30 de out de 2014

6 mentiras que você ouviu sobre ser chefe

Engana-se quem pensa que virar chefe significa se livrar para sempre das tarefas maçantes do cotidiano e só observar "tranquilamente" o trabalho dos outros.
O  líder na verdade é um acumulador de funções, segundo explica João Marcelo Furlan, sócio da Enora Leaders. “A menos que tenha um altíssimo cargo dentro da empresa, você ainda vai ter algum papel operacional”, afirma ele.
Furlan diz que a necessidade de executar tarefas técnicas surpreende sobretudo os novatos. “Quem é inexperiente muitas vezes esquece que chefes também têm os seus próprios chefes, e precisam elaborar planilhas, documentos e relatórios para eles”, ilustra o especialista.
Muitos aspirantes à cadeira do patrão também ignoram que estar em um cargo de liderança implica ter diversas obrigações e dificuldades que passam longe das preocupações do resto da equipe.
Com a ajuda de Furlan, alguns equívocos ligados ao assunto que merecem ser desconstruídos. Veja a seguir:
1. A equipe vai te obedecer só porque você é o chefe
Acha que ter autoridade é suficiente para garantir a produção? Ledo engano, diz Furlan. “Não adianta mandar as pessoas fazerem algo, elas precisam ter vontade de atender aos seus pedidos”, explica.
E isso não é nada fácil. De acordo com ele, motivar outras pessoas é uma habilidade que exige treino, maturidade e uma boa dose de inteligência emocional.
2. É mais fácil ver a entrega ser feita do que fazê-la
“A vida do chefe não é nada mansa”, brinca Furlan. Ao contrário do que muitos pensam, gerar resultados a partir do trabalho de outras pessoas pode ser muito custoso.
“Você precisa ter capacidade técnicas, para planejar e organizar as tarefas alheias, mas também habilidades mais comportamentais, para mobilizar e acompanhar as pessoas”, diz o especialista.
3. O chefe tem independência para fazer o que quiser
Ser líder não significa ter licença para tomar decisões arbitrárias. “Você ainda vai ser parte do sistema e, como tal, precisará se adaptar às suas regras e limitações”, explica o sócio da Enora Leaders.
O chefe precisa se moldar a todo tipo de restrição. O orçamento, por exemplo não está à sua plena disposição, e nem as suas ideias podem contrariar a estratégia global da empresa. “Existem também muitas disputas internas e jogos de poder que diminuem a liberdade do líder”, comenta Furlan.
4. Sua relação com antigos colegas não vai mudar porque você virou chefe
De uma forma ou de outra, assumir uma posição gerencial afeta os relacionamentos que você construiu até então na empresa. “Você passa a ter acesso a informações confidenciais e, querendo ou não, é obrigado a jogar no time do patrão”, afirma o especialista.
Segundo ele, precisar defender os interesses da empresa - mesmo que isso signifique demitir um amigo, por exemplo - causa frustração em muitos chefes novatos. “É difícil, mas você precisa estar preparado para se afastar um pouco”, diz.
5. Se você não conseguir atender à expectativa, tudo bem
Ao dar uma promoção, a empresa oferece também um voto de confiança - mas ele não é para sempre. “É um caminho sem volta: você não pode retornar a uma posição operacional, caso não dê certo”, diz ele.
Em outras palavras, as expectativas precisam ser correspondidas para que o chefe se mantenha no cargo. “Você precisa ter certeza de que está preparado para liderar antes de aceitar um convite como esse”, afirma.
6. A chefia é a linha de chegada da carreira
Outro mito comum é pensar que o chefe é o “sabe-tudo” que atingiu o nível máximo de desenvolvimento na empresa. “Na verdade, essa é justamente a hora em que você mais vai aprender’”, diz o especialista.
Se é provável que o profissional tenha sido alçado à chefia porque era um bom "técnico", é fato que ele passará a ser avaliado em quesitos até então inéditos para ele. “É como se jogassem você em uma piscina: ou você aprende a nadar ou vai engolir água”, brinca Furlan.
Claudia Gasparini

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