21 de jan de 2009

As diferenças de Pixar e Dreamworks

Desenho não é coisa só de criança há um bom tempo. E isso se deve - e em muito - a Pixar (de Toy Story, Procurando Nemo, Wall-E, etc.) e a Dreamworks Animation (de Shrek, Madagascar, Kung-Fu Panda, etc.). Equilibrando humor hora ingênuo, hora sarcástico, e por vezes até malicioso - no caso da Dreamworks -, a roteiros descolados e uma infinidade de referências pop, suas produções ganharam adultos e crianças. E mais: essas animações - principalmente da Pixar - têm se mostrado uma das únicas garantias de boa diversão oferecida pelo cinema. Mas, apesar das aparentes semelhanças, esses gigantes são bem diferentes. Pioneira e criativa
Desde que a Pixar (conjunção fonética de ''pixel'' e ''arte'') revolucionou o cinema, com o aclamado Toy Story, de 1995 - primeiro filme feito em computação gráfica - a história se repete. A cada produção, ela nos apresenta novos carismáticos personagens - talvez por isso, o peixinho Nemo, o astronauta Buzz Lightyear e o robô Wall-E são para os pequenos de hoje o que Mickey, Bela e Simba foram para gerações anteriores. O segredo está não só na excelência técnica, mas também na criatividade dos argumentos e na originalidade das abordagens. Na prática, o que se vê é a mais consistente e - até hoje - ininterrupta sequência de sucessos do cinema. Ao todo, são nove produções - sendo uma continuação, justamente de Toy Story - que arrecadaram nos cinemas U$S 5 bilhões e conquistaram 24 indicações e seis prêmios Oscar. A companhia, que começou como uma divisão da Industrial Light & Magic, do diretor George Lucas (de Guerra nas Estrelas), apenas ganhou o nome Pixar ao ser comprada, em 1986, por Steve Jobs (ele mesmo, o pai do iPod e iPhone). Hoje, a Pixar pertence a Disney, que desembolsou, em janeiro de 2007, U$S 7,4 bilhões por ela, e tornou Jobs seu maior acionista. Apesar disso, os departamentos de animação dos estúdios continuam a trabalhar separados, porém sob o comando de um mesmo homem. Seu nome: John Lasseter, do pioneiro Toy Story, que curiosamente foi despedido da Disney no início dos anos 80 ao sugerir um desenho em computação gráfica, algo considerado caro e sem futuro. Não por acaso, a nova animação da Disney (que inventou esse gênero), Bolt, é seu melhor desenho desde O Rei Leão, de 1994. A Pixar atualmente prepara o lançamento de Up. O filme, que chega em junho, de cara encanta pela curiosa e inventiva história: vendedor de bexigas de 78 anos chamado Carl Fredricksen resolve amarrar milhares delas à sua casa e sair voando; o que Carl não sabe é que um escoteiro de 8 anos embarcou sem querer nesta aventura. O ótimo trailer está disponível em www.pixar.com/featurefilms/up. Além disso, o título marca a adesão do estúdio, que produz só desenhos em computação, a onda de filmes em 3D. Testado e aprovado Três anos depois da Pixar lançar Toy Story, a Dreamworks apresentou sua primeira animação em computação. Formiguinhaz, lançado, em 1998, já mostrava algumas das suas principais características, como o uso de dubladores super-famosos, como Woody Allen, Sharon Stone, Sylvester Stallone e Gene Hackman. Apesar do início pouco empolgante, a Dreamworks não demorou a mostrar suas armas, a mais evidente os roteiros pra lá de irreverentes. Com Shrek, em 2001, ela não só conquistou crítica e público, como satirizou, da primeira a última cena, a Disney. Em uma paródia a Cinderela, Fiona fazia dueto com um passarinho, até levá-lo à morte com seus agudos. Já em outra cena, Branca de Neve e - novamente - Cinderela resolviam suas desavenças no tapa. As piadas renderam boas risadas e meio bilhão de dólares aos cofres do estúdio. Assim, passados três anos, lá veio a Dreamworks nos oferecer mais do mesmo. Shrek 2 potencializava o que havia agradado na primeira versão e era superior ao antecessor. Resultado: maior bilheteria da história de um desenho - marca que ainda se mantém. A partir daí, o fato é que de repente o modelo testado e aprovado em Shrek virou fórmula - muito bem sucedida, é verdade. Entre os altos e baixos, que se seguiram, Madagascar e Kung-Fu Panda foram os filmes mais rentáveis. Logo, o primeiro deu origem a uma continuação em cartaz no País e já tem uma segunda anunciada, o mesmo vale para o longa do panda Po que deve ganhar uma sequência em 2011. Antes disso, em 2010, será a vez de Shrek fazer sua quarta aparição. Ao todo, a Dreamworks já produziu 12 animações digitais - sendo três continuações - que juntas arrecadaram U$S 5,1 bilhões no cinema e conquistaram cinco indicações e um prêmio Oscar . Atualmente, a Dreamworks trabalha em Monstros vs. Alienígenas, que estreia em abril e será seu primeiro filme em 3D. Na verdade, Dreamworks e Pixar anunciaram que a partir deste ano todas as suas produções serão exibidas no formato. De qualquer forma, o novo longa promete ser uma sátira aos filmes B da década de 50 - olha a fórmula ''Shrek'' aí de novo (Kung-Fu Panda também era uma sátira, no caso, dos filmes de artes marciais). O longa conta a história de uma garota gigante que luta ao lado de simpáticos monstros contra alienígenas. O trailer recheado de referências pop está disponível em www.paramountpictures.com.br. Ao contrário da Pixar, a Dreamworks já se aventurou pela animação 2D e pela animação stop-motion, com os bons A Fuga das Galinhas e Wallace & Gromit (ganhador de um Oscar). Atualmente, a Dreamworks parece presa a uma fórmula que invariavelmente envolve ''bichinhos fofos'' que se comportam como humanos e/ou vivem conosco. A Pixar, por sua vez, investe em histórias que fogem do lugar comum e impressionam pela variedade de temas. Celeiro Criativo A ascensão desses dois estúdios fez com que até o Oscar se rendesse, criando em 2002 o prêmio para melhor animação. De lá pra cá, em três oportunidades a Pixar sagrou-se vencedora e a Dreamworks em duas. Neste ano, Wall-E e Kung-Fu Panda são apostas certeiras entre os finalistas. Mas, para muitos especialistas, o longa da Pixar pode ir além. E se tornar o segundo desenho a conquistar uma vaga para o prêmio de melhor filme - o primeiro foi A Bela e a Fera, da Disney, em 1992. A lista de indicados do Oscar sai na quinta-feira (22). Hoje a Pixar, muito mais do que ser a marca mais forte quando o assunto é animação digital - posto que ela divide com a Dreamworks, e logo atrás vem a Blue Sky, de A Era do Gelo -, é indiscutivelmente o maior celeiro criativo do cinema americano. Um ateliê cuja criatividade dos seus artesãos parece não ter fim. Além disso, a Pixar é chefiada por um artista, o diretor John Lasseter, de Toy Story. Já a Dreamworks tem como todo-poderoso um homem de negócios, o produtor Jeffrey Katzenberg, ex-executivo da Disney. Eis uma pequena diferença que explica muita coisa.
Bruno Galo

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