11 de set de 2014

Endometriose


O período menstrual sempre foi uma tortura para a paulistana Cássia Ribeiro, 37 anos. “Passava tão mal com as cólicas que não conseguia sair da cama. Cheguei a faltar muitas vezes no trabalho”, conta. Diante do desconforto, seu ginecologista investigou o problema e detectou a doença em estágio inicial.

Já a paulistana Márcia Neves, 33 anos, nunca se queixou das dores mensais para o seu ginecologista. “Sentia uma dorzinha no primeiro dia da menstruação, mas achava normal”, lembra. Depois de várias tentativas fracassadas para engravidar, veio a surpresa: endometriose severa. Os órgãos internos de Márcia, como ovário, trompas e intestinos, estavam com aderência e com a funcionalidade comprometida.

Assim como Cássia e Márcia, cerca de 6 milhões de brasileiras possuem o problema, que pode apresentar tanto dores alarmantes como ser silencioso. Segundo o professor Cláudio Crispi, especialista em endometriose e coordenador do Serviço de Endoscopia Ginecológica do Instituto Fernandez Figueira/Fiocrux, a doença é conhecida há muitos anos, mas a grande dificuldade sempre foi obter o diagnóstico correto. Normalmente, a mulher descobre o problema dez anos depois, já em estágio avançado. Esse é o maior drama, pois a pior consequência é a infertilidade, que muitas vezes acaba com o sonho da maternidade. Quer mais motivos para ficar atenta? Informe-se sobre o assunto e fique esperta aos sinais do seu corpo. O que é endometriose? É uma doença que ocorre em mulheres em fase reprodutiva quando o endométrio (tecido que reveste o interior do útero e que é expelido durante a menstruação) é encontrado fora do útero -- nos ovários e trompas por exemplo.

Nessas regiões, o tecido endometrial se desenvolve em formato de nódulos, que também são estimulados pelos hormônios do ciclo menstrual, sofrendo pequenos sangramentos e causando uma intensa inflamação no local. Se a doença não é diagnosticada no início, progride e intensifica a reação inflamatória, podendo invadir a bexiga, causando cistites e sangue na urina, e o intestino e o reto, provando dor, diarréia ou prisão de ventre. Toda essa inflamação também pode causar aderência entre os órgãos internos e a deformação do aparelho reprodutor, impendido a mulher de engravidar. Quais são os sintomas da endometriose? A maioria das mulheres que tem a doença sente dores intensas antes e depois da menstruação (normalmente pior que as cólicas menstruais), outras não relatam nenhum sintoma e só descobrem o problema quando enfrentam dificuldade na gestação.

Veja outros sintomas que podem indicar a doença:
 • Dor durante e depois das relações sexuais
• Dor pélvica (embaixo do ventre)
• Hemorragias abundantes ou irregulares
• Fadiga • Evacuação dolorosa durante o período menstrual
• Dor na parte inferior das costas durante o clico menstrual
• Diarréia e/ou prisão de ventre e outros transtornos intestinais durante a menstruação

 Como diagnosticar a endometriose? Ressonância magnética, ultrassonografia transvaginal e exames de sangue (CA 125) podem mostrar algum sinal da doença, mas o diagnóstico só é realmente confirmado pela videolaparoscopia (um procedimento cirúrgico minimamente invasivo que examina a condição dos órgãos abdominais). Quem possui endometriose profunda, localizada no intestino, pode contar com a ecoendoscopia, o método mais preciso para avaliar a dimensão do problema intestinal. “Diante do resultado do exame, o médico pode programar com mais segurança a cirurgia, que pode ser simples ou mais complexa”, explica Lúcio Rossini, coordenador do Centro Franco-Brasileiro de Ecoendoscopia (CFBEUS) da Santa Casa de São Paulo. Se a doença estiver em um estágio avançado, é preciso realizar a cirurgia com um coloproctologista na equipe, especialista que pode operar o reto.

 COMO FUNCIONA A VIDEOLAPAROSCOPIA: sob anestesia, o médico dilata o abdômen da paciente com gás de dióxido de carbono para facilitar a visualização dos órgãos através de uma microcâmera de vídeo introduzida por uma pequena incisão no umbigo. A imagem é mostrada em uma tela de televisão. O cirurgião movimenta o aparelho de forma minuciosa para examinar a região. Através da videolaparoscopia, o ginecologista também pode realizar a cirurgia. Quando a endometriose compromete o intestino, além do ginecologista, recomenda-se a presença de um coloproctologista (especialista que pode operar o intestino baixo) ou de um cirurgião-geral na equipe.
COMO FUNCIONA A ECOENDOSCOPIA: após a sedação, o especialista introduz um tubinho com um ultrassom na ponta. A imagem é vista em tempo real na TV e, se houver necessidade de coletar material, biopsias podem ser feitas durante o procedimento. O exame dura, em média, 20 minutos. Como tratar a endometriose? A doença não tem cura definitiva, mas você administrar bem os sintomas e os efeitos. O tratamento com medicamentos pode ser eficaz no controle da dor, mas os sintomas tendem a voltar após a parada da medicação. A paciente também fica impossibilitada de engravidar porque a ovulação é bloqueada. Já o tratamento cirúrgico, além de melhorar as dores, aumenta a chance da gestação, porque reduz os focos da doença.

Quem tem dificuldade para engravidar pode recorrer à indução de ovulação, inseminação ou fertilização assistida. Análogos do GnRH O hormônio provoca uma “pseudomenopausa” (um estado semelhante a menopausa) e estabiliza a endometriose por meio da redução da produção de estrogênio. O medicamento pode provocar ondas de calor, sudorese, depressão, perda de libido e secura da vagina durante a menopausa induzida. O tratamento é indicado por no máximo seis meses. Após esse período, a mulher pode apresentar perda de massa óssea. Anticoncepcional oral O método inibe a produção hormonal pelos ovários e a menstruação, evitando a formação do tecido endometrial. São indicados para mulheres que não desejam engravidar por período de tempo calculado. Os anticoncepcionais oferecem menos efeitos colaterais que os análogos do GnRH. DIU O dispositivo intrauterino (DIU) de progesterona é tão eficaz no controle da doença quanto os métodos tradicionais e com uma vantagem, a dose do medicamento é bem menor e causa menos efeitos colaterais que os anticoncepcionais orais. A duração do tratamento é de cinco anos, portanto, indicado para mulheres que não desejam engravidar nesse período.

 Progesterona pura
É uma “pseudogestação” (um estado semelhante à gestação), que é conseguida com o uso de contraceptivos orais contendo estrogênio e progesterona, apenas progesterona oral ou por meio de injeções a cada três meses. Você pode ter depressão e ganhar peso com o tratamento. É indicado para mulheres jovens, que não desejam engravidar tão cedo, porque a a falta de menstruação pode ser prolongada por até um ano depois do término do tratamento. Ooforectomia O procedimento é mais radical. A cirurgia retira os ovários e tem sido considerada como cura “definitiva”, porém pesquisas da Endometriosis Association (uma associação americana de endometriose) apontam uma proporção pequena de retorno e continuidade da doença em pacientes que se submeteram ao recurso. Videolaparoscopia A cirurgia trouxe não só a possibilidade de diagnosticar com exatidão a endometriose como também possibilita parte do tratamento com a retirada do tecido endometrial e cauterização dos focos.

Posteriormente um tratamento com medicamentos é indicado. Práticas alternativas podem ajudar no tratamento da endometriose? Já que a doença está relacionada ao sistema imunológico (os soldados do próprio corpo não dão conta de cumprir a missão de eliminar as células uterinas invasoras) e ao stress da vida moderna, cuidar do bem-estar é primordial para evitar e tratar o problema. Os tratamentos alternativos vão garantir maior resistência à doença, estabilidade emocional e qualidade de vida. Acupuntura A técnica milenar que funciona por meio da ativação de canais de energia ou meridianos reduz a ansiedade de quem enfrenta a dificuldade para engravidar. A técnica ajuda a aumentar a irrigação sanguínea dos órgãos reprodutivos femininos, a regular os hormônios e a favorecer a fixação dos embriões no útero. Nutrição As vitaminas e minerais, vindas das frutas e vegetais, são fundamentais para amenizar os sintomas da doença e a recuperação da fertilidade. Se a sua médica detectar a deficiência de algum nutriente, você pode complementar com suplementos. A carência de vitamina B1, por exemplo, pode provocar fadiga, fraqueza muscular, falta de apetite, irritabilidade, depressão, dificuldade de memorização, formigamento nas extremidades dos membros, náuseas e digestão difícil.

Atividade física
Quem tem endometriose precisa mexer o corpo.
“A endorfina produzida durante as atividades aeróbicas regula a imunidade e segura o excesso de estrogênio”, explica Maurício Abrão, presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose. Aproveite para experimentar uma atividade diferente e colocar o projeto de malhação em dia. Além de curvas enxutas, você ganha mais ânimo e resistência. Massagem O massoterapueta Kiyoshi Nagaoka desenvolveu o método Tsuya, que usa toques de reabilitação, feitos com manobras na região lombar, cintura pélvica e cóccix para aliviar e tratar os sintomas da endometriose. “O resultado é o relaxamento de toda a musculatura do corpo e a melhora da circulação sanguínea nas regiões mais afetadas, que são o ovário e o útero”, explica o profissional.

 Onde buscar ajuda? Portal da Endometriose

O site possui informações atualizadas e um canal para tirar as dúvidas com um especialista.
SITE: www.portaldaendometriose.com.br Endometriosis Association A associação fornece literatura, em inglês, sobre o assunto. É só fazer o cadastro, pagar uma taxa, e o material chega em casa.
SITE: www.endometriosisassn.org Associação Brasileira de Endometriose A campanha nacional Dói mais não saber, lançado no mês de maio pela sociedade, esclarece as dúvidas sobre a doença
SITE: www.sbendometriose.com.br
Deise Coelho

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