25 de jan de 2009

Cada um com a sua cerveja

O hobby de fazer a própria bebida conquista novos artesãos que partilham suas criações em confrarias Quando eles se encontram para tomar cerveja, as reuniões costumam durar horas. Mas a diversão começa muito antes. Para os cervejeiros artesanais, a graça está no preparo da bebida.
E eles não se contentam apenas em produzir para consumo próprio, mas compartilham suas receitas em clubes e confrarias.
"É possível fazer em casa pelo menos 400 variedades diferentes", explica o "cervejólogo" Edu Passarelli, que faz sua própria cerveja.
Os cervejeiros de fim de semana garantem que bastam alguns equipamentos básicos (leia quadro) e um espaço de cerca de dois metros quadrados para começar a produção. Os kits têm preços entre R$ 500 e R$ 1 mil. Como parte dos ingredientes é importada, o custo varia, mas Passarelli, que é dono do bar Melograno, em São Paulo, afirma que com R$ 30 é possível produzir cerca de 30 litros.
O passatempo deu tão certo para os amigos Dudu Toledo, dono de uma produtora, e Luis Fabiani, consultor econômico, que eles criaram a Microcervejaria Nacional FT. Os sócios recebem pedidos de três restaurantes em São Paulo para criar cervejas exclusivas - eles consomem 700 litros mensais. "Esse mercado é muito interessante porque a galera gosta de trocar figurinha, é movida pela paixão", diz Toledo.
O gerente de TI Alex Wirz Vieira fez a primeira cerveja há dois anos. Ele e os amigos se uniram para criar a Associação de Cervejeiros Artesanais Paulista (Acerva), uma confraria para trocar receitas, dicas e, claro, beber as criações de cada um dos 25 sócios. "Nós trocamos garrafas e fazemos encontros para produzir juntos, além de nos encontrarmos nos bares", afirma Vieira. Existem associações da Acerva também no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.
"Hoje, o Brasil vive uma revolução das cervejas especiais", comemora Marco Falcone, da Cervejaria Falke Bier, em Minas Gerais. Ele fez as primeiras por hobby, em 1988, e atualmente ensina quem está interessado em aprender. É o caso do estudante de medicina Daniel Motta, 23 anos, que começou há um ano e, hoje, faz uma receita diferente por mês. "A família e os amigos têm uma reação incrível", comemora Motta. "Cada um que entra traz mais cinco, dez pessoas. Não é só o prazer de desenvolver um alimento; a cerveja socializa", filosofa Falcone.
Verônica Mambrini

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