26 de fev de 2012

Jung e os Fenômenos Mediúnicos


Uma série de três artigos foi publicada pela centenária revista italiana “Luce e Ombra” (Luz e Sombra), enfocando as experiências mediúnicas do fundador da moderna psiquiatria, Carl Gustav Jung (1885-1961), que privou da convivência do igualmente famoso Sigmund Freud(1856-1939), considerado o Pai da Psicanálise. Jung, porém, por aceitar a reencarnação e a comunicabilidade dos espíritos, deu um largo passo para melhor conhecer e compreender determinados sintomas da loucura, visões, sonho e algumas manifestações patológicas mal interpretadas pela ciência, como, por exemplo, a catalepsia, vista pelo cientista da psique como um determinado tipo de mediunidade.


No primeiro dos artigos, divulgados pela revista italiana e assinado pela médium e divulgadora espírita Paola Giovetti, importantes revelações são feitas e narrada a intimidade do Dr. Jung em reuniões mediúnicas, sem esquecer de trazer à tona como tudo havia começado para o jovem Carl Jung, desde tenra idade. Ele sabia do teor dos diálogos mantidos pelo seu pai com o Espírito Emilie, que fora nada mais nada menos que sua mãe, desencarnada quando era ainda bem pequeno. Esses encontros, entre o pai e o espírito da mãe, eram tão freqüentes e levados a sério que o pai de Jung mantinha uma cadeira propositadamente vazia em seu escritório, para “acomodar” o espírito visitante e com ele manter longos diálogos. E estas tertúlias provocaram ciúme na nova esposa, pois o pai de Jung era casado em segundas núpcias. Donde se pode concluir pela autenticidade do fenômeno, e neste caso específico, que o Sr. Jung fosse médium auditivo e muito bem dotado de mediunidade de vidência.

Eis, sem dúvida, o ponto de partida, o toque inicial que iria se desenvolver no correr dos anos e que acompanharia Carl Jung por toda a sua existência terrena, fazendo dele um grande estudioso dos fenômenos mediúnicos e deles tirando substanciosos ensinamentos e provas contundentes da comunicabilidade entre encarnados e desencarnados.

O segundo artigo, também divulgado no mesmo número da revista, pois estão seqüenciados, descreve a intimidade de Carl Jung na Suíça e é o resultado de uma visita que lhe foi feita em março de 1949 pelo estudioso da fenomenologia espírita Gastone de Boni, amigo de Ernesto Bozzano. Foi uma longa e proveitosa entrevista, que revelou interessantes detalhes sobre o comportamento de Jung, que residia então às margens do lago Zurique, num pequeno castelo onde vivia com a família, também conhecido como "La Torre".

Diante daquele estudioso e divulgador espírita, Carl Jung sentiu-se bem à vontade para comentar suas experiências e oferecer ao entrevistador uma série de fotos, inclusive com a família, e que foram estampadas pela revista para ilustrar os referidos artigos. Nesta entrevista, Jung estendeu-se sobre o assunto, e esse rico diálogo entre ambos veio contribuir para uma melhor apreciação sobre a real personalidade do Dr. Jung e de como este via e interpretava a mediunidade e os Espíritos que se serviam deste veículo de comunicação entre os mundos físico e material.

No terceiro artigo apresentado pela entrevista, o último da série, temos a assinatura do atual presidente da “Fondazione Biblioteca Bozzano – De Boni”, Massino Biondi, que dá um enfoque ampliado da vivência de Jung junto aos médiuns e aos espíritos. Igualmente contribui com uma riqueza de detalhes curiosos e valiosos sobre a infância de Carl Gustav Jung. Evidentemente, e não poderia deixar de ser, o enfoque é sob as lentes do Espiritismo.

O primeiro artigo traz o sugestivo título “O envolvimento de Carl Gustav Jung com as temáticas paranormais e espirituais”. O segundo é intitulado “Uma visita a Carl Gustav Jung”. E o terceiro e último da série, “Horizontes espiritistas de Jung”, que também traz revelações preciosas sobre as experiências mediúnicas vividas por Jung com dois grandes e reconhecidos médiuns austríacos, e da amizade entre Jung e o pesquisador Scherenck-Notzing.

“O pensamento e a obra de Jung (Carl Gustav Jung – 1875-1961) fazem parte do patrimônio cultural do nosso tempo, não somente porque se referem à psicologia e à psiquiatria, mas igualmente aos problemas religiosos, aos temas existentes entre religião e psicologia e, antes de tudo, aos fenômenos paranormais, pois é grande o envolvimento de Jung com as temáticas paranormais e espirituais”.

Assim começa o artigo da médium e divulgadora espírita italiana Paola Giovetti, sobre o fundador da moderna psiquiatria, texto esse estampado pela revista “Luce e Ombra” (Luz e Sombra), de Bolonha, com judiciosos comentários e interessantes revelações sobre este que foi discípulo de Sigmund Freud(1856-1939) e de quem recebeu as primeiras noções sobre psicanálise. O artigo, como divulgou o SEI de 4 de setembro, é intitulado “O envolvimento de Carl Gustav Jung com as temáticas paranormais e espirituais”.

Jung, filho de pastor protestante, desde cedo tomou contato com os relatos mediúnicos, interferências e comunicações espirituais através da leitura da Bíblia, em que aparecem os profetas (médiuns, na concepção espírita) sendo utilizados pelos espíritos orientadores para se comunicarem com o povo hebreu e assim orientá-lo. Nestas leituras tiveram início as indagações de Jung sobre os espíritos e seu relacionamento com a humanidade encarnada. Assim, desde criança Jung já se ocupava em traduzir ou entender os sonhos e os mistérios dos elementos psíquicos do mundo invisível.

Ainda na infância se viu privado da assistência materna, com o retorno de sua mãe ao Mundo das Verdades Imortais. Entretanto, e para seu consolo, a alma da bondosa genitora retornara do Além e se fazia presente no gabinete de trabalho do pai. Assim, naquele estúdio era mantida uma cadeira vazia para “acomodar” o espírito que, pontualmente e uma vez por semana, se apresentava e mantinha longos diálogos com o pai de Jung. Este fato foi presenciado por todos os moradores da casa e o fenômeno se dava de forma tão intensa que a segunda esposa do Sr. Jung sentia ciúmes com a presença daquele espírito de singular beleza.

Aos 20 anos de idade, Jung entra para a faculdade, ocasião em que desencarna o pai, que era seu amigo e mestre. Esse inesperado acontecimento lhe traz uma recordação muito triste por se lembrar ainda de quando se despediu de sua mãe querida. A partir daí se acentuaram no jovem Jung o interesse em entrar em contato (não sabia como) com o outro lado da vida. Por uma feliz coincidência, despontou nessa época a mediunidade ostensiva em uma de suas primas, Helene Preiswerk, que facilmente entrava em transe mediúnico, pondo-se em contato com os espíritos. Jung viu aí a oportunidade para obter as informações que desejava. 

Ele não se decepcionou, embora não ficasse de todo satisfeito com os resultados obtidos através da mediunidade de Helene. Expliquemos: as entidades que dela se serviam não eram as mais bem dotadas de conhecimentos e sabedoria. Estas experiências, que poderiam levá-lo ao desânimo, ao contrário, fortaleceram ainda mais seu interesse pelo intercâmbio com o invisível.

Pouco tempo depois, Jung se serviu desta experiência para apresentar uma tese ao professor Eugen Bleuer, com quem iniciara seus estudos de psiquiatria. Esta tese teve um título, aliás muito sugestivo: “Psicologia e patologia dos assim chamados fenômenos ocultos.”

Jung, até então, não dera interpretação, em termos espiritistas, àquelas manifestações mediúnicas e para as personalidades desencarnadas que se comunicavam através da médium Helene. Por outro lado, jamais negara o fenômeno, como ficou comprovado pela tese apresentada ao Prof. Bleuer, na qual afirma e autentica aquelas comunicações. Helene, por sua vez, declarava tratar-se de entidades desencarnadas, espíritos oriundos das esferas invisíveis, pois, segundo acreditava, seria incapaz de produzir aquelas manifestações observadas por Jung e atribuídas ao inconsciente, embora ele mesmo visse nos fenômenos “estruturas desconhecidas da personalidade tendentes a emergirem”.

Jung interpretava as manifestações a partir da psique, da qual tudo se originaria, sem atribuir aos Espíritos a sua causa geradora. Não se referia ao espírito, diretamente, mantendo-se na fronteira entre os dois mundos. Logo, porém, ele, senhor de uma sadia e forte personalidade, afirmaria: “Cheguei, vi e descobri alguns objetivos referentes à psique humana. Estas experiências (as mediúnicas) varreram fora da minha precedente filosofia a dúvida, o que me possibilitou chegar a uma posição muito interessante, do ponto de vista psicológico”.

Allan Kardec (1804-1869), dentro de uma visão mais ampla e que oferece um panorama coerente da vida, definiu o Espiritismo como ciência, filosofia e religião, sendo, por isto, uma árvore frondosa e capaz de acolher toda manifestação do sentimento e do conhecimento humanos.

Assim, a investigação sobre a realidade espiritual, a reflexão acerca da mesma e a associação desses esforços às noções de Deus e do destino, se incluem, naturalmente, no Espiritismo.

Carl Gustav Jung (1875-1961) foi um dos grandes colaboradores para a divulgação dos fenômenos mediúnicos, embora não conste que tenha feito uma profissão de fé nos moldes espíritas, pois, como cientista, evitou pronunciar-se ostensivamente quanto à realidade das comunicações, a sobrevivência da alma e até mesmo a reencarnação, embora toda a sua vida tenha sido cercada por médiuns e fenômenos.

Destacamos a mediunidade de sua mãe Emilie, que possuía a faculdade de vidência, naquele tempo interpretado como “segunda vista”, e que proporcionou algumas revelações na intimidade familiar, como descreve a Profª. Paola Giovetti em longo artigo recentemente divulgado pela revista “Luce e Ombra” (Luz e Sombra), da Itália, no qual afirma: “Este interesse pelos fenômenos ocultos foi sempre característico na família materna de Jung, e o próprio Jung, em avançada idade, confessou que a mediunidade de sua prima Elene lhe possibilitou caminhar muito em direção ao que ele chamava ‘reino das sombras’, e que ela foi ‘uma alma realizada”. Assim, enaltecendo a médium, Jung enaltece e valoriza a mediunidade.

Avançando em estudos sobre a fenomenologia mediúnica, Jung modifica a usada conceituação do subconsciente para empregar um novo termo, e assim definir os fenômenos mediúnicos: sincronicidade, conforme texto de uma carta enviada ao estudioso da paranormalidade, o inglês Dr. John R. Smythies, na qual se lê: “No meu trabalho sobre a sincronicidade não me esgoto de fazer especulações”. Isto escrevia ele em 1952, quando em seus estudos constatou e existência de relações significativas entre ocorrências nas quais não se observava uma ligação de natureza causal.

Jung dedicou boa parte de sua vida ao estudo dos sonhos e das visões, e ele mesmo viveu experiências interessantes neste vasto campo, embora lutasse com sérias limitações, pois agia sem o amparo e sem a interpretação que a Doutrina Espíritas oferece e que o ajudaria a melhor compreender que todos os espíritos reencarnados gozam de parcial liberdade enquanto repousa o corpo físico, o que lhes permite entrar em contato com outros espíritos, encarnados ou não.

Num desses momentos de parcial liberdade, Jung-espírito entrou em contato com vários desencarnados, sendo que um destes era uma entidade culta, que dialogou com ele em latim. Isto o deixou em desvantagem, pois não dominava inteiramente aquela língua. E despertou sob forte agitação, como que envergonhado. Outro exemplo: quando em desdobramento (na terminologia espiritista), Jung vai ao encontro do espírito do pai em busca de orientação e conselho em relação à maneira de conduzir seus estudos psicológicos. Pouco antes do falecimento de sua genitora, Jung teve um outro encontro com o pai, na erraticidade, e este lhe falou de um problema consciencial gerado durante a vida de casado, quando cometera pequeno deslize de adultério.

Numa carta datada de 1934, Jung escreve ao Prof. J.B. Rhine narrando um importante fenômeno físico ocorrido na sala de sua casa quando teve os sentidos atraídos para um determinado armário, onde se guardava os talheres de uso normal. Ao abrir uma gaveta, notou que a faca mais usada pela família estava quebrada em quatro pedaços. A revista “Luce e Ombra” publica a foto da faca, como ilustração.

Veremos, em novas oportunidades, outros valiosos e importantes fatos mediúnicos na vida desse respeitável cientista.

Carl Gustav Jung (1875-1961), ao contrário de seu mestre Freud, deu largos passos no campo da experimentação mediúnica, estudando as diversas formas de manifestações que, como ele pôde constatar, não se limitavam a uma única religião, a um único povo, a uma única cultura, ocorrendo até mesmo entre as chamadas populações primitivas da África, e sendo hoje compreendidas e aceitas como uma interação ou intercâmbio entre os dois planos da vida. 

Em viagens de estudo, para ter uma visão mais ampliada desses eventos mediúnicos, Jung foi pesquisar junto à sociedade indígena norte-americana e pôde, igualmente, verificar que aquela comunidade praticava o mediunismo e que o sentimento religioso entre eles era fundamental para manutenção desse liame ancestral, isto é, em atitude receptiva para conectarem com os seus falecidos líderes e orientadores.

Jung selecionou um grupo de abalizados pesquisadores para poder ampliar seus conhecimentos, embora tivesse ele criado a “teoria da sincronicidade”, e assim explicar, ou ao menos tentar explicar, a fenomenologia mediúnica. A prova desse interesse está na correspondência que manteve com J.B. Rhine, da cidade de Durham (EUA), e que é considerado o pai da parapsicologia científica. Também manteve continuado contato com o não menos famoso professor Hans Bender, catedrático de parapsicologia na Faculdade de Freiburg (Suíça), e para ambos Jung defendia a tese que tais fenômenos poderiam ser explicados através da teoria da sincronicidade, embora ele mesmo já não tivesse dúvidas quanto à sobrevivência da alma, a continuidade da vida e a comunicabilidade entre os dois mundos.

Carl Jung teve a vantagem de agir com absoluta honestidade e até mesmo com imparcialidade ao estudar, examinar e julgar os fenômenos mediúnicos. E esta atitude o colocou acima de muitos inquirentes mal-intencionados e despreparados, que se aproximaram desse manancial apenas para tentar denegrir médiuns e enodoar a limpidez e transparência da Doutrina Espírita. Assim, pôde ele angariar a simpatia, não somente dos homens honestos, mas atrair a atenção dos bons espíritos, que viam nele colaborador de alta importância para divulgação da realidade espiritual no seio da sociedade acadêmica, onde ele era destaque e a sua personalidade infundia respeito e acatamento.

Corria o ano de 1922 e Jung foi premiado com a visita espiritual do seu genitor, há muito desencarnado, e com ele manteve interessante quanto valiosa conversa, e, pelo conteúdo do diálogo entre ambos, se presume que tenha durado toda a noite, enquanto o seu corpo físico atendia a necessidade fisiológica do sono, possibilitando a Jung-espírito gozar dessa parcial liberdade e entrar em contato com o espírito do saudoso pai, que se apresenta rejuvenescido e sem a sua proverbial autoridade paterna. Estiveram juntos, reunidos na biblioteca, e o pai lhe fala claramente da breve desencarnação desta que é atualmente sua mãe. Pede a Jung, como psicólogo que era, escrever uma obra que tratasse diretamente dos problemas conjugais, da complexidade do matrimônio.

Este encontro, em nível espiritual, foi tão autêntico e marcante que Jung viria descrevê-lo nestes termos:

“Pensava mesmo com particular alegria na possibilidade de apresentar-lhe minha esposa e os meus filhos, de mostrar-lhe a casa e contar-lhe tudo o que tinha feito e que tinha acontecido nesse período”.

Segundo Jung, esta foi a primeira visita (que ele lembrava) que o espírito do pai lhe fez desde a desencarnação, ocorrida em 1896, repentinamente.

As questões ligadas à nossa natureza espiritual devem ser tratadas de maneira respeitosa.

Nesse interessante trabalho da médium e divulgadora espírita Paola Giovetti, publicado na revista "Luce e Ombra", conforme noticiou o SEI 1901, de 4 de setembro de 2004, vamos encontrar Carl Gustav Jung (1875-1961) relatando uma experiência vivida através de um sonho que tivera.

Neste, encontrara o Espírito de um amigo recém-desencarnado que relutava em aceitar vida após esta vida, o qual também detestava o estudo da Psicologia. "Parecia indicar - afirma Jung - que depois da morte o homem pode chegar a um grau de conscientização que não tenha conseguido conquistar em vida, pois as alterações são inevitáveis e os pontos de vista se modificam igualmente. No sonho - prossegue - vi que ele estava sentado a uma mesa juntamente com a filha que havia estudado Psicologia em Zurique (Suíça), e esta ciência não tinha entrado no quadro de interesses daquele homem (agora Espírito. A filha, em desdobramento, ali estava para lhe falar exatamente sobre o tema. Ele estava fascinado com aquilo que ela lhe dizia; grande era o interesse por aquela ciência da alma. Quando me viu, pois éramos amigos, apenas me saudou com um aceno de mão, que logo aceitei como uma despedida, dando a entender que não gostaria de ser incomodado. E assim fui 'expulso' dali, mas pude notar também que ela lhe falava da situação vivida por ele naquele momento, e que estava obrigado a aceitar a realidade da sua nova existência espiritual, coisa com a qual ele jamais se preocupara quando vivo."

Este relato de Jung é precioso e coerente com o que temos lido nas obras da Codificação Espírita e demais obras correlatas, escritas por médiuns dignos de nossa confiança, e ditadas por Espíritos de elevados conhecimentos e possuidores de grande moralidade.

Uma outra interessante experiência vivida por Jung foi aquela ocorrida em 1944, quando quebrou uma perna, pois teimava em andar de bicicleta, e, por isso, se viu obrigado a ficar quietinho na cama onde seria surpreendido com um princípio de infarto do miocárdio, que o levou a estados de inconsciência e a sofrer de delírios com visões que indicavam estar em perigo de morte.

"Um dia, após ser atendido com oxigênio, me vi fora do corpo e viajando pelo espaço, numa crescente subida, e abaixo de mim aparecia a Terra, o globo envolvido em esplêndida luz azul; e distinguia os continentes e o azul escuro do mar. Então, quis saber a que altura me encontrava, e fui informado que estava a 15OOkm. A visão da Terra de tal altura era a coisa mais maravilhosa que jamais tinha visto."

Jung realizou muitas outras viagens astrais, pois se fizera digno de grande assistência por parte dos instrutores do Mundo Maior.

Paola Giovetti colocou a seguinte nota de rodapé na matéria em que relatou estes acontecimentos:

"Jung viu estas coisas quando ainda os vôos espaciais estavam bem longe. Sob à luz daquilo que sabemos hoje, e recordando as imagens da Terra enviadas do espaço, a visão de Jung apresenta um especial sabor de realidade."

Jung teve as visões (viagens astrais), praticamente todas as noites que se seguiram ao infarto, isso durante três semanas: ecos e reflexos da sua primeira experiência Cósmica. É impossível fazer uma idéia da beleza e da intensidade dos sentimentos durante aquelas visões.

Para Carl Gustav Jung, ou simplesmente Jung, a vida não se limitava ao estreito espaço do berço ao túmulo e o homem, ser racional, era dotado de faculdades extra-sensoriais que lhe permitiam ultrapassar os limites comuns de espaço e tempo, devassando o passado distante e tendo premonições acerca do futuro.

Jung (1875-1961) foi discípulo, de 1907 a 1912, do fundador da Psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939), quando rompeu com o antigo professor para desenvolver seu próprio trabalho mais acentuadamente na área da Psicologia, pois, segundo suas palavras, era necessário “ajudar o homem na procura de sua alma”. Neste sentido, o discípulo Jung superou o próprio mestre, quando tomou a iniciativa de romper com as limitações acadêmicas e enveredar pelo vasto mundo do psiquismo, aceitando a continuidade da vida, a sobrevivência do princípio inteligente que anima o corpo somático e que continua vivo após a desagregação deste. Jung estava convencido de que o ser humano não era um simples composto de células, músculos e nervos, pois ainda afirma ele que “toda vida aspira à eternidade”. E assim viu dilatar-se à sua frente um novo horizonte, descobrindo, também, um novo sentido para a vida.

A revista “Luce e Ombra” (Luz e Sombra) na sua edição 1103 divulga valiosa reportagem sobre Jung e mostra o cientista ao lado do Prof. Scherenck Notzing assistindo a reuniões de mediunismo prático, proporcionadas pelo médium austríaco Rudi Schneider (1908-1975), cuja mediunidade de efeitos físicos mereceu a atenção de destacados pesquisadores tais como Richet, Eugene Osty, Gustave Geley, Harry Price, Bozzano e cujas reuniões de materializações foram assistidas por eminentes personalidades da época, entre as quais se destacava Thomas Mann, prêmio Nobel de literatura e considerado um dos maiores escritores da língua alemã. As experiências de Thomas Mann, e o seu testemunho favorável aos fenômenos mediúnicos, foram abordadas no SEI 1931, de 2 de abril.

A propósito de Rudi Schneider e de seu irmão Willi Schneider (1903-1971), também notável médium, a revista “Luce e Ombra” (Luz e Sombra) publicou em outra edição extensa matéria em que focaliza, a par de sua retidão moral, as extraordinárias faculdades paranormais de que eram portadores, dentre as quais, destacava-se a de efeitos físicos.

Carl Jung, que já tivera provas irrecusáveis da comunicabilidade dos Espíritos, tomado de grande interesse em ampliar contato com o mundo invisível, presenciou durante os anos de 1930 e 1931 as reuniões de efeitos físicos, onde não havia a menor margem para fraudes, pois, como afirmou:

“Impossível era que alguém naquele ambiente, sóbrio e composto por homens de inteligência sadia, cujo interesse era a pesquisa conclusiva sobre tais aparições tangíveis, era impossível, repito, que homem ou espírito tivesse conhecimento de particularidades que só a mim pertenciam e que foram ditas pela figura de um fantasma emergido das profundezas do desconhecido”.

Fica evidente que Jung fora merecedor de tais revelações e a Espiritualidade conhecia o grande significado, o alto valor do seu testemunho junto à comunidade científica, e nesse particular junto àqueles que se dedicam ao estudo da mente humana que, por si mesma, é incapaz de emitir um único pensamento, de elaborar uma única idéia. Segundo aprendemos com a Doutrina Espírita, “pensar é um atributo da alma, sendo o corpo instrumento de manifestação desse princípio inteligente”. E o grande psicólogo, vencendo a barreira dos preconceitos que detém a maioria dos cientistas, abeira-se do mundo invisível, entrando em contato direto com as inteligências desencarnadas.

Jung publicou precioso livro – “Memórias, sonhos e reflexões” – em que narra, a seu modo, no seu linguajar, sob ótica própria mas de inegável valor, a sua interpretação sobre as percepções extra-sensoriais.

Em síntese: “Carl Gustav Jung deu um largo passo, avançou racionalmente em direção ao ilimitado, enobrecendo ainda mais o seu viver entre os homens e, ao mesmo tempo, deixou contribuição favorável à Doutrina Espírita”.

“Luce e Ombra”: Piazza Azzarita, 5 – 40122 Bologna – Itália – telefax: 051-554033.

SEI – Serviço Espírita de Informações - www.vivercomalma.com.br

Um comentário:

JD Lucas disse...

Excelente! Será possível ler estes artigos na íntegra?

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