26/08/2014

Seja Feliz Hoje

NÃO HIPERVALORIZE O SEU PROBLEMA

Nós somos vulneráveis em determinadas facetas da personalidade. Quantos casos de pessoas em sofrimentos, dentro dos lances das doenças que vigoram na atualidade, que estão visitadas por determinadas patologias e determinados transtornos porque estão desencorajadas de fazer, atuar, lutar e persistir? Preferem se entregar e se acomodam.

Nós precisamos compreender, antes de mais nada, que não adianta ficar chorando em cima daquilo que nos aperta. É preciso uma ótica mais abrangente.

É por isso que temos diversificação no mundo, uma universalização dos fatos. Enquanto alguém está fixado só na nuvem sobre a sua cabeça, o planeta está rodando em torno de si próprio, numa rotação, trazendo o sol e trazendo a noite. E o que concluímos? Que somos nós mesmos que elegemos uma noite contumaz e fechada.

Os danos provocados pelas conjunturas por que passamos, das mais simples às mais graves, decorrem menos dessas mesmas conjunturas do que do modo como as recebemos. Os acontecimentos não nos pertencem, mas a maneira de suportá-los depende de nós, do nosso estado interior de maior ou menor resistência moral.

Você já parou prá pensar que, de certa forma, não sofremos tanto pelos fatos que acontecem, mas sim pela avaliação que fazemos desses mesmos fatos? O problema do sofrimento não está tanto no campo concreto do acontecimento, está na faixa vibracional que implementamos diante do fato. Não é o acontecimento em si que pesa, é a dimensão que nós damos ao processo ou ao agente a que estamos vinculados.

O problema muitas vezes não são os fatos, e sim as nossas opiniões acerca deles.

Invariavelmente, sofremos muito mais pelo que a mente sugere do que pelo que o fato propriamente apresenta. Porque existem fatos e existem estados de alma e o fato de certa forma revela o estado de alma. Imagine que um parente ou amigo seu chega perto de você e diz assim: "Puxa vida, perdi o meu emprego hoje. Fui demitido. Você não imagina, estou arrasado!" Bem, vamos lá. Perder o emprego e ser demitido não é nada bom, é sempre um acontecimento desagradável. Mas cá prá nós, se é um fato que ele perdeu o emprego, é apenas a opinião dele que ele está arrasado. Está entendendo onde eu quero chegar?

E tem criaturas que vão ao extremo em tudo. A cabeça delas aumenta tudo, e todo extremista é um complicado. Acontece demais de alguém ficar analisando a contingência de sua vida e, de repente, começar a somar certos acontecimentos do dia a dia que justificam o seu estado de alma menos feliz. Não tem disso?

Surgiu um fato desagradável qualquer e o que acontece? Esse fato deveria ter sido visto como algo isolado, provisório, mas não. A pessoa acaba lhe dando dimensões muito maiores, transformando esse componente isolado em algo ampliado.

Ela começa a fazer avaliações em cima de um contexto relativo e acaba jogando o absoluto dento do relativo. Percebeu? Tem gente que vive um problema hoje e costuma reclamar dele daqui a seis meses: "Sabe, até hoje eu tenho as marcas daquele acontecimento." Outra pessoa pode ter passado por aquele mesmo problema no mesmo dia, naquele mesmo horário. De noite, fez uma prece, tomou uma providência e, pronto. Problema resolvido, saiu dele. E o primeiro continua queixando.

Outra coisa que a gente aprende, em termos de dificuldades, é que um acontecimento dificilmente vem sozinho. Então, vão vindo acontecimentos. A gente vai superando e o que mais nos preocupa é que, às vezes, coisas grandes, que poderiam nos causar desequilíbrio, são por nós resolvidas e passam, e a gente fica preso numa situação pequena. Não tem disso? Bate aquela frustração danada: "Meu Deus, o que é isso que está acontecendo? Eu já passei por tantas coisas piores na vida." Ficamos até sem entender. Falamos assim porque vencemos tantas dificuldades vultosas, e uma coisinha simples, uma situação de nada, uma coisinha à toa, uma gotinha d'água, chega e derruba a gente. Aquilo chega e desmorona a gente. A gente sente que tem dose de conhecimento para administrar a questão, sabe da estratégia certa a ser tomada, no entanto cai por uma coisa pequena.

Quantas vezes isso acontece?! No fundo, a criatura até tem os recursos necessários para encontrar a saída, mas porque não encontra? Este é outro ponto. Sabe porquê? Muitas vezes pela falta de uma iniciativa ou pelo orgulho doentio.

Tem gente que cultua uma situação inadequada e fecha o circuito de vida em cima daquilo que não deveria. Não tem gente assim? Até perde sabor da vida com esse tipo de coisa: "Ai, o meu problema. Aprendi que o problema da gente é intransferível. Fazer o quê? Ele é meu." Está correto isso? É uma forma adequada de encarar e viver?

A gente telefona para uma pessoa que está em dificuldade, pergunta prá ela "e aí, fulana, como é que vai?" E ela já vai logo dizendo: "Nossa, você não imagina o que eu estou passando. Sabe aquele problema que você conhece? Pois é, está cada vez pior." E, assim, ela vai arrastando a vida. Quantas pessoas a gente conhece e que estão vivendo assim? Vivem atribuladas, correndo. Para elas as coisas não param. Não tem tempo prá nada. Às vezes acontece dela fechar circuito só em cima do trabalho. Vai passando pela vida amarrada. Não cumprimenta ninguém porque não tem tempo. Acaba ficando uma pessoa insensibilizada. Não tem tempo nem para olhar uma pessoa amiga que encontra casualmente na rua. Mal esta pergunta e ela logo vai dizendo: "Blá, blá, blá..."

Você quer o quê? Ela vive sem tempo. Dá um espaço prá ela e ela logo entra no assunto. E na ótica dela razões existem, e razões suficientes que justificam a sua postura. Faz um dimensionamento de natureza íntima e hiper valoriza o problema, e realmente encontra um argumento para sua vida. E o interessante é que muitas dessas posturas são adotadas por pessoas religiosas. Não quebram as regras, não saem fora do esquema que elas mesmas montam, não saem do mundinho que edificaram, acham que tem que dar conta do recado da forma como ele veio.

Para ilustrar, vamos criar exemplos com nomes fictícios. Cláudia vive aquele padrão rotineiro. Sem mudança, sem sair do esquema traçado. Abrir-se para novas perspectivas? De forma alguma. Para ela tem o dia disso, tem o dia daquilo. No dia de fazer tal coisa tem que ficar só por conta do que está definido. Se bobear, o dia inteiro. Não pode ter mudança.

O Gustavo fica tão envolvido nas faixas que elege para si que passa o tempo e não sorri.

Seu Agenor vive só por conta da família. Isso, sem contar aqueles que transitam apenas no impacto da vida. A vai levando e, por fim, quanta gente desencarna debaixo de grande frustração? O que viveu exclusivamente para a família fica frustrado porque assim que desencarnou o filho mais velho saiu de casa, o do meio brigou com a irmã mais nova, e a situação familiar virou um alvoroço. 

Um outro também desencarna entristecido. Passou a vida inteira sem ter lido sequer um livro edificante. E no plano espiritual, o que não falta é argumento. Tem prá todos os gostos: "Olha, lá embaixo eu não tive tempo,... na minha casa o meu povo não me deixava sair,... Meu trabalho não me deu condições, era de sol a sol, e eu fiquei por conta disso." Não acontece assim? E sabe de uma coisa? Tem razão, ficou por conta mesmo. O que alegou que não tinha tempo descobre depois que tinha tempo e passa a sentir uma grande decepção.

Porque ele transformou a chance operacional da tarefa dele num fechamento de circuito.

Quantos simplesmente não passaram a vida presos nisto ou naquilo e não amaram? E amor é algo que não tem como ser guardado no cofre. Ele tem que ser trabalhado. 

A evolução é estrada intérmina e não há quem não precise de uma dose de sorriso. 

Sem contar que muitos de nós conhecemos aquelas pessoas resolutas e positivas que sabem administrar as situações, sabem se fazer presentes nos compromissos que decidem levar a efeito. Apertam daqui, ajeitam dali, mudam horário. Aproveitam as chances. São lances que não podemos deixar perder.

Não existe peso superior às nossas forças. Não existe. O que existe são planos que eu adoto, que você e adota e que qualquer um de nós adota, de hiper valorização das situações pelos fatores emocionais. Tem também a turma do "deixa isso", "esquece isso", "deixa prá lá". E a questão também não é esquecer as coisas. 

Tanto nossa hiper estimação dos acontecimentos, quanto a nossa indiferença dos fatos, tem nos feito sofrer. Quem somos nós para julgarmos as avaliações e as decisões dos outros?! Esse tipo de coisa fica a critério de cada qual. Está certo que cada individualidade tem o seu problema, e que o problema é individual, agora, deixar um problema inteiro ocupar toda a nossa estrutura, está errado.

Temos que saber conviver com as nossas deficiências e falhas. Elas não devem representar para nós fantasmas perturbadores de nossa ordem interior. Além do que, elas só passam a ter um sentido perturbador ou criar transtorno no campo mental quando começam a ser acalentadas por nós de maneira sistematizada.

Ficou claro? Assim, o que é necessário é saber dimensionar os fatos com naturalidade.

Temos que saber filtrar o que é bom, saber optar pelo melhor, a fim de que os impactos que a vida propõe possam ir sendo reduzidos e que possamos encontrar maiores expressões de felicidade, harmonia e paz. Em certos momentos, quando não pensamos nas soluções e adotamos determinadas providências de qualquer jeito, sem utilizarmos a inteligência, costumamos sofrer. E o que é pior, ainda fazemos outros à nossa volta sofrerem.

Os fatos tem que ser trabalhados e dimensionados com inteligência, tem que haver um redimensionamento do fato, para que aquilo que era de feição tenebrosa e triste passe a apresentar um sentido positivo. E para podermos entrar nessa capacidade administrativa do contexto, para sabermos tirar do negativo padrões positivos, e trabalharmos na eliminação desses padrões internos de sombra que nos machucam, é preciso usar uma alta dose de compreensão.

É preciso analisar a forma como estamos encarando acontecimentos. Por enquanto, a gente analisa determinadas circunstâncias pela nossa maneira de reagir, pelas nossas emoções, e não podemos mais deixar que as emoções estejam na ponta delas. É algo importante demais, o êxito depende dessa postura.

Existem estratégias que podemos avocar para nos auxiliar nos encaminhamentos.

Por mais duros que sejam, sempre podemos amenizar a intensidade dos efeitos.

Tudo começa a melhorar quando começamos, por exemplo, a comentar os nossos problemas com os outros com positividade, trocando ideias com equilíbrio.

À medida que passamos a abrir novos lances os fatores de sofrimento vão saneado de forma mais rápida. É interessante melhorar o estado de alma que vigora nas ações, nas decisões. Desarmar o coração, fazer as coisas com naturalidade, começar a trabalhar certas questões de frente, com coragem de encarar, parar de se esquivar.

Manter a capacidade de compreender, de entender, e não ficar se lamentando. Quando existir em sua órbita de vida um problema sério não deixe esse problema fechar circuito em sua mente. Assim que começamos a reduzir a hiper valorização do processo passamos a esquecer mais as nossas dores e dificuldades e passamos a dispensar um tempinho maior para os momentos felizes e bons.

Temos que começar a trabalhar o terreno íntimo do coração, iniciar um processo de terraplanagem ou coisa parecida. E começar a desativar o grito de contrariedade que o fato promove em nós.

Você pode dizer que o campo mental sozinho não faz milagre, que ele sozinho não vai resolver tudo. Certo. Concordo. E em momento algum eu disse o contrário. Todavia, é algo da maior importância para a nossa harmonia. É preciso ter em conta que se ele sozinho não vai resolver, ele, sozinho, relaciona, avalia e dá forças para que a gente possa chegar a bom termo. Não vamos nos esquecer: o nosso trabalho inicial é fixar ponto de referência ao nível de linhas mentais.

As crianças crescem muito rápido

Conhece a história daquela mãe que botou o filho pra dormir numa noite fria usando pijama de flanela com carrinhos? Deu-lhe um beijo de boa noite, ajeitou o travesseiro de sapinho e acordou de manhã assustada ao ouvir o marido conversando com outro homem na sala achando que a casa tinha sido invadida. Ela custou a perceber mas seu bebê tinha crescido. Todos estamos sujeitos a isso.
Histórias espantosas vêm sendo registradas há décadas no livro dos recordes infantis, uma publicação particular em que algumas famílias anotam o máximo do desempenho dos filhos nas categorias mais disparatadas: bobagens por segundo; tagarelice em lugar barulhento;  implicância criativa; machucados no mesmo joelho; despertar cedo; propostas absurdas num curto espaço de tempo; idas à emergência; e por aí vai. É bom esclarecer que nenhum desses casos fica sujeito a checagem de comissões internacionais. Quem valida os absurdos presenciados por uma família é a própria família e os amigos próximos. Eles ajudam a levar adiante as crônicas familiares inesquecíveis.
No quesito crescimento, a disputa é das mais acirradas. Que pai ou mãe não se espanta com o crescimento dos filhos nos primeiros meses de vida? Competem por isso.
Mãe 1: Imagina que meu filho dobrou de peso no primeiro mês!
Mãe 2: E o meu que triplicou em dois meses?
Mãe 3: Tiago perdeu todos os sapatinhos de recém-nascido nos primeiros 15 dias...
Mãe 1: Realmente impressionante...
Mãe 2: Ô.

Há provas e exageros por toda parte. Quem consegue decorar quanto os filhos calçam se os pés deles mudam a cada trimestre? E a altura? Um amigo começou a marcar com um lápis na parede a altura da filha mas desistiu porque tinha rabisco demais. "Quando ela parar, eu vejo aonde chegou". Muito sensato.
Uma família programou ir à Disney com seis meses de antecedência para levar os filhos, quando o menor dos três ainda media 1m20, dez centímetros abaixo do exigido para frequentar muitas atrações radicais, desejo principal do garoto.
"Não seria melhor esperar ele crescer um pouco?", sugeriu alguém.
"Tenho certeza que até lá ele terá crescido tudo e mais um pouco. Já vi isso acontecer duas vezes antes", respondeu a mãe, uma dessensibilizada que não se espanta com mais nada.

Outro dia emprestei um casaco meu para a filha de 8 anos ir à escola porque o dela, comprado dois meses antes, tinha ficado pequeno e teve de ser doado à irmã que, aos cinco, está se achando quase adolescente por vestir "oito anos".
"Letícia, não é possível! Esse casaco é novo. Veste para eu ver?"
Ela vestiu e a manga ficou a cinco centímetros do pulso.
"Eu num te disse?", disse a menina, triunfante.
Nesse ritmo não sei onde vamos parar.


O rápido crescimento infantil virou um dogma, muitas vezes usado contra nós por pessoas mal intencionadas.

Vendedora: Eu não tenho este vestido no modelo para quatro anos, mas a senhora pode levar o de dez então.
Mãe: Mas minha filha vai fazer dois...
Vendedora: Crianças crescem muito rápido. Acredite em mim. No próximo inverno já vai caber.


De uma hora pra outra nossos filhos perdem o jeito e os traços de bebês. Deixam pra trás brinquedos fofinhos, músicas ternas. Não querem certas brincadeiras mas ritmos agitados. Sinto que Peppa, o desenho animado da porquinha adorada pelos pequenos, é o último bastião da minha casa. A filha mais velha não aguenta a família de quatro porquinhos rindo de tudo a toda hora mas eu faço questão de assistir, quando posso, ao lado da menor, a única que ainda guarda um jeito levemente desengonçado para correr, capaz de fugir do banho pelada e de inventar conjugações inéditas para os verbos que vai usar.

Não é mais toda noite que minhas filhas correm para a porta ou pulam no meu colo. Isso acontece só de vez em quando. Sou mais recebida por discursos e abraços até porque a criança mais velha precisa me avisar antes que vai saltar para eu me preparar ou caímos as duas no chão. Ainda que seus pesos corporais somados não tenham superado o meu, minhas filhas têm força e velocidade suficientes para me derrubar. Carregar uma em cada braço como eu fazia até anteontem é uma audácia exibicionista para eu botar no meu livro dos recordes com direito a duas horas de fisioterapia depois.

De uma hora pra outra, e não sei bem quando, elas foram abandonando certas preferências ("Você gostava tanto do meu mingau mágico...", digo. "Manhê" é a minha resposta.) Percebo um tom adulto querendo brotar de certos questionamentos que, mesmo exalando inocência, chegam mais elaborados e críticos.

À medida que crescem, os filhos também vão revelando traços físicos e psicológicos muito parecidos com os nossos. Entra em cena o capítulo semelhança paterna e materna. Quem se parece mais com quem? Lá em casa eu começo a perceber isso com mais clareza. Ora é um trejeito do pai ou uma palavra que ele usa mais que ganha vida nas crianças, ora é uma expressão ou uma maneira minha. Mas tem o físico também. A confusão é geral. Tem gente que acha as duas a minha cara, outros enxergam só "o pai". Mas ele mesmo outro dia me disse "olhei Letícia assim de lado e vi você" sobre a mais velha.

Minhas filhas crescem tão rápido e estão tão parecidas comigo que outro dia meu marido ficou 40 minutos conversando com nossa caçula achando que era eu.
Isabel Clemente

20/08/2014

Qual é o impacto de ficar dois anos sem sair à rua?

O fundador do site Wikileaks, Julian Assange, anunciou na segunda-feira que deixará a Embaixada do Equador em Londres "em breve".
Assange se refugiou na embaixada em junho de 2012, para evitar a extradição para a Suécia, onde é procurado por crimes sexuais. Se sair do prédio da embaixada, poderá ser preso

Em uma entrevista coletiva, o fundador do Wikileaks afirmou que não tem acesso a áreas externas da embaixada. Até pessoas saudáveis teriam dificuldade em viver confinadas durante tanto tempo, disse Assange.
Ele foi reticente quanto à data na qual vai deixar a embaixada e as razões para abandonar seu refúgio dos últimos dois anos. E, depois do anúncio, surgiram especulações de que estaria sofrendo com problemas de saúde.
Informações divulgadas pela imprensa sugerem que Assange precisa de tratamento para uma série de problemas: arritmia, pressão alta e uma tosse crônica.

Vitamina D

O maior problema para a saúde depois de um confinamento muito longo é a deficiência de vitamina D, seguindo a médica Sarah Jarvis, contactada pela BBC.
Cerca de 85% a 90% da vitamina D necessária para uma pessoa vem da luz do sol. Dezenas de problemas já foram associados com níveis baixos desta vitamina, desde depressão e dores até osteoporose e doença cardíaca.
Simon Griffin, professor da Universidade de Cambridge, afirma ainda que comprimidos de vitamina D não parecem fazer muito efeito. Uma cama de bronzeamento ou lâmpada com raios UV podem ajudar, mas não é aconselhável fazer uso destes aparelhos por dois anos.
O uso destes aparelhos está ligado ao desenvolvimento do melanoma, uma forma de câncer de pele.
É improvável que dois anos sem sair de um lugar causem grande danos ao corpo se a pessoa submetida ao confinamento tomasse providências para receber um pouco de luz do sul, praticasse exercícios e tivesse uma dieta saudável, de acordo com Griffin.
Ar-condicionado também não deve ter feito mal a Assange. De acordo com o professor de Cambridge, o maior perigo é a mudança de humor.
A luz do sol faz com que as pessoas se sintam mais felizes e há uma sacada na embaixada. Ocasionalmente, Assange falou para simpatizantes a partir desta sacada.
E Griffin afirma que apenas a exposição do rosto e antebraços ao sol, regularmente, pode ajudar a melhorar o humor.
Algo que é impossível avaliar no momento é o estado mental de Assange.
De acordo com a psicóloga Linda Blair, tudo depende de como a pessoa confinada interpreta a própria situação.
Quando Assange chegou à embaixada, ele tinha conseguido evitar uma captura e pode ter se sentido eufórico naquela época. Mas, depois de dois anos, ele ainda está na embaixada. "Está relacionado com a atitude mesmo. Ficamos muito agressivos quando nos tiram a liberdade", disse.
Alguns prisioneiros de guerra conseguem até participar de jogos e celebrar o fato de que ainda estão vivos em meio a condições terríveis, de acordo com Blair.
"Você não precisa se sentir preso. Sentir que você tem o controle é crucial", disse a psicóloga.
BBC

12/08/2014

R.I.P. Robin Williams

Feliz de quem atravessa a vida inteira tendo mil razões para viver 
Dom Hélder Câmara

08/08/2014

07/08/2014

Assertividade

Tanto no ambiente de trabalho quanto na vida pessoal aprender a dizer não é tão importante quanto saber dizer sim e essa habilidade evita que ocorram desencontros, conflitos e dissabores nos mais variados níveis de relacionamentos.

Muito provavelmente o significado da palavra "assertivo" é desconhecido da maioria das pessoas. Porém, no dia a dia, o excesso ou falta dessa qualidade tem influenciado diretamente os mais variados tipos de relacionamentos, seja pessoal ou profissional. De forma simplificada, uma pessoa é assertiva quando diz "não"quando quer dizer "não" e diz "sim" quando quer dizer "sim", porém, por ter dificuldade em manter um comportamento assertivo, um grande número de pessoas se envolve em desencontros, conflitos e dissabor e sem seus relacionamentos.

A assertividade está intimamente ligada ao auto-conhecimento e é uma habilidade que pode ser desenvolvida.Aprender a dizer não é tão importante quanto saber dizer sim. Existem indícios que apontam a necessidade debusca de equilíbrio para ser assertivo e não é necessário ser nenhum especialista para identificar. Terdificuldade para dizer não, ficar quieto ou concordar com o outro numa situação polêmica para não arrumarconfusão, ter a sensação de que está "engolindo sapo" com freqüência ou sempre bater de frente com aspessoas para fazer prevalecer sua opinião ou vontade, são comportamentos que indicam a necessidade deassertividade.O desequilíbrio da assertividade pode refletir tanto na passividade quanto na agressividade, aspectos nocivosnas relações pessoais e profissionais. No trabalho, por exemplo, a importância dessa habilidade é bastante relevante. 

Para atender as demandas de um mercado competitivo e ágil, um profissional deve ter as características do comportamento assertivo, o qual constrói uma comunicação interna saudável dentro de uma empresa. Isso acontece porque as pessoas passam a encarar os problemas do cotidiano com naturalidade e nãotem dificuldades para resolvê-los. As informações fluem com transparência, na quantidade e na qualidadenecessárias.Na vida pessoal a assertividade traz bem-estar porque a pessoa sente que tem as rédeas da própria vida emsuas mãos. Ela está no controle e não sente a necessidade de ter a aprovação obrigatória de outras pessoas sobre seus atos. 

Com isso, a pessoa se torna mais autoconfiante e com sua auto-estima equilibrada. Em geral,a falta da assertividade é decorrente do medo da perda (do emprego, da segurança, do conforto, daestabilidade, etc)
Vera Martins

Cinco dicas para ser mais assertivo

A assertividade é a capacidade de agir de forma correta, sincera e pontual, ou seja, uma competência muito difícil de praticar diariamente, pois as pessoas confundem assertividade com agressividade. 

A atitude agressiva é também direta e pontual, mas impulsiva e sem levar em consideração seus efeitos no outro. Já a atitude assertiva tem como principal diferencial o entendimento do impacto que esta ação tem sobre o outro.

1. AUTO-CONHECIMENTO - o primeiro passo para agir de forma mais assertiva é ampliar o conhecimento sobre sua forma de lidar com as situações do dia-a-dia. Como você reage diante de uma situação-problema? 

2. SEJA PRÓ-ATIVO - agir com assertividade significa tomar uma posição a respeito das coisas que acontecem, não se omitir, opinar, realizar. 

3. SEJA HONESTO - é fundamental agir com honestidade para si mesmo. Há pessoas que dizem sim somente para agradar os outros e vivem frustradas. Seja franco com seus sentimentos, desejos e vontades. Apenas tome cuidado para não ser rude. 

4. SEJA DIRETO - não enrole, não deixe para depois, faça agora. Assertividade é ir direto ao ponto, de modo claro e objetivo. 

5. PENSE ANTES DE AGIR - o que diferencia a assertividade da agressividade é esta capacidade de pensar antes de agir. Para isso, o controle emocional é fundamental. Portanto, pense, analise e faça.

29/07/2014

O seguro morreu de chato

Toda longa caminhada começa com um primeiro post usando o aplicativo da Nike.

Passarinho que come pedra andou usando tóxico.

De grão em grão, a galinha tem uma alimentação super rica em fibras.

Em briga de marido e mulher, se chama a polícia.

Se Maomé não vai à montanha, é porque ela está sendo bombardeada.

Quem conta seus males, espanta.

O pior cego é o Andrea Bocelli.

Os cães ladram, a caravana para pra postar foto de cachorro no Instagram.

Quem não arrisca não morre de atropelamento.

Casa de Ferrero, espeto de Lindt.

O Santos, em casa, não faz milagre.

A fé move montanhas de dinheiro.

Nunca diga nunca a não ser em ditados.

A pressa é inimiga da perfeição e deseja a ela vida longa pra que ela veja cada dia mais sua vitória.

Água mole em pedra dura tanto bate até que cansa.

Quem espera sempre cansa.

Quem não tem net, caça com gato.

A justiça tarda, mas antes tarde do que nunca diga nunca diga dessa água não beberei.

Antes tarde do que só depois do "Globo Repórter".

O seguro morreu de chato.

A voz do povo é a voz da Claudia Leitte.

Cabeça vazia, oficina do pastor.

Todos os caminhos levam ao coma.

Um olho no gato, outro no namorado dele.

Jogar Chávez para colher Maduro.

Uma andorinha não faz ideia.

Aos amigos, a justiça brasileira. Aos inimigos, a malha fina.

Gregorio Duvivier

23/07/2014

Para viver um grande amor

Com todo respeito a quem diz que viver só é uma questão de escolha, não sou metade evoluída. 

Pra mim viver um grande amor é questão de sobrevivência. Desde que me conheço por gente e que conheço gente do mundo todo, toda gente que eu conheço quer viver um grande amor.

Que graça teria a vida se não fosse pra isso, se não fosse para encontrar um amor grande desses? Um desses que fosse para sempre. Um desses de perder o sono, a fome, o tempo. Um que balance, que chacoalhe, que acabe com as unhas, com o juízo, com a sanidade mental. Mas que depois acalme a alma e sossegue o coração.
Mas para viver um grande amor é preciso viver amores que não sejam grandes, amores que venham pela metade, que cheguem pra depois partir. Daqueles que não deixem saudade, apenas lembranças, e a certeza de que não eram grandes o suficiente.

Passei minha vida procurado por esse amor. Pensei ter encontrado aos 15, quando a gente acha que vai morrer quando o grande amor, que nem era tão grande, mas a gente não sabia que não era grande, acaba.

Depois vieram o Marcio, Andre, o Justin, o Guilherme, o Felipe. Foram todos meus amores, mas nenhum o tal grande amor, que você só descobre que é o tal quando finalmente se depara com algo que nunca sentiu, nunca viveu e nunca experimentou.

Até que um dia, você dá de cara com ele. E nem reconhece, porque ninguém sabe que cara tem o seu bendito grande amor. Não vem com etiqueta, não brilha no escuro, não dá 'match' quando aparece na sua frente.
E você pode perder o bonde do grande amor. Tenho certeza que ele passa algumas vezes por nossa vida, mas nem sempre estamos prontos ou queremos subir - e às vezes é ele que não para. Você nem percebe que pode ser o tal grande amor, porque amores grandes, pequenos e vagabundos começam quase sempre do mesmo jeito.

Eles vêm recheados de sorrisos descontrolados, abraços calorosos, beijos sem-vergonha, conversas sem fim e uma vontade de que as noites não acabem, que os finais de semana sejam eternos. Você quer dar bom dia. Bom almoço. Boa noite. Bom banho. Boa academia. Você só pensa nele o tempo inteiro.

Mas o grande amor quando é grande mesmo continua assim pelos dias que se seguem, pelos meses que se vão, pelos anos que passam. Dá trabalho. É preciso ter um saco de paciência porque ele nunca chega pronto. A gente precisa sovar, amassar e deixar descansar para que o amor cresça e se torne o grande amor.
E ele cresce. E quando você menos espera percebe que não tem apenas um grande amor. Tem um amigo, um companheiro, um parceiro. Alguém que está ali pra encarar numa boa toda a ladainha da alegria e da tristeza, da saúde e da doença. E tudo começa a fazer sentido.

E, então, é preciso estar preparado para dizer eu te amo sem amar mais ou menos, e encarar o tranco de alguém que te ama como você sempre quis, mas nem sabia como era porque nunca tinha vivido um grande amor. É preciso deixar que o amor sufoque, que invada o coração e o pulmão, porque não há grande amor que deixe o fôlego impune e a mente sadia.
Não, não existe a sorte de um grande amor tranquilo.

Esteja preparado para ter briga e ter raiva, ter choro e ter vela. E depois pegar a raiva, apartar a briga e implorar pelas pazes se preciso for. Mais vale um grande amor no coração do que ter razão numa briga de amor.
E depois de tudo, no fim de tudo, quando você deita naquele braço, no meio daquele abraço, tem a certeza de que aquele é o melhor lugar do mundo. E percebe que o seu mundo ficou melhor assim.

Pode ser que ainda inventem, pode ser que para muita gente haja outras motivações, mas eu ainda não conheço nesta vida nada que seja melhor do que viver uma história a dois.
Ao meu grande amor
Mariliz Pereira Jorge

02/07/2014

Dez atitudes ajudam você a esquecer dos problemas e relaxar

Do momento em que você acorda até a hora que volta para a cama é preciso tomar decisões o tempo todo. 
Salvo as escolhas simples, como qual roupa vestir ou o que fazer para o jantar, muitas decisões exigem certo nível de reflexão, já que as consequências delas terão impacto na sua vida e até na vida das pessoas com as quais você convive. No entanto, segundo os especialistas, quanto mais nos concentramos em um determinado problema, mais complicado é resolvê-lo.
"Quando não paramos de pensar em uma questão, a tendência é perdemos a objetividade e o discernimento mental que são necessários para solucioná-la", explica a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma-BR (International Stress Management Association no Brasil), associação voltada à pesquisa e ao desenvolvimento da prevenção e do tratamento do estresse.
A afirmação da especialista vai ao encontro dos resultados do estudo conduzido pela University College London, no Reino Unido, divulgado em 2010. A pesquisa apontou que refletir demais sobre uma situação pode ser extremamente prejudicial, levando a lapsos de memória e até à depressão.

"Quem não se desliga dos problemas não vive bem, porque desenvolve sintomas de estresse, como insônia, taquicardia e ansiedade. Sem contar que, quando nos preocupamos, produzimos menos", diz o médico Marcelo Dratcu, especialista em medicina comportamental pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e autor do livro "Por Que Não Me Disseram Isso Antes!?" (Editora Saraiva).

Assim, mesmo estando imersos em problemas –financeiros, amorosos, profissionais e familiares– vale a pena tomar distância da situação e deixar a cabeça pensar livremente, antes de decidir por qual caminho seguir. E se você acha difícil fazer isso, confira dez dicas para desacelerar a mente e relaxar, mesmo diante de uma adversidade.

1. Mude a sua forma de enxergar as coisas

O ângulo pelo qual você enxerga uma situação é capaz de aumentar ou diminuir um problema. Se olhar só o lado negativo, ficará difícil avaliar se o aborrecimento é realmente grave. "Uma maneira de descobrir se está dando importância demais a um problema é pensar a longo prazo", diz a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma-BR (International Stress Management Association no Brasil). "Quando algo acontecer, reflita: isso terá impacto na minha vida daqui a duas semanas ou em um prazo ainda maior? Se a resposta for positiva, o problema merece atenção. Caso contrário, não vale a pena colocar tanta energia nele", diz.

2. Anote o que lhe incomoda

Se a sua cabeça está cheia de problemas e questionamentos, tente transferi-los para o papel. Dessa maneira, fica mais fácil enxergar as prioridades do momento e identificar o que não é essencial resolver naquela hora. Essa é uma forma de dar uma folga para a mente, de acordo com os especialistas. Isso porque, sabendo que o que é importante está anotado, você não precisará se esforçar para se lembrar constantemente dos problemas e das ações que está pensando em tomar para resolvê-los.

3. Aceite os contratempos

Problemas e dificuldades sempre vão existir e você terá de encontrar a melhor maneira de resolvê-los, sem sofrer tanto. E quanto antes você admitir isso, melhor. Penar para digerir um problema que já se estabeleceu só aumenta a ansiedade e o nível de tensão no corpo e, como consequência, diminui o bem-estar, a capacidade de gerenciar crises e a clareza mental.

4. Tenha uma válvula de escape

Direcionar a atenção para algo que vai afastá-lo, pelo menos temporariamente, dos pensamentos negativos ainda é a melhor estratégia para se desligar dos problemas, de acordo com o médico Marcelo Dratcu. "Ter um hobby e praticar esportes são atitudes que ajudam muito", afirma. A capacidade de tocar outras atividades, mesmo diante de situações complicadas, prova que você controla os próprios pensamentos e não é controlado por eles.

5. Resolva um problema por vez

O nosso ritmo interno não deve acelerar de acordo com as demandas do mundo contemporâneo, que está cada vez mais agitado. Por mais eficiente que uma pessoa seja, inclusive para lidar com várias tarefas, ainda é mais fácil resolver cada problema individualmente. Assim, diante de muitos aborrecimentos, liste aqueles que têm mais urgência de serem resolvidos e só quando concluir um, parta para o outro.

6. Nunca se esqueça de respirar corretamente

É mais fácil acalmar a mente diante do imprevisível quando respiramos corretamente, de maneira profunda e tranquila. A respiração que mais ajuda no relaxamento é a abdominal, que movimenta o diafragma. Para praticá-la, basta inspirar empurrando o abdômen para fora e expirar encolhendo a barriga. "Essa é a melhor técnica de relaxamento, porque pode ser feita em qualquer lugar", diz Ana Maria.

7. Acredite em algo maior

Você pode ter fé em uma religião, em algo espiritual ou até mesmo material, como a ciência. "Crenças positivas, no geral, ajudam a se desligar dos problemas", diz o médico Marcelo Dratcu. Isso porque acreditar em algo maior que a própria existência traz conforto e ajuda a dar significado às crises. Como consequência, fica mais fácil controlar a ansiedade e a tristeza.

8. Durma bem

Ter uma rotina saudável de sono, ou seja, dormir as horas suficientes para o seu corpo se sentir renovado, ajuda a disciplinar a mente. "O sono é reparador e faz com que a gente acorde bem disposto. Então, fica mais fácil encontrar uma nova perspectiva para uma situação que, antes, parecia sem saída", diz Marcelo Dratcu. A psicóloga Ana Maria Rossi concorda. "Quando dormimos bem, a tendência é lidarmos com as situações de um modo mais produtivo e decidirmos mais rápido e com mais objetividade", afirma.

9. Distraia-se com música

Emoções positivas são despertadas sempre que ouvimos músicas das quais gostamos. Ao escutar uma boa trilha, as áreas cerebrais envolvidas com as sensações de prazer e recompensa são ativadas, o que não só nos distrai temporariamente dos problemas, como diminui o nível do hormônio de estresse no organismo, reduzindo a ansiedade. Na dúvida do que ouvir, invista em músicas instrumentais, já que a ausência de letra deixa a mente mais leve.

10. Concentre-se no presente

Viver com a cabeça no passado causa tristeza, assim como pensar demais no futuro traz ansiedade. A saída, então, é pensar no hoje, mas sem se cobrar demais. É preciso ter em mente que, embora muitas coisas não saiam conforme o planejado, nós sempre buscamos resolver os problemas de acordo com os recursos disponíveis no momento e o conhecimento adquirido até então. Por isso, não vale se crucificar demais diante de um dilema. E quando necessário, dê-se ao direito de pedir ajuda.
Marina Oliveira e Thaís Macena

25/06/2014

Qual o sentido da vida?


O sentido da vida é que a vida acaba. Foi a lembrança que me ocorreu numa tarde de inverno, quando, caminhando, olhei para o céu e vi um azul tão azul, mas tão azul, que a única coisa que parecia fazer sentido era ficar ali, à toa, sentindo aquele solzinho. Mas justo naquela quarta-feira azulzíssima eu tinha uma missão: escrever sobre o sentido da vida. Bem que poderia começar e terminar com a primeira frase. Precisa mais? 

Se a vida acaba, nada melhor a fazer do que curtir o céu, o sol, a ausência de nuvens. Por um momento, desejei ser Enriqueta, personagem do cartunista argentino Liniers. Nos quadrinhos, a garotinha cheia de humor e personalidade se dedica às coisas simples da vida, sempre acompanhada de Fellini, seu gato de estimação. Deitar na grama e contar estrelas, ler debaixo de uma árvore e passar horas no balanço, enquanto Fellini persegue borboletas, são algumas das ocupações favoritas de Enriqueta, capaz de observar uma folha rodopiando ao vento e perguntar a ela: "Onde você aprendeu a dançar?".

O pai dessas criaturas delicadas é o argentino Ricardo Siri Liniers. Conhecido pela série Macanudo (bacana, na gíria castelhana), que traz Enriqueta e outros pesonagens, como pinguins e duendes de longas toucas, Liniers, aos 40 anos, é um mestre do gênero cômico que concentra, em quadrinhos, humor, crítica e questionamento existencial. "Prefiro as pessoas que se perguntam sobre o sentido da vida do que as que propõem a resposta", diz ele, ao telefone, de um quarto de hotel em Mendoza, na Argentina, onde passava férias. "Estamos todos nesta mesma bola, girando no Universo. A graça está no mistério. Se soubéssemos as respostas, a vida seria tediosa", acredita Liniers.

O sentido de sua própria existência, ele desenhou aos poucos. "Sempre me pareceu muito difícil que conseguisse viver de `historietas¿. Mas não havia um plano B. Era uma questão passional", conta. Com tiras diárias no jornal La Nación, Liniers se tornou cult e ganhou o mundo: seus quadrinhos são publicados na França, Itália, Espanha, República Tcheca, Peru, México, Canadá. E, claro, no Brasil, onde tem uma coleção de fãs. Como chegou longe assim é algo "misterioso como o mar". A inspiração, muitas vezes, vem das filhas de 3 e 5 anos. "Elas me fazem reviver as dúvidas existenciais", diz. Ou da natureza, como em uma viagem à Antártida, "um planeta gigantesco, assustador", onde se sentiu "chiquito". "É preciso se sentir pequeno para ter a dimensão real dos problemas. A vida é um minuto", reflete. Admite que já se sentiu sem rumo diante da perda de um amigo. Se tivesse de indicar o sentido da vida em uma estrada, o que escreveria na placa? "Ay que ser buena gente", em bom espanhol. "Mas não porque ser bom traga alguma recompensa. Ser bom é a recompensa", sublinha Liniers.


Primeira à direita: desfrute da paisagem

Sigo em frente com a metáfora da estrada. De brincadeira, recorro ao Google Maps. Pronto: o Sentido da Vida fica na avenida dr. Antonio de Barros, 90, Centro, Atalaia, Paraná. Trata-se de uma escola, a 555 quilômetros de São Paulo. Como em uma caça ao tesouro, continuo sem noção de como chegar ao x do mapa. Peço pistas aos passantes: a amiga, a faxineira, o motorista que me leva a uma entrevista. Enquanto ele me leva ao meu destino, faço a pergunta e ele responde surpreso: "O sentido da vida?...". Sua razão de viver são "as crianças", como se refere aos filhos, um rapaz na faculdade e uma menina no colegial. "Mas deve ter algo mais, né?", diz. Desço do carro culpada por botar tamanha minhoca na cabeça daquele homem.

As respostas, a essa altura, soam tão díspares como "salvar o planeta" ou "preparar o purê de batatas perfeito". Numa noite, conversando com Anita, minha filha de 9 anos, insisto na pergunta. "Nossa, mamãe, que assunto dramático!", exclama ela, sem saber o que significa a palavra sentido. Traduzo: "Por que a gente está aqui nessa vida?". "Ah, para viver a vida, né?", diz ela, puxando as cobertas. No dia seguinte, recebo o link para um estudo que investiga o sentido da vida, publicado na revista britânica Journal of Humanistic Psychology. Dirigida por Richard Kinnier, da Universidade do Arizona (eua), a pesquisa partiu da análise de frases e escritos de 200 pensadores - do escritor Oscar Wilde ao imperador Napoleão. Conforme o estudo, para uma minoria de pessimistas como Freud, o criador da psicanálise, e o escritor Franz Kafka, a vida não tem sentido. Para outro grupo, formado por gente como Napoleão e o físico britânico Stephen Hawking, a vida é um mistério. Poucos e bons, como o cantor Bob Dylan, acreditavam que a existência não passava de "uma piada". Já os idealistas diziam que o que vale é "amar, ajudar os demais". Caso do indiano Mahatma Gandhi, que afirmou: "Encontro minha felicidade me colocando a serviço de todas as vidas". Por fim, o resultado: "A vida é para ser desfrutada". Ao menos era essa a crença de 17% das personalidades, algumas tão opostas como o ex-presidente norte-americano Thomas Jefferson e a cantora Janis Joplin, que morreu aos 27 anos e cantava "aproveite enquanto puder". Ou seja, depois de analisar os escritos de 200 pensadores, a conclusão do estudo acadêmico foi a mesma de minha filha de 9 anos (!).


Curva suave à esquerda: não pense, sinta

O enigma que atormenta a humanidade guarda em si uma segunda questão: se a viagem importa mais do que o destino, como fazê-la valer a pena? As respostas estão quase sempre ligadas a crenças religiosas ou filosóficas. Na Antiguidade, a felicidade era a meta, em diversas correntes de pensamento. Para Platão, a alma só ficaria feliz se equilibrasse razão, coragem e instinto. Aristóteles, por sua vez, não julgava a felicidade como uma condição estática. Ele pregava que ela só poderia ser encontrada na contemplação da vida. Na Idade Média, quando o Cristianismo dominou a Europa, a religião transferiu o sentido existencial do individual para o coletivo. A vida terrena entrou em segundo plano, diante da incrível possibilidade de vida eterna. Nesse ponto, o assunto rende tanto que não caberia aqui.

No século 19, foi a vez do existencialismo. Nesta vertente filosófica, o dinamarquês Kierkegaard pôs nos ombros do homem a responsabilidade por seu destino. Na visão dos existencialistas, cada ser humano tem o livre-arbítrio e deve dar à própria existência um sentido. Com auge nos anos 50, a filosofia seduziu pensadores como Sartre e líderes espirituais como o indiano Osho, um cultuado místico contemporâneos, que afirmou: "A vida nem tem sentido nem é sem sentido. A questão é irrelevante. A vida é simplesmente uma oportunidade, uma abertura. Depende do que você faz dela. Depende de que sentido, que cor, que canção, que poesia, que dança você dá à vida".

O autodesenvolvimento é um atalho precioso nessa busca. Conta-se que, no portal do Oráculo de Delfos, na Grécia antiga, havia dois escritos: "Nada em excesso" e "Conhece-te a ti mesmo". Equilibrar os anseios da alma com as cobranças do mundo moderno é o desafio. "Temos um mundo interno, subjetivo, marcado pelo desejo. Mas há o mundo externo, com suas demandas. Se a vida ficar à mercê de apenas um deles, será prejudicada, ou pelo narcisismo ou pela submissão aos outros", pondera o psicanalista Roberto Girola. Ele compara o sentido da vida a um alinhamento desses mundos, em torno de um eixo. "É o eixo onde organizamos nossa ética e estética, ou seja, os valores e a maneira de ver a vida. Esse alinhamento confere uma dimensão sagrada à existência".

Há quem acredite que "largar tudo" e morar nas montanhas é a trilha ideal para chegar lá. Para outros, a vida urbana, a rotina profissional, a dedicação a uma causa humanitária, podem fazer tanto sentido quanto. Até porque o sentido da vida também é mutante. Para o estudante, é passar no vestibular. Para o formando, encontrar trabalho. O segredo está em identificar o que dá significado à sua vida. A bióloga Fernanda Yokoyama de Carvalho, 35, se encaixa no primeiro grupo. Mãe de quatro filhos, ela e o marido, Ricardo, iniciaram a vida juntos num vilarejo sem luz elétrica, em Lençóis Maranhenses (ma). Seis anos depois, sentiram falta de estrutura e seguiram para São Paulo. Os banhos de lagoa deram lugar a dias diante do computador. "Ricardo chegava em casa, as crianças já estavam dormindo. Fui entristecendo", lembra Fernanda. Grávida do caçula, a bióloga, que sempre gostou de cozinhar, decidiu apostar na gastronomia natural. Assim surgiu a Cozinha da Flor, uma empresa de congelados orgânicos, instalada em um sítio em Santo Antônio do Pinhal (SP). "Foi como plugar a vida de volta na tomada", diz ela. Para quem ensaia uma mudança similar, Fernanda recomenda: "Não pense, sinta. Procure resgatar seu sonho mais antigo, mesmo que pareça utópico. Esse sonho é sagrado".


A saída é por dentro: a porta é o silêncio

O resgate do sonho de ser astronauta, emblemático entre as crianças, é o ponto de partida do livro Sonhar é a Magia da Vida (ed. Ônix). Na ficção, um advogado abandona sua carreira e vai atrás do sonho de infância. O autor, o advogado Daniel Kaltenbach, ao contrário do personagem, não "largou tudo". Aos 41, é vice-presidente de um grupo financeiro. "A maioria das pessoas não vive, deixa-se viver. Aquelas que têm prazer no que fazem são as que cumpriram seus sonhos", acredita. "Quando desenterramos esses sonhos, o Universo conspira a favor. Caso contrário, é como andar na contramão", diz.

"Todos os caminhos levam a lugar nenhum, mas alguns caminhos têm coração", sugere o índio Dom Juan, no best-seller dos anos 70 A Erva do Diabo, de Carlos Castaneda. "Mas como saber se o caminho tem um coração?", questiona o aprendiz. "Qualquer pessoa sabe disto. O problema é que ninguém faz a pergunta. Um caminho sem coração nunca é agradável. Tem-se de trabalhar muito para segui-lo. Por outro lado, um caminho com coração é fácil", responde Dom Juan. "Na cultura indígena, o que dá sentido a vida é o espírito", emenda o ambientalista Kaká Werá, índio de origem tapuia, idealizador do Instituto Arapoty, que difunde os valores indígenas. "A vida é esse espírito manifestado em diversas formas. Em algumas tribos, ela é como um sopro divino que se corporifica. O desafio é vivê-la de acordo com a harmonia que nos inspira este mistério", diz. A natureza, em que tudo se conecta, revela o sentido da vida. "A natureza nos ensina a lei da interdependência que existe em cada coisa vivente. Ensina que a diversidade gera mais abundância. Isso é lição de amor e de unidade, na prática", diz. E deixa a dica: "A saída é por dentro. A porta é o silêncio".


Ponto final: bem-vindo ao ponto de partida

Aos 43 anos, a escritora americana Cheryl Strayed é sinônimo de best-seller. Ela é autora de Livre -A jornada de uma mulher em busca do recomeço (ed. Objetiva), em que narra sua saga de 1.700 quilômetros por uma árdua trilha, e que vai ganhar as telas de cinema em breve, com roteiro de Nick Hornby. Seu segundo livro lançado no Brasil, Pequenas Delicadezas, reúne o melhor de sua coluna Cara Doçura, em um site de literatura, onde ela atua como conselheira para desorientados de todos os tipos. O maior volume de cartas recebidas tem a ver com o amor romântico. "Queremos ser amados e aceitos. Cada carta me lembra quão fortes e resilientes somos capazes de ser, e ao mesmo tempo tão frágeis", acredita Cheryl. O sentido da vida, finaliza, é o amor. "Estou aqui para amar. O amor é a força mais poderosa que existe na terra - o amor romântico, o amor familiar, o amor de amigos e de filhos. Se formos bem no amor, estamos bem em todo o resto", diz a autora.

Recebo as respostas de Cheryl por e-mail, em mais uma quarta-feira azul. Olho para trás e percebo que, sem a menor ideia do que dizer sobre "o sentido davida", o texto se fez na busca. Não há um sentido só. Não existe ponto final. É no caminho que encontramos a escuridão e também a luz. Nada melhor, então, do que dar uma volta e conferir mais uma das máximas de Liniers, em uma tirinha de Enriqueta e Fellini: se o planeta está dando voltas no espaço, todos os dias são uma viagem.
Rosane Queiroz
Tirinhas: Liniers
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