12 de set de 2009

Grã-Bretanha pede desculpas póstumas a gênio gay

O primeiro-ministro britânico Gordon Brown pediu nesta sexta-feira perdão pelo tratamento dado ao matemático Alan Turing - que decifrou o código criptografado Enigma, que a Alemanha de Hitler usava para mandar mensagens militares durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1952, Turing foi processado por atentado ao pudor depois de admitir ter um relacionamento homossexual. Ele recebeu como "tratamento" substâncias experimentais para castração e perdeu seu acesso a informações sigilosas, não podendo mais trabalhar na central de comunicações do governo britânico (GCHQ, na sigla em inglês). Em 1954, o matemático se matou. Uma petição no website do gabinete do primeiro-ministro solicitou ao governo um pedido póstumo de desculpas para o pioneiro da ciência da computação. A ideia de realizar uma campanha para a reabilitação de Turing foi do programador de computadores John Graham-Cumming e teve o apoio do escritor Ian McEwan, do cientista Richard Dawkins e do ativista pelos direitos dos gays Peter Tatchell. Milhares de pessoas endossaram o apelo. ''Tratamento injusto'' Brown disse em um artigo publicado no jornal britânico The Daily Telegraph: "Embora Turing tenha sido tratado de acordo com a lei da época e nós não possamos fazer o tempo voltar atrás, o tratamento dado a ele foi, claro, absolutamente injusto e eu tenho a satisfação de poder dizer o quão profundamente eu e todos nós lamentamos o que aconteceu com ele." "Assim, em nome do governo britânico e de todos os que vivem em liberdade graças ao trabalho de Alan, eu estou muito orgulhoso em dizer: 'nós lamentamos, você merecia um tratamento muito melhor.'" Uma sobrinha de Turing, Inagh Payne, disse que na época não sabia da contribuição do tio aos esforços para acabar com a Segunda Guerra porque ele mantinha segredo. Ela também não tinha conhecimento da preferência sexual do tio e de que ele tinha sido perseguido. Segundo Payne, a família "mantinha silêncio sobre esse tipo de coisa". A sobrinha afirmou que está "muito grata" pelo pedido de desculpas do governo britânico. "Nós percebemos agora que ele era gay e nós achamos que ele foi tratado de maneira abominável", afirmou. Tatchell, do grupo de defesa dos direitos dos gays, Outrage!, elogiou o pedido de desculpas de Brown e disse que um pedido semelhante também deveria ser feito a cerca de cem mil homens britânicos que foram tratados de maneira similar a Turing. Segundo ele, destacar apenas o matemático porque ele é famoso é um erro. Além de decifrar o código alemão, Turing fez contribuições significativas nos campos da inteligência artificial e da ciência da computação, que ainda engatinhavam. Em 1936, ele escreveu um artigo chamado On Computable Numbers e, em 1950, formulou um teste para avaliar a inteligência de uma máquina. Hoje o método é conhecido como o Teste de Turing. Depois da Segunda Guerra Mundial, o matemático trabalhou em várias instituições de pesquisa, inclusive na Universidade de Manchester. Lá, ele operou o Manchester Mark 1, considerado um dos primeiros computadores modernos.
BBC

Um comentário:

Marta Bellini disse...

Eu amo Alan Turing.
Lium livro dele e assisti ao filme sobre sua vida. A gente chora.
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Ah! Grata pela mensagem. Vc tem razão. A gente está vivendo nas circunstâncias que descrevemos. Valeu!

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