6 de dez de 2010

Brahma, o deus da criação


No hinduísmo, Brahma é o deus da criação. Junto de Vishnu, o mantenedor, e Shiva, o destruidor, compõe a Trimurti, trindade dos principais deuses hindus. 


Comumente, é representado com quatro cabeças, quatro braços e a pele vermelha. Desloca-se pelos ares carregado por um cisne e traz em cada mão um objeto: a escritura fundamental do hinduísmo - os Vedas; uma flor de lótus representando o mundo criado; um cetro, que simboliza sua capacidade de reinar; uma vaso contendo água, mostrando que o deus é um asceta e um rosário, usado durante a meditação. 


Segundo Glória Arieira, professora de Vedanta do Rio de Janeiro, confundir o deus mitológico Brahma, com o conceito filosófico brahman é um erro muito comum, porém muito grave. “Brahmam, o absoluto, é a verdade essencial que existe em todos os seres, diferente de Brahma, o criador, deidade da mitologia hindu”. 


A professora dá um exemplo para tornar os conceitos mais claros: “Pense num pote de barro. Se falamos da figura que o produziu, falamos do criador. Agora, se você fala do barro, do material constituinte deste e de todos os outros potes, falamos da natureza intrínseca dos seres, falamos do absoluto”. 


Anderson Allegro, professor do Aruna Yoga, em São Paulo, explica que brahmam é a consciência que permeia tudo aquilo que existe. “Ele é responsável por movimentar o universo. Na verdade, é graças a brahman que o universo existe”. Ele conta ainda que o absoluto está diretamente ligado ao mantra OM, pois este é a representação do infinito. 


“Ao entoá-lo relembramos desta essência que é o brahman, essência que está dentro de todos nós”. Um deus sem lar Diferente de deidades como Vishnu e Shiva, que possuem templos ao redor do mundo que lhes fazem reverência, Brahma tem apenas um, localizado no lago Pushkar em Ajmer, na Índia. 


Segundo Glória, isso acontece pois não há o que pedir para o deus. “Ninguém pede criação, porque isso nós já temos”. Anderson explica o fato pela mitologia hindu. Segundo ele, Brahma nasceu de uma flor de lótus que saiu do umbigo de Vishnu. Sem saber disso, Brahma encontrou Vishnu descansando no oceano primordial. Sendo ele aquele que tudo criou, achou estranho encontrar alguém que nunca viu. Perguntou a Vishnu quem era e o que fazia ali. 


Os dois, porém, começam uma discussão. No meio da briga, Brahma descobriu a verdadeira história sobre o seu nascimento e ficou revoltado, afinal, ele é o criador do universo, como poderia ter se originado do corpo de outro deus? Durante a discussão, um pilar de fogo - cujo tamanho é infinito - sai do solo. 


Muito surpresas, as deidades decidem fazer uma aposta: o deus mais antigo será aquele que conseguir encontrar o fim do pilar. Brahma saiu voando e Vishnu transforma-se em um javali e cava a terra. No meio do caminho, Brahma encontrou uma flor caindo do céu. Perguntou se ela sabia onde era o fim do pilar. Ela disse que não, que estava caindo por toda a eternidade e sempre viu o pilar ali. Brahma, então, resolve trapacear. Pede à flor que vá com ele até Vishnu e lhe diga que Brahma encontrou o fim do pilar e ganhou a aposta. A flor concorda. 
Thaís Harari

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