22 de mai de 2013

Estudo mostra como o cérebro relaciona músicas e cores


Um estudo da Universidade da Califórnia, em Berkeley, mostrou que o cérebro humano é capaz de fazer relações entre cor e música, dependendo das sensações que uma melodia provoca. Essas associações, segundo a pesquisa, podem superar barreiras culturais, como se todas as pessoas tivessem uma "paleta emocional" em comum.

Participaram do estudo 97 voluntários, dos quais 48 residiam na região da Baía de São Francisco, nos Estados Unidos, e 49 em Guadalajara, no México. Eles escutaram 18 trechos de música clássica, de compositores como Bach e Mozart, e os associaram a uma paleta de 37 cores. Cada participante também classificou os trechos em uma escala de feliz a triste, forte a fraco e irritante a calmo.

Os cientistas observaram que pessoas do México e dos Estados Unidos fizeram as mesmas correlações. A tendência é que músicas mais rápidas sejam relacionadas a cores claras e vívidas, como amarelo, e melodias mais lentas, a tons escuros, acinzentados ou azulados.

"Os resultados foram muito consistentes para indivíduos e culturas diferentes e claramente apontam um papel importante que as emoções desempenham na maneira com que o cérebro humano ouve música e enxerga cores", afirma Stephen Palmer, principal autor do estudo, publicado na última edição do PNAS, periódico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Emoções e cores – Outros dois experimentos tiveram como foco associações entre música e expressões faciais e entre expressões faciais e cores. Aqui também os resultados corroboram a hipótese de que "emoções em comum são responsáveis pela associação entre música e cor", segundo Karen Schloss, coautora do estudo. Músicas mais agitadas foram relacionadas com expressões felizes, enquanto músicas mais lentas foram associadas à tristeza. Ao mesmo empo, os rostos felizes foram ligados ao amarelo e outras cores claras, e expressões sombrias foram associadas a tons de vermelho escuro.

Para os autores, os resultados podem ter implicações em terapias criativas, na propaganda e até em softwares de execução de música, que poderiam, por exemplo, criar imagens animadas em sintonia com a música que está sendo tocada, em vez de utilizar padrões aleatórios. Eles também acreditam que o estudo pode fornecer evidências para o estudo da sinestesia, condição neurológica que faz com que o estímulo de um sentido provoque reações de outro. Os pesquisadores agora planejam repetir o estudo com participantes de países de diferentes tradições musicais, como China e Turquia.
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