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5 de jul. de 2013

Ai, meu cotovelo !

Lupicínio Rodrigues

Por que a maioria das músicas de amor é sobre... o fim do amor? Artistas veteranos e da nova geração discutem por que ciúme, brigas e separação estão entre os melhores ingredientes de uma boa canção

Quando Caetano Veloso mostrou, ao violão, uma das músicas que tinha composto para o disco que estava fazendo, Jorge Mautner teve uma crise de choro. Aquela era uma das mais belas canções de amor que já tinha escutado na vida. Gostava principalmente do refrão, quando a melodia ficava mais tranquila e terna, e a voz repetia, num veludo: “Odeio você, odeio você”. Quem narra o episódio é o próprio Caetano – mas Mautner confirma tudo, palavra por palavra. A canção “Odeio” foi gravada no álbum  (2006) e é, desde o nascedouro, um clássico do nosso cancioneiro amoroso. Segundo Mautner, dizer “odeio você” é a maneira mais próxima que há de dizer “amo você”.
Em música é assim. Canções de amor são, quase todas, canções de desamor. De fim de caso, de dor de cotovelo, de separação, de traição, de ódio. No Brasil, essa regra é levada à risca desde os primórdios, na Era do Rádio, até a produção mais recente da música pop. “A gente não pode falar em música sem falar em comportamento: o que acontece na sociedade se reflete imediatamente no repertório dos cantores”, diz Rodrigo Faour, autor do livro A vida sexual da MPB.
“Até a década de 60, os papéis masculino e feminino eram muito demarcados. A mulher tinha que servir ao homem. E, como a maior parte das pessoas que escrevia música era homem, tudo era visto sob a ótica deles. Por isso todas as letras falavam de amores fracassados – e esse fracasso era sempre por culpa de uma mulher ingrata”, afirma Faour. “Os seresteiros só amavam as mulheres antes de ter contato real com elas – amavam só uma idealização. Depois de realizado, elas viravam o diabo de saia.”

"Eu não quero mais nada, só vingança, vingança, vingança, vingança" Vingança, Lupicínio Rodrigues

São dessa época muitas das canções de Lupicínio Rodrigues, que não só assina inúmeras letras sobre a amargura da separação – em geral, amaldiçoando as ingratas que lhe fizeram sofrer – como teria sido o inventor do termo “dor de cotovelo”, em referência aos que cravam os cotovelos em um balcão ou mesa de bar, pedem suas doses e desfiam seu rosário de desilusões. Não surpreende, portanto, que dos dez artistas ouvidos pela Trip para que escolhessem suas músicas de separação preferidas, três tenham votado em criações de Lupe, como era conhecido (veja a lista no fim desta reportagem).
Mas, claro, as mulheres também versavam sobre corações quebrados. Dolores Duran, por exemplo, era amiga próxima de Maysa – a autora de versos de desamor desesperado como os de “Meu mundo caiu”, clássico da fossa nacional. Mas, como aponta Faour, Dolores era, na verdade, “uma mulher alegre que escrevia ‘porrada’, por isso era mais irônica do que a Maysa”. Em seu universo, o amor estava no fim, mas vinha temperado de uma tiração de sarro, em versos do tipo: “Se é por falta de adeus, vá embora desde já” e “Eu desconfio que o nosso caso está na hora de acabar”.
Só no xaveco
Claro que esse combustível – o desamor – era também o que movimentava a música internacional naquele período. A diferença fundamental, no entanto, era que os temas escritos por Cole Porter, Irving Berlin, George e Ira Gershwin e outros nomes essenciais do cancioneiro americano compunham roteiros de peças musicais. Havia conflito amoroso, é claro. Mas o final feliz estava garantido. O Brasil, todavia, não tinha a cultura dos musicais desenvolvida. Nossas canções não falavam sobre personagens, e sim sobre nós mesmos. Serviam para expressar o sofrimento causado por nossas desilusões amorosas. E para buscar uma cura para elas.
A bossa nova chegou para mudar tudo isso. Ou uma boa parte. Em 1958, João Gilberto apareceu com uma maneira leve de interpretar as canções. O repertório escolhido falava de natureza, de amor, de sorriso e de flor. Amparado pela obra de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, João foi o responsável por desfazer um pouco dessa carga dramática.
"O amor na bossa nova é platônico. Ou abstrato: o compositor compara o amor à natureza, ao Rio de Janeiro. Ou é um xaveco”, diz o cantor e compositor Romulo Fróes. “Nesse último caso, a bossa nova só seguiu um caminho que o Noel Rosa já usava. A letra de ‘Três apitos’, por exemplo, é uma cantada explícita que o Noel dá na operária da fábrica. Ele vai pra porta encontrar com ela na saída. Na bossa nova, só muda o cenário do xaveco para o litoral.” Romulo diz que, hoje e sempre, o rescaldo do amor – brigas, ciúme, separação – é a melhor gasolina para a criação artística. “Quando você está amando plenamente, tem mais o que fazer do que ficar inventando canções”, ri.

"Estou lhe mostrando a porta da rua pra que você saia sem eu lhe bater" Judiaria, Lupicínio Rodrigues

“A bossa nova não mudou só a maneira de tratar o amor – que, de fato, ficou muito mais leve por causa dela. Mas mudou, principalmente, a maneira como esse recado é passado pelo cantor ao público. O estilo dos cantores era bastante diferente antes da transformação que João imprimiu na música brasileira. Eram vozes lindas, mas uma coisa muito pesada. João nos ensinou a amar e sofrer com elegância”, diz Gal Costa. Discípula de João desde a primeira vez que o ouviu no rádio, em 1958, Gal diz que a maneira contida de interpretação fundada na bossa nova não implica nenhuma perda na carga sentimental. Ao contrário, concorda com o dramaturgo Nelson Rodrigues quando ele diz que “a grande dor não se assoa”. Quem sofre mesmo, sofre calado.
"E como o ‘Retrato em branco e preto’ [de Tom Jobim e Chico Buarque] na interpretação do João Gilberto”, Gal compara. “Ali tem uma carga densa e profunda de dor e sofrimento. Mas ele coloca isso de uma forma muito sutil, o que só enriquece a canção. As pessoas não sacam muito por causa do jeito de ele cantar. No princípio, quando a tendência da música de amor era ser trágica, de fim de amor, do cara fodido, achavam até que as músicas que João cantava eram um pouco bobinhas. Mas logo elas se tornaram clássicos.”
“Bom-gostismo”
Clássicos, ao menos entre os universitários e artistas de classe média e alta, tornaram-se sinônimo de bom gosto. Quase tudo o que veio antes da revolução de João passou a ser considerado, imediatamente, cafonice. Coisa de gente velha e ultrapassada. Foi necessário que Caetano Veloso explodisse essa regra. Seu principal manifesto contra o “bom-gostismo” amoroso está no álbum Tropicália (1968). Ali, Caetano reedita “Coração materno”, um dos temas mais trágicos não só do repertório de Vicente Celestino, mas de toda a MPB, em interpretação dramática e derramada. A provocação era evidente.
“Hoje isso nem entra mais em questão”, diz Otto. “E um amor desesperado, como o da Ângela Ro Ro, não
Erno/CPDOc JB
significa que ela não tenha amado. Ao contrário. Ela chupou muito ali antes de tomar o pé na bunda. Valeu a pena. Ela está feliz com cada foda, cada trepada, cada linguada. Não tem essa de música de desamor. É tudo música de amor.” “Exatamente. O desamor também faz parte do amor”, concorda Pélico, cantor e compositor que dedica grande espaço em suas canções para falar de amor . “O natural é compor pela falta. Não ter alguma coisa é que te move – não só nas músicas de amor, mas também nas letras sociais.”
Para quase todo mundo. Não para Milton Nascimento, que, quando crooner, ganhava a vida cantando, em boates de Belo Horizonte, músicas de amor falido, como a audiência preferia. Quando se tornou compositor, no entanto, Milton foi tratar do amor por outros vieses. Suas músicas, em grande parte, falam de amores plenos – e do amor de amigo. “Aprendi com meus pais que existem vários outros tipos de amor e de paixão. Fui criado em um clima de amizade, com todos os meus amigos brincando na sala de casa – coisa que as mães deles não deixavam. Era sempre festa. Quando cresci e saí de casa para trabalhar, continuei procurando por esse tipo de sentimento. E foi essa procura que sempre me movimentou”, diz Milton.

"Ela há de rolar como as pedras que rolam na estrada" Vingança, Lupicínio Rodrigues

Hoje um artista reconhecido no mundo inteiro, Milton começou a fazer canções a partir de uma sessão de cinema. Morava em Belo Horizonte, meados dos anos 1960, e foi ver Jules e Jim, do diretor francês François Truffaut, com o amigo Márcio Borges. Repetiriam a sessão várias vezes. “Nunca tinha visto uma história de amizade tão bonita. Voltando para casa, já combinei com ele: ‘Vamos fazer música, você vai ser meu parceiro’. Naquele mesmo dia, fizemos três: ‘Passo do amor’ [que, depois, com outra letra, se chamaria ‘Novena’ ], ‘Gira, girou’ e ‘Crença’. Todas por causa daquele filme. Daquela história de amor.” Por acaso ou não, essas três primeiras parcerias de Milton com Márcio contêm a palavra “amor” nas respectivas narrativas. E, em nenhuma delas, o final é exatamente feliz.
TRIP

28 de abr. de 2013

Boas histórias, grandes canções


"Suponho que compor canções é a essência do meu legado", disse Paul McCartney no vídeo de divulgação de sua turnê anterior, "On the Run". Porém, mais do que o ofício de hitmaker, o ex-Beatle é protagonista ou personagem de histórias que estão na origem e na recepção de suas canções. 

No repertório da nova turnê, "Out There!" - que o público de Belo Horizonte terá a primazia de ver, no dia 4 de maio, no Mineirão -, devem constar músicas que têm curiosidades saborosas por detrás. 

E algumas delas ajudaram a mitificar tanto os Beatles quanto Paul.

"As músicas deles viraram ‘obras abertas’. As pessoas ouvem, leem e interpretam da maneira que querem. O Charles Manson (criminoso que liderou a chamada Família Manson, que assassinou a atriz Sharon Tate) ficava buscando significados nas músicas no ‘Álbum Branco’ e utilizava isso para convencer pessoas do seu grupo a matar", observa o jornalista e pesquisador Ricardo Schott. 
Manson, só para citar um exemplo, via na letra de "Helter Skelter" a afirmação de que uma guerra entre brancos e negros iria acontecer e era necessário "se defender".

O pesquisador Ricardo Pugialli, autor de "Os Anos da Beatlemania", em parceria com Marcelo Fróes, conta que a partir de 1965, dois anos depois do lançamento do primeiro álbum, "Please Please Me", o grupo deixou de retratar amores juvenis e aprimorou seu trabalho. Uma das que ele cita como exemplo é "Eleanor Rigby", que Paul interpreta regularmente em shows. Até hoje a história por trás dessa música, incluída em "Revolver" (1966), suscita dúvidas sobre a personagem solitária que dá nome a ela, se de fato existiu ou não. 

"O Paul garantiu em entrevistas que essa pessoa não existe", salienta Pugialli. Mas existiu uma Eleonor Rigby em Liverpool e está enterrada em um cemitério da cidade, "frequentado" por Lennon e McCartney durante a infância.

Outra música com foco em um personagem é "Hey Jude", de 1968, grande momento das apresentações de Paul, com participação da plateia. Começou como um alento a Julian, filho de John Lennon, que via o pai se divorciar da mãe, Cynthia, para ficar com Yoko Ono. Inicialmente se chamava "Hey Jules", apelido da criança. É a gravação mais longa dos Beatles - ultrapassa sete minutos. E também a faixa do grupo que mais tempo permaneceu no primeiro lugar das paradas de sucesso norte-americanas - nove semanas. O compacto com a faixa vendeu oito milhões de exemplares.

"Yesterday" também tem curiosidades que hoje soam um tanto irônicas. Lançada em "Help!" (1965), a faixa traz apenas Paul no vocal e no violão e um quarteto de cordas. O produtor George Martin não gostava do fato de incluí-la em um álbum dos Beatles. Mas o empresário da banda à época, Brian Epstein, acabou convencendo-o. Porém, os outros membros da banda impediram o lançamento da música como single na Inglaterra. Mesmo assim, a canção se tornou a mais regravada de todos os tempos. O resto é história.
Renato Vieira

19 de nov. de 2010

Paul McCartney - Here Today

Here Today And If I Say I Really Knew You Well What Would Your Answer Be. If You Were Here Today. Ooh- Ooh- Ooh- Here To - Day. Well Knowing You, You'd Probably Laugh And Say That We Were Worlds Apart. If You Were Here Today. Ooh- Ooh- Ooh- Here To - Day. But As For Me, I Still Remember How It Was Before. And I Am Holding Back The Tears No More. Ooh- Ooh- Ooh- I Love You, Ooh- What About The Time We Met, Well I Suppose That You Could Say That We Were Playing Hard To Get. Didn't Understand A Thing. But We Could Always Sing. What About The Night We Cried, Because There Wasn't Any Reason Left To Keep It All Inside. Never Understood A Word. But You Were Always There With A Smile. And If I Say I Really Loved You And Was Glad You Came Along. If You Were Here Today. Ooh- Ooh- Ooh- For You Were In My Song. Ooh- Ooh- Ooh- Here To - Day.

Aqui Hoje E se eu disser que realmente te conhecia bem, Qual seria sua resposta, Se você estivesse aqui hoje? Ooo -oo-ooo Aqui hoje... Te conhecendo bem, Você provavelmente iria rir e dizer que nós éramos mundos a parte, Se você estivesse aqui hoje. Ooo- oo - oo Aqui hoje. Mas pra mim, Eu continuo lembrando como foi antes. E não estou mais segurando as lágrimas. Ooh-Ooh-Ooh Eu te amo , Ooh E sobre quando nos conhecemos, Bem, eu acho que você diria que nós trabalhamos duro no começo. Não entendíamos nada, Mas nós sempre podíamos cantar... E sobre a noite em que choramos, Porque não havia razões para manter tudo aquilo... Nunca entendia uma palavra. Mas você estava sempre lá com um sorriso... E se eu disser:"Eu realmente amava você". E estava feliz por você vir junto. Se você estivesse aqui hoje... Ooo - ooo - oo Por você estar em minha canção. Oo - ooo - ooo Aqui hoje...

Palavra de fã - Paul McCartney em São Paulo


Canções que fazem parte do repertório dos shows que Paul McCartney faz em São Paulo são analisadas pelos beatlemaníacos Samuel Rosa, Márcio Borges, Marcelo Thomé e Thiago Corrêa


Com os 120 mil ingressos (metade para cada uma das noites) vendidos em poucos dias, a hora é de correr pro abraço.

Neste domingo, no Estádio do Morumbi, Paul McCartney faz a primeira das duas apresentações de Up and coming tour em São Paulo, depois da estreia, no início deste mês, em Porto Alegre.

Há 17 anos sem vir ao país, o ex-Beatle, que além de sir carrega o título de maior artista vivo da música popular, toca por quase três horas, sem demonstrar, em momento algum, o peso de seus 68 anos. Além de farto material dos Beatles, McCartney enfatiza o repertório setentista dos Wings. Seu melhor álbum do período, considerado ainda o clássico da banda que manteve ao lado da mulher, Linda, teve seis de suas 10 canções incluídas: Band on the run, de 1973, remasterizado há pouco. 


A turnê, que conta com três dezenas de datas, tem um set list que vem se repetindo continuamente, com poucas modificações. No último fim de semana, em Buenos Aires, por exemplo, ele abriu o primeiro show com Venus and Mars/Rock show, também do Wings. No dia seguinte, no Estádio do River Plate, começou com Magical mystery tour, dos Beatles. Pode ser assim em São Paulo, já que serão dois shows. Ou não. As apostas estão feitas. 


O Estado de Minas convidou quatro beatlemaníacos para comentar parte do repertório (com suas possíveis variações, a lista vem abaixo, na ordem de apresentação): Márcio Borges, autor de Para Lennon e McCartney (1970, em parceria com Lô e Fernando Brant); Samuel Rosa, líder do Skank, banda que na discografia produzida nesta década vem reforçando a influência dos Beatles; Marcelo Thomé, baixista e vocalista da banda cover Anthology, que desde o anúncio da vinda da turnê ao Brasil não tem tido sequer um fim de semana de folga; e Thiago Corrêa, vocalista do grupo Transmissor, outro que traz a banda inglesa em seu DNA. 


Dos quatro, somente Borges não estará no Morumbi neste domingo. . Venus and Mars/Rock Show (do álbum Venus and Mars, de 1975) Wings. Antológico. Inesquecível. Vou traduzir o que disse um fã no YouTube porque ele falou tudo que eu gostaria de dizer: "Paul McCartney = gênio! O mais genuíno, brilhante, espetacular, fabuloso, excelente, impressionante, fantástico, incrível, assombroso, encantador, imponente, boa-praça, boa-pinta e a maior personagem que jamais existiu. Não há palavras no universo que descrevam como ele é genial. 


Nunca me cansarei de ouvi-lo. Sempre abro um sorriso." Bom, esse é mais fã do que eu. (Márcio Borges) . Jet (do álbum Band on the run, 1973) Impecável pela produção e timbres maravilhosos como o fuzz (tipo de distorção) grandioso, além da sempre marcante melodia de Paul, que não sai da memória. Com uma veia meio hard rock mesclada com uma parte B claramente reconhecível do universo Beatle, essa música é uma espécie de "Beatles meets Van Halen" e com certeza influenciou uma estética que seria comum na década seguinte. (Thiago Corrêa) . 


All my loving . Letting go (Venus and Mars, 1975) Uma das minhas preferidas da época dos Wings. É também uma das mais subestimadas canções do Paul. Com seu riff de guitarra marcante e um ritmo envolvente, foi emocionante ouvir e ver este rock sendo tocado pelo próprio Paul a apenas alguns metros de distância. (Marcelo Thomé) . Got to get you into my life ou Drive my car . Highway . Let me roll it/Foxy lady . The long and winding road . Nineteen hundred and eighty-five (Band on the run, 1973) A música traz uma pitada do que poderia ter sido uma canção dos Beatles, porém sem o contraste necessário oferecido pelos outros integrantes do grupo. 


Com a doçura da parte marcante do piano e várias dinâmicas resultando num final grandioso, essa música com cara de clássico não chega a me empolgar. (TC) . (I want to) Come home ou Let 'em in . My love . I'm looking through you ou I've just seen a face . Two of us ou And I love her . Blackbird (do Álbum branco dos Beatles, 1968) O Álbum branco é ótimo para se ver a diferença de composição e assinatura de Lennon e McCartney. 


O disco é um rascunho do que viria a ser a carreira solo de cada um. Blackbird é dessa fornada, de uma fase bem folk em que ele, apesar de ser baixista, toca violão. Para mim é obra-prima. (Samuel Rosa) . Here Today (do álbum Tug of war, 1982) Segundo o próprio Paul, é a mais difícil de ser tocada nesta turnê devido à sua história: feita para John Lennon depois de sua morte, McCartney interpreta esta bela canção de forma magnífica. 


Em Porto Alegre, fui às lágrimas, pois é um dos momentos mais emocionantes do show. (MT) . Dance Tonight (do álbum Memory almost full, 2007) O multi-instrumentista Paul McCartney pega um bandolim e empolga toda a plateia não apenas pelo estilo sing-along da música, mas também pela despojada performance de seu baterista, Abe Laboriel Jr., que dança do início ao fim e rouba a cena. (MT) . Mrs Vandebilt (Band on the run, 1973) Essa também é do tempo do Wings, do álbum Band on the run, cuja música título, aliás, é bem melhor do que essa. É animada, batidona, mas não é nem de longe alguma das minhas prediletas do velho Macca. (MB) .


 Eleanor Rigby . Ram on . Something . Sing the changes (álbum Electric arguments, 2008, em que Paul assina The Fireman) Essa música traz um sentimento que passeia pelo mundo do U2. Conheci-a na TV com o Paul se apresentando na marquise do Ed Sullivan Theater, em Nova York. A primeira coisa que pensei foi: “Como é que esse cara consegue ser tão jovem?” Sua vitalidade impressiona muito, além de sua voz, que pouco sofreu com o passar desses longos anos. (TC) . Band on the run (Band on the run, 1973) Não acreditei que estava assistindo a este clássico ao vivo. A reação não poderia ter sido diferente em todo o Beira-Rio: levou a plateia ao êxtase, que cantou e vibrou desde o primeiro acorde. 


Ótimo exemplo da qualidade técnica e do entrosamento total dos músicos que acompanham Paul nesta turnê. (MT) . Ob-la-di, Ob-la-da . Back in the U.S.S.R. . I've got a feeling . Paperback writer . A day in the life (Sgt.Pepper’s lonely hearts club band, 1967) e Give peace a chance Essa sim é uma canção 50% Paul e 50% John. Não fizeram a música juntos, mas emendaram duas partes: “Woke up, fell out of bed…”, meio alegrinha, do Paul com “I read the news today oh boy…” do John. É brilhante, pois mesmo assinada como parceria, você vê que são músicas bem diferentes. 


É ainda de uma outra fase dos Beatles, em que eles não estavam em busca do pop perfeito com refrão. (SR) . Let it be . Live and let die (composta para o filme homônimo de 007, de 1973) É uma das músicas mais difíceis para se definir sem cometer um erro. Obra-prima do Paul, deve ser uma pedra no sapato dos ferrenhos desdenhosos de sua carreira pós-Beatles. Tem ainda todos os elementos marcantes da inigualável capacidade que o Paul tem para escrever melodias, aliada a um riff tão especial que, na minha opinião, remete e se equipara a emocionantes clássicos da música erudita, como o final da Nona sinfonia de Beethoven. (TC) . 


Hey Jude (do compacto Hey Jude/Revolution, 1970) É a expressão maior da melodia inerente na obra de Paul. Uma música que sintetiza e glorifica o senso melódico como valor eterno na cultura pop mundial. (TC) Bis . Day tripper . Lady Madonna . Get back . Yesterday (do álbum Help! dos Beatles, 1965) Foi um momento solene, uma pausa na avacalhação à Trapalhões daqueles quatro garotos travessos a correr pelas ruas de Londres fugindo de menininhas ensandecidas. Um poema sombrio e nostálgico, fora de contexto, de quem ainda nem tinha composto When I'm sixty four, menos ainda barrado os 70, mas já andava cheio de saudades de um "ontem" que seria o oposto metafórico do "dia que virá", tão cantado e decantado aqui na terra brasilis naqueles mesmos anos de Yesterday lá e ditadura cá... (MB) . 


Helter Skelter (do Álbum branco, 1968) Foi para provar que, antes mesmo de Ronaldo Bastos celebrizar a frase de efeito a respeito do disco Clube da Esquina de 1972, "os Beatles eram Rolling Stones". Mantras, Rajneesh, flower power e porrada! Essa é uma das músicas mais descaradas daquela época: “I'm coming down fast but don't let me break you" Helter Skelter significa barulho, confusão, trapalhada, e estava escrito a sangue nas paredes da casa onde foram encontradas as vítimas de Charles Manson. 


E alguns ainda dizem que Beatles não eram rock... (MB) . Sgt. Pepper's lonely hearts club band (do álbum homônimo dos Beatles, 1967) Assim como o disco, uma faixa revolucionária. Tudo o que está neste álbum é de extrema sofisticação até os dias de hoje, pelo tipo de música, pela capa, pelos temas abordados. São os Beatles deixando de ser adolescentes. (SR) . The end
Mariana Peixoto

Mitos e Lendas : Paul is Dead

O mundo da música é recheado de histórias e estórias, principalmente quando abordamos o Rock and Roll. São fatos e lendas, mitos e boatos, que muitas vezes acabam se misturando, e aí, fica difícil separar a verdade da mentira. Ainda mais quando falamos de pessoas tão próximas em nossa cultura, mas ao mesmo tempo tão distantes em termos de localidade. As lendas em torno dos Beatles são inúmeras. A história, que diz que o baixista dos Beatles estaria morto é talvez uma das mais famosas ‘conspirações’ no mundo do rock, e por conseqüência a mais discutida nos meios.
Milhares de pessoas acreditam que Paul McCartney estaria morto desde o início da década de 60. Reza a lenda que Paul teria falecido em um grave acidente automobilístico, na Inglaterra, que o decapitou. Para que o sucesso do grupo não fosse abalado diante da falta do integrante original, foi escolhido um sósia para tomar seu lugar, em 1966. Fato ou lenda, o que torna a história mais intrigante são as supostas ‘dicas’ inseridas pelo grupo nas capas dos álbuns.
Na capa do disco “Sgt. Peppers” é possível observar uma mão aberta sobre a cabeça de Paul, enquanto que seu baixo está rodeado de flores.
Como se não bastasse, os mais aficcionados pela tal história garantem que se colocarmos um espelho no bumbo, deixando transparecer apenas a metade superior da frase ‘Lonely Hearts’, a frase se transforma em ‘He Die’ (algo como ‘Ele Morre’).
Nesta mesma capa ainda aparecem flores formando o nome ‘Beatles’ em vermelho. Em baixo estaria um caixão. Mas o mais surpreendente são as flores amarelas, na forma de um Contra-Baixo, instrumento de Paul.
E está disposto de forma contrária, uma vez que Paul era [sic] canhoto. Alguns também identificaram a letra ‘P’.
A obsessão dos fãs pela história de que Paul estaria morto ganhou proporções gigantescas, tendo se transformado em livros, filmes, documentários e até mesmo dossiês.
O grande ‘responsável’ pela teoria foi um DJ de uma rádio de Detroit, que afirmou que Paul fora substituído por um sósia chamado William Campbell, escolhido pelo grupo, por ter um grande talento com o instrumento. O fato [sic] foi divulgado em 1969 e se alastrou pelo mundo. Até mesmo no Brasil, em outubro de 2000, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo apresentou o filme ‘Paul is Dead’. Outra referência à morte de Paul estaria na capa de “Abbey Road” (foto). A imagem do álbum traz os quatro Beatles atravessando uma avenida, em uma faixa de pedestres.
Segundo análises, a figura dos Beatles andando em linha simbolizaria o funeral de Paul. John Lennon aparece na frente, vestindo branco. Ele então seria o padre ou o médico. Ringo Star, em segundo, trajando preto, seria o agente funerário. Paul, de paletó, seria o falecido, enquanto que George Harrisson, vestido informalmente, seria o coveiro. Como se pode observar na figura, um carro está disposto bem na direção de Paul. Na Inglaterra, como a posição de direção é na esquerda, o carro então já o teria atingido.
O carro de polícia parado na rua dá parece atender alguma ocorrência, no caso, um acidente de trânsito. Porém três fatos chamam maior atenção dos ‘pesquisadores’ da história:
Paul sendo canhoto está segurando um cigarro em sua mão direita. Na Inglaterra, os mortos costumam ser sepultados descalços. Paul é o único que ‘desfila’ sem sapatos. Seus olhos estão fechados.
Além disso, existem outras referências estranhas, como a inscrição da placa de um fusca branco: LMW 28IF. As letras iniciais significariam algo como “Linda McCartney Weeps” (Linda McCartney Chora) ou “Linda McCartney Widow” (Linda McCartney Viúva). Os números, seguidos das iniciais “IF”, seriam uma menção à “28 years IF alive” (28 anos SE vivo). Em uma parede onde está escrito “Beatles – Abbey Road” aparecem alguns furos. Se ligados, os furos formam o número 3, dando a entender que seriam então ‘3 Beatles’. Em outro álbum, “Magical Mystery Tour”, uma foto do encarte traz os quatro Beatles vestindo paletós brancos. Na lapela de três deles pode-se observar um cravo vermelho. Um único cravo preto está na lapela de Paul. Existem outras diversas referências a esta lenda, como falas em músicas, ou trechos que, quando reproduzidos inversamente reproduzem frases alusivas à suposta morte de Paul McCartney. É claro que existe muito fanatismo em tudo isso, mas são no mínimo estranhas tantas referências inseridas nas obras dos Beatles sobre tal história. Paul McCartney está hoje com 68 anos. Se for ele ou não, tudo depende de sua crença. Os Beatles sempre negaram tal fato, mas, com toda certeza, não deixaram de se divertir com a história
Fernando Pineccio (adaptado)

Paul McCartney - Breve Historia


Paul McCartney teve o primeiro contato com a música através de seu pai, que liderava uma banda de Jazz em Liverpool. 

Aos 14 anos, Paul perdeu a mãe devido a um câncer no seio. Nessa época ganhou seu primeiro violão. No ônibus que o levava à escola, conheceu George Harrison, com o qual fez uma amizade que seria duradoura. 

Em uma festa na igreja de São Pedro, em Woolton, Paul foi apresentado a John Lennon, que o convidou para fazer parte do seu grupo The Quarry Men. A dupla formada por John e Paul era perfeita para escrever canções e daria origem aos Beatles. 

Depois do fim oficial dos Beatles, em 1970, Paul continuou carreira solo, lançando logo em seguida o álbum "Paul McCartney" (1970). Com sua mulher Linda Eastman montou a banda Wings, com a qual gravou oito álbuns de 1971 a 1979. 

Em 1969, uma lenda divulgada afirmava que Paul McCartney havia morrido em um acidente de carro e toda a charada poderia ser decifrada a partir da foto da capa do disco "Abbey Road". Com o fim dos Wings, McCartney gravou mais 22 álbuns de 1979 a 2007, numa carreira que coleciona sucessos. 

Em 1998 faleceu sua mulher Linda e em 2002 casou-se novamente com a ex-modelo Heather Mills, com teve uma filha em 2003. Divorciaram-se em 2006. Paul também é pai de três filhos do seu casamento com Linda. 

Em abril de 1990 Paul realizou uma apresentação no Maracanã, no Rio de Janeiro e foi o único beatle a se apresentar no Brasil. 
No fim do ano de 2007 Paul foi submetido a uma angioplastia coronária para o desentupimento das artérias.

4 de jul. de 2008

Segredo de violino Stradivarius está na madeira, diz estudo


Cientistas holandeses descobriram que o segredo da qualidade do som dos famosos violinos Stradivarius está na homogeneidade da densidade da madeira usada na fabricação dos instrumentos. 


O estudo comparou tomografias feitas da madeira usadas em cinco violinos antigos - produzidos há cerca de 300 anos pelos famosos luthiers Antonio Stradivari e Guarneri Del Gesu - com oito modelos mais modernos. 


Os resultados indicaram que, de maneira geral, a densidade da madeira da tampa (abeto) e da caixa (ácer) dos instrumentos é a mesma. No entanto, os exames demonstraram que os violinos antigos têm uma densidade mais homogênea do que os modernos, que apresentam densidade mais inconsistente. 


"Essa diferença na rigidez do instrumento poderia afetar a vibração do violino e modificar a radiação do som", diz o estudo, liderado pelo cientista Berend Stoel, da Universidade de Leiden. Segundo os pesquisadores, a diferença na densidade explicaria porque, "em um consenso geral, nenhum luthier foi capaz de replicar a qualidade sonora dos violinos Stradivarius". Madeira O estudo, publicado na edição desta quarta-feira da revista científica Public Library of Science One, ressalta ainda que as variações de densidade estariam relacionadas com o plantio de árvores que fornecem as madeiras. 


De acordo com a pesquisa, as árvores que crescem durante os meses da primavera tem uma densidade menos homogênea do que as que crescem durante o verão e o inverno. No caso do Stradivarius, por exemplo, houve ainda um outro fator que pode ter contribuído para a densidade da madeira usada na fabricação dos instrumentos. No início de 1700 – período de fabricação dos violinos - houve uma redução da atividade solar que resultou em um período de frio intenso e fez com que as árvores crescessem mais lentamente e sendo submetidas a menos variações de temperatura. 


Segundo o estudo, as descobertas sobre a homogeneidade da densidade das madeiras pode ajudar na "réplica das qualidades tonais desses instrumentos antigos". Antonio Stradivari iniciou a fabricação dos violinos em 1860, na cidade de Cremona, na Itália. No total, o luthier criou mais de mil instrumentos, entre violoncelos, violinos e violas e até uma harpa. Destes, apenas 650 ainda existem e são procurados por colecionadores e instrumentistas do mundo todo. Em 2006, um violino Stradivarius conhecido como The Hammer foi vendido em um leilão por US$3,5 milhões (R$5,5 mi).
BBC

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