23 de fev de 2011

Ítaca


Se partires um dia rumo a Ítaca, faz votos de que o caminho seja longo, repletos de aventuras, repleto de saber. 


Nem Lestrigões nem os Cíclopes nem o colérico Posídon te intimidem; eles no teu caminho jamais encontrarás se altivo for teu pensamento, se sutil emoção teu corpo e teu espírito tocar. 


Nem Lestrigões nem os Cíclopes, nem o bravio Posídon há de ver, se tu mesmo não os levares dentro da alma, se tua alma não os puser diante de ti. 


Faz votos de que o caminho seja longo. 


Numerosas serão as manhãs de verão nas quais, com que prazer, com que alegria, tu hás de entrar pela primeira vez em um porto para correr as lojas dos fenícios e belas mercadorias adquirir: madrepérolas, corais, âmbares, ébanos, e perfumes sensuais de toda espécie, quanto houver de aromas deleitosos. 


À muitas cidades do Egito peregrina para aprender, para aprender dos doutos. 
Tem todo o tempo Ítaca na mente. Estás predestinado a ali chegar. 
Mas não apresses a viagem nunca. Melhor muitos anos levares de jornada e fundeares na ilha velho enfim, rico de quanto ganhaste no caminho, sem esperar riquezas que Ítaca te desse. Uma bela viagem deu-te Ítaca.


Sem ela não te ponhas a caminho. 
Mais do isto não lhe cumpre dar-te. Ítaca não te iludiu, se a achas pobre. 
Tu te tornas-te sábio, um homem de experiência, e agora sabes o que significam Ítacas. 
Konstantinos Kafavis

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