10 de set. de 2009

Palpites e decepções de 'Caminho das Índias'

Em tempo: a audiência de Caminho das Índias em sua semana final tem se mantido acima dos 50 pontos no Ibope e chegou aos 53 na terça-feira, 8, quando Opash reconhece a medalha de Raj no corpo que lhe apresentam no hospital e Maya aparece como viúva. Novela é igual a futebol: ninguém se contenta em apenas assistir e todo mundo se sente no direito de dar palpites, como grande conhecedor da causa. Há tantos comentaristas de novela à minha volta, que eu brinco de dividi-los em categorias: as moças aqui do TV&Lazer eu ouço com atenção, porque entendem tecnicamente do assunto; das meninas do salão - cabeleireiras, manicures e designers de sobrancelhas - eu rio porque, em geral, elas torcem pelas mães batalhadoras e prestam atenção nos galãs (nem os de Malhação escapam); os maridos, pais, namorados e afins eu ignoro, porque eles perdem a maioria dos capítulos e sempre concluem que "novela é tudo igual"; e as avós eu adoro porque, afinal de contas, elas assistiram a Beto Rockfeller, em 1968. De todas as "matriarcas noveleiras" que conheço, a que anda mais exaltada com o final de Caminho das Índias, na próxima sexta-feira, é a dona Eunice, avó de uma amiga minha. Como meu tio Alejandro, que vive ameaçando romper com o Corinthians e passar a torcer "só para o Real Madrid", dona Eunice já decretou: "Se a Maya (Juliana Paes) não ficar com o Raj (Rodrigo Lombardi), nunca mais vejo novela da Glória Perez!", diz ela, que acha que nesta novela só faltou mesmo o Tony Ramos (Opash) trocar de corpo com a Eliane Giardini (Indira), como ele fez com a Glória Pires no filme Se Eu Fosse Você. "Eu devia ter sugerido isso no blog da Glória...", lamenta ela. Quem também anda sentindo solavancos no coração é dona Osmilda, minha modista - costureira é outra categoria especial de comentarista de novela porque elas têm sempre algo interessante a dizer sobre os figurinos. Ela confia em Glória Perez, e tem certeza de que a autora "não vai ser louca de separar o Raj da Maya no final". Por isso, dá a trama principal como favas contadas. Está mesmo ansiosa para ver o que acontecerá com o Raul Cadore, que ela confunde um pouco com o ator Alexandre Borges e, por gostar tanto dele, fica brava quando eu chamo o personagem de bocó. No fundo, Osmilda sabe que o Raul vacilou demais, mas não quer que ele vá preso no final - "Eu mesma, pobre firanghi estrangeira, já tive vontade de simular minha própria morte, quando tive de pregar milhões de canutilhos no vestido de uma madrinha de casamento encrenqueira", reflete ela, com toda a doçura que é peculiar às avós noveleiras. Patrícia Villalba

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