eventualmente se tornarão lixo-zero.

As embalagens também estão evoluindo rapidamente como parte do movimento de lixo-zero. Bioplásticos como os usados nos garfos de Yellowstone, feitos de produtos à base de plantas, como o amido de milho, que imitam plástico, são usados para fabricar um número cada vez maior de itens que podem ir para a compostagem.

Steve Mojo, diretor-executivo do Instituto de Produtos Biodegradáveis, uma organização sem fins lucrativos que certifica esse tipo de produtos, disse que o número de companhias fabricando produtos compostáveis para fornecedores de serviços alimentícios dobrou desde 2006 e que muitos passaram a produzir itens como sacolas de compras e embalagens de alimentos.

A transição para o lixo-zero, entretanto, tem seus armadilhas.

Josephine Miller, uma funcionária ambiental de Santa Monica, Califórnia, que baniu o uso de isopor das embalagens, disse que alguns cidadãos têm inadvertidamente jogado as embalagens alternativas à base de plantas nas latas de lixo para reciclar, onde elas derreteram e colaram os outros itens. Yellowstone e outras instituições pediram às fábricas para marcar os itens biodegradáveis com uma faixa marrom ou verde.

Mesmo com essas dicas claras no design das embalagens, os consumidores terão que ser educados a pensar no destino de tudo o que forem jogar fora se quiserem que a filosofia de lixo-zero seja bem sucedida, dizem autoridades ambientais.

"A tecnologia existe, mas ainda é necessário um grande trabalho de educação", disse Johnston da EPA.

Ele espera que as companhias e empresas privadas adotem a ideia mais rapidamente do que os cidadãos comuns porque o incentivo pode vir de uma pessoa que está no topo.

"Levará muito mais tempo para que os americanos comuns adotem a compostagem", disse Johnston. "Atingir a minha casa e a sua é o maior desafio."
Leslie Kaufman - The New York Times