31 de ago. de 2007

Nossas escolhas


A maioria das coisas que decidimos não são o que sabemos ser o melhor.

Dizemos sim meramente porque somos colocados contra a parede e precisamos dizer algo.
Frank Crane
picture by Fin VIe

A imaginação


A imaginação cresce através do exercício, e ao contrário da crença comum, é mais poderosa dentro do mais velho que no jovem.
Paul McCartney
picture by Nicolas Poussin

Equações gerais


Uma mulher se preocupa com o futuro até ela conseguir um marido.
Um homem nunca se preocupa com o futuro até ele conseguir uma esposa.

Um homem de sucesso é aquele que consegue ganhar mais dinheiro do que sua esposa consegue gastar.
Uma mulher de sucesso é aquela que consegue encontrar este homem.
picture by Luiz Ventura

Filtro solar!


Senhoras e senhores da turma de dois mil e três:
Filtro solar!
Nunca deixem de usar filtro solar!
Se eu pudesse dar uma só dica sobre o futuro,seria esta: use filtro solar.
Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência; já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante. Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês.
Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.
Ou, então, esquece...
Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado. Mas, pode crer, daqui a vinte anos, você vai evocar as suas fotos e perceber de um jeito - que você nem desconfia hoje em dia - quantastantas alternativas se lhe escancaravam à sua frente,e como você realmente tava com tudo em cima.
Você não está gordo! Ou gorda...
Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra. As encrencas de verdade de sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às quatroda tarde de uma terça-feira modorrenta.
Todo dia enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo mesmo.
Cante.
Não seja leviano com o coração dos outros. Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.Não perca tempo com inveja. Às vezes se está por cima,às vezes por baixo. A peleja é longa e, no fim,é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas. Se conseguir isso, me ensine. Guarde as antigas cartas de amor. Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois, o que queriam fazer da vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem. Tome bastante cálcio. Seja cuidadoso com os joelhos. Você vai sentir falta deles.
Talvez você case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.
Faça o que fizer, não se auto-congratule demais, nem seja severo demais com você. As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo. É assim pra todo mundo.
Desfrute de seu corpo. Use-o de toda maneira que puder. Mesmo. Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele.
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.
Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois. Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se achar feio
Dedique-se a conhecer os seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez. Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado epossivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro. Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons. Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando jovem.
More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer. More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.
Viaje.
Aceite certas verdades inescapáveis: Os preços vão subir. Os políticos vão saracotear. Você, também, vai envelhecer. E quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem, os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes, e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos.
E não espere que ninguém segure a sua barra. Talvez arrume uma boa aposentadoria privada. Talvez case com um bom partido. Mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar. Não mexa demais nos cabelos senão quando você chegar aos quarenta vai aparentar oitenta e cinco.
Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que os oferecem. Conselho é uma forma de nostalgia. Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.
Mas no filtro solar, acredite!
Tim Cox - Nigel Swatson
Tradução Pedro Bial
picture by Paul Klee

30 de ago. de 2007

A corrente do destino


É um erro tentar ver muito longe no futuro.
A corrente do destino somente pode ser puxada um elo por vez.
Winston Churchill
picture by Tikashi Fukushima

Liberdade


Sem liberdade não há arte; a arte vive somente das restrições que ela impõe a si mesma, e morre de todas as outras.
Albert Camus
picture by Petrus-Paulus Rubens

O fim das tragedias


O respeito que a tragédia inspira é muito mais perigoso do que a despreocupação de um chilrear de criança. Qual é a eterna condição das tragédias? A existência de ideias, cujo valor é considerado mais alto do que o da vida humana. E qual é a condição das guerras? A mesma coisa. Obrigam-te a morrer porque existe, dizem, alguma coisa que é superior à tua vida. A guerra só pode existir no mundo da tragédia; desde o começo da sua história, o homem apenas conheceu o mundo trágico e não é capaz de sair dele. A idade da tragédia só pode ser encerrada por uma revolta da frivolidade. As pessoas já só conhecem da Nona de Beethoven os quatro compassos do hino à alegria que acompanham a publicidade dos perfumes Bella. Isso não me escandaliza. A tragédia será banida do mundo como uma velha cabotina que, com a mão no peito, declama em voz áspera. A frivolidade é uma cura de emagrecimento radical. As coisas perderão noventa por cento do seu sentido e tornar-se-ão leves. Nessa atmosfera rarefeita, desaparecerá o fanatismo. A guerra passará a ser impossível.
Milan Kundera
picture by Daniel Carranza

As pessoas são o que são...

Tudo é dependente de tudo mais, tudo é conectado, nada é separado. Portanto, tudo está indo pelo único caminho que pode ir. Se as pessoas fossem diferentes, tudo seria diferente. Elas são o que elas são, portanto tudo é como é.
Gurdjjeff
picture by Fang Chen Kong

29 de ago. de 2007

Felicidade


Para ser feliz com um homem, você deve entendê-lo bastante e amá-lo um pouco.
Para ser feliz com uma mulher, você deve amá-la bastante e jamais tentar entendê-la.
picture by Aloysio Zaluar

O degrau


O degrau de uma escada não serve simplesmente para que alguém permaneça em cima dele, destina-se a sustentar o pé de um homem pelo tempo suficiente para que ele coloque o outro um pouco mais alto.
Thomas Huxley
picture by Vito Campanella

O desconhecido


Em algum lugar, alguma coisa incrível está esperando para ser conhecida.
Carl Sagan
picture by Ivan Kudrna

Almas Perfumadas


Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos, Deus está conosco, juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro
Tem gente como você que nem percebe como tem a alma Perfumada!
E que esse perfume é dom de Deus.
Carlos Drummond de Andrade
picture by Collin de Vermont Hyacinthe

A verdade da existência humana

painting by Luiz Carlos Ferracioli
Como toda a gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou para nos convencer de que os têm; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas. 

Li quase tudo quanto os nossos historiadores, os nossos poetas e mesmo os nossos narradores escreveram, apesar de estes últimos serem considerados frívolos, e devo-lhes talvez mais informações do que as que recebi das situações bastante variadas da minha própria vida. A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana, assim como as grandes atitudes imóveis das estátuas me ensinaram a apreciar os gestos. Em contrapartida, e posteriormente, a vida fez-me compreender os livros.

Mas estes mentem, mesmo os mais sinceros. Os menos hábeis, por falta de palavras e de frases onde possam abrangê-la, traçam da vida uma imagem trivial e pobre; alguns, como Lucano, tornam-na mais pesada e obstruída com uma solenidade que ela não tem. Outros, pelo contrário, como Petrônio  aligeiram-na, fazem dela uma bola saltitante e vazia, fácil de receber e de atirar num universo sem peso. Os poetas transportam-nos a um mundo mais vasto ou mais belo, mais ardente ou mais doce que este que nos é dado, por isso mesmo diferente e praticamente quase inabitável. Os filósofos, para poderem estudar a realidade pura, submetem-na quase às mesmas transformações a que o fogo ou o pilão submetem os corpos: coisa alguma de um ser ou de um facto, tal como nós o conhecemos, parece subsistir nesses cristais ou nessas cinzas. 

Os historiadores apresentam-nos, do passado, sistemas excessivamente completos, séries de causas e efeitos exatos e claros de mais para terem sido alguma vez inteiramente verdadeiros; dispõem de novo esta dócil matéria morta, e eu sei que Alexandre escapará sempre mesmo a Plutarco. Os narradores, os autores de fábulas milésias, não fazem mais, como os carniceiros, que pendurar no açougue pequenos bocados de carne apreciados pelas moscas. Adaptar-me-ia muito mal a um mundo sem livros; mas a realidade não está lá, porque eles a não contêm inteira.
Marguerite Yourcenar

28 de ago. de 2007

Gratidão


A essência de toda arte bela, de toda grande arte, é a gratidão.
Friedrich Nietzsche
picture by Jacques-Louis David

O Lobo das Estepes


Aí residia a sua força e a sua virtude, aí era invergável e incorruptível, aí o seu carácter era firme e rectilíneo. No entanto, esta virtude trazia estreitamente ligados a si também o seu sofrimento e o seu destino. Acontecia-lhe o que a todos acontece: aquilo que por impulso da sua mais íntima natureza demandava e em que se empenhava com a maior pertinácia, era-lhe concedido, mas ultrapassando aquilo que ao homem é benéfico. O que começava por ser sonho e felicidade, redundava em amargo destino. O homem do poder destói-se pelo poder, o homem do dinheiro, pelo dinheiro, o subserviente pelo servir, o sequioso de prazer pela luxúria.
Hermann Hesse
picture by Jean Béraud

E venha a nova Mulher


Vaidosa, amorosa, sedutora
Intuitiva, imperativa, apelativa
Feminina, menina, mãe, mulher
Sabe o que quer, quando, e onde quer!
No campo, no mar, na cidade ou no ar,
A mulher está em todo lugar.
Aprendeu a estabelecer sua condição,
Chega de mansinho como quem não quer nada
Afastando a conversa de costela de Adão
E assim, vai resolvendo sua questão
E assumindo espaço que tem direito
Às vezes o espaço fica amplo demais.
Para a nova mulher de novo tempo
O trabalho é árduo
Tarefa multiplicada
A confusão está formada.
Porém, sabe que precisa de tempo e inteligência,
De nova organização social
Para que sua função seja reconhecida
Equilibrar o lar, filhos, trabalho e auto-suficiência
Tudo isso leva tempo.
O tempo que lhe permita educar
A nova geração de parceiros, do novo amanhecer
Com este modelo de mulher irá conviver,
Sem preconceito, sem mágoa ou frustração
Com divisão de tarefas e ação
Se estabelecendo com base no respeito mútuo, sem agressão
Visando uma sociedade de iguais
Onde não exista homem x mulher
E prevaleça sempre a razão.
Dulcileia Abreu da Silva
picture by Alex Katz

A perda da Alma


Um dos gritos modernos mais importantes em favor do homem é o de Julia Kristeva, uma das mais brilhantes e respeitadas intelectuais da atualidade.
A psicanalista búlgara, professora da Sorbonne, constata que o homem moderno está perdendo a sua alma, mas não se dá conta disso.
A princípio, quem estiver lendo pode achar que essa perda é um desencontro com Deus, um abandono do espírito e horrorizar-se....
Não, nada a ver.
Não dizem que tal cantor fez o show com a alma?
Que a atriz interpretou colocando sua alma no palco?
Na nossa alma estão as emoções mais puras, a intuição, os sonhos, o Sentido (além dos sentidos), o talento virgem, a pujança dos sentimentos.
A habilidade de amar, por exemplo, é um grande sinal anímico.
Ou alguém é capaz de amar, de amar mesmo, sem que seja através da alma?
Pode-se ter simpatia, carinho, atenção, atração física, até um certo envolvimento gostoso, mas amor é alma e fim de papo.
Mas por que essa fabulosa mulher clama que estamos perdendo a nossa alma ?
O faz através desta instigante questão: ‘‘Confrontada aos antidepressivos e ansiolíticos, à aeróbica, ao utilitarismo social, à Sociedade do Espetáculo, ao poderio econômico, ao massacre da mídia e à absoluta futilidade, a alma ainda existe ? ’’
Justamente na medida em que banalizamos essa vida a um ponto inacreditável, tornando-a um instrumento, um objeto, quase um eletrodoméstico que trabalha ininterruptamente em favor de um resultado ou daquilo que se espera dele por parte de quem o manuseia constantemente.
Banalizar é colocar-se por inteiro no padrão externo, nada deixando resguardado.
Gostaria muito que vocês se lembrassem deste apelo:
não podemos passar a existência no desperdício único da prestação de serviços!
Como isso é sério gente!
Fundamental para o resguardo da nossa alma é a consciência de que uma parte de nós não entra no mundo.
Ou seja, há uma parte sua que não é casada com ninguém, que nunca teve filhos, que não é profissional de nada, brasileiro, paulista , membro desta ou daquela entidade.
Uma parte saudavelmente intacta.... Aí vive a nossa alma.
Fica então um pedido :
Dê 80% de você para o mundo e para os outros, mas guarde 20%, por favor.
É por esse percentual que circulam os seus sonhos,
a chance de renovação, a transformação, a criatividade, a possibilidade de mudar, renovar, resignificar.
Mesmo que isso custe o chamado de ‘‘egoísta’’ por parte dos outros, ainda que todos os elogios que lhe façam estejam apenas nos 80%.
Tenha a certeza de que os 20% guardados não farão a menor falta para os outros, mas, para você, são fundamentais.
Para que não descubra tarde demais que nada fez por si mesmo,
para o derramar-se no inédito e não cair na massificação total, no desconstruir-se em nome do nada, para ter o que entregar ao espírito, o correspondente da alma num outro plano, quando surgir a pergunta...
" O que fizeste por ti ? "

27 de ago. de 2007

Haicai


Casa de vespas
zunindo em círculos
palavras picantes

O morro iluminado
do barracão sem luz
choro de criança
Masako Akeho
picture by Sebastião Salgado

O gerente


O gerente chama o empregado da área de produção, negão, forte, 1,90m de altura, 100kg, recém admitido, e inicia o diálogo:
- Qual é o seu nome?
- Eduardo - responde o empregado.
- Olhe - explica o gerente, eu não sei em que espelunca você trabalhou antes, mas aqui nós não chamamos as pessoas pelo seu primeiro nome.
É muito familiar e pode levar a perda de autoridade.
Eu só chamo meus funcionários pelo sobrenome: Ribeiro, Matos, Souza. E quero que me chame de Mendonça. Bem, agora quero saber: Qual é o seu nome completo?
O empregado responde:- Meu nome é Eduardo Paixão.
- Tá certo, Eduardo. Pode ir agora.
picture by Roberto Matta

Em favor da paz


Esquecer as ofensas.
Promover auxílio espontâneo para os adversários.
Ouvir palavrões sem revidar.
Calar confidências alheias.
Suportar sem queixa a atitude infeliz de pessoas amadas.
Cerrar as portas da alma ante as sugestões do ciúme.
Aceitar os outros, tais quais são.
Entender que as opiniões alheias são tão respeitáveis quanto as nossas.
Conservar a calma e cooperar em favor do bem nos momentos difíceis.
Não reclamar objetos perdidos.
Compreender sem pedir compreensão.
Continuar amando as pessoas queridas, quando se afastam de nós.
Escutar com paciência as alegações repetidas de um doente.
Abster-se de irritações.
Evitar as tempestades de cólera.
Melhorar os próprios conhecimentos sem a roupagem da empáfia.
Conversar com simplicidade.
Deixar aos outros o direito de viver como possam.
Saber dar ou receber sem exigências.
Silenciar o mal para anular-lhe a influência.
Não esperar dos outros aquilo que ainda não podemos fazer.
Auxiliar sempre para o bem.
Francisco Cândido Xavier - Emmanuel
picture by Henry Vitor

Beleza de boneca


Em 1997, o psicólogo Albert Magro, pesquisador da Faculdade Estadual de Fairmont, Virgínia do Oeste, conseguiu esclarecer o mistério. Ele mostrou a 495 indivíduos ilustrações e retratos de pessoas com diversas características e formatos do rosto e corpo. Os participantes deviam indicar quais aspectos consideravam mais atraentes. Foi constatado que as pessoas detestam coxas curtas, pernas curvadas, dentes caninos grandes (sobretudo os pontiagudos), gengivas proeminentes, mãos longas, dedos curvados, polegares e pescoço curtos e maxilares excessivamente projetados. Entre as características mais apreciadas estão: pernas longas, pescoço comprido, lábios rosados e carnudos, olhos grandes, ombros eretos, dentes regulares, dedos afunilados, pele lisa e sem pêlos, ventre plano, arco da sola do pé acentuado, isto é, as mesmas características da Barbie. O estudo foi publicado na revista Perceptual and Motor Skills. Faltava, porém, explicar por que esses aspectos são tão atraentes.
Albert Magro recorda que, ao longo da evolução da espécie, os traços hoje considerados atraentes desenvolveram-se quando as pessoas começaram a caminhar eretas, o que coincidiu com o aumento da inteligência, das habilidades manuais e com a dieta onívora. A adoção da marcha bípede, por exemplo, trouxe o alongamento das pernas e do pescoço e posicionou os ombros mais para trás. A alimentação variada modificou a forma do maxilar e da dentição. O desenvolvimento do córtex cerebral levou ao aumento do volume do crânio, ao passo que a inteligência ampliou a habilidade de usar utensílios, o que acarretou a modificação do formato das mãos. Quanto aos lábios, somos a única espécie cujas mucosas labiais são voltadas para fora, traço observado também em macacos, mas apenas no estágio fetal.
Magro constatou também que os aspectos que menos agradavam os participantes da pesquisa correspondiam às características de nossos antepassados mais primitivos e de alguns macacos modernos. Quando se olha para uma Barbie, nota-se que, não por acaso, a boneca é um condensado de traços evolutivos (corpo e rosto), sem nenhum traço primitivo. Seria este o segredo de sua popularidade?
Nossa percepção de beleza desenvolveu-se de forma simultânea à evolução de nossos traços físicos. De fato, se “novas” características são mais freqüentes hoje, é porque os seres humanos escolheram companheiros dotados delas. E elas foram, portanto, conservadas na evolução graças a um método de reprodução de tipo “seletivo”.
As fêmeas que possuem estas qualidades tinham maiores chances de se reproduzir e de gerar uma prole com suas próprias características; as outras simplesmente desapareciam. Podemos supor que os machos humanos se reproduziam (e talvez se reproduzam ainda) tendo uma Barbie como modelo inconsciente na escolha de sua parceira.Apesar dos problemas que esta boneca pode suscitar por causa dos tipos de papéis femininos que encarna, ela ilustra o modo pelo qual se desenvolveu a percepção da beleza humana: Barbie tem todos os elementos físicos que julgamos “bonitos”.
Alguns psicólogos evolucionistas acreditam que, enquanto os padrões para avaliar o rosto variam ligeiramente de acordo com a época e a cultura, para o corpo existiria uma norma universal de beleza. Segundo a hipótese darwiniana, de fato a beleza serviria para identificar os indivíduos com “bons genes”. Seria um indicador de boa saúde, e nós preferimos pessoas bonitas para aumentar as chances de unir nossos genes aos delas. Se os cabelos forem bonitos, o corpo esbelto e musculoso, a pele, lisa e firme, o rosto, simétrico, significa que o patrimônio genético assegura boas possibilidades de sobrevivência e de reprodução; e de modo especial um bom sistema imunológico.
Apesar da cintura fina, as ancas da Barbie são amplas. Um psicólogo da Universidade do Texas demonstrou que os homens são sensíveis a uma relação cintura-quadril inferior a 0,7 (por exemplo, 60 cm de cintura e 90 cm de quadril), o que seria indício da capacidade da mulher de enfrentar o parto sem grandes dificuldades.
Além disso, a aparência da boneca é jovem, e a juventude representa também um critério de beleza, já que a idade é um indicador de fertilidade. Os olhos grandes são apreciados justamente porque sinalizam juventude. Segundo estudo realizado em 1996, apenas os adolescentes preferiam mulheres cinco anos mais velhas. Homens adultos têm optado, ao longo dos séculos, pelas mais novas. Finalmente, que dizer da cor dos cabelos da Barbie? Será verdade que os homens preferem as loiras?
Uma coisa é certa: gostamos das pessoas portadoras de genes distantes dos nossos porque a mistura genética aumenta a capacidade de sobrevivência. Por esta razão, em muitos países em que predominam os morenos, os loiros são mais procurados justamente por serem raros. Unir-se a eles permite manter a diversidade genética e reforçar o sistema imunológico da prole, fato que favoreceria a conservação da espécie.Até os bebês são sensíveis à beleza. O psicólogo Alan Slater, da Universidade de Exeter, Reino Unido, mostrou para 100 meninos recém-nascidos entre as cinco horas e dois dias de vida, duas fotografias diferentes, colocadas uma ao lado da outra, ambas a cerca de 30 cm do rosto do bebê. Uma das fotos mostrava uma mulher muito bonita e a outra, uma mulher comum. O olhar dos bebês voltou-se quatro vezes mais para o rosto que os adultos julgariam atraente.
Isto demonstra que a identificação de feições “agradáveis” parece ativa desde o nascimento. Segundo Slater, uma aparência bonita representaria de alguma forma o protótipo de um rosto humano; aliás, se fundíssemos centenas de rostos com a ajuda de computadores, obteríamos uma média estatística de características faciais particularmente atraentes. Na mente de um recém-nascido, os rostos bonitos representariam, portanto, um modelo que talvez pudesse servir de referência, permitindo a ele comparar este protótipo com os rostos que estão próximos.
Homens ou mulheres, independentemente de nossas características, somos todos sensíveis à beleza. Estamos “biologicamente programados” para reconhecê-la e apreciá-la. E quem é que assume todas as características da beleza feminina? Ela mesma: a Barbie.
Tradução de Neury Carvalho Lima

26 de ago. de 2007

O Poder do Marketing

Duas crianças de oito anos conversam no quarto.
O menino perguntou para a menina:
- O que você vai pedir no dia das crianças?
- Eu vou pedir uma Barbie, e você?
- Eu vou pedir um O.B.! -responde o menino.
- O.B.?! O que é isso ?!
- Nem imagino ... mas na televisão dizem que com O.B. a gente pode ir a praia todos os dias, andar de bicicleta, andar acavalo, dançar, ir ao clube, correr, fazer um montão de coisas legais, e o melhor...
sem que ninguém perceba.
picture by Paul Klee

Paciencia


Se fores paciente num momento de ira, escaparás a cem dias de tristeza.
Provérbio chinês
picture by Graham Sutherland

O peixe


Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.
Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a insconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.
O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.
Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!
Patativa do Assaré
picture by Richard Diebenkorn

Ciclos em nossas vidas


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final..
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesma que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu própria, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te :
“Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”
picture by Francis Bacon

Tempestades


Não tenho medo de tempestades, pois estou aprendendo a navegar meu barco.
Louisa May Alcott
picture by Guido di Pietro

25 de ago. de 2007

iPod



No dia de Natal tava lá o primo paulista discutindo com o primo caipira o que tinha ganhado de presente.
Aí o primo da cidade querendo esnobar o pobre falou:
- Primo, viu o que eu ganhei de presente?
Um "iPod"!! Espetacular.
O primo caipira retrucou:
- bão primo, muito bão!!
Aí o paulista perguntou:
- O que foi que você ganhou?
- Ganhei isso aí tamém, uai.
- Mas quem te deu?
- Minha namorada.-
- E de que marca era??
- Sei lá primo.
- Nóis tava na cachoera nadano pelado. Eu cheguei por trás dela e encostei. Ela virou pra mim e falou: Aí pode!. É bão, primo, agora se tem marca eu sei não...

Se Deus...


Se Deus tivesse um porta-retrato, seu retrato estaria nele.
Se Deus tivesse uma carteira levaria sua foto nela.
Ele te manda flores em toda primavera.
Ele te manda o nascer do sol a cada manhã.
A qualquer momento que você quiser conversar, Ele te escuta.
Ele pode morar em qualquer lugar do universo, mas escolheu seu coração.
Era isso, Ele é louco por você!
Deus não prometeu dias sem dor, risos sem sofrimento, sol sem chuva, mas Ele prometeu força para o dia, conforto para as lágrimas e luz para o caminho.
“Um amigo é um presente que você dá a si mesmo”
Robert Louis Stevenson.
Carinhosamente enviado pela Drika, direto de Porto Alegre
picture by Doyen Gabriel François

O amor dorme na terra nua


O amor dorme na terra nua, às portas das casas, ou nas ruas profundas por debaixo das estrelas do céu, partilhando sempre a pobreza da sua mãe.
No espaço de um dia ora se revela vivo e brilhante, ora à beira da morte.
Platão
picture by E. Delacroix

Ninguém é perfeito


Cada ser humano tem suas peculiaridades.
Isso é muito fácil de perceber, mas certamente difícil de aceitar.
Cada um tem sua história, crenças e pensamentos que estão diretamente ligados à sua criação.
As experiências vividas na infância, os modelos familiares, os comportamentos adotados e os valores arraigados, constituem a essência de uma pessoa
Muitos sofrem desnecessariamente por querer mudar os outros de acordo com suas crenças. Esquecem quão profundamente essas verdades estão estruturadas.
As pessoas são únicas:
“ Ninguém é igual a ninguém e ninguém é perfeito”.
Todos nós sabemos que nenhum ser humano é perfeito. Os pais não são perfeitos. O chefe não é perfeito. Os empregados não são perfeitos. Os clientes não são perfeitos. Os amigos não são perfeitos.
O cônjuge está longe do ideal de perfeição. Os filhos também não são perfeitos.
E, principalmente, nós também não somos perfeitos.
Todo mundo sabe disso.
Então por que queremos encontrar no outro a perfeição? Estamos fazendo uma viagem de aprimoramento e a imperfeição faz parte desse processo evolutivo.
Por mais virtudes que alguém tenha, cometerá, em algum momento da vida, pequenos deslizes. Ou seja, as pessoas são como são, por suas próprias razões e não para magoar os outros.
Se não se comportam segundo nossas expectativas, julgamos que estão agindo daquela maneira para nos magoar, quando, na verdade, esse é apenas o jeito de ser de cada um.
Portanto, vamos repensar em nossas atitudes e atos pois: A vida é a única verdade que existe. Então se permita ser dominado pela vida em todas as suas formas, cores e dimensões.
E lembre-se, quanto mais seguro você se sentir sobre seu processo de mudança, menos dependerá, da decisãoalheia, menos se sentirá prisioneiro de alguém ou de alguma coisa.
Toda mudança tem início dentro de você
Lembre-se:
Ninguém é perfeito
Rayana Odete Gasparim Paiva
picture by Deshayes Jean-Baptiste Henri

Sabina Spielrein


Paciente e depois amante de Jung, a russa Sabina Spielrein tornou-se teórica brilhante da psicanálise e elaborou a formulação pioneira da pulsão de morte 


Em 23 de outubro de 1906, Jung escreveu a Freud: "Estou aplicando atualmente o seu método ao tratamento de uma histeria. É um caso difícil: uma estudante russa de 20 anos, doente há seis anos... Primeiro trauma por volta dos 3, 4 anos...". 


Na carta, pedia o parecer de Freud sobre um dos sintomas: um estranho ritual "auto-erótico" ao evacuar.Freud respondeu que o "trauma aos 4 anos teria reavivado traços de memória do primeiro ou segundo ano..." e recomendou seus escritos sobre auto-erotismo anal. Jung manteve Freud informado durante o tratamento, sem nomear a paciente e, sobretudo, sem revelar que a análise tinha evoluído para um relacionamento amoroso. 


Ele tinha 30 anos; ela, 20. Graças ao tratamento, ou à relação amorosa, a paciente, Sabina Spielrein, curou-se, terminou o curso de medicina, e em 1911 defendeu uma tese brilhante, "O conteúdo psicológico de um caso de esquizofrenia (demência precoce)", em que analisa uma paciente sua, antes tratada por Jung e, como ela, apaixonada por ele. Uma experiência clínica única: a médica e a paciente, ambas cativadas pelo amor por Jung; uma, apenas liberta de uma psicose, a escutar outra em pleno transtorno psicótico. 


Uma curiosa forma de auto-análise. O texto de Sabina, lapidar para a teoria psicanalítica, conclui: "O inconsciente libera o presente no passado... o futuro individual torna-se um passado geral filogenético e, ao mesmo tempo, este último assume para o indivíduo o valor do futuro. Assim, vemos o inconsciente como algo que existe fora do tempo ou que é, ao mesmo tempo, presente, passado e futuro". 


Mas a obra-prima de Sabina é de 1912, A destruição como causa do nascimento, que traz a formulação pioneira do conceito de pulsão (ou instinto) de morte: o medo, a ansiedade ou as vivências defensivas, que acompanham o instinto de procriação resultam de "sensações que correspondem à componente destrutiva do instinto sexual". Para ela, os casos de auto-erotismo, e mesmo "o auto-erotismo psíquico" (que ela enxerga em Nietzsche), mostram a face destrutiva do impulso sexual. 


O amor pela própria imagem, transformada no sexo oposto, leva à autodestruição no seu próprio sexo. "Por isso, nos casos de isolamento auto-erótico... achamos tão freqüentemente a componente homossexual". Em março de 1909, Jung confessara a Freud: "... uma paciente, que há alguns anos livrei, com extrema dedicação, de uma gravíssima neurose, desiludiu minha confiança e minha amizade no modo mais ofensivo que se possa imaginar. Provocou um terrível escândalo unicamente porque renunciei ao prazer de dar-lhe um filho". 


Teria sido essa renúncia uma vivência defensiva ou um caso de angústia diante do instinto de procriação, como escreveria Sabina? E o "terrivel escândalo", a ruptura, emancipadora, da ligação com Jung, que antecedeu as obras principais dela, não seria um caso típico a mostrar "a destruição como causa do nascimento"?
Isaias Pessotti, psicologo




Monstro perigoso


Em Lisboa, David Cronenberg diz que seu filme retrata o triângulo amoroso de Freud, Jung e Sabina Spielrein 
David Cronenberg esteve recentemente em Portugal para o Lisbon & Estoril Film Festival 2011. O certame,que começou há poucos anos quase sorrateiramente, aos poucos cresceu e nesta edição foi quase uma apoteose transdisciplinar. Além das projeções cinematográficas, houve palestras, leituras e canjas dos escritores J. M. Coetzee, Don DeLillo e Paul Auster, do violinista Gidon Kremer e do artista plástico José Barrias, que compunham um júri de pedigree imaculado. Na crise europeia, há fartura intelectual.
Um Método Perigoso, o filme do cineasta David Cronenberg, já estava na rampa de lançamento dos cinemas portugueses durante o festival, e estreará em breve no Brasil. O diretor canadense veio a Lisboa e ao Estoril basicamente rosetar e desentorpecer as pernas, até porque o produtor da sua novíssima obra, a inédita Cosmopolis,é o português Paulo Branco, o mesmo dos filmes de Manoel de Oliveira. Como o mundo é pequeno, Cosmopolis– do qual pela primeira vez foram exibidos excertos – se baseia no romance homônimo de Don DeLillo.
O diretor de A Mosca e Marcas da Violência é um homem alto e esguio, de juba prateada e leonina, de uma elegância um tanto gótica (há algo de ligeiramente transilvânico nele), olhos azul-gelo e cordialidade plácida. Elefoi eleito pela revista Strange Horizons (a bíblia da ficção científica) o segundo maior cineasta da história do gênero, à frente de Steven Spielberg, James Cameron e Ridley Scott. E o jornal The Guardian acaba de classificá-lo em nono lugar na lista dos quarenta melhores diretores do mundo. A vida é bela, não?O cineasta esboçou um parcimonioso sorriso e disse:
Claro que é lisonjeiro, mas nunca penso nisso. O público é um camaleão. A reação das plateias é sempre imprevisível. Cada filme que rodo é distribuído em oitenta, 100 países. Nações diferentes nas suas culturas, línguas, religiões e experiências cinematográficas. Daí que eu parta do princípio de que o público não vai ao cinema para ver mais um item da minha filmografia – não vão ver a mim, mas um filme e ponto. Um filme que tem de agradar sem nenhum contexto implícito.
Um rótulo dúbio foi colado a Cronenberg no início de sua carreira: o de “rei do horror venéreo” ou do “terror anatômico” – um gênero que ele inventou. Em obras como Videodrome, Gêmeos– Mórbida Semelhança, M. Butterfly e eXistenZ proliferavam as metamorfoses, próteses, cirurgias, implantes e mutantes. Reinava uma ambiguidade entre a fobia e o fascínio pelas engenharias corporais. O físico enredava-se ao metafísico e à antinomia corpo e alma, toldando a classificação dos títulos como terror, ficção científica ou simplesmente drama. 
Em A Mosca, se há um monstro horripilante, ele tem muito de prometeico, na sua ânsia de transcender as limitações humanas de espaço e tempo. É o próprio cientista que se erige em cobaia da sua experiência. Nas primeiras obras de Cronenberg, quando os médicos ou biólogos intervêm na fisiologia humana, o corolário é uma ruptura caótica na ordem social. Em seguida, sua filmografia se desloca da ordem comunitária para a vida interior. O mal-estar da civilização descamba numa rebordosa intimista, uma entropia privada. E fica ainda mais angustiante.
Coerentemente, Cronenberg considera que o cinema é essencialmente uma arte corporal. “Quase toda filmagem é física”, disse. “Não conseguimos fotografar um conceito abstrato. Estamos filmando corpos humanos, e sobretudo os rostos. Por isso, creio que qualquer diretor, se for absolutamente sincero, entenderá que no fundo o que faz é interpelar a matéria e a consciência desta. Mesmo quando filmo um diálogo, e ilumino as expressões de um ator, estou tentando captar o melhor possível seus malares e cabelo, seu sorriso e postura. Tudo é linguagem corporal, sólidos.”
Mas será preciso ir a ponto de mostrar o desmembramento de corpos, que implica até a invenção de fictícios instrumentos cirúrgicos, como em Gêmeos– Mórbida Semelhança (no qual Jeremy Irons interpreta um par de ginecologistas gêmeos, cada vez mais frankensteinianos)? Desta vez, o sorriso do cineasta é apologético. Alguém lhe acena do outro lado do lounge. É Don DeLillo, a quem, nessa mesma tarde, Cronenberg apresentará algumas cenas de Cosmopolis, com Robert Pattinson (que a imberbe saga Crepúsculo entronizou em divo planetário) e o excelente Paul Giamatti. DeLillo e Cronenberg esgrimem uma telegráfica mímica anglo-saxônica e depois o romancista sai de cena, com um floreadoirônico de cortesão. Aí ele disse:
Sim, a truculência. Sou uma pessoa completamente pacífica. Aos 68 anos, nunca na vida dei um murro em ninguém. Bom, talvez no travesseiro. Em gente, nem mesmo um peteleco. Mas a cada segundo é cometida uma violência no mundo, e ela tem de ser absorvida e encarada. Não conseguimos escamotear esse fato, especialmente hoje em dia. É sempre terrível. Tampouco sustento que a violência seja sempre injustificável, pois se você é atacado por alguém que quer matá-lo por razões abstratas – digamos, doutrinas políticas ou religiosas – é natural que tenha o direito de se defender. Mas a violência jamais é desejável, eis o meu ponto de vista. Até porque sou ateu e não acredito em outra vida. Para mim, o assassinato é um ato de destruição absoluta. Destrói-se uma criatura que nunca existiu antes e nunca existirá depois. Por outro lado, faz parte da condição humana morrer…
David Cronenberg formou-se em literatura pela Universidade de Toronto. Recorreu a romances para cimentar vários filmes, passando por autores como J. G. Ballard e DeLillo. Em Crash, inspirado em um livro de Ballard, pessoas que ficaram pavorosamente feridas em acidentes automobilísticos tentam encarar o infortúnio “mais como um acontecimento criativo do que destrutivo”.Uma das incursões mais radicais do cineasta no âmbito literário foi a adaptação cinematográfica de Almoço Nu, de William Burroughs, um livro consensualmente considerado “infilmável”. David franziu a testa: “Eu sabia perfeitamente que uma filmagem fiel do romance custaria mais de 100 milhões de dólares – e seria proibida em quase todos os cantos do mundo.”
Assim, em Almoço Nu ele turvou sistematicamente a fronteira entre o que parece ser real e o que sugere não passar de alucinações e delírios gerados pela toxicodependência do protagonista. Numa sequência, por exemplo, um personagem partilha um balcão de bar com uma barata tamanho-família, que Kafka receberia de braços abertos. Atenção: a barata é um cliente regular, não uma clandestina que se esgueirou da cozinha. “Foi muito estranho, e ao mesmo tempo emocionante, pois, quando estava escrevendo o roteiro, senti uma sinergia total com o estilo literário de Burroughs”, disse. “Foi uma empatia tão forte, quase mediúnica ou oracular, que eu disse a Burroughs que, quando ele morresse, eu poderia prosseguir com a obra dele. Ele limitou-se a responder que esperava que eu morresse primeiro.”
Como Woody Allen, Cronenberg gosta de se rodear de uma equipe que já é uma espécie de clã. Walter Gasparovic, o primeiro assistente de direção, trabalha com o diretor canadense desdeeXistenZ, de1999. Ron Hewitt, diretor de arte, e Dug Rotstein, supervisor do roteiro, flanqueiam Cronenberg há mais de vinte anos. Denise Cronenberg desenha o guarda-roupa de todos os filmes do irmão desde A Mosca (1986)e Caitlin Cronenberg, filha do cineasta, é a fotógrafa de cena. Se é conservador no séquito, ele é aberto às inovações tecnológicas: em Cosmopolis pilotou uma Alexa, a recém-nascida câmera digital da Arriflex, que vem de embasbacar o mercado audiovisual.
Os três últimos títulos de Cronenberg – Marcas da Violência, Senhores do Crime e Um Método Perigoso – apresentam o ator Viggo Mortensen como protagonista. E configuram, talvez, outra guinada na sua filmografia. As proverbiais obsessões com metamorfoses genéticas são afrouxadas, em favor de narrativas mais convencionais, mas não no sentido comezinho ou filisteu. Os dois primeiros filmes são idiossincráticas histórias de gângsteres, e o terceiro é uma biografia deveras estilizada. A respeito disso ele falou o seguinte:
Não penso nos filmes que já fiz quando estou rodando um novo projeto. Já dá um trabalhão dirigir uma obra sem ficar ruminando se ela se encaixa como uma luva na minha filmografia, como uma espécie de heráldica ou árvore genealógica. É muito difícil fazer um filme, pelo menos de acordo com as minhas exigências: uma equipe na qual confio e que me apoia, o elenco adequado, o orçamento necessário. Por isso, nunca penso em mim separado da minha carreira. Nunca entendi como alguns produtores chegam para mim e exclamam: ‘Ah, este projeto pode não ser tão bom para você, mas vai ser ótimo para sua carreira.’ Como se a minha carreira fosse um cachorrinho lulu que eu estivesse levando para dar uma voltinha.
A Mosca, que foi uma nova versão de um filme de 1958, é o seu filme de maior sucesso de público até hoje – ganhou inclusive um Oscar técnico. Nele, o diretor fez uma ponta, como… ginecologista. E o filme não para de gerar novas mosquinhas, a maior parte delas mortas (esteticamente falando). Em 1989, despontou A Mosca II,que ele não dirigiu esobre o qual quanto menos se falar, melhor. Se pudesse, Cronenberg bombardearia inseticida no epígono. Por outro lado, ele escreveu nada menos que o libreto de uma ópera baseado no seu filme. E até admite rodar uma sequência (ou sequela), com uma condição inegociável: “Não seria uma continuação, mas uma história paralela.”
Um Método Perigoso é um dos melhores filmes do repertório de David Cronenberg, talvez até o melhor de todos. Aplica uma acachapante goleada cinéfila a Freud, Além da Alma,de John Huston, projeto arruinado pela escolha de Montgomery Clift para o papel principal (o astro parece muitíssimo mais neurótico do que qualquer um dos pacientes) e cujo roteiro, encomendado a Sartre, gerou uma imensa confusão.
Sartre até que aviou a encomenda, só que com uma incontinência torrencial. Somente a sinopse tinha quase 100 páginas. Depois, apresentou um calhamaço de dimensões balzaquianas. Huston suplicou-lhe encarecidamente que abreviasse a coisa, e o filósofo concordou. E não é que apareceu com outro roteiro ainda mais paquidérmico, que dava para rodar no mínimo uma fita de seis horas de duração? Huston fez uma lipoaspiração radical no texto, e o resultado foi um monstrengo sem pé nem cabeça. Outro equívoco de Huston foi tentar filmar uma espécie de “psicanálise para principiantes”: cada cena quase equivalia à ilustração de um conceito freudiano por ordem alfabética. Quem sabe se Marilyn Monroe tivesse subido a bordo – como quase fez –, a coisa se salvasse. Faltou no filme uma boa dose de princípio do prazer.
Cronenberg circunscreveu a história de Um Método Perigoso a um episódio poderoso e ao mesmo tempo fecundo – o envolvimento de Carl Jung com Sabina Spielrein e a atitude de Freud perante o fato. Nada de manual de instruções de psicanálise. Aqui, Freud (Viggo Mortensen), Jung (Michael Fassbender) e a Sabina (a ergonômica Keira Knightley) são personagens tridimensionais, e não bustos de bronze, mais ou menos imponentes e kitsch.
Além disso, Cronenberg teve a sorte que abençoa os audazes. Há algum tempo o verbete “Sigmund Freud” andava tacitamente eclipsado. Grosso modo, o habitante da Berggasse 19, em Viena, era visto cada vez mais como um pensador da cultura e menos como um cientista realmente confiável e consistente, criador de um novo enclave cognitivo. O “inconsciente” correspondia a uma Terra do Nunca. Eros e Tânatos foram reduzidos a simples metáforas, na melhor das hipóteses, mais ou menos como o Céu e o Inferno da doutrina cristã. “Inveja do pênis”? “Continente desconhecido”, “Eu e Super-Eu”? Frente à disseminação de antidepressivos e que tais, os conceitos tiveram pouco a oferecer. Tudo parecia indicar que, no século XXI, a psicanálise estaria para a psiquiatria como a astrologia está para a astronomia.
Cronenberg não se embrenhou em pantanosas querelas doutrinárias. Especialmente no Fla-Flu Freud versus Jung. O criador da psicanálise acalentou Jung como o seu delfim, na medida em que este apresentava várias vantagens sobre os rivais na sucessão: tinha pedigree científico (era médico, como Freud, ao contrário de inúmeros outros pioneiros), não era judeu (ao contrário de Freud e de muitos colegas) e era obviamente brilhante. A expectativa de Freud era tanta que, no último encontro entre ambos, quando Jung expôs a sua cisma, o pai da psicanálise desmaiou.
“Não segui nenhuma agenda política na Guerra Fria entre freudianos e junguianos”, disse Cronenberg. “O que me interessou foi mostrar como esses dois homens tinham a vívida percepção – quase visionária – de que haviam encontrado uma chave para a decifração do espírito e da condição humana. E, claro, a presença de Sabina Spielrein como o terceiro vértice do triângulo. Sim, para mim Freud, Jung e Sabina constituíram um triângulo amoroso, independentemente dos respectivos gêneros e das pulsões sexuais.”
Precisamente num filme habitado pela psicanálise, e banhado por paixões viscerais, Cronenberg refreou suas proverbiais efusões oníricas e alucinantes. E também a violência: se aqui há uma intensidade passional e tempestuosa, ela se limita à batalha de ideias. Nesse domínio, de fato há chumbo grosso.
Faz pouco mais de 100 anos que Sigmund Freud viajou para os Estados Unidos, acompanhado de seus discípulos Sándor Ferenczi e... Carl Gustav Jung. Freud detestava o país, uma terra de caipiras que tinham o topete de chamá-lo de “Sigmund”, como se fossem compadres. Numa carta a um amigo, datada de 1913, resmungou: “Não é triste que estejamos dependentes destes desprezíveis selvagens, que só pensam em dinheiro?” Mas os americanos não pensavam somente em dinheiro: como observou Mark Edmundson em A Morte de Freud: “Nenhuma nação, fora da Alemanha e da Áustria, foi mais receptiva à psicanálise do que os Estados Unidos.” Apesar disso, ao desembarcar em Nova Iorque, Freud sussurrou para Jung: “Viemos trazer-lhes a peste. E eles nem desconfiam.”
Sabina Spielrein foi, nas palavras de Peter Gay, talvez o biógrafo canônico de Sigmund Freud, “uma brilhante analista russa”. Em 1904, numa clínica de Zurique, aos 19 anos ela se tornou a primeira paciente de Jung, dez anos mais velho. E se apaixonou pelo seu médico, que era casado e tinha um filho. Sabina entendia que a relação tinha de se manter secreta, devido à ética profissional e ao estado civil do amado. Para Jung, estava de bom tamanho. Ele não perdia o sono por causa do tabu no relacionamento analista–analisando. 
Numa carta datada de 1905, Jung descreveu Sabina no seu consultório “reclinada languidamente no sofá”, com uma postura “oriental e voluptuosa”, e uma “expressão sensual e sonhadora estampada no rosto”.O fetiche de Sabina era ser açoitada, e Jung, ao que parece, era adepto do ponto de vista de que o cliente tem sempre razão.
Cartas, aliás, foram uma fonte providencial para o filme, como disse Cronenberg:
Nunca negligenciamos o fato de que os três personagens principais foram personalidades históricas, e tentamos ser bastante rigorosos na representação de cada uma delas. É bom destacar que naquela época, em Viena, o correio entregava correspondência nada menos que cinco vezes por dia. Se você recebia uma carta de manhã, o remetente podia esperar uma resposta na mesma tarde. Era uma espécie de internet, de e-mail, de rede social primitiva. O pingue-pongue epistolar era, por isso mesmo, e ao contrário do e-mail, considerado uma forma de arte, com filigranas estilísticas e máxima acuidade descritiva. Daí que tenhamos imensa documentação sobre como as pessoas daquela sociedade sentiam e pensavam.
 O papel de Freud na sedução de Sabina por Jung não foi lá muito admirável, como reconhece melifluamente o próprio Peter Gay. Para salvar a carreira e o casamento, Jung desistiu da amante. Mas boatos circularam, entre Viena e Zurique, de uma ligação de Carl Jung com uma estudante. Freud e Jung pensaram que Sabina fosse a origem do escândalo, como represália pelo abandono – e fizeram o possível para isolá-la. Mas era uma acusação injusta: a jovem russa não dera um pio – Jung é que tinha demasiado calcanharesde Aquiles.
Em certo momento, Sabina deixou de ser paciente de Jung para se tornar sua pupila, e ele, o seu mentor. Sabina não apenas aderiu aos postulados psicanalíticos como contribuiu decisivamente para as bases conceituais da nova disciplina. Foi a pioneira na formulação do axioma de que a vida instintiva está alicerçada em duas pulsões antitéticas: a de vida e a de morte, tensão que o próprio Freud sedimentaria anos mais tarde. Em 1911, ela foi aceita como membro da Sociedade de Psicanálise de Viena.
Hoje, a reputação de Sabina Spielrein no panteão das grandes psicanalistas poderia talvez se ombrear com as de Ruth Brunswick, Anna Freud e Melanie Klein. Mas o destino, os senhores do tempo e as contingências lhe pregaram sucessivos trotes. Em 1923, regressou à União Soviética e fundou uma escola em Moscou, com todas as paredes e mobílias de cor branca, o que deu ao lugar o apelido de Enfermaria Branca. A principal finalidade do estabelecimento de ensino era o rápido amadurecimento crítico das crianças. 
Três anos depois, a escola foi fechada pelas autoridades soviéticas, sob a alegação de que lá se promoviam perversões sexuais com as crianças. Uma acusação intrigante, pois o próprio Stálin havia matriculado seu filho Vassili na Enfermaria Branca... Mas isso seria matéria para outro filme. 
Paulo Nogueira


24 de ago. de 2007

Poema Sobre a Recusa


Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus
dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda
Maria Teresa Horta
picture by Lucian Freud

Luis


Luis é o tipo de cara que você gostaria de conhecer. Ele estava sempre de bom humor e sempre tinha algo de positivo para dizer. Se alguém lhe perguntasse como ele estava, a resposta seria logo: Ah.. Se melhorar, estraga.
Ele era um gerente especial em um restaurante, pois seus garçons o seguiam de restaurante em restaurante apenas pelas suas atitudes. Ele era um motivador nato. Se um colaborador estava tendo um dia ruim, Luis estava sempre dizendo como ver o lado positivo da situação.
Fiquei tão curioso com seu estilo de vida que um dia lhe perguntei: Você não pode ser uma pessoa positiva todo o tempo. Como faz isso ? Ele me respondeu: A cada manhã, ao acordar, digo para mim mesmo: Luis, você tem duas escolhas hoje: Pode ficar de bom humor ou de mau humor. Eu escolho ficar de bom humor.
Cada vez que algo ruim acontece, posso escolher bancar a vítima ou aprender alguma coisa com o ocorrido. Eu escolho aprender algo. Toda vez que alguém reclamar, posso escolher aceitar a reclamação ou mostrar o lado positivo da vida.
Certo, mas não é fácil - argumentei. É fácil sim, disse-me Luis.
A vida é feita de escolhas. Quando você examina a fundo, toda situação sempre oferece escolha. Você escolhe como reagir às situações. Você escolhe como as pessoas afetarão o seu humor. É sua a escolha de como viver sua vida. Eu pensei sobre o que o Luis disse e sempre lembrava dele quando fazia uma escolha.
Anos mais tarde, soube que Luis um dia cometera um erro, deixando a porta de serviço aberta pela manhã. Foi rendido por assaltantes. Dominado, e enquanto tentava abrir o cofre, sua mão tremendo pelo nervosismo, desfez a combinação do segredo. Os ladrões entraram em pânico e atiraram nele. Por sorte foi encontrado a tempo de ser socorrido e levado para um hospital.
Depois de 18 horas de cirurgia e semanas de tratamento intensivo, teve alta ainda com fragmentos de balas alojadas em eu corpo.
Encontrei Luis mais ou menos por acaso Quando lhe perguntei como estava, respondeu: Se melhorar, estraga. Contou-me o que havia acontecido perguntando: Quer ver minhas cicatrizes?
Recusei ver seus ferimentos, mas perguntei-lhe o que havia passado em sua mente na ocasião do assalto. A primeira coisa que pensei foi que deveria ter trancado a porta de trás. Respondeu. Então, deitado no chão, ensangüentado, lembrei que tinha duas escolhas: Poderia viver ou morrer.
Escolhi viver!
Você não estava com medo? Perguntei. Os para-médicos foram ótimos. Eles me diziam que tudo ia dar certo e que ia ficar bom. Mas quando entrei na sala de emergência e vi a expressão dos médicos e enfermeiras, fiquei apavorado. Em seus lábios eu lia: "Esse aí já era". Decidi então que tinha que fazer algo.
O que fez ? Perguntei.
Bem. Havia uma enfermeira que fazia muitas perguntas.
Perguntou-me se eu era alérgico a alguma coisa. Eu respondi: "sim".
Todos pararam para ouvir a minha resposta. Tomei fôlego e gritei; "Sou alérgico a balas!"
Entre risadas lhes disse: "Eu estou escolhendo viver, operem-me como um ser vivo, não como um morto."
Luis sobreviveu graças à persistência dos médicos... mas sua atitude é que os fez agir dessa maneira." E com isso, aprendi que todos os dias, não importa como eles sejam, temos sempre a opção de viver plenamente.
Afinal de contas, "ATITUDE É TUDO"
picture by Reynaldo Fonseca

Estressados


Esta é uma homenagem a todos os amigos que assim como eu, de vez em quando ficam estressados...
Às vezes, a pressão é tanta...
as horas não passam...
as coisas não andam...

Parece que o mundo todo conspira contra você!

Sabe qual é a solução?
Assovie!
Faça de conta que não é com você!
Banque o bobo! E daí?
Não dê ouvidos aos que só querem te por para baixo!
Disfarce!
Faça de conta que você é uma abóbora!
Pare de prestar atenção...
Procure fazer algo que te dê prazer! Quem se importa?
Abuse!
Seja ainda mais carinhoso.
Dê mais atenção às coisas que são banais, mas que te divertem.
Ria das inconveniências...
Deixe de lado o medo e...
Seja ridículo...
Ninguém deve lutar pela perfeição, mas tem que curtir um monte as pequenas coisas que faz!
A vida só não é mais divertida
Porque a gente não deixa, então, deixa...
E o mais Importante:
a vida não acaba neste instante, nem começa de novo amanhã, como o desabrochar das flores...
Ela não para. Cada minuto estressado, é tempo perdido.
Por isso, te desejo:
um pouquinho de loucura e um pouquinho de pureza.
Para enxergar a vida, muito diferente e melhor do que às vezes ela realmente é.
E não esqueça:
Sorria, na vida tudo é melhor com um pouquinho de alegria!
picture by Raoul Dufy

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