16 de ago de 2009

Novas orientações sobre a Gripe H1N1

Queremos compartilhar algumas informações oriundas da Dra. Káthia Ribas, gerente do Instituto Curitiba de Saúde, que tem como objetivo prestar esclarecimentos realistas acerca da Gripe H1N1. Apesar de estar em férias, a Dra. Káthia dedicou-se na última semana a uma intensa pesquisa em todas as entidades oficiais competentes sobre o assunto. Ela esteve com o Secretário Estadual de Saúde, participou da reunião do Ministério da Saúde, conversou com as autoridades da Vigilância Sanitária, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU e da Secretaria Municipal de Saúde, além de epidemiologistas e infectologistas. Não satisfeita, ligou para o Centro de Controle de Doenças em Atlanta - CDC, onde trabalha uma colega de turma. E não teve motivos para achar que elas estejam ocultando ou minorando a real dimensão do problema. A situação atual é a seguinte: O vírus H1N1 ultrapassou a barreira inicial, circula livremente entre nós, veio para ficar. Nesta primeira onda do vírus no Brasil, calcula-se que 70 milhões de brasileiros terão contato com ele até o final de setembro. Das atuais viroses respiratórias presentes no sul do país, 60% são do novo vírus, isto é, das pessoas com gripe que falamos ou que circulam na rua, ônibus, bares, igrejas clubes, etc., mais da metade está com o vírus. Isto é uma projeção estatística, ou seja, não há mais capacidade para se fazer exame em todos os suspeitos. A condução dos casos será como da gripe comum. Somente em casos graves ou para os grupos de risco haverá disponibilização da medicação antiviral. O vírus H1N1 tem maior transmissibilidade que o vírus influenza, mas tem menor patogenicidade, ou seja, mata menos que a gripe comum. Acontece que ele tem tropismo por organismo com alguma brecha imunológica que comprometa as defesas habituais, então ele pode ser potencialmente mais agressivo em pacientes com: nutrição inadequada, más condições de higiene, cardiopatas, pneumopatas crônicos, asmáticos graves, renais crônicos, diabéticos, obesos mórbidos, pessoas em tratamento com imunossupressores (corticóides, tratamento para câncer) e doenças degenerativas. Em pessoas hígidas, dificilmente haverá complicação, e a Dra. Káthia volta a frisar que a Mortalidade é menor que pelo vírus Influenza. Em 2008, só no mês de julho, 4500 pessoas morreram de gripe comum no Brasil. Estamos com 47 mortes pelo novo vírus em 18 dias de circulação. Temos que estar alertas, isto sim, pois é um vírus novo, que pode sofrer mutações, e ainda estamos aprendendo a conviver com ele. Por enquanto o importante é ter boa alimentação, beber sucos de frutas, água, água de coco, consumir verduras, ficar em ambientes arejados, ter higiene adequada de mãos e vias aéreas e lavar as mãos várias vezes ao dia. O álcool pode ser usado em superfícies potencialmente contaminadas como mesas de consultório, locais onde pessoas tenham espirrado, mas sem maiores neuras, por favor, pois teremos que conviver alguns meses com este vírus, como os tantos outros de gripe. As Máscaras continuam recomendadas para quem está com quadro gripal, em respeito aos outros, e em alguns serviços de Pronto Atendimento, para as equipes de Saúde. Nada de sair pela rua e shoppings com máscara e vidro de álcool gel na mão. Precisamos de bom senso, tranquilidade e pés no chão. Evitar locais fechados, aglomerações, shoppings, cinemas, bares, chimarrão e nerguille, pelo menos nos próximos 15 dias, enquanto o vírus está em "curva ascendente". Depois, é vida normal. O antiviral – Tamiflu - só será disponibilizado pela Secretaria Municipal de Saúde – SMS, para os casos comprovadamente graves. Não tomem para qualquer gripe, pois aumenta a resistência ao vírus. Em 99,85% dos quadros de H1N1 a evolução será absolutamente benigna, ou seja, portador assintomático, de sintomas leves ou moderados serão perfeitamente tratados apenas com descanso – cama, e os sintomáticos com repouso por cinco dias, que é mais que suficiente. O afastamento das aulas é muito mais uma medida tranquilizadora para os pais, pois enquanto as equipes das escolas são adequadamente preparadas para receberem os estudantes e conviverem com a nova doença, esses se educam para conviver com o problema. As duas gripes estão ai, os sintomas são idênticos, não há porque saber se é gripe A ou influenza. A conduta será igual e evoluirá geralmente bem. Tivemos mortes, sim. Porém três dos óbitos na semana passada acabaram se confirmando como da influenza e não da gripe A. Alguns jovens saudáveis faleceram sim, mas na grande maioria, mesmo nos jovens, havia algum fator basal predisponente. Acompanhei três casos: uma criança do interior desnutrida; um adulto com 33 anos com cirrose e uma senhora de 54 anos asmática em quadro grave. Portanto, amigos, muita cautela na transmissão de informações: a calma é fundamental, os cuidados gerais também. Devemos estar alertas, mas temos que seguir a vida com normalidade, porque a gripe sazonal mata muito mais que esta e nunca teve esta dimensão de alarme. Evitem lotar os hospitais com casos leves. Só em casos de febre igual ou maior a 38ºC (este é o fator patognomônico!!), dor de garganta ou dificuldade respiratória as pessoas deverão procurar os postos de Saúde. Estamos conectados diariamente com a SMS, Secretaria de Saúde do Estado do Paraná - SESA e Central de Leitos, logo qualquer alteração na condução dos casos ou orientações gerais, haverá ampla divulgação. Káthia Ribas - CRM 9448 Gerência do Instituto Curitiba de Saúde
Repassado como recebido

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