
O verdadeiro amor ao outro é fruto do amor a si mesmo. Quem não se ama, não se respeita, não luta pelos próprios interesses e não amará de verdade a outra pessoa. Não há incompatibilidade entre o amor a si mesmo e o amor ao próximo. No evangelho está escrito: “Amar ao próximo como a si mesmo”. Infelizmente nos ensinaram, desde cedo, a nos sacrificarmos pelas pessoas através da renuncia às próprias necessidades, como prova de amor.
Esse comportamento leva à depressão. A bondade excessiva, ou seja, aquela que para ser praticada tem de nos prejudicar, não é sadia e traz muitas conseqüências para os relacionamentos. A principal delas é a cobrança. Mães que se sacrificam pelos filhos, esposas que abrem mão das próprias necessidades pelos maridos, amigos que só pensam nos outros, mais cedo ou mais tarde, irão cobrar o sacrifício feito. É claro que devemos ser bondosos para com os outros, mas também verdadeiros. Dizer “não” faz parte da relação amorosa. A verdade é tão importante quanto a bondade. Todo “não” que dermos a alguém que for um “sim” para nos é sagrado.
E por que tanta dificuldade em negar alguma coisa para alguém? Primeiro, por causa do sentimento de culpa. Quando crianças, em geral, éramos obrigados a sempre agradar os pais. Quando isso não ocorria, éramos muitas vezes culpados ou castigados. Aí nasceu o sentimento de culpa. Parece que quando damos um “não”, estamos sendo egoístas e maldosos. O que não é verdade, afinal, estamos apenas sendo verdadeiros. O segundo motivo é o medo de não sermos amados. Queremos comprar o amor das outras pessoas com a nossa submissão. É como se estivesse escrito na nossa cabeça: “Agrade sempre”. Não vale a pena ser amado dessa forma. O amor principal, origem de um relacionamento, é o amor que devemos ter a nos mesmos. O amor ao outro é transbordamento de nossa auto-estima, e não fruto de nossa auto-aversão.
Antônio Roberto
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