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12 de nov. de 2013

Fora do jogo - Pier Paolo Pasolini


Pier Paolo Pasolini, intelectual italiano morto no dia 2 de novembro de 1975, supostamente assassinado por um jovem da periferia romana que poderia muito bem ser um de seus personagens, é mais conhecido entre nós por sua atividade cinematográfica, por vezes por sua obra literária e, mais raramente, por suas ideias. 

Autor de filmes e romances ainda hoje muito lidos, sua obra, desde sempre múltipla, perpassa o cinema e a teoria do cinema, a literatura e a crítica literária, a poesia, o teatro e a ensaística, alcançando a crítica moral e política. 

As atividades de Pasolini, no entanto, vão muito além do âmbito propriamente artístico, como facilmente poderíamos supor, porque ele foi talvez um dos intelectuais mais lúcidos e críticos de nosso tempo. Pasolini foi, acima de tudo, um homem inquieto e incômodo, podendo certamente ser alinhado àqueles que fizeram da crítica radical da cultura, para além dos meios expressivos de que se utilizaram, ponto de partida e ponto de chegada de um projeto intelectual em sentido pleno. No dia de seu enterro, o escritor Alberto Moravia, diante de amigos e fãs comovidos e chocados pela brutalidade, mas também pela covardia de seu assassinato, disse enfaticamente que naquele dia haviam matado um poeta. Mas poetas, como todos sabem, nascem poucos, no máximo um ou dois durante todo um século, continuou. 

Diríamos mais; diríamos que um grande intelectual foi morto naquele dia. Intelectual inquieto e incômodo. Mas a inquietação, marca inconfundível de sua vida pública e privada, nunca foi movida por problemas abstratos, tampouco se colocava publicamente por mero narcisismo, transformando sua vida em um espetáculo. Foi, desde sempre, pela realidade, ou melhor, pelo sentimento de inadequação que a realidade lhe impunha. Pasolini, como ninguém, transformou sua inadequação em argumento contra o fascismo que domina nossa cultura. Movido pelo que chamou de uma paixão desmesurada pela realidade, transformou-se, não por ingênua indignação, mas pelo mais forte sentimento patriótico e humano, num crítico mordaz da cultura italiana que, segundo ele, estava passando por um verdadeiro processo de decadência, uma trágica mutação. 

Culpa a ser expiada 
Mas é importante notar que o processo de decadência intuído e apregoado por Pasolini não era apenas uma suspeita, já estava plenamente instalado, não somente na cultura italiana, exemplo talvez mais próximo e mais esdrúxulo, mas em toda a cultura ocidental. Pasolini dizia que a vulgaridade da liberdade que nunca fora conquistada, mas concedida pela classe dominante, era o motivo pelo qual, tal como numa tragédia grega, carregávamos uma culpa que deveria ser de todo modo expiada. A decadência que Pasolini viu em nossa cultura era tão radical e violenta – mais radical e violenta que aquela, por exemplo, efetuada pelo fascismo e pelo nazismo –, que ele acreditava talvez já ser muito tarde para que algo ainda pudesse ser feito, para que pudéssemos ansiar por algum tipo de salvação. A decadência de nosso tempo é mais absoluta, diria Pasolini, porque ela não é mais imposta, mas alegremente aceita por cada um de nós. O esquema pelo qual Pasolini explica a realidade é claramente teológico. 

Os homens, iludidos por aquele que se põe no lugar de Deus, o dinheiro, vivem e não percebem, como que encantados, aquele que se apossou não somente de seus corpos, mas também de suas almas. Pasolini agitava-se, ainda que no deserto, contra a nova idolatria que se instaurava. Coragem era a virtude desse italiano que, por amar o seu tempo, tornou-se justamente inimigo dele e, como um mártir, foi morto por tudo aquilo que disse e que ainda poderia dizer. A linguagem tornou-se então a mais importante questão de sua trajetória. A impossibilidade de se comunicar com seu tempo, apesar de toda sua lucidez, fez com que ele encontrasse outra forma de estabelecer relação com o mundo. Pasolini mergulhou então numa dimensão mítica, religiosa, sacra, para poder escapar desse monstro que tudo quer possuir. 

A paixão desmesurada pela realidade foi sua religião. “Tudo é sagrado, tudo é sagrado, tudo é sagrado e a natureza não é natural.” Assim, já de início, ouvimos na voz do Centauro, no filme Medeia, o problema que de algum modo Pasolini desenvolveria em toda a sua obra, especialmente aquela da maturidade: a época trágica em que vivemos. Medeia, assim como Salò, pontos altos de sua obra, foram pessimamente recebidos na época de sua exibição. A crítica mais engajada disse do primeiro que era arcaísta, evasivo e espetacular; do segundo, como se pode imaginar, disse ser perverso. Mas, para além do fato de Pasolini ter sido sempre mal compreendido, a crítica naquele momento não levou em conta o que ele sempre deixou muito claro e que explicita justamente a lucidez de seu projeto, contra toda evasão e contra toda perversão. 

Tanto a Grécia quanto a República de Salò, lugares nos quais o autor ambienta seus filmes, não servem à história por um desejo de evasão do tempo presente, como quis a crítica, mas apresentam uma tentativa de representação das questões mais candentes de seu tempo. Representar o tempo para melhor apresentá-lo. Num, o conflito entre dois modelos culturais, um burguês e racional, encarnado por Jasão, e outro antiburguês e irracional, encarnado por Medeia. Noutro, a radicalização desse processo em que não há mais oposições, ao representar um mundo no qual as forças, inclusive toda forma de resistência, já foram subjugadas. Descrença na razão, na gramática e na história São essas as premissas da explicação que Pasolini dá ao momento presente italiano. Num e noutro ficou pra trás o que restava ainda de uma vida sadia, e assistimos ao prelúdio da tragédia que se tornou a vida. O itinerário de Pasolini, desde sua obra poética em dialeto friulano, é um itinerário de descrença na razão, na gramática e na história, apostando no irracional, pré-gramatical e pré-histórico. 

É um adensamento da crítica à cultura ocidental, apresentando um contínuo afastamento da linguagem e uma gradativa aproximação da sacralidade da comunicação arcaica. Curioso, por causa de sua origem literária, o cinema de Pasolini é absolutamente antiliteral, não verbal, notadamente em Medeia, uma das mais belas vozes dos anos 1950, quase muda, de uma mudez em tudo eloquente. Em Salò, mais radical, toda linguagem é normativa, serve apenas para antecipar aquilo a que os prisioneiros devem se submeter. Sabemos que Pasolini se encantou pelo cinema justamente por seu caráter pré-gramatical, por sua capacidade de produzir uma comunicação primitiva, violenta, bárbara. 

As formulações mais consistentes de Pasolini acerca do específico cinematográfico encontram-se num livro de ensaios teóricos, Empirismo Herético. Escrito na mesma época em que Christian Metz iniciava suas pesquisas teóricas em semiologia do cinema, dizendo que o cinema seria uma linguagem sem língua, Pasolini irá mais adiante, postulando (e provocando um debate acirrado) que a língua do cinema, ou seja, o código utilizado pelo cinema para comunicar-se, era a própria realidade. A proposta de Pasolini era, portanto, uma radicalização da utopia neorrealista de narração da realidade por um processo basicamente privado de mediação. 

No cinema, para dizer de uma vez, o espectador decodifica as imagens fílmicas com os mesmos parâmetros com os quais decodifica a realidade. Barbarizar é pensar contra a racionalidade burguesa Pasolini, em sua obra e em sua vida, é marcado por esse desejo primitivo, alucinado, violento e pragmático pela realidade. E é nesse amor tornado encontro com a realidade que ele descobre a alienação do mundo. A realidade, ao contrário do que prega nossa cultura racional, é sacra, misteriosa e ambígua; de modo algum é natural. A alienação começa justamente quando se começa a ver a realidade como algo natural. O cinema, de certo modo, se desapega da tentativa de mediar abstratamente a realidade, reintroduz o homem numa dimensão sacra, misteriosa e bárbara do mundo. Assim, para falar brevemente, Pasolini não é um decadente. 

O barbarismo pasoliniano é uma atitude genuinamente filosófica. Barbarizar é pensar contra a racionalidade da sociedade burguesa. O cinema é uma arma não em favor da cultura, mas contra ela. Pode soar estranha aos nossos ouvidos a conclusão tirada por esse grande intelectual: temos pouco a fazer, a não ser nos revoltar, e isso é tudo. É isso que intuímos, afinal, quando acompanhamos o desespero de Medeia, que se mata e mata os próprios filhos por sentir na pele sua incompatibilidade com o mundo estabelecido; ou ainda quando vemos o soldadinho fascista de Salò, que, ao tentar resistir, amando justamente uma vítima como ele, uma garota negra, é surpreendido pelos superiores e levanta o braço esquerdo, mesmo sabendo que vai morrer. 

Mas isso nós apenas podemos compreender se antes entendermos que, distante do projeto revolucionário daquele que foi o “pai” ou humilde irmão da Itália (como diz no poema Cinzas de Gramsci), restou-lhe somente a revolta, como um herói trágico justamente, que mesmo sabendo o destino reservado, demonstra sua altivez na luta contra o que lhe é imposto. Por isso, mesmo descrente da adesão que poderiam surtir suas palavras, não deixava de gritar em praça pública. Esse Cristo danado, herético e banido, quase religioso em sua irracionalidade, teria mesmo de morrer. A vida e a morte de Pasolini foram insistentemente marcadas pelo compromisso incondicional com uma verdade que ninguém queria escutar. O compromisso de Pasolini, mortas por sufocamento as esperanças revolucionárias, passou a ser esse amor sem crenças, desesperado e trágico, pela realidade. 

O tempo de Brecht e Rossellini, quando ainda era possível aprender e ensinar, acabou, dizia o Corvo em Gaviões e Passarinhos, mas de algum modo Pasolini cumpriu seu papel, porque seu desespero, profético em seu tempo, encontra hoje na sociedade de consumo a mais justa adequação. 

Ou não é verdade que nossas vidas estão completamente subjugadas pelo mais poderoso dos poderes e seus ritos de morte? 

Ou não é verdade que nossa vida não é mais vida? 

Hoje, por isso mesmo, mais do que nunca, talvez seja o momento de voltar ao seu pensamento, não por mera erudição, atitude que certamente pareceria detestável aos olhos do “poeta das cinzas” (já que se trataria de uma atitude tipicamente burguesa; filisteia, para falar com sotaque nietzschiano), mas para pelo menos compreender, quiçá melhor, o mal que nos aflige. 

“Ah! Bárbaros, meus amigos 
Nenhum homem de igreja jamais destruiu uma igreja 
A luta foi sempre entre a velha e a nova ortodoxia 
É isso que me desespera e me deixa fora do jogo.” 
Alex Calheiros

3 de ago. de 2013

Alfonsina y el mar - Alfonsina Storni

Alfonsina Storni
Alfonsina Storni nasceu na Suíça, no Cantão Italiano, em 29 de Maio de 1892. Chamaram-na Alfonsina, que quer dizer "disposta a tudo".

Em 1896 imigrou com os seus pais para a província de San Juan na Argentina.
Aos 12 anos, Alfonsina escreve seu primeiro poema centrado na morte e o deixa sob a almofada de sua mãe que lhe repreende, dizendo que a vida é muito bela para aquilo.

Em 1901, vai para Rosário (Santa Fé), onde tem uma vida com muitas dificuldades financeiras. Trabalha para o sustento da família como costureira, operária, actriz suplente numa companhia de teatro e professora. 
Seus poemas são incisivos e eficazes, podendo ser considerada para a época em que viveu, uma feminista.
Aos 20 anos tem seu único filho, Alejandro, seu companheiro inseparável. A esse respeito disse: Eu tenho um filho fruto do amor, do amor sem lei.
Descobre-se portadora de câncer no seio em 1935.
O suicídio de um amigo Horacio Quiroga, em 1937, deixa-a profundamente abalada.
Em 1938, três dias antes de se suicidar, envia de um hotel de Mar del Plata, para um jornal, o soneto Vou a Dormir.
Seu corpo foi encontrado na praia La Perla, Mar del Plata, no dia 25 de outubro de 1938.

Dentes de flores, cofia de sereno,
Mãos de ervas, tu ama-de-leite fina,
Deixa-me prontos os lençóis terrosos
E o edredom de musgos escardeados.
Vou dormir, ama-de-leite minha, deita-me.
Põe-me uma lâmpada a cabeceira;
Uma constelação; a que te agrade;
Todas são boas: a abaixa um pouquinho
Deixa-me sozinha: ouves romper os brotos...
Te embala um pé celeste desde acima
E um pássaro te traça uns compassos
Para que esqueças... obrigado.
Ah, um encargo:
Se ele chama novamente por telefone
Diz-lhe que não insista, que sai..





Por la blanda arena
Que lame el mar
Su pequeña huella
No vuelve más
Un sendero solo
De pena y silencio llegó
Hasta el agua profunda
Un sendero solo
De penas mudas llegó
Hasta la espuma.

Sabe Dios qué angustia
Te acompañó
Qué dolores viejos
Calló tu voz
Para recostarte
Arrullada en el canto
De las caracolas marinas
La canción que canta
En el fondo oscuro del mar
La caracola.

Te vas Alfonsina
Con tu soledad
¿Qué poemas nuevos
Fuíste a buscar?
Una voz antigüa
De viento y de sal
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar.

Cinco sirenitas
Te llevarán
Por caminos de algas
Y de coral
Y fosforescentes
Caballos marinos harán
Una ronda a tu lado
Y los habitantes
Del agua van a jugar
Pronto a tu lado.

Bájame la lámpara
Un poco más
Déjame que duerma
Nodriza, en paz
Y si llama él
No le digas que estoy
Dile que Alfonsina no vuelve
Y si llama él
No le digas nunca que estoy
Di que me he ido.

Te vas Alfonsina
Con tu soledad
¿Qué poemas nuevos
Fueste a buscar?
Una voz antigua
De viento y de sal
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar.

2 de ago. de 2013

Dr. Inácio Ferreira

Inácio Ferreira nasceu em 1904, na cidade de Uberaba, Minas Gerais. Ausentou-se somente de sua cidade, a fim de estudar medicina, carreira que tanto amou, na então capital do Brasil, Rio de Janeiro. Era Filho de Jacinto Ferreira de Oliveira e de Maria Lucas de Oliveira, 


Ao término de seus estudos, já formado médico em psiquiatria, retorna à sua cidade natal, com a tarefa predestinada ao espírita cristão. Assume, após um casamento por amor e apoiado pela esposa, a direção do primeiro Sanatório Espírita na região: Sanatório Espírita de Uberaba. 

Dr. Inácio foi grande amigo não só do médium Chico Xavier, senão também do dentista espírita dr. Odilon Fernandes e do padre Sebastião Bernardes Carmelita (este último de família espírita)

O ano de 1933 vem marcar um grande feito: a assistência gratuita e fraterna no referido Sanatório, à luz do Espiritismo, a qual ainda existe até os dias atuais. Nesse trabalho, a médium D. Maria Modesto Cravo (mais conhecida como D. Modesta), o enfermeiro-chefe, sr. Manoel Roberto da Silva, além de outros cooperadores, lhe foram de inestimável valia.

Observou, sem ideias preconcebidas, os diferentes fatos neuropsíquicos relacionados com os enfermos internados no Sanatório Espírita de Uberaba, do qual seria diretor-clínico por mais de cinco décadas, tendo verificado a eficácia da terapia espírita para a cura de distúrbios mentais e (ou) obsessivos.

O ciclo literário de Inácio Ferreira veio enfatizar a era da psiquiatria, em face da pesquisa doutrinária. Por outro lado, a literatura-verdade, demonstrada através das curas de doentes envoltos na chamada loucura, e comprovadamente curados nas sessões espíritas, por ele realizadas, torna-se marcas de luz, até hoje apresentadas nas páginas dos livros que o grande médico publicou, há quase meio século. 

Vale dizer que aqueles que leram as primeiras edições de suas obras, no ano de 1940, jamais esqueceram o valor contido nessas obras. Novos Rumos à Medicina, Volumes I e II, Psiquiatria em Face da Reencarnação, Espiritismo e Medicina, dentre outros, vêm colocar o Dr. Inácio Ferreira como sendo o primeiro autor médico dentro da doutrina. 

A obsessão mostra os horizontes do chamado mundo sombrio, dentro da psiquiatria, que, à luz cristã do Espiritismo, faz com que diversos doentes sejam curados. Dr. Inácio Ferreira publicou também Conselhos ao Meu Filho, assim como uma vasta coleção de livros para crianças, dentro da pedagogia espírita infantil. 

Um outro livro, até hoje esquecido do mundo editorial, Subsídios Para a História de Eurípedes Barsanulfo, mostra em destaque, o processo judicial movido pelo catolicismo contra o médium de Sacramento, cidade próxima a Uberaba, onde Eurípedes viveu. A obra descreve inúmeras curas de pessoas desenganadas pela medicina terrena, que foram curadas por Eurípedes Barsanulfo. 

O grande médico espírita, Dr. Inácio Ferreira, sempre se referia a sua esposa Aparecida Valicenti Ferreira, sua companheira de ideal, com amor, visto que o casal não teve filhos; esta alusão sempre foi com muito carinho. 

Poucos dos seus livros reapareceram, mas com muito êxito, quase cinqüenta anos distantes da primeira edição, ganhando, no entanto, grande aceitação do público. 

Não foi, contudo, só no plano intelectual que esse grande médico se mostrou produtivo. Em 1 de maio de 1949, criou o Lar Espírita, instituição fraterna de amparo e educação para meninas desvalidas, com a participação da União da Mocidade Espírita de Uberaba. Inácio foi sempre uma pessoa polêmica, inclusive (ou talvez principalmente) entre os próprios espíritas, por jamais ter aberto mão de dizer o que pensava, doesse a quem doesse. Não era rude, tampouco hipócrita.

Em 27 de setembro de 1988, Dr. Inácio Ferreira faleceu. Seus restos mortais repousam no cemitério de Uberaba, MG, terra que o grande médico espírita tanto amou e serviu. 

Folha Cruzada, Ano 5, Nº 8 - com adaptações

Ligeira homenagem de seu admirador

27 de jun. de 2013

Nelson Mandela


Nelson Mandela foi um líder rebelde e, posteriormente, presidente da África do Sul de 1994 a 1999. 

Seu nome verdadeiro era Rolihlahla Madiba Mandela. Principal representante do movimento antiapartheid, considerado pelo povo um guerreiro em luta pela liberdade, era tido pelo governo sul-africano como um terrorista e passou quase três décadas na cadeia.

De etnia Xhosa, Mandela nasceu num pequeno vilarejo na região do Transkei. Aos sete anos, Mandela tornou-se o primeiro membro da família a frequentar a escola, onde lhe foi dado o nome inglês "Nelson". Seu pai morreu logo depois e Nelson seguiu para uma escola próxima ao palácio do Regente. Seguindo as tradições Xhosa, ele foi iniciado na sociedade aos 16 anos, seguindo para o Instituto Clarkebury, onde estudou cultura ocidental.

Em 1934, Mandela mudou-se para Fort Beaufort, cidade com escolas que recebiam a maior parte da realeza Thembu, e ali se interessou pelo boxe e por corridas. Após se matricular, começou o curso para se tornar bacharel em direito na Universidade de Fort Hare, onde conheceu Oliver Tambo e iniciou uma longa amizade.

Ao final do primeiro ano, Mandela se envolveu com o movimento estudantil, num boicote contra as políticas universitárias, sendo expulso da universidade. Dali foi para Johanesburgo, onde terminou sua graduação na Universidade da África do Sul (UNISA) por correspondência. Continuou seus estudos de direito na Universidade de Witwatersrand.

Como jovem estudante do direito, Mandela se envolveu na oposição ao regime do apartheid, que negava aos negros (maioria da população), mestiços e indianos (uma expressiva colônia de imigrantes) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano em 1942 e dois anos depois fundou, com Walter Sisulu e Oliver Tambo, entre outros, a Liga Jovem do CNA.

Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos afrikaners (Partido Nacional), que apoiavam a política de segregação racial, Mandela tornou-se mais ativo no CNA, tomando parte do Congresso do Povo (1955) que divulgou a Carta da Liberdade – documento contendo um programa fundamental para a causa antiapartheid.

Comprometido de início apenas com atos não violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville, em março de 1960, quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180.

Em 1961, ele se tornou comandante do braço armado do CNA, o chamado Umkhonto we Sizwe ("Lança da Nação", ou MK), fundado por ele e outros militantes. Mandela coordenou uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo e viajou para o Marrocos e Etiópia para treinamento paramilitar.

Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu) e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega).

No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou o lema das campanhas antiapartheid em vários países.

Durante os anos 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985, não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada. Mandela continuou na prisão até fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk.

Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da paz em 1993.

Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa.

Ele se casou três vezes. A primeira esposa de Mandela foi Evelyn Ntoko Mase, da qual se divorciou em 1957 após 13 anos de casamento. Depois se casou com Winnie Madikizela, e com ela ficou 38 anos, divorciando-se em 1996, com as divergências políticas entre o casal vindo a público. No seu 80º aniversário, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano.

Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Ele recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Elizabeth 2ª., a medalha presidencial da Liberdade, de George W. Bush, o Bharat Ratna (a distinção mais alta da Índia) e a Ordem do Canadá.

Em 2003, Mandela fez alguns pronunciamentos atacando a política externa do presidente norte-americano Bush. Ao mesmo tempo, ele anunciou seu apoio à campanha de arrecadação de fundos contra a AIDS chamada "46664" - seu número na época em que esteve na prisão.

Em junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou que se retiraria da vida pública. Fez uma exceção, no entanto, por seu compromisso em lutar contra a AIDS.

A comemoração de seu aniversário de 90 anos foi um ato público com shows, que ocorreu em Londres, em julho de 2008, e contou com a presença de artistas e celebridades engajadas nessa luta.
UOL


apartheid (separação) foi um regime de segregação adotado de 1948 a 1994 pelos sucessivos governos brancos do Partido Nacional na África do Sul, no qual os direitos da grande maioria dos habitantes negros foram cerceados pelo governo formado pela maioria branca.

A segregação racial na África do Sul teve início ainda no período colonial, mas o apartheid foi introduzido como política oficial após as eleições gerais de 1948. A nova legislação dividia os habitantes em grupos raciais ("negros", "brancos", "de cor", e "indianos")1 , segregando as áreas residenciais, muitas vezes através de remoções forçadas. A partir de finais da década de 1970, os negros foram privados de sua cidadania, tornando-se legalmente cidadãos de uma das dez pátrias tribais autônomas chamadas de bantustões. Nessa altura, o governo já havia segregado a saúde, a educação e outros serviços públicos, fornecendo aos negros serviços inferiores aos dos brancos.

7 de abr. de 2013

Aracy Moebius de Carvalho

Aracy Moebius de Carvalho era paranaense e foi morar com uma tia na Alemanha, após a sua separação matrimonial. Por dominar o idioma alemão, o inglês e o francês, fácil lhe foi conseguir uma nomeação para o consulado brasileiro em Hamburgo. 

Acabou sendo encarregada da seção de vistos. No ano de 1938, entrou em vigor, no Brasil, a célebre circular secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Em 1938, Guimarães Rosa foi nomeado Cônsul Adjunto em Hamburgo, e seguiu para a Europa; lá conheceu Aracy, que viria a ser sua segunda mulher. Durante a guerra, por várias vezes escapou da morte; ao voltar para casa, uma noite, só encontrou escombros. 

Ademais, embora consciente dos perigos que enfrentava, protegeu e facilitou a fuga de judeus perseguidos pelo Nazismo; nessa empresa, contou com a ajuda da mulher, D. Aracy. Em reconhecimento a essa atitude, o diplomata e sua mulher foram homenageados em Israel, em abril de 1985, com a mais alta distinção que os judeus prestam a estrangeiros: o nome do casal foi dado a um bosque que fica ao longo das encostas que dão acesso a Jerusalém. 

A concessão da homenagem foi precedida por pesquisas rigorosas com tomada de depoimentos dos mais distantes cantos do mundo onde existem sobreviventes do Holocausto. Foi a forma encontrada pelo governo israelense para expressar sua gratidão àqueles que se arriscaram para salvar judeus perseguidos pelo Nazismo por ocasião da 2ª Guerra Mundial. Aracy de Carvalho Guimarães Rosa é a única mulher nesta lista.

Com efeito, Guimarães Rosa, na qualidade de cônsul adjunto em Hamburgo, concedia vistos nos passaportes dos judeus, facilitando sua fuga para o Brasil. Os vistos eram proibidos pelo governo brasileiro e pelas autoridades nazistas, exceto quando o passaporte mencionava que o portador era católico. Sabendo disso, a mulher do escritor, D. Aracy, que preparava todos os papéis, conseguia que os passaportes fossem confeccionados sem mencionar a religião do portador e sem a estrela de Davi que os nazistas pregavam nos documentos para identificar os judeus.

Nos arquivos do Museu do Holocausto, em Israel, existe um grosso volume de depoimentos de pessoas que afirmam dever a vida ao casal Guimarães Rosa. 

Segundo D. Aracy, que compareceu a Israel por ocasião da homenagem, seu marido sempre se absteve de comentar o assunto já que tinha muito pudor de falar de si mesmo. 
Apenas dizia: "Se eu não lhes der o visto, vão acabar morrendo; e aí vou ter um peso em minha consciência." 
Na vigência do infausto AI 5, já no Brasil, numa reunião de intelectuais e artistas, ela soube que um compositor era procurado pela ditadura militar. Dispôs-se a ajudá-lo, dando abrigo, além dele, a outros perseguidos pela ditadura. Com muita coragem, diga-se de passagem. Reservada, D. Aracy enviuvou em 1967 e jamais voltou a se casar. Recusou-se a viver da glória de ter sido a mulher de um dos maiores escritores de todos os tempos. Em verdade, ela tem suas próprias realizações para celebrar. Hoje, aos 99 anos, pouco se recorda desse passado, cheio de coragem, aventura, determinação, romance, literatura e solidariedade. 

Mas a sua história, os seus feitos merecem ser lidos por todos, ensinados nas escolas. Nossas crianças, os cidadãos do Brasil necessitam de tais modelos para os dias que vivemos. D. Aracy desafiou o nazismo, o Estado Novo de Getúlio Vargas e a Ditadura Militar dos anos 60. Uma mulher que merece nossas homenagens. 

Uma brasileira de valor. Uma verdadeira cidadã do mundo. Uma mulher fascinante, corajosa, moderna, humanista, que lutou contra tudo o que é de mais perverso e castrador, o Nazismo na Alemanha, a Ditadura no Brasil, com raça e destemor, uma mulher que deveria ter seu nome entre os "heróis" dos nossos livros de História.

10 de jan. de 2013

Lincoln, a fornalha


Passei uma tarde com um homem que passou a vida com Abraham Lincoln. Harold Holzer tinha 11 anos quando o professor escreveu e colocou vários nomes de líderes históricos num chapéu. Cada aluno tirava um papel. Hozel tirou Lincoln. Tema de redação.
Cinquenta anos depois, está no 44º livro, como autor ou editor. Mais de 500 ensaios e milhares de consultorias. Desde 2009, no bicentenário de Lincoln, ele vive num interminável circuito "lincolniano" de palestras e entrevistas.
Lincoln, o presidente dos presidentes, é uma fornalha no mundo editorial. O nome dele no título vende mais do que o de John Kennedy, o segundo presidente campeão de vendas desde a década de 60. Há 16 mil livros sobre Lincoln, 6 mil biografias. George Washington, pai da pátria, mereceu 3 mil biografias. Segundão.Hozel foi consultor do filme Lincoln, de Steven Spielberg, sério candidato a Oscar, que estreará no Brasil nos próximos dias. Mais uma baforada na fogueira cultural do presidente assassinado em 1865, numa sexta-feira santa, pouco depois de ser reeleito para o segundo mandato e cinco dias depois do fim da Guerra Civil americana.
Só no ano do bicentenário foram publicadas 249 biografias de Lincoln e Harold Holzer, que era o coordenador de eventos literários, achou que a fogueira dele viraria um braseirinho.
O trabalho mais monumental, publicado em 2009, foi a antologia de mil páginas editada por Holzer com 110 textos de 95 autores. Até Karl Marx tinha opinião sobre Lincoln. Falou bem do capitalista republicano e democrata.
Mas o fogo Lincoln não diminuiu, contou Holzer. Uma das biografias,Killing Lincoln, de Bill O’Reilly, apresentador da rede Fox, no ano passado vendeu 2 milhões de exemplares. O livro de Doris Kerns Goodwill, Team Of Rivals, que serviu de base para o roteiro (do filmeLincoln) de Tony Kushner, foi lançado em 2005, vendeu 1,5 milhão de exemplares. Quando o filme foi lançado, o livro voltou ao 5º lugar na lista dos best-sellers.
Holzer acha que o fenômeno Lincoln está, em parte, "ligado à Guerra Civil e estamos em pleno aniversário de 150 anos". "Durou de 1861 a 1865. Há milhares de americanos fanáticos sobre o assunto. O tema vende e com o nome de Lincoln no título as vendas multiplicam."
Há uma foto impressionante dos livros sobre Lincoln feita no The Ford’s Theater For Education and Leadership, em Washington. Criaram uma coluna com de mais de um metro quadrado que sobe três andares com os livros sobre o presidente.
E quantos falam mal de Lincoln? "A minoria, mas algumas críticas são fortes e têm credibilidade. Lincoln suspendeu 'habeas corpus' e deu ordens que, num país obcecado com a Constituição, pareciam ditatoriais. Uma outra crítica relevante é referente à falta de planejamento sobre o que fazer com os escravos depois da libertação. A solução de Lincoln era recrutar todos os homens para o Exército, mas eram milhares, um número impossível de ser treinado, vestido e alimentado. Muitos lutaram e, contrariando as críticas de militares brancos, de que os negros tinham medo da guerra, lutaram com garra e morreram em percentagens mais altas que os brancos. Um número muito maior, inclusive mulheres e crianças, morreu de doenças e fome".
Há Lincolns fortes e fracos, há o Lincoln gay do livro The Intimate World of Abraham Lincoln, de C. A. Tripp. Na época, condenado por muitos como um insulto, mas Holzer acha que é "uma declaração de amor, uma tese interessante, mas sem fundamentos sólidos".
Há o Lincoln preguiçoso, desorganizado e incompetente de William Herndon, sócio do presidente durante 17 anos no escritório de advocacia. "Foi baseado em depoimentos que Herndon colheu de centenas de pessoas que conheceram Lincoln e é levado a sério por alguns dos maiores especialistas no 16º presidente, entre eles Douglas Wilson e Rodney Davis".
Há o Lincoln do romance de Gore Vidal, "errático, com permanente prisão de ventre, egomaníaco, que gerou uma minissérie na televisão com enorme audiência". "Eu discordo de quase tudo e tivemos brigas via imprensa e palestras, mas tudo isto só reforça o interesse por Lincoln". Para Holzer, ótimo.
Há o Lincoln Obama. As semelhanças e conexões são fortes. Dois políticos de Illinois, não nascidos no Estado, com origens humildes e que chegaram a Presidência. Lincoln nasceu num mato, mudou para outro mato, perdeu a mãe cedo, tinha um pai que não acreditava em educação e, se não fosse pela madrasta, talvez nem aprendesse a ler. A educação formal dele foi quase nula, mas se educou à noite, à luz de vela.
De dia, trabalhava com o pai no campo. Detestava. A única experiência como politico, antes de chegar à Presidência, foi como deputado estadual. Qual era a força dentro dele que despertou e impulsionou esta determinação que o levou à Presidência? Vários presidentes saíram do nada, como ele, mas quantos transformaram o país?
Lincoln e Obama assumiram o poder com um país profundamente dividido. No país de Obama, não há possibilidade de guerra civil, diz Holzer, mas "a imobilidade política é pior do que no Congresso de Lincoln, onde houve brigas físicas, com sangue e ossos quebrados entre deputados no plenário, mas conseguiam legislar. Hoje não".
Há também grandes diferenças. A excelente educação universitária de Obama é uma delas. A outra é óbvia. A cor. Holzer acha que Obama marca a complementação do "trabalho não terminado" da democracia americana, à qual Lincoln se referiu no discurso de Gettysburg, cemitério e cenário de uma das batalhas mais brutais e decisivas da Guerra Civil.
O filme de Spielberg joga luz num período essencial na vida de Lincoln, os cinco meses que marcam a luta pela passagem, na Câmara, da emenda que libertou os escravos e o fim da Guerra Civil. Holzer: "O filme ilumina, mas não revela quem foi o verdadeiro Lincoln. Os 16 mil livros, inclusive os meus 44, as 6 mil biografias e os filmes vão gerar outros livros e outros filmes, vão aumentar ou diminuir o presidente, mas não vão desvendar o homem".

Lucas Mendes


20 de dez. de 2012

Walt Disney, Pato Donald e a loucura

Ícone da cultura do século 20 e figura incomparável no mundo do entretenimento infantil e familiar, ao qual conferiu nova dimensão. 

Desenhista transformado em produtor e mais tarde empresário, Walt Elias Disney encarnou ele mesmo o "sonho americano", que seus desenhos e películas contribuíram para criar. 

Nascido em Chicago, em 1901, foi criado com seus quatro irmãos no tranqüilo ambiente de um sítio da família no Missouri. Lá encontrou inspiração para desenhar animais, habilidade que seria a base de seu trabalho criativo posterior e do negócio colossal que perdura até hoje. 

Era ainda adolescente quando tentou alistar-se na marinha norte-americana durante a Primeira Guerra Mundial, mas sua idade só lhe permitiu ingressar na Cruz Vermelha, onde passou o último ano da guerra guiando uma ambulância que decorou com seus desenhos. 

De volta aos Estados Unidos, iniciou sua carreira como desenhista publicitário em Kansas City, com seu amigo e colega Ub Iwerks, e começou a aperfeiçoar suas técnicas de animação. Em 1922 fundou sua própria empresa, Laugh-O-Gram Films, dedicada a curtas-metragens animados baseados em contos infantis, mas o negócio não deu certo. 

No ano seguinte, mudou-se para Hollywood, onde, em sociedade com seu irmão Roy, fundou a Disney Brothers Cartoon Studio, embrião da futura Walt Disney Company. O estúdio produziu uma série de grande sucesso protagonizada pelo coelho Oswald, criado e desenhado por Iwerks. Depois de uma briga com a distribuidora, Disney perdeu os direitos de comercialização do personagem e teve de criar rapidamente outro. 

Assim nasceu Mickey Mouse. Com o tempo, Disney conseguiu evitar a participação de Iwerks na criação do novo protagonista dos cartoons. De acordo com seus críticos, era comum que ofuscasse o talento e o trabalho dos artistas que colaboravam com suas produções. 

Foi também criticado por mudar a essência dos contos infantis tradicionais, oferecendo versões "aguadas" e excessivamente adaptadas ao estilo de vida norte-americano. Em sua ânsia de estar sempre um passo à frente em tecnologia, estreou Steamboat Willie, o primeiro curta-metragem sonoro da história, que transformou Mickey em sucesso avassalador. O personagem passou a ser emblema da classe média norte-americana e herói popular de estatura mundial, assim como seu alter ego, Pato Donald. 

Pouco depois, o setor começou a falar da "loucura de Disney", que nada mais era que a aventura de criar e produzir o primeiro longa-metragem animado em língua inglesa e o primeiro em tecnicolor: Branca de Neve e os Sete Anões. Contra a opinião de seus colaboradores e de seu círculo familiar, Disney embarcou em um projeto que terminou sendo muito mais caro que o previsto, mas cativou multidões e se tornou a película de maior bilheteria de 1938, além de marcar o início de uma nova era na animação infantil. 

Disney introduziu em seus filmes, entre outras novidades, o som, a sincronização da música com o movimento, a cor e a câmera de múltiplos planos para conseguir efeito tridimensional. Conseguiu, também, transformar os desenhos animados em um sofisticado meio de expressão artística e um produto de consumo de massa. Anticomunista ardoroso, impediu que seus funcionários se sindicalizassem. A famosa greve que eles realizaram em 1941 arruinou a imagem paternalista e harmoniosa de Disney, mas não o fez ser rejeitado pelo grande público nem impediu que vários anos mais tarde a Walt Disney Productions se consagrasse como a maior empresa do mundo na indústria do entretenimento familiar. 

Disney expandiu seus negócios em todas as direções: desenhos, filmes, televisão, espetáculos e finalmente monumentais parques temáticos, como a Disneylândia, na Califórnia, e a Disney World, em Orlando, a cuja inauguração não chegou a assistir, porque faleceu em dezembro de 1966.
HSM Management



No dia 5 de dezembro de 1901, na cidade de Chicago, nascia o maior gênio do desenho animado de todos os tempos, Walter Elias Disney, quarto filho de uma família pobre.


Walt Disney, como é conhecido no mundo inteiro, foi um homem que sempre acreditou em seus sonhos e fez de tudo para realizá-los.


Decisão, vontade, persistência e muita criatividade eram as virtudes mais marcantes daquele homem que construiu um império, tendo como capital inicial apenas o seu talento artístico.

Seu lema era: "se nós podemos sonhar, nós podemos fazer".

E quem não conhece muitos de seus sonhos que viraram realidade e até hoje encantam adultos e crianças, como, por exemplo, o personagem Mickey Mouse, e Disneylândia, o primeiro parque temático do mundo?

Walt Disney não pretendia sensibilizar somente os corações infantis, conforme ele mesmo afirmou, certa feita: 

"não faço filmes especialmente dedicados às crianças. Chamemos a criança de inocência. Mesmo o pior de nós não é desprovido de inocência, ainda que ela esteja profundamente enterrada. Em minha obra, tento alcançar e falar a essa inocência".


Walt Disney não se deixou levar pelas circunstâncias desfavoráveis que o rondavam. Um dia resolveu segurar o leme de sua própria embarcação.

Eis o que ele escreveu:

"E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar...

Decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las.
Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução.
Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis.
Decidi ver cada noite como um mistério a resolver.
Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz.

Naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de as superar.
Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tivesse sido.Deixei de me importar com quem ganha ou perde.

Agora me importa simplesmente saber melhor o que fazer.

Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir.
Aprendi que o melhor triunfo é poder chamar alguém de "amigo".

Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, "o amor é uma filosofia de vida".

Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser uma tênue luz no presente.
Aprendi que de nada serve ser luz se não iluminar o caminho dos demais.

Naquele dia, decidi trocar tantas coisas...

Naquele dia, aprendi que os sonhos existem para tornar-se realidade.
E desde aquele dia já não durmo para descansar... simplesmente durmo para sonhar".

14 de nov. de 2012

São Francisco de Assis

Do ventre de Maria Picalini e Pietro Bernardone, na cidade de Assis, Itália nasce em 26 de setembro de 1182, Francisco Bernardone

Francisco de Assis em outra encarnação fora João Evangelista, discípulo querido, responsável pela vida de Maria, após a volta de Jesus ao seu verdadeiro Reino.

Sua mãe queria chamá-lo de João, mas seu nome foi mudado para Francisco depois de um sonho que seu pai teve pouco antes da criança nascer onde João Evangelista pregava e falava lindas palavras de amor para ele. João Evangelista precisou trocar de nome para fugir dos assassinos dos cristãos, seu novo nome era Francisco, Pai Francisco para seus fiéis amigos.

Seu pai Pedro Bernardone, rico comerciante de tecidos, sonhava fazê-lo homem de negócios e de fortuna, mas Francisco, de gênio alegre e cavaleiresco pensava mais nas glórias do mundo do que nos negócios. 

Em 1202, com 20 anos, foi a guerra entre sua cidade natal (Assis) e Perusa, ao partir, jurou voltar consagrado cavaleiro. Caiu prisioneiro, ficando um ano na prisão. Comportou-se com serenidade, levantou a moral dos seus companheiros, transmitindo confiança e alegria. Foi resgatado pelo pai, por estar muito doente e permaneceu um tempo em Assis para sua recuperação.

Refeito da grave doença e em período de transição que mudou sua vida, encontrava-se caminhando fora da cidade, quando viu um leproso vindo na sua direção, ficou apavorado pois tinha horror desta doença, quis fugir, mas manteve-se firme, dirigiu-se ao doente, beijou-lhe as mãos e o rosto, em demonstração de afeto e encheu-lhe a bolsa de moedas, com generosidade.


Ao retirar-se sentiu-se vitorioso e voltou-se para ver uma vez mais o estranho, não logrou perceber figura alguma na estrada, o homem desaparecera misteriosamente. Após este fato sentiu o chamado de Deus. 

Enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: "Francisco, restaura minha igreja". O chamado, ainda pouco claro para Francisco, foi tomado no sentido literal e o santo vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. 

É bom ressaltar que na época que Francisco nasceu, tínhamos uma igreja católica dominante e corrupta, onde pecado era ser pobre. No Egito e na Síria dominava o sultão Saladino, o comandante da 3ª cruzada, onde os muçulmanos venceram o temido Ricardo Coração de Leão, este sultão marcou sua história na idade média contribuindo para a calamidade universal como conquistador. As cruzadas eram tão maléficas quanto a inquisição iniciada por Torquemada em 1420.

Seu pai, não aceitou seu modo de vida e quis apenas receber o dinheiro que Francisco gostaria de gastar com os pobres e com a igreja. Francisco resolve entregá-lo com amor, pois não era apegado a este bem. Vai ao bispo e renuncia a tudo, e sem mais, tira sua roupa e fica nu perante todos, livre assim a tudo que o prendia a seu pai terrestre.

Em janeiro de 1206 começa a reparação da capela de São Damião em 1208, também o de San Pietro e Santa Maria Degli Angeli ou Porciuncula, que era dos beneditinos e fora emprestada a Francisco onde passou a ser o berço de uma nova ordem.

Neste tempo, muitos adeptos da nova filosofia resolveram segui-lo , os primeiros personagens são: frei Leão, frei Filipe, frei Câncava, frei Arlindo, frei Bernardo, frei Pedro, frei Rufino, frei Silvestre, frei Ângelo, frei Quirino, frei Tancredo, frei José, frei Luiz, frei Diogo, frei Egidio, frei Morico, frei João da Capela e frei Sabatino. Interessante dizer que o frei João da Capela abandonou a ordem nos primeiros meses por não conseguir manter a castidade.

Foi assim que Francisco tratou de desprezar a própria vida mundana para encontrar como pobre a felicidade que tanto almejava. Saiu em busca de sua paz ajudando doentes, confortando miseráveis e leprosos, amando todos como irmãos.
Amava tanto a Deus que lutava constantemente pela salvação das almas, seu amor ao próximo era tão intenso que quando não podia mais andar e quase cego, percorria as terras montado em um jumento para levar a benção do Senhor. 


Em seu amor a Deus sempre repetia: "Senhor! Minha alma tem sede de Vós e meu corpo mais ainda".

Em uma noite memorável, pediu humildemente a Jesus, que, mesmo não merecendo tanta glória, se fosse da vontade Divina, que as chagas imortalizadas pelo Mestre tomasse conta de seu maltratado corpo. Acordou então com chagas nos pés e nas mãos.

Em 3 de outubro de 1226, com 45 anos, o planeta perde o seu maior representante divino.

Ao desencarnar, Francisco viu então uma fila de anjos batendo palmas e Jesus no centro, aproximou-se chorando como criança e falou ao Mestre: "Mestre, se porventura mereço a tua benção, que ela seja dada aos companheiros que ficam no mundo. Eles carecem da Tua ajuda agora e sempre"
.

31 de ago. de 2012

Joaquim Barbosa - Merece o respeito do povo brasileiro

Joaquim Barbosa nasceu em Paracatu, noroeste de Minas Gerais. 

É o primogênito de oito filhos. Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram. 

Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público. 

Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado. 

Foi Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia e, após, foi advogado do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) (1979-84). 

Prestou concurso público para procurador da República, e foi aprovado. Licenciou-se do cargo e foi estudar na França, por quatro anos, tendo obtido seu mestrado e doutorado ambos em Direito Público, pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e 1993. Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 

Foi visiting scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000) e na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law (2002 a 2003). Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade.
Fonte: Wikipédia

19 de ago. de 2012

Tonia Carrero completa 90 anos e se mantém reclusa no RJ


Poucos meses depois da realização da Semana de Arte Moderna de 1922, que aconteceu em fevereiro e foi um marco inconteste para o mundo artístico, nasceram duas atrizes que igualmente entrararam para a história das artes cênicas e cinematográficas. 
Bibi Ferreira no dia 10 de junho. Tonia Carrero, 23 de agosto. 
A primeira está atualmente em cartaz no Teatro Frei Caneca, em São Paulo, com o espetáculo Bibi - Histórias e Canções. Canta como uma mulher de 40 anos, embora movimente-se com cautela e vez ou outra esqueça o roteiro do show.
Tonia Carrero chega na próxima quinta-feira à mesma idade da colega, porém fora de cena. Recolheu-se, não dá sequer entrevistas mais. Amigos próximos confirmam a debilidade física da atriz, vítima de hidrocefalia, acúmulo anormal de líquido em certas áreas do cérebro. A assessoria de imprensa afirmou que haverá uma comemoração para data tão nobre, neste domingo (19), mas a festa será para poucos, muito poucos: o filho único, Cecil Thiré, 69, netos, bisnetos e convidadas como Fernanda Montenegro, Irene Ravache e Nathalia TImberg. Será na casa da atriz, no Leblon, Rio de Janeiro.
Tive a honra de fazer uma das últimas entrevistas que ela concedeu a um grande veículo, para a revista Marie Claire, há três anos. Ela ainda morava numa casa de muitos quartos, fotos, quadros e lembranças no Jardim Botânico, também no Rio, no sopé de uma montanha da região. A casa chamou atenção da equipe por ser enorme para uma senhora com aquela idade, além de possuir desníveis e uma piscina sem uso. Pelas paredes, telas de artistas que a usaram como musa. No lavabo, mais imagens de Tonia: cenas de filmes em que ela brilhou, como Tico-Tico no Fubá(dirigido por seu ex-marido em 1952, Adolfo Celi). Mesmo para uma senhora de 87 anos, Tonia guardava, naquele momento, o que muitas estrelas de cinema buscavam em cada registro imagético: carisma e uma beleza acima de qualquer padrão. "Não, não sou bonita hoje. Sei disso e já não me importa o físico. Apenas o intelecto", disse para quem vos escreve à época.
Tonia, formada em Educação Física, sabia o quanto era deslumbrante. Conquistou homens e oportunidades com essa arma, e nunca negou isso. Ao contrário, assumiu e não vê qualquer demérito nisso. Começou a carreira em 1947 com o filme Querida Susana (dirigido por Alberto Pieralisi). Causou impacto imediatamente simplesmente sorrindo e iluminou tudo ao redor. Seguiram-se outros 37 longas, 16 novelas e 19 espetáculos. O último momento dela no cinema foi em Chega de Saudade, de Laís Bodansky, há três anos. O último espetáculo, Chega de História, dirigida por Fauzi Arap, dividindo cena com Nilton Bicudo. Assim, ela encerrou sua carreira com dois chegas para lá, dois bastas. Para ela, foi mais do que suficiente.
João Luiz Vieira

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