31 de jul. de 2008

Beleza


Não há beleza perfeita que não contenha algo de estranho nas suas proporções
Francis Bacon

Persuasão da beleza


Uma coisa bela persuade por si mesma, sem necessidade de um orador
William Shakespeare

Apontamento


A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra?
A minha alma principal?
A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
Álvaro de Campos
Picture by Maurizio Piovan

Relações humanas


Observando o decorrer do tempo, nada, afinal, se considera impossível no que concerne às relações humanas: nenhuma transformação, nenhum retrocesso, nenhuma contradição em si mesma.
O que mantém tudo junto, o estado humano normal, que em tudo se pode encontrar, é de longe aquilo que é mais forte.
Hugo Hofmannsthal
Picture by Lanfranco

A influência dos nossos desejos



A influência dos nossos desejos sobre as nossas crenças é do conhecimento e da observação de todos, mas a natureza dessa influência é, em geral, muito mal interpretada.

É costume supor que a massa das nossas crenças provém de alguma base racional e que o desejo é apenas uma força perturbadora ocasional. Exatamente o oposto se aproximaria mais da verdade: a grande massa de crenças pela qual somos amparados na nossa vida diária é apenas projeção do desejo, corrigida aqui e ali, em pontos isolados, pelo rude choque dos fatos.
Bertrand Russell
Picture by RichardYoung

30 de jul. de 2008

A cultura do slow down

Já fazem 18 anos que ingressei na Volvo, empresa sueca bem conhecida. Trabalhar com eles é uma convivência muito interessante.

Qualquer projeto aqui demora dois anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É uma regra.

Os processos globalizados causam-nos a nós (brasileiros, portugueses, argentinos, colombianos, peruanos, venezuelanos, mexicanos, australianos, asiáticos) uma ansiedade generalizada na busca de resultados imediatos.
Conseqüentemente, o nosso sentido de urgência não surte efeito dentro dos prazos lentos dos suecos. Os suecos debatem, debatem, realizam várias reuniões, ponderações, etc... E trabalham! Com um esquema bem mais “slowdown".

O melhor é constatar que, no fim, isto acaba por sempre dar resultados no tempo deles (suecos) já que conjugando a necessidade amadurecida com a tecnologia apropriada, é muito pouco o que se perde aqui na Suécia.

A Suécia é do tamanho do estado de São Paulo, tem apenas dois milhões de habitantes. Ou seja, sua maior cidade, Estocolmo, tem apenas 500.000 habitantes (compare-se com Paris, Londres, Berlim, Madrid, mesmo Lisboa, onde vivem permanentemente 1 milhão de pessoas, ou ainda a cidade do Rio de Janeiro com 7 milhões). Além disto, são empresas de capital sueco: Volvo, Skandia, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare , etc.

Nada mal, não é? Para se ter uma idéia da sua importância basta mencionar que a Volvo fabrica os motores de propulsão para os foguetes da Nasa. Os suecos podem estar enganados, mas são eles que me pagam o salário. Não conheço nenhum outro povo com uma cultura geral superior à dos suecos.

Vou contar uma pequena história,para terem uma idéia:

A primeira vez que fui para a Suécia, em 1990, um dos meus colegas suecos me apanhava no hotel todas as manhãs. Já era Setembro, com algum frio e neve. Chegávamos cedo à Volvo e ele estacionava o carro longe da porta de entrada (são 2 mil empregados que vão de carro para a empresa). No primeiro dia não fiz qualquer comentário, nem tampouco no segundo ou no terceiro. Num dos dias seguintes, já com um pouco mais de confiança, uma manhã perguntei:

"Vocês têm lugar fixo para estacionar? Chegamos sempre cedo e com o estacionamento quase vazio você estaciona o carro no seu extremo?
E ele me respondeu com simplicidade:
“É que como chegamos cedo temos tempo para andar, e quem chega mais tarde, já vai entrar atrasado, portanto é melhor para ele encontrar um lugar mais perto da porta. Entendeu?"
Imaginem a minha cara! Esta atitude foi bastante para que eu revisse todos os meus conceitos anteriores.

Atualmente, há um grande movimento na Europa chamado "Slow Food". A “Slow Food International Association”, cujo símbolo é um caracol, tem a sua sede na Itália.
O que o movimento Slow Food preconiza é que se deve comer e beber com calma, dar tempo para saborear os alimentos, desfrutar da sua preparação, em família, com amigos, sem pressa e com qualidade.

A idéia é contraposição ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida. Verdadeiramente surpreendente, é que este movimento de Slow Food está servindo de base para um movimento mais amplo chamado “Slow Europe” como salientou a revista Business Week numa das suas últimas edições européias.

Na base de tudo isto está o questionamento da "pressa" e da "loucura" geradas pela globalização, pelo desejo de "ter em quantidade" (nível de vida) ao contrário do "ter em qualidade", “Qualidade de vida" ou “Qualidade do ser". Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, ainda que trabalhem menos horas (35 horas por semana) são mais produtivos que os seus colegas americanos e ingleses. E os alemães, que em muitas empresas já implantaram a semana de 28,8 horas de trabalho, viram a sua produtividade aumentar uns apreciáveis 20%.

A denominada "slow attitude" está chamando atenção dos próprios americanos, escravos do "fast" (rápido) e do "do it now!" (faça já!).

Portanto, esta "atitude sem pressa" não significa fazer menos nem ter menor produtividade. Significa sim, trabalhar e fazer as coisas com "mais qualidade" e "mais produtividade", com maior perfeição, com atenção aos detalhes e com menos stress.

Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do prazer dum belo ócio e da vida em pequenas comunidades. Do "aqui" presente e concreto, ao contrário do "mundial" indefinido e anônimo.

Significa retomar os valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do quotidiano, da simplicidade de viver e conviver, e até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho com menos pressão, mais alegre, mais leve, e portanto mais produtivo, onde os seres humanos realizam, com prazer, o que melhor sabem fazer.

É saudável refletir sobre tudo isto. Será que os antigos provérbios: “Devagar se vai ao longe" e “A pressa é inimiga da perfeição" merecem novamente a nossa atenção nestes tempos de loucura desenfreada?

Não seria útil e desejável que as empresas da nossa comunidade, cidade, estado ou país, começassem já a pensar em desenvolver programas sérios de “qualidade sem pressa" até para aumentarem a produtividade e a qualidade dos produtos e serviços sem necessariamente se perder “qualidade do ser"?

No filme "Perfume de Mulher" há uma cena inesquecível na qual o cego (interpretado por Al Pacino) convida uma jovem para dançar e ela responde: "Não posso, o meu noivo deve estar chegando".

Ao que o cego responde: “Em um momento, vive-se uma vida", e a leva para dançar um tango. Esta cena que dura apenas dois ou três minutos, é o melhor momento do filme.

Muitos vivem correndo atrás do tempo, mas só o alcançam quando morrem, quer seja de enfarte ou num acidente automobilístico por correrem para chegar a tempo. Ou outros que, tão ansiosos para viverem o futuro, esquecem-se de viver o presente, que é o único tempo que realmente existe. O tempo é o mesmo para todos, ninguém tem nem mais nem menos de 24 horas por dia.

A diferença está no que cada um faz do seu tempo. Temos de saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon, “A vida é aquilo que acontece enquanto planejamos o futuro".
Parabéns por ter conseguido ler esta mensagem até ao fim. Certamente haverá muitos que leram só metade, para "não perder tempo" tão valioso neste mundo globalizado.
Um excelente dia para você, hoje

Efeitos da massificação


Anne Moore
Desde que, com a ajuda do cinema, das soap operas e do horney, a psicologia profunda penetra nos últimos rincões, a cultura organizada corta aos homens o acesso à derradeira possibilidade da experiência de si mesmo.

E esclarecimento já pronto transforma não só a reflexão espontânea, mas o discernimento analítico, cuja força é igual à energia e ao sofrimento com que eles se obtêm, em produtos de massas, e os dolorosos segredos da história individual, que o método ortodoxo se inclina já a reduzir a fórmulas, em vulgares convenções.

Até a própria dissolução das racionalizações se torna racionalização. Em vez de realizar o trabalho de autognose, os endoutrinados adquirem a capacidade de subsumir todos os conflitos em conceitos como complexo de inferioridade, dependência materna, extrovertido e introvertido, que, no fundo, são pouco menos que incompreensíveis. O horror em face ao abismo do eu é eliminado mediante a consciência de que não se trata mais do que uma artrite ou de sinus troubles.

Os conflitos perdem assim o seu aspecto ameaçador. São aceites; não sanados, mas encaixados somente na superfície da vida normalizada como seu ingrediente inevitável. São, ao mesmo tempo, absorvidos como um mal universal pelo mecanismo da imediata identificação do indivíduo com a instância social; tal mecanismo já há muito definiu as condutas pretensamente normais.

Em vez da catarse, cujo êxito é, de qualquer modo, duvidoso, surge a conquista do prazer de até na própria debilidade ser um exemplar da maioria e conseguir assim não tanto, como outrora os internados nos sanatórios, o prestígio do interessante estado patológico quanto, justamente em virtude daquelas deficiências, de se mostrar como nela integrado e transferir para si o poder e a grandeza do colectivo.

O narcisismo, que com a decadência do eu fica privado do seu objeto libidinal, é substituído pelo prazer masoquista de não mais ser um eu, e a geração ascendente vela pela sua ausência de eu com mais zelo do que por algum dos seus bens, como se fosse uma posse comum e duradoura
.
Theodore Adorno

autognose=conhecimento de si próprio

29 de jul. de 2008

O que podemos fazer de melhor


Ninguém conhece as suas próprias capacidades enquanto não as colocar à prova
Públio Siro
Picture by Andrzej Filipowicz

Passividade e ação


Ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra, a nossa própria passividade seria uma forma de ação
Jean-Paul Sartre

Intelecto


A vida intelectual ocupará, de preferência, o homem dotado de capacida­des espirituais, e adquire, mediante o incremento inin­terrupto da visão e do conhecimento, uma coesão, uma intensificação, uma totalidade e uma plenitude cada vez mais pronunciadas, como uma obra de arte amadurecen­do aos poucos.

Em contrapartida, a vida prática dos ou­tros, orientada apenas para o bem-estar pessoal, capaz de incremento apenas em extensão, não em profundeza, contrasta em tristeza, valendo-lhes como fim em si mesmo, enquanto para o homem de capacida­des espirituais é apenas um meio. A nossa vida prática, real, quando as paixões não a movimentam, é tediosa e sem sabor; mas quando a movi­mentam, logo se torna dolorosa.

Por isso, os únicos feli­zes são aqueles aos quais coube um excesso de intelec­to que ultrapassa a medida exigida para o serviço da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entretém ininter­ruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Pa­ra tanto, o mero ócio, isto é, o intelecto não ocupado com o serviço da vontade, não é suficiente; é necessário um excedente real de força, pois apenas este capacita a uma ocupação puramente espiritual, não subordinada ao ser­viço da vontade. Pelo contrário, o ócio destituído de ocupação intelectual é, para o homem, morte e sepultura em vida (Séneca).

Ora, conforme esse excedente seja pe­queno ou grande, haverá inúmeras gradações daquela vida intelectual levada ao lado da real, desde o mero tra­balho de colecionar e descrever insetos, pássaros, mine­rais, moedas, até as mais elevadas realizações da poesia e da filosofia. Tal vida intelectual protege não só contra o tédio, mas também contra as suas consequências pernicio­sas. Ela é um escudo contra a má companhia e contra os muitos perigos, infortúnios, perdas e dissipações em que se tropeça quando se procura a própria felicidade apenas no mundo real.

Para mim, por exemplo, a minha filoso­fia nunca rendeu nada, mas poupou-me de muita coisa. O homem normal, pelo contrário, em relação aos de­leites de sua vida, restringe-se às coisas exteriores, à pos­se, à posição, à esposa e aos filhos, aos amigos, à socie­dade, etc. Sobre estes se baseia a sua felicidade de vida, que desmorona quando os perde ou por eles se vê iludi­do.
Podemos expressar essa relação dizendo que o seu centro gravitacional é exterior a ele. Justamente por isso, tem sempre desejos e caprichos cambiantes. Se os seus meios lhe permitirem, ora comprará casas de campo ou cava­los, ora dará festas ou fará viagens, mas, sobretudo, os­tentará grande luxo, justamente porque procura nas coi­sas de todo o tipo uma satisfação proveniente do exterior. Como o homem debilitado que, por meio de consom­més, canjas e drogas farmacêuticas, espera obter saúde e robustez, cuja verdadeira fonte é a própria força de vida.

Para não passarmos desde já ao outro extremo, coloque­mos ao seu lado uma pessoa dotada de capacidades es­pirituais não exatamente eminentes, mas que ultrapas­sem a escassa medida comum. Veremos tal pessoa prati­car como diletante uma bela arte, ou uma ciência como a botânica, a mineralogia, a física, a astronomia, a história e semelhantes, e nelas encontrar de imediato uma grande parte do seu deleite, nelas se reabastecendo quando es­tancam aquelas fontes exteriores ou quando não mais a satisfazem­.
Arthur Schopenhauer
Picture J Turner

28 de jul. de 2008

Crescimento


O único verdadeiro progresso é o interior.
O progresso material é um nada
Julien Green
Picture by Mário Cesariny

Dívida e resgate


Uma das cunhadas do Chico teve um filho anormal. Braços e pernas atrofiados. Os olhos, cobertos por uma espessa névoa, mantinham-no mergulhado na mais completa escuridão.

Inspirava medo às pessoas que o viam. Era tão deformado que a mãe ao vê-lo teve um choque e foi internada num hospital de doentes mentais.

O Chico ficou sozinho com o sobrinho.
Cuidar dele não era fácil. Medicá-lo, banha-lo e aplicar-lhe um clister diariamente.

O menino não deglutia e para alimentá-lo, o Chico tinha que formar uma pequena bola com a comida, colocar em sua garganta e empurrar com o dedo.

Isto, durante onze anos aproximadamente.
Quando o sobrinho piorava, o Chico rezava muito para que ele não desencarnasse. Já o amava como um filho.

Um dia o Espírito de Emmanuel lhe disse:
— Ele só vai desencarnar quando o pulmão começar a desenvolver e não encontrar espaço. Aí, então, qualquer resfriado pode se transformar numa pneumonia e ele partirá.
Quando estava próximo dos doze anos, foi acometido de uma forte gripe e começou a definhar.

Na hora do desencarne, seus olhos voltaram a enxergar. Ele olhou para o Chico e procurou traduzir toda a sua gratidão naquele olhar.
Emmanuel, presente, explicou:
— Graças a Deus. É a primeira vez, depois de cento e cinqüenta anos, que seus olhos voltam para a Luz. As suas dívidas do passado foram aniquiladas. Louvado seja Jesus.
universoespirita.org.br

Suas limitações



Valorize suas limitações e por certo, não se livrará delas.
Richard Bach

Você está com TPM?

Ela tem dois tipos distintos de humor", escreveu sobre a sua mulher o poeta grego Semônides de Amorgos, 600 anos antes de Cristo. "Um dia ela é toda sorrisos e felicidade... no outro, é impossível viver ao seu lado."

Há mais de 2 600 anos homens e mulheres engalfinham-se em torno da mudança brusca de humor delas, um suplício para ambos os sexos que afeta um período curto mas explosivo do mês: os quatro a sete dias que dura, em média, a tensão pré-menstrual. Tão antigo quanto a TPM é o desconforto dos homens nesses dias.

A grande maioria deles simplesmente não sabe como agir, como revela o primeiro estudo brasileiro a avaliar o que pensam os homens a respeito da TPM de suas mulheres, namoradas, chefes, amigas, mães, irmãs... A pesquisa coordenada pelo ginecologista Carlos Petta, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ouviu 1 500 homens e mulheres de todas as regiões do país, a maior parte deles entre 20 e 35 anos.

Para oito em cada dez homens, todas ou quase todas as mulheres de seu convívio têm TPM – a presença da síndrome é evidenciada principalmente no nervosismo, na ansiedade, no choro fácil e nas brigas sem motivo aparente que acontecem nessa época do mês. "Embora os homens sejam capazes de reconhecer a TPM e até de localizá-la no tempo, em geral, eles não sabem como se comportar nessas horas", diz o médico Carlos Petta.

Há os que se afastam, caso de três em cada dez, os que procuram tocar no assunto com cuidado – pouco mais da metade – e há aqueles que se irritam e acabam sucumbindo ao mau humor e à irritação delas, o que acontece com quase 10%. Nada disso funciona por completo. Na dúvida sobre como agir, dizem os especialistas, o melhor é ter paciência, muita paciência, até a crise passar.

Quando o assunto é TPM, homens e mulheres não se entendem. Pouco mais da metade delas acredita que a tensão pré-menstrual afeta o relacionamento do casal. Esse, no entanto, é um problema relatado por 85% deles.

As mulheres dizem que, nessas horas, precisam ser mimadas, querem carinho e, sobretudo, atenção. Eles contestam. Sentem-se confusos e acreditam que nada ajuda numa situação dessas. "Qualquer coisa que eu diga ou faça a irrita ainda mais. É melhor nem chegar perto", afirma o publicitário paulista Marcos Pontes, de 36 anos.

Sua experiência com a TPM inclui, além da mulher, com quem vive há três anos, três irmãs, duas chefes e quatro colegas de escritório. "Pela fisionomia delas, já sei quando é dia de TPM. Por via das dúvidas, não toco no assunto", diz. Certíssimo, Marcos. Nada mais irritante para uma mulher com TPM do que o marido, namorado ou colega lembrá-la de algo que ela reluta em aceitar: sim, ela está naqueles dias. Do contrário, prepare-se para uma resposta enviesada. Muitas mulheres ouvidas na pesquisa reconheceram que, quando estão na TPM, dizem coisas desagradáveis e agressivas, das quais invariavelmente se arrependem depois.

Segundo o estudo da Unicamp, 80% das mulheres brasileiras têm ou já tiveram sintomas da TPM. De tão comum, o distúrbio já virou motivo de piadinhas masculinas de todos os tipos: em inglês, a sigla PMS, premenstrual syndrome, equivalente à TPM, ganhou o significado "Punish Men Severely" (punir os homens severamente).

Nada pode irritar mais uma mulher... Para botar ainda mais lenha na fogueira da discórdia, uma pesquisa australiana feita recentemente mostrou que a TPM é pior para as mulheres casadas, e a culpa – adivinhem – é dos próprios maridos. "Questões de relacionamento podem causar ou piorar a síndrome pré-menstrual", disse a pesquisadora Jane Ussher, professora da Universidade de Sydney, que estuda o assunto há mais de vinte anos. "Existem fortes indícios de que a reação do parceiro influencia a forma como a mulher responde à tensão pré-menstrual." Se eles são indiferentes ou se reagem de forma agressiva, o quadro só piora.

Por isso, há até quem defenda a inclusão da terapia de casal no arsenal terapêutico anti-TPM, que vai de antidepressivos e fitoterápicos a contraceptivos e suplementos nutricionais.
A TPM foi descrita pela primeira vez pelo grego Hipócrates, o pai da medicina, no ano 400 antes de Cristo. Mas ela só foi reconhecida como diagnóstico médico em 1983, pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Os sintomas da síndrome – até agora já foram relatados mais de 150 deles – decorrem de oscilações bruscas dos hormônios estrógeno e progesterona registradas, sobretudo, a partir da segunda metade do ciclo menstrual.

Os mais comuns são dor de cabeça, inchaço, alteração de humor, choro fácil, irritação e insônia. Para além da questão hormonal feminina, o estilo de vida tem um peso enorme sobre a manifestação dos sintomas da TPM, especialmente os psíquicos. "Mulheres mais velhas, com filhos e que trabalham fora são as principais vítimas do problema", diz o ginecologista Carlos Petta.

Ao contrário do que ocorre com as mulheres, não há nenhuma evidência científica de que os humores masculinos sejam influenciados por hormônios. Mas a TPM delas influi – e muito – na vida deles. E não é só dentro de casa. Um estudo americano recente, com 1 000 homens e mulheres, mostrou que metade deles já foi vítima de hostilidade e enfrentou dificuldades ao trabalhar com mulheres na TPM. O relações-públicas paulista Rodrigo Santos, de 34 anos, viveu o drama com uma antiga chefe: "Seu mau humor mudava completamente a dinâmica da equipe e interferia no comportamento de todos no escritório. Era um tormento".

E pode continuar a sê-lo por muito tempo, já que ainda se está longe de uma solução definitiva para o mal. Mas, atenção, senhores: nem toda irritação feminina é sinônimo de tensão pré-menstrual. Portanto, tenha sempre um calendário em mãos antes de lançar a irritante pergunta: "você está com TPM?".
Anna Paula Buchalla

TPM no escritório


30% dos homens dizem pisar em ovos quando a colega de trabalho está naqueles dias

50% relatam hostilidade por parte delas no ambiente profissional

20% dizem que elas são incapazes de tomar uma decisão profissional racional na TPM
Fonte: PremCal MAP Survey

27 de jul. de 2008

Sigam o exemplo (Se beber não dirija)


Amor


Há tanta suavidade em nada dizer
E tudo se entender.
Fernando Pessoa
Picture by Isy Ochoa

O desafio de permanecer sóbrio

Compreender como o álcool altera a química do cérebro oferece aos pesquisadores e aos próprios pacientes maiores possibilidades de controlar a dependência

Ex-alcoólatras têm dificuldade de resistir à ânsia de beber em duas situações particularmente desafiadoras. Mas, felizmente, a compreensão do que acontece em seus cérebros sob essas circunstâncias está favorecendo o entendimento dos neurobiólogos a respeito de como o uso crônico do álcool modifica o cérebro. As descobertas sugerem medidas que podem ajudar as pessoas a permanecerem abstêmias.

O caso seguinte ilustra uma das situações de maior tentação. O paciente H. não havia ingerido uma gota de bebida havia muitas semanas graças a um programa radical de abstinência de álcool, mas uma simples caminhada na qual passasse em frente ao bar e restaurante Pete’s Tavern, em Nova York, em qualquer noite apagava quase por completo sua vontade de permanecer sóbrio.
Durante o dia ele não sentia o desejo pelo álcool, mas quando passava pelo estabelecimento à noite – via a luz aconchegante através das janelas e ouvia o tinir dos copos –H. sentia uma forte tentação de entrar lá e pedir uma cerveja. Pesquisadores de dependências chamam esse fenômeno de “desejo condicionado”. Se uma pessoa sempre consumiu álcool numa mesma situação, um encontro com o estímulo familiar irá tornar a sensação de necessidade da substância quase irresistível.
Então, mesmo depois de anos de abstinência, consumir um único drinque pode desencadear um desejo poderoso de beber mais e mais.A história de outro paciente, K. ilustra outra tentação comum. O rapaz havia abandonado o álcool e estava indo bem, mesmo depois de ter sido demitido do trabalho e de haver começado a receber o seguro-desemprego. Mas numa visita ao local onde tratava dos assuntos relacionados ao desemprego, no centro da cidade, um burocrata se recusou a aprovar seu benefício.
Enquanto estava parado na plataforma do metrô esperando o trem para casa, ele de repente começou a transpirar, estremecer e sentir-se da abstinência ele tomava algumas doses sempre que se deparava com uma situação tensa. Depois da discussão, seu cérebro – moldado pela experiência – esperava o efeito calmante do álcool. Quando a droga não veio, ele começou a sofrer aquilo que os especialistas chamam de “crise de abstinência condicionada”.

O desejo condicionado e a crise de abstinência condicionada são produzidos no cérebro por mecanismos diferentes. Nos últimos anos, os neurocientistas investigaram a fundo ambos os fenômenos. Eles agora se sentem à vontade para explicar como o consumo rotineiro de álcool transforma os circuitos do cérebro de forma a levar ao vício, e começam a desenvolver novos medicamentos que podem proporcionar uma redução drástica das chances de se voltar à dependência.

Por séculos, a sociedade rotulou alcoólicos como pessoas auto-indulgentes que não possuem força de vontade. Embora a decisão de começar a beber realmente seja assunto de cada indivíduo, traços inerentes às células do cérebro podem influenciar bastante esse caminho perigoso. Além disso, uma vez que alguém se torna dependente, só força de vontade costuma ser insuficiente para romper essa condição; drogas capazes de reverter a química do cérebro alterada pelo álcool podem ser necessárias.
A sensibilidade de um indivíduo aos efeitos do álcool sobre os neurônios influencia de maneira significativa a chance de que ele se torne dependente. De acordo com o professor de psiquiatria Marc A. Schuckit, da Universidade da Califórnia, San Diego, e diretor do Programa de Tratamento de Álcool e Drogas do Sistema de Saúde de San Diego do Departamento de Veteranos de Guerra, uma das melhores proteções contra o alcoolismo é a náusea. Pessoas que ficam enjoadas com facilidade quando bebem têm menos probabilidade de ingerir bebida em quantidade suficiente e de maneira constante a ponto de criar dependência.
As mais resistentes são as que mais correm risco. Substâncias mensageiras inibitórias e excitantes no cérebro ficam desequilibradas em resposta a doses excessivas de álcool. As pessoas que conseguem beber mais enviam mais álcool para o cérebro, dessa forma aumentando com o tempo a chance de que um desequilíbrio permanente se desenvolva.

Essa química do cérebro foi parcialmente estudada em macacos Rhesus que tiveram de crescer sem suas mães, alguns no laboratório e outros na natureza. O psicólogo americano James Dee Higley, pesquisador do Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo, descobriu que esses macacos reagiam menos a bebidas de alto teor alcoólico do que outros macacos. Os macacos sem mãe também eram semelhantemente insensíveis a outras substâncias que, como o álcool, aumentavam o impacto do neurotransmissor GABA (ácido gama-aminobutírico), o qual inibe sinais entre neurônios para que as células não fiquem excitadas demais.

Como resultado dessa sensibilidade reduzida, os macacos Rhesus criados em isolamento podiam beber uma quantidade notavelmente enorme de álcool – e procuravam fazer isso quando os pesquisadores proporcionavam acesso livre à droga. Estudos em humanos revelaram mudanças semelhantes nos cérebros das pessoas.

A química alterada do cérebro resultante da experiência é apenas um fator que contribui para diferenças individuais em termos de suscetibilidade. Os genes representam também um papel. Schuckit defende que até metade dos fatores causais para sensibilidade reduzida ao álcool são herdados. Num estudo de pequena escala que rastreou pessoas durante 15 anos, o grupo de pesquisa de Schuckit descobriu que uma variação no gene que codifica uma parte do receptor GABA pode estar relacionada a uma baixa sensibilidade ao álcool.

Embora a alta tolerância decorrente de uma química ajustada do cérebro ou da genética possa parecer um traço protetor, em última instância é desfavorável. Se tal indivíduo consumir grandes quantidades de álcool de maneira regular, seu cérebro aos poucos irá se acostumar, praticamente garantindo que a pessoa se torne adicta.
Andreas Heinz

26 de jul. de 2008

Cão, o melhor amigo do homem

Os outros


Estou convencido de que não apenas nos amamos nos outros, mas também nos odiamos neles
Georg Lichtenberg
Picture by Brenda York

Visão maquineista

Picture by Mary Calkins
Um dos preconceitos mais conhecidos e mais espalhados consiste em crer que cada homem possui como sua propriedade certas qualidades definidas, que há homens bons ou maus, inteligentes ou estúpidos, enérgicos ou apáticos, e assim por diante.

Os homens não são feitos assim. Podemos dizer que determinado homem se mostra mais frequentemente bom do que mau, mais frequentemente inteligente do que estúpido, mais frequentemente enérgico do que apático, ou inversamente; mas seria falso afirmar de um homem que é bom ou inteligente, e de outro que é mau ou estúpido.

No entanto, é assim que os julgamos. Pois isso é falso. Os homens parecem-se com os rios: todos são feitos dos mesmos elementos, mas ora são estreitos, ora rápidos, ora largos, ora plácidos, claros ou frios, turvos ou tépidos.
Leon Tolstoi

O cão e o limbo


Ser habitante pós-humano da pós-história

Eu sou a lenda , filme adaptado do romance de 1956 de Richard Matheson e dirigido por Francis Lawrence, mostra o último humano, o último testemunho da espécie, a conviver com um cão.

Assistir o filme sem atenção a esse dado é perder o cerne da questão que, conscientemente ou não, está proposta no enredo.

O último homem é um sobrevivente que tem a sorte (ou não) de ser o cientista, um implicado sujeito do saber, que testemunha uma experiência além do humano na emblemática cidade de Nova York onde ele está abandonado à sorte e prisioneiro da cidade. Os seres humanos que restam vivos foram contaminados por um vírus cuja manifestação é uma doença terrível, que faz perder o traço humano e coloca cada um no limbo entre natureza e cultura, entre humanidade e animalidade como numa dialética sem síntese em que a tragédia não encontra termo.

O filme é a plena exposição de uma dialética negativa expressa por meio da condição de limbo na qual se situa o humano. Limbo que constitui não apenas um espaço, a própria cidade onde todos habitam como bandidos que se escondem em becos e outros escuros, mas também aquele lugar onde o homem tornado animal, devém monstro.

A expressão limbo, muito conhecida por quem se interessa por sobrenaturalismos ou religião em geral não deve ser interpretada como novidade de alguns poucos que resolvem meter medo em adolescentes ansiosos por ficção e terror. A condição de limbo, do intervalo intransponível até que se passe por uma prova - quando há uma prova - é experimentada ontologicamente no abismo sobre o qual a linguagem humana é a ponte. O limbo é a experiência do bordo. Lugar da vertigem que só o ser humano é capaz de expressar.

Ligação dentro do limbo
O fato de que Robert Neville (o cientista interpretado por Will Smith) sobreviva na companhia de uma cão (Sam, interpretada pela cadela Abbey) é explicativo da dialética que define a condição do limbo: Dr. Neville está acompanhado de Sam, a cadela, mas, por não poder conversar com ela, vive uma espécie de companhia incompleta devido à lacuna de linguagem que os enlaçaria se ainda se pudesse supor um paraíso perdido em que a linguagem dos homens é a linguagem dos animais. Ao mesmo tempo, no entanto, dizer que ele está só seria um erro, pois o fato de que não possa falar com o animal, ou que possa falar mesmo sem receber palavras como retorno, não invalida a relação entre eles.

É o estatuto da relação que só pode ser compreendido por esta possível "ligação dentro do limbo", no intervalo onde toda distinção entre humano e animal desaparece. Mas, sobretudo, no qual a linguagem humana de pouco ou nada serve. A fratura interna à relação - uma espécie de relação que carrega constitutivamente sua própria interrupção - é o que essa dupla informa de modo emblemático. Limbo, pode-se dizer, é a solidão que conjuga homem e animal numa eterna impossibilidade de encontro enquanto, ao mesmo tempo, permite relação. Limbo é o lugar de uma relação perdida, no espaço e no tempo, e cuja marca material define a linguagem como um mero miasma.

No filme, animais selvagens não são contaminados pelo vírus. Apenas o cão, essa figura histórica e simbolicamente próxima do homem, é que carrega a potência de sua contaminação. Homem e cão são postos como semelhantes, o vírus é o emblema da participação entre suas naturezas. É o que expressa a sua "comunidade".

Que a tradição popular o tenha afirmado como o melhor amigo do homem não é motivo menor. O melhor amigo do homem, tanto quanto o homem, é um habitante do limbo existente entre animalidade e humanidade. Os dois se encontram no mesmo lugar, apenas separados pela linguagem tornada miasma a transitar entre eles. Por sua inteligência, por sua afetividade, por sua capacidade de escravidão e entrega, não há animal mais parecido com o humano. O humano apenas tenta garantir uma espécie de soberania em relação à natureza ao afirmar-se humano pela linguagem, o que no filme é expresso pela busca da cura do vírus que traria humanos à sua condição anterior, mas tristemente exposto pela impossibilidade de alcançá-la.

O cão equivale ao homem, perdido que está entre a cultura e a natureza sem chance de encontrar uma morada de um lado ou outro da fronteira. Que o cão seja a principal companhia do homem (e vice-versa) define o desamparo como solidão existencial. Do homem em relação a si mesmo, mas também em relação ao seu outro. O simbolismo da amizade com um animal é indício da falsidade ou da impossibilidade da relação com outro humano.

Ainda que no filme seja mantida a pátina humana nos bonecos que Dr. Neville espalha pela cidade para escapar da solidão insuportável e com os quais conversa crente de que ali está o seu semelhante, nem que este tenha sido reduzido a espectro, é com o cão que ele se assemelha por afinidade ontológica, por condição metafísica. Ambos estão sós mesmo quando unidos. A mônada que é cada indivíduo sustenta-se na bolha humana cuja pele é a linguagem, mas esta bolha de nada vale quando se estabelece vínculo com o animal.

Melancolia e o pós-humano
Historicamente o cão foi emblema da melancolia, doença do humor expressa pela infinita solidão da consciência, do que se é e do que se poderia ser, do possível e do impossível conjugados na mesma dialética negativa, mera dupla banda que explica que a realidade - e a verdade não passa de jogo de espelhos.

Esta solidão melancólica que caracterizou o homem de exceção desde a antiguidade clássica, é o traço desumano dentro do humano, o elemento da interrupção do que é propriamente humano, a saber, o laço que unindo os seres entre si define a condição humana como ética e como política. Pode-se dizer que a melancolia é uma antecipação do que hoje se chama pós-humanidade. O pós-humano não é uma novidade. Ele sempre esteve presente como impossibilidade da humanidade completa. A solidão é uma sempre posta experiência do desencontro que caracteriza o limbo, elemento constitutivo de todo laço humano.

Nela se esclarece a pertença, ao mesmo tempo que a condição estrangeira do homem dentro da natureza e da cultura, na dupla banda existencial que estarrece a atenção de todo aquele que sobreviveu alienado de sua própria condição. Felicidade é a expressão que desde os primórdios filosóficos da humanidade tenta apagar a infelicidade própria dos seres de linguagem e que só seria apagada quando, como animais, voltássemos ao escuro.

Esta alternativa é interdita ao animal humano abalado em sua condição pela luz da razão realizada como linguagem. O que era tido como o cerne da felicidade humana se converte em incontornável tormento de qualidade ancestral. O que Kojève sustentava ao ocupar-se da pós-história não era uma possibilidade do futuro, mas algo que já havia acontecido. A pós-história é a vivência do eterno presente, segundo Kojève, própria da american way of life, tempo de americanização (atualmente sinologização) do mundo a que chamam hoje globalização. Kojève, no entanto, sustentava a possibilidade de manutenção do humano em tempos pós-históricos desde que, decerto modo, humanos aniquilassem o animal em si mesmos. Humano era essa negação do animal, no que Kojève não se diferencia de toda a tradição filosófica que desde a antiguidade esforçou-se em ver o humano a partir de um deslocamento em relação à natureza. Desejo de superar a morte? É certo que o lucro simbólico é imenso.

O corpo não passa de lembrança da morte num tempo transformado em máquina de esquecimento, em lugar de passagem, característica da vida sempre capturada pelo desejo humano de poder. O corpo é a própria experiência do limbo que São Tomás já interpretava como tempo de abandono. No limbo, o que resta ao humano é o espectro do símbolo, é viver do formalismo, é ser imitação de si mesmo: boneco ou cão, a escolha não mais nos pertence. Eis o que significa a pós-humanidade.
Marcia Tiburi
Picture by Lucien Freud

25 de jul. de 2008

8 dicas para você fingir que viu Sex and the City

A série já era um terreno pantanoso para os machos. O filme de cinema, então, é ainda pior.

Mas como não tem jeito, a mulherada toda vai assistir - ou já assistiu -, preparamos alguns comentários sobre Sex and the City que dão a impressão que você passou duas horas e meia da sua existência assistindo a esse lixo.

Faça sua cola.

1 "Eu não lembrava que o nome do Mr. Big é John Preston. Isso tinha sido revelado na série?"

2 "Como homem, eu entendo por que o sr. Big foge na hora do casamento. Casar pra quê? Tava tudo perfeito entre eles, não?"

3 "O cara dá de presente para ela um closet maior para caber todas as suas roupas e sapatos! Isso é que é entender as mulheres."

4 "Eu não quero falar mal do filme, mas bem que eu podia ter passado sem ver aquele Dante pelado."

5 "A série era muito mais engraçada. O filme é depressivo quase do começo ao fim. Cadê o humor? Caramba, eles querem que a gente dê risada quando a Charlotte caga nas calças? Isso não tem graça, é só nojento."

6 "A Miranda tinha mesmo que perdoar o marido. O cara pulou a cerca, mas foi depois que eles passaram seis meses sem transar. Pô, seis meses? O cara não é de ferro."

7 "Bem, a lição do filme é clara: nunca deixe de ler os seus e-mails. Se a Carrie fizesse isso não passaria cinco meses sofrendo longe do Mr. Big."

8 "Aquela cena final foi feita para vocês, mulheres. Um cara pede a garota em casamento calçando um sapato novo nela. Vocês só pensam nisso!"
Revista VIP
Confissão: Sempre que podia assistia a esta série. É sensacional conhecer o universo feminino.

Auto-sabotagem dos desejos


O desejo não é uma procura por parte do ser humano, não é exatamente a resposta a uma iniciativa do indivíduo, assim como ter necessidade de comer e beber, não é uma escolha nossa, mas é doado pela natureza.

As necessidades do homem se manifestam através do desejo, abrangendo desde a própria conservação e segurança, auto estima, desejo do saber, necessidade de amar e ser amado, até o conhecimento do transcendental; mas nem sempre um desejo corresponde essencialmente a uma necessidade.

O desejo é vivido, partindo do estado da necessidade essencial em direção à satisfaçao, que nem sempre é percebida com clareza.Quando o desejo se abre à ‘procura de algo’, o objetivo da alma é encontrar esse ‘algo’.

A meta final é vista como um valor, um bem em si mesmo, porque responde à nossa necessidade de prazer. Aqui, entao, pode entrar o risco de confundir desejos com necessidades. A pessoa com a auto- estima baixa, é perita nessa confusão. Inconscientemente, acha que não é merecedora de tal prazer e, automaticamente, transforma o prazer em necessidade objetiva, colocando a necessidade em oposição ao desejo.

A baixa auto-estima faz crer que o ‘desejar’ é egoismo, algo não necessário. Dessa forma, quando os desejos afloram, são reprimidos pra eliminar o sentimento de culpa ou são automaticamente convertidos em ‘necessidades’ pra serem legítimos. Procurar melhorar a auto-estima é importante, não só pra amplificar a extensão do prazer mas pra aprender a se auto valorizar de forma equilibrada, podendo assim, exercer escolhas responsáveis e conscientes.
Picture by Odilon Redon

Sofrer faz parte da vida


Sofrer faz parte da vida. Porém, só você pode decidir o quanto se permite sofrer e por quanto tempo. É normal que se sofra quando algo ruim nos acontece.
Afinal, somos humanos etemos sentimentos, emoções. Precisamos efetivamente chorar as perdas que acontecem em nossas vidas. Mas não devemos sofrer eternamente, seja lá pelo motivo que for. A vida é transformação constante e, por isso, tudo tem de passar.

Nada pode ter apretensão de durar para sempre.Todas as nossas provações, todos os nossos sofrimentos têm uma razão de ser.E, quanto cumprida essa razão, deixam de ser necessários. Então, é chegada a hora de abrir mão deles, é preciso seguir adiante, partir para outra. Não estou menos prezando o seu sofrimento, nem tentando dizer que sua dor não existe, ou que não tem sentido.

Apenas quero lhe dizer para viver tão intensamente a sua dor quanto for necessário, mas depois deixá-la ir. E voltar a viver sua vida com alegria. A vida não nos exige sacrifícios infundados e tolos. A vida apenas nos dá elementos para aprimorarmos a nossa percepção e descobrir as nossas potencialidades. Quando compreendemos isso, a dor passa a ser um elemento natural em nossa vida e nos tornamos capazes de lidar melhor com ela."Você já aprendeu a atravessar paredes?

É fácil atravessar paredes, desde que você saiba onde está a porta". (Roberto Shinyashiki)Observe ao redor e descubra as portas que o conduzem para onde você quer ir. E livre-se do sofrimento o quanto antes. Esse é o sentido real de "ser feliz". A felicidade consiste em saber que as portas existem e confiar que, tendo-se uma atitude correta, no momento certo elas se abrirão. E as portas serão tão amplas quanto a esperança que existir em seu coração.

Não se atravessam paredes com força bruta e atitudes impensadas. Mas, sim, com ponderação, aceitação, paciência, preparo e determinação. Não se atravessa um período de dor com desespero e apego infinito ao sofrimento. Mas, sim, com ponderação, aceitação, paciência, preparo edeterminação.Sofrer faz parte da vida. E, como tudo na vida, o sofrimento também passa.
Gilberto Cabeggi

24 de jul. de 2008

Só não pode em Jerusalém!


E um belo dia Lula morreu. Não divulgaram a causa mortis, mas com boa vontade dá para imaginar.

Fizeram então uma reunião em Brasília para decidir onde ele seria enterrado.

Um sem-terra sugeriu:- Deve ser enterrado em Guaranhuns. É a terra dele.

Então um bêbado, que não se sabe como entrou na reunião, disse com aquela entonação típica dos bebuns:- Em Guaranhus pode... Só não pode em Jerusalém!!!

Ninguém deu bola para o que ele disse.
Um petista falou:- O companheiro deve ser enterrado em São Bernardo. Foi lá, junto com a gente, que ele viveu e fez sua carreira sindical e política.

O bêbado mais uma vez interveio:- Em São Bernardo pode.. Só não pode em Jerusalém!!! Novamente, ninguém lhe deu ouvidos.

- Nem em Guaranhuns, nem em São Bernardo, interveio um Pemedebista:- Deve ser enterrado em Brasília, pois era Presidente da República

E todos os presidentes devem ser enterrados na Capital Federal.

E o bêbado novamente:- Em Brasília pode... Só não pode em Jerusalém!!!

Aí, perderam a paciência e resolveram interpelar o bebum:
- Por que esse medo de que o Lula seja enterrado em Jerusalém?

E o bêbado respondeu:- Porque uma vez enterraram um cara lá, e ele ressuscitou, vai que a gente não pode correr este risco com esse aí.

Progresso pessoal


A parte mais importante do progresso é o desejo de progredir
Sêneca
Picture by Mark Adams

Codornas

Há tempos, um bando de mais de mil codornas habitava uma floresta da Índia. Viviam felizes, mas temiam enormemente seu inimigo, o apanhador de codornas. Ele imitava seu chamado e, quando se reuniam para atendê-lo, jogava sobre elas uma enorme rede e as levava numa cesta para vender. Mas uma das codornas era muito sábia e disse:- Irmãs! Elaborei um plano muito bom. No futuro, assim que o caçador jogar a rede, cada uma de nós enfiará a cabeça por dentro de uma malha e todas alcançaremos vôo juntas, levando-a conosco. Depois de tomarmos uma boa distância, deixaremos cair a rede num espinheiro e fugiremos.Todas concordaram com o plano. No dia seguinte, quando o caçador jogou a rede, todas juntas a içaram conforme a sábia codorna havia instruído, jogaram-na sobre um espinheiro e fugiram. Enquanto o caçador tentava retirara rede de cima do espinheiro, escureceu e ele teve de voltar para casa. Isso aconteceu durante várias tentativas, até que afinal a mulher do caçador se aborreceu e indagou. - Por que você nunca mais conseguiu pegar nenhuma codorna? O caçador respondeu: - O problema é que todas as aves estão trabalhando juntas, ajudando-se entre si. Se ao menos elas começassem a discutir, eu teria tempo de pegá-las. Dias depois, uma das codornas acidentalmente esbarrou na cabeça de uma das irmãs quando pousaram para ciscar o chão. - Quem esbarrou na minha cabeça ? - perguntou raivosamente a codorna ferida.- Não se aborreça. Não tive a intenção de esbarrar em você - disse aprimeira. Mas a irmã agredida continuou a discutir:- Eu sustentei todo o peso da rede! Você não ajudou nem um pouquinho! - gritou. A primeira então se aborreceu e em pouco tempo estavam todas envolvidas na disputa. Foi quando o caçador percebeu a sua chance. Imitou o chamado das codornas e jogou a rede sobre as que se aproximaram. Elas ainda estavam contando vantagem e discutindo, e não se ajudaram a içar a rede. Portanto, o caçador ergueu-a sozinho e enfiou as codornas dentro da cesta. Enquanto isto, a sábia codorna reuniu as amigas e juntas voaram para bem longe, pois ela sabia que discussões dão origem a infortúnios.

Memória e esperança


O século 20 conheceu formas de poder opressivas e violentas contra as quais as pessoas se rebelaram em nome da liberdade e da dignidade, alcançando por fim vitórias que custaram o sacrifício de muitas vidas.

Como a coragem e o heroísmo superam a morte, podemos dizer que nesse caso os mortos venceram.

O século 21 provavelmente conhecerá formas dissimuladas de opressão em que os indivíduos entregarão seus corpos e suas almas a poderes cuja violência já estará instalada dentro deles e à qual, portanto, não poderão fazer qualquer oposição.

Como a resignação, o conformismo e o egoísmo valem menos que a vida, podemos dizer que, nesse caso, sobreviver será uma derrota, a ser partilhada num mundo de mortos-vivos. O poder se transforma para manter a sua inflexibilidade. O poder nos transforma graças à flexibilidade de nossas convicções.

O poder triunfa quando renunciamos a qualquer convicção, quando perdemos a força de persistir e, assim, de podermos ser derrotados. Se assumimos que já não há grandes causas a defender, estamos cientes de que não seremos derrotados porque já o estamos de antemão. Do risco da derrota à incorporação da passividade o caminho é o silenciamento de tudo que em nós clamaria pela humanidade. Não há estrada mais segura para levar ao desaparecimento da política e à dissolução da ética: um caminho onde nos perdemos dos outros e de nós mesmos.

Quando já não há mais nada a esperar, nos ajustamos ao vazio e, num mundo deserto, nos dispomos a carregar o fardo da inutilidade, esperando que a existência histórica nos seja leve. A vida contemporânea é principalmente um processo de conformação, em que tudo nos impede de perceber e de pensar a possibilidade de transformação, apesar de vivermos num mundo em que as novidades nos assolam: o progresso nos aprisiona no próprio ritmo em que nos conduz.

O ano de 1968 marca o último episódio em que pudemos crer na possibilidade de desenhar o mapa do futuro. Suas linhas não eram nada precisas, a mão não possuía a firmeza e a segurança da maturidade, o pensamento não era claro, a vista se dividia entre a realidade e o sonho, mas o coração era sensível à esperança e tudo isso fundamentava a certeza simples de que o devir histórico continha a transformação e se definia pela expectativa de que todos poderiam tornar-se outros e que o mundo se tornaria outro porque nada do que existia era suficientemente forte para resistir à história e ao futuro.

Não havia, na verdade, projeto político definido de reestruturação objetiva da sociedade e do poder. Havia, evidentemente, as afirmações protocolares dos militantes, as teses dos partidos, as análises teóricas das práticas reais e possíveis, até a projeção de utopias. Mas seria preciso ser Deus para ver com clareza a própria recriação do mundo.
Não há nada de estranho em assumir um compromisso pelo qual se engaja na incerteza, se a ação é inspirada pela liberdade e pela vontade de enfrentar todas as contingências. Não se trata apenas de imaginar um mundo possível, mas de considerar que a aventura humana pode transgredir as possibilidades e, mesmo que de tudo isso resulte uma realidade menor do que o intento, a tentativa terá valido a pena.

Exigência radical
O que havia de grandiosamente impossível na base de tudo que se queria fazer não eram reivindicações implausíveis ou irrealistas. Era algo mais radical: a completa transformação do poder.

As revoluções costumam aspirar ao poder para transformar a realidade; em 1968 o que se queria transformar era a realidade do poder. Não se pretendia o seu alargamento, a expansão de seu alcance inclusivo, a modificação de seus dispositivos, a sua redistribuição, a renovação de seu modo de ser e de operar.

O que se pretendia era o poder de transformar o poder. Essa visão momentânea e ofuscante do que estava além de todas as possibilidades não pode ser explicada nem mesmo por aqueles que estiveram mais diretamente presentes ao acontecimento.

Porque essa transformação do poder não poderia consistir em lhe dar nova forma, mas em instalar uma tal reciprocidade entre vida e poder que tornasse impossível conceber o fluxo da experiência humana sem essa impregnação, de tal modo que viver e poder coincidissem num permanente processo de reinvenção da realidade, por parte de todos, isto é, de cada um segundo a sua singularidade.

Seria fastidioso enumerar os pontos em que essa idéia - ou esse sentimento, porque também essa dicotomia teria que ser revolucionada - contrariava todos os elementos de todos os cânones culturais e políticos. Mas isso nos permite avaliar, de forma aproximativa e imprecisa, como estamos longe de 1968. A distância cronológica de 40 anos contrasta com a distância política, que provavelmente sequer possamos medir.

Se isso era realizável, plausível ou possível é o que menos importa saber. A força de um propósito e a liberdade que o anima não se medem pela sua realização, mas pela intensidade do impulso que os originou. Em todo e qualquer esforço para compreender o que se passou em 1968, algo permanecerá sempre velado, até porque assim já estava na época. Essa parcela de obscuridade faz parte da ação histórica e é tanto maior quanto mais significativa ela tenha sido.

Os momentos históricos podem ser reconstruídos de várias formas, mas eles somente revelam nessa reconstrução aquilo que somos capazes de ver. Por isso, são inúteis e inválidas, quando não são desonestas, as tentativas de compreender 1968 através de procedimentos retrospectivos que procuram sobrepor ao acontecimento componentes da situação presente.

Que lá houvesse intenções manipuladoras, trajetórias políticas com rota própria, interesses alheios ao espírito do movimento, grandes equívocos, tudo isso estava de fato presente, como elementos divergentes que confluíam contraditoriamente, como ocorre nos eventos históricos. Mas nada disso abala a originalidade do acontecimento, antes integra o seu teor dramático.
Resistência da memória

Tampouco é pertinente estabelecer certas relações de continuidade ou de contrariedade entre 1968 e o curso que a história tomou desde então, no que concerne a eventos e personagens. É difícil e perigoso falar, nesse caso, de "desdobramentos". O que 1968 projetou foi tão radical que qualquer caminho histórico posteriormente percorrido e que se queira vincular ao acontecimento
como resultado ou herança corre o risco de parecer insignificante.

O significado do acontecimento, que se torna cada vez mais difícil avaliar à medida que o tempo passa, certamente superou os fatos particulares e os protagonistas efetivos. Cada vez que "comemoramos" 1968, o esquecimento e a distorção comparecem como convidados indesejáveis, mas obrigatoriamente presentes.

A memória, como se sabe, é a arma dos resistentes. Nesse sentido, aqueles que propõem o total esquecimento de 1968 estariam, talvez, prestando um serviço à História, à revelia de si mesmos. Pois o empenho com que propõem que o acontecimento seja apagado e desprezado é um testemunho evidente de que algo ali se passou que seria conveniente esquecer por completo. Algo que não deveria ter acontecido. E que foi tão importante que não basta que tenha sido derrotado: teria que desaparecer da memória e da história.

Ora, isso é razão suficiente para que, apesar de todas as dificuldades, preservemos a memória de 1968. Porque, se os episódios de barbárie devem ser lembrados para que não sejam repetidos, os episódios em que a história se encheu de liberdade e esperança devem ser lembrados sempre, para que, eventualmente, possamos, não repeti-los, mas tentar fazer com que vença, em outro momento e de outra maneira, a esperança dos vencidos.

Franklin Leopoldo e Silva

23 de jul. de 2008

Loira na igreja universal !


Sempre as loirinhas coitadinhas, mas o que se pode fazer?

Uma loira comenta sua situação aflitiva com um amigo, crédulo da Igreja Universal:

- Ninguém merece. Estou sem crédito na praça, devendo pra todo mundo. Não vejo solução. Meu nome no SPC está que nem puleiro de papagaio.
Estou desempregada e sem dinheiro, cheia de contas e carnês atrasados. Não há nada que dê jeito nessa situação. Já perdi a esperança!
Acho que já estou doente.

O amigo:
- Calma ! Não é nada disso ... Você precisa de ajuda espiritual. Você conhece a minha igreja ? Pois é, na quarta-feira, tem uma Sessão de Descarrego onde todos são curados ou aliviados, com os pastores e muita fé. Vai lá ... Vamos te salvar !

Na quarta-feira, a loira vai. No meio do culto é chamada ao palco e, entre outros desesperados, um pastor a agarra e brada:
"Sai desse corpo, demônio ! Disaloja ! Esse corpo não te pertence !

Em nome de Jesus, te afasta desta alma boa !!!

E colocando a mão em sua testa, brada:
- Estou ordenando: Em nome de Jesus, Disaloja ! ... Disaloooja ! ...

E a loira: C&A! Casas Pernambucanas! Renner! Magazine Luiza!

Amor próprio


Pode querer bem aos outros quem não quer bem a si mesmo?
Erasmo
Picture by Andrzej Filipowicz

Aprendi


“...A distância pode causar saudade, mas nunca o esquecimento..."

De uma forma positiva, aprendi que não importa o que aconteça, ou quão ruim pareça o dia de hoje, a vida continua, e amanhã será melhor.

Aprendi que se pode conhecer bem uma pessoa, pela forma como ela lida com três coisas:

Um dia chuvoso, uma bagagem perdida e os fios das luzes de uma árvore de natal que se embaraçaram.

Aprendi que, não importa o tipo de relacionamento que tenha com seus pais, você sentirá falta deles quando partirem.

Aprendi que "saber ganhar" a vida não é a mesma coisa que "saber viver".

Aprendi que a vida às vezes nos dá uma segunda chance.

Aprendi que viver não é só receber, é também dar.

Aprendi que se você procurar a felicidade, vai se iludir.

Mas, se focalizar a atenção na família, nos amigos, nas necessidades dos outros, no trabalho e procurar fazer o melhor, a felicidade vai encontrá-lo.

Aprendi que sempre que decido algo com o coração aberto, geralmente acerto.

Aprendi que quando sinto dores, não preciso ser uma dor para outros.

Aprendi que diariamente preciso alcançar e tocar alguém.

As pessoas gostam de um toque humano, segurar na mão, receber um abraço afetuoso, ou simplesmente um tapinha amigável nas costas.

Aprendi que ainda tenho muito que aprender.

As pessoas se esquecerão do que você disse...

Esquecerão o que você fez....

Mas nunca esquecerão como você as tratou.

Copo com água


Um conferencista falava sobre gerenciamento da tensão.
Levantou um copo com água e perguntou à platéia: - Quanto vocês acham que pesa este copo d'água?
As respostas variaram entre 20 g e 500 g.
O conferencista, então, comentou: Não importa o peso absoluto.
Depende de quanto tempo vou segurá-lo.
Se o seguro por um minuto, tudo bem.
Se o seguro durante um dia inteiro, você terá que chamar uma ambulância para mim.

O peso é exatamente o mesmo, mas quanto mais tempo passo segurando-o, mais pesado vai ficando.
Se carregamos nossos pesos o tempo todo, mais cedo ou mais tarde não seremos mais capazes de continuar, pois a carga vai se tornando cada vez mais pesada.

É preciso largar o copo e descansar um pouco antes de segurá-lo novamente.
Temos que deixar a carga de lado, periodicamente. Isto alivia e nos torna capazes de continuar.
Portanto, antes de você voltar para casa, deixe o peso do trabalho num canto.
Não o carregue para casa. Você poderá recolhê-lo amanhã.
A vida é curta, aproveite-a! Pense a respeito

A personalidade


A harmonia do comportamento social requer, todos o sabemos, tanto o isolamento como o convívio.

Excessiva comunicação, debates exagerados de assuntos que requerem meditação e peso moral, avesso muitas vezes à cordialidade natural das afinidades eletivas, não enriquecem o património de uma sociedade.

Antes embotam e alteram o terreno imparcial da sabedoria. A solidão favorece a intensidade do pensamento; por outro lado, torna de certo modo celerado o homem que lida com a força material, com a técnica, com os outros homens.

O impulso é a força que atualiza estas duas atitudes. Os ricos de impulso que se prontificam a uma reação agressiva ou escandalosa, esses são associais especialmente difíceis. Todo o revolucionário é associal, se o impulso for nele um desvio da vida instintiva, e não uma atitude de homem capaz de obedecer e mandar a si próprio.

"A felicidade máxima do filho da terra há-de ser a personalidade" - disse Goethe. Personalidade criadora, obtida à custa do ajustamento das nossas próprias leis interiores, que não serão mais, no futuro, forças repelidas ou encobertas, mas sim valiosas contribuições para o tempo do homem. Quando tudo for analisado e conhecido, só o justo há-de prevalecer.
Agustina Bessa-Luís
Picture by Wassily Kandinsky

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