30/10/2014

Ode à beleza

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.
William Shakespeare

6 mentiras que você ouviu sobre ser chefe

Engana-se quem pensa que virar chefe significa se livrar para sempre das tarefas maçantes do cotidiano e só observar "tranquilamente" o trabalho dos outros.
O  líder na verdade é um acumulador de funções, segundo explica João Marcelo Furlan, sócio da Enora Leaders. “A menos que tenha um altíssimo cargo dentro da empresa, você ainda vai ter algum papel operacional”, afirma ele.
Furlan diz que a necessidade de executar tarefas técnicas surpreende sobretudo os novatos. “Quem é inexperiente muitas vezes esquece que chefes também têm os seus próprios chefes, e precisam elaborar planilhas, documentos e relatórios para eles”, ilustra o especialista.
Muitos aspirantes à cadeira do patrão também ignoram que estar em um cargo de liderança implica ter diversas obrigações e dificuldades que passam longe das preocupações do resto da equipe.
Com a ajuda de Furlan, alguns equívocos ligados ao assunto que merecem ser desconstruídos. Veja a seguir:
1. A equipe vai te obedecer só porque você é o chefe
Acha que ter autoridade é suficiente para garantir a produção? Ledo engano, diz Furlan. “Não adianta mandar as pessoas fazerem algo, elas precisam ter vontade de atender aos seus pedidos”, explica.
E isso não é nada fácil. De acordo com ele, motivar outras pessoas é uma habilidade que exige treino, maturidade e uma boa dose de inteligência emocional.
2. É mais fácil ver a entrega ser feita do que fazê-la
“A vida do chefe não é nada mansa”, brinca Furlan. Ao contrário do que muitos pensam, gerar resultados a partir do trabalho de outras pessoas pode ser muito custoso.
“Você precisa ter capacidade técnicas, para planejar e organizar as tarefas alheias, mas também habilidades mais comportamentais, para mobilizar e acompanhar as pessoas”, diz o especialista.
3. O chefe tem independência para fazer o que quiser
Ser líder não significa ter licença para tomar decisões arbitrárias. “Você ainda vai ser parte do sistema e, como tal, precisará se adaptar às suas regras e limitações”, explica o sócio da Enora Leaders.
O chefe precisa se moldar a todo tipo de restrição. O orçamento, por exemplo não está à sua plena disposição, e nem as suas ideias podem contrariar a estratégia global da empresa. “Existem também muitas disputas internas e jogos de poder que diminuem a liberdade do líder”, comenta Furlan.
4. Sua relação com antigos colegas não vai mudar porque você virou chefe
De uma forma ou de outra, assumir uma posição gerencial afeta os relacionamentos que você construiu até então na empresa. “Você passa a ter acesso a informações confidenciais e, querendo ou não, é obrigado a jogar no time do patrão”, afirma o especialista.
Segundo ele, precisar defender os interesses da empresa - mesmo que isso signifique demitir um amigo, por exemplo - causa frustração em muitos chefes novatos. “É difícil, mas você precisa estar preparado para se afastar um pouco”, diz.
5. Se você não conseguir atender à expectativa, tudo bem
Ao dar uma promoção, a empresa oferece também um voto de confiança - mas ele não é para sempre. “É um caminho sem volta: você não pode retornar a uma posição operacional, caso não dê certo”, diz ele.
Em outras palavras, as expectativas precisam ser correspondidas para que o chefe se mantenha no cargo. “Você precisa ter certeza de que está preparado para liderar antes de aceitar um convite como esse”, afirma.
6. A chefia é a linha de chegada da carreira
Outro mito comum é pensar que o chefe é o “sabe-tudo” que atingiu o nível máximo de desenvolvimento na empresa. “Na verdade, essa é justamente a hora em que você mais vai aprender’”, diz o especialista.
Se é provável que o profissional tenha sido alçado à chefia porque era um bom "técnico", é fato que ele passará a ser avaliado em quesitos até então inéditos para ele. “É como se jogassem você em uma piscina: ou você aprende a nadar ou vai engolir água”, brinca Furlan.
Claudia Gasparini

22/10/2014

Bela

A beleza na mulher honesta é como o fogo afastado ou a espada de ponta, que nem ele queima nem ela corta a quem deles se aproxima.
Miguel de Cervantes

O lado obscuro da inteligência emocional

A inteligência emocional já virou um clichê do mundo corporativo. Desde que o americano Daniel Goleman lançou, em 1995, o best-seller Inteligência Emocional, o tema se tornou recorrente dentro das empresas — quase como um amuleto que garantia ascensão profissional.
A inteligência emocional sempre pareceu uma característica positiva, mas alguns estudiosos estão contradizendo essa teoria de que saber interpretar as próprias emoções e os sentimentos dos outros é sempre algo benéfico. Os professores Martin Kilduff, Dan S. Chiaburu e Jochen I. Menges lançaram uma tese, publicada pela escola de negócios da Universidade Texas A&M, na qual questionam o lado benéfico da inteligência emocional.
Segundo os autores, pessoas que têm essa habilidade elevada podem, também, desenvolver um lado maquiavélico, manipulando os outros com facilidade. Isso porque, de acordo com os estudiosos, os emocionalmente inteligentes mudam os próprios sentimentos para fabricar impressões favoráveis. Ou seja, fingem o que não sentem para conquistar um objetivo de ganho pessoal ou obter uma informação estratégica. 
Basicamente, a inteligência emocional tem três pilares: perceber as próprias emoções e as dos outros; usar o lado emocional para facilitar o pensamento; e entender as emoções e manejá-las em si mesmo e nos outros.
“Quem usa esses atributos com ética consegue criar empatia com mais facilidade e criar laços de liderança”, diz Rodrigo Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional. Mas quem se deixa levar apenas pelos resultados positivos que a inteligência emocional pode proporcionar corre o risco de se tornar um manipulador.
Claro que, para isso, é preciso ter predisposição — algum traço de perversidade na personalidade que, estimulado pelo ambiente de alta pressão ou de clima tóxico, favoreça a atitude manipuladora. “Entre 4,5% e 6% das pessoas têm traços de perversidade”, diz Luiz Fernando Garcia, psicanalista e presidente da Cogni-MGR, consultoria de treinamento de São Paulo. “No mundo corporativo, esse índice sobe para 16%.”
Os manipuladores com alta inteligência emocional conseguem entender rapidamente quais são os sentimentos alheios e se a outra pessoa está passando por um momento delicado. “Eles costumam usar táticas de chantagem e dissimulação para pressionar o colega ou subordinado a fazer algo que vá gerar algum resultado positivo para o manipulador”, afirma Carlos Diz, do Centro de Neoliderança, do Rio de Janeiro.
Há maneiras de se proteger de um chefe ou colega que use a inteligência emocional para manipular os outros. A mais importante é desenvolver a consciência do que se passa ao redor. “Isso nos permite perceber o que está acontecendo e ter mais controle sobre se estamos ou não sendo coagidos”, afirma Carlos.
Essa consciência pode ser treinada por meio de meditação e de exercícios diários, como negar a assinatura de um jornal ou a doação para uma instituição de caridade. Só é manipulado quem permite — e dizer “não” para quem quer estimulá-lo a fazer algo é um escudo contra a manipulação.
Outro exercício é dar feedback objetivo ao manipulador. “Na hora de conversar, procure deixar claro o que você quer”, diz Luiz Fernando. Evite levar o diálogo para o lado pessoal e, ao concluí-lo, faça um resumo do que você quis dizer para inibir que o outro encontre brechas em seu raciocínio e as use contra você no futuro.
Elisa Tozzi

Paraplégico volta a andar após cirurgia revolucionária

Um homem paraplégico voltou a andar graças a um transplante de células nervosas realizado na Polônia, em uma operação sem precedentes. Darek Fidyka, um búlgaro de 40 anos, é a primeira pessoa no mundo a se recuperar de um rompimento total dos nervos da coluna vertebral. Ele recebeu um transplante de células de sua cavidade nasal para a medula espinhal e, após reabilitação de um ano, ele pode caminhar com o auxílio de um andador — Fidyka também recuperou algumas funções da bexiga e do intestino.

"Para mim, isto é ainda mais impressionante do que um homem caminhando na Lua", afirmou Geoffrey Raisman, professor do Instituto de Neurologia do University College de Londres (UCL), na Inglaterra, e um dos autores do estudo publicado na revista Cell Transplantation.
"Quando começa a retornar (os movimentos), você sente que sua vida começou de novo, como se fosse um renascer. É um sentimento incrível, difícil de descrever", declarou Fidyka ao programa Panorama, da emissora britânica BBC, que teve acesso exclusivo ao paciente e aos médicos.
A operação — Em 2010, Fidyka ficou paralisado do peito para baixo após ser esfaqueado várias vezes. Apesar de meses de fisioterapia intensiva, ele não mostrava nenhum sinal de recuperação.
A cirurgia foi realizada por uma equipe médica polonesa, coordenada pelo neurocirugião Pawel Tabakow, da Universidade de Wroclaw, na Polônia, um dos maiores especialistas em lesões medulares do mundo. Os médicos utilizaram células nervosas do nariz do paciente a partir das quais se desenvolveram os tecidos seccionados — o complexo circuito responsável pelo olfato é a única parte do sistema nervoso que se regenera durante toda a vida e foi essa característica que os cientistas procuraram reproduzir na lesão de Fidyka. As células do próprio paciente não seriam rejeitadas e o tecido medular poderia ser reparado.
A técnica de transplante, descoberta na UCL, apresentou bons resultados em laboratório, mas nunca havia sido testada com sucesso em um ser humano. Na primeira das duas operações, os cirurgiões removeram um dos bulbos olfativos do paciente e fizeram as células crescer em cultura. Duas semanas depois, foi feito o transplante na medula por meio de microinjeções.
Fidyka manteve seu programa de condicionamento — cinco horas de exercícios durante os cinco dias da semana — e percebeu que a cirurgia havia sido bem sucedida quando, após três meses, sua coxa esquerda começou a desenvolver músculos. Seis meses depois, deu seus primeiros passos com o apoio de fisioterapeutas. Agora, após dois anos, caminha apenas com o andador. De acordo com os cientistas, exames mostraram que a lacuna na medula espinhal do paciente se fechou após o tratamento.
"Nós acreditamos que o procedimento é uma descoberta capital que, se for desenvolvida, constituirá uma mudança histórica para as pessoas que sofrem de ferimentos na coluna vertebral", declarou Raisman.
AFP

15/10/2014

Estudo relaciona custo do casamento com divórcio




É possível "prever" a duração de um casamento de acordo com o custo de sua festa. Pelo menos é o que diz um estudo feito pelos economistas norte-americanos Andrew Francis e Hugo Mialon, da Universidade de Emory, em Atlanta. 

Segundo eles, quanto mais cara a cerimônia e tudo o que estiver relacionado ao "grande dia", maior é probabilidade de divórcio. 

A razão para isso é que as celebrações mais onerosas impulsionam o endividamento familiar e uma consequente crise no relacionamento. 

A pesquisa analisou mais de 3 mil pessoas que se casaram nos Estados Unidos e, por meio desta amostra, concluiu que, para ter um casamento duradouro, não é aconselhável gastar mais de US$ 20 mil (R$ 48 mil). 

Se isso for verdade, grande parte dos casamentos entre celebridades está condenada ao fracasso. Um exemplo é o matrimônio da socialite Kim Kardashian com o jogador de basquete Kris Humphies, que custou mais de 8 milhões de euros (R$ 24 milhões) e durou 72 dias. 

Outro é a cerimônia da princesa Diana e do príncipe Charles, na qual foram gastos aproximadamente 80 milhões de euros (R$ 240 milhões), resultando em um complicado divórcio 15 anos depois. 
ANSA

10/10/2014

O homem obsoleto

No filme O Exterminador do Futuro, um computador altamente inteligente se torna autoconsciente e começa um holocausto nuclear, que aniquila a raça humana, deixando algumas poucas almas valentes para combater os robôs. A data fictícia do catastrófico evento, agosto de 1997, passou sem que ocorresse essa distopia tecnológica.

No entanto, embora não devamos temer que as máquinas terminem com nossa vida, o medo de que acabem com nossos meios de subsistência é cada vez maior.

O temor é baseado na observação de que cada vez mais máquinas ou sistemas de computadores executam tarefas até então consideradas exclusivas do ser humano. Quando os computadores assumirem todos os trabalhos, o que nós faremos? Terminaremos como os cavalos, anteriormente importantes “trabalhadores”, mas substituídos há tempos por máquinas?

Essas previsões sombrias surgem da falta de entendimento dos princípios econômicos. Na economia, o preço (o salário, no caso do emprego) varia para assegurar que a oferta se iguale à demanda e que existam poucos recursos subutilizados. Portanto, o problema não será de desemprego, e sim de desigualdade — caso as ocupações sejam desigualmente substituídas por computadores.

Por que o desenvolvimento tecnológico é causa de maior desigualdade? 

A resposta está na atenção dada às tarefas. Categorizar os profissionais pelo que fazem se torna uma distinção importante: alguns realizam tarefas manuais rotineiras (como caixas de lojas, operários de fábricas, caixas de banco), enquanto outros executam tarefas intelectuais não rotineiras (escritores, cientistas, CEOs).

Os computadores podem realizar as tarefas manuais rotineiras facilmente, tomando o lugar dos trabalhadores que as desempenham. Mas os empregados intelectuais não são facilmente substituíveis — e, na verdade, produzem mais graças aos computadores, seja porque conseguem mais informações, seja porque podem distribuir o resultado de seu trabalho de forma mais simples. Essa distinção é um potente prognosticador dos trabalhos que serão substituídos pelas máquinas.

Por conseguinte, sempre existirá emprego suficiente. A questão é se nós, como sociedade, estaremos dispostos a aceitar os desiguais salários dos mercados resultantes. O que podemos fazer para evitar que o desenvolvimento tecnológico deixe para trás algumas partes da sociedade?

A solução deve ser a educação e a contínua atualização das pessoas, de modo a garantir que todos possam se beneficiar da tecnologia e que ninguém termine como um “cavalo”.
Morten Olsen

09/10/2014

4 estudos que vão te encher de esperança sobre o futuro da humanidade

Com tantas notícias ruins, crimes, corrupção e problemas que vemos no mundo, é fácil desanimar e perder um pouco da fé na humanidade. Mas há quem pense o contrário e diga que estamos melhores do que nunca. 

Veja aqui alguns estudos científicos que podem te ajudar a restaurar a fé na humanidade e enxergar um futuro melhor no horizonte.


1 – Mentir faz mal para saúde

Todo mundo já contou uma mentira aqui ou ali, seja com boas ou más intenções. Em geral, mentiras não são algo bom, nem mesmo para a nossa saúde. 
Um estudo da Universidade de Notre Dame, Nos Estados Unidos, concluiu que mentir pode causar problemas físicos e psicológicos no curto prazo. Eles chegaram a essa conclusão depois de analisar os efeitos da honestidade ao longo de 10 dias em um grupo de pessoas. 
Cem indivíduos foram separados em dois grupos, sendo um instruído a não mentir e outro deixado livre para enganar. O grupo honesto apresentou no fim do período uma saúde melhor, com quatro vezes menos queixas ligadas à saúde mental e três vezes menos reclamações de dores físicas.

2 – Desastres nos tornam altruístas

Pense em algum momento extremo, de um desastre onde você deva correr pela sua vida, como um incêndio. Em geral, imaginamos cada pessoa correndo por si, tentando se salvar. Mas segundo um estudo da Max Planck Institute, da Alemanha, desastres na verdade nos tornam altruístas. 
Não apenas as pessoas tendem a se manter mais acalmas do que é esperado nesses casos, como elas na verdade se sentem motivadas a ajudar umas as outras. Além disso, atos altruístas movimentam as mesmas áreas ativadas pelo prazer no sexo ou com drogas.

3 – Fazer o bem é o melhor motivador

Não apenas somos inspirados a sermos mais altruístas em situações emergenciais, como ficamos muito mais motivados a realizar uma tarefa quando sabemos que ela fará bem a alguém. 
Adam Grant, professor da UPenn’s Wharton, dedicou boa parte de sua carreira a estudar o que torna as pessoas motivadas. Ao contrário do que muitos imaginam, não são incentivos pessoais, como um salário maior. 
Estudando um grupo de funcionários trabalhando em um call center para solicitar doações, Adam percebeu uma mudança drástica no comportamento depois que eles interagiram com as pessoas que se beneficiavam daquelas doações. Depois de perceber que estavam de fato ajudando alguém, eles passaram a gastar duas vezes mais tempo no telefone e solicitar três vezes mais dinheiro em média para cada doador.

4 – Vivemos na era mais pacífica da humanidade

Você lê sobre assassinatos, roubos e tudo o que há de ruim no jornal e imagina que estamos piores do que nunca, certo? Na verdade, há quem esteja mais otimista. Segundo Steven Pinker, professor e psicólogo de Harvard, estamos na era mais pacífica da nossa história. E ele tem números para provar isso.
Pinker constatou que as taxas de homicídios em países da Europa vêm caindo século após século. No século XIV, em Londres, para cada 100 mil habitantes, 50 eram assassinados. Hoje, esse número caiu para 2 – média semelhante ao restante da Europa. 
Samuel Bwoles, diretor do Centro de Ciências do Comportamento do Instituto Santa Fé, afirma que entre 14% e 46% das pessoas enterradas em assentamentos humanos há cerca de 50 mil anos morreram de forma violenta. Com esses dados, Pinker concluiu que, em sociedades onde não haviam um governo definido, como os povos bárbaros da Idade Média, cerca de 15% da população morria de forma violenta.
No século XX, apesar de todas as guerras, o número caiu para 3%. Pinker calcula que, se as guerras no século XX fossem travadas nas condições das sociedades tribais, cerca de 2 bilhões de pessoas teriam morrido, ao invés de 100 milhões. 
A diferença é que hoje as notícias desses massacres absurdos chegam para nós rapidamente pelos meios de comunicação. Notícias, em geral, são negativas e sensacionalistas.
Gabriel Tonobohn

06/10/2014

Comunismo só funciona na miséria

Karl Marx falhou: como cientista e até como profeta. Esse fracasso já foi referido em coluna (Será que Deus existe?).
Mas faltou acrescentar um pormenor: Marx nem sequer previu que a sua "luta de classes" seria substituída por uma perpétua "imitação de classe".
O proletariado não desejava destruir o sistema capitalista. Pelo contrário: desejava antes participar nele, imitando a burguesia –nos seus hábitos e gostos– e desfrutando dos mesmos confortos materiais que só o capitalismo permite.
Se dúvidas houvesse, bastaria olhar para os confrontos em Hong Kong, com os manifestantes a exigir respeito pelas eleições de 2017 na ilha. Pequim ficou em estado de alerta.
Entendo: em 1989, o PC chinês contemplou a desagregação do comunismo na Europa com horror. Consta até que o líder de então, Deng Xiaoping, terá ficado assustado com os fuzilamentos sumários do encantador casal Ceausescu, na Roménia.
O colapso da União Soviética, pouco depois, deixou o aviso: não bastava reprimir uma população miserável, como aconteceu na Praça de Tiananmen. Era preciso responder aos anseios da população, o que significava abrir as portas a um "capitalismo de Estado" controlado.
Fatalmente, o PC chinês ignorou a maior fraqueza da teoria marxista: o capitalismo, e mesmo o "capitalismo de Estado", não se limita a matar a fome e a permitir carros ou roupas de grife.
Cedo ou tarde, a emergência de uma classe média significa também que as massas desejam mais: coisas intangíveis como liberdade, participação política e até o direito de governar.
Em Hong Kong, essas reivindicações podem ser explicadas (e reforçadas) pela tradição de liberdade que já existia antes da devolução britânica em 1997.
Mas, como informa a revista "The Economist", essas reivindicações são já sentidas em todo o país –de tal forma que uma das prioridades do regime nesses dias foi ocultar da população continental a "Revolução dos Guarda-Chuvas" de Hong Kong.
Durante décadas, vários especialistas sobre a China formularam a questão clássica: será possível ter uma sociedade capitalista sem o tipo de liberdades de uma sociedade democrática?
As imagens de Hong Kong são a primeira e promissora resposta. E são também uma confirmação histórica: para o comunismo funcionar, é importante que uma sociedade seja mantida rigorosamente na miséria.
João Pereira Coutinho

03/10/2014

Delicadeza

A delicadeza e a dignidade é o próprio coração que ensina e não um mestre de dança.
Fiodor Dostoievski
Paint by Paul Klee

Onde nasce o Ebola?

Dificilmente o vírus chegará ao Brasil. Mas todos os países precisam se precaver do seu contágio. 
A distância vê-se apenas uma fresta estreita e escura, recortada na base da montanha e oculta pela vegetação. De perto, a entrada tem 55 metros de largura, expandindo- se por 200 metros montanha adentro. De dia, a luz penetra na caverna fria e úmida, permitindo vislumbrar parte do interior. Na entrada, pegadas de elefantes formam um mosaico no solo barrento. Toda noite, as manadas entram na caverna Kitum para raspar as paredes com as presas, em busca de sais e minerais. A caverna situada no Parque Nacional Monte Elgon, no Quênia, formada há sete ou oito milhões de anos a partir de erupções vulcânicas, é um caso único no mundo de crescimento por ação de elefantes.
À medida que se penetra no interior, a luz se dissolve na escuridão. O silêncio só é interrompido pelo chilrar dos morcegos que vivem em colônias, dependurados no teto. Embaixo deles há espessas manchas Planeta setembro 2014 de uma substância verde, pegajosa e molhada – o guano (fezes). Prontos para a revoada, centenas de olhos vermelhos observam. Kitum seria apenas uma entre as muitas cavernas africanas se não fosse por um motivo sombrio: os membros da tribo masai que habitam a região sempre tiveram casos de parentes mortos por uma estranha doença que causava sangramento até a morte. Em 1980 e em 1987, dois estrangeiros estiveram em Kitum e contraíram um vírus raríssimo, o marburg, sucumbindo em poucos dias com hemorragias maciças. Foi assim que Kitum entrou no radar dos caçadores dos raros vírus filamentosos, o marburg e seu primo ebola. 
O marburg foi o primeiro “filovírus” (da família filoviridae) descoberto. Na verdade, ele apareceu na Alemanha, em 1967, na cidade de mesmo nome, em macacos trazidos de Uganda pela empresa Behring Works, que produzia vacinas. Em alguns dias, foi o fim do mundo: sete dos 30 funcionários infectados morreram com fortes hemorragias. Mas isso era apenas um introito. Em 1976, outro filovírus mortal surgiu no Sudão, causando devastação em aldeias e comunidades tribais; e, assim como veio, desapareceu, sem ser estudado, definido e classificado. Esse vírus ganhou o nome do rio que atravessa a região, o Ebola.
Meses depois do “ebola Sudão”, outro filovírus mais letal ainda surgiu 800 quilômetros a oeste, na província de Bumba, na atual República Democrática do Congo (antigo Zaire), às margens do rio Ebola, ganhando o nome de “ebola Zaire”. Uma terceira variedade do ebola surgiu inesperadamente em 1989, na cidade de Reston, na Virgínia, nos Estados Unidos, levada por um grupo de macacos importados das Filipinas. Com o tempo, outras mutações surgiram, como o ebola Costa do Marfim (1994) e o raríssimo ebola Bundibugyo (2008), registrado em Uganda. Talvez apareçam outras. 
O marburg mata 25% de suas vítimas. O primo ebola Sudão é duas vezes mais mortífero, matando 50% dos infectados (mesma mortalidade da peste negra na Europa medieval). O vírus da febre amarela, considerado muito perigoso, mata uma a cada 20 vítimas, ou 5%. Já a variedade “ebola Zaire” mostrou-se bem mais agressiva, matando 90% dos infectados. O ebola Reston é o mais benigno: elimina animais, mas causou apenas sintomas semelhantes aos da gripe em humanos. 
Imprevisibilidade
Desde 1976, quando dois surtos simultâneos surgiram em Nzara, no Sudão, e em Yambuku, na República Democrática do Congo, e saúde a família ebola foi identificada pela primeira vez, já houve 25 irrupções epidêmicas, sempre no continente africano. Normalmente, as epidemias ocorriam em regiões tribais, atingindo pequenas comunidades com contágio fulminante, e logo desapareciam. 
Ao matar rapidamente as vítimas, o vírus inviabilizava sua propagação Em 2014, entretanto, a epidemia é a de maior magnitude já registrada. Em 8 de agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto como “emergência de saúde pública de alcance mundial”. Já são mais de 1.386 mortos e mais de 3.000 infectados. Mais de 80 localidades foram atingidas em três países da África Ocidental – Guiné, Serra Leoa e Libéria, entre capitais, cidades e aldeias. A Nigéria também registrou seus primeiros casos. A Costa do Marfi m e o Senegal estão em estado de alerta contra o vírus altamente contagioso. “De maneira inédita, o surto se espalhou para além da fronteira de três países africanos, tornando-se a maior distribuição geográfica do vírus na história”, afirma Leticia Linn, diretora de comunicação da OMS. 
“O surto de agora tem um caráter inteiramente diferente”, afirma Valdilea Veloso, infectologista da Fiocruz. O clínico português Paulo Reis, 42 anos, que atua na organização Médicos sem Fronteiras, relata grandes dificuldades do trabalho de campo na Guiné: “Desta vez há muito mais gente infectada. Em Uganda as pessoas já conheciam a doença, mas na Guiné nem os médicos tinham ouvido falar dela”, conta. O mais perturbador é que, apesar de quase meio século de pesquisa desde o aparecimento do marburg na Alemanha, os cientistas continuam sem saber quem é o hospedeiro do vírus e ao que se deve o aparecimento das epidemias letais, apesar de suspeitarem de algumas espécies de primatas. 
Na verdade, o ebola Zaire vem se mostrando menos letal do que de costume, matando apenas 60% dos infectados. “Mas estamos chegando ao nosso limite”, afirma Bart Janssens, diretor de operações da Médicos sem Fronteiras. “A epidemia já está fora de controle; necessitamos de reforços e não vejo o recrudescimento do surto em menos de seis meses”, diz. 
Contágio rápido
Um marco da batalha contra os filovírus foi a morte do homem conhecido como Yu G, no Sudão, em julho de 1976, com hemorragia maciça por todos os orifícios do corpo. O doente trabalhava numa fábrica de algodão nas proximidades da cidade de Nzara, bem perto de uma floresta. Yu G. ficou famoso mundialmente por ser o “caso índex”, o primeiro humano infectado por um vírus desconhecido, o ebola Sudão. Ele ocupava uma sala, nos fundos da fábrica, com morcegos pendurados no teto. Dias após sua morte, dois funcionários apresentaram febre e dores no corpo e morreram com hemorragias devastadoras. Ao contrário do tímido Yu G., um deles era extrovertido e mulherengo e, antes de surgirem os sintomas, espalhou o vírus pela cidade. 
O vírus devastou Nzara e atingiu a vizinha cidade de Maridi, onde havia um pequeno hospital, matando pacientes, atendentes, enfermeiros e médicos. Com poucos recursos, o hospital aplicava injeções com as mesmas agulhas sujas o dia inteiro. Os pesquisadores que rastrearam o surto descobriram que as cadeias de infecção retrocediam de geração em geração até o discreto senhor Yu G. 
No hospital de Maridi, os pacientes entravam em pânico, arrancavam as roupas e corriam pelas ruas, sem entender o que se passava. O surto só arrefeceu quando os doentes morreram e os sobreviventes fugiram da instituição. Assim como surgiu, o ebola Sudão desapareceu subitamente, e o mundo quase não tomou conhecimento desse primeiro surto. O vírus voltou a se esconder em seu reservatório na floresta tropical, secretamente alojado em algum hospedeiro desconhecido. Hoje, 38 anos depois da morte de Yu G., os pesquisadores conseguiram identificar anticorpos e traços genômicos do ebola Sudão em três espécies de morcegos frugívoros.
A variedade ebola Zaire surgiu na aldeia de Yambuku, num pequeno hospital dirigido por freiras missionárias belgas. Ali, as freiras também aplicavam dezenas de injeções utilizando apenas algumas seringas. As pessoas que acorriam ao hospital em busca de alívio para a malária eram infectadas e dias depois morriam de hemorragia. O vírus atacou 55 aldeias ao redor de Yambuku, matando 400 pessoas. Mais uma vez, a epidemia só cessou quando os doentes morreram e os sobreviventes fugiram para a selva.
Expedição frustrada
Na primavera de 1988, o especialista em biorrisco e caçador de vírus norte-americano Eugene Johnson, diretor do Instituto Médico de Pesquisas de Doenças Infecciosas do Exército dos EUA, liderou uma expedição à caverna Kitum. Levou com ele uma equipe de 35 pessoas, entre médicos, pesquisadores e naturalistas, vasta quantidade de material de pesquisa, tendas, trajes herméticos, armadilhas, cobaias e macacos. 
Como não há sensores para detectar um vírus, o método consagrado de investigação é deixar um animal de sentinela onde se espera que o vírus esteja e esperar que a cobaia adoeça. Os pesquisadores montaram tendas de pesquisa, de necropsia e de descontaminação. Durante um mês, mantiveram-se em trabalho de campo.
Com a ajuda dos quenianos e dos masais do Monte Elgon, capturaram milhares de insetos e centenas de animais de pequeno porte. Estudaram os registros médicos da população e tiraram milhares de amostras de sangue das pessoas e do gado, mas as análises revelaram não serem soropositivas para o marburg, ou seja, não tinham anticorpos da doença e, portanto, não haviam sido expostas a ela. Infelizmente, não foram descobertos vestígios de marburg ou ebola.  
Além da incerteza sobre o hospedeiro, o mais desconcertante continua a ser a velocidade do contágio por contato. Em muitas regiões da África, as mulheres preparam os mortos para o funeral e servem comida no velório. No calor, as cerimônias fúnebres duram dois ou três dias e as pessoas acariciam e abraçam demoradamente o morto, mantendo contato com fluidos cadavéricos saturados de vírus. Em quase todas as epidemias ocorridas, esse foi um importante meio de contágio e as mulheres, os principais vetores. 
O contato sexual é outra via de transmissão. O vírus ebola não viaja pelo ar, como o da gripe. Para que o contágio se dê através do ar, é preciso que haja nebulização de fluidos como tosse, espirros, vômitos e convulsões que espalhem secreções corpóreas. Há também relatos de gente que adoece após ingerir carne de macacos, antílopes e morcegos, animais que integram a dieta em alguns países africanos. 
Não há remédios ou vacinas contra a doença, ainda. O tratamento visa à manutenção da saúde: hidratação, alimentação e contenção da febre. Só o isolamento dos doentes e dos que tiveram contato com estes pode deter a epidemia, a maior dificuldade da missão que tenta combater o ebola na África Os EUA desenvolveram um medicamento experimental, o ZMapp, produzido em quantidade pequena e ainda sujeito a anos de trâmites de testes e aprovação. Diante da gravidade da situação, a OMS autorizou seu uso imediato. Macacos medicados experimentalmente com o ZMapp já foram curados. Dois médicos americanos infectados com o ebola Zaire receberam o medicamento e foram salvos. A OMS acredita que uma vacina pode estar disponível já em 2015. Mas, enquanto isso, todos os países devem se prevenir contra a doença. 

Johnny Mazzilli

29/09/2014

Freud de boteco: como os conceitos do psicanalista se popularizaram?


Setenta e cinco anos após a morte do psicanalista Sigmund Freud, conceitos e frases que ele criou estão hoje profundamente arraigados na cultura popular.

Como o jargão freudiano se popularizou dessa forma?

Existe o Freud da literatura médica - o homem barbudo que fundou a psicanálise. O Freud que é constante fonte de debate entre acadêmicos.

Depois existe o outro Freud, o Freud da mesa de bar. Aquele que você talvez mencione quando falar de um sonho, ou de um ato falho, ou de alguém que é meio apegado à mãe.

Complexo de Édipo. Negação. Id, ego e superego. Libido. Retenção anal. Mecanismo de defesa. Símbolo fálico. Projeção. Não é só a terminologia de Freud que se espalhou pelo léxico popular - o próprio nome Freud virou um adjetivo.

Nenhum outro intelectual do século 20 pode competir com Freud. Nem o filósofo Jean-Paul Sartre, nem o físico Albert Einstein.

Críticos de cinema raramente citam o filósofo Michel Foucault ou a escritora existencialista Simone de Beauvoir. Mas todo mundo sabe - ou pelo menos pensa que sabe - o que você está querendo dizer quando menciona Freud. O inconsciente. Repressão sexual. Sonhos. Problemas com mãe e pai.

"Você não precisa ler Freud para viver em um mundo onde Freud é importante - ou para pensar de forma freudiana", diz Stefan Marianski, do Freud Museum, em Londres.

Basta consumir cultura popular produzida a partir de meados do século 20.

Freud escrevia muito bem e ilustrou seus livros sobre psicanálise com referências ao trabalho de grandes artistas, entre eles William Shakespeare, Fiódor Dostoiévski e Leonardo da Vinci.

No entanto, para o psicólogo Oliver James, autor do livro Love Bombing, "a razão pela qual Freud se tornou uma figura tão importante na nossa cultura é que ele foi trazido para a cultura popular pelo cinema".

Começando em 1945, com o suspense inspirado na psicanálise Quando Fala o Coração, de Alfred Hitchcock, a história do cinema está repleta de referências a Freud.

Talvez o diretor que mais tenha contribuído para a disseminação de frases e conceitos freudianos seja o norte-americano Woody Allen.

No início do filme Annie Hall (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa), por exemplo, ele diz: "Nunca tive uma fase de latência". (O termo "fase de latência" é usado por Freud para descrever um intervalo no desenvolvimento da sexualidade infantil, geralmente identificada entre os seis e dez anos de idade.)

O pensamento freudiano também pode ser identificado no relacionamento entre pai e filho emGuerra nas Estrelas: O Império Contra-ataca e emDe Volta para o Futuro.

O filme "é basicamente o complexo de Édipo", diz Marianski. "Na verdade, a lógica de De Volta para o Futuro é a mesma de Psicose".

Depois, você tem os romances de de Virginia Woolf e James Joyce, que usam uma técnica literária baseada no conceito freudiano de fluxo de consciência. Salvador Dali e os surrealistas. Os Sopranos e Frasier.

Também o filme Um Método Perigoso, de 2011, estrelado por Viggo Mortensen, no papel de Freud. Ou qualquer outro filme envolvendo lembranças reprimidas, sonhos ou uma personagem com impulsos incestuosos.

Vale dizer que muitas dessas ideias não são uma representação fiel, no sentido acadêmico, do pensamento de Freud. A distância entre o Freud de boteco e aquilo que Freud realmente disse tende a ser grande.

Muito do que Freud pensava - especialmente no que diz respeito à sexualidade infantil - era considerado, no tempo em que ele era vivo, radical e perigoso. Os aspectos mais difíceis de seu trabalho raramente eram discutidos pela mídia.

"Acho que a maioria de nós tem apenas uma vaga - e talvez defensivamente vaga - noção do que Freud está realmente dizendo", diz o acadêmico Nicholas Ray, que ensina Freud na Leeds University.

"Até porque, na cultura popular o trabalho dele com frequência é diluído, para que se torne mais palatável, para reduzir sua complexidade - e sua dificuldade - e para transformá-lo em uma fantasia aconchegante e tranquilizadora".

Ou seja, no final do filme, a lembrança reprimida é recuperada, a heroína adquire o auto-conhecimento e a audiência ganha um final satisfatório.

Freud pode ser incompreendido e suas ideias representadas de forma errônea, mas não há como negar que sua obra continua sendo objeto de fascínio.

Isso é ainda mais impressionante quando se leva em conta que muito do que ele escreveu foi suplantado por pesquisas posteriores.

E que, em certos círculos acadêmicos, suas teorias foram ferozmente atacadas - especialmente por feministas, que consideram conceitos como a "inveja do pênis" misóginos, e acusam Freud de ignorar evidências de que alguns de seus pacientes haviam sofrido abuso na infância.

Freud ainda tem seus adeptos - entre eles, o psicólogo e escritor britânico Oliver James, que diz que suas teorias sobre sonhos, o inconsciente e a influência dos primeiros anos de vida na formação de um indivíduo ainda são válidas.

Marianski, do Freud Museum, admite, no entanto, que Freud "é lido hoje principalmente em departamentos de humanidades".


Termos Freudianos

O inconsciente: Freud dizia que muito do que pensamos está "escondido" da nossa mente consciente e guardado no inconsciente. Desejos proibidos, pensamentos inaceitáveis podem escapar de forma distorcida por meio de sonhos e "atos falhos" ou "lapsos freudianos".
Complexo de Édipo: Termo freudiano para o intrincado conjunto de emoções que ocorrem entre filhos e seus pais. O nome foi tirado da tragédia grega escrita por Sófocles, na qual o personagem central, sem saber, mata o pai e se casa com a mãe.
Id, ego e super-ego: Segundo a teoria de Freud, a mente humana está dividida entre id (impulsos e apetites instintivos), o superego (que cumpre um papel crítico e moralizador) e o ego (que busca alcançar um equilíbrio entre os dois).
Fonte: The Freud Museum
BBC News Magazine

13 soluções para melhorar a comunicação



A dificuldade de se expressar é um problema recorrente entre profissionais e um dos principais obstáculos que as empresas enfrentam para obter resultados. A inabilidade de comunicação leva à má compreensão de objetivos, que leva ao esforço inútil e sem foco.

A informação mal transmitida e mal digerida causa conflitos nas equipes, o que, além de improdutivo, é desgastante para todos os envolvidos. Veja como aprimorar sua capacidade de se fazer entender no trabalho:
1 Tenha uma meta
Antes de começar uma conversa, pense no resultado. Ter foco no objetivo final faz com que a discussão tenha foco e rapidez. Quando começar a falar, diga a seu ouvinte o que você pretende. “Revele, em uma ou duas frases, o que será tratado”, diz Reinaldo Polito, professor de expressão verbal do Instituto Reinaldo Polito, de São Paulo.
2 Inclua seu interlocutor
Um bom jeito de ser ouvido com atenção é mostrar a seu interlocutor que ele faz parte da solução. Isso ajuda a pessoa a se comprometer. Para incluir o outro na conversa, use o pronome “nós”, que deixa claro que há algo a ser compartilhado. “Use o ‘você’ somente para elogiar”, diz Vera Martins, da Assertiva, consultoria de São Paulo.
3 Mantenha o respeito
Ao conversar sobre algum assunto mais delicado, demonstre respeito. Olhe nos olhos de seu interlocutor e leve os argumentos dele em consideração. “Fale com a pessoa, não para a pessoa”, diz Reinaldo Passadori, do Instituto Passadori, especializado em educação corporativa, de São Paulo.
Demonstre que a conversa não é unilateral e que você também está aberto a ouvir. Tome cuidado para manter a firmeza, mas evite a agressividade.
4 Pergunte mais
Procure compreender a perspectiva da outra pessoa, fazendo perguntas para esclarecer o assunto. Repetir as palavras do interlocutor ajuda a conferir se você interpretou o que foi dito corretamente.
Para direcionar a conversa, formule questões objetivas quando tiver dúvidas, do tipo: “Quando isso aconteceu?”. Se o assunto precisar de esclarecimentos, use perguntas amplas, como: “Por que você chegou a essa conclusão?”.
5 Escute de verdade
Quando uma pessoa fala, nem sempre os outros escutam. Prestar atenção é uma qualidade importante do comunicador. Uma maneira de evitar devaneios durante uma conversa é olhar para a pessoa e não interrompê-la.
Evite planejar mentalmente uma resposta enquanto o outro ainda estiver falando — isso também distrai. Ouvir atentamente não significa virar estátua. Dê sinais de que está prestando atenção. “Acene com a cabeça e use expressões de acompanhamento, como ‘sim’ e ‘entendi’”, diz Reinaldo Polito.
6 Fique atento ao tom
Nada pior do que ouvir pedido de desculpas ou elogio que soa falso. A maneira como as pessoas interpretam o que é dito não depende apenas do conteúdo,­ mas também da forma como se fala. Lembre-se que o tom da voz e a postura corporal transmitem mensagens. “Evite o sarcasmo e a ironia”, diz Reinaldo Passadori. Fale com naturalidade. 
7 Cuidado com a linguagem corporal
Seu corpo fala tanto quanto sua voz — e há muito mais tempo. A linguagem corporal foi desenvolvida pelos homens antes da linguagem falada. O cérebro é preparado para detectá-la e compreendê-la. Durante uma conversa, cuide da postura e de sua fisionomia. “Verifique se há coerência entre o que você diz e o modo como seu corpo se comporta”, diz Reinaldo Polito.
8 Faça críticas objetivas
Se for criticar, coloque o foco no comportamento inadequado, e não na pessoa. É difícil mudar uma personalidade, mas é possível ajudar alguém a ter uma atitude mais adequada com sugestões objetivas e impessoais.
9 Argumente com exemplos
Evite ser impreciso ou generalizar demais. Em vez de dizer que a pessoa se atrasa, aponte casos específicos que provem seu argumento, como lembrar que ela chegou tarde nos quatro últimos dias. No caso de uma reunião, tente usar exemplos e histórias para reforçar sua argumentação e ajudar os participantes a fixar melhor a pauta.
10 Use “e” em vez de “mas”
Se quiser fazer um elogio, evite construções do tipo “Adorei a ideia, mas será que podemos adaptá-la?”. Quando se fala “mas”, o interlocutor desconsidera o elogio e fixa a atenção na crítica.
O melhor é construir frases unidas pela conjunção “e”. “Adorei a ideia e acho que uma abordagem diferente seria mais eficaz”, por exemplo. Esse artifício faz com que a outra pessoa ouça seu ponto com mais tranquilidade.
11 Não fique na defensiva
Vários problemas de comunicação poderiam ser evitados se os profissionais não ficassem na defensiva. Adote uma postura assertiva. Faça perguntas para explorar as diferenças de pontos de vista. “À medida que as defesas diminuem, a capacidade de compreender argumentos aumenta”, diz Vera Martins, da consultoria Assertiva.
12 Saiba ficar em silêncio
Ficar calado pode ser muito útil. O silêncio permite a quem escuta ganhar tempo para processar o que foi dito e a organizar os pensamentos antes de uma resposta apressada. “Ficar em silêncio não significa entrar mudo e sair calado, mas suspender a fala por alguns momentos para proporcionar reflexão”, diz Reinaldo Polito. 
13 Pratique a empatia
A diversidade de pontos de vista é enorme porque todo mundo tem os próprios valores e influências que moldam o jeito de enxergar o mundo. Por isso, a melhor maneira de se fazer entender é tentar se colocar no lugar do outro para imaginar como determinada informação será encarada. “Pense em como gostaria de ser tratado se estivesse no lugar do outro”, diz Reinaldo Polito.
Anna Carolina Rodrigues

26/09/2014

Amor materno

Hoje tenho a infinita certeza que não existe nada maior, melhor e mais verdadeiro que o amor de uma mãe para o filho.

O poder do otimismo


Quando eu era pequeno, uma das coisas que as pessoas notavam a meu respeito era o pessimismo precoce. Era comum dizer "não vai dar certo" e "não vai dar tempo" nas mais variadas situações. Não acreditei que pudesse ser capaz de decorar as capitais de todos os Estados brasileiros e sofri muito antes da prova de geografia. O choque foi ainda maior no momento de memorizar os afluentes do Rio Amazonas. "Meu deus, eu não vou conseguir."

Seria fácil chegar ao fim dessas páginas só enumerando as centenas (milhares?) de vezes em que manifestei uma profunda descrença em relação ao famoso "final feliz" das coisas. Mas não é isso o mais importante. Apesar de hoje o desespero ser menor, meu pessimismo está plantado numa base firme, ainda que subterrânea. Sempre que há um prazo a cumprir ou algo a resolver, aquela voz distante faz ecoar a frase que já cansei de repetir: "Não vai dar certo". Por isso, para mim, não poderia haver desafio maior do que entender ootimismo. Como todo bom pessimista, sempre olhei para essa característica com certa desconfiança, desprezo até. É possível ser otimista num mundo tão errado, impreciso e imprevisível? Deve até fazer mal olhar para o mundo com os olhos de Poliana, tamanho o risco de deixar passar algum perigo escondido.

Criada pela escritora Eleanor H. Porter em 1913, a moça que vê o que há de bom em todas as situações virou um símbolo do otimismo, para o bem ou para o mal. O "jogo do contente", criado pelo pai da personagem, sempre tenta extrair a parte boa dos obstáculos encontrados na vida. Até verbete do dicionário Websters ela virou, definida como uma pessoa de "otimismoirrefreável". Outra vez aparece aqui a velha desconfiança: como alguém pode ser tão positivo? Só se essa pessoa não tem contato com a realidade. Ser otimista, dirão os pessimistas, é uma fuga covarde. Será?

"Ser otimista não se reduz a pensamentos positivos", afirma a psicóloga Lidia Weber. "Seu fundamento se encontra na maneira como se pensa sobre causas. A diferença entre o otimista e o pessimista está na forma de eles explicarem a causa de eventos ruins ou bons que lhes acontecem no cotidiano, ou seja, como é seu `estilo explicativo'".

Se você tem dificuldades para enxergar o que há de positivo nas situações que vive, se se concentra mais nos problemas que nas soluções, pode ser que seu estilo emocional seja pouco resiliente, como define o neurocientista americano Richard Davidson, autor de O Estilo Emocional do Cérebro. Ou seja, eu e você temos dificuldades para nos recuperar das adversidades. Por exemplo: você (ou eu) pode achar que nunca vai conseguir entregar um trabalho que esteja à altura do que gostaria (esta matéria, só para dar um exemplo). Você vai se concentrar no que considera serem as falhas do processo: será que ouvi fontes suficientes? Será que li todos os livros que deveria? Será que eu não deveria ter escrito mais versões do texto?

Não que essas perguntas sejam o problema em si. A questão é que quem tem pouca resiliência tem dificuldade em se livrar de sentimentos de raiva, tristeza, ou qualquer emoção negativa após perdas, adversidades, reveses ou outros tipos de aborrecimento. Além de se recuperar mais rápido de adversidades, os otimistas têm a capacidade de manter sensações positivas por períodos prolongados de tempo. Para Davidson, isso se traduz numa dimensão das emoções chamada de atitude: "Pessoas normalmente bem-humoradas tendem a ser otimistas; pessoas cujos momentos de alegria podem ser medidos em microssegundos costumam se sentir cronicamente tristes ou ser pessimistas".

A maior duração dos momentos felizes não é a única vantagem de ser um "poliano". Os otimistas gozam também de uma melhor saúde. Pesquisas mostram que esse modo de encarar a vida diminui as chances de ocorrerem doenças cardiovasculares e melhora a resposta do sistema imunológico. Segundo a escola de medicina de Harvard, homens pessimistas têm o dobro de chance de desenvolver alguma doença cardíaca em relação aos otimistas e três vezes mais de ter hipertensão. Algumas pessoas são naturalmente positivas. Para elas, isso vem fácil, elas pensam no lado bom das coisas sem esforços, são meio Polianas. Mas outras, não. A neurociência está descobrindo que existem várias maneiras de o cérebro registrar e processar emoções, com uma grande variação. "É uma característica bem pessoal. Há quem seja extremamente perseverante, otimista, precise dar com os burros n¿água muitas vezes antes de desistir de fato de alguma coisa, o que é um fator importante para decidir a qual atividade você se dedica", explica a neurocientista Suzana Herculano-Houzel.

Bom, seria inútil insistir nesse ponto, afinal, quem tem essas características nasce com elas e pronto. E quem está geneticamente determinado a ser pessimista, a enxergar o lado mais cinza das coisas também está fadado, certo? Talvez não. Talvez o otimismo seja algo a ser conquistado e talvez esteja ao alcance até de quem não cogita ser possível essa atitude. É o que afirma Davidson em O Estilo Emocional do Cérebro. Diz ele que, se nem todos podemos ser Polianas ou assobiar canções felizes em momentos tensos, dá para injetar otimismo de maneira gradual. Há mais de 30 anos pesquisando a relação entre as emoções e o cérebro, Davidson afirma, em primeiro lugar, que, por mais que muitas de nossas características sejam determinadas pelo material genético herdado de nossos pais, ainda assim temos um certo poder sobre o cérebro. "Mesmo nos aspectos com algum componente hereditário, os genes não explicam o quadro como um todo", escreve. "Sabemos hoje que até mesmo características genéticas podem ser modificadas consideravelmente pelas experiências vividas pelas crianças e de acordo com o modo como são tratados por pais, professores e demais pessoas", afirma o pesquisador. Entre essas características que podem ser trabalhadas, está o otimismo.

Mas afinal, como fazer isso? Precisamos entender, em primeiro lugar, que ser otimista não é sinônimo de ignorar a realidade. "Ser otimista inclui conhecer a si mesmo e as variáveis que controlam nosso comportamento, ou seja, conhecer também os limites e entender que existem problemas no mundo", diz Lidia Weber. O pessimista é visto como alguém mais pé no chão, mas essa não é toda a verdade. É possível enxergar a realidade com bons olhos e, ao mesmo tempo, sem fantasias.

Professor de teologia da puc-sp, Jorge Claudio Ribeiro define o otimismo como uma "confiança de base". "Ela não é uma coisa definitiva, para sempre, mas é uma espécie de um músculo que você vai exercitando. Quando você tem isso bem desenvolvido, você elabora projetos, nem pergunta se não vai dar certo", argumenta.

Imaginar tal esforço extremo fica mais fácil com um exemplo concreto. Viktor Frankl (1905 - 1997), um psicólogo austríaco judeu, foi preso durante o regime nazista e mantido no campo de concentração de Auschwitz. "Ele foi libertado e começou a refletir sobre a experiência, e uma das perguntas que fez foi: `por que determinadas pessoas resistiram e acabaram libertadas e outras se afundaram e acabaram não se libertando?¿. Ele notou que a `frase oculta¿ da pessoa não era `se eu sair daqui', e sim `quando eu sair daqui", diz Ribeiro.

"Se a gente for absolutamente lógico e racional (vai se perguntar): a gente está vivo para quê? Para que se esforçar para fazer qualquer coisa, se no final a gente morre mesmo?", afirma Suzana Herculano-Houzel. Como, então, mudar de atitude? É possível? "Todo mundo se levanta da cama porque nosso cérebro tem a capacidade de formar esse conceito, de que o esforço vale a pena, de que coisas boas vão acontecer se você se esforçar", afirma Houzel. E isso está ancorado em pesquisas científicas que mostram ser possível mudar certos aspectos do "estilo emocional", como define Richard Davidson, de forma que consigamos exercitar o otimismo. "O estilo emocional que se formou na vida adulta não precisa se manter inalterado para sempre", escreve o cientista. "O cérebro tem uma propriedade chamada neuroplasticidade, que é a capacidade de modificar de forma considerável sua estrutura e seus padrões de atividade, não só na infância, mas durante a vida adulta".

Mais importante ainda, aponta o cientista, é que podemos alterar esses padrões. Antigamente, a medicina acreditava que cada parte do cérebro tinha uma função fixa e que o temperamento de uma pessoa estava determinado por suas características genéticas e ambientais. Uma vez adulta, uma pessoa, por exemplo, tímida, estaria fadada à timidez. Davidson teve de fazer inúmeros estudos para entender que essas noções estavam equivocadas: é possível exercer algum controle sobre como os estímulos percorrem o cérebro.

Para que isso ocorra, é necessário recorrer a exercícios mentais que estimulem certas partes do órgão, de acordo com o resultado que se quer. Por exemplo, quem é resiliente (recupera-se facilmente das adversidades) tem uma forte conexão entre o córtex pré-frontal e a amígdala. Nesse caso, a primeira estrutura trata de mandar sinais para a amígdala, que é responsável por sentimentos como medo e nojo. Os pessimistas têm poucas dessas conexões, o que quer dizer que a amígdala fica mais ativa e envia sinais negativos para o cérebro.

A saída, diz Davidson, é treinar os "circuitos neuronais" (as conexões que nosso cérebro ativa quando recebe alguma informação) para tomar outros caminhos. E isso é possível. Alguns métodos conseguem criar esse círculo virtuoso. A terapia cognitiva, uma forma de treinamento da mente, é uma delas. Aprende-se a entender como os pensamentos fluem e a lidar com as ideias negativas.

Outro método é a meditação, tema de vários estudos para Davidson. Ele percebeu que ela consegue ativar setores do cérebro que equilibram os pensamentos de pessoas muito ansiosas ou muito pessimistas. Algumas horas semanais de prática são suficientes para mudar o padrão dos circuitos neuronais e incentivar pensamentos positivos. Segundo ele, a meditação nos faz lidar melhor com o estresse e isso "faz com que consigamos nos recuperar mais rapidamente de uma adversidade, enxergando o mundo com olhos mais otimistas".

Davidson descreve os resultados de um estudo feito em voluntários não praticantes de meditação: "O percurso habitual tomado pelos sinais neuronais mudou, como a água que seguia por um caminho num córrego e "após uma tempestade súbita" adota um curso diferente, cavando um novo canal". Como a água que quer trilhar um novo caminho, a mudança de rumo não vem de uma hora para outra. Se estamos acostumados a fazer as coisas de uma determinada maneira, será mais fácil continuar no velho caminho do que explorar um novo.

Por isso, é importante entender que, seja com a meditação, seja com a terapia cognitiva, chegar mais perto do otimismo é uma questão de prática, e não só de vontade. Para ter controle dos pensamentos é necessário ter técnica e paciência. Um rio não muda de curso de uma semana para outra e nós não conseguimos passar do espectro pessimista ao otimista tão rapidamente. As dificuldades, porém, não devem nos deter, e sim servir de incentivo para que comecemos a acostumar nossos olhos a enxergar um lado mais iluminado da vida.

Por isso, resolvi desafiar meu tão enraizado pessimismo. Experimentei algumas técnicas básicas de meditação descritas em O Estilo Emocional do Cérebro. Obviamente que ainda não funcionaram totalmente, já que é difícil mudar hábitos de um par de décadas num par de semanas. Mas alguma coisa acontece (no meu cérebro). E decidi tentar mais. Até me inscrevi num curso rápido para explorar melhor a meditação. Quando penso sobre o que vai ser dessas aulas, um silêncio se impõe. Pela primeira vez em muito tempo, aquela velha frase não veio: "não vai dar certo". Será mesmo?

Diogo Antonio Rodriguez, Gustavo Ranieri & Leandro Quintanilha
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