4 de fev de 2010

A única alegria neste mundo é a de começar


A única alegria neste mundo é a de começar. É belo viver, porque viver é começar, sempre, a cada instante. 


Quando esta sensação desaparece - prisão, doença, hábito, estupidez - deseja-se morrer. 


É por isso que quando uma situação dolorosa se reproduz de modo idêntico - parece idêntica - nada apaga o horror que tal coisa nos provoca. 


O princípio acima enunciado não é, portanto, próprio de um viveur. Porque há mais hábito na experiência a todo o custo do que na charneira normal aceite com o sentido do dever e vivida com entusiasmo e inteligência. Estou convencido de que há mais hábito nas aventuras de do que num bom casamento. Porque o próprio da aventura é conservar uma reserva mental de defesa; é por isso que não existem boas aventuras. 


Só é boa aventura aquela em que nos abandonamos: o matrimônio, em suma, talvez até aqueles que são feitos no céu. Quem não sente o perene recomeçar que vivifica a existência normal de um casal é, no fundo, um parvo que, por mais que diga, não sente, sequer, um verdadeiro recomeçar em cada aventura.

A lição é sempre a mesma: atirarmo-nos para a frente e saber suportar o castigo. É melhor sofrer por ter ousado agir a sério do que recuar. Como no caso dos filhos: é de resto a Natureza que o quer, e recuar é covardia.
No fim - já se tem visto -, paga-se mais caro. 
Cesare Pavese

Charneira é um ponto de viragem, um ponto de transição de algo para outra coisa, um ponto de evolução e mutação.

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