5 de dez de 2010

Angelina Jolie

Um só planeta, dois mundos tão distantes. Porém, há tantos que despertam e adormecem com fome. A Terra produz o suficiente para todos.Políticos de um partido qualquer, comemoram uma vitória qualquer, numa eleição qualquer. Que diferença faz...? Cada vez mais imersa em escândalos, falcatruas e no seu eterno teatro de vaidades, a política partidária se distancia cada vez mais daqueles a quem deveria servir: o povo. As bolsas de valores comemoram os crescentes lucros obtidos com rentáveis ações. É a festa dos ricos, cada vez mais ricos. Enquanto isso, no outro extremo, a vã espera por qualquer resto, migalha ou sobra que possa atenuar a fome. Que cruel abismo é este que construímos...? De um lado, o consumo desenfreado, e do outro, nada para consumir. Como a vida é frágil, se a abandonam. Separados pelo abismo, dois mundos diferentes: de um lado, o nosso mundo, o dos abençoados pelo destino; do outro, o triste mundo da grande maioria de excluídos, esquecidos, ignorados pelo destino. Enquanto a maioria prefere ignorar o que se passa do outro lado do abismo, existem, ainda bem , aqueles que enxergam além, se preocupam, e tentam construir pontes. E uma destas pessoas se chama Angelina, ‘pequeno anjo’ em italiano. O que leva uma jovem atriz a abdicar de todo conforto, e viajar meio mundo para aliviar com seu abraço um coração entristecido? O garoto africano, de sete anos de idade, traumatizado pelos tantos conflitos tribais que já presenciou, vive excessivamente agitado, motivo pelo qual sua família o mantém amarrado o tempo todo. Durante a visita, diante do carinho e do abraço, aquietou-se. Há sete anos envolvida em trabalhos humanitários, Angelina Jolie conta que durante os primeiros dois anos chorava continuamente durante as viagens. Hoje, diz que aprendeu a controlar melhor o sentimento de desespero diante de tamanha miséria, e que busca meios que viabilizem uma solução para os tantos problemas encontrados. Como embaixadora da boa vontade das Nações Unidas, ela tem percorrido dezenas de países: Chade, Costa Rica, Índia, Paquistão, Líbano, Sudão, Tailândia, Sri Lanka, Tanzânia, Equador, Namíbia, Camboja, Serra Leoa, entre outros. Foi primeira pessoa a ser agraciada com o título de “Cidadã do Mundo”, conferido pelas Nações Unidas. Foi fotografada em Nova Delhi, Índia, durante uma visita a crianças refugiadas afegãs, ajudando a construir cabanas para refugiados, na Tanzânia. “Eu não me sinto apenas americana, mas também cidadã do mundo.” Angelina Jolie foi escolhida pela revista Time como a segunda mulher mais influente do globo. Além de emprestar sua imagem, e doar seu tempo e dinheiro a refugiados e órfãos, ela procura levar a realidade que vivencia nas suas viagens até os líderes mundiais e governantes dos países ricos, propondo soluções e cobrando ações. Segundo a reportagem da revista Time, doa um terço de seus rendimentos em prol das causas humanitárias. Chamar a atenção do mundo às causas humanitárias, envolvendo-se intensamente em cada projeto, também tem seus riscos. Enquanto visitava Angola juntamente com a Unicef, após a guerra em 2002, foi contaminada gravemente pela malária, chegando a quase perder a audição. Na época, ao comentar o episódio numa entrevista, afirmou: “Existem alguns riscos que são dignos de se correr, porém o medo de riscos é indesculpável. Você tem que defender aquilo em que você acredita.” Numa outra entrevista, ela afirma que durante a adolescência era um tanto rebelde, e que não conseguia se imaginar constituindo família algum dia. Acrescenta que a oportunidade de colaborar para uma causa mais nobre mudou toda a sua maneira de enxergar a vida. “O que eu tenho feito tem me dado uma nova perspectiva e me levado a descobrir um outro mundo, de dor e medo. Alcançar o próximo me conduziu a uma vida de significado”. Certa vez, interrogada por um jornalista sobre as suas motivações humanitárias, respondeu: "Gostaria que Maddox, um de seus três filhos adotivos, se recordasse de mim não apenas como uma atriz que atuou bem e que por isso ganhou prêmios, mas também como alguém que se preocupou com os outros e que fez, ou que pelo menos tentou, com que o mundo fosse melhor para os outros". Angelina representa este momento de ressaca e digestão dos tempos de excesso, em que questões antes tidas como públicas viram responsabilidade pessoal. "Sexy sem ser vulgar, Angelina concentra a versatilidade do papel feminino contemporâneo. Suas mil faces não deixam espaço para a imagem certinha. É o novo tipo de celebridade. Enfim, uma heroína de carne e osso". (Camila Piza, psicóloga) "Guerreira e frágil, a diva ambígua constrói, com um velho coração maternal, uma nova família multiracial". (Dario Caldas, sociólogo) Uma heroína com os olhos voltados para o mundo real, que ela tenta melhorar com compaixão e bravura. As premiações, o Oscar e o Globo de Ouro que ela acumula, os filmes e os festivais tudo isso passará. Porém, o amor, a solidariedade, a generosidade e a compaixão. São estes os bens eternos, que para sempre acompanharão aqueles que os manifestam. "Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente". (Érico Veríssimo)

2 comentários:

Anônimo disse...

"'Ela teria se envergonhado', pensou ELE, 'se visse isto...
Começaria a tossir, simularia morrer, para escapar ao ridículo. E eu seria obrigado a fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela seria bem capaz de morrer de verdade...'"
Ou de saudade? Não me lembro muito bem.
O Pequeno Príncipe
Antoine de Saint-Exupéry

Anônimo disse...

"E ele se sentiu profundamente infeliz. Sua flor lhe havia dito que ela era a única de sua espécie em todo o Universo.
E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim"
O Pequeno Príncipe
Antoine de Saint-Exupéry

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