12 de ago de 2010

Transplante para a classe - a idéia sobre doação de órgãos

Introdução 
A doação de órgãos envolve uma matemática interessante: um único doador é capaz de salvar ou melhorar a qualidade de vida de pelo menos 25 pessoas. 


O que se constata, no entanto, é que a média de transplantes no país fica muito aquém do necessário. Veja revela que a razão do problema não está na escassez de doadores, mas na falta de condições estruturais para a captação e distribuição dos órgãos. Alguns números do desperdício de oportunidades são apresentados na reportagem associada a esse roteiro de aula, além do relato de casos que comprovam essa deficiência. 


Convoque a turma para uma discussão em torno de bioética e cidadania que o tema sugere e aproveite para examinar questões biológicas importantes relacionadas aos transplantes. Atividades A reportagem deve suscitar uma série de questões éticas e técnicas. Após a leitura, procure separá-las com os alunos. Deixe claro que as informações técnicas enriquecem a discussão. Em seguida, levante o aspecto da organogênese, explicando que a produção dos órgãos é um processo fundamental na finalização do desenvolvimento embrionário dos seres multicelulares. Nos animais, não há “brotos” ou “gemas” de órgãos como podemos observar nas plantas. 


Assim, se um órgão perde sua função, a única saída é retirá-lo e substituí-lo por outro, transplantado. Lembre que o corpo humano é hierarquicamente constituído de células, tecidos e órgãos que se desenvolvem e se sustentam durante muito tempo por reposição celular. Algumas células morrem e são repostas, o que mantém funcionais os tecidos e os órgãos que elas constituem. Mas há limitações nesse processo. Muitas células, como as que formam a epiderme ou a mucosa de revestimento dos órgãos, podem se renovar por inteiro. 


Mesmo as que constituem grande parte do tecido hepático também são capazes de se restaurar, fazendo com que o fígado cresça se for necessário. O mesmo não acontece com as células do tecido nervoso ou muscular e outras do tecido conjuntivo. Elas são capazes apenas de continuar vivas, anexando ou perdendo substâncias ou ainda secretando-as em maior ou menor quantidade para o exterior. 


À medida que envelhecemos, o número de células nervosas diminui, enquanto nossos músculos, ligamentos e tecidos de preenchimento perdem algumas de suas características. Conte que as células constituintes de órgãos transplantados renovam-se conforme o padrão normal do corpo do receptor, seja o doador jovem ou idoso. A velhice do órgão nesse caso interfere menos do que a capacidade que o receptor tem de nutrir e defendê-lo, fator que muda drasticamente com o tempo. 


Assim, é possível doar um rim até com 70 anos de idade. Depois enfatize que um organismo pode também receber células ou partes de tecidos – sangue e medula óssea – e ainda células em estágios iniciais de diferenciação – células nervosas ou da musculatura cardíaca. Elas se multiplicam no órgão do receptor, restabelecendo funções do órgão afetado. Algumas doenças, como a diabetes, já estão sendo tratadas com o transplante de células de pâncreas.


Enumere, então, as possibilidades de doação por um corpo humano nas condições ideais, após a constatação da morte encefálica: dois rins, dois pulmões, coração, fígado e pâncreas, duas córneas, três válvulas cardíacas, ossos do ouvido interno, cartilagem costal, crista ilíaca, cabeça do fêmur, tendão da patela, ossos longos, fáscia lata, veia safena e pele. Mais recentemente, foram realizados com sucesso transplantes de mãos completas. 


 Examine a questão da compatibilidade entre doador e receptor. Da mesma maneira que há necessidade de compatibilidade entre os grupos sanguíneos nas transfusões, o transplante de órgãos só pode ser realizado dentro de certas condições. Nesse caso, doador e receptor precisam ser compatíveis também no sistema denominado HLA (sigla de Human Lymphocyte Antigens). Esses antígenos são proteínas localizadas na superfície de todas as células do organismo. 


As células brancas do sangue do grupo dos linfócitos podem reagir a eles, produzindo anticorpos. Quanto maior a semelhança genética entre doador e receptor no que se refere ao sistema HLA, menor é a chance de rejeição ao órgão transplantado. Conte que há três grupos de HLA: HLA-A, HLA-B e HLA-DR, cada um com muitas proteínas HLA específicas e diferentes. A herança do sistema HLA ocorre em lotes de três grupos de HLA A, B e DR, conhecidos como haplotipos. Herdamos um haplotipo do pai e outro da mãe. 


Há, portanto, um total de quatro combinações diferentes dos haplotipos dos pais. Entre irmãos, existe uma chance em quatro de que sejam idênticos no que se refere ao haplotipo. Entre não-irmãos, a probabilidade de haver dois indivíduos histocompatíveis varia entre um para cada 10000 e um para cada 100000. Assim, a maioria das pessoas que recebem órgãos pode ter rejeição. Esse problema vem sendo contornado com o advento de drogas imunossupressoras, substâncias que diminuem a resposta imunológica ao tecido transplantado. A mais conhecida delas é a ciclosporina. O quadro “Alguns transplantes possíveis” (abaixo) pode servir de referência para o estudo dos limites de tempo para que os transplantes tenham sucesso. Desafie os alunos a explicar por que o pâncreas ou o fígado têm menor duração do que as córneas ou os ossos após a parada cardíaca do doador. Eles devem perceber que a resposta está na irrigação dos órgãos. Os menos irrigados sobrevivem mais tempo fora do organismo. 


Os outros sofrem necrose bem mais rápida. Destaque que também a questão da rejeição está ligada à irrigação. Córneas raramente são rejeitadas porque não possuem irrigação sanguínea própria, mas recebem oxigênio e outros nutrientes dos tecidos e líquidos próximos. Como os anticorpos (proteínas produzidas em resposta a antígenos, no caso as do tecido estranho) e as células do sistema imune – que circulam no corpo – não atingem a córnea transplantada, a rejeição nesses transplantes é menos provável que a de um tecido com irrigação sanguínea abundante. Encomende uma pesquisa sobre doenças ou deficiências que requerem o transplante de órgãos e tecidos, incluindo o conceito de morte cerebral. Esse trabalho pode ser um exercício interessante para que os alunos revejam e contextualizem conhecimentos de anatomia e fisiologia geral humanas.
Estimule a turma a desenvolver uma campanha semelhante à promovida pelo Ministério da Saúde, em que cada aluno envia um cartão virtual a um conhecido falando sobre a importância da doação de órgãos. Alguns transplantes possíveis O sucesso dos processos depende do tempo decorrido entre a morte encefálica do doador e a operação no receptor, variável de órgão para órgão, conforme indicado abaixo. TR: Tempo máximo para retirada após a morte encefálica do doador TC: Tempo máximo de conservação após a parada cardíaca
Link do artigo
http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/transplante-classe-ideia-doacao-orgaos-432217.shtml

Um comentário:

Ministério disse...

Quer ser doador de órgãos, mas não sabe o que é preciso fazer para garantir que a sua vontade seja respeitada? O que diz a Lei brasileira de transplante atualmente? Saiba isso e muito mais fazendo as suas perguntas diretamente para o Ministério da Saúde, através do http://www.formspring.me/minsaude.
Participe e divulgue!
Ministério da Saúde

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