28 de abr de 2013

Paul, vem falar uai


Era uma vez, ou talvez duas, ou quem sabe tudo não passe de uma ilusão e James Paul McCartney tenha mesmo morrido em 1966, como reza a mais famosa lenda do rock e siga vivendo em Pepperland – um lugar onde a felicidade e a música reinam supremos. Há quem acredite também que o senhor de 70 anos, que chega a Belo Horizonte nesta semana, é apenas um sósia. Seguindo o clima e os traços do psicodélico Yellow Submarine o Estado de Minas refaz a trajetória de Paul McCartney desde que os pais deles se conheceram até sua chegada à capital mineira.

O início de tudo
Noroeste da Inglaterra, 1940. Liverpool é alvo de bombardeios alemães durante a 2ª Guerra Mundial, conhecidos como Blitzkrieg. Para se proteger das bombas, a família McCartney interrompe uma festa e todos se escondem no porão.

Nasce Paul
James “Jim” McCartney, solteirão de 40 anos e vendedor de algodão, conhece Mary Mohin, enfermeira de 33 anos, no porão durante os ataques alemães. Dois anos depois os dois estão casados e nasce o primeiro filho: James Paul McCartney. Jim não acompanha o parto, pois ajuda a apagar um incêndio provocado pelas bombas alemãs.

Primeiros passos
Muito antes de se tornar sir Paul, pois detém um dos títulos mais nobres da coroa inglesa, Paul conheceu como poucos o lado mundano da música. Junto com John, George e o primeiro bateirista, Pete Best, tocam em bares mequetrefes da zona portuária de Hamburgo, na Alemanha. Jovem e imbuído do espírito do nascente rock’nroll, Paul chegou a ser deportado após provocar um incêndio no sotão do bar, onde dormia.

Juventude rebelde
Mary fica cada vez mais debilitada por causa de um câncer e morre, em 1956. Paul foi perdendo a pose de bom moço, penteou o cabelo para trás e passou a vestir calças apertadas. Ganhou um trompete do pai, que era músico amador, mas trocou-o por uma guitarra acústica Zenit.

A parceria
Paul vai a uma quermesse e conhece os Quarry Men, liderados pelo vocalista e guitarrista John Lennon. O garoto bochechudo estava com sua Zenit e tocou Twenty Flight Rock, de Eddie Cochran, performance que encantou Lennon.

Luto compartilhado
A mãe de John, Julia, morre atropelada. Os dois passam a compartilhar não só a paixão pela música, mas também o sentimento mútuo de órfãos.

Nasce a Dupla
Lennon e McCartney se tornam parceiros inseparáveis e iniciam a dupla mais celebrada da história da música.

Portas da percepção
É apresentado à maconha, em encontro com Bob Dylan em hotel em Nova York. Na ocasião, Paul disse: “É a primeira vez que estou pensando. Pensando de verdade”. Gostou tanto que só abandonou o hábito após a filha mais nova, Beatrice, de 12 anos, nascer.

Viagem na viagem
As drogas e o clima psicodélico da segunda metade dos anos 60 mudam os Beatles. Paul, em uma viagem de avião, cria o conceito de Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. Na apresentação do disco para a imprensa, conhece a fotógrafa Linda Eastman.

Parceiros na traição
Paul e John traem publicamente suas parceiras, Jane e Cynthia, e começam o romance com Linda e Yoko Ono. Paul escreve Hey Jude, uma canção para alegrar o filho de John, Julian, que estava triste com a separação dos pais. Meses depois, Paul se casa com Linda. Oito dias após é a vez de John se casar com Yoko.

O fim
Em abril de 1970, Paul anuncia o fim dos Beatles Um mês depois é lançado o Let it be, espécie de álbum “póstumo” da banda, totalmente arquitetado por Paul.

Casal 20
Paul segue sendo o homem-banda, tocando todos os instrumentos, escrevendo as letras e cantando as músicas. A única parceira é sua esposa, Linda McCartney. Depois do disco McCartney, gravam ainda o álbum Ram.

Megashow
Em 1985, toca Let it be no Live Aid, concerto que arrecadou dinheiro para as pessoas que passavam fome na Etiópia, realizado em cinco países e assistido por 1,5 bilhão de pessoas. Entre os participantes estavam Elvis Costello, Sting, U2, Dire Straits, David Bowie, The Who, Elton John, Fred Mercury, Crosby, Stills e Nash, Mick Jagger, Neil Young, Eric Clapton, Bob Dylan e vários outros.

Sucessos e parcerias
Após formar a banda Wings, realizar turnês de sucesso e emplacar hits como Jet e Band on the run, Paul é preso, em 1979, por porte de maconha no Japão. Fica oito dias detido. Logo depois, os Wings acabam. No ano seguinte, em dezembro, Lennon é assassinado. Paul passa a evitar apresentações ao vivo e começa uma época de parcerias. Primeiro com Stevie Wonder, faz Ebony and Ivory; com e Michael Jackson, The girl is mine e Say, say, say. A amizade com o rei do pop faz água anos depois quando Michael compra o catálogo da Northern Songs (editora que detém direitos autorais das músicas de Lennon/McCartney) contra a vontade de Paul.

Vem falar uai!
Paul inicia a era das megasturnês e, aos poucos, começa a retomar músicas dos Beatles nos shows. Vem ao Brasil, em 1989, quando tocou para sua maior plateia: 184 mil pessoas. Retorna em 1993 e por duas vezes em 2010. No próximo sábado, ele chega pela quinta vez ao país e vai estrear a turnê mundial On the run na capital mineira.

IÊ-IÊ-IÊ
Já com Ringo nas baquetas, além de George Harrison e John Lennon, os quatro iniciam uma sequência de discos e singles, que um após o outro quebraram recordes de vendas e nas listas dos mais tocados. O auge da beatlemania, com fãs adolescentes em catarse histérica e gritos altíssimos, impedia os beatles de escutar o que tocavam durante os shows. A situação durou até agosto de 1966, quando a banda parou de se apresentar ao vivo.

No céu com diamantes
Com forte influência das drogas, chegando a utilizar algumas pesadas, como o LSD, gravam discos mitológicos: Revolver, Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band, Magical Mystery Tour e Yellow Submarine, que são referência para quase tudo que foi feito depois. Os discos foram além das músicas: criaram contextos visuais e histórias paralelas.

Começo do fim
Abbey Road e Let it be, os dois últimos discos, já mostravam sinais do fim da banda. Cada canção reflete o autor e não mais as parcerias, mas nem por isso são menos brilhantes. O lado B do Abbey Road e o todo o disco Let it be são totalmente coordenados por Paul. Após o casamento com Yoko Ono, Lennon se distancia da banda, que ruiu oficialmente em abril de 1970.
Daniel Camargos

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